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A GÊNESE DA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

Rivaldo Rodrigues dos Santos1

GT6 - Educação, Inclusão, Gênero e Diversidade.

RESUMO
Este trabalho busca suscitar o desenvolvimento da LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) no Brasil,
procurando mostrar a história da língua de sinais e, consequentemente, a do surdo, por meio de um
recorte historiográfico, destacando as primeiras atuações na educação e as aquisições do surdo brasileiro.
O trabalho foca a língua de sinais (LIBRAS), partindo do contexto mundial e nacional. Devido à
escassez de obras constatadas no decorrer do trabalho, desenvolvemos uma pesquisa histórica, valendo-
se da revisão literária de autores que desenvolveram pesquisas sobre educação especial, língua de sinais,
linguística e temas relacionados. Concluímos que há uma carência significativa de obras que abordem
sobre a história da LIBRAS e que é necessário despertarmos o interesse da academia brasileira para
futuras produções sobre o assunto.

Palavras-chave: Língua de sinais. Libras. Surdez.

ABSTRACT
This work seeks to promote the development of LIBRAS (Brazilian Sign Language) in Brazil, seeking
to show the history of sign language and, consequently, the history of the deaf, by means of a
historiographic clipping, highlighting the first performances in education and the acquisitions of the
Deaf Brazilian The work focuses on sign language (LIBRAS), starting from the world and national
context. Due to the scarcity of works found during the work, we developed a historical research, using
the literary review of authors who developed research on special education, sign language, linguistics
and related topics. We conclude that there is a significant lack of works that deal with the history of
LIBRAS and that it is necessary to arouse the interest of the Brazilian academy for future productions
on the subject.

Keywords: Sign language. Libras. Deafness.

1
Mestrando em Educação – UNIT. Especialista em Libras com Educação Inclusiva – PIO X. Graduado em História
- FJAV
1
1 INTRODUÇÃO
A Língua de Sinais é uma língua de modalidade gestora-visual, pois utiliza como
meio de comunicação, movimentos gestuais, corporais e expressões faciais estes percebidos
pela visão; porém não é um língua universal, pois cada país possui a sua, sendo a LIBRAS
própria e única da comunidade surda brasileira.
Trabalhar a Língua de Sinais Brasileira ainda é uma tarefa a ser realizada, isso
porque os poucos trabalhos existentes focam principalmente a educação do surdo e nessas
poucas obras as menções sobre LIBRAS resumem-se apenas a algumas passagens do texto ou
é tratada nas entre linhas. O presente trabalho pretende contribuir para a historiografia da
educação, cuja finalidade é despertar no leitor a importância sobre o determinado tema, para
que futuramente apareçam estudiosos e pesquisadores interessados no assunto. Por esse motivo
consideramos o tema condescendente, pois não existem trabalhos específicos que abordem a
gênese da LIBRAS.
Desenvolvido por meio de uma revisão de literatura a partir de obras, artigos, e
teses, este trabalho é composto por cinco tópicos. No primeiro, mostramos seus primeiros
movimentos no continente europeu voltados para a educação do surdo. Explanamos ainda sobre
a modalidade dessa língua gestora-visual, mostrando que esta não é apenas uma linguagem, já
que ela possui todos os níveis linguísticos e estrutura gramatical própria, constituindo-se assim
em uma língua conforme Quadros e Schimiedt (2006).
Continuando, abordamos sobre a língua de sinais no Brasil, denominada de
LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais apontando as primeiras atuações na educação do surdo
no Brasil. E salientando ainda sobre a legislação e políticas das pessoas com deficiência,
principalmente do surdo.
Almejamos com o presente trabalho contribuirmos para a historiografia da
educação, implantando a ela a história da educação do surdo voltada para a língua de sinais
(LIBRAS).

2 A GÊNESE DA LÍNGUA DE SINAIS NO BRASIL

2.1 A “origem” da língua de sinais


Muitos dos acontecimentos históricos necessitam sempre em sua maioria de
explicações ou de provas concretas, sejam sobre, origem, finalidade ou até mesmo existência.
A Língua de Sinais, alvo de alguns pesquisadores faz parte desses eventos históricos, pois a
2
respeito de suas raízes há uma grande lacuna a ser preenchida, isso porque não se sabe, onde?
Como? E quando? Surgiu a Língua de Sinais, devido justamente à inexistência de registros,
talvez por não se tratarem de línguas escritas. Entretanto Carlos Skliar (2001, p. 126) referindo-
se a procedência desta afirma que “Os surdos, ao não poderem adquirir naturalmente a língua
oral por seu déficit auditivo, criaram, desenvolveram e transmitiram, de geração em geração, a
Língua de Sinais, cuja modalidade de recepção e produção é viso-gestual”.
Estudos científicos situaram a França, na segunda metade do século XVIII, como
pioneira na educação dos surdos por meio dos sinais. Mais precisamente no ano de 1760, o
abade Charles Michel de L’Epée (1722–1789) após as suas observações no convívio com
surdos que perambulavam por Paris, percebeu que os sinais cumpriam as mesmas funções das
outras línguas faladas e permitiam assim uma comunicação eficaz entre aqueles que a
utilizavam, dessa forma a partir da língua de sinais começou a desenvolver com esses surdos
um trabalho formal, onde os sinais utilizados conforme Ramos (2003, p. 2), era a
datilologia/alfabeto manual e alguns gestos criados que se “falavam” pelas ruas.
Silva (2006, p. 23), também comunga que para o processo educativo era utilizada a
língua de sinais e afirma que são exatamente esses surdos vagabundos 2 que ao lado de L’ Epeé
irão provocar uma grande mudança na educação do surdo, surgindo assim a primeira Escola
Pública de Paris:

São justamente os surdos vagabundos que viviam nas ruas de Paris que, junto
com ouvinte, o abade L’Epée, viabilizam uma mudança drástica, porém,
positiva, na história da educação dos surdos.Esse agrupamento de surdos
permitiu a criação da primeira Escola Pública para Surdos em Paris, em 1760,
provavelmente movido pelos fortes ventos que assolavam a sociedade
francesa. Esse fato, vinculado à história das instituições de surdos, é um fato
determinante no processo de construção e de expansão da organização
política, social e educacional dos surdos no continente europeu e em diversos
países do continente americano. (SILVA, 2006. p. 19 - 20).

É importante ressaltarmos que essa primeira escola para surdos também estava
voltada para a formação de professores e que o efeito positivo da metodologia de L’Epeé
tornou-se conhecido e é assumido pelo Instituto Nacional de Jovens Surdos e Mudos, tornando-
se em 1791 no Instituto Nacional de Jovens Surdos 3 de Paris (INJS). Além de ser abraçada por

2
SILVA (2006, p. 19-20) em nota de rodapé salienta que: Para Castel (1998:139), “os critérios constitutivos da
categoria de vagabundo tornaram-se explícitos: a ausência de trabalho, isto é, a ociosidade associada à falta de
recursos, e o fato de ser sem ‘fé nem lei’, isto é, sem pertencimento comunitário”.
3
Segundo a Apostila do Curso de Iniciação a LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais (2009, p. 08) Não é correto
dizer que alguém é surdo-mudo. Muitas pessoas surdas não falam porque não aprenderam a falar. (por esse motivo
observe a mudança de Instituto de Surdos e Mudos para Instituto Nacional de Jovens Surdos).
3
religiosos e educadores, os quais instituem diversas escolas para surdos com profissionais
surdos e ouvintes por toda a Europa e várias partes do continente americano (LULKIN, 2005,
p. 34). A partir daí, a Língua de Sinais passa a ser assumida como a melhor forma de
comunicação e prática pedagógica para a educação dos surdos.

2.3 A educação dos surdos: primeiras atuações

No Brasil, a educação do surdo pode ser “instituída”, no ano de 1855 com a chegada
do professor francês surdo Ernest Huet, vindo do Instituto de Surdos-Mudos de Paris,
recomendado a D. Pedro II pelo ministro da Instrução Pública da França. Onde este iniciou sua
turma de surdos em 1856 conforme Fernanda Pinto (2007, p. 3), com apenas duas alunas surdas
naturais do Rio de Janeiro, no Colégio Vassinon, provisoriamente, por decisão do Imperador
até a formação de uma comissão que fundasse o Imperial Instituto Nacional de Surdos-Mudos
- IINSM4. As primeiras alunas de Huet foram Umbelina Cabrita e Carolina Bastos de 16 e 12
anos, admitidas em 1º de Janeiro de 1856, onde ambas a partir de então passaram a receber uma
pensão anual do Imperador.
Contudo, os interesses para a educação do surdo no Brasil partiram de ápices
diferentes, o primeiro surgiu do próprio Imperador D. Pedro II, pelo o fato de ter no seio familiar
um neto surdo, filho da princesa Isabel com o Conde D’Eu, parcialmente surdo. Dessa forma,
indubitavelmente houve um empenho peculiar por parte deste, mandando trazer o professor
Ernest Huet de Paris para que o ensino estivesse dentro das novas realidades educativas
(RAMOS, 2003, p. 6), resultando mais tarde, na fundação do instituto dos surdos mudos.
Porém, o segundo, conforme Pinto (2007, p. 7), seria que, a ideia de estabelecer uma escola
voltada para surdos no Brasil já havia sido cogitada pelo próprio Huet:

A história da fundação do Imperial Instituto dos Surdos Mudos do Rio de


Janeiro começou na Europa, mais precisamente no Instituto Nacional de Paris,
pois de lá veio seu fundador. O professor surdo Ernest Huet lecionava neste
Instituto e já havia dirigido o Instituto de Surdos-Mudos de Bourges, quando
intencionou estabelecer no Brasil uma escola voltada para o ensino de surdos.
O início dos contatos para a criação desta escola ocorreu através de uma carta
de apresentação do Ministro da Instrução Pública da França entregue junto ao
Governo do Brasil, ao Ministro da França, Saint Georg.[...]Em Relatório ao
Imperador, datado de 22 de Junho de 1855, o Professor Huet demonstra sua

4
Alguns estudiosos usam a nomenclatura IINSM (Imperial Instituto Nacional de Surdos-Mudos) outros utilizam
INSM (Instituto Nacional de Surdos-Mudos), sendo hoje, o INES – Instituto Nacional de Educação de Surdos,
estabelecido em 1957 por meio da Lei no 3.198 de 06 de julho desse mesmo ano.
4
intenção, pensamentos e meios de ação à criação de um estabelecimento para
surdos-mudos. Para ele, nenhuma escola como essas conseguiria sobreviver
se não fosse mantida pelo Estado, pois a maioria dos surdos-mudos pertencia
a famílias pobres. (PINTO, 2007. p. 7).

Pinto (2007, p. 7), não explanou o que intencionou Huet a ansiar a instalação de um
instituto para surdos no Brasil, mas deixou claro que para a sua fundação e permanência, foi
necessária a participação de homens públicos distintos pertencentes às classes nobre do século
XIX, uma vez que, a maioria dos surdos pertenciam às camadas pobres da sociedade.
Dentre os nomes estavam o Marquês de Abrantes como Diretor, Marquês de Monte
Alegre, Marquês de Olinda, Eusébio de Queiros, Prior do Convento do Carmo e o Abade do
Mosteiro de São Bento. O Dr. Manoel Pacheco da Silva, então Reitor do Imperial Colégio Pedro
II, sendo esta a comissão promovedora da primeira escola para surdos no Brasil conforme Pinto
(2007, p. 7). Já de acordo com Rocha (1997, p. 6), faziam parte da comissão o Marquês de
Olinda, o Marquês de Monte Alegre, o Conselheiro do Estado Euzébio da Silva, Prior do
Convento do Carmo, o Abade do Mosteiro de São Bento, o Padre Dr. Joaquim Fernandes
Pinheiro (ocupando o cargo de secretario) e o Marquês de Abrantes (como presidente) que
reunidos em 3 de junho de 1856 definiu que:

1º - promover a definitiva instalação do Instituto dos Surdos Mudos;


2º - procurar um prédio para a sede do estabelecimento;
3º - não remover os alunos que já estudavam no Colégio Vassion, antes de
Huet casar-se. Esperava-se que a esposa de Huet viesse tomar conta das
meninas internas. (ROCHA, 1997, p. 6).

Segundo Souza (2007, p. 65), o Instituto teria sido concretizado em 27 de setembro


de 18575 por meio da Lei nº 939 de 23 de setembro do mesmo ano. Porém, Albres (2005 p. 2),
e Ramos (2003, p. 5) comungam que, foi a Lei nº 839 que garantia a fundação do Instituto,
sendo assinada por D. Pedro II em 26 de setembro de 1857. Já Pinto (2007, p.8-9), assim como
Souza (2007, p.65), expõe que foi por meio da Lei nº 939 que se instituiu o instituto, mas que
a data de fundação fora 26 de setembro de 1857 conforme Albres (2005, p. 2) e Ramos (2003,
p. 5). Deste modo devido às divergências, resta-nos apenas a certeza que a educação do surdo
no Brasil teve início na década de 50 do século XIX em meados do mês de setembro deixando
oscilações a respeito do dia, ano e sobre a lei que garantiu a fundação do instituto.

5
Segundo a autora “a data oficial é 27 de setembro de 1857 por causa da primeira dotação orçamentária da
instituição”.
5
Após sua fundação o IINSM o instituto passou a ser mantido pelo Imperador, pelo
Convento do Carmo, o Mosteiro de São Bento e por alguns familiares de surdos, o currículo
pedagógico oficial que o Instituto oferecia, eram incluídas disciplinas como Língua Portuguesa,
Geografia, História do Brasil entre outras combinadas a Linguagem Articulada 6; além do
desempenho educativo o referido instituto também ofertava o ensino da comunicação e
instrução educação, entretanto em 1856 Huet apresenta um novo programa de ensino:

Em 1856, o Professor Huet trouxe seu programa de ensino, cujas disciplinas


eram: Língua Portuguesa, Aritmética, Geografia, História do Brasil,
Escrituração Mercantil, Linguagem Articulada, Leitura sobre os Lábios e
Doutrina Cristã. No que se refere à disciplina “Leitura sobre os Lábios”, esta
só seria oferecida aos que tivessem aptidão, reconhecendo se que quem tivesse
resíduo auditivo teria muito mais chance de desenvolver a Linguagem Oral.
Esta questão sempre foi tomada como objeto de polêmica ao longo da história
do Instituto, uma vez que a orientação educacional era diferenciada, ou seja,
os que não tinham aptidão para a linguagem oral, segundo o entendimento da
época, não frequentavam as aulas de Leitura sobre os Lábios. (PINTO, 2007,
p. 8).

Essa aptidão estava em torno dos alunos que possuíam resquícios da audição sendo
mais favoráveis ao estudo labial. Mas uma vez nos deparamos com as implicações acerca do
cognitivo da pessoa surda, mesmo no uso da metodologia oral considerados por muitos
estudiosos como “ineficaz”, entretanto, apesar de Huet ter usado o método oral, foi ele quem
trouxe para o Brasil em 1856 o alfabeto manual francês, nascendo assim a Língua Brasileira de
Sinais.
Apesar do progresso do ensino surdo e do desenvolvimento do Instituto por meios
das pensões recebidas de pessoas e instituições religiosas a pouco mencionadas, a situação
econômica acabou tornando-se insatisfatória o número de alunos havia crescido e o gasto era
maior do que o valor coletado a condição financeira estava se agravando.
Dentre as questões estavam, por exemplo, alimentos, vestimentas e moradias,
devido a esses pressupostos Huet pedia pressa nos pagamentos das pensões o que provocou
conflitos na relação com o Diretor e com os membros da Comissão responsáveis pelo o
Instituto.
Em meio à situação econômica em que se encontrava a Instituição, problemas de
caráter disciplinar e moral começaram a ocorrer, “Huet e sua esposa viviam público conflito,

6
Ensino da linguagem oral.
6
alterando a rotina da escola”7 (ROCHA, 1997, p. 06) e “A expulsão do aluno pensionista do
Estado, Francisco da Silva Moreira. Segundo Huet, este aluno tinha um caráter indomável [...]”
(PINTO, 2007, p. 11), e entre outras perturbações resultaram mais tarde na saída do Diretor
Ernest Huet, tendo sua administração perdurado de 1856 – 1861.
É importante ressaltarmos que Huet, para entregar a escola ao Império, propôs um
acordo financeiro que se firmou em uma indenização e uma pensão anual; que após ser
concebido mudou-se para México e se junta ao seu irmão Adolphe Huet, também surdo, para
ensinar aos surdos em um instituto fundado por este.

2.4 Língua brasileira de sinais (LIBRAS)

A língua de sinais brasileira foi, por conseguinte influenciada pela língua de sinais
francesa através do alfabeto manual, apresentado por Ernest Huet em 1856 como já salientado.
Entretanto, o registro mais antigo de que se tem notícia até os dias de hoje sobre a Língua
Brasileira de Sinais de sinais – LIBRAS trata-se de um documento escrito pelo aluno do INES
– Instituto Nacional de Educação de Surdos (antigo IINSM – Imperial Instituto Nacional de
Surdos-Mudos), Flausino José da Gama titulado de Iconographia dos Signaes dos Surdos-
Mudos8, que se tratava de iconografias ilustrativas de sinais divididos por categorias, publicado
em 1873 segundo Ramos (2003, p. 6).
Após a fundação do IINSM, os primeiros alunos passaram a ser educados pela
linguagem escrita, articulada e falada, datilologia e sinais, e leitura sobre os lábios; porém ao
longo de toda a sua história adotou-se os preceitos oralistas sendo este o motivo das poucas
citações referente a LIBRAS, Rocha (1997, p. 30). Outro motivo para a falta de menções a
LIBRAS deveu-se ao período de proibições estabelecido pelos congressos internacionais que
determinaram o uso da linguagem articulada:

Após a realização do Congresso Mundial de Surdos, em Milão, ainda no final


do século XX, foi proibido o uso da LIBRAS, pois se acreditava que esta
impediria o desenvolvimento da fala, da leitura labial e da precisão de ideia e

7
(PINTO, 2007, p. 7) “no período da Direção de Huet (1856‐1861) não houve outro professor para auxiliá‐lo, a
não ser sua própria esposa que cuidava das meninas surdas.”
8
RAMOS (2003, p. 6) “Como é explicado no prefácio do livro, a inspiração para o trabalho veio de um livro
publicado na França e que se encontrava à disposição dos alunos na Biblioteca do INSM. Vale ressaltar que
Flausino foi autor das ilustrações e da própria impressão em técnica de litografia. Não sabemos se o organização
também foi realizada por ele”.
7
declarado que o método puro (oralização) deveria ser preferido de forma
definitiva e oficial. Apesar da proibição do uso da língua e sinais, os surdos
continuaram a usá-la às escondidas (SOUZA, 2009, p. 50).

É necessário ressaltarmos que o Congresso de Milão proibiu as línguas de sinais e


que nessa época a nomenclatura LIBRAS para se referir a língua de sinais brasileira não fora
ainda estabelecida sendo esta conhecida por denominações como linguagem sinalizada,
linguagem mímica, mímica e comunicação gestual, aliás, era assim que todas as línguas de
sinais eram conhecidas.
Ramos (2003, p. 6-7), conta que INSM passou a adotar a metodologia oral em todas
as disciplinas a partir de 1911, sendo oficialmente proibida em 1957, pois nos primeiros anos
de impedimentos houve uma forte resistência da Língua de Sinais por parte de professores,
funcionários e ex-alunos que frequentavam a escola e usavam a língua, por esse motivo, no
segundo ano a pouco mencionado foram tomadas medidas rígidas como o impedimento do
contato de alunos mais velhos com alunos mais novos e fiscalizações para coibirem os alunos
o uso da língua; entretanto apesar das medidas tomadas a LIBRAS sobreviveu durante anos
dentro do Instituto; os sinais nunca desapareceram sendo feitos em dormitórios, banheiros e em
lugares sem a fiscalização.
Esse período de repressão perdurou até a metade do século XX, quando intelectuais
influenciados pela Universidade de Gallaudet e pela a Europa, passaram a defender a Língua
de Sinais e decidiram “criar” a língua de sinais brasileira9; aconselhados pela professora Marta
Ciccone, a qual fizera uma visita a Universidade de Gallaudet, os surdos Fernando Antônio
Campos e Ana Regina reuniram-se para a criação e denominação de uma sigla que identificasse
a língua de sinais brasileira (SOUZA, 2009, p.50):

[...] foram sugeridas três opções de siglas para serem votadas: 1 Língua
brasileira de sinais – LIBRAS (do grupo da FENEIS com a professora Marta
Ciccone); 2 Língua de sinais brasileira L.S.B. (do grupo da professora
linguista Eulália Fernandes) e 3, Língua de Sinais dos Centros Urbanos
Brasileiro – L.S.C.B. (do grupo dos surdos paulistas, da Comissão Paulista de
Defesa dos Direitos dos Surdos – COPADIS e da professora linguista Lucinda
Brito). (SOUZA, 2009, p. 50).

Segundo Rocha (1997, p. 30), “a gênese desta Língua e o seu desenvolvimento estão
ligados à história desta Instituição” acima citada, fundada em 1987, a FENEIS teve participação

9
Segundo Souza, (2009, p. 50) A criação da língua de sinais “[...] ocorreu muito antes da fundação da Federação
Nacional de Educação e Integração de Surdos (FENEIS) [...]”.
8
considerável no desenvolvimento e divulgação da LIBRAS pelo Brasil; sendo assim a criação
de associações, indubitavelmente, foi um passo decisivo para a autonomia dos surdos.
A criação de uma associação de nível nacional passou a ser cogitada, quando se
pressentiu a precisão de constituir uma organização que desse atendimento a todas as pessoas
surdas do país. Dessa forma, a partir das reuniões de professores, diretores e profissionais
ouvintes de algumas entidades que já trabalhavam com essa temática, em 1978 foi fundada
oficialmente a FENEIDA - Federação Nacional de Educação e Integração dos Deficientes
Auditivos. Após alguns anos de sua fundação, um grupo de surdos passou a se interessar pela
Federação visando uma participação efetiva nas decisões da diretoria da FENEIDA, essa
instância acerca da Federação partiu da Comissão de Luta pelos Direitos dos Surdos em 1983,
pois a nova entidade era composta apenas por pessoas ouvintes, entretanto a FENEIDA
perdurou por aproximadamente cerca de 10 anos:

A FENEIDA vivia em 1987 um processo de desgaste, sem apoio financeiro


das entidades filiadas, com muitas lutas internas, geradas provavelmente pela
pressão que os surdos exerciam na Comissão de Luta pelos Direitos dos
Surdos desde 1983, e com a eleição de uma chapa presidida pela surda Ana
Regina no ano anterior. (RAMOS, 2004, p.7).

Na ata da Assembleia Geral em 16 de maio de 1987 realizada no INES, consta que


a diretora Ana Regina na presença das representantes de associações de surdos, colégios,
associações de pais e amigos surdos entre outras denominações, apresentou um balanço
financeiro da FENEIDA, pontuou as dificuldades financeira e administrativa e agradeceu a
todos que ajudaram a federação; encerando a FENEIDA por falta de entidades a ela filiada,
depois de sucessivas discussões sugeriram que cada representante 10 ali presente filia-se a ela,
desse modo foram colocadas as seguintes propostas:
a) Federação Nacional de Surdos – FNS.
b) Federação Brasileira de Surdos – FBS.
c) Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos – FENEIS.
d) Federação Nacional de Entidade de Luta Pelos os Direitos dos Surdos – FNES.

10
Em ata: As entidades fundadoras da FENEIS foram: Associação de Pais e Amigos do Deficiente da Audição -
APADA/Niterói - RJ, Associação dos Surdos de Minas Gerais - MG, Associação dos Surdos do Rio de Janeiro -
RJ, Associação Alvorada Congregadora de Surdos - RJ, Associação dos Surdos de Cuiabá - MT, Associação dos
Surdos de Mato Grosso do Sul - MS, Instituto Londrinense de Educação de Surdos - PR, Escola Estadual Francisco
Salles - MG, Instituto Nossa Senhora de Lourdes - RJ, Associação de Pais e Amigos dos Surdos – APAS - PR,
Associação de Pais e Amigos do Deficiente da Audiocomunicação - /Marília - SP, Centro Educacional de Audição
e Linguagem – CEAL - DF, Associação do Deficiente Auditivo do Distrito Federal - DF, Centro Verbo -
TonalSuvag/Recife - PE, Associação Bem Amado dos Surdos do Rio de Janeiro - RJ e Associação de Pais e
Amigos do Deficiente Auditivo - DF.
9
e) Federação Nacional de Educação e Integração dos Deficientes Auditivos –
FENEIDA. (conservando-se o nome antigo).

Por meio de uma votação, a FNS obteve um voto, a FENS com um voto a FENEIDA
também com um e FBS com zero; contra dez da FENEIS estabelecendo em 16 de maio de 1987
a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos. A partir de então a LIBRAS passou
a ser divulgada por todo país e surgiu o primeiro curso de língua de sinais brasileira na FENEIS,
mesmo sem lei. Entretanto, devido à forte necessidade de propagação dessa língua, os ouvintes
sem conhecimento algum sobre a língua de sinais acharam que esta não possuía valor
linguístico, e passam a chamar de forma preconceituosa a LIBRAS de mímicas, ansiando a
comunidade surda a querer a oficialização da língua de sinais (SOUZA, 2009, p. 50-51). Devido
a essas ações, a FENEIS é reconhecida como o pólo de divulgação da língua de sinais dos
surdos do Brasil.

2.5 LIBRAS na Legislação

Durante anos os surdos foram excluídos da sociedade considerados como


incapazes, doentes, e sem desenvolvimento intelectual algum e até mesmo quando descoberta
que a surdez tratava-se de uma causa orgânica os surdos continuaram sendo marginalizados e
tratados apenas como pobres coitados. Entretanto, a partir do surgimento das associações, na
segunda metade do século XX, voltadas para atender o surdo e suas necessidades, criou-se uma
autonomia e despertou um interesse de participação em decisões que os cabiam. A fundação da
FENEIDA em 1977 foi um fator decisivo para a Comunidade Surda mobiliza se para criação
da Comissão de Luta pelos Direitos dos Surdos em 1983. Isso porque a FENEIDA era composta
apenas por pessoas ouvintes, faltando uma representatividade surda. Após participação dos
surdos nas reuniões, a Comissão acaba restaurando a antiga FENEIDA dando origem a FENEIS
(Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos) em 1987, com a participação
efetivamente surda, que perdura até os dias de hoje.
O resultado dessa restauração foi à divulgação da língua de sinais (LIBRAS) pelo
país, que tendo seu valor linguístico questionado pelos ouvintes, devido à falta de
conhecimento, essa passa a ser rotulada de mímica, despertando na Comunidade Surda o
interesse pela sua oficialização imediata. Tal feito só será realizado por meio da Lei nº 10.436,
de 24 de abril de 2002, sancionada pelo o então presidente da república, Fernando Henrique
10
Cardoso, no artigo primeiro dispõe que a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS é reconhecida
como meio legal de comunicação e expressão além de outros recursos de expressão a ela
associados, garantindo também, que cabe ao poder público em geral e empresas concessionárias
de serviços públicos apoiar o uso e difusão da LIBRAS, a lei ainda garante atendimento e
tratamento adequado aos portadores de DA (deficiência auditiva), e a inclusão da LIBRAS nos
cursos de formação de educação especial, de Fonoaudiologia e de Magistério nos níveis médio
e superior, como parte integrante dos PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais.
É importante ressaltarmos que essa lei só será regulamentada após três anos, pelo o
presidente vigente, Luiz Inácio Lula da Silva em 22 de dezembro de 2005 sobre o decreto nº
5.626, regulamentando também o Art. 18 da lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000 11. O
decreto é composto por nove capítulos os quais merecem destaque:
a. Capítulo I: Das disposições preliminares;
b. Capítulo II: Da inclusão da libras como disciplina curricular;
c. Capítulo III: Da formação do professor de libras e do instrutor de libras;
d. Capítulo IV: Do uso e da difusão da libras e da língua portuguesa para o acesso das
pessoas surdas á educação;
e. Capítulo V: Da formação do tradutor de intérprete de libras – língua portuguesa;
f. Capítulo VI: Da garantia do direito à educação das pessoas surdas ou com deficiência
auditiva;
g. Capítulo VII: Da garantia do direito à saúde das pessoas surdas ou com deficiência
auditiva;
h. Capítulo VIII: Do papel do poder público e das empresas que detêm concessão ou
permissão de serviços públicos, no apoio ao uso e difusão da libras;
i. Capítulo IX: Das disposições finais12.

Em suma, o decreto garante a inclusão da LIBRAS como componente curricular; a


formação de professor, instrutor e tradutor de intérprete de LIBRAS; a difusão da LIBRAS para
que todos os surdos tenham acesso à educação e a garantia do direito a educação e a saúde para
todas as pessoas surdas ou com deficiência auditiva.
A formulação de leis em favor da pessoa surda tem um número considerável,
entretanto destacamos as mais influentes em uma ordem cronológica, não sendo as mais
importantes, pois se pontuasse pelo grau de importância todas mereceriam destaque, sendo
assim a primeira de Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989 estabelece normas que assegurem
o exercício dos direitos individuais e sociais das pessoas portadoras de deficiência, bem com a
sua efetiva integração social.

11
A lei nº 10.098 de 19 de dezembro de 2000, estabelece promoção de acessibilidade das pessoas portadoras de
deficiência ou com modalidade reduzida, além de dar outras providências.
12
BRASIL, Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005.
11
A Lei nº 10.098, de dezembro de 2000 de certa forma irá apoiar esta primeira, pois
ela estabelece normas e critérios para a promoção de acessibilidade das pessoas portadoras de
deficiência ou mobilidade reduzida, visando à eliminação de barreiras e obstáculos em lugares
públicos nos meios de transporte e comunicação. E por último, não sendo menos importante
que as outras a Lei nº 9.139, de 11 de janeiro de 2006 constitui que será obrigatório o uso da
Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS nas mensagens de propaganda de programas, atos, obras,
serviços e campanhas educacionais e informativas e de outras propagandas da Administração
Direta e Indireta do Município veiculada em televisão, com o intento de torná-las acessíveis aos
portadores de deficiência auditiva.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apesar de existir inúmeros estudos sobre a história da educação no Brasil, poucos


pesquisadores se dedicam a história da educação especial e em seu aspecto relevante, para tal
pesquisa. A história da LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais, usada tão fluentemente pelos
surdos brasileiros nos dias de hoje, mas que permanece no silêncio da historiografia da
educação brasileira.
Nas poucas obras existentes, as menções sobre LIBRAS resumem-se apenas a
algumas passagens do texto ou é tratada nas entre linhas sem muita veemência. Diante dessa
problemática, este estudo foi voltado ao advento da LIBRAS, buscamos inseri-la na história da
educação e despertar o interesse para futuras produções a respeito.
Nesse sentido, o referido trabalho partiu do contexto mundial em seguida nacional,
as atuações de L’Epeé e a fundação do INJS - Instituto Nacional de Jovens Surdos de Paris e a
atuação de Ernest Huet no INSM - Instituto Nacional de Surdos-Mudos, hoje, INES - Instituto
Nacional de Educação de Surdos. Procuramos também discutir sobre a FENEIDA - Federação
Nacional de Educação e Integração dos Deficientes Auditivos e a sua troca para FENEIS -
Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos, além das leis constitucionais.
Em suma, mesmo atrelada às instituições percebe-se que a LIBRAS aparece
somente como forma de ensino, permanecendo emudecida na historiografia educacional.
Esperamos que este estudo sirva de incentivo para que novos pesquisadores possam
desenvolver trabalhos acerca dessa língua (LIBRAS) que cada vez mais está sendo utilizada,
mesmo dentro de um mundo ouvinte que cada vez mais valoriza a comunicação oral.

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Pretendemos ainda, despertar nestes a importância da biografia desta língua para a história da
educação do surdo e para historiografia educacional.

REFERÊNCIAS

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<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/d5626.htm> Acesso em 06 de fev. 2017.

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exercício dos direitos individuais e sociais das pessoas portadoras de deficiência, bem como a
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BRASIL. Lei nº 9.139, de 11 de janeiro de 2006 constitui que será obrigatório o uso da
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<http://www.planalto.gov.br/ccivil03/constituiçao.htm>. Acesso em: 06 de fev. 2017.

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