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CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DA CRIANÇA

Andresa Vitória de Santana Marques1

1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho foi designado pela professora Lorena Brito, para obtenção de nota
na matéria de Direitos Humanos, realizada no curso de Direito, do 7° semestre, tendo por
objetivo discorrer a respeito da Convenção Sobre os Direitos das Crianças.

O artigo foi estruturado em seis partes, a parte 1 irá tratar sobre os direitos humanos
enquanto direito inerente ao homem, o princípio da dignidade da pessoa humana enquanto
princípio basilar para criação da DUDH e os direitos fundamentais da criança e do
adolescente.

Na parte 2 será relatado o caminho histórico percorrido para a criação da Convenção


Sobre os Direitos das Crianças, relatando sobre a Revolução Industrial, a OIT, a criação da
Save the Children e o acordo de Genebra.

No terceiro momento, irá ser relatado sobre dois casos marcantes, de crimes cometidos
no Brasil contra crianças, e que serviram de marco para a criação de mais direitos e sanções
estabelecidas. Sendo estes o caso de Araceli, uma criança de 8 anos que sofreu abuso sexual e
Bernardo, um menino que sofreu tortura da sua madrasta.

Na parte 4, será feita uma análise dos artigos destaques do tratado a ser trabalhado,
discorrendo sobre os artigos 2, 3, 6 e 12 e os princípios existentes nestes.

No tópico 5 terá como objetivo tratar sobre os efeitos de tal convenção no ordenamento
jurídico, tratando sobre a Constituição Federal e o Estado Democrático de Direito, bem como
as leis complementares criadas em razão da Convenção do Direito das crianças. Por fim,
haverá uma análise geral do caminho percorrido no trabalho e a conclusão tirada deste.

1.1 DIREITOS HUMANOS E PRINCIPIOS BASILARES

1.1.1 Direitos humanos e o princípio da dignidade da pessoa humana

Os direitos humanos estão embasados na ideia de que há direitos inerentes ao


nascimento do homem. Neste sentido, afirma André de Carvalho Ramos que “Os direitos

1
Graduanda do curso de Direito da UNIJORGE, turma 7°B – Matutino
humanos consistem em um conjunto de direitos considerado indispensável para uma vida
humana pautada na liberdade, igualdade e dignidade. Os direitos humanos são os direitos
essenciais e indispensáveis à vida digna.” (RAMOS, 2018, p.25).

A partir da ideia dos Direitos Humanos, surgiu o princípio basilar para todos os outros
princípios de tal porte, este seria o princípio da dignidade da pessoa humana, tal princípio está
expresso no art. 1º, III, da Constituição Federal de 1988 sendo irrenunciável e inalienável.
Este possui vários conceitos, entretanto Ricardo Castilho (2018) aduz que “o princípio da
dignidade da pessoa humana deve embasar toda e qualquer interpretação das normas
jurídicas.” Além disso, Flávia Piovesan doutrina que:

“a dignidade da pessoa humana é princípio que unifica e centraliza todo o sistema


normativo, assumindo especial prioridade. A dignidade humana simboliza, desse
modo, verdadeiro superprincípio constitucional, a norma maior a orientar o
constitucionalismo contemporâneo, nas esferas local e global, dotando-lhe de
especial racionalidade, unidade e sentido.

(PIOVESAN, 2013, p.89)

Com isso, pode-se dizer que o princípio da dignidade da pessoa humana é uma garantia
fundamental que tem um grande valor para criação de normas, sendo este um princípio matriz
da constituição que, além de tudo, serve como base para valoração de outras normas, bem
como foi base para criação da DUDH.

1.1.2 Direitos Humanos e os direitos fundamentais da criança e do adolescente

O direito de proteção à criança está estabelecido na Constituição Federal de 1988, sendo


conduzido pelos princípios presentes na mesma, e estando no rol dos direitos fundamentais.
Os direitos fundamentais têm a missão de garantir a aplicação do princípio da dignidade
humana. O direito fundamental tem uma ampla conceituação, entretanto uma das mais
reconhecidas é o conceito utilizado por Ingo Wolfgang Sarlet, vejamos:

“Direitos fundamentais são, portanto, todas aquelas posições jurídicas concernentes


às pessoas, que, do ponto de vista do direito constitucional positivo, foram, por seu
conteúdo e importância (fundamentalidade em sentido material), integradas ao texto
da Constituição e, portanto, retiradas da esfera de disponibilidade dos poderes
constituídos (fundamentalidade formal), bem como as que, por seu conteúdo e
significado, possam lhes ser equiparados, agregando-se à Constituição material,
tendo, ou não, assento na Constituição formal.”

(SARLET, 2001, P. 31)

Por conseguinte, podemos afirmar que a proteção à infância é uma espécie de proteção
da dignidade da pessoa humana e dos valores da democracia, sendo este voltado à um grupo
específico, que possui uma fragilidade maior.
2. PARTE HISTÓRICA

A Convenção sobre os Direitos da Criança foi sancionada pela Assembleia Geral da


ONU em 20 de novembro de 1989, sendo vigorada em 2 de setembro de 1990. Entretanto,
para que tal fato fosse concretizado, houve alguns momentos históricos que contribuíram para
com isso. O primeiro passo para a constituição da proteção à infância foi iniciado no final do
século XIX a começo do XX.

Sabe-se que naquele tempo as crianças, que faziam parte do tecido trabalhador rural,
sendo parte da força de trabalho da Revolução industrial ocupando postos na mineração, na
siderurgia ou na indústria têxtil, com isso, algumas pessoas se sensibilizaram com tal situação
e passaram a denunciá-las, e com isso, surge as primeiras leis que proíbem o trabalho de
crianças estabelecendo limites de idade mínima para o trabalho.

Em 1919 é criada a Organização Internacional do Trabalho (OIT), com a atribuição de


estabelecer garantias mínimas ao trabalhador e, também, evitar a exploração do trabalho de
crianças. A abolição do trabalho infantil e o cuidado dos órfãos que viviam na extrema
pobreza nas grandes cidades, bem como outros fatores, ajudaram a britânica Eglantyne Jebb a
fundar Save The Children, e a impulsionar a Declaração de Genebra sobre os direitos da
Criança sancionada pela Sociedade das Nações, predecessora da atual ONU, em 1924. Essa
declaração garantia ao menor o direito à alimentação, a ser socorrido em primeiro lugar em
caso de catástrofe, atendido em suas necessidades e educado. Após da Declaração dos
Direitos Humanos, em 1948, a ONU começou a trabalhar na proteção das crianças.

Em 1959 a organização publica a Declaração Universal dos Direitos da Criança


reconhecendo como parte fundamental da sociedade e a sua importância para o futuro da
humanidade. O direito à igualdade, à vivenda, à alimentação, à proteção diante do abuso ou o
direito a ter atividades recreativas estava incluído nestes pontos.

Entretanto, por ter natureza de declaração, não era de cumprimento obrigatório, sendo
assim, muitos países não o seguiam. Em 1978 o governo da Polônia levou à ONU a proposta
de um modelo provisório para uma convenção dos direitos da criança, com isso, após 10 anos,
em 20 de novembro de 1989 – data que ficaria conhecida como “Dia internacional da
Criança” -, através de um acordo, foi possível aprovar o texto definitivo da Convenção sobre
os Direitos da Criança cuja natureza seria de cumprimento obrigatório para todos os países
que o ratificassem.
3. CASOS MARCANTES

3.1 Caso Araceli – 18/05/1973

Araceli Cabrera Sanches, uma criança de oito anos de idade, na tarde do dia 18 de maio
de 1973 saiu mais cedo da escola, o Colégio São Pedro autorizada pela mãe que era viciada
em cocaína e possivelmente traficante de drogas, para levar um envelope até um prédio no
centro da cidade de Vitória, no Estado do Espírito Santo, desaparecendo logo depois.

“Aos oito anos, a menina saiu de casa, no bairro de Fátima, na Serra, e seguiu para a
Escola São Pedro, na Praia do Suá, em Vitória. Saiu da escola mais cedo, com
autorização da mãe, e deveria voltar para casa, mas, segundo uma testemunha, não
entrou no coletivo e ficou brincando com um gato em um bar entre o cruzamento
das avenidas Ferreira Coelho e César Hilal. Seis dias após o desaparecimento, seu
corpo foi deixado desfigurado e em avançado estado de decomposição, em uma
região de mata na capital capixaba. Araceli foi raptada, drogada, estuprada e morta.”

(JORNAL ES-HOJE, 2018)

O caso foi muito repercutido, isto porque serviu de alerta para toda a sociedade,
trazendo a realidade de violências cometidas contra crianças. Com isso, o caso teve uma
grande importância para garantia de direito das crianças, pois pela brutalidade, a data da
morte de Araceli tornou-se um símbolo contra violação dos direitos humanos e a proteção do
direito à infância. Além disso, vinte e sete anos depois de sua morte foi transformada no Dia
Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes pelo
Congresso Nacional pela Lei Federal nº. 9.970 DE 17 de Maio de 2000, o que foi um grande
marco, mesmo que a lei tenha sido vetada depois.

3.2 Caso Bernardo – 04/04/2014

Em abril de 2014, Bernardo foi dado como desaparecido. Foi o pai quem comunicou a
polícia, afirmando que o menino havia dormido na casa de um amigo no dia 04 de abril e até
lá (dia 06) não tinha aparecido. Após o início das buscas pelo menino, a polícia chegou a
Edelvânia, além de descobrir que no início da tarde de 4 de abril, Graciele, a madrasta, havia
sido multada pela polícia por excesso de velocidade, com Bernardo no banco de trás.

“De acordo com a Polícia Civil, o garoto foi morto com uma injeção letal, o que
ainda deverá ser confirmado pela perícia. “Eu tive acesso ao corpo do Bernardo. Eu
o identifiquei pelos dentes frontais, que eram grandinhos. O estado [do corpo] era
realmente chocante”, revelou Taborda.”

(G1-RS, 2014)

No dia 14 de abril de 2014, após o depoimento de Edelvânia, o corpo de Bernardo foi


encontrado sem roupas, numa cova num matagal em Frederico Westphalen, cidade que fica a
cerca de 80 quilômetros de Três Passos. A presença de Midazolam foi detectada no fígado,
nos rins e no estômago do garoto. Pelo estado de decomposição do corpo, não pôde ser
analisada a presença de picadas na pele. Após as injeções letais, o menino foi jogado em uma
vala cavada dois dias antes – onde depois recebeu soda cáustica antes de o buraco ser fechado
com ele, já morto, dentro.

“Segundo o documento, não é possível apontar a causa da morte, mas o texto diz
que teria sido de forma violenta e que o corpo estava "em adiantado estado de
putrefação". “Isso quer dizer que o registro de ocorrência de desaparecimento que o
pai diz ter feito ocorreu após a morte do menino”, disse ao G1 o advogado Marlon
Taborda.”

(G1-RS, 2014)

Por conta da maneira como ocorreu o crime e a crueldade implantada, em maio de


2014, a Lei Menino Bernardo foi nomeada em sua homenagem, esta visa proibir o uso de
castigos físicos, tratamentos cruéis ou degradantes na educação de crianças e adolescentes,
sendo popularmente chamada de “Lei da Palmada”.

4. PECULIARIDADES

A Convenção de direitos da Criança se converteu em lei em 1990 depois de ser assinada


por 20 países, inclusive a Espanha. Na atualidade é o Tratado mais ratificado do mundo ao
qual aderiram 195 países entre os quais não está os Estados Unidos. Nele há 54 artigos aos
quais reúnem os direitos econômicos, sociais, culturais, civis e políticos de todas as crianças
e, por sua vez, define as responsabilidades de pais, professores, médicos, entre outros que
estão, a todo momento, presentes na vida de crianças e adolescentes.

Dentre os artigos propostos nesta convenção, há alguns que merecem maior destaque,
pois trazem princípios garantidores aos direitos fundamentais das crianças, tais como os
artigos 2, 3, 6 e 12, estes serão analisados, respectivamente, focando principalmente nos seus
princípios.

A iniciar a análise do art. 2, este disciplina que:

“Artigo 2
1. Os Estados Partes respeitarão os direitos enunciados na presente Convenção e
assegurarão sua aplicação a cada criança sujeita à sua jurisdição, sem distinção
alguma, independentemente de raça, cor, sexo, idioma, crença, opinião política ou de
outra índole, origem nacional, étnica ou social, posição econômica, deficiências
físicas, nascimento ou qualquer outra condição da criança, de seus pais ou de seus
representantes legais.
2. Os Estados Partes tomarão todas as medidas apropriadas para assegurar a
proteção da criança contra toda forma de discriminação ou castigo por causa da
condição, das atividades, das opiniões manifestadas ou das crenças de seus pais,
representantes legais ou familiares.”

(CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DA CRIANÇA, 1990)

Extraindo as informações deste artigo, podemos afirmar que a aplicação da convenção e


de qualquer direito para criança será aplicado a elas, e este independe de qualquer tipo de
distinção. Com isso, tem-se o primeiro princípio, no qual seria o princípio da não
discriminação, este aduz justamente sobre o direito de todas as crianças a se desenvolverem
sem qualquer distinção.

Quanto ao artigo 3, este tem uma grande relevância para a convenção, bem como é
considerado um dos artigos principais de tal documento, vejamos:

Artigo 3

1. Todas as ações relativas às crianças, levadas a efeito por instituições públicas ou


privadas de bem-estar social, tribunais, autoridades administrativas ou órgãos
legislativos, devem considerar, primordialmente, o interesse maior da criança.

2. Os Estados Partes se comprometem a assegurar à criança a proteção e o cuidado


que sejam necessários para seu bem-estar, levando em consideração os direitos e
deveres de seus pais, tutores ou outras pessoas responsáveis por ela perante a lei e,
com essa finalidade, tomarão todas as medidas legislativas e administrativas
adequadas.

3. Os Estados Partes se certificarão de que as instituições, os serviços e os


estabelecimentos encarregados do cuidado ou da proteção das crianças cumpram
com os padrões estabelecidos pelas autoridades competentes, especialmente no que
diz respeito à segurança e à saúde das crianças, ao número e à competência de seu
pessoal e à existência de supervisão adequada.

(CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DA CRIANÇA, 1990)

Tal artigo traz consigo o princípio do melhor interesse da criança, este irá priorizar o
interesse superior das crianças em todas as ações que lhe digam respeito.

Continuando a análise, partimos para o artigo 6°, neste assegura-se a sobrevivência da


criança, expressando que:

“Artigo 6

1. Os Estados Partes reconhecem que toda criança tem o direito inerente à vida.

2. Os Estados Partes assegurarão ao máximo a sobrevivência e o desenvolvimento


da criança.”

(CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DA CRIANÇA, 1990)


O texto demonstrado acima traz explicito a existência do princípio da sobrevivência e
do desenvolvimento, o qual indica a necessidade de garantir o acesso aos serviços básicos e à
igualdade de oportunidades para o pleno desenvolvimento das crianças.

Por fim, tem-se o artigo 12 da convenção, este não traz apenas um princípio
fundamental da convenção, como também requisitos para a aplicação deste, vejamos:

“Artigo 12

1. Os Estados Partes assegurarão à criança que estiver capacitada a formular seus


próprios juízos o direito de expressar suas opiniões livremente sobre todos os
assuntos relacionados com a criança, levando-se devidamente em consideração essas
opiniões, em função da idade e maturidade da criança.

2. Com tal propósito, se proporcionará à criança, em particular, a oportunidade de


ser ouvida em todo processo judicial ou administrativo que afete a mesma, quer
diretamente quer por intermédio de um representante ou órgão apropriado, em
conformidade com as regras processuais da legislação nacional.”

(CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DA CRIANÇA, 1990)

Extrai-se do texto o direito da criança formular sua opinião, sendo este o principio da
opinião da criança, trazendo o direito da criança de ser ouvida e levada em conta quando for
tratado sobre todos os assuntos do seu direito, entretanto, para que isso aconteça é necessário
que a criança seja capacitada a formular tais pensamentos, sendo considerado sua idade e
maturidade.

5. EFEITOS NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO

Ao tratar dos efeitos no ordenamento jurídico brasileiro, é necessário, inicialmente,


abordar sobre a Constituição Federal de 1988 e os efeitos da Convenção nesta, elencando
alguns artigos importantes que disciplinam sobre os direitos do menor, bem como a aplicação
deste no Brasil tendo em vista o Estado Democrático de Direito.

Como dito anteriormente, o Brasil é um Estado democrático de Direito, e sobre esse,


leciona Alexandre de Moraes que:

“O Estado Democrático de Direito, caracterizador do Estado Constitucional,


significa que o Estado se rege por normas democráticas, com eleições livres,
periódicas e pelo povo, bem como o respeito das autoridades públicas aos direitos e
garantias fundamentais.”

(MORAES. 2017, p.28)

Além disso, ao abordar a cerca do Estado de Direito, José Afonso da Silva (2014), aduz
que o Estado Democrático de direito visa realizar o princípio democrático como garantia geral
dos direitos fundamentais da pessoa humana.
Com isso, podemos garantir que o Estado democrático de direito e a Constituição
federal são os pontos chave para a aplicação da Convenção Sobre os Direitos das Crianças no
Brasil, bem como para o efeito desta no Ordenamento jurídico brasileiro.

Passando a análise para os efeitos no ordenamento, temos na própria constituição o art.


6° e 227, ambos disciplinam quanto os deveres da família e assistência para o menor, servindo
como base para a criação de muitas sanções.

No que tange às leis complementares, a lei n° 8.069, de 13 de julho de 1990, mais


conhecida como Estatuto da Criança e do Adolescente, é baseado em duas regras basilares
para o direito da criança, são estes a proteção integral e o princípio do melhor interesse,
visando o direito do “menor”.

Leciona Válter Kinji Ishida que “as normas do Estatuto da Criança e do Adolescente
tencionam à proteção de direitos fundamentais da criança e do adolescente, adotando-se a
doutrina da proteção integral.” (ISHIDA, 2015). Com isso, podemos afirmar que o ECA foi
criado com o fim social de proteger, integralmente, o menor de idade, dispondo sobre
assistência, proteção e vigilância deste, servindo ainda de base para a criação de outras leis
complementares.

Outro feito importante no ordenamento jurídico interno foi a modificação da Lei 9.455,
de 7 de abril de 1997 este surgiu pela necessidade da jurisprudência de definir um
entendimento acerca do crime de tortura contra criança e adolescente, para tal foi utilizado o
conceito da Convenção. A definição deste foi um marco importante, bem como revogou o art.
233 do ECA.

Ainda na área das Leis Complementares, em junho de 2014 o Estatuto da Criança e do


Adolescente sofreu uma alteração com a criação da Lei 13.010, de 26 de junho de 2014, esta
tem o objetivo de estabelecer o direito da criança e do adolescente de serem educados e
cuidados sem o uso de castigos físicos ou de tratamento cruel ou degradante, e altera também
a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Diretrizes e bases da educação nacional).

Por fim, no Código Penal, há vários artigos que determinam majoração de pena no
tocante a crime com crianças ou na presença destas, o que demonstra a aplicação da garantia
dos direitos do menor.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este trabalho se propôs, como objetivos geral, a falar da Convenção sobre os Direitos
das Crianças, para chegar ao seu ponto principal, que era o efeito desta no ordenamento
jurídico brasileiro, foi necessário discorrer sobre o principio da dignidade da pessoa humana
enquanto principio base para a criação da DUDH, bem como o direito fundamental da criança
e do adolescente que visa dar garantias ao menor.

Para que não se limitasse apenas a teoria, foi trazido ao trabalho casos marcantes que
aconteceram no Brasil e que serviram para modificações na lei e maiores garantias aos
menores, bem como foi trazido uma análise sobre os principais artigos da Convenção e seus
princípios.

Com tudo isso, pode-se chegar à conclusão de que a Convenção sobre os Direitos das
Crianças trouxe um grande marco para o ordenamento jurídico brasileiro, trazendo garantias
ainda não aplicadas em tal texto e ampliando a visão do judiciário no tocante à necessidade de
deveres para a sociedade com o objetivo de dar uma proteção integral ao menor.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

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