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Posições perceptivas

Escrito por:
Roger Ellerton Ph.D.
Publicado em:
qui, 08/09/2011

Perspectivas diferentes

Muitas vezes, é útil avaliar um evento ou um resultado a partir de uma perspectiva diferente: da
nossa própria perspectiva, da perspectiva de outra pessoa e da perspectiva de um observador
independente. John Grinder e Judith DeLozier apresentam essas perspectivas como posições
perceptivas. As posições perceptivas fornecem uma abordagem equilibrada para pensarmos
sobre um evento ou um resultado. Nas situações onde a compreensão ou o progresso é pouco
ou nenhum, elas podem fornecer uma maneira de desenvolver novas compreensões e criar
novas escolhas.

As três posições perceptivas são:

 Primeira posição: ver, ouvir e sentir a situação através dos seus próprios olhos, ouvidos e
sensações. Você pensa em termos do que é importante para você, o que você quer alcançar.

 Segunda posição: calçar os sapatos da outra pessoa e experimentar (ver, ouvir e sentir) a
situação como sevocê fosse a outra pessoa. Você pensa em termos de como essa situação
poderia parecer ou ser interpretada pela outra pessoa. Você já ouviu a expressão: "Antes de
criticar alguém, caminhe uma milha nos sapatos dele."

 Terceira posição: afastado da situação e experimentando-a como se você fosse um observador


separado. Na sua mente, você é capaz de ver e ouvir você mesmo e a outra pessoa, como
se você fosse uma terceira pessoa. Você pensa em termos de quais opiniões, observações ou
conselhos ofereceria a alguém que não está envolvido. Você precisa estar num estado pleno
de sólidos recursos e obter uma visão objetiva do seu próprio comportamento e procurar
oportunidades para responder de uma maneira diferente para alcançar um resultado diferente e
mais positivo.

Algumas vezes, nós nos encontramos presos numa dessas posições:

 Alguém que vive sua vida na primeira posição tende a se focar nas suas necessidades em vez
das necessidades dos outros – uma atitude "egocêntrica". Nós poderíamos dizer que os
viciados tendem a ver o mundo da primeira posição.

 Alguém, que vive sua vida principalmente na segunda posição, está sempre pensando nas
outras pessoas à custa das suas próprias necessidades. Codependentes ou permissivos numa
situação disfuncional ou viciada se encaixariam nessa descrição. Existe um ditado sobre
dependentes: "Quando um dependente morre, é a vida de outra pessoa que passa como um
filme na frente dos seus olhos, no lugar da sua própria".

 Alguém, que vive na terceira posição, seria visto como um indiferente e desinteressado
observador da vida – sempre olhando de fora.

Todas as três posições têm a mesma importância e é útil deslocar-se, consciente ou


inconscientemente, através dessas posições enquanto vivenciamos as nossas atividades
diárias.

Um exercício

Para ilustrar a utilidade das posições perceptivas, considere o seguinte exercício, que você
pode fazer sozinho ou com alguém para guiá-lo através das etapas. Pense numa conversa,
discussão ou divergência que você teve recentemente com outra pessoa, e que não saiu bem
como você esperava e a situação permanece não resolvida. Para efeito do diálogo, irei supor
que a outra pessoa seja um homem.

1. Você está preparado para explorar essa situação para descobrir outras maneiras para lidar
com ela, se uma situação semelhante ocorrer no futuro? Essa é uma pergunta importante. Se
você está comprometido a manter a outra pessoa como errada e não está preparado para
aprender com as suas experiências, não importa o que aconteça, então não vale a pena perder
seu tempo e prosseguir nessa situação particular. Escolha outra situação.

2. Supondo que você respondeu "sim" para a primeira pergunta, coloque-se numa posição
confortável, feche seus olhos e volte para aquele evento, olhe através dos seus próprios olhos,
vendo o que você via, ouvindo o que você ouvia e sentindo o que você sentia durante aquela
interação. Você pode fazer isso muito ligeiro, visto que o propósito principal aqui é relembrá-lo
do evento e do que você experimentou. Aqui você está experimentando o evento a partir da
primeira posição. Quando você tiver terminado, abra os olhos, corra os olhos pela sala,
levante-se, estique seu corpo – isso é chamado de interrupção do estado e a intenção é limpar
a sua mente das representações internas do evento.

3. De novo, sinta-se confortável, feche seus olhos e desta vez coloque-se no lugar da outra
pessoa, assuma a fisiologia dela olhando através dos olhos dela, vendo o que ela via, ouvindo
o que ela ouvia, e com o melhor da sua habilidade, experimentando como ela se sentia
estando numa conversa com uma pessoa que parece e age como você! A partir dessa outra
perspectiva, perceba as expressões faciais, a linguagem corporal, os gestos das mãos, o tom
de voz e as palavras que são usadas por essa pessoa que se parece com você, se comporta e
se expressa como você. Será que isso lhe dá alguma compreensão de porque ele reagiu da
maneira que reagiu? Se você tivesse que dar à pessoa que se parece com você algum
conselho, desde essa perspectiva de como lidar com a situação de forma diferente, qual seria o
seu conselho? Quando estiver pronto, abra seus olhos, olhe pela sala, levante-se e se estique.
Você aprendeu alguma coisa sobre você e como pode lidar com a situação de modo diferente
da próxima vez com um resultado potencialmente diferente? Muitas vezes as pessoas
aprendem e, algumas vezes, elas aprendem ainda mais no próximo passo.

4. Sinta-se confortável, feche seus olhos e dessa vez olhe para o evento como se você fosse uma
mosca na parede. Um pouco distante na sua frente, você pode ver uma pessoa que se parece,
se comporta e se expressa como você e a outra pessoa. A partir dessa outra perspectiva, note
as expressões faciais, a linguagem corporal, os gestos da mão, o tom de voz e as palavras que
essa pessoa que se parece, se comporta e se expressa como você está usando. Você pode
dar para essa pessoa algum conselho de como a situação poderia ser tratada de modo
diferente e talvez, alcançar um resultado diferente, mais positivo? Quando você estiver pronto,
abra seus olhos, olhe em torno da sala, fique de pé e se estique. E que tal agora, aprendeu
algo sobre você mesmo?

5. Repita os passos 2 a 5. Dessa vez use os novos comportamentos e os recursos que você
identificou no passo 3 e no 4. Você notou alguma coisa diferente dessa vez? Talvez, uma
oportunidade para alcançar um resultado diferente mais positivo?

Frequentemente eu uso esse exercício nas apresentações em público. Eu me recordo que em


um evento, depois que eu terminei o exercício, uma jovem levantou-se e saiu da sala. Ela
retornou cerca de 20 minutos mais tarde, e no intervalo seguinte, veio falar comigo, se
desculpando por ter saído da sala da maneira que fez. Ela começou a explicar que cerca de
duas semanas antes, ela tivera uma grande briga com a sua colega de quarto e amiga de
longa data que resultou nela se mudando e as duas não se conversando mais desde ali. Ao
fazer o exercício, ela se deu conta de que podia ter conduzido a situação de modo diferente e
saiu da sala para ter uma conversa com a sua amiga. Como resultado dessa nova conversa,
ela estava voltando a morar com a sua amiga naquela mesma noite.
Isso me relembra duas Pressuposições da PNL: "o sistema (pessoa) com
o comportamento mais flexível terá a maior influência no sistema" e "não existe fracasso,
apenas feedback". Também me recorda do segundo passo dos "Cinco passos para o
sucesso" – aja!

Divirta-se com esse exercício, é fácil de fazer e muito eficaz!

Você pode usar as posições perceptivas para revisar um evento no passado ou para se
preparar para um evento no futuro.

Roger Ellerton PhD, CMC é um consultor certificado de administração, fundador e sócio


gerente da Renewal Technologies. O artigo acima é baseado no seu livro "Live Your Dreams
Let Reality Catch Up: NLP and Common Sense for Coaches, Managers and You".

O artigo acima foi traduzido na íntegra do original sob o título "Perceptual Positions" que se
encontra no site da "Renewal Technologies.

Tradução JVF, direitos da tradução reservados.

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