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ANHANGUERA EDUCACIONAL
GEOGRAFIA - LICENCIATURA

JOSÉ RODRIGUES MACÊDO

TUTOR À DISTÂNCIA: LARISSA FERNANDA DE LIMA ALMEIDA


TUTOR PRESENCIAL: LEONARDO

DESAFIOS E POSSIBILIDADES DA IGUALDADE DE GÊNERO NO


ESPAÇO ESCOLAR

BARRA DO CORDA
2019
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JOSÉ RODRIGUES MACÊDO

DESAFIOS E POSSIBILIDADES DA IGUALDADE DE GÊNERO NO


ESPAÇO ESCOLAR

Trabalho de Produção Textual apresentado como


requisito para obtenção de nota do Curso
Licenciatura em Geografia, pela Anhanguera
Educacional.

Tutor à distância: Larissa Fernanda de Lima


Almeida

Tutor presencial: Leonardo

BARRA DO CORDA
2019
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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 3
2. REFLEXÃO DOS CONCEITOS PERTINENTES ................................................................................ 4
3. O CONTEXTO DA ESCOLA ........................................................................................................... 7
4. DESIGUALDADE DE GÊNERO: DESAFIOS E POSSIBILIDADES ..................................................... 8
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................... 12
6. REFERÊCIAS ............................................................................................................................... 13
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1. INTRODUÇÃO

Diante de uma sociedade ainda marcada pelo machismo, homofobia,


preconceito, discriminação, falta de respeito e grande número de pessoas em situação
de vulnerabilidade social, a proposta é contribuir para a construção de uma educação
com equidade de gênero, como forma de concretizar a justiça social. Acredita-se que
este trabalho possa sensibilizar os jovens estudantes para a modificação de
estereótipos de gênero que geram comportamentos discriminatórios. Toda essa
reflexão sobre a necessidade de desenvolver um processo educativo que contemple
a igualdade de gênero será muito importante para a mudança de postura
possibilitando que as novas gerações portem uma pedagogia que favoreça novas
relações com acento sobre a justiça e a igualdade.

É inadmissível não perceber a relevância do tema e a necessidade urgente de


desenvolvê-lo considerando a dimensão do problema e as experiências vividas,
sobretudo na faixa etária na qual se encontram os jovens estudantes.

O grande objetivo é poder contribuir para que a escola seja um espaço de


transformação social e de construção da igualdade. A sexualidade e as relações de
gênero em constante construção fazem parte das pessoas que compõe a comunidade
escolar. Sendo assim, é muito importante o conhecimento da realidade na qual a
escola está inserida, para que as atividades dos professores envolvam as temáticas
de gênero e sejam desenvolvidas de acordo com esta realidade.
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2. REFLEXÃO DOS CONCEITOS PERTIMENTES

Como definir a “adolescência”? Podemos encontrar vários significados para o


termo. No Novo Dicionário Aurélio a adolescência é o período da vida humana que
sucede a infância, começa com a puberdade, e se caracteriza por uma série de
mudanças corporais e psicológicas, e estende-se aproximadamente dos 12 aos 20
anos (FERREIRA, 1989). Indo para origem etimológica da palavra, César (1998) diz:

A palavra “adolescência” tem dupla origem etimológica e caracteriza muito bem as


peculiaridades desta etapa da vida. Ela vem do latim ad (a, para) e olescer (crescer),
significando a condição ou processo de crescimento, em resumo o indivíduo apto a
crescer. Adolescência também deriva de adolescer, origem da palavra adoecer.
Adolescente do latim adolescere, significa adoecer, enfermar. Temos assim, nessa
dupla origem etimológica, um elemento para pensar esta etapa de vida: aptidão para
crescer (não apenas no sentido físico, mas também psíquico) e para adoecer (em
termos de sofrimento emocional, com as transformações biológicas e mentais que
operam nesta faixa de vida). (CESAR,1998)

A OMS define que a adolescência é a fase da vida que corresponde dos 10 aos
19 anos, sendo a pré-adolescência dos 10 aos 14 anos e a adolescência propriamente
dita, dos 15 aos 19 anos, critério também adotado pelo Ministério da Saúde do Brasil.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), criado pela Lei, nº 8.069/1990, art. 2º,
considera que a adolescência vai dos 12 aos 18 anos de idade (BRASIL, 1990).
Grande parte dos estudiosos sobre adolescência afirma que esse período é
identificado por períodos distintos: período inicial (10 a 13 anos) - marcado pelo
crescimento e pela puberdade; período médio (entre 14 a 16 anos) - marcado pelo
desenvolvimento do intelecto e pela identificação com grupos; período final (17 a 20
anos) - marcado pela consolidação das ideias e da identidade e pela proximidade e
ingresso no mundo adulto, “necessitando de apoio a fim de fortalecer sua construção
cidadã e formar-se como um ser capaz de interagir e intervir em seu contexto social
de forma crítica e criativa” (PARANÁ, 2010).
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É nesta fase da vida que ocorre aceleração e desaceleração do crescimento físico,


mudanças de composição corporal, eclosão hormonal, envolvendo hormônios sexuais
e evolução da maturidade sexual, acompanhada pelo desenvolvimento de caracteres
sexuais secundários masculinos e femininos. Paralelamente às mudanças corporais,
ocorrem as psicoemocionais, como a busca de identidade, a tendência grupal, o
desenvolvimento do pensamento conceitual, a vivência singular e a evolução da
sexualidade (SAITO Apud CAMARGO, 2001)

Do ponto de vista histórico, pode-se considerar a adolescência como um


fenômeno recente, um processo que marca a transição do estado infantil para o
estado adulto. Ariés (1981) relata que somente em meados do século XVI, passou-se
a diferenciar infância, juventude e velhice. Durante a Idade Média, as crianças e
adolescentes eram miniatura de adultos e não havia uma diferenciação específica
quanto à idade. Elas começavam a trabalhar muito cedo e a partir daí estavam
inseridas no mundo adulto. Foi Jean-Jacques Rousseau, considerado o primeiro
teórico da adolescência, que no século XVIII, apontou para o fato de que ser criança
ou adolescente não era o mesmo que ser adulto. Para ele, a adolescência referia-se
ao período entre os 15- 20 anos de idade, onde os indivíduos amadureceriam
emocionalmente substituindo seu egoísmo por um interesse nos outros (AMORIM,
2007). Muitos estudiosos como, Palacios (1995), Levi & Schimitt (1996), Cabié e
Gammer (1999), situam o nascimento da adolescência, tal como hoje, à Revolução
Industrial, pois a industrialização e a produção do sistema em massa obrigaram os
adultos a se dedicar ao trabalho e seus filhos tiveram que permanecer mais tempo
nas instituições de ensino, alterando assim a definição das etapas de vida. Segundo
Brêtas (2003), não se pode abordar a adolescência sem discorrer sobre a questão da
corporalidade, pois as modificações físicas e biológicas do corpo nesse período
ocorrem de forma muito rápida e influenciam todo o processo psicossocial da
formação da identidade do adolescente. Para ele, o marco principal da pré-
adolescência é o aparecimento da puberdade, conjunto de mudanças corporais
ocorridas na adolescência, período em que surgem as características sexuais
secundárias femininas e masculinas, como o broto mamário nas meninas e aumento
dos testículos nos meninos – e termina com o completo desenvolvimento físico,
parada do crescimento e aquisição da capacidade reprodutiva.
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É importante lembrar, que adolescência e puberdade não são sinônimas, pois


a puberdade é apenas um dos aspectos dessa fase e refere-se ao processo de
desenvolvimento orgânico e corporal. Ela ocorre entre os 9 e 14 anos de idade para
os meninos, e entre os 8 e 13 para as meninas. Ocorrem muitas transformações no
corpo, provocadas por alterações hormonais como o estrógeno e progesterona nas
meninas, e testosterona nos meninos, e essas transformações podem durar até os 20
anos de idade (PARANÁ, 2010).

Sobre a influência dos hormônios nas transformações do corpo, Brêtas (2003)


escreve que:

Uma área do cérebro, chamada hipotálamo, envia uma mensagem para uma glândula
chamada hipófise ou pituitária. A hipófise começa a produzir hormônios relacionais ao
crescimento (FSH, LH e outros), que são lançados no sangue e cujo efeito estimula
outras glândulas endócrinas do corpo, tais como as glândulas sexuais e faz com que
elas também produzam hormônios. O hormônio folículo–estimulante (FSH) atua no
desenvolvimento dos folículos no ovário e, atuando em combinação com o hormônio
luteinizante (LH), regula a ovulação na mulher e a secreção de estrógeno pelo ovário.
No homem, atua no desenvolvimento dos testículos e a secreção de andrógeno;
influencia especificamente as fases finais da espermatogênese. (BRÊTAS, 2003)

Para Chaui (1987), todas essas transformações levam o adolescente a querer


viver intensamente a sua sexualidade, manifesta muitas vezes através de práticas
sexuais sem proteção o que pode se tornar um problema, pois falta informações,
comunicação com seus familiares e até mesmo os tabus existentes. As suas decisões
sexuais, seu comportamento será influenciado pelo contato com outros jovens de sua
convivência.

Apesar de estarmos vivendo no século XXI, num mundo informatizado, digital


e globalizado, a discussão sobre a sexualidade ainda é recheada de mitos, tabus e
preconceitos. A maioria dos adultos (pais e até mesmo professores), receiam discutir
sobre o assunto abertamente com seus adolescentes, ou por vergonha ou mesmo por
desconhecimento. Isso pode contribuir para um desajuste sexual nesses adolescentes
e um comportamento de risco que pode lhe custar a própria vida, como uma gravidez
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precoce, o aborto e a contaminação por alguma DST (Doença Sexualmente


Transmissível).

3. O CONTEXTO DA ESCOLA

É nesse contexto que entra a escola, um lugar importante para se trabalhar


conhecimentos, habilidades, mudanças de comportamento, pois é um local em que o
adolescente permanece a maior parte do dia. Por isso, torna-se o lugar mais
apropriado para se desenvolver ações educativas (CAMARGO; FERRARI, 2009).

Ainda sobre a importância da escola, Martelli em seu artigo imaginários da


sexualidade, escreve que:

Na escola – como instituição formal de educação ou como lugar de sociabilidade em


que se entrelaçam o simbólico, o imaginário, o tempo, o espaço, a troca, a violência, a
sexualidade está sempre ali, latente e pulsante, manifestando-se incessantemente,
visto que não há como separá-la, nem definir aonde pode e deve aparecer. Negá-la se
tornou letra morta. Os aspectos relacionados à sexualidade pertencem, queiramos ou
não, à vida escolar. Perambulam pelas conversas dos estudantes e das estudantes,
nos desenhos, nas palavras rabiscadas nas portas dos banheiros e nas paredes das
salas, nas brincadeiras e nas piadas, nos namoros, nas primeiras sensações afetivas,
bem como nas salas de aulas, nas salas e nas ações dos professores e das professoras
dos alunos e das alunas. (LOURO, 2003 apud MARTELLI, 2010).

Como uma obra em construção, a adolescência acontece no indivíduo


principalmente no terreno da escola, onde o jovem passa boa parte de seu dia fora de
casa. Há quem compare o processo individual àquele que se dá na coletividade
contemporânea.

O adolescente passa por uma redefinição da imagem corporal assim como são
redefinidas as configurações urbanas e as fronteiras territoriais. Ele está se
individualizando, rompendo vínculos e buscando autonomia, em um processo similar
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ao da descolonização, quando uma comunidade rompe com a metrópole para obter


sua independência política e econômica.

O adolescente também está na fase de comparar valores para estabelecer seu


próprio código de ética, enquanto a humanidade coloca o foco nos códigos
internacionais para nortear a vida no planeta e os direitos individuais e coletivos.

Na adolescência, o jovem busca identificação e segurança em grupos de iguais,


assim como fazem os países ao criar blocos regionais no cenário internacional. E os
garotos e garotas criticam as crenças dos pais, enquanto as comunidades modernas
questionam ideologias e dogmas da velha ordem mundial.

Todos esses movimentos e transformações são vividos pelo filho ou filha


adolescente ao lado dos professores, veículos de novos valores para comparar com
os trazidos de casa, e dos colegas, que se tornam a referência campeã nessa fase da
vida.

Desse universo, o jovem obtém o conjunto de conhecimentos que interessa: os


pedagógicos e os aprendizados que não estão no currículo. Para os adolescentes, a
escola é o principal espaço de construção e partilha de conhecimentos sobre a vida
futura.

4. DESIGUALDADE DE GÊNERO: DESAFIOS E POSSIBILIDADES

A Copa do Mundo de Futebol Feminino, realizada na França em junho de 2019,


ganhou grande destaque na mídia e suscitou debates sobre a representatividade
feminina no esporte. Nas salas de aula, profundas reflexões entre os professores e
alunos confirmaram a necessidade de mudanças na educação e construção de novas
relações de gênero. Sobre isso Freire (2003) apud Ferreira e Luz (2009, p.37) diz:

[...] educar é construir, libertar homens e mulheres do determinismo, passando a


reconhecer o seu papel na história, considerando a sua identidade cultural na sua
dimensão individual e coletiva. Sem respeitar essa identidade, sem autonomia ou sem
levar em conta as experiências vividas, o processo educativo será inoperante e
constituirá somente um conjunto de meras palavras, despidas de significado real.
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Neste sentido os jovens estudantes concordam que para fazer acontecer uma
educação libertadora é preciso iniciar na infância e a partir da própria família
desenvolver uma nova mentalidade visando à igualdade e a justiça dentro da própria
família. Sobre isso Vainfas (2002, p.78) diz: “Enfim, a questão do tempo das
mentalidades que, conforme já disse, é o tempo braudeliano da longa duração: a
mentalidade afirma Le Goff é aquilo que muda mais lentamente. História das
mentalidades, história da lentidão na história”. Todos sabem como é difícil acontecer
uma mudança de mentalidade, mas com essas novas gerações que passam por um
novo processo educativo, talvez seja possível construir novas relações.

Acredita-se que os jovens estudantes possam romper com a inércia e a


estagnação a partir das experiências vividas nesse trabalho e se tornem protagonistas
de uma nova História.

A educação formal assume, portanto, papel primordial ao abordar o significado


e contexto das relações de gênero que se estabelecem no cotidiano escolar com o
objetivo de estimular a produção científica e a reflexão crítica acerca das
desigualdades existentes entre mulheres e homens em nosso país e, sobretudo,
promover a paridade e a igualdade de gênero.

Paim e Strey (2007) ressaltam que para o entendimento da desiguladade de


gênero, é fundamental entendermos que sua gênese e manutenção na sociedade
estão relacionadas ao conceito de patriarcado. As relações assimétricas entre os
gêneros vêm mostrando que as sociedades patriarcais engendram e sustentam
relações e modos de produção, nos quais os homens como categoria social levam
vantagens sobre as mulheres, nas mesmas condições.

Nunes (2002) ressalta que há ainda o machismo encalacrado nas instituições


familiares, nos valores, nas concepções de poder, na divisão dos comportamentos,
nas cores e na distribuição dos brinquedos às crianças. É o patriarcalismo extratificado
em todos os segmentos de nossa cultura.

A estrutura familiar patriarcal reforça o machismo desde a infância. Educa o


menino para exibir seu sexo, gostar dele, ostentá-lo orgulhosamente, como vemos
nas rodas familiares, num nítido narcisismo fálico. Já com relação à menina dá-se o
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contrário; obriga-se a esconder seu sexo, mantê-lo misterioso, a não ter uma relação
afetiva com sua identidade sexual. Para um, o modelo estimula e incentiva toda
expressão sexual; para o outro, o domínio, a reclusão e a repressão. (NUNES, 2002)

Se não colocarmos em questão esses estereótipos já prontos e definidos nunca


faremos uma real reeducação sexual.

A trajetória do feminismo foi, e ainda é, permeada por confronto e resistências


com aqueles e aquelas que ainda se utilizam de justificativas biológicas ou teológicas
para marcar as diferenças e desigualdades entre homens e mulheres; e com aqueles
que se utilizam de perspectivas marxistas para defender a centralidade da classe
social para a compreensão das diferenças e desigualdades sociais. (MEYER, 2003)

É preciso tentar explicitar novas formas de relação entre os sexos dentro de


novas formas de relações sociais. E este é o momento de educarmos a pessoa como
sujeito de si, capaz de reconhecer-se como tal diante da responsabilidade de sua
existência e dos conflitos sociais de cuja realidade participa sem opção. (NUNES,
2002)

Silva (2010) esclarece que hoje a política educacional está vinculada a um


sistema neoliberal que tem como objetivo os valores econômicos intensamente
associados à masculinidade: competitividade, desempenho, racionalidade
tecnológica, eficácia, produtividade. Tais objetivos associados às características
masculinas levam à discriminação da mulher. Estes conceitos demonstram que é
necessário mudar as estruturas educacionais e se voltar à discussão de gênero,
dentro das salas de aula, preparando os alunos para atuarem na sociedade de
maneira igualitária.

Faz-se necessário educar para a compreensão significativa e igualitária da


identidade de gênero, de modo a representar homens e mulheres, masculino e
feminino, como formas psico-históricas da condição humana, iguais em sua
potencialidade de hominização e humanização e diferentes em suas expressões
culturais, subjetivas e ontológicas. (NUNES; SILVA, 2006)

A escola desempenha um papel importante na construção das identidades de


gênero e das identidades sexuais, pois, como parte de uma sociedade que discrimina,
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ela produz e reproduz desigualdades de gênero, raça, etnia, bem como se constitui
em um espaço generificado. (LOURO, 1997)

As escolas devem ser locais onde os estereótipos são eliminados e não


reforçados, o que significa oferecer a alunos e alunas as mesmas oportunidades de
acesso a métodos de ensino e currículos livres de estereótipos, bem como de
orientações acadêmicas sem influência de preconceitos. (UNESCO, 2004)

Casagrande (2008) enfatiza que discutir as relações de gênero no ambiente


escolar é de fundamental importância quando se pensa em construir uma educação
democrática que possibilite a todos os seus agentes, igualdade de condições e de
oportunidades. Há, portanto, que sumariamente, considerar as crianças e
adolescentes como atores sociais.

Acredita-se que somente uma educação emancipatória, é capaz de contribuir


para a superação das condições de heteronomia, de propor reflexões sobre os
contextos de uma sexualidade reprimida - proveniente do período medieval - os mitos
da superioridade e racionalidade masculina sob a inferioridade e afetividade,
exclusivamente feminina, no sentido de promover uma formação que auxilie os
educandos a compreenderem a constituição das concepções de gênero e suas
vinculações às estruturas sociais. (NUNES; SILVA, 2006)

Faz-se necessário, também, que a escola, como um agente de socialização do


conhecimento científico a partir do qual as pessoas realizam uma leitura do mundo e
de sua participação social, promova em sala de aula uma reflexão crítica dos
dispositivos jurídicos que asseguram a igualdade de gênero.

O primeiro inciso do artigo 5º da Constituição Federal trata do que chamamos


de “igualdade de gênero”. Ou seja, prevê que todas as pessoas, independentemente
de seu gênero, são iguais sob a ótica da Constituição. Isso quer dizer que todas e
todos devem ter os mesmos direitos, oportunidades, responsabilidades e
obrigações. Esse inciso é tão importante que é considerado um direito fundamental,
indispensável à cidadania, à sociedade e ao Estado brasileiro.
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5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O espaço escolar pode ser um lugar privilegiado para fazer acontecer um novo
modelo de educação que promova a igualdade entre homens e mulheres num
processo constante de desconstrução da crença no androcentrismo e da cultura do
ser homem ou mulher que ainda é causa de sofrimento para muitas pessoas.

A escola é uma parceira fundamental na continuidade da formação de opinião


consciente dos adolescentes acerca do seu meio, porque esta agrega pessoas que
estão em processo de aprendizagem e, portanto, flexíveis ou passíveis de mudanças
ou revisão de seus hábitos. Para a compreensão desse fato, se faz necessários
trabalhos de conscientização contínuos e sistemáticos que envolvam a família e a
escola de forma articulada na promoção da saúde dos adolescentes como política
nacional de saúde envolvendo profissionais, professores e família.

Prestar atenção às questões relativas às relações de gênero, assim como


desejar construir a proclamada igualdade, envolve lançar mão de novas concepções
e de novos recursos de trabalho; problematizar o que, muitas vezes, percebemos
como natural e “harmônico”; e considerar elementos que até agora foram silenciados
na realidade escolar, como os corpos dos sujeitos envolvidos no processo ensino-
aprendizagem, sua sexualidade, seus desejos, sentimentos e aptidões. Para
considerar tais aspectos há de se realizar investimentos pessoais e ter “disposição”
para saber como nos constituímos em atores sociais, professoras e professores, mães
e pais, filhas e filhos, trabalhadoras e trabalhadores, mulheres e homens.
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6. REFERÊNCIAS

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estudo de caso em proposta transdisciplinar. Dissertação (Mestrado) -
Universidade Católica de Brasília, Brasília, 2007.
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