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Governador

Cid Ferreira Gomes

Vice Governador
Domingos Gomes de Aguiar Filho

Secretária da Educação
Maria Izolda Cela de Arruda Coelho

Secretário Adjunto
Maurício Holanda Maia

Secretário Executivo
Antônio Idilvan de Lima Alencar

Assessora Institucional do Gabinete da Seduc


Cristiane Carvalho Holanda

Coordenadora da Educação Profissional – SEDUC


Andréa Araújo Rocha
Apostila de
Meio Ambiente
CURSO TÉCNICO EM MINERAÇÃO

Engenheiro de Minas José Chaves Neto


2013

Mineração – Meio ambiente e Mineração 1


ÍNDICE
Tópico Página

1- Objetivos................................................................................................. 03

2- Introdução............................................................................................... 04

3- Conceitos básicos.................................................................................... 06

4- Impactos ambientais da atividade de mineração...................................... 07

5- Fatores que influenciam a natureza e a extensão dos impactos ambientais 26

6- Delimitação dos impactos causados pela mineração................................... 28

7- Exemplos no Brasil do efeito da mineração no meio ambiente.................. 41

8- A questão econômica.................................................................................. 46

9- Engenharia Ambiental............................................................................... 47

10- Demanda crescente................................................................................... 48

11- O impacto positivo da mineração............................................................. 50

12- O bom exemplo da VALE e da MRN.......................................................... 53

13- Exemplos positivos de fechamento de mina........................................... 57

14- Licenciamento Ambiental....................................................................... 60

15- Barragens e depósitos de rejeitos............................................................ 61

16- Controle de vibrações, ruídos e pó.......................................................... 64

17- Revegetação e reflorestamento................................................................ 77

18- Paralisação temporária e fechamento de mina....................................... 79

19- Insumos e resíduos................................................................................. 82

20- Plano de Controle de Impactos Ambientais na Mineração (PCIAM).... 84

21- Conclusões.............................................................................................. 116

22- Bibliografia...................................................................................... 116

Mineração – Meio ambiente e Mineração 2


1- Objetivos
O presente curso objetiva identificar e descrever ao aluno, os processos de
recuperação ambiental de áreas degradadas através de revegetação, construção de
barragens e depósitos de rejeitos. Também busca apresentar os processos de
reaproveitamento e reuso dos rejeitos do tratamento de minérios e por fim, propor
alternativas de solução com vistas a recuperação do meio ambiente.

Deve ficar claro que uma das premissas do curso e seu material é a de que
mineração e meio ambiente podem e devem conviver de maneira harmoniosa (histórico e
desenvolvimento sustentável).
Figura - Pousada e churrascaria alocadas na área revegetada do pit da mina.

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2- Introdução

Mineração é um termo que carrega com sigo um pesado significado, destruição.


Em nosso passado a mineração se inicia na pré-história com a obtenção de silex e cherte
com o objetivo de fazerem armas e utensílios domésticos. A partir daí tornou-se cada vez
mais avançada a tecnologia para extração e beneficiamento do minério com melhor teor e
melhor qualidade. Uma Jazida e voltada para o mineral que extrai tornando cada
mineração individual e especifica. A principal diferença e a mais importante
encontram-se nos tipos de lavra (céu aberto ou subterrânea).
Para o futuro é indispensável a existência da mineração, como conseqüência disso
é considerada um bem público devido seus produtos serem utilizados em tudo que esta a
nossa volta. Baseado nisso a sua maior preocupação é a recuperação de áreas degradadas
em sua exploração. Os impactos que a mineração pode causar na comunidade que esta
inserida e dentro de sua própria organização são alarmantes. De forma sucinta são
descritos abaixo:

1- Os recursos hídricos são tomados por partículas sólidas vindas do processo de


pesquisa, beneficiamento e da infra-estrutura; óleos, graxas e elementos químicos
deixados no solo podendo alterar águas subterrâneas - poluindo a matéria prima
indispensável para a atividade humana.
2- A geologia de sua área é perdida após a abertura da cava modificando de forma
brusca o relevo, podendo causar erosões voçorocas e assoreamentos.
3- O solo é alterado de forma drástica após a retirada da cobertura vegetal para
abertura da cava e construção de vias de acesso altera de gravemente em sua
permeabilidade.
4- A vegetação da área pode ser perdida se não retirada de forma cuidadosa
catalogando todas as espécies que poderão ser usadas para recuperação da área.
5- A fauna também deve ser catalogada, fazendo controle de refugio aos bichos após
a destruição de seu habitat.
6- A qualidade do ar é alterada, provocada por veículos pesados e leves que circulam
na empresa e no desmonte de rocha onde partículas sólidas finas desprendem-se
formando uma nuvem de poeira alastrando a uma grande distancia.

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7- Ruídos e vibrações gerados pelos desmontes de rocha podendo ser amenizado
com outras técnicas.
8- As condições socioeconômicas da comunidade serão interferidas voltando sua
formação profissional e estrutura da cidade para a mineração.
A mineração é um dos setores básicos da economia do Brasil, contribuindo de
forma decisiva para o bem estar e a melhoria da qualidade de vida das presentes e futuras
gerações. É importante reconhecer e manter sob controle os impactos que esta atividade
provoca no meio ambiente, assim proporcionando um meio ambiente adequado para as
futuras gerações que estão por vir.
As alterações do equilíbrio ecológico e o impacto da atividade humana sobre o
planeta começaram a se transformar em assunto de preocupação de alguns cientistas e
pesquisadores durante a década de 60 e ganharam dimensão política a partir da década de
70., sendo que atualmente são um dos assuntos mais polêmicos do mundo. Não é mais
possível implantar qualquer projeto ou discutir qualquer planejamento sem
considerar o impacto sobre o meio ambiente.
As atividades humanas, as chamadas econômicas, alteram o meio ambiente,
sendo a mineração e a agricultura as duas atividades econômicas básicas da economia
mundial. Através destas, o homem extrai recursos naturais que alimentam toda a
economia. Sem elas, nenhuma das atividades subseqüentes pode existir. A mineração e a
agricultura, junto com a exploração florestal, a produção de energia, os transportes, as
construções civis (urbanização, estradas, etc.) e as indústrias básicas (químicas e
metalúrgicas) são os causadores de quase todo o impacto ambiental existente na terra. O
impacto das demais atividades econômicas torna-se pouco significativo quando
comparado às citadas anteriormente.
A mineração, evidentemente, causa um impacto ambiental considerável. A
atividade minerária altera intensamente a área minerada e as áreas vizinhas, onde
são feitos os depósitos de estéril e de rejeito. Além do mais, quando temos a presença
de substâncias químicas nocivas na fase de beneficiamento do minério, isto pode
significar um problema sério do ponto de vista ambiental.
Figura – Aspecto do terreno remanescente de uma lavra a céu aberto abandonada.

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Figura- Remoção dos topos da montanha pelas minas de carvão, na região de
Appalachia/EUA

3- Conceitos básicos
Os recursos minerais são bens esgotáveis e não renováveis. Por esse fato,
tendem a escassez à medida que se desenvolve a sua exploração. Antes de discutirmos
mais detalhadamente a questão ambiental, é necessário se conhecer algumas definições
técnicas muito utilizadas na para alguns termos utilizados na área de mineração:

Beneficiamento ou tratamento: processamento da substância mineral extraída,


preparando-a com vistas à sua utilização industrial posterior.

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Bota-fora: local para deposição do estéril da mina e, às vezes, para o rejeito da usina de
beneficiamento.

Capeamento: Camada estéril que recobre a jazida mineral e que deve ser retirada para
efeito de extração do minério na lavra a céu aberto.

Estéril: termo usado em geologia econômica para as substâncias minerais que não têm
aproveitamento econômico.

Jazidas minerais: Massa individualizada de substância mineral ou fóssil, aflorando à


superfície ou existente no interior da terra, em quantidades e teores que possibilitem seu
aproveitamento em condições econômicas favoráveis.

Mina: é a jazida mineral em fase da lavra, abrangendo a própria jazida e as instalações de


extração, beneficiamento e apoio.

Mineral: é toda substância natural formada por processos inorgânicos e que possui
composição química definida.

Minério: mineral ou associação de minerais que pode, sob condições econômicas


favoráveis ser utilizado como matéria prima para a extração de um ou mais metais.

Rejeito: rochas ou minerais inaproveitáveis presentes no minério e que são separadas


deste, total ou parcialmente, durante o beneficiamento.
Figura- Mineração de carvão no Rio Grande do Sul, processo de recuperação de áreas
mineradas.

4- Impactos ambientais da atividade de mineração.

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Assim como toda exploração de recurso natural, a atividade de mineração
provoca impactos no meio ambiente seja no que diz respeito à exploração de áreas
naturais ou mesmo na geração de resíduos.
Segundo CPRM (2002), os principais problemas oriundos da mineração podem
ser englobados em cinco categorias: poluição da água, poluição do ar, poluição sonora,
subsidência do terreno, incêndios causados pelo carvão e rejeitos radioativos. A seguir,
serão relatadas algumas atividades de exploração mineral onde são abordados os
impactos ambientais gerados durante o processo de exploração e disposição de seus
resíduos.
Já na fase inicial (prospecção geológica) de um do projeto de mineração, os
conflitos se iniciam com a chegada mesma da equipe de prospecção ao local de estudo
geológico, como é facilmente identificável numa pequena localidade, geralmente, aonde
estranhos se dirigem e iniciam frenético trabalho de amostragem e eventuais perfurações,
com interações entre tal equipe e a comunidade local possuindo vários graus de
confiabilidade, embora, quase sempre, “meio-que-misteriosa”!
Nesta fase, há o início de falsas expectativas, otimistas ou pessimistas, que se
avolumam de forma incontrolada, caso deixadas ao acaso. Nos dias que correm, quando
de um trabalho de prospecção geológica, numa determinada área ou localidade, sem
histórico de atividade mineira anterior, é comum o envio, primeiro, de “olheiros”,
geralmente especialistas em psicologia de grupo ou antropologia, que possam identificar
o “quem-é-quem” naquela particular comunidade, ou comunidades vizinhas, preparando
o terreno para a equipe geológica vir a executar seu trabalho, dessa forma minimizando
riscos de falsas expectativas e comunicação.
A prospecção geológica e, mais tarde, os estudos propriamente ditos, ocasionam
perturbações ao meio-ambiente, quer através de desmatamentos, quer através da obtenção
de amostras, quer através da utilização de equipamentos, podendo, inclusive, gerar
exposições de afloramentos com suas consequências nem sempre inocentes, por exemplo,
focos produtores de drenagem ácida.
Em suma, uma boa campanha de prospecção geológica e mais tarde estudos
geológicos, deve visar a MINIMIZAÇÃO das massas envolvidas (amostras tomadas,
pontos de amostragem, água utilizada e descartada e dejetos produzidos); minimização da
energia utilizada equipamentos e maquinaria) assim como na minimização dos efluentes

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gerados pela atividade de amostragem e fontes de energia utilizada, diesel, por exemplo,
bem como impactos ecológicos durante operações de desmatamento e perfuração. Por
outro lado, como já observado, deverá buscar uma maximização da satisfação social, tal
como definida anteriormente, através da geração de clima favorável a uma boa percepção
publica do que está ocorrendo e/ou ocorrerá, bem como minimizando falsas, sejam
pessimistas ou otimistas, expectativas.

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Figura – Etapas e procedimentos básicos para a recuperação de áreas degradadas.

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4.1. Alguns dos principais tipos de extração mineral no Brasil
4.1.1. Carvão
O carvão catarinense foi descoberto em 1822. Durante o século XIX predominavam
as pequenas produções, com extração totalmente manual, possibilitando uma lavra
seletiva.
No início do século XX, principalmente a partir de 1930 e 1940, foram elaboradas as
primeiras leis que obrigavam o consumo, pelas indústrias nacionais, de 10 e 20%,
respectivamente, do carvão nacional em substituição ao importado.
A partir de 1961 foi abandonada a mineração seletiva, e o produto minerado
continha de 60 a 65% de estéril, tornando seu transporte antieconômico ao Lavador
Central de Capivari. Assim, foram instalados prélavadores nas bocas das minas para
produzir o chamado "carvão pré-lavado”, com 28 a 32 % de cinzas, o qual era enviado ao
Lavador de Capivari. Os rejeitos xistoso e piritoso produzidos nos pré-lavadores foram
sendo depositados, durante décadas, próximos aos pré-lavadores, causando grande
impacto ambiental, principalmente devido à presença da pirita. As drenagens ácidas são
provenientes dos rejeitos contendo sulfetos, em forma de pirita, que ao ficarem expostos à
água e ao ar, oxidam-se gerando acidez. Este passivo ambiental até hoje causa danos aos
recursos hídricos da região.
Os Governos Federal e Estadual e o mineradores de carvão de Santa Catarina
foram condenados em Sentença da Justiça Federal, em janeiro de 2000, a promover toda
a recuperação ambiental da região afetada pela mineração carvão no prazo de três anos.
Com o objetivo de atender a sentença citada, os réus criaram um Comitê Gestor que está
desenvolvendo estudos e trabalhos de recuperação ambiental, que resultou no Projeto
Conceitual para Recuperação Ambiental da Bacia Carbonífera Catarinense, elaborado
pelo CETEM, CANMET, órgão do Natural Resources do Canada e SIECESC Sindicato
da Indústria de Carvão do Estado de Santa Catarina.
No caso da mineração de carvão, a céu aberto, que geralmente abrange grandes
áreas, pode ocorrer a poluição nas águas e no ar e por isso, requer um sistema rígido de
recuperação da área pós-minerada.

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Na região carbonífera de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul a poluição
hídrica causada pela drenagem ácida é provavelmente o impacto mais significativo das
operações de mineração e beneficiamento do carvão mineral. Essa poluição decorre da
infiltração da água de chuva sobre dos rejeitos gerados nas atividades de lavra e
beneficiamento, que alcançam os corpos hídricos superficiais e/ou subterrâneos. Essas
águas adquirem baixos valores de pH (< 3), altos valores de ferro total, sulfato total e
vários outros elementos tóxicos que impedem a sua utilização para qualquer uso e
destroem a flora e a fauna aquática.
Figura- Rio contaminado por rejeitos de extração de carvão no município de Siderópolis (SC). (foto: Célio
Yano)

Figura- Rejeito de carvão em Criciúma (SC). O material bruto extraído em solo brasileiro, com altos teores de cinza e
enxofre, é considerado de baixíssima qualidade. Em algumas áreas, chega-se a descartar 75% do que é extraído. (foto:
Célio Yano)

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Figura- Além dos acidentes de trabalho, os mineiros estão expostos a outra grave ameaça, a
pneumoconiose. Causada pela inalação contínua da poeira do carvão, a doença reduz a expectativa de vida
do portador, uma vez que restringe a entrada de ar pelas vias respiratórias. (foto: Célio Yano)

4.1.2. Ouro
Na província aurífera do Quadrilátero Ferrífero em Minas Gerais, a presença do
elemento tóxico arsênio merece destaque no que se refere aos efeitos da mineração no
meio ambiente. Em Nova Lima e Passagem de Mariana, funcionaram, por várias décadas,
fábricas de óxido de arsênio, aproveitado como subproduto do minério. Os rejeitos de
minério ricos em arsênio foram estocados às margens de riachos ou lançados diretamente
nas drenagens, provocando grande comprometimento ambiental do solo e água.
4.1.3. Chumbo, Zinco e Prata
As minas de chumbo, zinco e prata do Vale da Ribeira/SP estiveram ativas
durante longo período do século XX, especialmente nas décadas de 70 e 80. Os materiais
resultantes dos processos de metalurgia e refino do minério de chumbo foram estocados
nas margens do rio Ribeira. As últimas minas e a refinaria encerraram suas atividades em
novembro de 1995. Segundo a CPRM foram realizados estudos na população infantil, nos
municípios de Adrianópolis e Cerro Azul no Paraná e, Ribeira e Iporanga em São Paulo,
envolvendo análises de Chumbo total em sangue e arsênio em urina. As concentrações de
chumbo no sangue foram superiores aos limites aceitos pelos padrões técnicos
internacionais.

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Figura – Pilha de rejeito no vale do ribeira/PR de chumbo.

Figura – Mineradora Plumbum instalada a beira do rio no Vale do Ribeira/PR.

4.1.4. Agregados para Construção Civil


Os bens minerais (areia, argila e brita) de emprego direto na construção civil, por
sua importância para os setores de habitação, saneamento e transportes, são considerados
como bens minerais de uso social. A produção desses minerais, por fatores
mercadológicos, impõe sua atuação próxima dos centros consumidores, caracterizando-se
como uma atividade típica das regiões metropolitanas e urbanas. O índice de
clandestinidade dessa atividade é significativo e preocupante. Os impactos ambientais

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provocados são grandes e descontrolados, degradando ambientes de delicado equilíbrio
ecológico (dunas e manguezais), alterando canais naturais de rios e os aspectos
paisagísticos. No geral as cavas são utilizadas como bota-fora da construção civil e até
mesmo como lixões.
Figura – Lavra em cava em pedreira localizada no município de Eusébio.

4.1.5. Garimpos
A garimpagem provoca impactos ambientais comuns a todas as áreas submetidas
a esse tipo de extração rudimentar e predatória, principalmente a contaminação dos
recursos hídricos. No Brasil existem diversas áreas, localizadas nos estados de Minas
Gerais e Bahia, que historicamente possuem atividades garimpeira. Os principais
impactos ambientais decorrentes dessa atividade são:

a) desmatamentos e queimadas;

b) alteração nos aspectos qualitativos e no regime hidrológico dos cursos de água;

c) queima de mercúrio metálico ao ar livre;

d) desencadeamento dos processos erosivos;

e) turbidez das águas e mortalidade da ictiofauna;

g) fuga de animais silvestres;

h) poluição química provocada pelo mercúrio metálico na biosfera e na atmosfera.

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4.2. Conseqüências da Mineração no Meio Ambiente
4.2.1. Degradação da Paisagem
O principal e mais característico impacto causado pela atividade minerária
é o que se refere à degradação visual da paisagem. Não se pode, porém, aceitar que tais
mudanças e prejuízos sejam impostos à sociedade, da mesma forma que não se pode
impedir a atuação da mineração, uma vez que ela é exigida por essa mesma sociedade.
Figura – Lavra de rochas ornamentais em matacões, Rio Grande do Sul.
Pedreira desenvolvida sem planejamento e pouco mecanizada

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4.2.2. Ruídos e Vibração
O desmonte de material consolidado (maciços rochosos e terrosos muito
compactados) é feito através de explosivos, resultando, em conseqüência, ruídos quase
sempre prejudiciais à tranqüilidade pública. Para minimizar estes impactos podem ser
adotadas certas medidas:

- orientação da frente de lavra;


- controle da detonação.
A onda de choque gerada por explosivos apresenta comportamentos
distintos, de acordo com a distância e o tipo de material. Um método para suavizar os
impactos causados pela detonação consiste em provocar uma descontinuidade física no
maciço rochoso.
Para evitar ruídos decorrentes dos equipamentos de beneficiamento, deve-se
aproveitar ao máximo os obstáculos naturais ou então criar barreiras artificiais, colocando
o estoque de material beneficiado ou a ser tratado entre as instalações e as zonas a
proteger.
4.2.3. Tráfego de Veículos
O tráfego intenso de veículos pesados, carregados de minério, causa uma
série de transtornos à comunidade, especialmente naquela situação mais próxima às áreas
de mineração, como: poeira, emissão de ruídos, freqüente deterioração do sistema viário
da região.
4.2.4. Poeira e Gases
Um dos maiores transtornos sofridos pelos habitantes próximos e/ou os que
trabalham diretamente em mineração, relaciona-se com a poeira. Esta pode ter origem
tanto nos trabalhos de perfuração da rocha como nas etapas de beneficiamento e de
transporte da produção.
Estes resíduos podem ser solúveis, ou particulares que ficam em suspensão
como lama e poeira. A contribuição da mineração para a poluição do ar é principalmente
uma poluição por poeira. A poluição por gases a partir da mineração é pouco
significativa, e em geral de restringe à emissão dos motores das máquinas e veículos
usados na lavra e beneficiamento do minério.
4.2.5. Contaminação das Águas

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Quanto à poluição das águas provocada pela mineração, a maior parte das
minerações no Brasil provoca poluição por lama. A poluição por compostos químicos
solúveis, também existe e pode ser localmente grave, mas é mais restrita. O controle no
caso de lama é termicamente simples, mas pode requerer investimentos consideráveis.
As minerações de ferro, de calcário, de granito de areia e argila, da bauxita,
de manganês, de cassiterita, de diamante e várias outras, provocam em geral poluição das
águas apenas por lama.
O controle tem que ser feito através de barragens para contenção e
sedimentação destas lamas. As barragens são muitas vezes os investimentos mais pesados
em controle ambiental realizado pelas empresas de mineração. Por outro lado, estas
barragens servem também para recirculação de água e podem não ser considerados
investimentos exclusivos de controle ambiental.
Além da poluição por lama, muitas minerações provocam poluição de
natureza química, por efluentes que se dissolvem na água usada no tratamento do minério
ou na água que passa pela área de mineração.
As minerações de ouro podem apresentar problemas mais complexos de
contaminação das águas, por usarem cianetos altamente tóxicos no tratamento do
minério. Além disso, muitos minérios de ouro são ricos em arsenopirita e provocam
contaminação por arsênico. Pode-se dizer com segurança que o problema ambiental mais
sério provocado pela mineração no Brasil, é a contaminação por lama e por mercúrio de
rios da Amazônia, causada pelos garimpos de ouro. Como os "garimpeiros" usam uma
tecnologia rudimentar, o controle ambiental é difícil e a contaminação só não é muito
mais grave porque os rios da Amazônia são muito volumosos e a área é ainda pouco
povoada.
Figura- Mortandade de peixes causada por despejo de mercúrio em rio.

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Figura- Degradação oriunda do trabalho do garimpeiro.

4.2.6. Rejeito e Estéril


A disposição final de rejeitos não constitui problema mais sério, quando
destinados aos trabalhos de recuperação das áreas. Entretanto, durante a fase da lavra
devem ser observados cuidados especiais para que estes não sejam lançados no sistema
de drenagem.
Quando esses depósitos ficam muito volumosos, tornam-se, por si mesmos,
instáveis e sujeitos a escorregamentos localizados. No período de chuvas, devem ser
removidos e transportados continuamente até as regiões mais baixas e, em muitos casos,
para cursos de água. A repetição contínua do processo provoca o transporte considerável
desse material, ocasionando gradativamente o assoreamento dos cursos de água. Além do
volume provindo do material estéril, devem ser consideradas as quantidades advindas da
área das próprias jazidas e o material produzido pela decomposição das rochas e erosão
do solo.
O problema pode ser minimizado através do adequado armazenamento do
material estéril e sua posterior utilização para reaterro de áreas já mineradas e de tanques
de decantação que retenham os sedimentos finos na própria área, preservando a
hidrografia.
Figura - O rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Rio Verde em
Macacos/MG, ocorrido em 2001, atingiu cerca de 43 hectares e assoreou 6,4
quilômetros do leito do Córrego Taquaras.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 20


4.3. Impactos em áreas urbanas
Segundo IBAMA (2006), a mineração em áreas urbanas e periurbanas é um
dos fatores responsáveis pela degradação do subsolo. Atualmente, junto às grandes
metrópoles brasileiras, é comum a existência de enormes áreas degradadas, resultante das
atividades de extração de argila, areia, saibro e brita.
A proximidade de pedreiras de centros habitados é uma decorrência
natural da forte influência do custo dos transportes no preço final do produto. Isso ocorre,
principalmente, com os agregados, devido ao seu baixo valor unitário. Os fatores
geológicos ligados à localização natural da jazida e ao grande volume das reservas,
proporcionando longa vida útil aos empreendimentos, são fatores rígidos e imutáveis que
impedem a mudança das áreas de extração.
Por outro lado, o crescimento desordenado e a falta de planejamento
urbano facilitam a ocupação de regiões situadas nos arredores das pedreiras, provocando
o fenômeno de "sufocamento" das mesmas e originando um quadro crescente de conflitos
sociais.
O consumo de agregados constitui-se em um importante indicador da
situação econômica e social de uma nação. Enquanto os EUA consomem, anualmente,

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cerca de 7,5 t por habitante de agregados e a Europa Ocidental, de 5 a 8 t por
habitante/ano, no Brasil, o consumo está pouco acima de 2 t por habitante/ano. Mesmo
dentro do país, os níveis de consumo de agregados têm diferenças significativas. O
consumo no Estado de São Paulo chega a 4,5 t/hab/ano, enquanto que, em Fortaleza e
Salvador, não atinge 2 t/hab/ano (Valverde, 2001).
Os efeitos ambientais estão associados, de modo geral, às diversas fases de
exploração dos bens minerais, como à abertura da cava, (retirada da vegetação,
escavações, movimentação de terra e modificação da paisagem local), ao uso de
explosivos no desmonte de rocha (sobrepressão atmosférica, vibração do terreno,
ultralançamento de fragmentos, fumos, gases, poeira, ruído), ao transporte e
beneficiamento do minério (geração de poeira e ruído), afetando os meios como água,
solo e ar, além da população local.
Segundo BACCI (2006), os efeitos ambientais estão associados, de modo
geral, às diversas fases de exploração dos bens minerais, como à abertura da cava,
(retirada da vegetação, escavações, movimentação de terra e modificação da paisagem
local), ao uso de explosivos no desmonte de rocha (sobrepressão atmosférica, vibração do
terreno, ultralançamento de fragmentos, fumos, gases, poeira, ruído), ao transporte e
beneficiamento do minério (geração de poeira e ruído), afetando os meios como água,
solo e ar, além da população local.
Exemplo: A área de estudo abrange uma pedreira de diabásio, localizada dentro da
malha de expansão urbana, na região noroeste do município de Campinas, Estado de São
Paulo (Figura abaixo). A ocupação populacional ocorre nas porções leste e nordeste da
pedreira. A nordeste da cava, distante 250 m, encontram-se as construções comerciais
mais próximas e, acerca de 800 m, começam as primeiras casas do bairro residencial Vila
Boa Vista.

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Identificação dos aspectos e impactos ambientais
A atividade da pedreira em questão resume-se no decapeamento, desmonte da
rocha com uso de explosivos, carregamento e transporte do minério e seu posterior
beneficiamento, produzindo brita e "pó de pedra", utilizados diretamente na usina de
asfalto e como agregado na construção civil. Para identificar e avaliar os aspectos e
impactos da pedreira, foram utilizados os dados de levantamento sismográfico obtidos
durante o período de um ano de monitoramento dos desmontes, num total de 28
desmontes e 146 medições realizadas (Bacci, 2000).
Os quadros apresentados foram elaborados segundo a metodologia utilizada na
norma ISO 14001 (1996) e serviram, inicialmente, para identificar as principais fontes
que geravam reclamações por parte da comunidade e, num segundo momento, como
instrumento para avaliação de desempenho ambiental, dentro de um Sistema de Gestão
Ambiental. As atividades descritas nos quadros 1, 2, 3 e 4 são as que ocorrem nas
diferentes fases de lavra, no beneficiamento e na manutenção das instalações
administrativas.

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Mineração – Meio ambiente e Mineração 24
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5- Fatores que influenciam a natureza e a extensão dos impactos
ambientais.
Ao extraírem-se os bens minerais da crosta terrestre, automaticamente,
gera-se uma alteração bastante profunda que modifica a estrutura física de seu jazimento -
localização. Essas alterações, advindas da atividade mineral, podem provocar maior ou
menor impacto, conforme os fatores geográficos, o método de lavra utilizado e o tipo de
minério extraído.
5.1. Fatores Geográficos
Os depósitos minerais encontram-se onde as condições geológicas são
favoráveis à sua formação. A este condicionante dá-se o nome de "rigidez locacional da
jazida". Alguns fatores geográficos estão relacionados à posição do jazimento, tais como:
densidade da população, topografia, clima e aspectos sócio-econômicos, dentre outros,
que poderão influir de forma positiva ou negativa na extração econômica destas riquezas.
Normalmente a oposição à mineração é mais intensa em regiões de alto valor
cênico ou locais de condições favoráveis a raras espécies de flora e fauna. Quanto ao
clima, o mecanismo de transporte da poluição originária da mina ao meio ambiente está
diretamente relacionado ao regime pluviométrico, temperatura, umidade, direção dos
ventos, dentre outros. Sua principal influência é, portanto, sobre a intensidade da
poluição, considerando a distância sobre a qual o impacto da mineração é perceptível.
No que diz respeito aos aspectos sócio-econômicos, tais como: a criação de
empregos, circulação de riquezas, incremento do comércio e serviços, fortalecimento do
setor público através da arrecadação de impostos, dentre outros fatores, pode-se constatar
que, sem dúvida alguma, a atitude do público, em geral, é condicionada, em parte, pela
condição econômica da região e a natureza desta comunidade.
5.2. Tipo de Lavra
O método de lavra utilizado na exploração das substâncias minerais é um
dos principais fatores determinantes do nível de impacto ao ambiente, tendo grande
influência na natureza e na extensão do impacto ambiental. A escolha do método mais
adequado depende de certas características das jazidas e às vezes, de fatores externos não
controláveis. A grande maioria dos bens minerais é lavrada por métodos tradicionais a
céu aberto (em superfície) ou subterrâneo (em subsuperfície).

Mineração – Meio ambiente e Mineração 27


Os maiores riscos de comprometimento ambiental ocorrem na lavra a céu
aberto, onde se tem um maior aproveitamento do corpo mineral, gerando maior
quantidade de estéril, poeira em suspensão, vibrações e riscos de poluição das águas, caso
não sejam adotadas técnicas de controle da poluição.
A lavra de minerais industriais, freqüentemente, apresenta um alto potencial
impactante. Em contrapartida, poucos minerais, desta classe, são tóxicos e o uso de
reagentes químicos no tratamento destes é limitado. Por isto, os principais problemas
ambientais deste tipo de minerais são o impacto visual, o abandono das lavras, a poeira, o
ruído e a vibração.
Figura– Exemplos de lavra mal planejada em pedreiras localizadas nos municípios e Itaitinga (A) e
Maracanaú (B).

Figura – Ambiente subterrâneo e sua interação com o meio ambiente natural.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 28


As maiores consequências ou riscos ambientais no exterior das explorações subterrâneas:
 Águas ácidas e contaminadas com metais pesados;
 Deposição de escombros e rejeitados que podem poluir o solo e as aguas e
ocasionar impacto visual;
 Subsidência devida á lavra subterrânea e presença de falhas;
 Impacto paisagístico pela instabilidade biológica na zona;
 Desaparição das linhas d águas superficiais, drenagem ao subsolo e posterior
contaminação.
6- Delimitação dos impactos causados pela mineração.
6.1- Formulação dos problemas

As atividades mineradoras causam impactos diretamente ao meio ambiente.


Tanto no garimpo, quanto, na extração de minérios que se encontram no solo e subsolo.
Muito de seus danos são irreversíveis. Assim, a exploração de uma jazida deve-se levar
em consideração sua viabilidade econômica e ambiental.
Com a abertura de deposito mineral em lavra (mina, garimpo) a geologia da
área é perdida modificando o relevo podendo ocasionar erosões e assoreamentos. A
produção de maneira inadequada dos minerais pode ter formas direta ou indiretamente
quanto à degradação ambiental; gerando chuvas ácidas, o aquecimento global, poluição
de reservatórios de água, etc. Além de gerar problemas sócio-ambientais, onde muitas

Mineração – Meio ambiente e Mineração 29


famílias são remanejadas de seus locais para dar lugar às empresas mineradoras. Como
também a questão visual de deposito mineral.
Apesar dos problemas causados ao meio ambiente, a mineração é
inevitavelmente essencial a humanidade uma vez que possibilita qualidade de vida e
desenvolvimento sustentável. O maior desafio da indústria mineral é reduzir essas
interferências no meio ambiente para níveis mais admissíveis, nos seus diferentes
estágios de exploração, produção, utilização e disposição de resíduos.
É preciso uma análise do avanço que a exploração mineral possui bem como
sua degradação ao ambiente. Assim, devem-se levar em conta os benefícios e malefícios
acarretados pela indústria mineradora. Para que muitos dos problemas sejam
solucionados rege-se a necessidade de uma política conservadora que fiscalize; tanto ao
ambiente, quanto, as atividades realizadas pelas mineradoras, bem como melhoria de
condições de trabalho as pessoas que atuam no ambiente. Uma vez que estão sujeitas a
diversos fatores de riscos.
Sabendo que de uma forma ou de outra, todos necessitamos dos recursos
minerais explorados, faz se necessário a recuperação de áreas degradadas pelas
mineradoras. Deve-se haver o incentivo de cursos ligados a mineração; desde a sua
implantação como projeto até seu desativamento recuperando a área degradada.
A tendência da indústria mineradora é o crescimento. Para que cresça de
forma organizada faz-se necessário um estudo detalhado de seus riscos e benefícios que
propicia a toda sociedade. Nas grandes jazidas, a reconstituição da paisagem é quase
impossível na questão do tempo e econômica. Porém, através de condução adequada das
operações de lavra e de um projeto de recuperação, que visem o futuro, a degradação
ambiental pode ser reduzida e até eliminada. Sendo assim, os cuidados para a recuperação
das áreas mineradas vão desde a concepção do plano de lavra até a implantação do
projeto que visem o reflorestamento de forma consciente, buscando de forma simples
levar as comunidades o conhecimento dessa área tão questionada nos dias atuais.
A mineração a céu aberto gera diversos impactos ao meio ambiente. Destrói
completamente as áreas da jazida, as bacias de rejeito e as áreas utilizadas para o depósito
estéril. Tais impactos provocam danos e desequilíbrios no ciclo da água, no solo, no ar,
no subsolo e na paisagem em geral, e são perceptíveis por toda a população, visto que as
áreas destruídas jamais voltarão a ser como eram.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 30


Os impactos causados podem ser intensos e extensos. Por exemplo, quanto
à intensidade, o impacto da mineração de argila depende da topografia original da área,
da característica e do volume de material que foi extraído da jazida, do método usado
para a extração, do quanto foi aproveitado, etc. Enquanto à extensão, destaca-se a erosão
do material da superfície por ação das águas da chuva, que causam a poluição dos
recursos hídricos, refletindo assim diretamente na bacia onde a mina se localiza. Esses
impactos, além de prejudicarem os proprietários, afetam também todo o ambiente
circunvizinho.
Os danos também podem ser de ordem direta e indireta. Os diretos
modificam as características físicas, químicas e biológicas do ambiente, que originam um
forte impacto visual, já que a fauna, a flora, o relevo e o solo são completamente
transformados. Os indiretos proporcionam mudanças na diversidade das espécies, no
ciclo natural dos nutrientes, instabilidade no ecossistema, alterações no nível do lençol
freático e no volume de água encontrado na superfície.
As alterações na topografia podem causar mudanças na direção das águas
de escoamento superficial, fazendo com que áreas que anteriormente eram atingidas pela
erosão tornem-se áreas de deposição e vice-versa. Contaminações com produtos químicos
no solo decorrentes do derramamento de óleos e graxas das máquinas que são operadas
na área também ocorrem com grande freqüência.
6.2 Impactos causados pela extração dos minérios
• Mineração de Carvão
Como é realizada a céu aberto geralmente compreende grandes áreas,
causando grande poluição da água e do ar, sendo necessário assim um sistema rígido de
recuperação das áreas depois de explorada. Por exemplo, na região carbonífera de Santa
Catarina e Rio Grande do Sul, há a poluição hídrica causada pela drenagem ácida, que é
proveniente da infiltração da água da chuva juntamente com resíduos tóxicos originados
pelas atividades de lavra e beneficiamento, que alcançam os corpos hídricos e tornam as
águas impróprias para qualquer uso, já que alteram seu pH, elevando os valores de ferro e
sulfato e destruindo a fauna e a flora local.
Foto-Rio Sangão contaminado com drenagem ácida da mineração do carvão –Forquilhinha (SC).

Mineração – Meio ambiente e Mineração 31


• Mineração de Ouro
Como exemplo, pode-se citar o Quadrilátero Ferrífero em Minas Gerais,
onde há uma elevada presença do elemento tóxico arsênio, decorrente desse tipo de
exploração. Em Nova Lima e Passagem de Mariana, funcionaram, por várias décadas,
como fábricas de óxido de arsênio, aproveitado como subproduto do minério. Os rejeitos
de minério ricos em arsênio foram estocados às margens de riachos ou até mesmo
lançados diretamente nas drenagens, provocando comprometimento ambiental do solo e
dos recursos hídricos.
Foto – Efeito de destruição da exploração de ouro na Amazônia.

• Chumbo, Zinco e Prata


Como exemplo existe as minas de chumbo, zinco e prata do Vale da
Ribeira, que estiveram ativas durante longo período do século X, especialmente nas

Mineração – Meio ambiente e Mineração 32


décadas de 70 e 80. Os materiais resultantes dos processos de metalurgia e refino do
minério de chumbo foram estocados nas margens do rio Ribeira. As últimas minas e a
refinaria encerraram suas atividades em novembro de 1995. Depois de estudos realizados
juntamente com a população infantil nos municípios de Adrianópolis e Cerro Azul, no
Paraná, e em Ribeira e Iporanga, em São Paulo, envolvendo uma análise da quantidade
total de chumbo e arsênio encontrados no sangue e urina das crianças constatou-se que as
concentrações de chumbo no sangue foram superiores aos limites permitidos pelo Centers
for Disease Control - CDC (1991).
• Agregados para construção civil (areia, argila e brita)
Os impactos causados pela extração desses materiais são de grandes
proporções, pois afetam ambientes de delicado equilíbrio ecológico, como dunas e
manguezais e alteram canais naturais de rios e aspectos da paisagem. Normalmente as
cavas são utilizadas como depósitos da construção civil e até como lixões.
• Garimpos
É uma extração rudimentar, que provoca principalmente a contaminação dos
recursos hídricos. Porém, diversos impactos ocorrem e já ocorreram devido a essa
atividade mineradora. Dentre eles estão: desmatamentos, queimadas, alteração nos
aspectos qualitativos e no regime hidrológico dos cursos de água, desencadeamento dos
processos erosivos, turgidez das águas, morte da ictiofauna, poluição química provocada
pelo mercúrio metálico na biosfera e na atmosfera. No Brasil, existem diversas áreas onde
já houveram atividade garimpeira, localizadas nos estados de Minas Gerais e Bahia.
6.3 Principais danos causados pela mineração
• Degradação da Paisagem
Como é possível constatar, a partir do que já foi apresentado, o maior impacto
causado pela atividade mineraria é a degradação visual da paisagem da área de extração.
Tais mudanças são prejudiciais, mas devem ser admitidas, uma vez que a atividade de
mineração é imprescindível para a sociedade.
• Ruídos e vibrações
Muitas extrações de minérios são feitas através da utilização de explosivos,
gerando assim ruídos, prejudiciais a saúde e bem estar da sociedade. A onda de choque
gerada por eles apresentam comportamentos distintos, que dependem da distância e do
tipo de material usado na explosão.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 33


• Tráfego de veículos
O tráfego freqüente de veículos pesados, carregados de minérios, causa uma
série de transtornos à comunidade circunvizinha da mina de exploração: poeira, emissão
de ruídos e freqüente deterioração do sistema viário da região são alguns deles.
• Poeira e Gases
Um das maiores contrariedades sofridas pelos habitantes localizados próximos
e/ou aos que trabalham de maneira direta na extração de minerais, relaciona-se com a
poeira. Estas partículas suspensas podem ter sido originadas tanto nos trabalhos de
perfuração das rochas como nas etapas de beneficiamento e de transporte dos minerais
extraídos. Estes resíduos podem ser solúveis, ou partículas que ficam em suspensão como
lama e poeira. A contribuição da mineração para a poluição do ar é principalmente
causada pela produção de poeira. A poluição por gases é pouco relevante, uma vez que
em geral se restringe à emissão pelos motores das máquinas e dos veículos utilizados na
lavra e no beneficiamento dos minérios.
Figura – Instalações de britagem nos municípios de Caucaia (A) e Itaitinga (B), em que se
observa grande emissão de pó.

Figura- Carreta de perfuração hidráulica provida de sistema de ventilação local exaustora.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 34


• Contaminação das Águas
A maior parte das minerações no Brasil provoca poluição por lama. A
poluição por compostos químicos solúveis é mais rara. As minerações de ferro, calcário,
granito, areia, argila, bauxita, manganês, cassiterita, diamante e várias outras, provocam
normalmente poluição das águas apenas por lama. O controle deve ser feito por meio de
barragens para a contenção e sedimentação destas lamas. As barragens são na maior parte
das vezes os investimentos mais pesados em controle ambiental realizados pelas
empresas de mineração. Muitas minerações provocam também poluição de natureza
química, por efluentes dissolvíveis na água usada tanto no tratamento do minério como
na água que passa pela área da extração. As minerações que extraem ouro podem
apresentar problemas mais sérios e complexos de contaminação das águas,
principalmente por usarem cianetos altamente tóxicos no tratamento do minério.
• Rejeito e Estéril
Quando destinados à recuperação das áreas, os rejeitos não causam
problemas sérios. Porém, quando esses depósitos ficam muito volumosos, tornam-se
instáveis e sujeitos a escorregamentos localizados. Em períodos de chuvas, devem ser
removidos para áreas mais baixas continuamente, e em muitos casos, para cursos de água.
A repetição intensa desse processo provoca gradativamente o assoreamento dos cursos de
água.
A repetição freqüente desse processo provoca o transporte considerável
desse material, gerando gradativamente um processo de assoreamento dos cursos d’água.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 35


O problema pode ser minimizado por meio de um armazenamento adequado do material
estéril e sua posterior utilização para reaterro de áreas já mineradas.
6.4. Degradação e Recuperação de áreas impactadas
Um dos problemas centrais que envolvem a questão de desmatamento no
Brasil é resultante do estabelecimento de sistemas de utilização de terras de forma não
sustentáveis, que originam as “áreas degradadas”, caracterizadas pelo elevado nível de
danos ambientais e de pequena capacidade de suporte humano (FAO, 1985). A maior
parte das áreas degradadas nos Neotrópicos é proveniente de sistemas impróprios de uso
de áreas que geram lucros em curto prazo, porém com um alto custo de degradação para o
meio ambiente e subdesenvolvimento socioeconômico em longo prazo. Podem-se dividir
as áreas degradadas em duas categorias principais, levando em consideração a cobertura
da vegetação em: florestas secundárias e pastos abandonados. Além destes, ressalta-se as
áreas degradadas provenientes de atividades de mineração.
Os fatores que contribuem para a degradação do solo, em ordem decrescente
de participação relativa nas áreas degradadas no mundo, são:
1. Superpastejo da vegetação (34,5% das áreas mundiais degradadas);
2. Desmatamento ou remoção da vegetação natural para a agricultura, florestas
comerciais, construção de estradas e urbanização (29,4%);
3. Atividades agrícolas, incluindo inúmeras variedades de práticas agrícolas, tais como:
uso de forma inadequada de fertilizantes, uso de água para irrigação de baixa qualidade,
uso inapropriado de maquinários agrícolas e ausência de práticas para a conservação do
solo (28,1%);
4. Exploração intensiva da vegetação para fins domésticos, como combustível, cercas
etc., expondo o solo diretamente à ação dos agentes causadores da erosão (6,8%);
5. Atividades industriais ou bioindustriais que geram a poluição do solo (1,2%). A
conceituação de uma área degradada é bastante polêmica na sociedade, admitindo-se
várias definições baseando-se no enfoque desejado. Logo, é possível afirmar que a
degradação acontece a partir do momento que a vegetação e fauna nativa são destruídas,
removidas ou expulsas, a camada mais fértil do solo é afetada e a qualidade de vazão do
sistema hídrico é alterada.
Um ecossistema degradado é aquele no qual, após perturbações, teve
suprimida, juntamente com sua vegetação, os seus meios de regeneração. Apresenta,

Mineração – Meio ambiente e Mineração 36


portanto, baixa capacidade de recuperação, isto é, seu retorno ao estado anterior pode não
acontecer ou ser extremamente vagaroso. Existe também o ecossistema perturbado que é
aquele que sofreu distúrbios, mas manteve seus meios de regeneração bióticos. A ação
humana nesse processo é dispensável, mas pode auxiliar na recuperação, pois a natureza
pode se encarregar dessa tarefa.
Nas áreas degradadas, a ação humana para a recuperação é indispensável,
pois elas já não dispõem daqueles eficientes mecanismos para sua regeneração. Nas
atividades de extração de minérios, as principais fontes que causam a degradação são: a
deposição de resíduos ou rejeitos provenientes do processo de beneficiamento dos
minerais e a deposição do material não aproveitável, produzido do decapeamento
superficial.
Além dessas fontes que causam degradação, outras podem ser ressaltadas
são elas: lançamento de resíduos domésticos e hospitalares, de esgoto sanitário,
vazamentos ou derrames de óleos, ácidos e outros produtos químicos, além da
contaminação por elementos que liberam radiação e a poluição visual do local. Os
objetivos da recuperação de uma área degradada devem obedecer a requisitos individuais
e o plano feito para sua recuperação deve deixar claro, inicialmente, o nível de
recuperação a ser alcançado.
Existem diversos utilizações para as quais as áreas degradadas podem ser
destinadas, como o cultivo/pastagens, reflorestamento, área urbana, parques e áreas para
recreação, ou simplesmente, abandoná-las à sucessão vegetal (Griffith, 1980). A
vegetação pode ser tida como um elemento de atuação e utilização nos programas de
recuperação de áreas degradadas, assumindo diferentes papéis, baseando-se na situação
encontrada (Fonseca, 1989). Dentre as alternativas para a recuperação dessas áreas, o
reflorestamento para destinação múltipla envolve uma quantidade, mais significativa de
benefícios, tanto de caráter social como ecológico.
Contudo, e sempre de acordo com o projeto estabelecido, o destino final
da área recuperada deverá ser objeto de um estudo conjunto dos componentes de ordem
social, ecológica e econômica envolvidos. É preciso estabelecer qual o objetivo inicial a
ser alcançado com a recuperação, pois as áreas degradadas podem tanto ser “restauradas”
como “reabilitadas” (Cairns, 1988; Viana, 1990).

Mineração – Meio ambiente e Mineração 37


Restauração trata-se de uma série de tratamentos que visam recuperar a
forma original do ecossistema, isto é, sua estrutura original. Geralmente recomendado
para ecossistemas raros e ameaçados, demanda mais tempo e requer um investimento
maior. Reabilitação refere-se a uma série de tratamentos que buscam a regeneração de
uma ou mais funções do ecossistema. Essas funções podem ser produção econômica e/ou
ambiental. Geralmente, as principais justificativas para os reflorestamentos de proteção
do meio ambiente abrangem a recuperação imediata dos benefícios ambientais.
Essa questão em muitos casos não é avaliada com coerência, e a
restauração da forma (composição e diversidade de espécies, estrutura trófica etc.),
torna-se prioridade frente à recuperação das utilidades do ecossistema, ou seja, da sua
função ambiental (Viana, 1990). Vários autores procuraram sistematizar as técnicas de
recuperação de áreas degradadas (Willians, 1982; Griffith,1992; Silveira et al., 1992;
Adeam, 1990; Daniels, 1994; Pompéia, 1994;Jesus, 1994; Griffith et al., 1996), todavia
os sistemas devem ser específicos para cada situação, agrupando, entre outros fatores, a
localização, clima, topografia, estabilidade do terreno, solo, vegetação e a natureza do(s)
agente(s) causador(es) da degradação.
É fato que, depois de desenvolvido o escopo do sistema a ser adotado, e
suscetível de alterações durante a implantação das atividades previstas, assim como nas
suas manutenções, dando uma dinâmica toda especial às técnicas de recuperação. As
técnicas existentes para utilização da vegetação como um agente restaurador de áreas que
sofreram degradação são recentes e envolve a regeneração natural, o plantio de espécies
arbóreas e arbustivas e a hidrossemeadura (Silva, 1993).
Cada situação deve ser estudada para a escolha da técnica que mais se
adequada e não são raros os exemplos em que todas elas são utilizadas eu uma mesma
área. Jesus (1994) ainda recomenda, que além da implantação desse plano de
recuperação, a necessidade indispensável de sua manutenção, garantindo o
estabelecimento dos plantios realizados e que devem se prolongar, pelo menos, por um
período de dois anos. Na recuperação de áreas oriundas de degradação ao longo de
ferrovias e reservatórios de água, assim como na implantação de cinturões verdes, são
usados técnicas de plantio de árvores para resgate de biodiversidade, contenção de
erosão, florestas de produção e amenização paisagística (FRDSA,1992; FRDSA, 1993;
Jesus et al., 1984; Jesus & Engel, 1989, Jesus, 1992). Nestes trabalhos, os autores

Mineração – Meio ambiente e Mineração 38


indicam a recuperação por meio da implantação e manutenção dos plantios realizados,
sendo que na implantação desse projeto estejam incluídas as atividades de preparo do
solo, controle das formigas cortadeiras, coveamento, adubação e plantio.
As manutenções são feitas para garantir o estabelecimento dos plantios
realizados e são indicadas normalmente durante um período de dois ou três anos
posteriores ao plantio. Neste período estão inseridas as atividades de roçada manual,
coroamento, controle daquelas formigas e o replantio.
FOTO - Viveiro de mudas de espécies arbóreas nativas. Mineração de areia Ponte Alta,
São Paulo.

6.5 Medidas de Recuperação e Reabilitação Ambiental


As medidas de recuperação têm por finalidade corrigir impactos ambientais
negativos, verificados em determinada atividade mineradora, e exigem soluções especiais
adaptadas às condições já estabelecidas. Essas soluções, geralmente utilizadas em
mineração, respaldam-se em observações de campo e literatura técnica e não raramente
envolvem aspectos do meio físico.
As principais áreas de um empreendimento mineiro onde medidas de
recuperação podem ser aplicadas são:
a) Áreas lavradas:
Algumas das medidas usualmente empregadas são: retaludamento, revegetação
(com espécies arbóreas nas bermas e herbáceas nos taludes) e instalação de sistemas de
drenagem (com canaletas de pé de talude, além de murundus - morrotes feitos

Mineração – Meio ambiente e Mineração 39


manualmente na crista dos taludes) em frentes de lavra desativadas. A camada de solo
superficial orgânico pode ser retirada, estocada e reutilizada para as superfícies lavradas
ou de depósitos de estéreis e/ou rejeitos. A camada de solo de alteração pode ser retirada,
estocada e reutilizada na construção de diques, aterros, murundus ou leiras de isolamento
e barragens de terra, remodelamento de superfícies topográficas e paisagens, contenção
ou retenção de blocos rochosos instáveis, redimensionamento de cargas de detonação em
rochas e outras.
Figuras - Mudas de espécies arbóreas nativas plantadas em bermas rochosas,
dispostas junto à crista do talude inferior e Remodelamento setorizado do perfil de bancadas
finais , com colocação de aterro (solo de alteração), cobertura de solo superficial e plantio de
gramíneas em placas. Pedreira Cantareira, Mairiporã (SP).

b) Áreas de disposição de resíduos sólidos:


As medidas usualmente empregadas são: revegetação dos taludes de
barragens (neste caso somente com herbáceas) e depósitos de estéreis ou rejeitos,
redimensionamento e reforço de barragens de rejeito (com a compactação e sistemas de
drenagens no topo);instalação, à jusante do sistema de drenagem da área, de caixas de
sedimentação e/ou novas bacias de decantação de rejeitos; redimensionamento ou
construção de extravazores ou vertedouros em barragens de rejeito; tratamento de
efluentes (por exemplo: líquidos ou sólidos em suspensão) das bacias de decantação de
rejeitos; tratamento de águas lixiviadas em pilhas de rejeitos ou estéreis; tratamento de

Mineração – Meio ambiente e Mineração 40


águas subterrâneas contaminadas. Figura – Revegetação implantada com uso de
herbáceas (gramíneas) em talude de via de circulação interna.

Figura- Canaleta de drenagem revestida de concreto para captação e condução de água e retenção
de sedimentos provenientes da unidade de beneficiamento. Mineração de areia Viterbo Machado
Luz, São Paulo.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 41


c) Áreas de infra-estrutura e circunvizinhas:
Algumas medidas possíveis são: captação e desvio de águas pluviais;
captação e reutilização das águas utilizadas no processo produtivo, com sistemas
adicionais de proteção dos cursos de água naturais por meio de canaletas, valetas,
murundus ou leiras de isolamento; coleta (filtros, caixas de brita, etc.) e tratamento de
resíduos (esgotos, óleos, graxas) dragagem de sedimentos em depósitos de assoreamento;
implantação de barreiras vegetais; execução de reparos em áreas circunvizinhas afetadas
pelas atividades de mineração, entre outras de acordo com o problema da região.
Figura - Sistema de tanque e caixa de brita para retenção de óleos e graxas.

Figura - Barreira em faixa composta de eucaliptos, instalada entre a área da lavra e o local
de disposição de bota-foras. Pedreira Embu.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 42


7- Exemplos no Brasil dos efeitos da mineração no meio ambiente.
Inicialmente, voltemos a lembrar de que os minérios, tanto metálicos como
não-metálicos, são utilizados, como é sabido, em uma infinidade de produtos humanos,
da construção civil a bens industriais. No entanto, como a mineração em geral trabalha
bem distante das cidades, poucas pessoas se dão conta dos seus extraordinários impactos
ambientais. O máximo que a maioria das pessoas já viu foram as pedreiras urbanas,
enquanto elas ainda eram toleradas em cidades como Rio de Janeiro, que deixaram
enormes cicatrizes na paisagem citadina. Essas pessoas não se dão conta do assustador
volume de resíduos decorrente dessa atividade. A tabela seguinte revela o montante de
exploração de três minerais metálicos:
Resíduos de Mineração e Rendimento (2000)
Metal Resíduo (milhões Produção % que virou
de ton) (milhões de ton) metal
Ferro 2.113 845 40
Cobre 1648 15 0,91
Ouro 745 0,0025 0,00033
Fonte: Worldwatch Institute

Como se vê, a produção mundial de ouro, em 2000, foi de 2,5 mil toneladas,
mas os resíduos gerados (estéreis e rejeitos) não foi inferior a 745 milhões toneladas.
Uma razão de quase 300 mil quilos de resíduos para um quilo de ouro. Isso significa que
99,99967% da mineração de ouro era puro descarte, obrigatoriamente disposto em algum
lugar. Com o avanço tecnológico, já é possível o processamento de minério com teores de
ouro ainda mais baixos.
Mesmo o minério de ferro, seguramente um dos que apresenta maior
rendimento, tem o metal em menos da metade da sua massa. Embora 40% tenham sido
aproveitados como matéria-prima, 2 bilhões e 113 milhões de toneladas foram
descartados apenas no ano de 2000. Outros metais, como alumínio, chumbo ou prata,
oferecem igualmente pequenos percentuais de aproveitamento no minério.
Certo, se a humanidade quer manter um nível elevado de conforto material,
é inevitável a atividade mineral. No entanto, essa é possivelmente a atividade econômica
com menos cuidados com os problemas ambientais. A distância dos centros urbanos e de
pessoas conscientes favorece tal desleixo, embora algumas mineradoras, como seria de se

Mineração – Meio ambiente e Mineração 43


esperar, tenham progredido bastante nesse item. Entretanto, como um todo, o setor ainda
deixa muito a desejar.
A mineração consome volumes extraordinários de água: na pesquisa mineral
(sondas rotativas e amostragens), na lavra (desmonte hidráulico, bombeamento de água
de minas subterrâneas etc.), no beneficiamento (britagem, moagem, flotação, lixiviação
etc.), no transporte por mineroduto e na infra-estrutura (pessoal, laboratórios etc.). Há
casos em que é necessário o rebaixamento do lençol freático para o desenvolvimento da
lavra, prejudicando outros possíveis consumidores.
Frente a tudo isso, uma série de impactos pode ocorrer: aumento da turbidez
e conseqüente variação na qualidade da água e na penetração da luz solar no interior do
corpo hídrico; alteração do pH da água, tornando-a geralmente mais ácida; derrame de
óleos, graxas e metais pesados (altamente tóxicos, com sérios danos aos seres vivos do
meio receptor); redução do oxigênio dissolvido dos ecossistemas aquáticos; assoreamento
de rios; poluição do ar, principalmente por material particulado; perdas de grandes áreas
de ecossistemas nativos ou de uso humano etc.
No Brasil, a participação da mineração na poluição total é possivelmente
maior, em função da posição relativa dessa atividade na produção econômica nacional e
de uma fiscalização mais frouxa. Quem desejar mesmo ver o intenso grau de degradação
ambiental causado por minas de ferro basta ir a cidades como Itabirito, em Minas Gerais.
A gipsita, mineral abundante na natureza, quando parcialmente desidratada
(calcinada), dá origem ao gesso, um produto muito usado na construção civil, entre outras
aplicações. No Brasil, é explorada principalmente na Bacia do Rio Araripe, na fronteira
comum de Pernambuco com o Piauí e o Ceará. Nessa região, a fonte energética usada no
processo de calcinação é a lenha da Caatinga. As calcinadoras de gesso são as principais
consumidoras de energéticos florestais da região do Araripe, utilizando 56% da produção,
seguidas da siderurgia, com 33%. Em 2007, somente em Pernambuco (de longe, o maior
produtor), as calcinadoras queimaram 1.102.800 metros cúbicos de lenha.
Nas calcinadoras os problemas de poluição são bastante difíceis de
controlar, visto que a maior parte delas trabalha com fornos rudimentares e altamente
poluentes. A poluição mais visível nas calcinadoras é a proveniente da emissão de gases e
particulados no ar. Os diversos combustíveis utilizados para a calcinação - lenha, óleo,
coque e gás -, na queima, produzem compostos que são lançados diretamente no ar sem

Mineração – Meio ambiente e Mineração 44


que passe por um filtro. Entrevistados sobre o uso de filtros nas chaminés das
calcinadoras, muitos empresários revelaram desconhecer o produto ou disseram que são
muito caros e/ou desnecessários, porque o órgão ambiental não exigia tal medida (Quadro
abaixo).
Quadro – Fontes de Poluentes nas Unidades Calcinadoras e Seus Impactos
Equipamentos/ Meio
Fontes Máquinas Impactado Sumário de Impactos ou Alterações do Ambiente
(Local e Áreas
de Influência)

Britador Processos de britagem, moagem e transporte por meio


FÍSICO de máquinas geram particulados finos, são lançados no
Balança ar e aí permanecem, sendo carregados pelas correntes
Ar, água e solo aéreas, atingindo grandes distâncias e extensão espacial.
Moinho Como conseqüências mais importantes citam-se a
BIOLÓGICO contaminação do ar, do solo, do ambiente e dos
Correias trabalhadores, através dos pulmões, o que pode gerar
transportadoras Flora e fauna silicose, entre outras doenças respiratórias.
Produção de ruído e condições de audibilidade
Roscas SOCIAL comprometida nas pessoas que trabalham nas
elevatórias proximidades das máquinas.
Homem Quando os particulados se depositam no solo pode
Fixas Silos de ocorrer a sulfurização, ou seja, a contaminação por
armazenagem enxofre e seus compostos, aumentando o teor desses
elementos.

O processo de calcinação emite considerável quantidade


FÍSICO de particulados, poeiras, cinzas e gases, gerando
Ar, água, solo líquidos nocivos ao meio ambiente, que muitas vezes
Fornos ficam impregnados nas engrenagens dos fornos.
BIOLÓGICO O grau de poluição depende do tipo de forno; de acordo
Flora e fauna com o alcance dos poluentes, as áreas afetadas sofrem
processos de sulfurização do solo e da água, aumento do
SOCIAL pH, entre outros. Geração de calor (poluição térmica) e
Homem ruído, a utilização de combustíveis nas fornalhas gera
gases como CO2, SO2, NOx, compostos de enxofre e
carbono nocivos ao homem e ao meio – flora e fauna.

FÍSICO Emissão de poeiras do solo, gases de combustão e queda


Ar, solo, do material transportado.
Caminhões, Contaminação do ar pela queima de combustíveis e
Móveis vagonetes, BIOLÓGICO emissão de poeiras do material transportado.
empilhadeiras e Flora e fauna
outros.
SOCIAL
Homem

Outras minerações são motivo de polêmica, como a de minério de ferro em


Corumbá, no Mato Grosso do Sul. O município, localizado em uma região
particularmente sensível do ponto de vista ambiental, o Pantanal, é imprópria para
siderúrgicas e mineração, apesar das minas que já operam no local. Estas e as

Mineração – Meio ambiente e Mineração 45


siderúrgicas previstas estão no caminho de um importante corredor ecológico. O possível
desmatamento decorrente da instalação do pólo minero-siderúrgico de Corumbá é uma
das maiores preocupações de quem trabalha com a conservação do Pantanal.
A MMX Mineração e Metálicos S.A., do grupo EBX, encarna hoje na
região do Pantanal o melhor e o pior papel que uma empresa pode exercer quando o
assunto é preservação do meio ambiente. De positivo, se tornou a principal parceira e
financiadora da Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) do pólo minero-industrial de
Corumbá. Um projeto de quase um milhão de reais que será executado pela
COPPE/UFRJ e que estudará a capacidade ambiental da região de suportar, ou não, de
forma sustentável, a instalação e expansão de diversas empresas ligadas ao setor de
mineração e gás, entre outros que constituirão o pólo. A previsão é que esse estudo fique
pronto no fim do ano. O medo dos ambientalistas é que uma nova Cubatão surja em pleno
Pantanal. Empresas do porte da Vale do Rio Doce e Rio Tinto Brasil, instaladas no local,
retiraram o apoio à avaliação na última hora. Já a MMX manteve o compromisso e
aceitou arcar com grande parte dos custos do estudo.
Por outro lado, a mineradora tem sido acusada de usar de influência
política para acelerar a sua instalação no pólo e atropelar o processo de licenciamento
ambiental. A MMX firmou um Termo de Compromisso de Conduta com o Ministério
Público Estadual de Corumbá em que se compromete a não comprar carvão oriundo do
Pantanal. Mas até agora não revelou de onde exatamente ele virá, alegando segredo
comercial. No estudo e relatório de impacto ambiental do empreendimento (EIA-RIMA)
lê-se que a empresa tem um cadastro de fazendas que vendem carvão em diversos
municípios do estado, incluindo Anastácio, que fica dentro do Pantanal. Mas vários
especialistas, entre eles Sandro Menezes, biólogo e coordenador do Projeto Pantanal da
ONG Conservação Internacional, garantem que não há base florestal legalmente instalada
no Mato Grosso do Sul suficiente para abastecer a MMX com carvão e muito menos o
pólo inteiro, que pode chegar a ter 14 siderúrgicas.
O possível desmatamento estimulado pelo pólo de Corumbá é uma das
maiores preocupações de quem lida com a conservação do Pantanal. Segundo a ONG
Conservação Internacional, 17% da cobertura vegetal original desse bioma já foram
destruídos. A MMX pretende consumir 225 mil toneladas/ano de carvão vegetal no
primeiro ano (25 caminhões tipo gaiola por dia) oriundos do próprio estado e 30%

Mineração – Meio ambiente e Mineração 46


importados da Bolívia e do Paraguai. Segundo o IBAMA existem cinco mil carvoarias
ilegais no Mato Grosso do Sul – cinco foram fechadas recentemente no Pantanal. Se não
houver uma forte vigilância dos órgãos ambientais, a vegetação nativa vai virar cinza.
A poluição do ar também causa apreensão. Os ventos que sopram
predominantemente na direção de Corumbá e da Bolívia carregarão todo o material
particulado que as siderúrgicas expelirem – poeira rica em carvão e outras substâncias
tóxicas. Segundo Sonia Hess, doutora em Engenharia Química da UFMS de Campo
Grande, esse tipo de poluição afeta a saúde da população. “Esses particulados estão
relacionados à hipertensão e a acidentes vasculares, problemas respiratórios e cardíacos”.
Parecer técnico da Embrapa Pantanal também alerta que, no caso de
acidentes e vazamento de resíduos, o risco de contaminar os mananciais com substâncias
extremamente tóxicas, como fenóis e metais pesados, é enorme. Na área existem algumas
nascentes, piscinas naturais (que originaram balneários frequentados pela população
local) e o córrego Piraputangas. Dependendo de certas condições, pode-se formar nesse
riacho o gás cianídrico, altamente letal a seres humanos e peixes. Como ele deságua na
baía do Jacadigo, que se conecta ao rio Paraguai, haveria uma contaminação em cadeia.
Não se pode esquecer que a mineradora Urucum (da Vale do Rio Doce) já
secou o córrego Urucum, contaminando-o com resíduos de ferro. Se a MMX começar a
operar antes da conclusão do estudo da COPPE, não haverá tempo para a conclusão de
estudos aprofundados sobre o impacto ambiental da atividade na região. E se vários
empreendimentos isolados forem sendo licenciados sem se saber quantos serão, quanta
energia e água usarão e se a região comporta tantas siderúrgicas, a degradação ambiental
sairá do controle.

8- A questão econômica.
Historicamente, a atividade de mineração é a que tem mostrado o nível mais
baixo de compromisso social e ambiental em comparação, por exemplo, com a
exploração de petróleo. É um dos negócios onde os interesses de lucros imediatos mais
flagrantemente passam por cima dos interesses públicos, como demonstram exemplos no
mundo inteiro. É um dos setores mais conservadores e mais resistentes a ajustes
ambientais. Esse comportamento está causando forte retração na indústria minerária nos
Estados Unidos, que tem optado por investir em minas/projetos localizados em outros

Mineração – Meio ambiente e Mineração 47


países.
Fatores econômicos tornam os custos de recuperação ambiental menos
suportáveis para essa indústria do que para a de petróleo (e até a de carvão mineral). São
eles: margens de lucro mais baixas; resultados econômicos mais imprevisíveis; custos
mais altos para restaurar o ambiente natural; poluição mais impactante e mais duradoura;
menos capital para enfrentar essas despesas; e até mesmo qualidade inferior de
mão-de-obra.
Por tudo isso, é um dos setores onde mais frequentemente os custos
ambientais costumam ser repassados para a sociedade. Os contribuintes norte-americanos
estão enfrentando, nos últimos anos, uma despesa extra de US$ 12 bilhões para limpeza e
restauração ambiental de suas minas (Diamond, 2005).
Para se reduzir os grandes impactos da mineração, será necessário aumentar
as exigências ambientais e a fiscalização, obrigando a mudanças no comportamento das
mineradoras. Os preços dos minerais devem igualmente refletir o enorme custo
sócio-ambiental da sua exploração, embora isso vá implicar no aumento do preço final
dos produtos. Isso seria uma vantagem, ao contrário do que supõem os economistas, pois
aumentaria a eficiência e diminuiria o desperdício no uso dessas matérias-primas.
Mas, assim, voltamos a um assunto recorrente: o atual nível de consumo da sociedade
global é insustentável. Se desejarmos diminuir as profundas consequências da mineração,
a par das medidas citadas e de muitas outras, precisamos controlar nossa síndrome
consumista.
Figura - Desenvolvimento de processos de instabilização (erosão e escorregamentos) em antiga
frente de lavra desativada e abandonada. Mineração de caulim Caolinita, Embu-Guaçu.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 48


9- Engenharia Ambiental.

A engenharia ambiental é um ramo da engenharia que estuda os problemas


ambientais de forma integrada nas suas dimensões ecológica, social, econômica e
tecnológica com vista a promover o desenvolvimento sustentável. O engenheiro
ambiental deverá saber reconhecer, interpretar e diagnosticar impactos ambientais
negativos e positivos, avaliar o nível de danos ocorridos no meio ambiente e propor
soluções integradas de acordo com o direito do ambiente vigente.
Essa é uma das profissões que mais imediatamente responde ao sobe e
desce da economia. "Vivemos um período de mercado em alta nos últimos anos, graças
ao aquecimento da economia e ao aumento dos investimentos em alguns setores,
inclusive com o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) para o saneamento. Hoje,
vivemos um momento mais estável", avalia Lafayette Dantas da Luz, coordenador do
curso de Engenharia Sanitária e Ambiental da Escola Politécnica da UFBA. Mas isso não
significa estagnação. Os formados continuam se inserindo rapidamente no mercado de
trabalho. As áreas que mais oferecem oportunidades são as de saneamento, gestão e
manejo das águas, gestão e manejo ambiental e saúde pública.
As oportunidades são maiores no Sul e no Sudeste, em áreas de
concentração industrial ou agrícola. Na Região Norte, apresentam boas oportunidades os
setores de exploração de recursos naturais, como mineração, que necessitam de sistemas
de tratamento de efluentes e cuidados com o meio ambiente. As regiões Nordeste, Norte e
Centro-Oeste, historicamente mais carentes de serviços sanitários, oferecem boas chances
de contratação.
É o ramo da engenharia voltado para o desenvolvimento econômico
sustentável, que respeita os limites de exploração dos recursos naturais, e para o projeto, a
construção, a ampliação e a operação de sistemas de água e esgoto. O engenheiro que
atua nessa área desenvolve e aplica as mais diferentes tecnologias para proteger o
ambiente dos danos causados pelas atividades humanas. Sua principal função é preservar
a qualidade da água, do ar e do solo. Para isso, planeja, coordena e administra redes de
distribuição de água e estações de tratamento de esgoto e supervisiona a coleta e o
descarte do lixo. Também avalia o impacto de grandes obras sobre o meio ambiente, para
prevenir a poluição de mananciais, rios e represas. Esse profissional é responsável pela

Mineração – Meio ambiente e Mineração 49


prevenção contra a poluição causada por indústrias. Em agências de meio ambiente e em
polos industriais, controla, previne e trata a poluição atmosférica. Pode, ainda, monitorar
o ambiente marinho e costeiro, atuando na prevenção e no controle de erosões em praias.
Figura - Aterro sanitário de Vila Albertina instalado em área da antiga Pedreira Cantareira, São
Paulo.

10- Demanda crescente

Ao se discutir a questão ambiental não é possível analisá-la de forma isolada.


É necessário compreender que a sociedade tem evoluído e com isso a demanda por
alimentos e produtos e conseqüentemente por minérios tem se mantido em patamares
elevados e em muitos casos é ainda crescente.
Duas décadas depois de a competição global ter levado as minas de Kosaka
à extinção, essa parte do Japão está novamente repleta de rumores sobre novos tesouros,
que são na verdade elementos raros e outros minerais encontrados na terra que são
cruciais para muitas tecnologias japonesas e, até agora, eram importados quase
exclusivamente pela China, líder mundial em mineração de minerais raros.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 50


A esperança desta cidade por um retorno da mineração não se encontra no
subsolo, mas no que o Japão chama de mineração urbana – a reciclagem de metais e
minerais valiosos das enormes reservas de equipamentos eletrônicos usados do país,
como telefones celulares e computadores. "Nós literalmente descobrimos ouro em
telefones celulares", disse Tetsuzo Fuyushiba, ex-ministro da terra e agora membro do
partido da oposição, que recentemente visitou Kosaka para o levantamento da usina de
reciclagem. Os objetivos de Kosaka se tornaram especialmente importantes para o Japão
nas últimas semanas. No mês passado, em meio a uma crise diplomática com Tóquio, a
China começou a bloquear as exportações de certos minerais raros para o país.
O corte tem causado problemas em fábricas japonesas porque as
matérias-primas são cruciais para produtos tão diversos quanto carros híbridos elétricos,
turbinas eólicas e telas de computador. Em Kosaka, a Dowa Holdings, empresa de
mineração local há mais de um século, construiu uma usina de reciclagem com uma
fornalha de 200 metros de altura que derrete antigos componentes eletrônicos para a
extração de metais valiosos e outros minerais.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 51


As peças recuperadas vêm de todo o Japão e do exterior, inclusive dos
Estados Unidos. Embora o Japão seja pobre em recursos naturais, o Instituto Nacional de
Ciência dos Materiais, um grupo de pesquisa ligado ao governo, diz que equipamentos
eletrônicos usados no país contêm estimadas 300 mil toneladas de minerais raros. Embora
esse valor seja pequeno se comparado às reservas da China, responsável por 93% dos
minerais raros do mundo, fazer uso dessa mineração urbana pode ajudar a reduzir a
dependência do Japão de seu vizinho, dizem analistas.

11- O impacto positivo da mineração.

Estudo mostra que mineração ajuda municípios a crescerem. Dados da


Fundação João Pinheiro foram computados em 2009 e 2010: Itabira, berço da Vale, está
entre os que mais cresceram. Belo Horizonte, capital mineira do estado de Minas Gerais,
está entre as seis cidades que mais geram riqueza no país, segundo estudo realizado pela
Fundação João Pinheiro, órgão estatal encarregado de fazer pesquisas socioeconômicas
da região. Os dados foram computados em 2009 e 2010 e dão conta ainda que o
crescimento nominal da economia mineira em 2010 em relação a 2009 foi de 22,4%.
“Este comportamento esteve fortemente associado ao desempenho das
atividades da mineração, que apresentaram recuperação da crise de 2008/2009 e
resultaram, de maneira geral, no crescimento expressivo do PIB dos municípios
mineradores”, diz o relatório. Promover o desenvolvimento local é uma das formas que as
empresas têm de se fazer presente na economia do país de forma positiva, agregando
valor não só com geração de emprego e renda. Tanto assim que, numa resolução
anunciada no ano passado, os países membros da Organização das Nações Unidas

Mineração – Meio ambiente e Mineração 52


reconheceram oficialmente “a necessidade de se aplicar um enfoque mais inclusivo,
equitativo e equilibrado ao crescimento econômico, algo que promova o desenvolvimento
sustentável, a erradicação da pobreza, a felicidade e o bem-estar de todos os povos”.
A Vale, que está presente na maioria dos municípios mineradores de
Minas Gerais, em 2012 investiu US$ 1,342 bi em ações socioambientais. No ano passado,
a Fundação Vale, que busca promover do desenvolvimento dos territórios onde a empresa
atua, beneficiou 745 mil pessoas ao redor do mundo, direta ou indiretamente.

Itabira, Minas Gerais, em 1978.

Um dos objetivos da mineradora é ser a empresa de recursos naturais


global número um em criação de valor de longo prazo, com excelência, paixão pelas
pessoas e pelo planeta. Segundo a diretora executiva de sustentabilidade, Vania
Somavilla, gerar desenvolvimento local está entre as metas prioritárias, mas é importante
que a região não fique dependente da empresa: "Em parceria com o governo e com a
sociedade civil, é possível fazer a cadeia girar, gerando riqueza, troca, inserção de moeda.
Nosso sonho é trabalhar cada vez mais todo mundo junto em prol do desenvolvimento".

Mineração – Meio ambiente e Mineração 53


Vista da cidade de Itabira do alto do Pico do Amor.

Exemplo de um lugar onde a mineração contribuiu para alavancar a


economia local é o município mineiro de Itabira, o berço da companhia, que hoje está
entre os cem maiores geradores de riqueza segundo os dados da Fundação João Pinheiro.
A cidade aumentou em 0,2% sua participação nas contas nacionais. É prova de que
mineração, indústria que tem a extração de recursos na natureza de sua atividade, também
pode compartilhar valor e gerar riqueza para as comunidades.

No Brasil, merece destaque, por exemplo, a empresa de mineração


Vale, que no último Relatório de Sustentabilidade informou, entre outros temas, os
avanços em relação ao uso eficiente da água nas suas operações. No seu relatório, a Vale
indica que o índice médio de recirculação em 2012 foi de 77%, um aumento de sete
pontos percentuais em relação a 2011. Com isso, a Vale deixou de captar 1,227 bilhão de
metros cúbicos de água de fontes naturais, o equivalente a cerca de duas vezes o consumo
anual da cidade do Rio de Janeiro. Parte desse resultado é reflexo dos investimentos em
tecnologias voltadas para o desenvolvimento de programas e ações focadas na redução da
demanda e do consumo de água. A empresa indica que em 2012 foram investidos cerca
de US$ 125,9 milhões na gestão de recursos hídricos na Vale.
Por exemplo, na Mina do Sossego, localizada em Canaã dos Carajás, no
Pará, a recirculação de água na usina de beneficiamento do cobre chega a 99%. O
crescimento é resultado de melhorias que paulatinamente vêm sendo adotadas desde
2008, quando foi feito o balanço hídrico do projeto e desenvolvidas ações para diminuir o
uso de água nova. Com o resultado na mina de Sossego, houve uma redução anual no

Mineração – Meio ambiente e Mineração 54


volume total de água captada de 900 mil metros cúbicos - que anteriormente era
bombeada do Rio Parauapebas -, uma quantidade suficiente para abastecer uma cidade de
12 mil habitantes por um ano.
Já no Complexo Minerador de Carajás, em Parauapebas, sudeste paraense,
houve uma redução de 24% na captação devido às mudanças no processo de
peneiramento do minério de ferro, que passou a ser feito a partir de sua umidade natural,
eliminando a necessidade de água nova. Carajás representa cerca de 5% de toda a
captação de água da empresa. Vale observar que das dez operações da vale com maior
captação de água, nove estão em regiões com “risco de estresse hídrico” (potencial de
escassez está abaixo de médio), fato que por si só justifica a preocupação e investimentos
da empresa.
Assim, nota-se a clara tendência das empresas de mineração para que os
resultados obtidos por elas reflitam o alinhamento com os diversos esforços de
cooperação pela água, contribuindo, assim, para garantir os múltiplos usos do insumo,
atuais e futuros. Muitas empresas, como já dito, tem procurado participar ativamente de
ações de engajamento para o desenvolvimento de políticas públicas a partir de discussões
globais e locais sobre a água uma vez\ que se percebe que não cabe somente ao setor
privado ou ao setor publico (mas sim a ambos em conjunto) a adoção das medidas
necessárias para a manutenção e/ou recuperação de aquíferos.
EXEMPLOS DE MUNICÍPIOS MINERADORES E
SEUS
RESPECTIVOS IDH EM COMPARAÇÃO AO IDH DO ESTADO
IDH IDH
Município UF Mineral Estado Município
Itabira - MG Ferro 0.766 0.798
Araxá - MG Nióbio 0.766 0.799
Nova Lima - MG Ouro 0.766 0.821
Catalão - GO Fosfato 0.773 0.818
Cachoeiro de Rocha
Itapemirim - ES Ornamental 0.767 0.770
Parauapebas - PA Ferro 0.720 0.740
Barcarena - PA Bauxita 0.720 0.769
Presidente Figueiredo - AM Cassiterita 0.713 0.742

12- O bom exemplo da VALE e da MRN.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 55


Tão importante quanto discutir o impacto da mineração no meio ambiente
é conhecer medidas (muitas vezes simples e com custo relativamente baixo) que
empresas do setor têm adotado. Também se deve conhecer a política ambiental de tais
empresas, na maioria das vezes, exposta nos sites das mesmas.
Em junho de 2013, foi inaugurado na Estrada de Ferro Vitória a Minas
(EFVM), um vagão-tanque para reutilização de água. Antes utilizado para transporte de
combustível, o vagão, localizado no pátio de Costa Lacerda, em Santa Bárbara (MG) foi
reciclado para coletar água. O sistema de drenagem capta água da chuva e armazena no
vagão, que funciona como uma caixa d’água. A capacidade dele é de 60 mil litros e a
água captada pelo novo sistema será utilizada, principalmente, para irrigação dos jardins
e aspersão de vias não pavimentadas.

Vagão transformado em tanque reservatório

Dentre as “ações práticas”, vale destacar o conceito adotado pela Vale


desde 2011 que iniciou estudos com o objetivo de avaliar os conceitos e aplicabilidade da
‘pegada hídrica’ em suas operações. Este indicador aponta o consumo de água doce direta
e indiretamente envolvido no processo produtivo de bens de consumo e serviços. A
empresa desenvolveu um projeto para avaliar a aplicação técnica, metodológica,
institucional e econômica da pegada hídrica, além de ter promovido um encontro interno
para divulgar o tema e avaliar suas implicações nas atividades de mineração.

No seu site, a empresa indica (veja quadros na próxima página) que


compreendeu ser necessário verificar na prática a aplicação de algumas metodologias

Mineração – Meio ambiente e Mineração 56


existentes para a quantificação da pegada e o potencial de correlação deste indicador em
relação às condições naturais de disponibilidade hídrica das diferentes regiões onde a
Vale atua.
Nos dias 11 e 12 de junho de 2013, a Mineração Rio do Norte, através de
seu Departamento de Controle Ambiental, participou do Fórum de Tecnologias para
Saneamento Básico e Industrial (FTEC), realizado na cidade de São Paulo. O evento
reuniu profissionais da área de mineração, órgãos regulamentadores, indústria,
companhias de saneamento e empresas de tecnologia do mundo inteiro para discutir as
melhores práticas e inovação para tratamento de águas, efluentes, aproveitamento
energético de lodo, reuso de água, tecnologia da informação e automação para estações
de tratamento de água de e efluentes, entre outros.

A MRN participou do fórum com o tema Plano de Gestão de Águas nas


Indústrias de Mineração. “O evento permitiu o compartilhamento das experiências das
empresas de diferentes segmentos de negócio nas questões do gerenciamento das águas”,
afirma o químico da MRN, Jeferson dos Santos. Para ele, é necessário repensar novas
formas de produzir e de racionalizar o uso da água. “É fundamental que as empresas
priorizem ações para preservação dos recursos hídricos e proponham novas tecnologias
para recuperação da qualidade da água utilizada e processos avançados para reuso e
tratamento efluentes”, finaliza. A MRN controla a qualidade dos recursos hídricos das
áreas do porto e das minas, de acordo com as condicionantes ambientais. O objetivo
principal é mitigar as possíveis interferências das atividades desenvolvidas pela empresa
sobre os corpos hídricos na área de Porto Trombetas, bem como nas áreas do entorno da
companhia.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 57


Água
Fechar a torneira enquanto se escovam os dentes e não deixar o chuveiro aberto
durante todo o banho. Essas são algumas práticas adotadas nas casas de pessoas
conscientes da importância da preservação de um dos recursos mais essenciais para a
nossa sobrevivência: a água. Em nossa empresa, não seria diferente.

Com investimentos em tecnologia de reaproveitamento e controle, buscamos


evitar o desperdício e utilizar os recursos hídricos de forma sustentável e eficaz. Também
desenvolvemos programas de educação ambiental, tanto para nossos empregados, quanto
para os habitantes das comunidades em que estamos presentes.

Nas etapas de desenvolvimento dos projetos, realizamos estudos que analisam


a disponibilidade de água nas regiões. Esse investimento permite a análise detalhada de
captação e consumo de água.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 58


Resíduos
Para obter os minérios que comercializamos, precisamos separar, nas rochas, a parte
aproveitável do material que não tem valor mineral – os rejeitos. A Vale desenvolve
iniciativas para armazenar esses resíduos da maneira mais adequada e reutilizá-los. As
pilhas e barragens que armazenam esses resíduos podem ser utilizadas para um novo
processo de mineração, com o uso de tecnologias em desenvolvimento pela Vale. Além
disso, alguns desses rejeitos de mineração podem ser utilizados na produção de cimento,
cerâmica e até adubo.
Diminuir os resíduos não minerais, como pneus, plástico e outros materiais utilizados em
nossas operações, é também preocupação da Vale. Parte desse material é enviado para
reciclagem, criando renda para as comunidades próximas.

13- Exemplos positivos de fechamento de minas.


O Brasil é um dos países com maior potencial de mineração do planeta.
Suas terras abrigam mais de 50 tipos de minerais de valor comercial, como o ferro, o
manganês e a bauxita, dos quais o país possui a segunda maior reserva mundial.
Em 2007, o setor de mineração movimentou 70 bilhões de dólares no país,
o equivalente a pouco mais de 5% do PIB. Apesar da pujança, essa atividade econômica
tem um lado sombrio - que aparece, sobretudo, quando se esgota a exploração de uma
mina. Não raro, grandes minas são o maior pólo de atratividade de uma região. Cidades
inteiras passam a viver em função da atividade mineradora, que gera empregos, moradias,

Mineração – Meio ambiente e Mineração 59


escolas, saneamento básico, iluminação, estradas e, não menos importante, impostos.
Quando a mina se exaure e é desativada, os impactos econômicos e sociais no entorno
são enormes. "É preciso fazer uma análise global do fechamento e estudar as questões
críticas da região para que, quando a mineradora se retirar, não haja uma derrocada
econômica", afirma a bióloga Maria Sulema Pioli, da consultoria internacional ERM,
especializada em recursos ambientais.
Até pouco tempo atrás, quando a atividade mineradora acabava, as
empresas simplesmente iam embora. Um exemplo é a vila das minas do Camaquã, no
município de Caçapava do Sul, no Rio Grande do Sul. Operada desde 1942 pela
Companhia Brasileira do Cobre (CBC), a mina teve suas atividades encerradas em 1996 e
toda a estrutura existente - casas, hotel, cinema, clube - foi simplesmente abandonada.
"Hoje as empresas são obrigadas pela legislação a reparar as áreas degradadas, ou seja,
têm de deixar o terreno o mais próximo possível do que era antes", diz o engenheiro de
minas Victor Eilers, também consultor da ERM. Como o terreno resultante da mineração
é muito pobre, recuperá-lo é uma atividade trabalhosa. Pela legislação, o plano de
recuperação ambiental de áreas degradadas deve ser traçado antes mesmo do início das
operações - e é um requisito para obter o licenciamento. "As companhias mais
preocupadas com sua imagem têm feito o chamado plano social de fechamento, que, além
da questão ambiental, leva em conta os aspectos socioeconômicos do encerramento da
atividade", diz Eilers.
Um dos exemplos mais notáveis é o projeto de implantação de um
complexo urbano na extinta mina de Águas Claras, no município de Nova Lima, na
região metropolitana de Belo Horizonte. Durante 30 anos, a mina foi explorada pela
MBR, empresa controlada pela Vale. No início de 2003, a mina foi fechada - após a
retirada de quase 300 milhões de toneladas de minério de ferro ao longo de três décadas.
Em seu auge, na década de 80, a mina empregou 2 000 trabalhadores. Na época de seu
fechamento, esse número havia se reduzido a 500.
A estimativa da empresa era que o fim da atividade de mineração iria afetar
a vida de quase 200 000 moradores do entorno. Em vez de esperar o prazo se esgotar para
então definir o que fazer, a MBR decidiu se antecipar. O primeiro passo foi dado em
1999, quando a empresa contratou o consultor e professor da Fundação Dom Cabral
Michel Abras para coordenar um estudo que identificasse maneiras de reduzir os

Mineração – Meio ambiente e Mineração 60


impactos do fechamento da mina. O trabalho envolveu 40 profissionais de diversas áreas
- de consultorias ambientais a escritórios de arquitetura e urbanismo. O resultado é um
plano que prevê a transformação da antiga mina de Águas Claras em uma minicidade,
com áreas residenciais e comerciais, hospital, museu, parques e um centro de pesquisa.
Com essa infra-estrutura, a idéia é transformar a região num pólo de
eventos. "A antiga mina está localizada numa área interessante da região metropolitana
de Belo Horizonte e é capaz de atrair eventos que normalmente seriam realizados no
tradicional eixo Rio–São Paulo", diz Abras. "Outro fator que pesou na nossa decisão é
que, nesse tipo de atividade, 95% da renda gerada fica na própria comunidade".
O fim da atividade de mineração sempre causa enorme impacto na
população do entorno. As maiores empresas do setor começam a se mexer para amenizar
o problema. Só agora, depois que toda a burocracia envolvendo a obtenção de licenças
para a recuperação da área foi resolvida, é que as obras vão de fato começar. O primeiro
passo para a implantação do complexo de Águas Claras é a construção de um centro
administrativo regional da Vale em Minas Gerais. Atualmente, a mineradora possui
vários escritórios de administração espalhados em Belo Horizonte.
O plano é reunir tudo em uma sede própria a ser erguida na antiga mina.
Esse deverá ser o único empreendimento bancado integralmente pela empresa. O restante
da execução deverá ocorrer em um sistema de permuta - a Vale cederá o terreno a
incorporadoras interessadas em investir em projetos na área. A mineradora espera gerar
pelo menos 20 000 postos fixos de trabalho com os novos empreendimentos. A
estimativa é que o produto interno bruto do município de Nova Lima cresça 20% graças à
iniciativa. A conclusão de todo o empreendimento deve levar 20 anos.
Embora projetos como o de Águas Claras ainda sejam exceção na história da
mineração brasileira, lá fora os exemplos começam a se multiplicar. Em 2001, a
canadense Teck Cominco apresentou um programa que se tornou referência em todo o
mundo: o fechamento da mina de zinco, chumbo e prata que a empresa mantinha na
cidade de Kimberley, na província de Colúmbia Britânica, e que fora explorada por quase
um século. Com o apoio do governo local, o terreno foi vendido para uma incorporadora
e transformado em estação de esqui. Hoje, a maior vocação econômica da cidade é o
turismo: além da estação de esqui, Kimberley ganhou três campos de golfe e atrai
visitantes de várias regiões.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 61


Depois da iniciativa da Teck Cominco, o Conselho Internacional de
Mineração e Metais (ICMM, na sigla em inglês), que reúne as principais empresas e
associações do setor no mundo, decidiu publicar um guia oficial para o fechamento de
minas. Entre outras recomendações, o manual sugere a participação da comunidade nas
decisões sobre o futuro aproveitamento de uma mina desativada. A mineradora
anglo-australiana BHP Billiton possui seu próprio guia de padronização de fechamentos
desde 2004. A Vale e a Alcoa atualmente estão editando seus manuais - sinal evidente de
que a preocupação com a vida pós-mineração já atinge as principais companhias do setor.
"Apesar de a legislação brasileira exigir apenas o mínimo, as partes interessadas no
assunto, como acionistas, clientes e funcionários, exercem pressão suficiente sobre o
setor para as empresas se organizarem espontaneamente", diz a consultora Maria Sulema.
"Nenhuma delas mais quer ser vista como vilã."
Figura - Estacionamento e depósito de materiais de construção Madeirense, instalado em área de
antiga pedreira, São Paulo.

Figura - Raia olímpica da Cidade Universitária, instalada em antiga área de extração de areia em
planície aluvionar do rio Pinheiros, São Paulo.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 62


14- Licenciamento Ambiental.

O processo de licenciamento de nossas atividades é realizado junto aos


órgãos ambientais competentes. Dependendo do objetivo da licença ou autorização, a
mesma pode ser de competência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (IBAMA), Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade (ICMBio), Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e Agência
Nacional de Águas (ANA).
O órgão ambiental, por sua vez, estabelece prazos de análise diferenciados
para cada tipo de licença (em função das peculiaridades da atividade), bem como para a
formulação de exigências complementares.
Nossos processos de licenciamento são realizados conforme prevê a
Resolução Conama nº 237/1997, obedecendo às etapas: licenciamento prévio (LP),
licenciamento de instalação (LI) e licenciamento de operação (LO).
Em cada fase de licenciamento são desenvolvidos os respectivos estudos
ambientais para instrução do processo, tais como, Estudo de Impacto Ambiental e
Relatório de Impacto Ambiental – EIA/RIMA, Projeto Básico Ambiental – PBA,
Relatório de Controle Ambiental e Plano de Controle Ambiental – RCA/PCA e
Inventários Florísticos e Faunísticos.
Todas as etapas do processo de licenciamento têm prazos estabelecidos
para tramitação de documentos, realização de estudos ou relatórios de impacto

Mineração – Meio ambiente e Mineração 63


socioambiental e execução de condicionantes (obrigações, medidas ou atividades
exigidas pelo órgão licenciador) como pressuposto para a respectiva licença. O objetivo
das etapas é adequar o empreendimento às medidas de proteção, preservação,
conservação e melhoria do meio ambiente.
15- Barragens e depósitos de rejeitos.
15.1 - Classificação das Barragens de Mineração
De acordo com o declarado pelos empreendedores no Relatório Anual de
Lavra, o DNPM classificou as barragens de mineração em cinco classes: A, B, C, D ou E.
Para sua classificação, fora utilizado o Quadro para Classificação de Barragens para
Disposição de Resíduos e Rejeitos em consonância com a Resolução CNRH Nº 143, de
10 de julho de 2012. Neste ambiente é possível identificar a classificação das barragens
de mineração inseridas e não inseridas na PNSB.
Todas as informações utilizadas para esta classificação são de
responsabilidade do empreendedor, inclusive as coordenadas das barragens por eles
declaradas. Abaixo é possível ver a distribuição espacial das barragens de mineração
classificadas dentro da Política Nacional de Segurança de Barragens e as que não estão
inseridas nesta Política.
15.1 – Legislação específica.

LEI Nº 12.334, de 20 de Setembro de 2010


PORTARIA DNPM Nº 416, de 03 DE Setembro de 2012 - Retificada
Resolução CNRH nº 143, de 10 de julho de 2012
Resolução CNRH nº 143, de 10 de julho de 2012 - anexo I
Resolução CNRH nº 143, de 10 de julho de 2012 - anexo II
Resolução CNRH nº 144, de 10 de julho de 2012
Retificação Portaria 416 - DOU 14-09-2012
Retificação Portaria 416 – DOU 18-12-2012
Em especial, o aluno deve atentar para a Portaria DNPM nº 416, de 03 de
setembro de 2012 do Diretor-Geral do DNPM publicada em 05/09/2012, a qual cria o
Cadastro Nacional de Barragens de Mineração e dispõe sobre o Plano de Segurança,
Revisão Periódica de Segurança e Inspeções Regulares e Especiais de Segurança das
Barragens de Mineração conforme a Lei nº 12.334, de 20 de setembro de 2010, que
dispõe sobre a Política Nacional de Segurança de Barragens, explicita que, os

Mineração – Meio ambiente e Mineração 64


empreendedores que possuam barragens de mineração (seja em construção, operação ou
desativadas) devem apresentar e submeter à aprovação dos órgãos fiscalizadores
cronograma para implantação do Plano de Segurança da Barragem, até 20 de setembro de
2012, além de outras obrigações legais.
Exposto isto, o DNPM criou uma página especifica sobre a temática de
Segurança de Barragens de Mineração em seu sítio eletrônico para diálogo direto com os
empreendedores mineiros. Neste ambiente será possível ao empreendedor enviar o
referido cronograma além de poder visualizar a Classificação das Barragens de
Mineração sob sua responsabilidade e cadastrá-las, caso ainda não o tenha feito, dentre
outras diversas funcionalidades. Para acessar a página explicitada, deve-se entrar no sítio
eletrônico da autarquia (www.dnpm.gov.br) e clicar no tópico de “Barragens” na página
inicial do referido sítio eletrônico.

PORTARIA Nº 416, DE 03 DE SETEMBRO DE 2012


Cria o Cadastro Nacional de Barragens de Mineração e dispõe sobre o Plano
de Segurança, Revisão Periódica de Segurança e Inspeções Regulares e Especiais de
Segurança das Barragens de Mineração conforme a Lei nº 12.334, de 20 de setembro de
2010, que dispõe sobre a Política Nacional de Segurança de Barragens.
Art. 1º Esta Portaria define a sistemática de cadastramento das barragens fiscalizadas pelo
DNPM, a periodicidade e o conteúdo mínimo das respectivas informações e a
periodicidade de atualização, a qualificação do responsável e equipe técnica, o conteúdo
mínimo e o nível de detalhamento do Plano de Segurança da Barragem, da Revisão
Periódica de Segurança da Barragem e das Inspeções de Segurança Regulares e Especiais
das Barragens de Mineração.
Parágrafo único. A exceção do Capítulo I que se aplica a toda e qualquer barragem de
mineração, os demais dispositivos desta Portaria aplicam-se as barragens de mineração
inseridas na Política Nacional de Segurança de Barragens, ou seja, que apresentem pelo
menos uma das seguintes características:
Todas as barragens de mineração construídas a partir da data de publicação desta Portaria
deverão conter projeto “como construído” – “as built”.
Segurança de Barragens
Compete ao Departamento Nacional de Produção Mineral - DNPM, no âmbito de suas
atribuições, fiscalizar a pesquisa e a lavra para o aproveitamento mineral, bem como as

Mineração – Meio ambiente e Mineração 65


estruturas decorrentes destas atividades, nos Títulos Minerários, concedidos por ela e pelo
Ministério de Minas e Energia (MME). Todavia com a promulgação da Lei Nº 12.334, de
20 de setembro de 2010, que estabelece a Política Nacional de Segurança de Barragens
destinadas à acumulação de água para quaisquer usos, à disposição final ou temporária de
rejeitos e à acumulação de resíduos industriais e cria o Sistema Nacional de Informações
sobre Segurança de Barragens, esta Autarquia assume também a atribuição de fiscalizar a
implementação dos Planos de Segurança das barragens de mineração a serem elaborados
pelos empreendedores, conforme previsto na referida Lei.
Neste contexto, o DNPM articular-se-á com os outros órgãos envolvidos na PNSB no
sentido de regulamentar a referida Política, publicando normativas com o referido fim.
Tais normativas contêm obrigações e responsabilidades tanto dos empreendedores quanto
da referida autarquia, como por exemplo, a classificação das barragens de mineração,
deliberadas pela Lei Nº 12.334, de 20 de setembro de 2010.
De acordo com a mesma legislação, as barragens de mineração inseridas na Política
Nacional de Segurança de Barragens devem apresentar pelo menos uma das seguintes
características:
I - altura do maciço, contada do ponto mais baixo da fundação à crista, maior ou igual a
15m (quinze metros);
II - capacidade total do reservatório maior ou igual a 3.000.000m³ (três milhões de metros
cúbicos);
III - reservatório que contenha resíduos perigosos conforme normas técnicas aplicáveis;
IV - categoria de dano potencial associado, médio ou alto, em termos econômicos,
sociais, ambientais ou de perda de vidas humanas, conforme definido no art. 6°.
Neste sentido e vislumbrando atender os dispositivos em Lei, o DNPM
criou um ambiente eletrônico para diálogo direto com os empreendedores mineiros
possibilitando esta interface. Neste ambiente será possível ao empreendedor visualizar a
Classificação das Barragens de Mineração sob sua responsabilidade (onde tal
classificação fora gerada a partir dos dados informados no RALWEB, ano-base 2011,
utilizando o Quadro para Classificação de Barragens para Disposição de Resíduos e
Rejeitos) e enviar ao DNPM o cronograma de implantação do Plano de Segurança da
Barragem das barragens de mineração sob sua responsabilidade.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 66


Além destas funcionalidades, este sítio eletrônico permitirá ao
empreendedor visualizar informações sobre os tópicos abordados na referida Lei como
Revisões Periódicas de segurança de Barragens, Inspeções de Segurança Regulares de
Barragens e Inspeções de Segurança Especiais de Barragens e caso não tenha cadastrado
suas barragens de mineração poderá fazê-lo.
16- Controle de vibrações, ruídos e pó.
A preocupação quanto a um maior controle de vibrações teve início com o
desenvolvimento do desmonte utilizando explosivos e seus impactos nas áreas próximas
às minas. Lembrando que o desmonte de minério nas pedreiras (e em muitas outras
minas) é feito através do uso de explosivos, temos como um dos resultados ruídos quase
sempre prejudiciais à tranquilidade pública. Não obstante o desejo de locar-se tais
empreendimentos em regiões mais afastadas dos centros urbanos existem locais onde esse
objetivo não pôde ser atingido e certas jazidas ou pedreiras que foram gradualmente
envolvidas pela urbanização. Nestes casos, o deslocamento de ar causado por frequentes
detonações e a intensidade da onda de choque, que se propaga por toda a massa rochosa,
pode colocar em risco as construções situadas nas vizinhanças.
Para minimizar estes impactos podem ser adotadas certas medidas:
- orientação da frente de lavra;
- controle da detonação.

Os aspectos referentes à altura das bancadas e ao planejamento de


desmonte e de fogo são de grande importância no que se referem à segurança, custos e
danos, merecendo, pois, estudos especiais. A onda de choque gerada por explosivos
apresenta comportamentos distintos, de acordo com a distância e o tipo de material. Um
método para suavizar os impactos causados pela detonação consiste em provocar uma
descontinuidade física no maciço rochoso. Fazendo-se uma série de furos subverticais e
paralelos a um mesmo plano e detonando-os com pequena quantidade de explosivos de
força elevada, pode-se criar uma falha artificial que limita a propagação das ondas de
choque. Este método apresenta-se muito eficaz quando existem habitações, monumentos
históricos ou grandes obras de engenharia nas proximidades das pedreiras.
Para evitar ruídos decorrentes dos equipamentos de beneficiamento,
deve-se aproveitar ao máximo os obstáculos naturais ou então criar barreiras artificiais,
colocando o estoque de material beneficiado ou a ser tratado entre as instalações e as

Mineração – Meio ambiente e Mineração 67


zonas a proteger. Os trabalhos, tanto nas frentes de lavra como nas etapas de
beneficiamento, devem ter periodicidade e horários rígidos, devendo os habitantes que
residem nas vizinhanças serem devidamente avisadas sobre quaisquer eventuais
mudanças.
Um dos maiores transtornos sofridos pelos habitantes próximos às
minerações relaciona-se com a poeira. Esta pode Ter origem tanto nos trabalhos de
perfuração da rocha como nas etapas de beneficiamento e do transporte da produção.
Essa poeira apresenta uma fração muito fina, que fica durante muitas horas em suspensão
no ar, espalhando-se por extensas áreas.

O pó oriundo da perfuração da rocha é de pequena monta, não sendo pois,


computado como poluente em grande escala. Entretanto, esse pó é nocivo aos
trabalhadores que operam nas frentes. As perfuratrizes devem ser equipadas com
dispositivos adequados de controle de pó, seja sistema de injeção de água, seja por
sistema de aspiração.

As instalações de beneficiamento (britagem, peneiramento, moagem e


ensacamento), por sua vez, produzem quantidades muito grandes de poeira e de finos. O
despoeiramento das instalações de pedreiras pode ser feito de diversas maneiras, de
acordo com cada caso, mas, de um modo geral, existem as seguintes possibilidades:
- eliminação do pó através de nebulização de água;
- despoeiramento através da renovação do ar.

Figura– Exemplos de inibidores de poeira usados em pedreiras da RMF: sistema de chuveiros nos
britadores no município de Itaitinga (A) e carro pipa molhando as vias de acesso no município de
Pacatuba (B).

Mineração – Meio ambiente e Mineração 68


Ainda sobre os efeitos da exposição a particulados, merece menção do
caso de exposição ao pó de quartzo onde se comprovou o aumento de incidência de
tuberculose nos trabalhadores de tais minas. Pequenas partículas de quartzo (sílica)
atingem as profundezas dos pulmões e danificam as células que removem materiais
estranhos presentes no ar. Estas células são a primeira linha de defesa contra a
tuberculose. Uma vez que os pulmões estejam polvilhados com sílica, o aumento do risco
de contrair a doença persiste por toda a vida. A silicose em geral progride ou se
desenvolve depois da aposentadoria. Ela impede a respiração e pode levar à insuficiência
cardíaca. Nas minas da África do Sul a exposição descontrolada ao pó de quartzo tem
sido associada com altos níveis de tuberculose há muito tempo e o fato de que naquele
país haver um fraco controle e propagação do HIV/Aids aumentaram os casos de novas
infecções a níveis sem precedentes.

Tanto na África do Sul, no Brasil ou em qualquer outro país, o segredo é o


controle do pó, pois já se sabe por diversos estudos e estatísticas que a maior parte das
doenças ocupacionais se origina de aerossóis no trabalho. As mineradoras devem se
tornar mais conscientes sobre o controle do pó lembrando que apenas a proteção
respiratória (uso de máscaras) nem sempre é suficiente. O controle de origem não pode
ser subestimado, seja pelo uso de métodos úmidos ou por artifícios da engenharia, como
ventilação local ou sistemas especializados e equipamentos.

No geral, em termos de legislação, objetivando melhor regulamentar a


atividade de lavra e assim poder controlar e minimizar os impactos (ruído, pó, vibrações,
poluição de águas etc.) é de grande importância conhecer e adotar no dia a dia dos
trabalhos de mina as Normas Reguladoras de Mineração (NRMs), abaixo descritas.
1.1 Objetivo
1.1.1 As Normas Reguladoras de Mineração – NRM têm por objetivo disciplinar o
aproveitamento racional das jazidas, considerando-se as condições técnicas e
tecnológicas de operação, de segurança e de proteção ao meio ambiente, de forma a
tornar o planejamento e o desenvolvimento da atividade minerária compatíveis com a
busca permanente da produtividade, da preservação ambiental, da segurança e saúde dos
trabalhadores.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 69


1.2 Disposições Gerais
1.2.1 Para efeito das NRM, entende-se por indústria de produção mineral aquela que
abrange a pesquisa mineral, lavra, beneficiamento de minérios, distribuição e
comercialização de bens minerais.
1.2.1.1 Para efeito das NRM, o termo pesquisa mineral abrange a execução dos trabalhos
necessários à definição da jazida, sua avaliação e a determinação da exeqüibilidade do
seu aproveitamento econômico compreendendo, entre outros, os seguintes trabalhos de
campo e laboratório:
a) levantamentos geológicos em escala conveniente;
b) estudos dos afloramentos e suas correlações;
c) levantamentos geofísicos e geoquímicos;
d) aberturas e escavações visitáveis e execução de sondagens no corpo mineral;
e) amostragens sistemáticas;
f) análises físicas e químicas das amostras e dos testemunhos de sondagens;
g) ensaios geometalúrgicos e de beneficiamento dos minérios ou das substâncias minerais
úteis e
h) acompanhamento de lavra.
1.2.1.2 Para efeito das NRM, entende-se por jazida toda massa individualizada de
substância mineral ou fóssil, aflorante ou existente no interior da terra, e que tenha valor
econômico.
1.2.1.3 Para efeito das NRM, entende-se por mina a jazida em lavra, ainda que
temporariamente suspensa.
1.2.1.4 Para efeito das NRM, o termo mina abrange:
a) áreas de superfície e/ou subterrânea nas quais se desenvolvem as operações
mencionadas no item 1.2.1.5 e
b) toda máquina, equipamento, acessório, instalação, obras civis utilizados nas atividades
a que se refere o item 1.2.1.5.
1.2.1.5 Para efeito das NRM, entende-se por lavra o conjunto de operações coordenadas
objetivando o aproveitamento industrial da jazida até o beneficiamento das mesmas,
inclusive.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 70


1.2.1.6 Para efeito das NRM, entende-se por lavra ambiciosa aquela conduzida sem
observância do plano aprovado ou efetuada de modo a impossibilitar o ulterior
aproveitamento econômico da jazida.
1.2.1.7 Para efeito das NRM, entende-se por beneficiamento de minérios o tratamento
visando preparar granulometricamente, concentrar ou purificar minérios, por métodos
físicos ou químicos sem alteração da constituição química dos minerais.
1.2.1.8 Para efeito das NRM, entende-se por sistema de disposição a forma e o
procedimento no qual é depositado solo, estéril, rejeitos ou produtos, de maneira
controlada, tendo em vista os aspectos de segurança e estabilidade com o mínimo de
impacto ao meio ambiente.
1.2.1.9 Para efeito das NRM, entende-se por responsável pela mina o profissional
legalmente habilitado para a execução dos trabalhos previstos no empreendimento
mineiro, formalmente indicado pelo empreendedor.
1.2.1.9.1 Para efeito das NRM, entende-se por responsável pelo beneficiamento de
minérios o profissional legalmente habilitado para a execução dos trabalhos previstos no
empreendimento mineiro, formalmente indicado pelo empreendedor.
1.2.1.10 Para efeito das NRM, entende-se por empreendedor, todo:
a) detentor de registro de licença;
b) detentor de permissão de lavra garimpeira;
c) detentor de alvará de pesquisa;
d) detentor de concessão de lavra;
e) detentor de manifesto de mina;
f) detentor de registro de extração;
g) aquele que distribui bens minerais;
h) aquele que comercializa bens minerais e
i) aquele que beneficia bens minerais.
1.2.1.11 Toda atividade minerária no país deve ser desenvolvida em cumprimento ao
disposto no Código de Mineração e legislação correlativa.
1.2.1.12 As NRM regulam o CM e diplomas legais e seu cumprimento é obrigatório para
o exercício de atividades minerárias, cabendo ao Departamento Nacional de Produção
Mineral – DNPM a fiscalização de suas aplicações através de profissionais legalmente
habilitados.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 71


1.2.1.13 O DNPM, a seu critério, pode revisar as NRM bem como complementá-las com
instruções técnicas, manuais, diretrizes, recomendações práticas ou outros meios de
aplicação compatíveis.
1.2.1.14 O empreendedor que admita trabalhadores como empregados deve organizar e
manter em regular funcionamento, em cada estabelecimento, uma Comissão Interna de
Prevenção de Acidentes na Mineração – CIPAMIN, na forma prevista na Norma
Regulamentadora n° 22 – NR-22, do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE.
1.2.1.15 Uma vez efetivada a instalação da CIPAMIN, esta deve ser comunicada ao
DNPM.
1.2.1.16 O DNPM pode, a seu critério, ter acesso aos registros e relatórios da CIPAMIN,
bem como realizar reuniões e inspeções acompanhado de representantes da mesma.
1.2.1.17 As condições de conforto e higiene nos locais de trabalho são aquelas
estabelecidas na NR-22/MTE, item 22.37, subitens 22.37.1 a 22.37.5 ou legislação
posterior.
1.2.1.18 Devem ser mantidos organizados e atualizados as estatísticas e relatórios, laudos
e perícias de acidentes de trabalho, doenças profissionais e incidentes perigosos
assegurando acesso à essa documentação ao DNPM.
1.2.1.19 Em caso de acidentes relevantes ou que acarretem impactos ao meio ambiente ou
riscos que interfiram no processo produtivo ou ao trabalhador, é obrigatório:
a) comunicação imediata ao DNPM;
b) apresentação da descrição do acidente, suas causas e as medidas mitigadoras e
c) a critério do DNPM apresentar relatórios periódicos que contemplem o monitoramento
da situação de risco constatada.
1.2.1.20 Os acidentes, incidentes perigosos e doenças profissionais devem ser analisados
segundo metodologia que permita identificar as causas principais e contribuintes que
levaram à ocorrência do evento, indicando as medidas de controle para prevenção de
novas ocorrências.
1.2.1.20.1 Para efeito das NRM, entende-se por incidente perigoso qualquer ocorrência
imprevista que modifique a rotina dos trabalhos, que implique na alteração das condições
normais de operação e que potencialmente poderia levar a perdas econômicas de monta,
lesões graves ou morte de pessoas.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 72


1.2.1.21 Em caso de ocorrência de acidente fatal é obrigatória a adoção das seguintes
medidas:
a) comunicar o acidente, de imediato, à autoridade policial competente, à Delegacia
Regional do Trabalho – DRT e ao DNPM e
b) isolar o local diretamente relacionado ao acidente, mantendo suas características até
sua liberação pela autoridade policial competente.
1.2.1.22 Os casos omissos e as dúvidas suscitadas decorrentes da aplicação das NRM
serão dirimidos pelo DNPM.
1.2.1.23 A aplicação das NRM não exclui a observância de disposições pertinentes
estabelecidas em legislações específicas expedidas pelos demais órgãos que
regulamentem a espécie.
1.3 Aplicação
1.3.1 As NRM aplicam-se a todas as atividades de pesquisa mineral, lavra, lavra
garimpeira, beneficiamento de minérios, distribuição e comercialização de bens minerais,
na forma do Código de Mineração e legislação correlativa.
1.4 Das Responsabilidades e Direitos
1.4.1 Das Responsabilidades do Empreendedor
1.4.1.1 Cabe ao empreendedor e ao responsável pela mina a obrigação de zelar pelo
estrito cumprimento das NRM, prestando as informações que se fizerem necessárias aos
órgãos fiscalizadores.
1.4.1.2 O empreendedor ou o responsável pela mina deve obrigatoriamente indicar aos
órgãos fiscalizadores os responsáveis pelos setores técnicos das áreas de pesquisa
mineral, produção, beneficiamento de minérios, segurança, mecânica, elétrica, topografia,
ventilação, meio ambiente, dentre outros.
1.4.1.3 O empreendedor deve informar aos responsáveis pelas empresas contratadas a
obrigatoriedade do cumprimento das NRM.
1.4.1.3.1 Em todas as situações, cabe à empresa contratada observar complementarmente
as demais Normas Regulamentadoras conforme a Portaria nº 3214/78/MTE, quando
aplicável.
1.4.1.4 Toda mina e demais atividades referidas no item 1.3 devem estar sob supervisão
técnica de profissional legalmente habilitado, nos termos da legislação vigente.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 73


1.4.1.4.1 O empreendedor deve realizar estudos e trabalhos, quando exigidos pelo
DNPM, a serem desenvolvidos por profissional legalmente habilitado e especializado ou
por entidade capacitada, consideradas suas especificidades.
1.4.1.5 O empreendedor deve elaborar e executar planos de lavra e procedimentos, que
propiciem a segurança operacional, a proteção dos trabalhadores e a preservação
ambiental, elaborados por profissional legalmente habilitado.
1.4.1.6 Todo empreendimento mineiro deve ter um sistema que permita saber os nomes
de todas as pessoas que se encontram no ambiente de trabalho, assim como suas
prováveis localizações.
1.4.1.6.1 Todo visitante deve ser obrigatoriamente informado dos riscos inerentes ao
ambiente de trabalho, das medidas de prevenção de segurança e saúde e dos
procedimentos em caso de acidentes.
1.4.1.6.2 Cabe ao empreendedor fornecer os equipamentos de segurança aos visitantes.
1.4.1.7 Compete ainda ao empreendedor, ou por delegação, ao responsável pela mina:
a) interromper todo e qualquer tipo de atividade que exponha os trabalhadores a
condições de risco grave e iminente para sua saúde e segurança;
b) garantir a interrupção das tarefas, quando proposta pelos trabalhadores, em função da
existência de risco grave e iminente, desde que confirmado o fato pelo superior
hierárquico, que diligenciará as medidas cabíveis e
c) fornecer às empresas contratadas as informações sobre os riscos potenciais nas áreas
em que desenvolverão suas atividades.
1.4.1.8 O empreendedor ou responsável pela mina coordenará a implementação das
medidas relativas à segurança e saúde dos trabalhadores das empresas contratadas e
proverá os meios e condições para que estas atuem em conformidade com as NRM.
1.4.1.9 Em locais de trabalho com risco à saúde do trabalhador, a empresa deve possuir
um sistema de monitoramento do ambiente e controle dos parâmetros que afetam a sua
saúde, implementando o Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional – PCMSO,
conforme estabelecido na NR-07/MTE.
1.4.1.10 Cabe ao empreendedor elaborar e implementar o Programa de Gerenciamento de
Riscos – PGR, contemplando os aspectos das NRM, incluindo, no mínimo, os
relacionados a:
a) riscos físicos, químicos e biológicos;

Mineração – Meio ambiente e Mineração 74


b) atmosferas explosivas;
c) deficiências de oxigênio;
d) ventilação;
e) proteção respiratória, de acordo com a Instrução Normativa n° 1, de 11/04/94, da
Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho;
f) investigação e análise de acidentes do trabalho;
g) ergonomia e organização do trabalho;
h) riscos decorrentes do trabalho em altura, em profundidade e em espaços confinados;
i) riscos decorrentes da utilização de energia elétrica, máquinas, equipamentos, veículos e
trabalhos manuais;
j) equipamentos de proteção individual de uso obrigatório, observando-se no mínimo o
constante na Norma Regulamentadora n° 6, de que trata a Portaria n° 3.214, de 8 de
junho de 1978, do Ministério do Trabalho e Emprego;
l) estabilidade do maciço;
m) plano de emergência e
n) outros resultantes de modificações e introduções de novas tecnologias.
1.4.1.11. O PGR deve incluir as seguintes etapas:
a) antecipação e identificação de fatores de risco, levando-se em conta, inclusive, as
informações do Mapa de Risco elaborado pela CIPAMIN, quando houver;
b) avaliação dos fatores de risco e da exposição dos trabalhadores;
c) estabelecimento de prioridades, metas e cronograma;
d) acompanhamento das medidas de controle implementadas;
e) monitorização da exposição aos fatores de riscos;
f) registro e manutenção dos dados por, no mínimo, vinte anos e
g) avaliação periódica do programa.
1.4.1.12 O PGR, suas alterações e complementações devem ser apresentados e discutidos
nas reuniões da CIPAMIN, para acompanhamento das medidas de controle.
1.4.1.13 O PGR deve considerar os níveis de ação acima dos quais devem ser dotadas
medidas preventivas, de forma a minimizar a probabilidade de ultrapassagem dos limites
de exposição ocupacional, implementando-se princípios para o monitoramento periódico
da exposição, informação aos trabalhadores e o controle médico, considerando as
seguintes definições:

Mineração – Meio ambiente e Mineração 75


a) limites de exposição ocupacional são os valores de limites de tolerância previstos na
Norma Regulamentadora n° 15 de que trata a Portaria n° 3.214, de 8 de junho de 1978, do
MTE, ou, na ausência destes, valores que venham a ser estabelecidos em negociação
coletiva, desde que mais rigorosos que aqueles;
b) níveis de ação para agentes químicos são os valores de concentração ambiental
correspondentes à metade dos limites de exposição, conforme definidos na alínea "a"
anterior e
c) níveis de ação para ruído são os valores correspondentes a dose de zero vírgula cinco
(dose superior a cinqüenta por cento), conforme critério estabelecido na Norma
Regulamentadora n° 15, de que trata a Portaria n° 3.214, de 8 de junho de 1978, do MTE,
Anexo I, item 6.
1.4.2 Das Responsabilidades do Trabalhador
1.4.2.1 Cumpre ao Trabalhador:
a) zelar pela sua segurança e saúde ou de terceiros que possam ser afetados por suas
ações ou omissões no trabalho, colaborando com o empreendedor, para o cumprimento
das disposições legais e regulamentares, inclusive das normas internas de segurança e
saúde e
b) comunicar, imediatamente, ao seu superior hierárquico as situações que considerar
representar risco para sua segurança e saúde ou de terceiros.
1.4.3 Dos Direitos do Trabalhador
1.4.3.1 São direitos do Trabalhador:
a) interromper suas tarefas sempre que constatar evidências que representem riscos
graves e iminentes para sua segurança e saúde ou de terceiros, comunicando
imediatamente o fato a seu superior hierárquico que diligenciará as medidas cabíveis e
b) ser informado sobre os riscos existentes no local de trabalho, que possam afetar sua
segurança e saúde.
1.5 Mecanismos e Instrumentos de Informação e Controle
1.5.1 As NRM constituem uma base para a elaboração e análise dos seguintes
documentos, de apresentação obrigatória ao DNPM:
a) Plano de Pesquisa;
b) Requerimento de Guia de Utilização;
c) Requerimento de Registro de Extração;

Mineração – Meio ambiente e Mineração 76


d) Requerimento de Grupamento Mineiro;
e) Relatório Final de Pesquisa;
f) Plano de Aproveitamento Econômico – PAE;
g) Plano de Lavra – PL;
h) Relatório Anual de Lavra – RAL;
i) Plano de Fechamento, Suspensão e Retomada das Operações Mineiras;
j) Plano de Controle de Impacto Ambiental na Mineração – PCIAM;
l) Projeto Especial em Cumprimento de exigência.
1.5.1.1 Os documentos acima caracterizados devem ser elaborados por técnico
legalmente habilitado, no que couber.
1.5.2 Cabe ao DNPM estabelecer as instruções relativas à elaboração dos documentos
referidos no item anterior.
1.5.3 É condição necessária para o início dos trabalhos de desenvolvimento de uma mina
a apresentação do plano de lavra – PL, ressalvada a legislação específica do registro de
licença e da permissão de lavra garimpeira.
1.5.3.1 O PL deve ser apresentado quando do requerimento do registro de licença, nos
termos da Portaria Nº 266/2008, que trata do regime de licenciamento, do requerimento
da concessão de lavra como parte integrante do PAE ou quando exigido pelo DNPM e do
requerimento do registro de extração nos termos do § 2º do art. 4º do Decreto nº 3.358, de
2 de fevereiro de 2000.
1.5.3.2 Para efeito das NRM, entende-se por PL o projeto técnico constituído pelas
operações coordenadas de lavra objetivando o aproveitamento racional do bem mineral.
1.5.3.3 Deve ser apresentado ao DNPM o correspondente PL, para cada nova mina
aberta, no perímetro da concessão, independentemente do PAE aprovado.
1.5.4 Não é permitida a modificação no PAE e no PL sem prévia aprovação do DNPM.
1.5.4.1 O Projeto Especial é aquele que introduz modificações e que consiste no
planejamento de todas as necessidades suplementares e modificações do PL, PCIAM,
Plano de Resgate e Salvamento, notadamente referente às mudanças de métodos,
processos ou escala de produção.
1.5.5 Deve ser incluído como parte do PL o Plano de Emergência previsto no PGR.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 77


1.5.5.1 O Plano de Resgate e Salvamento é parte obrigatória do PL, devendo ser
atualizado anualmente e mantido disponível na mina para o Agente Fiscalizador do
DNPM.
1.5.6 O PCIAM é parte obrigatória do PL.
1.5.6.1 No PCIAM deve figurar todas as medidas mitigadoras e de controle dos impactos
ambientais decorrentes da atividade minerária, especialmente as de monitoramento e de
reabilitação da área minerada e impactada.
1.5.6.2 A critério do DNPM podem ser exigidas modificações no PCIAM.
1.5.7 O Plano de Fechamento de Mina é parte obrigatória do PAE.
1.5.8 A critério do DNPM pode ser exigida a apresentação do Plano de Lavra Anual –
PLA, relativo às atividades a serem realizadas no ano seguinte, com apresentação ao
DNPM até o dia 1º (primeiro) de dezembro.
1.5.9 Os ruídos, vibrações e ultralançamentos decorrentes dos trabalhos de mineração não
podem ultrapassar os limites estabelecidos pelas normas vigentes.
1.5.9.1 A critério do DNPM podem ser exigidos relatórios de controle e monitoramento
de ruídos, vibrações e ultra lançamentos..
1.5.10 Os efeitos de subsidência e movimentação de terrenos decorrentes da atividade
minerária devem ser previstos no Plano de Lavra e devidamente controlados,
monitorados e seus registros mantidos disponíveis para fiscalização.
1.5.11 Em caso de identificação de cavernas durante o desenvolvimento das atividades
minerárias, o processo de extração no local deve ser interditado temporariamente,
comunicado ao DNPM que emitirá parecer conclusivo.
1.5.12 Em caso de ocorrência de fósseis ou materiais de interesse arqueológico o
empreendedor deve interditar a área e comunicar ao DNPM que emitirá parecer
conclusivo.
1.5.13 Os dados de monitoramento devem ser registrados, atualizados e estar disponíveis
para a fiscalização.
1.5.14 O empreendedor deve comunicar ao DNPM as providências adotadas.
1.5.15 A critério do DNPM pode ser exigido a apresentação de relatórios periódicos com
a finalidade de avaliar o comportamento do aqüífero.
1.5.15.1 Em função da análise dos relatórios o DNPM pode exigir a implementação de
medidas que solucionem os problemas constatados.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 78


1.6 Fiscalização (veja Portaria DNPM 263/10 – DOU 16/07/10).
1.6.1 Os empreendedores que exerçam atividades de pesquisa mineral, lavra e
beneficiamento de minérios, distribuição ou comercialização de bens minerais, são
obrigados a facilitar ao Agente Fiscalizador do DNPM a inspeção de instalações,
equipamentos, trabalhos e demais áreas, e ainda fornecer-lhes informações sobre:
a) a produção e características qualitativas dos produtos;
b) condições técnicas e econômicas da execução dos serviços ou da exploração das
atividades mencionadas no caput deste artigo;
c) mercado e preços médios de venda;
d) quantidade e condições técnicas e econômicas do consumo de produtos minerais e
e) relatórios e registros sobre segurança, saúde ocupacional e controle ambiental.
1.6.1.1 O responsável por quaisquer das atividades constantes do item 1.6.1 deve destacar
profissional qualificado para acompanhar o Agente Fiscalizador do DNPM durante a
fiscalização.
1.6.1.2 O Agente Fiscalizador do DNPM terá acesso aos livros e demais registros e
documentos do empreendimento.
1.6.1.3 Aos processos resultantes da ação fiscalizadora é facultado, anexar quaisquer
documentos quer de pormenorização de fatos circunstanciais, quer comprobatórios,
podendo o Agente Fiscalizador, no exercício das funções de inspeção da atividade
minerária, usar de todos os meios legais à comprovação da infração.
1.6.2 Constatada lavra ambiciosa pela inobservância do plano pré- estabelecido, o titular
será autuado pelo Agente Fiscalizador do DNPM com aplicação da sanção prevista no
art. 100, III, por inadimplemento da obrigação imposta no inciso II do art. 54, ambos do
Regulamento do Código de Mineração, desde que a lavra não tenha dificultado ou
comprometido o ulterior aproveitamento econômico da jazida, hipótese em que deverá
ser observado o disposto no item seguinte.
1.6.3 Constatada lavra ambiciosa com o comprometimento do ulterior aproveitamento
econômico da jazida, o empreendimento será interditado, total ou parcialmente, pelo
Agente Fiscalizador do DNPM, com aplicação da sanção prevista no art. 100, V, por
inadimplemento da obrigação imposta no inciso VII do art. 54, ambos do Regulamento
do Código de Mineração.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 79


1.6.4 Constatada situação de grave e iminente risco, o empreendimento será interditado,
total ou parcialmente, pelo Agente Fiscalizador do DNPM, até a eliminação dos motivos
que levaram à interdição.
1.6.5 Constatado o vencimento da licença ambiental sem que o titular comprove, no
momento da vistoria, que requereu a renovação da licença no prazo de 120 (cento e vinte)
dias da expiração do prazo de sua validade nos termos do § 4º do art. 18 da Resolução
CONAMA nº 237, de 17 de novembro de 1997, o empreendimento será interditado, total
ou parcialmente, até que o titular apresente o protocolo do pedido de renovação naquele
prazo ou nova licença.
1.6.6 A interdição total ou parcial da atividade será suspensa tão logo o titular comprove,
junto ao DNPM, o saneamento de todas as irregularidades apontadas e o cumprimento
das exigências determinadas no ato da interdição.
1.6.7 Em caso de risco que não exija interdição imediata, o Agente Fiscalizador do
DNPM definirá prazos e providências adequadas, junto com o responsável pela mina ou
pelo setor, para o restabelecimento das condições de operação, segurança, higiene e de
controle ambiental.
1.6.8 As infrações às NRM e instruções complementares terão as penalidades aplicadas
conforme o disposto no Código de Mineração e legislação correlata.
1.6.9 Compete ao DNPM elaborar as instruções relativas ao cumprimento das NRM.
17- Revegetação e reflorestamento.
Dentre os diversos impactos que a atividade de mineração causa um dos mais
perceptíveis é o desmatamento e a alteração da camada de solo. Na verdade, normalmente
a atividade de lavra causa três problemas ao solo: perda da camada superficial, alteração
da estrutura e perda da matéria orgânica. E tais problemas certamente afetarão a
recuperação e recomposição da flora após o encerramento da lavra em determinada área.
A recuperação de áreas degradadas pela mineração normalmente envolve
atividades que têm o objetivo de restabelecer a vegetação. O acompanhamento dos
resultados dessa atividade é muitas vezes inexistente ou conduzido de maneira não
sistemática. O maior esforço de um plano de recuperação ambiental é definir e adotar um
conjunto de indicadores com a finalidade de facilitar a tarefa de avaliação dos resultados
da recuperação ambiental em áreas de extração de areia. O emprego de indicadores
adequados facilita a compreensão e a interpretação dos resultados da revegetação para

Mineração – Meio ambiente e Mineração 80


diferentes categorias de interessados, como empresários, agentes públicos e a
comunidade em geral.
Uma premissa básica em qualquer projeto é a preferência por plantas
nativas de modo a se restaurar a área o mais semelhante possível à situação anterior. Para
o acompanhamento de projetos de revegetação de áreas, podemos destacar cinco
indicadores a serem acompanhados:
1- Aspecto visual
2- Densidade de plantas.
3- Altura média de plantas
4- Número de espécies arbóreas
5- Mortalidade de mudas

Mina em fase de recuperação ambiental.

Vale a pena também destacar um exemplo prático de sucesso. Todos os


anos, de janeiro a maio, durante o período chuvoso na região amazônica, a MRN inicia
um ciclo de recuperação florestal de áreas mineradas. O reflorestamento é realizado em
conformidade com as atividades de lavra da bauxita, previstas no plano quinquenal de
operações da empresa. De 1979 a 2012, foram reabilitados 4.688 hectares, tendo sido
plantadas 9,2 milhões de mudas de 450 espécies arbóreas nativas. Somente em 2012, foi
reflorestada com 113 espécies nativas uma área de 208 hectares de minas em operação e
outros 20 hectares de minas em processo de fechamento.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 81


As espécies são produzidas no Viveiro Florestal, que funciona em Porto
Trombetas, e todas as espécies que plantamos são da região. Nenhuma espécie exótica é
utilizada. Cabe ressaltar, ainda, os benefícios variados das espécies usadas no
reflorestamento. Algumas são produtoras de frutos, servem de atração para a fauna,
podem ser usadas no paisagismo, no uso medicinal ou têm ainda alto valor comercial,
como é o caso da madeira de lei. Entre as espécies estão: castanha do Pará, sucupira,
muruci da mata, andiroba, breu rosa, piquiá, gombeira, açaí, acapu, envira preta, amapá
amargo e achuá sapotilha.
O viveiro da MRN tem capacidade de produção anual de 500 mil mudas e a
empresa também compra sementes para o reflorestamento, das comunidades quilombolas
Boa Nova e Saracá, localizadas no entorno da empresa. A atividade de reflorestamento é
pensada nos mínimos detalhes: desde o preparo eficiente da área até o cuidado com o
banco de sementes no solo. A adubação correta e o controle de pragas nas mudas, por
exemplo, demonstram o nível de detalhamento desse processo.
Até a área ocupada por cada planta é pensada. Cada espécie ocupa uma área
de seis metros quadrados. Essa divisão de espaço na hora do plantio, somada a outros
fatores técnicos de reflorestamento, garante o crescimento adequado das espécies. O
processo de revegetação também inclui os taludes (paredes inclinadas) das estradas de
acesso às minas e paredes dos tanques de rejeito. A técnica utilizada nesses casos é a
hidrossemeadura. Em 2012, foram hidrossemeados 2,11 hectares.

18- Paralisação temporária e fechamento de mina


18.1 Plano de paralisação temporária

As atividades de mineração são temporárias, isto quer dizer que, após a


escassez da substancia mineral ou mesmo por alguma mudança governamental ou de
mercado que venham inviabilizar a extração, ocorrerá o abandono da área.
A legislação mineral vigente - Portaria N° 237 de 18/10/01 retificada pela
Portaria N° 12 de 22/01/02, considerando entre outras, a necessidade de estabelecimento
de ação integrada com outras Instituições que atuam na atividade mineral publicou as
Normas Reguladoras de Mineração – NRM, as quais atentam particularmente ao
interesse social no aproveitamento racional dos bens minerais, a minimização dos
impactos ambientais decorrentes da atividade mineira, bem como a melhoria das

Mineração – Meio ambiente e Mineração 82


condições de saúde e segurança no trabalho, esta em sintonia com o que exige a Política
Nacional do Meio Ambiente – “o empreendedor deverá recuperar o ambiente degradado
por ele mesmo”. A NRM 20 trata da suspensão, fechamento de mina e retomada das
operações mineiras, e determina que, o titular da área deverá efetivar as ações somente
após prévia comunicação e autorização do DNPM.
A paralisação das operações mineiras, após comunicação prévia, sendo
obrigatório o pleito ao Ministro de Estado de Minas e Energia, solicitando a cessação de
caráter temporário das operações mineiras, em requerimento justificativo caracterizando
o período pretendido, devidamente acompanhado de instrumentos comprobatórios, nos
quais constem:
a) relatório dos trabalhos efetuados e do estado geral da área e suas possibilidades
futuras;
b) caracterização das reservas remanescentes, geológicas e lavráveis;
c) atualização de todos os levantamentos topográficos da área;
d) planta da mina na qual conste as áreas utilizadas, a disposição de materiais, sistemas
de disposição, vias de acesso e outras obras civis;
e) áreas recuperadas e por recuperar;
f) planos referentes a:
I - monitoramento do lençol freático;
II - controle do lançamento de efluentes com caracterização de parâmetros controladores;
III - manutenção das instalações e equipamentos;
IV - drenagem da área e de atenuação dos impactos no meio físico e especialmente o
meio hídrico;
V - monitoramento da qualidade da água e do ar para minimizar danos aos meios físico,
biológico e antrópico e
VI - retomada das operações;
g) medidas referentes à:
I - bloqueio de todos os acessos à área e, quando necessário, manutenção de vigilância
do empreendimento de modo a evitar incidentes e acidentes com pessoas e animais e
garantir a integridade patrimonial;
II - proteção dos limites da propriedade mineira e
III - desativação dos sistemas elétricos;

Mineração – Meio ambiente e Mineração 83


h) riscos ambientais decorrentes da suspensão;
i) atualização dos estudos tecnológicos e de mercado dos bens minerais objeto da
concessão;
j) descrição detalhada dos elementos de suporte indicando as suas localizações em planta
l) esquema de suspensão das atividades no qual conste:
I - plano seqüencial de desmobilização das operações mineiras unitárias e
II - eventuais reforços ou substituição dos elementos de suporte visando facilitar a
posterior retomada das operações.
18.2 Plano de retomada das operações.

A retomada das operações deve ser precedida de comunicação ao DNPM,


dentro do prazo de validade da suspensão autorizada, devidamente acompanhada de
Projeto de Retomada das Operações Mineiras, o qual deverá enfocar no mínimo os
seguintes aspectos:
a) reavaliação do estado de conservação da área, suas instalações, equipamentos e outros
sistemas de apoio;
b) reexame das condições de higiene, segurança e proteção ao meio ambiente e
e) revisão do Plano de Lavra.
A retomada das operações mineiras só é permitida após manifestação favorável do
DNPM.
18.3 Plano de fechamento definitivo.

Para o fechamento de mina, após comunicação prévia, é obrigatório o pleito


ao Ministro de Estado de Minas e Energia, solicitando a cessação definitiva das
operações mineiras, em requerimento justificativo devidamente acompanhado de
instrumentos comprobatórios, demonstrando ter realizado os trabalhos de lavra dentro
dos padrões técnicos exigidos pela legislação em vigor e que as reservas de minério de
interesse foram exauridas, nos quais constem:
a) relatório dos trabalhos efetuados;
b) caracterização das reservas remanescentes;
c) plano de desmobilização das instalações e equipamentos que compõem a
infra-estrutura do empreendimento mineiro indicando o destino a ser dado aos mesmos;
d) atualização de todos os levantamentos topográficos da área;

Mineração – Meio ambiente e Mineração 84


e) planta da área na qual constem as áreas impactadas recuperadas e por recuperar, áreas
de disposição de materiais, sistemas de disposição, vias de acesso e outras obras civis;
f) programa de acompanhamento e monitoramento relativo a:
I- sistemas de disposição e de contenção;
II- taludes em geral;
III- comportamento do lençol freático e
IV- drenagem das águas;
g) plano de controle da poluição do solo, atmosfera e recursos hídricos, com
caracterização de parâmetros controladores;
h) plano de controle de lançamento de efluentes com caracterização de parâmetros
controladores;
i) medidas para impedir o acesso à área de pessoas estranhas e interditar com barreiras os
acessos às áreas perigosas;
j) definição dos impactos ambientais nas áreas de influência do empreendimento levando
em consideração os meios físico, biótico e antrópico;
l) aptidão e intenção de uso futuro da área;
m) conformação topográfica e paisagística levando em consideração aspectos sobre a
estabilidade, controle de erosões e drenagens;
n) relatório das condições de saúde ocupacional dos trabalhadores durante a vida útil do
empreendimento mineiro e
o) cronograma físico e financeiro das atividades propostas.
Considerando a vida útil da jazida, em relação a Reserva Total de minério
aprovada junto ao DNPM, as medidas para a reabilitação e uso futuro da área, caso o
titular venha a proceder na paralisação definitiva do empreendimento, deverão abordar
os seguintes tópicos:

 Reflorestamento com espécies nativas das áreas do entorno da bancada e,


inclusive recuperando a fauna da região; plantio de espécies frutíferas
(preferencialmente nativas compõem a base alimentar da fauna);

 Incentivar a preservação das áreas localizadas, principalmente, em área delimitada


como Área de Preservação Permanente;

Mineração – Meio ambiente e Mineração 85


 Transferência dos equipamentos existentes na área de lavra para outros locais ou
empresas interessadas em sua aquisição;

 Arrendamento ou venda da área remanescente para vizinhos do empreendimento


que estejam interessados em agregar a seu patrimônio o terreno disponível do
empreendedor;

 Arcar com todas as despesas de rescisão dos funcionários, terceirizados em geral,


bem como os impostos que incidirem sobre a atividade do empreendedor;

Desta forma, o empreendedor, estará indo de encontro às políticas ambientais e


mineiras vigentes, podendo no futuro fazer uso desta ou de outras áreas que apresentem
potencial econômico que viabilizem sua explotação.
19-Insumos e resíduos.
Um bom Plano de Aproveitamento Econômico ou um Plano de Lavra,
obrigatoriamente tem no seu escopo um item específico destinado à descrição de insumos
e resíduos gerados na atividade e como tais serão tratados. A seguir, temos reproduzido
parte de um plano de lavra de uma pedreira onde podemos observar todos os detalhes
sobre o tema.
Os insumos a serem utilizados e os resíduos a serem gerados nas atividades
da mineração, e que possam gerar algum tipo de agressão ao meio ambiente, necessitam
de uma linha de conscientização (identificação) e medidas de controle. Portanto a
empresa deverá realizar campanhas de conscientização junto aos funcionários sobre os
resíduos a serem gerados por tal tipo de empreendimento. Como principais insumos
destacam-se:
Energia Elétrica: a empresa é atendida pela COELCE com a ligação de rede elétrica no
empreendimento, sendo o consumo mensal estimado em 25.000 kWh.
Água Potável: a empresa utilizará água potável para o consumo de seus funcionários. O
acondicionamento na área do empreendimento é em garrafões de 20 litros. O consumo
médio mensal estimado é da ordem de 500 litros.
Água Industrial: nas operações de lavra, não haverá uso de água, sendo apenas utilizada
para lavagem do equipamento e higienização, e será obtido através de 01 (um) poço que
será bombeada e transportada para uma caixa com capacidade de 1.000 litros instalada na
área de infra-estrutura. O consumo médio mensal estimado será de 2.000 litros.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 86


Óleo Diesel: O abastecimento do equipamento de lavra será realizado em postos de
combustíveis situados na cidade de Itaitinga/CE, sendo o combustível estritamente
necessário armazenado em tambores de 200 litros. O consumo mensal estimado será de
10.000 litros.
Óleo Lubrificante: Tem sua utilização na lubrificação e resfriamento dos sistemas e
motor do equipamento envolvido nas operações mineiras. O consumo médio mensal será
de 200 litros, considerando-se a programação de manutenção preventiva indicada pelos
fabricantes dos equipamentos. A troca e manuseio serão realizados nos postos de
combustíveis instalados na cidade próxima à mina.
Papéis/plásticos: Referem-se aos materiais de escritório e algumas embalagens na
oficina.
Resíduos sólidos: Papéis e plásticos provenientes do escritório onde se propõe que seja
promovida a conscientização dos funcionários para a separação destes materiais em
caixas de papelão ou embalagens de plásticos, que deverão ser armazenados,
acondicionados e periodicamente enviados para a fábrica de recicláveis localizado no
município de Itaitinga. Ressalta-se que o material particulado considerado será mínimo.
Resíduos Químicos: Os efluentes provenientes da lavagem de veículos e equipamentos
tratam-se de óleo lubrificante, graxas e combustíveis para o acionamento do motor do
equipamento de lavra. Estes produtos, após o uso (óleo queimado), são adequadamente
armazenados em galões de 200 litros sendo, posteriormente, vendido a empresas de
recuperação de óleos. Mesmo assim, aconselha-se a manutenção permanente dos veículos
para evitar vazamentos de óleo e consumo exagerado, bem como a higiene nas
instalações da oficina, não despejando sob hipótese alguma os resíduos no solo e cursos
d’água.
Resíduos Gasosos: São gerados em baixa taxa pelos gases resultantes dos motores à
combustão dos veículos e equipamentos a óleo diesel. Para minimizar a emissão dos
gases dos veículos (CO e NOx) é necessário que os mesmos sejam submetidos
constantemente à revisão e manutenção dos motores; evitando desta forma o mau
funcionamento dos motores, e conseqüentemente, a emissão gasosa elevada.
Resíduos Sanitários: Estes são resultantes do banheiro serão enviados para uma fossa
séptica. A manutenção das fossas será periódica, verificando-se o nível do reservatório e,
quando da necessidade de descarte, se contratará uma empresa capacitada e de bom

Mineração – Meio ambiente e Mineração 87


conceito no mercado. É imprescindível procurar saber da empresa contratada qual será o
destino final do resíduo e se a mesma toma os devidos cuidados para com o meio
ambiente. Salienta-se que o destino final dos resíduos sanitários deve ser para aterros
sanitários e não despejá-los aleatoriamente em acostamentos de estradas ou rios/riachos e
mananciais de água.

20- Plano de Controle de Impacto Ambiental na Mineração


(PCIAM)
Todo Plano de Aproveitamento Econômico tem como um de seus capítulos
principais o Plano de Controle de Impactos Ambientais na Mineração (PCIAM).
Conforme Resolução CONAMA 01/86, impacto ambiental é definido como "qualquer
alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente causada por
qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que direta ou
indiretamente, afetem:
I - a saúde, a segurança e o bem estar da população;
II - as atividades sociais e econômicas;
III - a biota;
IV - as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente;
V - a qualidade dos recursos ambientais".
A importância da conservação e controle ambiental é inquestionável,
principalmente levando-se em conta o aspecto fundamental do eco-desenvolvimento que
visa utilizar de forma racional e sustentável o ambiente e os recursos naturais nele
contidos.
O Plano de Controle de Impacto Ambiental na Mineração (PCIAM), através do
diagnóstico das condições ambientais atuais e análise do Projeto de Lavra, definem os
impactos ambientais gerados com as atividades mineiras, apresentando mecanismos para
minimização ou eliminação dos mesmos com a redução dos níveis de poluição, bem
como maximizar as medidas de proteção ambiental programadas, promovendo a
conservação dos recursos naturais e proteção do meio ambiente através do controle e
recuperação de áreas degradadas.

Observação: Biota é o conjunto de seres vivos de um ecossistema, o que incluí

Mineração – Meio ambiente e Mineração 88


a flora, a fauna, os fungos e outros organismos. A biota da Terra abrange a
biosfera.

Figura – Área de antiga mina de carvão na região de Butiá, Rio Grande do


Sul, recuperada e devolvida aos proprietários do solo.

20.1 - CARACTERIZAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS

20.1.1 - Identificação dos Impactos Ambientais

A identificação dos impactos ambientais na área de influência do projeto


torna-se fundamental para uma tomada de decisão, quanto à melhor escolha das medidas
a serem adotadas visando à neutralização ou minimização dos impactos adversos.
O método normalmente adotado é denominado de “Check List” e foi
elaborado de acordo com as informações obtidas no diagnóstico ambiental da área de
influência da atividade mineira.
A metodologia adotada (vide tabela na próxima página) consiste na
identificação e enumeração dos impactos, a partir da diagnose ambiental realizada por
especialistas dos meios físico, biótico e sócio-econômico. Os especialistas deverão
relacionar os impactos decorrentes das fases de implantação e operação do
empreendimento, categorizando-os em positivos ou negativos, conforme o tipo da
modificação antrópica que esteja sendo introduzida no sistema analisado.
Tabela - Conceituação dos atributos utilizados no “Check List” .

Mineração – Meio ambiente e Mineração 89


ATRIBUTOS PARÂMETROS DE AVALIAÇÃO SÍMBOLO

CARÁTER BENÉFICO

Expressa a alteração Quando o efeito gerado for positivo para o +


ou modificação gerada fator ambiental considerado.
por uma ação do
empreendimento sobre ADVERSO
um dado componente -
Quando o efeito gerado for negativo para o
ou fator ambiental por
fator ambiental considerado.
ela afetado.

PEQUENA

Quando a variação no valor dos indicadores P


for inexpressiva, inalterado o fator ambiental
MAGNITUDE
considerado.
Expressa a extensão do MÉDIA
impacto, na medida
em que se atribui uma Quando a variação no valor dos indicadores
valoração gradual às for expressiva, porém sem alcance para M
variações que as ações descaracterizar o fator ambiental
poderão produzir num considerado.
dado componente ou
GRANDE
fator ambiental por ela
afetado. Quando às variações no valor dos indicadores
for de tal ordem que possa levar à G
descaracterização do fator ambiental
considerado.

CURTA

Existe a possibilidade da reversão das


condições ambientais anteriores à ação, num
DURAÇÃO 1
breve período de tempo, ou seja, que
É o registro de tempo imediatamente após a conclusão da ação,
de permanência do haja a neutralização do impacto por ela
impacto depois de gerado.
concluída a ação que o
MÉDIA
gerou.
É necessário decorrer um certo período de 2
tempo para que o impacto gerado pela ação
seja neutralizado.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 90


LONGA

Registra-se um longo período de tempo para


a permanência do impacto, após a conclusão
da ação que o gerou. Neste grau serão
3
também incluídos aqueles impactos cujo
tempo de permanência, após a conclusão da
ação geradora, assume um caráter definitivo.

IMPORTÂNCIA Ns

Estabelece a
significância ou o
quanto cada impacto é NÃO-SIGNIFICATIVA
importante na sua intensidade da interferência do impacto sobre
relação de o meio e em relação aos demais impactos, não
interferência com o implica na alteração da qualidade de vida.
meio ambiente e
quando comparados
com outros impactos.
Mo

moderada

Intensidade do impacto sobre o meio


ambiente e em relação aos outros impactos
assume dimensões recuperáveis. quando
adverso, ocorre uma queda na qualidade de
vida e quando benéfico, assume uma
melhoria na qualidade de vida.

Si

significativa

Intensidade da interferência do impacto


sobre o meio ambiente e junto aos demais
impactos acarreta como resposta social,
perda quando adverso ou ganho quando
benéfico, da qualidade de vida.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 91


A representação das classificações será indicada através de simbologia
destinada à valoração de atributos do impacto considerado (tabela 2, abaixo).
Tabela 2 – Simbologia de valoração.
CARATER IMPORTÂNCIA

(+) = BENÉFICO Si = SIGNIFICATIVA

(- ) = ADVERSO Mo = MODERADA

(+/-) = INDEFINIDO Ns= NÃO


SIGNIFICATIVA

MAGNITUDE DURAÇÃO

G = GRANDE L = LONGA

M = MÉDIA I = INTERMEDIÁRIA

P= PEQUENA C = CURTA

 MEIO FÍSICO
Morfologia
O principal impacto ambiental gerado será na morfologia das áreas de lavra, pois
com a lavra do minério, ocorrerá a alteração no perfil topográfico original, podendo expor
a área aos fenômenos de dinâmica superficial, como erosão e assoreamento das drenagens
naturais.
Foto – Alterações na paisagem topográfica e drenagem natural que devem ser evitadas no
planejamento da lavra.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 92


O projeto considera a lavra no sistema de bancadas escalonadas de forma
ascendente, desenvolvendo-se em níveis de produção, com o layout final projetado
contemplando a reabilitação dos taludes do bota-fora, sendo as bancadas de lavra
mantidas verticalizadas.
Recursos Hídricos
Analisando os parâmetros atuais do meio ambiente identificou-se e os seguintes
impactos que poderão ocorrer com a implantação do projeto:
Contaminação química - Os únicos agentes químicos capazes de alterar as
características químicas da água são as disposições de resíduos sólidos e líquidos (lixo,
graxas / óleos e esgotos) resultantes das operações dos equipamentos - não havendo
processamento químico no desmonte de rocha. O óleo e a graxa são imiscíveis na água,
alteram as características da cor e consequentemente da qualidade. Sua ingestão provoca
distúrbios no organismo, que a depender da concentração ingerida, pode provocar a morte
da fauna aquática e terrestre que utilizam as águas da área (inclui-se o ser humano).
Mudanças de Ph - Quanto à mudança de Ph, observa-se que o minério a ser
extraído não apresenta substâncias solúveis capazes de alcalinizar as águas, bem como
minerais, que poderiam gerar alguma acidificação.
Contaminação física por arraste de sólidos em suspensão - As fontes detectadas
que podem gerar concentração de partículas sólidas em suspensão ou tração é a erosão de

Mineração – Meio ambiente e Mineração 93


superfícies descobertas (áreas decapeadas / pátios internos e pilhas de rejeito e
armazenamento do material decapeado) e as águas utilizadas que geraram lama e/ou
polpa.
Diminuição da capacidade de infiltração e aumento do risco de escorregamentos -
Estas situações poderão ocorrer em virtude do material particulado (poeira) gerado no
processo de extração (furação) e pátios de operação (movimentação de maquinários),
aliados ao fator vento, formarem uma espécie de camada impermeável junto ao solo -
dificultando assim, a infiltração das águas superficiais que podem gerar carreamento dos
solos, podendo transportar considerável quantidade de sedimentos, causando como
impacto negativo, uma alteração no aporte das drenagens pontuais.
Salienta-se que o material sólido, gerado com as operações mineiras, pode
modificar a qualidade do meio ambiente, no entanto, é necessário ressaltar que o mesmo
não é perigoso para o ecossistema afetado, uma vez que pode ser enquadrado na norma
da ABNT NBR 10.004 como resíduo da classe III (resíduo inerte).
Normalmente as drenagens da área só mantêm água em seus leitos durante os
períodos de chuva, o qual escoa rapidamente para níveis mais baixos, exceto onde
acumula em escavações naturais originadas por erosão diferenciada.
Solos
A vegetação e solo serão os primeiros elementos a serem retirados, uma vez que
estão sotopostos ao minério e na preparação dos depósitos de materiais e pátios de
operação. A retirada do solo deverá ocorrer concomitante ao desmatamento, liberando
assim a área a ser decapeada.
A remoção do solo e vegetação terá efeitos diretos na meso e micro fauna, que
mantêm relações físicas e biológicas e dependem dos substratos fornecidos pelo solo e
pela vegetação.
Os impactos com a remoção refletirão ainda na alteração e mistura dos horizontes
do solo, modificação no perfil topográfico do terreno, alteração nas propriedades físicas,
modificação da estrutura do solo devido à degradação, aumento da compactação e da
diminuição da permeabilidade e lixiviação dos nutrientes.
A implantação da área de infra-estrutura implicará na retirada de solo e na
necessidade de construção de sistema de fossa séptica devendo ser tomado cuidados
especiais quanto à disposição final dos resíduos - risco da contaminação química do solo.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 94


Para avaliar os impactos que poderão ocorrer nos solos consideram-se, sobretudo,
as características climáticas da região, a geomorfologia, a cobertura vegetal, a
hidrogeologia, o tipo de solo e o projeto mineiro.
Dentre os impactos ambientais causados ao solo pelo projeto mineiro, os mais
relevantes são a remoção da vegetação e do próprio solo, sendo denominado de material
de decapeamento. Em segundo lugar pode-se citar a contaminação, caso ocorra
vazamentos de óleo dos maquinários, derramamento de óleo queimado, lavagem de
equipamentos e despojamento direto nos solos, e também, pela disposição indevida de
lixo. Desta forma, pode-se considerar que as causas dos impactos no solo serão a perdas
físicas (retirada da cobertura vegetal e do próprio solo) e a disposição indevida de
resíduos sólidos e líquidos (rejeito, entulhos, óleos e graxas) - trazendo como efeitos
diretos, respectivamente, a erosão / degradação / redução da capacidade de infiltração e a
contaminação química.
Em geral a espessura da cobertura de capeamento sendo pequena
(aproximadamente 40 cm), apresentando-se pouco desenvolvida com material
(fragmentos de rochas) disposta em diversas profundidades e em termos pedológicos
apresentam seqüência O e A de horizontes de solo e o horizonte B e C com material
areno-argiloso.
Atmosfera
A modificação na qualidade da atmosfera (poluição), que poderá ser causada no
projeto da mineração, será conseqüência principal da poeira (material particulado) e do
ruído a ser gerado, com alguma influência dos gases resultantes da combustão dos
motores, ocasionando geração de gases e odores, sendo considerado insignificante a
poeira e os gases com relação às denotações com explosivos industriais.
Poeira (Material Particulado) - O pó gerado pelas atividades de lavra é composto
principalmente por partículas sólidas, tendo-se como principais causas a perfuração corte
da rocha e trânsito de veículos nas áreas de servidão e secundariamente, a ação do vento
sobre superfícies descobertas como pátios de operação e de estocagem (pilhas de material
decapeado e rejeitos).
Foto – Poluição do ar por material finamente particulado.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 95


Gases - Os efluentes gasosos são resultantes da emissão de gases de combustão
dos maquinários e desmonte da rocha. Seus indicadores são as fumaças que se encontram
com certos gases, principalmente, SO2, CO2 e NO2. Salienta-se, entretanto, que a
proporção e concentração destes gases é baixa, em função do porte e número de
equipamentos e veículos locados no projeto e no volume de rocha a ser fragmentada
anualmente.
Ruídos - Os impactos negativos dos ruídos são decorrentes principalmente do
deslocamento dos equipamentos e secundariamente pela detonação das cargas de
explosivos industriais. O ruído dos maquinários é contínuo, podendo prejudicar o sistema
auditivo/nervoso dos funcionários, enquanto que a detonação das cargas explosivas são
pouco freqüentes. Os impactos sonoros são pouco significativos aos transeuntes e não
atingem as pessoas que residem nas proximidades das áreas de lavra, a aproximadamente
500 m.
Como critério de avaliação a NBR 10151 (2000) “Avaliação de Ruído em Área
Habitadas Visando o Conforto da Comunidade”, que é dada como referencia em casos de
ruído ambiental pela Resolução CONAMA nº 01 de 08 de Março de 1990.
Na etapa de Diagnóstico Ambiental devem ser executadas medidas do nível de
pressão sonora em alguns pontos pré‐selecionados de forma que caracterize-se o
parâmetro ruído na área de influência do projeto visando obter o nível de pressão sonora
existente antes da instalação. Os resultados obtidos indicarão os locais, próximos as
rodovias, habitações, etc. o nível de ruído é elevado ou não.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 96


Considera‐se que o nível de pressão sonora equivalente gerado por cada equipamento
individualmente é de 85 dB(A) medidos acerca de 5 metros de distância. O nível
depressão sonora permitido para uma área com ocupação industrial é de 70 dB(A) no
período diurno e 60 dB(A) no noturno de acordo com a NBR 10151 (2000).
Medidas do nível de pressão sonora devem ser efetuadas na área do projeto mineiro
após o inicio da operação de maneira que seja possível a verificação dos parâmetros
utilizados. Não havendo alteração as medidas devem ter a freqüência anual, durante os
dois primeiros anos de maneira que seja possível a identificação da elevação do nível de
ruído devido ao desgaste dos equipamentos. Este trabalho deve ser apresentado em forma
de laudo, atender os requisitos da norma ABNT NBR 10151 (2000).
 Hidrografia e relevo:

 Pedologia e geodinâmica:

 MEIO BIÓTICO
Fauna
O impacto à fauna será evidenciado pelo comprometimento dos seus habitats, que
causará a migração das espécies autóctones e raras. Desta forma, o ecossistema se tornará

Mineração – Meio ambiente e Mineração 97


alterado, com modificações nas cadeias tróficas e com variação da capacidade de carga
do meio, identificando-se:
- Desmatamento que culmina na destruição dos habitats;
- Ruídos e vibrações provenientes da movimentação dos equipamentos e da detonação
das cargas explosivas, que acabam por afugentar a macrofauna;
- Comprometimento do local de dessedentação da fauna terrestre por contaminação de
resíduos (como lixo, óleo, lubrificantes e graxas) dispostos em locais improvisados;
- Destruição parcial da meso e micro fauna com a remoção do solo e da cobertura vegetal
por manterem uma forte relação de dependência dos substratos fornecidos pelo solo e
pela vegetação;
- Diminuição das espécies com populações limitadas pelo incremento da caça, com o
possível aumento da população humana limítrofe a área do empreendimento, o que
poderá gerar também, a destruição de nichos ecológicos.
Vegetação
A vegetação da área a ser impactada pode estar relativamente degradada,
principalmente para fins agropastoris, identificando-se:
- A remoção da vegetação na área de lavra e servidões, com perda do banco natural de
sementes do solo, afetará a revegetação natural, pois não haverá mais sementes que
possam germinar espontaneamente, causando a diminuição da densidade de espécies
importantes no ecossistema;
- Desmatamento que causará a erosão do solo nas áreas circundantes o que facilitará a
lixiviação de nutrientes e alteração das características do solo;
- Retirada do solo, somada as emissões de poeira e ação do vento, ocasionarão resíduos
particulados na atmosfera, dificultando a evapotranspiração das folhas, diminuindo a
capacidade de infiltração da água da chuva pelo solo nas áreas.
Ecossistema
O avanço da lavra pode não irá gerar um impacto muito significativo no aspecto
do ecossistema propriamente dito. Isto porque, se na porção a ser minerada, a vegetação
poderá ser rala, a camada de solo ser delgada (dificilmente ultrapassando a ordem de 10
cm), e a população da fauna poderá deslocar-se às áreas vizinhas, que serão de proteção e
conservação ambiental (Planta de Zoneamento Ambiental - Anexo Plantas).

Mineração – Meio ambiente e Mineração 98


Mesmo assim, salienta-se que o desmatamento, os ruídos/vibrações e também, as
emissões de material particulado (principalmente) e gases, poderão modificar a qualidade
de vida da população nas áreas limítrofes.
Nas áreas de lavra e servidões poderão não ocorrer extensa e densa cobertura
vegetal, árvores de médio e grande porte (nativas), nem uma fauna diversificada (poucas
espécies), fatores estes condicionados à degradação já previamente existente,
definindo-se na Planta de Zoneamento Ambiental as áreas definidas para conservação e
proteção (Área de Conservação Ambiental - ACA e Área de Proteção Permanente -
APP), minimizando a geração de impactos negativos à flora/fauna. Desta forma,
assegura-se o desenvolvimento sustentável, mantendo-se sadio o meio ambiente no
contexto fauna e flora.
O principal impacto direto que pode ocorrer com relação à fauna, são os ruídos e
vibrações (impacto na atmosfera - sonoro), que poderá afastar algumas espécies da
região, refletindo de modo “indireto” na relação com alguns moradores da região -
dificulta a caça.
Quanto aos impactos principais sobre a vida humana, destacam-se:
- A poeira que atinge o aparelho respiratório dos operários não é perceptível em curto
prazo, isto porque o corpo humano possui defesas próprias capaz de evitar o acúmulo de
poeiras no organismo, contudo a o incremento do risco com relação aos funcionários
envolvidos nas operações de lavra, pois estarão expostos diretamente as fontes geradoras
de material particulado, seguindo em menor relevância aos transeuntes;
- Os ruídos dos maquinários envolvidos no empreendimento atingem o aparelho auditivo
de forma gradual, e, irreversível, podendo causar deficiência auditiva de forma lenta ou
rápida, a depender da proximidade e nível de ruído dos equipamentos, sendo os
transeuntes praticamente são pouco afetados.
Recomenda-se o controle do material particulado (poeira) por umectação das
áreas de servidão como forma coletiva, minimizando a quantidade de material particulado
no setor operacional, corrigindo o efeito bloqueador das partículas em suspensão na
evapotranspiração das folhas. A utilização de equipamentos de proteção individual (EPI)
por parte dos funcionários terá ação de forma individual com relação ao material
particulado e aos ruídos/vibrações.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 99


 Vegetação e manguezal.

 Fauna

 MEIO ANTRÓPICO
A população residente nas proximidades da área do projeto caso for pequena com
distancia mínima de 500 m, com residências de pequeno porte, raramente com poço
próprio para obtenção d’água, em geral, utilizam-se de cacimbas ou coletam água em
épocas de chuva ou utilizam poços comunitários.
Desta forma, os impactos que modificam a qualidade atmosférica (ruídos -
equipamento / maquinário / furação - emissão de poeira e gases) não serão tão
expressivos, sendo que, adotando-se as medidas de controle ambiental programada e,
considerando-se a geração de empregos diretos e indiretos para a população e a
movimentação de recursos na região, tais impactos serão desprezíveis.
Uma vez que não detectados impactos adversos diretos na população local, as
medidas mitigadoras deverão ser direcionadas para os riscos induzidos, que poderão
atingir os operários locados no projeto e transeuntes nas áreas limítrofes.
Nível de Empregos e Nível de Vida

Mineração – Meio ambiente e Mineração 100


A atividade econômica do município poderá ser pouco diversificada, sendo
distribuída nas áreas da produção agrícola, pecuária e no comércio varejista.
Nas áreas limítrofes ao projeto caso a maioria das famílias se ocupar de atividades
relacionadas ao cultivo de subsistência, e pequenas criações de animais (suínos, bovinos,
caprinos e galináceos), e terá de forma direta e indireta com a implantação do projeto,
fonte complementar para a renda familiar, ou seja, do ponto de vista da população
residente nas localidades próximas ao empreendimento mineiro, à atividade deverá ser de
grande importância. Fatores como a falta de recursos públicos, projetos governamentais
de incentivo ao desenvolvimento do setor agropecuário, ampliam a carência na população
local, oferecendo, o setor mineiro na região, alternativa de emprego, principalmente no
período de maior estiagem. O aumento da circulação de renda que o empreendimento
gerará, poderá evitar o êxodo da população local, que migra para os centros
desenvolvidos, buscando trabalhos temporários.
Desta forma, a implantação do projeto no contexto da economia local e do
município, provocará impacto positivo de significativa importância, através da oferta de
empregos, aumento da arrecadação de impostos e tributos, pagamento de royaltes e
circulação de divisas no comercio varejista.
Valores Paisagísticos
Com a implantação do projeto, o impacto visual se tornará evidente nas áreas de
lavra, devido à retirada da cobertura vegetal, solo, material de capeamento e
principalmente pela extração de minério, alterando a superfície topográfica.
O desenvolvimento da lavra e conseqüentemente a modificação da paisagem,
ocorrerá alteração no habitat natural, porém não irá gerar impacto significativo com
relação ao ecossistema propriamente dito, pois a população da fauna das áreas de lavra
poderá deslocar-se às áreas vizinhas de conservação e proteção.
O planejamento racional para implantação, operação e abandono da lavra, visando
o aproveitamento racional do recurso natural minimizará o impacto visual inerente ao
processo de extração.
Por outro lado a reabilitação das áreas degradadas deverá provocar um aumento
qualitativo na paisagem local, pois se a Prefeitura Municipal não possuir aterro sanitário
para resíduos sólidos, sendo estes depositados na forma de lixões em vários pontos do
município, impactando os ecossistemas limítrofes com relação ao impacto visual e

Mineração – Meio ambiente e Mineração 101


potencializando a possibilidade de transmissão de variadas enfermidades através dos
vetores correlacionados.

 Lixão da cidade e área plantada na região do projeto.

 Aspectos gerais (casas e saúde)

20.1.2 - Avaliação dos Impactos Ambientais


As atividades envolvidas no desenvolvimento de projetos de mineração geram
impactos no meio ambiente (seja negativo ou positivo, respectivamente prejudicial ou
benéfico), porém, a sociedade necessita dos bens minerais para sobrevivência e conforto,
desta forma, é fundamental a utilização dos recursos naturais de modo consciente,
analisando-se o ecossistema e o projeto, avaliando as consequências relacionadas,
desenvolvendo técnicas ambientalmente sadias para sanar os riscos inerentes à
implantação dos empreendimentos mineiros.
Se área do projeto mineiro encontra-se degradada com relação à fauna e flora, isto
é, não se observa grandes áreas de vegetação nativa e a fauna que nela habitava, também

Mineração – Meio ambiente e Mineração 102


está bem reduzida, em função da extração de madeira para utilização de lenha e carvão e
desenvolvimento de atividades agropastoris, sem o planejamento adequado com relação à
reestruturação das áreas impactadas.
Geralmente são apresentadas tabelas que indicam as relações dos principais
impactos e seus respectivos indicadores, as possíveis alterações ambientais com as
atividades da mineração, às causas e os efeitos dos mesmos, sendo considerado obras
civis – Construção de acessos, sistema de drenagem e edificações civis. Desta forma
procurando esclarecer à sociedade, aos órgãos públicos e ao minerador, os impactos que a
atividade poderá causar no meio ambiente.
A avaliação setorial dos componentes é realizada considerando-se os
parâmetros do projeto de lavra, analisando-se, sem o gerenciamento ambiental, a
implantação do gerenciamento ambiental e a valorização do projeto somado ao
gerenciamento ambiental. Analisando os dados apresentados nas tabelas várias
conclusões são realizadas como por exemplo: constata-se que os efeitos adversos estão
concentrados no meio físico e biótico, enquanto os impactos benéficos predominam no
meio sócio econômico. A implantação do gerenciamento ambiental (Controle,
Recuperação e Monitoramento) neutraliza e/ou minimiza os impactos adversos gerados
pelo projeto e corroborando para a tomada de decisão positiva quanto à implementação
do empreendimento.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 103


20.1.3 - Medidas Mitigadoras e Avaliação Qualitativa

No desenvolvimento do projeto será necessário o estabelecimento de ações


e atividades visando à prevenção e mitigação dos impactos negativos e à maximização
dos impactos positivos programados com a implantação do empreendimento mineiro.

O Gerenciamento Ambiental define e coordenar o conjunto de princípios,


normas, tarefas e seus executores que têm por fim a implantação das ações/atividades
previstas pelo PCIAM.

O Monitoramento Ambiental corresponde ao acompanhamento da


evolução da implementação das medidas preconizadas no PCIAM, avaliando,
periodicamente, seus efeitos/resultados e propondo, quando necessário, alterações,
complementações e/ou novas ações e atividades ao plano original.

As principais medidas mitigadoras, necessárias para a minimização dos


impactos adversos, são apresentadas considerando o meio físico, biótico e antrópico.

Exemplo de medidas mitigadoras:

Mineração – Meio ambiente e Mineração 104


FATOR IMPACTO CAUSA EFEITO INDICADORES MEDIDAS DE
AMBIENTAL CONTROLE

PAISAGEM - Impacto visual - Desmatamento - Alteração das- Eliminação total ou- Remodelar o terreno com vistas a
- Mudança do- Abertura de frentepropriedades parcial da morfologiaintegração paisagística com as
relevo de lavra visuais (forma,natural áreas circunvizinhas
- Disposição delinha, cor textura) - Plantio de árvores (cortina verde)
Rejeitos - Eliminação de - Uso de tecnologia adequada
- Acessos elementos nativos visando minimizar danos ambientais
- Pistas - Indução de
- Rampas elementos estranhos

ATMOSFERA - Alteração da- Perfuração da rocha - Poluição- Aumento de sólidos- Manutenção/regulagem das
qualidade do ar - Detonação deatmosférica em suspensão (poeira) máquinas.
- Ruído explosivos - Poluição sonora - Fumaça e gases em- Uso de equipamento individual de
- Emissão de gases - Mudança nosuspensão segurança
- Uso decomportamento - Aumento no nível doPlantio de árvores (cortina verde)
equipamentos de da fauna ruído - Controle na fonte geradora da
lavra e tráfego de- Diminuição do- Aumento do númeroemissão
máquinas e veículos efetivo faunístico de acidentes - Uso de água em forma de
- Aumento de doença aspersão na redução da emissão de
auditiva, e poeira.
psicológica
- riscos de acidentes

 Meio Físico
Morfologia
A lavra será desenvolvida em área de geomorfologia relativamente plana desta
forma haverá o impacto com relação ao contexto morfológico, pois com o
desenvolvimento da lavra, a geometria e o volume serão alterados de maneira
irreversíveis. O desenvolvimento das operações como definido no projeto com relação à
geometria das bancadas, minimizará o impacto visual e maximizará a segurança das
operações, sendo programado para controle ambiental:

Mineração – Meio ambiente e Mineração 105


- A direção das operações de lavra deverá ser realizada por técnico legalmente
habilitado, que deverá realizar o acompanhamento e monitoramento do avanço das
frentes de lavra e das áreas de servidão, minimizando o desenvolvimento desnecessário
de áreas e os impactos inerentes;
- A reabilitação das áreas de servidão e infra-estrutura, através do nivelamento,
adequação dos perfis e revegetação, minimizará o impacto visual quando da exaustão das
áreas de lavra.
Avaliação Qualitativa: Adotando-se as medidas de controle ambientais
programadas, os impactos ambientais adversos serão minimizados, sendo, portanto
admissíveis, em função da localização geográfica da área.
Recursos Hídricos
As medidas de controle para evitar que a qualidade da água seja alterada devem
atentar-se para conter os sólidos em suspensão, bem como para o armazenamento correto
dos resíduos sólidos e líquidos. Para tanto programa-se as seguintes medidas:
- Construção do sistema de drenagem, composto de canaletas de drenagem principal e
secundária, dissipadores de energia e caixas de sedimentação, para as áreas de lavra e
servidão (depósitos de materiais, pátios de operações, acessos);
- Delimitação e proteção das Áreas de Proteção Permanente (APP) das drenagens da área,
evitando que ocorra erosão nas suas margens. Cumprindo estas recomendações, a água
superficial ou pluvial poderá escoar naturalmente, com pouco e/ou desprezível arraste de
partículas, dispersando-se em campos de vegetação (que retém boa parte do material em
suspensão); não atingindo deste modo, a drenagem (evitando conseqüências como
assoreamento/ inundações e alteração da cor da água);
- Para evitar a contaminação química das águas superficiais e subterrâneas o melhor que
se tem a fazer é a prevenção. Cuidado nas operações com efluentes químicos (óleos e
graxas), armazenamento e transporte dos resíduos sólidos e líquidos para empresas de
reciclagem e/ou locais que apresentem aterros sanitários, manutenção freqüente dos
equipamentos para evitar vazamentos. Monitoramento e manutenção da fossa séptica e
utilização de banheiro químico na área de lavra.
Avaliação Qualitativa: Conclui-se que, identificados os focos de poluição (causa
dos impactos, indicadores e efeitos) e adotadas as medidas de controle ambiental
mencionadas, os impactos que o empreendimento mineiro poderá causar nas águas

Mineração – Meio ambiente e Mineração 106


superficiais e subterrâneas, serão anulados (neutros), ressaltando que as drenagens da área
não são perenes, ocorrendo fluxo d’água somente nos períodos de maior pluviosidade.
Solos
A minimização e correção dos impactos com relação aos solos da área serão
ampliadas com a adoção das medidas de controle ambiental programadas:
- O capeamento deverá ser armazenado para reutilização na reabilitação das áreas
degradadas, bem como, utilizado como lastro para a implantação da vegetação ao redor
da área de lavra;
- A retirada da cobertura vegetal e do solo, que dá sustentabilidade a cobertura, dar-se-á
no decorrer do avanço da frente de lavra de maneira gradual, desenvolvendo-se áreas de
acordo com o cronograma de implantação, com intervalo anual de produção, armazenar
nos pátios de estocagem definidos e utilizado diretamente no plantio da vegetação ao
redor das áreas de lavra e nas vias de acesso;
- Reflorestar e/ ou promover o plantio de árvores exóticas e gramíneas nas áreas
circundantes à lavra (recuperar a capacidade de retenção e infiltração da água, evitando a
erosão e degradação no solo);
- Criação de cercas vivas para separar as ambiências da lavra, pátios e depósitos,
minimizando os impactos negativos da lavra;
- A contaminação química dos solos poderá ser evitada tomando medidas de segurança
preventiva, aliada a conscientização de pessoal envolvido nas atividades mineiras.
Avaliação Qualitativa: Conclui-se que, mesmo que sejam adotadas todas as
medidas de controle ambiental sugeridas para minimizar os impactos sobre os solos,
ainda assim, não se poderá evitar a perda deste material (não se consegue a reposição
deste material na íntegra), ocorrendo perdas na remoção, transporte, armazenamento e
reposição. Portanto, considera-se que os impactos negativos nos solos ocorrerão, em
maior ou menor intensidade (impacto pouco expressivo/admissível), se implementado as
medidas programadas.
FOTO – Revegetação implantada com herbáceas (gramíneas) em talude de via de circulação interna.
Mineração de areia Viterbo Machado Luz, São Paulo.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 107


Atmosfera
A modificação na qualidade atmosférica (poluição) será conseqüência do material
particulado (poeira) e ruídos/vibrações gerados, com pouca influência dos gases
resultantes da combustão dos motores de combustão e detonação das cargas explosivas
(se houver), ocasionando a geração de gases e odores. O grau ou nível de poluição do ar e
deposição de partículas sólidas sobre os recursos ambientais está condicionado às
condições climáticas da região - períodos de seca, chuva e incidência de ventos, deste
modo programa-se a adoção das seguintes medidas de controle ambiental:
- No caso do material particulado será necessário à umectação, utilizando caminhão pipa,
das vias de acesso, do pátio de operações e depósitos de materiais, evitando-se a emissão
de poeira nas áreas de servidão, atuando como forma de controle coletiva, sendo que, em
função dos fatores climáticos da região, apresentado dois períodos - estação seca e
estação chuvosa, prevendo-se a freqüência mínima para umectação de 01 (uma) vez ao
dia nos períodos de chuva e 03 (três) vezes ao dia nos períodos de estiagem, devendo o
caminhão-pipa se deslocar de modo lento em toda a extensão e largura nas vias de acesso
e pátios e depósitos, umedecendo a camada superficial das áreas, sendo a freqüência
ampliada não obtendo-se os resultados programados;
- A emissão e concentração dos gases gerados (sobretudo CO e NOx) são baixas,
podendo ser considerados desprezíveis em função das operações serem desenvolvidas em
áreas abertas de ampla dispersão e dissipação, não ocorrendo concentração expressiva, a
ponto de ser nocivo ao meio ambiente. Para minimizar os impactos a manutenção

Mineração – Meio ambiente e Mineração 108


preventiva dos equipamentos deverá ser realizada conforme a programação indicada
pelos fabricantes e os desmontes de rocha realizados de forma regular e espaçada, com
monitoramento da razão de carga;
- Os ruídos e vibrações acústicas podem ser minimizados com o desenvolvimento de
cortina vegetal circundando as áreas de lavra e servidões (cinturão verde). A manutenção
preventiva e corretiva dos equipamentos e veículos auxiliará na redução de ruídos
contínuos.
- A utilização por parte dos funcionários envolvidos diretamente nas operações de lavra
de equipamento de proteção individual (EPI), mascara anti-pó e protetor auricular, terá
efeito individual e pontual como medida de controle.
Avaliação Qualitativa: Adotando-se as medidas de controle programadas e aplicando-se a
legislação ambiental e as normas de segurança e medicina do trabalho, os impactos
ambientais adversos serão minimizados, sendo considerados admissíveis.
FOTO - Barreira vegetal em linha única composta de eucaliptos, instalada entre a via de
circulação interna e a pilha de estocagem do produto. Pedreira Mariutti, Itapecerica da Serra.

 Meio Biótico
Fauna
Na região existe ocorrência de varias espécies faunística, não refletindo uma
situação pontual, havendo áreas próximas à do projeto também diversificadas no ponto de
vista faunístico, que poderão servir como refúgios para a fauna, desde que sejam tomadas
às medidas de proteção e preservação deste habitat. Os impactos sobre a fauna poderão
ser minimizados com a adoção das medidas de controle ambiental programadas:

Mineração – Meio ambiente e Mineração 109


- Desmatamento gradual, permitindo que os animais migrem para áreas não impactadas,
através de corredores de vegetação que atuarão como zonas de conservação e proteção,
com o deslocamento das espécies autóctones na procura de água e alimentos;
- A manutenção e regulagem dos equipamentos e o condicionamento acústico através de
reflorestamento circundando as frentes de lavra e de servidão, irão mitigar os impactos
que irão colaborar no aumento do “stress” das espécies faunísticas (ruídos e as
vibrações);
- A construção do sistema de drenagem, deposição adequada dos resíduos e outras
medidas de saneamento básico, evitarão a contaminação das águas subterrâneas e
superficiais, não comprometendo a biota aquática e locais de dessedentação da fauna
terrestre.
Avaliação Qualitativa: Os impactos na fauna são sempre significativos no contexto da
extração mineral em lavra a céu aberto. Todavia, adotando-se as medidas de
controle ambiental sugeridas acima, pode-se de forma qualitativa, avaliar os
impactos como admissíveis.
FOTO - Bota-fora com revegetação das bermas com gramíneas. Pedreira Embu, Embu-SP.

Flora
Os impactos na vegetação serão minimizados através do desenvolvimento das
medidas programadas:
- Reconstituição das condições naturais ou de condições alternativas que permitam a
instalação das espécies florísticas que serão impactadas;

Mineração – Meio ambiente e Mineração 110


- Revegetação das áreas degradadas, através da seleção de espécies exóticas e/ou
autóctones de rápido crescimento e por espécies autóctones de diversos nichos
ecológicos, restabelecendo as funções mecânicas, hidrológicas e microclimáticas, assim
corno a estrutura ecológica da comunidade;
- Introdução de espécies autóctones pioneiras para reforçada a instalação da flora e
progressivamente, pela colonização de espécies secundárias e climáticas;
- A recuperação da vegetação deverá ser praticada através da semeadura direta (em covas
ou a lanço), plantio de estruturas vegetais (como bulbos, rizomas ou estacas), plantio de
mudas (produção em viveiros ou em coletas de campo) e regeneração natural (brotamento
ou chuva de sementes);
- O desmatamento gradual irá amenizar a erosão do solo devido à retirada da cobertura
vegetal, permitindo menor lixiviamento de sedimentos para as áreas limítrofes;
- Controle do material particulado através da umectação das vias de acesso e áreas de
servidão, minimizando a poeira no setor operacional, corrigindo o efeito bloqueador das
partículas, em particular na evapotranspiração das folhas.
Avaliação Qualitativa: Os impactos na vegetação são sempre significativos no
contexto da extração mineral em lavra a céu aberto, porém adotando-se as medidas de
controle ambiental recomendadas e desenvolvendo a revegetação das Áreas de Proteção
Permanente (APP) e o desenvolvimento de cortinas vegetais como medidas
compensatórias, irão de forma qualitativa, avaliar os impactos como admissíveis.
Ecossistema
Nos projetos de mineração os impactos no ecossistema são sempre significativos e
no presente caso pontuais. Todavia, adotando-se as medidas de controle ambiental
programadas e revegetando as Áreas de Proteção Permanente (APP) como medida
compensatória, pode-se avaliar os impactos como admissíveis.

FOTO - Revegetação da superfície de topo da pilha de bota-fora, com o plantio direto de mudas
de espécies arbóreas nativas e exóticas, mas sem colocação de solo superficial. Pedreira
Itapiserra, Itapecerica da Serra- SP.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 111


 Meio Antrópico
Nível de Emprego e Nível de Renda
As medidas mitigadoras recaem nas ações maximadoras e nos programas e planos
de proteção ambiental, já que o ser humano está inserido no contexto do ecossistema e
necessita dos recursos naturais para sobrevivência e conforto.
Os benefícios sócio-econômicos justificam o desenvolvimento do
empreendimento. Assim, o aumento do nível de empregos gerará impacto positivo nas
comunidades circunvizinhas, valorizando as pequenas propriedades (royaltes), além de
aumentar a arrecadação para o Estado e Município. O programa de monitoramento
ambiental contribuiria para formação de uma consciência ecológica nas pessoas
envolvidas direta e indiretamente com o empreendimento.
Avaliação Qualitativa: Os impactos no meio são positivos e muito significativos
neste tipo de empreendimento. Com a adoção das medidas de controle ambiental
sugeridas, incluindo a reabilitação das APP e ACA, pode-se, de forma qualitativa, avaliar
os impactos como positivos e muito significativos.
Valores Paisagísticos
Durante a implementação do empreendimento deverão ser adotadas diversas medidas
de controle dos impactos visuais:
- Dissimulação das operações por meio de barreiras vegetais;
- Seleção e a redução do desmatamento no traçado das vias de acesso interno, de
forma a reduzir o impacto visual;

Mineração – Meio ambiente e Mineração 112


- Reflorestamento com espécies nativas e/ou exóticas (principalmente frutíferas) das
APP e ACA para fins ornamentais e de lazer.
Avaliação Qualitativa: Os impactos na paisagem são sempre significativos no
contexto da extração mineral em lavra a céu aberto. Todavia, adotando-se as medidas de
controle ambiental, sugeridas acima, diminuir-se-á consideravelmente a degradação do
meio, podendo-se de forma qualitativa, avaliar os impactos como admissíveis.

20.2 - PROGRAMAS DE MONITORAMENTO AMBIENTAL


Conforme a análise dos diversos impactos esperados com a implantação e
operação do projeto serão necessárias medidas visando à mitigação da absorção de
impactos negativos e a maximização dos impactos benéficos.
O programa de monitoramento ambiental objetiva o desenvolvimento de medidas
visando mitigar e/ou compensarem os impactos ambientais adversos inerentes ao projeto,
além de programar ações com a finalidade de maximizar os impactos positivos.
O minerador deverá atender as diretrizes das legislações mineral, ambiental, de
segurança e medicina do trabalho em vigor, bem como inserir os funcionários em
programas de qualidade total e educação ambiental, facilitando as ações programadas no
projeto.
Os programas que deverão ser implantados durante o desenvolvimento do projeto,
serão:
 Educação Ambiental
A grande maioria dos funcionários e moradores residentes nas localidades
próximas da área do projeto possui baixo nível educacional, devido à precária situação do
setor educacional da região, além da necessidade de utilização da mão de obra infantil
como complemento orçamentário das famílias. A educação ambiental surge como
estratégia para adoção de medidas compensatórias e de controle ambiental.
A importância de um trabalho integrado com a comunidade local criará subsídios
eficazes para o desenvolvimento da região, seja como incentivando o manejo adequado
dos recursos naturais ou contribuindo para melhorar qualitativamente o nível de vida,
através da reflexão, discussão e finalmente tomada de iniciativa com relação às questões
ambientais.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 113


As ações do programa de educação ambiental deverão ser realizadas envolvendo
todos os segmentos afetados diretamente pelo projeto e constará, de no mínimo três
etapas:
1o Etapa: Produção de Material Educativo e de Divulgação - Este
material objetiva gerar subsídios à comunidade envolvida, para que possam avaliar a
importância da extração dos recursos minerais para produção de bens de consumo como
as rochas ornamentais. Deverá constar de técnicas visuais e linguagem adequada à
realidade local.
2o Etapa: Capacitação de Recursos Humanos - Através de cursos de
educação ambiental ministrados por especialistas na área e destinados a lideranças
comunitárias, técnicos, educadores e moradores da região. O método objetiva a
identificação de problemas para a definição de ações visando à exploração dos bens
minerais, estabelecimento de uma política permanente de conscientização da população e
a divulgação da tecnologia de exploração das áreas de lavra.
Figura - Programa de Capacitação Profissional

3o Etapa: Campanhas de Conscientização - Nesta etapa deverá ser


realizado intercâmbio com a comunidade local, objetivando integrá-la aos processos do
projeto e enfocando a necessidade de consumo dos bens naturais e a importância da
preservação desses recursos. Estas campanhas deverão propor educação ambiental nas
escolas, órgãos de classe, sindicatos dentre outros, enfocando a relação benefício
econômico versos custos ambientais. A produção de material educativo e de divulgação
referente às atividades mineiras, é fundamental tanto para segurança de transeuntes como
para se criar uma consciência ambiental.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 114


 Monitoramento Ambiental
O Monitoramento Ambiental, correspondente à evolução da implementação das
medidas programadas no projeto, avaliando, periodicamente, seus efeitos/resultados e
propondo, quando necessário, alterações, complementações e/ou novas ações e atividades
ao projeto original, estabelecendo de forma contínua a avaliação e o controle, dos
impactos ambientais efetivos inerentes aos processos definidos e, sobretudo visa por em
prática as ações diretas para um efetivo equilíbrio ambiental.
Esta atividade deverá ser realizada pelo técnico legalmente habilitado pelas
operações do projeto, responsável pela elaboração de relatórios periódicos de avaliação e
fiscalização dos órgãos competentes.
• Retirada, Armazenamento e Monitoramento do Solo
Procedimentos para a retirada, o armazenamento e a reposição, visando à
racionalização e perdas do solo:
a) Retirada: O processo deverá ser realizado de forma sistemática e em duas etapas -
retira-se a cobertura vegetal e a camada de solo que dá sustentabilidade a mesma
(material mais escuro - denominado de húmus), para posteriormente remover o
capeamento;
b) Armazenamento: Estocagem dos materiais dos locais pré-definidos, na forma de
pilhas, como projetado, sendo a vegetação utilizada para cobertura do depósito de solo.
c) Reposição (ou reimplantação): O processo de reimplantação será desenvolvido de
forma oposta a de retirada, isto é, deve-se recolocar primeiramente o material de
capeamento, sem matéria orgânica (húmus), para que sobre este seja reposto o solo fértil
(material de coloração marrom escura) e posteriormente promover a readequação vegetal
da área.
Notas:
1) Na reabilitação das áreas degradadas planas, através da revegetação far-se-á necessária
a abertura de cavas para o plantio de mudas (de preferência espécies pioneiras) com terra
orgânica e adubo, sendo que, caso seja adotado a hidrossemeadura, o preparo preliminar
consistirá no revolvimento da superfície do terreno para receber as sementes.
2) O volume de solo a ser removido será mínimo, de acordo com as ações programadas
no projeto, maximizando as perdas através da prevenção e acompanhamento técnico das

Mineração – Meio ambiente e Mineração 115


operações mineiras (monitoramento das medidas de controle ambiental). Minimizando os
custos de reabilitação das áreas degradadas.
• Destino dos Resíduos (Sólido / Líquido / Gasoso)
Procedimentos sobre o destino dos resíduos a serem gerados pelo
empreendimento:
- Papéis e plásticos - Referem-se aos materiais de embalagens de insumos de resíduos
relativamente baixos, devendo ser armazenados em caixas de papelão e/ou sacos plásticos
e mensalmente enviados à sede do município mais próximo ao empreendimento para
destino adequado.
- Resíduos Químicos - Os produtos químicos utilizados trata-se de óleos lubrificantes,
graxas e combustíveis para o acionamento dos motores a combustão e lubrificação dos
equipamentos e veículos. Esses produtos, após o uso (óleo queimado), nas trocas
programadas, devem ser armazenados em tambores plásticos e posteriormente
comercializados com empresas especializadas da região do empreendimento. A empresa
deverá realizar com a manutenção preventiva dos equipamentos, evitando vazamentos e
consumo exagerados, não despejando sob hipótese alguma os resíduos na atmosfera, solo
e cursos d’água. As embalagens de pequeno volume (óleos lubrificantes e hidráulicos)
deverão ser devidamente acondicionadas em sacos plásticos e posteriormente enviadas à
sede do Município mais próximo para destino adequado. Ressalta-se que, em nenhuma
hipótese os óleos utilizados poderão ser despejados em cavas, drenagens ou no solo.
- Resíduos Sanitários - Estes são resultantes dos banheiros e refeitório que serão
destinados à fossa séptica instalada, atentando-se para a manutenção da fossa, através do
monitoramento do nível de dejetos e, quando da necessidade de descarte, contratar uma
empresa capacitada e de bom conceito no mercado. E imprescindível procurar saber da
empresa contratada qual será o destino final do resíduo e se a mesma toma os devidos
cuidados para com o meio ambiente Salienta-se que o destino final dos resíduos sanitários
deve ser aterros sanitários e não despejá-los aleatoriamente em acostamentos de estradas
ou rios/riachos e mananciais de água.
- Gases - São gerados no dia a dia na queima de combustíveis pelos motores de
combustão. Para minimizar a emissão dos gases dos veículos a empresa deverá manter
programa de manutenção preventiva, evitando desta forma o mau funcionamento dos
motores, e conseqüentemente, emissão elevada de gases.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 116


- Drenagem: Conforme a ampliação das áreas de lavra, dos depósitos e pátios, será
realizado a ampliação do sistema de drenagem, através de canaletas de drenagem e caixas
de sedimentação, para escoamento, quebra da energia d’água e retenção do material em
suspensão. Desta forma, a água escoará sem arraste de material e com pouca energia de
transporte, espraiando-se suavemente pelas áreas definidas, merecendo atenção especial,
os depósitos de material do decapeamento, pois estes ficarão expostos diretamente ás
intempéries, sobretudo chuvas e ventos, que poderão transportar as partículas sólidas para
a rede de drenagem da área tomando-se passível de modificar a qualidade das águas da
região e até mesmo, provocar assoreamento. Para tanto, deverão ser construídas caneletas
em torno do pátio, sendo as águas transferidas para as caixas de sedimentação a fim de
reter os materiais em suspensão carreados principalmente pelas águas em época de
chuvas.
FOTO - Tanque de sedimentação construído a jusante do sistema de drenagem da área da
mineração, exibindo notável acúmulo de sedimentos. Pedreira Alvenaria, Mairiporã.

• Segurança e Saúde do trabalhador


Deverão ser tornadas atitudes por parte da empresa visando à segurança dos
funcionários, transeuntes e equipamentos, com o objetivo principal voltado à prevenção
de acidentes, devendo atender ao máximo as seguintes recomendações:
- Todo o pessoal envolvido nas operações de lavra deverá portar os EPI’s (Equipamentos
de Proteção Individual) específicos: botas, luvas, capacetes, óculos e máscaras anti-pó,

Mineração – Meio ambiente e Mineração 117


protetores auriculares e/ou abafador de ruídos, que serão fornecidos gratuitamente pela
empresa sem ônus para o operário;
- A empresa deve ter caixa com utensílios de primeiro socorros, contendo analgésicos,
mercúrio, água oxigenada, gases, faixas, ataduras, dentre outros, na condição de
proporcionar atendimento às pequenas escoriações e até mesmo minimizar situações de
maior gravidade. Faz-se necessário também, que os funcionários sejam instruídos (pelo
menos duas pessoas) para prestar os primeiros socorros em casos de emergência;
- Riscos de deslizamento e erosão - A erosão é conseqüência, principalmente, da
descaracterização da área pela remoção da cobertura vegetal (decapagem), sendo o efeito
mais notório o carreamento de solos e blocos de rocha soltos, durante os períodos de
chuva. A erosão e o deslizamento serão fenômenos (em outros casos poderá ocorrer
problemas pela erosão superficial) de pouca expressão, em função de que a cobertura de
estéril é pequena e localizada. Os controles de estabilidade dos maciços são de
fundamental importância para a empresa, a fim de evitar acidentes com o corpo de
funcionários, equipamentos, interrupções de produção. Assim, para a estabilidade da
encosta, o risco maior é o de deslizamento e para ser evitado é necessário decapear
somente a área que se pretende lavrar anualmente;
- Sinalização visual - Na área de explotação e vias de acesso à empresa deverá instalar em
locais de fácil visualização, as placas de sinalização e indicação, visando à informação,
alerta e informação aos funcionários e transeuntes.
Num Plano de Aproveitamento Econômico (PAE), os aspectos relacionados à
segurança são devidamente detalhados no Plano de Gerenciamento de Risco e Medidas
de Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho.
• Disposição dos Materiais
As áreas projetadas para depósito de materiais serão:
• Pátio de Operações: Destinada à estocagem dos blocos comercializáveis.
• Depósito Solo Fértil e Cobertura Vegetal: Destinada à estocagem da
camada fértil do solo e o material do horizonte O e A e restos de vegetação
- material de desmatamento;
• Depósito de Capeamento: Estocagem de material areno-argiloso, em
termos pedológicos corresponde aos horizontes B e C;
• Bota-Fora: Destinada aos fragmentos de rocha, oriundos da limpeza da

Mineração – Meio ambiente e Mineração 118


frente de lavra e minério sem padrão comercial.
Na área de estocagem o minério armazenado deverá ser transportado para o
mercado consumidor, desta forma, não ocorrerão impactos relevantes com relação à
poluição.
O solo fértil e a cobertura vegetal deverão ser utilizados para recuperação das
áreas degradada e para revegetação das Áreas de Conservação Ambiental. O material
areno-argiloso será utilizado para conservação dos acessos e posteriormente utilizado
na recuperação das áreas degradadas.
A remoção do material estéril deverá ser executada concomitante ao
desenvolvimento da lavra, seguindo-se o layout do projetado.
A distribuição do capeamento, nos locais indicados, deverá ser realizada
obedecendo às normas de empilhamento de material inconsolidado, com a utilização
de equipamento específico (carregadeira frontal) para espalhar o material proveniente
das áreas utilizadas, à medida que o mesmo for sendo depositado, visando diminuir o
volume, com a redução do empolamento, sendo o topo do depósito constantemente
terraplanado, formando rampa com suave inclinação;
Os depósitos de bota-fora não apresentarão perigo potencial para o ecossistema
afetado, visto que podem ser enquadrados na norma da ABNT - NBR 10.003, como
resíduo da classe 1111 (resíduo inerte).
• Drenagem e Fatores Erosivos
O desenvolvimento do projeto será impactante às drenagens, por exigir
desmatamento e remoção de solos, além de gerar rejeitos, favorecendo a erosão e
assoreamento das drenagens. Desta forma a empresa deverá desenvolver sistema de
canaletas de drenagem eficiente, as quais deverão ser direcionadas para caixas de
sedimentação, sendo as águas posteriormente lançadas nas áreas definidas - gradiente
topográfico baixo, com percentual de partículas sólidas minimizado. Deverá ser
executada a limpeza dos tanques de sedimentação e dos pontos de descarga
sistematicamente, a fim de otimizar o rendimento do sistema, antes e após o período
de chuvas, sendo o material também utilizado para recuperação das vias de acesso
internos e externos.
• Proteção à Poluição Atmosférica

Mineração – Meio ambiente e Mineração 119


A poluição sonora e por material particulado, pode ser apenas amenizada e não
evitada, afetando principalmente, os operários envolvidos diretamente nas operações
do projeto. Visando atenuar este impacto de forma coletiva, deverá ser realizado a
umectação das áreas de servidão e de forma individual, a empresa deverá fornecer,
sem exceção, aos operários protetores auriculares, mascará anti-pó e óculos com
proteção UVA e UVB.
Normalmente os conflitos sociais configuram-se nos impactos mais sérios para a
região onde está situado o empreendimento, decorrentes dos transtornos causados às
populações fixadas próximas as áreas de lavra. A densidade populacional localizada na
área limítrofe ao empreendimento, é importante mensurar (alta ou pequena), e as
habitações mais próximas distam de poucos ou vários metros da fonte poluidora,
afetando ou não a rotina dos moradores.
Cabe ao empregador, no que diz respeito aos operários com vinculo empregatício
na empresa, fazer cumprir as normas regulamentadoras (NR/MTE) de segurança e
medicina do trabalho e emprego, e ao empregado observar estas normas e colaborar
com a empresa na aplicação destas. Devendo o tempo de exposição aos níveis de
ruídos não excederem aos limites de tolerância fixada, e os operários submeterem-se
obrigatoriamente aos exames médicos previstos no PROGRAMA DE CONTROLE
MÉDICO DE SAÚDE OCUPACIONAL-PCMSO previsto na NR-07 do MTE.

20.3 - CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO DO PCIAM


Considerando-se os aspectos geológicos do jazimento e geomorfológico da área,
bem como o método de lavra a ser desenvolvido, o volume de material extraído é
superior ao volume de material remanejado (estéril e solo fértil / vegetação), e ciente
de que a reabilitação dos blocos de lavra ocorrerá após a exaustão das áreas de lavra,
será estabelecido o cronograma de controle ambiental.
Todavia, tendo-se concluído que a revegetação das APP e ACA visa compensar o
passivo ambiental gerado, devem-se realizar a reabilitação dessas áreas, concomitante
as operações de lavra.
Outro item a ser observado desde o início das atividades mineiras é a correta
estocagem dos materiais resultante do desmatamento e decapeamento nos locais

Mineração – Meio ambiente e Mineração 120


estabelecidos na Planta de Servidões, bem como sua reutilização nas ações
mitigadoras de revegetação e outras ações definidas.

Cronograma - Implantação das medidas de controle ambiental.


MEDIDAS MITIGADORAS TRI 1 TRI 2 TRI 3 TRI 4

Desmatamento Planejado

Remoção e Estocagem do Solo + Vegetação

Remoção e Estocagem do Estéril

Manutenção dos Acessos

Manutenção do Sistema de Drenagem

Ampliação do Sistema de Drenagem

Manutenção das Placas de Sinalização

Monitoramento da área de infra-estrutura

Monitoramento do Plano de Lavra

Controle da Erosão

Controle de Material Particulado

Plantio de Mudas

Preservação da Vegetação (APP)

Destino dos Resíduos (Sólido, Líquido e Gasoso)

Manutenção dos equipamentos

Segurança (impacto sobre a vida humana)

Gerenciamento Ambiental

21-Conclusões

A poluição visual é o primeiro efeito visível da mineração ao meio


ambiente. Grandes crateras e lagos, paredões e áreas devastadas são produtos da
mineração em numerosos casos, impedindo a posterior utilização. Em alguns casos
(grandes jazidas), a reconstituição da paisagem tal qual era antes da extração é difícil.

Mineração – Meio ambiente e Mineração 121


Porém, através de condução adequada das operações de lavra e de um projeto de
recuperação, que leve em conta o destino a ser dada à área futuramente, a degradação
ambiental pode ser reduzida e até eliminada. Sendo assim, os cuidados para a recuperação
das áreas mineradas vão desde a concepção do plano de lavra até a implantação do
projeto de revegetação, realizada concomitantemente à exploração da mina.
Por outro lado, com o conceito cada vez mais forte de desenvolvimento
sustentável, faz-se necessário um programa eficiente de disposição de resíduos gerados
por parte da mineração, pois de uma forma geral, precisa-se fazer uso dos bens minerais
no momento, porém, precisamos proporcionar um meio ambiente adequado para as
futuras gerações que estão por vir, afinal de contas, a vida tem que continuar.

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Mineração – Meio ambiente e Mineração 125


Hino Nacional Hino do Estado do Ceará

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas Poesia de Thomaz Lopes


De um povo heróico o brado retumbante, Música de Alberto Nepomuceno
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos, Terra do sol, do amor, terra da luz!
Brilhou no céu da pátria nesse instante. Soa o clarim que tua glória conta!
Terra, o teu nome a fama aos céus remonta
Se o penhor dessa igualdade Em clarão que seduz!
Conseguimos conquistar com braço forte, Nome que brilha esplêndido luzeiro
Em teu seio, ó liberdade, Nos fulvos braços de ouro do cruzeiro!
Desafia o nosso peito a própria morte!
Mudem-se em flor as pedras dos caminhos!
Ó Pátria amada, Chuvas de prata rolem das estrelas...
Idolatrada, E despertando, deslumbrada, ao vê-las
Salve! Salve! Ressoa a voz dos ninhos...
Há de florar nas rosas e nos cravos
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido Rubros o sangue ardente dos escravos.
De amor e de esperança à terra desce, Seja teu verbo a voz do coração,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido, Verbo de paz e amor do Sul ao Norte!
A imagem do Cruzeiro resplandece. Ruja teu peito em luta contra a morte,
Acordando a amplidão.
Gigante pela própria natureza, Peito que deu alívio a quem sofria
És belo, és forte, impávido colosso, E foi o sol iluminando o dia!
E o teu futuro espelha essa grandeza.
Tua jangada afoita enfune o pano!
Terra adorada, Vento feliz conduza a vela ousada!
Entre outras mil, Que importa que no seu barco seja um nada
És tu, Brasil, Na vastidão do oceano,
Ó Pátria amada! Se à proa vão heróis e marinheiros
Dos filhos deste solo és mãe gentil, E vão no peito corações guerreiros?
Pátria amada,Brasil!
Se, nós te amamos, em aventuras e mágoas!
Porque esse chão que embebe a água dos rios
Deitado eternamente em berço esplêndido, Há de florar em meses, nos estios
Ao som do mar e à luz do céu profundo, E bosques, pelas águas!
Fulguras, ó Brasil, florão da América, Selvas e rios, serras e florestas
Iluminado ao sol do Novo Mundo! Brotem no solo em rumorosas festas!
Abra-se ao vento o teu pendão natal
Do que a terra, mais garrida, Sobre as revoltas águas dos teus mares!
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores; E desfraldado diga aos céus e aos mares
"Nossos bosques têm mais vida", A vitória imortal!
"Nossa vida" no teu seio "mais amores." Que foi de sangue, em guerras leais e francas,
E foi na paz da cor das hóstias brancas!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo


O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
- "Paz no futuro e glória no passado."

Mas, se ergues da justiça a clava forte,


Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada, Brasil!