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22/10/2014 ARTE E TÉCNICA

Aula 6
ARTE E TÉCNICA
Arte - do latim ars; corresponde ao termo grego techne (técnica); significa: o que é ordenado ou toda
espécie de atividade humana submetida a regras. Seu campo semântico se define em oposição ao
acaso, ao espontâneo e ao natural.
Arte é um conjunto de regras para dirigir uma atividade humana qualquer.
A concepção platônica considera a arte uma forma de conhecimento. Não distinguia
Platão a arte das ciências nem da Filosofia (como a arte, estas são atividade ordenadas).
Distinguia 2 tipos de arte ou técnica: 1) Judicativas – dedicadas apenas ao
conhecimento; 2) Dispositivas ou imperativas – voltadas para direção de uma
atividade, com base no conhecimento de suas regras.
Aristóteles toma a arte como atividade da prática. Estabelece duas distinções: a
Aristóteles primeira distingue ciência e filosofia (necessário – o que não pode ser diferente do
que é); arte ou técnica (possível/contingente – o que pode ser diferente do que é); a
segunda é feita dentro do campo do contingente, entre ação (práxis) e fabricação
(poiesis).
Plotino Distingue artes cuja finalidade é auxiliar a Natureza (medicina, agricultura) daquelas
cuja finalidade é fabricar objetos com os materiais oferecidos pela Natureza
(artesanato).
A classificação das artes seguirá padrão determinado pela estrutura social fundada
na escravidão (despreza o pelo trabalho manual). Divide as artes em (perdurará do
Varrão séc. II d. C. ao XV):
Liberais - dignas do homem livre (gramática, retórica, astronomia, lógica,
aritmética, música)
Mecânicas - própria do trabalhador manual/servil (medicina, arquitetura, agricultura,
pintura, escultura, olaria etc)
Idade Média Justifica classificação. Artes que dirigem o trabalho da razão e as que dirigem o
Tomaz Aquino trabalho das mãos. A alma é livre e o corpo é sua prisão. Assim, as artes liberais são
superiores às mecânicas.
Humanismo dignifica o corpo humano. Tal dignidade se traduz na batalha e a
Renascimento conversão das artes mecânicas à condição de liberais. Com o desenvolvimento do
capitalismo, o trabalho passa a ser considerado causa e fonte de riquezas. Tal
valorização acarretou também a das artes.
Distinguiram-se as finalidades das artes mecânicas:
- Finalidade é serem úteis aos homens (medicina, agricultura, culinária,
artesanato);
- Aquelas cuja finalidade é o belo (pintura, escultura, arquitetura, poesia,
Final século música, teatro, dança). Com a idéia do belo, surgem as sete artes ou belas
XVII e artes.
século XVIII A distinção entre o útil e o belo leva à noção da arte como ação individual vinda da
sensibilidade do artista como gênio criador.
Gênio criador (do lado do artista), beleza (do lado da obra) e juízo de gosto (do lado
do público) constituem os pilares sobre os quais se erguerá uma disciplina filosófica:
a estética.
As artes passaram a ser concebidas menos como criação genial e mais como
Final século expressão criadora, isto é, como transfiguração do visível, do sonoro, do movimento,
XIX e da linguagem, dos gestos em obras artística. Não pretendem imitar a realidade, nem
século XX pretendem ser ilusões sobre a realidade, mas exprimir por meios artísticos, a
realidade.
Filósofos = amigos da sabedoria.
Philo, deriva de philia, significa amor fraterno, amizade.
Sophia, significa sabedoria.

Os primeiros filósofos surgira no século VI a. C., na Escola de Mileto.


Defendiam que tudo na natureza derivava de um elemento básico (água, p/ Tales; ar, p/
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Anaxímenes).

No final do século VI a. C. surgiu a Escola Pitagórica.


Os pitagóricos defendiam o número, elemento abstrato, como essência de tudo,
concebendo um universo imutável fundamentado na ordem e na harmonia.

No século V a. C. Heráclito, contrariando os pitagóricos, provou que tudo no universo estava


em constante transformação. Surge a Escola Sofista, que negava a existência de uma
verdade absoluta e buscava conhecimentos úteis à vida, enfatizando a retórica e o uso da
palavra.

No século V a. C. a filosofia ocupou-se com o homem, especialmente com a questão da


ética. Surge a Escola Socrática. Sócrates defendia que a reflexão e a virtude eram
fundamentais à vida

“Conhece a ti mesmo”
Sócrates foi condenado a morte por suas críticas ao Estado ateniense.,
sendo executado por ingestão de cicuta (399 a. C.)
Jacques Louis David – A morte de Sórates (1787)

A Escola Socrática continuou com Platão. Para Platão, cada fenômeno terrestre era um
pálido reflexo do mundo das idéias. Por isso, ficou conhecido como o filósofo do ideal.

Outro filósofo da Escola Socrática foi Aristóteles. Ao contrário de Platão, concentrava seus
estudos nas mutações do mundo material. Para ele o real existia independentemente das
idéias, e para conhecê-lo era necessário desenvolver a lógica.
ARTE E FILOSOFIA
Dois grandes momentos de teorização da arte. No primeiro (inaugurado por Platão e Aristóteles) a
Filosofia trata as artes sob a forma da poética (estuda as obras de arte como fabricação de seres e
gestos produzidos pelos seres humanos); no segundo (a partir do séc. XIII) sob a forma da estética
(tradução do grego aesthesis; significa conhecimento sensorial, experiência, sensibilidade).
No séc. XX as artes deixaram de ser vistas exclusivamente como produtoras da beleza (contemplação).
Tal mudança fez com que a idéia de gosto e de beleza perdessem o privilégio dos estudos da estética.
Com isso a filosofia da arte (estética) aproxima-se cada vez mais da idéia de poética, a arte como
trabalho e não como contemplação e sensibilidade.

Núcleos principais de investigação: Relação entre arte e natureza, relação entre arte e humano,
finalidades da arte

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Investigaremos a Relação entre Arte e Natureza


Aristóteles - Imitação: “a arte imita a natureza”. A obra resulta da atividade do artista para imitar
Estética da outros seres por meio de sons, sentimentos, cores, formas etc. O valor da obra está na
mimese habilidade do artista. Imitar não significa reproduzir, mas representar a natureza
através da obediência a regras para que a obra figure algum ser, algum sentimento,
algum fato. A finalidade é a busca da harmonia e proporção.
Romantismo - Após 23 séculos de definição da arte como imitação, a Filosofia passa definir a obra de
Estética da arte como criação. Ao contrário da concepção anterior onde o valor estava na
criação qualidade do objeto imitado, agora o valor é localizado na figura do artista como gênio
criador. A idéia da inspiração explica a atividade artística. A obra é a exteriorização
dos sentimentos interiores do gênio excepcional. A arte não reproduz a natureza, mas
liberta-se dela, criando uma realidade humana e espiritual. Pela atividade livre do
artista, os homens se igualam à ação criadora de Deus. Nesse momento (estética da
criação) a filosofia separa homem e natureza.
Século XX A obra de arte não é pura receptividade imitativa ou reprodutiva, nem pura criatividade
Estética espontânea e livre, mas expressão de um sentido novo e um processo de construção do
contemporânea objeto artístico em que o artista, às voltas com a natureza, constrói um sentido novo (a
obra) e o institui como parte da cultura. Tal concepção coloca o artista num embate
contínuo com a natureza e com a sociedade, deixando de vê-lo como gênio criador
solitário e excepcional.

“A estética é algo muito diferente das teorias da arte, às quais


correspondia uma práxis (ação) e, portanto, pretendiam estabelecer
normas e diretrizes para a produção artística. A estética é uma
filosofia da arte, o estudo, sob um ponto de vista teórico, de uma
atividade da mente: a estética, de fato, se situa entre na lógica, ou
filosofia do conhecimento, e a moral, ou filosofia da ação. É também,
notoriamente, a ciência do “belo”, mas o belo é o resultado de uma
escolha, e a escolha é um ato crítico ou racional, cujo ponto de
chegada é o conceito. Não se pode, contudo, dar uma definição
absoluta do belo; como é a arte que o realiza, só se pode defini-lo
enquanto realizado pela arte. É verdade, porém que se faz uma
distinção entre o belo da arte e o belo da natureza, mas as duas
formas do belo estão em estreita relação: como a arte, por definição,
é imitação, não existiria o belo artístico se não se imitasse a natureza;
no entanto, se a arte não ensinasse a escolher o belo entre as
infinitas formas naturais, não teríamos noção do belo na natureza.”
Giulio Carlo Argan

A coisa não é bela em si, mas no juízo a define como tal.


O belo não é objetivo, mas subjetivo:
o “belo romântico’ é justamente o belo subjetivo, característico, mutável
contraposto ao “belo clássico”, objetivo, universal, imutável.

A cultura artística moderna mostra-se centrada na relação dialética, quando não de


antítese:
Clássico: ligado à arte do mundo antigo, greco-romano e ao renascimento na cultura
humanista dos séculos XV e XVI.
Romântico: ligado à arte cristã da Idade Média

Wörringer
Distinção por áreas geográficas:
Clássico: o mundo mediterrâneo, onde as relações dos homens com a natureza é
clara e positiva
Romântico: o mundo nórdico, onde a natureza é uma força misteriosa,
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freqüentemente hostil.

Clássico e Romântico foram teorizados entre a metade do século XVIII até meados do
XIX.
Meados do XVIII: os preceitos ou tratados do Renascimento e do Barroco são
substituídos pela estética.
A ruptura na tradição se define com a cultura do Iluminismo.
A natureza não é mais a ordem revelada e imutável da criação, mas o ambiente da
existência humana.

ARTE E SOCIEDADE
A discussão sobre a relação arte-sociedade levou a duas atitudes filosóficas opostas: uma define que
a arte só é arte se for pura, se não se preocupar com as circunstâncias históricas e sociais (arte pela
arte); a outra afirma que o valor da obra decorre de seu compromisso crítico diante das
circunstâncias presentes (arte engajada).

A primeira concepção (arte pela arte) desemboca no chamado formalismo, em que a perfeição da
obra é que a legitima, e não o seu conteúdo.
A segunda concepção desemboca no conteudismo, onde é a mensagem que conta.

Bibliografia imagens

ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna.São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
JANSO , H.W. Iniciação a História da Arte. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

Músicas utilizadas em sala de aula:


Música 1 – Gregoriano: AleluiaIn Die (Monastic choir of the Abbey of St. Peter)
Música 2 – Idade Média: Der kuninc Rodolp (Conjunto de Câmara de Porto Alegre)

O Rei Rodolfo ama Deus e é inabalável em sua lealdade;


O Rei Rodolfo bem se absteve de atos desonrosos;
O Rei Rodolfo julga bem e odeia falsas palavras;
O Rei Rodolfo é heróico, intrépido e virtuoso;
O Rei Rodolfo honra Deus e todas as dignas mulheres
O Rei Rodolfo deixa-s mostrar coberto de altas honrarias.
Desejo que, por sua bondade, seja ele bem-aventurado.
O contar, o tocar e o trovar dos mestres o deleita e não o aborrece.

Música 3 – Idade Média: In taberna quando sumus (Carmina Burana, anônimo)

Quando estamos sentados na taberna,


Não cuidamos da direção da humanidade;entregamo-nos ao jogo
E suamos de tanta atividade.
O que acontece na taberna,
Onde o dinheiro serve o vinho,
E, de fato, uma pergunta séria.
Escutais bem o que vos digo!

Alguns jogam, alguns bebem,


Outros comportam-se ousadamente;
Onde um jogo é praticado,
Muitos são desnudados,
Mais que um se equipa novamente,
Muitos se vão apenas ensacados
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Na taberna ninguém teme


A barreira da morte.

Primeiro brinde: àquele que paga a conta


E aos libertinos que lucram;
Segundo brinde: aos prisioneiros;
Terceiro: aos que vivem por aí;
Quarto: aos cristãos
Quinto: aos defuntos;
Sexto: às irmãs levianas;
Sétimo: à multidão guerreira.

(...)

Ao papa e aos reis! Todos bebem,


Sem medida, sem regra.

Bebe a mulher, bebe o homem


Bebe o militar, bebe o clérico,
Bebe ele, bebe ela,
Bebe o criado com a criada,
Bebe o veloz bebe o preguiçoso,
Bebe o bom, bebe o mau,
Bebe o constante, bebe o errante,
Bebe o bruto, bebe o sábio.

Bebe o pobre e o doente,


Bebe o exilado e o desconhecido,
Bebe o jovem, bebe a velhice,
Bebe o bispo e o decano,
Bebe a irmã, bebe o irmão,
Bebe a anciã, bebe a mãe,
Bebe esta, bebe este,
Bebem cem, bebem mil!

Quase não bastam seis pagantes


Onde todos bebem,
Sem medida e com prazer,
Até a inconsciência.
Por isso toda gente se torna mesquinha,
Por isso somos indigentes
Os que nos injuriam dever ser amaldiçoados
E do livro dos justos erradicados.

Música 4 – Renascimento: No os tardéis, traed, traed aqua ya! (Mateo Flecha El Viejo)
Música 5 – Renascimeto: Le chant des Oyseaux (Clément Janequin)
Música 6 – Barroco: Concerts de Brandeburgo 3 (Johann Sebastian Bach)
Música 7 – Clássico:Concerto para flauta e orquestra em Ré maior (Mozart)
Música 8 – Romântico: Sonata 8 em Dó menor/Pathetique op. 13 (Beethoven)
Música 9 – Séc. XIX: Missa da requien II Dies irae (Verdi)
Música 10 – Impressionistas: Prélude à laprès-midi d´un faune (Debussy)
Música 11 – Impressionistas: Bolero (Ravel)
Música 12 – Moderno: Músic for strings, percussion and celesta (Bartók)
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Música 13 – Moderno: Capríccio para piano e orquestra (Stravinsky)


Música 14 – Moderno: Movimentos para piano e orquestra (Stravinsky)
Música 15 – Moderno: Pierrô Lunar (Schoenberg)

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