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2)CRIiTICA FEMINISTA Liicia Osana Zolin (Os RSTUDOS DE GENERO E A LITERATURA Desde a década de 1960, com o desenvolvimento do pensamento feminista, a mulher vem se tornando objeto de estudo em diversas reas de conhecimento, como a Sociologia, 2 Psicanilise, a Hist6ria e a Antropologia. Também no imbito da Literatura e da Critica Literdria, a mulher vem figurando entre os temas abordados em enconttos,simpSsios e congressos, bem como se constituindo ‘em motivo de intimeros cursos, teses ¢ trabalhos de pesquisa a No entanto, tal presenga nio deve ser analisada como tum fato que passa a despertar curiosidade por estar igado a esse momento de afirmagio, Na verdade, é uma presenga quc ultrapassa o pontual bo euforico para se conjugat a todo um processo histérico-literirio. Mais importantes do que ts polémicas geradas a partir do movimento feminista sio os efeitos provocados por elt em sous diferentes momentos. Um desses efeitos, ¢ & 0 que nos intevessa neste capitulo, estd ligado a om. dos diversos instramentos de que dispomos hoje para ler interpretar o texto literério: a critica feminista. Desde a sua origern em 1970, com a publicagio, nos Estados Unidos, da tese de doutorado a de Kate Millet, intitulada Sexual politics, essa vertente da critica literéria tem assumido o papel de 5 {questionadora da pritiea académica patriarcal, A constatacio de que a experiéncia da mulher como Icitora e escritora é diferente da masculina implicou significativas mudangas no campo intelectual, marcadas pela quebra de paradigmas e pela descoberta de novos horizontes de expectativas, [Nas diltimas décadas, muitas facgées crfticas defendem a necessidade de se considerat 0 objeto de estudo em relacio 20 contexto em que esté inserido; de algurma forma, tudo parece estar intcrligado, No que se refere 3 posicio social da mulher e sua presenca no universe literdtio, essa visio deve muito no feminismo, que pas a nu as circunsténcias sécio-historicas entendidas como dererminantes na producfo literaria, Do mesmo modo que fez perceber que 0 estere6tipo feminino negativo, argamente | difandido na literatura e no cinema, constitui-se mum considerével obsticulo na luta pelos direitos da mulher. Estudos acerca de textos literdrios candnicos mostram inquestionaveis correspondéncias entre sexo e poder: as relagées de poder entre casais espelham as relagdes de poder entre homem fe mulher na sociedade em getal; a esfera privada acaba sendo uma extensio da esfera pitblica, ‘Amibas sio construfdas sobre os alicerces da politica, baseados nas relagdes de poder: = eee eeeee eee areal ¥ | Se as relagées entre os sexos se desenvolvem segundo uma otientacio politica e de poder, também "a critica fiterdvia ferninista é profundamente politica na medida em que tabalhs no sentido de interferir na ordem social, ‘Tiata-se de um modo de ler literatura conféssadamente empenhado, voltado para a desconsttucio do caritcr discriminatério das ideologias de género, construfdas, ao longo do tempo, pela cultura, Ler, portant, um texto literério tomando como instrumentos os contceitos operat6rios fornecidos pela critica feminista (veja quadro a seguir) implica investigar 0 modo pelo qual tal texto est mareado pela diftrenga de género, num processo de desnudamento que visa despertar 0 senso critico e promover mudangas de mentalidades, ou, por outto lado, divulgar posturas eriticas por parte dos(as)escritores(as) em relagio 3s convengdes sociais que, historicamente, tém aprisionado a niulher e tolhido seus movimentos. Considerando as circunstincias sécio-histéricas como fatores determinantes na producio da literatura, uma sétie de criticos(as) feministas, principalmente na Franca e nos Estados Unidos, tem promovido, desde a década de 1970, debates acerca do espaco relegalo 4 mulher na sociedade, bem ‘como das consequéncias, ou dos reflexos daf advindos, para o ambito litersrio. © objetivo desses debates, se os contemplarmos de modo ample, é a transformagio da condigfo de subjugada da mulher. Tiataesc de tentar romper com os discursos sacralizados pela tradicio, nos quis a molher ocupa, 3 sua revelia, um Ingar secundério em relagio 20 lugar ocupaclo pelo homem, marcado pola ; marginalidade, pela submissio ¢ pela resignacto. “This discursos nao s6 interferer no cotidiano ferninino, mas também acabam por fisndamentar os cfnones criticos e téricos tradiciomais © masculinos que regent co saber sobre a literatura. Assim, «critica ferninistatrabalha no sentido de desconstruir a oposicéo homemy mulher eas dentais oposigées associadas a esta, numa espécie cle versio do pés-estruturalismo. ‘Termo empregado em dois sentidos distintos; a determinagso de cada um depende do contexto em que estd inserido: na maior parte das vezes, o termo feniniuo aparece em eens oposicio a mascufino e faz veferéncia 3s convengées socisis, ou seja, a um conjuunto de caracteristicas (atribuédas A mulher) definidas culturalmente, portanto em constante proceso de muclanga, Pode referir-se, todavia, simples ¢ despojadamente a0 sexo feminino, a0 dado puramente biol6gico, sem nenhuma ovtra conotagio. “Trata-se de um termo que nfo € wtiliaado no sentido panfletirio que costuma tet entre més, mas tal como € utilizado em Lingua ingless: como categoria politica, ¢ : Feminista io pejorativa, relativa ao feminismo eneendido como movimento que preconiza a ampliagio dos direitos civis ¢ politicos dz mulher, néo apenas em termos legais, mas ca também em termos da prética social Categoria tomada pela catia feminista de empréstimo’ gramstica, Originariamet | consiste no emprego de desindncis diferenciadas que visamn designar individios de sexos diferentes ou coisas sexwadas. A critica feminist, todavia, fez com que 0 terme assumisse ‘outta titas: toma-o como uma relao entre os atributos culturas referents a cla wm Pon doe sexo 8 dimmensto biolgiea dos sees humans. Tats, poranto, de nina categorie {que implica diferenca sexwal e cultural. © sujeito € constituido no género em razio do Sexo 2 que pertence e, principalmente, om rizio de cédigos linguisticos e representagBes culturaisquc 0 matizam,estabelecidos de acordlo com as hierarquias soci BS E aS Say ‘Termo utilizado no sentido empregado por Jacques Derrida, seu ctiador, para designar Logocentrismo | o pensimento eandaico, num context marcado pelo empenho em desmontar € | desqualificar a mistificagio implicita no diseurso fitosotico ocidental emo _ | Fttotomadoporalgumasescrtorasccriticasancesasparadlesafiaralbgicapredaminante Falocentiomo | ments eet en cmos pedominnen on nosalin Q8—TeORIA LITERARIA af) curries reminises Terme utilizado para designar uina espécie de organizagio familiar origina dos povos antigoo, na qual toda insttsgfo social eoncentava-se ma figura de um chef, paiares, Patriarcaismo | cuja noridade era preponderance e incontestivel. Esse coneeito tem permeado a maioria sa scucades, ravadzs no contexto do pensamento feminista, que envolvern a questio | da opressio da mulher ao longo de sua historia. ‘Termo que provém da obra de Jacques Derrida, utilizado pelos tedricos da Tieratura emt unna espécie de erftica das oposigdes hierirquicas que estratiram © pensamente deidenal, is como: niodelo x imitagfo; domsinador x dominador forte x fraco; presenga Desconstrugio | xauséneix; corpo x mente; horsem x mulher. Trata-se de se apoiar na conviegio de que ‘oposigdes como essas nfo so absolutamente naturais, nem inevitiveis, mas construgbes i ‘teoldgicas que podem ser desconstruidas, isto, submetidasaestraturae funcionamento et diferentes. . ‘Acta da idontdadesteviade fo rignainenteelaborad pls lost (de Descartes 4 aaa ae que a sideidade foi concebi como um mile & 2 ateridade como aon aerdae' um esrano tang’ da ssmesmo,ofbitando a0 seu redor” | {(eADDINGTON, 1996,p. 337). Tizendo-a para omundo das relagbes de poder na sttiedade | cereal o nile cube no nomen, enor da rao, da si daeligio «propio das | Fiquezs” (WADDINGTON, 1996, p.337): pevferia 8 mulher exproprada dessesaributos | see yake comets da exerioriade, da earaheza ed negsviade fi abi ws ‘alteridade @ mulher, mas alteridade entendida como sindnimo de condigio objetal ¢ de aaa le em umn stride aera, interac. Esta permanecce por ser conquistada, O desnudamento da; alieridade da lieratura de autoria feminina constitui-se na Fanyesfordagenn eins naiteratra 1s mapa dizer que a anise dasa exes pas mulheres realize vsando promover 0 desmudaviento da aeridade do dieaso ae pun fe score como principio da eifereng, ov se, como uin discus “outro em : relcio 29 "mesm. : a a Alteridade | caregoras utkzndss pata caracterizar as thas do comportamento féminino em face dos purdmetrosesebelecidos pla sociedade patiarealsamuer-syjn€ matead pels nsubordinaco ee reerdos paradigms, por seu poder de decisf, domingo imposigos enquanto a rer- iit define se pelasubmissio pelaresgnaciocpelafaliadevoz Asoposictesbindissubversio/ critago, inconformismoaresignacio, sividade/pasividde, wanscendéuciaimanéncs, entre sutras, referen-se,respectivamente, sss designacdes eas complement. Mulher-sujeito Mulher-objeto da critica feminista, ‘Quadro 1. Conceitos operate TFica mais caro entender o que vem a ser evtica literstia feminista, ¢ como ela funciona, quando se tem conhecimento de algumas nogées prévias acerca do feminismo entendido como 9 movimento sociale politico que he dew origem. Em razio disso, passemos, de inicio, a uma espécie de mapeamenso, sinda que répido, do contexto em que se desenvolver essa fucgdo da critica litera, como origens precutvores, reivindicagées etc. pata, posteriormente, de posse dessas informagdes, determo-nos propriamenze em stra esséncia ! A QUESTAO Da MULHER NO SECULO XC Alguns te6ricos(as), apoiados(as) na premissa de que se podem localiza na histéra inimeras formas de feminiamo, entendidas como fientes de resposts para a “questio da mulles”, defencdemt a rese de que “Toosias Bowes { Luets Osans Zaves (oasantzanonts) — 219 | are sua abrangéncia estendde-se dos matriarcados neoltticos 20 feminismo radical contemporinco, Seja como for, mesmo que se entenda quie o feminism esteja restrito 20s itimos dois ou trés séeulos, tata-se de um movimento politico bastante amplo que, alicergado na crenga de que, consciente ¢ coletivamente, a8 mulheres podem mudar a posicéo de inferioridade que ocupam no meio social, abarca deste reformas , Tegais e econdmicas, referentes 20 direto da mulher ao voto, i educacio, a icenga-maternidade, 2 1 fangio igual etc. até uma teoria ferninista académica, cult 4 pritica de esportes,& igualdade de remuneragio par 2 a ‘voltada para reformas relacionadas 20 modo de ler 0 texto liters. #5 [Algumas declaragées pablicns que deserevem “melletes” como uma categoria social distinta, com, Len status social inferior, remontam ao século XVILL. £ 0 caso do documento Some reflections npon marriage = [Algumas reflexdes sobre o casamento], de Mary Astell, datado de 1730, que ironiza a sabedoria & mascilina e despoetiza as relagées existentes na sociedade familiar. Ela questiona o fato de 0 poder absoluto no ser accito no estado politico, por ser um métoclo impréprio para governar seres racionais € livres, mas existir na familia, Do mesmo modo que questiona a fato de todos os homens nascerem livres e todas as mulheres nascerem escravas. Até a constragio social do sujeito feminino é diseutida por Astell, quando ela afirma que Deus distribuia a inteligéncia a ambos os sexos com imparcialidade, mas qute 0 conhecimento foi arrebatado pelos homens a fim de que eles se mantivessem no poder Na Franga, Marie Olympe Gouges, uma das ativistas da Revolusio de 1789, apresenta 4 Assembléia Nacional, em 1791, a sua corajosa Déclaratow des droits de la fenue et cela citayeane (Declaragio clo direitos dda muther e da cidade), em que deferde a ideia de que as mulheres devem ter todos os direitos que © homem tem ou quer para si, inclusive o de propriedade e de liberdace de expresso; em contrapartida, devem assumir também toda sorte de responsabilidades que cabem aos cidadios do sexo masculino, ‘como o pagamento de impostos, a punicio por crimes cometidos ¢ o cumprimento de todos os deveres piblicos eabiveisa um cidadaocomum, Além disso, Gouges cobra das mulheres vigor nas reivindicagbes de mais liberdade democritica para seu sexo. Em 1792, a inglesa Mary Wollstonecraft esereve um dos grandes clissicos da literatura feminista, A Vindication ofthe Rights of Woinan (As reiviaicages des dieitos dla mulher), vetornando as reivindicagées da extensto dos ideais da Revolugio Francesa 3s mulheres. Baseada no argumento do dano econdmico e psicolégico sofrido pelas mulheres em decorréncia de sim dependéncia forcada do homem ¢ da exclusio da esfera pablica, ela defende uma educagio mais cfetiva para elas, capaz de aproveitar-Ihes o potencial humano ¢ tomé-las aptas para se libertaremn da pecha da sabmissio ¢ da opressio, tornando-se, de fato, cidadas, como thes & de direito smo organizado 36 entrout no censrio da politica puiblica nos Bstaclos Unidos No entanto, 0 feri éculo XIX, por meio das peticdes que reivindicavan ‘ena Inglaterra por volta da segunda metade do. © sufragio feminino c das campanlzas pela igualdade legislativa Em 1840, as americanas Elizabeth Cady Stanton, Susan B. Anthony ¢ Lucy Stone passarap fiderar uty s6lido movimento pelos direitos das mulheres. As duns primeiras crinram a National Woman Suffrage Assocation (Associagéo nacional parao voto das mulheres), que, além de reivindicar o voto ferninino, hutava pela igualdade legislativa, enquanto Stone criavaa American Moran's Sufiage Ascociation (Associagio aunericana para o voto das inuere:), que somava 4s reivindicacdes sufiagistas outras ligadas & reforma das leis do divércio. Essas chuas organizagbes foram fundidas em 1890 para formar a National American | Hlonman’s Sifiage Association (sassa) (Associagao necional americana para 0 voto das nvdheres), que, contando ‘com 6 apoio de outras ativistas, consegnin o direiso de voto as mulheres americanas ems 1920. [Na Inglaterra, condigio social da mulher na Bra Vitoriana (1832-1901) foitenazmente marcada por diversos tipos de discriminagaes, justificadas com o argumento da suposta inferioridade intelectual das mulheres, cujo cérebro pesaria 2librase 11 ongas,contraas3 fibrase mea do e¢rebro masciilino. Resulta disso que a mulher que tentasse usar seu intelecto, ao invés de explorar sua delicadeza, compreensio, ia de ambigfo, estaria violando a ordem natural das coisas, submissio, afeigio a0 lar, inocéncia e at bem como a ttadigio religiosa. Eram esses os valores apregoados pela rainha Vit6ria em suas cartas © por suas siiditas em guias vitorianos como The fale instructor (A profesor), cle autor andnimo, ou The women of England (As mulheres da Juglaterra), de Sarah Stickney Ellis, publicado em 1839. © primeiro icio de dependente e submissa, recomendando-lhe © uso Felembra insistentemente & esposa sua cor constante da alianca de easamento, de modo que, quando se sentisse “pertarbad”, ela pudesse colocar 20 —TEORIA LITERARIA —- aif gsothos sabre cle lembrar-se de quem a dera para si. O segundo retera que a condicio de subjugada ida mulher deve ser tomada como sendo de vontade divina. Se no Ambito da lei, as mulheres esam destituidas de poder, no Ambito das priticas sociais ¢ familives a realidade era outra. A maioria delas, lm de ndo ter interesse em se submeter a esse femdencioso modelo de organizagio social, nfo tinham condigGes para tal. Pesquisas mostrar que gm meados do século XIX grande parte das mulheres inglesas trabalhava fora como domésticas, ceturcinas, opesvias cm fabricas ox! em fazendas, De modlo que tédio que supostamente marcaria seenencia da aller dealizada pela ideologia vitoriana nao consisti, absohitamente, no sex principal problems: era pretrogativa de ama mittori, Nesse sentido, a oposicio erigida contra th ideologia era fimpelida por, pelo menos, duas razbes: uma referente a valores ideotgicos, outs2 4 necessidade de sobrevivencia. Esse estado de coisas acabon por desencadear uma série de agBes que caminharam no sentido de instituit o feminismo como um movirnento politico organizado na Inglaterra. A partir de 1850, comegaram a ger encarninhadas 3s autoridades petigdes advogindo o status legal da mulher como 0 Sires ao voto, abtido em 1918, demandas soliciando permissio para as mulheres casadas gerier ane beng as quais culminaram na yoragio de Lei de propriedade da muller casada (Married wuners prope ns, 1870-1508); campanbas contra Lei das doengas contagiosas (Gonagons diese cise 1864), {qe evigin exames médicos de mulheres saspeitas de serem prostizotas;além de obras feministas que se a continsidade a0 primeiro argumento pelos direitos da mulher, escrito no final do século XVIIL por Wollstonecraft E 0 as, por exemplo, de The subjection of women (1869), de John Stuart Mill, ¢ de "The Enfunchisenent of Waren, de Harriet Taylor, que, partindo de arguumencos wtlitarista ¢ lberais por dnma sociedade que considerasse os interesses de todos ¢, 30 mesmo tempo, os protegesse, poem come fonte de imaginacto. nn Hoe ue ous Znnn comeanteanewe) - 27 Bourn cencerra discussées acerca de problemas filossficos, smather, Tais discusses buseam responder ferente; se tais diferengas, no caso de ana Tesposta afirmativa, seriam teorizadas cm kerimos de biologia, de socializagio ou de cultura; sepesnnulicres podem ctiar novas Jingaagens, PrOpriass & °° fala, a leitura ¢ a escrita sao Tmareadas por diferengas de géncro. Esse enfoque Pi egia ainda questbes relacionadas eideologia dominante: partindo do argumento de Foucault de que a verdade depende de verola o discurso, c alimentados pela erenga de que © dominio dos homens sobre © « mutheres as armadilhas da verdade masculinay alguns estudos se dcupado em contestar © controle da fingwagem pelos liomens, a0 invés de meramente coonino, Fatudiosas francesas defendem 3 reinvengio da a revoluciondria, capaz de romper ca, falando ndo apenas contra © enfogue Hinguistico, ow textual, Linguisticos ¢ priticos do uso da Finguagem pela ge homens ¢ mulheres wsam a fingua de forma di quem con discurso tem aprisionado a te recuaremese no gueto do discurso 4, a adogio de uma linguagem feminin: Jinguagem, ou Se ‘urso patriarcal, de estratara falocentr com a ditadura do disc ele, mas fora dele. ‘As woras penalties comsstem ena on terceiro enfoque, ¢ neOTPO NY os modelos biolégico © Finguistieo,situando a diferenga na psique do autor = tmoldada pelo corpo, pelo desenvolvimento da linguagem e pela socalizagio do papel sexual ~ ¢ "2 relagio do género com o proceso eriativo. Tnicialmente, a eritica psicanalitica tomou os postulados de Freud do complexo de castragio da fase edipiana para definir a relagio da mulher sientado pela metéfora da desvantagem lingwistica ¢ Tverd feminina proposta por Lacan. Segundo © psicanalista, 0 fato de a aquisicio da Tingwagen’ 8 jngresso na sua ordem simbolica ccorrerem na Fase edipiana, em que a crianga accita sua jdentidade sexual, implica a aceitagio dle falo como uma significacio privilegiada. Sendo a linguagem da ordem do masculino, porque | sao os valores do mumdo masculine que ela veloula, a erans’ adere a ela pela Lei do Pai: a0 sever “eu sou, distinguindo essa frase de outras como "voc? » ou “ele é”, a crianga estaria sremindo sua posicto na Ordem Simbélica e abandonando © direito 3 identidade imaginéria aoe amide ¢ com todas as outras posigbes possiveis. Assim, © acs da menina a linguagem € prablemético, f que ela s6 se sorna capaz de exprimirse Po! meio de frases condizentes com 0 polo masculino da cultura ‘com a eserita; mais recentemente, tem-se “tendo em vista essas consideracBes, ertica feminista, psicanaliricames jentada, estuda in identidade da mulher. AY, cdades da escrita feminina em relagio A problematica d mento de inferiaridade mnarca a sua Luca pela afirmagao como artists, 29 mesmo ide eriagio dagucles empreendidos pelos escritores. as especili um certo s tempo em que diferencia seus esforsos diversas: tendéncias marxistas © enfogue poitco-culta da critica feminista engloba Tinhas jizando fe classe social como categoria de anilise, ¢ que estabelecem a relagio entre género tras ce cultura popular, relazanco mudangas sociais, condiches ‘econéimicas e transformagoes reyeionadas a0 equilibrio de Forga entre os sexos; tenddéncias qus tomia%t 8 nogio de experiéncia Iigada As préticas culturais dos sujeitos femininos sua 16 10 com a produgio liseraria; rae encias que analisam a arceliterdria da muller tendo cm vista 0 conte histérico-caltural no qual se insere ses quatto enfogues teferidos podem sobrepor-se, de medio que ‘cada um incorpore o anterior Biles eseio contidas em duas grandes vertentes da critica feminists: & anglo-americana © a francest “pmbes esti articutalas em rorno de um eixo Fundamental oda ave stigagio ¢ contestagao da estrusara patriarcal que sustenta 0 nosso sisterna soci No entanto, hé que se considerar que mesone no interior de cadn gina dossas vertentes existem dfereneas antagonismos de pensamento, configurados em (erHioh de oposigoes binsrias, como: tnulherfgénero, igualdade/diferengs, privlégio/opressio, centralidade/ itiarginalidade ¢ essencialisme’ antiessencialismo. DE THORSA LITERARIA nnd) cnieen eemunisrs 1) De um ldo, a wih patianeal defend a idea de que o corpo damier Fc sea, os papéi socks ela aribuides eo tomados como send da orden Enfogue biokjgico | do nsesals 2) De outro, 8 feminists celebram os atibutosbiokigics da ma apoaperiondade: 9 corpo eon textealidadecfonte de imaginseto wer como atribuitos 1) Tena responder e as dineneas de yéero implicam o ws da linguagem de Forma Enfoate |gierente por endn um dos sexes: Iinguistico ou . tigi 2) Contest controle mascalin da Tingwagens | 3) Prope a adogio de wma tinguagem ferinina revolucionéria | ee 1) Thcorpom os modelos ater Enon, |e once cei io fein) 3d 2p ke pre-edipans de Lan ddéncia nevsta como categoria de anélise (Felagho enste género € classe 1) % ae | social: snfoque politico | >) Peeibeloe analogis entre a nocio de experiencia ea pretugio liters inners cultural 1 tendo em vista o contexto historico-culral | | 4 3) Analisa a ieratura de autoria eminin po qual essa producio se insere, Guadro 4 Principais enfoques da critica feminista contemporanen A.CRITICA FEMINISTA ANGLO-AMERICANA walter (1985) sistematiza os estudas sobre mulher ¢ Treyatora A critica norte-americana Sho a mulheres como leitoras, ; sdentifeands dois tipos de crtien: a “critica feminists", que se dedica dos estere6tipos fernininos, do sexismo subjacente& cries lieeréria tradicional ; fe o que ea chama de “ginocritica”, que ; 0 critico especializado na mulher, i ia, conhecida por meio do 4 ( ocupando-se da andlise. ‘eda pouca representatividade da molher 1a hist se dedica a mulheres como escritoras, constituinelo-se num discur: slicergado em modelos tedricos descavolvios « portir de sua experienc cestudo de obras de sta autoria ia Litera ‘ho centrarse genuinamente na mulher, configurandorse como corrents cH independence « intelecualimente coerente, & ginocrtica colora-se mama postura de oposigéo as tendéncias que cone am safimentar-se da tradicko critica ancrocentric, do “discurso dos mestres"s 1 : soanonismo, que, Fim, forné-se uma homenagem. A.questio essencial, OVA, ae eventos, nda é mais tentar reconciliarpluralismas revisionist, way disc diferenca por Ineo do estudo da mulher como escritora, privilegiando a hist6ria, 08 estilos, os tennas, 08 géneros ann cranes dos escritos de mulheres; a psicodinamica da critivideds Femirnina; a trajetéria da ‘yin movimento para dentro par fora do gnero como representago ieccx Umm wovimente de vaivém enere 9 representa do genera Gene de seu referencia ea eric) 9 qu esta reprseniago exlT,o¥ nis sates Coe Fane ene expaco iseursive (Fepresenado) ds PIES 2) Felon discuss hegenicos ¢ 0 ref 0 cure Wags As incurso#: eS8eS OUEFOS Bees ane cocits gato dincua¥vos, qe este 4 AU pres feminists 05 () Saree ra, as margens (on “nas entecinhas Os vo cnds") das diceursos hegennnieos come igor das nsugoes, fs conterprieas © nawas (ONS de conumidade (LAURETIS, 1994, p. 238). A-conveniéncia mais expressiva desse conccito para a rica fiterdtia feminisea ests, portanto, NO fato de ole aunt num espaco marcado pela ambignidade e pels ‘exterioridade, em relacko ao quadro das reteaturas de representagoes das relagoes de genera, as qusis xcluem espacos sociais ow discursivos produzidos nas margens Outro viés da critica feminista desenvolve-se a partir de estreiis ngo-euroctntricas. Trata~ se dos estacdos sobre a mullet nas sociedades periferieas, uel 1 rndicagao da critica pés-colonial “Teade sneados da década passads. Spivak (1995), pensadors ‘indiana radicada nos Estados Unidos, ses en ag teoias feministas do chamado Primeiro Mundo cone espécie de globalizacio que far deeaparecer a hetcrogeneidade do Terceiro Memndo. Ae reproduzs clichés insperiaises, proprios ee ease colonialista © a0 obliterata compreensio das diferoncis "81 rentes as mulheres dos patses ooo cnlonizalos, 2 rtica feminista, segundo Spivak (1995), corms-Se tnnua espécie de ecmplice de ccertas ideologias racistas e colonialistas ‘A pensadora, asi, reivindica, para 0 universo dos estudos empreendidos pela critica feminists, a reanbodugio aa dimensio historia, quase esquecida pelos ‘studios da lingaagem empreendidos por Kaisteva (1974) © Cixous (1988), que tendem 2 O°" Titeratuta como um fato fechado em si Por mo, Do lngar de que fala Spivak (1995), tas estudos estariat ‘moserando formas de discarsos apizes de romper com 4 trdigio, mas que no promove construgio de novos sencidos para carvvninismo, nem escapam 2 decerminagio historic do sexs Spivak, aesse sentido, repudia a efinicio da muller a partir de unva smposta essere, Pa defender a sua plratidade histérica; trateese sender» adocio de una postura fenomenokagica de abor clagem existencial ¢ deslizanre na visto pperceptiva do mundo (LOBO, 1999), Tra veivindicagio da evtica pos-colonial, ¢ vais incisiamcnts de Spivak, consiste em um dos ceaminios possfveis, e mais atraentes, tio dizer de ‘llama (1992), para a eitiea Feminist nas préxinnas geragdes ‘LU das amines posits ~e mais aman enn = 4 84S PT sanpliagin do debate genes ess neste manent er ae EY roo etic en eterogeneae ds mands Ferns" nas pens cere nes mm eres de comets ecient ders Ns PCPS onsen a seam orc npn dos esta sete « Wee! ins socieddes perifvis sa ee o anes repens plo ovine de neluso os lo icissno, do rnmany tonne / tes Ossna Zou congananneets) — 257 Bown kgm, do imperiaian, do cooriaiame eda ene nas SESS. se chsse no debate Gai ma recente (AOLLANDA, 1952. 0-61), fem © conceito de difeenga, de favo, rem assumido importancin cada vez maior mas articulagées contemporaness acerca do géneto, Trntase de wit perspectiva que investe ne desnudamento Ge especificidades do sujeito, elimsinando o sispcio € ° rclusio da alteridade € promovendo o reconhecimento do suet on cnssqnteete promos tae A eT 0 dda logica bindria. & por meio desse pensamento pos-estrutaralista que sistema sexo-genero tem sido ‘ultimamente equacionade. ‘Emu Problemas de género (2003), Judith Budler refornmala a critica as categorias de identidade produsidas ¢ naturalizadas pelos discursos hhegeménicos, fizendo definitvarmente & por terra @ fégica do essencialismo que rondava 2 nogio Srdher em favor do desnaddamento do sujelto do Feminismo como tima categoria multifacetada ¢ instivel Naverdade, Butler desconstr6i o concito de gensro; sobre 0 qual esté alicercada toda a teor femme, questonando a diferencingio que até ento se IPT fem maiores perealgos, entre aS ategoris de sve e gue. A premissa de que 0 #0, én jalmente construido € posta na borfda para @ pensadora também 2 dca de sexo € una constfugio, uma vez que Me ‘Kasim, se to € constrigho, jz que desde © Post te em um mando pré-diseursivo, “natu \Meniina ¢ 0 menino sfo definidos a parr da ideia jpreviamente constraida aeerea das cada ims, no ha diferenga entre Sexo © BENTO” Em ambos 08 atuiral eo género € soci nascimento & peculiridades fsicas apresentadss Por onceitos, « cultura é 0 destino ‘A part dessa discussto, a teotica passa a questoty o conceito de mulheres como sujeito do Je uma equacto na qual © feminismo. © desmonte da constragéo de gener yedunda no desmonte d aggnerosctiaconcebido como .esséncia Bo raile,comotahs6 poderiafancionar dentro do) humanismo! see emvendo rinidace na categoria rmileresy Ou $8, 19 specie passive) isolar-ihe urna presumivel dyséneia, fica estabelecida a inesisténcia do sujeito ave © ferninismo quer fepresentat.Tratsese de sme categoria des-esscricializada, ou seja, sem ede fa, sempre em processo, cua evolico ¢ afetada pelo entrecruzamento com outros eixos, 316 do género, came race, classe, sexwalidade, ea exc Rigo existindo como categoria coerente e estively © WEI Go faminismo acaba por consistir em om problema politico que hi que se gerenciar so} POM Ue reduzir uma realidade mutltipla ¢ distorme * fuma representagao estével, universal, porém, detarpada, que sejeita “a smnultiplicidade das interseccoes ares, sociais e poifticas em que & constrrklo © eSPECH voncreto das “mulheres” (BUTLER 2003, p. 34-5). Procaramos, neste capitulo, dar win panorama da cre nna déeada de 1979, até o momento contemporineo- Confor paseo Feminist de forma ampla, pensarse imediatammen’s © dj anglo-americana. Ambss 25 tendéncias, apés ui momento inicial em que tabalhavam 20 sentido de desinascarar a misoginia das prévicas fiterérins ins, passa a wma momento mais ma cettado para a investigacio da lteracara de autoria feminisy saves de diversos ennfoquess Come ? ‘bo paieanalitico € 0 politico-cultural a Titerdria feminista, desde sus origenss me dissemos, quando se alude ao debate n das grandes vertentes: a ances © biolégico, o lingul (© modo com que a erftica feminista 1é a literatura, caleado nos pressupostos feminismo, constitui-se a partir de contradicées S9c" lalnurais que fazem emergir a relaio entre sexo ¢ genero. Bm decorréncia desst origen ste natural o fago de essa tendéncia eritiea nao encertat iam modelo explicativo, homogénco ¢ rponolitico, Dai o complexo de visbes © priticas a ae whos refevimos acima, articuladas ao redor de om objetivo bisico: analisar € contestér & esertul® patriarcal de nossa sociedade, por ‘meio da andlise da constituicio dos generos € da opressio de um género sobre 0 outro. entos &, Nease cenirio, tem sido comum a teviszo de concrith™ entendidos como instrame femvinina: inieialmente, falava~ tebricos 40 | anilise de textos literfrios de autoria ge no estudo da catego” versal do homem. Tbe avord cons Hedegges © humanism pressupée como Sbvin2 ‘ pp TEORIA LITERARIA Critica FEMINISTS “mulher seguirpassou-s aestudar a xxegoria de gener sitimmamentem-se prose izado “mdategorias cuja tendéncia & wniversalizar ainda subjacentemsenh oposigio homem/mulher ‘jotes de essa diversidade de discussdes teéricas mmplicar umJoBe de macinhos ¢ bandidos no wniverso, Atcafeminista, implica diflogos slutares, que s6 tendem 2 aPrimorse ‘03 estudos acerca do vema “mulher ¢ literatura”. “A cRETICA FEMINISTA NO BRASH Se nos Estados Unidos € na Europa, 9 inécio dos estedos ligidos » mulher € sua representagio S ToTO, no Brasil, até recentemente, 0 fema nfo era eonsiderad0 ‘objeto na liveratura datam dos ano tegitimo de pesquisa. Segundo Boletins do GT Mather Literatura da Aupoll,a consolidagio de traballos ies acadénicas brasileitas date de meados dosanos 1980, quando grupos de apresentar resultados de pesquisas ¢ dessa natareza nas insti pesquisedores(as) passaram a se resi pata desenvolver estudos, Uiscutir textos te6ricos relativos 20 tema. Essa consolidagio deveucse a ctiagio de associagées de estudo, grupos de trabalho ¢ de seminétios sobre 0 tema: em 1984, foi criada a Associag Nacional de Pés-Graduagio ¢ Pesquisa em Letras ¢ linguistica (Anpoll), em que s¢ integts © GT Maher ¢ Literatusa, compost por professores pesquisadores(as) do cera; em 1985, {foi criado 0 Semindrio Nacional Mulher & meios académicos, Mijemtara, que se caracteriza pela divulgacio de trabalhos © pesdi'ss nos plinar, pelo destocamento por diferentes instituigées brasileiras de ‘dos pesquisadores do tema per ‘Associagio Brasileira de por seu cariter interdisei vexing superior € pelo empenho em possibilitar a atvalizagio seve de intercimbio com especialistas macionais ¢ estrangeiz0s: & Literatura Comparada (Abralic), criada em 1986, também tem contribuido para a consolidacio dos estudos de genero no Brasil, na medida em que boa parte dos trabalhos apresentados nos ses thos rofere-se a essa cemtica, constituindo-se, portato, num CSPAG privilegiado para divalgacio de pesquisas. Naavaliagio da coordenagiodo GT Mulhere Literatura da Anpoll,essas diversas oportanidades de eneontro dos pesquisadores do tema tem permitido 0 intercimbio de experiéncias entre pesquisadores de diversas instituigGes ¢ nacionalidades, 8 divulgagio de resultados de pesquisas a rabalhos crticos, além do estabelecimento de linhas de pesquisa NO cursos de pés-gradsagio ¢ departamentos de Kingua ¢ literatura, constituinda-se em referéncia obrigat6ria para a drea. ‘O resultado positive dessasinicativas pode ser constatado pelo substancial aumento de seminarios especificos sobre a muller, de cursos de extensio € pée-graduagio, de teses ¢ monografis ¢ de publicagées sobre 0 term, TFats-se de trabalhos voles Pitt ? reconstragio e critica de modelos Pvjcienais que torna compreensivac instigadora a perspectiva ermine #0 studs literérios e que, sralan andlise, tom revertido progressivamente o quad de caréncia ve Cr actetizava os estudos ligados a0 tema Muller e Literatura no Brasil, ram esses trabathos derivam das duas grandes tendéncias ‘As investigagées empreendidas pelos grandes linhas incivuladas “Mulber ¢ ‘As linhas de pesquisa em que se enquadh mencionadas no item anterior: a anglo-americana ¢ a francesa. pesquisadores ligedos & Anpoll privlegiavam, inicslmen'sy freraraea: perspectivas teérico-criticas; “Representagoes do fe Temnismo? (enfoque sécio-histérico),“Literasara ¢ 0 feminine” (enfoque’ ‘emulher” (enfoque estético-formal). minino no texto literdrio”; “Literacara psicanalitico); “Literatura Posteriormente, foz-se necessaria, mais de uma vez, 2 reformulagio dessas linhas, tendo em vista as especificidades c diversidades das investigacdes © ° fato de elas terem se constitufde tin ponto de referéncia para os estudos sobre Mulher ¢ ‘Género nos cursos de Letras oferecidos ctyosem noweics/Eoevs Onan Zou (oncawtznones) — 239 “Assim, em 1993, as referidas linhas de pesquisa assumifam & seguinte “A questi do Canone” ¢ “Gender ~ “Resgate”, “Teoria ¢ criticas”, figuracdo atual (veja quadro ‘em nossas universidades. configuragio: “Teoria ¢ critica feminists vertentes”s conden de genero”. Em 1999, assumiram outta configaragio: “Tnterdisciplinaridade” e “Reptesentagao”. Em 2006, comaran sco” abaixo) Pesquisa € constituigio de wim corpus sigifeatvo da prodeee desconhecida Pes ee autoria feminina, tormadss invsfeis pela mediagio cess, Ma —___eetusivnmente masclina, @ partir de wma postora d& revision ‘do cinone e de Resgate einclusio | je5conserucio dos saberes hegeménicos, Puscaido outros Palavras-chave: resgate, inclusfo, autoras, historia literdria Desenvoler investigngoes tebrics que subsiiem o discurso eifeo Fort UN vraiiee feministas de obras no &mbito da hist6tia teria e da critica cultural, partir arate einos de idensidades e de diferengas no contesto nacional ¢ ‘ransnacional alavras-chave: feminismos, teoria(s), jentidade(s), diferencas. Toeestigagio das representagBeeonsirgées, de ger na leraturs fo et Representagdes de vevcroma vrata {ours inguagens a partir de wma perspec critica eminista. ecm outras Tinguagens Palavras-chave: representagio, construgio, género. Quadro 7, Linkas de pesquisa ligadas 8 critica feminist desenvolvidas no Brasil CO crescimento de estudos ligados a essaslinhas de pesquiss, desenvolvidos por pesquisadoras(es) de todo o pats, atestado pelas constantes publicagdes de antologias, diciondtios, ensaios, coletaneas {de connor crftcos, anais de congressos ete, permite falar, neste inicio de século, na critics litersria feminista no Brasil como algo consolidado. No entanto, a despeito disso, os eseritos de mulheres, a is menos favorceidos, so relativamente pouco difundides nas ‘Ouims nfo fossem dignas de figurar nos curticulos escolares, ssim como aqueles relacionados as minorias Etmicas e sexuais e dos segmentos soci salas de aula. E como se essas vozes jnchusive naqueles dos cursos de Letras. Se, no mibito de nossis pesquisas, nds edueadores temos trabalhado no sentido de desenvolver enfoques multicultarais no estudo da literatura, no Ambito do ensine tendemos a nos manter 00 topo da pirimide”, rendendo tributo aos discursos dos siestres®, perpetuando o cdnone liter’rio, consid pelo homem ocidental, heterosexual, branco ¢ de classe p dia-alta; e, nesse sentido, Conttybuinde com a exclusfo ox silenciamento das vozes Oufras, Apetar de sermos téo crfticos uundo nos investimes do papel do pesquisador, nfo nos dames Cont da influéncia do professor wip eriagdo e perpetuacio de cinones, nos tipos de experiéncias que devem ow nio ser preservadas tC quais os segmentos da humanidade que merecem valor histérico “Embora seja dificil desafiar os valores institufdos e rraigados no inconsciet coletivo, os nossos alunos dos cntaos de Letras, sobretuo, ein 0 direito de eonbeccr milo apenas o& AN licerdrios aeeyOnicos, mas também outros tipos de textos, provenientes de outros segmenics cculturais, para que ties possam aprender a ler de modo ertico, questionanda idee slopias ¢ contribuindo para mudances de mentalidades. 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