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CURSO DE QUALIFICAÇÃO TÉCNICA EM

NECRÓPSIA E ANATOMIA MÉDICO LEGAL

APOSTILA

*MEDICINA LEGAL
*TÉCNICAS DE NECRÓPSIA
*INSTRUMENTAÇÃO PARA NECRÓPSIA
*TÉCNICAS DE CONSERVAÇÃO DE
CADÁVERES (EMBALSAMAMENTO E
FORMOLIZAÇÃO)
*BIOSSEGURANÇA
*NOÇÕES DE PATOLOGIA
*ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA

Organização : Prof. Alexandre Soares

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SUMÁRIO

MEDICINA LEGAL.......................................................................3
TÉCNICAS DE NECRÓPSIA......................................................29
INSTRUMENTAÇÃO..................................................................38
CONSERVAÇÃO DE CADÁVERES..........................................41
EXERCÍCIOS NECRÓPSIA E MED. LEGAL.............................44
BIOSSEGURANÇA.....................................................................81
NOÇÕES DE PATOLOGIA.........................................................83
ANATOMIA E FISIOLOGIA.....................................................117
EXERCÍCIOS ANATOMIA.......................................................199

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MEDICINA LEGAL

1. Conceito de Medicina Legal:

A Medicina legal apresenta características peculiares. Ela se serve dos diversos


ramos da ciência (biologia, química, física) no sentido de auxiliar a Justiça. O seu
conceito mais aceito é: “Medicina legal é a ciência da aplicação dos conhecimentos
médico-biológicos aos interesses do Direito e à fiscalização do exercício médico-
profissional”.

2, Importância da Medicina Legal

A Medicina Legal é chamada para resolver questões que afetam o indivíduo


desde a sua existência no ventre materno até determinado tempo após sua morte. Fala da
sua capacidade, da sua responsabilidade, dos seus crimes, dos defeitos do seu
depoimento, de sua identificação, do suicídio, do homicídio e da morte acidental. Não é
exagero dizer que a honra, a liberdade e até a vida dos cidadãos podem depender de
suas decisões.
O Juiz, o Promotor público, os advogados necessitam de conhecimentos médicos
legais para que possam exercer de maneira satisfatória suas funções.
Muitas vezes um processo judicial é resolvido por um detalhe médico legal, e
uma pessoa injustamente acusada de um determinado delito pode ser inocentada através
de um exame médico legal.

3. Divisões da Medicina Legal


A Medicina Legal l se divide em:
a) Antropologia Médico-Legal: Estuda a identidade e a identificação Médico-
Legal e judiciária
b) Traumatologia Médico-Legal: Trata das lesões corporais sob o ponto de
vista jurídico e das energias causadoras do dano
c) Sexologia Médico-Legal: Estuda a sexualidade humana sob o ponto de vista
normal, anormal e criminoso
d) Tanatologia Médico-Legal: Cuida da morte e do morto. Analisa os mais
diferentes conceitos de morte, os direitos sobre o cadáver, o diagnóstico da
morte, a data da morte, da necrópsia, da exumação, analisando também a
causa jurídica da morte.
e) Toxicologia Médico-Legal: Estuda os venenos, as drogas e seus
procedimentos periciais.
f) Asfixiologia Médico-Legal: Detalha os aspectos das Asfixias de origem
violenta (esganaduras, enforcamento, estrangulamento, afogamento,
soterramento, sufocação direta e indireta.
g) Psicologia Médico-Legal: Analisa o psiquismo normal, as causas que
podem deformara capacidade de entendimento da testemunha, da confissão,
do delinqüente e da própria vítima

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h) Psiquiatria Médico-Legal: Estuda as diversas doenças mentais, os problemas
da capacidade civil e da responsabilidade penal sob o ponto de vista
médico-forense.
i) Criminologia: Preocupa-se com os mais diversos aspectos da
criminogênese, da criminodinâmica, do criminoso e da vítima.
j) Infortunística: Estuda os acidentes de trabalho e as doenças do trabalho.

4- Tipos de exames médico-legais

4.1 Lesões Corporais: Visa esclarecer se houve a infração penal de lesão


corporal. O médico legista irá descrever no laudo a quantidade, o tipo e as
características das lesões encontradas no periciando, e em seguida responder no laudo
se as lesões foram leves ou graves, se resultaram em perigo de vida, incapacidade para o
trabalho por mais de 30 dias, se causaram debilidade permanente ou perda de membro,
sentido ou função, se provocaram aceleração de parto ou aborto, se causaram
deformidade permanente, se causaram enfermidade incurável. A natureza destas lesões
será estudada no disciplina Traumatologia Forense

4,2 Exame de conjunção carnal:


Visa determinar a materialidade dos crimes de sedução e estupro. A pericianda deve ser
encaminhada o mais rápido possível para exame, pois vestígios macroscópicos e
microscópicos (presença de espermatozóides na lâmina) são importantes para a
confecção do laudo pericial

4.3 Exame de ato libidinoso: Tem por objetivo deteminar a materialidade dos
crimes de atentado violento ao pudor.
4.4 Exame para verificação de gravidez: É realizado para fornecimento de
prova material nos crimes de sedução e estupro com gravidez. Outra finalidade seria a
expedição de alvará judiciário autorizando a prática de aborto legal em caso de estupro.
O médico necessita responder se a pericianda estava grávida e há quanto tempo.
4.5 Exame para verificação de aborto: é feito nos casos que se necessite
comprovar a materialidade do abortamento nas suspeitas de abortamento criminoso,
abortamento conseqüente a lesão corporal, ou doença do trabalho que provoque aborto.
4.6 Exame para verificação de parto e puerpério: Tem por finalidade
constatar a recenticidade do parto e puerpério.
4.7 Exame Toxicológico: é feito para verificar se houve uso de droga que cause
dependência física ou psíquica. O exame consta de duas partes: um exame clínico
(sinais e sintomas sugestivos do uso da substância que provoque dependência) e um
exame laboratorial em material colhido do periciando,que em geral é a urina. O exame
laboratorial detectará quantitativamente (quantidade de droga consumida) e
qualitativamente (tipo de droga consumida) através de técnicas como o imunoensaio.
4.8 Exame de embriaguez: É feito para verificar se o periciando fez uso de
bebida alcoólica e se o mesmo se encontra em estado de embriaguez. O exame é feito
através de sinais e sintomas clínicos apresentados pelo periciando. A dosagem de álcool
no sangue pode ser feita através do exame de sangue(a que o periciando não está
obrigado d se submeter, pois implica em ser introduzida uma agulha em sua veia).

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4.9 Exame para verificação de idade: Visa determinar a idade aproximada do
periciando. Os quesitos a serem respondidos no laudo são: se o periciando é menor de
dezoito anos, ou maior de catorze
4.10 Exame psiquiátrico: Fornecem elementos para caracterizar a insanidade
mental do acusado e ajudar na determinação da sua responsabilidade penal e aplicação
da pena.
4.11 Exame Cadavérico: È a necrópsia, que é o exame interno e externo do
cadáver, com a finalidade de deteminar a causa mortis , a causa jurídica da morte, o
tempo decorrido do óbito e também a identificação do corpo. È feita em todos os casos
de crime ou suspeita de crime, sendo indicada pela autoridade policial ou judiciária.

TRAUMATOLOGIA FORENSE

Estuda as lesões e estados patológicos, imediatos ou tardios, produzidos por


violência sobre o corpo humano. Trauma é a atuação de uma energia externa sobre o
corpo da pessoa, com intensidade suficiente para provocar desvio da normalidade, com
ou sem expressão morfológica. Lesão é a alteração estrutural proveniente de uma
agressão ou trauma ao organismo.
As energias causadoras de traumas no organismo humano podem ser
classificadas de diversas maneiras.
Na classificação do autor Genival França, elas se dividem da seguinte maneira:

a) energias de ordem mecânica


b) energias de ordem física
c) energias de ordem química
d) energias de ordem físico-química
e) energias de ordem bioquímica
f) energias de ordem biodinâmica
g) energias de ordem mista

Já na classificação adotada pelo professor Hygino Hércules, as energias se


dividiriam da seguinte maneira

a) energias de ordem física


b) energias de ordem química
c) energias de ordem físico-química

Nesta apostila, iremos utilizar a classificação proposta por Genival França

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1) ENERGIAS DE ORDEM MECÂNICA

São aquelas capazes de modificar o estado de repouso ou movimento do corpo,


produzindo lesões.
Os meios mecânicos propriamente ditos vão desde as armas propriamente ditas
(punhais, punhos, pés, dentes) até outros meios (automóveis, quedas, etc)
Eles são capazes de lesar porque transferem toda a energia cinética, ou parte
dela, para a área em que entram em contato. Por exemplo, um projétil de arma de
fogo, apesar de pequena massa, possui energia suficiente para penetrar nos tecidos
mais resistentes por causa de sua velocidade. Um machado, atuando com a mesma
velocidade de uma faca, produz lesão mais profunda por ser dotado de maior massa.
A transferência de energia de um agente mecânico para o corpo pode ser
classificada de acordo com sua forma. Por exemplo, contato por meio de uma
superfície (agente contundente), contato por uma ponta (instrumento perfurante),
por uma borda afiada (instrumento cortante), por uma ponta e por uma borda,
simultaneamente (instrumento perfuro-cortante), por uma borda aguçada, com
grande massa (instrumento corto-contundente), por uma ponta romba (instrumento
perfuro-contundente).

Desta forma, os meios mecânicos se classificam em

1.1- perfurantes
1.2- cortantes
1.3- contundentes
1.4- pérfuro-cortantes
1.5- perfuro-contundentes
1.6- corto-contundentes

1.1- LESÕES CAUSADAS POR AÇÃO PERFURANTE

São causadas por instrumentos pontiagudos, como agulhas, estilete e o furador


de gelo. Atuam por pressão, afastando as fibras do tecido e atingindo grande
profundidade corporal.
As lesões causadas por esses instrumentos são denominadas punctórias, porque
no seu aspecto externo se assemelham a um ponto. Geralmente sangram pouco, e o
seu diâmetro é menor do que o diâmetro do que o instrumento causador, por causa
da grande elasticidade da pele humana.
Quando o diâmetro do instrumento é mais calibroso, as lesões podem tomar a
aparência de “casa de botão” ou triangular.
A gravidade destas feridas está relacionada aos processos de infecção que podem
ocorrer pela penetração de bactérias juntamente com o instrumento causador da
lesão.
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Estas lesões podem atingir vísceras internas, causando hemorragia. São mais
comuns de origem acidental, raramente usadas em agressões.

1.2- LESÕES CAUSADAS POR AÇÃO CORTANTE

Instrumentos cortantes são aqueles que, agindo de modo linear sobre a pele e os
órgãos, produzem as feridas cortantes (sinônimo: feridas incisas), cujas
características são as seguintes:
a) bordos nítidos e regulares
b) ausência de outros vestígios traumáticos em torno da lesão
c) secção perfeita dos tecidos moles subcutâneos
d) hemorragia abundante
e) predominância do comprimento sobre a profundidade
f) cauda de escoriação no sentido caudal da lesão

São exemplos de instrumentos que causam lesões incisas: gilete, bisturi,


navalha, facas, canivetes.
O sentido do deslocamento do instrumento no momento do corte pode ser
avaliado pela posição da cauda de escoriação, que mostra a saída do gume.
Dentro das lesões cortantes existe o que se chama esquartejamento, que
consiste no ato de dividir o corpo em partes (quartos) por amputação ou
desarticulação de membros, quase sempre com o objetivo do autor livrar-se
criminosamente do cadáver ou impedir sua identificação.

Quando as lesões incisas ocorrem em determinadas partes do corpo, elas são


classificadas de modo específico:

Esgorjamento: é a ferida incisa que ocorre na região anterior do pescoço.


Esta ferida se encontra entre a laringe e o osso hióide, podendo ser anterior, lateral ou
antero-lateral. O afastamento das bordas é muito acentuado, com a impressão que falta
um pedaço do pescoço. Algumas vezes é tão profunda que atinge os ossos da coluna
cervical. Quando um indivíduo sofre esgorjamento e consegue se salvar, geralmente
surge diversas complicações como edema de glote, coleções purulentas nas vizinhanças,
secções nervosas produzindo afonia, paralisias, perda de sensibilidade, disfagia
(impossibilidade de comer).
No caso da morte ser instantânea, na necrópsia encontramos geralmente lesão de
grandes vasos (artéria carótida e veia jugular), lesão dos nervos frênico e
pneumogástrico e asfixia em virtude da penetração de sangue nas vias respiratórias.
O esgorjamento pode ser conseqüência de um homicídio ou de suicídio. Um
caso suposto de suicídio, executado com vários ferimentos no pescoço, se a vítima tiver
as mãos limpas, é um caso suspeito.

Degolamento Aqui a ferida incisa se localiza na nuca. Em alguns casos o


ferimento é superficial, mas geralmente é profundo, chegando a atingir a coluna
cervical. A morte ocorre por hemorragia quando se atingem os vasos calibrosos da
região. Um degolamento profundo e violento, que chegue a atingir a coluna vertebral,

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fala a favor de homicídio, porque é difícil a vítima produzir sozinha uma lesão tão
violenta.
ATENÇÃO Quando a lesão chega a separar a cabeça do corpo da vítima,
damos o nome de DECAPITAÇÃO

Lesão das articulações: A ferida incisa nas articulações como as pregas dos
cotovelos ou dos punhos sugere suicídio. Geralmente a pessoa secciona estes locais e
mergulham o membro em água morna, para facilitar a hemorragia.

1.3- LESÕES CAUSADAS POR AÇÃO CONTUNDENTE

Instrumento contundente é todo objeto rombo, capaz de agir traumaticamente


sobre o organismo. Os instrumentos contundentes podem agir de modo ativo ou
passivo. No primeiro caso, o objeto choca-se contra o indivíduo (exemplos,nos
atropelamentos, desabamentos) e no segundo caso, o indivíduo choca-se contra o objeto
(como por exemplo nas quedas).
As energias que causam as lesões contusas agem por pressão, explosão,
deslizamento, torção, contragolpe. As lesões causadas pelos instrumentos contundentes
produzem lesões típicas, que são exemplificadas a seguir:
a) Ferida contusa: caracteriza-se por ser uma ferida aberta onde a força do
instrumento foi capaz de vencer a resistência e a elasticidade dos tecidos.
Nela encontramos: bordas irregulares, equimoses e escoriações nas margens.
b) Escoriações: chama se escoriação o arrancamento da epiderme, deixando a
derme exposta. Como a derme é ricamente vascularizada, fluem serosidade e
sangue, daí a formação de crosta no processo de cura. È causada geralmente
por ação tangencial do instrumento contundente. A escoriação, após sua cura,
não deixa marcas. São importantíssimas na medicina legal, pois através delas
podemos saber se a lesão foi produzida em um indivíduo vivo ou num
cadáver Se a lesão for produzida no cadáver, não haverá formação de crosta.
As escoriações podem ser pinceladas (produzidas por cascalho), em placa
(produzidas por asfalto), apergaminhadas (encontradas no sulco dos
enforcamentos) ungueais (produzidas por unhas). As crostas começam a cair
por volta do quarto dia e a pele é regenerada por volta do décimo quinto dia.

c) Equimoses: São lesões onde há rotura de capilares e extravasamento de


sangue para os tecidos. Após a violência, produz-se a rotura de um vaso, e o
sangue que daí flui vai incorporando-se a trama das fibras e das células
próximas ao foco da contusão. Quando profunda pode levar até quatro dias
para aparecer. Elas possuem um grande valor médico legal, pois através do
seu exame podemos descobrir o tempo decorrido desde o evento. Tal
descoberta se dá porque com o passar do tempo ela muda de tonalidade. O
grande estudioso LEGRAND DU SALLE criou um espectro equimótico que
nos permite calcular aproximadamente o tempo transcorrido de acordo com a
tonalidade: a) vermelha no primeiro dia, b) violácea do segundo ao terceiro
dia, c) azul do quarto ao sexto dia, d) esverdeada do sétimo ao décimo dia, e)
amarela no décimo segundo dia, e f) desaparece entre o décimo quinto e o
vigésimo dia. A equimose da conjuntiva ocular (o popular “olho roxo”) não

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muda de tonalidade devido ao alto grau de oxigenação local, que impede a
transformação da oxi-hemoglobina.

d) Hematomas: É um acúmulo sanguíneo, devido a rotura de vasos calibrosos.


Usando uma comparação grosseira, poderíamos dizer que a equimose é
semelhante a chuva que penetra na terra durante uma chuva, se infiltrando
completamente no solo, enquanto o hematoma seria uma poça de lama, onde
a água se acumula.

e) Bossa sanguínea: corresponde a uma coleção sangúinea localizada sobre um


plano ósseo superficial

f) Rubefação: trata-se de congestão de uma região do corpo, fugaz, e portanto


exige urgência na realização da perícia, sob pena de desaparecer. Exemplo:
tapa na região glútea

g) Fraturas: classificam-se em: expostas (quando os fragmentos ósseos lesam


os tecidos ao seu redor, incluindo a pele), fechadas (quanto a pele não sofre
solução de continuidade), cominutivas, (quando existem mais de dois
fragmentos ósseos), instáveis (quando não há boa coaptação dos fragmentos)
estáveis (quando há coaptação), intraarticulares e extraarticulares.

h) Luxações: são lesões que implicam na perda de contato entre dois ossos em
uma articulação, e conseqüente lesão dos ligamentos e perda de estabilidade
articular.
i) Entorses: são lesões articulares produzidas por força de torção, onde há
rotura parcial dos ligamentos, implicando em aumento do volume da
articulação, dor e impotência funcional temporária. Um tipo especial de
entorse ocorre na coluna cervical, nos acidentes de trânsito, onde um carro
colide com a traseira de outro que está parado. Neste caso há um movimento
exagerado em extensão da região cervical das pessoas que estão no carro
parado, fazendo distensão dos ligamentos da coluna cervical.
j) Edema traumático: corresponde a alterações circulatórias onde há
extravasamento de líquido para o espaço extra-celular produzindo elevação
da pele.

Tipos comuns de contusões encontradas na prática médico-legal

CONTUSÕES DO TÓRAX : Geralmente são determinadas por diversas causas,


como:
-O indivíduo cai ao solo, projetando o tórax contra objetos como pedras, pedaços
de madeira, etc;
-O choque traumático (socos, pontápés, pauladas) atinge o indivíduo na região
torácica;
-O indivíduo sofre um atropelamento e o tórax fica colhido entre a roda do
veículo e o solo – nesta hipótese, o traumatismo pode produzir rotura dos pulmões,
fratura das costelas (cujos fragmentos irão lesar os pulmões). Na necrópsia comumente
se encontra grande quantidade de hemotórax (sangue na cavidade torácica), e algumas
vezes lesões como a rotura do coração ou dos vasos da base.

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CONTUSÕES DO ABDOME: Os instrumentos contundentes podem agir sobre
o abdome de modo análogo aos focalizados nas contusões do tórax. Neste caso, é
comum a rotura das vísceras abdominais, como o estômago, intestino e bexiga. Na
necrópsia o perito encontra geralmente hemoperitônio, ou seja, sangue em grande
quantidade na cavidade abdominal (quantidade que pode alcançar até mesmo 2 litros de
sangue)

OUTROS TIPOS DE CONTUSÕES:


Algumas feridas contusas são produzidas pelas mãos do homem, produzindo
pressão, e até mesmo arrancamento, como é o caso das equimoses e escoriações
causadas pelas unhas, e lesões graves como arrancamento de órgãos genitais.
Alguns corpos são esmagados por veículos pesados (como ônibus e caminhões)
de tal maneira que o corpo da vítima fica reduzido a retalhos quase que irreconhecíveis.
As precipitações ou quedas de grande altura causam lesões características. No
exame cadavérico encontra-se integridade total ou quase total da pele. As fraturas do
esqueleto são a regra, e ocorrem geralmente no crânio, na bacia, e sobretudo nos ossos
da perna e do pé. Quando a queda é em pé, há rotura dos órgãos internos em
conseqüência do abalo que as vísceras sofrem quando o corpo se choca contra o solo.

1.4 LESÕES CAUSADAS POR AÇÃO PÉRFURO.CORTANTE

Instrumentos perfuro cortantes são aqueles que, além de perfurar, exercem ação
cortante. Estes instrumentos possuem uma ponta e um ou mais gumes. Exemplo dos
instrumentos são: faca de cozinha, punhal, peixeira.
Os ferimentos causados por instrumentos perfuro-cortantes possuem as
seguintes características:
A ferida se apresenta de forma triangular ou em forma de flecha, ou em forma de
casa de botão. Se o instrumento agir de forma oblíqua, produzirá um pequeno bisel na
pele. Se encontrar alguma dobra de pele, poderá ficar em forma de ziguezague.
As vísceras, como o baço e o fígado, apresentam, quando atingidas por esses
instrumentos, um ferimento semelhante ao encontrado na pele, porém, com tendência a
ter um diâmetro maior do que o diâmetro da arma utilizada. Sendo a víscera de
consistência fibrosa, como o estômago, o ferimento toma direções que variam de
acordo com a transição da camada mucosa para a muscular;
Em alguns casos, como nos ferimentos causados no abdômen, o trajeto
observado é maior do que o tamanho da arma, porque geralmente o homicida, com a
violência do golpe, comprime a parede abdominal produzindo um aumento no tamanho
do ferimento.
Quando esses instrumentos agem sobre o crânio, podem chegar inclusive a
penetrá-lo de acordo com a força com que são impelidos contra o mesmo.
Quando são localizados no tórax, geralmente atingem os vasos mais calibrosos
dos pulmões e até mesmo os brônquios, sendo que nestes casos a morte sobrevém de
modo rápido. A necrópsia vai apurar ferimentos na pele, no gradil torácico, nos pulmões
ou no coração, e grande quantidade de sangue dentro das cavidades torácicas.

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Outras vezes, quando o indivíduo não morre imediatamente, sobrevém seqüelas
infecciosas, com formação de pus dentro das cavidades pleurais.
Um dado curioso é que os instrumentos produzidos por instrumentos perfuro
cortantes no coração possuem geralmente a forma de V, L ou Z, porque o coração,
depois de perfurado, continua a contrair-se,e assim vai se cortando no gume da arma.
Nos ferimentos em que são atingidas as vísceras ocas como o intestino e o
estômago, alem dos danos causados pela ferida em si, processa-se uma grande
contaminação da cavidade abdominal, causando-se uma peritonite, que quando evolui
para a morte causa aderências, pus fétido, depósitos fibrinosos, etc.
Um aspecto importantíssimo a ser considerado diz respeito as chamadas “lesões
de defesa”: estas lesões são encontradas na região das mãos, antebraço ou na borda
cubital do antebraço. Estas lesões surgem da tentativa da vítima em se livrar do ataque
do agressor, caracterizando luta e resistência por parte da vítima. Elas podem ser
encontradas tanto nas lesões perfuro-cortantes quanto nas lesões cortantes.
No caso dos suicídios realizados por estes tipos de instrumentos, observa-se
geralmente a presença das “lesões de hesitação”, caracterizadas por múltiplos entalhes e
escoriações lineares no início ou do lado da ferida principal. Estes entalhes e
escoriações devem se ao fato do suicida realizar o ferimento em pequenos golpes,
inclusive para testar sua sensibilidade à dor. Outro detalhe interessante no suicídio é
que geralmente o suicida afasta a camisa antes de se suicidar com uma facada no peito.

1.5 LESÕES CAUSADAS AÇÃO PÉRFURO-CONTUNDENTE

São as lesões causadas por projéteis de arma de fogo, que perfurem e contundem
ao mesmo tempo.
Quando observamos estas lesões, elas se assemelham as lesões produzidas por
instrumentos perfurantes, porém sempre apresentam os bordos contundidos.
As armas de fogo dividem-se em armas de cano curto e de cano longo. As de
cano curto compreendem as pistolas e os revólveres; as de cano longo, os fuzis, as
espingardas e os rifles.
No estudo da munição, vamos examinar:
a) a pólvora: as pólvoras mais usadas são a pólvora negra e a piroxilada. A
pólvora negra é formada por uma mistura de carvão, salitre e enxofre. A
pólvora piroxilada tem como base a nitrocelulose. Quando a pólvora entra
em combustão, há a deflagração de gases da explosão que podem produzir
grandes lesões cutâneas e viscerais. A chama produzida pela combustão da
pólvora pode queimar os pelos e até mesmo as vestes. Os grãos de pólvora
não comburados adquirem também grande força, transformando-se em
projéteis secundários, que são capazes de perfurar a pele, alojando-se nela.
Essas partículas formam incrustações cutâneas, conhecidas com o nome de
tatuagens. Elas são importantes para o estudo de problemas médico-legal,
que veremos mais adiante.
b) O projétil: Pode ser constituído por bala ou por cargas de chumbo. As balas
atuais possuem formato cilíndrico-cônico. A maioria é constituída por
chumbo. Os principais movimentos do projétil são o de propulsão
(deslocamento para a frente) que resulta da força expansiva dos gases, e o de
rotação, que é causado pelas ranhuras existentes dentro dos canos, visando
vencer a resistência do ar. A velocidade dos projéteis varia de acordo com o

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tipo de arma. Geralmente, nos revólveres comuns ela é de 200 metros por
segundo. (aproximadamente 720 km/h).

c) cápsula: corresponde ao estojo de metal que contém a pólvora, sendo,


geralmente, formada por liga metálica de cor amarelada.

Estudaremos agora as características dos ferimentos produzidos por armas


de fogo:

A) Orifício de entrada. Geralmente ele possui o formato redondo ou


ligeiramente ovalado. Quando o projétil não chega a penetrar na pele, limitando-
se a atingi-la de raspão, produz escoriações de forma alongada.
Quando o ferimento é produzido pela arma encostada, encontramos as
seguintes características:
- Sinal de Werkaetner: é o desenho na pele, produzido pela queimadura
da boca do cano da arma e da alça de mira.
- Câmara de mina de Hoffman: é o resultado da ação dos gases que
saem da arma, que descolam os tecidos, produzindo bordas
irregulares e denteadas.
- Sinal de Benassi: encontrado nos tiros encostados na cabeça, onde
produz um halo enegrecido no osso.
- Crepitação nos tecidos adjacentes, devido aos gases que penetram nos
tecidos

Quando o ferimento é produzido por tiro a curta distância


encontraremos outros sinais:
-Bordas invertidas devido a ação de fora para dentro
-Zona de contusão: é a região da ação contundente do projétil
devido ao seu movimento rotatório
-Zona de enxugo: corresponde ao depósito da sujeira levada pelo
projétil
-Tatuagem: deve-se ao impacto dos grãos de pólvora
incombustos, que deixam marcas na pele.
-Orla de esfumaçamento: decorrente do depósito de fumaça sobre
a pele.
-Zona de queimadura: provocada pelo calor dos gases

Quando o ferimento é produzido por tiro efetuado a longa distância


encontraremos:
- orla de escoriação
-zona equimótica
-zona de enxugo

É importante salientar que, no estudo dos orifícios de entrada de projetis durante


o exame médico legal as vestes do cadáver são elementos que muitas vezes auxiliam na
identificação da distância do tiro. Muitas vezes, a tatuagem se fixa na roupa, e também
através do exame das vestes o perito pode comparar os orifícios presentes no corpo com
aqueles presentes na roupa.

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B) Trajetória do projétil: É o caminho produzido pelo projétil. Dentro do organismo, a
trajetória do projeto pode se alterar dependendo da potência da arma, da distância do
tiro, das estruturas atingidas (se atingir um osso, por exemplo, pode mudar de direção).
Há casos onde o projétil é encontrado em pontos inesperados. É de grande importância
definir a trajetória do projétil por causa de suas implicações legais: o perito médico
legista deverá definir, para cada projétil, sua trajetória (se foi de baixo para cima, da
direita para esquerda, de frente para trás) pois esse resultado irá ser de grande valia para
a perícia da criminalística.
O legista também definirá qual ou quais projetis foram letais; isto é importante,
por exemplo , no caso de uma pessoa ser vítima de vários projetis efetuados por pessoas
diferentes; se um dos atiradores atingir o coração, e outro atingir somente o plano
muscular, o primeiro será indiciado por homicídio, e o segundo, por tentativa de
homicídio e lesões corporais.
Na prática médico legal muitas vezes encontramos dificuldades para retirar
projetis, principalmente quando eles se encontram dentro de estruturas ósseas como a
coluna vertebral. Há casos em que o estudo da trajetória se faz com maior trabalho,
como por exemplo quando a bala cai dentro do estômago e intestino,por exemplo.

C) Orifício de saída: Quando o projétil atravessa o cadáver, dizemos que ele foi
transfixante. Neste caso, encontramos geralmente um orifício de saída com formato de
fenda, ou então,com formato irregular. Em algumas vezes encontramos as bordas
evertidas.

O estudo destes tipos de lesões também é importante para determinar a causa


jurídica da morte, como por exemplo para diferenciar homicídio do suicídio; no caso do
suicídio, o tiro invariavelmente deverá ter características de curta distância ( no caso de
suicídio por tiro na cabeça, ocorre o chamado falso tiro encostado: a pessoa encosta a
arma na cabeça, porém no último segundo antes de apertar o gatilho, afasta um pouco a
arma, descaracterizando o tiro encostado), assim como também no suicídio
encontraremos vestígios de pólvora nas mãos da vítima.

1.6 LESÕES CAUSADAS POR AÇÃO CORTO-CONTUNDENTE

São as lesões causadas por instrumentos corto-contundentes, que são aqueles


que, dotados de grande massa, transferem sua energia por meio de um gume. São
exemplos desses tipos de instrumentos: machado, foice, enxada, facão
Ao contrário dos instrumentos cortantes, que agem mais por deslizamento, os
corto-contundentes agem mais por pressão. O gume força os tecidos, penetra e abre
caminho para a cunha que constitui o instrumento. Geralmente, atravessam as partes
moles do corpo e se detém somente ao alcançar os ossos. Em alguns casos, pode chegar
a causar a decapitação, como no caso da guilhotina.
Estas feridas, quando causadas no crânio, chegam a provocar fraturas , e em
locais como os membros podem causar desmembramento. As feridas causadas por estes
instrumentos tem bordas retas, porém com escoriações ao redor. São bastante profundas,
e a abertura dos seus lábios depende da profundidade atingida. Não apresentam cauda
de escoriação

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A mordidas causadas pelo homem ou animais também são consideradas lesões
corto-contusas. Quando a mordida é leve, ocorrem equimoses e escoriações; se for mais
profunda, o tecido se rompe, causando a lesão corto-contusa propriamente dita.

2) ENERGIAS DE ORDEM FÍSICA

TEMPERATURA

Calor: Queimaduras. Podem ser causadas por chamas, calor irradiante,


gases superaquecidos, líquidos escaldantes, e raios solares. A classificação
para as queimaduras proposta por Hoffman é:

Grau I – Eritema, onde as partes queimadas se mostram de cor vermelha,


suscetíveis de desaparecer em poucos dias.
Grau II- Vesículas- Forma-se uma vesícula cheia de serosidade, clara e
límpida

Grau III-Planos musculares. A queimadura atinge o corpo mucoso e a


superfície muscular, formando, com o tempo, uma escara que se desprende
em massa

Grau IV- Carbonização- A queimadura destrói completamente o


tecido,chegando até os ossos.

A sintomatologia das queimaduras varia de acordo com a intensidade e a extensão das


queimaduras. No cadáver vítima de queimadura geralmente encontramos pêlos
chamuscados, e nos casos mais graves, escaras de cor amarelo ou esbranquiçada. No
exame interno do cadáver encontra a maioria das vísceras hiperemiadas, especialmente
no cérebro; o sangue é ao mesmo tempo espesso e coagulado. Os rins apresentam lesões
graves, e também encontramos equimoses nas mucosas do aparelho digestivo.
Quando uma pessoa sofre uma extensa queimadura em seu corpo, ainda que
não sejam queimaduras graves, geralmente sobrevém a morte, pois a pele é a principal
barreira que nosso corpo possui contra a invasão de microorganismos.
Um dos exemplos é o clássico caso do índio Galdino Pataxó, que foi vítima de
queimaduras em mais de 80 % do corpo, pela ação de adolescentes que nele atearam
fogo depois de despejarem uma garrafa de álcool enquanto ele dormia; Apesar de ter
sido prontamente socorrido, e de nenhuma de suas queimaduras ultrapassarem a derme,
o fato delas terem uma grande extensão o levou a morte. No Distrito Federal, o HRAN
é o hospital especializado no tratamento de queimados, e é muito comum os chamados
“grandes queimados” morrerem dias após sua internação, vítimas de infecções como a
septicemia ou pneumonia. É muito comum também ocorrer falência renal.

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Porém, existem exceções, como o caso da estudante venezuelana Jaqueline
Saburido, que em um acidente de trânsito teve seu corpo atingido por queimaduras
gravíssimas que atingiram mais de 80% do seu corpo. Essa jovem, apesar de ter ficado
desfigurada (perdeu as orelhas, nariz, visão de um olho, os cabelos, e as duas mãos)
conseguiu sobreviver ao acidente. Na carbonização os sinais que o cadáver apresenta
são bastante diferentes daqueles encontrados nos cadáveres vítimas de queimaduras:
esses sinais são:
-o cadáver sofre uma intensa diminuição de tamanho, devido,
principalmente, a intensa desidratação que ele sofreu (pois o corpo humano é formado
por mais de 60% de água) Há ocasiões em que um corpo de um adulto fica do tamanho
do corpo de uma criança.
-o cadáver adquire uma posição denominada posição de boxeador, onde
os antebraços se fletem levemente sobre os braços e são trazidos para a frente do tórax,
ao mesmo tempo em que as mãos se fecham. Ao mesmo tempo, os membros inferiores
afastam-se entre si, e fletem-se levemente na altura do joelho.
-Algumas lesões podem confundir os médicos legistas, e é preciso que
eles se mantenham atentos: para elas:
-No crânio poderemos encontrar lesões de forma arredondada, parecidas com
orifícios de entrada de projetis de arma de fogo, e também poderemos encontrar
rachaduras e fendas. Essa lesões são causadas pela expansão dos gases que se formam
pelo aquecimento do encéfalo, que adquire grande tensão e rompe a parede do crânio.
-Os ossos longos, quase sempre o fêmur e o úmero, apresentam fraturas, também
causadas por causa a alta temperatura.
-As cavidades torácicas e abdominais também se abrem em conseqüência da
ação do calor
-Os dentes fendem-se e tendem a calcinar-se; o períneo fende-se na linha
mediana.

Uma das dúvidas presentes no exame de um cadáver vítima de queimadura é a


seguinte: as lesões foram produzidas antes ou depois da morte?
A solução para este problema é simples: nas queimaduras feitas na pessoa já
morta, não existe a formação do eritema cutâneo.
Se a lesão foi produzida na pessoa ainda viva, no cadáver encontraremos
também a presença do retículo vascular cutâneo, produzido pela coagulação vital do
sangue, dentro dos vasos, em conseqüência da ação do calor.
Outro sinal importante é examinar a traquéia e a árvore brônquica em busca de
vestígios de fuligem. Se os mesmos forem encontrados, significa que a vítima respirou.
Esse tipo de observação é muito útil no exame de cadáveres vítimas de incêndios.

Frio: Geladura No Brasil, é raro encontrarmos pessoas mortas por ação do


frio. As vítimas do frio geralmente são os bêbados, os feridos, as crianças
recém nascidas que são abandonadas nas ruas.
O indivíduo submetido a ação do frio intenso apresenta tremor acentuado dos
maxilares,os movimentos se tornam incertos e uma espécie de embriaguez invade sua
mente. O tremor vai se transformando em um sono irreversível que o leva ‘a morte.
Em alguns casos, somente uma parte do corpo sofre a ação do frio, a qua
chamamos de congelamento. Neste caso haverá a formação de lesões, que são chamadas
de geladuras, que se assemelham as queimaduras e possuem as seguintes características:
- eritema em que a pele se torna tensa e vermelho-escura
- flíctenas cheias de líquido de cor citrina clara

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- mortificação dos tecidos com aparecimento de gangrena

Na necrópsia encontraremos as seguintes características:


-O indivíduo mantém sua posição em que estava no momento da morte
-A face tem expressão de terror, os cabelos eriçados e os olhos muito
abertos
-A rigidez muscular é forte, e o sangue tem cor vermelho-viva

ELETRICIDADE

A eletricidade age sobre o organismo humano de duas maneiras. A


primeira é a fulguração, ou seja, a eletricidade natural presente na atmosfera. A
segunda é a eletroplessão, , que é a ação da eletricidade artificial.
Fulguração: O fato de indivíduos serem atingidos por raios é conhecido
desde os tempos antigos. Calcula-se que a carga elétrica de um raio durante um
milésimo de segundo atinja de 10.000 a 300.000 amperes. Quando o indivíduo é
atingido por um raio e consegue sobreviver, dizemos que foi vítima de
FULGURAÇÂO,. Geralmente ela apresentará alguns sintomas característicos:
- perturbações motoras e sensitivas
- zumbidos, surdez permanente, perfuração dos tímpanos
- queimaduras intensas dos olhos, ulceração da córnea,deslocamento da
retina

Se a pessoa porém vier a falecer em virtude de ter sido atingida por um raio,
dizemos que sofreu FULMINAÇÃO. No cadáver encontraremos os seguintes
elementos:

-feridas contusas, perfuração da planta dos pés


-queimaduras extensas, podendo chegar até mesmo em carbonização do
corpo
-impregnação cutânea por objetos metálicos que o indivíduo carregava
(pulseiras, cordões)

No exame necroscópico encontramos congestão vísceral, edema pulmonar e


contusões das vísceras internas.

Eletroplessão: è o resultado da ação da corrente elétrica artificial sobre o


organismo do ser humano

Existem várias crendices populares sobre acidentes com eletricidade que


não correspondem a verdade. Uma delas diz que indivíduos que sofrem uma
corrente elétrica muito forte, de mais de 1000 volts, estão irremediavelmente
mortos, da mesma forma que o senso comum acredita que as pequenas correntes
de até 200 volts não costumam matar. Outros ainda dizem que “quem mata no
choque elétrico é a amperagem, não importando a voltagem”
Tais crendices não tem qualquer fundamento científico. Em relação a
eletroplessão, cada caso é um caso, e o fato do indivíduo morrer na hora ou
escapar vivo vai depender de vários fatores: a intensidade da corrente elétrica

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que atravessa o seu corpo, a resistência que ele oferecerá a passagem da
corrente (por exemplo,o uso de roupas, sapatos) e o tempo em que a pessoa
ficou em contato com a corrente (por exemplo, uma pessoa pode sofrer uma
descarga de milhares de volts por menos de um segundo e sobreviver, enquanto
outra pode morrer se ficar em contato com uma pequena corrente por muito
tempo)
As lesões encontradas em pessoas vítimas de eletroplessão são as
seguintes:

-Queimaduras, que podem ser localizadas em qualquer parte do corpo


-Marca elétrica de Jellineck: são modificações da pele produzidas pela
ação da eletricidade, e que se diferenciam das queimaduras , por ter superfície
externa lisa, onde a pele se apresenta endurecida, as vezes expondo o córion.
Estas lesões mostram o local de entrada e o de saída da eletricidade ao percorrer
o corpo do indivíduo
-O sangue conduz bem a eletricidade, e desta forma os tecidos próximos
aos grandes vasos sofrem várias lesões.
Na necrópsia de vítimas de eletroplessão, além dos sinais acima,
encontramos também:
-edema pulmonar
-edema cerebral
-petéquias no pericárdio, no coração e em outras serosas.

ENERGIA BAROMÉTRICA

Consiste na alteração da pressão atmosférica. O aumento da pressão


atmosférica causa uma embolia traumática gasosa, e é um mal que atinge os
mergulhadores que não tomam os devidos cuidados na hora de mergulhar em
grandes profundidades e acabam subindo ‘a superficie depressa demais.
A diminuição da pressão atmosférica (mal das montanhas) também causa
danos ao organismo, levando a hipóxia por perda de oxigênio no sangue.

ENERGIA RADIANTE

Os elementos radioativos causam lesões semelhantes as lesões causadas


pelas queimaduras de primeiro, segundo e terceiro graus. Além disso, a longo
prazo causam mutações no DNA das células, levando a formação de tumores e
outros tipos de cânceres, como a leucemia.

3) ENERGIAS DE ORDEM QUÍMICA

Vitriolagem : é o nome dado as lesões causadas por agentes cáusticos,


como os vários tipos de ácidos e a soda cáustica. O nome vitriolagem vem
do vitríolo, que éo nome antigo para o ácido sulfúrico.
A vitriolagem pode ser criminosa ou acidental. No caso da acidental,
trata-se de recipientes que contem líquidos cáusticos que explodem e
atingem o rosto ou corpo da vítima. Na criminosa, ocorre geralmente por
motivo de ciúme,onde o objetivo do criminoso é desfigurar a face da pessoa
em questão.

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A literatura médico-legal registra vários casos de pessoas que jogaram
ácidos até mesmo nos ouvidos de pessoas que dormiam, levando-os a morte.
As escaras causadas por ácidos geralmente são escuras e secas, causando
uma quase carbonização local. Já aquelas causadas por hidróxido de sódio
(soda cáustica) são amareladas, úmidas e moles (aspecto saponáceo).
Em alguns casos de tentativa de suicídio a pessoa ingere soda cáustica, e
acaba sofrendo uma lesão denominada colabamento do esôfago, ou seja, as
paredes do esôfago ficam coladas uma na outra, sendo necessário
intervenção cirúrgica para reabrir a passagem esofageana. Este quadro
geralmente evolui para a morte.
Se as substâncias atingirem os olhos, podem causar cegueira permanente.
Atingido o rosto, podem causar cicatrizes de aspecto desagradável que
podem inclusive deformar a pessoa.

Venenos

A parte da ciência que estuda a ação dos venenos ou substâncias tóxicas


no organismo é chamada de toxicologia. A Toxicologia, na Medicina Legal, é
chamada de Toxicologia Forense, e é de grande importância para apurar, em
casos de morte por envenenamento, se foi suicídio, homicídio ou acidente.
Antigamente eram muito comuns os crimes por envenenamento, porque
o atraso dos laboratórios da época não permitiam uma identificação segura
da causa mortis . Hoje, com o avanço da bioquímica e com os modernos
aparelhos dos laboratórios de cromatografia, é possível analisar
qualitativamente e quantitativamente os tipos de substâncias químicas
encontradas no cadáver vítima de envenamento.
Os venenos podem penetrar no organismo de várias maneiras: por via
gastrointestinal (ingestão), pelas vias respiratórias, pela via intradérmica ou
hipodérmica, pela pele ou mucosas, ou diretamente pela corrente
circulatória.
Geralmente, nos venenos ingeridos por via oral, ocorra uma reação do
organismo caracterizada por diarréia e vômitos.
As substâncias tóxicas agem sobre o organismo de maneira muito
variável em sua intensidade e modo de ação. Alguns venenos matam
rapidamente, como o cianureto de potássio; já outros agem lentamente.
Em relação ‘a necrópsia, no caso de suspeita de envenenamento, deveráo
ser retiradas amostras de todas as vísceras, e também de sangue, urina e
conteúdo gástrico para serem encaminhadas ao laboratório de toxicologia
para exame mais detalhado.

4 ENERGIAS DE ORDEM FÍSICO-QUÍMICA

ASFIXIOLOGIA

A asfixiologia forense é a parte da Medicina legal que estuda as asfixias. Todo


ser vivo respira, absorvendo oxigênio e liberando gás carbônico. O conceito vulgar de

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respiração consiste em apenas “encher e esvaziar” de ar os pulmões, mas
cientificamente se trata de um processo bem mais complexo: o oxigênio que inspiramos
na nossa respiração, depois de chegar até os pulmões, é distribuído para todas as células
do nosso corpo, onde será utilizado em uma série de reações bioquímicas denominadas
respiração celular.
Nestas reações,o oxigênio será usado para a célula produzir energia, ou seja, a
energia que nosso organismo utiliza não é proveniente somente dos alimentos: é preciso
oxigênio para quebrar as moléculas de glicose e tornar a energia disponível.
Desta forma, a falta de oxigênio nas células acaba por causar vários danos, falta
essa que ao se prolongar, leva o indivíduo a morte por asfixia.
Curiosamente, o termo asfixia vem do grego, (a sphyxis) e significa “ausência de
pulso”.
A morte por asfixia não é instantânea: geralmente leva quatro minutos. De
acordo como Código Penal, são cirscunstâncias agravantes ter o agente cometido o
crime “com emprego de veneno, fogo, explosivo,asfixia, tortura ou outro meio
insidioso ou cruel”
Quando se observa um ser vivo se asfixiando, nota-se que ele executa fortes
movimentos inspiratórios, na tentativa de obter mais oxigênio. A seguir, observam-se
movimentos expiratórios, acompanhados geralmente de pequenas convulsões. Em
seguida ocorre a parada respiratória com perda de consciência.
Examinando-se externamente o cadáver vítima de asfixia encontramos vários
elementos, que variam de acordo com as causas da asfixia::
a) cianose da face: mais freqüente nos casos de estrangulamento e
esganadura
b) espuma: encontrada nos afogados
c) projeção da língua: comum no enforcamento
d) equimoses externas: freqüentes nos estrangulamentos e
esganaduras
e) livores cadavéricos: se apresentam com a cor escura e aparecem
precocemente.
f) Equimoses viscerais: são vulgarmente denominadas como
petéquias de TARDIEU (que foi o estudioso quem as descreveu) .
São manchas de cor vermelha, de forma arredondada, de tamanho
que pode variar da cabeça de um alfinete a uma lentilha. Elas
surgem por causa do rompimento dos capilares, e se encontram
geralmente nas pleuras.

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Tipos de asfixia:
SUFOCAÇÃO

A sufocação é a asfixia em que o obstáculo ‘a entrada de ar no aparelho respiratório


não é produzido pela constrição do pescoço, e sim por algum tipo de obstáculo. Ela
pode ocorrer de várias maneiras:

SUFOCAÇÃO DIRETA
a) Oclusão direta das narinas e da boca : neste tipo de sufocação os orifícios
superiores do aparelho respiratório são fechados. Pode ser produzida por
travesseiros, cobertores ou outros objetos. Pode ser acidental, que ocorre por
exemplo com recém nascidos , que dormindo com as mães são sufocados por
panos que se encontram no leito. Na oclusão criminosa a cabeça da vítima é
envolvida com panos até causar-lhe a morte. Na suicida a pessoa coloca sobre
a cabeça panos até que se consuma a morte.

b) Oclusão dos orifícios da laringe e da faringe: Também pode ser criminosa ou


acidental Na criminosa ocorre a introdução dentro da boca de tampões de
pano,papel ou outro objeto. Porém este tipo de oclusão é mais freqüentemente
acidental, especialmente entre crianças, que ao ingerir pequenos objetos como
botões, bolinhas de vidro, ou peças de brinquedo, acabam por morrer sufocados.
Entre adultos também ocorrem acidentes, principalmente quando ingerem
grande quantidade de alimentos e engasgam. Os indivíduos alcoolizados podem
ser sufocados com o próprio vômito.

SUFOCAÇÃO INDIRETA

Compressão torácica: é uma modalidade de sufocação onde o indívíduo asfixia-


se porque peso excessivo não lhe permitem realizar os movimentos de inspiração e
expiração. Também é chamada de sufocação indireta. Pode ser homicida, quando o
indivíduo sentam-se sobre o tórax da vítima, até mata-la. Quando é acidental,
geralmente assume caráter coletivo, por exemplo, nas grandes aglomerações
populares. Na necrópsia encontramos, além dos sinais clássicos de asfixia, fraturas
dos arcos costais e rotura dos pulmões.

SOTERRAMENTO

Na asfixia por soterramento, o indivíduo se encontra mergulhado em um meio


pulverulento. Geralmente é acidental, embora existam casos de infanticídio onde a mãe
enterra vivo o recém nascido.
Apesar do nome, pode ocorrer em vários meios sem ser a terra especificamente.
Por exemplo, o indivíduo pode morrer soterrado ao cair dentro de um depósito de
farinha.
O exame do cadáver mostra, além dos sinais de asfixia, vestígios nítidos da
substância em que ocorreu o soterramento, localizados principalmente nas narinas e na
boca. O exame da traquéia também mostrará vestígios desta substância.

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AFOGAMENTO

É a asfixia produzida pela penetração de líquido nas vias respiratórias.Não é


indispensável que o corpo da vítima esteja totalmente coberto.
HOFFMAN descreveu três fases do afogamento: a primeira é a caracterizada
pela parada respiratória, a segunda se traduz por dispnéia com inspirações profundas e
expirações curtas; e a terceira, se instala a asfixia com perda da consciência e dos
reflexos.
VIBERT, estudando a submersão, estabeleceu duas modalidades: a submersão-
asfixia, e a submersão-inibição.
Na submersão-inibição, o indivíduo, ao cair na água, não apresenta reação, e
morre quase que instantaneamente. O mecanismo deste tipo de morte ainda não está
totalmente esclarecido, mas acredita-se que seja por causa da inibição dos centros
respiratórios cerebrais.
Este tipo de morte (por submersão-inibição) nos dá o que chamamos de
AFOGADO BRANCO, no qual não há inspiração de água. Ocorre quando uma pessoa
cai na água e não retorna à superfície, e mesmo quando é resgatada em poucos minutos,
já é encontrada morta.O tempo transcorrido da submersão é tão curto que não diar para
matar por asfixia. Com freqüência , a vítima se encontra alcoolizada, ou sob o efeito de
outro depressor do sistema nervoso central. È também mais comum em locais onde a
água se encontra muito fria. Atualmente, discute-se a existência de uma síndrome
chamada síndrome de imersão, que é uma parada cardíaca quando a pessoa mergulha
em água e temperatura 5 graus abaixo da temperatura corporal. Não se conhece o modo
de ação desta síndrome. Nos casos de afogamento branco, no cadáver não são
encontrados os sinais clássicos encontrados no afogamento verdadeiro, que irão ser
mostrados a seguir:
Na submersão-asfixia a vítima ao cair, vem a tona, tenta respirar, tosse, engole
água, e acaba perdendo a consciência após uma luta prolongada.
Na realidade a vítima, submersa, tenta prender a respiração o máximo quanto
pode; mas em seguida, o reflexo da inspiração é mais forte, e ela acaba inspirando água,
o que a faz perder a consciência. Se ela não for salva, a partir desse momento, dentro de
4 ou 5 minutos ela estará morta.
O cadáver dos afogados apresenta várias características. A seguir, vamos
apresentar as características EXTERNAS:
a) resfriamento precoce
b) rigidez cadavérica precoce
c) pele anserina
d) livores cadavéricos róseos
e) cogumelo de espuma no nariz e boca (esta espuma é resultado da mistura do
muco com a água)

Nos cadáveres vítimas de afogamento que são encontrado após alguns dias,
encontraremos outros sinas externos:

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a) enfisema putrefativo, que é resultado da putrefação cadavérica, que faz com
que o cadáver atinja um tamanho gigantesco, e acabe por vir a tona;
b) destruição das partes moles do corpo como orelhas, lábios globos
oculares,pálpebras, causados por animais marinhos
c) compressão da língua entre os dentes, ou sua protusão

O exame interno do cadáver dos afogados também nos dará outros elementos:
a)líquido dentro das cavidades pleurais
b)presença de corpos estranhos no aparelho respiratório.Algumas vezes é capaz
de encontrarmos pequenas folhas na traquéia. Alguns autores mostram que é
possível até mesmo localizar algas microscópicas no líquido encontrado nos
pulmões
c)espuma na traquéia
d) sangue diluído: o sangue tem uma coloração vermelho clara, é fluido e
escorre como água
e) presença de líquido nas vias digestivas: encontra-se com freqüência no
estômago dos afogados, e sua presença é explicada devido a ingestão de
água durante o afogamento
f) congestão visceral interna: principalmente do fígado, que adquire cor
vermelho escura dando aos cortes saída de grande quantidade de sangue

O afogamento pode ser suicida, acidental, ou homicida(mais raro)

ASFIXIA POR GASES IRRESPIRÁVEIS

O estudo das asfixias por gases é bastante complexo. Existem vários


tipos de gases capazes de causar diversos sintomas no corpo humano, que
podem inclusive levar a morte.
Entre estes gases, podemos citar:
a) gases lacrimogêneos: causam intenso lacrimejamento, por causa da
irritação ocular, que pode levar até a conjuntivite e cefaléia.
b) gases vesicantes: o mais conhecido deles é o gás mostarda, que age
produzindo lesões locais como úlcera de córnea, destruição da mucosa da
traquéia, infecção brônquica, necrose dos pulmões. A pele se cobre de
ulcerações, e a morte geralmente sobrevém por broncopneumonia.
c) gases tóxicos: os principais são o ácido cianídrico é o monóxido de
carbono. O ácido cianídrico produz a morte quase que instantaneamente, tanto é
que ele é usado nas famosas câmaras de gás onde são executados os condenados
a morte. O monóxido de carbono é o gás que sai dos motores dos automóveis; é
extremamente tóxico, porque se liga a proteína do sangue (hemoglobina)
tomando o lugar do oxigênio. No cadáver vítima deste gás encontramos livores
róseos, os músculos mantém uma coloração vermelha viva. Antigamente este
gás era usado na iluminação pública e nos encanamentos de gás,o que levava
muitas pessoa a se suicidarem abrindo a torneira do gás e fechando as portas de
suas casas.
Alguns gases anestésicos, quando absorvidos em excesso, podem
também levar a morte por asfixia. Existem vários indivíduos que se asfixiam por
uso do clorofórmio embebido em um pano, levado a boca e ao nariz.

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Além desses gases existe outra modalidade de asfixia que é chamada de
CONFINAMENTO. São casos em que o indivíduo, enclausurado dentro de um
recinto, esgota o oxigênio vital contido no mesmo, vindo a falecer dentro do
mesmo. Ocorre em situações como: quando paredes desabam no interior de
minas, prendendo os operários nas galerias; quando os submarinos afundam;
quando crianças se trancam dentro de malas ou pequenos cubículos; ou quando
se colocam vários indivíduos em um quarto ou cubículo de tamanho reduzido,
onde a ventilação não é suficiente.
Os cadáveres vítimas deste tipo de asfixia apresentam as seguintes
características:
-persistência da temperatura do corpo muito tempo após a morte
-umidade do cadáver
-pele pálida

ENFORCAMENTO, ESTRANGULAMENTO E ESGANADURA

No enforcamento, a constrição do pescoço é exercida por um laço, cuja


extremidade se acha fixa a um ponto dado, sendo a força atuante o próprio peso do
corpo.
Durante muito tempo acreditou-se que o enforcamento só acontecia se o corpo
da vitima ficasse completamente suspenso. Porém, existem vários casos onde o
indivíduo fica com os pés e as vezes até o joelho encostado no chão, e ainda assim
consuma-se o enforcamento.
Os laços usados podem ser de dois tipos: laços duros e laços moles. Os laços
duros são formados por cordas, fios elétricos, arames. Os laços moles são representados
por lençóis, toalhas, gravatas.
Em geral, o laço do enforcamento dá uma única volta em torno do pescoço. O nó
pode ser corredio ou fixo. O nó geralmente se situa na região posterior do pescoço, nas
proximidades da região mastóide.
Quanto ao ponto de suspensão, pode ser variável, podendo ser uma porta, uma
árvore, uma trave do teto, etc.
Algumas vezes a corda se rompe ou alguém retira o indivíduo a tempo de o
salvar; nestes casos, a pessoa apresenta uma série de sintomas como: disfagia, disfonia,
e até mesmo estados convulsionais. O indivíduo pode até mesmo vir a falecer dias após
o salvamento.
No cadáver dos enforcados encontramos uma série de características: a língua
geralmente está um pouco protusa,e os livores se encontram na parte inferior do corpo,
por causa da ação gravitacional.
As pernas e os pés podem apresentar pequenos ferimentos, porque nas
convulsões que precedem a morte o enforcado poderá projeta-los com violência contra a
parede, ou objetos próximos.
O sulco deixado no pescoço dos enforcados é de grande importância no
diagnóstico médico-legal do enforcamento. Tal sulco não é contínuo: interrompe-se em
pontos que correspondem aos cabelos, ou nas proximidades do nó. Tem como regra
quase absoluta uma direção oblíqua ascendente, sendo que o ponto mais alto desta linha
corresponde ao nó. Em geral o sulco do enforcamento é único.
Os sulcos podem ser pálidos ou pergaminhados. Os pálidos tem cor azulada, e
são produzidos por objetos de baixo poder compressivo como lençóis e roupas. Os
pergaminhados tem cor castanho escuro, semelhante a um couro, e são produzidos por

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objetos de poder compressivo forte como cordas e fios. A profundidade e a largura do
sulco dependem da espessura do laço e do tempo de compressão.
O exame do pescoço do enforcado revela:
-Linha Argentina: encontrada nos sulcos pergaminhados, em que o tecido
conjuntivo subcutâneo se desidrata e se condensa por causa da compressão, deixando
uma estria de cor branca, que acompanha a direção do sulco. Ela se chama linha
Argentina por causa de sua cor esbranquiçada que algumas vezes parece ser prateada
(em latim, prata se escreve argentum)
-Equimoses sangúineas nos músculos (como o esternocleidomastóide)
-Lesões da carótida: especialmente as lesões da túnica interna das carótidas.
-Lesões das cartilagens da laringe
-Lesões da coluna vertebral (se o enforcametne for violento).

O enforcamento pode ser suicida, homicida e acidental. O acidental é raro, mas


existem casos de acrobatas e outros indivíduos que se enforcaram ao fixar fios em locais
elevados
O enforcamento homicida é mais raro ainda, entretanto existem casos como o do
falso médico de Rouen, que era um indivíduo que, dizendo-se médico, ia até a casa dos
pacientes com uma corda e um prego e os convencia de que deviam submeter-se a um
tratamento especial, no decurso do qual eram enforcados.
O diagnóstico diferencial entre um enforcamento suicida e homicida é
necessário, pois um indivíduo pode ser morto por outro processo e ser, em seguida,
suspenso por uma corda a fim de simular o homicídio.
As equimoses, lesões viscerais e as hemorragias nos tecidos do pescoço são
reações vitais, indicativas de que o indivíduo se encontrava vivo ao ser enforcado.
No estrangulamento, a asfixia ocorre pela constrição do pescoço por um laço,
cuja força atuante é a mão humana.
Nos casos de estrangulamento, o sulco geralmente é horizontal e é completo, ou
seja, abrange todo o pescoço. Sua profundidade é uniforme e os bordos apresentam cor
violácea, que contrasta com a palidez do fundo.
O sulco do estrangulamento dificilmente se apergaminha, porque a pós a morte
cessa a ação constritiva.
NO cadáver encontramos uma espuma rósea na laringe e traquéia, congestão
pulmonar. No exame interno do pescoço, encontraremos lesões hemorrágicas dos
tecidos do pescoço, e também equimoses das pálpebras e das conjuntivas. Raramente
encontramos lesões nas carótidas ou nas cartilagens da laringe.
O estrangulamento geralmente é homicida. È bastante comum nos casos de
infanticídio.
A esganadura é a modalidade de asfixia em que a constrição do pescoço é
executada diretamente pela mão. O cadáver vítima de esganadura apresenta as
seguintes características:
-petéquias disseminadas por quase toda a face
-congestão da conjuntiva e da face
- equimoses e escoriações cervicais de forma semilunar, causadas pelas unhas .
- espuma rósea na traquéia

A esganadura suicida não é admitida como possível, portanto ela sempre é fruto
de um crime.

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TANATOLOGIA

Tanatologia é a parte da Medicina Legal que estuda a morte e os problemas


médico-legais dela decorrentes. Com a morte cessa a personalidade civil do indivíduo, o
que dá lugar a uma série de conseqüências jurídicas de alta relevância.
A definição mais simples de morte é a cessação total e permanente das funções
vitais. Porém, como avanço da tecnologia médica,surgiram novos questionamentos,
principalmente em relação ao exato momento de se considerar alguém morto. (Isso é
importante no caso da doação de órgãos para transplante, por exemplo). Desta forma,
define-se atualmente morte clínica como o estado irreversível de defunção encefálica
comprovada por exames específicos e não mais pela cessação da atividade
cardiorrespiratória (uma vez que a pessoa com morte encefálica pode manter a função
cardiorrespiratória preservada)
Mas o que seria a morte encefálica?
A morte encefálica é a situação em que as estruturas vitais do encéfalo
encontram-se lesadas irreversivelmente. Caracterizando-se por:
-ausência total de resposta cerebral, com perda absoluta de consciência
-abolição dos reflexos cefálicos, com hipotonia muscular e pupilas fixas
indiferentes aos estímulos dolorosos e luminosidade.
-ausência de respiração espontânea
-eletroencefalograma EEG plano, isoelétrico em todas as derivações
-ausência de circulação cerebral em exame angiográfico

O receio de ser enterrado vivo é um medo que está presente em várias pessoas.
Os numerosos casos quase lendários contados pelos populares não passam de
imaginação exaltada ou má observação.
Existem raríssimos casos de morte aparente, que ocorriam geralmente na
antiguidade e em meio a grandes epidemias, quando os médicos não faziam um exame
mais apurado para diagnosticar a morte. Nos IMLs e Anatomias de todo o mundo não se
tem notícia de se ter iniciado um exame necroscópico em uma pessoa ainda viva.
O diagnóstico da realidade da morte é feito através de vários meios, e os
fenômenos decorrentes da morte são divididos em várias etapas:

Fenômenos abióticos imediatos:


:
-perda da consciência
-perda da sensibilidade
-abolição da motilidade e do tônus muscular
-cessação da respiração
-cessação da circulação (batimentos cardíacos)
-cessação da atividade cerebral

Existem alguns testes antigos,dos quais descreveremos alguns:


-Introduzir uma agulha na região precordial. Se o coração ainda bater, a agulha
se movimentará
-Fazer a ligadura de um dedo, se houver vida, o mesmo adquirirá cor violácea

25
-Instilar duas gotas de éter nos olhos, se houver vida, haverá hiperemia
-Aproximar uma vela da pele do indivíduo; se houver vida, haverá formação de
uma vesícula sanguinolenta
-Fazer umainjeção de fluoresceína endovenosa. Se houver vida, em 30 minutos a
pele adquire cor amarela e os olhos cor verde

Fenômenos abióticos consecutivos

-Desidratação: a evaporação da água nos tecidos orgânicos leva a diminuição de


peso, ao ressecamento da pele, os globos oculares sofrem opacificação das córneas,
formando manchas negras na esclera.
-Resfriamento do corpo: Não havendo mais funcionamento dos centros cerebrais
termorreguladores, o cadáver perde calor, em média de 1 a 1,5 graus por hora, até
atingir a temperatura ambiente.
-Rigidez cadavérica: causada por fenômenos bioquímicos que ocorrem dentro
das células musculares, começa entre 1 a 2 horas após a morte, chegando ao máximo
cerca de 8 horas após. Desaparece com o início da putrefação, geralmente depois de 24
horas. Inicia-se nos músculos da mandíbula, e progressivamente dos membros
superiores até os inferiores. Se desfaz com o início da putrefação, inversamente como
se instalou.
-Livores hipostáticos: São produzidos pela parada da circulação sanguínea,
Surgem nas primeiras horas após a morte, formando um rendilhado puntiforme. Se
tornam fixos por volta de 8 a 12 horas após a morte. De acordo com os livores, podemos
descobrir a posição em que o cadaver estava na hora da morte. (por exemplo, se ele
morreu em decúbito ventral, a parte anterior ficará com livores)
Estes três últimos fenômenos podem ser assim descritos, para melhor
memorização: ALGOR (resfriamento), LIVOR (manchas de hipóstase) e RIGOR
(rigidez cadavérica)

Fenômenos transformativos destrutivos

São aqueles que alteram a estrutura do cadáver.

Com a queda dos sistemas encefálicos superiores, as células permanecem ainda


algumas horas em funcionamento, formando catabólitos que vão acidificando o
ambiente celular (pois não está havendo entrada de oxigênio) de tal forma que a célula
vai sendo destruída em um processo denominado autólise. Ela representa o início
bioquímico da putrefação.
Entre 20 a 24 horas após a morte, o processo bacteriano presente no intestino
passa a ser visualizável, a partir de uma mancha verde que se instala na fossa ilíaca
direita , por causa da proximidade do ceco (início do intestino grosso) com a pele da
parede abdominal. Essa fase é chamada de fase de coloração
Há também a formação do gás sulfídrico bacteriano, que combinado coma
hemoglobina do sangue cria um composto esverdeado denominado
sulfometahemoglobina. Ocorre também a formação de dois derivados da decomposição
das proteínas, chamadas de putrefacina e cadaverina, ambas de odor muito
desagradável.

26
Continuando com o desenvolvimento bacteriano, os gases decorrentes da
putrefação começam a aumentar tremendamente as pressões intracavitárias (caixa
craniana, tórax e abdome), fazendo com que o sangue já parcialmente putrefeito procure
áreas de menos pressão; desta forma se instala um mapeado dérmico conhecido como
circulação póst mortem ou circulação póstuma de brouardel. Em decorrência destas
mesmas pressões , acontece a protusão da língua e das órbitas, o agigantamento do
cadáver,e nos homens, aumento da bolsa escrotal
Encontramos ainda nessa fase a formação de bolhas ou flíctenas putrefativas,
cheias de líquido, com descolamento da pele do cadáver. Ele então adquire uma posição
chamada de “posição de boxeador”. A esse conjunto de características damos o nome
de fase gasosa da putrefação. Ela geralmente dura vários dias até semanas,
dependendo de fatores como condições climáticas, local onde o corpo se encontra, etc
Um número incontável de bactérias agora auxiliadas por outros animais
necrofágicos, começa a destruir a arquitetura orgânica. Principalmente as larvas de
moscas e outros insetos.
Com o passar dos dias, as partes moles vão se destruindo, e as partes ósseas mais
proeminentes vão aparecendo; surge um líquido pútrido de cor escura que se espalha
por todo o cadáver. Os cabelos caem, os restos viscerais se transformam em uma massa
negra. Esta fase se chama coliquativa. Essa fase pode durar de semanas a meses.
Passando esta fase, a pele e os músculos já estão destruídos por completo,
deixando os ossos expostos; é a esqueletização. Esse processo demora vários anos para
se concluir;
Os cabelos, os ossos e os dentes resistem muito tempo aos fenômenos
destrutivos. O resto, porém, desaparece por completo.
Existem alguns fenômenos post mortem que alteram a ordem de putrefação
mostrada acima. são os FENOMENOS CONSERVADORES.

Fenômenos transformativos conservadores

São aqueles que ocorrem atrasando o processo de putrefação, ou até mesmo


impedindo o seu aparecimento.
.
O primeiro é a saponificação ou adipocera, que ocorre em cadáveres de
indivíduos obesos, enterrados em terrenos com grande umidade, frios e pouco
ventilados. Os ácidos graxos se transformam em sabão,impedindo a proliferação das
bactérias.
O outro é a mumificação, que ocorre com cadáveres de indivíduos magros,
colocados em ambiente seco, quente e bem ventilado. Sua dessecação é tão intensa que
as bactérias não sobrevivem e o corpo se mumificará.
O ultimo deles é a maceração, que ocorre nos abortos retidos, onde o feto é
mantido morto dentro do útero por várias semanas. Ele não entra em putrefação porque
o líquido amniótico é estéril; porém ele se deforma, e a cabeça se tumefaz.

DIREITOS SOBRE O CADÁVER

27
O CORPO HUMANO é de natureza extrapatrimonial, é res extra commercium,
inacessível (teoricamente) aos negócios habituais. Ele não é um bem econômico. O
direito sobre o corpo não é um direito de propriedade, e o cadáver não pode ser utilizado
para fins lucrativos.
O cadáver não faz parte da sucessão. A família tem direitos e deveres. Tem como
dever primordial respeitar e executar a vontade do falecido, se essa vontade é lícita.

DESTINO DO CADÁVER

I. Inumação

A inumação realiza-se em Sepultura de 1, 70 m de profundidade por 80


centímetros de largura, espaçadas umas das outras pelo menos 60
centímetros, em todos os sentidos. Só pode ser realizado 24 horas após a
morte. É de hábito abrir-se o caixão para certificar-se da presença do
cadáver.

II. Cremação

Consiste em reduzir O Corpo, em fornos especiais, a cinzas, que


poderão ser guardadas em pequenos recipientes. Do ponto de vista
médico legal, existem argumentos contrários, porque a cremação impede
qualquer verificação post-mortem que poderia ser realizada, como uma
exumação. Por isso ela nunca deve ser permitida sem um exame
minucioso do cadáver

CRONOTANATOGNOSE

É a parte da Medicina Legal destinada a estudar a data da morte. Baseia-se num


conjunto de elementos que nos permitem dizer há quanto tempo ocorreu a morte. Esses
elementos são:

a) resfriamento do cadáver: ocorre em um tempo que é calculado em cerca de 24


horas
b) livores cadavéricos: levam de 4 a 5 horas para se instalarem, sendo deslocáveis
nas 8 horas que se seguem. Após esse período se tornam fixos

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c) rigidez cadavérica: inicia-se na primeira hora, atinge o máximo em 8 a 12 horas
e se desfaz completamente em 24 horas

d) mancha verde abdominal: surge no fim de 24 horas, ou um pouco antes se o


clima estiver quente

e) crescimento da barba: só ocorre nas primeiras horas após a morte. A barba cresce
cerca de 21 milésimos de milímetro por hora. Basta dividir-se o comprimento
que os pelos da barba do cadáver apresentam por 21 milésimos de milímetro que
saberemos o numero de horas decorridas após a ultima feitura da barba.

f) Fauna cadavérica: existe uma parte da Medicina Legal chamada Entomologia


Forense, que estuda os insetos que formam a fauna necrofágica, ou seja, que se
alimentam dos cadáveres.Através dos tipos de insetos encontrados no cadáver, é
possível determinar o tempo aproximado de morte, porque existe uma seqüência
de tipos de insetos e larvas que se alimentam do cadáver de acordo com sua fase
de putrefação Nestas mesmas larvas ainda podem ser encontrados resíduos de
substâncias como venenos e drogas. A Entomologia Forense infelizmente ainda
não é muito estudada no Brasil, sendo mais desenvolvida na Europa e EUA.

NECRÓPSIA

Exame necroscópico, necroscopia, autópsia, autopsia, necropsia, necropsia,


tanatoscopia, autósia, são todos termos sinônimos utilizados para definir o exame
externo e interno do cadáver realizado com o objetivo de definir a causa da morte
do indivíduo, tanto do ponto de vista médico quanto do ponto de vista jurídico.

A necropsia é um trabalho em equipe, e uma tarefa de paciência. A necrópsia


constitui a maior fonte de ensinamento na medicina legal e também na Patologia.

Trabalho árduo, nem sempre bem interpretado e aceito pela comunidade e


inclusive pela comunidade hospitalar, a necrópsia deve ser realizada com a consciência
de sua importância no aprimoramento da Medicina, na Medicina Legal e como
instrumento de controle do seu próprio exercício.

O médico legista, o patologista e o técnico em necropsia não podem deixar de


considerar o trauma que representa a necrópsia para os familiares do morto, e a eles toda
atenção e respeito devem ser dados, incluindo a preocupação de não mutilar o cadáver.

29
A necrópsia não serve apenas para identificar a causa do óbito, ou apenas para
finalidade médico-legal como muitos pensam. Ela tem diversas outras funções:

 Controle de qualidade do diagnóstico e do tratamento, através do conhecimento,


por parte da equipe que atendeu o paciente, dos achados da necrópsia, visando
identificar possíveis erros e suas causas, buscando sua correção, para que não se
repitam em outro paciente.
 Material para ensino dos residentes, alunos e professores. A correlação clínico-
patológica realizada durante todas as etapas da necrópsia é um excelente
exercício, trazendo um aperfeiçoamento crescente em todas as áreas da
Patologia. Fornece também "peças" que são fixadas em formol e utilizadas no
ensino.
 Fonte de informação para a Secretaria de Saúde, permitindo a feitura de
estatísticas precisas sobre as doenças mais freqüentes, o que influi na política de
saúde do Estado e do Município.
 Material para pesquisa.
 Reconhecimento de novas doenças e de novos padrões de lesão.
 Reconhecimento do efeito do tratamento na evolução da doença.
 Esclarecimento de casos sem diagnóstico clínico firmado ou naqueles em que a
morte do paciente foi inesperada.
 Casos suspeitos de doença ambiental ou ocupacional.

Desta forma, existem dois tipos básicos de necropsia: a necropsia médico legal e
a necropsia clínica

A NECRÓPSIA MÉDICO-LEGAL

A necropsia médico legal é aquela realizada em todo caso de morte violenta


ou suspeita. Entende-se por morte violenta toda morte resultante de uma ação externa e
lesiva, sendo ela acidental ou não. Já a morte suspeita é aquela que ocorre sem qualquer
justificativa, de forma duvidosa, para a qual não se tem evidência concreta de sua
causa.Assim, a morte pode ser considerada suspeita sempre que houver a possibilidade
de não ter sido natural a sua causa. Um exemplo de morte suspeita é o indivíduo ser
encontrado morto em um quarto de hotel. Como não se tem certeza da causa de sua
morte, ou não se pode afirmar se houve ou não violência que causasse a sua morte sem
o exame necroscópico , a necropsia é necessária para o esclarecimento deste óbito.
Outro exemplo: o indivíduo encontrado morto no banheiro de sua casa, trancado por
dentro, tanto pode ter sido vítima de uma doença de evolução aguda quanto pode ter
cometido suicídio. Outro caso de morte suspeita é o cadáver encontrado em avançado
estado de putrefação.
O tipo de morte chamado morte súbita é aquela que ocorre sem uma patologia
prévia que a justifique. Ela inclui tanto a morte fulminante, em que a pessoa
aparentemente normal sofre uma crise repentina, cai e morre, quanto nos casos em que
uma doença se instala em um indivíduo sadio e evolui muito rápido, levando a sua
morte em torno de um dia. Geralmente, toda morte súbita também é considerada morte
suspeita.
A necropsia médico legal em todos estes casos (morte violenta e morte suspeita)
é considerada de caráter OBRIGATÒRIO, não dependendo de autorização da família

30
para ser realizada. As suspeitas de erro médico que levam à óbito também são
investigadas por meio de necropsias médico-legais.
A necropsia médico legal se divide em exame externo e exame interno.

EXAME EXTERNO: São inspecionadas todas as regiões do cadáver, de forma


a identificar características externas relacionadas à causa da morte. Desta forma, são
descritos e relacionados pelo medico legista, com a ajuda do técnico em necropsia, os
orifícios de projéteis de armas de fogo, ou perfurações causadas por instrumentos
perfuro-cortantes, assim como escoriações, fraturas, equimoses, etc.

EXAME INTERNO: Com o cadáver em decúbito dorsal, um cepo de madeira é


colocado sob a nuca, e inicia-se uma incisão bimastóidea vertical, tendo o cuidado de
desvia-lo se porventura houver alguma lesão traumática em seu caminho. Rebatem-se
para frente e para trás os retalhos do couro cabeludo, utilizando-se uma rugina. Em
seguida, retira-se o periósteo da calvária, desinserindo e rebatendo os músculos
temporais. Depois serra-se a calvária em sentido horizontal, com o cuidado de não
aprofundar-se em demasia, para não lesarem os planos mais profundos. A serra mais
indicada é a do tipo Stryker, própria para ossos, mas também podem ser utilizadas serra
de gesso ou até mesmo serras manuais. Retirada a calvária, é feita a retirada das
meninges, cortando-se a dura máter rente ao corte de serra da calvária. O encéfalo é
então tracionado levemente para trás, até se expor a tenda do cerebelo, que é
seccionada.. Também deve ser seccionada neste momento a medula espinhal. Desta
forma todo o encéfalo é liberado, sendo retirado para exame. Geralmente após a
inspeção do encéfalo, nele são realizados vários cortes transversais, geralmente feitos
com a faca de Collin. Na base do crânio, é descolada toda a dura –máter, para se
examinar todas as fossas cranianas.
Após o exame do crânio, é feita uma incisão biacrômio-esterno-pubiana,
ou mento pubiana, tendo novamente o cuidado de desviar a incisão de quaisquer lesões
encontradas no caminho. Rebate-se toda a musculatura do tórax lateralmente, deixando
as costelas expostas. A articulação costoclavicular é separada com o bisturi, e as demais
costelas são quebradas com o uso do costótomo, procedendo assim a retirada do plastrão
costal (ou condroesternal). A parte abdominal deve ser aberta tendo o cuidado de não se
aprofundar demais o corte para não perfurar as alças intestinais.No abdomem, a incisão
deve se desviar do umbigo.
Após as cavidades estarem expostas, inicia-se o exame dos órgãos
internos. Como se trata de uma necropsia médico-legal, o interesse maior está em
identificar e descrever as lesões que foram encontradas: fraturas, hematomas, e também
deve se proceder a retirada de projéteis (se houver), e também a determinação da
trajetória dos mesmos. Se houver sangue na cavidade torácica (hemotórax) ou
abdominal (hemoperitônio), o mesmo deve ser retirado e seu volume dever ser medido.
Se porventura algumas alterações foram encontradas em certos órgãos
(edema pulmonar, antracose, etc) elas também devem ser descritas no laudo cadavérico.
Porém, lembrando que o objetivo desta necropsia está relacionado ao seu aspecto
jurídico.
A cavidade vertebral não é aberta na necropsia médico-legal, exceto
quando existem traumatismos (traumatismo raqui-medular) ou quando nela se alojam
projéteis.Neste caso, ela é aberta da seguinte forma: após ser feita uma incisão nos
processos espinhosos, a pele é rebatida juntamente com os planos musculares, até serem
expostas as lâminas vertebrais. As lâminas então são serradas de um lado e de outro, até
serem retiradas em conjunto, expondo-se a dura máter.

31
Após estes exames, os órgãos que porventura foram retirados (de acordo
com a técnica de necropsia utilizada) são colocados novamente no cadáver, e o mesmo é
totalmente suturado e limpo pelo técnico em necropsia. Um importante detalhe que não
pode ser esquecido é a identidicação correta do cadáver no final da necropsia, com a
etiqueta sendo presa no seu pé.

ATENÇÃO: A ORDEM DAS ETAPAS DA NECRÓPSIA


MOSTRADA ACIMA TEM FINS DIDÁTICOS; FOI RETIRADA DO LIVRO
REFERÊNCIA DE MEDICINA LEGAL (GENIVAL FRANÇA). PORÉM, EM
PROVAS DE CONCURSO PARA TÉCNICO EM NECRÓPSIA, A ORDEM DA
NECRÓPSIA É COBRADA DE FORMA DIFERENTE, MAIS RELACIONADA
COM A PRÁTICA DA NECRÓPSIA NO DIA-A-DIA, OU SEJA, INICIANDO-SE
COM A ABERTURA DO TÓRAX ANTES DA ABERTURA DO CRÂNIO, COMO
PODE SER OBSERVADO NA QUESTÃO ABAIXO:

HFA (2002) QUESTÃO 33


Assinale a opção que apresenta a seqüência correta, quanto à
técnica de retirada dos órgãos em uma necropsia: ( a resposta correta está em negrito)

A exame externo; incisão da pele, das cartilagens costais e


articulações esternoclaviculares; extração dos órgãos do
crânio e da medula espinhal; exame das cavidades torácica e
abdominal; extirpação dos órgãos do tronco

B exame externo; incisão da pele, das cartilagens costais e


articulações esternoclaviculares; exame das cavidades
torácica e abdominal; extirpação dos órgãos do tronco;
extração dos órgãos do crânio e da medula espinhal

C incisão da pele, das cartilagens costais e articulações


esternoclaviculares; exame externo; extirpação dos órgãos do
tronco; exame das cavidades torácica e abdominal; extração
dos órgãos do crânio e da medula espinhal

D exame externo; extração dos órgãos do crânio e da medula


espinhal; incisão da pele, das cartilagens costais e
articulações esternoclaviculares; exame das cavidades
torácica e abdominal; extirpação dos órgãos do tronco
E extração dos órgãos do crânio e da medula espinhal; exame
externo; incisão da pele, das cartilagens costais e articulações
esternoclaviculares; extirpação dos órgãos do tronco; exame
das cavidades torácica e abdominal

A NECRÓPSIA CLÍNICA

32
A necrópsia clínica é feita em casos de morte natural. Os casos de morte natural
não são da competência dos Institutos de Medicina Legal a não ser em casos de morte
natural com algum tipo de suspeita (como por exemplo no caso de suspeita de erro
médico, ou quando o corpo é encontrado em avançado estado de putrefação).
No caso de morte natural ocorrida dentro de Hospital, público ou particular, é
da competência do médico que atendia o paciente o fornecimento da declaração de
óbito. Mesmo os óbitos que ocorrem dentro de ambulâncias são considerados óbitos
hospitalares, já que estão sob responsabilidade do hospital. Cabe salientar que estamos
nos referindo somente aos casos de morte natural; se um paciente foi ferido por arma de
fogo e ficou internado em um hospital, vindo a morrer depois de algum tempo, ele
deverá ser encaminhado ao IML, pois a causa de sua morte foi violenta.
No caso das mortes naturais ocorridas em residência, se o paciente estiver sob
tratamento médico, cabe ao médico fornecer a declaração de óbito. Caso não haja
nenhum médico que ateste o óbito, o corpo deverá ser enviado para o SVO- Serviço de
Verificação de Óbito, subordinado a Secretaria de Saúde. O SVO existe em diversas
localidades do país. No caso do Distrito Federal, ele ainda não foi implantado. Desta
forma, os cadáveres vítimas de morte natural em residência também são enviados ao
IML para expedição da Declaração de óbito
Quanto a pessoa dá entrada no hospital sem vida, vítima de morte natural, seu
corpo também é enviado para o SVO, ou, no caso do DF, para o IML.
A necropsia clínica, então , é a necropsia realizada em casos de mortes
naturais, com a finalidade de se verificar a causa da morte, que geralmente ocorre
por causa de alguma patologia Esta patologia pode ser de evolução rápida (infarto do
miocárdio, acidente vascular cerebral) ou decorrente de uma processo que já estava
acometendo a pessoa durante algum tempo (tumores, pneumonia,etc)

A necropsia clínica é particularmente indicada nos seguintes casos:

1. Pacientes internados que morrem sem diagnóstico firmado


2. Óbito hospitalar nas primeiras horas de internação
3. Óbito de mulheres no ciclo grávido-puerperal
4. Óbito inesperado de paciente com diagnóstico clínico e tratamento corretos
5. Óbito de pacientes em protocolo de tratamento experimental
6. Pacientes com doenças ambientais ou ligadas à sua profissão
7. Morte de crianças e recém-nados
8. Óbitos inesperados no pós-operatório imediato

Atualmente há um declínio no número de necropsias realizadas no mundo inteiro.


Isto se deve a múltiplos fatores, entre eles o custo da necropsia, a falta de remuneração
pela sua realização (de um modo geral os planos de saúde não pagam pelo
procedimento), o tempo despendido na sua realização, a falta de interesse de médicos
assistentes e patologistas, a crença infundada de que os novos métodos de exame
(principalmente radiológicos) a tornam desnecessária e a recusa pelos parentes do morto
da autorização para a sua realização.

33
.

AS TÉCNICAS DE NECRÓPSIA

I. INTRODUÇÃO:

Cada serviço de Patologia tem sua própria técnica de necrópsia, que na verdade é
variante de uma das quatro técnicas básicas - de Virchow, Ghon, M. Letulle e de
Rokitansky.

Técnica de Virchow

Em 1874, o Dr Rudolf Virchow, médico polonês, padronizou a técnica de necrópsia,


cuja base é utilizada até os dias atuais. Ele fundou as disciplinas de patologia celular e
patogia. Na técnica de Virchow os órgãos são retirados um a um, são pesados e
examinados separadamente. A abertura do tórax e abdome é a padrão (biacrômio
esterno pubiana) e a do crânio, também (bimastóidea vertical). Após o exame dos
órgãos, eles são colocados novamente dentro do cadáver.

Técnica de Rokitansky

Carl Rokitansky (1804-1878) estabeleceu as bases estruturais das doenças e a técnica de


necropsia com o estudo sistemático de cada órgão. Em 1866, já tinhafeito mais de 30
mil necropsias. Na sua técnica, os órgãos são examinados “in situ”ou seja, dentro do
cadáver, um a um. Desta forma, nesta técnica são realizados vários cortes em todos os
órgãos internos, para depois eles serem retirados, um por um. Observe que esta técnica
possui uma grande semelhança com técnica de Virchow, com a diferença de que na de
Virchow os órgãos são retirados um a um para depois serem examinados, enquanto na
de Rokitansky os órgãos são examinados ainda dentro do cadáver, para depois serem
retirados , também um por um.

Técnica de M. Letulle

Na técnica de M.Letulle, é feita a evisceração (retirada das vísceras do cadáver) através


de um único bloco. Esta retirada se dá, na parte torácica e abdominal da seguinte forma:
a pele abaixo da região mentoniana é rebatida, juntamente com os planos musculares, e
é feito um corte nos músculos localizados abaixo da língua. A língua então, será
tracionada em sentindo antero-inferior, e o técnico também irá começar a dissecar os
músculos da região cervical, liberando a traquéia e o esôfago, que virão juntamente com
a língua. A dissecação deste conjunto continuará a ser feita, sendo que o mediastino
posterior será descolado da coluna vertebral, e os pulmões, liberados. O diafragma então
será cortado na sua porção mais posterior, e o fígado será liberado juntamente com o
pâncreas e o estômago. O intestino delgado e o grosso é então descolado da parece

34
abdominal, através da secção do mesentério. No final do intestino grosso, é feito um nó-
duplo, para evitar o vazamento do conteúdo intestinal quando o corte final for feito. Os
rins também são retirados quando o intestino está sendo descolado.

Técnica de Ghon.

Na técnica de Ghon, a evisceração se dá através de monoblocos de órgãos


anatomicamente e/ou funcionalmente relacionados. Abaixo estão descritas as etapas da
necropsia clinica utilizando a técnica de Ghon:

Remoção do cérebro: A incisão no couro cabeludo deve se iniciar a 1-2 cm atrás da


borda inferior da orelha direita, se estendendo pela convexidade do crânio até alcançar o
ponto correspondente contralateral. As duas partes devem ser descoladas da calota
craniana e rebatidas, a anterior até próximo das órbitas, e a posterior até a protuberância
occipital. Caso os cabelos sejam longos, devem ser enrolados e protegidos. Há duas
maneiras de se abrir a calota craniana de adultos: (1) fazer uma única incisão circular 5
cm acima das órbitas e 2 cm acima dos ouvidos. É prática, mas tem a desvantagem de
permitir o deslocamento da calota após o fechamento do couro cabeludo, desfigurando o
corpo; (2) fazer três incisões - a primeira desde o ponto retro-auricular até a região
occipital alguns cm acima, a segunda, semelhante do outro lado, e a terceira, ligando os
dois pontos retro-auriculares, passando pela região frontal. É um pouco mais trabalhosa,
mas dá melhor resultado estético. A serra não deve cortar completamente o osso - a
tábua interna deve ser quebrada com formão e martelo. Faz-se isso para evitar lesões do
cérebro, além da borda irregular formada fornecer pontos de fixação para a calota após
o fechamento. Não se precisa quebrar toda a circunferência da calota com o martelo e
formão, basta quebrar 3 a 4 pontos e inserir o formão fazendo pressão para baixo e para
os lados simultaneamente que o restante do osso vai se quebrar. Feito isso, utiliza-se a
extremidade em gancho do martelo e puxa-se a calota. Deve-se então examiná-la
procurando áreas de fratura, hematomas e lesões líticas (aparecem como áreas mais
transparentes quando a calota é colocada contra a luz, geralmente causadas por
destruição óssea por tumores, como o mieloma múltiplo e metástases). O próximo passo
é a inspeção da dura máter, membrana que reveste o cérebro, e a abertura do seio
sagital. Retira-se a dura máter cortando-a com a tesoura seguindo as linhas de incisão da
calota e seccionando-se a foice do cérebro, sem no entanto soltá-la totalmente atrás.
Agora há exposição da convexidade cerebral. Para soltar o cérebro deve-se introduzir os
dedos indicador e médio esquerdos entre os lobos frontais e a dura máter e tracioná-lo
delicadamente para trás, até se ver os nervos ópticos, que devem ser cortados o mais
distante posssível. Continua-se tracionando o cérebro posteriormente até se seccionar os
nervos cranianos e as artérias carótidas internas. Depois afasta-se os lobos temporais e
corta-se a tenda do cerebelo próximo a sua inserção óssea. O último passo é cortar os
nervos cranianos restantes e a medula espinhal o mais profundo possível. O cérebro está
solto, e deve ser retirado com a mão esquerda apoiando a convexidade e os dedos médio
e indicador direitos em torno do tronco cerebral, puxando-o para fora. Após a retirada
do encéfalo, deve-se examinar a base da caixa craniana, com a abertura dos seios
venosos e retirada da hipófise. Se houver suspeita de fratura de ossos da base do crânio
a dura máter basal deve ser retirada. Para não haver autólise das porcões mais internas
do cérebro, este deve ser o primeiro órgão a ser retirado e examinado, sendo colocado
imediatamente em uma cuba grande cheia de solução de formol a 30%, suspenso por
um fio passando sob a artéria basilar, para ser seccionado posteriormente.

35
Remoção da hipófise: Secciona-se o diafragma da sela túrcica em toda sua extensão. A
ponta do formão é colocada na borda posterior, e martela-se orientado para trás;
visualiza-se a hipófise, que então é dissecada e retirada. A hipófise também pode ser
retirada envolta pelo arcabouço ósseo (em casos de tumores hipofisários, por ex.),
bastando serrar os ossos da base do crânio em torno da hipófise formando um
pentágono com o ápice voltado para frente. A hipófise deve ser colocada em um
pequeno frasco tampado contendo formol a 10% e colocado dentro da cuba com o
cérebro.

Remoção da medula espinhal: Pode ser feita por via posterior, colocando-se o corpo
virado de costas e abrindo-se a pele ao longo da coluna vertebral, que então é
seccionada nos processos laminares, expondo a medula nervosa. É mais trabalhosa e
tem o inconveniente de poder dar saída a líquidos quando o corpo é colocado em
decúbito dorsal. A técnica mais comum e prática é a por via anterior: após a evisceração
coloca-se um suporte de madeira sob a região torácica média, causando retificação da
coluna torácica e hiperextensão do pescoço. Faz-se um corte transversal com a serra no
corpo vertebral mais alto possível. A este corte seguem-se vários pequenos cortes
longitudinais alternados e descendentes em ambos os lados da coluna. Tais cortes
passam um pouco além da articulação costo-vertebral, devendo-se ter cuidado para não
aprofundar muito e lesar a medula. Fazendo cortes descendentes alternados previne-se
erros no plano de corte e facilita-se a extração dos corpos vertebrais, que pela
hiperextensão vão naturalmente se afastando. Prossegue-se assim até o nível de L4-5,
onde se faz outro corte transversal. Com isso tem-se quase toda a medula espinhal
exposta, faltando apenas cortar a dura máter a nível do forame magno, as raízes
nervosas e a cauda eqüina para extraí-la totalmente, podendo-se tracioná-la
delicadamente para soltar áreas inacessíveis da região cervical. A medula deve então ser
presa com alfinetes em uma placa de isopor e colocada em cuba com formol a 10%. É
útil marcar algumas raízes nervosas com fios, para melhor localização das lesões
posteriormente.

ABERTURA DAS CAVIDADES TORÁCICA E ABDOMINAL:

Incisão da pele: Inicia-se com uma incisão em Y partindo do ombro esquerdo,


descendo, passando sob os mamilos e ascendendo até o ombro direito. Aprofunda-se a
incisão até se encontrar o gradil costal, iniciando-se a dissecção por baixo dos planos
musculares, em direção ao pescoço. Deve-se tracionar o retalho cutâneo para cima e
para trás. Alcançada a clavícula, a dissecção passa a ser subcutânea, devendo-se
alcançar a mandíbula e os acrômios. Deve-se ter cuidado para não lesar a pele,
mantendo o bisturi o mais vertical possível. Exposto o gradil costal, faz-se uma incisão
mediana desde a margem do corte anterior até o púbis, desviando da cicatriz umbilical,
profunda o bastante para cortar o peritôneo, mas sem lesar os órgãos subjacentes.
Disseca-se a pele e secciona-se os músculos da parede abdominal rente ao rebordo
inferior do gradil costal de ambos os lados, expondo-se toda a cavidade abdominal. Os
órgãos devem ser examinados antes de eviscerados para se observar possíveis alterações
na posição e relação, presença de aderências, fístulas, deiscência de suturas, abscessos,
peritonite etc. Depois de retirados não se tem como observar muitas dessas alterações,
ou se ter certeza que já existiam antes e não foram provocadas pela evisceração (no caso

36
de ruturas, por ex.). Após o exame geral deve-se medir a área cardíaca, a altura das
cúpulas diafragmáticas e as distâncias das margens inferiores do fígado e baço do
rebordo costal, quando este for ultrapassado.

Primeiro monobloco: Formado pelos órgaos torácicos e cervicais - pulmões, coração,


laringe, traquéia, esôfago, grandes vasos e estruturas mediastinais. Primeiramente, todas
as aderências pleurais devem ser desfeitas com o auxílio dos dedos ou do bisturi. Solta-
se a extremidade superior do monobloco seccionando-se, sob a mandíbula, a base da
língua e a parte inferior da orofaringe. Traciona-se anteriormente e solta-se o esôfago da
coluna vertebral e secciona-se os feixes vásculo-nervosos braquiais. Com a tesoura ou o
bisturi isola-se o esôfago da traquéia e aorta, amarra-se seu terço distal e corta-se pouco
acima (exceto em casos suspeitos de varizes esofageanas, onde se amarra no terço
superior). Faz-se isso para evitar que o conteúdo esofageano extravaze. O segmento
superior segue com o primeiro monobloco, e o inferior, com o segundo. Passa-se a mão
esquerda por trás do coração e, com o polegar e o indicador, circunda-se a aorta
descendente e a veia cava inferior, que são cortadas logo abaixo. Deve-se ter cuidado
para não lesar o pericárdio.

Segundo monobloco: Representado pelo fígado, sistema biliar, estômago, segmentos de


esôfago e duodeno, baço e pâncreas. Secciona-se ambas as cúpulas diafragmáticas na
região central, ântero-posteriormente (permitindo que o fígado seja rechaçado,
facilitando os passos seguintes). Depois libera-se o baço, pâncreas e segmento de
duodeno até a coluna vertebral, cortando-se a veia cava e artéria celíaca, deixando a
aorta intacta. Solta-se o fígado do diafragma dissecando-se os ligamentos e aderências
com o bisturi e os dedos. Deve-se ter muito cuidado para não lesar as supra-renais, que
são retiradas com o terceiro monobloco.

Terceiro monobloco: Composto pelo sistema uro-genital (rins, ureteres, bexiga,


próstata e vesículas seminais / útero, trompas e ovários), reto e supra-renais. Começa-se
soltando o rim e a supra-renal esquerda, cortando-se o peritôneo e dissecando-os dos
músculos subjacentes, até a coluna vertebral. Continua-se a dissecção para baixo, em
direção à pelve, tendo-se cuidado para não lesar o ureter. A dissecção deve chegar até a
coluna vertebral lombar, por baixo da aorta. Faz-se o mesmo do lado direito. Passa-se
então para a liberação dos órgãos pélvicos, que é feita por dissecção às cegas com os
dedos. Primeiro solta-se a bexiga da sínfise púbica e depois passa-se os dedos ao redor e
por trás dos órgãos genitais e reto, até chegar à linha média. Agora o conteúdo pélvico
pode ser solto da parede posterior por continuação da dissecção anterior. O monobloco
está praticamente solto, só faltando cortar as ligações remanescentes no assoalho
pélvico (uretra, vagina / próstata e reto) e os vasos ilíacos. Nos homens deve-se também
retirar os testículos (ver adiante).

Quarto monobloco: Constituído pelo segmento terminal do duodeno, jejuno, íleo e


cólon. Deve ser o primeiro monobloco a ser retirado e examinado após a abertura das
cavidades abdominal e torácica, uma vez que o trato gastro-intestinal autolisa muito
rapidamente. Rebate-se todo o intestino delgado para a direita, identificando-se a alça
fixa do duodeno (área de passagem do duodeno do retroperitôneo para a cavidade
peritoneal), colocando-se duas ligaduras com 10 cm de intervalo entre si e seccionando-
se o segmento entre elas. Identifica-se o sigmóide, que também deve ser amarrado e
seccionado de maneira semelhante. Libera-se o intestino grosso, tendo-se o cuidado de
retirá-lo com o mesocólon, sem lesar as estruturas subjacentes, seguindo-se para a

37
liberação do intestino delgado por secção da raiz do mesentério o mais próximo possível
da aorta.

Medula óssea : Devem ser retirados 1 a 2 fragmentos dos corpos vertebrais com o
auxílio da serra e do formão, rotineiramente. Em casos de doenças hematológicas ou
metastáticas para a coluna, mais segmentos podem ser necessários.

Testículos : Faz-se uma abertura para o interior do canal inguinal, entre o púbis e a pele
e, por dissecção às cegas com os dedos, puxa-se o testículo por essa incisão e corta-se o
cordão espermático, liberando-o. Devem ser retirados de rotina.

Panturrilha : Faz-se uma incisão na pele das panturilhas, desde a região poplítea (atrás
do joelho) até o tornozelo, expondo-se os músculos. Corta-se os tendões dos músculos
gastrocnêmios nessas duas regiões e solta-se posteriormente junto à tíbia, tendo-se
cuidado para trazer o feixe vásculo-nervoso íntegro. Devem sempre ser retiradas.

Pele : Em casos de doeças dermatológicas deve ser retirada pequena elipse de pele com
o bisturi, com o cuidado de se atingir o tecido adiposo subcutâneo. Caso seja doença
difusa retira-se o fragmento das margens de uma das incisões cutâneas já realizadas para
abrir as cavidades torácica e abdominal, buscando não mutilar o cadáver. Caso seja
lesão localizada fora dessas áreas deve-se depois suturar a pele cobri-la com
esparadrapo. O fragmento obtido deve ser colocado estendido sobre um pedaço de papel
e depois imerso em formol.

Reconstituição : O corpo deve ser reconstituido de forma que não haja evidências da
necrópsia depois de vestido. Todo líquido deve ser drenado das cavidades. As aberturas
retal e vaginal devem ser ocluídas com material absorvente (estopa, gaze, algodão). Os
órgãos que não forem ser utilizados posteriormente devem ser recolocados no corpo. O
gradil costal deve ser reposicionado e, em casos de retirada da coluna vertebral coloca-
se uma vara de madeira ou metal no local para evital deformidades corporais. A pele
deve ser suturada por pontos oblíqüos, de baixo para cima, distando 1 cm entre si. O
corpo deve ser lavado cuidadosamente com água sanitária diluida (1:10 em água),
retirando-se todas as manchas de sangue ou secreções existentes

INSTRUMENTAÇÃO E EPI
.

Precauções : Todo paciente necropsiado é virtualmente uma fonte de infecção. Para se


evitar a contaminação deve-se conhecer e praticar medidas de segurança durante as
necrópsias. Deve-se lembrar que ocasionalmente o pedido de necrópsia não é
corretamente preenchido ou a infecção não é suspeitada pelos médicos atendentes, logo,
toda necrópsia deve ser encarada como de risco e o prontuário deve ser lido atentamente
em busca de sinais, sintomas, dados epidemiológicos e laboratoriais sugestivos de
doença infecciosa de alto risco.

Para nos proteger, utilizamos roupas, sapatos e outros objetos de proteção:

38
 Calça e blusa específicas: impedem que se suje a própria roupa, visando não
levar contaminantes para outros ambientes dentro e fora do hospital.
 Capote: protege os braços, além de ser uma segunda barreira. Deve ser bem
ajustado ao corpo para evitar que se molhe durante a evisceração, principalmente
quando não for impermeável (pode-se fazer isto usando fita adesiva para dobrar
e prender as partes folgadas do braço e antebraço).
 Luvas cirúrgicas: É recomendado o uso de duas, sobrepostas, de tamanho
apropriado. Não previne contra cortes, mas evita a difusão de contaminantes.
Dimunui um pouco a sensação tátil.
 Touca e máscara: a touca tem como função impedir que os cabelos se sujem e
carreguem o contaminante para fora da sala de necrópsia, e a máscara serve para
prevenir a ingestão e o contato com a mucosa de pequenos fragmentos ou
líquidos que porventura espirrem.
 Proteção para os olhos: óculos comuns não são o ideal porque fornecem
proteção muito limitada. O mais indicado são óculos de soldador, que têm um
campo de visão amplo e protegem todas as laterais, o inconveniente é que
embaçam com a transpiração.
 Sapatos: devem ser impermeáveis e cobrir todo o pé. Devem ser colocados,
retirados e guardados dentro da sala de necrópsia, ou então se usar uma polaina
sobre eles.
 Instrumentos: O técnico deve se limitar à mesa de necrópsia, evitando circular
pela sala e, principalmente, fora dela. Deve haver apenas um set de instrumentos
bem posicionados e sempre limpos à mão, evitando-se o uso simultâneo de
diversos bisturis. As lâminas do bisturi devem ser trocadas sem o auxílio de
outros instrumentos para evitar que saiam "voando" e machuquem alguém.

Outras considerações :

 Os instrumentos, a mesa, o corpo e a sala devem ser mantidos limpos durante a


necrópsia.
 Deve-se prevenir o contato dos líquidos corporais do cadáver com lesões de pele
ou mucosas. Para tanto, ou se protege a área ou não se participa da necrópsia.
 Lâminas de bisturi e agulhas usadas devem ser desprezadas em uma lata ou
outro recipiente resistente com tampa.
 Facas e tesouras devem ser mantidas afiadas.
 Em caso de corte ou espetada durante a necrópsia deve-se fazer a lesão sangrar
livremente, lavar com água e sabão e então aplicar desinfetantes. O HIV é
inativado de diversas formas: álcool 50%, água oxigenada a 3% (10 vol.),
formol, água sanitária a 0,5% (1:10 em água) e Lysol.
 As margens costais devem ser cobertas com gaze para evitar exposição de áreas
cortantes.
 Lavar externamente com água sanitária os tubos com material para ser enviado
para exames laboratoriais.
 Os instrumentos utilizados devem ser deixados de molho por 30 minutos em
água sanitária diluída 1:10 em água antes de serem lavados. Deve-se evitar um
tempo maior de molho devido à ação corrosiva da água sanitária.

39
INSTRUMENTOS UTILIZADOS ROTINEIRAMENTE NA NECRÓPSIA
E SUAS FUNÇÕES

 CABO DE BISTURI: onde é encaixada a lâmina


 LÂMINA DE BISTURI: usada para realizar os cortes no cadáver
e também dissecação de estruturas
 RUGINA: serve para rebater o couro cabeludo do crânio
 COSTÓTOMO: serve para seccionar as costelas, e assim retirar o
plastrão costal e expor a cavidade torácica
 PINÇAS ANATÔMICAS : para separar estruturas
 PINÇAS DENTE DE RATO: para prender firmemente estruturas
 TESOURAS CURVAS DE PONTA ROMBA: realizar cortes e
divulsionar tecidos
 TESOURAS CURVAS DE PONTA FINA: realizar cortes e
divulsionar tecidos
 TESOURAS RETAS DE PONTA ROMBA: idem
 TESOURAS RETAS DE PONTA FINA: idem
 AGULHAS DE SUTURA: suturar o cadáver
 RÉGUA MÉTRICA METÁLICA: medir estruturas
 FACA DE COLLIN: realizar cortes no cérebro
 AFASTADORES DE FARABEUF: para aumentar as bordas de
um determinado corte
 PINÇA DE POZI: para unir as bordas do corte e facilitar a sutura
 HISTERÔMETRO ou SONDA: utilizado para auxiliar na
definição da trajetória de um projétil

40
CONSERVAÇÃO DE CADÁVERES
Fixação, formolização e e embalsamamento

O método mais antigo para a conservação de cadáveres é a mumificação. Na


realidade é uma forma antiga de desidratação precedida de um tratamento químico, com
emprego de substâncias das quais não se tem conhecimento exato.

Sabemos que a técnica original que os egípcios utilizavam era iniciada pelo
esvaziamento quase completo das cavidades do corpo, para depois retirar-se o conteúdo
do crânio através das cavidades nasais com o auxílio de um gancho nelas introduzido.
Outra via de acesso para a retirada do encéfalo era a nuca, através do forame magno.
Após a retirada do encéfalo, a cavidade craniana era lavada com uma solução de soda
cáustica, recebendo, depois, essências aromáticas.

No tronco, na região lombar esquerda, os egípcios faziam a laparotomia,


enquanto no períneo era feita uma incisão circular ao redor do ânus. Através desta
incisão , introduziam uma faca em forma de gancho que extraía todas as vísceras, exceto
o coração, que os egípcios acreditavam ser a sede da alma. As vísceras retiradas eram
cuidadosamente lavadas e imersas em vasos, contendo vinho de palmeira e outras
sbstâncias consagradas aos deuses. Em alguns casos, as vísceras depois de tratadas eram
novamente colocadas no interior do corpo.

Terminada a evisceração e o enchimento das cavidades, os cadáveres eram


submersos em asfalto derretido e fervido nessa substância, sendo depois banhados em
azeites aromáticos e bálsamos, e envolvidos em fitas de algodão impregnadas de
resinas. A capa de asfalto que envolvia a múmia apresentava vários centímetros de
espessura, constituindo uma hermética cobertura que evitava a putrefação. As
substâncias balsâmicas evitavam o desenvolvimento de larvas de insetos nas cavidades
da múmia.

A mumificação também foi praticada por outros povos., Os etíopes usaram as


mesmas técnicas dos egípcios. Os persas, após a evisceração do cadáver, enchiam suas
cavidades com essências. No Peru, a civilização Inca também realizou
embalsamamentos. O encéfalo era retirado pelas cavidades nasais e os olhos extraídos,
sendo as órbitas preenchidas com algodão. A seguir, a língua era retirada. Através de
uma incisão no períneo extraíam as vísceras abdominais, enchendo as cavidades com
um pó avermelhado que desidratava o cadáver. Os índios mundurucu, transformavam
as cabeças de seus inimigos em troféus que eram exibidos em cerimônias religiosas .
Extraíam o cérebro através do forame magno e depois untavam a pele várias vezes com
azeites vegetais expondo a cabeça ao sol e a fumaça, e preenchiam as órbitas com
fumaça. Os índios jibaros, do Equador, usavam técnica semelhante e reduziam as
cabeças dos inimigos ao tamanho de um punho. Eles separavam o crânio da pele, e
ferviam os tecidos durante longo tempo para curtir a pele.Depois iam enchendo o crânio
com areia quente, modelando para que pudesse ser reduzido.

O frio das regiões polares também atua eficientemente na conservação de


cadáveres. Fragmentos congelados de mamute foram encontrados em perfeitas

41
condições nos anos 20. Em 1997 foi encontrado nas geleiras entre a Áustria e a Itália
um cadáver mumificado de mais de dois mil anos de idade.

Com o passar dos séculos as técnicas de embalsamento evoluíram bastante, e


melhoraram muito com a introdução de novas substâncias para a conservação de
cadáveres. No final do século XVII o álcool etílico foi usado com boa aceitação. Hunter
utilizou-o associado a pimenta negra, no entanto a conservação de peças anatômicas em
álcool apresentou certos inconvenientes. Em 1717 Pedro, o Grande, famoso czar russo,
comprou na Holanda uma coleção de peças para o Museu da Universidade de São
Petersburgo. As peças não chegaram até a Rússia em boas condições, pois os russos
encarregados do transporte beberam o conteúdo dos frascos(álcool e com pimenta
negra) para combater o frio.

A descoberta mais importante foi a do formol, ou aldeído fórmico, ocorrida em


1808, sendo desde então utilizado em técnicas anatômicas e microscópicas

Os laboratórios de anatomia recebem, para estudo, cadáveres inteiros, partes, e


vísceras para serem conservadas. Esse material é fixado para evitar-se a deterioração
dos tecidos . A função da fixação é manter os tecidos firmes, insolúveis e protegidos
contra a deterioração. Os requisitos para uma boa fixação de peças isoladas são:

-pequeno intervalo entre a morte do indivíduo e a fixação

-contato do fixador com todas as superfícies da peça

-o líquido fixador deve ter volume vinte vezes superior ao da peça

-escolha do tipo adequado de fixador

Os fixadores mais utilizados no |Brasil são o formol, álcool etílico, glicerina e


fenol. O formol ou formalina é uma solução aquosa saturada de aldeído fórmico a 40%.
Pode ser comprado na forma comercial em vasilhames de 1 litro. Para preparação de
peças, é preparada uma solução aquosa deste formol em 10%. Juntam-se 100 ml de
formol puro (aquele que foi comprado já diluído em 40%) para 900 ml de água .

O formol, além de ser barato, penetra rapidamente nos tecidos (6 mm em doze


horas). Apesar de seus vapores serem irritantes para as mucosas e para a conjuntiva
ocular, sua toxicidade é menor comparada a de outros fixadores, tendo ainda a vantagem
de não ser inflamável. As soluções de formol são irritantes para a epiderme, de forma
que devem ser usadas luvas sempre que manipularmos peças conservadas em formol.

O álcool etílico a 96 º GL é também um bom fixador, tendo excelente capacidade


de penetração nos tecidos. Sua concentração dependerá do material a ser fixado.

O fenol líquido é excelente para tornar o meio estéril, porém seus vapores são
tóxicos, e também existem suspeitas de que pode ser cancerígeno.

A glicerina não é tão bom fixador quanto os outros citados anteriormente, mas é
indicada para evitar a desidratação dos tecidos.

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Além do formol, fenol, álcool e glicerina, existe um variedade enorme de
substâncias e preparações para conservação de peças.

Formolização e embalsamamento

Para conservarmos um cadáver inteiro, utilizamos uma técnica diferente


daquelas utilizadas para a conservação de peças. O cadáver a ser formolizado deve ser
colocado sobre uma mesa, sendo lavado com água e sabão. Movimenta-se as grandes
articulações. Se o corpo a ser formolizado não tiver sido necropsiado, é feito um corte
profundo na região cervical anterior, acima do manúbrio esternal, com o objetivo de
atingirmos os vasos sanguíneos ali presentes e possibilitar a drenagem do sangue. Este
procedimento é necessário porque, uma vez que o líquido conservador irá se espalhar
pela circulação sanguínea do cadáver, o sangue deve ser retirado destes vasos. Após o
corte ser feito na região cervical, é necessário virar o cadáver para posição decúbito
ventral, para que o sangue saia com mais facilidade. Uma vez feito esta procedimento, o
corpo é novamente colocado na posição de decúbito dorsal, e é feito um corte na região
anterior da coxa, lateralmente ao músculo reto femoral, para acessarmos a artéria
femoral, que uma via de acesso muito utilizada para a infusão do líquido conservador.
Secciona-se a pele com bisturi, afasta-se a tela subcutânea com o auxílio de uma tesoura
de ponta romba, até atingirmos a fascia crivosa, que é seccionada. Abaixo dela procura-
se a artéria femoral, que está situada lateralmente a veia do mesmo nome. Levantamos
a artéria com o auxílio de uma pinça. Dois fios são passados abaixo dessa artéria,
transversalmente, deslocando um para cima e outro para baixo. Logo após é feita uma
secção transversal desta artéria entre os dois fios,fazendo-se, a seguir uma introdução de
duas cânulas,uma em direção distal e outra proximal,ou uma cânula de duas
extremidades (Y ou T). Os fios são bem amarrados em torno da artéria para evitar
vazamento de fluído. O líquido fixador mais usado é o formol a 10%.

Outra forma de abordagem para injetarmos o líquido fixador é através das


artérias carótidas. A pele da região cervical anterior é incisada com lâmina de bisturi em
trajetória transversal ao eixo da coluna, prolongada por 4 centímetros,até atingirmos a
veia jugular , que deve ser cortada para drenagem do sangue. Enquando ocorre esta
drenagem venosa, é feita a dissecção da artéria carótida, que se localiza posterior à
veia jugular. Na carótida, é introduzida a cânula de infusão, no sentido inferior (em
direção ao corpo) Enquanto a infusão do líquido conservante (formol a 10%) é feita, a
veia jugular continua drenando o sangue, agora impulsionado pelo líquido que está
sendo injetado.Durante este procedimento, o cadáver deve ser movimentado e
massageado, para que a solução se espalhe de maneira uniforme.

A solução deve ser colocada em um galão que deverá ficar a uma altura bastante
superior a do cadáver, para que o líquido penetre por pressão e se espalhe por todo o
corpo. Geralmente, para um adulto são utilizado 5 ou 6 litros

Após o término deste procedimento, tanto na abordagem cervical (artéria


carótida) quanto pela abordagem inferior (artéria femoral), o processo é interrompido, e
as incisões, suturadas. O corpo então é tamponado (seus orifícios são tampados com
algodão), lavado, barbeado, penteado, vestido, maquiado e preparado em sua urna.

No embalsamamento, o procedimento é diferente: após a formolização, ocorre


a retirada do bloco com todas as vísceras do cadáver. O crânio é aberto, e o cérebro

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também é retirado. As vísceras são retiradas e guardadas em local apropriado. Os
espaços vazios (cavidades torácica e abdominal) são preenchidos com serragem ou
algodão. O procedimento de embalsamamento é realizado nos casos onde há maior
necessidade de preservação do corpo (viagens longas, velórios prolongados, etc)

EXERCÍCIOS- NECRÓPSIA

1) (RORAIMA 2003) Carl Rokitansky (1804-1878) estabeleceu as bases estruturais das


doenças e a técnica de necropsia, com o estudo sistemático de cada
órgão. Foi um excelente patologista descritivo. Em 1866, já tinha
feito mais de 30 mil necropsias. Os itens a seguir são fragmentos
adaptados de um texto de Rokitansky. Julgue-os com referência aos
sinais de pontuação e à grafia das palavras.

( ) Ao se curvar com a rígida lâmina de seu bisturí sobre o cadáver


de um desconhecido: lembre-se de que esse corpo nasceu do
amor de duas almas, cresceu embalado pela fé e pela esperança
daquela que em seu seio o agasalhou.
( ) Sorriu e sonhou os mesmos sonhos das crianças e dos jovens.
Por certo amou e foi amado; esperou e acalentou um amanhã
feliz; sentiu saudades dos outros que partiram.
( ) Agora, jaz na fria lousa, sem que por ele se tivesse derramado
uma lágrima sequer, sem que tivesse uma só prece. Seu nome,
só Deus sabe.
( ) Mas o destino inexorável deu-lhe o poder e a grandeza de servir
à humanidade. A humanidade que por ele passou indiferente.

2) (RORAIMA 2003)O texto abaixo, relativo à área de segurança e medicina do


trabalho, é um trecho adaptado da Norma Regulamentadora 6
(NR-6).
6.1 Para os fins de aplicação desta norma regulamentadora,
considera-se equipamento de proteção individual (EPI) todo
dispositivo ou produto de uso individual, utilizado pelo
trabalhador, destinado à proteção contra riscos suscetíveis de
ameaçar a segurança e a saúde no trabalho.
6.1.1 Entende-se como equipamento conjugado de proteção
individual todo aquele composto por vários dispositivos, que o
fabricante tenha associado contra um ou mais riscos que possam
ocorrer simultaneamente e que sejam suscetíveis de ameaçar a
segurança e a saúde no trabalho.
6.2 O equipamento de proteção individual, de fabricação
nacional ou importado, só poderá ser posto à venda ou utilizado
com a indicação do certificado de aprovação (CA), expedido
pelo órgão nacional competente em matéria de segurança e saúde
no trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego.

44
6.3 A empresa é obrigada a fornecer aos empregados,
gratuitamente, EPI adequado ao risco, em perfeito estado de
conservação e funcionamento, nas seguintes circunstâncias:
a) sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa
proteção contra os riscos de acidentes do trabalho ou de doenças
profissionais e do trabalho; b) enquanto as medidas de proteção
coletiva estiverem sendo implantadas; c) para atender a situações
de emergência.
A respeito das idéias e das estruturas do texto acima, julgue os
itens subseqüentes.

( ) De acordo com o texto, o empregado terá a opção de usar


ou não EPI quando estiver exposto a “riscos suscetíveis de
ameaçar a segurança e a saúde no trabalho”.
( )Da mesma forma que o EPI, também o “equipamento
conjugado de proteção individual” (subitem 6.1.1), sempre
que necessário à proteção contra “riscos (...) suscetíveis de
ameaçar a segurança e a saúde no trabalho”, deverá ser
oferecido gratuitamente pela empresa empregadora.
( ) No trecho “de fabricação nacional ou importado”, no
subitem 6.2, não haveria prejuízo para a compreensão do
texto caso se eliminasse a expressão “de fabricação”.
( ) No trecho “certificado de aprovação (CA), expedido pelo
órgão nacional competente”, o termo sublinhado tem o
sentido de mantido.
( ) De acordo com o texto, calçados impermeáveis para
trabalhos realizados em lugares úmidos, lamacentos ou
encharcados não podem ser classificados como EPIs porque
não são equipamentos.

Questões a seguir (de 3 a 26 - Universidade Federal do Ceará- 2008)

3) Para abrir o canal vertebral, posiciona-se o cadáver em decúbito:

A) ventral, fazendo a incisão dos tecidos moles seguindo a linha mediana marcada pela
seqüência dos processos espinhosos.
B) ventral, fazendo a incisão dos tecidos moles sobre a linha paramediana que incide
sobre os arcos vertebrais.
C) dorsal, fazendo a incisão dos tecidos moles seguindo a linha dos processos
espinhosos.
D) dorsal, fazendo a incisão dos tecidos moles sobre os corpos vertebrais.
E) dorsal, fazendo a incisão dos tecidos moles sobre os arcos vertebrais.

4. Ao se concluir a necropsia, realiza-se sutura para recomposição, que deve ser feita:

A) apenas nas regiões que vão ficar descobertas.


B) em pontos bem separados.
C) de forma contínua.
D) de forma intradérmica.
E) diferentemente em cada local.

45
5. A técnica de necropsia mais recomendável em corpo de recém-nascido é a de:

A) Galeno.
B) Langley.
C) Rokitansky.
D) Virchow.
E) Letulle.

6. Concluída a necropsia, deve o técnico imediatamente:

A) cobrir o cadáver.
B) recompor o cadáver.
C) apenas limpar o cadáver.
D) entregar o cadáver à família.
E) apenas recompor os órgãos internos.

7. O atestado de óbito é um documento emitido e numerado pela(o):


A) hospital.
B) Ministério da Saúde.
C) Departamento de Patologia.
D) Secretaria de Saúde do Estado.
E) Secretaria de Saúde do Município.

8. No que diz respeito às atribuições do técnico em necropsia, é inadequado:

A) preparar peças com lesões anatomopatológicas para exposição em aulas práticas.


B) obedecer às normas técnicas de biossegurança na execução de suas atribuições.
C) conservar cadáveres e peças anatômicas.
D) ajudar o professor nos cortes e formolizações.
E) providenciar junto aos familiares as exigências legais para a necropsia.

9. Ao técnico em necropsia compete:

A) reencaminhar casos de morte violenta ao IML.


B) fiscalizar e administrar os formulários de declaração de óbito.
C) encaminhar a família ao serviço social, no caso de pessoa carente.
D) orientar a família quanto aos procedimentos legais que decorrem do óbito.
E) entrar em contato com sua chefia imediata para informar sobre necessidades do setor.

10. A rotina do serviço técnico de anatomia e/ou patologia inclui como item obrigatório:

A) organizar e limpar a sala de clivagem e necropsia.


B) aplicar técnicas de tração cutânea e esquelética.
C) possuir experiência com radioisótopos.
D) assinar atestado de óbito.
E) coletar sangue.

11. A primeira atitude do técnico de anatomia a ser tomada em relação ao cadáver


deverá ser:

46
A) a abertura do tórax ou abdome.
B) a abertura da cavidade craniana.
C) a identificação e exame externos.
D) o preenchimento da declaração de óbito.
E) a retirada de material para exames laboratoriais.

12. No processo de conservação de cadáveres, o volume da solução a ser injetado será:


A) três vezes o volume sanguíneo.
B) quatro vezes o volume sanguíneo.
C) três vezes e meia o volume sanguíneo.
D) igual ou duas vezes o volume sanguíneo.
E) cinco vezes o volume sanguíneo, sendo a metade nas cavidades serosas.

13. A substância de escolha para a conservação de cadáveres é o formol, pois:

A) não possui odor.


B) hidrata os tecidos.
C) endurece os tecidos.
D) destrói a maioria das células.
E) fixa os tecidos mantendo suas características histológicas.

14. O formol utilizado para a conservação de cadáveres é preparado na proporção de:

A) 1 litro de formol para 10 litros de água.


B) 1 litro de formol para 9 litros de água.
C) 1 litro de formol para 99 litros de água.
D) 10 litros de formol para 1.000 litros de água.
E) 100 litros de formol para 1.000 litros de água.

15. O uso do costótomo está indicado para a abertura:

A) da caixa torácica.
B) dos seios da face.
C) da calota craniana.
D) da coluna vertebral.
E) das grandes articulações.

16. Para abrir o intestino e a calota craniana, utiliza-se, respectivamente:

A) tesoura e enterótomo.
B) enterótomo e bisturi.
C) tesoura e bisturi.
D) tenta-cânula e serra.
E) enterótomo e serra.

17. O afastador de Farabeuf é utilizado em dissecação anatômica para realizar:

A) exame ginecológico.
B) afastamento dos lábios.
C) afastamento das narinas.

47
D) dilatação do esfíncter anal.
E) tração dos bordos das incisões.

18. O estudo anatômico em cortes seqüenciais do cérebro é normalmente realizado:

A) tardiamente, decorrido período de fixação em cuba contendo formol.


B) imediatamente, a fresco, dentro da cavidade craniana, sem nenhum fixador.
C) tardiamente, decorrido período de fixação em cuba contendo soro fisiológico
aquecido.
D) imediatamente, após curto período de fixação em álcool, no interior da cavidade
craniana, para não haver deformações.
E) imediatamente, a fresco, após sua remoção da cavidade craniana, com o órgão imerso
em cuba contendo soro fisiológico.

19. Quando o corpo vai ser embalsamado, o melhor processo é, depois de injetar a
solução, seguir a técnica de:

A) Ghon.
B) Pittres.
C) Lettule.
D) Virchow.
E) Rokitansky.

20. A técnica que inicia a necropsia com abertura da cavidade craniana foi descrita por:
A) Rokitansky.
B) Virchow.
C) Ghon.
D) Lettule.
E) Laborde.

21. A última camada da parede abdominal que necessita ser seccionada para se
visualizarem as vísceras é:

A) a bainha do reto.
B) o muscular.
C) o peritônio.
D) a linha alba.
E) o subcutâneo.

22. O instrumento mais adequado para perfurar ossos visando à montagem de um


esqueleto é:
A) o bisturi comum.
B) o bisturi elétrico.
C) a serra de gesso ortopédico.
D) a serra de madeira convencional.
E) a broca odontológica de baixa rotação.

23. A antiga técnica de maceração de ossos consiste na:


A) digestão das partes moles por solução de ácido.

48
B) digestão das partes moles por solução de soda cáustica.
C) cocção dos tecidos moles em soro fisiológico a 60 ºC e dissecação posterior.
D) irrigação em fluxo contínuo das partes moles com água corrente.
E) esmagamento e avulsão das partes moles com alicate convencional.

24 Para que se possa fazer o estudo histológico dos tecidos obtidos na necropsia, deve-
se providenciar:

A) biópsia por congelação de tecidos anormais identificados durante o procedimento.


B) fixação de fragmentos selecionados de todos os órgãos examinados durante o
procedimento.
C) fixação da totalidade dos órgãos com e sem anormalidades, identificados durante o
procedimento.
D) refrigeração da totalidade dos órgãos com anormalidades, identificados durante o
procedimento.
E) refrigeração de fragmentos selecionados de todos os órgãos examinados durante o
procedimento.

25. Durante a necropsia, os rins devem ser cortados:

A) transversalmente.
B) de acordo com a segmentação vascular.
C) em fatias circulares, seguindo a curvatura do órgão.
D) em toda sua altura, indo da convexidade para o hilo.
E) em fatias longitudinais, da face anterior para a posterior.

26. A retirada dos intestinos durante a necropsia é feita entre ligaduras:


A) da primeira porção do duodeno até o reto.
B) do duodeno até o sigmóide.
C) do início do jejuno até o reto.
D) do ceco até o reto.
E) do íleo até o reto.

27- (Minas Gerais- 2007) Assinale a opção abaixo que proporciona melhor esterilização
do instrumental usado em necropsias:

a) Flambagem.
b) Formol a 10%.
c) Estufa a 200 graus centígrados por 2 horas.
d) Autoclave.

28- (Minas Gerais- 2007) Assinale, nas alternativas abaixo, o equipamento de


proteção individual (EPI) que NÃO é essencial para o
auxiliar de necropsia:

a) Botas de material resistente a líquidos e abrasivos.


b) Protetor auricular.
c) Óculos de proteção, de preferência com a eventual
correção visual do usuário.

49
d) Luvas de borracha resistentes.

29. (IML Pernambuco 2007) A putrefação de um tecido, em nível celular, é acelerada,


principalmente, porque

A) as mitocôndrias aumentam a produção de ATP.


B) as células desidratam acentuadamente.
C) ocorre diminuição na produção de proteínas para a membrana celular.
D) os lisossomos entram em processo de autólise.
E) as células entram em aceleração de divisão celular desordenada.

30. (IML Pernambuco 2007) A conservação de um cadáver em uma câmara fria ocorre,
porque o gelo

A) desacelera a degeneração celular e inibe a ação de microorganismos decompositores.


B) destrói todas as enzimas e os ácidos nucléicos favorecedores da ação degenerativa.
C) estabiliza bioquimicamente as células e inativa as divisões celulares.
D) destrói todos os elementos nucleares responsáveis pela divisão celular.
E) acelera a divisão de células jovens e sadias no organismo.

Questões a seguir (31 a 40 )- Universidade Federal de Pernambuco- 2004

31 Qual a proporção de fixador ideal para preservar do


processo de decomposição tecidos humanos
dissecados a fresco?

A) Partes iguais, volume a volume, do fixador e da


peça anatômica.
B) Duas vezes o volume da peça anatômica, em
fixador.
C) Cinco vezes o volume da peça anatômica, em
fixador.
D) Cem vezes o volume da peça anatômica, em
fixador.
E) Vinte vezes o volume da peça anatômica, em
fixador

32 Qual o fixador indicado para a preservação de longa


duração de peças anatômicas?
A) Formol comercial na concentração original.
B) Formaldeído P.A. em solução de 10 a 20%.
C) Álcool etílico P.A. na concentração original do
produto.
D) Formaldeído P.A. na concentração original do
produto.
E) Álcool etílico P.A. em solução a 50%.

33. No processo de preservação de cadáveres por


formolização total, quais dos acessos vasculares
abaixo listados são usados para maior facilidade e

50
eficiência de perfusão do fixador?

A) Aorta abdominal ou veia cava superior.


B) Artéria femoral ou artéria carótida.
C) Veia cava inferior ou aorta abdominal.
D) Bifurcação das artérias ilíacas ou bifurcação das
veias ilíacas.
E) Veia jugular ou aorta abdominal.

34. O afastador de Farabeuf é utilizado em dissecação


anatômica para:

A) tração e exposição de planos anatômicos em


geral.
B) exposição de aponeuroses, especificamente.
C) dissecação do periósteo.
D) preensão da musculatura.
E) secção de ligamentos.

35. O papel do fixador na preservação de peças


anatômicas é:

A) impedir a necrose dos tecidos.


B) impedir a autólise dos tecidos.
C) endurecer um tecido necrosado ou autolisado.
D) impedir a morte das células do tecido.
E) impedir a contaminação bacteriana no tecido.

36. A linha de corte superior da evisceração de cadáver


em monobloco é:

A) a traquéia.
B) a base da língua.
C) o osso hióide.
D) vasos da base do coração.
E) o terço médio do esôfago.

37. No procedimento de necrópsia em cadáver refrigerado,


realizado no prazo mínimo permitido pela lei, de
6 horas após o momento da morte, existe o risco
potencial de contaminação profissional pelos seguintes
vírus, EXCETO:

A) da hepatite B.
B) da hepatite C.
C) HIV.
D) HTLV.
E) da poliomielite.

38. No processo de prevenção de acidentes de trabalho

51
no ambiente da sala de necrópsia, considera-se como
equipamento de proteção individual (EPI)
indispensável, EXCETO:

A) luvas de borracha longas.


B) máscara com filtros.
C) óculos protetor ocular.
D) capote estéril.
E) botas de borracha.

39. Qual das ações abaixo não faz parte da rotina do


serviço técnico de anatomia e/ou patologia?

A) Descarte de resíduos em lixo hospitalar


contaminado.
B) Utilização de instrumental cirúrgico estéril.
C) Manuseio de formaldeído.
D) Utilização de câmera fotográfica.
E) Utilização de serras elétricas.

40. Qual das substâncias abaixo listadas é mais eficaz


para descontaminação de equipamentos e materiais
suspeitos de contágio com o vírus da AIDS?

A) Ácido acético glacial.


B) Acído nítrico.
C) Acído sulfúrico fumegante.
D) Hipoclorito de sódio.
E) Violeta de Genciana.

41- (Universidade Federal Fluminense) O primeiro monobloco ou monobloco cérvico-


torácico é composto de:

(A) língua, esôfago, coração e pulmão


(B) língua, esôfago, laringe, pulmão e coração
(C) laringe, traquéia, coração e pulmão
(D) língua, esôfago, laringe, traquéia, pulmões e coração
(E) rim, esôfago, coração e pulmão

42 (Universidade Federal Fluminense) Nas necropsias realizadas em hospitais, o técnico


de necropsia só deve manipular o cadáver:

(A) depois da solicitação de necropsia assinada pelo médico assistente


(B) depois da ordem do patologista
(C) depois de constatado o óbito
(D) depois da leitura do prontuário médico
(E) depois da verificação da identidade do paciente

52
43 (Universidade Federal Fluminense) Em caso de corte ou espetada, ao dissecar um
cadáver recente e não formolizado, a primeira atitude de um técnico em anatomia e
necropsia deverá ser:

(A) conter o sangramento e tomar antibióticos


(B) fazer a lesão sangrar livremente e lavar com água e sabão
(C) fazer uso de antibiótico por via parenteral
(D) fazer uso de antiinflamatórios
(E) cauterizar a área lesionada

Questões de 44 a 57 - Universidade Federal de Minas Gerais (2006)

44. São atribuições do técnico em necropsia, EXCETO:

A) Fazer o registro de recebimento do cadáver, preenchendo todos os itens.


B) Lavar e reconstituir o cadáver, após a necropsia.
C) Contactar a agência funerária para proceder ao sepultamento.
D) Informar à secretaria do serviço a respeito de cadáver não-reclamado no prazo de 15
dias.

45. As afirmativas abaixo são corretas, EXCETO:

A) A declaração de óbito é sempre preenchida em três vias.


B) Peças de amputação de membros devem ser enterradas ou incineradas, após o
fornecimento da declaração de óbito.
C) É tarefa do técnico de necropsia colocar o cadáver em câmara frigorífica.
D) Em caso de morte violenta, o enterramento é feito somente após necropsia, realizada
no Instituto Médico Legal.

46. NÃO faz parte da rotina do serviço técnico de anatomia e/ou patologia

A) descarte de resíduos em recipientes apropriados.


B) utilização de serras elétricas.
C) utilização de instrumental cirúrgico estéril.
D) preparação e manuseio de soluções de fixadores.

53
47 Em relação à utilização de métodos e técnicas de conservação do corpo humano
inanimado, é INCORRETO afirmar que

A) líquidos desinfetantes, conservadores e de alto poder germicida são injetados nos


vasos sanguíneos.
B) irrigador com 5 litros de capacidade, tubos de borracha e cânulas são instrumentos
utilizados para este procedimento.
C) as artérias carótidas e as veias femorais representam as principais vias de acesso.
D) este procedimento deve ser realizado e fiscalizado por profissional médico, podendo
outros profissionais participar como auxiliares, de acordo com o Conselho Federal
de Medicina.

48. Assinale a afirmativa INCORRETA:

A) Os recipientes utilizados para a conservação de peças anatômicas formolizadas


devem ser bem fechados e mantidos em recintos ventilados.
B) A conservação de corpos por métodos químicos é utilizada para impedir a
ocorrência de fenômenos cadavéricos e de putrefação.
C) Os fragmentos de tecido amostrados durante a necropsia, devem ser mergulhados
em solução de formol a 10%, durante pelo menos 48 hs.
D) Ao se manipular solução de formol não é necessário o uso de máscara, pois não
impede a inalação de vapores.

49. Em relação ao processo de fixação dos tecidos, analise as afirmativas abaixo.

I- O fixador líquido deve representar no mínimo 10 vezes o volume que se quer fixar e, deve ser
trocado freqüentemente, pois o sangue diminui o poder de fixação.
II - O formol é o fixador universal e deve ser usado na concentração de 10%.
III - Para uma boa fixação, os recipientes devem ter volume apropriado e formato adequado ao que
se deseja fixar.

Assinale a alternativa CORRETA.

A) As afirmativas I e II estão corretas.


B) As afirmativas II e III estão corretas.
C) Todas as afirmativas estão incorretas.
D) Todas as afirmativas estão corretas.

54
50. Em relação ao processo de fixação dos tecidos, analise as afirmativas abaixo.

I- O formol tamponado permite fixação entre 12-24 horas.


II - A fixação paralisa o metabolismo celular e preserva a estrutura do tecido.
III - A fixação evita a autólise do tecido e impede a proliferação bacteriana.

Assinale a alternativa CORRETA.

A) As afirmativas I e II estão corretas.


B) As afirmativas II e III estão corretas.
C) Todas as afirmativas estão incorretas.
D) Todas as afirmativas estão corretas.

51. Assinale a afirmativa CORRETA:

A) O ato da necropsia se inicia com a incisão da pele, cartilagens costais e articulações


esternoclaviculares.
B) A necropsia é o exame interno de um cadáver, com a finalidade de se determinar a
causa mortis.
C) Acidentes com agulha ou material cortante durante a necropsia de portadores de
doença infecto-contagiosa, necessitam ser comunicados à Comissão de Controle de
Infecção Hospitalar.
D) A necropsia contribui para a determinação da causa mortis apenas nos casos de
morte violenta.

52. São recomendações importantes para a realização de necropsias em portadores de


doenças infecto-contagiosas, EXCETO:

A) O procedimento da necropsia deve ser rápido e a clivagem dos órgãos deve ser
realizada após 48 horas de fixação.
B) Crânio e ossos devem ser serrados exclusivamente com serra manual.
C) É obrigatório o uso de equipamento de proteção individual (capacetes, aventais
duplos, máscaras, dentre outros).
D) O cadáver necropsiado, após ter sido limpo e vestido, deve ser colocado em caixão
lacrado, para ser entregue à família.

55
53. Em relação às técnicas de necropsia, é INCORRETO afirmar que

A) na técnica de Virchow, os órgãos são retirados um a um para depois serem


examinados.
B) na técnica de Ghon, os órgãos anatômica ou funcionalmente relacionados são
retirados em monobloco.
C) na técnica de Rokitansky, os órgãos são retirados individualmente, após abertos “in
situ”.
D) seja qual for a técnica empregada, o exame externo, a tomada das medidas
antropométricas e a formolização do corpo, antecedem o procedimento da necropsia.

54. Observe estas figuras

I
I II III V

Em relação ao instrumental mostrado nas figuras, marque a opção CORRETA.

A) I- Clamp de intestino, II- Pinça anatômica, III- Rugina, IV- Pinça hemostática.
B) I- Clamp de intestino, II- Pinça dente de rato, III- Costótomo, IV- Pinça hemostática.
C) I- Clamp de intestino, II- Pinça dente de rato, III- Rugina, IV- Pinça hemostática.
D) I- Pinça hemostática, II- Pinça dente de rato, III- Costótomo, IV- Clamp de intestino.

56
55. A linha de corte superior para a retirada do monobloco torácico é

A) a traquéia.
B) os vasos da base do coração.
C) a base da língua.
D) o osso hióide.

56. São manobras que facilitam a retirada do intestino delgado, EXCETO:

A) Identificação e isolamento da raiz do mesentério.


B) Identificação do ângulo de Treitz.
C) Identificação da junção íleo-ceco-cólica.
D) Abertura do intestino pela borda anti-mesentérica.

57
57. Assinale a alternativa CORRETA.

A)O exame da placenta é parte essencial da necropsia perinatal.


B)A presença de maceração constitui impedimento para a realização da necropsia.
C)O termo de consentimento para a necropsia perinatal deve ser assinado pelo pai e pela
mãe do recém-nascido.
D)Denomina-se “óbito fetal” aquele que ocorre logo após o parto.

Questões de 58 a 69 HFA- 2002


QÃO 26
58. Ao técnico em necrópsia, além das atribuições estabelecidas na
legislação específica, não compete

A distribuir os formulários de declaração de óbito, mediante


protocolo, aos enfermeiros encarregados de clínicas em que
ocorrem os óbitos.
B colocar o cadáver em câmara frigorífica.
C preparar o cadáver e auxiliar na execução de necrópsia.
D lavar e recompor cadáveres após necropsiados.
E vestir o cadáver.
QUESTÃO 27
59. Ao técnico em necrópsia compete

A orientar a família acerca dos procedimentos legais junto ao


cartório e das providências quanto ao transporte e
sepultamento.
B orientar o responsável para procurar o serviço social do
hospital a fim de obter o sepultamento gratuito, quando tratarse
de indigente.
C informar à secretaria de anatomia patológica a respeito da
existência de cadáver não-reclamado no prazo de quinze dias
da ocorrência do óbito.
D exigir a devolução de todos os formulários de declaração de
óbito que foram rasurados.
E fazer contato com o plantão policial e solicitar que sejam
adotadas as providências cabíveis, quando se tratar de caso
para o Instituto Médico Legal (IML).

QUESTÃO 29
60. Entre as atribuições do técnico em necrópsia, inclui-se

A registrar, no ato da entrega do cadáver, o recebimento, em


livro próprio, devendo ser preenchidos todos os itens.
B datilografar ou digitar os laudos de necrópsia emitidos pelos
médicos patologistas.
C fornecer cópia do laudo de necrópsia aos familiares do
falecido.
D agenciar serviços funerários nas dependências do hospital.

58
E datilografar ou digitar os laudos de lâminas e peças cirúrgicas
emitidos pelos médicos patologistas.
QUESTÃO 30
61 A conservação de corpos, por métodos físicos (resfriamento) ou
químicos (formolização) não tem por finalidade

A impedir os fenômenos cadavéricos transformadores ou a


putrefação.
B preparar o corpo para ser transportado, por via terrestre, aérea
ou marítima, para qualquer lugar do país ou exterior.
C preparar o corpo para que sirva aos estudos de anatomia, de
técnica cirúrgica e de patologia, nas escolas de saúde.
D preparar o corpo para que, exposto em câmara especial,
receba homenagens póstumas.
E preparar o corpo para que seja utilizado em transplantes de
órgãos.
QUESTÃO 31
62 Acerca dos cuidados gerais que devem ser observados para a
prevenção de acidentes durante a necrópsia, assinale a opção
incorreta.

A O lixo da patologia deve ser devidamente acondicionado em


dois sacos plásticos do tipo hospitalar, devidamente lacrados,
antes de ser enviado para incineração.
B Durante a necrópsia de paciente reconhecidamente HIV+, o
cérebro retirado deve ser colocado por inteiro em uma cuba
com formol a 10% para fixação, por um período mínimo de
trinta dias.
C Durante a necrópsia, se eventualmente a luva se rasgar,
deverá ser removida e imediatamente substituída, após a
lavagem das mãos com água e sabão líquido.
D Em caso de acidente com agulha, material de corte, ou
contato da mucosa do olho, do nariz e da boca com sangue,
não há necessidade imediata de avisar a comissão de controle
de infecção hospitalar.
E No preparo do cadáver, é necessário usar luvas e aventais.
QUESTÃO 32
63. Com relação à necrópsia, assinale a opção correta.
A É apenas o exame externo de um cadáver, com a finalidade de
determinar a causa da morte.
B É apenas o exame interno de um cadáver, com a finalidade de
determinar a causa da morte.
C É o exame externo e interno de um cadáver, com a finalidade
de determinar a causa da morte.
D Não é obrigatória nos casos de morte violenta.
E Não contribui para a determinação da causa da morte.
QUESTÃO 33
64. Assinale a opção que apresenta a seqüência correta, quanto à
técnica de retirada dos órgãos em uma necrópsia.

59
A exame externo; incisão da pele, das cartilagens costais e
articulações esternoclaviculares; extração dos órgãos do
crânio e da medula espinhal; exame das cavidades torácica e
abdominal; extirpação dos órgãos do tronco

B exame externo; incisão da pele, das cartilagens costais e


articulações esternoclaviculares; exame das cavidades
torácica e abdominal; extirpação dos órgãos do tronco;
extração dos órgãos do crânio e da medula espinhal

C incisão da pele, das cartilagens costais e articulações


esternoclaviculares; exame externo; extirpação dos órgãos do
tronco; exame das cavidades torácica e abdominal; extração
dos órgãos do crânio e da medula espinhal

D exame externo; extração dos órgãos do crânio e da medula


espinhal; incisão da pele, das cartilagens costais e
articulações esternoclaviculares; exame das cavidades
torácica e abdominal; extirpação dos órgãos do tronco

E extração dos órgãos do crânio e da medula espinhal; exame


externo; incisão da pele, das cartilagens costais e articulações
esternoclaviculares; extirpação dos órgãos do tronco; exame
das cavidades torácica e abdominal
QUESTÃO 34
65 Assinale a técnica de necrópsia que não se caracteriza como
técnica de linhas de incisão anteriores do tórax e abdome.

A mento-pubiana
B bimastóide-esterno-pubiana
C biacrômio-esterno-pubiana
D fronto-naso-esterno-pubiana
E mastóide-esterno-pubiana
QUESTÃO 35
66. Não é técnica de necrópsia a técnica de

A R.Virchow.
B C. Rokitansky.
C A. Ghon.
D M. Letulle.
E Benassi.
QUESTÃO 36
67. Considerando os cuidados gerais do manuseio de substâncias
químicas (formol) dentro da sala de macroscopia e necrópsia,
assinale a opção incorreta.

A Durante a manipulação com formol, não é necessário usar


máscara cirúrgica ou lenço amarrado no rosto, pois isso não
evita a aspiração de vapores.
B Por ser volátil, o formol evapora-se com muita facilidade

60
quando os recipientes que o contêm estão expostos ao calor
ou quando a temperatura do laboratório é elevada.
C Os recipientes de peças cirúrgicas que contêm formol devem
ser bem tapados e acondicionados em sala ventilada.
D No caso de se derramar formol no chão, deve-se abrir
imediatamente as janelas, ligar o exaustor e enxugar
rapidamente o chão.
E Se houver contato acidental de formol com os olhos, deve-se
lavá-los com água corrente ou água boricada e evitar esfregálos
com as mãos.
QUESTÃO 37
QUESTÃO 39
68. Existem artigos de uso individual, que fazem a barreira física
entre a fonte de microrganismos e o hospedeiro suscetível — o
técnico em necrópsia — a fim de evitar a propagação de agentes
infecciosos. Entre esses artigos não se incluem os(as)
A luvas duplas ou sobrepostas.
B máscaras.
C ruginas.
D óculos.
E gorros.
QUESTÃO 40
69 Com relação à prevenção de acidentes e aos cuidados de ordem
pessoal e geral em uma sala de necrópsia, assinale a opção
incorreta.

A As superfícies (mesa de autópsia, bancadas etc.)


contaminadas devem ser limpas com solução aquosa de
hipoclorito de sódio a 1% durante cinco minutos.
B Durante a execução da necrópsia de doenças infecciosas,
como a AIDS, a recomendação é de serrar o crânio ou outros
ossos com serra elétrica, com o intuito de abreviar o
procedimento.
C O instrumental contaminado (facas, serras etc.) deve ser
submerso em solução aquosa de hipoclorito de sódio, na
proporção de uma parte de hipoclorito para cinco partes de
água, durante trinta minutos.
D Durante a execução da necrópsia, pode-se colher sangue,
secreção ou material necrótico para a cultura ou pesquisa de
bactérias, fungos e vírus.
E As amostras de tecido devem ser fixadas com formol a 10%
durante pelo menos 48 horas.

70. (HFA-2004) Em relação ao preparo e acondicionamento de peças anatômicas


e ao registro de dados de autópsias, julgue os itens a seguir.

A ( ) Uma das técnicas empregadas para a conservação de tecidos


envolve a perfusão arterial com solução de Laskowski.

61
B ( ) Formol, álcool etílico, glicerina e fenol são comumente
usados como hidratantes em peças anatômicas.
C ( ) Procedimentos de conservação como congelamento podem
ser necessários em alguns casos como, por exemplo, para
algumas caracterizações bioquímicas dos tecidos.
D ( ) O uso de formol para conservação de peças anatômicas
preserva a cor, a maciez e a flexibilidade dos tecidos.
E( ) Caso seja necessária, em uma autópsia, a remoção dos olhos,
esta pode ser feita por uma abordagem anatômica posterior,
sem a secção dos músculos extraoculares.
F ( ) O método de Virchow, em um procedimento de autópsia,
compreende a remoção dos rins por incisão lombar.
G ( ) Durante o procedimento de remoção do cérebro, a dura
mater é inspecionada procurando-se evidências de hematoma
subdural ou epidural que, se presente, deve ter o seu volume
estimado.
H ( ) Registros de autópsia devem ser feitos de forma que sejam
compreendidos não somente por patologistas, mas por outras
pessoas a quem possam ser úteis.
I( ) Não devem ser incluídas observações clínicas no relatório de
autópsia, visto que foram realizadas antes do óbito.
J ( ) O termo método de Rokitanski refere-se à retirada das
vísceras em bloco.

QUESTÕES- MEDICINA LEGAL

71. (Limeira- 2007)Após uma tempestade com raios e trovões, foi


encontrado, em um canavial, cadáver de adulto jovem encharcado
e com marcas de queimaduras nas roupas e na pele. Não houve
registro de relato de testemunhas. com relação a essa situação hipotética, julgue os itens
subseqüentes.

A( ) Se a causa mortis tiver sido eletricidade natural, pode-se


considerar que houve eletroplessão.

62
B( ) Caso não seja possível encontrar documento de identidade
junto ao cadáver, deve-se optar inicialmente por metodologia
de identificação por DNA.
C ( ) Caso existam marcas de Jellineck, uma forma especial de
queimadura na pele tipicamente causada por corrente
elétrica, há fortes indícios de óbito por corrente elétrica
natural advinda de raios.
D ( ) Nessa situação, os mecanismos prováveis de morte são a
parada respiratória central e a parada cardíaca em assistolia,
com predomínio da última

72. (Limeira-2007) Julgue os seguintes itens, que dizem respeito a morte súbita.

A( )A morte súbita pode resultar, ainda que em raros casos, de


distúrbios primários do sistema de excitação e condução do
impulso elétrico responsável pela contração miocárdica,
especialmente durante ou logo após esforço físico
exagerado. Tais distúrbios, meramente funcionais, não
podem ser diagnosticados em exame cadavérico.
B( ) O choque anafilático, resultante de uma reação de
hipersensibilidade do tipo I, pode causar morte súbita. Nesse
caso, observam-se, na necropsia, sinais de asfixia por crise
asmatiforme ou edema de mucosa da laringe, ou, ainda, a
morte pode ocorrer por hipotensão acentuada e choque
circulatório e pela vasodilatação generalizada da
microcirculação, entre outros sinais.
C( ) Casos de embolia pulmonar fatal não provocam substrato
anatomopatológico detectável durante o exame
necroscópico.

73 (Roraima 2003) Um indivíduo foi assassinado por outro que utilizou uma
arma de fogo (pistola 380). Os tiros foram disparados a distância,
sendo alguns transfixantes, atingindo a região torácica esquerda da
vítima. Foram encontrados vários orifícios de entrada, sendo um
na região parietal. Havia ainda ferimentos de saída de tiro
transfixante na região torácica de formato irregular.
Considerando a situação hipotética apresentada acima, julgue os
itens seguintes.

A( ) No exame necroscópico, foram encontrados na região


torácica à esquerda, orifícios de entrada apresentando halo de
tatuagem e aréola equimótica.
B ( ) Na região parietal, a orla de esfumaçamento é o achado mais
importante.
C ( ) As lesões descritas foram produzidas por ação

63
perfurocontundente.
D ( ) Ao deduzir o caminho que um projétil percorreu no interior
do corpo da vítima, a perícia estará definindo a trajetória
desse projétil durante a ação que levou a vítima à morte.
E ( ) Os ferimentos de saída de tiro transfixante devem apresentar
bordos revirados para dentro.

74. (Roraima 2003) Uma mulher com 30 anos de idade, separada, foi visitada
pelo ex-companheiro. O homem terminou por assassiná-la com
uma faca do tipo peixeira, com golpe no pescoço, que atingiu a
carótida esquerda. Houve discussão relativa a uma possível
gravidez e violência física precedendo a morte, mas não havia
sinal de atos libidinosos.
Com referência a essa situação hipotética, julgue os itens a seguir.

A ( ) A morte se deu por hemorragia externa consecutiva a


degolamento.
B ( ) O óbito foi produzido por instrumento cortocontundente.
C ( ) Caso houvesse uma lesão na face externa do antebraço
direito da vítima, esta poderia ser considerada uma lesão de
defesa.
D ( )_ Nesse caso, é importante analisar o conteúdo uterino.
E ( ) A ferida fatal é classificada como cortocontusa.

75 (Roraima 2003)Sabe-se que o aparecimento de fenômenos tardios não oferece


qualquer dificuldade para o diagnóstico da morte. No entanto,
diagnosticar a morte recente é tarefa que exige maiores
conhecimentos. De acordo com a classificação de Borri, os
fenômenos cadavéricos se traduzem por sinais detectáveis pelo
exame clínico ou com o auxílio de instrumentos. Acerca desse
tema, julgue os itens seguintes.

A ( ) A abolição do tônus muscular está entre os fenômenos


abióticos imediatos.
B ( )Entre os fenômenos transformadores que se seguem à morte,
os mais importantes são os livores hipostáticos e a rigidez
cadavérica.
C ( ) Um feto morto intra-uterinamente, com sinal característico de
engruvinhamento e descolamento da pele, configura-se como
uma mumificação.
D ( ) Entre os períodos da putrefação, o coliquativo se caracteriza
pelo aspecto gigantesco que assume o cadáver, pelos
membros semi-fletidos (atitude de boxeador) e pela face
vultuosa (lábios grossos e língua procidente).
E ( ) A mancha verde abdominal pode ser observada no quadrante

64
inferior esquerdo.

76. Quais destes fenômenos é considerado abiótico transformativo

a) mumificação
b) livores de hipóstase
c) mancha verde abdominal
d) cessação da respiração
e) rigidez cadavérica

Questões de 77 a 83 - IML Santa Catarina (médico-legista)

77. O sulco equimótico, encontrado no pescoço de uma vítima de asfixia mecânica,


apresenta as características de ser contínuo, horizontal e igual em profundidade. Essa
asfixia é classificada como:

a) Estrangulamento
b) Enforcamento
c) Esganadura
d) Sufocação indireta

78 Embora não exclusivo do afogamento, é sinal externo importante para o seu


diagnóstico:

a) escoriações de extremidades
b) cogumelo de espuma
c) livores de hipostase em cabeça e pescoço
d) perda de unhas e pelos

79 A ferida incisa é causada por um instrumento ou ação:

a) contundente
b) cortante
c) perfurante
d) pérfuro-contundente

80 As afirmações abaixo dizem respeito aos sinais certos de morte.


I - Resfriamento do corpo.
II - Livores de hipostase.
III - Midríase bilateral.
IV - Rigidez muscular.

Assinale a alternativa CORRETA.


a) Somente as afirmativas I, II e IV são verdadeiras.
b) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras.
c) Todas as afirmativas são verdadeiras.
d) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.

65
81 O Código de Processo Penal prevê, em seu art.162, que, salvo condições nele
especificadas, a autópsia será feita pelo menos:
a) 12 horas depois do óbito.
b) 18 horas depois do óbito.
c) 06 horas depois do óbito.
d) 24 horas depois do óbito.

82. Em um ferimento por arma de fogo foram encontradas as seguintes características:


ferimento ligeiramente ovalar, de 0.8 cm. de diâmetro, com presença de orla de
contusão e de orla de enxugo. Podemos afirmar que essa lesão foi causada por:

a) tiro encostado
b) tiro a distância
c) tiro a queima roupa
d) tiro tangencial

83. Podemos, através de meios técnicos, determinar se um revólver foi o responsável


por determinado disparo. Essa possibilidade torna-se viável quando comparamos o
projétil de um tiro de prova, dado com a arma suspeita, com o projétil encontrado no
corpo da vítima ou no local do crime. Neles, analisaremos:

a) as raias e estrias encontradas nos projéteis;


b) a forma e a temperatura dos projéteis;
c) o tipo de pólvora residual encontrada na superfície dos projéteis;
d) o peso e a composição química dos projéteis.

Questões de 84 a 95 - NCE- Rio de Janeiro

84 Um preso é encontrado morto em sua cela; os pés pendentes


acima do solo; um laço feito com lençol, de nó fixo; a mão direita
e as regiões orbitárias tumefeitas ; livores fixados no dorso do
corpo. O exame do sulco revela-se estreito, de profundidade
uniforme, contínuo e horizontal. A causa jurídica mais provável
da morte é:

(A) suicídio;
(B) acidente;
(C) indeterminada;
(D) suspeita;
(E) homicídio.

85 - NÃO se emite declaração de óbito para:

(A) natimortos com mais de 700 gramas de peso;


(B) óbitos sem diagnóstico médico;
(C) peças anatômicas ou membros amputados em cirurgias;
(D) nati-mortos com mais de 1000 gramas;

66
(E) corpos dilacerados.

86 - São fenômenos abióticos imediatos:

(A) relaxamento dos esfíncteres , rigidez cadavérica, livores de


hipóstase;
(B) perda da consciência, relaxamento dos esfíncteres , fácies
hipocrática;
(C) perda da consciência, rigidez cadavérica, fácies
hipocráticas;
(D) relaxamento dos esfíncteres, fácies hipocrática, livores de
hipóstase;
(E) perd a de consciência, rigidez cadavérica, livores de
hipóstase.

87 - No post-mortem ocorrem fenômenos transformativos


destrutivos. São eles:

(A) autólise, maceração, mumificação;


(B) autólise, putrefação, mumificação;
(C) autólise, putrefação, saponificação;
(D) autólise, mumificação, saponificação;
(E) autólise, putrefação, maceração.

88- NÃO acompanham o espectro equimótico de Legrand du Saulle


pela:

(A) grande oxigenação do local;


(B) pouca oxigenação do local;
(C) falta de glóbulos vermelhos;
(D) falta de glóbulos brancos;
(E) pequena área traumatizada.
89 - Instrumentos que atuam por pressão, percussão e
deslizamento, mais pelo peso e intensidade do manejo, do que
pelo gume, denominam-se:

(A) contundentes;
(B) corto contundentes;
(C) cortantes ;
(D) perfuro cortantes ;
(E) perfurantes .

90 - Numa determinada necrópsia identificou-se: rigidez precoce,


face carminada, sangue fluido e rosado, putrefação tardia, edema
cerebral entre outras. O êxito letal ocorreu por:

(A) meio líquido;


(B) estrangulamento;
(C) enforcamento;
(D) esganadura;

67
(E) meio gasoso
.
91 Indique a opção que caracteriza, corretamente, o crime de
infanticídio: feto nascido vivo e
(A) mulher mata criança em qualquer idade;
(B) mãe mata o próprio filho após estado puerperal;
(C) mulher mata criança recém-nascida;
(D) mãe mata o próprio filho por processo asfixico;
(E) mãe mata o próprio filho sob influência do estado
puerperal.

92 Nos traumas pélvicos a presença de ruptura de bexiga é,


com maior probabilidade, devido a (à):

(A) pressão direta sobre o órgão (bexiga cheia);


(B) contusão abdominal;
(C) agentes perfurantes;
(D) trauma retal;
(E) fragmentos ósseos de fratura de bacia.

93 No choque séptico, o mecanismo fisiopatológico primário é

(A) a alteração da microcirculação;


(B) o obstáculo ao retorno nervoso;
(C) a falência cardio-vascular;
(D) a hipovolemia;
(E) a falência renal.

94- Um cadáver do sexo masculino, aparentando 30 anos de


idade, com bom estado de nutrição, foi vítima de projétil de arma
de fogo no crânio. O exame externo revela flacidez muscular
generalizada e mancha verde no flanco direito. O legista pode
concluir que:

(A) o corpo está em estado inicial de putrefação;


(B) o corpo está em estado avançado de putrefação;
(C) a morte ocorreu há cerca de 2 horas no máximo;
(D) a presença da mancha verde não tem significado para o
tempo de morte;
(E) a presença de flacidez muscular generalizada é incompatível
com putrefação inicial.

95 Foi realizada a verificação de óbito de uma mulher de 60


anos em estado inicIal de putrefação, sem evidências de lesões
traumáticas. O legista resolveu colher fragmentos de vários
órgãos para análise histopatológica. No laudo do patologista
constava presença de numerosas colônias bacterianas no
parênquima pulmonar sem reação inflamatória circunjacente. O
legista concluiu que:

68
(A) a causa da morte foi pneumonia aguda bacteriana;
(B) havia pneumonia bacteriana em fase de resolução;
(C) o exame histopatológico nada acrescentou neste caso;
(D) a avaliação apenas macroscópica tem valor neste caso;
(E) as colônias bacterianas foram formadas pela putrefação.

Questões de 96 a 105 - Mato Grosso -2000

96 Assinale a afirmativa incorreta com respeito às energias de ordem físico-química.

a ( ) Nas asfixias por monóxido de carbono, o impedimento da


hematose deve-se a carboxiemoglobinemia.
b ( ) Nas asfixias por confinamento, o ambiente restrito, sem
renovação do ar respirável, ocorre o consumo do oxigênio e acúmulo
do gás carbônico.
c ( ) Nas asfixias puras, a sufocação indireta é explicada pela
impossibilidade do fluxo de ar respirável por obstrução dos orifícios
ou condutos respiratórios. Ocorre com freqüência no infanticídio.
d ( ) Nas asfixias por soterramento, leva-se em consideração os
comemorativos, presença de lesões traumáticas e, substâncias sólidas,
semisólidas ou pulverulentas, no trato respiratório e digestivo
proximal.
e ( ) Nas asfixias por vícios de ambiente, ocorre a presença de gases
tóxicos, saturando o ar, tais como em esgotos e fossas.

97. .Das assertivas abaixo, assinale a incorreta.

a ( ) Os venenos são classificados quanto ao seu estado físico, sua


origem, sua função química e seu uso.
b ( ) Em relação ao estado físico, os venenos podem ser coagulantes
(os ácidos) e liquefacientes (os álcalis)
c ( ) No estudo físico-químico dos venenos tem-se por princípio o
isolamento, identificação e dosagem do agente no material
examinado.
d ( ) Vitriolagem é a denominação utilizada para definir a ação de um
caustico na superfície corporal. Denominação a partir do óleo de
vitríolo.
e ( ) A denominação dada a menor quantidade de veneno capaz de
matar 1 Kg do animal considerado, infundido por via intravenosa é:
Equivalente Tóxico.

98. Sobre asfixias é possível afirmar que: (marque uma alternativa)

a ( ) Na asfixia por monóxido de carbono, é possível sua dosagem e o


coeficiente de saturação no sangue das cavidades cardíacas.
b ( ) São provas incontestes de morte asfíxica por afogamento as

69
lesões produzidas por animais aquáticos.
c ( ) A causa jurídica de morte por esganadura é quase sempre
homicida, podendo ocorrer a forma acidental e, menos
freqüentemente, a suicida.
d ( ) Na asfixia por estrangulamento ocorre um choque hipovolêmico
a partir do impedimento do retorno venoso cerebral, pela constricção
das veias jugulares internas e externas.
e ( ) A diferença básica entre o enforcamento e o estrangulamento diz
respeito ao número de laços empregados na ação de constricção do
pescoço.

99. Assinale a afirmativa correta.

a ( ) A marca elétrica de Jellinek, queimadura asséptica e de


coloração escura, é encontrada com freqüência nos pontos de entrada
da corrente elétrica natural.
b ( ) É característica da morte por fibrilação ventricular as altas
tensões elétricas.
c ( ) A embolia pulmonar é a principal complicação do chamado "mal
das montanhas", tendo em vista a variação da pressão atmosférica.
d ( ) O "mal dos caixões" é uma síndrome causada pelo efeito da
compressão seguida por uma descompressão brusca a que estão
sujeitos os mergulhadores.

100 Com relação aos disparos de arma de fogo, é correto afirmar que:

a ( ) O halo de tatuagem só é encontrado nos disparos encostados.


b ( ) A câmara de mina de Hoffmann é elemento encontrado nos
disparos a queima-roupa.
c ( ) A zona equimótica no orifício de entrada, caracteriza a
propriedade perfurante do projétil.
d ( ) O sinal de Benassi é encontrado nos disparos encostados.
e ( ) O sinal de Werkgaertner é característico nos disparos a curta
distância.

101. Um indivíduo é agredido a dentadas. Ao responder os quesitos oficiais, o perito


assinalará como instrumento causador das lesões:

a ( ) Perfurante
b ( ) Cortante
c ( ) Contundente
d ( ) Pérfuro-cortante
e ( ) Corto-contundente

102. Ferimento em face anterior do pescoço, de bordas regulares e afastadas, com


secção
da traquéia e vasos cervicais profundos é chamado de:

a ( ) Degolamento

70
b ( ) Cervicotomia
c ( ) Esgorjamento
d ( ) Decapitação
e ( ) Laceração cervical

103. Com relação aos instrumentos que produzem lesões mecânicas podemos afirmar o
que se segue, exceto:

a ( ) As lacerações são produzidas por instrumentos contundentes.


b ( ) O estilete é um instrumento perfurante.
c ( ) Como exemplo de instrumento pérfuro-contundente podemos
citar a chave de fenda.
d ( ) A lima é um instrumento pérfuro-cortante.
e ( ) Encravamento é uma modalidade especial de ação de
instrumento contundente.

104. Uma lesão de bordas lisas, afastadas, não penetrante de cavidade, é classificada
como:
a ( ) Perfurante d ( ) Corto-contusa
b ( ) Cortante e ( ) Pérfuro-cortante
c ( ) Contusa

105. Quanto à declaração de óbito é correto afirmar que (marque uma alternativa):

a ( ) Tem a finalidade de confirmar a morte, definir a "causa mortis" e


satisfazer o interesse médico-sanitário.
b ( ) Tem por finalidade apenas ordenar a inumação.
c ( ) É o documento com o qual poderá ser realizado o transporte do
cadáver, entre as cidades, estados e , inclusive, países.
d ( ) Poderá sempre ser assinado pelo médico-assistente.
e ( ) É o documento oficial, com o qual os familiares requerem os
benefícios de direito.

Questões de 106 a 108 Maranhão- 2006

106 No que diz respeito à cronotanatognose é correto afirmar que (marque uma
alternativa)

(A) a rigidez cadavérica se instala crânio-caudalmente e


se desfaz no sentido contrário.
(B) as hipóstases começam a aparecer cerca de seis
horas depois da morte.
(C) a circulação póstuma de Brouardel costuma
anteceder a mancha verde abdominal.
(D)) o resfriamento do corpo é um bom elemento para a
cronotanatognose, todavia se deve levar em conta a
temperatura do ambiente, o arejamento do
ambiente, eventual estado febril precedendo a

71
morte, o tipo das vestes e se o cadáver estava ou
não mergulhado em meio líquido.
(E) nos afogados, a fase de coloração freqüentemente
se inicia pela mancha verde abdominal, que
antecede a mancha verde torácica.

107. No que diz respeito às asfixias, é correto afirmar que:

(A) o cogumelo de espuma, que se observa na boca e


nas narinas, é sinal patognomônico de afogamento.
(B) as Manchas de Paltauf são freqüentemente encontradas
nos chamados “Afogados Brancos “
(C)) os achados necroscópicos de cianose das extremidades;
equimoses subconjuntivais; saída de sangue
fluido e escurecido à dissecção das cavidades;
Manchas de Tardieu nos pulmões, coração e no
estômago e congestão pulmonar, são sinais gerais
de asfixia compatíveis com sufocação indireta.
(D) nos enforcamentos com suspensão completa, geralmente
o sulco de enforcamento é horizontal, contínuo
e localizado abaixo da cartilagem tireóide.
(E) o estrangulamento nunca é suicida, pois concorre
com força externa para sua concretização.

108. Nos casos de mortes decorrentes de ferimento por tiro


único de espingarda, observa-se, comumente:

(A) múltiplos projéteis de alta energia, no interior do


corpo.
(B) que o diâmetro dos balins (chumbinhos balísticos),
encontrados no interior do corpo, tem relação direta
com o calibre da espingarda.
(C) três ou mais balotes (bala ideal), no interior do corpo.
(D) a ocorrência do Sinal do Funil de Bonnet, nas
entradas de projéteis múltiplos, no mesogástrio.
(E)) balins, bucha plástica e eventualmente corpos estranhos
metálicos, no interior do corpo.

Questões de 109 a 110- Tocantins-2008

109- Na história aeronáutica brasileira recente, ocorreram


dois trágicos acidentes, com os vôos 1907 e 3054,
respectivamente em setembro de 2006, na selva de Mato Grosso,
e em julho de 2007, na cidade de São Paulo. Durante os exames
e a identificação dos corpos das vítimas, observou-se que as
causas de morte predominantes nos dois acidentes foram
diferentes. No primeiro caso, houve rompimento da estrutura da

72
aeronave em pleno vôo, partição e liberação dos corpos a grande
altura no ar, com queda sob árvores de floresta tropical. No
segundo acidente, houve colisão e explosão seguida de incêndio
no solo.
Em face dessas considerações e de aspectos médico-legais
correlatos, julgue os itens a seguir, relativos aos acidentes acima
mencionados.

A ( ) Nas declarações de óbito, os legistas podem ter


freqüentemente assinalado politraumatismo como causa de
morte predominante no primeiro acidente e carbonização, no
segundo.
B( ) A seqüência lógica e sistemática para identificação de corpos
nesses dois casos seria a utilização dos seguintes métodos:
papiloscopia, antropologia e DNA.
C ( ) Considerando que, no acidente com o vôo 1907, tenham sido
encontrados diversos corpos com fragmentos de galhos
transfixando completamente coxa, tórax e abdome, nesse
caso, a classificação do instrumento causador da lesão seria
contundente.

110- O cadáver de uma adolescente foi encontrado na margem


de um rio, com os pés dentro d’água. O corpo apresentava
mancha verde abdominal, circulação de póstuma, distensão
torácica e abdominal, rigidez cadavérica desfeita e livores
vinhosos somente em dorso, mais nítidos nas extremidades
inferiores. Na roupa íntima, na parte em contato com a região
perineal, havia sangue e na região perianal havia fezes. O orifício
anal estava dilatado. No pé havia ferida com perda de substância
sem edema nas bordas. Durante a necropsia, foram constatados:
edema de laringe, edema e hemorragias pulmonares, certo grau
de distensão pulmonar, dilatação das câmaras direitas do coração;
além disso, exames complementares mostraram eosinofilia.
Com relação ao quadro hipotético acima descrito, julgue os itens
seguintes.

A( ) Existem indícios de que o local de morte provável é o local


em que o cadáver foi encontrado.
B ( ) Durante a cronotanatognose pode ser estabelecido que a
morte ocorreu a mais de 24 horas antes do exame.
C ( ) É correto inferir que a jovem foi vítima de enforcamento
praticado no local em que seu corpo foi encontrado.
D( ) Trata-se de morte violenta.

Questões de 111 a 114 - Espírito Santo

111- Julgue os seguintes itens, relacionados à traumatologia forense,


especialidade que estuda as lesões corporais e os instrumentos

73
causadores dessas lesões.

A( ) A inanição, a fadiga e a submissão a emoções intensas e


repetidas (estresse) não são causas de lesões corporais
porque não são consideradas agentes causadores de ofensa
à integridade física ou à saúde de um examinado, nem
tampouco são possíveis as caracterizações das lesões
provocadas por esses agentes, sob o aspecto médico-legal.
B( ) Com relação às lesões no pescoço, o esgorjamento é a ferida
transversal ou oblíqua na face anterior; a degola é provocada
por lâmina que atinge a nuca; o enforcamento é a constrição
por forças decorrentes do próprio peso da vítima;
estrangulamento é a constrição por forças diferentes do peso
da vítima; e esganadura é a constrição provocada pela ação
das mãos do agressor.
C( ) Um machado pode ser considerado um instrumento cortocontundente
no caso de a lesão ter sido produzida pelo gume
da lâmina ou considerado um instrumento contundente caso
a lesão tenha sido produzida pelo cabo do objeto.
D( ) Considere a seguinte situação hipotética.
Um adolescente de 15 anos de idade foi encontrado, na cena
do crime, em decúbito ventral. Na região da nuca da vítima
foi observada ferida perfuro-contusa associada à tatuagem
circular de oito centímetros produzida por grânulos de
propelente incombustos, originários de arma de fogo.
Nessa situação, é correto inferir que houve execução com
tiro encostado.
E( ) A lesão típica denominada sinal de Lichetemberg é
caracterizada por figura de aspecto arboriforme, produzida
pela difusão elétrica na pele, provocada pela eletricidade
natural. Por sua vez, o sinal de Jellinek diz respeito às
marcas elétricas desencadeadas pela eletricidade artificial.
F( ) Nas lesões produzidas por agentes mecânicos, as feridas
classificam-se em incisas, contusas, punctórias e laceradas,
associadas às seguintes formas mistas: corto-contusas,
perfuro-incisas, perfuro-contusas, lácero-incisas, lácerocontusas
e lácero-punctórias.

112- Os exames médico-periciais da área toxicológica, em caso de


suspeita de envenenamento ou uso de substância psicotrópica,
têm por finalidade verificar a presença de elementos que possam
ser relacionados ao tráfico, à alteração na capacidade pessoal de
julgamento ou autodeterminação ou a disfunções orgânicas
causadoras de dano ou morte. Julgue os itens subseqüentes,
relacionados à toxicologia.

A( ) O aldicarb, substância inseticida do grupo dos carbamatos


que é vendida ilegalmente com o nome de chumbinho, é
fonte freqüente de intoxicação letal, pois é utilizada
clandestinamente como raticida.

74
B ( ) No sistema nervoso central, quanto à ação psíquica, é correto
afirmar que o álcool etílico e o MDMA possuem ação
depressora.
C ( ) Entre as substâncias psicotrópicas comuns no Brasil estão a
maconha, a cocaína, as anfetaminas, os benzodiazepínicos e
os fenobarbitais, sendo, no país, mais raras as ocorrências de
uso de derivados do ácido lisérgico e de opiáceos.
_

113 Considere que um cadáver de 26 anos de idade foi


encontrado com as seguintes características: temperatura
cadavérica igual a ambiente, rigidez cadavérica desfeita,
mancha verde abdominal restrita à região do flanco direito,
livores cadavéricos em placa, fixos na face dorsal.
Em relação a este assunto,julgue os itens abaixo:

A ( ) A morte ocorreu há mais de 24 horas.


B ( ) São fenômenos de morte imediatos: perda de consciência;
imobilidade; insensibilidade; relaxamento dos esfíncteres;
apinéia; parada dos batimentos cardíacos e,
conseqüentemente, do pulso das artérias, e fácies
hipocrática. Esses são sinais que apenas insinuam a morte,
considerados de presunção de morte.
C ( ) São fenômenos de morte consecutivos decorrente de
desordens bioquímicas, resultantes da anóxia celular, a baixa
do pH intra e extracelular e da autólise, rompimento das
membranas citoplasmáticas, floculação do protoplasma e
desintegração dos tecidos. A putrefação faz parte dos
fenômenos consecutivos, conseqüente à ação de
microrganismos e suas toxinas.
D ( ) São considerados fenômenos cadavéricos transformadores:
rigidez cadavérica, por enrijecimento progressivo dos
músculos; resfriamento do corpo, cuja rapidez depende de
fatores como temperatura ambiental, tamanho da pessoa e
presença e grau de obesidade do cadáver; evaporação
tegumentar, com o apergaminhamento cutâneo e queda da
tensão do globo ocular (sinal de Louis), além de mancha
enegrecida da esclerótica (sinal de Sommer e Larcher);
livores hipostáticos, resultado da parada da circulação e
relaxamento da musculatura das artérias e arteríolas, com
deposição do sangue, pela ação da gravidade, nos pontos de
maior declive, produzindo manchas cutâneas e viscerais.
E( ) Autópsia, necropsia ou tanatopsia são palavras sinônimas,
que significam o exame externo e interno do corpo de um
cadáver, com a finalidade de determinar a causa mortis,
tanto do ponto de vista médico como jurídico e, em alguns
casos, identificar o corpo. Cronotanatognose é o diagnóstico
da realidade da morte. Tanatognose é a determinação do

75
tempo decorrido de morte.

114 A asfixiologia é a parte da medicina legal que estuda as energias


físico-químicas. Julgue o item abaixo, relacionado aos aspectos
médico-legais das asfixias.

A ( )_O engasgamento é a asfixia mecânica por respiração em


meio líquido, a sufocação é a asfixia mecânica por
constrição do pescoço, o estrangulamento é a asfixia
mecânica por oclusão dos orifícios respiratórios externos e
o afogamento é a asfixia mecânica por oclusão das vias
aéreas superiores.

115- (Brasília- Médico legista 2004) Um recruta, durante exercício físico intenso
realizado após o almoço, vomitou e inspirou parte dos alimentos ingeridos, vindo a
morrer em seguida. A necropsia revelou a presença de restos alimentares nas vias aéreas
superiores (laringe e traquéia) Nessa situação a provável causa da morte será:

a) sufusão
b) engasgamento
c) congestão visceral
d) reflexo vagal
e) afogamento branco

116- (Brasília- Médico legista 2004) Uma senhora idosa, em razão de ter sido
atropelada por um automóvel, sofreu fratura do fêmur. Ao longo de uma internação de
sessenta dias, ela desenvolveu um quadro de embolia pulmonar ao fim do qual veio a
falecer.O médico que a assistiu, considerando a negativa da família quanto à realização
da necropsia, assinou a declaração de óbito. Nesta situação, o médico:

a) agiu corretamente;
b) deveria assinar a declaração de óbito incluindo ressalvas;
c) só poderia dar a declaração de óbito se a necropsia fosse realizada no próprio
hospital;
d) somente poderia emitir a declaração de óbito com autorização do diretor do
hospital
e) deveria ter encaminhado o corpo para o IML em razão do acidente sofrido
pela idosa

117-(Brasília- Médico Legista 2004) Ao dirigir um carro, um indivíduo sofreu um


acidente, vindo a bater a cabeça contra o pára-brisa. No exame , verificaram-se
hematomas na face, escoriações nos lábios e feridas com bordas retilíneas e uniformes
na região frontal. Neste caso, as lesões seriam classificadas como:

a) contundentes
b) corto-contusas, incisas e contusas

76
c) corto-contusas
d) incisas e contusas
e) cortantes e perfurantes

118- (Brasília-Médico legista 2004) A inflitração sanguínea no tecido que pode sofrer
modificações a partir das quais é possível avaliar o tempo decorrido após a agressão é
denominada:
a) hipóstase
b) bossa sanguínea
c) hematoma
d) equimose
e) bossa linfática

119 Sobre ferimentos pérfuro-contusos, julgue os itens abaixo


(D))
A ( ) O sinal de Benassi é descrito nos tiros encostados
que acometem regiões corporais onde exista um
plano ósseo imediatamente abaixo.
B( ) O sinal de Werkgaertner e da “Câmara de Mina de
Hoffmann” podem ser observados nos tiros
encostados.
C ( )Nos ferimentos pérfuro-contusos de saída de
projétil de arma de fogo, não se observa zona de
tatuagem verdadeira.
D ( ). Nos ferimentos pérfuro-contusos de saída de
projétil de arma de fogo, eventualmente pode ser
observá-la a zona de chamuscamento.

120 Qual das afirmativas abaixo mostra uma semelhança entre o


cadáver carbonizado e o cadáver na fase gasosa da putrefação

a) mancha verde abdominal


b) posição de boxeador
c) enfisema subcutâneo
d) protusão da língua
e) aumento do tamanho do cadáver

77
GABARITO DOS EXERCÍCIOS

1. ECCC
2. ECCEE
3. A
4. D
5. B
6. B
7. B
8. E
9. E
10. A
11. C
12. D
13. E
14. B
15. A
16. E
17. E
18. A
19. C
20. C
21. C
22. E
23. D
24. B
25. D
26. B
27. D
28. B
29. D
30. A
31. E
32. B

78
33. B
34. A
35. B
36. B
37. E
38. D
39. B
40. D
41. D
42. B
43. B
44. C
45. B
46. C
47. C
48. D
49. B
50. D
51. C
52. B
53. D
54. D
55. C
56. D
57. A
58. A
59. C
60. A
61. E
62. D
63. C
64. B
65. D
66. E
67. A
68. C
69. B
70. CECEEECCEE
71. EEEC
72. CCE
73. EECEE
74. EECCE
75. CEEEE
76. C
77. A
78. D
79. B
80. A
81. C
82. B

79
83. A
84. E
85. C
86. X
87. E
88. X
89. B
90. E
91. E
92. A
93. A
94. A
95. E
96. X
97. X
98. A
99. X
100.D
101.E
102.C
103 BX
104 B
105 A
106 D
107 C
108 E
109 CCE
110 CCEC
111 ECCECE
112 CEC
113. CCEEE
114 E
115 B
116 E
117 D
118 D
119 CCCE
120 B

80
BIOSSEGURANÇA
Biossegurança é o conjunto de estudos e procedimentos que visam a evitar ou
controlar os riscos provocados pelo uso de agentes químicos, agentes físicos e agentes
biológicos à biodiversidade.

As atividades a serem desenvolvidas no PROGRAMA DE


BIOSSEGURANÇA devem permitir o aprendizado e o crescimento do estudante na
sua área profissional. Os líquidos biológicos e os sólidos, os quais manuseamos nos
laboratórios, são, quase sempre, fontes de contaminação. Os cuidados que devemos ter
para não haver contaminação cruzada dos materiais, não contaminar o pessoal do
laboratório,da limpeza, os equipamentos, o meio ambiente através de aerossóis e os
cuidados com o descarte destes materiais fazem parte das regras da Biossegurança.
TIPOS DE RISCO:
(Portaria do Ministério do Trabalho, MT no. 3214, de 08/06/78)
1. Riscos de Acidentes
2. Riscos Ergonômicos
3. Riscos Físicos
4. Riscos Químicos
5. Riscos Biológicos
1. RISCOS DE ACIDENTES
Considera-se risco de acidente qualquer fator que coloque o trabalhador em situação de
perigo e possa afetar sua integridade, bem estar físico e moral. São exemplos de risco de
acidente: as máquinas e equipamentos sem proteção, probabilidade de incêndio e
explosão, arranjo físico inadequado, armazenamento inadequado, etc.
2. RISCOS ERGONÔMICOS
Considera-se risco ergonômico qualquer fator que possa interferir nas características
psicofisiológicas do trabalhador causando desconforto ou afetando sua saúde. São
exemplos de risco ergonômico: o levantamento e transporte manual de peso, o ritmo
excessivo de trabalho, a monotonia, a repetitividade, a responsabilidade excessiva, a
postura inadequada de trabalho, o trabalho em turnos, etc.
3. RISCOS FÍSICOS
Consideram-se agentes de risco físico as diversas formas de energia a que possam estar
expostos os trabalhadores, tais como: ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas
extremas, radiações ionizantes,radiações não ionizantes, ultra-som, materiais cortantes e
pontiagudos, etc.
4. RISCOS QUÍMICOS
Consideram-se agentes de risco químico as substâncias, compostas ou produtos que
possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos,
névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição,
possam ter contato ou ser absorvido pelo organismo através da pele ou por ingestão.
5. RISCOS BIOLÓGICOS
Consideram-se agentes de risco biológico as bactérias, fungos, parasitos, vírus, entre
outros.

81
82
NOÇÕES DE PATOLOGIA

Noções de Patologia

1- Adaptação e degeneração celular

1) Respostas celulares ao estresse e estímulos nocivos: a célula por estar sob a


influência da programação genética do seu metabolismo, diferenciação e especialização;
da limitação física das células vizinhas e da disponibilidade de substratos metabólicos
possui uma variação muito limitada de sua função e estrutura
*no entanto ela é capaz de lidar com as exigências fisiológicas normais mantendo um
padrão estável chamado de homeostasia
*estresses fisiológicos e estímulos nocivos podem desencadear adaptações celulares
funcionais e morfológicas. Se os limites da resposta de adaptação celular são excedidos
entra-se no estágio de lesão celular que inicialmente é reversível, basta remover o
estímulo nocivo que a célula volta ao normal, mas se o estímulo persistir ou for severo a
célula atinge um “ponto de não-retorno” e sofre lesão celular irreversível que vai
culminar em morte celular

2) Adaptação celular ao crescimento e à diferenciação:


Conceitos:

Crescimento celular: é um mecanismo baseado na multiplicação e reposição das


células resultante da ação coordenada de agentes estimuladores e inibidores da divisão
celular (fatores de crescimento)

Diferenciação celular: é a especialização morfológica e funcional das células resultante


de controle genético durante a embriogênese

1. ATROFIA:
Conceito: redução no volume de uma célula pela perda de alguns de seus componentes
estruturais o que conseqüentemente vai diminuir sua função e o tamanho do órgão como
um todo

Tipos:
1. Atrofia fisiológica: ocorre, por exemplo, na atrofia do ducto tireoglosso e da
notocorda no período embrionário ou atrofia do útero pós-parto
2. Patológica: (depende da causa e pode ser localizada ou generalizada)

Causas:

1. Diminuição da carga / atrofia por desuso: rápida diminuição do tamanho das células
musculares quando um membro é imobilizado, o que volta ao normal com o fim da
imobilização

83
2. Perda da inervação / atrofia por desnervação: atrofia das fibras musculares
inervadas por um conjunto de nervos que perderam sua função como por exemplo na
poliomielite

3. Diminuição do suprimento sanguíneo (isquemia): em idosos pela formação de


placas de ateroma nos vasos sanguíneos da base do encéfalo ocorre redução do
suprimento sanguíneo para o cérebro resultando em atrofia de suas células

4. Nutrição inadequada: no marasmo (desnutrição protéico-calórica acentuada) ocorre


uso das proteínas musculares como fonte de energia já que as demais reservas foram
esgotadas causando atrofia muscular (caquexia) e na anorexia nervosa

5. Perda da estimulação endócrina: perda estimulação estrogênica na menopausa


resulta em atrofia fisiológica do endométrio, epitélio vaginal e seios

6. Envelhecimento/atrofia senil: bem visível em tecidos com células permanentes


como cérebro e coração

7. Atrofia por compressão: um tumor benigno ao crescer pode causar atrofia dos
tecidos circundantes devido a isquemia induzida por essa massa em expansão nesses
tecidos

Mecanismo: aumento na degradação de proteínas pela via ubiquitina-proteossoma (as


proteínas são conjugadas com a ubiquitina e depois degradas no proteossoma) ou pelo
aumento acentuado de vacúolos autofágicos (degradam componentes celulares através
de enzimas lisossomais, mas os fragmentos celulares que resistem à digestão
permanecem como vacúolos residuais dentro da célula como os grânulos de lipofuscina
que dão ao tecido uma coloração acastanhada e são indicativos de atrofia)

2. HIPERPLASIA:

Conceito: aumento do número de células pelo aumento dos processos de divisão


celular

Tipos:

1. Hiperplasia fisiológica:

Hormonalaumenta a capacidade funcional de um tecido quando é necessário


Ex: aumento das mamas e úteros na gestação

Compensatóriaaumento da massa tecidual após um dano ou ressecção parcial,


Ex: fígado após hepatectomia parcial, rim após nefrectomia unilateral ou testículo
após orquiectomia unilateral)

2. Hiperplasia patológica: causada pela estimulação excessiva das células-alvo por


hormônios ou fatores de crescimento que apesar de ser um processo anormal
permanece sob controle pois basta o estímulo hormonal ser eliminado que tudo volta
ao normal;

84
Ex: hiperplasia endometrial onde há endométrio espessado com estruturas polipóides
por excesso de estímulo estrogênico
Ex: hiperplasia nodular da próstata onde há aumento de maneira nodular do
parênquima prostático por excesso de estímulo androgênico

Mecanismos: ↑produção local de fatores de crescimento ↑receptores para esses fatores


de crescimento nas células ↑ativação de vias de sinalização intracelular ↑produção de
fatores de transcrição ↑ativação de genes celulares ↑proliferação celular

3. HIPERTROFIA:

Conceito: aumento do volume das células sem que ocorra divisão celular devido ao
aumento da síntese protéica, se deve a um aumento na demanda funcional ou por
estímulos hormonais e que conseqüentemente vai aumentar o tamanho do órgão
também

Tipos:

1. Hipertrofia fisiológica:
Ex: fisioculturismohipertrofia muscular onde ocorre aumento no tamanho de cada
fibra de forma que a carga seja distribuída por um número maior de componentes
celulares e assim ao corra o risco de ser lesada.
Ex: aumento do útero e seios na gravidezo hormônio estrógeno estimula aumento da
síntese protéica e leva ao aumento das células do útero na gravidez enquanto que a
prolactina combinada com o estrógeno causam o mesmo nos seios na amamentação)

2. Hipertrofia patológica:
Ex: músculo cardíaco se hipertrofia devido a uma sobrecarga hemodinâmica crônica
causada pela hipertensão arterial ou por válvulas defeituosas)

Mecanismos:
1. Ativação de genes que codificam fatores de transcrição (c-fos e c-jun), fatores de
crescimento (TGF-β) a agentes vasoativos (agonistas α-adrenérgicos, endotelina-1 e
angiotensina II)

2. Mudança das proteínas contráteis da forma adulta para a forma fetal ou neonatal
levando a uma contração mais lenta e que economiza energia

3. Alguns genes que só se expressam durante as fases iniciais do desenvolvimento


voltam a se expressar nas células hipertróficas e seus produtos participam da resposta
celular ao estresse como, por exemplo, o gene para o FNA que se expressa nos átrios e
ventrículos do feto mas com o nascimento ele passa a expressar apenas nos átrios mas
na hipertrofia ele volta a se expressar nos ventrículos reduzindo a carga hemodinâmica

Desencadeadores da hipertrofia:
1. Desencadeadores mecânicos: estiramento

85
2. Desencadeadores tróficos: fatores de crescimento e agentes vasoativos que
estimulam a expressão de vários genes levando a hipertrofia celular

Fatores limitantes da perpetuação da hipertrofia:

*suprimento vascular limitado para as células hipertofiadas


*diminuição da capacidade oxidativa da mitocôndria
*alterações na síntese e degradação de proteínas
*alterações do citoesqueleto

4. METAPLASIA:

Conceito: é uma alteração reversível na qual um tipo de tecido maduro é substituído por
outro mais resistente mas da mesma linhagem embrionária devido a uma agressão
crônica e a mais comum é a do epitélio colunar para o escamoso

Exemplos:

1. Fumantes de longa data: traquéias e brônquios possuem epitélio cilíndrico que com
as agressões vai sendo substituído por um epitélio pavimentoso resistente, mas que
perde a capacidade de secreção de muco.

2. Cálculos nos ductos excretores das glândulas salivares, pâncreas ou ductos


biliares: podem levar à substituição do epitélio colunar secretório normal pelo epitélio
escamoso estratificado não-secretor

3. Esôfago de Barret: o epitélio escamoso esofágico é substituído por células colunares


semelhantes a células intestinais devido ao refluxo do suco gástrico.

Mecanismo:

1. É resultado de uma reprogramação de células tronco teciduais ou de células


mesenquimatosas indiferenciadas presentes no tecido conjuntivo
2. Ocorrem por meio de sinais gerados por citocinas, fatores de crescimento e
componentes da matriz extracelular

3) Causas das lesões celulares:

1. Ausência de oxigênio:

Hipóxiadeficiência de O2 causando lesão celular pela redução da respiração aeróbica


oxidativa e pode ser decorrente de anemia, envenenamento por cianeto, insuficiência
cardio-respiratória,etc
Anóxiaausência de suprimento de O2 para as células em virtude de afogamento ou
pré-parto
Isquemia perda do suprimento sanguíneo em virtude da obstrução do fluxo arterial
por trombos, êmbolos, aterosclerose ou compressão ou redução da drenagem de um
tecido que resulta na deficiência de O2 e de nutrientes para o tecido como a glicose,
logo a lesão celular é mais severa nesse caso

86
2. Agentes físicos:
Mecânicostraumatismos
Temperaturafrio ou calor excessivos
*variações repentinas da pressão atmosférica
*radiações ionizantes
*corrente elétrica

3. Agentes químicos:
*venenostetracloreto de carbono e arsênio
*drogas terapêuticas
*drogas não-terapêuticas (álcool e narcóticos)
*poluição (tabaco)
*inseticidas

4. Agentes biológicos:
*vírus e prionsefeito citopático e oncogênico
*bactérias
*protozoários

5. Mecanismos imunológicos:
*reação anafilática
*doenças auto-imunes
*repostas imunes humoral e celular normais também causam lesão celular

6. Distúrbios genéticos:
*alterações gênicas, genômicas e cromossomiais
*erros inatos do metabolismo

7. Distúrbios nutricionais:
*avitaminosesescorbuto e xeroftalmia
*anorexia nervosa
*dislipidemias
*má nutrição protéica não calóricamarasmo e kwashiokor

8. Envelhecimento:
Relação com as doenças circulatórias (depósito de placas de ateroma é gradativo ao
longo da idade)

4) Determinantes das lesões celulares:

1. A resposta celular a estímulos nocivos depende do tipo de lesão, de sua duração e


gravidade
2. As conseqüências da lesão celular dependem do tipo, estado e grau de adaptação da
célula danificada
3. As lesões celulares resultam de anormalidades funcionais e bioquímicas em um ou
mais componentes celulares, assim, os alvos mais visados são: (1) fosforilação
oxidativa (2) integridade das membranas celulares (3) síntese protéica (4) citoesqueleto
(5) núcleo

87
5) Mecanismos das lesões celulares:

1. Diminuição do ATP:
*causaslesões hipóxicas e químicas
*produção de ATP através da via aeróbia baseada na fosforilação oxidativa do
ADP através da transferência de elétrons na mitocôndria ou através da via glicolítica
anaeróbica que gera ATP a partir de glicose derivada de fluidos corporais ou de
glicogênio

*conseqüências da diminuição de ATP:

A. redução da atividade da bomba de Na+/K+ e conseqüente entrada de água dentro da


célula

B. alteração do metabolismo de energia: desvio para a via glicolítica anaeróbica e com


isso os depósitos de glicogênio são consumidos rapidamente e ocorre produção de
ácido lático que abaixa o PH que diminui a atividade de várias enzimas celulares

C. problemas na bomba de Ca+2 resultando na entrada desse íon que é nocivo para a
célula

D. descolamento dos ribossomos do RER resultando em queda na síntese protéica e


deposição de lipídeos dentro da célula

E. resposta das proteínas não-dobradas que pode acarretar morte celular

2. Dano mitocondrial:
*causasaumento de cálcio no citossol, pelo estresse oxidativo, pela degradação de
fosfolipídios pela via das fosfolipases A2 e da esfingomielina, etc
*conseqüências formação de um canal de alta condutância chamado de poro de
transição da permeabilidade mitocondrial impedindo o potencial de prótons da
mitocôndria ou pode ocorrer também um extravasamento do citocromo c no citossol
que pode iniciar a via da apoptose

3.aumento do cálcio intracelular:


*causastoxinas e isquemia provocam influxo de cálcio pela membrana e liberação
do cálcio retido na mitocôndria e no REL
*conseqüênciasaumento na permeabilidade não-específica da membrana e ativação
de enzimas potencialmente deletérias como ATPases, fosfolipases, proteases e
endonucleases

4. Estresse oxidativo:
As células produzem energia reduzindo o O2 em H2O mas durante esse processo são
produzidas espécies reativas do oxigênio que são radicais livres bastante instáveis que
lesam os lipídeos, as proteínas e os ácidos nucléicos
*o estresse oxidativo se deve a u desequilíbrio entre a síntese e a eliminação de radicas
livre

Mecanismos de criação de radicais livres dentro da célula:

88
A. absorção de radiação ionizante: água ao absorver essa radiação pode produzir
radicais hidroxila e hidrogênio
B. metabolismo enzimático de substâncias químicas exógenas ou drogas: CCl4 pode
gerar CCl3 que é reativo
C. reações de oxi-redução normais da célula: produção de intermediários tóxicos como
ânion superóxido, peróxido de hidrogênio e íon hidroxila
D. reações intracelulares com metais de transição
E. óxido nítrico produzido por várias células

Efeito dos radicais livres na lesão celular:

A. peroxidação lipídica das membranas plasmática e de organelas: radical livre (OH)


ataca as duplas ligações dos lipídeos e com isso são produzidos peróxidos instáveis e
reativos gerando uma reação em cadeia ou de propagação
B. modificação oxidativa das proteínas: os radicais livres promovem a oxidação da
cadeia lateral dos aa, a formação de ligações cruzadas entre proteínas e oxidação da
estrutura principal da proteína
C. lesões no DNA nuclear e mitocondrial

Mecanismos celulares de remoção dos radicais livres:


A. antioxidantes: bloqueiam a formação dos radicais ou os inativam como as
vitaminas A e E
B. ligação dos radiais a proteínas de transporte e armazenamento (lactoferrina,
transferrina, ferritina e ceruloplasmina)
C. enzimas eliminadoras de radicais livres (catalase, superóxido dismutases e
glutatião peroxidase)

5. Danos às membranas celulares:

A. disfunção mitocondrial: resulta na redução da síntese de fosfolipídios e acúmulo


de ácidos graxos livres promovendo alterações na permeabilidade celular

B. perda dos fosfolipídios de membrana: pela ativação de fosfolipases endógenas em


virtude de níveis aumentados de cálcio no citossol

C. danos ao citoesqueleto onde se ancoram as proteínas de membrana: pela


ativação de proteases pelos níveis aumentado de cálcio no citossol

D. através de radicais livres


e. Através de produtos da degradação de lipídeos

5) Tipos de lesão celular:

a) deposições intracelulares / alterações regressivas / degenerações / lesões


reversíveis:

1. Degeneração hidrópica / tumefação turva celular / degeneração vacuolar /


edema celular:

89
a) definição: é o acúmulo de água no interior das células parenquimatosas (fígado, rim
e coração)
b) causas:

A. Hipóxia:

Os elétrons oriundos da metabolização da glicose vão passar pelos citocromos na


cadeia transportadora de elétrons. Á medida que são carreados fazem com que os íons
H+ passem pela membrana e fiquem no espaço entre membranas gerando uma f.e.m.
Essa força impulsiona a enzima ATP sintetase a realizar a fosforilação oxidativa que
une ADP com Pi formando ATP.

*assim ↓O2 ↓ acepção final de O2 ↓f.e.m ↓produção de ATP ↓processos ATP-


dependentes como divisão celular, síntese protéica, catabolismo e transporte ativo
(bomba de Na+/K+);
*a bomba de Na+/K+ ATPásica garante o equilíbrio iônico celular mandando 3Na+
para o extra e 2 K+ para o intra logo na ↓O2 ↑Na+ dentro da célula ↑pressão
oncótica ou coloidosmótica ↑influxo de cloreto e cálcio;
*o cálcio é lesivo para a célula em altas concentrações, pois inibe a fosforilação
oxidativa diminuindo ainda mais o ATP;
*o cálcio é guardado dentro da mitocôndria e do REL o que para manter o equilíbrio
isosmótico provoca a entrada de água dentro da célula;

B. lesão química: *cloreto *cianeto: inibe o complexo citocromo oxidase diminuindo a


produção de ATP; *agentes alquilantes e antibióticos: efeito citotóxico direto levando a
acúmulo de água

C. Ddesnutrição: falta de glicose implica em falta de ATP que leva a acúmulo de água
D. ATP sintetase diminuída: impede a ocorrência da fosforilação oxidativa
diminuindo a produção de ATP levando a acúmulo de água

E. Enterotoxinas de estafilococos

c) Mecanismo: isquemia  hipóxia  ↓fosforilação oxidativa  ↓ATP 


1º) ↓bomba de Na/K ↑ influxo de Ca e H 2O ↑tumefação celular, perda de
microvilosidades, formação de bolhas, aumento do RER, figuras mielínicas
(membranas enoveladas sobre si mesmas retendo água) e floculações
2º) ↑ glicólise anaeróbica ↓ glicogênio ↓PH pela formação de ácido lático que causa
piquinose do núcleo (condensação da cromatina)
3º) descolamento dos ribossomos; ↓ síntese protéica ↑ deposição de lipídios

2. Degeneração gordurosa / esteatose:


a) definição: acúmulo anormal de lipídios dentro das células parenquimatosas (fígado
principalmente por estar envolvido com o metabolismo de lipídios mas também no
coração, rins e músculos
b) causas:
A. toxinas como o CCL4redução da síntese de apolipoproteínas
B. desnutrição protéicaredução da síntese de apolipoproteínas e aumento na
mobilização de AG dos tecidos periféricos
C. diabetes melittusaltera o metabolismo de lipídeos

90
D. obesidade
E. hipóxiainibe a oxidação de lipídeos
F. alcoolismoaltera as funções mitocondriais e microssomais

c) Metabolismo normal de lipídeos: *os AG livres do tecido adiposo ou provenientes


da alimentação são transportados aos hepatócitos *ai são esterificados a TG,
convertidos em fosfolipídeos ou colesterol, ou oxidados a corpos cetônicos

d)Mecanismos: a. entrada excessiva de AG livres:


*aumento da ingestão de gordura e de álcoolacúmulo temporário de TG dentro da
célula até formar lipoproteínas
*kwashiokor (aquele que vem antes do último)desbalanço protéico mas não calórico,
ocorre em crianças que são desmamadas cedo porque a mãe vai ter outro filho e então
passam a se alimentar de leite e farinha, levando a um excesso de carboidratos na dieta
que são desviados para a formação de AG e a seguir TG que se acumula nas células

b. decréssimo na síntese protéica:


*devido a substâncias químicas como CCl4 que lesa o RER diminuindo a síntese
protéica e o álcool que possui cetoaldeídos que causam lesão mitocondrial diminuindo
a síntese de ATP levando a acúmulo de gordura dentro da célula

c. diminuição da oxidação de AG:


*diminuição da oxidação ocasiona aumento da esterficação de AG a TG que se
acumula dentro da célula

d. aumento na esterificação de AG:


*excesso de álcool que aumenta a esterificação de AG a TG que se acumula

e. obstáculo na liberação das lipoproteínas:


* álcool impede a ligação do TG com as apoproteínas impedindo a formação de
lipoproteínas

3. Degeneração glicogênica:
a) definição: é o depósito de glicogênio intracelular
b) causas:
A. diabetes mellitus:
*acúmulo de glicogênio no TCD e na alça de Henle
*acúmulo de glicogênio nas células hepáticas
B. glicogenoses:
*definição: síndromes genéticas com erros enzimáticos que interferem no metabolismo
*tipo I/Doença de Von Guierke: falta da enzima glicose-6-fosfatase que converte
glicose em glicose-6-fosfato; hepatomegalia, nefromegalia e hipoglicemia
*tipo II/doença de Pompe: falta enzima maltase ácida; acúmulo de glicogênio no
músculos estriados cardíaco e esquelético; cardiomegalia, hipotonia muscular,
insuficiência cardíaca e morte antes dos dois anos
*tipo V/síndrome de Mac Ardle: falta da enzima fosforilase muscular; câimbras
dolorosas pela não conversão de glicogênio em glicose limitando exercícios físicos

4. Degeneração hialina:

91
a) definição: é o depósito de proteínas dentro da célula que conferem a ela um aspecto
róseo
b) tipos:
A. degeneração hialina goticular:
*ocorre em doenças renais como a síndrome nefrótica
*nos rins a pequena quantidade de proteínas filtradas pelos glomérulos é reabsorvida
nos TCP por pinocitose celular
*nessas doenças há um extravasamento de proteínas através do glomérulo levando a
um aumento na reabsorção de proteínas em vesículas e proteinúria
B. corpúsculos de Russell:
*devido ao aumento na síntese de proteínas secretoras normais que ocorre em
plasmócitos produtores de Ig
*o RER se distende produzindo vesículas
C. corpúsculos de Mallory:
*característico, mas não patognomônico da cirrose hepática alcoólica
*se deve a destruição de proteínas do citoesqueleto, da mitocôndria e de citoceratina,
mas é reversível

5. Degeneração mucóide intracelular:


a) definição: ocorre quando há acúmulo de proteínas mucinas (muco) dentro das
células mucosas que o produzem principalmente nas inflamações catarrais
b) causas:
*câncer de estômago e ovário células em anel de sinete, núcleo deslocado para a
periferia e citoplasma róseo

6. Lipomatose:
a) Definição: é a infiltração de tecido adiposo dentro do órgão sem que haja prejuízo
para o mesmo
b) Causas:
*obesidade
*em órgãos atrofiados em que o espaço que antes era ocupado pelo órgão passa ser
preenchido por gordura

b) Lesão irreversível:
a. Mecanismo: tendo todos os efeitos nocivos persistido a célula ultrapassa um “ponto
de não retorno” e novos mecanismos surgem e os antigos vão evoluir até morte
celular: *agressão às membranas: *perda de fosfolipídeos *degradação de lipídeos
*alterações do citoesqueleto *formação de radicais livres  ↑extravasamento de
enzimas (CK e LDH) ↑ influxo de cálcio *↓PH  ↑liberação de enzimas lisossomais
 alterações nucleares (cariólise), digestão protéica, queda na basofilia

b. Morte celular:
*definição: perda irreversível das atividades normais da célula com conseqüente
incapacidade de manter os mecanismos homeostáticos
*causas:
1. Lesão hipóxia ou isquemia prolongada
2. Lesão secundária à isquemia-reperfusão:
*formação de radicais livres
*aumento do poro de transição de permeabilidade mitocondrial impedindo a produção
de ATP

92
*inflamação com atração de células e produção de citocinas que lesam ainda mais o
tecido
*ativação do sistema complemento

3. Lesão química:
*o CCL4 se converte no radical livre altamente tóxico e reativo CCL3 que causa auto-
oxidação dos ácido graxos presentes nos fosfolipídeos das membranas
*a decomposição dos lipídios é iniciada sendo formados peróxidos orgânicos após
reagirem com o O2 (peroxidação lipídica)
*essa é uma reação auto-catalítica que libera produtos que lesam a MP e aumentam a
permeabilidade de sódio, água e cálcio
*isso leva a edema celular e maior influxo de cálcio
*em seguida ocorre desativação das mitocôndrias, enzimas celulares e desnaturação
das proteínas levando a morte celular

Tipos de morte celular:


1º) Necrose:
*definição: é o conjunto de alterações morfológicas que ocorrem na célula após a
morte celular em um tecido vivo que resulta da desnaturação de proteínas intracelulares
e da digestão enzimática da célula a partir de enzimas, há perda de integridade das
membranas e ocorre uma reação inflamatória

Tipos de necrose:
1) Necrose coagulação:
Etiologia: isquemia (no caso da maioria dos tecidos, exceto o cérebro), substâncias
químicas, infecção fúngica,etc
*as áreas necróticas liberam substâncias vasodilatadoras que aumentam o fluxo
sanguíneo nos vasos próximos acentuado a coloração vermelha (halo periférico)
*exemplo: infarto do miocárdiocélulas acidófilas, coaguladas, núcleos piquinóticos,
citoplasma eosinofílico, linfócitos removedores de fragmentos celulares, preservação da
arquitetura geral do tecido

2)Necrose de liquefação:
*etiologia: isquemia e hipóxia
*tipos: autolítica (no infarto cerebral por hipóxia em que as células gliais de
sustentação neuronal se desintegram e se liquefazem por razões deconhecidas) e
heterofágica (nas infecções bacterianas piogênicas que atraem neutrófilos que liberam
seus grânulos líticos em processos inflamatórios que vão desintegrar tecidos como o
pulmão, pele, fígado, etc)

3) Caseosa:
*etiologia: processo inflamatório granulomatoso
*exemplo: tuberculose em que há uma infecção bacteriana que gera uma resposta
imunológica a partir de linfócitos T que é lenta e pouco eficaz e circunda o
microorganismo formando um granuloma e na blastomicose / paracoccidiose
*o foco necrótico se parece com fragmentos granulosos amorfos cercados por uma
borda inflamatória denominada de reação granulomatosa
*há destruição da arquitetura tecidual

93
4) Gordurosa / esteatonecrose:
*etiologia: liberação de lípases pancreáticas ativadas no parênquima pancreática e na
cavidade peritonial *exemplo: pancreatite agudaé uma inflamação que estimula a
liberação de proteases e lípases que vão digerir seu próprio tecido gorduroso e do
parênquima
*nessa necrose os AG liberados se combinam com o cálcio e produzem áreas brancas
visíveis (saponificação ou sabões de cálcio)

5)Nnecrose gomosa:
*etiologia: necrose de um tecido com a ocorrência de uma reação inflamatória que leva
a formação de estruturas resistentes (em goma)

6) Necrose hemorrágica:
*etiologia: obstrução da artéria pulmonar e a artéria brônquica tenta suprir a área mas
acaba lançando sangue no tecido necrosado provocando hemorragia
*ex: AVE ou derrame (necrose por ruptura de um vaso cerebral que faz o sangue
extravasar para o tecido e matar as células), infarto no pulmão e intestino

7) Necrose fibrinóide:
*etiologia: quando proteínas circulantes como fibrinogênio adentram na parede das
artérias promovendo um aspecto de fibrina na parede que ocasiona necrose
*ex: hipertensão maligna

8) Necrose gangrenosa:
*para os patologistas: é uma necrose de coagulação em que há infecção secundária
podendo ser úmida (exsudatos) ou gasosa (gases bacterianos)
*para osclínicos: é uma necrose de extremidade ou mumificação pelo contato do tecido
com o ar;

2º) Apoptose:

*definição: é a via de morte celular induzida por um programa intracelular regulado


que ativa enzimas que degradam o DNA nuclear e as proteínas citoplasmáticas, mas a
célula morta é fagocitada antes que seu conteúdo extravase e com isso não é
desencadeada uma reação inflamatória

*causas fisiológicas:

A. destruição programada de células durante a embriogênese


B. involução dependente de hormônios nos adultos (colapso endometrial, atresia
folicular ovariana, regressão da mama lactante)
C. eliminação celular em populações celulares em proliferação (cripta intestinal)
D. morte de células de defesa que já atuaram como os neutrófilos na resposta
inflamatória aguda
E. eliminação de linfócitos auto-reativos
F. morte celular induzida pelas células TCD8+

94
*causas patológicas:
A. morte celular por estímulos nocivos (radiação, drogas, calor, hipóxia)
B. morte celular em doenças virais (hepatite)
C. atrofia patológica de órgãos após obstrução ductal (rins, pâncreas e parótida)
D. morte celular nos tumores

*morfologia:

*encolhimento celularcitoplasma denso pela destruição de proteínas e organelas


agrupadas
*condensação da cromatinase agrega na periferia sob a membrana nuclear
*formação de bolhas citoplasmáticas e em seguida corpos apoptóticos contendo as
organelas
*fagocitose das células por macrófagos através de suas enzimas lisossomais
*tecido é substituído por outro normal

*Mecanismos da apoptose:

*fase de ativação: na qual as enzimas caspases se tornam cataliticamente ativas que


segue duas vias distintas, uma extrínseca iniciada por receptores e uma intrínseca
iniciada na mitocôndria
*fase efetora: enzimas atuam provocando a morte celular

*sinais indutores de apoptose:

*ausência de fatores de crescimento ou de hormônios


*ação específica de receptores do fator de necrose tumoral
*ação de agentes nocivos como radiação ou quimioterápicos que atuam a nível
nuclear
*via atuação de linfócitos T CD8+ na resposta imune celular

2- Necrose

Resumo:
A necrose é a morte de uma célula ou a parte de um tecido
em um organismo vivo, e é a manifestação final de uma célula que sofreu lesões
irreversíveis, ou seja, parada definitiva das funções orgânicas e dos processos
reversíveis do metabolismo.

Introdução:
Pretendemos mostrar que a necrose é uma doença causada após uma lesão corporal
exposta aos seguintes fatores:

Agentes físicos: Ex.: ação mecânica, temperatura, radiação, efeitos

95
magnéticos;
Agentes químicos: compreendem substâncias tóxicas e não-tóxicas. Ex.: tetra cloreto
de carbono, álcool, medicamentos, detergentes, fenóis etc.
Agentes biológicos: Ex.: infecções viróticas, bacterianas ou micóticas, parasitas etc.

Desenvolvimento:
A necrose é a manifestação final de uma célula que sofreu lesões irreversíveis.
Segundo Guidugli-Neto (1997), oconceito de morte somática envolve a "parada
definitiva das funções orgânicas e dos processos reversíveis do metabolismo". A
necrose é a morte celular ou tecidual acidental em um organismo ainda vivo, ou seja,
que ainda conserva suas funções orgânicas. Vale dizer que é natural que a célula
morra, para a manutenção do equilíbrio tecidual. Nesse caso, o mecanismo de morte
édenominado de "apoptose" ou "morte programada". A etiologia da necrose envolve
todos os fatores relacionados às agressões, podendo ser agrupadas em agentes físicos,
agentes químicos e agentes biológicos:

1) Agentes físicos: Ex.: ação mecânica, temperatura, radiação, efeitos magnéticos;

2) Agentes químicos: compreendem substâncias tóxicas e não-tóxicas. Ex.: tetra


cloreto de carbono, álcool, medicamentos, detergentes, fenóis etc.

3) Agentes biológicos: Ex.: infecções viróticas, bacterianas ou micóticas, parasitas etc.


Esses agentes provocam o comprometimento dos níveis celulares de respiração
aeróbica, de síntese protéica, de manutenção da integridade de membranas celulares e
de manutenção da capacidade de multiplicação celular (RNA e DNA). A ação das
causas sobre esses sistemas provoca a perda da homeostase e da morfostase celular de
tal forma que a célula perde a sua vitalidade. A necrose, assim, abrange alterações
regressivas reversíveis que, em algum ponto e por algum estímulo desconhecido,
passam a ser irreverssíveis; instalada a irreversibilidade e a necrose propriamente dita,
inicia-se o processo de desintegração celular (autólise). As mudanças na morfostase se
dão, principalmente, nos núcleos, os quais apresentam alteração de volume e de
coloração à microscopia óptica. Essas alterações são denominadas de:

1) Picnose: o núcleo apresenta um volume reduzido e torna-se hipercorado, tendo sua


cromatina condensada; característico na apoptose;

2) Cariorrexe: a cromatina adquire uma distribuição irregular, podendo se acumular


em grumos na membrana nuclear; há perda dos limites nucleares;

3) Cariólise ou cromatólise: há dissolução da cromatina e perda da coloração do


núcleo, o qual desaparece completamente. Já as modificações citoplasmáticas
observadas ao microscópio óptico (essas modificações são secundárias às nucleares,
sendo visíveis mais tardiamente) consistem na presença de granulações e espaços
irregulares no citoplasma. Este torna-se opaco, grosseiro, podendo estar rompida a
membrana citoplasmática. Intensa eosinofilia característica, decorrente de alterações
lisossomais mitocondriais. Diante das diversas formas de manifestação da necrose,
existem inúmeras classificações para os seus diferentes tipos. Segundo Guidugli-Neto
(1997), as necroses podem ser:

1) Necrose por coagulação (= isquêmica): causada por isquemia do local.

96
2) Necrose por liquefação: o tecido necrótico fica limitado a uma região, geralmente
cavitária, havendo a presença de grande quantidade de neutrófilos e outras células
inflamatórias (os quais originam o pus).

3) Necrose caseosa: tecido esbranquiçado, granuloso, amolecido, com aspecto de


"queijo friável".

4) Necrose fibrinóide: o tecido necrótico adquire uma aspecto hialino, acidofílico,


semelhante a fibrina.

5) Necrose gangrenosa: provocada por isquemia ou por ação de microrganismo. Pode


ser úmida ou seca, dependendo da quantidade de água presente.

6) Necrose enzimática: ocorre quando há liberação de enzimas nos tecidos; a forma


mais observada é a do tipo gordurosa, principalmente no pâncreas, quando pode ocorrer
liberação de lipases, as quais desintegram a gordura neutra dos adipócitos desse órgão.

7) Necrose hemorrágica: quando há presença de hemorragia no tecido necrosado; essa


hemorragia às vezes pode complicar a eliminação do tecido necrótico pelo organismo.
Resultados e conclusões: Concluímos que a necrose é o estado de morte de um tecido
ou parte dele em um organismo vivo. Pode ter causas fisiológicas, ou pode ser causado
por graves traumatismos.

3- Neoplasia

CONCEITO
No organismo, verificam-se formas de crescimento celular controladas e não
controladas. A hiperplasia, a metaplasia e a displasia são exemplos de crescimento
controlado, enquanto que as
neoplasias correspondem às formas de crescimento não controladas e são denominadas,
na prática, de "tumores". A primeira dificuldade que se enfrenta no estudo das
neoplasias é a sua definição, pois ela se baseia na morfologia e na biologia do processo
tumoral. Com a evolução do conhecimento, modifica-se a definição. A mais aceita
atualmente é: "Neoplasia é uma proliferação anormal do tecido, que foge parcial ou
totalmente ao controle do organismo e tende à autonomia e à perpetuação, com efeitos
agressivos sobre o hospedeiro" (Pérez-Tamayo, 1987; Robbins, 1984).

CLASSIFICAÇÃO
Várias classificações foram propostas para as neoplasias. A mais utilizada leva em
consideração dois aspectos básicos: o comportamento biológico e a histogênese.

COMPORTAMENTO BIOLÓGICO
De acordo com o comportamento biológico os tumores podem ser agrupados em
três tipos: benignos, limítrofes ou "bordeline", e malignos. Um dos pontos mais
importantes no estudo das neoplasias é estabelecer os critérios de diferenciação entre
cada uma destas lesões, o que, algumas vezes, torna-se difícil. Estes critérios serão
discutidos a seguir e são, na grande maioria dos casos, morfológicos:

CÁPSULA

97
Os tumores benignos tendem a apresentar crescimento lento e expansivo
determinando acompressão dos tecidos vizinhos, o que leva a formação de uma
pseudocápsula fibrosa. Já nos casos dos tumores malignos, o crescimento rápido,
desordenado, infiltrativo e destrutivo não permite a formação desta pseudocápsula;
mesmo que ela se encontre presente, não deve ser equivocadamente considerada como
tal, e sim como tecido maligno.

CRESCIMENTO
Todas as estruturas orgânicas apresentam um parênquima, representado pelas
células em atividade metabólica ou duplicação, e um estroma, representado pelo tecido
conjuntivo vascularizado, cujo objetivo é dar sustentação e nutrição ao parênquima. Os
tumores também têm estas estruturas, sendo que os benignos, por exibirem crescimento
lento, possuem estroma e uma rede vascular adequada, por isso que raramente
apresentam necrose e hemorragia. No caso dos tumores malignos, observa-se que, pela
rapidez e desorganização do crescimento, pela capacidade infiltrativa e pelo alto índice
de duplicação celular, eles apresentam uma desproporção entre o parênquima tumoral e
o estroma vascularizado. Isto acarreta áreas de necrose ou hemorragia, de grau variável
com a velocidade do crescimento e a "idade" tumorais.

MORFOLOGIA
O parênquima tumoral exibe um grau variado de células. As dos tumores
benignos, que são semelhantes e reproduzem o aspecto das células do tecido que lhes
deu origem, são denominadas bem diferenciadas. As células dos tumores malignos
perderam estas características, têm graus variados de diferenciação e, portanto, guardam
pouca semelhança com as células que as originaram e são denominadas pouco
diferenciadas. Quando estudam-se suas características ao microscópio, vêem-se células
com alterações de membrana, citoplasma irregular e núcleos com variações da forma,
tamanho e cromatismo.

MITOSE
O número de mitoses expressa a atividade da divisão celular. Isto significa dizer
que, quanto maior a atividade proliferativa de um tecido, maior será o número de
mitoses verificadas. No caso dos tumores, o número de mitoses está inversamente
relacionado com o grau de diferenciação. Quanto mais diferenciado for o tumor, menor
será o número de mitoses observadas e menor a agressividade do mesmo. Nos tumores
benignos, as mitoses são raras e têm aspecto típico, enquanto que, nas neoplasias
malignas, elas são em maior número e atípicas.

ANTIGENICIDADE
As células dos tumores benignos, por serem bem diferenciadas, não apresentam a
capacidade de produzir antígenos. Já as células malignas, pouco diferenciadas, têm esta
propriedade, o que permite o diagnóstico e o diagnóstico precoce de alguns tipos de
câncer.

METÁSTASE
As duas propriedades principais das neoplasias malignas são: a capacidade
invasivodestrutiva local e a produção de metástases. Por definição, a metástase constitui
o crescimento neoplásico à distância, sem continuidade e sem dependência do foco
primário.

98
Resumo
Características Diferenciais dos Tumores
Critério Benigno Maligno
encapsulação freqüente ausente crescimento lento rápido expansivo infiltrativo bem
delimitado pouco delimitado morfologia semelhante à origem diferente mitose raras e
típicas freqüentes eatípicas antigenicidade ausente presente metástase não ocorre
freqüente

HISTOGÊNESE
O diagrama abaixo resume as etapas do desenvolvimento do ovo até a formação do
embrião tridérmico, do qual derivam todos os tecidos do corpo humano (histogênese).

1. Células blásticas, residuais, são daqui derivadas.


2. O ectoderma dá origem ao epitélio de revestimento externo, o epitélio glandular e o
tecido nervoso.
3. O mesoderma diferencia-se em diversos tecidos, entre os quais os tecidos ósseo,
muscular, vascular, seroso, cartilaginoso e hematopoético.
4. O endoderma dá origem ao epitélio de revestimento interno e de glândulas.

NOMENCLATURA REGRA GERAL


A designação dos tumores baseia-se na sua histogênese e histopatologia. Para os
tumores benignos, a regra é acrescentar o sufixo "oma" (tumor) ao termo que designa o
tecido que os originou.

Exemplos:
- tumor benigno do tecido cartilaginoso – condroma;
- tumor benigno do tecido gorduroso – lipoma;
- tumor benigno do tecido glandular – adenoma.
Quanto aos tumores malignos, é necessário considerar a origem embrionária dos
tecidos de que deriva o tumor. Quando sua origem for dos tecidos de revestimento
externo e interno, os tumores são denominados carcinomas. Quando o epitélio de
origem for glandular, passam a ser chamados de adenocarcinomas. Já os tumores
malignos originários dos tecidos conjuntivos ou mesenquimais será feito o acréscimo de
"sarcoma" ao vocábulo que corresponde ao tecido. Por sua vez, os tumores de origem
nas células blásticas, que ocorrem mais freqüentemente na infância,
têm o sufixo "blastoma" acrescentado ao vocábulo que corresponde ao tecido original.

Exemplos:
- Carcinoma basocelular de face – tumor maligno da pele;
- Adenocarcinoma de ovário – tumor maligno do epitélio do ovário;
- Condrossarcoma - tumor maligno do tecido cartilaginoso;
- Lipossarcoma - tumor maligno do tecido gorduroso;
- Leiomiossarcoma - tumor maligno do tecido muscular liso;
- Hepatoblastoma - tumor maligno do tecido hepático jovem;
- Nefroblastoma - tumor maligno do tecido renal jovem.

EXCEÇÕES
Apesar de a maioria dos tumores incluírem-se na classificação pela regra geral,
alguns constituem exceção a ela. Os casos mais comuns

99
TUMORES EMBRIONÁRIOS
Teratomas (podem ser benignos ou malignos, dependendo do seu grau de
diferenciação), seminomas, coriocarcinomas e carcinoma de células embrionárias. São
tumores malignos de origem embrionária, derivados de células primitivas totipotentes
que antecedem o embrião tridérmico.

EPÔNIMOS
São tumores malignos que receberam os nomes daqueles que os descreveram
pela primeira vez: linfoma de Burkitt, Doença de Hodgkin, sarcoma de Ewing,
sarcoma de Kaposi, tumor de Wilms (nefroblastoma), tumor de Krukemberg
(adenocarcinoma mucinoso metastático para ovário).
MORFOLOGIA TUMORAL
Os carcinomas e adenocarcinomas podem receber nomes complementares
(epidermóide, papilífero, seroso, mucinoso, cístico, medular, lobular etc.), para melhor
descrever sua morfologia,
tanto macro como microscópica: cistoadenocarcinoma papilífero, carcinoma ductal
infiltrante, adenocarcinoma mucinoso, carcinoma medular, etc.

EPITÉLIOS MÚLTIPLOS
Os tumores, tanto benignos como malignos, podem apresentar mais de uma
linhagem celular. Quando benignos, recebem o nome dos tecidos que os compõem, mais
o sufixo "oma":
fibroadenoma, angiomiolipoma, etc. O mesmo é feito para os tumores malignos, com os
nomes dos tecidos que correspondem à variante maligna: carcinossarcoma, carcinoma
adenoescamoso, etc.
Outras vezes encontram-se ter componentes benigno e maligno, e os nomes estarão
relacionados com as respectivas linhagens: adenoacantoma (linhagem glandular
maligna e metaplasia escamosa benigna).

SUFIXO INDEVIDO
Algumas neoplasias malignas ficaram denominadas como se fossem benignas
(ou seja, apenas pelo sufixo "oma") por não possuírem a correspondente variante
benigna: melanoma, linfomas e sarcomas (estes dois últimos nomes representam classes
de variados tumores malignos).

OUTROS
Algumas vezes, a nomenclatura de alguns tumores escapa a qualquer critério
histogenético ou morfológico: mola hidatiforme (corioma) e micose fungóide (linfoma
não Hodgkin cutâneo).

CÓDIGO INTERNACIONAL DE DOENÇAS


Tentando uniformizar a nomenclatura tumoral, a Organização Mundial da Saúde
(OMS) tem lançado, em vários idiomas, edições da Classificação Internacional de
Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10). Por ela, é possível classificar os
tumores por localização (topografia) e nomenclatura (morfologia), dentro de códigos de
letras e números, sendo usada por especialistas em todo o mundo. Os procedimentos
oncológicos da APAC correlacionam-se com tumores classificados pelos códigos de

100
C00 a C97 e D37 a D48, embora não obrigatoriamente todos os incluídos entre esses
intervalos.

Resumo da Origem e Nomenclatura dos Tumores


Origem Benigno Maligno

A - Tecido epitelial
Revestimento papiloma carcinoma Glandular adenoma adenocarcinoma

B - Tecido conjuntivo
Fibroso fibroma fibrossarcoma/ Mixóide mixoma mixossarcoma/ Adiposo lipoma
lipossarcoma/ Cartilagem condroma condrossarcoma /Vasos sangüíneos hemangioma
hemangiossarcoma/Glômus glomangioma - Pericitos hemangiopericitom h.
maligno/Vasos linfáticos linfangioma linfangiossarcoma Mesotélio - mesotelioma
maligno Meninge meningioma meningioma maligno

C - Tecido Hemolinfopoético
Mielóide - leucemia
Linfóide - leucemia
- linfomas
- plasmocitoma/mieloma
Células de Langerhans - histiocitose X

D - Tecido Muscular
Liso leiomioma leiomiossarcoma
Estriado rabdomioma rabdomiossarcoma
E - Tecido Nervoso
Neuroblasto ou neurônio ganglioneuroma glanglioneuroblastoma
neuroblastoma
simpaticogonioma
Células gliais - gliomas
Nervos periféricos neurilemoma neurilemoma
Neuroepitélio – ependimoma

F - Melanócitos - melanoma
G - Trofoblasto mola hidatiforme (corioma) coriocarcinoma

H – Células Embrionárias Totipotentes


teratoma maduro (cisto dermóide) teratoma imaturo (maligno)

GRADUAÇÃO HISTOPATOLÓGICA
A graduação histopatológica dos tumores baseia-se no grau de diferenciação
das células tumorais e no número de mitoses. O primeiro refere-se a maior ou menor
semelhança das células tumorais com as do tecido normal que se supõe ter-lhe dado
origem. Para tanto, há quatro graus descritivos de diferenciação: bem diferenciado (G1),
moderadamente diferenciado (G2), pouco diferenciado (G3) e anaplásico (G4). Ao
contrário do que se supõe uma neoplasia maligna não é uma entidade homogênea; ela
tem, numa mesma área, células com graus diferentes de diferenciação. Por outro lado,
alguns tumores podem modificar este grau à medida que evoluem, tornando-se pouco

101
diferenciados, o que traduz uma maior rapidez de crescimento e maior agressividade.
Outro dado importante é o número de mitoses, que expressa a atividade celular.
Quanto maior a proliferação de um tecido, maior será o número de mitoses verificadas,
conforme já assinalado anteriormente.

ESTADIAMENTO
Estadiamento Clínico
Os tumores malignos, apesar da sua grande variedade (cerca de 200 tipos
diferentes), apresentam um comportamento biológico semelhante, que consiste em
crescimento, invasão local, destruição dos órgãos vizinhos, disseminação regional e
sistêmica. O tempo gasto nestas fases depende tanto do ritmo de crescimento tumoral
como de fatores constitucionais do hospedeiro. O conhecimento da biologia dos tumores
levou a União Internacional Contra o Câncer (UICC) a desenvolver um sistema que
permitisse classificar a evolução das neoplasias malignas, para se determinar o melhor
tratamento e a sobrevida dos pacientes. Este sistema, denominado, no Brasil, de
"estadiamento", tem como base a avaliação da dimensão do tumor primário
(representada pela letra T), a extensão de sua disseminação para os linfonodos regionais
(representada pela letra N) e a presença, ou não, de metástase à distância (representada
pela letra M) sendo conhecido como o Sistema TNM de Classificação de Tumores
Malignos. Cada categoria apresenta diversas subcategorias: para o tumor primitivo, vão
de T1 a T4; para o acometimento linfático, de N0 a N3; e para as metástases, de M0 a
M1. A combinação das diversas subcategorias do TNM (letra e números) determina os
estádios clínicos, que variam de I a IV, na maioria dos casos. O estadiamento clínico
representa, portanto, a linguagem de que o oncologista dispõe para definir condutas e
trocar conhecimentos a partir dos dados do exame físico e de exames complementares
pertinentes ao caso. O sistema é permanentemente atualizado pela UICC. Além do TNM
da UICC, grupos que se dedicam a estudos de tumores específicos desenvolveram
sistemas próprios de estadiamento, o que não significa incompatibilidade, e sim
complementação, entre as diferentes classificações. Uma
das contribuições mais importantes foi dada pela Federação Internacional de
Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) no estadiamento dos tumores ovarianos, já tendo sido
compatibilizada e incorporada a sua classificação com a da UICC.

Estadiamento Patológico
O estadiamento patológico baseia-se nos achados cirúrgicos e no exame anátomo-
patológico da peça operatória. É estabelecido após o tratamento cirúrgico e determina a
extensão da doença com maior precisão.
O estadiamento patológico pode ou não coincidir com o estadiamento clínico e
não é aplicável a todos os tumores, embora para alguns (pele e ovário, por exemplo)
seja o único estadiamento possível . É grafado com a letra p minúscula antes das letras
T, N e M: ex pT1pN1pM0.

GRAU DE DIFERENCIAÇÃO
Símbolos Adicionais
Foram propostos com a finalidade de permitir o estadiamento, devendo ser de
uso e aceitação restritos:
x – Para os casos em que o tumor primário, os linfonodos regionais ou metástases não
possam ser avaliados pelo exame físico ou exames complementares, sendo grafado em
letra minúscula após o

102
T, N ou M. Não correspondem a desconhecimento do estadiamento quando este já foi
feito ou o paciente já foi anteriormente tratado.
y – Para os casos em que o estadiamento é feito durante ou após o tratamento, sendo
grafado com a letra y minúscula antes do TNM ou do pTNM;

r – Para os casos de recidiva tumoral, quando o estadiamento é feito após um intervalo


livre de doença, sendo grafado com a letra r minúscula antes do TNM ou pTNM.

R - A ausência, ou presença, de tumor residual ao término do tratamento é descrita pela


letra R:
Rx – a presença do tumor residual não pode ser avaliada.
R0 – ausência de tumor residual.
R1 – tumor residual microscópico.
R2 – tumor residual macroscópico

Importância do Estadiamento
A determinação da extensão da doença e a identificação dos órgãos por ela
acometidos constitui um conjunto de informações fundamentais para:
. Obtenção de informações sobre o comportamento biológico do tumor;
. Seleção da terapêutica;
. Previsão das complicações;
. Obtenção de informações para estimar o prognóstico do caso;
. Avaliação dos resultados do tratamento;
. Investigação em oncologia: pesquisa básica e clínica;
. Publicação dos resultados e troca de informações.
Além da avaliação da extensão do tumor (estadiamento), deve-se avaliar também a
condição funcional do paciente (performance status ou capacidade funcional). Deve-se
determinar se esta, quando comprometida, é devida à repercussão do câncer no
organismo, anterior a neoplasia, derivada do tratamento ou devida a outra doença
concomitante.

Notas:
1. A classificação TNM e o grupamento por estádios, uma vez estabelecidos, devem
permanecer imutáveis no prontuário médico.

2. Os tumores malignos classificáveis pelo sistema TNM são aqueles de tipos


histológicos mais comuns nas seguintes localizações: Lábio e Cavidade Bucal
(Carcinomas), Faringe (Carcinomas), Laringe (Carcinomas), Seios Para-Nasais
(Carcinomas), Glândulas Salivares
(Carcinomas), Tireóide (Carcinomas), Esôfago (Carcinomas), Estômago (Carcinomas),
Intestino Delgado (Carcinomas), Cólon e Reto (Carcinomas), Canal Anal (Carcinomas),
Fígado (Carcinoma Hepatocelular Primário e Colangiocarcinoma Hepático do ducto
biliar intra-hepático), Vesícula Biliar (Carcinomas), Ductos Biliares Extra-Hepáticos
(Carcinomas), Papila de Vater (Carcinomas), Pâncreas (Carcinoma do pâncreas
exócrino), Pulmão (Carcinomas), Mesotelioma Pleural, Osso (tumores malignos
primários do osso, exceto linfomas, mieloma múltiplo, osteossarcoma
superficial/justacortical e condrossarcoma justacortical), Partes Moles (Sarcoma
Alveolar de Partes Moles, Angiossarcoma, Sarcoma Epitelióide, Condrossarcoma Extra-
Esquelético, Fibrossarcoma, Leiomiossarcoma, Lipossarcoma, Fibrohistiocitoma
Maligno, Hemangiopericitoma Maligno, Mesenquimoma Maligno, Schwannoma

103
Maligno, Rabdomiossarcoma, Sarcoma Sinovial e Sarcoma SOE, ou seja, sem outra
especificação), Pele (Carcinoma, Melanoma), Mama, Vulva, Vagina, Colo Uterino,
Corpo Uterino, Ovário, Trompa de Falópio, Córion Placentário (Tumores Trofoblásticos
Gestacionais), Pênis, Próstata, Testículo, Rim, Pelve Renal e Ureter, Bexiga, Uretra,
Olho - Pálpebra (Carcinoma), Conjuntiva (Carcinoma, Melanoma), Úvea (Melanoma),
Retina (Retinoblastoma), Órbita (Sarcoma) e Glândula Lacrimal (Carcinoma), Sistema
Linfopoético (Doença de Hodgkin e Linfomas não Hodgkin).
3. Só se pode exigir no sistema APAC-Onco, o estadiamento dos tumores acima
relacionados, que são os incluídos em TNM, Classificação de Tumores Malignos,
UICC, Genebra, 1997, 5a
Edição, traduzida, publicada e distribuída pelo Ministério da Saúde, por meio do
Instituto Nacional de Câncer, em 1998.

Estadiamento Geral dos Tumores


Estádio Descrição
0 carcinoma "in situ"
I invasão local inicial
II tumor primário limitado ou invasão linfática regional mínima
III tumor local extenso ou invasão linfática regional extensa
IV tumor localmente avançado ou presença de metástases

CAPACIDADE FUNCIONAL DO PACIENTE (PS)

Zubrod 0, Karnofsky 100-90


Paciente assintomático ou com sintomas mínimos.
Zubrod 1, Karnofsky 89-70
Paciente sintomático, mas com capacidade para o comparecimento ambulatorial.
Zubrod 2, Karnofsky 69-50
Paciente permanece no leito menos da metade do dia.
Zubrod 3, Karnofsky 49-30
Paciente permanece no leito mais da metade do dia.
Zubrod 4, Karnofsky 29-10
Paciente acamado, necessitando de cuidados constantes.
Karnofsky < 9
Paciente agônico.

TRATAMENTO DO CÂNCER

Existem três formas de tratamento do câncer: cirurgia, radioterapia e quimioterapia.


Elas são usadas em conjunto no tratamento das neoplasias malignas, variando apenas
quanto a importância de cada uma e a ordem de sua indicação. Atualmente, poucas são
as neoplasias malignas tratadas com apenas uma modalidade terapêutica.

4- Doenças cardíacas

Conheça as doenças cardiovasculares mais comuns e o que pode fazer para evitá-
las. A importância da luta contra as doenças cardiovasculares é ilustrada pelos fatos
seguintes:

104
1. As doenças cardiovasculares representam a principal causa de morte no nosso país e
são também uma importante causa de incapacidade.
2. Devem-se essencialmente à acumulação de gorduras na parede dos vasos sanguíneos
– aterosclerose – um fenômeno que tem início numa fase precoce da vida e progride
silenciosamente durante anos, e que habitualmente já está avançado no momento em
que aparecem as primeiras manifestações clínicas.
3. As suas conseqüências mais importantes – o enfarte do miocárdio, o acidente
vascular cerebral e a morte – são freqüentemente súbitas e inesperadas.
4. A maior parte das doenças cardiovasculares resulta de um estilo de vida inapropriado
e de fatores de risco modificáveis.
5. O controlo dos fatores de risco é uma arma potente para a redução das complicações
fatais e não fatais das doenças cardiovasculares.

O desenvolvimento das ciências da saúde veio provar que a morte ocorrida em


idades precoces, no mundo ocidental, não se deve a uma fatalidade do destino, mas
antes a doenças causadas ou agravadas pela ignorância das causas reais que a elas
conduzem. Podemos incluir neste quadro as doenças cardiovasculares. Os hábitos de
vida adaptados por grande parte da população, como o sedentarismo, a falta de atividade
física diária, uma alimentação desequilibrada ou o tabagismo, constituem hoje fatores
de risco a evitar.

O que são as doenças cardiovasculares?

De um modo geral, são o conjunto de doenças que afetam o aparelho


cardiovascular, designadamente o coração e os vasos sanguíneos.

Quais são os fatores de risco?

A idade e a história familiar encontram-se entre as condições que aumentam o


risco de uma pessoa vir a desenvolver doenças no aparelho cardiovascular. Contudo,
existe outro conjunto de fatores de risco individuais sobre os quais podemos influir e
modificar e que estão, sobretudo, ligados ao estilo e ao modo de vida atual.

 Tabagismo

Considerado o fator de risco mais importante na União Européia, estando


relacionado à cerca de 50 por cento das causas de morte evitáveis, metade das quais
devido à Aterosclerose.

Os efeitos nocivos do tabaco são cumulativos, quer no que se refere ao seu consumo
diário quer ao tempo de exposição. O risco aumenta quando a exposição se inicia antes
dos 15 anos de idade, em particular para as mulheres, uma vez que o tabaco reduz a
proteção relativa aparentemente conferida pelos estrogênios. As mulheres que recorrem
à anticoncepção oral (toma da pílula) e que fumam estão sujeitas a um maior risco de
acidente cardiovascular: por exemplo, o risco de enfarte do miocárdio aumenta de seis a
oito vezes.

105
O tabagismo é, sem dúvida, um risco cardíaco. Os fumadores de mais de um maço
de cigarros por dia têm quatro vezes mais enfartes do miocárdio do que os não
fumadores. Contudo, até o fumo de poucos cigarros por dia – tabagismo ligeiro –
aumenta o risco de enfarte do miocárdio: o fumo de apenas um a cinco cigarros por dia
aumenta o risco de 40%. Os não fumadores, quando têm enfartes, têm-nos dez anos
mais tarde que os consumidores de tabaco. O tabagismo favorece o aparecimento da
Angina de Peito, do Enfarte do Miocárdio e da Doença Arterial Periférica, e pode levar,
inclusive, à morte. O risco de acidente vascular cerebral também aumenta nos
fumadores de modo proporcional ao número de cigarros fumados por dia.

O consumo de charutos e o fumo de cachimbo também aumentam o risco de enfarte


do miocárdio. O mesmo se aplica ao fumo de cigarros com filtro, fumo de cigarros
"leves" e ao fumo sem inalação. Os não fumadores que vivem ou trabalham com
fumadores, chamados fumadores passivos, estão também sujeitos aos malefícios do
tabaco.

A cessação do hábito tabágico é isoladamente a medida preventiva mais importante


para as doenças cardiovasculares.

 Sedentarismo

A inatividade física é hoje reconhecida como um importante fator de risco para as


doenças cardiovasculares. Embora não se compare a fatores de risco como o tabagismo
ou a hipertensão arterial, é importante na medida em que atinge uma percentagem muito
elevada da população, incluindo adolescentes e jovens adultos. A falta de prática regular
de exercício físico moderado potencia outros fatores de risco susceptíveis de
provocarem doenças cardiovasculares, tais como a hipertensão arterial, a obesidade, a
diabetes ou a hipercolesterolemia.

 Diabetes Mellitus e obesidade

Os riscos de um acidente vascular cerebral ou do desenvolvimento de outra doença


cardiovascular aumentam com o excesso de peso, mesmo na ausência de outros fatores
de risco. É particularmente perigosa uma forma de obesidade designada obesidade
abdominal que se caracteriza por um excesso de gordura principal ou exclusivamente na
região do abdômen. A obesidade abdominal está associada a um maior risco de
desenvolvimento de diabetes e doenças cardiovasculares.

 Maus hábitos alimentares

Está hoje provado que a alimentação constitui um fator na proteção da saúde e,


quando desequilibrada, pode contribuir para o desenvolvimento de doenças
cardiovasculares, entre outras. Por isso, o excesso de sal, de gorduras, de álcool e de
açúcares de absorção rápida na alimentação, por um lado, e a ausência de legumes,
vegetais e frutos frescos, por outro, são dois fatores de risco associados às doenças
cardiovasculares. Para ser saudável, a alimentação deve ser variada e polifracionada
(muitas refeições ao longo do dia).

 Hipercolesterolemia

106
Manifestam-se quando os valores do colesterol no sangue são superiores aos níveis
máximos recomendados em função do risco cardiovascular individual. O colesterol é
indispensável ao organismo, quaisquer que sejam as células orgânicas que necessitem
de regenerar-se, substituir-se ou desenvolver-se. No entanto, valores elevados são
prejudiciais à saúde.

Há dois tipos de colesterol. O colesterol HDL (High Density Lipoproteins),


designado por “bom colesterol”, é constituído por colesterol retirado da parede dos
vasos sanguíneos e que é transportado até ao fígado para ser eliminado. O colesterol
LDL (Low Density Lipoproteins) é denominado “mau colesterol”, porque, quando em
quantidade excessiva, ao circular livremente no sangue, torna-se nocivo, acumulando-se
perigosamente na parede dos vasos arteriais. Quer o excesso de colesterol LDL, quer a
falta de colesterol HDL, aumenta o risco de doenças cardiovasculares, principalmente o
enfarte do miocárdio.

 Hipertensão Arterial

Situações em que se verificam valores de pressão arterial aumentados. Para esta


caracterização, consideram-se valores de pressão arterial sistólica (“máxima”)
superiores ou iguais a 140 mm Hg (milímetros de mercúrio) e/ou valores de pressão
arterial diastólica (“mínima”) superiores ou iguais a 90 mm Hg. Contudo, nos doentes
diabéticos, porque a aterosclerose progride mais rapidamente, considera-se haver
hipertensão arterial quando os valores de pressão arterial sistólica são superiores ou
iguais a 130 mm Hg e/ou os valores de pressão arterial diastólica são superiores ou
iguais a 80 mm Hg.

Com freqüência, apenas um dos valores surge alterado. Quando apenas os valores da
“máxima” estão alterados, diz-se que o doente sofre de hipertensão arterial sistólica
isolada; quando apenas os valores da “mínima” se encontram elevados, o doente sofre
de hipertensão arterial diastólica. A primeira é mais freqüente em idades avançadas e a
segunda em idades jovens.

A hipertensão arterial está associada a um maior risco de doenças cardiovasculares,


particularmente o acidente vascular cerebral.

 Stress excessivo

O stress é inevitável enquanto vivemos, sendo uma conseqüência do ritmo de vida


atual. É difícil definir com exatidão o stress porque os fatores diferem de pessoa para
pessoa. No entanto, a sensação de descontrolo é sempre prejudicial e pode ser um sinal
para abrandar o ritmo de vida.

Quais são as formas de prevenção das doenças cardiovasculares?

É possível reduzir o risco de doenças cardiovasculares através da adoção de um


estilo de vida mais saudável:

 Deixe de fumar;
 Controle regularmente a sua pressão arterial, o seu nível de açúcar e gorduras no
sangue;

107
 Tenha uma alimentação mais saudável, privilegiando o consumo de legumes,
vegetais, fruta e cereais;
 Pratique exercício físico moderado com regularidade;
 A partir de uma determinada idade (50 anos para as mulheres e 40 anos para os
homens) é aconselhável a realização de exames periódicos de saúde;
 A prevenção deve começar mais cedo para os indivíduos com história familiar de
doença cardiovascular precoce ou morte súbita.

Quais são as doenças mais comuns?

A pressão arterial elevada, a doença das artérias coronárias e a doença


cerebrovascular são exemplos de doenças cardiovasculares.

 Aterosclerose: presença de certos depósitos na parede das artérias, incluindo


substâncias gordas, como o colesterol e outros elementos que são transportados pela
corrente sanguínea. A aterosclerose afeta artérias de grande e médio calibre, sendo a
causa dos Acidentes Vasculares Cerebrais e da Doença das Artérias Coronárias. É
uma doença lenta e progressiva e pode iniciar-se ainda durante a infância. Contudo,
regra geral, não causa qualquer sintomatologia até aos 50/70 anos, embora possa
atingir adultos jovens (30/40 anos), principalmente se forem fumadores intensivos;
 Cardiopatia Isquêmica: termo utilizado para descrever as doenças cardíacas
provocadas por depósitos ateroscleróticos que conduzem à redução do Iúmen das
artérias coronárias. O estreitamento pode causar Angina de Peito ou Enfarte de
Miocárdio, se em vez de redução do Iúmen arterial se verificar obstrução total do
vaso;
 Doença Arterial Coronária: situação clínica em que existe estreitamento do calibre
das artérias coronárias, provocando uma redução do fluxo sanguíneo no músculo
cardíaco.

Como se faz o diagnóstico?

Mediante o quadro clínico apresentado pelo doente, as suas queixas, o seu


histórico médico, bem como os fatores de risco a ele associados, o médico de família
pedirá os exames médicos complementares/auxiliares, que lhe permitam fazer o
diagnóstico e/ou enviar o doente para um especialista (cardiologista).

Contudo, há alguns sintomas que podem constituir sinais de alerta, principalmente


em pessoas mais idosas:

 Dificuldade em respirar - pode ser o indício de uma doença coronária e não apenas a
conseqüência da má forma física, especialmente se surge quando se está em repouso ou
se nos obriga a acordar durante a noite;
 Angina de peito – quando, durante um esforço físico, se tem uma sensação de peso,
aperto ou opressão por detrás do esterno, que por vezes se estende até ao pescoço, ao
braço esquerdo ou ao dorso;
 Alterações do ritmo cardíaco;
 Enfarte do miocárdio - é uma das situações de urgência/emergência médica cardíaca.
O sintoma mais característico é a existência de dor prolongada no peito, surgindo muitas
vezes em repouso. Por vezes, é acompanhada de ansiedade, sudação, falta de força e
vômitos.

108
 Insuficiência cardíaca - surge quando o coração é incapaz de, em repouso, bombear
sangue em quantidade suficiente através das artérias para os órgãos, ou, em esforço, não
consegue aumentar a quantidade adicional necessária. Os sintomas mais comuns são a
fadiga e uma grande debilidade, falta de ar em repouso, distensão do abdômen e pernas
inchadas.

5- Doenças vasculares

Os vasos sangüíneos são de três tipos básicos:

· Artérias
· Veias
· Capilares.

As artérias saem do coração levando o sangue oxigenado para os


órgãos.

São elásticas e se contraem.

A cada contração do ventrículo esquerdo, uma forte onda se propaga a


partir da maior artéria do organismo, a aorta. A partir daí o sangue vai
percorrendo artérias cada vez menos calibrosas, levando o sangue rico em
nutrientes por todo o corpo, até chegar às artérias muito finas, as arteríolas.

As veias são os vasos que chegam ao coração, trazendo o sangue pobre


em oxigênio e rico em gás carbônico. As veias são mais finas que as artérias,
possuem válvulas que garantem que o sangue não retorne e não pulsam, não
são elásticas. As veias de calibre muito reduzido se chamam vênulas.

Os capilares são vasos de pequeno calibre, muito finos, que interligam


as arteríolas às extremidades das vênulas.

Quando o sangue passa pelos capilares, uma parte extravasa pela sua
parede e nutrem às células adjacentes, estas eliminam gás carbônico e outras
substâncias formando o “líquido tissular”. 90% desse líquido é absorvido
pelo sistema venoso, a parte remanescente é absorvida pelo sistema linfático
(linfa).

109
A partir dessa transição, o sangue venoso começa a voltar para o
coração pelas veias para ser oxigenado e purificado e o ciclo se repete.

ANEURISMA DA AORTA ABDOMINAL

O aneurisma da aorta abdominal é uma doença vascular de natureza


grave que atinge cerca de 2% das pessoas a partir dos 65 anos de idade.
Pessoas com hipertensão e aterosclerose compõem a população de maior
risco.

Aneurisma é a dilatação sacular de uma artéria. O paciente costuma


não apresentar sintomas e o diagnóstico é feito pelo médico que no exame
físico encontra uma massa pulsátil no abdome, por ocasião de um exame
radiológico ou em uma cirurgia abdominal por outras indicações. O risco de
rompimento súbito e de morte imediata é grande. À medida que o aneurisma
cresce, suas paredes diminuem de espessura até o rompimento. A taxa de
mortalidade em caso de ruptura é de 50% e os que sobrevivem têm uma
grande perda da qualidade de vida em virtude de complicações. Quando o
aneurisma está a ponto de se romper o paciente se queixa de dores intensas
no abdome e na região lombar. Quando há hemorragia o quadro de anemia
aguda é evidente. Aneurismas menores que 4,5 cm de diâmetro devem ser
monitorados periodicamente. A partir de 6 cm de diâmetro a indicação
cirúrgica se impõe na grande maioria dos casos desde que as condições
clínicas do paciente permitam o procedimento. A taxa de mortalidade
cirúrgica é de cerca de 10%.

110
INSUFICIÊNCIA VASCULAR ARTERIAL PERIFÉRICA

A falta adequada de circulação que compromete fundamentalmente as


pernas e pés ocorre em cerca de 2% nos homens e 1% nas mulheres com mais
de 65 anos de idade. A insuficiência arterial periférica é devida a diminuição
do calibre das artérias. As causas mais comuns se relacionam com o
tabagismo, sedentarismo, diabetes mellitus e dislipemias (altos níveis de
colesterol e triglicérides).

O tabagismo contribui não apenas como importante fator de risco para


a aterosclerose,como também pela vasoconstrição arterial que provoca,
diminuindo o calibre das artérias, especialmente nas menores artérias distais
que irrigam os membros inferiores. A presença da neuropatia diabética,
complicação do diabetes mellitus,é um fator agravante. A doença
normalmente tem curso lento e o paciente pode nada sentir. Um dos sinais
característicos é o escurecimento da pele, mas, sem dor ou desconforto.
Pessoas com diminuição visual importante podem até não notar essa
alteração. Em alguns casos existe até a perda de tecido e formação de feridas
sem que o paciente sinta absolutamente nada. Como as dores só costumam
aparecer quando a pessoa está em atividade e, tendo em vista que pessoas
muito idosas pouco se movimentam, esse processo pode passar despercebido
por muito tempo até ser reconhecido como um problema de saúde importante
que necessita de tratamento. Quando ao caminhar o paciente sente dor na
barriga da perna e tem que parar até que a dor passe, temos o que os médicos
chamam de “claudicação intermitente”.

As feridas se formam preferencialmente nos pés e são de difícil


cicatrização. O diagnóstico é feito pelo exame clínico. O médico observa a
diferença de temperatura entre os dois membros e/ou a diminuição/ausência
dos pulsos arteriais do membro afetado.

A angiografia confirma o diagnóstico. As medidas imediatas de tratamento


são:

· Parar de fumar
· Controle adequado dos níveis de colesterol, triglicérides e glicemia.
· Atividade física leve (caminhar)
· Repouso orientado
· Controle adequado da pressão arterial
· Medicamentos (pentoxifilina)

TROMBOSE

111
Quando a obstrução arterial é aguda o quadro é mais evidente com dor
local, escurecimento súbito do local, o membro fica frio e a gangrena ocorre
em pouco tempo.

Normalmente é devido a uma trombose causada pela migração de um


coágulo vindo do coração ou da artéria aorta que acaba por literalmente
entupir totalmente a artéria em questão. O tratamento é invariavelmente uma
série de procedimentos realizados em caráter de emergência. O tratamento
clínico é feito com o uso de anticoagulantes e drogas trombolíticas com a
estreptoquinase e cirúrgico e para a retirada do êmbolo e o restabelecimento
do fluxo o mais cedo possível. A cirurgia está indicada quando o risco de
gangrena é considerável.

A simpatectomia e a realização de enxertos são os procedimentos


cirúrgicos normalmente indicados.

112
INSUFICIÊNCIA VASCULAR VENOSA CRÔNICA

Alguns fatores são considerados como de risco para essa condição.


Pacientes que sofreram cirurgia para tratamento de varizes e que já
apresentaram um episódio de trombose venosa profunda têm um risco cerca
de 40% maior do que a população em geral. Mulheres na sexta década s com
várias gestações, portadoras de obesidade mórbida e/ou que fiquem muitas
horas em pé ou sentadas e que têm varizes fazem parte do grupo de risco.

Outros fatores de risco:

· História de trauma nas pernas


· Má formação congênita nas válvulas das veias da perna
· Presença de massa tumoral obstruindo o fluxo sangüíneo

Cerca de 75% das úlceras estão localizadas na parte inferior das


pernas. O paciente que apresenta uma úlcera tem 70% de chance ter outras.

Sintomas:

· Edema (inchaço) das pernas que piora no final do dia


· Coloração da pele escurecida com tons de marrom (depósito de
hemossiderina)
· Presença de úlcera na face medial (interna) do tornozelo
· Dor local de média intensidade

113
VARIZES

Varizes, ou veias varicosas, são veias dilatadas que se tornam


alongadas com o decorrer do tempo.

Microvarizes, telangiectasias, são varizes intradérmicas, superficiais.

Telangiectasias

114
Mais comuns em mulheres são devidas a uma insuficiência das
válvulas venosas dos membros inferiores.

O mau funcionamento dessas válvulas causa refluxo e retenção de


sangue acabando por dilatar o vaso.

Fatores de risco:

· Herança familiar
· Aspectos hormonais
· Gestações
· Uso de anticoncepcionais
· Obesidade
· Trabalho em pé

Sintomas:

· Dor
· Cansaço
· Pernas pesadas
· Edema
· Dormência
· Câimbras

Os sintomas pioram no fim do dia e em temperaturas elevadas.

O diagnóstico é óbvio e feito pelo exame físico.

Tratamento

O tratamento cirúrgico radical das varizes por problemas meramente


estéticos deve ser evitado em pessoas idosas em função do risco cirúrgico.
Casos selecionados podem necessitar de cirurgia. O uso de meias elásticas e
o uso de medicamentos que melhoram o fluxo venoso são alternativas mais
seguras nessa faixa etária. O tratamento mais utilizado para microvarizes, ou
telangiectasias, é a escleroterapia, através de injeções de medicamentos. A

115
prática de exercícios físicos, o uso de meias elásticas, principalmente durante
a gestação, ou em atividades em que se permaneça muitas horas em pé, além
de manter um peso corporal adequado são as medidas preventivas a serem
adotadas.

116
ANATOMIA HUMANA

1. INTRODUÇÃO:

Anatomia Humana: É a ciência que estuda macroscopicamente as estruturas do corpo


humano, bem como as relações existentes entre as mesmas. Do grego anatome (ana =
em partes; tome = corte). Dissecação: do latim dissecare (dis = separadamente; secare
= cortar).

Algumas divisões da anatomia humana:


Osteologia: parte da anatomia que estuda os ossos.
Sindesmologia/Artrologia: parte da anatomia que estuda as articulações.
Miologia: parte da anatomia que estuda os músculos.

Posição anatômica: Em posição anatômica, o indivíduo encontra-se de pé, em posição


ereta, de frente para o observador, com os membros superiores nos lados do tronco, as
palmas das mãos abertas voltadas para frente e dedos estendidos, os pés nivelados no
solo, cabeça em posição neutra com o olhar para o horizonte.

Planos Seccionais: a partir da posição anatômica, o corpo humano pode ser estudado
com base em três planos seccionais principais:
a) Plano Mediano e/ou Sagital:

117
Corta o corpo no sentido ântero-posterior;
Quando passa bem no meio do corpo, sobre a linha sagital mediana, é chamado de
sagital mediano e quando o corte é feito lateralmente a essa linha, chamamos
paramediano.
Determina uma porção direita e outra esquerda (hemicorpo, antímero).

b) Plano Coronal ou Frontal:


Corta o corpo lateralmente, de orelha a orelha, determinando uma porção anterior ou
ventral e outra posterior ou dorsal.

c) Plano Transversal ou Horizontal:


Corta o corpo transversalmente, determinado uma porção superior ou cranial e outra
inferior caudal.

Termos de posição e direção. Descrevem as relações das partes do nosso corpo em


posição anatômica.
a) Anterior ou ventral: voltado ou mais próximo da fronte;

118
b) Posterior ou dorsal: voltado ou mais próximo do dorso;
c) Superior ou cranial: voltado ou mais próximo da cabeça;
d) Inferior ou podálico: voltado ou mais próximo do pé;
e) Medial: mais próximo do plano mediano;
f) Lateral: mais afastado do plano mediano;
g) Intermédio: entre uma estrutura lateral e outra medial;
h) Proximal: mais próximo do tronco ou do ponto de origem do membro;
i) Distal: mais distante do tronco ou do ponto de origem do membro;
j) Médio: entre uma estrutura proximal e outra distal;
k) Superficial: mais próximo da superfície;
l) Profundo: mais distante da superfície;
m)Interno: no interior de um órgão ou de uma cavidade;
n) Externo: externamente a um órgão ou a uma cavidade;
o) Ipsilateral (homolateral): do mesmo lado;
p) Contralateral: do lado oposto.

Termos de movimento:
a) Flexão: realizado no plano sagital e ao redor do eixo transversal, reduz o ângulo
entre duas partes do corpo;
b) Extensão: realizado no plano sagital e ao redor do eixo transversal, retorno da flexão
ou aumenta o ângulo entre duas partes do corpo;
c) Adução: aproximar o membro do eixo sagital mediano.
d) Abdução: afastar o membro do eixo sagital mediano.
e) Rotação: girar em torno do próprio eixo, ou seja, realizado ao redor do eixo
longitudinal, podendo ser, lateral ou medial;
f) Supinação: movimento de rotação do antebraço com o rádio girando lateralmente ao
redor de seu próprio eixo; o dorso da mão fica voltado posteriormente e a palma
anteriormente (posição anatômica);
g) Pronação: movimento de rotação do antebraço com o rádio girando medialmente ao
redor de seu próprio eixo; o dorso da mão fica voltado anteriormente e a palma
posteriormente;
h) Eversão: movimento realizado na articulação talocalcânea, afastando a planta do pé
do plano mediano;

119
i) Inversão: movimento realizado na articulação talocalcânea, aproximando a planta do
pé do plano mediano;
j) Oposição ou oponência: dirigir a polpa do polegar (primeiro dedo) em direção à
polpa do dedo mínimo (quinto dedo);
k) Reposição: é o retorno do polegar à posição anatômica;
l) Elevação: levantar uma parte do corpo;
m)Depressão (abaixamento): abaixar uma parte do corpo;
n) Protrusão: movimento realizado para frente;
o) Retrusão: movimento realizado para trás;
p) Circundução: movimento circular combinado (flexão-abdução-extensão-adução)
que descreve um cone cujo ápice é o centro da articulação.

2. OSTEOLOGIA

Constitui no estudo do sistema esquelético. É o conjunto de ossos e cartilagens,


que se interligam para formar o arcabouço do corpo do animal. Ossos são peças duras e
resistentes, de número, coloração e forma variáveis, situados entre as partes moles do
corpo, que juntos com as articulações, servem de alavanca aos músculos que nele se
inserem. A natureza do tecido ósseo é:
Matriz orgânica- composta na maior parte de colágeno, sendo responsável pela sua
força de tensão, como nos tendões e na fáscia. (30% substância orgânica).
Matriz mineral - composta de cálcio, fosfato e outros elementos em forma cristalina,
responsável pela sua força de compressão e rigidez. (70% substância inorgânica).
O esqueleto do adulto é formado por 206 ossos distintos. Determinadas
cartilagens, como as encontradas nas extremidades dos ossos longos, também são
incluídas como parte do esqueleto. Esses ossos e cartilagens são unidos por ligamentos e
oferecem superfícies de fixação aos músculos. Como os músculos e ossos precisam
combinar-se para permitir o movimento corporal, esses dois sistemas são às vezes
designados coletivamente como sistema locomotor. O esqueleto adulto humano é
dividido em esqueleto axial e esqueleto apendicular.

Esqueleto Axial

120
O esqueleto axial inclui todos os ossos localizados no eixo central do corpo ou próximo
a este. O esqueleto axial do adulto consiste em 80 ossos e inclui crânio, coluna
vertebral, costelas e esterno.
Esqueleto Axial
Cabeça Crânio 8
Cabeça Ossos da face 14
Osso Hióide 1
Ossículo da audição (pequeno osso em
6
cada ouvido)
Coluna vertebral Cervical 7
Coluna vertebral Torácica 12
Coluna vertebral Lombar 5
Coluna vertebral Sacral 1
Coluna vertebral Coccígea 1
Tórax Esterno 1
Tórax Costela 24
Total (Axial) 80

Esqueleto Apendicular
A segunda divisão do esqueleto é a porção apendicular. Essa divisão é
composta por todos os ossos dos membros superiores e inferiores (extremidades) e as
cinturas escapular e pélvica. No esqueleto apendicular do adulto existem 126 ossos
separados.
Esqueleto apendicular do adulto
Cintura escapular Clavículas 2
Escápula 2
Membros superiores Úmero 2
Ulna 2
Rádio 2
Ossos carpais 16
Ossos metacarpais 10
Falanges 28
Cintura pélvica Ossos do quadril 2
Membros inferiores Fêmur 2
Tíbia 2
Tíbia 2
Tíbia 2
Ossos tarsais 14
Ossos metatarsais 10
Falanges 28
Total (Apendicular) 126

121
122
123
Histologia óssea
O tecido ósseo é formado pelos osteoblastos, mantidos pelos osteócitos e
reabsorvidos pela ação dos osteoclastos.
Os sais cristalinos depositados na matriz orgânica do osso são compostos
principalmente por cálcio e fosfato. O principal sal cristalino é a hidroxiapatita.
A etapa inicial da produção de osso é a secreção de moléculas de colágeno e de
substância fundamental pelos osteoblastos. O tecido restante transforma-se em osteóide;
um material semelhante à cartilagem, mas diferente desta porque os sais de cálcio logo
nele se precipitam. Quando o osteóide é formado, alguns dos osteoblastos são
aprisionados dentro deste, sendo então chamados de osteócitos.
O osso está sendo depositado pelos osteoblastos, bem como continuamente
absorvido onde os osteoclastos se encontram ativos. Os osteoblastos são encontrados
nas superfícies externas dos ossos e nas cavidades ósseas. Uma pequena quantidade de
atividade osteoblástica ocorre continuamente em todos os ossos vivos de todas as
superfícies a qualquer momento no adulto. De modo que pelo menos algum novo osso
está constantemente sendo formado.
O osso também esta sendo continuamente absorvido na presença de osteoclastos,
que são grandes células fagocitárias multinucleadas.

Funções:
a. Proteção dos órgãos
b. Sustentação e conformação
c. Armazenamento de íons Ca e P
d. Sistema de alavancas (deslocamentos)

124
e. tecido hematopoiético

Tipos de substância óssea:


Compacta: lamínulas de tecido ósseo estão unidas sem que haja um espaço interposto -
reveste a superfície dos ossos.
Esponjosa: as lamínulas estão dispostas com espaços entre si, é interna à compacta -
espaço entre as trabéculas é preenchido pela medula óssea.

Classificação dos ossos


a) Ossos longos: comprimento > que a largura e espessura, têm um corpo ou
diáfise - canal medular, ex.: fêmur, tíbia, fíbula, úmero. Os ossos longos
apresentam duas extremidades chamadas epífises. Unindo as epífises
encontramos a diáfise. Entre a diáfise e as epífises, há uma região de
crescimento ósseo, formada por tecido cartilaginoso nos jovens. Essa região
apresenta-se como uma linha denominada metáfise.
O osso longo apresenta ainda uma cavidade, chamada cavidade ou câmara
medular. É nessa câmara que se encontra a medula óssea vermelha e medula
óssea amarela.
A medula óssea amarela apresenta um espaço mais livre, preenchido com
tecido adiposo, delimitado nas paredes pela camada óssea compacta. Já a
medula óssea vermelha apresenta as chamadas trabéculas ósseas,
constituindo a camada óssea esponjosa. É nessa camada esponjosa que há a
formação de células sanguíneas.
Essa cavidade onde se encontra a medula óssea amarela apresenta o
endósteo, que nada mais é do que uma lâmina fibrosa com células de
crescimento ou reabsorção óssea interna.
Externamente, há ainda uma lâmina denominada periósteo. O periósteo é
essencial para o crescimento, o reparo e a nutrição do osso. Os ossos são
abundantemente supridos de vasos sangüíneos que neles penetram a partir do
periósteo. Divide-se em dois folhetos:
1ª) folheto fibroso, composta por fibras de colágeno (tecido fibroso), células
nervosas e vasos sanguíneos.
2ª) folheto osteogênico ou celular, composto por osteócitos, osteoclastos e
osteoblastos.

125
b) Ossos curtos: são aqueles em que as três dimensões se equivalem, ex.: ossos do carpo
e tarso.
c) Ossos planos: comprimento e largura predominam sobre a espessura (díploe), ex.:
osso frontal, parietal, occipital e escápula.
d) Ossos irregulares: apresentam uma morfologia complexa, não definida
geometricamente, ex.: as vértebras e o osso temporal.
e) Ossos pneumáticos: apresentam cavidade revestida de mucosa, contendo ar no seu
interior, ex.: frontal, maxilar e temporal.
f) Ossos sesamóides: apresentam-se incluídos a tendões ou ligamentos, e estão
geralmente próximos ou dentro de uma articulação, ex.: patela.

Irrigação e inervação
Uma, ou várias artérias, perfuram o osso compacto do corpo, e se divide em
ramos longitudinalmente orientados, que nutrem a medula óssea e o osso compacto, até
as metáfises. Muitos ramúsculos dos vasos do periósteo, também vascularizam o osso
compacto do corpo. Os vasos da metáfise e epífise que nascem principalmente das
artérias que nutrem a articulação, perfuram o compacto e suprem o osso esponjoso e a
medula dos extremos dos ossos.
A inervação se dá por fibras que acompanham os vasos sanguíneos dos ossos, e
em sua maioria são vasomotoras, porém algumas são sensitivas e terminam no
periósteo, e na túnica externa dos vasos sanguíneos.
Ossos curtos: suprimento pelo periósteo;
Ossos planos: suprimento pelo periósteo e forame nutrício;
Ossos longos: suprimento pelo forame nutrício, periósteo, epífises e endósteo.

Cartilagem
O tecido cartilaginoso, ou cartilagem, é um tipo de tecido conjuntivo cuja rigidez
é intermediária entre a do tecido ósseo e a do tecido conjuntivo denso. Nas articulações
do tipo poliaxial, que permitem grande liberdade de movimento, a cartilagem está
presente cobrindo a superfície do osso, onde recebe o nome de cartilagem articular.
Essa cobertura diminui o atrito entre as superfícies e, por conseqüência, permite maior
facilidade de movimento.
A maior parte do tecido cartilaginoso que surge na vida pré-natal é substituída
por tecido ósseo. No entanto, uma pequena quantidade de cartilagem permanece nas

126
extremidades dos ossos, permitindo o seu crescimento longitudinal. Estas estruturas são
denominadas discos epifisários.
Este tipo de tecido não é vascularizado por capilares, obtendo seus nutrientes a
partir do conjuntivo que o envolve ou a partir do líquido sinovial, no caso das
cartilagens articulares. Os nutrientes difundem-se pela água de solvatação.
Segundo a natureza das fibras que se encontram na cartilagem podemos classificá-las
em 3 grupos:
Hialina: poucas fibras colágenas implantadas na matriz cartilagínea. Esta cartilagem
forma o modelo cartilagíneo do futuro osso no feto. As cartilagens articulares, os semi-
anéis cartilagíneos da traquéia, as cartilagens do nariz são exemplos de cartilagem
hialina
Fibrocartilagem: predominância de fibras colágenas, porém em uma matriz menos rica
que a hialina. Forma os meniscos da articulação do joelho, o disco articular da
articulação da mandíbula com o temporal e os discos intervertebrais
Elástica: em cuja matriz encontram-se fibras elásticas. Pavilhão da orelha
3. ARTROLOGIA

Articulações (=junturas)
Articulação - denominação que se dá aos modos de união dos ossos entre si;
união entre peças de um aparelho ou máquina.
Juntura - O mesmo que junção; junta; articulação; união.
Em anatomia, articulações ou junturas são as uniões funcionais entre os
diferentes ossos do esqueleto. Vários são os tipos existentes e diferenciam-se pelo tipo
de movimento que ocorre, ou não, entre os ossos unidos.
O desenvolvimento das articulações dá-se ainda no período embrionário, quando
o mesoderma organiza-se em núcleos contínuos em forma de eixos ou colunas. A partir
desse momento surgem os primeiros indícios dos ossos e articulações pela condensação
do mesoderma em determinados locais e formas. Esse mesoderma condrificará e
posteriormente se ossificará, dando origem aos ossos.
Os tecidos circunjacentes aos núcleos mesodérmicos darão origem ao periósteo e
a extensão destes por sobre as extremidades desses núcleos irá formar as cápsulas
articulares. A espessura dessas cápsulas não é uniforme, e os espessamentos que nela
ocorrem são os elementos de reforço denominadas ligamentos

127
Classificação das articulações
As articulações ou junturas são classificadas de acordo com sua estrutura,
amplitude de movimento e também segundo os eixos em torno dos quais esses ocorrem.
Assim, as articulações imóveis ou sinartroses, denominadas junturas fibrosas
são aquelas onde o contato entre os ossos é quase direto, com interposição de fina
camada de tecido conjuntivo e onde o movimento é quase inexistente. As junturas
fibrosas podem ser de três tipos: sindesmose, sutura e gonfose.
Sindesmose é a articulação na qual dois ossos são unidos por fortes ligamentos
interósseos e não há superfície cartilaginosa na área de união. Exemplo: articulação
tíbio-fibular distal.
Sutura é a articulação onde as margens ósseas são contíguas e separadas por
uma delgada camada de tecido fibroso. Esse tipo de articulação só é encontrado no
crânio e pode ser de três tipos: Sutura serrátil, quando as margens dos ossos são
encaixadas e unidas por uma série de saliências e reentrâncias em forma de serra,como
observado entre os ossos parietais; sutura escamosa, formada pela sobreposição de
dois ossos contíguos, como entre o temporal e o parietal e sutura plana onde duas
superfícies ósseas contiguas se apõem como entre as partes horizontais dos ossos
palatinos ou entre os maxilares.
Gonfose é a articulação de um processo cônico em uma cavidade e só é
observada nas articulações entre as raízes dos dentes e os alvéolos da mandíbula e da
maxila.
As articulações com pequeno ou limitado grau de movimento, denominadas
anfiartroses são as junturas cartilagíneas, onde as uniões entre as superfícies ósseas
contíguas são feitas por cartilagem. Os tipos existentes são a sínfise e a sincondrose.
Sínfise é a união por discos fibrocartilaginosos achatados cuja estrutura pode ser
complexa. São observadas entre cada dois corpos vertebrais e entre os dois ossos
púbicos.
Sincondroses são formas temporárias de articulação, uma vez que na idade
adulta a cartilagem é convertida em osso. São encontradas nas extremidades dos ossos
longos entre as epífises e metáfises e também entre os ossos esfenóide e occipital, na
base do crânio.
O tipo de articulação mais freqüente no corpo humano são as diartroses ou junturas
sinoviais, que possuem movimentos amplos e possuem elementos em sua constituição
que vão caracterizá-las:

128
a) Superfícies ósseas - revestidas de cartilagem hialina.
b) Cápsula articular - envolvendo as partes de contato dos ossos, (cavidade articular).
c) Membrana sinovial - com as respectivas pregas.
d) Líquido sinovial - secretado pela membrana, para lubrificar e proteger as superfícies
articulares dos ossos.
e) Ligamento intra e ou extra-capsulares - que juntos com a cápsula, mantém a união
entre os ossos e a estabilidade da articulação.
As extremidades ósseas são revestidas por cartilagem hialina e a união é feita
por uma cápsula fibrosa revestida internamente pela membrana sinovial que produz o
líquido de mesmo nome que nutre e lubrifica a articulação. Espessamentos dessa
cápsula, que a reforçam, são os ligamentos extra-articulares. Em algumas
articulações, além dos ligamentos extra-articulares, existem também ligamentos intra-
articulares, elementos diferenciados, que são revestidas por membrana sinovial e
participam dos mecanismos de limitação e orientação dos movimentos, como exemplo
podemos citar os ligamentos cruzados do joelho. Nesse tipo de articulação também
podem estar presentes discos ou meniscos articulares, estruturas fibrocartilaginosas
unidas em sua periferia com a cápsula articular cujas superfícies livres não são
revestidas por membrana sinovial; um exemplo desse tipo de articulação é a que existe
entre o fêmur e a tíbia no joelho.
- Elementos das articulações sinoviais:
 Cartilagem hialina ou articular – reveste as superfícies articulares
 Cápsula articular – envolve a cavidade articular
 Membrana sinovial – reveste internamente as estruturas intra-articulares
 Líquido sinovial – líquido produzido pela membrana sinovial
 Lábios – especializações de fibrocartilagem fixadas nas margens das superfícies
articulares
 Discos ou meniscos – coxins de fibrocartilagem
 Ligamentos acessórios – ligamentos que auxiliam na estabilização da articulação
 Bolsas (ou bursas) sinoviais – bolsas preenchidas de líquido sinovial

129
A B
Fig. Articulação sinovial. A, sem disco articular; B, com disco articular (Fonte:
WILLIAMS, 1995).

ESTRUTURAS ARTICULARES
 CARTILAGEM ARTICULAR (cartilagem hialina)
- elástica não quebradiça;
- características oscilam entre sólido e líquido;
- funções: absorver choques; recobrir as superfícies articulares dos ossos, evitando
o desgaste direto;
- não possui inervação nem vascularização própria;
- podem sofrer modificações especializadas e receber nomes: labro glenóide (no
ombro), menisco (no joelho).
 CÁPSULA ARTICULAR (ligamento capsular)
- bainha ligamentosa que envolve completamente a articulação;
- insere-se nos ossos que a formam a articulação.
 MEMBRANA SINOVIAL
- reveste internamente a cápsula articular e externamente a CAVIDADE
ARTICULAR;
- secreta LÍQUIDO SINOVIAL para dentro da CAVIDADE ARTICULAR;
 LÍQUIDO SINOVIAL (sinóvia)
- nutre as cartilagens articulares;
- lubrifica a articulação (converte esforço compressivo em pressão hidrostática).
 DISCO FIBROCARTILAGINOSO
- presente em algumas diartroses. EXEMPLO: rádio-ulnar distal,
esternoclavicular;
- intra-articular, divide a CAVIDADE ARTICULAR em 2 partes;
- contribui para que os ossos permaneçam unidos.
130
 BOLSAS E BAINHAS TENDINOSAS
- teoricamente não fazem parte das articulações, sendo consideradas como estruturas
anexas;
- cavidade formada por 2 camadas de tecido conjuntivo: interiormente se insere no
tendão, e exteriormente no tecido que o circunda;
- revestida por membrana sinovial que secreta líquido lubrificante dentro da
cavidade;
- impede tecidos sólidos de se atritarem diretamente um contra o outro (fricção entre
tendões e ossos, por exemplo);
- EXEMPLOS: no ombro (bolsa subacromial, onde o músculo supra-espinhoso passa
sob o acrômio), no joelho (bolsa infrapatelar profunda, protege o ligamento patelar
da cabeça da tíbia).

4. MIOLOGIA:
Introdução
Desenvolvimento a partir do mesoderma. Exceção: músculos da íris
(neuroectoderma).
Existem três tipos de tecido muscular: o tecido muscular estriado esquelético, o tecido
muscular estriado cardíaco e o tecido muscular liso.
O tecido muscular estriado cardíaco (miocárdio): ação involuntária, comandado
pelo sistema nervoso autônomo.
O tecido muscular liso está presente nos vasos sangüíneos e nos órgãos viscerais,
atuando no controle autônomo do organismo. As células do músculo liso apresentam-se
fusiformes e são mononucleadas. Ação involuntária, comandado pelo sistema nervoso
autônomo.
O tecido muscular estriado esquelético é constituído de fibrocélulas estriadas. Tais
células caracterizam-se por serem bastante compridas e polinucleadas, com núcleos
localizados sob o sarcolema (membrana plasmática de fibrocélulas musculares).
Geralmente, estão cercadas de tecido conjuntivo, que une as fibras umas às outras e
transmitem a força produzida pelos músculos aos ossos, ligamentos e outros órgãos
executores de movimento. Tais músculos são de ação voluntária, comandados pelo
sistema nervoso somático.

131
São estruturas que ao se contrair determinam movimento. Os músculos são
formados por um tecido especial que possui a capacidade de contrair-se quando
estimulado. Temos aproximadamente 212 músculos esqueléticos, sendo 112 na região
frontal e 100 na região dorsal. Cada músculo possui o seu nervo motor, o qual se divide
em muitos ramos para poder controlar todas as células do músculo. Onde as divisões
destes ramos terminam em um mecanismo conhecido como placa motora.
Todos os movimentos do corpo resultam da atividade dos músculos, quer seja o
movimento voluntário de andar ou correr ou o movimento invisível a olho nu da
contração de um vaso sangüíneo. Estão sob o controle do sistema nervoso central. Áreas
específicas do cérebro enviam suas ordens através de estímulos nervosos que seguem
pela medula espinhal e pelos nervos periféricos até chegarem ao músculo, que se contrai
ou relaxa dependendo do tipo de movimento desejado. Todos os movimentos corporais
resultam da contração ou relaxamento dos músculos esqueléticos. Os músculos estão
ligados aos ossos através de segmentos de tecido fibrosos espessos chamados de tendões
(cilindróides) ou aponeuroses (laminares).

132
Contração muscular
A contração do músculo esquelético é voluntária e ocorre pelo deslizamento
dos filamentos de actina sobre os de miosina. Nas pontas dos filamentos de miosina
existem pequenas projeções, capazes de formar ligações com certos sítios dos
filamentos de actina, quando o músculo é estimulado. Essas projeções de miosina
puxam os filamentos de actina, forçando-os a deslizar sobre os filamentos de miosina.
Isso leva ao encurtamento das miofibrilas e à contração muscular. Durante a contração
muscular, o sarcômero diminui devido à aproximação das duas linhas Z, e a zona H
chega a desaparecer.
O estímulo para a contração muscular é geralmente um impulso nervoso, que
chega à fibra muscular através de um nervo. O impulso nervoso propaga-se pela

133
membrana das fibras musculares (sarcolema) e atinge o retículo sarcoplasmático,
fazendo com que o cálcio ali armazenado seja liberado no hialoplasma. Ao entrar em
contato com as miofibrilas, o cálcio desbloqueia os sítios de ligação da actina e permite
que esta se ligue à miosina, iniciando a contração muscular. Assim que cessa o estímulo,
o cálcio é imediatamente rebombeado para o interior do retículo sarcoplasmático, o que
faz cessar a contração.

A energia para a contração muscular é suprida por moléculas de ATP produzidas


durante a respiração celular. O ATP atua tanto na ligação da miosina à actina quanto em
sua separação, que ocorre durante o relaxamento muscular. Quando falta ATP, a miosina
mantém-se unida à actina, causando enrijecimento muscular. É o que acontece após a
morte, produzindo-se o estado de rigidez cadavérica (rigor mortis).
A quantidade de ATP presente na célula muscular é suficiente para suprir apenas
alguns segundos de atividade muscular intensa. A principal reserva de energia nas
células musculares é uma substância denominada fosfato de creatina (fosfocreatina ou
creatina-fosfato). Dessa forma, podemos resumir que a energia é inicialmente fornecida
pela respiração celular é armazenada como fosfocreatina (principalmente) e na forma de
ATP. Quando a fibra muscular necessita de energia para manter a contração, grupos
fosfatos ricos em energia são transferidos da fosfocreatina para o ADP, que se
transforma em ATP. Quando o trabalho muscular é intenso, as células musculares
repõem seus estoques de ATP e de fosfocreatina pela intensificação da respiração
celular. Para isso utilizam o glicogênio armazenado no citoplasma das fibras musculares
como combustível.

Uma teoria simplificada admite que, ao receber um estímulo nervoso, a fibra muscular
mostra, em seqüência, os seguintes eventos:

134
a) O retículo sarcoplasmático e o sistema T liberam íons Ca++ e Mg++ para o
citoplasma.
b) Em presença desses dois íons, a miosina adquire uma propriedade ATP ásica, isto é,
desdobra o ATP, liberando a energia de um radical fosfato.
c) A energia liberada provoca o deslizamento da actina entre os filamentos de miosina,
caracterizando o encurtamento das miofibrilas.
Classificação funcional
a) Agonista - Músculo principal na contração muscular. Agonista primário e acessório.
Ex.: Na flexão do cotovelo, o m. braquial e o m. bíceps do braço são agonistas
primários, o m. braquiorradial, m. extensor radial longo do carpo e o m. pronador
redondo são agonistas acessórios.
b) Antagonista - Músculo que oferece resistência à contração muscular. Opõe-se a um
movimento. Gera torque em oposição àquele gerado pelo agonista.
c) Fixador - Imobiliza uma articulação para realizar o movimento de outra articulação.
Ex.: o m. rombóide fixa a escápula para movimentar somente o braço.
d) Neutralizador - Evita a ação indesejada quando um m. agonista realiza o movimento.
Ex.: O m. bíceps do braço produz tanto flexão do cotovelo quanto supinação do
antebraço. Se apenas a flexão do cotovelo é desejada o m. pronador redondo age
como neutralizador na supinação do antebraço.
Tipos de contração muscular fisiológicas
Contração Muscular Isométrica: nesse tipo de contração, o comprimento do músculo
não se altera, não ocorre deslizamento das miofibrilas nem realização de trabalho. O
gasto de energia é menor.
Contração Muscular Isotônica: aqui há o encurtamento do músculo, mas a tensão sobre
ele permanece constante. Acontece na movimentação de uma carga, o que envolve
princípios de inércia: o peso deve ser primeiramente acelerado – o movimento
continua mesmo após o término da contração. Sua duração é maior que a contração
isométrica. Os músculos podem contrair-se tanto isométrica quanto isotonicamente.
Mas a maioria das contrações é uma mistura dos dois tipos.

135
Estriado esquelético Estriado cardíaco Liso

Miócitos alongados,
Miócitos longos, multinucleados Miócitos estriados com um ou mononucleados e sem estrias
(núcleos periféricos). dois núcleos centrais. transversais.
Miofilamentos organizam-se em Células alongadas, Contração involuntária e
estrias longitudinais e irregularmente ramificadas, que lenta.
transversais. se unem por estruturas
Contração rápida e voluntária especiais: discos intercalares.
Contração involuntária, vigorosa
e rítmica.

136
SISTEMA CARDIOVASCULAR
O sistema cardiovascular ou circulatório é uma vasta rede de tubos de vários tipos e
calibres, que põe em comunicação todas as partes do corpo. Dentro desses tubos circula o
sangue, impulsionado pelas contrações rítmicas do coração.

Funções do sistema cardiovascular
O sistema circulatório permite que algumas atividades sejam executadas com grande
eficiência:
 transporte   de   gases:   os   pulmões,   responsáveis   pela   obtenção   de   oxigênio   e   pela
eliminação de dióxido de carbono, comunicam­se com os demais tecidos do corpo por
meio do sangue. 
 transporte   de   nutrientes:  no   tubo   digestivo,   os   nutrientes   resultantes   da   digestão
passam através de um fino epitélio e alcançam o sangue. Por essa verdadeira "auto­
estrada", os nutrientes são levados aos tecidos do corpo, nos quais se difundem para o
líquido intersticial que banha as células. 
 transporte   de   resíduos   metabólicos:   a   atividade   metabólica   das   células   do   corpo
origina resíduos, mas apenas alguns órgãos podem eliminá­los para o meio externo. O
transporte dessas substâncias, de onde são formadas até os órgãos de excreção, é feito
pelo sangue. 
 transporte de  hormônios:  hormônios   são  substâncias  secretadas   por   certos   órgãos,
distribuídas pelo sangue e capazes de modificar o funcionamento de outros órgãos do
corpo. A colecistocinina, por exemplo, é produzida pelo duodeno, durante a passagem
do   alimento,   e   lançada   no   sangue.   Um   de   seus   efeitos   é   estimular   a   contração   da
vesícula biliar e a liberação da bile no duodeno. 
 intercâmbio de materiais: algumas substâncias são produzidas ou armazenadas em
uma   parte   do   corpo   e   utilizadas   em   outra   parte.   Células   do   fígado,   por   exemplo,
armazenam moléculas de glicogênio, que, ao serem quebradas, liberam glicose, que o
sangue leva para outras células do corpo. 
 transporte de calor: o sangue também é utilizado na distribuição homogênea de calor
pelas diversas partes do organismo, colaborando na manutenção de uma temperatura
adequada em todas as regiões; permite ainda levar calor até a superfície corporal, onde
pode ser dissipado. 
 distribuição   de   mecanismos   de   defesa:   pelo   sangue   circulam   anticorpos   e   células
fagocitárias, componentes da defesa contra agentes infecciosos. 
 coagulação sangüínea: pelo sangue circulam as plaquetas, pedaços de um tipo celular
da   medula   óssea   (megacariócito),   com   função   na   coagulação   sangüínea.   O   sangue
contém ainda fatores de coagulação, capazes de bloquear eventuais vazamentos em caso
de rompimento de um vaso sangüíneo. 

CORAÇÃO

137
O coração é um órgão muscular oco que se localiza no meio do peito,
sob o osso esterno, ligeiramente deslocado para a esquerda. Em uma pessoa
adulta, tem o tamanho aproximado de um punho fechado e pesa cerca de 400
gramas.

O coração humano, como o dos demais mamíferos, apresenta quatro cavidades: duas
superiores, denominadas átrios (ou aurículas) e duas inferiores, denominadas ventrículos. O
átrio direito comunica­se com o ventrículo direito através  da válvula  tricúspide. O  átrio
esquerdo, por sua vez, comunica­se com o ventrículo esquerdo através da válvula bicúspide
ou mitral.A função das válvulas cardíacas é garantir que o sangue siga uma única direção,
sempre dos átrios para os ventrículos.

Imagem: ATLAS INTERATIVO DE ANATOMIA HUMANA. Artmed Editora.

 As câmaras cardíacas contraem­se e dilatam­se alternadamente 70 vezes por minuto,
em   média.   O   processo   de   contração   de   cada   câmara   do  miocárdio  (músculo   cardíaco)
denomina­se  sístole.   O   relaxamento,   que   acontece   entre   uma   sístole   e   a   seguinte,   é   a
diástole. 

138
a­ A atividade elétrica do coração

Nódulo   sinoatrial   (SA)   ou


marcapasso   ou   nó   sino­atrial:   região
especial   do   coração,   que   controla   a
freqüência   cardíaca.   Localiza­se   perto 
da junção entre o átrio direito e a veia
cava   superior   e   é   constituído   por   um
aglomerado   de   células   musculares
especializadas.   A   freqüência   rítmica
dessa   fibras   musculares   é   de
aproximadamente   72   contrações   por
minuto,   enquanto   o   músculo   atrial   se
contrai cerca de 60 vezes por minuto e o
músculo ventricular, cerca de 20 vezes
por minuto. Devido ao fato do nódulo
sinoatrial   possuir   uma   freqüência
Imagem: AVANCINI & FAVARETTO. Biologia – Uma rítmica mais rápida em relação às outras
abordagem evolutiva e ecológica. Vol. 2. São Paulo, Ed.
Moderna, 1997. partes   do   coração,   os   impulsos
originados   do   nódulo   SA   espalham­se
para os átrios e ventrículos, estimulando
essas   áreas   tão   rapidamente,   de   modo
que o ritmo do nódulo SA   torna­se o
ritmo   de   todo   o   coração;   por   isso   é

139
chamado marcapasso.
Sistema  De  Purkinje  ou  fascículo  átrio­ventricular:  embora   o  impulso  cardíaco
possa percorrer perfeitamente todas as fibras musculares cardíacas, o coração possui um
sistema especial de condução denominado sistema de Purkinje ou fascículo átrio­ventricular,
composto de fibras musculares cardíacas especializadas, ou fibras de Purkinje (Feixe de
Hiss   ou   miócitos   átrio­ventriculares),   que   transmitem   os   impulsos   com   uma   velocidade
aproximadamente  6   vezes   maior   do  que   o  músculo  cardíaco   normal,   cerca   de   2   m   por
segundo, em contraste com 0,3 m por segundo no músculo cardíaco.

b­ Controle Nervoso do Coração 
Embora   o   coração   possua   seus   próprios   sistemas   intrínsecos   de   controle   e   possa
continuar a operar, sem quaisquer influências nervosas, a eficácia da ação cardíaca pode ser
muito modificada pelos impulsos reguladores do sistema nervoso central. O sistema nervoso
é   conectado   com   o   coração   através   de   dois   grupos   diferentes   de   nervos,   os   sistemas
parassimpático e simpático. A estimulação dos nervos parassimpáticos causa os seguintes
efeitos   sobre   o   coração:   (1)   diminuição   da   freqüência   dos   batimentos   cardíacos;   (2)
diminuição   da   força   de   contração   do   músculo   atrial;   (3)   diminuição   na   velocidade   de
condução dos impulsos através do nódulo AV (átrio­ventricular) , aumentando o período de
retardo entre a contração atrial e a ventricular; e (4) diminuição do fluxo sangüíneo através
dos vasos coronários que mantêm a nutrição do próprio músculo cardíaco.
Todos   esses   efeitos   podem   ser   resumidos,   dizendo­se   que   a   estimulação
parassimpática diminui todas as atividades do coração. Usualmente, a função cardíaca é
reduzida pelo parassimpático durante o período de repouso, juntamente com o restante do
corpo. Isso talvez ajude a preservar os recursos do coração; pois, durante os períodos de
repouso, indubitavelmente há um menor desgaste do órgão.
A estimulação dos nervos simpáticos apresenta efeitos exatamente opostos sobre o
coração:   (1)   aumento   da   freqüência   cardíaca,   (2)   aumento   da   força   de   contração,   e   (3)
aumento do fluxo sangüíneo através dos vasos coronários visando a suprir o aumento da
nutrição   do   músculo   cardíaco.   Esses   efeitos   podem   ser   resumidos,   dizendo­se   que   a
estimulação   simpática   aumenta   a   atividade   cardíaca   como   bomba,   algumas   vezes
aumentando a capacidade de bombear sangue em até 100 por cento. Esse efeito é necessário
quando um indivíduo é submetido a situações de estresse, tais como exercício, doença, calor
excessivo, ou outras condições que exigem um rápido fluxo sangüíneo através do sistema
circulatório. Por conseguinte, os efeitos simpáticos sobre o coração constituem o mecanismo
de auxílio utilizado numa emergência, tornando mais forte o batimento cardíaco quando
necessário.
Os neurônios pós­ganglionares do sistema nervoso simpático secretam principalmente
noradrenalina,   razão  pela  qual   são  denominados   neurônios   adrenérgicos.   A   estimulação
simpática do cérebro também promove a secreção de adrenalina pelas glândulas adrenais ou
supra­renais. A adrenalina  é responsável pela taquicardia (batimento cardíaco acelerado),
aumento da pressão arterial e da freqüência respiratória, aumento da secreção do suor, da
glicose sangüínea e da atividade mental, além da constrição dos vasos sangüíneos da pele.
O neurotransmissor secretado pelos neurônios pós­ganglionares do sistema nervoso
parassimpático é a acetilcolina, razão pela qual são denominados colinérgicos, geralmente

140
com   efeitos   antagônicos   aos   neurônios   adrenérgicos.   Dessa   forma,   a   estimulação
parassimpática   do   cérebro   promove   bradicardia   (redução   dos   batimentos   cardíacos),
diminuição da pressão arterial e da freqüência respiratória, relaxamento muscular e outros
efeitos antagônicos aos da adrenalina.
Em   geral,   a   estimulação   do   hipotálamo   posterior   aumenta   a   pressão   arterial   e   a
freqüência cardíaca, enquanto que a estimulação da área pré­óptica, na porção anterior do
hipotálamo,   acarreta   efeitos   opostos,   determinando   notável   diminuição   da   freqüência
cardíaca e da pressão arterial. Esses efeitos são transmitidos através dos centros de controle
cardiovascular da porção inferior do tronco cerebral, e daí passam a ser transmitidos através
do sistema nervoso autônomo.
 

Fatores que aumentam a freqüência Fatores que diminuem a freqüência


cardíaca cardíaca
Queda da pressão arterial
inspiração
excitação
raiva
dor Aumento da pressão arterial
hipóxia (redução da disponibilidade de oxigênio expiração
para as células do organismo)
exercício
adrenalina
febre

Circulação pulmonar e circulação sistêmica

141
A circulação sangüínea humana pode
ser dividida em dois grandes circuitos: um
leva sangue aos pulmões, para oxigená­lo,
e outro leva sangue oxigenado a todas as
células do corpo. Por isso se diz que nossa
circulação   é  dupla.   O   trajeto   “coração
(ventrículo   direito)    pulmões  
coração  (átrio   esquerdo)”   é   denominado
circulação   pulmonar  ou  pequena
circulação. O trajeto “coração (ventrículo
esquerdo)    sistemas   corporais  
coração  (átrio   direito)”   é   denominado
circulação   sistêmica  ou  grande
circulação. 
Circulação pulmonar:
Ventrículo   direito    artéria
pulmonar  pulmões  veias pulmonares
 átrio esquerdo.
Circulação sistêmica:
Imagem: CD O CORPO HUMANO 2.0. Globo
Multimídia. Ventrículo esquerdo    artéria aorta
  sistemas   corporais    veias   cavas  
átrio direito. 

VASOS SANGÜÍNEOS
Os vasos sangüíneos são de três tipos básicos: artérias, veias e capilares.
a­ Artérias: são vasos de parede espessa que saem do coração levando sangue para os
órgãos   e   tecidos   do   corpo.   Compõem­se   de   três   camadas:   a   mais   interna,   chamada
endotélio, formada por uma única camada de células achatadas; a mediana, constituída por
tecido   muscular   liso;   a   mais   externa,   formada   por  tecido   conjuntivo,   rico   em   fibras
elásticas.
Quando o sangue é bombeado pelos ventrículos e penetra nas artérias, elas se relaxam
e   se   dilatam,   o   que   diminui   a   pressão   sangüínea,   Caso   as   artérias   não   se   relaxem   o
suficiente,  a  pressão do  sangue  em  seu  interior   sobe,   com  risco  de  ruptura  das  paredes
arteriais. Assim, a cada sístole ventricular é gerada uma onda de relaxamento que se propaga
pelas   artérias,   desde   o   coração   até   as   extremidades   das   arteríolas.   Durante   a   diástole
ventricular,   a   pressão   sangüínea   diminui.   Ocorre,   então,   contração   das   artérias,   o   que
mantém o sangue circulando até a próxima sístole.

142
Pressão   arterial:  é   a   pressão   exercida   pelo   sangue
contra a parede das artérias. Em um adulto com boa saúde, a
pressão   nas   artérias   durante   a   sístole   ventricular   –  pressão
sistólica ou máxima – é da ordem de 120 mmHg (milímetros
de mercúrio). Durante a diástole, a pressão diminui, ficando
em   torno   de  80   mmHg;   essa   é   a  pressão   diastólica  ou
mínima.   O   ciclo   de   expansão   e   relaxamento   arterial,
conhecido como pulsação, pode ser percebido facilmente na
artéria radial do pulso ou na artéria carótida do pescoço. A
pulsação   corresponde   às   variações   de   pressão   sangüínea   na
artéria durante os batimentos cardíacos. As pressões arteriais
máxima e mínima podem ser detectadas nas artérias do braço
e   medidas   com   um   aparelho   chamado   esfigmomanômetro,
representado abaixo e ao lado.
(a) A pressão na bolsa de ar maior
que   120   mmHg   interrompe   o   fluxo
sangüíneo   para   o   braço.   Com   o
estetoscópio, o examinador verifica que
não há passagem de sangue pela artéria.
(b) A pressão na bolsa de ar entre
80   e   120   mmHg   permite   o   fluxo   de
sangue   durante   a   sístole.   O   som   da
passagem   de   sangue   é   audível   no
estetoscópio. A pressão mostrada nesse
momento   é   a  pressão   máxima  ou
sistólica.
(c) A pressão na bolsa de ar menor
que 80 mmHg permite fluxo de sangue
durante a diástole; os sons são audíveis
no   estetoscópio.   Essa   é   a  pressão
mínima ou diastólica.

b­ Capilares sangüíneos: são vasos de pequeno calibre que ligam as extremidades
das arteríolas às extremidades das vênulas. A parede dos capilares possui uma única camada
de células, correspondente ao endotélio das artérias e veias.
Quando o sangue passa pelos capilares, parte do líquido que o constitui atravessa a
parede   capilar   e   espalha­se   entre   as   células   próximas,   nutrindo­as   e   oxigenando­as.   As
células, por sua vez, eliminam gás carbônico e outras excreções no líquido extravasado,
denominado líquido tissular. A maior parte do líquido tissular é reabsorvida pelos próprios
capilares e reincorporada ao sangue. Apenas 1% a 2% do líquido extravasado na porção
arterial do capilar não retorna à parte venosa, sendo coletado por um sistema paralelo ao
circulatório, o sistema linfático, quando passa a se chamar linfa e move­se lentamente pelos
vasos linfáticos, dotados de válvulas.

143
  Na
porção  arterial
do   capilar,   a
pressão   do
sangue   é
maior   que   a
pressão
osmótica   do
plasma ð saída
de   água
contendo
substâncias
dissolvidas.
  Na
porção   venosa
do   capilar,   a
pressão   do
sangue   é
reduzida,
tornando­se
menor   que   a
pressão
osmótica   do
plasma   ð
retorno   de
fluido   para   o
interior   do
capilar.
c­ Veias: são vasos que chegam ao coração, trazendo o sangue dos órgãos e tecidos. A
parede das veias, como a das artérias, também é formada por três camadas. A diferença,
porém,   é   que   a   camada   muscular   e   a   conjuntiva   são   menos   espessas   que   suas
correspondentes arteriais. Além disso, diferentemente das artérias, as veias de maior calibre
apresentam  válvulas  em   seu   interior,   que   impedem   o   refluxo   de   sangue   e   garante   sua
circulação em um único sentido.
Depois de passar pelas arteríolas e capilares, a pressão sangüínea diminui, atingindo
valores muito baixos no interior das veias. O retorno do sangue ao coração deve­se, em
grande parte, às contrações dos músculos esqueléticos, que comprimem as veias, fazendo
com que o sangue desloque­se em seu interior. Devido às válvulas, o sangue só pode seguir
rumo ao coração.

Hipertensão
O termo hipertensão significa pressão arterial alta. Caracteriza­se por uma pressão
sistólica superior a 14cm de mercúrio (14 cmHg = 140 mmHg) e uma pressão diastólica
superior a 9 cm de mercúrio (9 cmHg ou 90 mmHg). A hipertensão pode romper os vasos

144
sangüíneos cerebrais (causando acidente vascular cerebral ou derrame), renais (causando
insuficiência renal) ou de outros órgãos vitais, causando cegueira, surdez etc. Pode também
determinar uma sobrecarga excessiva sobre o coração, causando sua falência.
Causas da hipertensão: o conceito mais moderno e aceito de hipertensão defende que
a doença não tem uma origem única, mas é fruto da associação de vários fatores, alguns
deles incontroláveis: hereditariedade, raça, sexo e idade. As causas se combinam, exercendo
ação recíproca e sinérgica.  Veja na tabela a seguir o “peso” de cada um desses ingredientes:
Etnia ou raça:Por motivos também de ordem
Genética: fatores genéticos podem predispor à
genética talvez, a hipertensão incida mais e de
hipertensão.
forma mais severa sobre negros.

Sexo:Os homens têm mais propensão à


pressão alta do que as mulheres antes da Idade:A maioria dos estudos mostra que a
menopausa. Depois empatam ou pode haver hipertensão afeta 50% da população com idade
até ligeira predominância feminina. Os acima de 60 anos. Isso depende do grupo
especialistas estão cada vez mais convencidos étnico e do sexo. O mais comum nesses casos
de que a reposição hormonal de estrógenos é a elevação da pressão máxima, sem que
após a menopausa pode prevenir a ocorra o aumento da mínima, que é decorrente
hipertensão, como faz com outras doenças do enrijecimento das artérias.
cardiovasculares e com a osteoporose.

Como fatores genéticos, podemos citar:
 alta   concentração   de   cálcio   na   membrana   das   células   (defeito
primário):   aumenta   a   contração   da   musculatura   lisa   das   artérias,   fazendo­as   se
fecharem, o que diminui a passagem de sangue, resultando na hipertensão essencial
ou primária (fator genético; 
 aumento da concentração de sódio nas paredes das artérias, fazendo­as
se fecharem cada vez mais (fator genético); 
Além dos fatores incontroláveis, descritos anteriormente, obesidade, excesso de sal,
álcool, fumo, vida sedentária, estresse e taxas elevadas de colesterol (LDL) são fatores que
favorecem a elevação da pressão arterial.
O uso de anticoncepcionais orais (pílulas anticoncepcionais) também é um fator que
predispõe mais as mulheres à hipertensão.
O cigarro e níveis elevados de colesterol (LDL) também estão entre os elementos de
risco: cerca de 70% do colesterol existente no homem é produzido pelo próprio organismo,
no fígado. O restante provém da alimentação, dos produtos de origem animal. Por isso, o
distúrbio   pode   ter   origem   externa,   resultante   principalmente   de   dietas   erradas   e   vida
sedentária,   ou   interna,   de   causa   genética.   A   conseqüência   direta   é   a   aterosclerose,   que
dificulta ou, às vezes, impede o fluxo sangüíneo na região.
O   uso   abusivo   de   descongestionantes   nasais   e   medicamento   em   spray   para   asma
também aumentam as chances de hipertensão.
Pessoas   diabéticas   têm   tendência   a   desenvolver   hipertensão   e   outras   doenças   que
atingem o coração.
Prevenção:

145
 dieta   hipossódica   (com   pouco   sal)   e   hipocalórica   (sem
excesso de calorias); 
 redução de peso; 
 prática de exercícios físicos aeróbicos (de baixa intensidade e
longa duração) ou isotônicos (com grande movimentação dos
membros).   Sedentários   devem   procurar   um   cardiologista
antes de iniciar qualquer tipo de exercício; 
 dieta balanceada rica em vegetais e frutas frescas e pobre em
gorduras saturadas e colesterol; 
 medir periodicamente (a cada seis meses) a pressão arterial e
tratar o diabetes (quando for o caso); 
 eliminar   ou   reduzir   o   fumo   e,   nos   casos   de   mulheres
hipertensas, eliminar o uso de contraceptivos orais (são uma
bomba para o coração quando associados ao cigarro); 
 reduzir a ingestão de bebidas alcoólicas; 

 consultar o médico regularmente 

O SISTEMA DIGESTÓRIO
O sistema digestório humano é formado por um longo tubo musculoso, ao qual estão
associados órgãos e glândulas que participam da digestão. Apresenta as seguintes regiões;
boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso e ânus.

146
A parede do tubo digestivo, do esôfago ao intestino, é formada por quatro camadas:
mucosa, submucosa, muscular e adventícia.

BOCA 
A abertura pela qual o alimento entra no tubo digestivo é a boca. Aí encontram­se os
dentes e a língua, que preparam o alimento para a digestão, por meio da mastigação. Os
dentes   reduzem   os   alimentos   em   pequenos   pedaços,   misturando­os   à   saliva,   o   que   irá
facilitar a futura ação das enzimas.

Características dos dentes

Imagem: http://www.webciencia.com/11_06dente.htm

147
Os dentes são estruturas duras, calcificadas, presas ao maxilar superior e mandíbula,
cuja atividade principal é a mastigação. Estão implicados, de forma direta, na articulação
das linguagens.   Os nervos sensitivos e os vasos sanguíneos do centro de qualquer dente
estão protegidos por várias camadas de tecido. A mais externa, o  esmalte, é a substância
mais dura. Sob o esmalte, circulando a polpa, da coroa até a raiz, está situada uma camada
de substância óssea chamada dentina. A cavidade pulpar é ocupada pela polpa dental, um
tecido conjuntivo frouxo,   ricamente   vascularizado e  inervado.  Um   tecido duro chamado
cemento separa a raiz do ligamento peridental, que prende a raiz e liga o dente à gengiva e à
mandíbula, na estrutura e composição química assemelha­se ao osso; dispõe­se como uma
fina camada sobre as raízes dos dentes. Através de um orifício aberto na extremidade da
raiz, penetram vasos sanguíneos, nervos e tecido conjuntivo.

Tipos de dentes  
Em sua primeira dentição, o ser humano tem 20 peças que recebem o nome de dentes
de leite. À medida que os maxilares crescem, estes dentes são substituídos por outros 32 do
tipo   permanente.   As   coroas   dos   dentes   permanentes   são   de   três   tipos:   os   incisivos,   os
caninos ou presas e os molares. Os incisivos têm a forma de cinzel para facilitar o corte do
alimento. Atrás dele, há três peças dentais usadas para rasgar. A primeira tem uma única
cúspide pontiaguda. Em seguida, há dois dentes chamados pré­molares, cada um com duas
cúspides.   Atrás   ficam   os   molares,   que   têm   uma   superfície   de   mastigação   relativamente
plana, o que permite triturar e moer os alimentos.

Imagem: http://www.webciencia.com/11_06dente.htm

A língua

148
A  língua  movimenta   o alimento  empurrando­o em
direção a garganta, para que seja engolido. Na superfície
da   língua   existem   dezenas   de   papilas   gustativas,   cujas
células sensoriais percebem os quatro sabores primários:
amargo (A), azedo ou ácido (B), salgado (C) e doce (D).
De sua combinação resultam centenas de sabores distintos.
A distribuição dos quatro tipos de receptores gustativos, na
superfície da língua, não é homogênea.

As glândulas salivares
A   presença   de   alimento   na   boca,   assim   como   sua   visão   e   cheiro,   estimulam   as
glândulas salivares a secretar saliva, que contém a enzima amilase salivar ou ptialina, além
de  sais   e  outras   substâncias.   A   amilase   salivar   digere   o   amido   e   outros   polissacarídeos
(como o glicogênio), reduzindo­os em moléculas de maltose (dissacarídeo). Três pares de
glândulas   salivares   lançam   sua   secreção   na   cavidade   bucal:   parótida,   submandibular   e
sublingual:

 Glândula parótida ­ Com massa variando entre
14 e 28 g, é a maior das três; situa­se na parte
lateral da face, abaixo e adiante do pavilhão da
orelha. 
 Glândula   submandibular  ­   É   arredondada,
mais ou menos do tamanho de uma noz. 

 Glândula sublingual ­ É a menor das três; fica
abaixo da mucosa do assoalho da boca. 
Imagem:
www.webciencia.com/11_11glandula.htm

O sais da saliva neutralizam substâncias ácidas e mantêm, na boca, um pH neutro (7,0)
a levemente ácido (6,7), ideal para a ação da ptialina. O alimento, que se transforma em bolo
alimentar,  é empurrado pela língua para o fundo da faringe, sendo encaminhado para o
esôfago, impulsionado pelas ondas peristálticas (como mostra a figura do lado esquerdo),
levando entre 5 e 10 segundos para percorrer o esôfago. Através dos peristaltismo, você
pode ficar de cabeça para baixo e, mesmo assim, seu alimento chegará ao intestino. Entra
em ação um mecanismo para fechar a laringe, evitando que o alimento penetre nas vias
respiratórias.
Quando a cárdia (anel muscular, esfíncter) se relaxa, permite a passagem do alimento
para o interior do estômago.

149
FARINGE E ESÔFAGO

A faringe, situada no final da cavidade bucal, é
um   canal   comum   aos   sistemas   digestório   e
respiratório: por ela passam o alimento, que se dirige
ao esôfago, e o ar, que se dirige à laringe.
O esôfago, canal que liga a faringe ao estômago,
localiza­se   entre   os   pulmões,   atrás   do   coração,   e
atravessa o músculo diafragma, que separa o tórax do
abdômen. O bolo alimentar leva de 5 a 10 segundos
Imagem: CD O CORPO HUMANO 2.0.
para percorre­lo.
Globo Multimídia.

 ESTÔMAGO E SUCO GÁSTRICO
O   estômago   é   uma   bolsa   de   parede
musculosa, localizada no lado esquerdo abaixo do
abdome,   logo   abaixo   das   últimas   costelas.   É   um
órgão   muscular   que   liga   o   esôfago   ao   intestino
delgado.   Sua   função   principal   é   a   digestão   de
alimentos   protéicos.   Um   músculo   circular,   que
existe   na   parte   inferior,   permite   ao   estômago
guardar   quase   um   litro   e   meio   de   comida,
possibilitando   que   não   se   tenha   que   ingerir
alimento de pouco em pouco tempo. Quando está
Imagem:
www.webciencia.com/11_09estom.htm vazio,   tem   a   forma   de   uma   letra   "J"   maiúscula,
cujas duas partes se unem por ângulos agudos.
 
Segmento   superior:   é   o   mais   volumoso,   chamado   "porção   vertical".   Este
compreende, por sua vez, duas partes superpostas; a grande tuberosidade, no alto, e o corpo
do estômago, abaixo, que termina pela pequena tuberosidade.
Segmento inferior: é denominado "porção horizontal", está separado do duodeno pelo
piloro, que é um esfíncter. A borda direita, côncava, é chamada pequena curvatura; a borda
esquerda, convexa, é dita grande curvatura. O orifício esofagiano do estômago é o cárdia.
As  túnicas   do   estômago:   o   estômago   compõe­se   de   quatro   túnicas;   serosa   (o
peritônio), muscular (muito desenvolvida), submucosa (tecido conjuntivo) e mucosa (que
secreta o suco gástrico). Quando está cheio de alimento, o estômago torna­se ovóide ou
arredondado.   O   estômago   tem   movimentos   peristálticos   que   asseguram   sua
homogeneização.
O estômago produz o suco gástrico, um líquido claro, transparente, altamente ácido,
que contêm ácido clorídrico, muco, enzimas e sais. O  ácido clorídrico mantém o pH do
interior do estômago entre 0,9 e 2,0. Também dissolve o cimento intercelular dos tecidos
dos alimentos, auxiliando a fragmentação mecânica iniciada pela mastigação.

150
A   pepsina,   enzima   mais   potente   do   suco   gástrico,   é   secretada   na   forma   de
pepsinogênio. Como este é inativo, não digere as células que o produzem. Por ação do ácido
cloródrico, o pepsinogênio, ao ser lançado na luz do estômago, transforma­se em pepsina,
enzima que catalisa a digestão de proteínas. 

A   pepsina,   ao   catalizar   a   hidrólise   de


proteínas,   promove   o   rompimento   das
ligações peptídicas que unem os aminoácidos.
Como   nem   todas   as   ligações   peptídicas   são
acessíveis   à   pepsina,   muitas   permanecem
intactas.   Portanto,   o   resultado   do   trabalho
dessa   enzima   são   oligopeptídeos   e
aminoácidos livres.
 A   renina,   enzima   que   age   sobre   a
caseína,   uma   das   proteínas   do   leite,   é
produzida   pela   mucosa   gástrica   durante   os
primeiros   meses   de   vida.   Seu   papel   é   o   de
flocular a caseína, facilitando a ação de outras
Imagem: CD O CORPO HUMANO 2.0. Globo enzimas proteolíticas.
Multimídia.

A mucosa gástrica é recoberta por uma camada de muco, que a protege da agressão do
suco gástrico, bastante corrosivo. Apesar de estarem protegidas por essa densa camada de
muco, as células da mucosa estomacal são continuamente lesadas e mortas pela ação do
suco   gástrico.   Por   isso,   a   mucosa   está   sempre   sendo   regenerada.   Estima­se   que   nossa
superfície estomacal seja totalmente reconstituída a cada três dias. Eventualmente ocorre
desequilíbrio entre o ataque e a proteção, o que resulta em inflamação difusa da mucosa
(gastrite) ou mesmo no aparecimento de feridas dolorosas que sangram (úlceras gástricas).
A   mucosa   gástrica   produz   também   o   fator   intrínseco,   necessário   à   absorção   da
vitamina B12.
O bolo alimentar pode permanecer no estômago por até quatro horas ou mais e, ao se
misturar ao suco gástrico, auxiliado pelas contrações da musculatura estomacal, transforma­
se em uma massa cremosa acidificada e semilíquida, o quimo.
Passando   por   um   esfíncter   muscular   (o   piloro),   o   quimo   vai   sendo,   aos   poucos,
liberado no intestino delgado, onde ocorre a maior parte da digestão.

INTESTINO DELGADO
O intestino delgado é um tubo com pouco mais de 6 m de comprimento por 4cm de
diâmetro e pode ser dividido em três regiões: duodeno (cerca de 25 cm), jejuno (cerca de 5
m)   e  íleo  (cerca   de   1,5   cm).
A porção superior ou duodeno tem a forma de ferradura e compreende o piloro, esfíncter
muscular da parte inferior do estômago pela qual este esvazia seu conteúdo no intestino.

151
A digestão do quimo ocorre predominantemente no duodeno e nas primeiras porções
do   jejuno.   No   duodeno   atua   também   o   suco   pancreático,   produzido   pelo   pâncreas,   que
contêm diversas enzimas digestivas. Outra secreção que atua no duodeno é a bile, produzida
no fígado e armazenada na vesícula biliar. O pH da bile oscila entre 8,0 e 8,5. Os sais
biliares têm  ação detergente,  emulsificando ou emulsionando as  gorduras (fragmentando
suas gotas em milhares de microgotículas).
O   suco   pancreático,   produzido   pelo
pâncreas,   contém   água,   enzimas   e   grandes
quantidades de bicarbonato de sódio. O pH do
suco   pancreático   oscila   entre   8,5   e   9.   Sua
secreção digestiva é responsável pela hidrólise
da maioria das moléculas de alimento, como
carboidratos,   proteínas,   gorduras   e   ácidos
nucléicos. 
A   amilase   pancreática   fragmenta   o
amido   em   moléculas   de   maltose;   a   lípase
pancreática hidrolisa as moléculas de um tipo
de   gordura   –   os   triacilgliceróis,   originando
Imagem: CD O CORPO HUMANO 2.0. Globo
Multimídia. glicerol e álcool; as nucleases atuam sobre os
ácidos nucléicos, separando seus nucleotídeos.
O   suco   pancreático   contém   ainda   o   tripsinogênio  e   o  quimiotripsinogênio,   formas
inativas em que são secretadas as enzimas proteolíticas  tripsina e quimiotripsina. Sendo
produzidas na forma inativa, as proteases não digerem suas células secretoras. Na luz do
duodeno,  o tripsinogênio entra em  contato com  a enteroquinase, enzima secretada  pelas
células da mucosa intestinal, convertendo­se me tripsina, que por sua vez contribui para a
conversão do precursor inativo quimiotripsinogênio em quimiotripsina, enzima ativa.

A   tripsina   e   a   quimiotripsina   hidrolisam   polipeptídios,   transformando­os   em


oligopeptídeos.   A   pepsina,   a   tripsina   e   a   quimiotripsina   rompem   ligações   peptídicas
específicas ao longo das cadeias de aminoácidos.
A mucosa do intestino delgado secreta o suco entérico, solução rica em enzimas e de
pH aproximadamente neutro. Uma dessas enzimas é a enteroquinase. Outras enzimas são as
dissacaridades,   que   hidrolisam   dissacarídeos   em   monossacarídeos   (sacarase,   lactase,
maltase).   No   suco   entérico   há   enzimas   que   dão   seqüência   à   hidrólise   das   proteínas:   os
oligopeptídeos sofrem ação das peptidases, resultando em aminoácidos.
Suco digestivo Enzima pH ótimo Substrato Produtos

Saliva Ptialina neutro polissacarídeos maltose

152
Suco gástrico Pepsina ácido proteínas oligopeptídeos

Quimiotripsina alcalino proteínas peptídeos


Tripsina alcalino proteínas peptídeos
Amilopepsina alcalino polissacarídeos maltose
Suco pancreático
Rnase alcalino RNA ribonucleotídeos
Dnase alcalino DNA desoxirribonucleotídeos
Lipase alcalino lipídeos glicerol e ácidos graxos

Carboxipeptidase alcalino oligopeptídeos aminoácidos


Aminopeptidase alcalino oligopeptídeos aminoácidos
Suco intestinal ou Dipeptidase alcalino dipeptídeos aminoácidos
entérico Maltase alcalino maltose glicose
Sacarase alcalino sacarose glicose e frutose
Lactase alcalino lactose glicose e galactose

No   intestino,   as   contrações   rítmicas   e   os   movimentos   peristálticos   das   paredes


musculares,   movimentam   o   quimo,   ao   mesmo   tempo   em   que   este   é   atacado   pela   bile,
enzimas e outras secreções, sendo transformado em quilo.
A   absorção   dos   nutrientes   ocorre   através   de   mecanismos   ativos   ou   passivos,   nas
regiões do jejuno e do íleo. A superfície interna, ou mucosa, dessas regiões, apresenta, além
de inúmeros dobramentos maiores, milhões de pequenas dobras (4 a 5 milhões), chamadas
vilosidades; um traçado que aumenta a superfície de absorção intestinal. As membranas das
próprias   células   do  epitélio  intestinal   apresentam,   por   sua   vez,   dobrinhas   microscópicas
denominadas microvilosidades. O intestino delgado também absorve a  água ingerida, os
íons e as vitaminas.

Imagem: www.webciencia.com/11_13intes.htm

Os nutrientes absorvidos pelos vasos sanguíneos do intestino passam ao fígado para
serem   distribuídos   pelo   resto   do   organismo.   Os   produtos   da   digestão   de   gorduras
(principalmente glicerol e ácidos graxos isolados) chegam ao sangue sem passar pelo fígado,
como   ocorre   com   outros   nutrientes.   Nas   células   da   mucosa,   essas   substâncias   são
reagrupadas em triacilgliceróis (triglicerídeos) e envelopadas por uma camada de proteínas,
formando os quilomícrons, transferidos para os vasos linfáticos e, em seguida, para os vasos
sangüíneos, onde alcançam as células gordurosas (adipócitos), sendo, então, armazenados.

153
INTESTINO GROSSO
É o local de absorção de água, tanto a ingerida quanto a das secreções digestivas. Uma
pessoa bebe cerca de 1,5 litros de líquidos por dia, que se une a 8 ou 9 litros de água das
secreções. Glândulas da mucosa do intestino grosso secretam muco, que lubrifica as fezes,
facilitando seu trânsito e eliminação pelo ânus. 

Imagem: www.webciencia.com/11_14intest.htm

Mede cerca de 1,5 m de comprimento e divide­se em ceco, cólon ascendente, cólon
transverso, cólon descendente, cólon sigmóide e reto. A saída do reto chama­se ânus e é
fechada por um músculo que o rodeia, o esfíncter anal.
Numerosas bactérias vivem em mutualismo no intestino grosso. Seu trabalho consiste
em   dissolver   os   restos   alimentícios   não   assimiláveis,   reforçar   o   movimento   intestinal   e
proteger o organismo contra bactérias estranhas, geradoras de enfermidades.
As   fibras   vegetais,   principalmente   a   celulose,   não   são   digeridas   nem   absorvidas,
contribuindo com porcentagem significativa da massa fecal. Como retêm água, sua presença
torna as fezes macias e fáceis de serem eliminadas.
O intestino grosso não possui vilosidades nem secreta sucos digestivos, normalmente
só absorve água, em quantidade bastante consideráveis. Como o intestino grosso absorve
muita água, o conteúdo intestinal se condensa até formar detritos inúteis, que são evacuados.

GLÂNDULAS ANEXAS
 Pâncreas

O   pâncreas   é   uma   glândula


mista, de mais ou menos 15 cm de
comprimento   e   de   formato
triangular,   localizada
transversalmente   sobre   a   parede
posterior   do   abdome,   na   alça
formada   pelo   duodeno,   sob   o
estômago.   O   pâncreas   é   formado
por uma cabeça que se encaixa no
quadro duodenal, de um corpo e de
uma   cauda   afilada.   A   secreção
Imagem: www.webciencia.com/11_17pancreas.htm
externa   dele   é   dirigida   para   o

154
duodeno pelos canais de Wirsung e
de   Santorini.   O   canal   de   Wirsung
desemboca   ao   lado   do   canal
colédoco   na   ampola   de   Vater.   O
pâncreas   comporta   dois   órgãos
estreitamente imbricados: pâncreas
exócrino e o endócrino.
O pâncreas exócrino produz enzimas digestivas, em estruturas reunidas denominadas
ácinos.   Os   ácinos   pancreáticos   estão   ligados   através   de   finos   condutos,   por   onde   sua
secreção é levada até um condutor maior, que desemboca no duodeno, durante a digestão.
O pâncreas endócrino secreta os hormônios insulina e glucagon, já trabalhados no
sistema endócrino.

Fígado

É o maior órgão interno, e é ainda
um   dos   mais   importantes.   É   a   mais
volumosa de todas as vísceras, pesa cerca
de 1,5 kg no homem adulto, e na mulher
adulta   entre   1,2   e   1,4   kg.   Tem   cor
arroxeada, superfície lisa e recoberta por
uma   cápsula   própria.   Está   situado   no
quadrante   superior   direito   da   cavidade
Imagem: CD O CORPO HUMANO 2.0. Globo abdominal.
Multimídia.

O  tecido  hepático é  constituído  por  formações  diminutas  que  recebem  o nome  de


lobos,   compostos   por   colunas   de   células   hepáticas   ou   hepatócitos,   rodeadas   por   canais
diminutos (canalículos), pelos quais passa a bile, secretada pelos hepatócitos. Estes canais se
unem para formar o ducto hepático que, junto com o ducto procedente da vesícula biliar,
forma o ducto comum da bile, que descarrega seu conteúdo no duodeno.
As células hepáticas ajudam o sangue a assimilar as substâncias nutritivas e a excretar
os materiais residuais e as toxinas, bem como esteróides, estrógenos e outros hormônios. O
fígado é um órgão muito versátil. Armazena glicogênio, ferro, cobre e vitaminas. Produz
carboidratos a partir de lipídios ou de proteínas, e lipídios a partir de carboidratos ou de
proteínas.   Sintetiza   também   o   colesterol   e   purifica   muitos   fármacos   e   muitas   outras
substâncias. O termo hepatite é usado para definir qualquer inflamação no fígado, como a
cirrose.
Funções do fígado:
 Secretar a bile, líquido que atua no emulsionamento das gorduras ingeridas, facilitando,
assim, a ação da lipase; 
 Remover   moléculas   de   glicose   no   sangue,   reunindo­as   quimicamente   para   formar
glicogênio,   que   é   armazenado;   nos   momentos   de   necessidade,   o   glicogênio   é
reconvertido em moléculas de glicose, que são relançadas na circulação;  
 Armazenar ferro e certas vitaminas em suas células; 

155
 Metabolizar lipídeos; 
 Sintetizar   diversas   proteínas   presentes   no   sangue,   de   fatores   imunológicos   e   de
coagulação e de substâncias transportadoras de oxigênio e gorduras; 
 Degradar   álcool   e   outras   substâncias   tóxicas,   auxiliando   na   desintoxicação   do
organismo; 
 Destruir   hemácias   (glóbulos   vermelhos)   velhas   ou   anormais,   transformando   sua
hemoglobina em bilirrubina, o pigmento castanho­esverdeado presente na bile. 

CONTROLE DA ATIVIDADE DIGESTIVA


A presença de alimento na boca, a simples visão, pensamento ou o cheiro do alimento,
estimulam a produção de saliva.
Enquanto o alimento ainda está na boca, o sistema nervoso, por meio do nervo vago,
envia estímulos ao estômago, iniciando a liberação de suco gástrico. Quando o alimento
chega ao estômago, este começa a secretar  gastrina (1), hormônio produzido pela própria
mucosa gástrica e que estimula a produção do suco gástrico. Aproximadamente 30% da
produção   do   suco  gástrico  é   mediada   pelo  sistema   nervoso,   enquanto  os   70%   restantes
dependem do estímulo da gastrina.
Com   a   passagem   do   alimento   para   o   duodeno,   a   mucosa   duodenal   secreta   outro
hormônio, a  secretina (2), que estimula o pâncreas a produzir suco pancreático e liberar
bicarbonato.
Ao mesmo tempo, a mucosa duodenal produz  colecistocinina  (ou CCK)  (3), que é
estimulada principalmente pela presença de gorduras no quimo e provoca a secreção do suco
pancreático e contração da vesícula biliar (4), que lança a bile no duodeno.
Em resposta ainda ao quimo rico em gordura, o duodeno secreta enterogastrona (5),
que   inibe   os   movimentos   de   esvaziamento   do   estômago,   a   produção   de   gastrina   e,
indiretamente, de suco gástrico.

156
Imagem: AVANCINI & FAVARETTO. Biologia – Uma abordagem evolutiva e ecológica. Vol. 2. São Paulo,
Ed. Moderna, 1997.

Local de
Hormônio Órgão-alvo Função
produção
Estimula a produção de
Gastrina estômago estômago
suco gástrico.

Estimula a liberação de
Secretina intestino delgado pâncreas
bicarbonato.

Estimula a liberação da
pâncreas e vesícula bile pela vesícula biliar
Colecistocinina intestino delgado
biliar e a liberação de
enzimas pancreáticas.

Inibe o peristaltismo
Enterogastrona intestino delgado estômago estomacal e a produção
de gastrina.

CONTROLE DA GORDURA CORPORAL


Quando o valor calórico dos alimentos ingeridos em um determinado tempo supera o
total da energia consumida no mesmo período, os alimentos excedentes são convertidos em
gorduras corporais. Essa conversão acontece mais facilmente quando ingerimos gorduras do
que quando ingerimos proteínas ou carboidratos.

157
Enquanto houver glicose disponível, ela será usada, e o metabolismo das gorduras será
interrompido. O estoque de glicose é representado pelo glicogênio, armazenado no fígado e
nos músculos. Em um adulto em jejum, o estoque de glicogênio esgota­se dentro de 12 a 24
horas. A seguir, são consumidas as reservas de gordura e, se necessário, as de proteína,
posteriormente. As células podem usar até 50% de suas proteínas como fonte de energia,
antes que ocorra morte celular.

SISTEMA NERVOSO
 O sistema nervoso,   juntamente com o  sistema endócrino, capacitam o organismo a
perceber as variações do meio (interno e externo), a difundir as modificações que essas
variações produzem e a executar as respostas adequadas para que seja mantido o equilíbrio
interno do corpo (homeostase). São os sistemas envolvidos na coordenação e regulação das
funções corporais. 
No   sistema   nervoso   diferenciam­se   duas   linhagens   celulares:   os  neurônios  e   as
células da glia (ou da neuróglia
   ). Os neurônios são as células responsáveis pela recepção e
transmissão   dos   estímulos   do   meio   (interno   e   externo),   possibilitando   ao   organismo   a
execução de respostas adequadas para a manutenção da homeostase. Para exercerem tais
funções,   contam   com   duas   propriedades   fundamentais:   a  irritabilidade  (também
denominada   excitabilidade   ou   responsividade)   e   a  condutibilidade.   Irritabilidade   é   a
capacidade que permite a uma célula responder a estímulos, sejam eles internos ou externos.
Portanto, irritabilidade não é uma resposta, mas a propriedade que torna a célula apta a
responder. Essa propriedade é inerente aos vários tipos celulares do organismo. No entanto,
as respostas emitidas pelos tipos celulares distintos também diferem umas das outras. A
resposta emitida pelos neurônios assemelha­se a uma corrente elétrica transmitida ao longo
de um fio condutor: uma vez excitados pelos estímulos, os neurônios transmitem essa onda
de excitação ­ chamada de impulso nervoso ­ por toda a sua extensão em grande velocidade
e em um curto espaço de tempo. Esse fenômeno deve­se à propriedade de condutibilidade.  
Para compreendermos melhor as funções de coordenação e regulação exercidas pelo
sistema nervoso, precisamos primeiro conhecer a estrutura básica de um neurônio e como a
mensagem nervosa é transmitida.  
Um neurônio é uma célula composta de um  corpo celular  (onde está o núcleo, o
citoplasma e o citoesqueleto), e de finos prolongamentos celulares denominados  neuritos,
que podem ser subdivididos em dendritos e axônios.   

158
Os  dendritos  são prolongamentos geralmente muito ramificados e que atuam como
receptores de estímulos, funcionando portanto, como "antenas" para o neurônio. Os axônios
são   prolongamentos   longos   que   atuam   como  condutores  dos   impulsos   nervosos.   Os
axônios  podem   se  ramificar   e  essas  ramificações   são  chamadas  de  colaterais.  Todos   os
axônios têm um início (cone de implantação), um meio (o axônio propriamente dito) e um
fim (terminal axonal ou botão terminal). O terminal axonal é o local onde o axônio entra
em   contato   com   outros   neurônios   e/ou   outras   células   e   passa   a   informação   (impulso
nervoso) para eles. A região de passagem do impulso nervoso de um neurônio para a célula
adjacente chama­se sinapse. Às vezes os axônios têm muitas ramificações em suas regiões
terminais e cada ramificação forma uma sinapse com outros dendritos ou corpos celulares.
Estas ramificações são chamadas coletivamente de arborização terminal. 
Os corpos celulares dos neurônios são geralmente encontrados em áreas restritas do
sistema   nervoso,   que   formam   o  Sistema   Nervoso   Central  (SNC),   ou   nos  gânglios
nervosos, localizados próximo da coluna vertebral. 
Do sistema nervoso central partem os prolongamentos dos neurônios, formando feixes
chamados nervos, que constituem o Sistema Nervoso Periférico (SNP). 
O axônio está envolvido por um dos tipos celulares seguintes:  célula de Schwann
(encontrada apenas no SNP)  ou  oligodendrócito  (encontrado apenas no SNC) Em muitos
axônios, esses tipos celulares determinam a formação da  bainha de mielina  ­ invólucro
principalmente lipídico (também possui como constituinte a chamada proteína básica da
mielina) que atua como isolante térmico e facilita a transmissão do impulso nervoso. Em
axônios   mielinizados   existem   regiões   de   descontinuidade   da   bainha   de   mielina,   que
acarretam   a   existência   de   uma   constrição   (estrangulamento)   denominada  nódulo   de
Ranvier. No caso dos axônios mielinizados envolvidos pelas células de Schwann, a parte
celular da bainha de mielina, onde estão o citoplasma e o núcleo desta célula, constitui o
chamado neurilema.

159
O impulso nervoso 

A   membrana   plasmática   do   neurônio


transporta   alguns   íons   ativamente,   do   líquido
extracelular   para   o   interior   da   fibra,   e   outros,   do
interior,   de   volta   ao   líquido   extracelular.   Assim
funciona   a  bomba   de   sódio   e   potássio,   que
bombeia ativamente o sódio para fora, enquanto o
potássio é bombeado ativamente para dentro.Porém
esse bombeamento não é eqüitativo: para cada três
íons sódio bombeados para o líquido extracelular,
apenas   dois   íons   potássio   são   bombeados   para   o
líquido intracelular.

O Sistema Nervoso
O  SNC  recebe,   analisa   e   integra   informações.   É   o   local   onde   ocorre   a   tomada   de
decisões   e   o   envio  de   ordens.   O  SNP  carrega   informações   dos   órgãos   sensoriais   para   o
sistema nervoso central e do sistema nervoso central para os  órgãos efetores (músculos e
glândulas).  

O Sistema Nervoso Central
O  SNC  divide­se   em   encéfalo   e   medula.   O   encéfalo   corresponde   ao   telencéfalo
(hemisférios cerebrais), diencéfalo (tálamo e hipotálamo), cerebelo, e tronco cefálico, que se
divide   em:   BULBO,   situado   caudalmente;   MESENCÉFALO,   situado   cranialmente;   e

160
PONTE, situada entre ambos.

No SNC, existem as chamadas substâncias cinzenta e branca. A substância cinzenta é
formada pelos corpos dos neurônios e a branca, por seus prolongamentos. Com exceção do
bulbo e da medula, a substância cinzenta ocorre mais externamente e a substância branca,
mais internamente.
Os   órgãos   do  SNC  são   protegidos   por   estruturas   esqueléticas   (caixa   craniana,
protegendo o  encéfalo; e  coluna vertebral, protegendo a  medula  ­ também denominada
raque) e por membranas denominadas meninges, situadas sob a proteção esquelética: dura­
máter  (a   externa),  aracnóide  (a   do   meio)   e  pia­máter  (a   interna).   Entre   as   meninges
aracnóide   e   pia­máter   há   um   espaço   preenchido   por   um   líquido   denominado  líquido
cefalorraquidiano ou líquor.

161
O TELENCÉFALO 
O encéfalo humano contém cerca de 35 bilhões de neurônios e pesa aproximadamente
1,4   kg.   O   telencéfalo   ou   cérebro   é   dividido   em   dois   hemisférios   cerebrais   bastante
desenvolvidos. Nestes, situam­se as sedes da memória e dos nervos sensitivos e motores.
Entre os hemisférios, estão os VENTRÍCULOS CEREBRAIS (ventrículos laterais e terceiro
ventrículo); contamos ainda com um quarto ventrículo, localizado mais abaixo, ao nível do
tronco   encefálico.   São   reservatórios   do   LÍQUIDO   CÉFALO­RAQUIDIANO,   (LÍQÜOR),
participando na nutrição, proteção e excreção do sistema nervoso. 
Em seu desenvolvimento, o córtex ganha diversos sulcos para permitir que o cérebro
esteja suficientemente compacto para caber na calota craniana, que não acompanha o seu
crescimento.   Por   isso,   no   cérebro   adulto,   apenas   1/3   de   sua   superfície   fica   "exposta",   o
restante permanece por entre os sulcos.

O córtex cerebral está dividido em mais de quarenta  áreas funcionalmente distintas,
sendo a maioria pertencente ao chamado  neocórtex.  

162
Imagem: McCRONE, JOHN. Como o cérebro funciona. Série Mais Ciência. São Paulo, Publifolha, 2002.

 
A   região   superficial   do   telencéfalo,   que   acomoda   bilhões   de   corpos   celulares   de
neurônios (substância cinzenta), constitui o córtex cerebral, formado a partir da fusão das
partes superficiais telencefálicas e diencefálicas. O córtex recobre um grande centro medular
branco, formado por fibras axonais (substância branca). Em  meio a este centro branco (nas
profundezas do telencéfalo), há agrupamentos de corpos celulares neuronais que formam os
núcleos   (gânglios)   da   base  ou  núcleos   (gânglios)   basais  ­   CAUDATO,   PUTAMEN,
GLOBO PÁLIDO e NÚCLEO SUBTALÂMICO, envolvidos em conjunto, no controle do
movimento. Parece que os gânglios da base participam também de um grande número de
circuitos paralelos, sendo apenas alguns  poucos  de função motora.  Outros  circuitos  estão

163
envolvidos em certos aspectos da memória e da função cognitiva.
 

O DIENCÉFALO (tálamo e hipotálamo)

 
Todas as mensagens sensoriais, com exceção das provenientes dos receptores do olfato,
passam   pelo  tálamo  antes   de  atingir   o  córtex   cerebral.   Esta   é   uma   região   de   substância
cinzenta   localizada   entre   o   tronco   encefálico   e   o   cérebro.   O   tálamo   atua   como   estação
retransmissora de impulsos nervosos para o córtex cerebral. Ele é responsável pela condução
dos impulsos às regiões apropriadas do cérebro onde eles devem ser processados. O tálamo
também está relacionado com alterações no comportamento emocional; que decorre, não só
da própria atividade, mas também de conexões com outras estruturas do sistema límbico (que
regula as emoções).

O  hipotálamo,   também   constituído   por   substância   cinzenta,   é   o   principal   centro


integrador das atividades dos  órgãos viscerais, sendo um dos principais responsáveis pela
homeostase corporal. Ele faz ligação entre o sistema nervoso e o sistema endócrino, atuando
na ativação de diversas glândulas endócrinas.  É o hipotálamo que controla a temperatura
corporal, regula o apetite e o balanço de água no corpo, o sono e está envolvido na emoção e
no comportamento sexual. Tem amplas conexões com as demais áreas do prosencéfalo e com
o   mesencéfalo.   Aceita­se   que   o   hipotálamo   desempenha,   ainda,   um   papel   nas   emoções.
Especificamente, as partes laterais parecem envolvidas com o prazer e a raiva, enquanto que a
porção mediana parece mais ligada à aversão, ao desprazer e à tendência ao riso (gargalhada)
incontrolável. De um modo geral, contudo, a participação do hipotálamo é menor na gênese
(“criação”) do que na expressão (manifestações sintomáticas) dos estados emocionais.

O TRONCO ENCEFÁLICO 
O tronco encefálico interpõe­se entre a medula e o diencéfalo, situando­se ventralmente
ao   cerebelo.   Possui   três   funções   gerais;   (1)   recebe   informações   sensitivas   de   estruturas
cranianas e controla os músculos da cabeça; (2) contém circuitos nervosos que transmitem
informações da medula espinhal até outras regiões encefálicas e, em  direção contrária, do
encéfalo para a medula espinhal (lado esquerdo do cérebro controla os movimentos do lado

164
direito do corpo; lado direito de cérebro controla os movimentos do lado esquerdo do corpo);
(3) regula a atenção, função esta que é mediada pela formação reticular (agregação mais ou
menos difusa de neurônios de tamanhos e tipos diferentes, separados por uma rede de fibras
nervosas que ocupa a parte central do tronco encefálico). Além destas 3 funções gerais, as
várias divisões do tronco encefálico desempenham funções motoras e sensitivas específicas.

 Na constituição do tronco encefálico entram corpos de neurônios que se agrupam em
núcleos   e  fibras   nervosas,   que,   por   sua   vez,   se   agrupam   em   feixes   denominados   tractos,
fascículos ou lemniscos. Estes elementos da estrutura interna do tronco encefálico podem
estar relacionados com relevos ou depressões de sua superfície. Muitos dos núcleos do tronco
encefálico   recebem   ou   emitem   fibras   nervosas   que   entram   na   constituição   dos   nervos
cranianos. Dos 12 pares de nervos cranianos, 10 fazem conexão no tronco encefálico.

165
Imagem: ATLAS INTERATIVO DE ANATOMIA HUMANA. Artmed Editora.

O CEREBELO
Situado atrás do cérebro está o cerebelo, que é primariamente um centro para o controle
dos movimentos iniciados pelo córtex motor (possui extensivas conexões com o cérebro e a
medula espinhal). Como o cérebro, também está dividido em dois hemisférios. Porém, ao
contrário dos hemisférios cerebrais, o lado esquerdo do cerebelo está relacionado com os
movimentos do lado esquerdo do corpo, enquanto o lado direito, com os movimentos do lado
direito do corpo.
O   cerebelo   recebe   informações   do   córtex  motor   e   dos   gânglios   basais   de   todos   os
estímulos   enviados   aos   músculos.   A   partir   das   informações   do   córtex   motor   sobre   os
movimentos musculares que pretende executar e de informações proprioceptivas que recebe
diretamente do corpo (articulações, músculos, áreas de pressão do corpo, aparelho vestibular
e olhos), avalia o movimento realmente executado. Após a comparação entre desempenho e
aquilo que se teve em vista realizar, estímulos corretivos são enviados de volta ao córtex para
que o desempenho real seja igual ao pretendido. Dessa forma, o cerebelo relaciona­se  com os
ajustes dos movimentos, equilíbrio, postura e tônus muscular.

166
Algumas estruturas do encéfalo e suas funções

Córtex Cerebral
Funções:
 Pensamento 
 Movimento
voluntário 
 Linguagem 
 Julgamento 
 Percepção 
A palavra córtex vem do latim para "casca". Isto porque o
córtex   é   a   camada   mais   externa   do   cérebro.   A   espessura   do
córtex cerebral varia de 2 a 6 mm. O lado esquerdo e direito do
córtex   cerebral   são   ligados   por   um   feixe   grosso   de   fibras
nervosas chamado de corpo caloso. Os lobos são as principais
divisões físicas do córtex cerebral. O lobo frontal é responsável
pelo   planejamento   consciente   e   pelo   controle   motor.   O   lobo
temporal tem centros importantes de memória e audição. O lobo
parietal lida com os sentidos corporal e espacial. o lobo occipital
direciona a visão.

167
Cerebelo

Funções:
 Movimento 
 Equilíbrio 
 Postura 

 Tônus muscular 
A palavra cerebelo vem do latim para "pequeno cérebro”.
O   cerebelo   fica   localizado   ao   lado   do   tronco   encefálico.   É
parecido com o córtex cerebral em alguns aspectos: o cerebelo é
dividido   em   hemisférios   e   tem   um   córtex   que   recobre   estes
hemisférios.

O
Tronco Encefálico
Tronco
Funções:
 Respiração 
 Ritmo   dos   batimentos
cardíacos 
 Pressão Arterial 

Mesencéfalo 

Funções:
 Visão 
 Audição 
 Movimento dos Olhos  
 Movimento do corpo 
Encefálico é uma  área  do encéfalo que  fica  entre o
tálamo e a medula espinhal. Possui várias estruturas
como   o   bulbo,   o   mesencéfalo   e   a   ponte.   Algumas
destas   áreas   são   responsáveis   pelas   funções   básicas
para   a   manutenção   da   vida   como   a   respiração,   o
batimento cardíaco e a pressão arterial.
Bulbo: recebe informações de vários órgãos do
corpo, controlando as funções autônomas (a chamada
vida   vegetativa):   batimento   cardíaco,   respiração,
pressão   do   sangue,   reflexos   de   salivação,   tosse,
espirro e o ato de engolir.

168
Ponte: Participa de algumas atividades do bulbo,
interferindo no controle da respiração, além de ser um
centro   de   transmissão   de   impulsos   para   o   cerebelo.
Serve ainda de passagem para as fibras nervosas que
ligam o cérebro à medula.

 O   tálamo   recebe
informações   sensoriais   do
corpo   e   as   passa   para   o
Tálamo córtex   cerebral.   O   córtex
Funções: cerebral   envia   informações
motoras   para   o   tálamo   que
 Integração
Sensorial posteriormente   são
distribuídas   pelo   corpo.
 Integração Participa,  juntamente   com   o
Motora tronco encefálico, do sistema reticular, que é encarregado de
“filtrar” mensagens que se dirigem  às partes conscientes do
cérebro.

Sistema Límbico

Funções:
 Comportame
nto
Emocional
 Memória
 Aprendizado
 Emoções

 Vida
vegetativa
(digestão,
circulação,
excreção
etc.) O Sistema Límbico é um grupo de estruturas que inclui
hipotálamo,   tálamo,   amígdala,   hipocampo,   os   corpos
mamilares  e o giro  do  cíngulo.  Todas  estas  áreas  são muito
importantes para a emoção e reações emocionais. O hipocampo
também é importante para a memória e o aprendizado. 

169
A Medula Espinhal
Nossa medula espinhal tem a forma de um cordão com aproximadamente 40 cm de
comprimento. Ocupa o canal vertebral, desde a região do atlas ­ primeira vértebra ­ até o
nível   da   segunda   vértebra   lombar.   A   medula   funciona   como   centro   nervoso   de   atos
involuntários e, também, como veículo condutor de impulsos nervosos.
Da medula partem 31 pares de nervos raquidianos que se ramificam. Por meio dessa
rede de nervos, a medula se conecta com as várias partes do corpo, recebendo mensagens e
vários   pontos   e   enviando­as   para   o   cérebro   e   recebendo   mensagens   do   cérebro   e
transmitindo­as para as várias partes do corpo. A medula possui dois sistemas de neurônios:
o sistema descendente controla funções motoras dos músculos, regula funções como pressão
e temperatura e transporta sinais originados no cérebro até seu destino; o sistema ascendente
transporta sinais sensoriais das extremidades do corpo até a medula e de lá para o cérebro.  

Os corpos celulares dos neurônios se concentram no cerne da medula – na massa
cinzenta. Os axônios ascendentes e descendentes, na área adjacente – a massa branca. As
duas regiões também abrigam células da Glia. Dessa forma, na medula espinhal a massa
cinzenta localiza­se internamente e a massa branca, externamente (o contrário do que se
observa no encéfalo).

170
Durante   uma   fratura   ou   deslocamento   da   coluna,   as   vértebras   que   normalmente
protegem   a   medula   podem   matar   ou   danificar   as   células.   Teoricamente,   se   o   dano   for
confinado à massa cinzenta, os distúrbios musculares e sensoriais poderão estar apenas nos
tecidos que recebem e mandam sinais aos neurônios “residentes” no nível da fratura. Por
exemplo, se a massa cinzenta do segmento da medula onde os nervos rotulados C8 for
lesada, o paciente só sofrerá paralisia das mãos, sem perder a capacidade de andar ou o
controle sobre as funções intestinais e urinárias. Nesse caso, os axônios levando sinais para
“cima   e   para   baixo”   através   da   área   branca   adjacente   continuariam   trabalhando.   Em
comparação, se a área branca for lesada, o trânsito dos sinais será interrompido até o ponto
da fratura.
Infelizmente,   a   lesão   original   é   só   o   começo.   Os   danos   mecânicos   promovem
rompimento de pequenos vasos sangüíneos, impedindo a entrega de oxigênio e nutrientes
para   as   células   não   afetadas   diretamente,   que   acabam   morrendo;   as   células   lesadas
extravasam   componentes   citoplasmáticos   e   tóxicos,   que   afetam   células   vizinhas,   antes
intactas; células do sistema imunológico iniciam um quadro inflamatório no local da lesão;
células   da   Glia   proliferam   criando   grumos   e   uma   espécie   de   cicatriz,   que   impedem   os
axônios lesados de crescerem e reconectarem.
O vírus da poliomielite causa lesões na raiz ventral dos nervos espinhais, o que leva à
paralisia e atrofia dos músculos.

O Sistema Nervoso Periférico


O sistema nervoso periférico é formado por nervos encarregados de fazer as ligações
entre o sistema nervoso central e o corpo. NERVO é a reunião de várias fibras nervosas, que
podem ser formadas de axônios ou de dendritos.
As  fibras   nervosas,   formadas   pelos   prolongamentos   dos   neurônios   (dendritos   ou
axônios) e seus envoltórios, organizam­se em feixes. Cada feixe forma um nervo. Cada fibra
nervosa   é   envolvida   por   uma   camada   conjuntiva   denominada   endoneuro.   Cada   feixe   é
envolvido   por   uma   bainha   conjuntiva   denominada   perineuro.   Vários   feixes   agrupados

171
paralelamente formam um nervo. O nervo também é envolvido por uma bainha de tecido
conjuntivo chamada epineuro.  Em nosso corpo existe um número muito grande de nervos.
Seu conjunto forma a rede nervosa.

Os nervos que levam informações da periferia do corpo para o SNC são os  nervos
sensoriais (nervos  aferentes ou nervos  sensitivos), que são formados por prolongamentos
de neurônios sensoriais (centrípetos). Aqueles que transmitem impulsos do SNC para os
músculos ou glândulas são  nervos motores  ou  eferentes, feixe de axônios de neurônios
motores (centrífugos).
Existem ainda os nervos mistos, formados por axônios de neurônios sensoriais e por
neurônios motores.

 
Quando partem do encéfalo, os nervos são chamados de cranianos; quando partem da
medula espinhal denominam­se raquidianos.
Do encéfalo partem doze pares de  nervos cranianos. Três deles são exclusivamente
sensoriais, cinco são motores e os quatro restantes são mistos.
 

Nervo craniano
Função
I-OLFATÓRIO sensitiva Percepção do olfato.

II-ÓPTICO sensitiva Percepção visual.

172
Controle da movimentação do globo ocular, da
III-OCULOMOTOR motora
pupila e do cristalino.

IV-TROCLEAR motora Controle da movimentação do globo ocular.

Controle dos movimentos da mastigação


(ramo motor);
V-TRIGÊMEO mista
Percepções sensoriais da face, seios da face
e dentes (ramo sensorial).

VI-ABDUCENTE motora Controle da movimentação do globo ocular.

Controle dos músculos faciais – mímica facial


(ramo motor);
VII-FACIAL mista
Percepção gustativa no terço anterior da
língua (ramo sensorial).

Percepção postural originária do labirinto


VIII-VESTÍBULO- (ramo vestibular);
sensitiva
COCLEAR
Percepção auditiva (ramo coclear).

Percepção gustativa no terço posterior da


IX-
mista língua, percepções sensoriais da faringe,
GLOSSOFARÍNGEO
laringe e palato.

Percepções sensoriais da orelha, faringe,


X-VAGO mista laringe, tórax e vísceras. Inervação das
vísceras torácicas e abdominais.

Controle motor da faringe, laringe, palato, dos


XI-ACESSÓRIO motora
músculos esternoclidomastóideo e trapézio.

Controle dos músculos da faringe, da laringe e


XII-HIPOGLOSSO motora
da língua.

173
Imagem: AMABIS, José Mariano; MARTHO, Gilberto Rodrigues. Conceitos de Biologia. São Paulo, Ed.
Moderna, 2001. vol. 2.

 
Os   31   pares   de  nervos   raquidianos  que   saem   da   medula   relacionam­se   com   os
músculos esqueléticos. Eles se formam a partir de duas raízes que saem lateralmente da
medula: a raiz posterior ou dorsal, que é sensitiva, e a raiz anterior ou ventral, que é motora.
Essas raízes se unem logo após saírem da medula. Desse modo, os nervos raquidianos são
todos mistos. Os corpos dos neurônios que formam as fibras sensitivas dos nervos sensitivos
situam­se próximo à medula, porém fora dela, reunindo­se em estruturas especiais chamadas
gânglios   espinhais.   Os   corpos   celulares   dos   neurônios   que   formam   as   fibras   motoras

174
localizam­se  na  medula.  De acordo com  as  regiões  da  coluna  vertebral,  os  31 pares  de
nervos raquidianos distribuem­se da seguinte forma:
 oito pares de nervos cervicais; 
 doze pares de nervos dorsais; 
 cinco pares de nervos lombares; 

 seis pares de nervos sagrados ou sacrais.

O conjunto de nervos cranianos e raquidianos forma o sistema nervoso periférico.
Com   base   na   sua   estrutura   e   função,   o   sistema   nervoso   periférico   pode   ainda
subdividir­se em duas partes: o sistema nervoso somático e o sistema nervoso autônomo
ou de vida vegetativa.
As ações voluntárias resultam da contração de músculos estriados esqueléticos, que
estão  sob  o  controle   do   sistema  nervoso   periférico  voluntário   ou   somático.   Já   as   ações
involuntárias   resultam   da   contração   das   musculaturas   lisa   e   cardíaca,   controladas   pelo
sistema nervoso periférico autônomo, também chamado involuntário ou visceral.
O  SNP Voluntário ou Somático  tem por função reagir a estímulos provenientes do
ambiente externo. Ele é constituído por fibras motoras que conduzem impulsos do sistema
nervoso central aos músculos esqueléticos. O corpo celular de uma fibra motora do SNP
voluntário fica localizado dentro do SNC e o axônio vai diretamente do encéfalo ou da
medula até o órgão que inerva.
O  SNP   Autônomo   ou   Visceral,   como   o   próprio   nome   diz,   funciona
independentemente de nossa vontade e tem por função regular o ambiente interno do corpo,
controlando a atividade dos sistemas digestório, cardiovascular, excretor e endócrino. Ele
contém fibras nervosas que conduzem impulsos do sistema nervoso central aos músculos
lisos das vísceras e à musculatura do coração. Um nervo motor do SNP autônomo difere de
um nervo motor do SNP voluntário pelo fato de conter dois tipos de neurônios, um neurônio

175
pré­ganglionar  e outro  pós­ganglionar. O corpo celular do neurônio pré­ganglionar fica
localizado  dentro  do  SNC   e  seu  axônio  vai   até   um   gânglio,   onde   o  impulso  nervoso  é
transmitido sinapticamente ao neurônio pós­ganglionar. O corpo celular do neurônio pós­
ganglionar fica no interior do gânglio nervoso e seu axônio conduz o estímulo nervoso até o
órgão efetuador, que pode ser um músculo liso ou cardíaco.
O sistema nervoso autônomo compõe­se de três partes:

 Dois ramos nervosos situados ao lado da coluna vertebral. Esses ramos são formados
por pequenas dilatações denominadas gânglios, num total de 23 pares. 
 Um conjunto de nervos que liga os gânglios nervosos aos diversos órgãos de nutrição,
como o estômago, o coração e os pulmões. 
 Um conjunto de nervos comunicantes que ligam os gânglios aos nervos raquidianos,
fazendo com que os sistema autônomo não seja totalmente independente do sistema
nervoso cefalorraquidiano.   

Imagem: LOPES, SÔNIA. Bio 2.São Paulo, Ed. Saraiva, 2002.

O   sistema   nervoso   autônomo   divide­se   em  sistema   nervoso   simpático  e  sistema


nervoso   parassimpático.   De   modo   geral,   esses   dois   sistemas   têm   funções   contrárias
(antagônicas). Um corrige os excessos do outro. Por exemplo, se o sistema simpático acelera

176
demasiadamente as batidas do coração, o sistema parassimpático entra em ação, diminuindo
o ritmo cardíaco. Se o sistema simpático acelera o trabalho do estômago e dos intestinos, o
parassimpático entra em ação para diminuir as contrações desses órgãos.
O SNP autônomo simpático, de modo geral, estimula ações que mobilizam energia,
permitindo   ao   organismo   responder   a   situações   de   estresse.   Por   exemplo,   o   sistema
simpático é responsável pela aceleração dos batimentos cardíacos, pelo aumento da pressão
arterial,   da  concentração  de  açúcar   no  sangue   e   pela   ativação  do  metabolismo  geral   do
corpo.
Já   o   SNP   autônomo   parassimpático   estimula   principalmente   atividades   relaxantes,
como as reduções do ritmo cardíaco e da pressão arterial, entre outras.
Uma das principais diferenças entre os nervos simpáticos e parassimpáticos é que as
fibras pós­ganglionares dos dois sistemas normalmente secretam diferentes hormônios. O
hormônio secretado pelos neurônios pós­ganglionares do sistema nervoso parassimpático é
a acetilcolina, razão pela qual esses neurônios são chamados colinérgicos.
Os neurônios pós­ganglionares do sistema nervoso simpático secretam principalmente
noradrenalina, razão por que a maioria deles é chamada neurônios adrenérgicos. As fibras
adrenérgicas ligam o sistema nervoso central à glândula supra­renal, promovendo aumento
da secreção de adrenalina, hormônio que produz a resposta de "luta ou fuga" em situações
de stress.
A acetilcolina e a noradrenalina têm a capacidade de excitar alguns órgãos e inibir
outros, de maneira antagônica.
 

Efeito da estimulação Efeito da estimulação


Órgão
simpática parassimpática
Olho: pupila Dilatada Contraída
Músculo ciliar nenhum Excitado

Glândulas
vasoconstrição Estimulação de secreção
gastrointestinais

Glândulas sudoríparas sudação Nenhum

Coração: músculo
Atividade aumentada Diminuição da atividade
(miocárdio)
Vasodilatação Constrição
Coronárias

Vasos sanguíneos
sistêmicos: Constrição Nenhum
Abdominal Dilatação Nenhum
Músculo Constrição ou dilatação Nenhum
Pele

Pulmões: brônquios Dilatação Constrição


Vasos sangüíneos Constrição moderada Nenhum

Diminuição do tônus e da Aumento do tônus e do


Tubo digestivo: luz
peristalse peristaltismo
Esfíncteres
Aumento do tônus Diminuição do tônus

177
Fígado Liberação de glicose Nenhum

Diminuição da produção de
Rim Nenhum
urina

Bexiga: corpo Inibição Excitação


Esfíncter Excitação Inibição

Ato sexual masculino Ejaculação Ereção

Glicose sangüínea Aumento Nenhum

Metabolismo basal Aumento em até 50% Nenhum

Atividade mental Aumento Nenhum

Secreção da medula
Aumento Nenhum
supra-renal (adrenalina)

 
Em  geral,  quando os centros simpáticos cerebrais  se  tornam excitados, estimulam,
simultaneamente, quase todos os nervos simpáticos, preparando o corpo para a atividade.

Além do mecanismo da descarga em massa do sistema simpático, algumas condições
fisiológicas podem estimular partes localizadas desse sistema. Duas das condições são as
seguintes:
 Reflexos calóricos: o calor aplicado à pele determina um reflexo que passa através da
medula   espinhal   e   volta   a   ela,   dilatando   os   vasos   sangüíneos   cutâneos.   Também   o
aquecimento do sangue que passa através do centro de controle térmico do hipotálamo
aumenta o grau de vasodilatação superficial, sem alterar os vasos profundos. 
 Exercícios: durante o exercício físico, o metabolismo aumentado nos músculos tem um
efeito local de dilatação dos vasos sangüíneos musculares; porém, ao mesmo tempo, o
sistema simpático tem efeito vasoconstritor para a maioria das outras regiões do corpo.
A vasodilatação muscular permite que o sangue flua facilmente através dos músculos,

178
enquanto a vasoconstrição diminui o fluxo sangüíneo em todas as regiões do corpo,
exceto no coração e no cérebro. 

Nas junções neuro­musculares, tanto nos gânglios do SNPA simpático como nos do
parassimpático,   ocorrem   sinapses   químicas   entre   os   neurônios   pré­ganglionares   e   pós­
ganglionares.   Nos   dois   casos,   a   substância   neurotransmissora   é   a  acetilcolina.   Esse
mediador químico atua nas dobras da membrana, aumentando a sua permeabilidade aos íons
sódio, que passa para o interior da fibra, despolarizando essa área da membrana do músculo.
Essa despolarização local promove um potencial de ação que é conduzido em ambas as
direções ao longo da fibra, determinando uma contração muscular. Quase imediatamente
após   ter   a   acetilcolina   estimulado   a   fibra   muscular,   ela   é   destruída,   o   que   permite   a
despolarização da membrana. 
 
 

SISTEMA RESPIRATÓRIO
O  sistema  respiratório humano  é   constituído  por  um  par  de   pulmões   e  por  vários
órgãos que conduzem o ar para dentro e para fora das cavidades pulmonares. Esses órgãos
são as fossas nasais, a boca, a faringe, a laringe, a traquéia, os brônquios, os bronquíolos e
os alvéolos, os três últimos localizados nos pulmões.
Fossas   nasais:   são   duas   cavidades
paralelas   que   começam   nas   narinas   e
terminam na faringe. Elas são separadas uma
da   outra   por   uma   parede   cartilaginosa
denominada septo nasal. Em seu interior há
dobras chamada cornetos nasais, que forçam
o ar a turbilhonar. Possuem um revestimento
dotado   de   células   produtoras   de   muco   e
células   ciliadas,   também   presentes   nas
porções   inferiores   das   vias   aéreas,   como
traquéia,   brônquios   e   porção   inicial   dos
bronquíolos.   No   teto   das   fossas   nasais
existem células sensoriais, responsáveis pelo
sentido do olfato. Têm as funções de filtrar,
umedecer e aquecer o ar.
Faringe:   é   um   canal   comum   aos
sistemas digestório e respiratório e comunica­
se com a boca e com as fossas nasais. O ar
inspirado   pelas   narinas   ou   pela   boca   passa
necessariamente pela faringe, antes de atingir
a laringe.

179
Laringe:   é   um   tubo
sustentado   por   peças   de
cartilagem   articuladas,
situado na parte superior do
pescoço,   em   continuação   à
faringe.   O   pomo­de­adão,
saliência   que   aparece   no
pescoço,   faz   parte   de   uma
das   peças   cartilaginosas   da
laringe.
A   entrada   da   laringe
chama­se  glote.   Acima dela
existe   uma   espécie   de
“lingüeta”   de   cartilagem
denominada  epiglote,   que
funciona   como   válvula.
Quando  nos   alimentamos,   a
laringe sobe e sua entrada é
fechada   pela   epiglote.   Isso
impede   que   o   alimento
ingerido   penetre   nas   vias
respiratórias.
O epitélio que reveste
a laringe apresenta pregas, as
cordas   vocais,   capazes   de
produzir   sons   durante   a
passagem de ar.

Traquéia: é um tubo de aproximadamente 1,5
cm   de   diâmetro   por   10­12   centímetros   de
comprimento, cujas paredes são reforçadas por anéis
cartilaginosos.   Bifurca­se   na   sua   região   inferior,
originando os brônquios, que penetram nos pulmões.
Seu   epitélio   de   revestimento   muco­ciliar   adere
partículas   de   poeira   e   bactérias   presentes   em
suspensão   no   ar   inalado,   que   são   posteriormente
varridas para fora (graças ao movimento dos cílios) e
engolidas ou expelidas. 

180
Pulmões:   Os
pulmões   humanos
são   órgãos
esponjosos,   com
aproximadamente 25
cm de comprimento,
sendo   envolvidos
por   uma   membrana
serosa   denominada
pleura.   Nos
pulmões   os
brônquios
ramificam­se
profusamente, dando
origem a tubos cada
vez   mais   finos,   os
bronquíolos.   O
conjunto   altamente
ramificado   de
bronquíolos   é   a
árvore   brônquica
ou  árvore
respiratória.
Cada   bronquíolo   termina
em   pequenas   bolsas   formadas
por   células   epiteliais   achatadas
(tecido   epitelial   pavimentoso)
recobertas   por   capilares
sangüíneos,   denominadas
alvéolos pulmonares. 
Diafragma:   A   base   de
cada   pulmão   apóia­se   no
diafragma,   órgão   músculo­
membranoso que separa o tórax
do abdomen, presente apenas em
mamíferos,   promovendo,
juntamente   com   os   músculos
intercostais,   os   movimentos
respiratórios.   Localizado   logo
acima   do   estômago,   o   nervo
frênico   controla   os   movimentos
do   diafragma   (ver  controle   da Imagem: SÉRIE ATLAS VISUAIS. O corp

respiração) 

181
FISIOLOGIA DA RESPIRAÇÃO
Ventilação pulmonar

A  inspiração, que promove a entrada de ar nos pulmões, dá­se pela contração da
musculatura do diafragma e dos músculos intercostais. O diafragma abaixa e as costelas
elevam­se, promovendo o aumento da caixa torácica, com conseqüente redução da pressão
interna (em relação à externa), forçando o ar a entrar nos pulmões.
A expiração, que promove a saída de
ar dos pulmões, dá­se pelo relaxamento da
musculatura   do  diafragma   e   dos   músculos
intercostais.   O   diafragma   eleva­se   e   as
costelas abaixam, o que diminui o volume
da caixa torácica, com conseqüente aumento
da pressão interna, forçando o ar a sair dos
pulmões. 

182
Transporte de gases respiratórios

O  transporte  de gás  oxigênio  está  a  cargo  da  hemoglobina,  proteína  presente  nas


hemácias. Cada molécula de hemoglobina combina­se com 4 moléculas de gás oxigênio,
formando a oxi­hemoglobina.

Nos alvéolos pulmonares o gás oxigênio do ar difunde­se para os capilares sangüíneos
e penetra nas hemácias, onde se combina com a hemoglobina, enquanto o gás carbônico
(CO2) é liberado para o ar (processo chamado hematose). 

183
Nos tecidos ocorre um processo inverso: o gás
oxigênio   dissocia­se   da   hemoglobina   e   difunde­se
pelo líquido tissular, atingindo as células. A maior
parte do gás carbônico (cerca de 70%) liberado pelas
células   no   líquido   tissular   penetra   nas   hemácias   e
reage com a água, formando o ácido carbônico, que
logo se dissocia e dá origem a íons H+ e bicarbonato
(HCO3­),   difundindo­se   para   o   plasma   sangüíneo,
onde ajudam a manter o grau de acidez do sangue.
Cerca   de   23%   do  gás   carbônico  liberado   pelos
tecidos   associam­se   à   própria   hemoglobina,
formando a carboemoglobina.  O restante dissolve­
se no plasma.

SISTEMA REPRODUTOR
SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO
O sistema reprodutor masculino é formado por: 
 Testículos ou gônadas 
 Vias espermáticas: epidídimo, canal deferente, uretra. 
 Pênis 
 Escroto 
 Glândulas   anexas:   próstata,   vesículas   seminais,   glândulas
bulbouretrais. 

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Imagem: GOWDAK, Demétrio; GOWDAK, Luís Henrique. Atlas de Anatomia Humana. São Paulo, Ed.
FTD, 1989.

Testículos: são as gônadas masculinas. Cada testículo é composto por um emaranhado
de tubos, os ductos seminíferos Esses ductos são formados pelas células de Sértoli (ou de
sustento) e pelo epitélio germinativo, onde ocorrerá a formação dos espermatozóides. Em
meio aos ductos seminíferos, as células intersticiais ou de Leydig (nomenclatura antiga)
produzem   os hormônios sexuais masculinos, sobretudo a testosterona, responsáveis pelo
desenvolvimento dos órgãos genitais masculinos e dos caracteres sexuais secundários:
 Estimulam   os   folículos   pilosos   para   que   façam   crescer   a   barba   masculina   e   o   pêlo
pubiano. 
 Estimulam o crescimento das glândulas sebáceas e a elaboração do sebo. 
 Produzem   o   aumento   de   massa   muscular   nas   crianças   durante   a   puberdade,   pelo
aumento do tamanho das fibras musculares. 
 Ampliam a laringe e tornam mais grave a voz. 

185
 Fazem com que o desenvolvimento da massa  óssea seja maior, protegendo contra a
osteoporose. 

Epidídimos:   são   dois   tubos   enovelados   que   partem   dos   testículos,   onde   os
espermatozóides são armazenados.
Canais   deferentes:  são  dois   tubos   que   partem   dos   testículos,   circundam   a   bexiga
urinária e unem­se ao ducto ejaculatório, onde desembocam as vesículas seminais. 
Vesículas seminais:  responsáveis pela produção de um líquido, que será liberado no
ducto ejaculatório que, juntamente com o líquido prostático e espermatozóides, entrarão na
composição do sêmen. O líquido das vesículas seminais age como fonte de energia para os
espermatozóides   e   é   constituído   principalmente   por   frutose,   apesar   de   conter   fosfatos,
nitrogênio   não   protéico,   cloretos,   colina   (álcool   de   cadeia   aberta   considerado   como
integrante   do   complexo   vitamínico   B)   e   prostaglandinas   (hormônios   produzidos   em
numerosos tecidos do corpo. Algumas prostaglandinas atuam na contração da musculatura
lisa do útero na dismenorréia – cólica menstrual, e no orgasmo; outras atuam promovendo
vasodilatação em artérias do cérebro, o que talvez justifique as cefaléias – dores de cabeça –
da enxaqueca. São formados a partir de ácidos graxos insaturados e podem ter a sua síntese
interrompida por analgésicos e antiinflamatórios). 
Próstata:  glândula localizada abaixo da bexiga urinária. Secreta substâncias alcalinas
que neutralizam a acidez da urina e  ativa os espermatozóides. 
Glândulas Bulbo Uretrais ou de Cowper: sua secreção transparente é lançada dentro
da uretra para limpá­la e preparar a passagem dos espermatozóides. Também tem função na
lubrificação do pênis durante o ato sexual.
Pênis: é considerado o principal órgão do aparelho sexual masculino, sendo formado
por dois tipos de tecidos cilíndricos: dois corpos cavernosos e um corpo esponjoso (envolve
e protege a uretra). Na extremidade do pênis encontra­se a glande ­ cabeça do pênis, onde
podemos visualizar a abertura da uretra. Com a manipulação da pele que a envolve ­ o
prepúcio ­ acompanhado de estímulo erótico, ocorre a inundação dos corpos cavernosos e
esponjoso, com sangue, tornando­se rijo, com considerável aumento do tamanho (ereção). O
prepúcio deve ser puxado e higienizado a fim de se retirar dele o esmegma (uma secreção
sebácea espessa e esbranquiçada, com forte odor, que consiste principalmente em células
epiteliais   descamadas   que   se   acumulam   debaixo   do   prepúcio).   Quando   a   glande   não
consegue ser exposta devido ao estreitamento do prepúcio, diz­se que a pessoa tem fimose. 

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Imagem: Superinteressante coleções O Corpo Humano - Sexo: a Atração Vital.

A uretra é comumente um canal destinado para a urina, mas os músculos na entrada
da bexiga se contraem durante a ereção para que nenhuma urina entre no sêmen e nenhum
sêmen entre na bexiga. Todos  os espermatozóides  não ejaculados  são reabsorvidos pelo
corpo dentro de algum tempo.
Saco Escrotal  ou Bolsa Escrotal  ou Escroto: Um espermatozóide leva cerca de 70
dias para ser produzido. Eles não podem se desenvolver adequadamente na temperatura
normal do corpo (36,5°C). Assim, os testículos se localizam na parte externa do corpo,
dentro da bolsa escrotal, que tem a função de termorregulação (aproximam ou afastam os
testículos  do corpo), mantendo­os a  uma temperatura geralmente  em  torno de  1 a 3  °C
abaixo da corporal.

SISTEMA REPRODUTOR FEMININO


O   sistema  reprodutor   feminino  é   constituído  por   dois   ovários,   duas   tubas   uterinas
(trompas de Falópio), um útero, uma vagina, uma vulva. Ele está localizado no interior da
cavidade pélvica. A pelve constitui um marco ósseo forte que realiza uma função protetora.

A vagina é um canal de 8 a 10 cm de comprimento, de paredes elásticas, que liga o
colo   do   útero   aos   genitais   externos.   Contém   de   cada   lado   de   sua   abertura,   porém
internamente, duas glândulas denominadas glândulas de Bartholin,  que secretam um muco
lubrificante.
A entrada da vagina é protegida por uma membrana circular ­ o hímen ­ que fecha
parcialmente o orifício vulvo­vaginal e é quase sempre perfurado no centro, podendo ter
formas diversas. Geralmente, essa membrana se rompe nas primeiras relações sexuais. 
A vagina é o local onde o pênis deposita os espermatozóides na relação sexual. Além
de possibilitar a penetração do pênis, possibilita a expulsão da menstruação e, na hora do
parto, a saída do bebê.
A   genitália   externa   ou   vulva   é   delimitada   e   protegida   por   duas   pregas   cutâneo­
mucosas   intensamente   irrigadas   e   inervadas   ­   os   grandes   lábios.   Na   mulher
reprodutivamente   madura,   os   grandes   lábios   são   recobertos   por   pêlos   pubianos.   Mais
internamente,   outra   prega   cutâneo­mucosa   envolve   a   abertura   da   vagina   ­   os   pequenos

187
lábios ­ que protegem a abertura da uretra e da vagina. Na vulva também está o clitóris,
formado por tecido esponjoso erétil, homólogo ao pênis do homem. 

Imagem: Superinteressante coleções O Corpo Humano - Sexo: a Atração Vital

Ovários: são as gônadas femininas. Produzem estrógeno e progesterona, hormônios
sexuais femininos que serão vistos mais adiante.

No final do desenvolvimento embrionário de uma menina, ela já tem todas as células
que   irão   transformar­se   em   gametas   nos   seus   dois   ovários.   Estas   células   ­   os   ovócitos
primários ­  encontram­se dentro de estruturas denominadas folículos de Graaf  ou folículos
ovarianos. A partir da adolescência, sob ação hormonal, os folículos ovarianos começam a
crescer e a desenvolver. Os folículos em desenvolvimento secretam o hormônio estrógeno.
Mensalmente, apenas um folículo geralmente completa o desenvolvimento e a maturação, 
rompendo­se   e   liberando   o   ovócito   secundário   (gaemta   feminino):   fenômeno   conhecido
como ovulação. Após seu rompimento, a massa celular resultante transforma­se em corpo

188
lúteo  ou  amarelo,   que  passa  a  secretar   os   hormônios   progesterona   e   estrógeno.   Com   o
tempo, o corpo lúteo regride e converte­se em corpo albicans ou corpo branco, uma pequena
cicatriz fibrosa que irá permanecer no ovário. 
O gameta feminino liberado na superfície de um dos ovários é recolhido por finas
terminações das tubas uterinas ­ as fímbrias.  
Tubas uterinas, ovidutos ou trompas de Falópio: são dois ductos que unem o ovário
ao útero. Seu epitélio de revestimento é formados por células ciliadas. Os batimentos dos
cílios microscópicos e os movimentos peristálticos das tubas uterinas impelem o gameta
feminino até o útero.  

Útero: órgão oco situado na cavidade pélvica anteriormente à bexiga e posteriormente
ao   reto,   de   parede   muscular   espessa   (miométrio)   e   com   formato   de   pêra   invertida.   É
revestido internamente por um tecido vascularizado rico em glândulas ­ o endométrio. 

FISIOLOGIA DA REPRODUÇÃO
SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO
 PUBERDADE:  os   testículos   da   criança   permanecem   inativos   até   que   são
estimulados   entre   10   e   14   anos   pelos   hormônios   gonadotróficos   da   glândula   hipófise
(pituitária)
O   hipotálamo   libera   FATORES   LIBERADORES   DOS   HORMÔNIOS
GONADOTRÓFICOS que fazem a hipófise liberar FSH (hormônio folículo estimulante) e
LH (hormônio luteinizante).
FSH à estimula a espermatogênese pelas células dos túbulos seminíferos.

189
LH  à estimula a produção de testosterona pelas células intersticiais dos testículos à
características sexuais secundárias, elevação do desejo sexual.

TESTOSTERONA

Efeito na Espermatogênese. A testosterona faz com que os testículos cresçam. Ela
deve estar presente, também, junto com o folículo estimulante, antes que a espermatogênese
se complete.
Efeito   nos   caracteres   sexuais   masculinos.   Depois   que   um   feto   começa   a   se
desenvolver no útero materno, seus testículos começam a secretar testosterona, quando tem
poucas semanas de vida apenas. Essa testosterona, então, auxilia o feto a desenvolver órgãos
sexuais masculinos e características secundárias masculinas. Isto é, acelera a formação do
pênis, da bolsa escrotal, da próstata, das vesículas seminais, dos ductos deferentes e dos
outros   órgãos   sexuais   masculinos.   Além   disso,   a   testosterona   faz   com   que   os   testículos
desçam da cavidade abdominal para a bolsa escrotal; se a produção de testosterona pelo feto
é insuficiente, os testículos não conseguem descer; permanecem na cavidade abdominal. A
secreção   da  testosterona  pelos   testículos   fetais   é   estimulada   por   um   hormônio   chamado
gonadotrofina coriônica,   formado na  placenta  durante   a  gravidez.   Imediatamente  após  o
nascimento da criança, a perda de conexão com a placenta remove esse feito estimulador, de
modo que os testículos deixam de secretar testosterona. Em conseqüência, as características
sexuais   interrompem   seu   desenvolvimento   desde   o   nascimento   até   à   puberdade.   Na
puberdade, o reaparecimento da secreção de testosterona induz os órgãos sexuais masculinos
a   retomar   o   crescimento.   Os   testículos,   a   bolsa   escrotal   e   o   pênis   crescem,   então,
aproximadamente mais 10 vezes.
Efeito   nos   caracteres   sexuais   secundários.   Além   dos   efeitos   sobre   os   órgãos
genitais, a testosterona exerce outros efeitos gerais por todo o organismo para dar ao homem
adulto suas características distintivas. Faz com que os pêlos cresçam na face, ao longo da
linha média do abdome, no púbis e no tórax. Origina, porém, a calvície nos homens que
tenham predisposição hereditária para ela. Estimula o crescimento da laringe, de maneira
que  o  homem,   após   a  puberdade  fica   com   a   voz   mais   grave.   Estimula   um   aumento  na
deposição de proteína nos músculos, pele, ossos e em outras partes do corpo, de maneira que
o adolescente do sexo masculino se torna geralmente maior e mais musculoso do que a
mulher, nessa fase. Algumas vezes, a testosterona também promove uma secreção anormal
das glândulas sebáceas da pele, fazendo com que se desenvolva a acne pós­puberdade na
face.
Na ausência de testosterona, as características sexuais secundárias não se desenvolvem
e o indivíduo mantém um aspecto sexualmente infantil.

ˉHormônios Sexuais Masculinos

Glândula Hormônio Órgão-alvo Principais ações


estimulam a produção de testosterona
pelas células de Leydig (intersticiais)
Hipófise FSH e LH testículos
e controlam a produção de
espermatozóides.

190
estimula o aparecimento dos
diversos
caracteres sexuais secundários.

Testículos Testosterona induz o amadurecimento dos órgãos


genitais, promove o impulso sexual e
Sistema Reprodutor
controla a produção de
espermatozóides

SISTEMA REPRODUTOR FEMININO
A   pituitária   (hipófise)   anterior   das   meninas,   como   a   dos   meninos,   não   secreta
praticamente nenhum hormônio gonadotrópico até à idade de 10 a 14 anos. Entretanto, por
essa   época,   começa   a   secretar   dois   hormônios   gonadotrópicos.   No   inicio,   secreta
principalmente o hormônio foliculo­estimulante (FSH), que inicia a vida sexual na menina
em crescimento; mais tarde, secreta o harmônio luteinizante (LH), que auxilia no controle
do ciclo menstrual.
Hormônio   Folículo­Estimulante:   causa   a   proliferação   das   células   foliculares
ovarianas   e   estimula   a   secreção   de   estrógeno,   levando   as   cavidades   foliculares   a
desenvolverem­se e a crescer.
Hormônio   Luteinizante:   aumenta   ainda   mais   a   secreção   das   células   foliculares,
estimulando a ovulação.

Hormônios Sexuais Femininos
Os dois hormônios ovarianos, o estrogênio e a progesterona, são responsáveis pelo
desenvolvimento   sexual   da   mulher   e   pelo   ciclo   menstrual.   Esses   hormônios,   como   os
hormônios   adrenocorticais   e   o   hormônio   masculino   testosterona,   são   ambos   compostos
esteróides,   formados,   principalmente,   de   um   lipídio,   o   colesterol.   Os   estrogênios   são,
realmente, vários hormônios diferentes chamados estradiol, estriol e estrona, mas que têm
funções   idênticas   e   estruturas   químicas   muito   semelhantes.   Por   esse   motivo,   são
considerados juntos, como um único hormônio.
Funções do Estrogênio: o estrogênio induz as células de muitos locais do organismo,
a   proliferar,   isto   é,   a   aumentar   em   número.   Por   exemplo,   a   musculatura   lisa   do   útero,
aumenta tanto que o órgão, após a puberdade, chega a duplicar ou, mesmo, a triplicar de
tamanho.   O  estrogênio também  provoca  o  aumento  da  vagina   e  o  desenvolvimento  dos
lábios que a circundam, faz o púbis se cobrir de pêlos, os quadris se alargarem e o estreito
pélvico   assumir   a   forma   ovóide,   em   vez   de   afunilada   como   no   homem;   provoca   o
desenvolvimento das mamas e a proliferação dos seus elementos glandulares, e, finalmente,
leva o tecido adiposo a concentrar­se, na mulher, em áreas como os quadris e coxas, dando­
lhes o arredondamento típico do sexo. Em resumo, todas as características que distinguem a
mulher do homem são devido ao estrogênio e a razão básica para o desenvolvimento dessas
características  é  o  estímulo  à proliferação  dos  elementos  celulares  em  certas  regiões  do
corpo.
O estrogênio também estimula o crescimento de todos os ossos logo após a puberdade,
mas promove rápida calcificação óssea, fazendo com que as partes dos ossos que crescem se
"extingam" dentro de poucos anos, de forma que o crescimento, então, pára. A mulher,
nessa fase, cresce mais rapidamente que o homem, mas pára após os primeiros anos da

191
puberdade; já o homem tem um crescimento menos rápido, porém mais prolongado, de
modo  que ele  assume uma estatura   maior   que  a   da   mulher,   e,  nesse  ponto,   também   se
diferenciam os dois sexos.
O estrogênio tem, outrossim, efeitos muito importantes no revestimento interno do
útero, o endométrio, no ciclo menstrual.
Funções da Progesterona:  a progesterona tem pouco a ver com o desenvolvimento
dos caracteres sexuais femininos; está principalmente relacionada com a preparação do útero
para a aceitação do embrião e à preparação das mamas para a secreção láctea. Em geral, a
progesterona aumenta o grau da atividade secretória das glândulas mamárias e, também, das
células que revestem a parede uterina, acentuando o espessamento do endométrio e fazendo
com   que   ele   seja   intensamente   invadido   por   vasos   sangüíneos;   determina,   ainda,   o
surgimento de numerosas glândulas produtoras de glicogênio. Finalmente, a progesterona
inibe as contrações do útero e impede a expulsão do embrião que se está implantando ou do
feto em desenvolvimento.

CICLO MENSTRUAL
O   ciclo   menstrual   na   mulher   é   causado   pela   secreção   alternada   dos   hormônios
folículo­estimulante e luteinizante, pela pituitária (hipófise) anterior (adenohipófise), e dos
estrogênios   e   progesterona,   pelos   ovários.   O   ciclo   de   fenômenos   que   induzem   essa
alternância tem a seguinte explicação:
1. No começo do ciclo menstrual, isto é, quando a menstruação se inicia, a pituitária
anterior   secreta   maiores   quantidades   de   hormônio   folículo­estimulante   juntamente   com
pequenas   quantidades   de   hormônio   luteinizante.   Juntos,   esses   hormônios   promovem   o
crescimento de diversos folículos nos ovários e acarretam uma secreção considerável de
estrogênio (estrógeno).
2. Acredita­se que o estrogênio tenha, então, dois efeitos seqüenciais sobre a secreção
da  pituitária  anterior.   Primeiro,   inibiria   a   secreção  dos   hormônios   folículo­estimulante   e
luteinizante, fazendo com que suas taxas declinassem a um mínimo por volta do décimo dia
do ciclo. Depois, subitamente a pituitária anterior começaria a secretar quantidades   muito
elevadas de ambos os hormônios mas principalmente do hormônio luteinizante. É essa fase
de  aumento  súbito  da  secreção  que   provoca   o  rápido  desenvolvimento  final   de   um   dos
folículos ovarianos e a sua ruptura dentro de cerca de dois dias.
3. O processo de ovulação, que ocorre por volta do décimo quarto dia de um ciclo
normal de 28 dias, conduz ao desenvolvimento do corpo lúteo ou corpo amarelo, que secreta
quantidades elevadas de progesterona e quantidades consideráveis de estrogênio.
4. O estrogênio e a progesterona secretados  pelo corpo lúteo inibem novamente  a
pituitária   anterior,   diminuindo   a   taxa   de   secreção   dos   hormônios   folículo­estimulante   e
luteinizante. Sem esses hormônios para estimulá­lo, o corpo lúteo involui, de modo que a
secreção de estrogênio e progesterona cai para níveis muito baixos. É nesse momento que a
menstruação   se   inicia,   provocada   por   esse   súbito   declínio   na   secreção   de   ambos   os
hormônios.
5.   Nessa   ocasião,   a   pituitária   anterior,   que   estava   inibida   pelo   estrogênio   e   pela
progesterona,   começa   a   secretar   outra   vez   grandes   quantidades   de   hormônio   folículo­

192
estimulante,   iniciando   um   novo   ciclo.   Esse   processo   continua   durante   toda   a   vida
reprodutiva da mulher.
1º dia do ciclo  endométrio bem
desenvolvido, espesso e vascularizado
começa a descamar  menstruação

hipófise aumenta a produção de FSH, que
atinge a concentração máxima por volta do
7º dia do ciclo.

amadurecimento dos folículos ovarianos

secreção de estrógeno pelo folículo em
desenvolvimento

concentração alta de estrógeno inibe
secreção de FSH e estimula a secreção de
LH pela hipófise / concentração alta de
estrógeno estimula ocrescimento do
endométrio.

concentração alta de LH estimula a
ovulação (por volta do 14º dia de um ciclo
de 28 dias)

alta taxa de LH estimula a formação do
corpo lúteo ou amarelo no folículo ovariano

corpo lúteo inicia a produção de
progesterona
OBSERVAÇÃO:   a   ovulação   ocorre 
aproximadamente entre 10­12 horas  após o pico estimula as glândulas do endométrio a
secretarem seus produtos
de LH. No ciclo regular, o período de tempo a

partir   do   pico   de   LH   até   a   menstruação   está aumento da progesterona inibe produção
constantemente   próximo   de   14   dias.   Dessa de LH e FSH
forma,   da  ovulação  até   a  próxima  menstruação 
decorrem 14 dias. corpo lúteo regride e reduz concentração
de progesterona
Apesar   de   em   um   ciclo   de   28   dias   a 
ovulação ocorrer aproximadamente na metade do menstruação
ciclo, nas mulheres que têm ciclos regulares, não
importa a sua duração, o dia da ovulação pode
ser calculado como sendo o 14º dia ANTES do
início da menstruação.
Generalizando,   pode­se   dizer   que,   se   o
ciclo   menstrual   tem   uma   duração   de  n  dias,   o
possível dia da ovulação é n – 14, considerando
n = dia da próxima menstruação.

193

SISTEMA ENDÓCRINO
Dá­se  o  nome  de  sistema  endócrino  ao  conjunto  de   órgãos   que   apresentam   como
atividade característica a produção de secreções denominadas hormônios, que são lançados
na corrente sangüínea e irão atuar em outra parte do organismo, controlando ou auxiliando o
controle   de   sua   função.   Os   órgãos   que   têm   sua   função   controlada   e/ou   regulada   pelos
hormônios são denominados órgãos­alvo. 
Constituição dos órgãos do sistema endócrino

Os tecidos epiteliais de secreção ou epitélios glandulares
formam as glândulas, que podem ser uni ou pluricelulares. As
glândulas pluricelulares não são apenas aglomerados de células
que desempenham as mesmas funções básicas e têm a mesma
morfologia geral e origem embrionária ­ o que caracteriza um
tecido.   São   na   verdade   órgãos   definidos   com   arquitetura
ordenada. Elas estão envolvidas por uma cápsula conjuntiva que
emite septos, dividindo­as em lobos. Vasos sangüíneos e nervos
penetram   nas   glândulas,   fornecendo   alimento   e   estímulo
nervoso para as suas funções.

  
Os   hormônios   influenciam   praticamente   todas   as   funções   dos   demais   sistemas
corporais. Freqüentemente o sistema endócrino interage com o sistema nervoso, formando
mecanismos reguladores bastante precisos. O sistema nervoso pode fornecer ao endócrino a
informação sobre o meio externo, ao passo que o sistema endócrino regula a resposta interna
do   organismo   a   esta   informação.   Dessa   forma,   o   sistema   endócrino,   juntamente   com   o
sistema  nervoso,  atuam na coordenação e regulação das funções corporais. 

Alguns dos principais órgãos produtores de hormônios 
Alguns dos principais órgãos produtores de hormônios no homem são a hipófise, o
hipotálamo, a tireóide, as paratireóides, as supra­renais, o pâncreas e as gônadas. 

Hipófise ou pituitária

194
Situa­se na base do encéfalo, em
uma   cavidade   do   osso   esfenóide
chamada   tela   túrcica.   Nos   seres
humanos tem o tamanho aproximado
de um grão de ervilha e possui duas
partes:   o  lobo   anterior  (ou   adeno­
hipófise)   e   o  lobo   posterior  (ou
neuro­hipófise).

Além   de   exercerem   efeitos   sobre   órgãos   não­


endócrinos, alguns hormônios,  produzidos pela  hipófise
são   denominados   trópicos   (ou   tróficos)   porque   atuam
sobre   outras   glândulas   endócrinas,   comandando   a
secreção de outros hormônios. São eles: 
 Tireotrópicos:   atuam   sobre   a   glândula   endócrina
tireóide. 
 Adrenocorticotrópicos:   atuam   sobre   o   córtex   da
glândula endócrina adrenal (supra­renal) 
 Gonadotrópicos: atuam sobre as gônadas masculinas
e femininas. 

 Somatotrófico: atua no crescimento, promovendo o
alongamento   dos   ossos   e   estimulando   a   síntese   de
proteínas   e   o  desenvolvimento   da   massa   muscular.
Imagem: AVANCINI & FAVARETTO.
Também aumenta a utilização de gorduras e inibe a
Biologia – Uma abordagem evolutiva captação   de   glicose   plasmática   pelas   células,
e ecológica. Vol. 2. São Paulo, Ed.
Moderna, 1997. aumentando   a   concentração   de   glicose   no   sangue
(inibe   a   produção   de   insulina   pelo   pâncreas,
predispondo ao diabetes).   

195
Imagem: CÉSAR & CEZAR. Biologia 2. São Paulo, Ed Saraiva, 2002

Hipotálamo

 Localizado no cérebro diretamente
acima   da   hipófise,   é   conhecido   por
exercer  controle  sobre  ela  por  meios  de
conexões   neurais   e   substâncias
semelhantes   a   hormônios   chamados
fatores   desencadeadores   (ou   de
liberação),   o   meio   pelo   qual   o   sistema
nervoso controla o comportamento sexual
via sistema endócrino.

196
O   hipotálamo
estimula   a   glândula
hipófise   a   liberar   os
hormônios
gonadotróficos (FSH e
LH), que atuam sobre
as   gônadas,
estimulando   a
liberação   de
hormônios   gonadais
na corrente sanguínea.
Na mulher a glândula­
alvo   do   hormônio
gonadotrófico   é   o
ovário;   no   homem,
são   os   testículos.   Os
hormônios   gonadais
são   detectados   pela
pituitária   e   pelo
hipotálamo, inibindo a
liberação   de   mais
hormônio   pituitário,
por feed­back. 
Como a hipófise
secreta hormônios que
controlam   outras
glândulas   e   está
subordinada,   por   sua
vez,   ao   sistema
Imagem: CÉSAR & CEZAR. Biologia 2. São Paulo, Ed Saraiva, 2002
nervoso, pode­se dizer
que   o   sistema
endócrino   é
subordinado   ao
nervoso   e   que   o
hipotálamo   é   o
mediador   entre   esses
dois sistemas.

197
O  hipotálamo  também  produz  outros
fatores   de   liberação  que   atuam   sobre   a
adeno­hipófise,   estimulando   ou   inibindo
suas   secreções.   Produz   também   os
hormônios ocitocina e ADH (antidiurético),
armazenados   e   secretados   pela   neuro­
hipófise. 

Tireóide
Localiza­se no pescoço, estando apoiada sobre as cartilagens da laringe e da traquéia.
Seus dois hormônios,  triiodotironina  (T3) e  tiroxina  (T4), aumentam a velocidade dos
processos   de  oxidação  e  de  liberação  de   energia   nas   células   do  corpo,   elevando  a   taxa
metabólica   e   a   geração   de   calor.   Estimulam   ainda   a   produção   de   RNA   e   a   síntese   de
proteínas,   estando   relacionados   ao   crescimento,   maturação   e   desenvolvimento.   A
calcitonina, outro hormônio secretado pela tireóide, participa do controle da concentração
sangüínea de cálcio, inibindo a remoção do cálcio dos ossos e a saída dele para o plasma
sangüíneo, estimulando sua incorporação pelos ossos.

198
Paratireóides 
São   pequenas   glândulas,   geralmente   em   número   de   quatro,   localizadas   na   região
posterior da tireóide. Secretam o paratormônio, que estimula a remoção de cálcio da matriz
óssea  (o  qual  passa para  o  plasma sangüíneo),  a  absorção de  cálcio  dos  alimentos  pelo
intestino e a reabsorção de cálcio pelos túbulos renais, aumentando a concentração de cálcio
no sangue.  Neste contexto, o cálcio é importante  na  contração muscular, na  coagulação
sangüínea e na excitabilidade das células nervosas. 
  

As glândulas endócrinas e o cálcio 

Adrenais ou supra­renais

São   duas   glândulas


localizadas sobre os rins, divididas
em   duas   partes   independentes   –
medula   e   córtex   ­   secretoras   de
hormônios   diferentes,
comportando­se   como   duas
glândulas.   O   córtex   secreta   três
tipos   de   hormônios:   os
glicocorticóides,   os
mineralocorticóides   e   os
androgênicos.

Pâncreas
É   uma  glândula  mista  ou  anfícrina   –  apresenta   determinadas   regiões   endócrinas   e
determinadas regiões exócrinas (da porção secretora partem dutos que lançam as secreções

199
para o interior da cavidade intestinal) ao mesmo tempo. As chamadas ilhotas de Langerhans
são a porção endócrina, onde estão as células que secretam os dois hormônios:  insulina  e
glucagon, que atuam no metabolismo da glicose.

Imagem: AMABIS & MARTHO. Conceitos de Biologia Volume 2. São Paulo, Editora Moderna, 2001.

SISTEMA EXCRETOR
O   sistema   excretor   é   formado   por   um   conjunto   de   órgãos   que   filtram   o   sangue,
produzem e excretam a urina ­ o principal líquido de excreção do organismo. É constituído
por um par de rins, um par de ureteres, pela bexiga urinária e pela uretra.

200
Os   rins   situam­se   na   parte
dorsal   do   abdome,   logo   abaixo   do
diafragma,   um   de   cada   lado   da
coluna   vertebral,   nessa   posição
estão   protegidos   pelas   últimas
costelas e também por uma camada
de gordura. Têm a forma de um grão
de   feijão   enorme   e   possuem   uma
cápsula   fibrosa,   que   protege   o
córtex ­ mais externo, e a medula ­
mais interna.
Cada rim é formado de tecido
conjuntivo, que sustenta e dá forma
ao órgão, e por milhares ou milhões
de unidades filtradoras, os  néfrons,
localizados na região renal.
O   néfron   é   uma   longa
estrutura   tubular   microscópica   que
possui,   em   uma   das   extremidades,
uma   expansão   em   forma   de   taça,
denominada  cápsula   de   Bowman,
que   se   conecta   com   o  túbulo Imagem:
www.drgate.com.br/almanaque/atlas/excretor/excretor.htm
contorcido proximal, que continua
pela  alça   de   Henle  e   pelo  túbulo
contorcido   distal;   este   desemboca
em   um   tubo   coletor.   São
responsáveis   pela   filtração   do
sangue e remoção das excreções.

201
Como funcionam os rins
O sangue chega ao rim através da artéria renal, que se ramifica muito no interior do
órgão,   originando  grande  número  de   arteríolas   aferentes,   onde   cada   uma   ramifica­se   no
interior da cápsula de Bowman do néfron, formando um enovelado de capilares denominado
glomérulo de Malpighi.
O   sangue   arterial   é   conduzido   sob   alta   pressão   nos   capilares   do   glomérulo.   Essa
pressão, que normalmente é de 70 a 80 mmHg, tem intensidade suficiente para que parte do
plasma passe para a cápsula de Bowman, processo denominado filtração. Essas substâncias
extravasadas   para   a   cápsula   de   Bowman   constituem   o  filtrado   glomerular,   queé
semelhante, em composição química, ao plasma sanguíneo, com a diferença de que não
possui proteínas, incapazes de atravessar os capilares glomerulares. 

202
O   filtrado   glomerular   passa
em   seguida   para   o   túbulo
contorcido proximal, cuja parede é
formada   por   células   adaptadas   ao
transporte   ativo.   Nesse   túbulo,
ocorre reabsorção ativa de sódio. A
saída   desses   íons   provoca   a
remoção de cloro, fazendo com que
a   concentração   do   líquido   dentro
desse tubo fique menor (hipotônico)
do que do plasma dos capilares que
o   envolvem.   Com   isso,   quando   o
líquido   percorre   o   ramo
descendente   da   alça   de   Henle,   há
passagem   de   água   por   osmose   do
líquido tubular (hipotônico) para os
capilares  sangüíneos  (hipertônicos)
– ao que chamamos reabsorção. O
ramo descendente  percorre  regiões
do   rim   com   gradientes   crescentes
de   concentração.
Imagem: GUYTON, A.C. Fisiologia Humana. 5ª ed., Rio de
Janeiro, Ed. Interamericana, 1981.
Conseqüentemente, ele perde ainda
mais água para os tecidos, de forma
que, na curvatura da alça de Henle,
a concentração do líquido tubular é
alta.
Esse líquido muito concentrado passa então a percorrer o ramo ascendente da alça de
Henle, que é formado por células impermeáveis à água e que estão adaptadas ao transporte
ativo   de   sais.   Nessa   região,   ocorre   remoção   ativa   de   sódio,   ficando   o   líquido   tubular
hipotônico.   Ao   passar   pelo   túbulo   contorcido   distal,   que   é   permeável   à   água,   ocorre
reabsorção por osmose para os capilares sangüíneos. Ao sair do néfron, a urina entra nos
dutos coletores, onde ocorre a reabsorção final de água.
Dessa forma, estima­se que em 24 horas são filtrados cerca de 180 litros de fluido do
plasma;   porém   são   formados   apenas   1   a   2   litros   de   urina   por   dia,   o   que   significa   que
aproximadamente 99% do filtrado glomerular é reabsorvido.
Além   desses   processos   gerais   descritos,   ocorre,   ao   longo   dos   túbulos   renais,
reabsorção ativa de aminoácidos e glicose. Desse modo, no final do túbulo distal, essas
substâncias já não são mais encontradas.

203
Imagem: LOPES, SÔNIA. Bio 2.São Paulo, Ed. Saraiva, 2002.

Os capilares que reabsorvem as substâncias úteis dos túbulos renais se reúnem para
formar um vaso único, a  veia renal, que leva o sangue para fora do rim, em direção ao
coração.

Regulação da função renal
A regulação da função renal relaciona­se basicamente com a regulação da quantidade
de líquidos do corpo. Havendo necessidade de reter água no interior do corpo, a urina fica
mais concentrada, em função da maior reabsorção de água; havendo excesso de água no
corpo, a urina fica menos concentrada, em função da menor reabsorção de água.
O principal agente regulador do equilíbrio hídrico no corpo humano  é o hormônio
ADH  (antidiurético), produzido no hipotálamo e armazenado na hipófise. A concentração
do   plasma   sangüíneo   é   detectada   por   receptores   osmóticos   localizados   no   hipotálamo.
Havendo   aumento   na   concentração   do   plasma   (pouca   água),   esses   osmorreguladores
estimulam a produção de ADH. Esse hormônio passa para o sangue, indo atuar sobre os
túbulos distais e sobre os túbulos coletores do néfron, tornando as células desses tubos mais
permeáveis   à   água.   Dessa   forma,   ocorre   maior   reabsorção   de   água   e   a   urina   fica   mais
concentrada.   Quando   a   concentração   do   plasma   é   baixa   (muita   água),   há   inibição   da
produção   do   ADH   e,   conseqüentemente,   menor   absorção   de   água   nos   túbulos   distais   e
coletores, possibilitando a excreção do excesso de água, o que torna a urina mais diluída.

204
Imagem: GUYTON, A.C. Fisiologia Humana. 5ª ed., Rio de Janeiro, Ed. Interamericana, 1981.

Certas substâncias, como é o caso do
álcool,   inibem   a   secreção   de   ADH,
aumentando a produção de urina.
Além   do   ADH,   há   outro   hormônio
participante do equilíbrio hidro­iônico do
organismo:  a  aldosterona, produzida  nas
glândulas   supra­renais.   Ela   aumenta   a
reabsorção   ativa   de   sódio   nos   túbulos
renais,   possibilitando   maior   retenção   de
água   no   organismo.   A   produção   de
aldosterona   é   regulada   da   seguinte
maneira: quando a concentração de sódio
dentro   do   túbulo   renal   diminui,   o   rim
produz uma proteína chamada renina, que
age   sobre   uma   proteína   produzida   no
fígado e encontrada no sangue denominada
Imagem: GUYTON, A.C. Fisiologia Humana. 5ª ed.,
angiotensinogênio (inativo), convertendo­ Rio de Janeiro, Ed. Interamericana, 1981.
a em angiotensina (ativa). Essa substância
estimula   as   glândulas   supra­renais   a
produzirem a aldosterona.

205
Imagem: LOPES, SÔNIA. Bio 2.São Paulo, Ed. Saraiva, 2002.

Ureter
Os néfrons desembocam em dutos coletores, que se unem para
formar canais cada vez mais grossos. A fusão dos dutos origina um
canal   único,   denominado  ureter,   que   deixa   o   rim   em   direção   à
bexiga urinária.

Bexiga urinária

A bexiga urinária é uma bolsa de parede


elástica, dotada de musculatura lisa, cuja função é
acumular a urina produzida nos rins. Quando cheia,
a bexiga pode conter mais de ¼ de litro (250 ml) de
urina, que é eliminada periodicamente através da
uretra.

Uretra

A uretra é um tubo que parte da bexiga e termina, na mulher,
na   região   vulvar   e,   no   homem,   na   extremidade   do   pênis.   Sua
comunicação com a bexiga mantém­se fechada por anéis musculares
­ chamados esfíncteres. Quando a musculatura desses anéis relaxa­
se e a musculatura da parede da bexiga contrai­se, urinamos

206
EXERCICIOS
1- São ossos da calota craniana, EXCETO:

a) Parietal.
b) Mandibular.
c) Occipital.
d) Frontal.

2- São ossos longos do organismo, EXCETO:

a) Fêmur.
b) Ulna.
c) Patela.
d) Úmero.

3 – Não é um exemplo de osso do esqueleto axial


a) Costela
b) Vértebra
c) Tálus
d) Sacro
e) Frontal

4 - Numere os tipos celulares, apresentados na coluna da direita, de acordo com os


tecidos em que a célula normalmente é encontrada, relacionados na coluna da esquerda.

207
1. Tecido sangüíneo ( ) Neurônio
2. Tecido ósseo ( ) Condrócito
3. Tecido nervoso ( ) Osteócito
4. Tecido muscular ( ) Glóbulo vermelho
5. Tecido cartilaginoso ( ) Fibra muscular

Assinale a alternativa que apresenta a seqüência correta da coluna da direita, de cima


para baixo.

a) 3 – 2 – 5 – 4 – 1.
b) 3 – 5 – 2 – 1 – 4.
c) 5 – 2 – 3 – 4 – 1.
d) 4 – 2 – 5 – 1 – 3.
e) 4 – 1 – 2 – 3 – 5.

5 - As células germinativas são chamadas de gametas tanto em indivíduos do sexo


feminino quanto do sexo masculino.
Acerca desse assunto, assinale a alternativa correta.

a) O espermatozóide é formado por meiose completa e o óvulo por mitose que se


completa após a fecundação.
b) O zigoto é formado por meiose completa e o óvulo por meiose que se completa após
a procriação.
c) O espermatozóide é formado por meiose completa e o óvulo por meiose que se
completa após a fecundação.
d) O zigoto é formado por meiose completa e o espermatozóide por meiose que se
completa após a procriação.
e) O óvulo é formado por meiose completa e o espermatozóide por meiose que se
completa após a fecundação.

6 - Existem processos fisiológicos que não só mantêm a vida das células como também
são capazes de produzir novas células quando estas são lesadas, ficam doentes ou
sofrem desgaste. A respeito do tipo de divisão celular que dá origem a novas células
somáticas, assinale a alternativa INCORRETA.

a) As células formadas têm o mesmo número e tipo de cromossomos que a célula


original.
b) O crescimento tecidual somático depende de divisões nucleares chamadas meioses.
c) A divisão celular somática pode repor células mortas ou lesadas adicionando novas
células.
d) Na divisão celular somática, a célula passa por divisão nuclear denominada mitose.
e) Células somáticas possuem geralmente o mesmo número diplóide de cromossomos.

7 - Os diferentes tipos de tecido muscular podem ser distinguidos entre si pelas formas
de suas células, mas principalmente pelos tipos de órgãos que elas formam e as funções

208
que desempenham. Assinale a alternativa que apresenta informações sobre a célula
muscular.

a) As células musculares lisas, por possuírem contração rápida, também são encontradas
em partes do coração.
b) O trato gastrintestinal é composto de muitas células musculares estriadas esqueléticas
de contração voluntária.
c) Células musculares do tipo cardíaco também são encontradas em órgãos que possuem
contração involuntária.
d) A contração voluntária é uma característica que diferencia as células estriadas
esqueléticas das demais.
e) Por possuírem contração duradoura, as células musculares lisas são encontradas em
músculos do corpo.

8 - Numere os tipos de receptores sensoriais apresentados na coluna da direita


relacionando-os com cada uma das modalidades sensoriais com que cada receptor se
relaciona no processo de percepção do estímulo.

1. Audição ( ) Proprioceptores
2. Sensação de frio/calor ( ) Fotorreceptores
3. Visão ( ) Mecanorreceptores
4. Gustação ( ) Termorreceptores
5. Percepção da posição
das articulações ( ) Quimiorreceptores

Assinale a alternativa que apresenta a seqüência correta da coluna da direita, de cima


para baixo.

a) 5 – 3 – 1 – 2 – 4.
b) 1 – 3 – 5 – 4 – 2.
c) 5 – 2 – 4 – 3 – 1.
d) 2 – 5 – 3 – 4 – 1.
e) 4 – 3 – 1 – 2 – 5.

9 - O sistema circulatório é composto por diferentes tipos de vasos sangüíneos, que


normalmente estão sujeitos a diferentes intensidades de pressão interna. Assinale a
alternativa que apresenta a diferença entre artérias e veias.

a) Artérias conduzem sangue com maior quantidade de oxigênio, e veias conduzem


sangue com pouco oxigênio.
b) Veias são vasos que conduzem o sangue de volta para o coração, e artérias conduzem
o sangue que sai do coração.
c) Artérias são vasos com paredes finas e muito elásticas, e veias são vasos com paredes
espessas e rígidas.
d) Veias conduzem o sangue que sai do coração, e artérias conduzem o sangue de volta
para o coração.

209
e) Artérias conduzem maior quantidade de dióxido de carbono, e veias conduzem menos
dióxido de carbono.

10 - O hormônio luteinizante (LH) é produzido pela glândula hipófise, que também é


chamada de glândula pituitária. Essa glândula está localizada na base do cérebro,
conforme figura abaixo. Assinale a alternativa que descreve corretamente o principal
efeito do LH.

a) Controla o funcionamento da gônadas.


b) Regula o balanço hídrico do corpo.
c) Controla o metabolismo da glicose no sangue.
d) Estimula o crescimento do organismo.
e) Regula o teor de cálcio no sangue.

11 - O sistema nervoso central (SNC) coordena as funções de muitos órgãos no corpo.


Assinale a alternativa que cita o principal elemento usado pelo sistema nervoso para
controlar as atividades de células musculares e endócrinas.

a) Neurotransmissores.
b) Água e sais.
c) Ácido desoxirribonucléico (DNA).
d) Proteínas livres no sangue.
e) Hormônios liberados no sangue.

12 - O sistema urinário, também chamado de excretor, é responsável por produzir a


urina. Assinale a alternativa que explica a origem da urina.

a) A urina é feita através da filtração do líquido intersticial no glomérulo, da reabsorção


de substâncias nos túbulos do néfron e da secreção de água e sais pelas células
tubulares.
b) A urina provém da reabsorção do sangue no glomérulo, da filtração pelas células
tubulares e da secreção de água e sais pelos túbulos do néfron.
c) A urina tem sua origem na secreção de substâncias pelo glomérulo, na filtração de
água e sais pelos túbulos do néfron e na reabsorção de substâncias pelas células
tubulares.
d) A urina é proveniente da filtração do sangue pelas células tubulares, da reabsorção de
água e sais pelo néfron e da secreção de substâncias pelo glomérulo.
210
e) A urina é formada pela filtração do sangue no glomérulo, pela reabsorção de água e
sais nos túbulos do néfron e pela secreção de substâncias pelas células tubulares.

13. Dos tecidos humanos abaixo, o único que não tem


vascularização própria é o

A) ósseo.
B) cartilaginoso.
C) nervoso.
D) muscular.

14. A inervação parassimpática libera no órgão efetor o


seguinte neurotransmissor:

A) adrenalina.
B) noradrenalina.
C) acetilcolina.
D) serotonina.

15. A capacidade fagocítica representa um dos


principais mecanismos de imunidade inespecífica do
organismo humano. Marque a célula que NÃO possui
capacidade de fagocitose.

A) Plasmócito do tecido conjuntivo.


B) Micróglias do tecido nervoso.
C) Célula de Langerhans do tecido epitelial.
D) Neutrófilo do sangue.

16. Além da diferença de espessura e comprimento, há


outras características que permitem distinguir o intestino grosso do delgado. Uma delas
é a ocorrência de:

A) inervação simpática.
B) peristaltismo.
C) microvilosidades.
D) peritônio.

17. Marque a estrutura que pertence, simultaneamente, aos sistemas digestório e


respiratório.

A) Laringe.
B) Faringe.
C) Esôfago.
D) Fossas nasais.

211
18. São fatores fundamentais para a contínua limpeza das vias respiratórias do homem:

A) a produção de surfactante e o peristaltismo.


B) a produção de muco e o batimento ciliar.
C) a síntese de interferon e a fagocitose.
D) a síntese de anticorpos e a contração do diafragma.

19. O sangue venoso drenado de todo o organismo retorna ao coração pelo

A) átrio direito.
B) átrio esquerdo.
C) ventrículo direito.
D) ventrículo esquerdo.

20. O sangue venoso que chega ao coração é bombeado para ser oxigenado nos
capilares dos alvéolos pulmonares através da(s)

A) artéria aorta.
B) veias cava.
C) artérias pulmonares.
D) veias pulmonares.

21. Marque a opção que indica as diferenças entre artérias e veias.

A) As artérias têm paredes mais espessas e são menos calibrosas.


B) As artérias têm paredes mais finas e são mais calibrosas.
C) As veias têm paredes com mais tecido muscular elástico.
D) As veias têm paredes mais espessas e são mais calibrosas.

22. A função da medula vermelha dos ossos é

A) armazenar tecido adiposo.


B) produzir os fatores de coagulação sangüínea.
C) secretar hormônios como a eritropoetina.
D) produzir os elementos figurados do sangue.

23. Na orelha interna, as funções de audição e equilíbrio são realizadas,


respectivamente, pelas seguintes estruturas:

A) janela redonda e janela oval.


B) tímpano e labirinto.
C) bigorna e estribo.
D) cóclea e canais semicirculares.

212
24. No homem, a lente natural que proporciona a acomodação visual para focalizar a
imagem corretamente sobre o fundo do olho é o(a)

A) retina.
B) córnea.
C) cristalino.
D) humor vítreo.

25. O tronco encefálico humano é constituído pelos seguintes componentes, EXCETO:

A) mesencéfalo.
B) diencéfalo.
C) ponte.
D) bulbo.

26. A poliomielite é uma doença infecto-contagiosa que pode deixar seqüelas


permanentes na criança, sendo umas das mais comuns a paralisia da musculatura de um
ou dos dois membros inferiores, não afetando, entretanto, a sensibilidade das regiões
paralisadas. Nesses casos, o agente patogênico atua

A) na coluna anterior da substância cinzenta da medula lombar e sacral.


B) na coluna posterior da substância cinzenta da medula lombar e sacral.
C) nos gânglios das raízes posteriores dos nervos lombares e sacrais.
D) nas raízes posteriores e anteriores dos nervos lombares e sacrais.

27. Há mais de dez anos o Brasil conseguiu erradicar a poliomielite através da aplicação
da vacina

A) tríplice.
B) Sabin.
C) BCG.
D) anti-rábica.

28. Marque o maior órgão do sistema linfático humano e que apresenta, entre outras
funções, a retirada de circulação de hemácias velhas e armazenamento deuma certa
quantidade de sangue.

A) Tonsila palatina.
B) Linfonodo.
C) Timo.
D) Baço.

29. A remodelação do osso após a regeneração de uma fratura resulta,


fundamentalmente, de atividade do(s)

A) osteoclastos.

213
B) osteoblastos.
C) osteócitos.
D) periósteo.

30. O osso do braço humano denomina-se

A) fêmur.
B) rádio.
C) ulna.
D) úmero.

31. Os métodos cirúrgicos de anticoncepção humana

A) impedem a produção de hormônios sexuais.


B) bloqueiam a produção de gametas.
C) impedem o encontro dos gametas.
D) impedem o desenvolvimento do embrião.

32. Diferentemente do que ocorre no restante do corpo humano, sob a pele da bolsa
escrotal não há tecido adiposo. Em seu lugar existe um tecido muscular liso denominado
dartos. Esse detalhe tem relação com a

A) proteção dos testículos.


B) produção dos espermatozóides.
C) secreção de testosterona.
D) liberação dos espermatozóides no sêmen.

33. Marque a associação correta entre o número e o tipo de dentes na segunda dentição
humana.
TIPO NÚMERO
A) Incisivos 12
B) Caninos 4
C) Pré-molares 4
D) Molares 8

34. O nome do líquido lubrificante encontrado nas articulações humanas é

A) céfalo-raquidiano.
B) sinovial.
C) intersticial.
D) perilinfático.

35. A principal substância do metabolismo energético


dos seres vivos é o(a)

214
A) AMP cíclico.
B) adenosina tri-fosfato.
C) nicotinamida adenina dinucleotídeo.
D) ácido desoxi-ribonucléico.

36. No tecido nervoso, as células da glia com a função de formar a bainha de mielina no
sistema nervoso central são os(as)

A) oligodentrócitos.
B) astrócitos.
C) micróglias.
D) células do epêndima.

37. Sobre a importância do colesterol para o corpo humano, marque a opção verdadeira.

A) Funciona como reserva energética para todas as células.


B) Entra na composição química dos hormônios hipofisários.
C) É precursor da síntese dos hormônios esteróides da adrenal.
D) É responsável pelo transporte de substâncias através da membrana celular.

38. O miocárdio é irrigado com sangue rico em oxigênio


Pelas:

A) veias jugulares.
B) artérias carótidas.
C) artérias coronárias.
D) veias cava.

39. Algumas artérias podem ter a sua pulsação percebida por um examinador durante o
exame físico de uma pessoa porque no seu trajeto passam próximos à superfície do
corpo. A artéria cuja pulsação NÃO pode ser percebida num exame físico normal é a:

A) femoral.
B) radial.
C) carótida.
D) ilíaca.

40. Atualmente, todos os seres procariontes estão incluídos no reino

A) Fungi.
B) Monera.
C) Protista.
D) Plantae.

41. Marque a estrutura que NÃO é inervada pelo sistema nervoso autônomo.

A) Diafragma.

215
B) Miocárdio.
C) Estômago.
D) Intestino delgado.

42. A glândula hipófise está alojada no interior do(a)

A) sela turca do osso esfenóide.


B) porção petrosa do osso temporal.
C) lâmina crivosa do osso etmóide.
D) seio paranasal do osso frontal.

43. Todos os nervos espinhais contêm

A) somente fibras motoras.


B) somente fibras sensitivas.
C) fibras motoras e sensitivas.
D) somente fibras motoras autônomas.

44. São glândulas associadas ao sistema reprodutor masculino humano:

A) próstata e vesícula seminal.


B) próstata e glândulas vestibulares.
C) glândulas endometriais e glândulas vestibulares.
D) glândulas endometriais e vesícula seminal.

45. A camada mais externa da epiderme humana é a

A) basal.
B) germinativa.
C) espinhosa.
D) córnea.

46. A seqüência fisiológica correta das vias urinárias é

A) pelve renal – bexiga – ureteres – uretra.


B) ureteres – pelve renal – bexiga – uretra.
C) pelve renal – ureteres – bexiga – uretra.
D) bexiga – ureteres – pelve renal – uretra.

47. Uma bala que atravessa exclusivamente a cavidade torácica pode causar lesão em
todos os seguintes órgãos, EXCETO

A) pulmão.
B) coração.
C) esôfago.
D) tireóide.

216
48. O órgão denominado “adrenal” pertence a qual dos sistemas orgânicos abaixo?

A) urinário.
B) endócrino.
C) reprodutor.
D) locomotor.
E) digestivo.

49. A foice do cérebro é:

A) uma estrutura da duramáter.


B) uma estrutura do tronco cerebral.
C) uma estrutura medular espinhal.
D) a zona de bifurcação da artéria basilar.
E) uma estrutura cerebelar.

50. O pâncreas está relacionado diretamente com qual das estruturas anatômicas abaixo
relacionadas?

A) o ângulo hepático do cólon.


B) a primeira porção do duodeno.
C) o antro gástrico.
D) a vesícula biliar.
E) a válvula ileocecal.

51 - O tecido nervoso é o responsável pela capacidade do animal de receber, interpretar


e responder aos estímulos do ambiente e do interior do seu próprio corpo. Essas
propriedades devem-se a uma célula altamente especializada, o neurônio, representado a
seguir.

217
Na figura acima, I, II e III são respectivamente:

a) corpo celular, axônio e dendritos;


b) dendritos, corpo celular e axônio;
c) axônio, corpo celular e dendritos;
d) dendritos, axônio e corpo celular;
e) axônio, dendritos e corpo celular.

52 - A eficiência na movimentação de certos ossosdepende muito da ação de músculos


que trabalham demodo antagônico, isto é, quando um músculo se contrai,o outro relaxa,
e vice-versa. Sobre as figuras A e B, analise as afirmativas que se seguem:

218
I - Em A, enquanto o tríceps braquial se contrai, o bíceps braquial relaxa.
II - Em B, o bíceps braquial relaxa, empurrando os ossos rádio e ulna e o antebraço se
estende.
III - Em A, a contração do bíceps braquial puxa os ossos do antebraço, que se dobra
sobre o braço.
IV - Em B, o bíceps braquial relaxa e o tríceps braquial se contrai, diminuindo de
tamanho e fazendo com que o antebraço se estenda.

A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são somente:

a) I;
b) III;
c) I e II;
d) II e IV;
e) III e IV.

53 - Em uma aula prática sobre tipos de ossos, um grupo de alunos recebeu como tarefa
escolher e arrumar quatro ossos de acordo com a seguinte seqüência: dois ossos longos,
um osso laminar (plano ou chato) e um osso curto.
Assinale a opção em que a tarefa foi cumprida corretamente:

a) parietal, frontal, ulna e cuneiforme medial (osso do tarso);


b) ilíaco, tíbia, occipital e cóccix;
c) úmero, esterno, frontal e patela;
d) fêmur, fíbula, escápula e semilunar (osso do carpo);
e) tíbia, rádio, ulna e falange.

54 - Um certo tipo de articulação, que pode ser comparado à dobradiça de uma porta,
permite movimentos de flexão em um único plano. No corpo humano, esse tipo de
articulação é encontrado no (na):

a) ombro e quadril;
b) cotovelo e joelho;
c) quadril e pescoço;
d) pescoço e cotovelo;
e) ombro e joelho.

219
55 - Analise as descrições abaixo, que se referem a duas estruturas ósseas do corpo
humano.

A - formada pelos ossos coxais (do quadril), pelo sacro e pelo cóccix.
B - formada por parte da coluna vertebral, pelas costelas e pelo esterno.
As estruturas descritas em A e B são chamadas, respectivamente
de:

a) cintura escapular e tórax;


b) esqueleto apendicular e esqueleto axial;
c) cintura pélvica e caixa torácica;
d) esqueleto apendicular e cintura escapular;
e) pelve e esqueleto axial.

56 - Em relação ao número de ossos do esqueleto, é correto afirmar que:

a) aumenta com a idade porque certos ossos se fragmentam formando ossos menores;
b) diminui após a fase adulta porque certos ossos se degeneram e são absorvidos pelo
organismo;
c) aumenta do nascimento até a adolescência e diminui após a fase adulta;
d) diminui com a idade porque certos ossos se soldam durante o desenvolvimento do
indivíduo;
e) é o mesmo do nascimento à senilidade.

57 - Relacione os órgãos do sistema digestivo que se encontram numerados, com as


afirmativas que se seguem:

220
I - Os órgãos assinalados pelo número 2 produzem a saliva que atua na digestão das
vitaminas e lubrifica o alimento, facilitando a deglutição.
II - A bile, produzida no órgão de número 5, possui sais biliares que, ao emulsionarem
as gorduras, facilitam a sua digestão.
III - A absorção das moléculas simples de nutrientes e a formação de fezes ocorrem,
respectivamente, nos órgãos indicados pelos números 7 e 8.
IV - A digestão das proteínas contidas nos alimentos é feita por enzimas secretadas
pelos órgãos de número: 4, 6 e 7.
A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são somente:

a) I;
b) II e III;
c) III e IV;
d) I , II e IV;
e) II , III e IV.

58 - Durante o processo de digestão de uma refeição constando, basicamente, das


substâncias I , II e III, ocorreram os seguintes situações:

· Na boca iniciou-se a digestão de I.


· No estômago cessou a digestão de I e iniciou-se a digestão de III.
· No duodeno ocorreu a digestão de I , II e III.
Considerando os fatos acima, pode-se afirmar que I , II e III são, respectivamente:

221
a) glicogênio, lipídio e proteína;
b) amido, proteína e vitamina;
c) proteína, amido e lipídio;
d) glicogênio, lipídio e vitamina;
e) lipídio, proteína e amido.

59 - Sobre as enzimas que atuam na digestão dos alimentos, é correta a seguinte


associação:

a) pepsina .maltose;
b) lipase , lactose;
c) ptialina , amido;
d) tripsina , gordura;
e) sacarase , proteína.

60 - Sobre o esquema abaixo, que representa um coração humano, é correto afirmar que:

a) o sangue que sai do ventrículo esquerdo é enviado aos pulmões, onde sofre hematose;
b) o sangue que circula nas veias pulmonares e na aorta é rico em gás oxigênio;
c) a artéria pulmonar traz sangue oxigenado dos pulmões para o coração;
d) o sangue que circula no lado direito do coração é rico em gás oxigênio e pobre em
gás carbônico;
e) o átrio esquerdo se comunica com o ventrículo esquerdo por um orifício protegido
pela válvula tricúspide.

61 - No corpo humano as trocas de substâncias entre o sangue e as células ocorre nos


(as):

a) artérias;
b) veias;
c) arteríolas;
d) vênulas;
e) capilares.

62 - No esquema abaixo, que representa o sistema respiratório, identifique as estruturas


numeradas:

222
A opção que apresenta a associação correta entre os números e as estruturas é: 1 2 3 4 5

a) bronquíolo, traquéia, brônquio, laringe, alvéolo


b) brônquio, faringe, traquéia, alvéolo, pleura
c) traquéia, brônquio, laringe, alvéolo, bronquíolo
d) brônquio, laringe, bronquíolo, traquéia, alvéolo
e) bronquíolo, pleura, alvéolo, laringe, brônquio

63 - A alternativa que apresenta o órgão comum ao sistema respiratório e digestivo é:

a) brônquios;
b) esôfago;
c) laringe;
d) traquéia;
e) faringe.

64 - No corpo humano, o órgão do sistema nervoso central que, além de interferir em


algumas emoções como o medo e a raiva, controla a sede e a fome é o:

a) hipotálamo;
b) hipófise;
c) córtex;
d) tálamo;

223
e) mesencéfalo.

65 - Sobre a figura abaixo, que representa o sistema reprodutor masculino, são feitas
três afirmativas:

I - Em seu interior encontram-se os tubos seminíferos, onde são produzidos os


espermatozóides.
II - Em seu interior os espermatozóides ficam armazenados e adquirem mobilidade.
III - Sua secreção, rica em substâncias nutritivas, facilita a sobrevivência dos
espermatozóides no seu trajeto em direção ao óvulo.
Ë correto afirmar que os órgãos a que se referem as afirmativas I, II e III são,
respectivamente:

a) 5, 2 e 7;
b) 4, 3 e 1;
c) 9, 7 e 2;
d) 1, 4 e 6;
e) 3, 6 e 5.

66 - Na figura a seguir, que representa o sistema reprodutor feminino, os órgãos se


apresentam numerados.

Associe o esquema às afirmativas abaixo:

I - Em 2 é produzido o óvulo, célula reprodutora feminina.


II - Em 1 , um óvulo é lançado uma vez por mês, é a ovulação.
III - Em 4, ocorre a fecundação, união do espermatozóide com o óvulo.
IV - Em 3, o embrião se aloja, recebe alimento e se desenvolve.

A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são somente:

224
a) II;
b) I e III;
c) III e IV;
d) I, II e IV;
e) II, III e IV.

67. Um cadáver de cor clara só foi periciado e resgatado depois de cerca de 10h de
exposição ao sol. Nessa condição, a pigmentação de sua pele sofreu alteração. A
variação na cor da pele acontece por estimulação dos raios solares, principalmente, nos:

A) adipócitos.
B) fibroblastos.
C) colágenos.
D) melanócitos.
E) elementos da derme.

68. Uma criança morreu com falta de ar por obstrução na garganta, provocada ao tentar
engolir um botão de paletó. Houve fechamento na região das pregas vocais. A válvula,
que regula a passagem de alimento para as vias digestórias, é a:

A) cárdia.
B) pilórica.
C) esofágica.
D) ileocecal.
E) epiglótica.

69. Um indivíduo teve uma estaca de madeira encravada no mediastino e morreu por
hemorragia interna. Essa região está localizada:

A) abaixo do diafragma.
B) nos músculos hipogástricos.
D) no coração.
C) entre os pulmões.
E) colateralmente aos rins.

70. Num acidente automobilístico, o indivíduo teve fratura em duas vértebras cervicais.
Esta região é denominada de

A) torácica.
B) pescoço.
C) sacral.
D) lombar.
E) coccígea.

225
GABARITO

1. B
2. C
3. C
4. B
5. C
6. B
7. D
8. A
9. B
10. A
11. E
12. E
13. B
14. C
15. X
16. C
17. B
18. B
19. A
20. C
21. C
22. D
23. B
24. C
25. B
26. X
27. B
28. D
29. B
30. D
31. C
32. A
33. B
34. B
35. B
36. X
37. X
38. C
39. A
40. B
41. A
42. A
43. C
44. A
45. D
46. C
226
47. D
48. B
49. A
50. B
51. B
52. E
53. D
54. B
55. E
56. D
57. E
58. B
59. C
60. B
61. E
62. D
63. E
64. A
65. B
66. D
67. D
68. E
69. C
70. B

FONTES BIBLIOGRÁFICAS

Foram utilizados como fontes de pesquisa

- Livros de Medicina Legal


-Provas de concursos para médico-legista e técnico em necropsia, de todo o Brasil.
-Manual de técnicas de necropsia da Universidade Federal Fluminense (UFF),
disponível na Internet

227
-Textos sobre o assunto (disponíveis na internet)

Todo esse material foi compilado e resumido com o simples propósito de servir
como fonte de estudos, e foi produzido SEM FINS LUCRATIVOS.

228

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