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APOSTILA

NEJA III
Primeiro Bimestre
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LÍNGUA PORTUGUESA
FRASE ORACIONAL, FRASE NÃO ORACIONAL E PERÍODO

Nesta aula, conheceremos a estrutura do período e da frase, que poderá ser: não oracional ou oracional. Podemos
considerar como frase todo enunciado de sentido completo utilizado para um determinado momento de comunicação. Se
eu digo “Oi”, tal expressão constitui uma frase por estar carregada do sentido de “cumprimentar alguém
informalmente”. A frase não oracional é aquela que não possui verbo, como é o caso do exemplo dado acima. Pode ser
constituído de somente uma ou mais palavras.
Exemplos: Fogo!
Que belo trabalho!
Silêncio!

Já a frase oracional, comumente chamada de oração, é aquela que contém um verbo ou uma locução verbal.
Exemplos: Você está bem?
Joana foi falar com o chefe hoje.

O verbo da oração poderá também estar implícito ou oculto. Neste caso, se for possível identificar qual verbo
estaria na frase, esta constitui também uma frase oracional, ou seja, uma oração. Veja:

“No mar, tanta tormenta e tanto dano”. (Camões)

Neste exemplo, temos o verbo haver oculto (No mar há tanta tormenta...). Quando tal situação ocorre, é comum
utilizarmos a vírgula para marcar a posição deste verbo.
Até agora, você estudou os tipos de frase, que são basicamente dois: oracional e não oracional. Este assunto é
comumente tratado no estudo de gramática, quando aprendemos sobre a estrutura da oração. Para aprofundar nosso
estudo, vamos recordar o conceito de período! Os períodos classificam-se, basicamente, em simples ou compostos.
O período simples (chamado também de oração absoluta) é aquele apresenta apenas uma oração, ou seja, um
verbo. Veja:
Acordem!
A vida passa lentamente nessa cidade.

O período composto é aquele que apresenta duas ou mais orações em sua formação. Veja:

Acordem logo, porque o café já está na mesa!


(02 verbos = 02 orações) Cuidado com a locução verbal! Ela é considerada apenas 1 verbo!

Depois de tomarem o café, escovem os dentes e arrumem-se para passearmos pela cidade.
(04 verbos = 04 orações)

Agora que você já sabe o que o período é a frase constituída por uma ou mais orações, vamos aprender mais
sobre como ele se classifica! O período composto subdivide-se em:

 Período composto por coordenação;


 Período composto por subordinação.

O período composto por coordenação é formado por orações chamadas independentes. Elas apenas são
colocadas lado a lado, ou seja, são justapostas.
No período composto por subordinação, há uma oração principal e outra que exerce uma função sintática em
relação a um elemento da principal, podendo ser o seu objeto, o seu complemento, etc. Veja os exemplos:

Eu ganhei um caderno /e comprei canetas novas.


primeira oração segunda oração

No exemplo acima, as orações são independentes, não estabelecem uma relação de subordinação onde uma
desempenha uma função sintática em relação à outra. Por isso são chamadas de orações coordenadas (apenas colocadas
uma ao lado da outra).
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Eu sabia /que iria ganhar um caderno novo.


Oração Principal Oração subordinada com função de objeto direto do verbo (saber) da primeira oração.

Neste exemplo, a segunda oração desempenha uma função sintática em relação ao verbo “sabia” da primeira
oração: funciona como complemento, ou seja, objeto direto do verbo saber. Por essa razão, há uma relação de
subordinação entre essas orações. Por isso são chamadas de orações subordinadas. Mais tarde estudaremos com mais
detalhes o período composto por coordenação, o período composto por subordinação e suas subdivisões.

Atividades

1. Observe as frases abaixo e responda às perguntas:


Escondidas vida maravilhas que a guarda perceba.
Difícil que crianças o é entender as querem.
a) Estas duas estruturas são exemplos de frases? Justifique.

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b) Reescreva as frases acima, de forma a ajustá-las para tornar a comunicação eficiente.
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2. Observe as frases abaixo e separe-as nas três colunas a seguir:
a) Que roupa legal! e) Fogo!
b) Tristes, os dias nublados... f) Será possível conversarmos agora?
c) Assisto a este programa há dez anos. g) O falar demais compromete a verdade.
d) O filho compreende o olhar de um pai. h) Que tristeza.

Frases não oracionais Período simples Período composto

3. Una os períodos simples abaixo e transforme-os em períodos compostos. Para isso, você utilizará palavras ou
expressões que conectarão, unirão as duas orações. Essas palavras são chamadas de conectores e estão no quadro a
seguir para que você escolha uma para cada situação:
Porque – logo que – apesar – então – porém - logo – segundo – quando - e

a) Eu estava na sala. Ele entrou.


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b) Consegui estudar tudo. Fiz uma ótima prova.
________________________________________________________________________________
b) Estudei tanto. Não consegui fazer a prova toda.
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c) Estudei muito. Preciso de uma ótima nota!
__________________________________________________________________________________
d) Os jornais anunciaram. O Cruzeiro ganhou o campeonato.
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e) Recebeu o dinheiro. Depositou tudo rápido.
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f) Não sabia onde era a rua. Chegou lá sem problemas.


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g) Comprou o caderno. Entregou-o para o filho.
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II. O Parágrafo

Nesta aula, começaremos a estudar a organização do parágrafo. Primeiro, vamos ver o que é um parágrafo:

O parágrafo é unidade de informação construída a partir de uma ideia que, juntamente com outras ideias de outros
parágrafos, construirão um texto. É importante lembrar que pode haver um texto completo com um único parágrafo.

Vamos ler a crônica abaixo:


Aprenda a chamar a polícia

Eu tenho o sono muito leve e, numa noite dessas, notei que havia alguém andando sorrateiramente no quintal
de casa. Levantei em silêncio e fiquei acompanhando os leves ruídos que vinham lá de fora, até ver uma silhueta
passando pela janela do banheiro. Como minha casa era muito segura, com grades nas janelas e trancas internas nas
portas, não fiquei muito preocupado, mas era claro que eu não ia deixar um ladrão ali, espiando tranquilamente.
Liguei baixinho para a polícia, informei a situação e o meu endereço. Perguntaram-me se o ladrão estava
armado ou se já estava no interior da casa. Esclareci que não e disseram-me que não havia nenhuma viatura por perto
para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse possível.
Um minuto depois, liguei de novo e disse com a voz calma:
— Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal. Não precisa mais ter pressa. Eu já matei o
ladrão com um tiro da escopeta calibre 12, que tenho guardada em casa para estas situações. O tiro fez um estrago
danado no cara!
Passados menos de três minutos, estavam na minha rua cinco carros da polícia, um helicóptero, uma unidade
do resgate, uma equipe de TV e a turma dos direitos humanos, que não perderia isso por nada neste mundo.
Eles prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara de assombrado. Talvez ele estivesse
pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia.
No meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse:
— Pensei que tivesse dito que tinha matado o ladrão.
Eu respondi:
— Pensei que tivesse dito que não havia ninguém disponível.

Perceba que os parágrafos são formados por períodos simples e por períodos compostos. Além disso, cada um
deles traz uma informação nova para o desenvolvimento da trama. Observe:
1º parágrafo: apresentação da situação;
2º parágrafo: primeira decisão da vítima;
3º parágrafo: primeira atitude dos policiais;
4º e 5º parágrafos: segunda decisão da vítima;
6º parágrafo: segunda atitude dos policiais;
7º parágrafo: clímax e atitude do ladrão;
8º parágrafo: posição dos policiais;
9º e 10º parágrafo: conclusão da história com atitude final da vítima.

Como você pôde notar, os parágrafos trazem informações diferentes que, progressivamente, formam o todo da
trama textual. É por isso que dizemos que o parágrafo é uma unidade constituída a partir de uma ideia central.
Cada parágrafo traz uma ideia que vai compondo a ideia maior trazida pela história. No caso da crônica
“Aprenda a chamar a polícia...”, essa ideia maior seria mostrar ao leitor como ele conseguiu, de forma inusitada, fazer
com que a polícia viesse a sua casa para prender um ladrão. As ideias menores estão nos parágrafos, que dão
andamento à narrativa.
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Um parágrafo deve ser completo: ter unidade que apresente uma organização e tenha coerência. O parágrafo
terá coerência quando suas frases formam um todo com sentido completo ou se encaixam perfeitamente de forma
compreensiva. Lembre-se que se um parágrafo é coerente, o leitor entende o andamento do texto com tranquilidade.
Falando em ideia central, vamos aprender um termo importante para seu estudo: tópico frasal. O tópico
frasal é a parte do parágrafo em que conseguimos identificar sua ideia central. Quando você lê um parágrafo,
deve ser capaz de reconhecer sua ideia-núcleo, ou seja, de encontrar o tópico frasal.

ATIVIDADES

1. Um parágrafo é uma unidade de informação construída a partir de uma ideia núcleo ou tópico frasal. Sublinhe o
tópico frasal de cada trecho a seguir:

a. Há tempos, a avaliação era motivo para medo, tensão e ansiedade. Hoje em dia, as ideias em relação a este processo
mudaram bastante, podendo evoluir ainda mais. O que se precisa fazer é escolher o método avaliativo ideal para cada
grupo em questão. Sendo assim, o processo será melhor aproveitado tanto pelo educador como para o educando.
(Vanessa Sanceverino in Ensino – Aprendizagem: Os Múltiplos Desafios, disponível em
http://www.anj.org.br/jornaleeducacao/biblioteca/artigos/ensino-2013-aprendizagem-os-multiplos-desafios/)

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b. Através da leitura temos a chance de alargar nossos horizontes profissionais, culturais e pessoais, pois a leitura deve
desempenhar múltiplas funções sociais.
(Larêdo, Salomão in O Leitor que faz a diferença, disponível em: http://www.anj.org.br/jornaleeducacao/biblioteca/artigos/o-leitor-que-faza-diferenca/)

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c. Quem lê sabe que uma biblioteca pública desempenha papel fundamental no acesso ao livro e na disseminação da
leitura nas classes menos favorecidas e por isso vai reivindicar mais bibliotecas públicas nos bairros,clubes,
embarcações, nos ônibus e outros locais.
(Larêdo, Salomão in O Leitor que faz a diferença, disponível em: http://www.anj.org.br/jornaleeducacao/biblioteca/artigos/o-leitor-que-faza-
diferenca/)

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d. É sempre bom lembrar que a violência na família não deve ser somente atribuída ao espaço que a mídia ocupa hoje
na sociedade. Muito antes dos jornais e revistas, antes do rádio, da tv, da Internet, a violência que se tem notícia já
assolava a humanidade. (Boechat, Ivone in Violência http://www.anj.org.br/jornaleeducacao/biblioteca/artigos/violencia-1/)
_______________________________________________________________________

2. Construa em seu caderno um parágrafo inicial para cada assunto abaixo:


a) O namoro na atualidade.
b) Violência urbana.

CONCORDÂNCIA NOMINAL

Nesta aula, você estudará a relação de concordância entre as palavras e expressões de um enunciado. É essa
relação que definirá, por exemplo, se uma palavra precisará estar no plural ou no singular para “combinar” com outra.
Veja:
As meninas voltarão amanhã para casa.
Este verbo está no plural para concordar com o sujeito (As meninas).

Como foi uma adaptação do verbo, chamamos de concordância verbal. Neste mesmo exemplo, vemos o
artigo definido “A” no plural em “As meninas”. Foi necessário concordar o artigo com o termo a que está ligado
(meninas). Como se trata de concordância de uma palavra que não é verbo, damos a este processo o nome de
concordância nominal. Agora, nossa atenção se voltará ao estudo da concordância nominal. É importante que você
não se esqueça do seguinte conceito: concordância nominal é o processo que destaca a relação de flexão e a variação
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de gênero (masculino/feminino) e de número (singular/plural) entre o substantivo e um pronome, um adjetivo, um


artigo etc. A essas palavras que se ligam ao substantivo ou a um pronome, para acrescer-lhes a ideia de gênero e de
número, chamamos de determinantes.

 Substantivo no singular – determinantes no singular

A terceira bolsa amarela é minha.


Artigo numeral substantivo adjetivo

As primeiras encomendas atrasadas foram as minhas?


artigo numeral substantivo adjetivo

Veja que, nos dois exemplos acima, o núcleo do sujeito (substantivo, em ambos os casos) é o que define a
variação de artigos, numerais, adjetivos e pronomes (determinantes) em gênero e número. Assim se faz, basicamente, a
concordância nominal.
Agora, conheceremos as famosas “regras de concordância”. Elas existem para mostrar como faremos em casos
especiais em que, geralmente, temos dúvidas em estabelecer tais relações. Vamos conhecê-las!
Regra: Palavras e expressões específicas
1. Obrigado: Concorda com o substantivo a que se refere.
Ex. Muito obrigada, disse a aluna ao professor.
Muito obrigado, disse o professor à aluna.
Obs. Emprega-se a mesma regra para as palavras: mesmo (adjetivo), próprio, incluso, anexo, leso e quite)

2. Menos: A palavra é invariável e deve ficar sempre no singular e no masculino.


Ex. Nessa quitanda há menos frutas do que legumes.

3. Mesmo: Quando funcionar como advérbio, fica invariável. Quando desempenha o papel de pronome
reflexivo, é variável.
Ex. Elas fizeram isso tudo sozinhas mesmo?
Elas mesmas fizeram isso tudo sozinhas!

4. Meio: Quando funcionar como advérbio, fica invariável. Quando desempenha o papel de numeral, é variável.
Ex. Vou usar meia xícara de manteiga no bolo.
Estou meio desconfiada de que esta quantidade não será suficiente.

5. Bastante: Quando funcionar como advérbio, fica invariável. Quando desempenha o papel de pronome
indefinido, é variável.
Ex. As mulheres do evento eram bastante lindas.
No evento, havia bastantes mulheres lindas.
Dica: troque “bastante” por “muito”. Se a palavra “muito” variar, “bastante” também variará.

6. É proibido, é necessário, é bom:


a) Havendo determinantes (neste caso, artigos ou numerais) para o substantivo, as expressões variarão em gênero e
número.
b) Não havendo determinantes, as expressões serão invariáveis.
Ex. a) É proibida a entrada. b) É proibido entrada.
a) A água é boa para a saúde. b) Água é bom para a saúde.
a) A prática de esportes é necessária para a qualidade de vida. b) Prática de esportes é necessário para a qualidade
de vida.

ATIVIDADES

1. Com base nos textos abaixo, responda às perguntas:

1. Leia os textos abaixo e responda:


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a)  Observe a primeira tira: no terceiro quadrinho,


lê-se na carta: ‘... dizer obrigada’. Poderia, sem
prejuízo da norma gramatical responder
‘obrigado?’

_____________________________________________
_____________________________________________
_____________________________________________
_____________________________________________
_____________________________________________
_____________________________________________
_________________

b)
 Observe a segunda tirinha: por que a
personagem afirma que “Osmar” é um erro de
concordância? O mesmo poderia servir para
avaliação de algum dos dois nomes do segundo
quadrinho? Justifique
_____________________________________________
_____________________________________________
_____________________________________________
c)
_____________________________________________
_____________________________________________
_____________________________________________
_____________________________________________
_____________________

 Leia a frase que está na placa de uma construção. A palavra ‘proibido’ está no masculino. Tal uso está de
acordo com as regras de concordância nominal? Comente.

_________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________

2. Complete os espaços com a forma apropriada entre parênteses.

a) Água é __________________ para se manter um corpo saudável. (necessário/necessária)


b) A aluna se limitou a dizer muito _______________. (obrigado/obrigada)
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c) Já são duas e ________. (meio/meia)


d) Aquela escola é _____________distante de minha casa. (meio/meia)
e) No final do semestre, estamos todos _______________ ocupados. (bastante/bastantes)
3. (UFF) Assinale a opção em que ocorre ERRO de concordância nominal:
a) Parecia meio aborrecida a mulher de mestre Amaro.
b) Pagando cem mil réis, ele estaria quites com o velho.
c) O seleiro sentiu o papel e a nota novos no bolso.
d) Floridos montes e várzeas se sucediam na paisagem.
e) Os partidos de cana mostravam tonalidades verde-esmeralda.

CONCORDÂNCIA VERBAL

Concordância verbal é a relação estabelecida de forma harmônica entre sujeito e verbo. Isso quer dizer que quando o
sujeito está no singular, o verbo também deve estar; quando o sujeito estiver no plural, o verbo também estará.
Exemplos:
 Eu adoro quando as flores desabrocham na Primavera.
 Elas adoram quando as flores desabrocham na Primavera.
 Cristina e Eva entraram no hospital.

Parece simples, mas há várias situações que provocam dúvidas não só nos alunos, mas em qualquer falante da
língua portuguesa. Vamos a elas!

Regras para sujeito simples


1. Sujeito coletivo
Nesta situação, o verbo fica sempre no singular.
Exemplo:
A multidão ultrapassou o limite.

Por outro lado, se o coletivo estiver especificado, o verbo pode ser conjugado no singular ou no plural.
Exemplo:
A multidão de fãs ultrapassou o limite.
A multidão de fãs ultrapassaram o limite.

2. Coletivos partitivos
O verbo pode ser usado no singular ou no plural em coletivos partitivos, tais como "a maioria de", "a maior parte de",
"grande número de".
Exemplo:
Grande número dos presentes se retirou.
Grande número dos presentes se retiraram.

3. Expressões "mais de", "menos de", "cerca de"


Nestes casos, o verbo concorda com o numeral.
Exemplo:
Mais de uma mulher quis trocar as mercadorias.
Mais de duas pessoas chegaram antes do horário.

Nos casos em que “mais de” é repetido indicando reciprocidade, o verbo vai para o plural.
Exemplo: Mais de uma professora se abraçaram.

4. Nomes próprios
Com nomes próprios, a concordância deve ser feita considerando a presença ou não de artigos.
Exemplo:
Os Estados Unidos influenciam o mundo.
Estados Unidos influencia o mundo.

5. Pronome relativo "que"


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O verbo deve concordar com o antecedente do pronome “que”.


Exemplo:
Fui eu que levei.
Foste tu que levaste.
Foi ele que levou.

6. Pronome relativo "quem"


O verbo pode ser conjugado na terceira pessoa do singular ou pode concordar com o antecedente do pronome "quem".
Exemplo:
Fui eu quem afirmou.
Fui eu quem afirmei.

7. Expressão "um dos que"


Este é mais um dos casos em que tanto o verbo pode ser conjugado no singular como no plural.
Exemplo:
Ele foi um dos que mais contribuiu.
Ele foi um dos que mais contribuíram.

Regras para sujeito composto


1. Sujeitos formados por sinônimos
O verbo tanto pode ir para o plural, como pode ficar no singular e concordar com o núcleo mais próximo.
Exemplo:
Preguiça e lentidão destacaram aquela gerência.
Preguiça e lentidão destacou aquela gerência.

2. Sujeito formado por palavras em graduação e enumeração


Este é mais um caso em que tanto o verbo pode flexionar para o plural, como também pode concordar com o núcleo
mais próximo.
Exemplo:
Um mês, um ano, uma década de poder não supriu a saúde.
Um mês, um ano, uma década de poder não supriram a saúde.

3. Sujeito composto anteposto ao verbo: verbo irá para o plural.


Ex. O menino e a menina mentiram para o pai.

4. Sujeito composto posposto (colocado depois) do verbo: verbo no plural ou concordando com o núcleo
do sujeito mais próximo.

Ex. Mentiu/Mentiram o menino e a menina para seu pai.

5. Sujeito formado por pessoas gramaticais diferentes


Nesta situação, o verbo vai para o plural e concorda com a pessoa, por ordem de prioridade.
Exemplo:
Eu, tu e Cássio só chegaremos ao fim da noite.
(eu, 1.ª pessoa + tu, 2.ª pessoa + ele, 3.ª pessoa), ou seja, a 1.ª pessoa do singular tem prioridade e, no plural, ela
equivale a nós, ou seja, "nós chegaremos".

Jair e eu conseguimos comprar um apartamento.


(eu, 1.ª pessoa + Jair, 3.ª pessoa). Aqui também é a 1.ª pessoa do singular que tem prioridade. No plural, ela equivale a
nós, ou seja, "nós conseguimos".
6. Sujeitos ligados por "ou"
Os verbos ligados pela partícula "ou" vão para o plural quando a ação verbal estiver se referindo a todos os elementos
do sujeito.
Exemplo:
Doces ou chocolate desagradam ao menino.

Quando a partícula “ou” é utilizada como retificação, o verbo concorda com o último elemento.
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Exemplo:
A menina ou as meninas esqueceram muitos acessórios.

Mas, quando a ação verbal é aplicada a apenas um dos elementos, o verbo permanece no singular.
Exemplo:
Laís ou Elisa ganhará mais tempo.

7. Sujeitos ligados por "nem"


Quando os sujeitos são ligados por "nem", o verbo vai para o plural.
Exemplo:
Nem chuva nem frio são bem recebidos.

8. Sujeitos ligados por "com"


Quando semelhante à ligação "e", o verbo vai para o plural.
Exemplo:
O ator com seus convidados chegaram às 6 horas.

Mas, quando "com" representar “em companhia de”, o verbo concorda com o antecedente e o segmento "com" é grafado
entre vírgulas:
Exemplo:
O pintor, com todos os auxiliares, resolveu mudar a data da exposição.

9. Sujeitos ligados por "não só, mas também", "tanto, quanto", "não só, como"
N
esses casos, o verbo vai para o plural ou concorda com o núcleo mais próximo.
Exemplo:
Tanto Rafael como Marina participaram da mostra.
Tanto Rafael como Marina participou da mostra.

10. Partícula "se"


No caso em que a palavra "se" é índice de indeterminação do sujeito, o verbo deve ser conjugado na 3.ª pessoa do
singular.
Exemplo:
Confia-se em todos.

No caso em que a palavra "se" é partícula apassivadora, o verbo deve ser conjugado concordando com o sujeito da
oração.
Exemplo:
Construiu-se uma igreja.
Construíram-se novas igrejas.

11. Verbos impessoais


Os verbos impessoais sempre são conjugados na 3.ª pessoa do singular.
Exemplo:
Havia muitos copos naquela mesa.
Houve dois meses sem mudanças.

11. Sujeito seguido por "tudo", "nada", "ninguém", "nenhum", "cada um"
Neste caso, o verbo fica no singular.
Exemplo:
Amélia, Camila, Pedro, ninguém o convenceu de mudar a opinião.

12. Sujeitos ligados por "como", "assim como", "bem como"


O verbo é conjugado no plural.
Exemplo:
O trabalho, assim como a confiança, fizeram dela uma mulher forte.

13. Locuções "é muito", "é pouco", "é mais de", "é menos de"
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Nestes casos, em que as locuções indicam preço, peso e quantidade, o verbo fica sempre no singular.
Exemplo:
Três vezes é muito.

14. Verbos "dar", "soar" e "bater" + hora(s)


O verbo sempre concorda com o sujeito.
Exemplos:
Deu uma hora que espero.
Soaram duas horas.

15. Indicações de datas


O verbo deve concordar com a indicação numérica da data.
Exemplo:
Hoje são 2 de maio.

Mas o verbo também pode concordar com a palavra dia.


Exemplo:
Hoje é dia 2 de maio.

ATIVIDADES.

1. Leia o texto abaixo, para responder as questões:


Não há vagas
O preço do feijão Como não cabe no poema
não cabe no poema. O preço o operário
do arroz que esmerila seu dia de aço
não cabe no poema. e carvão
Não cabem no poema o gás nas oficinas escuras
a luz o telefone
a sonegação – porque o poema, senhores,
do leite está fechado: “não há vagas”
da carne Só cabe no poema
do açúcar o homem sem estômago
do pão. a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O funcionário público
não cabe no poema O poema, senhores,
com seu salário de fome não fede
sua vida fechada nem cheira.
em arquivos. (Ferreira Gullar)

a) Explique a concordância do verbo no título do poema “Não há vagas” com base nas regras estudadas.
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b) No poema, há cinco ocorrências do verbo “caber” e, em uma delas, a concordância está feita em desacordo com
as regras estudadas. Sinalize o trecho do poema em que isso ocorre e comente esta diferença.
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________________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________________

2. Leia as frases a seguir e indique aquelas em que a concordância verbal não está de acordo com a variedade padrão.
a) Domingo sou eu que sairá mais cedo.
b) Foram as meninas quem ajudou a organizar os livros na biblioteca.
c) Os Lusíadas, de Camões, tratam da viagem de Vasco da Gama às Índias.
d) A turma já chegaram.
e) Uma porção de pessoas ficou presa no estacionamento do parque.
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f) Esses dez por cento de comissão já me satisfazem.


g) Muitos de nós reclamou da taxa cobrada.
h) Nenhum de nós teremos a coragem de sair pela porta da frente.
i) Cerca de oito aviões se aproximam do parque neste instante.

3. Reescreva o texto abaixo, refazendo corretamente as concordâncias nominais e verbais no caderno:


“A invenção da existência deram-nos a possibilidade de estarmos não apenas no mundo, mas com o mundo. Eu posso
mudar o mundo e é fazendo isso que eu me refaço. É mudando o mundo que eu me transformo também. Homens e
mulheres 28 inventa a história que eles e elas criam e faze. Nós temos de colocar a existência decentemente frente à
vida, de tal maneira que a existência não mate a vida e que a vida não pretenda acabar com a existência, para se
defender dos riscos que a existência lhe impõem. Isso, para mim, faz parte dessa briga pelo verde. Lutar pelo verde,
tendo certeza de que sem o homem e a mulher, o verde não tem cor.”
(Adaptado de: http://www.semasa.sp.gov.br/admin/biblioteca/docs/pdf/LIVRO_GEST_ED_AMB_V1.p df, acessado em: ago. 2013.)

LITERATURA BRASILEIRA

O MODERNISMO
Assim como a pintura, a música, o cinema; a Literatura é uma arte, mas sua matéria-prima é a palavra.
Aquele que se dedica ao fazer literário observa a realidade e a transforma através da palavra. A função da Literatura é
despertar a sensibilidade do ser humano, mas também provocar reflexões, uma vez que pode ser engajada, isto é,
comprometida com questões sociais e políticas.
A escola literária denominada Modernismo teve início em 1922 com a Semana de Arte Moderna realizada
no Teatro Municipal de São Paulo. Nesse evento, muitos artistas apresentaram obras elaboradas em uma nova
linguagem, ligada às correntes europeias como: Cubismo, Surrealismo, Impressionismo etc. A proposta dos artistas
era romper com o tradicionalismo, com um fazer literário que não considerava os elementos do Brasil.
O Modernismo no Brasil é dividido em três fases: Atenção para o fato de que essas datas são apenas referências,
porque há autores que produziram durante as três fases.

1ª fase ou 1ª geração modernista = 1922 a 1930


2ª fase ou 2ª geração modernista = 1930 a 1945
3ª fase ou 3ª geração modernista = 1945 até mais ou menos 1975

A primeira fase (ou 1ª geração) é chamada de heroica, pois demonstra em suas produções o rompimento com as
velhas tradições. Nos textos dessa fase, é comum encontrarmos: linguagem coloquial, ausência de pontuação, expressão
de atitude combativa diante de valores considerados falsos, valorização de fatos e coisas do cotidiano, aproximação
entre prosa e poesia. Os principais representantes são Mario de Andrade, Oswald de Andrade e Manuel Bandeira. Veja
um poema de Oswaldo de Andrade. Ele apresenta um dos mais importantes traços modernistas dessa primeira fase: a
valorização da linguagem coloquial.

Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro

A Segunda Fase (ou 2ª geração) se caracteriza pela consolidação das ideias propostas pelos artistas que compuseram a
primeira geração (ou primeira fase). Além disso, voltou-se para as questões sociais. Na poesia, houve uma tendência
para a abordagem de temas existenciais. Assim, na poesia, alguns autores tratavam de questões referentes às dúvidas, às
reflexões e aos estados de alma do ser humano. Era a busca de uma saída para males sociais e políticos. A temática
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sociopolítica encontra-se em Carlos Drummond de Andrade e Murilo Mendes. Vejamos um poema do autor Murilo
Mendes:

Canção do Exílio
Minha terra tem macieiras da Califórnia
onde cantam gaturamos de Veneza.
Os poetas da minha terra são pretos que vivem em torres de ametista,
os sargentos do exército são monistas, cubistas,
os filósofos são polacos vendendo a prestações.
A gente não pode dormir
com os oradores e os pernilongos. Os sururus em família têm por testemunha a
Gioconda.
Eu morro sufocado
em terra estrangeira.
Nossas flores são mais bonitas
nossas frutas mais gostosas
mas custam cem mil réis a dúzia.
Ai quem me dera chupar uma carambola de
verdade
e ouvir um sabiá com certidão de idade!

Na prosa, a temática abordada foi o regionalismo do nordeste, em que se apresentava a realidade difícil do
homem nordestino (seca, fome, miséria, exploração, êxodo) e o romance psicológico, que tratavam das questões do
homem urbano, principalmente do eixo Rio-São Paulo. São autores de prosa desta fase: Graciliano Ramos, José Lins do
Rego, Raquel de Queiroz, Jorge Amado, Érico Veríssimo.

A terceira fase (ou terceira geração) também é chamada de Geração de 45. Buscou trabalhar uma poesia com
linguagem precisa, equilibrada. Na prosa (romances e contos), é possível destacar Clarice Lispector, que abordava fatos
do cotidiano e o comportamento de personagens de forma intimista; e Guimarães Rosa que, ao tratar do regionalismo,
inova na recriação dos costumes e da fala sertaneja. Veja um exemplo de poema característico desta fase. O autor João
Cabral de Melo Neto apresenta em “O Engenheiro” uma linguagem racional, seca e objetiva:

O Engenheiro
A luz, o sol, o ar livre
Envolvem o sonho do engenheiro
Superfícies, tênis, um copo de água.
O lápis, o esquadro, o papel;
O desenho, o projeto, o número:
O engenheiro pensa o mundo justo,
Mundo que nenhum véu encobre.

ATIVIDADES

Vamos ler os textos a seguir, referentes às questões 1, 2,3 e 4:

Texto 1
No meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento


na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
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no meio do caminho tinha uma pedra.


Carlos Drummond de Andrade In Alguma Poesia Ed. Pindorama, 1930

Texto 2
No meio do caminho
Tinha uma pedra
E uma ponta de cigarro
E uma lata
E um saco plástico
E até cacos de vidro.

1. O texto 1 é um dos poemas mais representativos de Drummond. Nesse texto, a pedra é algo material? O que
pode simbolizar a pedra?
_______________________________________________________________________
2. De acordo com suas reflexões e com a resposta dada à questão anterior, que sensações esta “pedra” pode causar?
_______________________________________________________________________
3. O texto 2 foi uma propaganda veiculada para a divulgação de um projeto de educação ambiental, patrocinado pela
empresa de turismo Soletur e orientado pelo IBAMA. Pode-se dizer que o sentido atribuído ao texto de Drummond e ao
texto da publicidade é o mesmo? Explique.
________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________________
4. A inferência é uma operação mental pela qual deduzimos, concluímos as coisas. No verso “na vida de minhas retinas
tão fatigadas”, da segunda estrofe, o significado da palavra em destaque é:

a)cansadas c) assustadas
b) abismadas d) alienadas

Leia o poema abaixo para responder as questões 5 e 6:

Quadrilha

João que amava Teresa que amava Raimundo


que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou-se com J. Pinto Fernandes
Que não tinha entrado na história.

(Carlos Drummond de Andrade)

5) Livres da necessidade de combater o academicismo parnasiano, os poetas da geração de 30 incorporaram em


suas produções as conquistas formais por que tinham se empenhado os primeiros modernistas e sentiram-se à
vontade para retomar algumas posturas antes rejeitadas. Dos procedimentos formais da poesia de 22
relacionados a seguir, quais deles também podem ser observados em “Quadrilha”?

( ) Verso livre
( )Simultaneidade de imagens; flashes da realidade; fragmentação de ideias
( ) ilogismo
( ) linguagem simples, coloquial, prosaica (do dia a dia)
( ) humor
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6) O poema “quadrilha” aborda um tema caro à tradição poética: o amor e o relacionamento amoroso. A
originalidade do poema está na forma como o tema é tratado.

a) Com que tipo de visão o poeta aborda esse tema no poema: com visão crítica, irônica ou trágica?
b) Resuma a ideia central do poema: de acordo com o texto, o que é o amor ou o relacionamento amoroso?
c) Essa visão de amor pode ser considerada moderna? Por quê?
d) Estabeleça uma relação entre o poema e a quadrilha das festas juninas.

Vejamos essa breve explicação sobre a prosa e a poesia da terceira geração modernista e depois responda as questões:

I. POESIA

a) A Geração de 45: João Cabral de Melo Neto (1920-1999): poeta de espírito formalista devido linguagem mais
objetiva e precisa de suas poesias. É importante observar que sua poesia racional pretende aliar a métrica e rima
tradicionais (anterior ao Modernismo de 22), com as novas invenções na versificação trazidas pelo Modernismo.
Está em pauta a questão metalinguística (poesia que fala de poesia) em vários de seus poemas. Sua principal obra é
Morte e Vida Severina, longo poema que trata bem dos problemas sociais do Nordeste, sem derramamentos
sentimentais. Utilizou em suas poesias o neologismo, que é a invenção de palavras a partir de recursos disponíveis
na língua.

VII da palavra escrita.

É mineral o papel
onde escrever Catar Feijão
o verso; o verso Catar feijão se limita com escrever:
que é possível não fazer. jogam-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na da folha de papel;
São minerais e depois, joga-se fora o que boiar.
as flores e as plantas, Certo, toda palavra boiará no papel,
as frutas, os bichos água congelada, por chumbo seu verbo;
quando em estado de palavra. pois catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.
É mineral
a linha do horizonte, Ora, nesse catar feijão entra um risco:
nossos nomes, essas coisas o de que entre os grãos pesados entre
feitas de palavras. um grão qualquer, pesado ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
É mineral, por fim, Certo não, quando ao catar palavras:
qualquer livro: a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
que é mineral a palavra obstrui a leitura fluviante, flutual,
escrita, a fria natureza açula a atenção, isca-a com risco. .

b) Poesia Concreta: A poesia concretista de 1956 propõe o poema-objeto. Os principais autores foram: Décio
Pignatari, Augusto de Campos e Haroldo de Campos. Essa vanguarda poética pretende: a desintegração do verso, a
exploração semântica da palavra (seguindo para o lado visual e sonoro para compor), desintegração da estrutura
discursiva.
16

c) Poesia Social: Ferreira Gullar (1930): os anos da ditadura militar faz surgir uma poesia engajada, de resistência.
Essa tendência esteve presente na música popular, que teve em Geraldo Vandré e Chico Buarque seus mais ativos e
censurados representantes. Na poesia, também denominada de Poesia Neoconcretista, temos como figura
importante Ferreira Gullar. Durante a ditadura, chegou a ser exilado. Continua sua produção literária. Em 2010
publicou um livro de poesia chamado Em alguma parte alguma, recebendo a premiação de “O livro do Ano” pelo
Premio Jabuti.

Poema Obsceno enquanto eu soco este pilão


Façam a festa este surdo
cantem e dancem poema
que eu faço o poema duro que não toca no rádio
o poema-murro que o povo não cantará
sujo (mas que nasce dele)
como a miséria brasileira Não se prestará a análises estruturalistas
Não se detenham: Não entrará nas antologias oficiais
façam a festa Obsceno
Bethânia Martinho Clementina como o salário de um trabalhador aposentado
Estação Primeira de Mangueira Salgueiro o poema
gente de Vila Isabel e Madureira terá o destino dos que habitam o lado escuro do
todos país
façam - e espreitam.
a nossa festa

II. O ROMANCE DE 45

a) João Guimarães Rosa (1908-1967): é considerado um dos maiores escritores da literatura brasileira e
ocidental. é um escritor que se preocupa com a linguagem, tendência estética da terceira fase do Modernismo. O
escritor serve-se da oralidade da linguagem regional e, a partir de arcaísmos, neologismos, empréstimo de outras
línguas recria a linguagem. Procura demonstrar a universalidade a partir do mundo particular regionalista.
Vejamos dois trechos de Grande sertão: Veredas.

Trecho I
De primeiro, eu fazia e mexia, e pensar não pensava. Não possuía os prazos. Vivi puxando difícil de dificel,
peixe vivo no moquém: quem moi no asp’ro, não fantaseia. Mas, agora, feita a folga que me vem, e sem pequenos
dessossegos, estou de range rede. E me inventei neste gosto, de es pecular ideia. O diabo existe e não existe? Dou o dito.
Abrenúncio. Essas melancolias.
O senhor vê: existe cachoeira; e pois? Mas cachoeira é barranco de chão, e água se caindo por ele, retombando;
o senhor consome essa água, ou desfaz o barranco, sobra cachoeira alguma? Viver é negócio muito perigoso...
Explico ao senhor: o diabo vige dentro do homem, os crespos do homem – ou é o homem arruinado, ou o homem
dos avessos. Solto, por si, cidadão, é que não tem diabo nenhum. Nenhum! – é o que digo. O senhor aprova? Me declare
tudo,franco – é alta mercê que me faz: e pedir posso, encarecido. Este caso – por estúrdio que me vejam – é de minha
certa importância. Tomara não fosse... Mas, não diga que o senhor, assisado e instruído, que acredita na pessoa dele?!
Não? Lhe agradeço! Sua alta opinião compõe minha valia. Já sabia, esperava por ela-já o campo! Ah, a gente, na
velhice, carece de ter sua aragem de descanso. Lhe agradeço. Tem diabo nenhum. (...)
Guimarães Rosa. Grande Sertão: veredas. 1994, pp 7-9

b) Clarice Lispector (1926-1977): nasceu na Ucrânia, chegando ao Brasil com 2 meses de idade. O foco principal de
suas obrar é o ser humano em crise; por isso seus romances são considerados romances psicológicos, pois
pretendem mergulhar nos fluxo de consciência do personagem. Suas obras pretendem despertar a epifania, isto é,
fazer com que o leitor, ao ler a obra, tenha uma iluminação, a capacidade de captar a essência das coisas. Além de
romances, escreveu contos, crônicas e literatura infantil. Vejamos um trecho do romance A paixão segundo G H,
de 1964.
17

Foi então que a barata começou a emergir do fundo. Antes o tremor anunciante das antenas. Depois, atrás dos fios
secos, o corpo relutante foi aparecendo. Até chegar quase toda à tona da abertura do armário. Era parda, era hesitante
como se fosse enorme de peso. Estava agora quase toda visível.
Abaixei rapidamente os olhos. Ao esconder os olhos, eu escondia da barata a astúcia que me tomara; o coração me
batia quase como numa alegria. É que inesperadamente eu sentira que tinha recursos, nunca antes havia usado meus
recursos — e agora toda uma potência latente enfim me latejava, e uma grandeza me tomava: a da coragem, como se o
medo mesmo fosse o que me tivesse enfim investido de minha coragem. Momentos antes eu superficialmente julgara
que meus sentimentos eram apenas de indignação e de nojo, mas agora eu reconhecia, — embora nunca tivesse
conhecido antes — que o que sucedia é que enfim eu assumira um medo grande, muito maior do que eu.
O medo grande me aprofundava toda. Voltada para dentro de mim, como um cego ausculta a própria atenção, pela
primeira vez
eu me sentia toda incumbida por um instinto. E estremeci de extremo gozo como se enfim eu estivesse atentando à
grandeza de um
instinto que era ruim, total e infinitamente doce — como se enfim eu experimentasse, e em mim mesma, uma grandeza
maior do que eu. Eu me embriagava pela primeira vez de um ódio tão límpido como de uma fonte, eu me embriagava
com o desejo, ustificado ou não, de matar.
Clarice Lispector
EXERCÍCIOS (no caderno)

1) Metáfora é uma figura de linguagem em que um termo substitui outro em vista de uma relação de semelhança
entre os elementos que esses termos designam. No exemplo “O amor é fogo”, há metáfora, pois dizemos que o
amor é quente. Observe o trecho abaixo, retirado da poesia “Poema Obsceno”, de Ferreira Gullar e responda:
por que podemos dizer que nele identificamos uma metáfora. Se quiser, releia o poema inteiro para responder:

“façam
a nossa festa
enquanto eu soco este pilão”

2) Sobre o fragmento de Guimarães Rosa, responda as questões a seguir:

a) O misticismo, isto é, a crença na relação do homem com o sobrenatural, é uma marca na obra de Guimarães
Rosa. Observando o trecho lido acima, é possível dizermos que as reflexões desenroladas nos levam a
estabelecermos uma relação com a:

( ) sociologia ( ) história ( ) filosofia ( ) biologia

b) Leia o fragmento do trecho acima: “(...) o diabo vige dentro do homem (...)”. Em um texto, é possível
deduzirmos determinadas palavras a partir do contexto. Desse modo, a palavra destacada pode ser substituída
sem prejuízo de sentido por:
( ) mora ( ) coordena ( ) necessita ( ) anda

c) De acordo com o trecho acima de Guimarães Rosa, diga o que seria “o homem arruinado”, o “homem dos
avessos”.

ANTOLOGIA DE POEMAS
1ª GERAÇÃO O Capoeira
- Qué apanhá sordado?
Oswald de Andrade - O quê?
- Qué apanhá?
Erro de Português Pernas e cabeças na calçada.
Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio 2ª geração modernista
Que pena!
Fosse uma manhã de sol Cecília Meireles
O índio tinha despido
O português. Motivo

Eu canto porque o instante existe


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e a minha vida está completa. E um dia sei que estarei mudo:


Não sou alegre nem sou triste: — mais nada.
sou poeta.

Não digas onde acaba o dia.


Irmão das coisas fugidias, Onde começa a noite.
não sinto gozo nem tormento. Não fales palavras vãs.
Atravesso noites e dias As palavras do mundo.
no vento. Não digas onde começa a Terra,
Onde termina o céu
Se desmorono ou se edifico, Não digas até onde és tu.
se permaneço ou me desfaço, Não digas desde onde és Deus.
— não sei, não sei. Não sei se fico Não fales palavras vãs.
ou passo. Desfaze-te da vaidade triste de falar.
Pensa,completamente silencioso,
Sei que canto. E a canção é tudo. Até a glória de ficar silencioso,
Tem sangue eterno a asa ritmada. Sem pensar.

PRODUÇÃO TEXTUAL
DIFERENÇA ENTRE TEMA E TÍTULO

Uma redação dissertativa é um tipo de composição em que o autor deve expor uma ideia e defendê-la por meio
de argumentos.
O primeiro passo, antes de começar uma redação dissertativa, é reconhecer a diferença entre um tema e um
título. O tema é a ideia que será defendida ao longo de sua composição. Por outro lado, o título é a expressão,
geralmente curta, colocada no início do trabalho; ele é, na verdade, uma vaga referência ao assunto que você abordará.
Veja os exemplos:

Título: O jovem e a política


Tema: Ultimamente temos notado um enorme interesse dos jovens em participar da vida política no Brasil.

Título: As contradições na era da informática


Tema: Em plena era da informática, o homem dos dias de hoje está cada vez mais só, mais afastado de outras pessoas.

Título: O impasse da maioridade penal no Brasil


Tema: A diminuição da criminalidade está relacionada ao endurecimento da legislação.

É evidente que para cada título poderiam caber inúmeros outros temas diferentes dos que foram apresentados.
Como também, para cada tema apresentado poderiam ter outros títulos. Por exemplo: para o título: O jovem e a política
poderíamos estabelecer o tema diferente do anterior: Infelizmente constatamos que o jovem não só não se interessa
pela política, como também desconhece totalmente os mecanismos que conduzem um indivíduo ao poder, fazendo
deste uma pessoa capaz de mudar os rumos da nação.

TÍTULO TEMA
1. É uma referência vaga a um assunto. 1. É uma afirmação sobre determinado assunto, onde
se percebe que o escritor da redação toma uma posição
referente a este assunto.
2. É uma expressão mais curta que o tema. 2. É uma oração que apresenta começo, meio e fim,
apresentando a ideia geral que será discutida na
redação.
3. Na maioria das vezes, não contém verbo. 3. Por ser uma oração, deve apresentar verbo.

IMPORTANTE: Assim que você souber do assunto sobre o qual deverá escrever, procure delimitar o tema, isto é, qual
a sua posição sobre aquele assunto. É a partir da sua posição que você conseguirá desenvolver a sua redação. O título
deve estar centralizado no início da folha. Após a escrita do título, pule duas linhas para iniciar a redação. Mas não
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esqueça: leia bastante jornais, revistas (pode ser pela internet), pois é a partir de muita leitura que você
conseguirá escrever boas redações.

Exercícios

1) Componha um título para cada tema apresentado:

a) A construção de uma sociedade democrática é dever de todo cidadão brasileiro.


_________________________________________________________________________________________
b) É importante que o país promova cada vez mais a alfabetização e o acesso à escola de todos os brasileiros, inclusive
daqueles que não tiveram oportunidades quando crianças.
_________________________________________________________________________________________
c) Deveríamos permitir que jovens, a partir dos dezesseis anos, pudesses conseguir a carteira de habilitação.
________________________________________________________________________________________
d) Uma vida saudável só pode ser alcançada quando o homem pratica exercícios físicos, busca uma alimentação adequada
e procura estar de bem com os outros homens e com a natureza que o cerca.
________________________________________________________________________________________

2) Componha temas para os títulos fornecidos. Não se esqueça de que o tema é uma oração completa (possui verbo), em
que você tomará uma posição a respeito do assunto.

a) O vestibular e o despreparo da maioria dos jovens


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________________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
b) O trabalho e a realização pessoal
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________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
c) A importância do lazer
________________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
d) A falta de interesse do jovem pelo estudo
________________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________

Os conectivos e as relações de sentido

Certas palavras ou expressões são empregadas em um texto ou em um parágrafo para estabelecer diferentes
relações de sentido, favorecendo a sua progressão, sua continuação. Essa função é desempenhada pelos conectivos ou
também chamados operadores discursivos. Vejamos:

Relação Conectivos Exemplo


Adição E, nem, mas também, não só Você foi ao parque e ela ao
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zoológico.
Oposição/Adversidade Mas, porém, todavia, no entanto Carlos estudou, todavia tirou nota
vermelha.
Conclusão Portanto, logo, pois (após o verbo), por isso Carlos estudou, por isso entendeu
a matéria.
Alternância Ou, ora, quer, seja, nem Ou você viaja para o Nordeste, ou
para o Sul do Brasil.
Explicação Como, porque, que, uma vez que Não desista de seus sonhos, pois
eles são realizáveis.
Causa Pois (antes do verbo), porque, que, visto que A superfície do lago congelou
porque a noite estava fria.
Condição Se, a menos que, desde que, contanto que Se você não cuidar da natureza, ela
vai ser destruída.
Consequência (tão)... que, (tanto)... que, em consequência A noite foi tão fria que o lago
de congelou
Conformidade Como, conforme, segundo Os pagamentos foram feitos
conforme foram combinados.
Concessão Embora, mesmo que, ainda que, se bem que Ainda que chova no domingo,
vamos pescar.
Proporção À proporção que, a medida que, ao passo que A medida que mais falava, mais
se confundia.
Comparação Como, (mais)... que, (menos)...que, (tão)... O jovem piloto chorava como uma
que criança.
Tempo Quando, sempre que, assim que, desde que, Eu adoro São Paulo quando não
enquanto, logo que. tem enchente.
Finalidade A fim de que, para que Levarei o carro ao mecânico a fim
de que conserte os freios.
Retificação/Esclarecimento Aliás, assim, a saber, isto é, ou seja.

ATIVIDADES
Leia o texto abaixo:

“O combate ao verbalismo do barroco literário, já extenuado, conferiu à Arcádia Portuguesa um caráter


polêmico de renovação, prol de uma literatura mais simples, mais natural, de acordo com os ideais do século XVIII.
Como se sabe, este preconizava a busca do que chamava a natureza por meio da valorização dos sentimentos, da clareza
nas ideias, da imitação estrita dos antigos escritores gregos e romanos. Por isso, há no arcadismo um desejo de
simplicidade intelectual – baseada na influência do racionalismo filosófico — e, também, de simplicidade afetiva,
devida ao reconhecimento da dignidade e beleza que pode haver na manifestação das emoções. Este último traço
diferencia os árcades de seus antecessores cultistas e, sobretudo, dos clássicos franceses do século XVII (que tomaram
em grande parte por modelo), pois tanto uns quanto outros procuravam dar à emoção um caráter mais abstrato e geral,
além de atribuírem maior valor ao domínio sobre elas por meio da vontade. Embora também os árcades sigam esta
orientação, como tendências de inspiração clássica, vão aos poucos caindo para um individualismo mais confidencial e
sentimental, que acaba em manifestações nitidamente pré-românticas. Além disso, os renovadores operaram uma
transformação dos temas ideológicos.”
CANDIDO, Antônio e CASTELO, José Aderaldo. Presença da literatura brasileira – Das origens ao Realismo. Rio de
Janeiro: Bertrand Brasil, 1997

1) Observe a passagem: “Embora também os árcades sigam esta orientação, como tendências de inspiração
clássica, vão aos poucos caindo para um individualismo”.

a) Neste trecho, é possível perceber a presença de um conector que expressa uma concessão. Indique-o.
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b) Que outros conectores poderiam substituí-lo mantendo a mesma relação de sentido? Reescreva o período com o
novo conectivo.
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2) Qual é o sentido do conectivo destacado abaixo? Reescreva o período com outro conectivo de mesmo valor.

Como se sabe, este preconizava a busca do que chamava a natureza por meio da valorização dos sentimentos.
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3) No trecho, “Além disso, os renovadores operaram uma transformação dos temas ideológicos”, a expressão em
destaque revela uma relação de

( ) adição ( ) finalidade
( ) conclusão ( ) alternância
( ) Oposição

4) Escreva um exemplo de oração com consequência, condição, conformidade e concessão.

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