Você está na página 1de 3

Fichamento América 2 – a invenção da etnicidade nos estados-nações americanos nos séculos

XIX e XX

Autor: Frederico Navarrete

 Navarrete começa seu texto pontuando o quão importantes são as relações interétnicas
para a definição dos regimes políticos que aconteceram nos países americanos.

 O autor critica as concepções teóricas que dão conta da diversidade dos povos
americanos como conseqüência inevitável de um “pecado original” resultado de
migração, colonialismo e escravismo.

 O que Navarrete propõe é que existam diversidades emergentes surgidas das novas
circunstâncias que formaram os Estados-Nações americanos, que não completamente
negam as diferenças originais, mas que lhes dão novos significados.

 Dentre vários exemplos destas diferenças emergentes, ele cita o direito ao voto negado
aos povos afrodescendentes. Não se tratava mais da exploração escravista, mas
continuava a ser racismo.

 Uma causa emergente das novas discriminações, segundo Navarrete, seria a da


expansão do capitalismo. Outras causas que o autor cita são o que consideramos
natural e cultural, as diferenças de gênero e a endogênese.

 Etnogênese: “[...] inesgotável capacidade que os grupos sociais tiveram, e têm, para
redefinir suas identidades e suas diferenças em meio à complexa interação com outros
grupos e com os Estados-nações.

 Navarrete critica o conceito de Cultura (com C maiúscula) sobre os diferentes grupos


étnicos dizendo que ele dês-historiciza esses povos ao tratar os agentes de suas
mudanças históricas como todos exógenos (externos).

 “Essas constelações de elementos e trações são produtos das circunstâncias e


processos históricos e se modificam com eles.” (p.98)
 O autor propõe o uso do conceito de “categoria étnica” e enfatiza que as relações de
exploração econômica e de classe ainda são parte fundamental do histórico dessas
categorias étnicas.

 “A capacidade de cada grupo definir sua própria identidade e os termos de sua relação
cultural e social com os grupos e sistemas com que interatua dependem das
circunstâncias históricas particulares.” (p.99)

 “(as categorias étnicas) [...] tiveram uma convivência complexa, repleta de


contradições e conflitos, mas também de coincidências e negociações.” (p.100)

 Sobre a construção nacional dos Estados-nações americanos, Navarrete diz:


“Tradicionalmente, eles têm sido vistos como processos de modernização de
sociedade tradicionais heterogêneas que levaram à superação de suas diferenças
primordiais por meio da unificação cultural e étnica.” (p.100)

 Portanto, Navarrete irá dizer que a equivalência modernidade=homogeneidade étnica


será o discurso das elites americanas em impor uma suposta unificação nacional acima
das diferenças, e que o diferente, o diverso deve ser erradicado. Por vezes, as
diferenças serão aceitas pela elite e incorporadas por ela (como no México e no
Brasil), mas sempre sob os critérios homogeneizantes da elite.

 Navarrete destacará que não só as elites participarão desse processo como também os
grupos étnicos sob dominância entre conflitos e negociações políticas e ideológicas
com a elite.

 O autor proporá períodos divididos por crises em questão de relações interétnicas das
nações americanas, em específico 4 períodos: 1) Nações estamentais; 2) Repúblicas
liberais discriminatórias; 3) Repúblicas integradoras; 4) Regimes multiculturais.

 Navarrete conclui suas ideias sobre as relações étnicas no continente americano:


“Nossas sociedade têm falado, durante os últimos 200 anos, duas linguagens políticas
que se concebem como contraditórias e incompatíveis: a da igualdade e a da diferença.
Talvez, no século XXI, seja o momento de buscar a maneira de traduzi-las entre si, de
modo que a riqueza cultural e humana contida na pluralidade cultural não seja a base
da discriminação e marginalização e que o reconhecimento da diversidade não se torne
um pretexto para deixar de buscar a equidade e a justiça.” (p.111)