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Avicultura – Ovos Caipiras

Vanessa Huback

1 Panorama Geral

A criação de galinhas poedeiras é uma atividade com grande potencial de gerar lucro para
os produtores rurais. No Brasil, ela é praticada desde os pequenos produtores, até as
grandes granjas, que vendem milhares de dúzias diariamente. Segundo o Censo
Agropecuário do IBGE, o país produziu mais de 4,6 bilhões de dúzias de ovos em 2017
(IBGE, 2018).

Segundo o último levantamento do IBGE, o Rio de Janeiro produziu cerca de 13 mil


dúzias em 2017, o que é um número muito reduzido, perante outros estados, como Paraná
(491 mil dúzias), Minas Gerais (407 mil dúzias) e Espírito Santo (389 mil dúzias)1
(IBGE, 2018).

1
Os dados referem-se ao total de ovos produzidos, pois não há dados somente para os ovos
caipira.
Os municípios fluminenses que se destacaram na produção de ovos de galinha foram São
José do Vale do Rio Preto, Paraíba do Sul e Campos dos Goytacazes, como mostra a
tabela abaixo (não há diferenciação entre os tipos de ovos) (IBGE, 2018).

Tabela 1- Principais produtores de ovos no estado do RJ

Número de
Quantidade produzida de ovos
Município estabelecimentos
de galinhas (Mil dúzias)
(Unidades)

São José do Vale


3472 63
do Rio Preto

Paraíba do Sul 1891 117

Campos dos
770 2110
Goytacazes

Carapebus 426 328

Teresópolis 357 577

Fonte: Elaboração própria, a partir de dados do Censo Agropecuário 2017 (IBGE,


2018).

Este estudo se dedica a fornecer informações a pequenos produtores voltados à produção


de ovos do tipo caipira. Essa cultura tem alcançado um maior valor no mercado se
comparado aos ovos de granja, pois a produção atual é insuficiente para o atendimento à
uma demanda crescente. De fato, cada vez mais, os consumidores valorizam o melhor
sabor e maior valor alimentício do ovo caipira e, inclusive, o bem-estar animal.

Trata-se de uma cultura de fácil manejo e que pode alcançar bons níveis de faturamento,
mesmo dispondo o produtor de espaços relativamente pequenos. Tradicionalmente, o ovo
caipira é vendido por produtores familiares, embora nos últimos anos tenha ocorrido um
aumento da produção desse tipo por grandes empresas.

A maioria dos produtores familiares não possuem o selo de inspeção. Por isso, a maioria
pratica suas vendas na porteira, nas casas dos clientes, em feiras agroecológicas ou para
produtores de cestas de produtos naturais. Podem também vender para entrepostos que
possuem selo e que fazem a inspeção e a embalagem, porém, pagam um preço menor.
Muitas vezes, a produção começa para consumo próprio da família rural, e depois, com o
crescimento do plantel, a maior parte da produção passa a ser comercializada.
Tipicamente, esses produtores iniciam a atividade com plantéis de cerca de 60 galinhas.
Outro aspecto interessante é que, em geral, os produtores familiares criam suas aves no
manejo semi-intensivo e trabalham no sistema de policultura, produzindo, por exemplo,
hortaliças, milho, mandioca, etc (EMBRAPA, 1998).

2 Fatores críticos

a) Locais propícios - As aves não possuem muitas restrições quanto à temperatura, mas
o ideal é que a média não passe dos 32º e que a temperatura mínima não seja muito
baixa. O terreno deve ser plano, com farta pastagem e pés de frutas, como a bananeira.
A propriedade deve ter perfurado o seu poço artesiano, com outorga emitida pelo Inea
ou pela Emater, pois uma boa oferta de água é fundamental para as galinhas, tanto no
bebedouro como para irrigar os piquetes. O produtor deve ter um local na propriedade
para armazenar a ração e um cômodo para os ovos (EMBRAPA, 2017a).

b) Alimentação - A base da ração das aves é composta por milho e soja. Para o pequeno
produtor diminuir os gastos, o ideal seria produzir toda a ração na propriedade, mas
isso nem sempre é possível. Contudo, na produção de ovos caipiras, especialmente
com a adoção de piquetes para pastagem das aves, há uma sensível redução do
consumo de ração, principalmente se os piquetes forem bem rotacionados e lhes forem
oferecidos alimentos complementares como frutas, legumes e folhas com alto teor de
proteínas (EMBRAPA, 2010a).
c) Perdas na produção - Criar poedeiras necessita cuidados, pois o produtor está sujeito
à contaminação das aves. Por isso, é necessário que a vacinação esteja em dia e que o
bebedouro e o galinheiro sejam limpos constantemente. Por conta da pastagem, as
galinhas caipiras ficam mais expostas a animais selvagens.

3 Roteiro básico para tornar-se avicultor de ovos caipiras

A seguir, apresentam-se os passos iniciais na atividade num horizonte de quatro anos. O


exemplo considera o financiamento do Programa Nacional do Crédito Fundiário - PNCF
- de R$140 mil, a ser pago em 25 anos, com uma taxa de 2,5% ao ano. Deste valor, são
descontados R$ 7.500,00 para assistência técnica e cerca de R$2.500,00 para encargos
diversos, restando R$ 130 mil para aplicação na propriedade. Nesse financiamento da
propriedade, o produtor irá ter três anos de carência, e começa a pagar somente no quarto
ano, cerca de R$ 8 mil por ano.

Além do PNCF, existe a possibilidade de contratar um financiamento de R$ 25 mil pelo


PRONAF A. Esse financiamento adicional é muito importante, pois poderá ser usado para
a compra de poedeiras adultas em primeiro ano de produção (o que não é possível com
os recursos do PNCF). O restante poderá ser usado para a construção do galpão e dos
piquetes. Desta forma, muito rapidamente, o produtor poderá começar a obter renda na
sua propriedade. Mas, diferentemente do PNCF, o pagamento do financiamento do
PRONAF A já ocorre desde o início e seu custo deve ser levado em consideração desde
logo, conforme demonstrado adiante. O prazo de pagamento do PRONAF A é de 10 anos,
com uma taxa anual de 0,5%, acarretando uma prestação mensal de cerca de R$ 2.500,00.
O quadro a seguir resume os encargos financeiros a serem incorridos.

4 Planejamento

O planejamento da produção e dos investimentos segue o roteiro básico a seguir:

1) Definição da renda líquida mínima necessária com a atividade.


No exemplo a seguir, supôs-se uma família onde três trabalham na propriedade,
tendo por objetivo uma renda total de ao menos R$ 40 mil reais por ano.
2) Definição do volume de produção.
Para a definição dos investimentos a serem feitos, é preciso calcular primeiro o
volume de produção, no caso, a quantidade de dúzias de ovos a serem vendidas
por ano (Q), utilizando-se a simples equação dada a seguir:
Q = (R + Df)/(Pv – Dp – Dc)
Onde:

R: Renda líquida anual

Df: Despesas financeiras


Pv: Preço de venda de uma dúzia de ovos (No caso do agricultor familiar,
não foram considerados impostos).

Dp: Despesas totais de produção de uma dúzia de ovos

Dc: Despesas totais de comercialização de uma dúzia de ovos

Detalhando-se mais estas despesas tem-se:

• Despesas de produção: Dp = Da + Dg + Dr – Rc
a. Despesa com alimentação por dúzia de ovos produzida, inclusive perdas:
Da
Boas práticas de criação de ovos caipiras, com bons piquetes e
fornecimento de alimentos suplementares às aves, indicam um custo de
ração da ordem de 25% do preço de venda da dúzia de ovos, ou seja, Da=
25%.Pv (EMBRAPA, 2010a).
b. Despesas gerais (água, energia elétrica e manutenção): Dg
Tomando-se novamente por base os custos habituais com galinhas soltas,
costuma-se adotar o valor de 5% do preço de venda, ou Dg = 5%.Pv
(EMBRAPA, 2010a)
c. Receita anual com venda de cama de palha como adubo: Rc
O valor normalmente considerado para esta receita é de 5 centavos para
cada dúzia de ovos produzida, ou cerca Rc= 0,6%. Pv. (EMBRAPA,
2010b)
d. Despesas com reposição e ampliação do plantel: Dr
Para o cálculo destas despesas precisa-se levar em conta os fatores a
seguir:
P: número de poedeiras
Td: taxa de descarte por óbito
Tv: taxa de descarte por envelhecimento
Tc: taxa de crescimento do plantel (para que ao cabo de 3 anos se tenha
uma receita capaz de cobrir o aumento de R$ 8 mil nas despesas
financeiras com o término da carência do PNCF).
Pvv: preço de venda da poedeira envelhecida
Pcn: preço de aquisição de poedeira nova (prestes a entrar em produção)
Os seguintes valores costumam ser encontrados em criações de pequeno
porte (EMBRAPA, 2017b; CNA BRASIL, 2017):
Td = 1% ao ano
Tv= 30% ao ano (para uma vida útil de 18 meses de cada poedeira)
Tc = 3% para atingir-se o crescimento necessário do plantel
Pvv = R$ 20,00, preço de venda de galinha descartada
Pcn = R$ 32,00
Tem-se então:
Dr/Q (despesas de reposição por dúzia produzida) = P/Q. (Td + Tv + Tc).
Pcn – P/Q.Tv.Pvv
Dr = P/Q. (1%+30% + 3%).32,00 – P. 30%.20,00 = 4,88.P/Q
Considerando-se uma produtividade média de 25 dúzias por ave, por ano,
tem-se:
Dr = 4,88/25 , cerca de R$ 0,20 por dúzia, ou 2,5%.Pv
Então:
Dp = (25%+5%+2,5%-0,6%).Pv, ou cerca de 32% de Pv.

• Despesas de comercialização: Dc = De + Cc
a. Despesas com a embalagem de cada dúzia comercializada;

b. Custos de comercialização (comissões de venda, transporte, etc.) por dúzia;


Cc
Valores habitualmente praticados indicam:
De = 0,5
Cc = 0,35
Ou
Dc = 5%.Pv

• Despesas de financiamento: Df
PRONAF A: R$ 2.545,00 ao ano
PNCF: R$ 8.000,00 ao ano (Apesar do pagamento do PNCF somente começar
após decorridos 3 anos, aconselha-se ao produtor já implantar toda a
infraestrutura necessária desde o início e ir ampliando progressivamente o
plantel.)
Obtém-se então o valor da quantidade de dúzias de ovos a ser comercializada após
os três anos iniciais:
Q = (R + Df)/ (Pv – Dp – Dc)
Q = (40.000 +10.545)/(Pv – 32%.Pv – 5%.Pv)
Ou:
Q = 80.230/Pv
Tomando-se por base o preço de venda de 8,00 por dúzia de ovos caipira
praticados em 2018, de acordo com pesquisa de preços em feiras agroecológicas
do Rio de Janeiro, tem-se um valor para Q de aproximadamente 10 mil dúzias de
ovos a serem produzidos anualmente.
E considerando-se uma produtividade média de 25 dúzias por ave (EMBRAPA,
2017a), por ano, chega-se a um plantel de 400 poedeiras.

3) Definição dos investimentos necessários.


Uma vez conhecidos os dados de produção, é possível projetar a infraestrutura
necessária e os custos correspondentes e com a aquisição do plantel inicial.
Para a produção de ovos caipira, é ideal uma propriedade de pequeno porte, com
área para os piquetes e área para o plantio de culturas como milho e mandioca. A
propriedade deve ser preferivelmente plana ou de ondulação moderada e o
produtor deve construir piquetes, para que as galinhas pastem. Além dos piquetes,
deve ser construído um galpão com subdivisões, e com um pinteiro para os
filhotes.

O investimento total necessário para a parte produtiva da propriedade, portanto,


será dado pela expressão:

I = Ia +Ig + Ip + Im

Onde:

Ia: gastos com a aquisição de poedeiras em primeira postura

Ig: gastos com o galpão onde as aves se abrigam à noite e põem os ovos

Ip: gastos com os piquetes rotacionados

Im: gastos com a implantação das lavouras auxiliares (milho, etc)


Ii: gastos com sistema de irrigação dos piquetes e lavouras

Tem-se:

Poedeiras:

Ia = 400.32,00 = 12.800,00

Galpão:

Ig = 400. Sa. Ca onde

Sa: espaço necessário por ave, tipicamente 1/3 m2 (EMBRAPA, 2017a)

Ca: custo do m2 de galpão, a preços de 2018, segundo informações de produtores:


R$ 135,00

Ig = 18.000,00

Piquetes:

Supondo piquetes rotacionados, a área total do parque dependerá da área de


ocupação de cada ave. Para uma ocupação média recomendada de 5 m²/ave
(EMBRAPA, 2010b), a área de cada piquete será de cerca de 2 mil m². Com uma
rotação por mês e tempo de recuperação do piquete de 3 meses, tem-se a
necessidade de 4 piquetes ou 8 mil m².
A quantidade de cerca necessária varia de acordo com a topografia do terreno.
Adotando-se uma situação intermediária, chega-se a um perímetro total de cercas
da ordem de 600 metros. Os cercados dos piquetes devem ser feitos com tela de
arame galvanizado de no mínimo 1,5 m de altura, com uma mureta de 5 cm junto
ao solo, que impeça o contato da tela com o solo. O custo por metro deve levar
em conta o custo da tela (cerca de 6,00) mais o da mureta, mourões, pregos, etc,
num total de cerca de R$ 10,00/m.
Assim, tem-se que o custo dos cercados ficará em torno de R$ 6.000,00.

Implantação das lavouras:


Para complementar a alimentação das aves, recomenda-se a plantação de mudas
de capim estrela africana. Para a área de piquetes considerada, isso representa um
custo da ordem de R$2.000,00 (CNA BRASIL, 2017).
Para a implantação das roças de milho e mandioca numa área de 1 hectare, os
gastos com sementes, mudas e fertilizante chegam a mais R$ 2.000,00
(EMBRAPA, 2017B).
Im = 4.000,00
Observação: É recomendável que nas cercas dos piquetes sejam plantados
arbustos como bananeiras, guandu, etc., que servirão para reforço da alimentação.

Sistema de irrigação:
Uma boa irrigação da área dos piquetes (8 mil m2) e da lavoura (10 mil m2) é de
suma importância para o êxito da criação de aves poedeiras.
É difícil prever-se os gastos com captação, bombeamento e distribuição de água
sem considerar-se as condições específicas do terreno.
De um modo geral, contudo, pode-se considerar um gasto da ordem de R$ 2 mil
para a implantação de um poço artesiano médio e gastos com estação de bomba e
dutos de R$ 1,5 mil.
Ii = 3.500,00

Investimento total:
I = Ia + Ig + Ip + Im + Ii, aproximadamente: R$ 44 mil

Ou seja, dado que o montante dos empréstimos (PRONAF A + PNCF) pode chegar
a R$ 155 mil, reservando-se R$ 44 mil para os investimentos na atividade produtiva,
restam ao produtor familiar interessado na criação de aves poedeiras um total de
R$ 111 mil para aquisição de uma propriedade com moradia e cerca de 2 hectares
de terra.

5 Comercialização

A comercialização é um dos grandes entraves dos agricultores familiares do Rio de


Janeiro, inclusive dos produtores de ovos caipira. Muitos destes vendem para
atravessadores, devido à falta de tempo ou de veículo para comercialização. No entanto,
isso gera uma redução nos lucros do agricultor, visto que os atravessadores compram as
dúzias ou as cartelas com 30 ovos a um preço muito mais reduzido. O que pode ser feito
para minimizar esse problema são acordos de pré-venda, com combinação de preços por
um determinado período. Outra forma de comércio é com pessoas que comercializam
cestas de produtos naturais, que compram em pequenas quantidades, e costumam
revender a R$12,00 a dúzia. Nesse caso, muitos estão dispostos a pagar aos produtores
um preço melhor do que os atravessadores, que revendem a preços mais baixos e em
quantidade maior.
A principal saída para o produtor garantir bons preços é a venda em feiras agroecológicas
ou a entrega na casa dos clientes, visto que sem certificação não é possível a venda em
supermercados ou estabelecimentos comerciais. Nos últimos anos, houve um aumento na
demanda por ovos do tipo caipira, devido à preocupação com o bem-estar animal, à
qualidade do produto em termos nutricionais e ao paladar diferenciado.
No entanto, a concorrência com o preço dos ovos convencionais é um dos desafios do
produtor de ovos caipiras. O custo de produção no sistema caipira ainda é muito elevado
em relação aos ovos convencionais produzidos em granjas de grande porte com aves
confinadas, cuja produtividade maior diminui muitos os custos.
O ideal é que o pequeno produtor possa se unir a outros produtores locais de ovos caipira
na comercialização, para a redução dos custos de transporte, e aumento da barganha pelos
preços. A união dos produtores é fundamental também para que possam buscar a
certificação do produto, através da construção de um entreposto de ovos.
De forma geral, os ovos são vendidos higienizados e in natura, mas o agricultor pode
realizar o beneficiamento do produto. Para agregar valor, o produtor pode juntar-se à sua
esposa para produzir doces à base de ovos, como queijadinha, quindim, chuvisco, bolos
e pudim de claras. Esses doces podem ser vendidos na pracinha local, bem como em
empresas da cidade. Também é possível que o produtor e a sua esposa recebam
encomendas de padarias e comércios locais, bem como de clientes interessados nos
quitutes.

6 Certificação

Produtos de origem animal possuem legislação mais rigorosa que a vegetal para a
obtenção de selos, o que é um grande entrave ao produtor que planeja vender seus
produtos em supermercados e no comércio local. Na ausência dos selos, o produtor vende
em feiras agroecológicas e na porta da propriedade ou dos clientes, de maneira informal.
Para o produtor atuar em outros mercados, como para a venda para o PNAE, o seu
estabelecimento precisa ser como granja avícola ou entreposto de ovos. A granja avícola
é o estabelecimento destinado à produção, ovoscopia, classificação, sanitização,
acondicionamento, identificação e distribuição dos ovos em natureza, oriundos de
produção própria. Já o entreposto é o estabelecimento destinado ao recebimento,
ovoscopia, classificação, sanitização, acondicionamento, identificação e distribuição de
ovos em natureza, oriundos de várias granjas.
Para credenciar-se, o produtor precisa elaborar um projeto para avaliação, um Memorial
Econômico Sanitário para ovos e um material descritivo da construção, para registrar no
Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA). O projeto enviado
para análise deverá estar de acordo com a norma técnica correspondente do
estabelecimento. O projeto Prosperar ajuda na legalização do entreposto de ovos, e do
selo do Serviço de Inspeção Fluminense (SIE), que é o ideal para o produtor de ovos que
quer obter o selo (O NORTE FLUMINENSE, 2018; EMATER, 2013).

7 Capacitação

No geral, a capacitação do agricultor familiar vem do conhecimento adquirido pela


família ou amigos. No entanto, é necessário que o agricultor conte com o apoio da Emater
local, para que haja a troca de conhecimento com os técnicos agropecuários da sua região.
É importante também a visita periódica de um veterinário, para vacinar e avaliar as
galinhas poedeiras e evitar a contaminação dessas. No site da Embrapa há vários manuais
que ensinam como criar galinhas poedeiras, explicando sobre alimentação, como fazer o
galpão e piquetes, bem como as vacinas necessárias e equipamentos a serem comprados
(EMBRAPA, 2010a, 2010b,2017a,2017b).
Existem também projetos como o Rio Rural, da Secretaria Estadual de Agricultura, que
capacita os agricultores através de cursos e dá uma quantia para que o produtor compre o
kit galinha (na faixa de R$5.000,00) (PROGRAMA RIO RURAL, 2009). Este consiste
em compra de pintos (cerca de 60 a 70) e de materiais para a construção do galpão e dos
piquetes, de acordo com a orientação dos técnicos. A equipe do Riorural faz visitas
periódicas, para acompanhar se a pessoa está produzindo. Se não produzir, dá processo
no Ministério Público, e o produtor pode ficar queimado, caso precise entrar em outro
projeto no futuro. Ainda não se sabe se o Rio Rural irá continuar, com a troca da gestão
do governo do Rio de Janeiro.
Além disso, o agricultor deve realizar cursos de capacitação e assistir seminários, que
podem ser oferecidos pela Emater, Embrapa, SENAR (Serviço Nacional de
Aprendizagem Rural), SNA (Sociedade Nacional de Agricultura) ou por outros órgãos de
pesquisa e extensão rural. Existem também cursos online oferecidos por empresas
privadas, que devem ser avaliados de acordo com o corpo docente que ministra as aulas.

Conclusão
A avicultura de postura no sistema caipira é uma atividade de fácil manejo, que necessita
de pouca terra e de baixo investimento inicial, sendo muito adequada ao agricultor
familiar. Possui demanda crescente e potencial de expansão no estado do Rio de Janeiro,
que possui ainda poucos produtores familiares nesta cultura. Com o acesso aos
financiamentos do PNCF e do PRONAF A, o agricultor familiar consegue adquirir uma
terra suficiente para a produção e para o capital necessário para investir no galpão, na
construção dos piquetes e também na aquisição das primeiras poedeiras.
É importante que o agricultor se capacite antes de iniciar a criação, através de apostilas e
do contato direto com outros produtores e também com veterinários. Além disso, é
fundamental que a propriedade conte com o apoio técnico dos técnicos da Emater. Na
criação, é fundamental manter sempre limpas as instalações, como comedouros,
bebedouros e o galpão, além de dar água limpa e alimentação balanceada para as aves,
com ração, frutas, caule da bananeira e capim.
A comercialização é uma parte fundamental do negócio, e o produtor deve fazer um bom
planejamento da sua produção, de forma a conseguir obter a sustentabilidade financeira
do negócio. O ideal é que venda em feiras agroecológicas ou entregue diretamente na casa
dos clientes, evitando os baixos preços ofertados por atravessadores. A facilidade do
manejo permite ao produtor o consórcio com outras culturas, como milho e mandioca,
além de uma produção para subsistência. A dedicação à avicultura é fundamental para o
agricultor familiar obter sucesso no negócio.

Referências:
CNA BRASIL. Viabilidade econômica na criação de galinha caipira. Brasília:
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, 2017. 16 p.

EMATER. Relatório de atividades 2012. Rio de Janeiro: Secretaria de Agricultura e


Pecuária, 2013. 75 p.
EMBRAPA. Alimentos e alimentação de galinhas poedeiras em sistemas orgânicos
de produção. Concórdia: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 2010a.
16 p.

__________. Criação de galinhas caipiras. Brasília: Ministério da Agricultura,


Pecuária e Abastecimento, 2017a. 82 p.

__________. Manual de manejo das poedeiras coloniais de ovos castanhos: Embrapa


051. Concórdia: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 2010b. 8 p.

__________. Manual do sistema de produção sustentável de galinhas caipiras –


(Procap). Brasília: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 2017b. 83 p.

__________. Manual sobre criação de galinha caipira na agricultura familiar:


noções básicas. Belém: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 1998. 30
p.

IBGE. Censo Agropecuário 2017, 2018.

O NORTE FLUMINENSE. Produção de ovos gera desenvolvimento econômico em


Bom Jesus do Itabapoana. 2018. Disponível em:
<http://onortefluminense.blogspot.com/2018/03/producao-de-ovos-gera-
desenvolvimento.html>. Acesso em: 25 abr. 2019.

PROGRAMA RIO RURAL. Criação de galinha caipira para produção de ovos em


regime semi-intensivo. Niterói: Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e
Abastecimento, 2009. 32 p.