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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ – UNESA

CURSO SUPERIOR TECNÓLOGICO EM SEGURANÇA PÚBLICA – CSTSP

VILA VELHA - ES

ALVIMAR COUTO OLIVEIRA

MATRICULA: 201803262192

SEGURANÇA PÚBLICA: INCUMBÊNCIA DO ESTADO

VILA VELHA-ES

0UTUBRO DE 2019
SEGURANÇA PÚBLICA: INCUMBÊNCIA DO ESTADO

RESUMO

O presente artigo teve como objetivo principal analisar, descrever e identificar as dificuldades
enfrentadas pelo Estado para conter e diminuir a criminalidade no Brasil. Foi possível concluir
que a segurança pública é uma responsabilidade do Estado, mas se esse dispor de medidas que
contemplem a sociedade é possível que ocorra um trabalho em conjunto visando o bem de todos
os cidadãos. Dessa forma, foram descritos os primeiros parâmetros e critérios usados pelo Estado
para desenvolver o Plano Nacional de Segurança Pública Nacional e suas ações para envolver,
proteger e resguardar a população e as políticas em vigor que contemplem esse campo. A
justificativa para a esse tema giram sobre os problemas contemporâneos presentes no cenário
nacional, onde diariamente o número de vitimas de inúmeras violências e criminalidades
permeiam a sociedade brasileira. A metodologia foi subsidiada pela pesquisa qualitativa e de
referência bibliográfica, sendo usados documentos oficiais do governo, artigos e livros de autores
que estudam sobre essa temática.

Palavras-chave: Segurança Pública, Estado, Sociedade.

ABSTRACT

The main objective of this article was to analyze, describe and identify the difficulties faced by
the State in containing and reducing crime in Brazil. It was possible to conclude that public
security is a responsibility of the State, but if it has measures that contemplate society, it is
possible that work will be jointly undertaken for the good of all citizens. In this way, the first
parameters and criteria used by the State to develop the National Public Security Plan and its
actions to involve, protect and safeguard the population and the policies in force that contemplate
this field were described. The justification for this theme revolves around the contemporary
problems present on the national scene, where daily the number of victims of numerous violence
and criminality permeate Brazilian society. The methodology was subsidized by the qualitative
research and bibliographical reference, being used official government documents, articles and
books of authors who study this subject.

Keywords: Public Security, State, Society.


1 - INTRODUÇÃO

O presente artigo abordou as perspectivas da segurança pública no atual cenário nacional.


Portanto, foram destacadas as políticas públicas, as estratégias utilizadas pelo Estado e a postura
da sociedade frente essa realidade.
Para Miranda (2011, p. 1) a violência não é comum apenas no Brasil, esse fenômeno tem
afetado "todas as sociedades e tradições culturais". Baseando-se em Miranda (ibidem), a mesma
correlaciona que essa problemática (violência) esta presente em várias áreas, ou seja, a mesma
encontra-se presente nas representações midiáticas, no "discurso político e da sociedade"
(ibidem), dentro dos âmbitos acadêmicos e nos órgãos responsáveis por intervir junto à sociedade
e o Estado para conter, amenizar e/ou diminuir essa prática de comportamentos agressivos.
De acordo com Lima, Bueno e Mingardi (2016, p. 50) os dados estatísticos que
evidenciam a diminuição da violência em alguns estados brasileiros não são eficazes, uma vez
que, as estratégias utilizadas para a redução da violência são permeadas de "normas técnicas,
regras de conduta ou padrões capazes de modificar culturas organizacionais ainda baseadas na
defesa do Estado e não na sociedade". Nesse sentido, as criticas desses estudiosos recaem sobre
as indagações de reformas institucionais que não foram significativas ou que não tenha tido efeito
em longo prazo.
Sapori (2007, p. 17) afirma que a "manutenção da ordem pública é, indubitavelmente, um
dos principais bens coletivos da sociedade moderna". E, atribui como obrigação do Estado
"combater a criminalidade [...] prover saúde e educação, bem como outros serviços que garantem
o bem-estar social" (SAPORI, 2007, p. 17). Seguindo por essa vertente percebem-se as
atribuições e deveres do Estado dentro da sociedade, como esse precisa portar-se para promover e
garantir a segurança dos cidadãos, e espera-se que o governo ofereça os subsídios necessários
para que os habitantes possam exercer o seu direito de ir a qualquer hora e lugar com segurança.
Conforme Miranda (2011) existe diferentes formas de violência, dentre elas estão às
violências físicas, psicológicas, verbais, simbólicas dentre outras. E, embora ajam diferentes
características de violência, assim como da sua definição, a responsabilidade para o "equilíbrio"
da manutenção da ordem é dever do Estado.
Lima, Bueno e Mingardi (2016) em suas análises demonstram que a segurança pública no
Brasil ainda esta decadente, e, embora esse quadro tenha evoluído, ainda não é suficiente para
resguardar as "demandas sociais e políticas contemporâneas e não está preparado para fazer
frente às novas dinâmicas do crime, que muitas vezes envolve organizações criminosas,
corrupção e violência" (LIMA; BUENO; MINGARDI, 2016, p. 56). Por isso, a escolha desse
tema: "Segurança pública: responsabilidade do Estado".
Como objetivo essa perquisição buscou analisar, descrever e identificar as dificuldades
enfrentadas pelo Estado para conter e diminuir a criminalidade no Brasil. Visando essa realidade
assustadora, propõe-se inquirir sobre essa problemática, procurando responder os objetivos
propostos para essa perquisição, visto que, não é ponderado cuidadosamente esse assunto. Para o
desenvolvimento dessa pesquisa, foram utilizados periódicos publicados em revistas eletrônicas,
assim como artigos, livros, dissertações e outros documentos importantes para a construção desse
trabalho. Então, a metodologia foi fundamentada na pesquisa qualitativa e de referência
bibliográfica.
Por esse viés, tencionou-se verificar a postura do Estado para diminuir a violência, quer
dizer, quais as estratégias, abordagens e atitudes utilizadas por essa instituição pública para
preservar o bem estar dos cidadãos e garantir a segurança para que os mesmos -cidadãos-
circulem livremente sem nenhum tipo de preocupação, já que, o Brasil tem se destacado por
apresentar um nível de violência assustador em todos os segmentos da sociedade.

2. DESENVOLVIMENTO

2.1 Estado e Políticas Públicas

Carvalho e Silva (2011) analisam as políticas publicas dentro da contemporaneidade e


como os fatores tecnológicos inferem diretamente na organização do Estado. Nesse sentido, esses
autores associam que o Estado conseguiu reduzir a economia e controlar o social, contudo, esse
panorama não foi bem sucedido na segurança pública, fazendo com que esse investisse e criasse
mais mecanismos para o controle da sociedade. Por essa vertente, esses autores associam que o
Estado acaba se deteriorando quando almeja medidas que visem o “Estado penal” (CARVALHO;
SILVA, 2011, p. 60), uma vez que, esse está ligado diretamente ao “Estado neoliberal” (ibidem).

Nessa situação, a potencialização do mercado, como instrumento regulador das


relações sociais em detrimento ao Estado, ocorre concomitantemente ao
contingenciamento dos mecanismos de assistência social e ao processo de
fortalecimento da penalização como forma de ampliar o controle sobre as
periferias e assegurar a manutenção das relações de poder (CARVALHO;
SILVA, 2011, p. 61).

Ainda subsidiados em Carvalho e Silva (2011) esses acentuam que essa medida de
regulamentação do Estado acaba gerando uma desigualdade, pois as medidas adotadas são
“menores” para os ricos e “mais” controladas para os pobres, isto é, todo esse Estado de
assistência pelos âmbitos de controle social acaba por exclui a classe social mais baixa e não
proporciona as mesas possibilidades no mercado, e isso acarreta em que os que “detém” o poder
continuem exercendo essa função. Destarte:

Estado sirva aos poucos “donos do poder” em detrimento da soberania do povo.


Estamos diante de um processo contraditório no que se refere ao papel do
Estado. Temos, assim, um “Estado para os pobres”, com menos assistência e
mais controle e vigilância e um “Estado para os ricos”, que possibilita menos
controle sobre a reprodução econômica. Com isso, as formas de penalização são
direcionadas a sujeitos diferenciados (CARVALHO; SILVA, 2011, p. 61).

Conforme abordado por Carvalho e Silva (2011) esse sistema injusto do Brasil não foi
alterado e já dura há anos. Ele perpassou pela ditadura militar e continua sendo conhecido como
um “Estado penalizado, fundado na institucionalização da criminalização” (CARVALHO;
SILVA, 2011, p. 61). Embora a teoria descreva o país como sendo laico e democrático a prática
não condiz com essa realidade, já que, “[...] ainda se vive em um Estado autoritário,
principalmente nas questões relacionadas à segurança pública, pois, no Brasil, a reconstrução da
sociedade e do Estado democráticos, após 20 anos do regime autoritário, não foi suficientemente
profunda” (ADORNO, 1996, p. 233, apud CARVALHO; SILVA, 2011, p.61).

O processo de transição para a democracia, das últimas décadas, enfrentou o


desafio de manter a ordem pública em um contexto afetado pela insegurança
urbana e a necessidade de mudança de atuação dos órgãos de segurança pública,
estruturados sob a influência de resquícios autoritários, mas com a
responsabilidade de atuar de acordo com os princípios democráticos, impostos
pela sociedade por meio dos movimentos sociais (CARVALHO; SILVA, 2011,
p.61).

Balestreri (2010) ao retratar a segurança no cenário nacional na atualidade, descreve que


todo o caos apresentado nessa área é consequência de décadas passadas. Nessa concepção é
enfatizado e descrito que toda essa situação alarmante não é relacionada à pobreza, mas é
decorrente de um problema social. Logo, em suas afirmações são destacados que ser pobre não é
condizente com ser criminoso, pois “[...] a pobreza é heroicamente honesta, de forma geral, e
criminosos há entre os pobres e entre os ricos. Por evidência empírica, do ponto de vista
proporcional, é fácil perceber que a situação é até mais grave entre os segmentos abastados”
(BALESTRERI, 2010, p. 57). Então, nesse conceito é compreensível que a “culpa” de todo esse
sistema deve-se as injustiças sociais, melhor dizer, as culturas que são dependentes da “[...]
economia de mercado, como a brasileira, submetidas a um predomínio da ideologia consumista e
como uma classe consumidora numericamente considerável” (ibidem).

A causa mater da violência é o somatório de um tripé absolutamente explosivo: a


péssima distribuição de renda, a ideologia consumista (especialmente
predominante nos segmentos mais jovens, independentemente de classe social,
os mais vitimizados e mais perpetradores de crimes) e a quase ausência do
mundo adulto na condição educadora (que é, sempre e necessariamente, a da
provocação construtiva do juízo moral autônomo, da autonomia intelectual e dos
valores solidários) (BALESTRERI, 2010, p. 57-58).

Oliveira (2012) discorre sobre os problemas de segurança pública. Em sua análise ela
contempla possíveis soluções para essa problemática. No entanto, na concepção teórica essa
afirmação é permeada por utopias infindáveis, tais como; “[...] o problema é de todos”
(OLIVEIRA, 2012, p. 46). Isso permite que se pense nesse problema por duas definições: ““ o
discurso social” e o “discurso repressivo”” (ibidem). Essas duas elucidações são excludentes, mas
“se uma está em foco, à outra fica de lado” (ibidem). Então:

A dicotomia (e vale a pena lembrar e frisar bem o significado desta palavra: dois
conceitos opostos que esgotam o conteúdo de um tema) entre prevenção e
repressão é estimulada e justificada pelas crenças, por vezes até inconscientes,
que dominam a percepção do problema. De um lado a nossa ainda tão acalentada
ilusão de que podemos viver em um mundo dominado pela fraternidade, a nossa
expectativa de uma paz social que não queremos reconhecer como inalcançável
(cada vez fica mais evidente que paz é um projeto pessoal e não coletivo; sua
transcendência coletiva só pode surgir como conseqüência). De outro lado,
nosso instinto de defesa, nossas reações estimuladas por uma agressividade
sempre latente, o desejo de domínio e de sujeição do perigo. Este cenário é um
bom pano de fundo para os dois paradigmas básicos que permeiam a visão das
políticas de segurança pública: Ou são políticas independentes ou estão
subordinadas às macropolíticas sociais. Quando independentes, constituem as
políticas repressivas. Quando subordinadas à questão social, constituem as
políticas preventivas. Como se vê, neste contexto é difícil fugir da dicotomia, do
antagonismo (OLIVEIRA, 2012, p. 47).

Nesse segmento, após esclarecer o que é repressão e prevenção, Oliveira (2012, p. 47)
aborda que é necessário “[...] construir uma vida de comunicação, de integração lógica e
funcional entre repressão e prevenção”, mas antes de qualquer ação é necessário se conscientizar
que essas – repressão e prevenção – são vertentes totalmente opostas. Por conseguinte, Oliveira
(ibidem) aponta que é importante separar dois conceitos para esclarecer e explicar essa questão.
Logo, existe uma diferença entre as “políticas de segurança pública e políticas públicas de
segurança” (OLIVEIRA, 2012, p. 47). A primeira engloba as intervenções, atuações,
comportamentos e condutas ligadas aos policiais e a segunda é referente ao campo político, social
que está ligada aos representantes políticos e aos cidadãos que podem sofrer quando mal
administrados, tendo um maior aumento da criminalidade.
Para Carvalho e Silva (2011) tanto o Estado como a sociedade precisam estar envolvidos
nas estratégias ligadas diretamente as políticas públicas. “Neste embate, os interesses e as
contradições, inerentes à dinâmica das relações entre governantes e governados, constituem o
fundamento da construção política” (CARVALHO; SILVA, 2011, p. 61). Nessa perspectiva, a
sociedade ao interagir com o Estado e ter consciência de seus direitos e deveres acaba exercendo
poder sobre o Estado e lutando por causas perspicazes para o bem coletivo.
Segundo Carvalho e Silva (2011) as políticas sociais são associadas aos três poderes. Por
isso ao Poder Executivo compele “[...] o planejamento e a gestão de políticas de segurança
pública que visem à prevenção e à repressão da criminalidade e da violência e à execução penal”
(CARVALHO; SILVA, 2011, p. 62). Ainda discorrendo sobre os três poderes esses autores
realçam que o Poder Judiciário é o responsável “[...] por assegurar a tramitação processual e a
aplicação da legislação vigente; e compete ao Poder Legislativo estabelecer ordenamentos
jurídicos, imprescindíveis ao funcionamento adequado do sistema de justiça criminal”
(CARVALHO; SILVA, 2011, p. 62).

Planejamento, monitoramento, avaliação de resultados, gasto eficiente dos


recursos financeiros não têm sido procedimentos usuais nas ações de combate à
criminalidade, seja no executivo federal, seja nos executivos estaduais. Desse
ponto de vista, a história das políticas de segurança pública na sociedade
brasileira nas duas últimas décadas se resume a uma série de intervenções
governamentais espasmódicas, meramente reativas, voltadas para a solução
imediata de crises que assolam a ordem pública [...] (SAPORI, 2007, p. 109,
apud CARVALHO; SILVA, 2011, p. 63).

Lima, Bueno e Mingardi (2016, p. 55) abordam que mesmo dentro de um campo
conflituoso o Brasil já avançou de forma significativa no que se refere à segurança pública. E
dentro desse panorama encontram-se um maior “[...] destaque para a universidade e para a
sociedade civil”. Um ponto que merece destaque é que o Estado tem identificado as divergências
e as convergências dentro desse campo; segurança pública, e realizado investigações que levem
as propostas e até programas mais competentes que resultem em medidas eficientes e “[...] para o
aprimoramento do sistema de justiça e segurança pública” (LIMA; BUENO; MINGARDI, 2016,
p. 55). Portanto, em suas viabilizações no sentido de compreender as políticas públicas, Lima,
Bueno e Mingardi (2016) concluem que para soluções nesse segmento é essencial que o Estado
trabalhe em parceria com a comunidade, pois em suas pesquisas as taxas de violência eram
menores quando há uma colaboração dessas duas áreas: Estado e sociedade.
Carvalho e Silva (2011) demonstram que muitos governos têm associado às políticas de
segurança pública como uma relação entre o Estado e a sociedade, e concluindo que essas
medidas tem resultado em mecânicas eficientes. Todavia, as decisões também precisam estar
comprometidas com outros segmentos, tais como: “[...] promulgação de leis, decretos, portarias e
resoluções, visando instrumentalizar o enfrentamento da criminalidade e da violência”
(CARVALHO; SILVA, 2011, p. 62). Para uma melhor eficiência na temática de segurança pública
é preciso um maior comprometimento do Estado da mesma maneira que esse envolva a
sociedade, com ações, prática, medidas, legislações que promovam a [...] participação e inclusão
social e comunitária, cabendo ao Estado o papel de garantir o pleno funcionamento dessas
instituições” (CARVALHO; SILVA, 2011, p. 62).
2.2 O Plano Nacional de Segurança Pública junto ao cidadão

Soares (2007) contextualiza o Plano Nacional de Segurança Pública (PNSP). Para isso ele
faz um uma sistematização do governo do Fernando Henrique Cardoso também conhecido pela
sigla FHC. Em vista disso, são demonstrados que no segundo mandato do FHC junto aos
ministros do governo e aos secretários foi elaborado um plano que tivesse como prioridade a
segurança pública. Essas atitudes estavam associadas a um incidente referente à “[...] um jovem
sobrevivente da chacina da Candelária, Sandro, seqüestrou, no coração da Zona Sul carioca, o
ônibus 174, ante a perplexidade de todo o país, que as TV transformaram em testemunha inerte
da tragédia, em tempo real [...]” (SOARES, 2007, p. 83). Por isso, o governo federal rapidamente
rascunhou um plano que é descrito por Soares (2007) da seguinte maneira:

Ato contínuo, o presidente da República determinou que seus auxiliares tirassem


da gaveta o papelório, e decidissem, finalmente, qual seria a agenda nacional
para a segurança, pelo menos do ponto de vista dos compromissos da União. Em
uma semana, a nação conheceria o primeiro plano de segurança pública de sua
história democrática recente, o qual, em função do parto precoce, precipitado a
fórceps, vinha a público sob a forma canhestra de listagem assistemática de
intenções heterogêneas. Assinale-se que, antes, no primeiro governo FHC,
deram-se passos importantes para a afirmação de uma pauta especialmente
significativa para a segurança pública, quando se a concebe regida por princípios
democráticos: foi criada a secretaria nacional de Direitos Humanos e formulou-
se o primeiro plano nacional de Direitos Humanos (SOARES, 2007, p. 83).

Conforme Carvalho e Silva (2011, p. 62) o governo do FHC também elaborou o Plano
Nacional de Segurança Pública como uma resposta a “Conferência Mundial de Direitos
Humanos, ocorrida em Viena, em 1993”. Essa conferência também foi responsável pela criação
do “Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH), aperfeiçoando-o em 2000, com a
instituição do II Programa Nacional de Direitos Humanos, após a IV Conferência Nacional dos
Direitos Humanos, ocorrida em 1999” (CARVALHO; SILVA, 2011, p. 62). Depois desses marcos
foi criada no ano de 1996 a “Secretaria de Planejamento de Ações Nacionais de Segurança
Pública (Seplanseg)” (ibidem), essa secretaria mudou de nome e passou a ser chamada de
“Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp)” (ibidem). Logo:
A instituição da Senasp, como órgão executivo, significou a estruturação de
mecanismos de gestão capazes de modificar o arranjo institucional da
organização administrativa da segurança pública no âmbito governamental
federal. Surgiu, então, o Plano Nacional de Segurança Pública (PNSP), voltado
para o enfrentamento da violência no país, especialmente em áreas com elevados
índices de criminalidade, tendo como objetivo aperfeiçoar as ações dos órgãos
de segurança pública (CARVALHO; SILVA, 2011, p. 62-63).

Para Soares (2007) esse documento, PNSP, foi uma forma de regulamentar e destacar as
prioridades que essa área social precisava. Todo esse processo somou uma enorme significância
para aspectos considerados importantes e que eram negligenciados pela administração de governo
atual e pelos anteriores. Esse plano propiciou “[...] mudanças incrementais e articuladas ou
simultâneas e abruptas pudessem alterar os aspectos-chave, promovendo condições adequadas às
transformações estratégicas orientadas para metas claramente descritas” (SOARES, 2007, p. 83).

Entre as boas idéias daquele “plano”, destacava-se o reconhecimento da


importância da prevenção da violência, tanto que derivou daí o Plano de
Integração e Acompanhamento dos Programas Sociais de Prevenção da
Violência (Piaps) cuja missão era promover a interação local e, portanto, o
mútuo fortalecimento dos programas sociais implementados pelos governos
federal, estadual e municipal, que, direta ou indiretamente, pudessem contribuir
para a redução dos fatores, potencialmente, criminógenos. A ambição era
formidável, assim como os obstáculos à sua execução. Dada a estrutura do
Estado, no Brasil, caracterizada pela segmentação corporativa, reflexo tardio da
segunda revolução industrial, nada é mais difícil do que integrar programas
setoriais, gerando, pela coordenação, uma política intersetorial. Sobretudo
quando a pretensão ultrapassa o domínio de uma única esfera de governo e se
estende aos três níveis federativos (SOARES, 2007, p. 84).

De acordo com Lopes (2009, p. 29, apud CARVALHO; SILVA, 2009, p. 63) o PNSP
elaborado no ano 2000 foi apontado como uma inovação no campo da democracia e da segurança
pública. O PNSP atende as questões sociais e responde ao governo federal. Evidentemente,
Carvalho e Silva (2009, p. 63) abordam que as tecnologias e suas inovações pressupõem uma
segurança melhor, pois esses objetos são usados pelos “[...] operadores da segurança pública
possam ser eficazes e eficientes”.
Soares (2007) averigua que ao ser criado a Senasp se concentrou em atender e apoiar o
setor de segurança pública oferecendo cursos de capacitação para os policiais e investir em
iniciativas que contemplem penas alternativas, assim como, o “[...] desenvolvimento de
perspectivas mais racionais de gestão, nas polícias estaduais e nas secretarias de segurança,
através da elaboração de planos de segurança pública” (SOARES, 2007, p. 85).
Soares (2007) também examina que todo esse contexto histórico permite perceber que o
governo FHC foi um marco positivo, visto que, ele proporcionou parâmetros democráticos e
progressistas no domínio das políticas públicas. Dessa forma, isso “[...] conferiu à questão da
segurança um status político superior, reconhecendo sua importância, a gravidade da situação e a
necessidade de que o governo federal assuma responsabilidades nessa matéria” (SOARES, 2007,
p. 85).
Carvalho e Silva (2009) apontam que toda a questão da segurança pública não pode ser
tratada de forma negligente e que isso precisa ser primado tanto pelo Estado como pela
população. Deste modo, para esses autores, nem a política empreendida pelo FHC ou mesmo no
governo do Presidente Luís Inácio Lula da Silva almejaram os resultados quantitativos esperados,
pois faltou a contribuição e a participação dos cidadãos.

2.3 Políticas de Segurança Pública atuais

No dia 06 de fevereiro de 2017 o Ministério da Justiça do governo federal lançou o Plano


Nacional de Segurança. Esse plano em sua pauta consta que são necessários uma ação conjunta
entre o “governo federal, Estados e Sociedade” (BRASIL, 2017, online). Dentre os tópicos
abordados há um maior destaque para “[...] a modernização do sistema penitenciário e o combate
integrado às organizações criminosas. Também figuram como prioridades a redução do
feminicídio e violência contra a mulher; a diminuição de homicídios dolosos e o combate
integrado ao tráfico de drogas e armas” (BRASIL, 2017, online).
O PNSP (BRASIL, 2017, p. 2) começa sua narrativa evidenciado três palavras:
“integração-cooperação-colaboração”. Em seguida são traçados os objetivos1 e coloca como ação
geral “capacitação, inteligência e ação conjunta” (BRASIL, 2017, p. 3). Para cada objetivo esse
plano trás metas e ações especificas, contudo, nos focaremos na parte entre a relação da polícia
com a sociedade. Nesse quesito, há uma ênfase que é necessária uma aproximação entre esses
dois sujeitos (policia e sociedade) e para que isso ocorra é importante investir em “[...] Conselhos
de Segurança com efetiva participação da sociedade” (BRASIL, 2017, p. 21). Da mesma maneira

1
Especificado no parágrafo anterior
é necessário ampliar o número de patrulhas e de policiais na rua, pois tudo isso resulta em
inserção e proteção social.
Recentemente a Câmara dos Deputados aprovou o texto que fixa “o Plano Nacional de
Segurança Pública e Defesa Social” (BRASIL, 2018, online) com duração para 10 anos. A lei é
de nº. 3734/12 que da os subsídios para PNSP. Uma das pautas para a elaboração desse projeto
foi assegurar “ações preventivas e fiscalizatórias de segurança interna, nas divisas, fronteiras,
portos e aeroportos” (BRASIL, 2018, online). Assim sendo:

De acordo com o substitutivo do deputado Alberto Fraga (DEM-DF), o plano


nacional terá duração de dez anos. As ações de prevenção à criminalidade serão
prioritárias, e as políticas públicas de segurança não serão restritas aos
integrantes do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), devendo considerar
um contexto social amplo e abranger outras áreas do serviço público, como
educação, saúde, lazer e cultura. No caso dos estados, do Distrito Federal e dos
municípios, eles terão até dois anos para elaborar seus planos correspondentes,
sob pena de não poderem receber recursos da União para a execução de
programas ou ações no setor (BRASIL, 2018, online).

Pautados ainda nessa jurisprudência no ponto das diretrizes do PNSP estão respaldada em
medidas que visem a “[...] adoção de estratégias de articulação entre os órgãos públicos,
entidades privadas, corporações policiais e organismos internacionais” (BRASIL, 2018, online).
Logo, compreende-se que os planos estão alicerçados em ações que contemplem a sociedade e
que atraia a mesma para participar ativamente de todas as decisões envolvendo esse campo
específico. “Poderão ser previstos programas articulados com as escolas, a sociedade e a família
para a prevenção da criminalidade. Uma das possibilidades é incentivar a inclusão da disciplina
de prevenção da violência nos conteúdos curriculares dos diversos níveis de ensino” (BRASIL,
2018, online).
Os conselhos do PNSP nessa legislação denominam que os conselhos que forem filiados
ao governo federal terão autonomia para criar quantos conselhos acharem necessários. Ainda de
acordo com esse documento do PNSP esses serão formados por “[...] representantes da União,
dos estados, do Distrito Federal e dos municípios” (BRASIL, 2018, online). Em relação aos
princípios o texto enfatiza que:

Entre os princípios listados pelo texto para a atuação dos órgãos integrados ao
Susp destacam-se a proteção dos direitos humanos; o respeito aos direitos
fundamentais e promoção da cidadania e da dignidade da pessoa humana; a
resolução pacífica de conflitos; o uso proporcional da força; a participação e o
controle sociais; e a proteção, valorização e reconhecimento dos profissionais de
segurança pública (BRASIL, 2018, online).

Por fim, o Projeto de Lei (PL) 3734/2012 de autoria do Poder Executivo que está
aguardando a tramitação para entrar em vigor, a mesma está em situação de sanção. Sua ementa
contempla todos os aspectos abordados até esse parágrafo e constitui a segurança pública aos
órgãos responsáveis e que sejam trabalhados junto com os cidadãos. Dessa maneira, conclui-se
que se houverem mobilizações para que a prática preceda o cidadão irá conseguir viver em uma
sociedade mais segura.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esse estudo pautou-se em analisar as medidas do Estado referente à segurança pública.


Para isso essa pesquisa descreveu a política pública adotada pela União, o pontapé inicial e quais
as medidas em trâmite na câmara dos deputados.
Dessa maneira, essa perquisição constatou que a sociedade brasileira é fundamentada na
desigualdade e que isso dura há anos e já passou por várias formas de governo, inclusive pela
ditadura militar. Logo, a violência e a criminalidade não são consequências da pobreza, mas de
uma má administração de séculos anteriores. Por isso, um dos problemas da segurança pública é
que a teoria não acompanha a prática, afastando-se cada vez mais das soluções consideradas
plausíveis. Um ponto destacado e comum na visão de vários autores é que as políticas públicas
precisam ser uma via de mão dupla, envolvendo Estado e sociedade.
Esse artigo também descreveu o PNSP e como esse foi criado, ou seja, por meio de uma
fatalidade as autoridades políticas decidiram elaborar esse projeto. O mesmo foi desenvolvido no
governo do FHC e sendo “aperfeiçoado” em outros mandatos. Cabe ressaltar, que o governo já
vinha pensando em um programa dessa plenitude desde Conferência Mundial de Direitos
Humanos. Esse documento é muito significativo e foi um marco, pois considerou diversos
aspectos importantes para os cidadãos e para a vida em sociedade, proporcionando medidas de
segurança pública.
Por fim, existem atualmente a PL 3734/2012, porém ainda está em curso na câmara dos
deputados. Contudo, as novas regras do PNSP prever um tempo maior, com duração de 10 anos,
assim como seus objetivos é diminuir a violência e a criminalidade e usando para isso a
participação dos cidadãos. Portanto, esse trabalho conclui enfatizando que para que tenham
soluções realmente efetivas é preciso agir junto à sociedade, com programas e projetos de
conscientização social.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Brasil um campo de desafios. COSTA, I. F; BALESTRERI, R. B (Org). Salvador: Edufba,
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