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James Orr

Por Francisco Lacueva

Este teólogo e apologista escocês (1844-1913) nascido em Glasgow e educado


principalmente na Universidade de sua cidade natal, graduou-se em filosofia e teologia.
Depois de 17 anos no ministério pastoral, deixou a sua paróquia em Hawick (1891) para
exercer a cátedra de História da Igreja no Divinity Hall de Glasgow e, em 1900, foi
nomeado professor de Apologética e Teologia Dogmática no Trinity College da mesma
cidade. A sua obra mais famosa é The Christian View of God and the World (1893). [1]

Contribuiu para popularizar a doutrina evangélica com influência considerável nos


Estados Unidos da América. Em todo momento buscou defender a ortodoxia evangélica
em meio aos muitos ataques e desafios da época. Em 1897, deu duas séries de
conferências nos EUA, as quais foram publicadas posteriormente com os títulos
respectivos de The Progress of Dogma (1902), a sua melhor obra e, Neglected Factors
in the Study of the Early Progress of Christianity (1899).

Foi um dos primeiros e principais oponentes da teologia de Ritschl, que na época


dominava o pensamento protestante. Também se opôs a Wellhausen e a sua hipótese
documentária do Pentateuco, afirmando a autoridade Mosaica. Do mesmo modo
enfrentou Harnack com a sua obra The Progress of Dogma (1901), mostrando a lógica
divina do desenvolvimento histórico da fé cristã; como a ordem tradicional da
dogmática que começa com a teodicéia e conclui com a escatologia, obedece a
cronologia em que essas doutrinas foram formuladas historicamente.

James Orr conhecia a partir das fontes a filosofia e a teologia tanto alemã como da Grã-
Bretanha. Como o seu colega James Denney sustentava basicamente uma posição
evangélica, mas admitia também que era necessário reafirmar a fé no contexto das
novas correntes da filosofia e da teologia. Por isso, chegou a admitir a evolução teísta e
tratou de contradizer o veredito negativo de A. Harnack como dissemos, sobre a história
dos dogmas sustentando que os dogmas foram se desenvolvendo de acordo com uma
lógica interna reconhecível.

Colaborou na controvérsia fundamentalista considerada como uma defesa da fé


evangélica e da plena inspiração da Bíblia. Todavia, afastou-se do fundamentalismo no
tocante à inerrância da Escritura, que sempre a considerou um suicídio no terreno da
apologética. Sobre a evolução das espécies e do homem defendeu uma postura que hoje
chamaríamos “evolucionismo teísta”, ainda que em muitos aspectos se opôs ao
Darwinismo. Apesar de tudo escreveu vários artigos para a série The Fundamentals. Foi
editor da The International Standart Bible Encyclopedia (1915), sua obra magna e mais
influente, que ainda desfruta do merecido prestígio, dado a seu alto nível acadêmico e
bíblico.[2]
Morreu em 6 de Setembro de 1913 elevado por uma auréola de erudição e piedade, de
onde se menciona o conhecimento filosófico e científico, com o bíblico e teológico.

NOTAS:

[1] Traduzido para o espanhol com o nome de James Orr, El Concepto Cristiano de
Dios y del Mundo (Barcelona, CLIE, 1992).

[2] Outras obras menos conhecidas são The Ritschlian Theology and the Evangelical
Faith (1897); David Hume (1903); Ritschlianism; Expository and Critical
Essays (1903); God’s Image in Man and its Defacement in Light of Modern
Denials (1905); Problems of the Old Testament Considered with Reference to Recent
Criticism (1906); The Bible under Trial. Apologetic Papers in View of Present Day
Assaults on Holy Scripture (1907); The Resurrection of Jesus (1908); Side-Lights on
Christian Doctrine (1909); Sin as a Problem To-Day (1910); The History and Literature
of the Early Church (1913); e no The Fundamentals: A testimony to the truth, R.A.
Torrey and A.C. Dixon, eds., (1917) escreveu os artigos: “The Holy Scriptures and
Modern Negations”, “The Early Narratives of Genesis”, “Science and Christian Faith”,
e “The Virgin Birth of Christ”.