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VASSULA HERMELINDA DE SOUZA

(VASSULA)

CARNAVAL A PURA ARTE DO ENTRUDO

A cultura do carnaval pernambucano, como inspiração para minha arte.

Rio de Janeiro
2019
VASSULA HERMELINDA DE SOUZA

CARNAVAL A PURA ARTE DO ENTRUDO

A cultura do carnaval pernambucano como inspiração para minha arte.

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado à Faculdade CAL de Artes
Cênicas, como parte das exigências para a
obtenção do título de Bacharel em Teatro.

Orientador: Prof. Dr.: João Cícero

Rio de Janeiro
2019
DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho a pessoa que mais


investiu em mim, quando eu deixei meu
estado Pernambuco para ir atrás do meu
sonho no Rio.
Essa pessoa para mim é especial como
nenhuma outra. Dôra, minha rainha.
AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus. Sem ele nada se tornaria possível em


minha vida. Agradeço a Dôra, minha tia, por ter investido em mim todos esses anos
e nunca ter me abandonado. Agradeço a minha mãe dona Maria das Graças, a
mulher mais guerreira que eu já conheci e que me apoia sempre. Agradeço a toda
a minha família que sempre torceu muito por mim. Aos foliões do carnaval de
Pernambuco pelas histórias contadas. Ao carnaval de Pernambuco por me provar
todos os anos que aqui é o melhor lugar. Ao orientador João Cícero e a faculdade
Cal de Artes Cênicas por tanto aprendizado.
EPÍGRAFE

Quando chega fevereiro


Vem com ele o carnaval
Tem orquestra de Rua
Passista agitado
Tem Claudinor Germano
Cantor sem igual
Contemplam os frevos
Do nosso local
Com mais outras coisas
Que eu nem vou citar
Mas quem for passeando
Queira também visitar
O nosso Recife amado
O nosso berço querido
Que não é o céu
Mas é parecido
Nos dez de galope
Da beira do mar.

(Maestro Spok)
RESUMO

Esse trabalho é dedicado a uma paixão, desde criança, pelo carnaval de


Pernambuco. Como boa pernambucana que sou, dou muito valor a nossa cultura.
Tem história desde o comecinho... Lá do entrudo até chegar ao frevo, que é
patrimônio cultural e imaterial da humanidade e é nosso pernambucano. Passando
por todos e encaixando o teatro, que este, presente em cada espetáculo do passo
rasgado do frevo.

Palavras-chave:

Entrudo – Pernambuco – Pernambucano – Foliões – Frevo – Cultura – Passo –


Carnaval – Personagens
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Fig. 1: “Caboclo de lança do Maracatu Cambinda” Foto: Chico Ludermir

Fig.2: “Entrudo primeira metade do século XIX” Gravura de Debret

Fig.3: Carnaval dos pobres e ricos

Fig.4: Entrudo rua do ouvidor 1884

Fig.5: Gravura alusiva ao entrudo

Fig.6: “Boneco gigante de Enéas Freire o criador do galo da madrugada” foto:


passarinho pref/ Olinda

Fig.7: “Multidão acompanha o Homem da Meia-Noite pelas ladeiras de Olinda”


(Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press, 2019)

Fig.8: “Caboclo de lança 2013” foto: Jornal do Commercio

Fig.9: “Papangus de Bezerros” foto: Jornal do Commercio

Fig.10: “Caiporas Pesqueira”

Fig.11: Foto: Paulo Paiva Diário de Pernambuco

Fig.12: “Caretas” Foto: Ricardo Moura

Fig.13: foto: Diego Nigro/ jc imagens

Fig.14: A mulher da sombrinha

Fig.15: La ursa/ arquivo pessoal

Fig.16: “Galo à noite” foto: acervo Joaquim Nabuco

Fig.17: “42º desfile do Galo da Madrugada Foto: Arthur de Souza”

Fig.18: Peça “Maria Colombina e Zé Pierrot” Foto: Roberta Guimarães

Fig.19: “Arlequim” de Euclides Francisco Amâncio

Fig.20: Aprendendo a dançar frevo/ ilustrações: Breno carvalho


SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO.....................................................................................................8

2. PERSONAGENS...............................................................................................10

2.1. ZÉ PEREIRA...............................................................................................10

2.2. BONECOS DE OLINDA..............................................................................10

2.3. HOMEN DA MEIA-NOITE...........................................................................10

2.4. PAPANGUS DE BEZERROS......................................................................10

2.5. CABOCLO DE LANÇA................................................................................11

2.6. CAIPORAS DE PESQUEIRA......................................................................11

2.7. CARETAS DE TRIUNFO............................................................................12

2.8. MULHER DA SOMBRINHA........................................................................12

2.9. LA URSA.....................................................................................................12

2.10. GALO DA MADRUGADA..........................................................................13

2.11 PIERROT, COLIMBINA E ARLEQUIM.......................................................14

3. DESENVOLVIMENTO.......................................................................................15

4. ENTREVISTA.....................................................................................................16

5. ILUSTRAÇÕES..................................................................................................18

5.1 ENTRUDO...................................................................................................18

5.2 CARNAVAL..................................................................................................19

6. O PROTAGONISTA...........................................................................................23

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS...............................................................................26

REFERÊNCIAS......................................................................................................27
8

1. INTRODUÇÃO

Entrudo é a celebração que antecede o carnaval. Vem desde a idade


média com brincadeiras democráticas onde todos podiam participar. Desde
famílias de posses a escravos, todos faziam parte da brincadeira. E é por isso
que o carnaval é a festa mais popular do mundo, onde brinca qualquer pessoa
sem restrição nem preconceito. As brincadeiras do entrudo eram: jogar farinha
no outro, água, jogar limão de cheiro (que depois disso originou o lança-perfume)
o entrudo chegou no Brasil pelos portugueses em 1641 no Rio de Janeiro. Não
demorou muito para a festa tornar-se a mais popular, principalmente no Brasil
que ganha as ruas até hoje. Embora o entrudo tenha sido “extinto” o carnaval de
Pernambuco, em algumas cidades se comemora do mesmo jeito que era na
idade média, jogando maisena no outro, mangueiras jorrando água por toda
parte, o limão virou ovo e mesmo assim todo mundo se diverte. Querendo ou
não (diferente do restante do país) o entrudo ficou aqui e manteve a tradição
mais antiga da maior festa popular. (SIGNIFICADOS, 2015)

A nossa vida é um carnaval


A gente brinca escondendo a dor
E a fantasia do meu ideal
É você, meu amor
Sopraram cinzas no meu coração
Tocou silêncio em todos clarins
Caiu a máscara da ilusão
Dos Pierrots e Arlequins
Vê colombinas azuis a sorrir laiá
Vê serpentinas na luz reluzir
Vê os confetes do pranto no olhar
Desses palhaços dançando no ar
Vê multidão colorida a gritar lará
Vê turbilhão dessa vida passar
Vê os delírios dos gritos de amor
Nessa orgia de som e de dor
(Turbilhão: FRANCO.M)

Entrudo e carnaval têm o mesmo significado, são os três dias que


antecedem a quaresma. ‘carna vale’ o adeus à carne.

Passeando pelas ruas do Recife em época de carnaval é muita figura que


a gente encontra. Pernambuco é um estado muito peculiar e característico
quando o assunto é carnaval. Nós aqui temos personagens e histórias que
9

dariam longas peças, filmes e eteceteras. Embora não temos registro de uma
peça que teve como enredo o carnaval de Pernambuco, o frevo é levado para
os palcos de todo o mundo com suas apresentações resilientes colorindo os
teatros e remexendo o esqueleto dos gringos. Os personagens do nosso
carnaval são os atores que estavam faltando para seguir nossa história.

Cada região do estado tem um personagem típico do carnaval. Embora o


foco seja Recife e Olinda, as regiões da zona da Mata e Interior fazem sucesso
com seus representantes. Em Bezerros, o papangu é um personagem
mascarado inventado por maridos que queriam brincar o carnaval sem que a
esposa descobrisse, e até hoje se mantém a tradição que ninguém pode se
revelar por trás das máscaras. Os papangus são muito populares até hoje no
carnaval pernambucano, não pode faltar seus coadjuvantes. Em Olinda temos o
homem da meia-noite, que sai religiosamente todo sábado de Zé Pereira a 00:00
em ponto. Antecedendo a ele durante a manhã de Zé Pereira, sai o Galo da
Madrugada, o maior bloco de carnaval da terra. Tá no Guinness Book. O galo
arrasta foliões do mundo todo e faz o maior sucesso todo ano. Sem passado não
há história e sem história não há carnaval. Todos os anos enredos, sombrinhas,
passistas, pessoas, felizes, enfeitam e colorem as ruas do carnaval de
Pernambuco, com uma beleza tão grande que só quem tem muito amor pelo
nosso carnaval. (SIGNIFICADOS, 2015)
10

2. PERSONAGENS:

2.1. ZÉ PEREIRA é uma expressão dada ao sábado de carnaval que chama-se


sábado de Zé Pereira. Trazida também pelos espanhóis no século XVI, eram
bonecos de madeira que enfeitavam as ruas do entrudo. (site: SIGNIFICADOS,
2015)

2.2. BONECOS DE OLINDA: o precursor desses clássicos surgiu de uma lenda,


o homem da meia-noite, sempre pontual e elegante e fazendo o mesmo
percurso, deu início aos mais famosos bonecos de Olinda, que foram
perpetuados e mantidos graças a tradição de Zé Pereira. (Origem: Wikipédia,
2019)

2.3. HOMEM DA MEIA-NOITE: surgiu em 1931 com uma lenda por trás de sua
história. Um de seus criadores Luciano Anacleto de Queiroz saiu apaixonado do
cinema depois de assistir o ladrão da meia-noite, filme que contava a história de
uma cabra que causava alvoroço na cidade inteira. Luciano quis homenageá-lo
e criou o calunga que sai todo ano pontualmente a 00:00 noite abrindo o carnaval
de Olinda. (Origem: Wikipédia, 2019)

2.4. PAPANGUS DE BEZERROS: personagem icônico e característico do


carnaval pernambucano, os papangus vem lá do século XIX com várias histórias
envolvidas. Uma de dois irmãos que arrancaram metade das calças para
cobrirem os rostos sem serem descobertos, não adiantou muita coisa porque
comeram tanto angu que foram pegos pela gula. Outra história é que maridos
para despistarem suas esposas se fantasiavam de papangus para curtir o
carnaval escondido. Mais uma possibilidade da origem dos papangus é que
nobres se vestiam com trapos velhos para brincar com seus parentes todo ano.

Em 1990 Bezerros ficou oficialmente conhecida como a terra do papangu.


E esse nome vem de papa (de papar comida) e angu (comida típica de nossa
região) muito servido em Bezerros. Muitas das pessoas que se fantasiavam
comiam o angu, aí não teve como fugir desse nome. Ganhou o povo e o carnaval
de Pernambuco. Movimenta a economia da cidade e é o terceiro carnaval mais
frequentado do estado. (BRAYNER, 1999)
11

2.5. CABOCLO DE LANÇA: o que não falta em Pernambuco é carnaval e cada


cidade do interior do estado tem seu personagem, sua tradição e suas maneiras
de marcar o carnaval. Em Nazaré da Mata, por exemplo, são eles os
trabalhadores rurais que passam o ano inteiro trabalhando nos canaviais que se
transformam nos caboclos de lança. As figuras mais coloridas e misteriosas do
nosso carnaval. Assim temos:

Chegam curvando-se, erguendo-se e pulando o mais alto possível (GUERRA


PEIXE apud SOUTO MAIOR (1991, p. 286). A lança, segura com as duas
mãos, ‘brinca’ para o alto, para baixo e para os lados, afastando as multidões,
enquanto o caboclo vem correndo, saltando e dançando... a cabeleira de tiras
de celofane ou papel crepon multicolorida se abaixa e se levanta (REAL apud
SOUTO MAIOR (1991, p. 286).

Figura1
(Caboclo de lança do Maracatu Cambinda)

2.6 CAIPORAS DE PESQUEIRA: diferente dos papangus de Bezerros que a


identidade (sob as máscaras) não pode ser revelada, os caiporas podem se
revelar antes ou depois do desfile. Os privilegiados vão às ruas para assumir o
tradicional carnaval de Pesqueira, que fica a 215 KM da capital Recife e que
anima o povo dessa pacata cidade há 57 anos desde 1962. (TV CLUBE. PE.
Publicado em 23/02/2017).
12

2.7 CARETAS DE TRIUNFO: Em Triunfo são os próprios caretas que


confeccionam suas roupas, já que ninguém pode descobrir sua verdadeira
identidade, (é como no teatro, nós atores produzimos nosso próprio figurino para
nos camuflar atrás de uma personagem) eles capricham quando o assunto é
carnaval. Todos são muito coloridos e o acompanhamento é um chicote usado
por eles junto com chocalhos, diferente dos outros personagens eles não têm
acompanhamento de orquestra, seguem apenas com o som do chicote. Embora
não podendo revelar sua identidade a partir das 17:00 da tarde devem se despir
e parar com a festa porque é o momento que a polícia chegar. (Não que seja
proibido, é que faz parte da brincadeira) (VASCONCELOS.L 2018, às 06h35)

2.8 MULHER DA SOMBRINHA: em Catende tem uma lenda de que uma mulher
bem vestida, bonita, acompanhava os operários de uma fábrica até o cemitério
e depois desaparecia, ao amanhecer eles acordavam perdidos em cima das
covas. Para homenagear essa história criaram a mulher da sombrinha que sai
sempre a 00:00 do sábado de carnaval, direto do cemitério Sagrada Família,
acompanhada do boneco gigante do operário representando os trabalhadores
enganados e mantendo a tradição, que desde 2009 são patrimônio imaterial da
humanidade.

2.9 LA URSA: “A La Ursa quer dinheiro, quem não dá é Pirangueiro” A La Ursa


é um personagem único do carnaval nordestino, descendente de imigrantes
italianos ligados à arte circense se popularizou por aqui no início do século XIX
e ficou. A figura é de uma pessoa vestida com um macacão felpudo que remete
ao urso e, sua máscara de papel machê passando de porta em porta ou, de
pessoa em pessoa pedindo dinheiro, quem não der é pirangueiro. (CARNAVAL
DO RECIFE/ la ursa 2019)

____________________________________________________________________________
* pirangueiro, vocabulário pernambuquês; “pessoa econômica, mão de vaca e, eteceteras!”
13

2.10. GALO DA MADRUGADA: A majestade do carnaval pernambucano. Há 41


anos o maior bloco de carnaval do mundo colore as ruas do Recife. Dando a
largada na ponte Duarte Coelho e percorrendo a rua Imperial, seguindo em
direção à Praça Sergio Loreto (onde fica a sede do galo) seguindo para as
avenidas Dantas Barreto e Guararapes, finalizando o percurso na rua do sol às
18:30. O bloco criado por Enéas Freire é de uma particularidade singular, só
quem já viveu o galo sabe a emoção que é tá no meio de toda aquela gente,
correr atrás dos trios e passar por aqueles corredores de gente suada de folia.

O galo cresceu e cresce a cada ano antes saindo do bairro de São José
e passando pela rua da concórdia que ficou estreita para o galo passar e acabou
mudando para o percurso atual na Dantas Barreto. Mais de dois milhões de
foliões crescem o galo da madrugada todo ano, artistas fazem questão de brilhar
e participar nesse bloco que é tão bonito e feliz. Não é a toa que é o maior da
terra desde 1995. Está no Guinness Book.

O galo é tão singular que a galera curte até na água. A ponte Duarte
coelho onde fica o galo em seu pedestal, passa por cima do rio Capibaribe onde
os barcos ficam a postos para ver o desfile que tem mais de trinta trios e que
começa a festa às 9h em ponto no sábado de Zé Pereira. (CASSOLI, 2007).

Ei pessoal, vem moçada


Carnaval começa no Galo da Madrugada (BIS)
A manhã já vem surgindo,
O sol clareia a cidade com seus raios de cristal
E o Galo da madrugada, já está na rua, saudando o Carnaval
Ei pessoal...
As donzelas estão dormindo
As flores recebendo o orvalho matinal
E o Galo da Madrugada
Já está na rua, saudando o Carnaval
Ei pessoal...
O Galo também é de briga, as esporas afiadas
E a crista é coral
E o Galo da Madrugada, já está na rua
Saudando o Carnaval
Ei pessoal...
Hino do galo da madrugada
(CHAVES.M 1979)
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2.11. PIERROT, COLIMBINA E ARLEQUIM

Não poderia faltar os italianinhos que formam o triângulo amoroso mais


famoso de todo carnaval. Juntos esse trio levava alegria para o público lá do
século XVI com apresentações teatrais. O Pierrot sempre muito apaixonado pela
colombina escrevia-lhe cartas, mas nunca entregava. Colombina não sabia e era
apaixonada por Arlequim que tinha o seu jeito sedutor e brincalhão de roubar o
beijo das atrizes que fazia o papel de colombina. Um dia, porém, ela achou uma
das cartas românticas de Pierrot e viu a grandeza do amor verdadeiro, largou
Arlequim para viver com Pierrot, porém espera pelo amado todos os carnavais.

E estão presentes disfarçados no meio da multidão todo ano até de novo


se reencontrar. (MOLA, 2014).

Pierrot, como pode um cabra


Ser tão besta assim (como eu)
Amar de mais
Mesmo tendo ficado com colombina
Ela espera por Arlequim
Todos os carnavais
(SOUZA.V, 2019)
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3. DESENVOLVIMENTO

O carnaval de Pernambuco é muito rico de história, personagens e


foliões. Quantas pessoas ainda não conhecem e outras quantas vêm todo ano
para desfrutar e aprender com o nosso folclore, nossa dança, nosso paço, nossa
música, nosso jeito de brincar e de fazer diferente do Brasil inteiro o melhor
carnaval do mundo. É da nossa particularidade, um carnaval que ninguém tem,
só vindo aqui pra descobrir.

Mesmo com tantos personagens, com tantas histórias o carnaval de


Pernambuco é multidão, é o povo, é o sorriso no rosto, é calor humano, alegria,
criatividade. A força dos pernambucanos nas ruas é a consciência de felicidade
espantada, o colorido do afeto de tantos pierrots, arlequins, colombinas, homens
da meia-noite, mulher de sombrinha, Caetanos, Joãos, Rafaels, Marinas,
Vitorias, Bernadetes, de tantos... e no meio disso tudo poder enxergar a beleza
que é o povo nas ruas, que cada persona pode ser o que quiser inventado seu
próprio personagem e colorindo o enredo de cada carnaval para então da ação
para o maior espetáculo da terra. (SOUZA,V 2019)
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4. ENTREVISTA

1- O frevo é uma característica gigante do carnaval pernambucano (eu diria


a maior) me diga o que acontece com seu coração quando toca um frevo?

Acontece que o entusiasmo dos ritmos se mistura com a alegria de externar o


humor o dinamismo, demonstrar o salto a liberdade da compreensão do humano,
uma oportunidade de interagir com o sol, o calor, com a adrenalina, com o sorriso
seu e do outro porém, como tudo na vida tem que ser com muita
responsabilidade, consciência, respeito, gratidão pela vida de poder ser capaz
de sentir grandes sentimentos. Muitas vezes prontos para ser sentidos, vividos
e poucas vezes explicados.

2- De quantos galos você participou? “Tantas histórias” ... me conte uma


massa, que lhe marcou no galo.

Participei por volta de 22 galos no sábado de Zé Pereira entre chuvas e sol e


pessoas que levei para conhecer tal encontro. São tantas histórias, bem das
histórias vivenciadas uma tal não esqueço. Tive a oportunidade de conhecer um
cidadão chamado Anildo, amigo da família de meu marido e de também
brincarmos o carnaval juntos algumas vezes, ele sempre muito bem fantasiado,
bem uma criatura extremamente calma e cheio de experiências de vida. Certo
tempo ele adoeceu, ficou realmente debilitado pela diabetes, passou um bom
tempo sem participar das festividades do carnaval, uma curiosidade disso e que
ele sempre se fantasiava mesmo para ficar em casa, soubemos da notícia que
o seu estado não estava bom, me foge agora em que ano foi isto, mas estamos
no meu da rua da Concórdia (antiga rota por onde o galo passava) o lugar mais
crítico do bloco do galo, ali só entra que tem coragem de encarar, meu marido
encontrou Anildo fantasiado de marinheiro um moreno alto, completamente,
emagrecido com uma latinha de cerveja encostado entre o trio elétrico e a parede
balançando o seu corpo, nisso meu marido o abraçou e ele chorou, os dois
choraram como se fosse uma despedida da vida e do carnaval, mas ver nele
uma tal vitória de fazer o que gostava, e isso algumas vezes no dar auto
liberdade e o trio a multidão aquela avalanche de gente nos levou e nos
perdemos na multidão, dias depois soubemos de sua morte.
Acho que agora nesse TCC por conta do carnaval, ele foi lembrado, esse
marinheiro nem imaginava isso!
(TORRES.STELA, 2019 *36 anos frequentadora assídua do nosso carnaval
passando de geração em geração para.)

3- Da grandeza real que é o carnaval, a forma como os foliões brincam, se


divertem e somem no meio da multidão, você concorda comigo que é meio
uma peça teatral do povo ser o que quiser?

Concordo, pois é uma forma de agir e pensar, se manifestar com a realidade


externa das pessoas. E dos foliões serem o que quiserem é como se houvesse
um roteiro porém sem os personagens definidos.
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4- O melhor carnaval do mundo é o de Pernambuco?

Sim, pois é um carnaval multicultural. É um carnaval que existem vários polos


culturais por toda a cidade realizando atrações como maracatu, Bumbá meu Boi,
o frevo que é a principal atração, ciranda e tantas outras atrações.

(TORRES.LAÍS, 2019)
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5. ILUSTRAÇÕES

5.1 ENTRUDO

Entrudo primeira metade do século XIX” Gravura de Debret

Carnaval dos pobres e ricos

Entrudo rua do ouvidor 1884 Gravura alusiva ao entrudo


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5.2 CARNAVAL

Boneco gigante de Enéas Freire o criador do Galo da Madrugada

Multidão acompanha o Homem da Meia-Noite pelas ladeiras de Olinda

Caboclo de lança 2013


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Papangus de Bezerros

Caiporas Pesqueira

Caretas de Triunfo

A Mulher da Sombrinha
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LA URSA, 2018/ foto: arquivo pessoal

Galo da Madrugada a noite

42º desfile do Galo da Madrugada


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Peça “Maria Colombina e Zé Pierrot” (Foto: Roberta Guimarães)

Arlequim de Euclides Francisco Amâncio


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6. O PROTAGONISTA

O cabra que dá o tom da cor da festa, é ele que arrasta a


multidão toda para cair na folia, no passo rasgado de cada passista, no meio da
harmonia de cada bloco é ele o Rei.

O frevo. Patrimônio cultural e imaterial da humanidade pela


UNESCO desde 2012, com um pouquinho mais de cem anos (112 no total) ele
veio para contribuir e preencher os espaços da nossa cultura.

O frevo é uma criação inteira do povo pernambucano, surgiu no


finalzinho do século XIX com a mistura de marchas, polcas, maxixes, deu-se
esse ritmo acelerado e quente que chama frevo porque vem de ferver, naquela
época como o chão muito quente e os passos eram feitos descalços pelos
capoeiristas disfarçados de dançarinos, começou com eles encaixando os
passos da luta na dança já que era proibida pelos policiais eles deram um jeito
de se esconder atrás de um guarda-chuva que usavam de arma fazendo dali
milhares de passos incontáveis, que hoje quem vê um passista de frevo
dançando não consegue dar conta da concentração, com todas aquelas
acrobacias aéreas não tem quem não pasme com tamanha agilidade. A música
é o frevo e a dança é o passo. (RECIFE, pref, 2013).

Aprendendo a dançar frevo/ ilustrações: (CARVALHO BRENO, 2011)


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A música do frevo se divide em frevo de rua que é instrumental. Frevo


canção que é a letra cantada como evocação do mestre Nelson Ferreira:

Felinto, Pedro Salgado, Guilherme, Fenelon


Cadê teus blocos famosos
Bloco das flores, andaluzas, pirilampos, apôs-fum
Dos carnavais saudosos
Na alta madrugada
O coro entoava
Do bloco a marcha-regresso
E era o sucesso dos tempos ideais
Do velho Raul Moraes
Adeus adeus minha gente
Que já cantamos bastante
E recife adormecia
Ficava a sonhar
Ao som da triste melodia
(Evocação Nº 1/ FERREIRA.N site letras)

Além de Capiba, o maior nome do frevo pernambucano e maior


compositor que emplacou sucessos na voz de Claudinor Germano, o intérprete
que mais gravou discos de um único compositor, fez história. Capiba deixou
sucessos que até hoje são marcas oficiais do carnaval de Pernambuco. Músicas
que se não tocarem, tem alguma coisa errada. Tudo isso graças a gravadora
Rozenblit que fez questão de gravar todas as músicas, de todos os compositores
pernambucanos todos os frevos aqui (fora do eixo Rio/SP) foi a única gravadora
que deu certo fora desse eixo e o frevo passou a ser conhecido e escutado por
todo Brasil. (RECIFE, pref, 2013).

Madeira do Rosarinho
Vem a cidade sua fama mostrar
E traz com seu pessoal
Seu estandarte tão original

Não vem pra fazer barulho


Vem só dizer... e com satisfação
Queiram ou não queiram os juízes
O nosso bloco é de fato campeão

E se aqui estamos, cantando esta canção


Viemos defender a nossa tradição
E dizer bem alto que a injustiça dói
Nós somos madeira de lei que cupim não rói
(Madeira que Cupim Não Rói Composição: CAPIBA /
BARBOSA, site letras)
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Está faltando o frevo de bloco, que é composto por uma orquestra de pau
e corda geralmente cantada por um coro feminino. (RECIFE, pref, 2013).

É de fazer chorar, quando o dia amanhece e obriga o frevo


acabar
Ôh quarta-feira ingrata chega tão depressa só pra contrariar
Quem é de fato um pernambucano
Espera o ano e se mete na brincadeira
Esquece tudo quando cai no frevo
E no melhor da festa chega a quarta-feira
(É de fazer chorar/ BANDEIRA.L site letras).
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7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esse trabalho consiste de uma maneira honesta e resumida (impossível


contar tudo) contar um pouco do “entrudo pernambucano”, o meu carnaval a
quem eu tenho um orgulho danado de exibir onde eu chego. Meu desejo de
coração era que todos um dia pudessem conhecer e desfrutar da riqueza que é
o carnaval de Pernambuco. Seja num palco ou na rua, a aventura de um
espetáculo é o povo.
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REFERÊNCIAS

BARBOSA, Virgínia. Caboclo de Lança. Pesquisa Escolar Online, Fundação


Joaquim Nabuco, Recife. Disponível
em:<http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia mês ano. Ex:
6 ago. 2009.

Boneco de Olinda. Wikipedia. 2019. Disponível em:


<https://pt.wikipedia.org/wiki/Boneco_de_Olinda>. Acesso em: 10 de Março de
2019.

BRAYNER. P.V. de A. A Praça da Matriz como palco da folia de papangu e das


manifestações populares de Bezerros. Monografia de pós-graduação em Ensino
de Geografia. Caruaru: Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de
Caruaru.1999

CASSOLI, Camilo; FALCÃO, Luiz Augusto; AGUIAR, Augusto. 100 anos de folia.
São Paulo: Timbro, 2007.

Carnaval. Significados, São Paulo, 22 de agosto de 2018. Disponível em: <


https://www.significados.com.br/carnaval/ > Acessado em: 22 de Dezembro de
2018, às 15h41.

Frevo. Wikidança.net, Rio de Janeiro, 27 de fevereiro de 2017. Disponível em:


< http://wikidanca.net/wiki/index.php/Frevo > Acessado em: 03 de Janeiro de
2019, às 10h41.

Intercom em clima de Frevo!. Unicap. 2011. Disponível em:


<http://www.unicap.br/intercom2011/?p=493>. Acesso em: 1 de Março de 2019.

MOLA, Ivan. Histórias de outros carnavais: Pierrot, Colombina e Arlequim. Eu te amo


hoje. 2014. Disponível em: <http://www.euteamohoje.com.br/2014/03/historias-de-
outros-carnavais-pierrot-colombina-e-arlequim/>. Acesso em: 05, Janeiro e 2019.

QUADRADA DOS CANTURIS. Frevo - Patrimônio Imaterial da Humanidade.


2013 (15m:47s). Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=0YoeHJ805iU&feature=youtu.be>. Acesso
em: 15 de Fevereiro de 2019.

Significado de Entrudo. Significados, São Paulo, 22 de agosto de 2018.


Disponível em: < https://www.significados.com.br/significados/ > Acessado em:
22 de Dezembro de 2018, às 13h41.

SINDIRECEITA DEN. Frevo - Patrimônio Imaterial da Humanidade. 2011


(2m:16s). Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=kdFZ21YQpjU&feature=youtu.be>. Acesso
em: 15 de Fevereiro de 2019.
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<http://site.carnavalrecife.com/compositores-e-agremiacoes/ursos-la-ursa/>.
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Disponível em: <https://m.jc.ne10.uol.com.br/canal/cidades/jc-na-
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09 de Dezembro de 2018.