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FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS


PÓS-GRADUAÇÃO EM GESTÃO ESTRATÉGICA DO DESIGN
PROCESSOS CRIATIVOS E INOVACAO EM DESIGN

Fyre Festival – Proposta de Solução para o Evento

CARLOS EDUARDO RODRIGUES – RA 2898085

SÃO PAULO
2019
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Introdução – Sobre o Fyre Festival


O Fyre Festival foi um festival de música que seria realizado no mês de abril de
2017 nas Bahamas, que se tornou notícia mundial pelas condições precárias de
realização e tratamento ao público adquirente dos ingressos que culminou no
cancelamento do festival e, posteriormente, na condenação e prisão do seu
idealizador, o empresário norte americano Billy McFarland.
Inicialmente planejado para ser um evento de lançamento do aplicativo Fyre,
cujo objetivo era o agendamento de artistas musicais para shows particulares, o Fyre
Festival contou com uma ampla e maciça campanha de marketing fazendo utilizando
modelos famosas relacionadas ao mercado da moda (supermodels) e social
influencers de diversos países, as ações promocionais procuraram estabelecer o
evento com uma “experiência luxuosa de arte, culinária e música”, permitindo assim a
venda de ingressos por valores superiores a US$ 10,000 (dez mil dólares americanos)
por pessoa.
No dia da realização do festival, o público, em sua maioria oriunda dos EUA,
deparou-se com desorganização, falta de informação, descumprimento do serviço
prometido, além de falta de conforto e condições sanitárias para hospedar as pessoas,
após algumas horas, a organização do festival anunciou o cancelamento do Fyre
Festival, deixando seus clientes sem hospedagem e sem condições para retornar ao
seu país de origem. Conforme Conochan (2019) três motivos podem ser apontados
como as causas do fracasso: Falta de processos administrativos e gerenciais para
organizar a realização do serviço, uso exagerado e descontrolado do marketing
(especialmente em redes sociais) que gerou uma expectativa que não poderia ser
atendida e, por fim, falta de responsabilidade e idoneidade dos organizadores.

O conceito de economia criativa


De acordo com a Conferência das Nações Unidas para Comércio e
Desenvolvimento (UNCTAD), economia criativa é representada por todas as
atividades econômicas baseadas em conhecimento que formam as indústrias criativas
(Artes performáticas, Artes visuais, Audiovisual, Edição e impressão, Expressões
culturais tradicionais, Design, Novas mídias, Patrimônio cultural e Serviços criativos),
podendo ser definida como:
A economia criativa não tem uma definição única. É um conceito em evolução
que se baseia na interação entre criatividade humana e idéias e propriedade
intelectual, conhecimento e tecnologia. Essencialmente, são as atividades
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econômicas baseadas no conhecimento sobre as quais as "indústrias


criativas" se baseiam. (UNCTAD, 2019)

O papel do design na economia criativa


O processo de design em essência, determina-se como uma atividade
intelectual, individual ou em grupo de pessoas, que através da criatividade aplicada
de modo estético, funcional e comercial resulta em novos produtos ou serviços,
desenvolvimento de processos empresariais ou a resolução de problemas que
requerem uma solução criativa.
Dentro do espectro da economia criativa constata-se o valor social e cultural
das indústrias criativas que são fundamentais para, conforme análise do UNCTAD,
para alavancar as atividades econômicas de populações carentes e países em
desenvolvimento, gerando diversificação as economias nacionais, logo a importância
do design transversa o simples processo criativo e passa a dialogar com todas as
áreas que envolvem um projeto criativo e integra criatividade, conhecimento e
tecnologia, além de abordar aspectos culturais inerentes. (GUIMARÃES E SILVA,
2018).

Propondo uma solução para o Fyre Festival


O documentário “Fyre Festival: Fiasco no Caribe” lançando em 2019 pelo
serviço de streaming Netflix e dirigido por Chris Smith, além de apresentar todo o
histórico da organização, o transtorno causado ao público, procura apontar também
para as consequências sociais que a produção e o cancelamento do festival trouxeram
para a ilha nas Bahamas, gerando desemprego e prejuízos para uma população
carente.
A solução proposta pretende corrigir os pontos apontados por Conochan (2019)
e evitar o impacto social causado pelo cancelamento do festival.

Etapa 1: Sprint para divulgar uma nova data.


O adiamento – em vez do cancelamento - do festival propiciaria a oportunidade
para os organizadores entenderem as dimensões do projeto e quais são os processos
e procedimentos a serem adotado, assim, o método de Sprint Design apresentado por
KNAPP (2017) mostra-se fundamental para criar uma linha diretiva para organização
Em seu livro, KNAPP propõe-se a desenhar uma solução criativa em apenas
cinco dias, conforme este cronograma: Mapear o problema (segunda-feira), criar
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rascunhos (terça-feira), escolher uma solução (quarta-feira), prototipar (quinta-feira) e


testar e aprender (sexta-feira). O desafio proposto para organizadores seria
determinar uma nova data considerando todos os desafios logísticos, financeiros e
estruturais para realização do evento, sendo que o “protótipo” seria uma nova data.
A divulgação de uma nova data permitiria a correção dos diversos erros
estruturais constatados, reorganização financeira – incluindo a remuneração da
população trabalhadora - e reposicionamento do evento.

Etapa 2: Redesign do evento – Branding e Social Media


Faz-se necessário lembrar que o Fyre Festival seria o evento de lançamento
de um app, entretanto o excesso de marketing fez com que o festival ficasse maior
que o serviço, desviando recursos financeiros e humanos de uma empresa de
tecnologia (core business) para um evento musical (ação de marketing).
O aplicativo Fyre permitiria que pessoas com elevado poder aquisitivo pudesse
agendar artistas para realizar shows particulares conforme datas e locais disponíveis,
esse conceito poderia ser aplicado no festival como demonstração real da capacidade
do aplicativo.
A solução proposta seria redesenhar toda a comunicação do evento para o que
de fato seria: O lançamento de um aplicativo. Todas as ações de engajamento e
conversação nas mídias sociais adotaria essa estratégia para alinhar as expectativas
do público e redirecionar a atenção para a plataforma.

Etapa 3: Redesign do Evento - Sinergia Criativa


O impacto socioeconômico causado pelo cancelamento do festival repercute
até os dias de hoje nas Bahamas. Porém é necessário ponderar se realmente haveria
ganho com a realização dos shows.
Uma das formas possíveis de gerar benefícios residuais seria redesenhar o
festival para que as indústrias criativas locais fossem incorporadas, agregando valor
social ao evento, produzindo efeitos sustentáveis às comunidades e propiciando
experiências diferenciadas ao público.

Conclusão: Um aplicativo para economia criativa


Imagine que durante um festival nas Bahamas você tivesse aulas de dança
locais enquanto aguarda o show do seu artista favorito, pense na possibilidade de
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adquirir obras de arte produzidas especialmente sua presença, considere o impacto


social que sua simples participação teve na região. Pense em uma plataforma voltada
para a economia criativa, não apenas para agendar artistas mainstream, mas para
movimentar e fomentar as indústrias criativas ao redor do planeta através de festivais
que você pode organizar em qualquer lugar do mundo.
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REFERÊNCIAS

CONOCHAN, Kelly. The 3 biggest reasons why Fyre Festival failed. Disponível em
<https://blog.zogculture.com/blog/the-3-biggest-reasons-why-fyre-festival-failed>.
Acesso em 29 abr. 2019.

FYRE: The Greatest Party That Never Happened. Direção de Chris Smith. 2019.
Estados Unidos. Netflix. 2019. (97 minutos).

FERNANDES, Rafael Saad; SERRA, Neusa. Economia criativa: Da discussão do


conceito à formulação de políticas públicas. Revista de Administração e Inovação,
São Paulo, v. 11, n.4, p.355-372, out./dez. 2014.

G UIMARÃES, Juliana; SILVA, Sérgio Antônio; "O papel do design no cenário da


economia criativa", p. 646-655 . In: . São Paulo: Blucher, 2018.

KNAPP, Jake. Sprint. O Método utilizado no Google para testar e aplicar novas
ideias em cinco dias. 1.ed. Rio de Janeiro. Intrínseca, 2017

UNCTAD, United Nations Conference for Trade and Development. Creative


Economy Programme. Disponível em:
<https://unctad.org/en/Pages/DITC/CreativeEconomy/Creative-Economy-
Programme.aspx>. Acesso em 29 abr. 2019.