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Enunciados casos práticos de Direito da Família e das


Sucessões II
Direito da Família e das Sucessões (Universidade do Porto)

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Baixado por Pedro Carvalho (5zazam9679@gmail.com)
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Direito da Família e das Sucessões – Ano Letivo 2017/2018

Hipótese Prática n.º 23

Em junho de 2012, a Sociedade A intenta ação declarativa contra Bernardo e


mulher, Carolina, pedindo a condenação solidária destes a pagarem-lhe a quantia de
12.500€, acrescida de 875 € de juros então já vencidos, além das importâncias referentes
aos juros de mora, entretanto vencidos e vincendos, até ao efetivo pagamento.

A Sociedade A fundamenta o seu pedido nos seguintes factos:


 A autora é uma sociedade financeira para aquisição a crédito;
 Através de um contrato de mútuo celebrado por documento particular,
com data de 14 de março de 2011, concedeu ao réu marido, Bernardo, o montante de
8.750 €, com juros à taxa nominal de 15% ao ano, com vista, segundo informação
por este então prestada, à aquisição de um veículo automóvel com matricula 00-07-
JB da marca XYZ;
 Nos termos acordados, tal quantia e os respetivos juros deveriam ser
pagos em 48 prestações mensais e sucessivas de valor idêntico, vencendo-se a
primeira a 10/04/2011 e as seguintes nos dias 10 dos meses subsequentes;
 O réu marido não pagou a primeira nem nenhuma das seguintes
prestações;
 Os réus casaram entre si em janeiro de 2001, sem convenção antenupcial;
 O empréstimo reverteu em proveito comum do casal dos Réus, atento até
o facto de o referido veículo se destinar ao património comum do casal dos Réus.
Regularmente citados, nenhum dos réus apresentou contestação.

Quid iuris?

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Direito da Família e das Sucessões – Ano Letivo 2017/2018

Hipótese Prática n.º 24

Em janeiro de 2002, Rui e Tânia casam, sem que houvessem celebrado,


anteriormente, convenção antenupcial.
Cerca de cinco anos depois da celebração do casamento, Rui compra a Xavier
uma moradia, por 200.000 €.
No início de 2008, sem conhecimento da mulher, Rui celebra com David um
contrato de arrendamento da referida moradia, por 350 € mensais. A renda é
pontualmente paga pelo arrendatário através de cheques que são entregues no domicílio
do senhorio, umas vezes a Rui, outras a Tânia.
À medida que o tempo passa e dada a falta das necessárias obras de manutenção,
a moradia vai-se degradando, apresentando graves problemas que tornam insalubre e
perigoso a habitação no seu interior. Depois de muita insistência por parte de David
junto de Rui para que faça as intervenções necessárias, o primeiro propõe uma ação
contra o segundo requerendo a condenação do último na realização das obras
indispensáveis a que o arrendatário possa fruir, devidamente, do espaço locado. No
âmbito dessa ação, em 2017, Rui é condenado a realizar as referidas obras. Perante a
falta de cumprimento por parte do senhorio, é instaurada ação executiva para a
prestação do facto devido, na sequência da qual o arrendatário, David, realiza, nos
termos do art. 871.º do Código de Processo Civil, as obras por um montante de 5.000 €
que Rui não paga.
Em 2018, David intenta ação contra Tânia, pedindo que esta seja condenada a
pagar os 5.000€, solidariamente com Rui, em virtude da comunicabilidade da dívida que
foi contraída pelo seu marido Rui.

a) Diga se Tânia responde pela dívida e, em caso afirmativo, com que bens.

b) Suponha que que Rui e Tânia tinham casado no regime de separação de


bens. A solução será a mesma?

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Direito da Família e das Sucessões – Ano Letivo 2017/2018


Hipótese Prática n.º 25

António, casado com Bernardete no regime de comunhão de adquiridos, e dono de uma


papelaria, vende, por ocasião do Carnaval de 2016, a Carlos, criança de 15 anos uns artefactos
explosivos, vulgarmente conhecidos como “bombinhas de Carnaval”.
As referidas “bombinhas” acabam por explodir quando Carlos as manuseava, ferindo-o,
gravemente, nas mãos e na face.
António é condenado ao pagamento de uma coima de 3000 €, em virtude de ter praticado
uma contraordenação ao vender aqueles produtos a menores de 16 anos e a uma indemnização no
valor de 5.000 € a Carlos.
1. Pode Bernardete ser responsabilizada pelo pagamento dos 8.000 € em dívida?

2. Suponha, agora, que o ato praticado por António não constitui uma contraordenação.
a) Os pais de Carlos propõem uma ação contra António e Bernardete para obter uma
indemnização no valor de 5.000 €. Supondo que o Tribunal dá por verificados os pressupostos de
responsabilidade civil quanto a António, condenando-o a pagar o referido quantum reparatório,
pergunta-se se a ação procederá também contra Bernardete.
b) A resposta seria a mesma no que respeita à procedência da ação quanto à Bernardete,
sabendo que:
 Bernardete, na sua contestação, alega que desconhecia que o marido vendia aquela
espécie de produtos e que não beneficiou da atividade desenvolvida pelo mesmo,
porquanto, desde 30 de Janeiro de 2011 que se davam mal, não fazendo vida em comum,
em virtude de o marido gastar “todo o dinheiro, que ganhava e o que não ganhava, no
jogo”.
 Em juízo fica provado que, quanto ao destino dos rendimentos auferidos pelo réu
marido no exercício da sua atividade profissional, o mesmo pagava um montante de 350 €
mensais à mulher para ela fazer face às despesas domésticas, nomeadamente com os
filhos, e que ele gastava algum dinheiro ao jogo.

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Hipótese Prática n.º 26

Antónia e Ricardo casaram no dia 14 de setembro de 1990, sem precedência de


celebração de convenção antenupcial.

Antónia é funcionária administrativa numa repartição pública e Ricardo é


empresário do ramo da construção civil.

Até meados da primeira década do século XXI, o casal beneficia de uma vida
economicamente muito folgada, em virtude do sucesso do negócio do Ricardo.

A partir dessa altura, a situação começa a inverter-se, agravando-se em especial


no ano de 2010. O volume de trabalho de Ricardo diminui, o número de créditos não
liquidados de que é titular aumenta e as suas dívidas face aos fornecedores multiplicam-
se. A falta de liquidez condu-lo a contrair vários empréstimos bancários para custear as
matérias-primas e para pagar às pessoas que consigo trabalham.

Apesar das muitas dívidas acumuladas, da conjuntura económica desfavorável e


da grave crise que afeta, em particular, o setor imobiliário, Ricardo, contrariando o
conselho do seu consultor financeiro, decide contrair um novo empréstimo para
financiar a continuação da sua atividade empresarial. A decisão revela-se ruinosa.

a) Antónia encontra-se muito preocupada com a situação descrita e teme as


consequências que poderão afetar o que é seu. O que poderá ela fazer?

b) Considere, agora, que a situação é um pouco diferente.

Em janeiro de 2016, Antónia intenta contra seu marido Ricardo uma ação sob a
forma de processo ordinário, pedindo que seja decretada a separação judicial de bens
entre si e o seu marido. Na ação, foi considerada assente a seguinte factualidade:

1. Autora e Réu casaram no dia 14 de setembro de 1990, no regime supletivo da


comunhão de adquiridos.

2. Pelo menos, até 10 de dezembro de 2015, o Réu dedicou-se a negócios de


construção civil.

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3. Realizou a atividade designadamente através da sociedade X, com sede em


…., na qual exerce as funções de sócio gerente.

4. A Autora sempre foi alheia a todos os negócios celebrados pelo Réu.

5. A Autora é completamente alheia à atividade comercial do marido.

6. Durante alguns anos, a situação económica do casal decorreu de forma


equilibrada.

7. Em dezembro de 2015, a Autora tomou conhecimento que o Réu havia


contraído dívidas, em nome da Sociedade X, nomeadamente junto de entidades
bancárias e de alguns fornecedores.

8. A sociedade X é devedora ao Banco Y da quantia de, pelo menos, 115.000


euros.

9. A sociedade X é devedora à Segurança Social do valor de € 4.500 euros.

10. O Réu tem as seguintes responsabilidades creditícias perante o Banco Z:


empréstimo ao consumo no montante de 6.000 euros e leasing automóvel no montante
de 5.000.

11. O valor do empréstimo ao consumo foi utilizado na compra de produtos


alimentares e de higiene para a casa.

12. O contrato de leasing foi celebrado pela Autora e pelo Réu.

13. Alguns credores do Réu têm insistido no pagamento das dívidas, revelando,
ainda, terem intenção de proceder judicialmente contra aquele.

14. A Autora tem receio de perder todo o seu património.

15. Até à data o Réu não pagou as dívidas acima referidas.

Quid iuris?

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Direito da Família e das Sucessões – Ano Letivo 2017/2018


Hipótese Prática n.º 27

I
Alexandra e Bernardo casam em início de fevereiro 2018.
Hoje, passado um mês, os cônjuges consideram que a decisão de casar não foi a
acertada. Para não se precipitarem, decidem requerer, de imediato, por acordo, a separação
de pessoas e bens.
a) Podem fazê-lo? Em caso afirmativo, qual a entidade competente para a decisão? E
se optassem pelo divórcio?
b) A resposta seria diferente se o casal tivesse um filho menor?
c) Quais são os efeitos do decretamento da separação de pessoas e bens?
II
Suponha, agora, que Alexandra e Bernardo se tinham casado fevereiro de 2010.
Em finais de janeiro de 2018, Alexandra intenta uma ação de separação de pessoas e
bens sem consentimento do outro cônjuge contra Bernardo, alegando que ambos, apesar de
viverem na mesma casa, não fazem vida de casados desde o início do mês de janeiro de
2017.
Bernardo contesta, alegando que, durante o mês de Agosto de 2017, o casal superou
as suas desavenças, tendo passado as suas férias conjuntamente como marido e mulher.
Por outro lado, Bernardo deduz pedido reconvencional peticionando o decretamento
do divórcio, imputando a Alexandra a prática, três anos antes, de atos de agressão física.
Alega que, em janeiro de 2015, no calor de uma discussão Alexandra lhe havia dado
bofetadas e murros que lhe provocaram ferimentos que importaram que fosse observado e
tratado nas urgências do Hospital Y (cujo relatório médico junta).
a) Como decidirá o tribunal, considerando que todos os factos alegados são
considerados provados?
b) Se a separação judicial de pessoas e bens fosse decretada, de que forma poderão
os cônjuges formalizar uma eventual reconciliação, no caso de pretenderem reatar
a vida conjugal? Quais os efeitos patrimoniais dessa reconciliação?
a) Suponha que a decisão que decreta a separação de pessoas e bens transita em
julgado em 10 de julho de 2018 e que no decurso do mês seguinte Bernardo
comete adultério. Poderá Alexandra requerer o divórcio de imediato? De que
forma?

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Direito da Família e das Sucessões – Ano Letivo 2017/2018

Hipótese Prática n.º 28

João e Maria contraíram casamento católico em 2 de outubro de 2003, sem


precedência de convenção antenupcial. Desse casamento, nasceu a 28 de janeiro de
2012 um filho, Norberto.

No dia 14 de agosto de 2016, os três são vítimas de um grave acidente de viação,


na sequência do qual, João sofreu um traumatismo crânio-encefálico, tendo
imediatamente sido hospitalizado e entrado em estado de coma que se prolongou por
cerca de um mês. Findo tal período, João manteve-se internado em vários hospitais até
ao início de 2017.

Nesse intervalo de tempo, Maria dedicou-se ao acompanhamento de João,


visitando-o todos os dias depois de sair do trabalho. Sempre com esperança de que os
tratamentos determinassem a recuperação do estado de saúde do seu marido, manteve-se
em contacto muito frequente com os profissionais de saúde que o assistiam,
acompanhando-o pessoalmente nas consultas médicas em Portugal e no estrangeiro.

Apesar dos bons cuidados médicos que lhe foram prestados e do permanente
acompanhamento da mulher e restante família, a recuperação de João é muito limitada.
Em consequência do acidente, fica a padecer de várias sequelas graves e de uma
hidrocefalia, bem como de uma incapacidade para o trabalho fixada em 95%. As lesões
cerebrais impossibilitam definitivamente o réu de levar a cabo as tarefas básicas do dia-
a-dia.

Após a data em que saiu do Hospital, João vai viver para a casa dos seus pais,
em Aveiro, dado que, como ambos se encontram já reformados, têm maior
disponibilidade de tempo para lhe prestarem os cuidados necessários.

Maria permanece com o filho na casa de morada de família, no Porto, cidade em


que tem um emprego estável, como quadro superior de química, na fábrica de tintas L.
Durante alguns meses Maria desloca-se a Aveiro todos os fins-de-semana, de forma a
permitir o convívio do filho de ambos com João e ainda com o intuito de lhe continuar a
dar apoio.

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Não obstante estar até ao presente a ser observado e a fazer fisioterapia, João
continua a não locomover-se sozinho. Consegue, auxiliado e amparado por terceiros,
percorrer algumas distâncias, consegue ler e sabe alguns números de telefone,
nomeadamente o da casa onde vive Maria e o filho Norberto.

João continua a tomar medicação diária que não se prevê que venha a deixar de
lhe ser ministrada e continua a ser submetido a tratamentos, por conselho médico, em
clínica especializada em Espanha, onde é transportado pelos pais. Estas viagens e
tratamentos implicam percorrer 1.600 Kms, estadia em hotel durante pelo menos 2
noites do João e acompanhantes e, pagamentos à clínica que, de cada vez, importam em
não menos de 500 €.

Maria, entretanto, deixa de acompanhar assiduamente a situação de João que


conhece apenas quando os sogros vêm buscar Norberto para que ele visite o pai.

a) Maria conclui que, em consequência das sequelas das lesões sofridas por João no
acidente, a possibilidade de vida em comum estava comprometida e quer pôr fim
ao casamento. Para tal propõe, hoje, contra João uma ação de divórcio sem
consentimento de um dos cônjuges. Considerando que se dão como provados os
factos atrás relatados, pronuncie-se sobre a viabilidade do pedido da Autora.

b) João pretende aconselhamento jurídico para saber se, uma vez decretado o
divórcio, poderá continuar a beneficiar do apoio da mulher, qualquer que seja o
desfecho da ação de divórcio. Quid iuris?

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Direito da Família e das Sucessões – Ano Letivo 2017/2018

Hipótese Prática n.º 29

Em janeiro 2018, Bernardo intenta contra Cristina ação de divórcio sem


consentimento do outro cônjuge com fundamento na separação de facto há mais de um
ano consecutivo, pedindo que se decrete o divórcio entre ambos, alegando não fazerem
os cônjuges vida em comum desde dezembro de 2015, sendo seu propósito não reatar a
vida em comum.

Como deve o tribunal decidir, sabendo que a tentativa de conciliação se revelou


mal sucedida, que a ré não deduziu contestação e que o Tribunal considerou provados
os seguintes factos:

1.º Autor e ré contraíram casamento católico, sem convenção antenupcial, em 23


de abril de 2005;

2.º Autor e ré, depois do casamento, foram viver para uma casa arrendada na
Rua X em Bragança;

3.º Em 5 de novembro de 2007, nasceu Diana, a qual tem a paternidade e a


maternidade registadas em nome de autor e ré, respetivamente;

4º Desde 15 de dezembro de 2015, o autor reside na Rua Y, em Bragança;

5º Entre meados de setembro de 2016 e fevereiro de 2017, o autor passou a


maior parte do seu tempo na Rua Z, na cidade da Maia, por estar a estudar da Faculdade
de Engenharia da Universidade do Porto.

6.ª A ré vive até ao presente na casa arrendada na Rua X, em Bragança.

Considere ainda que Tribunal julgou não provados os demais factos alegados
pelo autor, designadamente que “desde dezembro de 2015 autor e ré não residem
debaixo do mesmo teto, não falam um com o outro, vivendo como estranhos”.

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Hipótese Prática n.º 30

Alberto intentou uma ação de divórcio sem consentimento de um dos cônjuges


contra Bernardete, pedindo o decretamento do divórcio entre ambos. Para fundamentar
o seu pedido, alegou que, tendo o seu casamento sido celebrado a 29 de Setembro de
2005 e havendo desse casamento nascido duas filhas, a partir de 2014 os
desentendimentos entre Alberto e Bernardete tornaram-se constantes e intensos,
designadamente por problemas financeiros, desgastando-se física e emocionalmente a
relação e encontrando-se, consequentemente a vida em comum irremediavelmente
comprometida. Alegando ainda que da sua parte existe o firme propósito de não
restabelecer a convivência conjugal, conclui que, verificando-se rutura definitiva do
casamento, há fundamento para o divórcio, nos termos da alínea d) do art.º 1781 do CC.

Após frustrada tentativa de conciliação, Bernardete contestou, defendendo


inexistir rutura entre o casal e concluindo pela improcedência da ação.

O Tribunal de 1ª instância julgou provados os seguintes factos:

1. Alberto e Bernardete contraíram casamento católico a 29 de Setembro de


2005, na Igreja Paroquial da freguesia de X e concelho de Y, sem convenção
antenupcial.

2. Deste casamento nasceram duas filhas: Carla nascida a 3 de janeiro de 2005 e


Diana nascida a 23 de setembro de 2007.

3. Alberto tem o firme propósito de não restabelecer a convivência conjugal.

Quid iuris?

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Hipótese Prática n.º 31

Alda e Rui casaram catolicamente, no dia 26 de fevereiro de 1987, escolhendo


em Convenção Antenupcial o regime de comunhão geral.

A partir de janeiro de 2017, Rui apercebe-se de que Alda fala frequentemente ao


telemóvel e troca mensagens escritas muito numerosas com o diretor de um curso de
formação que a última frequenta desde setembro do ano anterior. Desconfiado, Rui
passa a sujeitar Alda a interrogatórios diários, procurando obter informações detalhadas
sobre o conteúdo de tais conversas.

Em finais de Março de 2017, Alda, cansada da desconfiança do marido, decide


sair de casa, passando a viver num apartamento que os seus padrinhos lhe haviam doado
em Convenção Antenupcial com cláusula de incomunicabilidade.

Rui inconformado com esta atitude de Alda, procura-a no local de trabalho,


tentando convencê-la a que regresse a casa. A conversa converte-se numa discussão
acesa e Rui insulta-a e agride-a com violência. Alda é conduzida para o Hospital, onde
permanece dois dias internada. Durante uma semana não pode trabalhar, gastando várias
centenas de euros em tratamentos e fármacos. Depois disso, tem dificuldade em encarar
os colegas e vizinhos do local de trabalho, vivendo angustiada com o sucedido.

a) Rui propõe, a 15 janeiro de 2018, contra Alda uma ação de divórcio,


peticionando também alimentos, dado que se encontra desempregado há vários meses.
Alda, em reconvenção, pede o divórcio e uma indemnização pelos danos por ela
sofridos e pelo desgosto que o fim do seu casamento lhe causará. Pronuncie-se sobre os
possíveis fundamentos e a viabilidade dos pedidos formulados?

b) A 1 de fevereiro 2018, numa discussão acalorada ocorrida num encontro


casual, Rui diz a Alda que, decretado o divórcio, ela não terá qualquer direito sobre os
bens herdados por morte do pai de Rui, ocorrida em 2008 e diz-lhe, também, que ela vai
perder a casa onde agora vive. Alda consulta um advogado para saber se tal informação
é fundada. Alda aproveita a ocasião para se esclarecer sobre uma outra dúvida. Estando
a fazer prospeção para aquisição de um automóvel, ela tem adiado a celebração do

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negócio, porque não quer que o marido adquira qualquer direito sobre o mesmo. Alda
quer saber se os seus receios são justificados. Quid iuris?

c) Considere que Rui morre num acidente de viação em meados do mês de


março. Sérgio, irmão de Rui e seu único parente sobrevivo, pretende saber quais são os
efeitos da morte de Rui sobre a ação de divórcio em curso. Que informação e conselho
jurídico lhe prestaria?

d) Suponha, por fim, que o divórcio é decretado e que Alda, durante as três
décadas de casamento, se havia dedicado devotamente à vida do lar e à educação e
cuidado de três filhos do casal, hoje maiores e a viver no estrangeiro. Hoje, com mais de
60 anos de idade, e com uma escolaridade correspondente ao 4.º ano do ensino básico,
Alda, apesar dos seus esforços, não consegue encontrar trabalho. Respondem-lhe
sistematicamente que é muito velha e que lhe faltam qualificações. Alda pretende saber
se não poderá obter alguma compensação por esta sua dedicação ao lar e aos filhos.
Afirma que, só assim, o marido pôde concentrar-se intensamente na sua carreira
profissional, a ponto de o mesmo ter chegado ao topo da mesma, o que, no presente, lhe
proporciona um salário muito elevado e, no futuro, proporcionará uma pensão de
reforma igualmente avultada. Quid iuris?

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Hipótese Prática n.º 32

Norberto e Vitória casam-se em 2000, tendo escolhido antes da celebração do


casamento, em Convenção Antenupcial, o regime de Comunhão Geral.

O divórcio transita em julgado, em fevereiro de 2018.

Como se fará a partilha do património comum, considerando que:

I. À data da extinção das relações patrimoniais entre os cônjuges existiam os


seguintes bens:

a) uma moradia (500.000 €) adquirida, em 2003, por Norberto e Vitória, com


recurso, para pagamento do preço respetivo, a um mútuo bancário celebrado por ambos
com o Banco Y de que faltam ainda liquidar 40.000 €;

b) um terreno (100.000 €) adquirido apenas por Norberto, em 2004, que pagou o


preço com 40.000 € de salários, por ele, auferidos já na constância do casamento e com
60.000 € depositados numa conta-poupança de que ele já era titular ao tempo do
casamento, tendo a proveniência do dinheiro sido atestada pela mulher no ato de
aquisição do terreno;

c) um barco (150.000 €) que Vitória, grande velejadora, havia adquirido, em janeiro


do ano 1998, com claúsula de reserva de propriedade até integral pagamento do preço o
que ocorreu em 2008. O preço foi liquidado com as rendas pagas a Vitória pelos
arrendatários de dois apartamentos que ela havia herdado, em 1990, por morte de seus
padrinhos (50.000 € de rendas relativas ao período anterior à celebração do casamento e
100.000 € relativas ao período posterior);

d) 200.000 € depositados numa conta bancária conjunta, onde depositaram as


poupanças dos salários auferidos por ambos durante a vigência do casamento (80.000 €
dos salários da Vitória e 120.000 € dos salários de Norberto);

e) 15.000 € depositados numa conta bancária titulada por Norberto e que lhe haviam
sido pagos, em 2006, por Xavier na sequência de uma sentança condenatória do último
por uma agressão violenta àquele;

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II. em 2007, Norberto havia mandado vedar, com um muro em pedra, o terreno
referido supra sob o número 2, tendo pago o preço (10.000 €) respetivo com o produto
de salários, por si, auferidos nos últimos dois anos;

III. em início de 2006, Vitória pagou, com rendas dos últimos 2 anos liquidadas
pelos arrendatários dos apartamentos referidos supra sob o número 3, uma
indemnização no valor de 20.000 € a Zeferino pelos danos provocados por um acidente
ocorrido quando comandava o seu barco;

IV. Norberto vendera, em 2005, uma medalha (5.000 €), que havia herdado no ano
anterior por morte do seu padrinho, para pagar todos os custos decorrentes de uma
intervenção cirúrgica a que a filha comum do casal havia sido submetida;

V. Xavier, empreiteiro que realizara, em 2012, a substituição do sistema elétrico na


casa supra referida sob o n.º 1, demanda ainda o pagamento de 10.000 €
correspondentes a metade do preço acordado;

VI. Vitória foi, entretanto, condenada a pagar a Norberto 5.000 € a título de


indemnização por danos provocados (intencionalmente, na fase final do seu casamento,
como retaliação contra a pretensão do marido a pedir o divórcio) na administração de
uma bolsa de ações que Norberto recebera, em 2007, por morte de seu padrinho com
cláusula de incomunicabilidade e que Norberto a havia mandatado para administrar.

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