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Estrutura e sistemas dos sólidos

cristalinos
Ciência dos Materiais

Prof. Sêmele Santos


semele.santos@kroton.com.br

2019
Por que estudar?

✓ As propriedades de alguns materiais estão diretamente


associadas à sua estrutura cristalina (ex: Mg e Be, que têm a
mesma estrutura, se deformam muito menos que Au e Ag que
têm outra estrutura cristalina).

✓ Explica a diferença significativa nas propriedades de materiais


cristalinos e não cristalinos de mesma composição (materiais
cerâmicos e poliméricos não-cristalinos tendem a ser
opticamente transparentes enquanto cristalinos não).
Conceitos Fundamentais

Os materiais sólidos podem ser classificados em de acordo com a


regularidade na qual os átomos ou íons se dispõem em relação à
seus vizinhos:

CRISTALINO NÃO- CRISTALINO


Dióxido deSilício
(SiO2)

Átomo de Silício

Átomo de oxigênio
Arranjo cristalino existe?

• Estrutura atômica pode ser observada através de microscopia


eletrônica de transmissão de alta resolução
• Experimento com folha delgada de ouro no LNLS

Feixe de elétrons
Buracos

Nanofio

Folha delgada de
ouro (3-5 nm)
Arranjo cristalino existe?

1,0 nm

[100]

[100]
Arranjo cristalino existe?

1,0 nm

[110] [110]
Conceitos Fundamentais

•Material Cristalino:
É aquele no qual os átomos encontram-se ordenados
sobre longas distâncias atômicas formando uma estrutura
tridimensional quese chama de redecristalina.

Todos os metais, muitas cerâmicas e


alguns polímeros formam estruturas
cristalinas sob condições normais de
solidificação.
Conceitos Fundamentais

• As propriedades dos materiais sólidos cristalinos dependem de sua


estrutura cristalina, ou seja, da maneira como os átomos, moléculas ou
íons estão espacialmentedispostos.
• Há um número grande de diferentes estruturas cristalinas, desde
estruturas simples exibidas pelos metais até estruturas mais complexas
exibidas pelos cerâmicos epolímeros.

Hidroxiapatita Cloreto de Sódio


Conceitos Fundamentais

• Material Não-cristalino ou Amorfo


É aquele no qual não existe ordem de longo alcance na disposição
dosátomos

O fato do sólido se transformar em cristalino ou


amorfo depende da facilidade segundo a qual uma
estrutura atômica aleatória no estado líquido se
transforma em um estado ordenado durante a
solidificação.

Os materiais amorfos são bastante complexos!

Dióxido de Silício Amorfo


Conceitos Fundamentais

Em materiais formados por


mais de um tipo de átomo, o
empacotamento
tridimensional torna-se mais
complexo, devido à forma
(tamanho dos átomos e
geometria molecular) e à
simetria das forças de ligação
interatômicas.

Amorfo Cristalino

Estruturas do SiO2 (dióxido de silício ou sílica).


Conceitos Fundamentais

✓ Modelo de esferas rígidas: os átomos ou íons são


representados como esferas de diâmetro fixo.

✓ Reticulado cristalino: conjunto de pontos, que podem


corresponder a átomos ou grupos de átomos, que se
repetem no espaço tridimensional com uma dada
periodicidade.

✓ Célula unitária: agrupamento de átomos representativo de


uma determinada estrutura cristalina específica.
Conceitos Fundamentais

Sólido cristalino no qual os átomos são Reticulado cristalino


representados por esferas rígidas
Conceitos Fundamentais

 Célula Unitária
Consiste num pequeno grupos de átomos que formam um
modelo repetitivo ao longo da estrutura tridimensional
(analogia com elos dacorrente).

É a unidade básica repetitiva da estrutura


tridimensional escolhida para representar a
simetria da estrutura cristalina.

A maioria das estruturas cristalinas são


paralelepípedos ou prismas com três
conjuntos de faces paralelas.

Nestas células os átomos são representados


como esferas rígidas e os vértices dos
paralelepípedos devem coincidir com o centro
dos átomos
Sistemas Cristalinos

PARÂMETROS DE REDE

Geometricamente uma célula unitária pode ser representada por um


paralelepípedo.

A geometria da célula unitária é


univocamente descrita em termos de seis
parâmetros:
o comprimento das três arestas do
paralelepípedo (a, b e c) e os três
ângulos entre as arestas ( ,  e ). Esses
parâmetros são chamados PARÂMETROS DE
REDE.
Sistemas Cristalinos

As diferentes estruturas cristalinas possíveis podem ser agrupadas de acordo


com a geometria de suas células unitárias, isto de acordo com a forma do
paralelepípedo apropriado, independentemente das posições dos átomos nas
células .

OS 7 SISTEMAS CRISTALINOS
Sistemas Cristalinos
Sistemas Cristalinos

SISTEMAS EIXOS ÂNGULOS ENTRE OS EIXOS

CÚBICO a=b=c Todos os ângulos = 90 0


TETRAGONAL a=bc Todos os ângulos = 90 0
ORTORRÔMBICO a b c Todos os ângulos = 90 0
MONOCLÍNICO a b c 2 ângulos = 90 0 e 1 ângulo  900

TRICLÍNICO a b c Todos ângulos diferentes e nenhum igual


a 90 0
0 0
HEXAGONAL a1=a2=a3 2 ângulos = 90 e 1 ângulo = 120
c
ROMBOÉDRICO a=b=c Todos os ângulos iguais, mas diferentes de
90 0
Sistemas Cristalinos

Dos 7 sistemas cristalinos


podemos identificar 14 tipos
diferentes de células unitárias,
conhecidas com Redes de
Bravais.
Cada uma destas células unitárias
tem certas características que ajudam
a diferenciá-las das outras células
unitárias. Estas características
também auxiliam na definição das
propriedades de um material
particular.
Sistemas Cristalinos

• A ligação neste grupo é metálica  não-direcional não há


restrições quanto ao número e posições dos vizinhos mais
próximos.

• A maioria das estruturas cristalinas nos metais têm


número elevado devizinhos

 Alto empacotamento atômico!!!

Três são as estruturas cristalinas mais comuns em metais:


Cúbica de Corpo Centrado, Cúbica de Face Centrada e Hexagonal
Compacta.
Sistemas Cristalinos
Sistemas Cristalinos

Redes de Bravais em 3D

Cúbica

b
a

Cúbica simple Cúbica de corpo Cúbica de Face


(CS) centrado (CCC) Centrada (CFC)
TABELA RESUMO PARA O SISTEMA CÚBICO
CÚBICO SIMPLES (CS)

• Apenas 1/8 de cada átomo cai dentro


da célula unitária, ou seja, a célula
unitária contém apenas 1átomo.
• Essa é a razão porque os metais não
cristalizam na estrutura cúbica
simples (devido ao baixo
empacotamento atômico).

• Para a estrutura cúbica simples o


número de coordenação é 6.

Parâmetro de rede

Número de Coordenação:
corresponde ao número de átomos vizinhos mais próximos.
Importante!!! Número de Coordenação e Fator de Empacotamento
CÚBICO SIMPLES (CS)

RELAÇÃO ENTRE O RAIO ATÔMICO (R) E O PARÂMETRO DE REDE (a)


PARA O SITEMA CÚBICO SIMPLES

No sistema cúbico simplesos


átomos se tocam naface.

a = 2.R
CÚBICO SIMPLES (CS)

FATOR DE EMPACOTAMENTO
ATÔMICO PARA CÚBICO SIMPLES
Fator de empacotamento = Número de átomos x Volume doátomo
Volume da célulaunitária

Vol. do átomo = Vol. Esfera(4R3/3)


Vol. da célula = Vol. Cubo =a3

Fator de empacotamento = 4R3/3


(2R) 3

FATOR DE EMPACOTAMENTO PARA A ESTRUTURA CÚBICA SIMPLES: O,52


CÚBICO DE CORPO CENTRADO (CCC)

• Na estrutura CCC cada átomo dos vertices


do cubo é dividido com 8 células unitárias
• Já o átomo do centro pertence somente a
sua célula unitária.

• Há 2 átomos por célula unitária na


estrutura CCC
• Cada átomo de uma estrutura CCC é
cercado por 8 átomos adjacentes
(número de coordenação).

• O Fe, Cr, W cristalizam em CCC.


CÚBICO DE CORPO CENTRADO (CCC)

RELAÇÃO ENTRE O RAIO ATÔMICO (R) E O PARÂMETRO


DE REDE (a) PARA O SITEMA CCC
CÚBICO DE CORPO CENTRADO (CCC)

NÚMERO DE COORDENAÇÃO PARA CCC


1/8 de átomo

1 átomo inteiro

Para a estrutura CCC:


2 átomos por célulaunitária e o número de coordenação é 8
CÚBICO DE CORPO CENTRADO (CCC)

FATOR DE EMPACOTAMENTO ATÔMICO PARA CCC

Fator de empacotamento = Número de átomos x Volume dos átomos


Volume da célulaunitária

O FATOR DE EMPACOTAMENTO PARA CCC É O,68


CÚBICA DE FACE CENTRADA (CFC)

• Na est. CFC cada átomo dos vertices


do cubo é dividido com 8 células
unitátias.

• Já os átomos das faces pertencem


somente a duas células unitárias.
1/8 deátomo
• Há 4 átomos por célula unitária na
estrutura CFC.

• É o sistema mais comum encontrado


nos metais (Al, Fe, Cu, Pb, Ag, Ni,...).

1/2 átomo
CÚBICA DE FACE CENTRADA (CFC)

NÚMERO DE COORDENAÇÃO PARA CFC

Para a estrutura CFC o número de coordenação é 12.


CÚBICA DE FACE CENTRADA (CFC)

RELAÇÃO ENTRE O RAIO ATÔMICO (R) E O PARÂMETRO


DE REDE (a) PARA O SITEMA CCC
CÚBICA DE FACE CENTRADA (CFC)

FATOR DE EMPACOTAMENTO ATÔMICO PARA CFC

Fator de empacotamento = Número de átomos X Volume dos átomos


Volume da célula unitária

O FATOR DE EMPACOTAMENTO PARA A EST. CFC É O,74


CÁLCULO DE MASSA ESPECÍFICA
CÁLCULO DE MASSA ESPECÍFICA
CÁLCULO DE MASSA ESPECÍFICA
CÁLCULO DE MASSA ESPECÍFICA

• O molibdênio possui uma estrutura cristalina CCC, um


raio atômico de 0,1363 nm e um peso atômico de 95,94
g/mol. Calcule a sua massa específica.
Sistemas Cristalinos

Redes de Bravais em 3D

Tetragonal

b
a

Tetragonal de
Tetragonal
simples corpo centrado
(TCC)
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Redes de Bravais em 3D

Ortorómbica

b
a

simples De corpo De face De base


centrado centrada centrada
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Redes de Bravais em 3D

Monoclínica

c c

b b
a a

Simples De base
centrada
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Redes de Bravais em 3D

Hexagonal
Sistemas Cristalinos
Estruturas Compactas : Empacotamento HC (HCP)
Sistemas Cristalinos
Hexagonal compacta (HC)

• c/a = 1,633 (ideal).


• O número de átomos por célula unitária é igual a 6.
• O número de coordenação é igual a 12.
• O FEA é igual a 0,74.
• Exemplo de metais HC: cádmio, cobalto,
zinco.
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Redes de Bravais em 3D

Romboédrico e triclinica

Romboédrico Triclinica
POLIMORFISMO OU ALOTROPIA

• Alguns metais e não-metais podem ter mais de uma estrutura


cristalina dependendo da temperatura e pressão. Esse
fenômeno é conhecido como polimorfismo.

• Geralmente as transformações polimórficas são acompanhadas


de mudanças na densidade e mudanças de outras
propriedades físicas.
POLIMORFISMO OU ALOTROPIA

• EXEMPLOS:

• Ferro (CCC à temp. ambiente e CFC a 912ºC)


• Titânio
• Carbono (grafite e diamante)
• SiC (chega ter 20 modificações cristalinas)
• Etc.
POLIMORFISMO OU ALOTROPIA
POLIMORFISMO OU ALOTROPIA

ALOTROPIA DO FERRO
CCC De 1394°C-PF
• Na temperatura ambiente, o
Ferro têm estrutura CCC, número
de coordenação 8, fator de
empacotamento de 0,68 e um
raio atômico de 1,258Å.
De 912-1394°C
CFC • A 912°C, o Ferro passa para
estrutura CFC, número de
coordenação 12, fator de
empacotamento de 0,74 e um
raio atômico de 1,292Å.
• A 1394°C o ferro passa
CCC Até 912°C novamente para CCC.
Materiais monocristalinos e policristalinos

• MONOCRISTALINOS: constituídos por um único


cristal em toda a extensão do material, sem
interrupções.

• POLICRISTALINOS: constituído de vários cristais


ou grãos, cada um delescom diferentes
orientações espaciais Material policristalino

Os GRÃOS são regiões separando cristais de diferentes


orientações um material policristalino
Sistemas Cristalinos
Sistemas Cristalinos

Índices de Miller: direções cristalográficas


DIREÇÃO CRISTALOGRÁFICA: vetor que une dois pontos da rede cristalina.
Procedimento para determinação dos índices de Miller de uma direção cristalográfica:
– transladar o “vetor direção” de maneira que ele passe pela origem do
sistema de coordenadas.
– determinar a projeção do vetor em cada um dos três eixos de coordenadas.
Essas projeções devem ser medidas em termos dos parâmetros de rede
(a,b,c)
– multiplicar ou dividir esses três números por um fator comum, tal que os três
números resultantes sejam os menores inteiros possíveis.
– representar a direção escrevendo os três números entre colchetes: [u v w].
Sistemas Cristalinos

x y z

projeções 1a 1b 0c
2
projeções em 1
1 0
termos de a,b e c 2
redução a mínimos
1 2 0
inteiros
notação [120]

Família de direções: conjunto de direções equivalentes,


ou seja, conjunto de direções com mesmo espaçamento
atômico.
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Direções cristalográficas
Sistemas Cristalinos

Direções cristalográficas
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Índices de Miller: planos cristalográficos

Determinação dos índices de Miller de um plano cristalográfico:


– determinar os interceptos do plano com os eixos do sistema de
coordenadas em termos dos parâmetros de rede a, b e c. Se o plano
passar pela origem, transladar o plano para uma nova posição no
sistema de coordenadas.
– obter os recíprocos desses três interceptos. Se o plano for paralelo a
um dos eixos, considera-se o intercepto infinito e o seu recíproco zero.
– representar na forma ( h k l )

Nota: às vezes é necessário multiplicar os três números resultantes


por um fator comum para assim obter três índices inteiros.
Sistemas Cristalinos Índices de Miller: planos cristalográficos

FAMÍLIA DE PLANOS: conjunto de planos


cristalograficamente equivalentes, ou seja,
planos com o mesmo empacotamento
atômico.
Sistemas Cristalinos

Índices de Miller: planos cristalográficos


Sistemas Cristalinos

Índices de Miller: planos cristalográficos


Sistemas Cristalinos Índices de Miller
Sistemas Cristalinos Índices de Miller
Sistemas Cristalinos Índices de Miller
Sistemas Cristalinos
Difração de raios X
• O fenômeno de difração ocorre quando uma onda encontra uma série de
obstáculos espaçados regularmente, que: (1) são capazes de espalhar a onda e (2)
o espaçamento entre eles é comparável em magnitude ao comprimento de onda.

Interferência
construtiva

Interferência
destrutiva
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Difração de raios X

n = SQ + QT
n = d hkl sen  + d hkl sen  = 2d hkl sen 

n =2d hkl sen (Lei de Bragg)


Difração de raios X

Difratograma
esquemático de um
sólido cristalino.

Gráfico de intensidade de raios X em


função da variação de 2 para um Gráfico de intensidade de raios X
sólido amorfo ou para um líquido. em função da variação de 2 para
um gás monoatômico.
Resumo

• Os materiais sólidos podem ser cristalinos e amorfos.


• Os sólidos cristalinos apresentam átomos, íons ou moléculas
(ou trechos) que se repetem no espaço, simetria translacional.
• Os sólidos amorfos não apresentam simetria translacional.
• Em materiais formados por mais de um tipo de átomo, o
empacotamento tridimensional torna-se mais complexo, devido
à forma (tamanho dos átomos e geometria molecular) e à
simetria das forças de ligação interatômicas.
• Os índices de Miller (direções e planos cristalográficos)
descrevem o arranjo cristalino (parâmetros de rede) e podem ser
determinados por difração de raio-X.
• Os metais apresentam estrutura CCC e compactas CFC, HC.

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