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SEMINÁRIO

INTERNACIONAL
DO PROGRAMA
CULTURA VIVA
NOVOS MAPAS CONCEITUAIS
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PRESIDENTE DO BRASIL Silvana Lumachi Meireles Stella Farias
Silvio Pirôpo Da-Rin Solange Moura
Luís Inácio Lula da Silva Sumaya Dounis
SECRETARIA DE CIDADANIA CULTURAL Tatiane Ribeiro
MINISTÉRIO DA CULTURA TT Catalão
MINISTRO DE ESTADO DA CULTURA Secretário de Cidadania Cultural Thomas Strauss
Célio Turino Valéria Viana Labrea
João Luiz Silva Ferreira (Juca Ferreira) Zildelene Medeiros
Chefe de Gabinete Zonda Bez
SECRETÁRIO EXECUTIVO Antônia Maria do Carmo Rangel
SEMINÁRIO INTERNACIONAL DO
Alfredo Manevy Diretor de Acesso a Cultura PROGRAMA CULTURA VIVA
TT Catalão
SECRETÁRIOS Coordenação do Seminário SCC/ MinC
Coordenadora geral de Ações Antonia Maria do Carmo Rangel
Secretaria de Cidadania Cultural Eliete Braga Sumaya Cristina Dounis
Célio Turino Valéria Viana Labrea
Secretaria de Políticas Culturais Coordenadora geral de Mobilização e
José Luiz Herencia Articulação de Rede DOCUMENTÁRIO “A VIDA DO
Secretaria de Audiovisual Juana Nunes PROGRAMA CULTURA VIVA”
Silvio Piropo Da-Rin
Secretaria da Identidade e da Diversidade Coordenadora geral de Cidadania Cultural Claudia Bandeira de Mello
Cultural Elaine Tozzi Denise Sampaio Gusmão
Américo José Córdula Teixeira Valéria Viana Labrea
Secretaria de Articulação Institucional EQUIPE DA SECRETARIA
Silvana Lumachi Meireles MUSEU DA PESSOA
Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura Álvaro Caetano
Roberto Gomes do Nascimento Alexandre Santine Adílson Lima
Ana Paula Rodrigues Danilo Eiji
INSTITUIÇÕES VINCULADAS AO MINC Andréia Fernanda Sarah Martins Faleiros
Anete Vidal Thiago Majolo
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Antônia Maria do Carmo Rangel
Nacional (IPHAN) Caetano Ruas MEDIAÇÃO E RELATORIA
Presidente: Luiz Fernando de Almeida Camila Palatucci
Agência Nacional de Cinema (ANCINE) Carlos Firmino holon: soluções integrativas
Presidente: Manoel Rangel Célia Barbosa Anja Kamp
Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB) Célio Turino Carolina Vieira
Presidente: José Almino de Alencar e Silva Neto Crissomaile Cardoso Davi Bimbatti
Fundação Cultural Palmares (FCP) Danilo Almeida Fabiana Prado
Presidente: Zulu Araújo Daniele Malaquias Fábio Deboni (coordenador da equipe)
Fundação Nacional de Arte (FUNARTE) Dayanne Timóteo Isadora Cruxên
Presidente: Sérgio Mamberti Denise Silva Araújo Joana Faggin
Fundação Biblioteca Nacional (BN) Elaine da Silva Tozzi Júlio Magalhães
Presidente: Muniz Sodré de Araújo Cabral Elenice Santos Lucas Alves
Eliete Braga Marcelo Facchina
INSTITUIÇÃO PARCEIRA Élio Cordeiro Mariana Manfredi
Fernando Miranda Mauro Soares
Programa das Nações Unidas para o Frederico Carelli Nhanja Ribeiro
Desenvolvimento – PNUD Gesilene Pinheiro Rocha Patricia Nottingham
Coordenadora Residente da ONU no Brasil e Gicelda Silva Renata Florentino
Representante Residente do PNUD Heroneide Lucena Renata Zambello
Kim Bolduc Ieda Pereira Sara Poletto
Representante Residente Assistente para Isabelle Albuquerque
Programas - Maristela Baioni Ítalo Rios PUBLICAÇÃO SEMINÁRIO
Analista de Programa - Claudia Valenzuela Ione Yamada INTERNACIONAL DO PROGRAMA
Assistente de Programa - Graziela Silveira Janaina Carvalho CULTURA VIVA: NOVOS MAPAS
Java Ribeiro CONCEITUAIS
CONSELHO CONSULTIVO DO Josiane Santana Ribeiro
PROGRAMA CULTURA VIVA Juana Nunes Coordenação da publicação
Karina Zago Antonia Maria do Carmo Rangel
Alfredo Manevy Karla Pinhel Valéria Viana Labrea
Américo José Córdula Teixeira Kleber Fragoso
Antônio Albino Canelas Rubim Lídia Andrade SELEÇÃO, ORGANIZAÇÃO E REVISÃO
Bernd Flichtner Lúcia Campolina DOS ORIGINAIS
Boaventura de Sousa Santos Luciana Oliveira de Souza
Candace Slater Luciano Feitosa Valéria Viana Labrea
Célio Turino Luiz Andrade Sammartano
Claudia de Sousa Leitão Marcelo Reges PROJETO EDITORIAL
Danilo Miranda Marilúcia Francisca da Silva
Emir Simão Sader Mônica Kimura Cezar Bianchi
Idelette Muzart-Fonseca dos Santos. Natalia Caetano Valéria Viana Labrea
Ivana Bentes Nemésia Antunes
João Luiz Silva Ferreira Oswaldo Farias CAPA
Leonardo Boff Pablo Gonçalves
Lia Calabre Patrícia Franco TT Catalão
Mãe Lúcia de Oyá T’Ogùn Paula Souza
Maria Benites Priscila Pimentel FOTÓGRAFO
Mestre Lumumba Regina Célia Neto
Moacir Gadotti Roberta Cordeiro Ítalo Rios Cary
Nelson De Luca Pretto Roberta Melo Kleber Fragoso
Paul Heritage Robson Gomes Luiz Andrade Sammartano
Paul Israel Singer Rosane Acácio TT Catalão
Sérgio Mamberti Sarah Gonçalves

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SEMINÁRIO
INTERNACIONAL
DO PROGRAMA
CULTURA VIVA
NOVOS MAPAS CONCEITUAIS
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SUMÁRIO
13 PAZ DE ÓLEO

15 MINISTRO JUCA FERREIRA

16 APRESENTAÇÃO

16 CONSELHO CONSULTIVO DO PROGRAMA CULTURA VIVA

19 PONTUAR A DIVERSIDADE

21 PROGRAMA CULTURA VIVA | PROJETO PONTOS DE


CULTURA

23 EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE CULTURAL | PROBLEMAS E


PERSPECTIVAS

30 POLÍTICA/POÉTICA: O SEMINÁRIO INTERNACIONAL

31 PROGRAMA CULTURA VIVA: REFLEXÕES SOBRE O BRASIL


E A METÁFORA DA ALTERIDADE

34 OS PONTOS DE CULTURA: UM NOVO LÉXICO PARA


UMA POLÍTICA DOS POBRES E DO AMOR!

36 O PROGRAMA CULTURA VIVA: RIQUEZA E DESAFIOS


NA GESTÃO DAS ATIVIDADES CULTURAIS

38 SEMINÁRIO INTERNACIONAL CULTURA VIVA

40 O FUTURO JÁ É AQUI!

43 SALVE! SALVE! BRASIL, UM SONHO INTENSO

47 TRANSE E TRANSIÇÃO, TRAVESSIA E TRAVESSURAS,


TRÂNSITO E TRANSGRESSÃO

49 14. EMANCIPAÇÃO (ESTADO, SOCIEDADE E POLÍTICA):


O OLHAR DO OBSERVADOR

52 SUBVERSÃO, RESISTÊNCIA, PERTENCIMENTO E


COMPARTILHAMENTO

58 SEMINÁRIO INTERNACIONAL DO PROGRAMA CULTURA


VIVA: A TRADUÇÃO INTERCULTURAL COMO METODOLOGIA

62 CARTOGRAFIA DOS PONTOS DE CULTURA: NOVOS MAPAS


CONCEITUAIS

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PAZ DE ÓLEO
Cada grama de sombra vale o preço desse sol
Estranhos em minha cama pintam de amarelo os meus lençóis
Estou caminhando, mas atravesso grossas paredes
Daí da sua janela sou mais um imbecil que caiu na rede
Procurando a paz
Que a gasolina queima
Se melhorar piora

Por isso essa pobreza


A minha filha nem imagina o quanto custa ser feliz
Do outro lado do mundo alguém com a vida por um triz
E o tempo está nublado
Todos no mesmo barco
Tirando água de canequinha
Contando quinquilharias
E o pulso
E a bula
E o fluxo
E a bússola

Estão todos birutas


Estão todos birutas
Estão todos birutas
Birutas
Birutas
Birutas
Birutas

Letra e Música: Cabeto Rocker


(a partir da descoberta de minha filha que o sol faz sombra...)
Cantada à capela no Círculo de Convergência

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O Seminário Internacional do Programa Cultura Viva revelou o quanto as políticas públicas desenvolvidas pelo
Ministério da Cultura conseguiram, mais que visibilidade, adquirir consistência e força de gestão.

Especialmente com o Programa Cultura Viva, iniciamos uma abertura inédita no processo histórico de relação entre
Estado e Sociedade, onde o conceito de cultura se amplia em ações de cidadania e projetos ligados a economia
criativa definindo um valor de referência para o desenvolvimento.

Sob a escala do humano como base e sua produção simbólica, garantida pela liberdade de expressão democrática,
permeamos todo o território nacional, sem discriminar linguagens, modos ou estilos.

O Programa Cultura Viva encontra nos Pontos de Cultura (uma de suas ações) a ponta desta política geral aplicada
diretamente no meio.

Milhares de comunidades podem hoje atuar em rede com a perspectiva de construírem um fortalecimento não só
institucional, mas político e também estético pela permanente troca de informações, técnicas e circuitos de mostras.
Nessa dimensão do local que se legitima no contato aberto do compartilhar, revela-se a magnífica diversidade cultural
do Brasil.

A importância do Seminário configurou-se na chance de circular os diversos processos de sistematização em um


Programa tão plural; possibilitar a troca entre as inúmeras personalidades acadêmicas que têm o Programa e suas
comunidades como objetos de pesquisa; relacionar metodologias; estabelecer e confirmar os fundamentais vínculos
e parcerias internacionais do Programa; relacionar os diversos relatos destas complexas experiências; revalidar
princípios das políticas e celebrar a festa, o ritmo e as cores do encontro, algo natural e inerente quando se reúnem as
manifestações artísticas brasileiras.

Nesta publicação encontramos reflexões estruturais do que foi o Seminário e resoluções que mais nos incentivam a
continuidade dessa política do Ministério da Cultura na certeza de que o salto qualitativo principal da relação entre
Estado e Sociedade, na área cultural, considera o respeito as forças vivas comunitárias, deve sempre potencializar
o que já existe e sempre entender a cultura além das artes: como meios e modos de pensar, fazer, saber, existir em
autonomia e liberdade.

Assim superamos situações adversas, minimizamos os abismos socioeconômicos, possibilitamos a criação e a


expressão para mudarmos realidades enraizadas por anos de descaso e intolerância. Ao lembrarmos de todo o trajeto
iniciado desde 2004, o primeiro edital do Programa, só há o que saudar nesta fase de análise e plenárias para uma
consolidação que longe de significar um fechamento de ciclo nos abre perspectivas extraordinárias pelo tanto que
temos ainda a caminhar.

Ministro Juca Ferreira

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discurso dos Pontos de Cultura. oral e pessoas cujo “saber fazer”
Da mesma forma, a experiência e cujo “pensar sobre o fazer”
de ser Ponto de Cultura passa pela vem nos ensinando e revelando
academia a partir de olhares de diferentes dimensões de uma
diferentes disciplinas e áreas de cultura que é viva, fluida, que
conhecimento e pesquisadores transforma a comunidade e por sua
da Geografia, História, Letras, vez é por ela transformada”.
Antropologia, Sociologia,
Comunicação, Artes, Cinema, Os conselheiros presentes ao
Teatro, Turismo, Pedagogia, Seminário, Américo José Córdula
Serviço Social, Administração, Teixeira, Bernd Flechtner,
entre outras, e todas buscam em Candace Slater, Guiseppe
diversas orientações teóricas e Cocco, Maria Benites, Paul
posições ideológicas compreender Heritage, Lia Calabre, Claudia

APRESENTAÇÃO
a novidade que os Pontos Leitão, Antonio Rubim, e um

1. instauram nas políticas públicas,


particularmente, nas políticas
novo membro, professor Nelson
Pretto, foram convidados a
culturais. apresentar suas percepções do
encontro e do programa e seus
O processo de empoderamento, e seus diferentes interlocutores: que operam em um contexto apresentadas. Deliberadamente,
Esta publicação procura registrar e textos vão de depoimentos
em última instância, é a gestores, acadêmicos e igualmente novo e que as teorias as autoras evitaram interpretar,
documentar os principais sentidos intimistas à reflexão teórica,
articulação da experiência pesquisadores contemporâneos sobre cultura e transformação fixar um sentido para os recortes
que afloraram nas discussões. Para mostrando a vitalidade e os
local, singular e setorial em Pirenópolis, em meados de social, atualmente disponíveis, não que compõem seu texto, embora,
isso, coerente com a metodologia diferentes olhares desse grupo
de cada um, como uma novembro de 2009. A memória dão conta adequadamente desta é claro, os próprios recortes
de tradução intercultural, optamos que vem se juntar ao programa.
possibilidade de compreensão desse encontro busca honrar e novidade política e cultural. Elas evidenciam uma opção. Mas,
por deixar que diferentes vozes Paolo Buccieri narra sua surpresa
e cognição de todos os reconhecer a profundidade do entendem que o Programa Cultura naquilo que está posto, o desafio é
construam um mapa, certamente ao chegar a um Semimário que
mecanismos sociais e diálogo que se instaurou tanto Viva pressupõe um novo modo de o leitor construir sua leitura e esse
não o único ou correto, mas uma foge aos moldes tradicionais e
articulação de um programa de nos Grupos Aglutinadores, produzir conhecimentos, necessita desafio permeia toda a proposta do
interpretação possível dos cenários seu encontro com a vitalidade e
cidadania para encurtar essa temáticos, quanto nos Círculos de de uma racionalidade mais ampla, programa, qual seja, cada Ponto,
descritos e problematizados. diversidade da cultura brasileira
distância.(...) O reconhecimento Convergência, espaços de encontro. em que se amplia a diversidade gestor e pesquisador construir,
Nossa discussão girou em torno nos faz refletir nas diferenças
da diversidade necessita de epistemológica do mundo ao a partir do seu olhar particular e
das redes de formulação criadas interculturais e possíveis pontes,
uma complementação que é o Este encontro teve como objetivos credibilizar a experiência social e singular pontes de compreensão e
pelos conceitos de autonomia, onde nós, brasileiros, temos muita
desejo e a integração e troca. “apresentar, sistematizar e ao reconhecer que existem infinitas reconhecimento recíproco.
empoderamento, protagonismo e experiência e conhecimento para
(...) Trata-se de um aprendizado compreender essa experiência formas de descrever, ordenar e
gestão de redes e como eles são trocar. TT Catalão, nosso diretor,
com o Brasil de como construir social, a partir do aprofundamento classificar o mundo. Esperamos que esse material
concretizados na experiência vivida. um poeta que passou um ano estruturantes do Programa têm Para contextualizar o Seminário, o
estabilidade dentro de uma da discussão de seus conceitos cumpra sua função e torne
percorrendo os Pontos de Cultura seus sentidos em disputa e não há texto de Valéria Viana, Sumaya
situação de desigualdade e diretrizes estruturantes” e, a Coube também à equipe que presente as experiências culturais
O texto de abertura, do Ministro iniciou essa cartografia e seu texto consensos ou hegemonia dentro do Dounis e Antônia Rangel
absoluta com relação a acessos, partir de uma metodologia que coordenou o Seminário sistematizar disponíveis no país, ao valorizar
Juca Ferreira, contextualiza o reflete sobre os desafios entre programa. convida o leitor a conhecer os
direitos e oportunidades. privilegiou a troca de saberes, o material que foi produzido nos vivências e ao reconhecer potências
Programa Cultura Viva na política Cultura, Tradição e Invenção, o muitos caminhos percorridos pelas
acreditamos que o grupo reunido GAs e nos Círculos. Para tanto, de possibilidades epistemologicas e
cultural do MinC. Célio Turino GA do qual participou. Jussara O GA Cultura Digital aceitou o ações do Programa e que levaram
Juca Ferreira (Um Movimento no interior de Goiás refletiu, Valéria Viana e Antônia Rangel, ontológicas diversas.
apresenta a proposta de um Miranda, veio ao Seminário como desafio de um texto coletivo, cuja à compreensão do Seminário
de Revitalização da Cultura reafirmou e significou as diretrizes optaram pela metodologia da
Conselho Consultivo do Programa “observadora” e suas impressões, autoria é compartilhada entre seus como uma parada necessária
Brasileira). conceituais do Programa Cultura cartografia social, criando Boa Leitura!
Cultura Viva, “um espaço de absolutamente pessoais do GA membros, e assim organizou, ele para compreender e sistematizar
Viva, e hoje podemos pensar que redes de formulação onde as
encontro para troca de saberes Cultura e Emancipação (Estado, mesmo, sua reflexão sobre seu essa experiência. Partem da
O Seminário Internacional do temos um campo semântico amplo confluências e alteridades que ANTONIA MARIA
que busca reunir representantes sociedade e política) que reuniu grupo. compreensão que o Programa
Programa Cultura Viva, reuniu os e bem heterogêneo que mostra permeiam as experiências de cada DO CARMO RANGEL
do Estado, dos Pontos de Cultura, Pontos, gestores e pesquisadores, apresenta novas práticas culturais,
protagonistas dos Pontos de Cultura que a polissemia faz parte do participante do Seminário são
acadêmicos, mestres da tradição mostra que os conceitos

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CONSELHO CONSULTIVO
2.
DO PROGRAMA CULTURA VIVA
CÉLIO TURINO transformada.
SECRETÁRIO DE CIDADANIA
CULTURAL Nosso Conselho é formado por
pessoas que têm saberes para
MINISTÉRIO DA CULTURA compartilhar. E nossa primeira
proposta para o Conselho é uma
Quando os Pontos de Cultura revista semestral, impressa ou virtual
desenham linhas comuns a partir das cuja linha editorial, seus articulistas
imensas diversidades de cada um, e conteúdo ainda vão ser definidos
conseguimos mover consciências pelos conselheiros e os Pontos de
para fazer da vida uma benção Cultura, um novo espaço onde
de luz e luta onde a arte é a arte possamos continuar a cartografia
do encontro e a cultura é o meio dos Pontos de Cultura, criando
ambiente da cidadania. novos mapas culturais no Brasil
que, junto com alguma reflexão dos
Gilberto Gil (TEIA 2006. p.8) Conselheiros, indiquem cenários de
futuro para o Programa.
Quando falamos em um Conselho único. Os Pontos de Cultura têm o entendemos como intelectuais
Consultivo nos propomos subverter Acreditamos que esse é o momento o que mostrar e querem fazê-lo a orgânicos, a partir da perspectiva
o senso comum que nos diz que para o Conselho (já há muito partir de seu próprio ponto de vista da sociologia gramsciana. Gramsci
este é um mero espaço formal sonhado!) passar a fazer parte da e os membros do Conselho devem valoriza com singularidade o saber
que designa tradicionalmente um vida do Programa porque estamos refletir a compreensão de que popular, defende a socialização do
“corpo deliberativo instituído para em processo de descentralização, nossa brasilidade hoje é construída conhecimento e recria a função
dar pareceres”, como ensina o ao fortalecer redes e compartilhar por “identidades que transbordam dos intelectuais, conectando-os às
dicionário. Buscando um outro poderes e responsabilidade, as tradicionais categorias e que lutas políticas dos grupos sociais
sentido para nosso Conselho, nesse exercitando a co-gestão e é se reinventam a todo momento” subalternos, e no caso do Brasil, a
mesmo dicionário, deslocamos o necessário um espaço para pensar como disse Juca Ferreira na Teia de partir de uma visão descolonizadora.
sentido mais usual, abrindo mão o Programa, encontros regulares 2006. Que os Pontos se espalhem,
de “pareceristas” desnecessários, para reflexão-ação, assim mesmo, se integrem, troquem experiências, Entendemos que para ampliar
preferimos pensar em uma “reunião” tudo junto, pois queremos pensar vençam desafios, escolham o seu esse processo de des-esconder
ou “encontro” para “ensinamento” e fazer, fazer pensando. Não um caminho. o Brasil e des-silenciar grupos
ou, nos nossos termos, “troca de espaço estéril, de pensar por, mas sociais até então considerados
saberes”. Esse é o sentido do nosso um espaço de pensar com, de Fomos buscar em nossos parceiros subalternos se faz necessário esse
Conselho Consultivo: um espaço agregar, proporcionar encontros e de longa data, nos Pontos, nos novo protagonista, ampliar o
de encontro para troca de saberes reencontros. E ai fica evidente que acadêmicos e pesquisadores que diálogo, agora com um grupo de
que busca reunir representantes nossos “conselheiros” não podem têm os Pontos como foco de pessoas reunidas em um Conselho
do Estado, dos Pontos de Cultura, ser pessoas distantes do que reflexão, nas pessoas que embora Consultivo do Programa com
acadêmicos, mestres da tradição fazemos nos Pontos de Cultura. ainda não dialoguem diretamente quem possamos criar um espaço
oral e pessoas cujo “saber fazer” e com o programa têm refletido de interlocução e polifonia, nos
cujo “pensar sobre o fazer” vem nos Ainda é cedo para concluir o que o sobre nossas questões. Esses inspirar, fortalecer e trocar saberes
ensinando e revelando diferentes Ponto de Cultura pode representar interlocutores, para nós, estão além para compreender como funciona
dimensões de uma cultura que para a cultura brasileira, melhor ir dos novos intelectuais politicamente e o que funciona nesse novo
é viva, fluida, que transforma a identificando, deixar acontecer sem compromissados com o próprio movimento cultural que emerge
comunidade e por sua vez é por ela dirigismos, centralismos ou caminho grupo social para fazer e escrever nos Pontos de Cultura e tem um
a história propostos por Marx e papel civilizatório relevante de

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transformação e reinterpretação do Ao vincular cultura e economia, nos que possamos aprofundar nossa
Brasil. aproximamos dos fundamentos da compreensão sobre a ética do
economia solidária, que visam à cuidado, que articula o cuidado
Lembrando Gilberto Gil na Teia emancipação de grupos sociais ao com a Mãe Terra ao cuidado com o
2006, este programa, como todo humanizar o processo de produção e humano, convidamos Leonardo Boff
o Ministério tem esse princípio consumo. Paul Singer, da Secretaria para juntar-se ao Conselho.
do “A fim: nossa gente que não Nacional de Economia Solidária do
se entrega, não se dobra, não Ministério do Trabalho e Emprego, Acreditamos que ele e Aritana
se curva: a fim de querer, a fim presente no Conselho, relaciona as tenham muito a nos ensinar
de fazer, a fim de tecer, a fim de atividades e produtos culturais e os sobre a alteridade, a tolerância, a
acontecer”. Seguindo esse princípio princípios da economia solidária ao importância da escuta e da busca
do a fim, buscamos com o Conselho surgimento de uma nova consciência pela sustentabilidade. O povo do
criar mais um espaço para produção onde, segundo suas próprias Alto Xingu, ao reencontrar suas
de conhecimento sobre os Pontos e palavras “o local, a diversidade, o canções, reencontra também suas
de reconhecimento recíproco com respeito à natureza, o conhecimento tradições e ressignifica sua relação
pessoas que estão a fim de fazer o tradicional e a liberdade de transpor com a natureza e é uma fonte de
programa acontecer para além das as limitações do exclusivo, da inspiração para quem, como nós,
políticas de Estado, criando uma patente, da propriedade intelectual” procura articular cultura e meio
política da vida. Surge daí nossa lista sejam valorizados. ambiente para propor um novo
inicial de nomes para o Conselho: sentido para o humano. Aritana é
pessoas que entendem a cultura A sustentabilidade na proposta do putaki wikiti (dono da aldeia, chefe),
para além das belas artes e dos Programa tem diferentes dimensões: Aritana, o líder dos Yawalapiti.
padrões que o mercado impõe. ambiental, econômica, cultural, Aritana, filho de Kenato, o
política, humana, ética. No Brasil, a legendário cacique tão citado pelos
Nosso Conselho é composto insustentabilidade ambiental é mais irmãos Villas-Boas em suas tentativas
inicialmente pelos formuladores uma dimensão das desigualdades para criar o Parque Nacional do
e gestores das políticas públicas sociais, e os grupos socialmente Xingu, é um líder, não apenas de seu
culturais no país que dialogam excluídos são os mais atingidos pela povo, mas dos muitos povos que
diretamente com a Secretaria de devastação ambiental. Não por habitam aquele imenso território
Cidadania Cultural do Ministério acaso Boff vincula o grito da Terra de 2 milhões e 600 mil hectares
da Cultura: Juca Ferreira, Alfredo ao grito dos pobres, entendendo-o de diversidade biológica e cultural.
Manevy, Américo José Córdula como duas dimensões de uma No Parque vivem 4.000 índios de
Teixeira, Silvana Lumachi Meireles, mesma problemática. A questão 14 diferentes etnias. Chamamo-los
Silvio Pirôpo Da-Rin, Sérgio ambiental faz parte da agenda de índios, generalizando diferentes
Mamberti. O Programa criou uma dos movimentos populares que povos, pois quando os europeus
rede interna de relações, dentro do lutam por terra, casa, comida, aportaram por aqui, pensaram
próprio Ministério, para que não equipamentos coletivos básicos. estar chegando nas Índias do
aconteçam ações desconectadas, Muitos Pontos de Cultura já Oriente. Eram muitos os povos
que se esgotam em si mesmas e incorporaram a dimensão ambiental que habitavam a terra que viria a
por isso é importante a experiência à cultura e muitos são Salas Verdes, ser chamada de Brasil; no Xingu:
destes gestores/formuladores no Coletivos Educadores ou centros Kalapalo, Wauja, Meniako, Kuikuro,
Conselho. de educação ambiental. Para Kamaiurá, várias etnias, troncos

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3. PONTUAR A DIVERSIDADE
o samba de coco, o maracatu e Também Maria Benites pesquisa AMÉRICO CÓRDULA1 bem condensadas em seu livro, prestação de contas, quites com editais para atender indígenas
os encontros de brincantes traz a interface entre o erudito e o Ponto de Cultura – o Brasil de tributos, adimplentes, enfim um falantes de 180 línguas, ciganos
para o Conselho a sabedoria da popular, junto com Bernd Flechtner, Como cidadão e secretário da baixo para cima3, pôde ter seus novo vocabulário. Da mesma com três idiomas, que não
tradição que compartilha com educador da Universidade de Identidade e Diversidade Cultural, alumbramentos e perceber nas maneira que o povo não estava escrevem ou mestres da cultura,
Mestre Lumumba, de São Paulo. Siegen, na Alemanha, percebem agradeço a oportunidade, suas idas e vindas o que de fato o preparado para este no universo, os analfabetos. Esta é a verdadeira
A tradição e a educação popular nos Pontos essa potência de fiquei muito honrado e foi um programa estava transformando códigos do Estado não atendem às inclusão cidadã, respeitando
dialogam com Moacir Gadotti em redemocratizar a cultura a partir aprendizado conviver estes dias em naquelas localidades. Creio que dinâmicas destes novos segmentos. a forma e a condição destes
nosso Conselho, que atualiza a obra “de baixo”, produzindo uma arte Pirenópolis. Deixo minha análise o impacto deste programa levará segmentos, respeitando suas
freireana ao reafirmar seu sentido original, singular, radicalmente nova. e considerações sobre o mais algum tempo para ser percebido Por exemplo, o gasto de diesel tradições orais.
político e a renova ao articulá-la Candace Slater, da Universidade importante programa do MinC, pela elite e meios de comunicação, para o transporte em barcos, de
com a questão ambiental, propondo de Bekerley e Idelette Muzart da nestas duas gestões do governo mas a academia, através de teses, equipamentos para Terras Indígenas A participação de toda a sociedade,
uma Pedagogia da Terra que mostra Universidade Paris X acompanham Lula - Cultura Viva. já publicam suas análises e o na região norte, o estado não está a oportunidade dada a qualquer
que o sentido da vida não está os Pontos de Cultura no exterior, mundo, através de observadores preparado para entender que nestes cidadão que queira se expressar, a
desvinculado ao sentido do próprio em São Francisco e em Paris, a Dar os paus para construir a canoa, e colaboradores estrangeiros do rios quem vende o óleo diesel, coragem dos que nunca tiveram
Planeta. partir do diálogo entre tradição régua e compasso para construir programa, presentes no seminário, cobra o que quer, que o custo para medo de acreditar na aposta
e modernidade. Paul Heritage da o caminho, a conexão para se estão percebendo esta revolução descer um rio é menor do que para do governo, que disponibiliza
lingüísticos, culturas. Para ser líder os saberes são reciprocamente A participação política dos Universidade de Londres, trabalha emancipar, o resto é por conta silenciosa que cresce a cada dia. subir contra a corredeira, que o um kit multimídia, trabalhar em
no meio de tanta diversidade é traduzidos, gerando reconhecimento trabalhadores para transformar o teatro como direito humano, desta sociedade que vive nessa Na América do Sul, Argentina, prego tem um valor diferenciado rede e ações que vão permitir o
preciso compreender o outro, ser recíproco e uma nova forma suas condições é tema constante com jovens em conflito com a lei e “nação grandalhona, meio velha, Paraguay e Colômbia, já constroem dos grandes centros, enfim desenvolvimento de suas atividades.
tolerante, aprender a ouvir, falar de produção de conhecimento para Emir Sader, que orienta várias com penitenciários. E Lia Calabre, mas uma musa e tanto”2. O mínimo cópias do programa adaptadas à filigranas que fazem parte da nossa Ouvimos muitos depoimentos
muitas línguas; o idioma Kamaiurá onde os saberes tradicionais e os dissertações e teses sobre os Pontos da Casa de Rui Barbosa, hoje foi oferecido, num programa que realidade destes países. diversidade, mas não do controle de pessoas que participam
é do tronco tupi-guarani, Kuikuro acadêmicos dialoguem. A ecologia de Cultura onde se desafia a “pensar articula uma rede de pesquisadores foi lançado como numa aventura, das leis criadas principalmente para do programa, que incrédulas
(Karib), Yawalapiti (Arauak). do saberes propõe que nesse o real não apenas a partir de dilemas – graduandos, mestrandos, como muita intuição e em eterno Mas nem tudo é fácil, parece que a construção civil, com foi o caso da diziam, como pode a gente ter
encontro de saberes, novos saberes, conjunturais que o cotidiano propõe, doutorandos – que tem como objeto processo de construção, não tem basta apenas ter sensibilidade e 8666. oportunidade de mostrar o que
O Programa, a partir de uma contextuais, híbridos emerjam. Essa mas a partir de alternativas para de Pesquisas os Pontos de Cultura e fim, novos atores surgem, mostram vontade para repassar recursos fazemos, conhecer outras pessoas,
proposta inicial aparentemente idéia é muito cara ao Programa a sociedade, de futuro, de vida – as diferentes ações do programa. o que sabem fazer, trocam, para todas estas idéias, não, Este tema apareceu muito em repassar nossos conhecimentos e
simples: “potencializar o que já porque entendemos que os Pontos sempre aberta para os homens”. crescem, interagem com o poder definitivamente não, é um processo todos os grupos do Seminário, tradições em escolas, poder viajar
existe”, ao ver o número de Pontos estão produzindo conhecimentos Não pretendemos exaurir nosso público e se tornam assim a trama complexo, cheio de barreiras e não dá para eliminar a burocracia, para outros estados e trocar nossos
aumentando vê sua complexidade e tecnologias sociais a partir Comunicação, Cultura Digital, novas leitor com todos os predicados que que encontra com o outro que é entraves burocráticos. Mas este temos que melhorar/alterar os conhecimentos.
aumentando e precisa buscar os da transformação da realidade tecnologias, políticas culturais e as justificam a presença dessas pessoas o urdume e ali se estabelece um governo está aqui justamente procedimentos e incluir o que for
fundamentos de uma “cultura vivida pela comunidade. Por isso redes estão presentes nas reflexões no Conselho, mas apenas instigá- ponto nesta rede infindável. para mudar, é uma tarefa difícil, necessário, enfim ousar. Assim Para manter o programa, na
política que permita voltar a pensar chamamos para nosso Conselho de Ivana Bentes, Nelson Pretto, los a saber mais sobre o trabalho reformar leis e decretos que possam como criamos inscrições orais em primeira gestão do governo
e a querer a transformação social e os Mestres Griôs, indígenas, Antônio Rubim, Cláudia de Sousa desses homens e mulheres que Cultura, tradição, tecnologia e alterar mecanismos de controle,
emancipatória, ou seja, o conjunto quilombolas, ribeirinhos, caboclos, Leitão, professores e pesquisadores trilham caminhos diversos, buscando muita ousadia, não sabíamos o principalmente os referentes a
dos processos econômicos, sociais, para dialogarem com os acadêmicos que estão produzindo, em suas um “outro mundo possível” e que que aconteceria, mas aconteceu, utilização de dinheiro público. A
políticos e culturais que tenham por e pesquisadores do Brasil e do universidades, conhecimentos agora se encontram aqui para manifestações que estavam burocracia serve justamente para
objetivo transformar as relações exterior que tem nos Pontos seu importantes que desvelam as juntos com a rede dos Pontos, escondidinhas nos vales, ali ao isso, garantir a boa utilização 1
Américo Córdula é formado em Ciên-
de poder desigual em relações de objeto de análise e reflexão. múltiplas realidades que o Cultura gestores, parceiros, pesquisadores e nosso lado, na periferia, no campo, de dinheiro que provém dos cias da Computação, ator e pesquisador.
autoridade partilhada” como propõe Viva expõe. Giuseppe Cocco comunidades pensar e tornar viável navegando pelo rio, na secura do impostos pagos pela sociedade. Atualmente é Secretário de Identidade
e Diversidade Cultural do Ministério da
Boaventura de Sousa Santos. Sua Mãe Lúcia de Oyá T’Ogún que com vê nos Pontos de Cultura uma o cenário de futuro do Programa sertão, na prisão, no manicômio, Procedimentos já estabelecidos, Cultura.
proposta de um olhar pós-colonial Beth de Oxum, em Pernambuco radicalização da democracia, uma Cultura Viva. Esse é o desafio que na brincadeira do parque, enfim, no entanto, não convivem com
política do comum que reconhece nos impusemos há 5 anos e que não importa de onde, o que a ousadia de um programa de
2
Trecho de música do grupo musical
parte da idéia de que “das margens fez do seu terreiro de candomblé RUMO de São Paulo
e da periferia, as estruturas de um espaço de resistência e hoje a multiplicidade dos movimentos vimos vivendo desde então. Vamos, importa é que foram revelados, inclusão da diversidade cultural,
saber e poder são mais visíveis” e toca a zabumba de seus avós, culturais. Danilo Miranda atual então, abrir a rede. mais que isso, conectados e assim que nunca teve a oportunidade 3
Editora Anita Garibaldi – 2009 –
primeira edição.
que é necessário uma “pluralidade com mais de 150 anos, ensinando diretor do SESC-SP, faz uma percebemos a cultura brasileira. de ser atendido pelo Estado.
de projetos coletivos articulados aos jovens os ritos da religião ponte entre mundos e estéticas, Todos são bem-vindos! Célio Turino vestido no seu Panamá, Proponente, projeto, objetivos,
de modo não hierárquico” onde africana e a sambada, a ciranda, convergindo o popular e o erudito. em suas mais de 600 viagens, tão contrapartida, planos de trabalho,

22 23
1
Antônio Albino Rubim é formado em
Comunicação pela Universidade Federal
da Bahia (1975) e em Medicina pela Es-
cola Baiana de Medicina (1977), mestre
em Ciências Sociais pela Universidade
Federal da Bahia (1979), doutor em
Sociologia pela Universidade de São
Paulo (1987) e pós-doutor em Políticas
Culturais pela Universidade de Buenos
Aires e Universidade San Martin (2006).
Atualmente é professor titular da Univer-
sidade Federal da Bahia; docente do Pro-
grama Multidisciplinar de Pós-Graduação
em Cultura e Sociedade e do Programa
de Artes Cênicas, ambos da UFBA;
Diretor do Instituto de Humanidades,
Artes e Ciências da UFBA; Presidente do
Conselho Estadual de Cultura da Bahia.

Lula, todo o efetivo da então SCC e a participar do Cultura Viva


Secretaria de Programas e Projetos mais efetivamente. Concentro-
Culturais, foi mobilizada para me nos 150 Pontos de Cultura
atender todos os projetos oriundos Indígena, no qual a Secretaria de
de todo o Brasil, numa gestão Identidade e Diversidade Cultural
centralizada, cuidando desde ficou responsável pela implantação,
a documentação necessária, justamente por ter adquirido um
acompanhamento da implantação expertise nesta área por conta
e a tão complicada administração principalmente pela implantação do

4. PROGRAMACULTURA VIVA |
da prestação de contas. Claro edital Prêmio Culturas Indígenas,
que houve um colapso, porque que teve até agora três edições e
por mais gente que se colocasse atendeu a 90% das etnias indígenas
na administração do programa,
ainda assim era insuficiente e a
qualidade, principalmente do
do Brasil. O foco é permitir que
povos em TI - Terras Indígenas, que
muitas vezes são desprovidas de
PROJETO PONTOS DE CULTURA
acompanhamento era prejudicada. luz e acesso a internet, pudessem
ter seus pontos de cultura. Foram que tudo transportado por aviões criaram seus próprios editais. A ANTÔNIO ALBINO RUBIM1 subalternos restavam apenas:
Na segunda gestão com a criação construídas várias parcerias, entre e barcos pelos rios amazônicos. sociedade começa a se articular desqualificação; censura; repressão;
Depois é realizada uma oficina de politicamente, para pressionar a Cultura é o que resta em nós violência e silenciamento. Que o
do programa Mais Cultura, da elas com a FUNAI e associações
Depois que esquecemos digam as culturas indígenas, afro-
agenda social do governo federal, a indígenas, ONGs, acadêmicos e alfabetização digital e audiovisual, continuidade em seus estados.
Tudo que aprendemos brasileiras e populares. Elas nunca
federalização foi posta em prática, pesquisadores. Na etapa inicial que consiste na capacitação Por fim, outra grande tarefa obtiveram do estado nacional o
e o estados começaram a se a ACMA – Associação Cultura e para usar os equipamentos e o para que os pontos de cultura Os maiores problemas do Programa reconhecimento de sua dignidade
apropriar dos pontos, numa gestão Meio Ambiente, responsável entre desenvolvimento das atividades de atinjam sua sustentabilidade é Cultura Viva e seu Projeto Pontos enquanto culturas, mesmo quando
descentralizada, já um exercício outros projetos, pela criação da cada povo. não depender exclusivamente do de Cultura são (paradoxalmente) ele tornou oficial o discurso da
do que será o Sistema Nacional Rede Povos da Floresta, fez um auxilio do governo federal, devem suas maiores virtudes. Eles mestiçagem e das três raízes
expressam a novidade potencial originárias da cultura brasileira:
de Cultura, compartilhando importante trabalho para criar Pronto esta entregue os paus, a trabalhar coletivamente, em rede
inscrita no programa/projeto: a branca, negra e índia.
responsabilidades e melhorando uma metodologia, distinta dos régua, o compasso e a conexão. e com outros investimentos da abertura (escancarada) do estado
a administração. Desta maneira editais públicos, que é usado no Evoé!!! sociedade civil. Muitas experiências para modalidades de cultura antes O descompasso entre estado
a secretaria mudou de nome, a modelo do Cultura Viva, visto que de coletivos, incubadoras e sistematicamente excluídas e, e culturas não (ou contra)
Secretaria de Cidadania Cultural para a participação dos povos Hoje uma das grandes associações, começam a produzir por conseguinte, a necessidade hegemônicas aparece, por vezes,
e pode focar na criação de novas indígenas, não era adequado. preocupações é a institucionalidade modelos criativos que garantem a de acolhimento de novos atores nos discursos acerca do programa/
do programa, a continuidade nas sustentabilidade. culturais. projeto como (meros) problemas
ações que seriam implementadas Esta metodologia consiste
burocráticos. Enganosa aparência maior parte da população brasileira,
no programa, trabalhando numa fundamentalmente em rodas próximas gestões. O MinC incluiu
Por óbvio, que o estado, construído comum às ideologias. Os entraves, inclusive no campo cultural.
lógica de transferência de recursos de conversas entre as diversas na criação do Plano Nacional de Atualmente são mais de 2500 por mais de cinco séculos pelas a rigor, denunciam algo mais
para os estados, capacitando comunidades de cada povo em Cultura e na proposta da reforma pontos, alguns não se sustentam, elites brasileiras, não teve interesse, profundo: o imenso fosso entre o O Programa Cultura Viva/Projeto
gestores e administrando em cada região, que descobrem o da Lei de Incentivo, que estabelece outros tomam seu lugar, como nem desejo de estabelecer tais estado nacional realmente existente Pontos de Cultura, ao fazer interagir
parceria. que são os Pontos de Cultura, se a criação do Fundo Setorial da na teoria de Darwin, a cultura relações universais. Pior que isto, e as necessidades, interesses o estado com tais modalidades
Diversidade e Cidadania Cultural, evolui à partir de processos de ele não foi conformado para isto. e demandas dos dominados. culturais e seus atores, expõe de
existe interesse de implantar na sua
Pelo contrário, sua tessitura trouxe Eles têm sido sistematicamente modo contundente este caráter
Atualmente graças ao Mais comunidade e o que eles gostariam que permitirá a utilização dos transformação, colaboração e
imanente um caráter de classe. excluídos de uma relação excludente e denuncia a grave
Cultura, houve uma maior sinergia de desenvolver. Numa segunda recursos para ações, entre outras, interação com o meio, como Este estado existe tão somente democrática e republicana com
dos pontos de cultura. Acredito inadequação existente no país entre
entre as secretarias e coligadas etapa os equipamentos, entre eles conseqüência o programa pontua estabelecendo relações umbilicais, o estado, construído por muitos, estado e sociedade. Transformar
do MinC, que de acordo com kits de bateria solar, multimídia também que a federalização foi a diversidade e transforma a muitas delas promíscuas, com os mas configurado para poucos. este sintoma em mera questão
suas especialidades passaram e a antena de comunicação com outra estratégia importante, já sociedade. setores hegemônicos. No campo Um estado nacional que não se de ajustes formais e burocráticos
a trabalhar em conjunto com a o satélite, são entregues, pontuo que os estados se apropriaram e cultural, ele esteve sempre a serviço preocupa, nem está preparado para é destruir seu potencial de
das classes dominantes. Para os uma interação substantiva com a

24 25
5. EDUCAÇÃO
E DIVERSIDADE CULTURAL |
PROBLEMAS E PERSPECTIVAS
os indivíduos nas vertigens de um dos bancos – sobretudo nas praticas
imaginário sem transcendência das multinacionais e no nível
onde tudo, inclusive os sujeitos social por meio do GATS (“General
se transformam em objetos. O Agreement in Trade on Services”).
filme deixa bem claro o que está Objetivo e função principal dessa
atrás desta sociedade: o núcleo dinâmica é homogeneizar todas
fundamentalmente perverso que as diferenças culturais e construir,
se oculta na formação de nossa em nível mundial, normas e valores
sociedade. Esse filme mostra um universais que serão determinados
sistema das relações sociais onde por um categoria principal:
todas as relações entre os homens mercadoria. Tentamos pensar e
se transformam em fetiches- compreender essa realidade da
mercadorias que começam a globalização usando antinomias ou
dominar numa maneira totalitária os pólos complementares: nunca na
mesmos homens que construíram história da humanidade existiu uma
estes fetiches. mudança tão dramática das formas
rebeldia contra o estado elitista. da Cultura. Este último aspecto por seus participantes. A reflexão configuração de momentos de BERND FICHTNER1 norte-americana conjuga todos os de vida social correspondente a uma
O programa/projeto exige, pelo torna-se vital para um Ministério e a interlocução críticas são crítica no trabalho político-cultural elementos para compor um quadro Para aprofundar um pouco esta estandardização e esquematização
contrário, refazer o estado, em que pretende: redefinir modos de aqui imprescindíveis. Pensar, em cotidiano; a realização de debates Gostaria de iniciar com algumas emblemático da sociedade e dos metáfora do filme de Kubrik, se faz da mesma. Esta realidade social
uma perspectiva radicalmente imaginar a cultura; repensar as especial em uma atividade com nas Teias e em seminários; a anotações sobre a relação entre valores dominantes do mundo necessário buscar conceitos teóricos tão estandardizada e uniformizada
democrática e republicana. Ser interações com os atores culturais tanta abertura potencial, exige efetiva configuração da rede de a sociedade na qual vivemos e globalizado. Em meio da desordem da sociedade e da vida cotidiana, apresenta uma variedade absoluta
coerente com o Cultura Viva/Pontos e reinventar políticas culturais para antes de tudo abandonar verdades interlocução, trocas e reflexões a vida cotidiana. É necessária do quartinho de uma prostituta, ou seja, uma perspectiva teórica e formas inéditas de liberdade e
de Cultura é, antes de tudo, não a sociedade brasileira, assumindo prontas. Diversos temas devem e a articulação com estudiosos uma perspectiva teórica que onde recebe seus clientes, vemos que permita compreender o caráter de possibilidades humanas – mas
esquecer seu traço inovador, nem novas prioridades. ser enfrentados em todas as suas e pesquisadores de políticas permita compreender o caráter um manual de sociologia com o sistêmico entre ambas. Os aspectos de fato tudo é uma ilusão. Dentro
perder seu caráter potencialmente contradições e complexidades. culturais, conformando uma rede sistêmico entre ambas (sociedade título “Introducing Sociology”. Ao a seguir tentam descrever esse da etiqueta da globalização se
subversivo. A utopia de um outro Tais possibilidades conjugadas com Dentre eles podem ser lembrados de investigações sobre o programa/ – vida quotidiana) e assim poder longo da história, as únicas pessoas caráter sistêmico. realizam tanto processos de uma
estado, uma outra sociedade e um a abertura para novos atores e as vitais relações culturais entre: projeto. Todos estes processos compreender este contexto social no que revelam algum escrúpulo nas homogeneização da sociedade
outro mundo possíveis deve ser sua assumida amplitude territorial, tradição e inovação; local, em andamento, mas muitas qual crianças, adolescentes e adultos relações com os outros são as Estamos imersos num “feeling” que como a desintegração do social.
assumida como algo imanente e em um Ministério que continua regional, nacional e global; estado, vezes de modo ainda por demais vivem e convivem atualmente. prostitutas. A Humanidade das nos leva a crer que esta forma de Dimensões particulares da sociedade
essencial. concentrado em algumas cidades, sociedade civil e mercado; fazer e embrionários. prostitutas manifesta-se, sobretudo sociedade perdurará eternamente. como saúde, justiça, esporte,
dão significativa envergadura ao pensar; sustentabilidade ou não das A seguir apresento argumentos na sua fragilidade; elas se drogam e Mas a razão nos alerta que isso será educação, cultura perdem passo
Nesta perspectiva, ele se torna uma programa/projeto. A pretendida atividades culturais; diferenciadas As diretrizes do programa/projeto que considero relevante ao debate: morrem de overdose, elas vendem a possibilidade mais improvável de a passo a sua autonomia relativa,
das atividades mais emblemáticas, conjunção entre dispersão territorial modalidades culturais e diversidade – empoderamento, protagonismo constatações sobre a Educação2 seus corpos e se contaminam, enfim, todas as existentes. É mais fácil para lentamente se degeneram em
marcantes e inovadoras das e variedade de atores é combinada cultural. O desenvolvimento e autonomia – não podem se e sua crise em escala mundial, elas arriscam suas existências de nós imaginar o colapso do planeta e mecanismos de reforço e ajuda ao
políticas culturais empreendidas com a sua articulação, através da das potencialidades inscritas deixar esquecer. Mas também não constatações essas que caracterizam forma concreta e material. Por isso da natureza, do que uma sociedade mercado, deixam de serem direitos
pelo Ministério da Cultura no teia de encontros e redes. Emerge no programa/projeto tem devem se desfigurar, sem mais, tendências atuais num nível global; suas transações de dinheiro e sexo, além do sistema capitalista ou a adquiridos historicamente para se
Governo Lula. Seu impacto aqui outro dispositivo da sua como requisito fundamental o em auto-suficiência. Para que isto continuo com a discussão da pautadas pelas leis do mercado, quebra desse sistema. converterem em serviços a serem
societário pode ser medido: pela contemporaneidade. Ele busca fortalecimento da participação ativa não ocorra, a vida, a crítica e seu “diversidade cultural” nas suas estão fundadas numa “realidade” comprados ou vendidos.
dimensão que ganhou dentro do inibir guetos auto-suficientes, e o estímulo a radicalidade dos exercício são essenciais. antinomias e perspectivas e, finalizo que pode ser explicada pelos Atualmente o olhar para a sociedade
Ministério e do Governo; pela isolados culturalmente, tão debates. com a apresentação do “programa parâmetros sociológicos. como “processo” ou como “história” As teorias do Pós-Modernismo
extensão de seus dispositivos prejudiciais à criação e convivência, Cultura Viva” e “Pontos de Cultura” passo a passo se perde, “história” vêem nesta desintegração nada
para outros setores do Ministério, e potencializar interlocuções O encantamento natural com as na sua relação com os problemas As prostitutas são efetivamente, e “processo” se transformam em mais do que uma chance para um
através do Programa Mais Cultura; políticas e culturais, sem as quais potencialidades do programa/ anteriormente discutidos. comprometidas com a chamada “comunicação”, em algo técnico desenvolvimento da capacidade
pela ampliação continuada do não se produz um clima propício e projeto não pode ser exagerado, “vida real”. Assim suas escolhas são e formal. O que, anteriormente, de jogar com a particularidade
número de Pontos de Cultura, estimulante para o desenvolvimento nem deve impedir uma vigorosa SOCIEDADE E VIDA COTIDIANA as únicas que teriam relação com a era considerado “sociedade” ou individual, uma chance que pode dar
inclusive em cooperação com da cultura. e qualificada reflexão crítica sobre NUMA PERSPECTIVA SISTÊMICA “vida real” deixa muito para refletir, “coerência social” converte–se liberdade estética aos indivíduos.
governos estaduais; por sua ele. Nesta perspectiva, a abertura em nenhum de seus filmes, Kubrik em “mercado”. O motor dessa
visibilidade; pela repercussão, Mas a possibilidade de revolucionar de espaços para a discussão O filme ”De olhos bem fechados” deixa elos ao acaso. Ele coloca dinâmica é a organização do Estas teorias não levam em conta
inclusive internacional, e pela tem inerente como requisito a e reflexão se torna essencial. de Stanley Kubrik, o diretor localiza que o resto é puro imaginário. A sistema da economia mundial as agudas contradições entre a
constituição de uma base social capacidade de exercício continuado Aparecem como momentos a ação do filme na Nova York sociedade de abundância, marcada capitalista que, atualmente, se individualização dos processos
de apoio à atuação do Ministério da crítica pelo programa/projeto e significativos deste processo: a contemporânea. A megalópole pelo imperativo do consumo lança articula – apesar de todas as crises de vida e a normalização,

26 27
esquematização e homogeneização. 1
Bernd Fichtner è professor titular na
Elas não levam em conta a Universidade de Siegen/Alemanha. Criou
o Programa Internacional do Doutorado
polarização extrema entre uma
em Educação (INEDD - International
altíssima socialização de processos Education Doctorate) da Universidade.
de produção por um lado e pelo Publicou vários livros -veja:
outro uma crescente privatização www.uni-siegen.de/~fb02/people/fich-
das relações humanas. Encontramos tner/index.html
uma separação entre a socialização 2
Entendo como Educação, o sistema
da razão em nível de produção público construído na história dos últimos
técnica e cientifica por um lado e do duzentos anos. Neste período, a escola
processo de desenvolvimento das se transformou num fenômeno universal,
emoções, dos sentidos e da fantasia espalhado por todo mundo.
por outro lado. Emoções, afetos, 3
Claro que reconheço os sistemas esco-
sentidos pessoais têm cada vez mais lares que buscaram fugir a esse modelo,
um caráter privado, o que os tornam mas falo aqui do que ainda prevalece
cegos. como estrutura básica nas diferentes
sociedades.
Todas estas antinomias não se
complementam uma com outra, não
se suplementam, elas não dão luz
a tudo o que chamamos sociedade
mundial da globalização. Elas
expressam um dilema no qual este
sistema social inteiro se escurece.
Ficam perguntas em aberto e sem de todos os seus esforços por dos humores do mercado. A crise de a se relacionar pela primeira vez
respostas. Para nós a principal seria modernizar-se. cunho estrutural, torna-se também, com a sociedade como um todo.
perguntar se nestas antinomias e privada, particularizada nos sujeitos. Aparece nesta época o conceito de
contradições se articulam processos Geraldi (2004) caracteriza esta crise sociedade em geral conjuntamente
de desenvolvimento de algo novo fora e dentro da escola como crise A EDUCAÇÃO NA FORMA DA com uma esfera autônoma do
que possa transgredir a realidade dos sistemas de produção, hoje ESCOLA É UM FENÔMENO político construída nas lutas política
social tal qual ela é. estruturalmente produtores do HISTÓRICO E TRANSITÓRIO da época.
desemprego; que estende à crise dos
Compreender a complexidade paradigmas científicos; a crise do A escola obrigatória tem uma A razão política do Estado e da
dessas contradições é obviamente nosso modo de habitar o planeta: história de não mais do que 200 Sociedade (a sociedade burguesa)
difícil. Nós pedagogos e psicólogos anos e tornou-se neste período representa o enfoque e o centro
estamos muito longe de sua “neste contexto, a escola se faz, um fenômeno universal. Em lógico da Educação Pública,
verdadeira compreensão. discursivamente, uma instituição todo o mundo escola significa: implicando que aprendizagem
‘tábua de salvação’. E como professor, aluno, uma turma seriada, e todas as formas do ensino-
SEGUNDO PASSO: DUAS ‘salvação’ não sobrevive enquanto freqüência obrigatória, livros aprendizagem são determinadas
CONSTATAÇÕES SOBRE conceito, sem associar-se à didáticos, avaliação e certificados, essencialmente pelas contradições
EDUCAÇÃO ‘culpabilização’, a escola tem sido passar de classe ou repetir entre primárias da formação econômica
culpada pelo insucesso da sua outros atributos3. Essa forma de das sociedades capitalistas
Retomemos duas constatações, formação face às exigências do educação não é resultado de idéias modernas.
mais ou menos consensuais, sobre mercado. E as políticas educacionais geniais de intelectuais, mas uma A dupla natureza da mercadoria
a educação: “a crise fundamental neoliberais, para além de suas resposta da sociedade perante como união entre valor de uso e
da Educação e “a Educação, como reformas curriculares que se problemas estruturais graves. valor de troca começou a determinar
sistema escolar é um fenômeno constituíram essencialmente todos os níveis da educação pública
histórico e transitório. pela definição de parâmetros de Na sociedade baseada na dinâmica e sua realidade. Notas, boletins,
conteúdos a serem ensinados, extrema da divisão do trabalho títulos, créditos, tempo, conteúdo,
A crise fundamental da Educação não souberam fazer mais do que (sistematizado ao longo do processo currículos, hierarquização etc.
Em todas as sociedades modernas propor sistemas de avaliação e de industrialização nos séculos XVIII são dados que nos permitem ver
a escola representa a instituição avaliações de sistemas/redes de e XIX) todos os membros dessa que na escola existe uma relação
que mais cresce, aumenta e se ensino, cujos resultados produzem sociedade precisavam de um sistema indissociável entre valor e poder
expande em todas as áreas da vida hierarquizações das instituições de único e geral de conhecimentos, que caracteriza e reproduz todas
social. Na escola, nossas crianças e ensino, sinalizando para o ‘mercado capacidades e normas morais como as relações que se desenvolvem na
adolescentes passam o tempo mais consumidor’ quais as escolas nível base para relacionar-se em nível da sociedade.
produtivo e criativo de sua vida. A, quais as redes mais preparadas, produção, em nível da reprodução
Geralmente entram com esperança, quais as regiões aquinhoadas” e do consumo. A sociedade na Com as mudanças radicais atuais na
com criatividade, com fantasia, (2004, 16). forma de nação ou do estado política, na sociedade e sua cultura,
com vontade de aprender, mas projetava (e ainda projeta) valores, no contexto de globalização se
saem desiludidos, defraudados, Efetivamente, sabe-se que a escola conhecimentos, habilidades, que dissolve atualmente a razão política
empobrecidos. Saem ‘afortunados’ jamais foi uma ‘tábua de salvação’, acreditava (e acredita) serem da educação, quer dizer a relação
possuidores de habilidades, pois desde sua origem e existência, indispensáveis à sua própria abstrata com a sociedade como
competências e conhecimentos tradicionalmente, sempre serviu e sobrevivência, melhoramento e um todo. A dissolução se articula
que na maioria das vezes não têm continua servindo para os processos continuidade. A escola emerge, atualmente em múltiplos sintomas
relação com a sua vida e com a de seleção e exclusão social. Trata-se como uma solução histórica desses de uma crise da educação.
sociedade na qual eles devem viver neste momento das sociedades problemas, vide, a título de exemplo, Se assumirmos que a educação, tal
e trabalhar. capitalistas encontrar a quem culpar a origem de alguns conteúdos como a conhecemos hoje, é uma
pelo insucesso no disputadíssimo curriculares, como a Geografia e forma transitória, suas chances
Assim, assistimos à famosa crise da mercado de trabalho: o próprio História Escolar, o ensino da “Língua de sobrevivência dependem de
pedagogia e, sobretudo da escola trabalhador por sua escolaridade Materna” – porém uma solução que, conseguirmos mudar e transformar
pública que, aparentemente, não insuficiente ou inadequada e atualmente, se encontra numa crise radicalmente essa Educação. Isso
está atendendo as necessidades e a instituição escolar por sua fundamental. seria um problema da práxis, dos
desejos dos indivíduos e a demanda desatualização e incapacidade de projetos práticos, pois o novo
da sociedade na formação, apesar acompanhar as ondas de mudança A escola, 200 anos atrás, passou desenvolve-se somente na prática,

28 29
“O conceito e a teoria do qualitativa na qual o enfoque
programa Cultura Viva e dos principal é a prática dos “Pontos de
Pontos de Cultura“ é resultado Cultura”.
de um processo continuo, em
que se amalgama experiência A PRÁTICA DOS “PONTOS
pessoal, o ato de fazer, leituras e DE CULTURA” COMO NOVO
trocas de idéias. E, sobretudo, do PARADIGMA DA RELAÇÃO
desejo de que as coisas precisam ENTRE APRENDER E ENSINAR
mudar e da percepção de que QUE QUESTIONA AS FORMAS
as coisas estão mudando, pois TRADICIONAIS DA EDUCAÇÃO.
“os de baixo” já não querem
ser governados como antes...Os Os seres humanos aprendem
“Pontos de Cultura“ potencializam somente quando ao mesmo
esse processo de mudança. E o tempo ensinam. Concretizando:
fazem por expressarem a cultura as práticas dos ”Pontos de
em suas dimensões ética, estética Cultura” são fundamentalmente
e de economia. O Ponto de Cultura processos que tem uma dinâmica
não se enquadra em formas; nem especifica que se manifesta em
é erudito nem é popular, também formas especificas. A estas formas
não se reduz à dimensão da pertencem manifestações como
“cultura e cidadania” ou “cultura tradições orais, o narrar, o cantar,
da inclusão social”. Ponto de o dançar, práticas sociais, rituais,
Cultura é um conceito. Um conceito festas, conhecimentos e as práticas
de autonomia e protoganismo de relacionarem-se com a natureza
no fazer e nas suas contradições. e normatização relacionam–se aqui as regiões dos Bálcãs ou do Cáucaso sociocultural. Na dimensão da arte, e com o universo, habilidades sociais. Práticas rituais ajudam contos infantis, à lua nos iluminava. é uma multiplicidade, um plano
O novo não consegue crescer ou com um conceito de cultura como mostraram quais podem ser as vai além da louvação de uma arte artesanais e performáticas. Nessas a organizar a passagem de um Percebi no meu olhar de criança de singularidades, um conjunto
desenvolver-se no campo teórico, substância e essência. conseqüências do reconhecimento ingênua e simples, como se ao práticas os seres humanos se status social para outro. Práticas de 04 anos, que a lua caminhava aberto de relações, que não é
no campo das idéias. O novo se de etnias na perspectiva de povo coubesse apenas o lugar do expressam, encenam imaginários rituais encenam os acontecimentos sempre ao nosso lado, a cada passo nem homogênea nem idêntica a
desenvolve só num afastamento vivo Atualmente se encontra uma identidade coletiva. A palavra artesanato e do não elaborado sociais, de si mesmos e representam marcantes como nascimento, dado ela também se deslocava, si mesma e mantém uma relação
do velho. significativa incidência em inúmeros etnia se relacionou na Bósnia ou nos cânones do bom gosto. Pelo os aspectos da sua cultural. morte, casamento e muitas não tardei em perguntar ao meu indistinta e inclusiva com os estão
países de guerras e outras formas de Cosovo com práticas de barbárie, de contrário, busca sofisticar o olhar, outras. Rituais são indispensáveis avô: “a lua está caminhando junto fora dela” (Hardt/Negri 2001,120).
Perspectivas para essa nova razão violência, decorrentes de diferenças genocídio e com a retomada de um apurar os ouvidos, ouvir o silencio e Na declaração da UNESCO de 2003, na construção de: comunidade e com nós”? Ele me disse: “sim, fique Os homens são singularidades.
política de educação vejo aparecer étnicas, religiosas, de gênero e nacionalismo violento e populista, ver que não é mostrado”(2009, 15). esse tipo de conhecimento baseado cultura. Eles produzem algo como sem medo...ela está conosco!”. Espinosa considerou a multidão
nas práticas dos chamados “Pontos raciais. Em pleno século se XXI, que terminou em guerras civis cruéis no corpo humano é caracterizado “o social” – fundamentalmente Este processo é muito diferente de uma potencia política sui generis: é
de Cultura”. Para concretizar essa vive-se o paradoxo de um mundo e sangrentas. Esta tendência em Turino também relata no livro como “herança imaterial da cultura”, diferente dos mecanismos de uma um sujeito para o outro, isso vai em relação a ela, isto é, em relação
perspectivas faz-se necessário, que produz intensamente diferenças, nível mundial se expande como, “Pontos de Cultura (2009) algumas diferente da herança material da identidade coletiva. Rituais e práticas depender das maneiras nas quais a uma multidão de singularidade
discutir brevemente, a diversidade mas, que, na mesma intensidade, por exemplo, nos países africanos, das mais de 600 visitas que fez cultura, cuja materialidade sobrevive tem um caráter performático os seres humanos se relacionam que devem ser definidas as novas
cultural. mantém vivo a intolerância com as como Angola que desde 1975 até aos núcleos, da experiência em séculos após séculos, essa herança é aqui se encontram três aspectos com o mundo, com os outros seres categorias políticas. Espinoza
mesmas. Não são poucas as práticas 1990, ocorreram mais de 500 mil Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha fixada na materialidade, plasticidade importantes. O primeiro aspecto humanos e consigo mesmo. caracterizou uma multidão que
DIVERSIDADE CULTURAL de exclusão e violência inter e mortos por causa dos conflitos entre à tribo Yawalapíti, que reúne mais e mortalidade do corpo humano. acentua a relevância do “caráter começa a refletir sobre se mesmo
| ANTINOMIAS E LADOS intra-sociais a partir da intolerância três etnias (instrumentalizacão da de 13 etnias no Parque Nacional do Esclarecendo melhor estas formas performático” da linguagem4 (veja Nos processos miméticos, o “amor intelectual de Deus” (amor
ESCUROS decorrente da relação entre as “identidade coletiva” entre EUA, Xingu, no Estado do Amazonas. Em e práticas imateriais utilizando John Austin 1962). O segundo aprendiz, produz quase “um Dei intelectualis). Assim os conceitos
diferenças culturas e o poder. Rússia e as etnias “ovimbundi”– meio a dificuldades para preservar quatro das suas dimensões: a aspecto sublinha que rituais são molde, uma reimpressão do “multidão” e “singularidade” tem
A realidade da Diversidade Cultural “mbundo” – “bakongo”). características culturais – entre elas, importância do corpo humano, o encenações representadas na mundo social” transformando este um potencial enorme para entender
abrange uma complexidade de Encontramos - sobretudo em sua língua –, a tribo Yawalapíti teve caráter performático das praticas qual uma cultura se representa mundo numa parte de si mesmo. a nova qualidade da prática dos
fenômenos e práticas sociais e Europa – práticas de uma Existem alternativas à essa política seu território reconhecido como culturais (rituais), aprendizagem e se expressa. Com o auxilio A herança imaterial e cultural é “Pontos de Cultura”.
envolve inúmeros conceitos e Diversidade Cultural que exigem da identidade coletiva, que Ponto de Cultura e conseguiu mimética e uma nova relação entre dessas práticas as comunidades transportada para a próxima geração
definições. As pesquisas e os estudos uma identidade coletiva e defendem encontramos também no conceito ajuda para ensinar o idioma a seus aprendizagem e ensino. produzem uma continuidade entre nestes processos, e com isso é A PRÁTICA DOS “PONTOS DE
sobre Diversidade Cultural têm esta identidade coletiva. Trata-se de e na realidade de “Estado Nação”, integrantes. as tradições e as necessidades transformado nas necessidades e CULTURA” COMO ELABORAÇÃO
apresentado um problema sério: a uma política de identidade. Mesmo Povo”, “País” etc.? No próximo A IMPORTÂNCIA DO CORPO do presente. O terceiro aspecto sentidos pessoais dessa próxima DE UM NOVO CONCEITO DE
falta de um sistema epistemológico considerando suas diferenças, têm, passo apresento uma alternativa Outro projeto abordado é o Vídeo HUMANO sublinha o lado estético de rituais geração. Processos miméticos são CULTURA
claro e preciso. surpreendentemente, algo em mais revolucionária no nível mundial. nas Aldeias, em que cineastas e representações. Os rituais nunca sensuais ligados ao corpo e são
comum às células neonazistas e os indígenas produzem documentários Na prática dos “Pontos de Cultura podem ser reduzidos unicamente a realizados muito freqüentemente no As várias formas do comportamento,
Definições atuais reduzem grupos que lutam para os direitos PERSPECTIVAS DA DIVERSIDADE e filmes de ficção. Falados em aparece numa complexidade rica sua função. Rituais são janelas de inconsciente. da atividade e da consciência
“Diversidade Cultural” a aspectos dos gays e das lésbicas, dos ciganos CULTURAL: “PONTOS DE línguas como kaxinawá, kuikuro, e ilimitada: o corpo humano como uma comunidade que possibilitam humana são constituídas e
de raça, gênero e etnia; outras e outros. Todos defendem a sua CULTURA” NO BRASIL huni-kuni e ashaninka, curta, média principal “médium”. Isto é, se realiza entender a própria cultura e sua A PRÁTICA DOS “PONTOS DE relacionadas por um espaço
definições enfatizam todas as cultura como identidade coletiva. e longa-metragens são escritos, com o corpo, todas as encenações, dinâmica. CULTURA” COMO MEDIAÇÃO antropológico que se abre mediante
possíveis diferenças entre os Estes grupos têm uma característica O Brasil hoje tem cerca de 2.500 dirigidos e encenados pelos índios. O rituais, as apresentações são sempre ENTRE MULTIDÃO E signos e símbolos. Assim este
seres humanos. A prática da especifica: eles consideram a Pontos de Culturas espalhados por depoimento do autor também deixa baseadas numa determinada APRENDIZAGEM MIMÉTICO SINGULARIDADE espaço antropológico se pode
Diversidade Cultural é mais rica, diferença como um absoluto e a todo Brasil. Cada qual com sua arte, claro a preocupação com as escolas imagem, num determinado conceito caracterizar fundamentalmente
complexa e contraditória que as alteridade dos outros aparece como com sua forma de implementar públicas, que sofrem com a política do corpo. Aqui encontramos formas Processos miméticos são A prática dos “Pontos de Cultura” como um espaço simbólico. Este
conceitualizações e definições uma ameaça. Na perspectiva da a cultura, desde as diferenciadas educacional deficiente. “O programa diferentes de um conhecimento processos de imitação criativa, abre um espaço antropológico no espaço não existe numa forma
formais que delas se fazem. identidade coletiva a Diversidade práticas urbanas até a dos povos conseguiu demonstrar, nestes cinco prático do corpo que possibilitam o que se relacionam com modelos qual o universal da cultura aparece abstrata ou metafisicamente geral,
Cultural mostra que a identidade mais tradicionais do Alto Xingu. São anos, que a menor distância entre encenar e realizar rituais e práticas e exemplos, aqui acontece um como algo individual. O individual este espaço sempre é ao mesmo
As definições correm atrás dessa nacional, sexual, étnica, regional é milhões de brasileiros que foram dois pontos é a cultura”, conclui sociais: Os sujeitos dessa prática não processo em que o sujeito vai se e o universal aqui se entrelaçam de tempo espaço de uma determinada
prática com uma certa arrogância considerada um valor positivo. Uma “desescondidos” por meio desta Turino. tem um corpo mas são corpo. assemelhando a algo. Lembro-me uma forma particular. O universal é cultura. Nesta perspectiva cultura
formal, com o poder das disciplinas conseqüência lógica: as culturas política pública que começa a tomar em particular, de um momento da o que faz a todos os seres humanos, não é algo que tem uma substância
cientificas. Considerar a Diversidade aparecem como áreas de luta, como a forma de um grande movimento Gostaria de apresentar O CARÁTER PERFORMÁTICO minha infância no qual, ao lado seres humanos. Não é simplesmente em si mesma, assim como também
Cultural como um valor em si áreas de um particularismo militante social nacional. sistematicamente quatro aspectos DAS PRATICAS CULTURAIS NO de meu avô retornávamos à noite o contrário do individual, porém não um contexto de funções
mesmo, como uma herança, (raça, opção sexual, etnia etc.). que esclarecem o caráter e a PONTO DE CULTURA: para casa por uma estreita trilha; muito mais que isso, é o seu próprio que estão por atrás dos signos e
que deve ser conservada, - sem Os Pontos de Cultura são mais que qualidade revolucionária dos de um lado um bosque escuro e de paradigma. Os conceitos “multidão” símbolos. O significado dos signos
tematizar os processos e atividades O continente europeu teve uma política em construção, como “Pontos de Cultura”. Os aspectos Rituais pertencem às práticas mais outro a presença da lua. O bosque e “singularidade” concretizam e símbolos não se pode deduzir
contraditórias do desenvolvimento experiências muito problemáticas nos mostra as palavras de Célio são ao mesmo tempo níveis numa importantes dos processos de associava-se a paisagem de medo, essa relação (veja Hardt/Negri empiricamente ou funcionalmente.
dela, têm muito em comum com um com “Diversidade Cultural” na Turino: perspectiva teórica: são níveis de diversidade culturais. Rituais têm pertinente à presença de um possível 2001, pp 421-432 e Negri 2003). O real significado deles só pode
cemitério e um museu. Moralismo perspectiva de “identidade coletiva”, um futuro projeto de pesquisa uma enorme riqueza de funções lobo, advindo do imaginário dos Secundo Negri/Hardt a multidão ser encontrado na realidade da

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- A história ou a construção de
categorias é um processo de atuar,
que se realiza nos diferentes
contextos da vida material e ideal de
uma sociedade.

• Na sua forma conceitual e


lingüística o status de ser categoria
desses esquemas ou modelos de
atividade torna-se explicito. Neste
nível se realiza uma transformação
especifica, um trabalho particular.
Formas e resultados e de uma
prática se transformam numa relação
explícita de um conhecimento
ou mais preciso de uma relação
entre conhecimentos. Aqui eles
tornam-se em objetos ideais, quer
dizer em categorias. Paulo Freire
recomendou aos educadores
brasileiros: “Escrevam pedagogias e
não sobre pedagogias”, incitando-os
a desenvolver métodos e técnicas
adequadas para lidar com a
diversidade da população brasileira e
de suas experiências.

Os “Pontos de Cultura” articulam as


demandas e necessidades dos novos
sujeitos sociais trazidos à luz pelas
transformações sociais ocorridas
sua prática e no seu uso. São os A categoria do social permite após a democratização do país e
comportamentos simbólicos nos contestar e questionar a categoria inscritos na Constituição Federal
quais são negociados os códigos que do econômico como norteador de 1988, tais como a população
determinam o que vai ser a realidade de práticas sociais. A prática dos indígena, os remanescentes
numa multidão. “Pontos de Cultura” coloca a força e quilombolas, a população rural, a
Comportamentos simbólicos o caráter emancipatório das práticas mulher, a criança e o adolescente, o
não se delineiam da experiência, da vida cotidiana na periferia, na idoso, a população de rua.
pelo contrário eles possibilitam vida dos marginalizados, subalternos
experiências. Cultura para nos é e excluídos. A educação possui limitações
aquele contexto discursivo e prático para a inclusão social destes
constituído concretamente pelos UMA EXCURSÃO FILOSÓFICA: O grupos e é preciso explorar as
comportamentos simbólicos de uma QUE É UMA CATEGORIA? possibilidades que as práticas de
multidão. “Pontos de Cultura” oferecem para
Numa categoria é conceitualizado a recuperação da auto-estima,
Agora, se queremos entender e concebido um fenômeno na sua a preparação profissional e o
e analisar o que os usuários de universalidade (em seus aspectos desenvolvimento da consciência
símbolos e signos realmente fazem, generais) tanto que ela, a categoria política e social.
será necessária uma mudança radical poderia ser usada ao mesmo tempo
de perspectiva. Devemos apreender como meio ou instrumento da BIBLIOGRAFIA
4
Se alguém numa cerimônia de casa-
mento diz “sim”, então se realiza num a posição dos sujeitos, nos colocar análise. Categorias têm um potencial
nível da linguagem uma ação, com na sua situação - o que não é fácil. metodológico enorme. Esta tese AUSTIN, J. (1962): How to do things
a qual se materializa o casamento e gostaria de concretizar e exemplificar with words. London: Clarendon
modifica-se a vida dessa pessoa. A PRÁTICA DOS nos “Pontos de Cultura” Press.
“PONTOS DE CULTURA“
COMO RECONQUISTA E As premissas são: GERALDI, J. W. (2004): A aula como
DESENVOLVIMENTO DA conhecimento. Aveiro: Universidade
CATEGORIA DO “SOCIAL” • Categorias não se podem inventar de Aveiro.
ou definir cognitivamente na
A prática dos “Pontos de Cultura” escrivaninha de um filósofo, de GERALDI, J.W., Fichtner, B.,
é um exemplo extraordinário da um intelectual. Elas são resultados Benites, M. (2006): Transgressões
dignidade da prática e significa de um processo histórico-social. A Convergentes. Vigotski Bakhtin
assim a recuperação, reconquista universalidade sua é, literalmente, Bateson. Campinas: Mercado de
e desenvolvimento da categoria trabalhada e elaborada pela Letras.
do Social. O Social representa algo sociedade. A sua universalidade é
autônomo, com um sentido próprio, resultado de uma “prova prática”, de HARDT, M.; Negri, A. (2001):
que não pode ser reduzido às uma experiência prática. Império. Rio de Janeiro: Record.
estruturas sociais, nem à Sociedade,
nem aos processos psíquicos internos • Categorias não se desenvolvem, NEGRI, A.(2003): 5 Lições sobre
dos indivíduos. O conceito do Social primariamente, como formas ou Império . Rio de Janeiro: DP & A.
é direcionado às relações reais – modelos de pensar, mas como Turino, C. (2009): Ponto de Cultura
relações que são também encontradas modelos de atividades. Elas – O Brasil de Baixo para Cima. São
nas relações “submersas na multidão são programas extremamente Paulo: Editora Anita Garibaldi.
e nas suas singularidades”. generalizados de atividade humana

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7. PROGRAMACULTURA VIVA:
6. POLÍTICA/POÉTICA: REFLEXÕES SOBRE O BRASIL
O SEMINÁRIO INTERNACIONAL E A METÁFORA DA ALTERIDADE
quando um termo abstrato como e administrado pelos estados e CLAUDIA DE SOUSA LEITÃO1 se fixa nele... O outro, portanto, não no que se refere à qualidade de
“cidadania” se tornou um retrato municípios. se encontra, somente no exterior, vida e ao desenvolvimento humano.
próprio da criança. Poética passou O conhecimento ocidental buscou, mas, também, dentro do indivíduo. O resultado disso é que não
por uma transformação semelhante O sonho-história não se concentra ao longo dos últimos séculos, O outro sempre se encontra incluído conseguimos, ainda hoje, esboçar
quando estas auto-representações diretamente nos Pontos. Em compreender o outro a partir em todas as expressões do eu”(Wolf um modelo de desenvolvimento que
individuais aderiram ao retrato de vez disso, ele descreve como o de uma lógica de dominação. in Mendes: 2003, 207). leve em conta nossa diversidade
um grupo. orixá Oxum, de repente se vê Compreender significou, durante cultural, compreendendo-a como
confrontada com uma parede de a Modernidade, controlar para A necessidade de conservar o substrato para o desenvolvimento
Durante o recente Seminário chamas. Temendo por sua vida, subjugar, assimilar para aniquilar, estrangeiro no interior do “eu” é local e regional, como cimento
Internacional em Pirenópolis, a ela passa a transformar sua roupa neutralizar para tornar toleráveis substrato do ethos brasileiro. Os para a dignidade, cidadania e
relação entre política e poética em brilhantes lençóis de água que as diferenças. O Brasil é um país brasileiros do litoral, das serras, auto-estima. Pelo contrário,
me veio à mente de novo. Esteve permitem a ela e seus filhos irem marcado pelas diferenças: de um dos sertões e das veredas sabem historicamente nossas expressões
especialmente presente quando dançar através do fogo. lado, pela sua impressionante que suas vidas se constroem culturais foram ora desprezadas,
meu grupo discutiu um novo diversidade cultural, de outro, cotidianamente através da sua subestimadas e reprimidas, ora
conjunto de conceitos fundamentais O centro radiante da história pelas imensas desigualdades existência com os outros. Os apropriadas por ideologias e
destinados a encapsular os sugere a importância da atual sócio-econômicas entre suas brasileiros das periferias, das projetos político-partidários, ora
objetivos dos Pontos. Autonomia, autotransformação. Também regiões. Por isso, analisar o Brasil favelas, dos assentamentos rurais, consideradas um privilégio para
empoderamento, protagonismo, comemora a força de uma sempre será uma tarefa espinhosa, dos vilarejos de pescadores, dos eleitos.
CANDACE SLATER1 aparecer como os mais velhos ritmos gestão em rede – cada uma dessas imaginação que as fórmulas não especialmente análises propostas quilombolas ou das reservas
brasileiros realizados em tambores quatro palavras sugere uma série podem conter totalmente. A pelas disciplinas modernas que indígenas possuem uma espécie de Marilena Chauí (2007,46-47)
Cinco anos atrás, quando Gilberto de aço novos. Poderia aparecer de conceitos que permitem atingir política ou estratégia de Oxum para legitimaram, a partir do século consciência primordial que os funda adverte que, para aceitarmos o
Gil e Célio Turino vieram visitar em um projeto de reciclagem o seu verdadeiro significado, na enfrentar o fogo em toda a sua XX, as existências do Estado e do e os refunda incessantemente: desafio da democratização da
a Universidade da Califórnia em de jornais onde os adolescentes passagem para a ação. Cada um fúria, para unir-se com seus filhos Sistema Capitalista. Refiro-me, vivem e resistem a partir da cultura, necessitamos inicialmente
Berkeley, os Pontos de Cultura dividem as tarefas de um modo que destes termos demanda uma série em uma dança de desafio. A história respectivamente, à Sociologia e à experiência cotidiana do auto- de uma nova cultura democrática,
estavam surgindo. Ainda me lembra a produção de mandioca no de traduções que os leva além de fala em uma linguagem lírica que Economia. À Antropologia, coube estranhamento. Por isso, o Brasil pois a democracia tem sido reduzida
lembro de ouvi-los falar sobre velho estilo das Casas de Farinha. fórmulas para as coisas da vida transcende uma determinada ação a tarefa de mergulhar nos aspectos é território complexo que não a um regime político dito “eficaz”,
a forma como um número de “Cidadania cultural” poderia, de diária. Sem esse tipo de tradução, (o movimento através das chamas, desconcertantes da alteridade reivindica validades exclusivas ou tornando-se mera protetora das
organizações de artes, antes forma semelhante, tomar a forma eles permanecem como mera neste caso) para afirmar que a humana. Coube-lhe estudar as interpretações dogmáticas acerca do liberdades individuais e perdendo
sem relação e trabalhando em de fotos de uma floresta ou uma retórica. No entanto, uma vez poética luminosa é a vida do grupo. culturas, assumindo em seus estudos “real”. Afinal, como diria Guimarães a grandeza de seu fundamento:
comunidades marginalizadas, favela em que crianças em idade que estes termos encontram seu Hoje, sempre que ouço sobre os e pesquisas todas as provocações, Rosa: “o real não está na saída nem a existência dos contra-poderes
estavam agora unidas através de um escolar ficam juntas em grandes caminho em formas e práticas de desafios enfrentados pelos Pontos as aflições, os paradoxos e os na chegada; ele se dispõe para a sociais, condição necessária para a
sítio eletrônico. Recordo também mapas do Brasil. arte individuais, são transformados de Cultura vejo as saias onduladas estranhamentos delas decorrentes. gente é no meio da travessia”. O criação de novos direitos. Por isso,
as animadas reações do público em um empreendimento coletivo. de Oxum e o véu cintilante de Devemos, felizmente, às artes e à exercício de auto-estranhamento os caminhos para a democracia e
na universidade, bem como em A tradução de termos inicialmente pérolas como gotas de água. Acho literatura, as melhores interpretações nos incita a refletir sobre o que a equidade no campo da cultura
São Francisco, onde Gil e Célio difusos, na experiência diária me Mais de um mês já passou desde o que o orixá e o seu povo capturados sobre o Brasil. somos, sobre o que excluímos de nos países latino-americanos são
Seminário. Enquanto a vivacidade na dança são ao mesmo tempo um
1
Claudia Sousa Leitão possui doutorado nós e o que nos falta, ou ainda difíceis, especialmente no Brasil,
foram falar com uma multidão de levou a começar a pensar sobre em Sociologia pela Université Paris V
imigrantes brasileiros. a relação entre política e poética. das discussões do grupo continua esforço calculado de sobrevivência e (René Descartes) (1993), mestrado em A alteridade compreende melhor, sobre o que poderemos vir cuja sociedade é marcada pela
Ninguém confundiria uma palavra uma memória viva, as variadas uma alegre afirmação da liberdade Sociologia do Direito pela Universidade julgamentos de valor, a aproximação a ser. desigualdade e pelo autoritarismo.
Duas palavras-chave que da outra – as diferentes letras definições de cada participante dos que tem brilhado desde o início no de São Paulo (1988), graduação em com o outro, o conhecimento do Por isso, os chamados ‘direitos
quatro termos têm começado a coração dos Pontos. Direito pela Universidade Federal do outro. Rimbaud dizia uma frase A compreensão reduzida culturais’ continuam, anos
marcaram essas descrições iniciais do meio garantem sua divisão Ceará (1981), graduação em Educação
dos Pontos eram “resgate” e continua. Ao mesmo tempo, o se ofuscar. Em contrapartida, um sugestiva a esse respeito: “Eu sou dos significados da cultura depois da promulgação de nossa
Artística - Licenciatura pela Universidade
“cidadania cultural”. Por si mesmos início e a conclusão idênticos membro do grupo conta de um Estadual do Ceará (1986). É professora e um outro”. Na afirmação do poeta contribuiu para a ausência de Constituição de 1988, em busca de
estes termos são abstratos, e, sugerem uma ligação parcial entre sonho sobre o futuro dos Pontos pesquisadora do Mestrado em Políticas francês podemos depreender o políticas públicas culturais no sua positivação. E qualquer análise,
francamente, algo difícil de imaginar. os dois. Como eu visitei um e depois tão exato como se fosse ontem. Públicas e Sociedade da Universidade quanto para a existência do eu, Brasil. Ao mesmo tempo, na mesmo superficial, sobre o papel
A história reflete a expectativa e Estadual do Ceará UECE e pesquisadora o outro é necessário: “O eu e o agenda de desenvolvimento do Estado brasileiro no combate às
No entanto, quando comecei a outro Ponto, eu comecei a ver o CNPq. Autora dos livros: A Crise dos
visitar alguns dos primeiros Pontos programa como uma tentativa os receios do contador sobre a outro não se confrontam como nacional, a cultura não se desigualdades sociais, acabará por
Partidos Políticos Brasileiros: “Os Dilemas
poucos meses depois, as várias contínua de negociar a diferença transição presente do programa a 1
Candace Slater é professora de Literatura da Representação Política no Estado In- duas entidades autoconsistentes traduziu em políticas de Estado, concluir que o Brasil é ainda um
traduções a que estes termos eram que estava no meio díspar dessas partir de uma iniciativa relativamente Brasileira na Universidade de Berkeley, tervencionista” (1989), “Por uma Ética da e isoladas uma da outra. A capazes de definirem diretrizes e país de excluídos. O mais dramático
necessariamente submetidos, na palavras. Política (política e políticas) pequena diretamente financiada Califórnia, autora de sete livros, entre os Estética”: uma “Reflexão acerca da Ética complexidade de sua relação vem programas que contemplassem na ausência de acesso aos bens e
pelo Ministério da Cultura para um quais A vida no barbante (sobre o cordel), Armorial Nordestina”. (1997), “Memória do fato de que o outro intervém de uma concepção mais ampla do serviços culturais é que esta exclusão
prática, tornaram-se mais claros. tornou-se poética (idéias sobre, Trail of Miracles (sobre os milagres de da Construção Civil”(2002), “Memória do
“Resgate”, por exemplo, pode ou a prática de, as artes poéticas), esforço mais ambicioso financiado muitas maneiras na gênese do eu e fenômeno cultural, especialmente não é somente de natureza material,
Padre Cícero) a Alexandre Bandeira. Comércio Cearense”(2003).

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da construção de um grande pacto Sabemos que, em um mundo tentativa poética de resgatar a Ao buscarmos analisar o Brasil a surgir na paisagem institucional
da sociedade brasileira em torno globalizado, a lógica do mercado etimologia de coração, Ortiz-Osés partir de suas políticas públicas, brasileira me alegra e estimula. Vejo
das questões culturais. Por isso, produzido pelas indústrias nos propõe Co-razón , a razão necessitamos, enfim, conhecer nascer um espaço para a eclosão
assume que o grande desafio das culturais é muitas vezes nefasta, dupla e mestiça que concilia razão o novo patamar em que se de uma outra ratio, uma nova
políticas públicas de cultura é o de pois produz concentração de e sensibilidade, emoção e intelecto encontram as políticas públicas concepção de Estado, um novo
ampliar o conceito de cidadania, a riqueza e de consumo de bens e (Santos in Rocha Pitta:2005,65). de cultura e reconhecer o seu processo de construção de políticas
qual possuiria fundamentalmente serviços culturais, inviabilizando o Essa “educação para a sensibilidade” significado estratégico para a públicas. Por isso, o ‘Cultura Viva’
duas vocações: afirmar os direitos protagonismo cultural de milhões constitui núcleo essencial do reforma do Estado Brasileiro. Os produz constrangimentos, suscita
e deveres dos indivíduos face às de brasileiros. Sabemos ainda que ‘Programa Cultura Viva’ pois ‘Pontos de Cultura’ representam, paradoxos, criando impasses e
suas culturas e às demais culturas; o Brasil, ao exemplo de outros representa uma política pública que enquanto espaços do encontro e desconfortos para todos aqueles que
determinar os direitos e deveres de países em desenvolvimento, vai além do fomento às artes ou da justaposição do arcaico e do insistem na velha lógica instrumental
uma comunidade cultural frente às tornou-se um mercado consumidor aos seus arranjos produtivos. Ele é contemporâneo (arcaísmo que não sobre a qual se desenhou o Estado e
demais comunidades culturais. Só se de bens culturais assim como de fruto da convicção de que políticas significa o que não é moderno, mas sua gestão.
pode construir uma política cultural, tecnologias produzidas pelos países culturais devem qualificar e iluminar particularmente o que de eterno
quando é garantida a livre expressão considerados desenvolvidos. as políticas de educação, saúde, suscita o surgimento de novas Mas, os tempos estão mudando.
de indivíduos e comunidades, habitação, trabalho, entre outros realidades), desafios fundamentais E para melhor. Já há os que
assim como os meios para que Ora, a expansão econômica campos da vida humana. Iluminá-las à gestão pública, a necessidade pressentem no Programa a
esses estabeleçam objetivos, elejam e da mídia propiciada pelas para o cultivo dessa “razão sensível”, premente da construção de possibilidade da produção de
mas produz outras marginalidades política econômica, o mesmo valores, definam prioridades, indústrias culturais não beneficia capaz de dar materialidade ao novos marcos regulatórios, enfim, alternativas, metodologias,
imensuráveis, afastando do ainda não ocorreu no âmbito de controlando, enfim, os recursos equitativamente a todos os países imaterial, de fomentar a alteridade, uma aposta inadiável na nossa conexões e práticas inovadoras
homem sua capacidade de uma política cultural. No campo disponíveis para alcançar seus nem regiões. A América Latina, por de valorizar a memória, enfim, de criatividade. entre Sociedade e Estado no Brasil.
imaginar, criar, conhecer, partilhar, científico, o fenômeno também objetivos, a partir de suas crenças e exemplo, não consegue se converter perceber que o desenvolvimento, a Por isso, saudemos o ‘Cultura
experimentar, inovar e pertencer. se repete, constatando-se pouca valores (Leitão, 2009, 45). numa economia mundial de escala, partir e através da cultura, trabalha Viver magicamente o cotidiano Viva’. E lutemos todos pela sua
Enfim, a ‘democracia cultural’, produção acadêmica no setor, com capacidade exportadora. O com variáveis que jamais poderão ou viver o cotidiano magicamente continuidade.
e sua função estratégica para a assim como lacunas de natureza A partir do Governo Lula, o Brasil resultado é que a assimetria da ser medidas quantitativamente. É o significaria considerar que Arte e
cidadania, o trabalho e a qualidade teórico-metodológica nas pesquisas retoma o desafio da construção globalização das indústrias culturais, preço do que não tem preço, como Vida se equivalem. A profusão das REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
de vida, ainda constitui menos produzidas, que, por sua vez, de um Plano Nacional de Cultura, além de gerar desigualdades nos disse um dia Jean Duvignaud, expressões artísticas e culturais
um Estado responsável do que contribuíram para a escassa não mais a partir do argumento da econômicas, dá, também, lugar a acerca dos bens simbólicos. brasileiras propõe uma orientação CHAUÍ, Marilena. Cultura e
uma retórica vazia, bastando para produção de dados necessários à unidade nacional ou da segurança, desequilíbrios históricos no acesso fundamental voltada para o ‘viver Democracia. Coleção Cultura é o
isto se constatar o desprestígio e consolidação do setor. No campo mas por compreender o papel á comunicação, à informação e Ao refletirmos sobre o ‘Programa com o outro’, para o ‘sentir com o quê? Salvador, Governo da Bahia,
invisibilidade do campo cultural, artístico, a compreensão acerca estratégico da diversidade cultural no ao entretenimento. Ao mesmo Cultura Viva’, poderemos outro’, enfim, para o exercício da Prefeitura de Salvador, 2007.
marcado ora por frágil presença dos significados das políticas cenário nacional e internacional. Por tempo, a hegemonia das indústrias percebê-lo enquanto metáfora da alteridade. Afinal, na ritualização do
institucional, ora por pequenos públicas para a cultura também isso, apóia a Declaração Universal da culturais proprietárias de redes de alteridade brasileira. O Programa, cotidiano dos ‘Pontos de Cultura’ LEITÃO, Cláudia Sousa. Cultura e
orçamentos. é incipiente, em função, de um Unesco de 2001 sobre a Diversidade telecomunicações, editoras ou dos especialmente a partir dos ‘Pontos espalhados pelo país, resgata-se Municipalização. Coleção Cultura é
lado, das carências de formação Cultural, prestigiando o diálogo canais de televisão, em geral, não de Cultura’, vem contribuindo para finalmente os sentidos primordiais o quê? Salvador, Governo da Bahia,
No campo da política, a atenção do campo cultural, e, de outro, da intercultural entre as comunidades possuem nenhum compromisso com decifrar as estruturas simbólicas que das palavras “estética” (a esthaisis Prefeitura de Salvador, 2009.
dada às políticas públicas federais, inexistência de um sistema nacional e povos, oferecendo substrato à processos educacionais, produzindo, constituem a maneira própria com grega, isto é, o que compartilho
estaduais e municipais, na área de informações culturais, capaz de criação de políticas afirmativas de um lado, indivíduos alienados e, a qual os brasileiros se relacionam com o outro a partir dos sentidos) e MENDES, Cândido
cultural, também foi historicamente subsidiar a formulação das próprias para as diversas regiões brasileiras, de outro, consumidores de produtos ética e esteticamente com o mundo. “ética” ( criadora de socialidades e (org) Representação e
insignificante. Embora presentes políticas. permitindo, enfim, minorar as velhas culturais de má qualidade. No Brasil, a resistência cotidiana à solidariedades). Complexidade. Rio de Janeiro,
nos palanques dos candidatos ao distinções hierárquicas entre culturas morte está presente no cotidiano, Garamond, 2003.
legislativo ou ao executivo em A partir de 2003, o Estado brasileiro eruditas e populares, brancas e Penso que nós, latino-americanos, seja pela teatralidade dos ritos e O Brasil do “Cultura Viva” é,
nosso país, os discursos sobre vem, no entanto, resgatando o seu negras, rurais e urbanas. As políticas brasileiros, somos dotados de dos mitos, seja pela força de suas ainda, percepção mais do que ROCHA PITTA, Danielle Perin (Org).
cultura não se reverteram, ao papel de formulador de políticas de fomento ao patrimônio imaterial, especial talento para sermos bem expressões artísticas e culturais. Os idéia, experimentação mais Ritmos do Imaginário. Recife, Editora
longo do tempo, em projetos de públicas na área da cultura, desta presentes nas culturas tradicionais sucedidos na tarefa de construção ‘Pontos’ simbolizam essa ritualização do que produto, caos mais do da UFPE, 2005.
lei capazes de garantir políticas feita, voltadas às demandas culturais populares, vêm exemplificar um de um novo desenvolvimento (através dos seus fazeres artísticos que ordem, sonho mais do que
culturais voltadas à descentralização, da população brasileira. Ao ampliar olhar mais estratégico do Estado com envolvimento, a partir da e culturais) do renascimento, da gestão de recursos, fonte de
inclusão e democratização dos bens os significados da cultura para as sobre a cultura, permitindo um compreensão do papel estratégico regeneração, do domínio sobre o solidariedades mais do que garantia
e serviços culturais. Se no Brasil suas dimensões antropológica, novo posicionamento das culturas da cultura. Possuímos uma “razão tempo, enfim, do reencantamento da execução de metas definidas
já se reconhece a estabilidade de social e econômica, o governo populares diante da indústria cultural. sensível” que norteia nosso espírito do mundo. por planejamentos. Contudo, entre
princípios e diretrizes para uma federal compreende a importância ameríndio e mediterrâneo. Em uma a desordem e a ordem, o que vejo

36 37
8. OS
PONTOS DE CULTURA:
UM NOVO LÉXICO PARA UMA POLÍTICA
DOS POBRES E DO AMOR!
GIUSEPPE COCCO1 cultura elitista, bem como sua respeito à luta pelo reconhecimento
variável especular e espetacular da e a proteção dos trabalhadores
As ações dos Pontos de Cultura cultura de massa. Contudo, ele evita informais das grandes metrópoles
desenvolvida no âmbito do também as armadilhas ideológicas brasileiras.
Programa Cultura Viva na gestão do “popular”. Reconhecendo a
do Secretário Célio Turino (no MinC produção cultural que já existe na Diante da riqueza da experiência
dos ministros de Gilberto Gil e sociedade, o MinC operou uma e do enorme potencial que ela
Juca Ferreira) constitui uma das inflexão política de grande porte: contém, precisamos apontar para os
políticas públicas mais interessantes a democratização não apenas desafios de sua consolidação e seu
e potentes dos governos Lula acontece pela definição de um desenvolvimento. Podemos resumir
(2003-2010) e, por definição, marco público e transparente de estes desafios em duas grandes
uma referência obrigatória para política cultural (o que já seria linhas: a consolidação da ação e,
as políticas de radicalização um grande avanço), mas também pois, sua permanência na forma de
democrática na América do Sul pela abertura às dinâmicas de Lei (de Estado); o desdobramento
e, mais em geral, no âmbito dos criação que são também o fato político e conceitual da ação dos
movimentos de democratização da dos movimentos de resistência: é pontos de cultura para que ela vire
globalização. nesse sentido que o programa no uma referencia geral.
qual se inscreve a Ação dos Pontos
Vários são os elementos da política de Cultura não poderia ser mais No que diz respeito à consolidação,
dos Pontos de Cultura que indicam adequado: Cultura Viva versus a nos parece que a transformação da
suas dimensões inovadoras e hegemonia da cultura morta da ação em Lei e a “estadualização”
potentes. Os que nos parecem mais espetacularização erudita e versus dos editais constituem dois
expressivos são os seguintes: as identidades homogêneas de momentos adequados para fazer
Trata-se de uma política de um “popular”, supostamente com que os novos governos se
radicalização democrática, pensada contra-hegemônico. O programa sintam comprometido a lhe dar
e implementada para funcionar de funciona também como espaço uma continuidade adequada.
maneira radicalmente horizontal: de construção de redes dos Da mesma maneira, o fato que
de baixo para ... baixo (e não movimentos culturais e pontos de os Pontos de Cultura tenham se
para cima!). O “fundo público” cultura entre si. A rede virtual se tornado a base de uma medida
é mobilizado por meio de um atualiza nas atividades dos Pontões parecida voltada ao MERCOSUL e
mecanismo de editais (de concursos e, pelo menos uma vez por ano, se pense neles em outros países só
públicos) que não visa fomentar nos encontros da Teia e outros pode reforçar as perspectivas de
e/ou produzir “cultura” segundo seminários e encontros, o debate continuidade para além dos “ciclos
prioridades governamentais, mas político e teórico é completamente políticos”. Contudo, nos parece
reconhecer a produção cultural atravessado pela própria dinâmica que a formulação desse objetivo
que já existe. Por meio desse da produção cultural: os encontro (correto) de transformação dos
mecanismo, os recursos mobilizados são eventos, multiformances de Pontos em uma “política de Estado”
pelo MinC são postos à disposição resistência e criação. está repleta de ambigüidades e
dos movimentos culturais (que se Os Pontos de Cultura funcionam paradoxos: em primeiro lugar,
constituem como Pontos e como como referências para as políticas porque corre-se o risco de – visando
redes de Pontos – por meio dos de radicalização democrática em a continuidade – “corromper”
“Pontões”) para que eles possam dar geral: por isso eles viraram referência a própria dimensão política da
continuidade e estabilidade às suas no caso do Fórum de Mídia Livre proposta, ou seja, esvaziar e
próprias dinâmicas de criação. onde foi lançada a proposta dos reduzir uma das características
Pontos de Mídia Livre que, em fundamentais dessa ação: a de
Assim, a política dos Pontos de seguida, tornou-se uma ação do ser uma política de radicalização
Cultura apreende a produção próprio MinC. A política dos Pontos democrática (horizontal) e não uma
cultural a partir da dinâmica dos de Cultura pode tornar-se uma política de Estado (necessariamente
movimentos culturais. A política referência geral para as políticas vertical).
dos “Pontos de Cultura” evita ao de mobilização produtivas dos
mesmo tempo a reprodução da territórios, inclusive no que diz Em segundo lugar – e de maneira

38 39
1
Giuseppe Cocco é professor titular da 1
Lia Calabre é pesquisadora e chefe do
UFRJ e pesquisador do CNPq. Formado setor de estudos de Política Cultural da
em ciências políticas, possui doutorado Fundação Casa de Rui Barbosa e profes-
em História Social pela Universidade de sora da UCAM e da FGV/RJ. Formada em
Paris 1. Publicou vários livros, o último história, com mestrado e doutorado em
deles é MundoBraz: o Devir-Brasil do história social pela Universidade Federal
mundo e o devir-mundo do Brasil (Re- Fluminense. Organizou vários livros, o úl-
cord 2009), com Antonio Negri publicou timo deles é Políticas Culturais: reflexões e
GlobAL: biopoder e luta em um América ações (Observatório Itaú Cultural e Funda-
Latina globalizada (Record 2005), com ção Casa de Rui Barbosa, 2009). Tem
Tarso Genro publicou Mundo Real vários livros publicados, sendo o último
(LP&M 2008). deles Políticas culturais no Brasil: dos anos
1930 ao século XXI. (Ed. FGV, 2009)

9. O
PROGRAMA CULTURA VIVA:
RIQUEZA E DESAFIOS NA
GESTÃO DAS ATIVIDADES CULTURAIS
complementar – acaba se A política dos Pontos indica que não deixarão de constituir as LIA CALABRE1 gravuras com os filmes feitos no Programa, os de fontes diversas, financeiros estabelecida pelo
atribuindo ao Estado (e, o que é a questão da cultura não se peças de um mosaico (aquele do celular; as aldeias com os centros como prêmios, parcerias, convênios Programa às formas tradicionais de
pior, legitimando) uma dimensão limita a uma especifica cadeia multiculturalismo e de seu governo Os olhares e as abordagens urbanos; todos – ainda que com com outros órgãos públicos. O investimento público, convênios e
transcendente da qual derivaria de valor (aquela da indústria ou .. da diversidade) de comunidades sobre o Programa Cultura Viva maior ou menor intensidade – processo de repasse de recursos repasses. Quanto maior o percentual
a continuidade de uma política economia da cultura) que seria fechadas. Nada a ver com a e os pontos de cultura podem participando de redes virtuais e públicos de maneira contínua e de recursos públicos utilizados
cuja dimensão inovadora está cada vez mais importante, mas realidade múltipla de movimentos ser tão diversos quanto são as encontros presenciais, nas mais ininterrupta para instituições da nas atividades, mais restrições nas
– ao contrário - em reduzir essa investe no conjunto das atividades culturais que funcionam por ações desenvolvidas através das diversas regiões do país. sociedade civil, não costuma ser bem formas de utilização enfrentarão as
dimensão soberana (separada) econômicas, exatamente na sampleamento e mixagem instituições conveniadas. A idéia sucedido no país, mesmo na área da instituições e grupos conveniados.
da política. Nesse segundo caso, medida em que essas se tornam antropofágicos, bem como na desse pequeno artigo é a de traçar O Programa surge como uma assistência social (de atendimento Potencializar, valorizar, reconhecer
a invocação de uma “política cada vez mais cognitivas e que, experiência do tropicalismo, do uma análise panorâmica sobre as incrível oportunidade de ampliação a idosos, crianças e populações em publicamente a importância de
de Estado” é duplamente pois, seus processos de valoração funk carioca ou do tecnobrega potencialidades do Programa e do campo de ação de diversas situação de risco). uma determinada atividade ou
contraditória: por um lado, se tornam imediatamente culturais. paraense. Aquela dos Pontos dos problemas que se apresentam dessas atividades e de promoção Tais projetos estão sempre sujeitos ação são determinantes para a
afirma-se que o Estado tem um Isso implica, por um lado, que os é uma política do comum que ao Estado, como gestor de uma diálogos e trocas de experiências às alterações oriundas do processo efetivação do terceiro princípio
funcionamento mais público do recursos orçamentários destinados reconhece a multiplicidade dos nova política. em âmbito nacional e internacional. de descontinuidade política típico da que é o do empoderamento.
que os governos quando a própria aos Pontos – e mais em geral movimentos culturais: as múltiplas É um Programa de sucesso que troca de governos no país. Algumas Dentro de uma sociedade desigual,
experiência do governo Lula indica ao MinC – devem ser muito singularidades dos movimentos de O Programa é inovador no revelou uma série de brasis que não dicotomias se apresentam na busca capitalista, na qual, cada vez mais,
o contrário (vide a crise de final mais importantes e estruturais. resistência e criação passam, por foco da ação e na abrangência, nunca estiveram “nas telas da tv” da garantir autonomia para as nos tornamos cidadãos a partir da
de 2009, com as ameaças de Por outro lado, é preciso que meio e dentro da ação dos Pontos, tornando-se uma espécie de – ainda o principal lugar através iniciativas apoiadas, tais como: a de nossa capacidade de consumo,
demissões da cúpula militar para a política dos Pontos seja vista a cooperar entre si, numa esfera laboratório de novas experiências, do qual parte significativa do país se profissionalizar as atividades culturais como sugeriu Nestor Garcia Canclini,
impedir a publicação do Decreto como uma referência geral das política que não é nem aquela do potencializando práticas culturais conhece e se reconhece. tradicionais afastando-as dos ações que reconheçam o valor das
do Governo para a instituição de políticas de mobilização produtiva mercado (privado) nem aquela do locais, criando possibilidades O grande desafio que está colocado objetivos originários e a da opção por atividades culturais ditas periféricas
uma Comissão da Verdade) ou dos territórios, pensando a algo Estado (pública), mas aquela do de ampliação das atividades. é o de como trabalhar com essa atividades valorizadas pelo mercado. são fundamentais. Nós, brasileiros,
seja, o desafio continua sendo e como a um programa de Pontos comum: não por acaso, os Pontos A expressão ampliação, aqui força criativa, que foi, até então, Por outro lado também é perversa a estamos ainda muito marcados
será aquele da democratização do de Trabalho Metropolitanos. A são atravessados pelos temas da utilizada, diz respeito tanto mantida fora do campo das políticas situação de dependência infinita do por uma herança colonial, na qual,
Estado, em direção a formas de política dos Pontos deve articular- crítica da propriedade intelectual e à intensidade da realização públicas. Os princípios-base do repasse de recursos do Estado. o externo, o outro, é melhor do
governo cada vez mais horizontais se com as políticas de distribuição do copyright! das ações culturais, quanto Programa são a autonomia, o que o nosso. A relação de centro
e descentralizadas; por outro de renda: Bolsa Família e Pontos Reencontramos aqui a dimensão à participação do número de protagonismo e o empoderamento, O segundo princípio é o do / periferia se reproduz de micros
lado, nutre-se a ilusão de que de Cultura, esses dois horizontes paradigmática dos Pontos: trata- envolvidos pelas atividades, partiremos deles para colocar em protagonismo. O Programa foi e macroambientes ou regiões.
a transformação da ação dos devem convergir em novas se de uma política do comum chegando até à questão da cena algumas questões. elaborado de maneira a permitir o O processo de reconhecimento
Pontos em Lei proporcione (por políticas possíveis de radicalização voltada ao reconhecimento da circulação dos produtos. É livre gerenciamento das atividades. do valor de uma atividade pelo
si só) sua continuidade, quando democrática. potência produtiva constituída importante assinalar que produto A autonomia é a capacidade de O edital prevê alguns pré-requisitos, Ministério da Cultura, através de
na realidade essa dependerá das pela multidão dos pobres, uma significa o resultado de um governar-se pelos próprios meios, que ao serem cumpridos e ter um processo de conveniamento,
dinâmicas de movimento, ou seja Em termos de qualificação, a potência que tem como motor o trabalho ou atividade ao qual se direito de tomar decisões livremente. o projeto aprovado os gestores termina agregando um significativo
da capacidade dos movimentos política dos Pontos permite amor: ou seja a própria dinâmica pode, ou não, atribuir valor de Um projeto é tanto mais autônomo tem liberdade de utilização dos valor as atividades. A partir de agora
culturais de ampliar suas dinâmicas e demanda uma renovação da produção cultural como mercado, monetário. quanto menor for a sua dependência recursos. A forma da utilização mais do que fornecer chancelas de
constituintes, fazendo-se governo! conceitual adequada. Muitas produção de sentido e alegria. Na de recursos financeiros de terceiros, dos recursos estará vinculada a valor e reconhecimento o desafio
vezes, as categorias e as noções política do comum, a multidão Dentro do conjunto dos Pontos quanto ele puder gerar seus próprios proposta de atividades apresentada é o de contribuir para o processo
No que diz respeito ao mobilizadas no âmbito do dos pobres afirma sua potência de Cultura hoje conveniados, recursos. Esse é um dos primeiros no projeto, o acompanhamento de auto-reconhecimento e auto-
desdobramento político e próprio MinC dão conta apenas e o devir-Brasil do mundo nos podem ser encontradas ações problemas a serem enfrentados da utilização dos recursos é feito valorização.
conceitual, é claro que estamos parcialmente do nível de inovação permite de pensar um devir- que envolvem as mais diversas coletivamente pelos gestores do de maneira pontual. Os maiores
falando do horizonte do qual político-teórica que ela expressa e pobre do mundo, ou seja uma linguagens artísticas – música, Programa (no nível do governo e no problemas surgem no final do O Programa abriu trilhas para
depende também a possibilidade representa. Por exemplo, a ênfase produção de riqueza cujo sentido é teatro, artes plásticas, dança – e dos próprios Pontos de Cultura). O convênio. Este procedimento tem um novo caminho no campo da
de consolidação da política dos na diversidade cultural constitui imanente às formas de cooperação os mais diferentes saberes e campo da produção cultural engloba seu lado positivo e o negativo, na elaboração das políticas públicas
Pontos. Podemos resumir os um avanço importante com e conhecimento (amor) entre as fazeres, trabalhados a partir de tanto atividades financeiramente medida em que a autonomia das de cultura. Agora é necessário
desdobramentos possíveis em relação aos referenciais tradicionais singularidades que se mantêm tais. visões e lógicas operativas que vão rentáveis, como outras não decisões é um elemento importante, pavimentá-las, construir pontes e
dois grandes eixos: o papel e a de uma cultura nacional e desde as formas mais seculares comercializáveis. Alguns Pontos de mas, efetivamente limitado, pelas acertar os desvios, para que estas
inserção da “cultura” no conjunto homogênea, mas o pluralismo às mais contemporâneas. O Cultura vêm desenvolvendo produtos regras legalmente estabelecidas se tornem uma verdadeira estrada
das atividades de governo; a da “diversidade” não deixa de Maracatu e o coco convivem com e tecnologias que contribuem na de utilização de recursos públicos. cultural Brasil à dentro.
qualificação política e social da se manter numa perspectiva de o hip hop e street dance; a banda manutenção financeira da instituição. A principal conseqüência é uma
política dos Pontos. identidades excludentes. Por de pífanos com a discotecagem; Outros vêm conseguindo somar de inadequação da proposta
diversas que elas sejam, as culturas a xilogravura com o e-text; as aos recursos disponibilizados pelo de gerenciamento de recursos

40 41
Não. Simplesmente tínhamos que são formas de representação de voz e voto, a liberdade é inteligente palavras que foram usadas ficaram
CO-LABORAR junto com outros uma realidade recortada. Quando e criativa, a liberdade é a alegria de pequenas, ou foram recriadas pelos
acadêmicos, gestores e atores dos estes sistemas de representação viver. Surgiram alguns problemas próprios usuários mostrando mais
Pontos de Cultura. são convertidos em instrumentos para serem resolvidos. Foram uma vez que a palavra nos cria e nos
de ideologias de elites, são sistemas apontados caminhos, a crítica foi recria. Criar um léxico ou vocabulário
Quando desembarcamos em Brasília, deformantes e alienantes (do ponto livre e construtiva, real e concreta, específico para uma nova práxis
a caminho de Pirenópolis, tínhamos de vista marxista). todos sentimos que estávamos cultural, para uma nova forma de ver
um sentimento semelhante àquele avançando numa direção comum e relações sociais emergidas no âmbito
que temos quando a gente desce Sentados ouvindo atentamente as coletiva. Foi esse o espírito dos três da cultura.
do avião num país do qual não palavras dos responsáveis, várias dias, a construção de algo comum
conhecemos nada, do qual não vezes os olhos ficaram marejados, para dividir com outros comuns, Pediram-nos uma ou duas folhas,
temos idéia de como nos devemos toda nossa vida lutamos para que onde o importante não era o poder vamos então a encerrar por aqui,
comportar. Nossa ingenuidade estas idéias finalmente encontrassem senão o dês-poder de uns em mas teríamos muito, mas muito
foi total. Parecíamos camponeses um lugar definido no mundo benefício de todos. mais a dizer. Para finalizar deixamos
entrando no Museu de Pérgamo em concreto daqueles que constróem E difícil, muito difícil, deixar de como depoimento que foi um
Berlin. o mundo, aqueles que são donos estar entusiasmados, tentar ver dos Seminários mais ricos e mais
só de sua própria vida, aqueles que neutra e friamente algo que toca dinâmicos do qual que participamos.
Todos os anos vamos ao Brasil dando a vida tem tão pouco direito o mais humano de nós que é o
por 4 ou 5 meses, conhecemos a a vivê-la. sentimento de pertencer, de que A proposta metodológica foi
realidade brasileira de perto, porém nossa diversidade é para nos juntar impecável, mas o que mais aplaudo,
nunca tínhamos participado de uma A Abertura terminou numa ciranda e não para nos separar, que todos respeito e me congratulo é com
proposta semelhante. Proposta onde onde uma jovem, que depois fui são aceitos porque todos são o Programa Cultura Viva como
não haveria protagonismo individual, conhecer e que é maravilhosa, necessários. Onde a curiosidade pelo um todo, não conheço projeto
não haveria autoria singular, encabeçou um “trenzinho” que foi outro era a consigna, onde não se semelhante em todo o mundo,
seriamos sujeitos em frente a uma se fechando em um caracol. O mais perceberam rusgas de poder ou de porque ele tem três qualidades que
discussão sobre um projeto empírico emocionante é que ela carregava hierarquização. As habilidades e geralmente nunca vêm juntas:
produzindo conjuntamente. o seu filho e, no final, ficou o bebê possibilidades eram múltiplas como
como centro de toda essa multitude múltiplos os caminhos a serem 1. Proposta Política Estatal ou Publica
Esperamos ansiosamente a Abertura, de pessoas que trabalham na seguidos. O Seminário procurava não clara e consistente
para ver como seria a Abertura cultura, pela cultura e com a cultura. era a homogeneidade e sim a des-
de um Seminário tão diferente no Nunca o conceito de “multitude” de problematização da diversidade. A 2. Real colaboração entre
Brasil, na Alemanha já tínhamos Spinoza foi tão vivo, tão real e tão extinção da serialidade homogênea Comunidade e Ministério da Cultura
na Universidade experimentado poético. matadora de culturas. De todos
este tipo de Seminário onde não os problemas apresentados para 3. Respeito profundo à diversidade
existe hierarquias entre estudantes, A metodologia do Seminário tinha procurar soluções e perspectivas, cultural, religiosa, étnica e social.
doutorandos, professores e doutores. previsto convidar 60 acadêmicos, o problema que sentimos que Em fim, esperamos que este projeto
Mas era algo fechado, com pouca 60 gestores e 60 representantes dos podíamos colaborar foi o de que tenha a continuidade porque o Brasil
participação, só sobre um tema. Pontos de Cultura. forma criar um novo dicionário para merece!
os Pontos de Cultura, porque as
A Abertura foi realmente um No dia seguinte começaram os
abrir portas para um modelo de debates. Pessoalmente eu, Maria
comunicação sem ruídos nem Benites, escolhi o tema Arte e
liberdade, de criatividade, de algo cultura construída historicamente interferências. Falou o Célio Turino Cultura, a maioria eram gestores e
que dificilmente conseguiremos e com o apoio do Estado, este com aquela singeleza dos iluminados representantes de Pontos de Cultura.
descrever. Na Europa temos não como um “doador” mas (não é rasgação de seda, é verdade!), Não dá para descrever tudo o que
inúmeras atividades culturais, como colaborador, permite uma falou Silvio Da-Rin, citando foi visto e vivido, nossa idéia era que
museus, concertos, bibliotecas, re-evolução, que se solidifica, se veladamente o mais importante talvez os tantos anos de Universidade
livrarias, etc., então não nos difunde e se aprofunda nas suas artigo de Walter Benjamin, e onde pudessem servir para dar algum
surpreende a chamada cultura propostas. Cada Ponto tem a sua este artigo é concretizado nos enriquecimento aos debates, mas

SEMINÁRIO
universal, o que nos deixou “sem própria gênese e sua própria Pontos de Culturas da Cultura Digital, saímos absolutamente humildes e
fôlego nem alento” foi a maravilha evolução. O Programa Cultura Viva, a verdadeira inclusão digital, aquela enriquecidos pela práxis admirável
10. do descobrimento de uma outra colabora em dar subsídios tanto que vai permitir desmitificar a mídia, dos representantes dos Pontos de
cultura que não tínhamos noção que materiais quanto tecnológicos, a industria do entretenimento, Cultura e pela clareza dos gestores

INTERNACIONAL existia no Brasil. Durante a semana


da Teia, submergimos em um céu de
liberdade, banhados e abençoados
tanto teóricos como de gestão. E os
Pontos explodem em uma sinfonia
de linguagens e propostas que
que vai democratizar o direito a
representação.
do Minc.

No segundo dia tínhamos que nos

CULTURA VIVA por centenas de novas formas


de representação de um povo tão
diverso como o povo brasileiro. Foi
dificilmente as palavras poderão
descrever.
Palavra interessante esta de
REPRESENTAÇÃO: Ato ou efeito de
representar. / Exposição, exibição. /
programar para apresentar a os
outros nosso debate, os problemas
levantados e possíveis perspectivas.
uma experiência inenarrável. Não Assim, quando chegou o convite, Idéia que concebemos do mundo ou Foi uma apresentação interdisciplinar
MARIA BENITES1 E O convite do Secretario Célio Turino queremos citar nenhuma atividade rapidamente aceitamos, não havia de uma coisa. / Ato de representar, de artes, não entrou a palavra, só
BERND FLICHTNER2 é sempre irrecusável, desde a em especial, seria injusto, porque o que pensar oi questionar, foi uma de desempenhar papéis em teatro: numa poesia e no texto de uma
Teia de 2007 acompanhamos seu tudo, absolutamente tudo o que alegria, um prazer enorme ver que representação de uma comédia, de canção, para mim, acostumada a
Solicitaram-nos um depoimento trabalho com interesse, curiosidade, vimos no deixou com a sensação de fomos chamados para participar um drama. / Reprodução por meio palestras, work-shop, seminários
pessoal, assim tentaremos entusiasmo e, porque não, que tínhamos que rever conceitos de um evento em que “queríamos” da escultura, da pintura, da gravura: com professor na frente foi uma 1
Lia Calabre é pesquisadora e chefe do
transcrever a experiência (desde a admiração com o que nos parece que mais pareciam pré-conceitos ou ser participes, observadores, representação de uma batalha. / experiência maravilhosa. Trabalhei setor de estudos de Política Cultural da
pré-juizos. colaboradores. Reclamação ou protesto a uma muitos anos com Artes Visuais Fundação Casa de Rui Barbosa e profes-
perspectiva de Walter Benjamin) ser um projeto de real, concreta sora da UCAM e da FGV/RJ. Formada em
que foi a de participar do Seminário e verdadeira redemocratização da autoridade. / Importância de um como curadora e crítica. Poder
história, com mestrado e doutorado em
Internacional Cultura Viva em cultura. Esta redemocratização é real Os Pontos de Cultura são em si e E ai começaram as surpresas. cargo, de uma posição pública etc. experimentar as linguagens da Arte história social pela Universidade Federal
Pirenópolis. Esclareço que o nós e verdadeira porque é de baixo para de per se “re-evolucionários” eles Perguntamos: Qual ia a ser nossa por meio do teatro, da música, do Fluminense. Organizou vários livros, o úl-
é porque Bernd Fichtner e eu cima. partem de uma real apropriação da participação? Deveríamos preparar Também poderia ser apresentar ritmo foi algo, repito, maravilhoso e timo deles é Políticas Culturais: reflexões e
cultura (com o significado do termo palestra? Seriamos debatedores? novamente, ser apresentado por inesquecível. ações (Observatório Itaú Cultural e Funda-
compartilhamos essa experiência e ção Casa de Rui Barbosa, 2009). Tem
ambos assinamos esse texto. A experiência da Teia, em 2007, foi apropriação da perspectiva de A. Teríamos que fazer alguma outro, mas não é reapresentação, No terceiro dia seriam as
vários livros publicados, sendo o último
um shock, um verdadeiro shock de Leontivev*) que naturalmente existe observação ou avaliação? é representação a palavra que apresentações, aí aprendi muito mais deles Políticas culturais no Brasil: dos anos
no povo, nas suas comunidades. Esta interessa. O cinema e a fotografia ainda, constatei que a liberdade tem 1930 ao século XXI. (Ed. FGV, 2009)

42 43
1
Paolo Buccieri é antropólogo, presidente
da Associazione ZOE Onlus.

Tradução: Mônica Trigo.

ritmados pelo tambor abraçado Ministério da Cultura presentes no passou, dominado pela multidão uma cultura sincrética na velha EU POSSO DIZER COM
por uma religiosa participante do Seminário. Todos juntos envolvidos de pensamentos que me afloram, Europa. E penso nos contínuos CERTEZA!
grupo, têm inicio os movimentos na performance, igualmente que estimulam mais as emoções levantes de imigrantes norte
rituais que a Mãe de Santo participando da dança e dos que as reflexões. Um sentimento africanos - das ex-colônias Resta, no entanto, o sentimento
apresenta aos membros do círculo. debates que se alternam. É uma de raiva e frustração começa francesas - na periferia de Paris, de frustração e raiva que surge
Eu não tenho idéia de qual seja festa, a festa como elemento a tomar lugar dentro de mim. que não conseguem finalizar a partir da comparação das
o tema tratado pelo grupo mas de celebração de um sucesso Aquela sensação de deslocamento, o processo de “integração” duas realidades, Brasil e Europa.
percebo a dinâmica subjetiva da apoderado e dividido por todos os a mesma que senti alguns dias tão desejado pela política Qual o limite e quais vínculos
reunião: nenhuma abordagem membros do grupo, a festa como antes ao caminhar pelas ruas de governamental. têm impedido a Europa de
formal, nenhuma divisão entre a linguagem compartilhada entre Brasília, onde a paisagem urbana realizar esta tarefa no sentido do
mesa e a platéia - a inexistência do índios, representantes do poder tão diferente de meu sentido de Já a integração, coloca-se como reconhecimento da diversidade?
padrão interlocutor e espectador público, intelectuais, quilombolas. cidade me provocou estranhas um conceito decrépito e obsoleto Qual o impedimento conceitual
- mas ao contrário, ao invés Vivo dias de convivência, todos os sensações. Experimento o que expressa claramente a e mental que impossibilita de
de desempenhar um papel de participantes estão hospedados no conceito freudiano de unheimlich abordagem autoritária e estreita aproveitar o imenso potencial que
liderança há um compartilhamento mesmo local: o que gera durante (“desconhecido, não familiar”) em relação ao diferente: “você só reside na valorização das culturas,
total. Todos são interlocutores, as horas de lazer e nas ocasiões em Brasília e no Seminário - mais pode entrar e viver no meu País dos povos, das línguas, das

11. O FUTURO JÁ É AQUI!


estão no mesmo plano. E ainda de “convívio” - no sentido latino do que em qualquer outro lugar se abandonar seus traços culturais religiões e de todas as expressões
mais. Utilizam dinâmicas de grupo de “banquete de sabedoria” remoto no mundo por onde eu e ser como Eu, como Nós. Caso que possam surgir com isso?
que vem de outras culturas, – uma rica experiência de já tenha estado, fosse numa contrário, volte para sua casa!”
reconhecendo a importância do abastecimento de conhecimento aldeia indígena na Birmânia ou na Arrisco algumas respostas, mas sei
ritual afro-brasileiro como elo sobre o “Programa Cultura Viva” metrópole caótica do Cairo. Como conciliar tudo isso com a que são fáceis e superficiais e que
AOLO BUCCIERI1 natural: parece que a história não reunidas em dois espaços: Círculo propício a um resultado concreto. e, as possibilidades semeadas no perspectiva que se apresenta a o problema deve ser muito mais
passou por ali. E acima de tudo, há de Convergência e Grupos Continuo a minha jornada desenvolvimento do seu processo. É inevitável fazer comparações mim, depois de ter observado complexo. Mas lembro-me o título
É novembro de 2009 e eu me a falta de um centro – como em Aglutinadores”. Não entendo bem em novas salas onde são Das mais remotas periferias com o que acontece na Itália e as dinâmicas políticas e sócio- de um livro que li na época de
encontro passeando por Brasília, algumas outras cidades do Brasil - e estou intrigado. realizadas reuniões com outros do território brasileiro brotam na Europa em geral, nos últimos culturais em desenvolvimento no universidade. Um livro escrito por
uma cidade em desacordo com o elemento crucial para o conceito grupos. Alternam os temas, os como flores “Pontos de Cultura”, tempos. Um lugar que sua Cultura Brasil? Permaneço na expectativa um antropólogo americano, James
conceito europeu – italiano - de de cidade em toda a Europa. Depois de me registrar, começo argumentos, mas a forma não que digitalmente interligados, única, onde a diversidade étnica das respostas pós-sono. Vou Clifford, pertencente à corrente
cidade. Encontro uma metrópole a vagar entre as salas onde se muda. Os participantes são oferecem um conteúdo de alta e cultural é ignorada, rejeitada dormir e amanhã tentarei alcançar pós-modernista da antropologia
com a dimensão de uma capital Sou convidado, como observador encontram os vários “Grupos informais das vestimentas aos qualidade social, cultural e de e relegada para as margens da mais lucidez para refletir e discernir que, há muito, debateu a questão
européia com mais de dois milhões internacional do Seminário Aglutinadores” - são grupos de diálogos. Todas as experiências valorização do imenso patrimônio ilegalidade, naquela Europa que melhor as emoções da análise que continua a perturbar a
de habitantes, construída em Internacional do Programa Cultura 20-30 pessoas subdivididos por e projetos expostos ilustram étnico do Brasil. Um Brasil “de ainda é muitas vezes vista como o crítica da questão. consciência européia (e norte-
apenas 41 meses - entre 1956 Viva, no município de Pirenópolis, temas como Arte e Transformação, um panorama cultural amplo e baixo para cima”, como sugere berço da cultura, da civilização, do americana): aquela da defesa e da
e 1960. Poucos anos, a partir no período de 18 a 20 de Cultura Digital, Cultura e Juventude diversificado, mostrando a imensa o subtítulo do livro de Célio conhecimento e da prosperidade. Talvez a minha curiosidade conservação dos valores culturais.
de um território semidesértico, novembro. É uma pequena cidade e muitos outros mais. Tais grupos dimensão do Brasil, não tanto do Turino (Secretário de Cidadania antropológica me leve a enfatizar
surgiu uma estrutura eficiente, colonial, distante à uma hora de são compostos por representantes ponto de vista geográfico, mas Cultural do Ministério da Cultura) Minha mente è forçada a se este processo de emancipação “Os Frutos Puros Enlouquecem”
com um tecido urbano futurista Brasília. O objetivo do Seminário de iniciativas culturais promovidas especialmente, como uma coleção apresentado durante o seminário. lembrar: a recente Lei que proíbe cultural? Mas como antropólogo, é o título da edição italiana do
que perturba as coordenadas é estimular a reflexão crítica sobre em todo o território brasileiro, multicolorida e brilhante de a construção das minaretes fico alegre em face das respostas livro (The Predicament of Culture:
perceptivas de um viajante as diretrizes conceituais traçadas que se encontram dialogando, vidas, diferentes modos de existir Chego à noite em meu quarto muçulmanas na Áustria; o que o Brasil está me oferecendo Twentieth-Century Ethnography,
Europeu. pelo Programa “Cultura Viva” do trocando experiências sobre que produzem idéias culturais do Hotel e mergulho na emoção incêndio dos acampamentos sobre estes aspectos. Um País Literature, and Art. Harvard
Ministério da Cultura do Brasil. as ações realizadas, sobre seus articuladas e imaginativas. de ler um livro no qual o autor ciganos na periferia de Nápoles; que tem feito da promoção da University Press, 1988), título
Andar por Brasília é um pouco trabalhos e discutindo suas - um dos principais promotores a perseguição e expulsão de diversidade (étnica, cultural, tirado dos primeiros versos de um
como estar em um livro de Isaac Chego a Pirenópolis no dia 19, iniciativas comuns. Estou no dia seguinte e participo do sistema de “Pontos de 1.200 trabalhadores africanos social e religiosa) o seu objetivo poema de William Carlos Williams.
Asimov, ou melhor, de Philip K. onde espero encontrar mais um Eu não tenho tempo para do Círculo de Convergência - lugar Cultura”- ilustra o processo de empregados nas explorações mais nobre, onde finalmente está Os frutos puros são frutos das
Dick: diferentes níveis de estradas dos muitos maçantes seminários descobrir em que sala entrei, de discussão e do confronto de emancipação sócio-cultural que agrícolas em Rosarno, no sul da acontecendo um verdadeiro e real pequenas pátrias fechadas e
e rampas, edifícios com formas internacionais nos moldes qual tema é tratado, mas propostas - mais uma vez fico resgata um Brasil “silenciado, que Itália; as políticas cada vez mais processo de democratização social das comunidades que negam o
excentricamente modernas que já participei - tradicional sou imediatamente tragado, impressionado com a dinâmica era convidado antes apenas para restritivas da Comunidade Européia e cultural “para que o povo fale, confronto com o “Outro” e com
e cativantes, avenidas com e estruturado de acordo com incorporado e convidado a juntar- que ocorre. Um grande ritual assistir ao País inventado pelas causando centenas de mortes de cante, grite, desenhe seus sonhos o diferente. Este confronto é uma
várias faixas que ao anoitecer o formato clássico: uma mesa me ao grupo, que, reunido num coletivo, conduzido por Mães elites brancas do sul”. emigrantes a cada ano nos mares e suas vontades” (Célio Turino). fonte de ansiedade e há dúvidas
permanecem quase desertas. de discussão e uma platéia de círculo ao centro da sala, inicia de Santo de várias regiões, do Mediterrâneo. Recordo-me da Que melhor realização de um sobre quais medidas adotar a fim
A cidade fascina por sua abstração participantes. Mas a surpresa é um ritual de aproximação e de abre e fecha o debate de onde A noite é profunda, leio mais da política obsessiva de alguns países sonho para um antropólogo? Que de preservar as tradições de seu
do tempo e assusta pela extensão grande. O formato do Seminário agradecimento guiado por uma participam mais de cem pessoas, metade do livro: também por europeus, incluindo a Itália, para melhor aplicação de seus estudos próprio lugar.
e pelo excesso de espaços presume, como está escrito em sacerdotisa do Candomblé. entre representantes indígenas, curiosidade em entender com mais salvaguardar a identidade cultural e de sua teoria?
superdimensionados. Há alguma sua proposta “uma contraposição quilombolas, acadêmicos, detalhes esta verdadeira revolução e religiosa (cristã) para evitar a Os frutos puros enlouquecem, e de
coisa de artificial no ar, algo não de linguagens e estéticas Embalados pela cadencia do canto, pesquisadores e Secretários do cultural em andamento. O sono possibilidade do surgimento de O FUTURO JÁ É AQUI. AGORA fato são loucos.

44 45
1
Paul Heritage é diretor artístico do
People’s Palace Projects, Professor
catedrático na Universidade de
Londres e Fellow da Royal Society of
Arts. Em 2004 foi feito Cavaleiro da
Ordem do Rio Branco pelo governo
brasileiro no reconhecimento dos
seus serviços para as relações Anglo-
Brasileiras culturais. Para mais informações
consulte www.peoplespalace.org.uk
2
“É... esse desejo de ver e ser visto que
um novo modo de ser brasileiro terá raiz”,
Turino em Viva Cultura: 2006, p. 17

12. SALVE!
SALVE!
BRASIL, UM SONHO INTENSO
PAUL HERITAGE1 Viva tem revelado o potencial dos que ele faz. recuperar o poder para trazer suas
artistas para desempenhar um papel O Cultura Viva não tenta próprias transformações.
Se, como Joaquim Osório Duque central no bem-estar social e no implementar ou programar ou
Estrada escreveu no hino nacional, o desenvolvimento dos indivíduos e produzir. Em vez disso, responde Meu primeiro encontro com as
Brasil é um sonho de tal intensidade, das comunidades. às energias culturais que são tão energias culturais que mais tarde
então é na cultura brasileira que vitais nas maneiras pelas quais me levariam para o Programa
este sonho se manifesta. Nenhum Nem todo o trabalho apoiado as comunidades e os indivíduos Cultura Viva veio em junho de 1991
sonho é mais potente e sedutor pelo programa está diretamente se definem e defendem. Isto é quando eu cruzei pela primeira vez
do que a idéia de liberar o poder orientado para a resolução dos contrário à dinâmica familiar de através da porta para o complexo
dos artistas para além do mundo problemas sociais, mas nas aldeias programas governamentais que penitenciário de Carandiru, em São
fictício e imaginativo, onde a arte é da Amazônia ou nas comunidades trabalham de cima para baixo, onde Paulo. Durante a minha visita, fui
geralmente contida. A fé que temos marginais das cidades brasileiras, as agências estatais determinam convidado para o Pavilhão 9 para
de que a arte pode curar, educar, as iniciativas de artes são cada vez prioridades culturais relacionadas julgar um concurso de samba. A
mediar e intervir nas complexidades mais vistas pelos organismos da com modelos pré-estabelecidos incongruência bizarra da minha
da vida contemporânea é familiar sociedade civil, oferecendo soluções criados em resposta às realidades presença e meu papel naquela
para muitas sociedades, mas talvez viáveis para situações onde o Estado do passado. Apesar da falta de tarde se empalideceu antes mesmo
em nenhum lugar esteja esse tem falhado tantas vezes. Quer qualquer modelo semelhante no da mais extrema justaposição da
sonho tão vivo e tão real como é seja na resolução de conflito, na âmbito dos atuais modelos de arte alegre dos sambistas com a
no Brasil. Como tantos europeus renovação da paisagem urbana, na financiamento das artes britânicas, desumanidade das suas condições
antes de mim, eu tenho ido para o preservação dos recursos naturais, o Cultura Viva encontra uma físicas. Fui apresentado naquela
Brasil nos últimos 18 anos, porque na inversão do declínio econômico, ressonância na retórica política que tarde a algo que iria sustentar as
quero descobrir o que acho que no salvamento de vidas perdidas acompanha a busca de soluções próximas duas décadas do trabalho
é uma falta ou uma ausência para o crime e a delinqüência, as para as sociedades de fragmentação que tenho realizado nas prisões
em meu próprio mundo. Eu vim artes são vistas como oferta de da Europa contemporânea. Políticos brasileiras e além. O concurso de
para compartilhar um sonho que alternativas reais para a exclusão de todo o espectro político estão samba estava sendo organizado
achamos tão difícil de segurar na social, a degradação ambiental e a procurando maneiras significativas pelos presos e era uma parte da
Grã-Bretanha: um sonho onde as fragmentação cívica. em que a responsabilidade social sua própria cultura, na resistência
artes e a cultura ainda importam e e as prioridades da comunidade à cultura da prisão. Os homens
são significativas. Em face de tal produtividade possam ser determinados em níveis compuseram, cantaram, tocaram e
percebida de artistas e organizações mais locais e o Cultura Viva é um dançaram dentro da estrutura e das
Com o foco sobre os casos em que artísticas, o radicalismo do exemplo de credibilidade de como regras de um concurso determinado
a arte tem uma função intrínseca na Ministério da Cultura reside tanto o Estado pode aprender a deixar ir e executado por eles mesmos.
vida cotidiana, o Programa Cultura naquilo que ele não faz como no de seu controle e a sociedade pode Embora o evento fosse apoiado

46 47
pelas autoridades da prisão e feito sociais e culturais2. Eu também 3
Department of Culture, Media and Sport
possível pelos guardas, foi uma tive que aprender apenas uma [DCMS]
iniciativa que veio dos detentos. As forma de ver a fim de re-descobrir 4
Pontos de Contato: um programa de
músicas combinaram os desafios a vitalidade da promessa que cada intercâmbio de conhecimento cultural
do amor e da vida cotidiana, e um desses artistas está fazendo entre o Brasil e o Reino Unido. Produzido
na melhor tradição do samba no programa Pontos de Cultura. O por People’s Palace Projects. Mais detalhes
ofereceram momentos anárquicos Seminário foi um lembrete de como no www.peoplespalace.org.uk
e freqüentemente intraduzíveis é preciso desaprender nossas formas
que atravessaram fronteiras, quer tradicionais de ver, falar, ouvir e
do comportamento sexual ou aprender. As revelações e visões
social. Ficou claro que o evento foi que foram trazidas à superfície
comemorativo e baseado na forte durante os dois dias em Pirenópolis
participação das tradições culturais foram tanto nas estruturas da
de suas próprias comunidades. forma como trabalhamos quanto
Ele jogou fora tudo o que eu nas coisas que realmente fizemos:
tinha testemunhado e iniciado no as revelações vieram na forma
sistema penal britânico, onde eu como falamos, olhamos, ouvimos
tinha trabalhado como um artista e aprendemos uns com os outros.
por muitos anos. Seria impossível Isso foi mais do que apenas uma
imaginar uma prisão britânica remoção das hierarquias tradicionais
permitindo ou tendo a estrutura de discussões acadêmicas, embora,
de associação que possibilitaria o naturalmente, nos empurrou que sobreviva à sua eventual
concurso de samba que eu vi em para uma forma de democracia extinção ou transformação. A
São Paulo. Mas também seria difícil cultural, que foi adequada para o força do Programa Cultura Viva é
imaginar os prisioneiros britânicos programa em si. Era um lembrete que ele reconhece a sua própria
tendo o quadro cultural em suas do imperativo de manter um estado impermanência e superficialidade
próprias vidas para construir essas ativo e permanente de procura em relação às forças que trazem
respostas artísticas para as situações e não permanecer fixos em uma Mateus para costurar suas
com que se deparam. perspectiva, para acreditar que o lantejoulas. Só é possível para o
significado está contido nos vários Ministério ser capaz de executar
Entre essa primeira visita e muitas vezes insignificantes este programa, porque o meio pelo
ao Carandiru e o Seminário momentos e não nas grandes qual os Pontos de Cultura criam
Internacional do Programa narrativas. aderência às suas atividades não
Cultura Viva em Pirenópolis, é essencialmente econômico. No
em novembro de 2009, tive o É inteiramente apropriado que desenvolvimento das estruturas
privilégio de trabalhar com uma o Programa Cultura Viva invoca sociais que possam trazer quaisquer
infinidade de artistas brasileiros, entusiasmadas e animadas respostas destas atividades culturais nas
fornecendo respostas criativas para dos políticos, acadêmicos, ativistas novas relações com outros
as circunstâncias mais difíceis. O e artistas. Não é nenhuma surpresa sistemas - sejam eles do Estado
seminário foi uma oportunidade que o Ministério Britânico da ou do mercado - há perigo de que
local também serve como um centro a “visão do mundo original” em qual ele esteve historicamente A negação de uma entidade mais promover novos conhecimentos gestão de crises sociais é cada
de reflexão intensa, com o objetivo Cultura3 tem procurado estabelecer para a produção de maracatu, ausente, e ainda tem de encontrar ativa para o Estado é inerente ao trazendo diferentes entidades vez mais vista como um objetivo
específico de que os participantes um programa de intercâmbio com que são produzidas pode não se
cavalo-marinho e uma gama de sustentar. Se qualquer uma dessas uma agência apropriada. A programa. Perante o fracasso do na proximidade. A ênfase é de validação dos artistas no novo
olhassem para trás ao longo o Brasil para 2010, que permitirá atividades folclóricas. Minhas visitas visibilidade de um setor estatal não Estado em outras formas dentro sobre a transversalidade da ação milênio. Houve uma resposta
de cinco anos as atividades e às organizações britânicas de artes manifestações é produzida fora de
ao Mestre Salu, ao longo dos anos, seu ciclo original, se são cooptadas parece equilibrar a escuridão em da maioria das comunidades que cultural e partilha da gestão e da esmagadora de organizações de
realizações do Programa Cultura aprenderem com os Pontos de foram motivadas pelas suas próprias que as comunidades permanecem este programa serve, produz-se formação dos Pontos de Cultura artes e políticos para o anúncio do
Viva. Meu próprio envolvimento Cultura4 e ajudar os políticos na pelo Estado para servir às agendas
proezas na dança, com suas lutas identificadas no Estado - para para outras partes do governo, uma tensão ambivalente, mas entre autoridades públicas e as programa de intercâmbio cultural
com os Pontos de Cultura não definição de novas estruturas de majestosas, peças cômicas, e do nem teve o seu espaço ou talvez fascinante entre o intervencionismo comunidades dos participantes, com os Pontos de Cultura neste
tem estado, até recentemente, financiamento. Mas para toda a abordar questões de saúde, coesão
encantamento da sua música furiosa social, educação - ou quando inclinação no seminário para tratar e o protagonismo, entre direitos e usuários, artistas e outras entidades ano. Desde as grandes instituições
no nível político, mas sim com os importância e complexidade dos e trajes elaborados. Mas, assim desse desequilíbrio. O programa responsabilidades. sociais. O programa é um esforço de artes como a Royal Shakespeare
artistas cuja criatividade desperta a debates teóricos que são gerados quaisquer destes artefatos, poemas
tão sedutora quanto as longas e canções são produzidos no enfatiza a autonomia que se consciente para construir uma Company e do Centro Barbican,
imaginação e a transformação de pelo programa, é nos seus menores horas capturadas pelos rituais que mantém em cada Ponto de Cultura O Programa Cultura Viva reconhece ‘capital social’ mais forte no através de pequenas empresas que
suas comunidades. momentos que o programa é âmbito do intercâmbio econômico
levam centenas de participantes diferente, há um choque de mundos para o seu próprio desenvolvimento, que, embora a organização cultural Brasil, que prevê um papel para trabalham em comunidades de
mais articulado. Ver Mateus, do crepúsculo ao amanhecer, é com o papel do Estado limitado partilhe algumas características com as políticas públicas e de governo migrantes no interior das cidades,
Nos últimos dezoito anos eu com dezessete anos de idade, e uma re-significação dos sistemas
o tempo gasto nas oficinas que de produção e recepção. ao fornecimento de estabilidade, outros modelos de organização que não olha para o controle, os artistas britânicos estão nos
trabalhei com uma gama de costura lantejoulas em fantasias preparam para estes rituais de visibilidade e conectividade para o social, há diferenças essenciais e mas para facilitar as demandas da dizendo que querem aprender e
organizações artísticas em todo de maracatu em uma oficina em bebida, comida, dança e teatro. Eles que já existe. ontológicas que marcam o valor sociedade civil. Reconhece que trocar idéias com os participantes
o Brasil que posteriormente se Tabajara, e saber que este jovem Durante o seminário, vários
também são parte das necessárias, oradores e um fluxo de exemplos especial da ação cultural. Os meios qualquer resposta eficaz à atual do Programa Cultura Viva. Não
tornaram Pontos de Cultura, vai lá para fazer isto todas as todos os dias, ações locais que O seminário reiterou através de suas pelos quais as atividades de artes crise brasileira dependerá em última tenho dúvida de que seus sonhos
incluindo Nós do Morro, CTO Rio, tardes durante quatro meses do práticos reforçaram a forma
traduzem a realidade e transformam transacional em que o Programa estruturas internas, bem como seus são geradas, as maneiras pelas quais análise da re-construção de relações se tornarão mais intensos e mais
Grupo Cultural AfroReggae, Grupo ano, assim como seu pai e seus o Brasil. textos preparados especialmente, a as companhias de artistas operam, sociais por, com e entre as muitas reais se eles estiverem dialogando
Galpão, Grupo Piollin e a Liga de amigos, é ver um sinal do que Cultura Viva trabalha em diferentes
áreas da intervenção do Estado, mas importância da autonomia individual as redes e estruturas que apóiam comunidades que são devastadas com a Liga das Quadrilhas de Rio
Quadrilha em Rio Branco, Acre. não pode ser visto. Mateus está Como resultado do Programa e coletiva como um indicador do artistas individuais, são formas de pelos extremos de pobreza e Branco ou com o AfroReggae,
costurando em uma linha entre suas é importante notar que muitas das
Cultura Viva, as atividades no Ponto atividades apoiadas pelos Pontos de sucesso inicial e contínuo de cada organizações não-governamentais violência. Ao investir em Pontos de no Rio de Janeiro. Estou também
O tempo que passei com vários necessidades históricas e desejos de Cultura Aprendendo com Arte um dos Pontos de Cultura. Assim, na sociedade civil. Elas não são tão Cultura que já estão embutidos no confiante de que a aprendizagem
Pontos de Cultura me mostrou Brasis contemporâneos. Eu poderia ter Cultura estão em áreas em que o
agora podem fornecer pagamentos governo tem pouco impacto. Saúde, artistas e organizações artísticas rigidamente pré-determinadas como tecido dessas comunidades, talvez será recíproca, porque o programa
que, de outra maneira, teria sido visto outros Mateus usando as regulares e uma melhor estrutura são incentivados a cumprir a sua os sindicatos, partidos políticos exista a possibilidade de gerar o Pontos de Cultura permanece
escondido de mim, mas mais do que mãos, pés, cabeça, coração e educação, segurança, saneamento,
para Mateus e para os outros nas habitação e emprego são escassas própria agenda, e manter o que era ou associações de vizinhança, capital social necessário para tal orgânico, transformando-se e
isso, seus artistas mostraram-me imaginação em tantos outros Pontos oficinas, mas estas atividades não seu espírito original generativo. Se também não têm as mesmas reconstrução. verdadeiramente vivo. Como o
uma maneira diferente de ver. Célio de Cultura em todo o Brasil, mas eu ou inexistentes na maioria das
estão acontecendo por causa comunidades pobres onde essas o programa pode ser definido, é raízes sociais como os movimentos A situação brasileira levanta programa Pontos de Cultura começa
Turino tem escrito que os Pontos achei esse Mateus com a sua agulha do programa. É a rede social e pela sua capacidade de aumentar baseados na identidade. Em vez de questões importantes para os a formar uma teia internacional,
de Cultura precisam ver o que está e sua lantejoulas no Ponto de manifestações estão enraizadas, e
a organização comunitária que o Estado chega com investimento o potencial destes Pontos para tentar re-configurar as atividades debates atuais no Reino Unido, talvez todos pudéssemos começar
ao seu redor para que eles sejam Cultura Aprendendo com Arte em tornam possíveis tais atividades, serem poderosos agentes dentro de culturais e organização em modelos onde as questões do modo em a sonhar com um mundo em
verdadeiramente capazes de operar Tabajara. Originalmente criado pelo financeiro em atividades culturais.
independentes de qualquer Novos valores sociais são atribuídos seus próprios domínios, em que se que podem não ser adequados que as artes podem ser movidas transformação.
em um modo de troca de críticas falecido Mestre Salustiano como programa ministerial e é de esperar definem em seus próprios termos. para o propósito, o objetivo é do implícito ao explícito, e a
com as suas próprias realidades um lar para seus quinze filhos, o pelo Estado em um contexto no

48 49
1
TT Catalão é jornalista, Diretor da Secre- pontos de vista de cada um,
taria de Cidadania Cultural. sem mediadores autoritários que
querem explicar realidades que
não vivem, apenas pensam sobre
elas, ou, quando há sensibilidade
maior, compartilham. Isto cria um
olhar não restritivo nem culpado.
Atreve-se às trevas. Destrava.
Brinca e é travesso no jogo como,
até hoje, a casa grande não sabe
se o capoeirista dança ou luta.
Não entende porque fragmenta

13. TRANSE
E TRANSIÇÃO,
a vida, enquanto o orgânico é
circular e pode ser tudo ao mesmo
tempo, agora. Desse contato entre

TRAVESSIA E TRAVESSURAS,
oralidade-imaginário e escrita-
método, comunidades absorvem
gramáticas e técnicas para se
expressarem, mas por elas não são

TRÂNSITO E TRANSGRESSÃO absorvidas. Nasce a alfabetização


visual e a consciência crítica
sobre as manipulações sedutoras
do mercado, consumo e mídia.
Vacine-se ou vicie-se.
TT CATALÃO1 ocupação territorial e política, Neste aspecto os terreiros
Grupos e indivíduos sem temer mas, até agora, só ensaiaram a são espaços libertários. Os
Desejávamos este GA “Cultura, o risco de desafiar até o purismo transgressão que pode vir com cyberterreiros fazem ebós com
Tradição e Invenção”, exatamente acadêmico em suas especialidades uma estética do popular não mais e-book. Mais que mães, são
para instalar a questão do que adotam visões congelantes, fetiche do folclore moldura do matrizes. Não temem a celebração
lidar com o tradicional “pero estereotipadas, folclóricas, para “autêntico”; promover o assalto pela festa (alienado pode ser o
sin perder la ruptura”, salvo o interpretarem realidades das da cultura em movimento, em que se desconhece e não requebra
portunhol. A questão é central no chamadas “periferias” como mitos processo de carne viva, aberta, e desmente o impulso do corpo).
salto do Programa Cultura Viva passivos, meros objetos de estudo. no cerne do conflito, mix rural e Mais que um “superar a dor” eles
em seus inéditos desafios para O velho ranço do popular como urbano, diferente dos clássicos transmutam o que seria o bode
2010 e adiante. Não só o salto fetiche e expiação de culpa. O que movimentos culturais. A idéia da miséria transformados em
brutalmente físico para cerca está, hoje, em processo ativo nos das Teias (os encontros nacionais cor, som, canto e manifesto. Daí
de 2500 pontos, mas as novas Pontos é um circuito de inventar de Pontos) implica na rede. Na combatem pela beleza e a ginga
relações interministeriais (o Mais e reinventar o tradicional nos estrutura de rede todos podem dobra a gangue.
Cultura), estaduais e municipais formatos que bem entender, com ser centros quando expressam
(as novas redes). os suportes que bem arrumarem, suas realidades. Nós desatamos os Seiva que se retroalimenta: “o
na marra e no jeito que der para nós, proclama a próxima Teia do que eu puder ensinar eu quero
Os Pontos precisam ampliar colocar a cara na rua. É essa a Nordeste. ensinar”, dizem. Compartilham
a consciência da expressão guerrilha das narrativas diversas para quebrar a principal regra da pelo decoro do recurso público atual em que se impõe a urgência de gestão: ensinam, acolhem, coletas de histórias vivas, casos,
estética como reveladora das sobre tradicionais discursos com Reproclamar a República pela necrosociedade: isolamento e honrado em prestação clara de da linguagem manifestada em aprimoram e transformam – testemunhos, o Programa na
suas pluralidades. Isso implica releituras próprias (estéticas) que cultura ousou a Teia 2008, de exclusão. Anulam a incapacidade contas. A transparência não é expressões). outros olhares. Socializam os primeira pessoa.
no mergulho da linguagem. Isso os Pontos começam a praticar Brasília, que fez um cortejo de conviver com as diferenças. Se boa só como lingerie da mulher sonhos. Exige-se nesta nova
determina apropriações diversas com mais ousadia. da rodoviária até o palácio do tem o dom...Reparte com... do vizinho, vale também pra O Estado não apenas dá etapa a circulação e a edição “O povo do gueto e da ponta,
sobre repertórios e a prática Planalto invadindo a Esplanada gente. Exigimos ética porque visibilidade, mas reconhece tais do que se registra (há muito da base, hoje, ocupa o lugar que
permanente do intervir, reagir, A primeira TEIA, em 2006, dos Ministérios. Cada nó é um Ao lidar com o Ministério da praticamos ética. E ética não é forças e colabora nas condições material sem tratamento, hoje ocupamos na frente, essa é a
ressignificar, misturar os caldos, no ícone das vanguardas, centro que sustenta e justifica a Cultura via o Cultura Viva permite titica! Vulgarizada em discurso de criação do circuito em rede. são apenas dados que não contradição, ter o dom da palavra
lidar com o externo sem medo o monumento da Bienal no trama da teia. Assim, as periferias este novo quadro da mobilização oco de palanqueiros. Quando “Mostrar a cara e a coragem”: viraram, MESMO, informações, de igual para igual”. Chega de
de bicho-papão para devolver, Ibirapuera-SP, proclamou essa são móveis. São apenas territórios social também no plano estético assumimos que somos os reais existir é resistir. Quem precisa por estarem desindexadas e tribunais, queremos a tribuna.
antropofágicos, outros olhares. travessura no templo que virou afastados do poderio econômico (embora os produtos de tal autores das autoridades nossas de inclusão é a autoridade que indisponíveis). A sabedoria e O desejo vence o despejo. Não
Desde a nova configuração dos terreiro. Ali todos nos tornamos detentor de núcleos equipados processo ainda estejam em práticas constranger a canalha desconhece, reprime ou ignora o as práticas dos mestres devem somos suspeitos pela aparência,
Pontos como entidade coletiva Pontos de Costura. Quando (os centros geográficos). Na construção, principalmente e envergonhar os corruptos por país real. Plana uma nova bandeira encontrar plataformas e meios ao contrário, nossa aparência
(o Fórum Nacional criado na Teia as rampas consagradas pelo rede as periferias constituem- na ação Interações Estéticas). tanto brio nesse breu. do eu sinto, eu sei, eu posso, eu de divulgação contemporâneos. nos revela e nos orgulha. Novos
de BH 2007) há uma busca não “moderno” viraram ladeiras do se lugares. Redefinem espaços Vivemos o lento construir faço, eu sou. “Chegou a hora Não há velhos materiais, mas cânones, outros canais: rádio com
só de base institucional mais Pelô, de Olinda, dos altos das de poder. Fazem-se centros que de um Estado que sai da sua E aí a tal polêmica sobre a de falar quem só ouvia” (tema novos reusos. Tecnologia à a nossa voz, TV com a nossa cara,
autônoma como a luta para se baixadas e quebradas deslocadas dá sentido de se pertencer (é a arrogância secular para respeitar palavra “empoderamento” não de rádio comunitária de SP na serviço. Estrutura à disposição. artes com a nossa atitude. Mídias
moldar a identidade que não no desvio dos tais grandes pedagogia da autodeterminação). e potencializar o que já existe: é tanto sobre ser uma tradução primeira Teia) Educação disponível.Equipamentos livres e meios libertos. Somos a
seja redutora, mas espelho da centros. A proclamação desta Quem se desloca para lá, o Estado não impõe, dispõe. A colonizada de “empowerment”, O desafio maior ainda é a acessíveis. Burocracia adequada. soma!
complexidade coletiva. Mostrar primeira Teia, eclodiu como um circunstancialmente, é periferia do transformação é mútua, Se o ou sonoridade que pareça uma tal gestão compartilhada. Estado aliado. Vivemos, hoje,
que é possível outro pensar com jorro, como orgia caótica de que ignoram ou não sabem como Estado é sólido, quebra; se é espécie de flatulência cívica: é Principalmente neste salto de com os Pontos, uma pequena A ruptura acontece legitimada
raízes tradicionais sem dispensar “novos bárbaros” no pedaço. fazer. gasoso, voa; se é líquido, voa; mais pelo sentido de que não transe e transição do Programa brecha nessa armadura medieval. pela tradição, em si, eis a sua
novas tecnologias. Criar outros Foi um dizer barulhento do daí o movimento para trabalhar se empodera ninguém, por tal que explode em redes municipais Estabelecer confiança mútua. E só contradição. No melhor cardápio
canais para estabelecer inéditas “chegamos e viemos pra ficar”! Os elementos da tradição contam, nas frestas, no estado poroso ato implicar em alguém “dando e estaduais onde há novos se respeita o que se conhece. dos antropófagos que comiam
conexões: reforçar as redes Explosão de baticuns, quando hoje, com novas ferramentas onde possa haver trocas e busca poder” a outro. O que se deseja interlocutores em diversas o coração do inimigo, não por
que rompam paredes. Superem a boutique virou botequim e como os kits da Cultura Digital permanente de fluxo. “Passar o é criar condições para ocorrer máquinas estatais (e suas Há um corpo de princípios morbidez ou fome, mas para
limites não só os impostos ficou o erudito pelo não dito. instalados nos Pontos. Criam-se que sei”, trocar o que sentimos, o despertar das potencialidades aderências políticopartidárias que consolida os Pontos. A celebrar o mito da coragem e
pelos sistemas controladores de Tal rupturaCONtradição iniciou a práticas de autonomia e registro perceber o que somos, construir fortalecidas como autonomia e locais). Apresenta-se uma multiplicação de Pontos não é a dignidade do bom combate.
fora, mas até os gestados nas mexida no caldeirão que ainda é e reflexão sobre si e os outros. o que seremos. Sem perder a protagonismo. Luta pelo famoso verdadeira reinvenção do matemática alucinada quando Como o escrito na Teia de Brasília:
próprias comunidades-guetos novo para se obter resultados em Aprende-se a editar com o ritmo dimensão simbólica. O ventre sujeito da história. A coisa vai Programa. Novas alianças, Ponto de Cultura possa ser visto “não temo, temos uns aos
que ainda incorporem o “peso do produtos de arte diferenciados do sotaque local. Os meios semeador dos ritos. Estar sem mais para o fortalecer. E, uma repactuações constantes, muito mais como grife em macacão de outros”!
impossível”: quebrar o fantasma por esta marca. As Teias (SP- de criação estão nas próprias ser o Estado, deglutir planilhas vez, fortes precisamos mostrar diálogo e pontes entre os Pontos. piloto de Fórmula I sem essência
da impotência. BH-BSB) usaram a estratégia da localidades para “traduzir” os sem o suplício da punição, mas isto (volta o momento de impasse Terreiros são belos exemplos comprometida. Daí a urgência das

50 51
1
Mestrado em Inclusão Social e Aces-
sibilidade. LP: Políticas públicas e aces-
sibilidade. FEEVALE NH RS 2010.24 ESSES
DE ‘S’.25
2
Historiador, administrador cultural e
servidor público. Escreveu o livro Na
Trilha de Macunaíma – Ócio e trabalho
na cidade (Ed. Senac, 2005).

14. EMANCIPAÇÃO (ESTADO, SOCIEDADE E


POLÍTICA): O OLHAR DO OBSERVADOR
JUSSARA P. DE MIRANDA1 do Programa Cultura Viva, em programação cultural ou chamar CULTURA E EMANCIPAÇÃO (Estado, o estado seria o impulso motor. Deste primeiro painel, conclui-se, acerca do termo “democracia” “economia solidária”, já que o
novembro de 2009, na cidade de os grupos culturais para dizerem sociedade e política) Também, a representação cultural por um lado, que não encontramos se afasta da realidade prática, Ponto de Cultura, à priori, não
Dar conta de escrever sobre Pirenópolis, Goiás. Na ocasião, o que querem (ou necessitam), individual e coletiva, precavendo-se (ainda) o impulso necessário para portanto, – reconhecer valor atende ao modelo da hierarquia
o processo “coletivizante” e pesquisadores, gestores de perguntamos como querem. Ao Os painéis, abaixo, apontam as da noção de mercadoria enquanto - estabelecer parâmetros acerca imanente entre sustentabilidade e vertical, onde há o empregado e o
“coletivizador” como o ocorrido Pontos de Cultura e agentes do invés de entender a cultura como principais questões levantadas fazer - artístico. dos conceitos (concepções) processo democrático é discutível. empregador, não se submetendo na
no Seminário Internacional MinC, trabalharam na tarefa de produto, ela é reconhecida como pelo G.A.7, a formar o quadro estruturantes capazes de formar Neste contexto, persistem as prática, à seguridade social.
do Programa Cultura Viva em formar uma visão critica sobre as processo26 resultante da experiência. Eles se Perguntas: um arcabouço seguro a compor as perguntas:
2009, requer sejam apartadas as diretrizes do programa, baseada apresentam em forma de imagens Diretrizes desejadas. Por outro lado, Segundo implicam as demandas do
situações não previstas, como por na vivência dos protagonistas a O aspecto comum entre os Pontos fotográficas originais (02), sobre as 1. Se a cultura não é mercadoria atingimos uma dada maturidade, 2. Se a sustentabilidade é (segundo item 9 (sustentabilidade é diferente
exemplo, a ausência de importantes emergir para as convergências. de Cultura no Brasil é a gestão quais, verificados seus conteúdos, (ou produto), o que é? Como a quiçá, uma sistematização ou Carlos Abreu) “preencher as de autonomia),e, levando em conta
protagonistas. compartilhada entre poder público discorro comentários que tecemos arte (cultura) coexiste com a noção sistema organizacional estimulado necessidades humanas de recursos que no Ponto não há soberania
Sestrosa como uma genuína e comunidade. O MinC atua entre colegas, acompanhados de “mercado cultural”, que numa pelos anseios de todos os naturais e garantir a continuidade de uns sobre os outros, conclui-
São eles os artistas colaboradores gaúcha, em se travando assuntos como agregador de recursos e de de perguntas as quais considero perspectiva oficial, traduz 1% do PIB integrantes da G.A.7, o que é da biodiversidade local; além de se que a seguridade social não
dos Pontos, que na minha humilde acerca de políticas públicas, novas capacidades para projetos e relevantes, sejam refletidas por brasileiro? promissor. manter, ou melhorar, a qualidade compartilharia com o modelo de
opinião, são os que provocam a ademais culturais, me apresentei instalações já existentes através de todos integrantes do G.A.7. Segundo este painel, sobrevivemos de vida das comunidades inclusas gestão proposto.
“pororoca” (o tal encontro entre as com um pé atrás, mesmo subvenção; como também, oferece 2. Se, a idéia de emancipação, à sustentabilidade derivando a na área de extração de recursos”,
diferenças) que o Programa que ver desconhecendo a categoria que equipamentos que amplifiquem as à priori, visa autonomia social autonomia, pois, compreendemos, prevendo a continuidade. O Desta experiência, segundo meu
(mas já sabe) o que vai mudar no representava. possibilidades do fazer artístico. O conflito maior ficou por conta (o que inclui desenvolvimento que embora complementares, Programa, nas suas ações, preveria humilde entendimento (fora
rio, após o primeiro homem entrar. Turino afirma: “sou comunista; das inúmeras interpretações sobre econômico e poder de decisão), elas são divergentes. Miramos na a manutenção, consolidação d’água), se estabeleceu entre o
Por ser a pororoca um fenômeno Todavia, já nas primeiras horas me procuro o Bem Comum e a termos como empoderamento, como desenvolver-se socialmente sustentabilidade o encontro com sócio econômica, ou ainda, a nosso grupo de G.A.7, um sentido
capaz de arrancar raízes e de até rendi à forma como o encontro partilha [...]” – no sentido de emancipação social, gestão (os Pontos), tendo o estado como a autonomia, enquanto acesso continuidade dos Pontos de de solidariedade, onde a vontade
mudar os leitos dos rios, é que fora conduzido, notabilizado na partidário, do comum – “o salto compartilhada entre outros, regulador das suas ações? aos “recursos” materiais que visam Cultura? Como? é boa e não é forçosamente
escolhi participar deste relato da liderança de Célio Turino, que ao civilizacional que o mundo precisa que, epistemologicamente, multiplicidade de ações, contudo, moderadora dos “bons costumes”
mesma forma como ingressei no contrário da marca do poder no acontecerá quando redescobrirmos desempenham suas funções Tomados os enlaces entre os itens, que este encontro não determina, 1. Sendo a democracia um regime sociais. Também, que o Brasil pode
Seminário: um peixe fora d’água; gestor e idealizador dos Pontos de a noção de Bem Comum”. teóricas. Já nas práticas, eles o que prevaleceu (no meu ponto de com precisão, que a autonomia político, onde as decisões são e deve desfrutar dos Pontos de
um ponto de vista observador. Cultura, revelou-se pelas marcas divergem segundo contextos vista) é: tomar o Programa Cultura defina poder de decisão. Ou seja, tomadas, direta ou indiretamente, Cultura, como um programa que
das virtudes humanas. Os objetivos propostos pela e especificidades culturais, Viva como um modelo de referência que não poderemos aplicar a pelos cidadãos que compõem “percebe” a cultura dos Pontos
Cito isto, pois demorei a entender política dos Pontos de Cultura intelectuais, jurídicas e políticas de de política pública cultural. sustentabilidade a partir do braço a sociedade civil, cuja liberdade disseminadores de cultura, tendo a
a minha representação no Encontros como o Seminário, são vivos como o Programa e, cada modelo de gestão, pontos e Sugerimos estender seus domínios do estado com a autonomia é o caminho da prosperidade Diferença como elemento séptico
Seminário, já que atuo como artista consolidam as políticas públicas segundo minha percepção, não regiões onde atuam. para outros setores da atividade desejada. econômica. Quais seriam os da Diversidade.
colaboradora do Ponto Somos LGBT culturais que têm envolvido há controvérsias entre a teoria cultural. Também, que a legislação parâmetros que o Programa seguiria
de Porto Alegre, e, também, sou debates em rede no esforço de e a prática, já que o modelo de Neste contexto, o que resultou de que se expressa nos espaços de No item 10, consta: “chave da neste desafio? No meu ponto de vista, o que ficou
pesquisadora. mapear toda a diversidade ou gestão do Programa Cultura Viva consenso entre os participantes, alteridade entre estado e sociedade sustentabilidade: reconhecer claro, é que o Programa se define
o multiculturalismo brasileiro, é, verdadeiramente, humanizado. é o desejo de alijar-se de uma civil, sejam revisitados. valor imanente ao processo de Este (in) conclusivo painel, pela “mentalidade” política da sua
Por tal, mesmo antes de contemplando as diferentes total responsabilidade do estado democracia”. desacobertou o sentido de gestão, bem como afirma Célio
aprofundar-me nas águas do Grupo áreas e suas especificidades no Este breve extrato, escaldado pelos Pontos de Cultura, no que se Perguntas: “pilar” nos participantes, ou o de Turino, que não pergunta “o que”,
de Aglutinação (G.A) que participei, manifesto das identidades culturais de uma “percepção” que trouxe refere aos “modelos” de políticas, Primeiro, em sendo a imanência um “fundação”, que sustentaria o mas “como” a sociedade civil quer,
comento que escrevi sobre o e da gestão compartilhada, adentrada na minha carne, vem reservando à sociedade civil, 1. Quais são as políticas públicas principio em Deleuze, que remete progresso econômico dos Pontos. o que ainda estamos em busca.
encontro na minha dissertação descritas com maestria pela a ser o tempero necessário para ampliada participação nos processos culturais brasileiras a serem a um “Deus dentro de si”, ou uma
titulada “Carcaça e gente dentro: gestão do Programa Cultura Viva, revigorar a confiança nos modelos decisórios. referendadas (ou modeladas a força que está no sujeito, e ainda, Prospectando que as comunidades Por fim, o Seminário despertou
políticas públicas culturais e grupos através da ação Ponto de Cultura”. de políticas públicas culturais num partir) e/ou pelo Programa Cultura que se opõe à transcendência e dos Pontos de Cultura, pudessem a minha visceral-idade artística
de dança em situação de trabalho” Brasil, que até então, vinha exibindo Sobre as reflexões, ficaram claros Viva, de modo que elas participem por aí afora, teríamos que retornar sustentar suas práticas através da e política, e de retorno, passei
logo que retornei do Seminário Segundo Célio Turino3: seus esquálidos cenários culturais. entre todos os seguintes recortes: dinamicamente dos aspectos ao topo da convergência filosófica gestão compartilhada, a efeito a disseminar entre meus
para minha cidade. Refiro-me Feito este comentário, parto para ampliação e democratização heterogêneos que o Programa para clarear, minimamente, a de longo prazo e socialmente conterrâneos, a excelência do
especificamente ao Capítulo 42, sub- A aplicação do conceito de gestão o objetivo deste, que é a de reunir dos recursos através da revisão propõe? aplicabilidade deste termo neste legitimadas, vale refletir sobre Programa Cultura Viva, enquanto
seção 4.1, titulada: Cultura da vida compartilhada e transformadora impressões acerca do Seminário de padrões legais (instrumentos contexto. uma “situação de trabalho”, que uma política pública cultural que
e (ponto), que discorre entre outros, para os Pontos de Cultura Internacional do Programa Cultura jurídicos); flexibilização das 2. Quais são os aspectos que inevitavelmente, é constituinte PERCEBE o Brasil, em toda sua
sobre os seguintes termos: tem por objetivo estabelecer Viva, através de depoimentos dos estruturas governamentais haveriam de ser – reformulados – Segundo, da possibilidade da da seguridade social. Desta feita, extensão.
novos parâmetros de gestão seus participantes. (normas, regras e leis), e a no que compete na relação entre sustentabilidade imanar do processo suspeita-se, que, possamos estar
“Como convidada, participei e democracia entre Estado e autonomia, enquanto referência estado e sociedade civil? democrático é subjetivo, já que, nos repetindo em torno de um
do Seminário Internacional sociedade. No lugar de impor uma Grupo de Aglutinação (G.A.7) - de emancipação social, para a qual o que culturalmente entendemos principio que se assemelha a

52 53
15. SUBVERSÃO,
RESISTÊNCIA,
PERTENCIMENTO E COMPARTILHAMENTO
reconhecer a importância das 83% dos entrevistados declaravam
formas organizacionais populares possuir o Kit Multimídia e
como tecnologia social a ser desenvolver atividades relacionadas
apreendida e também replicada à Cultura Digital, sendo que apenas
como Política Pública. 58% deles declararam utilizar
ferramentas livres.
O grande desafio que se coloca
então é o da possibilidade de Como é possível que a única das
construir canais de conexão, de três frentes de ação do programa
tradução, entre as experiências – Escola Viva, Ação Griô, Cultura
que vêm sendo construídas por Digital -, que está presente em
esses diversos atores e os conceitos todos os Pontos de Cultura e que
propostos pelo Programa. foi assinalada pelo Secretario de
Cidadania Cultura, Célio Turino,
A EXPERIÊNCIA DO ENCONTRO como condição para que o Ponto
E A CONFIGURAÇÃO DO venha se realizar de maneira
GRUPO: plena, ao integrar a rede, pode
ter contado com a participação
e observadores que vêm A maioria dos integrantes que de um número tão reduzido de 1
Este texto tem autoria coletiva: Adilson são simultaneamente formuladores Nada mais natural se pensarmos que
GA CULTURA DIGITAL1 compuseram o GA “Cultura Digital” representantes dos Pontos? Um
acompanhando o Programa e, no Ruiz; Edivaldo; Luiz Felipe; Ivana Bentes; e implementadores de Políticas os Pontos são os implementadores
nosso caso mais específico, a ação eram pesquisadores ou pessoas que fator que pode ter contribuído para Jasiel Martins; Liliana Sousa e Silva; Caeta-
Públicas, além (e obviamente das políticas culturais e passam
Tentativa inicial de sistematização de alguma forma estavam ligadas essa ausência foi que, no mesmo no Ruas; Karina S. Gomes; Frederico Bar-
do Grupo Aglutinador de Cultura da Cultura Digital. bosa; Hanayana; Pedro Marra; Milton Silva; não menos importante) de serem a vivenciar as contradições dos
ao Programa Cultura Viva. Nosso período do Seminário Internacional representantes de um universo mecanismos do Estado, bem
Digital do Seminário Internacional Josiane Ribeiro; Sérgio Melo; Elaine Tozzi;
A metodologia assumiu como GA contou com a participação do Programa Cultura Viva, estava Eliana; Beth de Oxum; Frederico Coelho; cultural próprio. E essa é uma como de suas realidades locais.
Cultura Viva. Conceitos: Autonomia, de uma “média flutuante” de 20 ocorrendo em São Paulo o
pressuposto a idéia de que os Fabiana Sherine; Cristiano Scabello; Bruno das principais características da Amparados nesse conhecimento
Protagonismo, Empoderamento e participantes, sendo apenas três “Seminário Internacional do Fórum Tarin; Carolina Ramalhete; Mariana.
Gestão em rede. conceitos se materializam enquanto gestão em rede proposta pelo prévio de suas próprias realidades –
dispositivos e artifícios que deles representantes de Pontos da Cultura Digital”, que certamente Programa, é o que lhe confere tanto e nas possibilidades abertas por esse
procuram apreender e aprender de Cultura e dois representantes atraiu boa parte das pessoas e complexidade e potencialidade, formato que favorece a apropriação
A organização do Seminário nos de coletivos independentes que Pontos de Cultura vinculados a essa
propôs pensar os quatro conceitos com as dinâmicas das práticas quanto conflitos e tensões dos mecanismos e lógicas de
cotidianas e que são estas que desenvolviam trabalhos junto ação. constantes. funcionamento do aparelho estatal
estruturantes do Programa Cultura aos Pontos, mesmo não sendo
Viva – autonomia, protagonismo, fornecem o substrato e dotam tais – tais atores passam, então, a
conceitos de sentido. Esse formato conveniados. Logo nas falas de apresentação foi Essa dualidade acabou por conduzir, traduzir seus anseios e demandas
empoderamento e gestão em possível identificar uma série de
rede – a partir da perspectiva da parece alinhar-se ao posicionamento ainda que de maneira tácita o nosso coletivas em termos de formulações.
que a Secretaria de Cidadania Tal ausência foi sentida pelos questões e desafios vivenciados processo de debate e reflexão. Basta
Cultura Digital. A metodologia participantes do GA e talvez possa pelos participantes do GA e que
Cultural tem adotado frente aos se utilizar os espaços oferecidos localidades que representam e onde citarmos as tentativas constantes Essa dualidade pode ser
sugerida aos diversos Grupos nos provocar a refletir sobre o lugar dizem respeito à rede de Pontos
Pontos de Cultura, na construção pelas redes digitais, além das atuam. Cada um desses campos de da moderação em nos alertar identificada também pelo constante
Aglutinadores demandava que que vem sendo construído para a de Cultura como um todo. Foi
de um Programa que incorpora tais potencialidades e desafios relações envolve, por conseguinte, que boa parte das contribuições questionamento durante o debate,
não encaminhássemos nossa Cultura Digital, e de que maneira ele apontada a transversalidade
atores não pela carência, mas pela apresentados pelos processos de diferentes grupos apresentando que estavam sendo apresentadas quando nos perguntávamos quem
reflexão exclusivamente pelo viés vem sendo apropriado e ocupado da Cultura Digital, que vem
potência. integração das culturas tradicionais suas próprias demandas e pelos participantes seriam melhor é o sujeito autônomo, protagonista
teórico ou acadêmico, mas que pela rede de Pontos de Cultura. reconfigurando o cenário da com a cultura digital. particularidades que em parte se enquadradas na categoria e empoderado? É o Ponto? É a
adotássemos como ponto de partida educação e dos direitos autorais,
O modo particular pelo qual o complementam e criam tensões ao “proposições para”, do que mais rede de Pontos? É a comunidade?
as experiências vivenciadas ao longo Esse questionamento pode ser possuindo interfaces com a
Programa Cultura Viva se articula Boa parte das tensões explicitadas entrarem em relação umas com as propriamente de “definições Ou o Estado? E, ainda, quem são
desses 5 anos de existência do intensificado quando confrontamos economia solidária, com questões
com os Pontos de Cultura é a durante esse encontro são outras. sobre” os conceitos estruturantes os sujeitos implicados na gestão
Programa. essa participação ainda tímida relacionadas ao meio ambiente,
expressão de uma nova sensibilidade desdobramentos do lugar particular do Programa. A despeito desse em rede que é sustentada por tais
frente às potencialidades criativas e de Pontistas no nosso GA frente com a produção artística etc. Foi que os Pontos de Cultura ocupam Destarte, os Pontos de Cultura, bem esclarecimento, a conversa ia se conceitos?
Foram reunidos representantes aos resultados mais recentes de destacada também a importância
inventivas de diversas organizações dentro do Programa. Tais atores como os coletivos independentes conduzindo quase que naturalmente
dos Pontos de Cultura, da própria uma pesquisa empreendida pelo da apropriação do software livre
populares que vinham sendo estão posicionados na fronteira e representantes das equipes de no sentido dos anseios, dos desafios Já de antemão poderíamos afirmar
Secretaria de Cidadania Cultural IPEA junto aos Pontos de Cultura, e das diversas linguagens digitais
gestadas anonimamente, nas tênue entre dois modos e lógicas Cultura Digital, se configuram e principalmente das sugestões que, independentemente de
e entes federados, de coletivos apresentada na Fundação Casa como condição para o exercício
mais distintas localidades, em organizacionais muito distintas - a dentro do Programa como um de soluções para os impasses optarmos por ressaltar ora o campo
independentes que atuam junto aos Rui Barbosa no mês de outubro de da autonomia tecnológica, da
todo território nacional. Esse do âmbito formal Estado e do agente duplo em sua relação com vivenciados pelos participantes. de relações “Pontos de Cultura
Pontos, bem como pesquisadores 2009. Tal pesquisa apontava que visibilidade que se pode atingir ao
posicionamento diferenciado parece âmbito informal das comunidades e o Estado e com as comunidades - - Estado”, ora o campo “Ponto

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“democratização ao acesso”, características e princípios
como mera questão de infra- norteadores da ação/conceito de
estrutura tecnológica, e passam a Cultura Digital. Dentre as várias
ser compreendidas como universo definições apresentadas, poderíamos
cultural dotado de características, aqui destacar: cultura de uso,
particularidades e dinâmicas de apropriação tecnológica e de
organizacionais próprias. E, linguagens para a transformação
simultaneamente, a cultura passa a social; metodologias de formação,
ser valorizada a partir do momento redes de colaboração, dentre
em que ela é compartilhada e outras. Num esforço de síntese das
disseminada. As dimensões do falas de vários dos participantes,
compartilhamento e os regimes de a Cultura Digital foi caracterizada
circulação a que elas correspondem enquanto um processo de formação
passam a ser vistos como elementos com foco na relação entre seres
que influenciam as formas de humanos, imbuída de princípios
também se produzir e conceber os transformação social envolvendo
bens culturais. Para os participantes arte, educação informal, economia
a Cultura Digital, antes de se solidária, sustentabilidade e como
resumir apenas ao desenvolvimento possibilidade de convergência
e suporte de tecnologias digitais entre as mais distintas linguagens e
para interconexão em rede, se trata áreas de expressão e produção de
principalmente de uma tecnologia conhecimento. Ela se materializaria
social e de uma perspectiva política, também como possibilidade de
que foi ganhando força até se inserir fomento ao desenvolvimento do
experiências de inserção de no Pará, um modelo de negócio a partir de três dimensões principais:
de maneira estratégica dentro do conhecimento local.
softwares e ferramentas livres que emergiu da informalidade e a burocrática, a econômica e a
Programa.
junto a escolas e instituições da “pirataria”, e que foi capaz de política.
O software livre é entendido,
educacionais públicas. As fazer frente ao tradicional modelo
A percepção de que no cenário dentro desta perspectiva,
estratégias mencionadas variavam da indústria fonográfica, ao abrir A primeira dimensão dizia respeito
atual não é mais viável pensar simultaneamente como artefato
de um processo de sensibilização e um espaço para artistas locais que à adequação aos mecanismos
cultura sem pensar nos regimes e conjunto de valores capazes de
convencimento de coordenadores não se enquadravam dentro dos formais de seleção e prestação de
de circulação, nas formas pelas favorecer o protagonismo dos
e professores, passando pela parâmetros estéticos convencionais. contas oferecidos pelo Programa
quais ela é compartilhada e, atores engajados em seu processo
construção de tutoriais e métodos A cultura digital pode ser vista para atender à diversidade de
simultaneamente, reinventada nesse de desenvolvimento, justamente
de aprendizagem que valorizassem a então como possibilidade de contextos e às realidades locais
mesmo processo, é em grande por defender a autonomia dos
transmissão oral de conhecimentos, potencialização do desenvolvimento dos Pontos de Cultura. A ênfase na
parte devedora da importância usuários como pressuposto para
até a criação de laboratórios e diversidade das expressões pessoa jurídica como instrumento
histórica do Movimento de Software a atuação em rede, culminando,
que mantinham a diversidade de culturais e artísticas locais, privilegiado a ser atendido dentro
Livre. Tal movimento apresentou assim, em um ambiente favorável ao
sistemas operacionais existentes conciliando-as com modelos de desse formato, a complexidade
um formato organizacional que estabelecimento de uma inteligência
(livres, proprietários ou abertos), produção e distribuição alternativos e a dificuldade de se manejar
buscava moldar ou “subverter” coletiva capaz de operar uma
para que os usuários pudessem se e sustentáveis. todos os dispositivos burocráticos
as tecnologias de informação e rede horizontal de distribuição de
ambientar e também para que a para a prestação de contas e as
comunicação digitais dentro de uma recursos e conhecimentos entre
migração não fosse estabelecida O DILEMA DA FORMALIDADE E contradições preexistentes dentro
lógica colaborativa e não orientada pares.
de Cultura – Comunidade”, é de desempenha em tal ação – a cultura uma realização plena da Cultura como um processo “de cima para DA INFORMALIDADE: das próprias estruturas do Estado
para a acumulação individual. Ao
um sujeito político que estamos digital envolveria necessariamente o Digital junto aos Pontos. baixo”. foram apontados como obstáculos
assumir a ‘generosidade intelectual’ A despeito das compatibilidades
tratando e colocando em questão. uso de softwares livres ou abrange A distinção entre a lógica de para o pleno desenvolvimento das
como um dos pilares de seu modo conceituais e organizacionais que
Não político porque partidário, qualquer tipo de produção em A entrada da ação Cultura Digital A importância ressaltada para funcionamento do aparato estatal atividades dos Pontos de Cultura.
de desenvolvimento – defendendo existem entre o Programa Cultura
mas político porque coletivo. Sejam suporte digital? A ação da Cultura no Programa Cultura Viva se que a Cultura Digital e o software e as redes informais, pelas quais Por exemplo, o mesmo Governo
o direito de livre acesso ao estudo, Viva e os princípios constituintes da
os participantes das comunidades Digital foi concebida e constituída apresentou de maneira estratégica livre ocupassem os espaços das se organizam os movimentos e que lança um prêmio de Mídia Livre,
uso, modificação e distribuição do ação/conceito de Cultura Digital, os
locais e que interagem com os a partir de um conjunto de ao criar uma demanda política escolas era a possibilidade de coletivos que passam a integrar permitindo que os Pontos adquiram
código fonte dos programas –, o participantes procuraram debater
Pontos de Cultura, seja a rede de práticas já arraigadas em diversos de apropriação das tecnologias transformação dos alunos de a rede de Pontos de Cultura, foi equipamentos de radio transmissão,
movimento de software livre foi também as suas experiências de
Pontos se articulando e interagindo coletivos e redes “midiativistas” para a qual o Programa não meros usuários em pesquisadores, outro tema amplamente debatido é o que criminaliza e reprime
capaz de transpor o âmbito restrito construção desta convergência entre
com o Estado, não podemos brasileiras (como o Submídia, a possui respostas prontas, e que os curiosos e questionadores. Isso pelo grupo e que de certa forma duramente o movimento das rádios
dos programadores de software, os novos paradigmas apresentados
nos esquecer que estes somente MetaReciclagem, a Mídia Tática, Pontos estão buscando solucionar porque o posicionamento que tal norteou boa parte do debate que livres.
passando a colocar questões pelas tecnologias digitais e as
apresentam demandas relevantes e dentre outros). O que dotava tal localmente. Essa situação pode ser ação adota frente às tecnologias se relacionava aos conceitos de
pertinentes ao universo cultural e comunidades locais nas quais os
que alcançam legitimidade porque universo tão diverso de atores de identificada na medida em que os digitais favorece um processo de Autonomia e Protagonismo. Os mecanismos institucionais ainda
da produção de conhecimentos de mesmos procuram atuar.
são essencialmente coletivas. certa unidade era principalmente participantes iam compartilhando empoderamento dos participantes, se apresentariam de maneira pouco
maneira mais ampla. Nesse sentido,
Destarte, o sujeito político em um posicionamento frente aos suas inquietações e experiências ao fomentar a apropriação Em que medida esse modelo de flexível para abarcar a complexidade
os questionamentos colocados Embora tenha sido ressaltada e
questão, dentro do Programa aparatos e ambientes digitais e uma vividas no campo de relações Pontos tecnológica por meio da reflexão, distribuição de recursos proposto das realidades que o Programa
por esse movimento puderam louvada a adoção do software livre
Cultura Viva e frente ao Estado de perspectiva sobre tais tecnologias de Cultura e comunidades locais. da construção de subjetividades, pelo Programa fomenta a visa atender e foram identificados
ser apropriados por um conjunto pelo atual governo – não apenas
maneira mais ampla, é a diversidade que assumia que esses “meios” Embora todos os participantes capaz de ultrapassar um processo espontaneidade dos movimentos como um obstáculo para o pleno
cada vez maior de atores que como solução economicamente
cultural. Em outras palavras, é a rede supostamente “neutros” por concordassem com as características meramente instrumentalizador e grupos que estão sendo desenvolvimento da autonomia
atuavam em prol da cultura livre viável, mas também como uma
articulada de Pontos de Cultura que onde trafegam opiniões, idéias, potencializadoras do software livre que se legitima apenas dentro da contemplados? Ou será que eles local. Entretanto, foi apresentado
e que legitimaram tais demandas escolha política mais conseqüente,
a representa. histórias e saberes constituem de em sua dupla dimensão, enquanto ideologia de formação de quadros simplesmente encaixavam tais também um contraponto a tal
enquanto reivindicações a serem quando se almeja atingir autonomia
maneira fundamental as nossas artefato tecnologicamente eficiente para o mercado de trabalho. manifestações em um modelo perspectiva: qual seria o limite
colocadas em debate dentro da tecnológica – foi identificada
OS CONCEITOS possibilidades de produzir, de e discurso comprometido com a formal e burocrático que poderia dessa flexibilidade? Como conciliar
esfera pública. também a ainda fragilidade das
ESTRUTURANTES E OS compartilhar e até mesmo de transformação social, a adesão As tecnologias digitais, de maneira culminar em um enfraquecimento a garantia da autonomia local com
As bases conceituais e os estruturas fornecidas para a
PRINCIPAIS TEMAS conceber os bens culturais. ao software livre foi identificada mais ampla, vêm contribuindo da autonomia dos Pontos de a transparência na utilização dos
princípios norteadores do software efetivação de tal política pública
DE DEBATE como um dos maiores desafios para provar a viabilidade na Cultura? Tais dilemas apresentados recursos públicos?
livre influenciam de maneira frente ao desafio inovador colocado
Essa perspectiva implica em uma enfrentados pela ação da Cultura construção de novos modelos de pelos participantes circulavam entre
significativa muitos dos coletivos pelo atual governo. A escassez
CULTURA DIGITAL E modificação significativa no que Digital e a maior parte do debate negócios capazes de se nortear a possibilidade de lançar mão de A segunda dimensão tratada
que construíram formato proposto de recursos e o número reduzido
SOFTWARE LIVRE se compreende por tecnologia se concentrou nas estratégias de pela lógica da abundância e não tais mecanismos ou atuar à margem possuía estreita relação com a
para a ação de Cultura Digital que de implementadores para abarcar
e por cultura. Por um lado, as inserção e de migração a serem da escassez. Um dos exemplos dessa lógica e dos dispositivos primeira e dizia respeito à viabilidade
hoje vem sendo implementada. um universo tão amplo de atores,
O primeiro conceito debatido foi o tecnologias e redes digitais deixam adotadas. citados por um dos participantes colocados à disposição pelo dos Pontos de Cultura se tornarem
Essa influência pode ser claramente dentro da perspectiva transversal
de Cultura Digital e especialmente de ser tratadas simplesmente foi a complexa cadeia de produção Programa, entre transformá-los e efetivamente sustentáveis e se
identificada na fala dos participantes que a Cultura Digital foi idealizada,
o papel que o software livre a partir da chave interpretativa Os participantes relataram várias e distribuição do Tecnobrega, subvertê-los. Tal temática foi tratada esse último fator seria um pré-
sobre quais seriam as principais por certo dificultou e ainda dificulta

56 57
SEMINÁRIO INTERNACIONAL DO
16.
PROGRAMA CULTURA VIVA: A TRADUÇÃO
INTERCULTURAL COMO METODOLOGIA
requisito para serem considerados necessariamente como barreiras mas simultaneamente abrindo meios VALÉRIA VIANA LABREA associações de bairro e populações mais educadores, este parece ser um
autônomos. Autonomia pode ser que impedem a ação. Um dos de aglutinar os Pontos de Cultura, ANTÔNIA MARIA DO CARMO camponesas, ribeirinhas, rurais e bom caminho. (TURINO, 2004: 16).
identificada como independência participantes apresentou uma acaba por colaborar para o processo RANGEL sem-terra. As organizações são
financeira? contribuição muito interessante: de construção de uma identidade SUMAYA DOUNIS selecionadas por edital público Os conceitos estruturantes do
“protagonismo é procurar solucionar coletiva entre estes diversos e passam a receber recursos do Programa são descritos inicialmente
Em resposta a esse questionamento, os problemas de outras formas. Pontos e, consequentemente, da PROGRAMA CULTURA VIVA1 Governo Federal para potencializar com sentidos auto-evidentes:
foram mencionadas experiências A primeira coisa que as pessoas autonomia política de rede. seus trabalhos. O IPEA ,em recente autonomia se traduz pelo respeito
em que o protagonismo dos atores colocam são os problemas, elas O Programa Cultura Viva está estudo, mostra que o Programa à dinâmica local, como um
e sua capacidade de articulação em têm dificuldade de ver as soluções. Empoderamento poderia então na vanguarda das políticas está sintonizado com demandas e processo de modificação das
rede sinalizaram caminhos possíveis Nós fizemos uma proposta à ser definido como um processo públicas do Estado, ao valores contemporâneos na área relações de poder; o protagonismo
para a consolidação da autonomia comunidade: vamos imaginar o de reconhecimento de demandas reconhecer na sociedade e nas cultural nas questões referentes diz respeito aos atores sociais se
dos Pontos de Cultura. Os futuro, depois a gente pensa nos coletivas e de construção de um diversas expressões regionais “à democratização do acesso da assumirem enquanto sujeitos de
participantes relataram ações bem recursos. Aí a própria comunidade sentimento de pertença mais e estéticas, a força necessária produção; e à valorização das suas práticas e ao reconhecimento
sucedidas, como o estabelecimento descobre que todos os recursos amplo que permita a tais atores para revelar os “brasis” ocultos experiências locais e da diversidade de que todos os grupos sociais,
de um Consórcio Cultural entre que ela necessita para realizar suas disputar diversos espaços, alcançar ou excluídos. Este programa cultural” (IPEA, 2005:101). independentemente de origem,
diversos grupos artísticos e ações já estavam ali. (...) a gente representatividade política e revela o quanto do que chama produzem conhecimentos e
situações em que os Pontos de descobriu que nós éramos mais visibilidade pública. “realidade” é apenas uma versão A idéia-força do Programa Cultura linguagem simbólica esteticamente
Cultura promoveram intercâmbio forte do que pensávamos.” da história. Há manifestações Viva aparentemente é singela: o elaborada; o empoderamento evoca
de atividades, nas quais cada ator A maior contribuição que o de resistências, beleza guerreira Estado em vez de criar ou fomentar o reconhecimento e a afirmação
poderia oferecer diferentes oficinas, Autonomia foi identificada também Programa Cultura Viva apresentou e afirmação de respeito que novos grupos culturais, sustentando pelo qual os sujeitos transformam as
espaços para sediar eventos, como um processo que se conquista foi o fato de evidenciar que diversos não saem nos jornais, revistas, projetos pontuais e que acabam relações econômicas e de poder.
apresentação de atividades artísticas independentemente de qualquer atores que atuavam anonimamente rádios ou tevês. Estes Pontos de junto com o governo, simplesmente
e etc. Foi apontada também uma estrutura do Estado e que tem como na sustentação da diversidade Cultura são realidades que agora reconhece e fortalece a experiência Outro conceito se une aos três
parceria entre Pontos de Cultura ponto de sustentação a identidade, cultural necessitam do apoio e do se mostram e se cruzam com a estética e artística produzida por iniciais: o Programa Cultura Viva
e Prefeituras Municipais, seja para ou o sentimento de pertença, além reconhecimento do Estado, mas que força autêntica da cultura feita grupos sociais historicamente propõe que os Pontos de Cultura se
o provimento de transporte ou o do compartilhamento de valores este também necessita deles com por quem a vive como esta TEIA. excluídos do circuito cultural, articulem em rede. O sentido dessa
fornecimento de infra-estrutura para entre um determinado grupo de a mesma urgência. É esse fator, da tornado-a credível. Essa idéia, rede por vezes é polissêmico e, ora
dos grupos artísticos dos Pontos; atores. É essa identidade que norteia bidirecionalidade da distribuição Gilberto Gil (Teia, 2006). simples na formulação, mas com diz respeito à forma de gestão do
parcerias entre Pontos de Cultura as escolhas dos parceiros com os do poder, que permite que tanto a uma potência criativa ainda a ser Programa que em muitas questões
e redes municipais de ensino, quais um determinado coletivo vai Rede de Pontos de Cultura quanto o Fundado sobre a dimensão da mensurada, propõe deslocamentos acolhe e responde às demandas da
para prestação de consultorias se associar para atingir objetivos próprio Programa, enquanto aparato cultura como direito e como consideráveis na compreensão do sociedade, outrora fala da forma
e formação de educadores; ou comuns. burocrático estatal, venham a ser cidadania, o Programa Cultura papel do Estado junto à sociedade, como os Pontos se articulam com
mesmo parceiras com membros transformados e ressignificados. Viva tem como objetivos ampliar porque entende que Estado e outros Pontos. A organização em
da comunidade local para a troca O papel do Programa Cultura e garantir os meios de fruição, sociedade podem, em certa medida rede propõe processos de auto-
de lixo tecnológico por oficinas de Viva dentro desse processo é o de Se esse processo não fosse de produção e difusão cultural; e dentro de um contexto acordado, gestão e co-responsabilidade,
Cultura Digital, dentre outras. parceiro que, ao criar espaços para mão dupla, a autonomia teria sido potencializar energias sociais e manter relação de co-gestão e diluindo o poder em vários pontos
que os diversos atores se encontrem convertida em automatismo, o culturais, dando vazão à dinâmica responsabilidade compartilhada de focais, possibilitando a formação
O processo de construção da e se reconheçam mutuamente e, protagonismo em eficiência e o própria das comunidades e uma política pública. Um novo pacto de uma equipe de gestores que
autonomia dos Pontos de Cultura simultaneamente, se apropriem empoderamento em clientelismo. entrelaçando ações e suportes cultural é proposto: se propõe a ressignificar e mesmo 1
Este artigo foi publicado in: BRASIL. Pro-
e das comunidades atendidas das linguagens e de modos de Teria resultado em uma máquina dirigidos ao desenvolvimento de reverter a assimetria que existe grama Cultura Viva: observações e análises.
foi associado à capacidade operar próprios do aparelho estatal, azeitada, até funcional, mas uma cultura cooperativa, solidária e Tal modo de pactuar com a tradicionalmente entre sociedade, Brasília: SCC/Ministério da Cultura, 2009.
de agir coletivamente e de favoreceu o empoderamento dos certamente infértil e pouco criativa. transformadora; promover a cultura sociedade foi definido como Gestão Estado e mercado, em um trabalho 2
Utilizamos o termo tradutor no sentido
conseguir encontrar, dentro Pontos de Cultura enquanto atores Os Pontos de Cultura vêm ocupando enquanto expressão e representação Compartilhada e Transformadora onde as ações são construídas que propõe SANTOS: 2007, p.39: “A
da própria comunidade ou em coletivos capazes de se auto- espaços, criando demandas e simbólica, direito e economia. e envolve os conceitos de coletivamente. O Programa Cultura tradução é um processo intercultural,
outros parceiros, os recursos e representar no campo político e apresentando proposições que não empoderamento, autonomia e Viva procura apresentar uma intersocial. Utilizamos uma metáfora
as estruturas necessárias para a de disputar tais espaços, propondo haviam sido previstos pelo Programa O Programa se relaciona com protagonismo social. Enquanto abordagem de gestão que leve em transgressora da tradução lingüística:
é traduzir saberes em outros saberes,
obtenção dos objetivos almejados. mudanças e construindo alternativas e que dificilmente uma estrutura os mais variados grupos sociais: nos afastamos das velhas “neo” conta os contextos sociais, ajudando traduzir práticas e sujeitos de uns aos
O protagonismo estaria associado dentro e fora das estruturas estatal tradicional seria capaz sequer crianças, jovens, mulheres, cartilhas, clareamos os conceitos, a repensar as políticas públicas que outros, é buscar inteligibilidade sem “cani-
a um processo de resistência, governamentais. Nesse sentido, de imaginar isoladamente. indígenas, comunidades da periferia à medida que a experiência social tradicionalmente tendem a definir balização”, sem homogeneização. (...) Há
em que os obstáculos vão sendo o Programa Cultura Viva, ao criar de grandes metrópoles do país, avança e os fenômenos tornam-se contextos preestabelecidos, fixos muitas linguagens para falar da dignidade
interpretados como desvios e não novas demandas e problemáticas, comunidades afro-descendentes, explicitados. Menos receitadores e e muitas vezes anacrônicos. O humana, para falar de um futuro melhor,
de uma sociedade mais justa.”

58 59
grande êxito do programa reside na exterior, ao observar a experiência
formação de redes culturais com o vivida nos Pontos e o surgimento
objetivo de desenvolver e aprimorar de um novo mapa conceitual,
soluções alternativas e autônomas chegou-se ao entendimento de
para a gestão cultural, entendendo que era necessário um encontro
a cultura como um poderoso entre os diferentes protagonistas
3
O Relatório de cada GA pode ser aces-
instrumento de desenvolvimento do Programa: produtores culturais, sado no sítio www.cultura.gov.br
humano e transformação social, intérpretes, tradutores2 dos Pontos
valorizando o “saber da experiência de Cultura, gestores, representantes
feita”, nos termos de Paulo Freire. de instituições parceiras e
pesquisadores, pensadores,
O Programa também reformula acadêmicos contemporâneos para
os papéis e a atuação do Estado, que, juntos, pudéssemos refletir
ao procurar ampliar os espaços sobre as diretrizes conceituais
públicos de compartilhamento de do Programa Cultura Viva
decisões e execução de políticas visando a convergência entre
com a sociedade, estando, portanto, os conhecimentos estruturantes
adequados às proposições de e os saberes que emergem da
democratização, participação experiência social.
e transparência na gestão dos
recursos (idem). O Cultura Viva inova A proposta do Seminário
ao ampliar, em uma perspectiva Internacional do Programa Cultura
horizontal, a relação entre Estado e Viva se propôs a ser um processo
Sociedade, construindo em conjunto que valorizou a construção cognitiva
as políticas públicas. O programa da experiência, sustentada pela se à polissemia e possibilitando interlocutores” (TEIA, 2006). Juventude, tradução cultural é um método
incentiva o fortalecimento da reflexão crítica coletiva, para a organização das condições de que mantém a diversidade,
sociedade civil ao propor uma nova apresentar, reafirmar, compreender, reflexão, formação e emancipação Da mesma forma, o grupo Grupo Aglutinador Cultura Digital, permitindo o intercâmbio e o mútuo
versão para o papel que o Estado sistematizar, ressignificar essa dos sujeitos envolvidos, bem aglutinador não é apenas um grupo enriquecimento.
deve desempenhar. experiência social, a partir do como o desenvolvimento de uma de trabalho, um novo nome para Grupo Aglutinador Cultura, Tradição
aprofundamento da discussão dinâmica coletiva que permita o velhas práticas. Novamente vamos e Invenção (Linguagem, ruptura e BIBLIOGRAFIA
Neste processo, muitos desafios de seus conceitos e diretrizes estabelecimento de referências à tradição, à etimologia da palavra, contradição)
se impõem. Os produtores de estruturantes, que estão na origem contínuas e evolutivas com o em busca de um nome que dê conta BRASIL. TEIA 2006. Brasília: SCC/
cultura precisam se aproximar da proposta e que todos os coletivo, no sentido de apreensão do sentido do Seminário: reunir, Grupo Aglutinador Cultura e Ministério da Cultura, 2006.
do Estado e compreender seu protagonistas dos Pontos de Cultura dos significados construídos e em ligar as pessoas e suas experiências Economia Solidária
funcionamento para que possa e das demais ações do Programa construção. umas às outras. Mudamos o BRASIL. Revista Cultura Viva.
intervir nos processos de gestão, com os quais necessariamente nome para mudar a lógica do Grupo Aglutinador Cultura e Programa Nacional de Cultura,
enquanto o Programa precisa lidar dialogam e que conhecem, seja A idéia do círculo de convergência, encontro. Nos grupos de trabalhos Emancipação (Estado, sociedade e Educação e Cidadania. Brasília:
com realidades diversas partindo de dos Editais, seja por vivenciá-los retomando a etimologia latina tradicionais o foco é no resultado política). MinC, 2004.
um arcabouço legal padronizado cotidianamente. da palavra, com-vergere, “tender deste trabalho, no produto. No GA,
e pouco flexível de um Estado ou dirigir-se para o mesmo o foco é no encontro, no processo Grupo Aglutinador Cultura como BRASIL. Programa Cultura Viva:
engessado e rígido. O que a Ao longo de cinco anos o programa ponto”(CUNHA: 2007,p.213), de reconhecimento recíproco. Bem Comum e Bem Estar (Saúde, Análises e Observações. Brasília:
experiência tem mostrado é que, vêm sendo traduzido em diferentes enfatiza a valorização de uma As palavras tradicionais já não Sustentabilidade e Soberania MinC, 2009.
por vezes, ainda que pareça que os linguagens, a partir da experiência experiências e é possível que um espaço de voz e escuta nova atitude epistemológica dão conta da experiência social e Alimentar).
processos burocráticos prevalecerão vivida desses novos agentes de elas ganhem visibilidade ou para todos os participantes, de encontro e curiosidade em ousamos pensar outras. CUNHA, Antônio Geraldo da.
sobre os processos criativos, tem- transformação cultural, criando organicidade a partir de iniciativas sem hierarquias. Não estamos relação aos diferentes sentidos O grupo aglutinador (GA) visa Dicionário etimológico da língua
se encontrado caminhos para a diferentes alternativas culturais e como a do próprio Programa de modo algum negando o que os conceitos estruturantes Os GAs3 tiveram mediadores e compreender como os conceitos portuguesa. RJ: Lexikon, 2007.
concretização e o amadurecimento estratégias políticas que geram Cultura Viva. poder simbólico do Estado ou do programa materializam na relatores que atuaram também estruturantes do Programa foram
da relação da gestão compartilhada ações coletivas em vasta escala dos grupos ali presentes, ao experiência vivida. O círculo de como produtores editoriais. Essa apropriados pelo conjunto dos SANTOS, Boaventura de Sousa
entre o Programa Cultura Viva e os territorial. Esta estrutura acolhe a Nesse contexto, propomos um contrário, eles são explicitados, ao convergência é entendido como dupla teve a função de mediar Pontos de Cultura e de que modo Santos.A gramática do tempo;
Pontos de Cultura. diversidade e a heterogeneidade Seminário que buscou sistematizar mesmo tempo em que fazemos um espaço dialógico inter-temático o diálogo entre os participantes, particular dialogam com os para uma nova cultura política. São
dos grupos que compõem os Pontos essa experiência na elaboração um esforço para que todos os em que no início do Seminário foi qualificando essa interlocução. conhecimentos emergentes que Paulo: Cortez, 2006.
Trata-se, pois, de uma experiência de Cultura, e foi necessária uma coletiva de uma genealogia do participantes tenham o mesmo apresentado o “estado da arte” do Em um primeiro momento os surgem da experiência vivida. E
em curso, até o momento bem parada para observar confluências Programa em que a memória é espaço para trazer e compartilhar Programa, bem como os objetivos participantes dividiram-se nos como essa experiência social SANTOS, Boaventura de Sousa
sucedida, de gestão pública e alteridades e construir uma visão atualizada e reafirmada para que seus saberes. Também buscamos do Seminário e sua metodologia. diferentes grupos e no segundo aparece na reflexão acadêmica Santos. Conhecimento prudente
compartilhada, o que significa um de futuro, criando as condições possa ser replicada. Propomos fugir do formato tradicional, Nesse primeiro momento momento os grupos foram reunidos e nas pesquisas. Para isso, para uma vida decente. Um discurso
grande avanço na construção de para sua sustentabilidade, a partir criar parâmetros amplos que engessado em mesas em que foram pactuadas as “regras de para socialização e reflexão buscamos aprofundar e enfatizar sobre as
uma relação mais democrática do encontro entre Pontos, gestores, contemplem a diversidade poucos falam e muitos escutam, convivência” durante o período conjunta. Foi fundamental nesse a polissemia dos conceitos, ciências revisitado. São Paulo:
entre o poder público e a sociedade pesquisadores/acadêmicos e intercultural característica do não havendo tempo para trocas do evento visto a necessidade de espaço o trabalho do mediador, a partir de algumas questões Cortez, 2004.
civil. O entendimento atual é de intérpretes/tradutores. Programa para convergir os de saberes. qualificar e adensar as discussões que funcionou como um tradutor norteadoras do debate, seguindo a
que o Programa deve direcionar conceitos estruturantes em para chegar ao objetivo do dos saberes, mediando as proposta de Boaventura de Sousa TURINO, Célio. Ponto de Cultura; o
suas forças para consolidar-se, Retomando a análise do IPEA diferentes discursos e escalas em Nesse Seminário ousamos pensar Seminário. O círculo foi também questões que permearam reflexão. Santos (2004) a metodologia de Brasil de baixo para cima. São Paulo:
buscando, por um lado, aprofundar (2005:102): um processo coletivo de construção que todos os participantes estariam o ponto de encontro de todos Neste processo, os GAs devem “tradução intercultural” recíproca Ed. Anita Garibaldi, 2009.
e divulgar seus conceitos, histórias social de conhecimentos que na “mesa” e, se todos estão na os participantes, onde foi feita a ser tomados como espaços de objetiva o “interreconhecimento”.
e experiências e, por outro, O Programa (...) prenuncia um surpreenda, interrogue, perturbe mesa, não há necessidade de partilha do que foi vivido e acordado reflexão a partir da troca e escuta Recomendamos que cada
fortalecer as iniciativas desenvolvidas novo paradigma de política pública e sugira o cenário de futuro do mesa. Assim, para o Seminário nos GAs, tornando possível ampliar entre os participantes. Os temas participante do grupo (com cerca
pela sociedade civil com foco cultural, muito pouco explorada Cultura Viva. Internacional do Programa Cultura o debate com a participação plena orientadores dos grupos foram os de 20 participantes) utilizasse um
na apropriação, na autonomia e e desenvolvida em experiências Viva propomos dois espaços que dos convidados. A idéia do círculo seguintes: tempo para expor brevemente sua
sustentabilidade. concretas de reorganização da O Programa Cultura Viva procura propiciem uma contraposição enfatiza o protagonismo de todos visão e sua experiência sobre os
atuação do Estado. Esse paradigma desconstruir o papel do Estado, das linguagens que permeiam os participantes que não são meros Grupo Aglutinador Arte e temas propostos. A metodologia
SEMINÁRIO INTERNACIONAL pressupõe uma ampla base de criando novos sentidos para a as diversas ações do Programa, assistentes e contribuem ativamente Transformação (Experimentação) de trabalho observa a idéia-
DO PROGRAMA CULTURA VIVA organização e de iniciativas relação Estado e sociedade, para o círculo de convergência a partir da experiência vivida e/ força: o que há de comum e de
autônomas da sociedade civil, o Seminário buscamos da mesma e os grupos aglutinadores. ou acadêmica, reforçando a idéia Grupo Aglutinador Cultura e diferente nessas experiências
Após cinco anos de gestão e mais que repercuta na dinamização da forma uma metodologia que Estes espaços buscam mostrar de Juca Ferreira de “colagem de Educação, narradas? Como identificar pontos
de 2000 Pontos de Cultura em ação pública estatal. Entretanto, priorizasse o encontro, celebrasse diferentes interpretações sobre subjetividades” onde “não há e modos de articulação, sem perda
todos os territórios do Brasil e no ainda se conhece pouco dessas a diversidade e que assegurasse um mesmo “conceito”, abrindo- expectadores, mas tão somente Grupo Aglutinador Cultura e de identidade e autonomia? A

60 61
1
Valéria Viana Labrea é educadora,
doutoranda em Ecologia Humana e
Educação Ambiental na Faculdade de
Educação da UnB, mestre em Educação e
Gestão Ambiental pelo Centro de Desen-
volvimento Sustentável da UnB (2009),
especialista em Educação Ambiental pelo
SENAC (2007), possui graduação em
Letras - licenciatura plena em Língua Por-
tuguesa pela UFRGS (2000). Atualmente
é consultora da SCC/MinC.

CARTOGRAFIA DOS PONTOS DE


17.
CULTURA: NOVOS MAPAS CONCEITUAIS
No início foi uma construção conhecimentos e os processos de discurso que é comum aos Pontos,
solitária, mas depois muitos construção desses conhecimentos. quanto suas particularidades. Por
outros chegaram. Incorporando (...) Precisamos aprender a isso enfatizamos que o foco não é
novas reflexões. Muitos atores sistematizar toda essa riqueza uma avaliação ou criar hierarquias
se incorporando. Pulsação. que vem pra nossa panela. Ação ou modelos estáticos. A idéia é
Maleabilidade. Busca também e reflexão. Princípio do professor- o contrário: os acertos, o como
de conhecimentos profundos, pesquisador. Fazer uma educação fazer de cada Ponto, suas escolhas
das referências universais, ir diferenciada – nasce a pedagogia e linguagens, bem como o erro,
profundamente utilizando as da troca – quando reconhecemos o equívoco, a incompreensão, o
diversas formas de inteligências. nossas diferenças e aprendemos encontro de diferentes escalas e
e crescemos a partir delas. Fazer diferentes realidades possuem uma
Para tirar esta foto do programa com que as escolas e comunidades vitalidade e revelam a criatividade
a metodologia da tradução possam transpirar com as culturas dos Pontos, que se superam e vão
intercultural permitiu que cada locais. A gente conquistou um além da proposta “original” do
grupo, dentro da sua singularidade, monte de coisas, mas agora Programa Cultura Viva.
refletisse sobre essa experiência precisamos sistematizar, registrar...
social a partir de seu próprio lugar O documento que vai sair daqui é OS GAS: PONTOS DE DERIVA
e, na escuta da narrativa do outro, um ovinho, que vai se desenvolver.
VALÉRIA VIANA LABREA1 se abrisse para outras perspectivas, Existem princípios comuns a nós Os Grupos Aglutinadores foram
MARIA ANTÔNIA DO CARMOS ampliando sua possibilidade de e são esses princípios que nos pensados como espaços de
RANGEL compreensão. Este encontro interessam, pois são eles que encontro e reunião de igualdades
produziu novos conhecimentos são capazes de transformar. GA2 e diferenças. Reunimos em cada
Exercício da liberdade. contextuais construídos Cultura e Educação. GA sujeitos que atuam nos Pontos,
Potência com afeto. É o que coletivamente nos GAs e validados no Estado, na academia, nas
praticamos aqui. nos Círculos de Convergência. Um dos resultados do Seminário comunidades e a partir de um tema
O comum é simples. Na perspectiva que adotamos, pode ser entendido como um comum, buscam compreender
A ressignificação da política no o conhecimento contextual é mapa que documenta uma a realidade do programa, a vida
século XXI, um território de pesquisa, um trajetória comum, percorrida por do Programa Cultura Viva. Antes
para além das fronteiras e dos campo empírico fértil para uma sujeitos singulares. A proposta de mostrarmos o que é comum
territórios, cartografia social e simbólica que deste trabalho é organizar e partilhado, organizamos uma
é reencontrar este sentido. busca relacionar os conhecimentos uma cartografia, que permita rede de formulação composta por
que a experiência de ser Ponto acompanhar o novo mapa diversas e diferentes narrativas,
Célio Turino de Cultura gera, produzindo uma conceitual que foi delineado no recortadas das falas dos GAs. Idéias-
narrativa afirmativa que mostra o encontro, alguns sentidos que forças, histórias, poesia, reflexão,
NO ENTREMEIO: ENTRE A que o Programa Cultura Viva tem, circulam ao redor dos conceitos recortes de um momento de pensar
DERIVA E A COSTURA sua potência para fortalecer os estruturantes do programa e que, junto que, esperamos, ajudarão o
vínculos de pertencimento e de em boa parte, organizam a rede leitor a compreender a amplitude
O Seminário Internacional do identidade, ampliar sua a visibilidade de formulações que compõem os do universo cultural em que os
Programa Cultura Viva buscou tanto para o Estado quanto em discursos e as narrativas dos Pontos Pontos atuam, seus interlocutores,
compreender os deslocamentos suas comunidades, e quais são os de Cultura, a partir da memória sua potência transformadora e sua
conceituais que a experiência vivida cenários de futuro possíveis. Nos cristalizada nos documentos dimensão política.
nos/pelos Pontos de Cultura e a grupos aflorou a percepção de que produzidos pelos GAs.
reflexão analítica e teórica sobre o Programa caminha em novos GA1 ARTE E TRANSFORMAÇÃO
eles produzem. A idéia foi dar campos epistêmicos, essa é uma fala Nosso esforço, ao organizar (EXPERIMENTAÇÃO)
uma parada para compreender recorrente e recortamos uma que as redes de formulação, é
essa experiência e os saberes que sintetiza esse pensamento: credibilizar toda experiência, para Coco da arte e transformação
produz. Nas palavras de Célio Turino compreender a polissemia que
no Círculo de Convergência que (...) Temos o interesse de formular “empoderamento”, “autonomia”, Eu vou mostrar para vocês
finalizou o encontro: um conhecimento diferente “protagonismo” e “gestão em Esse grupo que formou
daquele que é abordado nas rede” produzem no cotidiano Nosso tema não foi fácil
Daqui sai um retrato do programa. universidades. Observamos os dos Pontos, mostrando tanto o Olha o que resultou

62 63
Arte e transformação e transmutou Ser Ponto de Cultura é como ter fazer com que os jovens continuem
Implica em reflexão Labutou um selo de qualidade, e a aceitação no projeto, como fazer um trabalho
Leva a muito debate Labutou passa a ser diferente. Antes éramos que fomente no jovem a vontade de
Regando nossa paixão Gente da terra, custou a entender várias iniciativas separadas e depois gerir o Ponto também, de participar
seu lugar no mundo de virar Ponto de Cultura nos da promoção das atividades. Nosso
Falamos, teorizamos Culto à terra, às alturas tornamos várias ações conjuntas. entendimento de protagonismo
Teorizamos, falamos Alçou vôo e descobriu sua cultura. Construímos nossos próprios é o jovem encabeçando, o
Uma voz se levantou Cultura híbrida, cultura da vida, equipamentos de maquinário para jovem liderando o processo.
Mas o respeito não faltou ponto de luz que acolheu sua fala filmagem. Passamos a contribuir Protagonismo para a gente é o
tímida com o empoderamento dos outros, garoto tomar a responsabilidade
Aqui tem autonomia Valei-me Deus que esta seja nossa que também tinham dificuldades mesmo, é agir, tomar à frente e
Protagonismo e gestão sina! para adquirir esses equipamentos. ter ferramentas para fazer isso de
Lema do cultura viva Tirai o véu da opressão reprimida! Estamos construindo um pólo forma madura. Como fazer isso de
É potencialização Por favor, abençoe o Programa de produção audiovisual. Cada maneira organizada, estruturada?
Cultura Viva! Ponto de Cultura vai produzir um É importante dar ferramentas para
Pra continuar essa história filme, com esses maquinários que que o jovem possa ser protagonista.
De encantamento e afeto GA1 ARTE E TRANSFORMAÇÃO nós mesmos fizemos. Hoje temos
A nossa cultura em rede reconhecimento internacional. O GA4 CULTURA DIGITAL
Precisa da sua ação Arte está inserida em um contexto programa extrapolou as fronteiras
político. Arte é política, porque é do Brasil, é um exemplo para outros Software livre é parte do conceito
Olha a mobilização uma forma de se relacionar com países. Estamos produzindo vários de cultura digital, é uma peça
Olha a mobilização o mundo. Pode ser libertadora curtas e longa-metragem. fundamental.
Olha a mobilização ou opressiva. Nos processos Principalmente se falamos de
promovidos pelo Programa Cultura GA3 CULTURA E JUVENTUDE transformação social. Quando
GA ARTE E TRANSFORMAÇÃO Viva existe a vertente para libertar capacito alguém para usar software
e os conceitos de fundamentação Participação e envolvimento no livre ele passa a ser um produtor
Meus irmãos do programa demonstram essa Ponto desde a infância. A vivência daquele software. Traz a questão
Tenho uma coisa a dizer vertente. Arte, como a vida, está no Ponto modificou minha forma do empoderamento. O que é
Uma coisa que padrinho em fluxo, em movimento. Fazer de pensar, de interagir, me fez fundamental é que com o software
Já disse a vós micê arte com política não significa valorizar mais as questões do livre podemos compartilhar não
apenas pensar no conteúdo, mas município, a me preocupar em só o uso, mas o desenvolvimento
O que é a vida senão a arte? na forma e na linguagem que pode voltar a estudar. Percebi que a vida da ferramenta, o que possibilita a
Cria promover a reflexão crítica. (GA Arte tem mais Raízes, mais ramificações, inclusão da comunidade. Quebra
Expressa na pulsão das partes e transformação). mais possibilidades, não era tão a imposição do consumo de
O mistério que gira em torno da quadrada. A vivência no Ponto ajuda novos computadores a cada
transformação GA2 CULTURA E EDUCAÇÃO os jovens a enxergar possibilidades, transformação do software (como
Uma engrenagem que vibra a a correr atrás delas. Tendo essas acontece com os softwares
combustão Os Pontos de Cultura bem noções, os jovens conseguem privados). Isso tem várias
Porque não, combustão de sucedidos foram os que fizeram caminhar sozinhos – junto com conseqüências, como a diminuição
conhecimento as comunidades olharem para si o Ponto ou fora deles. Acho que do descarte de máquinas. Existem
Troca de saberes, mesmas. Instituição que atuava na o Ponto de Cultura abre mais a várias implicações filosóficas e
para saber o que está acontecendo comunidade identificando crianças cabeça. A relação entre o Ponto de políticas como a mudança do
A consciência de si, a atitude, o desnutridas, famílias que deveriam Cultura e a comunidade é muito padrão de consumo – a inversão da
empoderamento receber bolsa família, convidou boa. Eu defendo o Ponto e me sinto lógica de mercado.
Poder que é meu, é seu, de Dona a comunidade a conhecer as parte dele.
Maria e Seu Zé do Lamento benzedeiras, desenvolveu uma ação GA5 CULTURA, TRADIÇÃO
Que do lamento já se cansou educativa. Cultura virou nossa bandeira. O E INVENÇÃO (LINGUAGEM,
Descobriu- se mestre de si mesmo maior desafio do Ponto sempre foi RUPTURA E CONTRADIÇÃO)

64 65
Do vale d’água d’alma (como fazer editais e avaliações com dos conceitos. Deve ser entendido quando se referem ao Programa e GA5 CULTURA, TRADIÇÃO E importante o tempo de aproximação
Dourou alma pensante comunidades de tradição oral. como todos ao mesmo tempo. A os Pontos de Cultura. INVENÇÃO e apropriação do jovem com
Nasceu cidade na pedra heterogeneidade do programa. o ponto, a forma como esse
GA8 CULTURA COMO BEM GA7 Cultura e Emancipação (Estado, É uma linguagem de aprendizado, A autonomia aparece em várias se envolve com o espaço e se
Escorre lagrimas dos lamentos COMUM E BEM ESTAR sociedade e política) com os Pontos de Cultura dentro dimensões: no nível pessoal, do apropria dele. Isso gera também
Almas choram a dor do mundo (SAÚDE, SUSTENTABILIDADE E Os Pontos de Cultura do programa do Ministério, aberto sujeito tomar a frente e protagonizar empoderamento.
A terra treme, pedra voa aos céus SOBERANIA ALIMENTAR) potencializaram o protagonismo, para transformações, conforme as e propor ações; no coletivo,
Cai chuva de pedra, desaba morro autonomia e empoderamento que já experiências dos próprios Pontos no sentido da emancipação, GA4 CULTURA DIGITAL
Como simbologias como a existiam. (...) Há modos de repensar de Cultura – isso é uma nova quando o Ponto pode fazer suas
As mãos calejadas, mas o sustento fitoterapia, palhaços e kaiós entram o jeito de trabalhar; é mudar em nós linguagem política. próprias regras, e no sentido da Mas a autonomia é só
ganho na formulação do comportamento? os conceitos. Nós temos uma teoria sustentabilidade econômica. Em financeira? Não, há ainda a
Com marreta e cunha quebra A medicina tradicional objetifica e na prática funciona diferente. Não CULTURA, TRADIÇÃO E comum, a percepção de que questão da autonomia política.
pedra o paciente. A arte entra nesse dá para trabalhar conceito e prática INVENÇÃO (LINGUAGEM, a autonomia não é dada, mas Traz aproximação dos atores, dos
Filhos da pedia vivem na mata momento de conhecer o mundo do separados. RUPTURA E CONTRADIÇÃO) construída ao exercitar o fazer. Pontos com as políticas de governo
Almas pensantes chegam ao vale paciente, mas também conhecer e gera possibilidade de questionar
Bebem d’água, provam o encanto o mundo do médico. O veículo GA2 CULTURA E EDUCAÇÃO O Programa Cultura Viva não pode GA ARTE E TRANSFORMAÇÃO e reivindicar. A autonomia está
Deste canto silencioso e aberto a terapêutico vira arte. A cultura ser entendido a partir do viés de um (EXPERIMENTAÇÃO) ligada à parceria, à multiplicação
todos parece ser uma forma eficiente de Os conceitos do Programa Cultura dos conceitos. Deve ser entendido das possibilidades de cooperação.
Revelo em simples versos diminuir o muro entre dois mundos Viva interagem e fazem surgir novas como todos ao mesmo tempo. Isso A autonomia é criar regras próprias A autonomia tem a ver com
O canto da terra (na relação entre médico e entre formas de experiências, através da é a heterogeneidade do programa. de trabalho é reinventar novas individualidade, tem que ser inteiro.
Da pedra d’água vida brota paciente). arte. Os conceitos surgem das ações Existem pontos que podem se formas de expressão. Poder vivenciar Por ser completo, eu posso ter
Desbrota rosa do tempo praticadas, eles são inicialmente sustentar e outros que não. E isto a arte respeitando as singularidades, parceiros. Cada um entrou com sua
Alumeia a terra clareia a áurea - AS REDES DE FORMULAÇÃO: vivenciados e aí reconhecemos não é um problema se ele está sem um modelo pré-estabelecido inteirice. A articulação foi feita com
Pai das Eras PONTOS DE COSTURA como os conceitos atuam na centrado na diversidade cultural, ele pelo Estado. As demandas internas autonomia.
prática, eles se inter-relacionam deve levar isto em questão. são buscadas e encontradas dentro
- JULIO CÉSAR (GA 5) Em seu texto sobre a experiência do e podem ser vivenciados através Temos que tomar cuidado com dos próprios grupos. Mas abre brechas para autonomia
GA Tradição e Invenção, TT Catalão da gestão em rede. É importante relação a dogmas conceituais. Autonomia é mais que financeira, para a troca de riquezas
GA6 Cultura e Economia Solidária resgata o termo “pontos de costura” compreender a circularidade dos Ter um diálogo com uma nova sustentabilidade econômica. materiais e imateriais. Pensar
Há a história de um grupo de que surgiu na reflexão deste grupo. conceitos e como cada um contribui concepção de espaço público. Novo na economia da cultura para os
mulheres se encontravam na bica Essa metáfora é feliz para apresentar para o fortalecimento do outro. Os sentido de participação, reforço do GA CULTURA E EDUCAÇÃO Pontos de Cultura que trabalham
de água e reclamavam da opressão a rede de formulação que identifica conceitos começam a ser ativados, seu poder enquanto sociedade. Via com a cultura digital. Exemplo dos
que sofriam dos seus maridos as falas recorrentes que surgiram a partir da conscientização das de mão múltipla, se é que é possível Autonomia não é algo que dá e nem jovens que montaram empresa,
Então, começaram a se organizar nos GAs, os sentidos comuns na pessoas e a gestão em rede é a falar assim. que se toma, mas é compactuar, mas continuaram a trabalhar como
em uma cooperativa de catadoras experiência vivida dos conceitos. interação entre as pessoas que coletivizar, é algo que se constrói. O ponto de cultura. A criação de
de resíduos, mobilizando cada vez Inicialmente, um consenso nos permite que as identidades se Ter cuidado para não atribuir apenas Cultura Viva permite essa troca de empresas e de projetos sustentáveis
mais mulheres, gerando renda, GAs: autonomia, protagonismo, revelem e se valorizem. ao Estado a responsabilidade de saberes. E isso reverbera muito na é uma discussão pertinente.
conseguindo, transformar suas empoderamento e gestão em resolução de problemas. É preciso autonomia.
vidas. Elas conseguiram maior redes são conceitos imbricados, GA1 ARTE E TRANSFORMAÇÃO sempre pensar novos modelos. A Existe, por trás da ação do governo,
autonomia e melhor qualidade de um implica e determina o outro, (EXPERIMENTAÇÃO) nova virada na gestão do programa, GA CULTURA E JUVENTUDE no sentido da capilaridade e
vida. “Nós éramos lagartas, agora separados não dão conta do sentido a descentralização pode ser benéfica do estímulo, a autonomia, a
somos borboletas”. político que as ações que os Pontos Outra percepção importante que para a permanência do programa. Autonomia e empoderamento possibilidade de criar inclusão
protagonizam. Essa percepção surge da interlocução nos GAs A estadualização é uma ferramenta caminham juntos. O jovem tem uma da informalidade na formalidade
GA7 CULTURA E EMANCIPAÇÃO confirma uma idéia que está na é que os sentidos das palavras importante para o enraizamento do margem de escolha, nem sempre (mundo real). Para prestar serviço
(ESTADO, SOCIEDADE E origem da formulação da proposta “autonomia”, “protagonismo” e programa. É preciso também que a ele vai responder às iniciativas da como terceiro é preciso entrar
POLÍTICA) do Programa, publicada na Revista “empoderamento”, considerando dimensão nacional não seja perdida, forma como esperamos. Não é só no mundo da formalidade. Isso é
Cultura Viva: as práticas dos Pontos, devem ser e isso pode ser feita pela gestão a vontade de fazer algo, mas fazer também conquistar autonomia. Ao
O programa quebra alguns Autonomia, protagonismo e redefinidos, atualizados, melhor em rede. Fortalece o programa algo desvinculado das idéias de longo do processo, a apropriação
paradigmas na questão do que é empoderamento não podem ser qualificados: “a partir da vivência localmente, nacionalmente e até outras pessoas, mesmo que dentro possibilita a autonomia. No final do
cultura. Saiu-se de poucos projetos entendidos separadamente, de criar novos conceitos. A partir globalmente. de um grupo. É uma capacidade processo é importante avaliar se há
milionários para algumas poucas maneira estática ou como modelos. das experiências e observações ou possibilidade de agir e pensar autonomia para continuar.
empresas, para uma quebra São conceitos em construção e seus da comunidade.” (GA Cultura e Cultura e Emancipação (Estado, por conta própria, por vontade
de paradigma. Isto permitiu a significados só ganham relevância Juventude). sociedade e política) própria. A autonomia tem um O que precisa ser feito é criar uma
participação de grupos menores. na proporção em que se relacionam pouco do desejo de fazer alguma lei que reconhece a legitimidade do
Este programa é, portanto, o pulo e quando expressam as experiências No Círculo de Convergência foi - AUTONOMIA coisa, independente de se alguém que não é formal. É uma questão
do gato. A cultura não precisa, dos próprios Pontos de Cultura, falado da necessidade de “reflexão colabora ou não, ou de se você tem de retomar o poder. Por outro lado,
contudo, estar inserida no mercado . contribuindo para a construção teórica para construção de um Nosso ponto de cultura não recebe o conhecimento para isso ou não. estamos lidando com dinheiro
Estética, ética e economia. Deve- de uma gestão compartilhada e léxico adequado a esta política” recurso há dois anos. público, então temos que prestar
se reconhecer a importância do transformadora (BRASIL, 2004). (GA Cultura e Emancipação) e da E fazemos muito mais agora. Reconhecer que você tem uma contas... Tem que haver tensão
processo. inadequação de alguns termos, Quando tem dinheiro todo mundo individualidade, que tem respostas dos dois lados. A informalidade
Segue a rede de formulação, utilizados freqüentemente em se acomoda próprias, ainda que outras pessoas tem que ter mecanismos de
Temos uma responsabilidade Não produzir um produto na produzida na interlocução nos GAs: contexto neoliberal e assim GA3 Cultura e Juventude tenham ajudado a construí-las. garantir o uso correto dos recursos.
A nova linguagem a ser trabalhada de desconstruir os mitos e os ponta prejudica os eixos estéticos O objetivo é juntar, associar os três banalizados, porque tentam Acho que autonomia está muito A informalidade tem criado
é que a comunidade não deve se estereótipos em relação a cultura e éticos. Vale-se perguntar onde se conceitos. Embora esses conceitos enquadrar essa experiência social Nada do que estamos falando é relacionado aos processos de novos mecanismos. Existem
adequar ao estado, mas o estado oral e a cultura letrada. produz a hegemonia? É possível se possam ocorrer separadamente, em termos que a reduzem: a “carga papo furado. Tudo que falamos, nós construção e reconstrução no mecanismos dentro do sistema.
deve se adequar às comunidades... auto-sustentar produzindo contra- nos Pontos eles aparecem política muito é grande, os discursos fazemos. cotidiano. Mas a formalidade é desejada?
Quando um Mestre não pode ser Romper o mundo de paradigmas hegemonia? E tem manifestação misturados. (...) Encantamento: estão fundamentados, mas é na Beth de Oxum trabalha até dentro Sim, se agimos com simplicidade,
reconhecido pela estrutura eu que nos limitam. Contradição é artística que nunca vai ser empoderamento, autonomia, linguagem, na ressignificação dos da escola de crentes. Programa Agente Cultura Viva é interessante. Quase todos os
enlouqueço, por que a estrutura do o povo que era do gueto e da superavitária. E não tem que ter protagonismo... são inerentes na signos, no suor e na transpiração Somos vírus, vamos entrando nos - Cada Ponto escolhia um curso Pontos reconhecem a importância
Estado então não está conectada ponta, da base, hoje ocupar o vergonha disso. nossa ação, em cada momento um deste momento de transição que lugares. de formação, jovens recebiam da prestação de contas do dinheiro
com a realidade. O que é a cultura lugar que hoje ocupamos, essa é a deles aparece com maior força os conceitos acontecem”(GA bolsas por participação nos cursos. público.
brasileira nesse momento, qual é contradição, ter o dom da palavra Cultura Viva é uma vitrine que deu Cultura, tradição e invenção). GA4 CULTURA DIGITAL Isso teria sido uma forma de
a linguagem? Dentro do Estado de igual para igual. visibilidade à crise do Estado, crise GA3 CULTURA E JUVENTUDE A idéia é, então, tornar claros unir protagonismo, autonomia, Teia, encontro dos Pontos de
essa diversidade ainda não é das relações. Problema com relação os sentidos que as palavras Autonomia já existia e existe nos empoderamento. A primeira rede foi Cultura, com socialização das
compreendida como linguagem. - d’ÁGUA d’ALMA à representação das perspectivas nos O Cultura Viva não pode ser “autonomia”, “protagonismo” terreiros uma rede composta sobretudo por experiências. Há autonomia dos
mecanismos burocráticos do Estado entendido a partir do viés de um e “empoderamento” produzem jovens. Para gerir protagonismo, é pontos para organizar o evento.

66 67
De que forma a economia solidária direito. Mas não devemos nos abster Protagonismo é uma participação
Estado X Autonomia: exercício pode gerar um Ponto de Cultura? de criticar o Estado porque ele é o GA8 Cultura como Bem Comum e GA1 ARTE E TRANSFORMAÇÃO pró-ativa. Ação protagonista é uma
de respeito ao burocrata. A Há autonomia na economia agente financiador. Bem Estar (Saúde, Sustentabilidade e ação que se gesta em um processo
burocracia é uma questão de solidária, na gestão econômica e Soberania Alimentar) Protagonismo é fundamental para de reconhecimento das diferenças.
zelo do estado brasileiro. O país organizacional, no uso de moedas Temos direito aos recursos e Os princípios da Autonomia e do por na mesa o debate sobre o É construir coletivamente, estimula e
não teve uma revolução, mas sociais; vale-cultura como moeda à participação nos processos Protagonismo caminham juntos. reconhecimento. É a ação que gera envolve a participação de todos.
uma força de comando sutil com social, gerando autonomia sem fazer decisórios. O subsídio é um direito, Autonomia significa comunicação e a consciência, o reconhecimento
algumas contradições...Cumprir juízo de valor. mas trabalhando num Ponto de parceria. Quando você tem parceiro, e o pertencimento, o respeito à GA 4 CULTURA DIGITAL
a determinação forte e rígida. Cultura é importante saber o você consegue ser mais autônomo, diversidade. Os grupos, os Pontos de
São mecanismos de controle GA7 Cultura e Emancipação (Estado, quanto isso gera de insegurança. porque mesmo que o projeto acabe Cultura se reconhecem no processo A autonomia está ligada ao
sobre o dinheiro publico. Tem sociedade e política) Uma única fonte de financiamento você consegue seguir seu trabalho. de vivência das políticas públicas. protagonismo. Não é um princípio,
os clientelismos grandes e os Autonomia é capacidade de gestão, gera incertezas. Uma fonte só de GA2 Cultura e Educação você tem que chegar lá. Podemos
pequenos, que a sociedade pode o empoderamento está dentro. financiamento é problemática. Temos que ter noção do modo ver os pontos de cultura como
não entender. A resposta a isso não é a auto- como nossa sociedade está O Programa Cultura Viva política pública – do ponto de vista
Autonomia deve jogar no ataque, sustentabilidade a partir da inserção estruturada. Que humanos potencializou quem já trabalhava, da participação – como aquilo que é
Há resistência do Estado a esse tipo pois pode romper com algumas do Ponto no mercado cultural. somos nós que fazemos esses quem já era protagonista e por da sociedade.
de interferência no Estado... A normas, repensar algumas amarras. Isto é, inclusive, um gargalo do movimentos, para se transformar? isso o programa fortaleceu essas
autonomia é uma infiltração dentro A autonomia deve avançar no programa. Somos muito mal formados para características. Os Pontos de Cultura Decidimos que a sede seria, então,
Fusão de uma parceria com governo do Estado. Mas existem mecanismos sentido dos orçamentos públicos. viver. É necessário mudanças bem sucedidos foram os que fizeram os espaços das organizações
com a organização autônoma, Autonomia a gente conquista. dentro do Estado que começaram a Autonomia de ações e avançar Não ter capacidade de se sustentar mais profundas, precisamos as comunidades olharem para si parceiras. Isso proporcionou
mediada. Em contraposição, Chama para o desafio... “a Bahia permitir algumas consolidações... contra a burocracia. A emancipação é problemático. A autonomia formar humanos diferentes. Existe mesmas. protagonismo e união, também
as conferências de cultura são já nos deu, graças a Deus, régua é a construção da superação também diz respeito a aprender um método de gestão errado, um empoderamento maior.
centralizadas pelo Estado. Isso foi e compasso”, agora vou traçar o Política.... nós somos os autores das desse aparato, construção de a gerenciar os recursos. Às vezes precisamos mudar isso. GA3 CULTURA E JUVENTUDE Conseguimos realizar muita
contestado e agora está mudando. meu caminho... a gente não pode autoridades... contra-hegemonia, gera a ruptura ficamos muito à espera do Estado. O coisa sem recurso financeiro.
GA5 Cultura, Tradição e Invenção esperar que o Ponto de Cultura Um Estado poroso nos interessa, necessária com o aparato de Estado. caminho se aproxima de processos A autonomia depende de um No caso do protagonismo, a Conseguimos descobrir que éramos
(Linguagem, ruptura e contradição) desenhe nosso caminho, a saída assim podemos trabalhar nas participativos, pois isso vai garantir fomento inicial. Eu não preciso ser questão de como fazer o jovem se mais fortes do que acreditávamos
Mestre Teodoro de Bumba meu Boi para essa conquista de autonomia frestas...os discursos do Estado e das Há limitações que as relações entre autonomia e capacidade de andar voluntário para mudar o mundo. sentir parte do espaço é importante. ser.
diz: “eu quero que o governo me usando o Ponto de Cultura como pontas ou Pontos, serem diferentes o Estado e a sociedade trazem para com as próprias pernas. Temos que Eu não preciso doar minha vida. Nesse sentido, é bom que se deixe o
apóie, mas não é o governo quem ferramenta está muito conectado na é um fato, mas isso não pode a autonomia. O Estado tem um pensar na cultura como direito, Posso ser complementar ao sistema. jovem fazer o que ele tem vontade, É importante que se legitime o
tem que dizer o que eu tenho que gestão em rede. A hora em que os impedir que todo o aprendizado conjunto de regras muito rigorosas. e também como investimento. E Formar gente diferente, formar dar espaço para que ele possa movimento, mas fico pensando
fazer, não. Se uma pessoa estiver Pontos efetivamente trabalharem em possa ser sistematizado! A revolução No Estado é a autonomia com o construir bem a política para que filhos diferentes. Prefiro ver que traçar seus próprios caminhos. O se uma comissão nacional não
precisando de uma feira, eu vou rede, essa autonomia estará sendo vai se dar nos patamares das limite dado pelas regras da área a insegurança diminua. Extrema não existe oportunismo. Existe jovem pode sair do Ponto em um recria modelos antigos e impede
fazer uma feira.” Poder fazer o que alcançada. contradições... pública, toda a autonomia é regida dependência dos pontos de cultura oportunismo dentro de um sistema determinado momento, formar o surgimento de coisas novas. A
for necessário segundo o presente e por critérios. Existem algumas com relação ao Estado. Forma de de valores. Há modos de formar outras alianças, fazer outros tendência é de que quem está
a necessidade daquela comunidade, Autonomia ainda é uma meta a ser GA6 CULTURA E ECONOMIA ferramentas do próprio programa gestão dos pontos ainda é precária. indivíduos íntegros. Não precisamos projetos, voltar para o Ponto ou nos Pontos de Cultura é fique
o que não acontece com a relação atingida dentro do Programa Cultura SOLIDÁRIA que evidenciam bem essa não- Isto interfere na autonomia. Não desfazer o que já está implantado. não. É difícil mapear como fica o como homologador da proposta.
com o Estado, ele pede um roteiro Viva, principalmente em relação autonomia. Um exemplo é o edital. houve preocupação de fazer a protagonismo e a autonomia depois Construímos o carro novo com
“antes”. A autonomia é poder aos gastos. Pontos de Cultura como A autonomia é a capacidade de capacitação de gestão dos pontos. PROTAGONISMO que o jovem sai do ponto, mas é rodas antigas. Sempre existe o
de fato permitir as ações locais, premiação pode ser um meio de tomar decisões e arcar com as Autonomia e sustentabilidade são Lei 8.666 (Lei da Besta). Lei se importante saber que a semente da papel da liderança, alguém tem
conforme as necessidades das gerar maior autonomia. conseqüências delas; é igual à coisas diferentes. Ter os recursos refletiu nas regulações e contratos Quem é o protagonista? autonomia ficou. que decidir... Mesmo que o outro
comunidades. O fato é que o Estado independência e liberdade de estatais é direito. Cultura é um que o governo firma e trata em pé concorde.
é regido por leis que foram criadas A autonomia é também uma utopia ação, saber fazer bem o que se direito. O avanço cultural se liga de igualdade os pontos isolados O cara que no barco grita ‘how’, ou O protagonismo é o aspecto mais
para ações que não as culturais. Os maior. A sociedade que queremos faz. É a independência do conceito a uma forte intervenção estatal e grandes empresas culturais. quem na novela aparece mais? relacionado com as outras questões. Quem primeiro levou os
indicadores adotados não refletem está diretamente articulada à e da implantação da proposta; porque não é possível para os O subsidio a cultura é ínfimo se Como ação, protagonismo é relativo Falta especificamente no debate do equipamentos para a comunidade
essa realidade. autonomia: é o poder de cada independência financeira. A grupos se auto-sustentarem. O comparado, por exemplo, ao da à pró-atividade, é mais como um protagonismo o que o diferencia, fomos nós. Depois pensamos em
um poder construir, o poder de autonomia está ligada diretamente programa não lida com a produção agricultura. verbo: protagonizar, ter iniciativa. o que o caracteriza. Acho que a ampliar essa possibilidade, com
Autonomia não se conquista, se estar no seu lugar alterando e à questão da sustentabilidade. de bens culturais para serem O protagonista impede que o canto palavra liderança é uma palavra base no interesse demonstrado.
retoma, como os povos indígenas. modificando as coisas. A autonomia Existe uma demanda por discutir vendidos no mercado e resta a O pensamento neoliberal também das sereias desvirtue o grupo. importante nesse contexto. É o O lugar é um terreiro. A lógica
A autonomia já existe dentro das está relacionada diretamente ao como a política pública vai dialogar alternativa do subsídio estatal. É trabalha com um significado Seria o protagonista o ator principal? jovem participando do processo ou de trabalho tem que contemplar
tradições e das manifestações projeto político, é um projeto a ser para gerar autonomia. um longo processo, não basta o de autonomia, que é o de é mais que participação? essa perspectiva e também
culturais. construído coletivamente. aporte de recursos inicial, e isso é desresponsabilização do Estado. GA4 CULTURA DIGITAL a característica periférica da

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comunidade. É a convergência da - Respeita a lógica e a vivência local
transversalidade dessas ações que valorizando a comunidade
proporciona a cara do trabalho. - Oportunidade de criar
Agora todos da comunidade já - Dar responsabilidade de gerir idéias
dominam todo o processo. Não - Descobrir lideranças.
precisamos estar mais lá. Um É uma característica natural do
trabalho bem sucedido se encerra indivíduo, pode ser incentivado ou
em período determinado. Segue a inibido, depende do modo que se
lógica da pedagogia freireana. trabalha.

Autonomia e protagonismo GA8 CULTURA COMO BEM


interagem em cada momento. COMUM E BEM ESTAR
Intercâmbio – protagonismos (SAÚDE, SUSTENTABILIDADE E
alternantes. SOBERANIA ALIMENTAR)

Protagonismo é meter a cara, é Protagonismo é uma coisa muito


decidir ir em frente, é ser também genérica. Não consigo entender isso
o ator principal. É agir com no comum. É uma palavra muito
consciência. apropriada, mas tem que ser uma
categoria comum para vários atores
Entender o protagonismo como primeiro.
uma forma de resistência. Para
ser protagonista você tem que se Protagonismo significa articulação,
subverter. As pessoas com quem mostra que você como sociedade
a gente trabalha também são pode mudar as coisas. complexa para desenvolver sua sugerir projetos, atividades. Isso discussão não pode ser feita sem monopólio. A Cultura não como
protagonistas do processo. própria ferramenta. Ninguém deu gera, aos poucos, um sentimento que a gente reflita em como se dá uma política de governo, mas
Fala da relação articulação e isso a eles. de autonomia, você começa a se a produção e circulação cultural no como política de Estado. Em que
Na hora que alguém faz um protagonismo, que envolve sentir mais aberto a participar de país. Esta não é a função do Ponto medida a norma deve sobreviver aos
programa com a comunidade toda comprometimento. A articulação Empodimento – uma pessoa trocou novas experiências. Esse é o segredo de Cultura, mas se for, teremos que governos. Exemplo: Maracatus e
ouvindo... Olhe a auto-estima vem como necessidade de a palavra sem querer e acho que do empoderamento, se sentir bem lutar contra esses monopólios. cavalos-marinhos em PE.
crescendo! Isso é protagonismo. qualificação do seu Programa. isso foi muito interessante. Ela fazendo aquilo, o que leva ao
disse: a gente pode mesmo. Ela sentimento de pertencimento. Os Pontos de Cultura são O Ponto de Cultura apresenta o seu
GA5 CULTURA, TRADIÇÃO - EMPODERAMENTO está percebendo que ela pode. extremamente heterogêneos em projeto. Autonomia da rede. Escolas
E INVENÇÃO (LINGUAGEM, Empodimento é o contrário do que Pensando no Pontão, acho que isso vários aspectos. Eles não nascem Vivas. Conceitos transversais de
RUPTURA E CONTRADIÇÃO) Empoderamento não como impedimento. Empodido. A gente às demora um pouco mais de tempo. com os programas do Ministério. acordo com o caminhar da rede. Os
tomada de poder, mas como vezes não pode tudo. Gosto mais de Acho que o empoderamento vem Portanto, potencializam práticas. Pontos de Cultura têm autonomia de
O protagonismo transforma, distribuição de responsabilidades ficar do outro lado, conversando... com o acompanhamento do que Não é o Ponto que empodera propor seu projeto. A capacitação já
o Ponto de Cultura reconhece com o coletivo, com o outro, a gente pensa que nós estamos vai sair a partir da formação. Pode a instituição. Não é o Ponto de está prevista nos âmbitos estaduais.
todas as dignidades que estavam através do protagonismo. Divido empoderando. Quem tem cultura demorar um tempo até que aquele Cultura que ganha legitimidade do Cultura não como produto final, mas
abandonadas, na hora em que responsabilidade com o Estado, mas viva, já pode tudo. processo gere frutos, mas quando Estado; o Estado também ganha como processo cultural. Na rede,
traz a dignidade para frente é a faço da minha forma. gera, você percebe que houve um legitimidade com Pontos de Cultura. eles trocam processos culturais.
centelha que traz todo o processo GA3 CULTURA E JUVENTUDE empoderamento. Afroreggae e Ação da Cidadania Este também tem valor, tanto de
transformador da cultura. Espaços Empoderamento é uma forma de ao protagonismo. Um sujeito forte como exemplos. O empoderamento escambo quanto financeiro, mas
de encontros e trocas fortaleceram ressignificar o poder; assumir a Relação entre o empoderamento GA4 CULTURA DIGITAL é um protagonista. Fortalecer faz A palavra empoderamento é o reconhecimento do trabalho também acadêmico.
protagonismo de sujeitos que não responsabilidade com o conjunto da e a autonomia é dinâmica, não com que acreditemos que todos tem em si gera estranhamento. Só do grupo que proporciona novas
tinham papéis definidos. sociedade; cada um se apropria de necessariamente uma coisa leva a Não gosto de empoderamento, a alguma coisa especial dentro e o funciona se for coletivo. Enfatiza- relações com a cidade e com A experiência de artista. É
como exercitar o seu poder. outra em um sentido unidirecional. gente não entende isso, a agente que falta é fortalecer. Fortalecimento se a importância de se pensar no governos locais. Agora com a força importante pensar na situação de
Protagonismo é um pouco Objetivo é juntar, associar os três entende o pertencimento. O próprio / empuleiramento (ver de cima, subir conceito no sentido político, ou do governo federal. O Estado pauta trabalho do artista. Se ele já existe e
contraditório com o conceito de O empoderamento permite que eu conceitos. Embora esses conceitos conceito de empoderamento é no puleiro). seja, em uma questão mais ampla, e é pautado o tempo todo. está sendo um ponto de recepção
autonomia. Mas ao mesmo tempo me construa como sujeito e como possam ocorrer separadamente, nos importado. Gestão dos pontos no contexto em que estamos. É de difusão de produtos artísticos,
para ser o verdadeiro protagonismo, seres políticos. “Todos somos seres pontos, eles aparecem misturados. – grana, hierarquia, quem faz, No lugar de empoderamento uso necessário preparar o indivíduo e A palavra empoderamento é muito é bom que se pense no artista. A
ou no seu melhor sentido é ser políticos.” quem recebe... São autônomos? pertencimento, isso te pertence. Em o coletivo para “usar” a palavra/ americanizada. Fortalecimento questão do dinheiro, portanto, é
entendido como “oportunidade”, Talvez a palavra empoderamento Há questões de disputa. O outro alguns casos o pertencimento pode conceito. É um processo de da potência do ser enquanto sim importante. Exemplo: linhas
“visibilidade”. Transformar o GA2 CULTURA E EDUCAÇÃO não seja a palavra mais adequada, lado da solidariedade. Pensar ser visto como empoderamento. construção para que se chegue aos sujeito histórico. Quanto mais ele de crédito. O artista também é
comando, os sujeitos que estão no porque passa a idéia de que alguém novos modelos de gestão. Reconhecer o que já existia também avanços requeridos. É o próprio compreende este potência, mais ele protagonista.
comando. Assumir o holofote. Não Empoderamento é tomar aquele dá o poder, não necessariamente Empoderamento significa “ter bala é poder. As pessoas hoje não passo para a superação dos consegue empreender e mudar a
permitir que os outros contem a lugar. “Apoderar-se de” é mais do que as pessoas se empoderam. na agulha”, ter poder, ser quem são preparadas para lidar com o obstáculos. Capacidade de superar história. Eu acesso recursos públicos GA8 CULTURA COMO BEM
minha história. O programa abre que empowerment. “Apoderar- Talvez fortalecimento fosse uma pode mandar. Tradução para o reconhecimento. problemas em conjunto. não importa qual governo. Acessar COMUM E BEM ESTAR
cortinas e permite que o povo se de” é tornar próprio de mim. palavra melhor. inglês do termo de Paulo Freire – recurso não é fazer aliança. Exemplo (SAÚDE, SUSTENTABILIDADE E
mostre a sua cara. Apropriar-se é um ato externo autonomia. Re-importar o conceito. O empoderamento como doação GA7 CULTURA E EMANCIPAÇÃO com relação às entidades: muitas SOBERANIA ALIMENTAR)
e empoderamento é me tornar Acho que o empoderamento está Faltou conceito de sustentabilidade, não faz sentido, eu não dou o poder (ESTADO, SOCIEDADE E entidades com mais de 2 anos
GA6 CULTURA E ECONOMIA consciente do meu poder. Aí em ligado à idéia de saber que posso tem a ver com autonomia, mas por a alguém! POLÍTICA) EMPODERAMENTO de prática (o que exige o edital). Empoderamento implica na idéia
SOLIDÁRIA posso me tornar protagonista a fazer alguma coisa, de poder fazer um viés econômico. Pertencimento (“isso” é seu!), DENTRO DOS PONTOS DE Aumento da disputa por recursos. de que se possui o poder. Isso é
partir do meu empoderamento e ai algo e contribuir de alguma forma. com identidade (ter nossa cara, CULTURA O Cultura Viva provoca autonomia incômodo.
Protagonismo é: sim me tornar autônoma. Vamos Poder passar o seu conhecimento GA5 CULTURA, TRADIÇÃO nosso cabelo). Eleva a auto-estima, em entidades que já tinham uma
- Ser “dono” de si dar empoderamento para fulano de para o outro. E INVENÇÃO (LINGUAGEM, colocar os “meios de produção” Tem o problema dos editais. Há história. Poder é saber. Quero ser poderoso,
- Ser sujeito da ação tal. Dificilmente fala-se de apoderar. RUPTURA E CONTRADIÇÃO) na mão de quem cria e de quem perda de autonomia para um grupo mas sobre mim, sobre meu destino
- As demandas são dos próprios Apoderar é sempre de dentro para Empoderamento é um pouco a idéia Empoderamento, eu fui traduzir faz. O empoderamento é “dado” se manter por vezes. Pra dentro dos A economia da cultura é limitada. e acho que todos devem querer isso
sujeitos fora. Nós estamos nos apoderando de se sentir responsável pelo Ponto essa palavra, porque era nova para ao outro Ð auto-empoderamento é pontos de cultura, empoderamento. Não trabalha com o conceito de também.
- Na Economia Solidária o de algum tipo de ação e somos e, ao mesmo tempo, de se sentir mim. É o fortalecimento e não incorporado; são atitudes e ações Pra fora, como alargar o espaço hegemonia. Incomoda pensar a
protagonismo é de pessoa, e não do capazes de executar aquele tipo de bem participando dele, se sentir empoderamento. Potencialmente afirmativas que fortalecem as de formulação das políticas, não cultura enquanto produção de Empoderamento é compartilhar e
mercado ação. à vontade. Quando você começa temos tudo o que buscamos, o que pessoas/ajuda a se descobrirem. apenas execução. lucro. Emancipação não como depois comungar (comungar aqui
- Protagonizar através dos sujeitos a se sentir parte do Ponto e a se temos é que fortalecer. produção de recursos. O ponto de está relacionado à fraternidade).
o uso que se faz da renda/sobras a O pessoal da favela se apoderou sentir bem ali, você começa a se GA6 CULTURA E ECONOMIA Pode-se pensar nos Pontos de cultura empodera e é empoderado. Há um descompasso de como
partir dos produtos de uma ferramenta (software) sentir mais livre para propor, para Fortalecer o sujeito está muito ligado SOLIDÁRIA Cultura enquanto incubadoras. Essa Economia da cultura não pensa em construir tudo. O processo de

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gestão compartilhada é muito para que muitas atividades que
interessante, mas a disposição para surgiram ali possam ser ampliadas e
o planejamento tem que ser maior. desenvolvidas em outros espaços. O
É difícil ter uma estrutura para que Ponto não tem toda a infraestrutura
esse planejamento aconteça. necessária para realizar algumas
atividades, então busca-se
GESTÃO EM REDE articulações com outros espaços,
com outros pontos, ampliando as
Não podemos estar presos às atividades e mesmo melhorando a
palavras, porque alianças já existem forma como elas ocorrem.
há muito tempo entre os povos,
essa rede sempre existiu... Uma coisa que eu acho que tem
a ver com a gestão em rede é a
GA5 questão do Pontão. O Pontão, ao
invés de trabalhar com os jovens
GA1 ARTE E TRANSFORMAÇÃO diretamente, trabalha com os
(EXPERIMENTAÇÃO) Pontos, promovendo a articulação e
gerando mobilização também. Acho
Os conceitos estruturantes do que o Pontão entra nessa idéia de
Programa fundamentam a atuação protagonismo também, porque está
em rede. Os Pontos de Cultura lá para fazer uma ponte, ajudando
potencializaram o protagonismo, para que as atividades possam
autonomia e empoderamento que ser realizadas e permitindo que
já existiam, eles são dados, são esse protagonismo possa ser mais
construídos, e a gestão em rede é efetivo. No caso da rede, o Pontão É necessário o reconhecimento parte da grana. Temos ainda uma divulgação. Não é usada ainda em
um meio para alcançá-los. A gestão também ajuda na articulação, em das capacidades e a promoção moeda virtual - (moeda de troca mutirões, o trabalho coletivo ou
em rede é um caminho para trocar e como fazer para que as relações se das mesmas. Há necessidade local) – que fica armazenada no de gestão efetiva em rede ainda
dar continuidade às experiências dos estendam, para que não fiquem só ainda de descentralizar o processo banco de dados e no imaginário das não está acontecendo, é precisar
Pontos de Cultura. no âmbito regional. Nesse ponto e os recursos, para atender as pessoas, chamada uiraquitam. Um ir mais além. Os pontões podem
é importante também o uso das demandas dos diversos atores. Não dos princípios é o que chamo de ser a origem da gestão em rede. É
Gestão em rede = ferramentas virtuais. é o nome rede que faz ser uma manutenção da relação. A Cultura preciso quebrar o paradigma das
compartilhamento; fortalecimento rede real. Autonomia é o terceiro Digital funciona em um ambiente de rádios, por exemplo, e só a rede
das bases; potencializar, contribuir, Nem sempre o formato da rede é fator de rede, isso tem a ver com a comunicação constante. pode potencializar isso através da
gerir; construção de políticas que se horizontal o suficiente para permitir descentralização. Se tiver hierarquia, articulação para a subversão.
relacionem entre si; política pública que cada um consiga se expressar, não é rede. Quanto à gestão... Tem Há duas questões: oralidade e
de descentralização. dizer que o pensa e se fazer ouvido. que ter intencionalidade? Objetivo aprendizado. Ninguém aprende A Teia é a nossa grande experiência
Alguns órgãos que deveriam de administrar? Organicidade? sozinho... Isso é falácia. Existe de rede onde cada nó é um centro.
GA2 CULTURA E EDUCAÇÃO estar ajudando e articulando Para gerir tem que ter inteligência alguém do outro lado que te
não conseguem fazer isso, ficam coletiva. responde... E tem que ter cuidado O perigo é a grande de
Gestão em rede é uma presos em uma burocracia. Por A rede tem que ter alguém com para um não virar um respondedor. desestabilização se não trabalharmos
ferramenta, não pode estar no isso o diálogo aqui é muito iniciativa e gente que mantenha Por exemplo, pode-se criar um com os pontos de “costura”. Todos
lugar dos princípios. O valor importante. Todo mundo faz parte a rede viva. Entrelaçamento de ambiente de aprendizagem sem os Pontos já eram Pontos, eles
é compartilhamento, gestão da rede, desde o menino que está A rede é um universo de afinidades, autonomia, sem depender conceitos. Teia, encontro dos Pontos identidade muito clara, sem tantas foram apenas potencializados, se exemplos de gestão: ensinam,
compartilhada. começando a participar do Ponto é intercâmbio dentro desse totalmente de recursos do governo, de Cultura, com socialização das relações pessoais. Os caminhos que o programa acaba os Pontos não acolhem, aprimoram e transformam
até o governo. universo. A rede funciona de da política de editais. Uma relação experiências. Há autonomia dos se entrecruzam e se influenciam estarão mais no esquecimento, – outros olhares, socializar os
Rede. Nós construímos juntos uma acordo com as suas finalidades, harmoniosa que se estabelece pontos para organizar o evento. mutuamente. Relação em rede é continuam Pontos com antes, sonhos.
rede com barbante. De repente Acho que quem participa é a equipe, sempre buscando a horizontalidade com o Estado uma hora acaba e Fusão de uma parceria com governo intrínseca à cultura digital. porém agora visíveis. Pontos de
tínhamos uma Teia pronta. A gente principalmente, do grupo que como um mecanismo que amplia o conflito volta. Como fica então? com a organização autônoma, costura, luta política – deve ser uma GA6 CULTURA E ECONOMIA
tem coisas que nos ligam nesse gere, organiza. Mas tem também o a ação e as possibilidades de Quando falamos de rede, então, mediada. Em contraposição, Cultura digital é transversal em construção permanente da gestão SOLIDÁRIA
fazer. Parece que a escola é um sentimento de compartilhamento, fala. A gestão em rede tem um é preciso pensar também em as conferências de cultura são todas as outras ações. Ela não pode compartilhada exercida entre os
bicho de 7 cabeças. As relações de comunidade. É importante a elemento de aproximação, de autonomia. centralizadas pelo Estado. Isso foi estar descolada de qualquer outra Pontos e o Estado. Gestão em redes é:
têm um tempo de se construir. É conexão entre os Pontos e também troca de experiências, buscando contestado e agora está mudando. atividade dos Pontos de Cultura.
difícil estabelecer essa relação com a existência de espaços que saídas, soluções para problemas Acho que esse é o diferencial do É importante que se legitime o A não inclusão da Cultura Digital Como a tecnologia pode retratar - Compartilhamento de idéias
a escola. As escolas são engessadas, articulem os representantes. A rede semelhantes; gerando também Programa Cultura Viva, a busca movimento, mas fico pensando atrapalha a comunicação com os outras linguagens sem se tornar - Trabalho em conjunto
sim. A gente tem falado de rede, na é um sonho e uma luta comum. É uma reflexão coletiva sobre diversas por integração em rede e por se uma comissão nacional não atores dos pontos. Precisa-se educar emblemática?A produção do - Solução de problemas
escola a gente fala de emaranhado. uma partilha e um diálogo entre questões. O importante para a descentralização, de forma que se recria modelos antigos e impede para e no trabalho em rede. Criar conhecimento é tamanha que - Fortalecimento institucional
Nos Pontos de Cultura a gente todas as experiências. formação da rede é tecer laços. o programa acabasse, os pontos já o surgimento de coisas novas. As um espaço de convergência para estamos no momento de maior - Comercialização conjunta
constrói o fazer. Nas escolas o tenham alguma sustentabilidade redes mais sustentáveis são as redes essas produções é importante, ainda dificuldade de “tratamento” dessa - Articulação na distribuição
fazer está pronto. A gente tem o As redes existem em vários níveis. A forma do Ponto de Cultura e possam continuar. Acho que o por afinidades.Redes por afinidades não existe essa plataforma, falta um produção, esse momento é agora? - Compartilhamento de ações
âmbito do pensar, do fazer e do Entre os Pontos; entre os Pontos e trabalhar é bem diferente da programa tem sido bem sucedido e não por proximidade – mais portal ou similar. Aqui? Comunidade colaborativa de - Troca de experiências
ser. Se a gente não tem um espaço outros espaços; fora dos Pontos; forma como o Estado trabalha. nisso. liberdade nos editais. aprendizagem Ð inteligência coletiva - Rompe com estruturas hierárquicas
para respirar, esses âmbitos vão regionais etc. A rede é a articulação Essa aproximação é importante GA5 CULTURA, TRADIÇÃO para todos. verticais. Exemplo: Mercado:
ficando menor. Nas redes, a riqueza em níveis regional, nacional, porque é bom que o Estado saiba GA4 CULTURA DIGITAL Falta sistematização porque os E INVENÇÃO (LINGUAGEM, Patrão x Empregado. Na economia
são as trocas de experiências. articulando todos os Pontos e como o Ponto funciona, como a Pontos não se comunicam, em RUPTURA E CONTRADIÇÃO) Tratamento, edição, gestão da solidária, todos são sujeitos do
Esse protagonismo tanto dos propiciando o compartilhamento comunidade o percebe e, da mesma Fazemos a discussão de conceitos forma de rede, para que possam se produção cultural; circulação processo
meninos quanto dos professores. mais amplo de experiências, a forma, com a comunidade e o com exemplos práticos. Não existe apropriar do que está sendo feito Gestão em rede, utopias das e distribuição de conteúdos - Inovação na gestão de
Os professores estão tão sufocados integração, a teia de saberes. ponto em relação ao Estado. Buscar rede sem pessoas. Temos que nas diferentes localidades, criar utopias... através do Cultura Viva produzidos pelos Pontos de Cultura informações e compartilhamento e
que eles não têm noção do que essa interação onde as pessoas abstrair as instituições e olhar quem outras leitura, possibilidades. perdemos a sensação de isolamento, dentro e fora da rede cultura complementariedade de ações
podem fazer. As crianças, quando A gente não trabalha sozinho. A percebam as dificuldades do Estado são as pessoas que interagem percebemos que éramos muitos, viva, em diversos suportes, estar - Fortalece as cadeias produtivas.
têm uma vivência nova, elas mesmas gente precisa estar com o outro, só e também as demandas dos pontos. na rede. Redes são formadas Uma lista de e-mails já agiliza muitas espalhados e as novas tecnologias em contato, colocar pro mundo - Essa rede que já existe dos
começam a transformar a escola. assim a gente consegue melhorar por trocas. Temos que verificar a coisas. Um coletivo de informação é que permitiram todo mundo ver! Gestão das redes sociais Pontos de Cultura é fechada, não é
a sociedade. As pessoas se unem A relação com o governo, com capacidade de fazer trocas dentro tem por objetivo compartilhar se ver. A própria gestão foi uma que contemple a socialização acolhedora.
GA3 CULTURA E JUVENTUDE para promover o bem comum, para o Estado tende a ser muito da rede. conhecimentos. Outro fator grande novidade. Hoje não usamos da produção cultural através de - Pensar em políticas que
atingir objetivos em comum. conflituosa, então é importante relevante é ter um caixa comum – o a rede para gestão coletiva, ela é processos de colaboração, mutirão empoderam realmente que dêem
O Ponto de Cultura abre espaço que os Pontos busquem a sua Quem pode exercer cada função? que promove o deslocamento de usada para a informação, para a e cooperação. Os terreiros são essa autonomia.

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- Nas organizações do terceiro setor política pública?” protagonismo e gestão em rede). Pontos de Cultura X Verticalidade
há grandes desvios dos papéis. O das escolas
problema é metodológico. Qualificar a gestão em rede faz com Os conceitos começam a ser
- A gestão em rede é fundamental que os Pontos entrem para dentro ativados, a partir da conscientização - Circularidade e horizontalidade ao
para que as coisas fluam. do Estado. Temos uma rede viva, das pessoas e a gestão em rede é a contrário de verticalização de cima
GA7 Cultura e Emancipação (Estado, imensa e um tanto desarticulada. interação das pessoas que permite pra baixo
sociedade e política) Objetivo: Gestão em rede deve que as identidades se revelem e se - Os Pontos de Cultura
ajudar o Programa virar lei. Tudo valorizem. potencializaram o protagonismo,
O Pontão nasceu para estar a serviço isso passa pelo o indivíduo pensar autonomia e empoderamento que
de um processo coletivo de reflexão na sua sustentabilidade, ou seja, Os conceitos surgem das ações já existiam
que ganhou corpo e a rede foi em sua autonomia, manutenção praticadas, eles são inicialmente - Empoderamento e autonomia
provocada a pensar a respeito do e relação com a rede. A gente vivenciados e aí reconhecemos não são dados, são construídos, e
sentido de sua atuação enquanto está num momento único. Temos como os conceitos atuam na prática. a gestão em rede é um meio para
elemento que trabalha não só as condições de estar protagonizando alcançá-los
linguagens artísticas, mas a cultura o Programa Cultura Viva para ele se O que a prática vai nos suscitar? - Gestão em rede =
dentro de um ponto de vista mais tornar lei. O Programa cultura Viva compartilhamento
amplo. Surgiu também a idéia de tem tudo isso para acontecer. Se a O Programa Cultura Viva, através - Outro olhar para gestão em rede
uma cartografia dos Pontos como gente qualifica essa coisa e coloca dos conceitos, reconhece e Fortalecimento das bases
instrumento do processo contínuo na gestão em rede, temos o cenário potencializa os trabalhos já - Potencializar, Contribuir, Gerir
dos pontos, das vozes do que para fazer isso dar certo. existentes com cultura, nas Construção de políticas que se
estão silenciados, das populações comunidades. relacionem entre si
dos grupos de baixa renda. Temos que tomar cuidado com - Política pública de
Aprofundamento com relação a quem vai fazer parte da rede. GA2 CULTURA E EDUCAÇÃO descentralização
conceitos chave do programa. Porque há uma diferença entre o - Os tempos psicológicos dos
Para transformar em Política de começo do Programa e hoje. No - Brincar como algo importante e relacionamentos
Estado: incentivo em processos de começo era movimento. Agora como construção do conhecimento - Estimular a profissionalização do
formação, desenvolvimento das são projetos. Os novos Pontos não - A escola vai ao Ponto de Cultura – campo cultural em gestão
capacidades dos grupos, como têm o mesmo comprometimento. o Ponto vai a todo lugar - Visibilidade do protagonista
instrumento de fortalecimento de Chegam, se apropriam da rede e - Escolas visitando os Pontos de - Empoderamento a partir do vivido
uma comunidade de modo que se não constróem. Cultura - Os Pontos podem promover mais
aumente o poder de inserção deles - Transformar o professor no trocas de experiências e diálogos
na sociedade. COMO SE FOSSE A pesquisador local com as escolas, para que elas
CONCLUSÃO: SÍNTESE DOS GAs - Os Pontos de Cultura promovem o tenham referências fortes, artísticas
GA8 CULTURA COMO BEM encontro intergeracional e culturais
COMUM E BEM ESTAR GA1 ARTE E TRANSFORMAÇÃO - Atuação do protagonista - Extensão – Universidade
(SAÚDE, SUSTENTABILIDADE E (EXPERIMENTAÇÃO) influenciando políticas públicas - Aprender fazendo
SOBERANIA ALIMENTAR) - Autonomia e política cultural - Os mestres precisam decidir onde
Os conceitos do Programa Cultura - Cultura e engajamento político querem caminhar e se querem
A gestão em rede enquadra os Viva interagem e fazem surgir novas “No professor a gente vê caminhar. Também podem ser
demais princípios, pois estamos formas de experiências, através da continuidade...” procurados. “Quando o aprendiz
pensando eles de dentro da rede. arte. - Professor é nosso primeiro aliado está pronto para caminhar, o
- Integração direta com professor mestre aparece”.
Nós e nós... Temos que desatar Todos os conceitos se inter- - O professor é a figura constante - Fomento para projetos
os nós. A rede tem os nós. A Teia relacionam e podem ser vivenciados - Necessária a aproximação com construídos de forma
não... através da gestão em rede. os professores, propondo ações compartilhada
conjuntas + (mais) estudantes – (menos)
Talvez seja justamente o nó que Os conceitos são filhos dos - Dialogar – Dificuldade de “fazer” alunos, + trocas + oficinas +
sustenta a rede. desejos’. - Diálogo entre instituições vivências – aulas – verticalização
- Cultura e Educação não dialogam - O Programa fomenta a reflexão e
“Como trabalhar a gestão do Importante compreender a - Dignidade da prática as ações relativas à educação
Ponto, deixar isso política de Estado circularidade dos conceitos e - Coletividade - “Contaminação” (no bom sentido)
e não como política de governo, e como cada um contribui para - Cultura Viva – Fluxo e fluidez do programa nas instituições
ver a gestão no Ponto e não só no o fortalecimento do outro - Conectividade com o movimento públicas, principalmente sociais
Estado, e transformar tudo isso em (empoderamento, autonomia, - Fluidez circular e horizontal dos - “Liberdade de abordagem da

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nossa prática” - Os Pontos contribuem com a
- Aproximação das práticas formulação de leis para valorização
tradicionais do patrimônio cultural
- Construção de rede é, portanto, - O programa estimula criação/
a costura da solidariedade, a proliferação/irradiação de
troca cessante dos vividos, o metodologias de aprendizagem e
compartilhamento das dificuldades ensino, valorizando a diversidade
e êxitos das tecnologias sociais/culturais
- Empoderar – pode tudo para educação
- Conceito é um e a prática é outra - Os Pontos valorizam o brincar e o
- Tinha uma educação de encontro intergeracional
submissão, mas depois do - Os Pontos produzem
programa revitalizou conhecimento diferenciado do
- O Programa Cultura Viva é um conhecimento da universidade
exemplo para todo o conjunto da - O programa contribui para
sociedade brasileira. É preciso o formação do professor/pesquisador
“Brasil Vivo” da cultura do território onde ele
- Os grupos culturais com sua atua
autonomia, protagonismo e - Os jovens que passam pela
empoderamento revelam a cultura atuação dos Pontos de Cultura se
viva do Brasil transformam.
- A prática dos conceitos fortalece - Reconhecer nossas trilhas e pistas, possam continuar. (ver de cima, subir no puleiro) - Tratamento, edição, gestão da - Eventos de massa (espetáculo) são de temática: economia solidária + - Trabalho em grupo
os Pontos de Cultura reconhecer nossas práticas e nossas - Pertencimento (“isso” é seu!), com produção cultural manifestações da tradição ou do pontos de cultura. - Troca de experiências
- Transformação dos indivíduos, diferenças, garantindo a diversidade GA4 CULTURA DIGITAL identidade (ter nossa cara, nosso - Circulação e distribuição de mercado? MUDANÇAS PERCEBIDAS
instituições e governo pedagógica. cabelo) conteúdos produzidos pelos Pontos - Espontaneidade / travessura social CONCEITOS NA PRÁTICA
- Reflexão: O que nos conecta? O - As práticas culturais dos Pontos GA5 CULTURA, TRADIÇÃO - Eleva a auto-estima, colocar os de Cultura dentro e fora da rede / organização política à ruptura - Autonomia - Ação
que temos em comum? são uma ameaça para a arrogância E INVENÇÃO (LINGUAGEM, “meios de produção” na mão de cultura viva, em diversos suportes exercício libertário COMPREENSÃO DOS CONCEITOS - Oportunidade
- Política pública de da academia RUPTURA E CONTRADIÇÃO) quem cria e de quem faz - Estar em contato, colocar pro - Ruptura não é pelo senso Liberdade e ação - Independência
descentralização e inclusão - Empoderamento é “dado” ao mundo ver! estético do mercado / aspecto - Sustentabilidade - Transformação social
- Potencialização da autonomia, GA3 CULTURA E JUVENTUDE - AUTONOMIA outro Ð auto-empoderamento é - Gestão das redes sociais que comercial da produção artística - Autonomia da gestão econômica - Trabalho coletivo
empoderamento e protagonismo incorporado contemple a socialização da inibe a manifestação da tradição e organizacional
comunitários Delimitação da compreensão Prêmios promovem maior - Atitudes e ações afirmativas que produção cultural através de - Independência financeira CONCEITOS
- Educação e pedagogia para dos conceitos a partir da flexibilidade com o uso do recurso fortaleçam as pessoas/ajude a se processos de colaboração, mutirão GA6 - CULTURA E ECONOMIA MUDANÇAS PERCEBIDAS NA - Tema aglutinador
gestão – profissionalização do experiência vivida. A relação entre Nós somos os autores das descobrir e cooperação SOLIDÁRIA PRÁTICA COMPREENSÃO DOS CONCEITOS
campo cultural empoderamento e autonomia é autoridades. - Terreiros são exemplos de gestão: - Coragem - Cultura e Economia Solidária
- Articulação de experiências dinâmica, não necessariamente - PROTAGONISMO ensinam, acolhem, aprimoram PROPOSTAS - Ruptura MUDANÇAS PERCEBIDAS
educacionais, antes “escondidas” = uma coisa leva a outra em um Pedagogia da auto-determinação – e transformam – outros olhares, - Liberdade NA PRÁTICA
ação solidária sentido unidirecional. Objetivo é construo junto sendo eu mesma. - Ser o que a gente faz, o socializar os sonhos 1. Difundir a idéia da economia - Estímulo - Ação
- Fomento à construção de políticas juntar, associar os três conceitos. Como permitir que a sociedade personagem principal diluído na - Pontos de costura, luta política solidária entre os pontos de cultura - Renascimento - Oportunidade
intersetoriais – públicas e privadas Embora esses conceitos possam se manifeste do seu jeito – como coletividade – deve ser uma construção (e vice-versa) - Independência
- O programa fomenta ações ocorrer separadamente, nos respeitar a função do estado/das - Comunidade de protagonistas permanente da gestão CONCEITOS - Transformação social
e reflexões nos processos pontos, eles aparecem misturados. pessoas no estado? - Desvelar/mostrar/dar visibilidade a compartilhada exercida entre os 2. Agregar os pontos de cultura aos - Protagonismo - Trabalho coletivo
educacionais formais e informais artistas diversos (que estiveram na pontos e o estado fóruns de economia sol COMPREENSÃO DOS CONCEITOS
- O programa fomenta a educação Autonomia: capacidade ou Autonomia enquanto expressão. invisibilidade - Comunidade colaborativa de - Sujeito da ação
política, contribuindo para possibilidade de agir e pensar por Autonomia da ruptura. - Acreditar e processar a aprendizagem à inteligência 3. Reconhecer a cultura como vetor - Oportunidade de criar GA7 - CULTURA E
transformação da cultura política conta própria, por vontade própria. transformação coletiva para todos de desenvolvimento sustentável - Descobrir lideranças EMANCIPAÇÃO
- O programa contagia outras Empoderamento: é um pouco a Fazer o necessário segundo - Realizar as ações independente como atividade econômica - Saber pensar (ESTADO, SOCIEDADE E
instituições e fomenta uma idéia de se sentir responsável pelo o julgamento e a realidade das orientações que “vem de cima” CULTURA, TRADIÇÃO E INVENÇÃO - Liderança compartilhada POLÍTICO)
educação institucional republicana ponto e, ao mesmo tempo, de se da comunidade, caminho da (do estado) (RUPTURA E CONTRADIÇÃO) 4. Mapear e identificar pontos de MUDANÇAS PERCEBIDAS
(secretarias, ação social e sentir bem participando dele, se confiança. - Pessoas assumindo a mobilização/ cultura que trabalhem a economia NA PRÁTICA Formalização como uma das vias de
educação), modificando práticas e sentir à vontade. Quando você Indicadores econômicos não ocupando os espaços - O povo “lá do gueto” ocupa solidária - Ação emancipação social.
posturas começa a se sentir parte do ponto contemplam a dimensão cultural. - Perceber e compartilhar a espaços e tempos - Oportunidade
- Aproximação das práticas e a se sentir bem ali, você começa a Poder de cada um construir grandiosidade do que se faz - Cultura imemorial (ancestralidade 5. Garantir mecanismo para - Independência Empoderamento: conceito
tradicionais brasileiras (oral, se sentir mais livre para propor, para coletivamente. - Quem sabe melhor a sua história permeia o presente) difusão e comercialização para o - Transformação social problemático, americanizado
cultura popular, saberes e fazeres sugerir projetos, atividades. Isso do que você mesmo? - A memória faz a história escoamento da produção em rede - Trabalho coletivo (ninguém “dá” poder a ninguém);
populares) com as práticas gera, aos poucos, um sentimento “Régua e compasso” – caminhos - Mostrar nossa cara, nosso - Tradição vem dos povos, qual a os ativistas componentes da rede
pedagógicas oficiais de autonomia, você começa a se autônomos, e gestão em sotaque, nosso cabelo cultura que queremos? 6. Ações institucionais CONCEITOS potencializam uns aos outros
- O programa revela a dignidade da sentir mais aberto a participar de rede potencializa a “troca” e - Viver a sua verdade - eu sei, eu - Entender a brincadeira na sua - Empoderamento em seu próprio movimento de
prática novas experiências. conhecimento sobre os caminhos posso, eu faço – eu sou! essência e no contexto 7. Promover o diálogo institucional COMPREENSÃO DOS CONCEITOS ação coletiva; este processo de
- O programa, através dos de cada um. - “Chegou a hora de falar quem só - Possibilidade de diálogo com a entre agentes e políticas inter - Poder fazer potencialização só se efetiva através
Pontos de Cultura, considera o/a Protagonismo: é meter a cara, ouvia” (tema de rádio comunitária) tradição setoriais - Capacidade de superar problemas da luta política; as redes como
professor/a – aliado estratégico na participar proativamente, promover, Ter o poder instituinte, de decisão. - Ruptura com aceitação, coletivamente forma de potencialização de ações,
transformação organizar, decidir ir à frente, Não podemos ficar reféns dos - GESTÃO EM REDE validação da ruptura pela tradição 8. Garantir a destinação da verba - Processo de independência principalmente frente às restrições
- O fazer e o agir no Ponto de potencializando suas habilidades. editais. - Criar “motes” (espaços com pública para publicidade voltada MUDANÇAS PERCEBIDAS legais.
Cultura representa por si só uma Gestão em Rede: é sinônimo de - Estabelecer alianças manifestações alternativas) para publicidade das mídias NA PRÁTICA
práxis pedagógica, instaurando fortalecimento dos trabalhos e “Autonomia já existia e existe nos - Como a tecnologia pode retratar para atrair jovens para as alternativas - Ação Fortalecimento da noção de
outras aprendizagens, rompendo horizontalidade. É uma partilha terreiros”. outras linguagens sem se tornar manifestações tradicionais - Oportunidade cultura enquanto um direito de
a dicotomia tradicional ensino- e um diálogo entre todas as emblemática? - Fusões e confusões (antropofagia) 9. Criar novas formas de fomento: - Independência representação individual e coletiva,
aprendizagem experiências. A integração em - EMPODERAMENTO: - A gestão do programa ainda não à o tradicional em linguagens a) fundos solidários; b) via bancos - Transformação social não enquanto mercadoria, que
- O sentido do empoderamento rede aparece como uma forma FORTALECIMENTO é compartilhada contemporâneas e o populares; c) crédito específico para - Trabalho coletivo deve ser financiado pelo Estado.
“impodimento”, a partir da vivência de descentralização das ações, - A produção do conhecimento contemporâneo em linguagens pontos de cultura; d) vale cultura Acesso à verba pública não significa
educativa, permite o poder ser projetos e programas do Estado - Atitudes e ações afirmativas que é tamanha que estamos no tradicionais (desafio) para produtos de ponto de cultura CONCEITOS perder a autonomia.
- Os Pontos de Cultura criam/ e sua gestão, de forma que se fortaleçam as pessoas/ajude a se momento de maior dificuldade de - A própria tradição é uma ruptura - Gestão em rede
provocam contra-fluxos com os o programa acabe, os pontos já descobrir “tratamento” dessa produção, - Não romper com o “cerne” da 10. Realizar encontros presenciais COMPREENSÃO DOS CONCEITOS Ressignificação de lugares e
discursos oficiais tenham alguma sustentabilidade e - Fortalecimento / empuleiramento esse momento é agora? Aqui? tradição e virtuais para aprofundamento - Compartilhamento de idéias identidades. Os pontos de cultura

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- Solta o corpo – movimenta – - Se entrega a algo lúdico: a - Antes da Teia, ter outro encontro um dia.
aumenta a circulação. música;
- Integra o grupo, acompanha o GA2 CULTURA E EDUCAÇÃO Bola dentro: Gosto da
som... 2) Se entregando à música e aos dinâmica, menos painel e mais
músicos Bola dentro: Encontro onde cada interação.
1) Gera alegria! Circula energia! um pode falar Bola fora: Faltaram os mestres.
- Prazer no que faz. – Anima o Bola fora: Tempo curto Discutir a educação e os mestres
- Energia,alegria, saúde meu corpo e alma não terem sido convidados,
- Música alegra, anima, mexe com - Freedom Bola dentro: Capacidade de perdemos uma contribuição
o corpo e a mente, traz junto, - Alegria, emoção e alegria administrar o caos valiosa. Me senti falando por eles e
aproxima - Eles gostam de fazer isso. Bola fora: Metodologia que possa isso não é bom.
- A música causa a eles paz e Fazendo com que todos segurar o grupo
alegria participem. Alegria geral Bola dentro: O fato de vocês terem
- Com todos participando do - Ele faz isso porque ele se sente Bola dentro: Generosidade em topado esse desafio e fazerem
batuque bem deixar a coisa fluir parte do programa cultura viva. Foi
- Para melhorar o deles, nós - Quem toca e canta seus males Bola fora: Ficou muito solto. Tinha um dos melhores encontros que eu
bailamos e nós aplaudimos. Para espanta que ter um tempo de fala mais já fui.
melhorar o nosso, bailamos e - Relações afetivas; Luz controlado Bola fora: Não deveria ter
aplaudimos - Eles aprendem a se comunicar interrompido a fala dele para
- Bem estar consigo com os por outros meios Bola dentro: Foi legal dar o recado de alteração da
outros, com o meio - Ligar o ar condicionado (ou sair Bola fora: Eu não consigo ver o programação.
BEM COMUM E BEM ESTAR diminui a violência. Promove a - Pois nos inspira a criar e mover e da sala) meu ponto aí não. Isso aqui tá
(SAÚDE, SUSTENTABILIDADE E solidariedade. compartilhar - O ritmo, a alegria interna, o muito pra teórico ler. Consigo ver Bola dentro: Achei muito rico
SOBERANIA ALIMENTAR) - A expressão artística gera bem- - Mexendo o corpo movimento, afeto, encontro. só umas 3 coisas práticas. estar em um grupo com tantas
estar, alegria - Ter prazer no que gosta e no que - Dá vontade de participar, estar pessoas de PC de várias regiões do
O que faz para melhorar o bem - A dança, a música são atividades faz junto, alegria! Bola dentro: Anarquia país. As experiências foram muito
estar deles neste ato (tocando de bem-estar e integração. - A comunhão no som - Saúde, Saúde heróica ricas.
tambor)? Como isso melhora - A cultura, a arte favorece a saúde - Se sentem mais felizes e - Expressar a si mesmo gera Bola fora: Tempo foi pouco pra
o bem estar deles? O que esse física, mental e espiritual. propagam a felicidade equilíbrio e saúde aprofundar GA3 CULTURA E JUVENTUDE
exercício causa neles? Como isso - Realização, Coletividade. - Contágio de energia, alegria, - Ouvir e estar com o outro
melhora o bem comum de nós? - A cultura e a arte são expressões saúde. Incita a criação como permite que eu me torne mais Bola dentro: Processo de construção • O que aprendi | O que ensinei |
da alma. capacidade humana de expressão inteiro e saudável coletiva é muito importante para • O que manter | o que alterar
- Alegria e Cumplicidade - Compartilhando com o grupo a de si, do mundo para o bem - Música – alegria, gingado, formação de cada um para amanhã
- Emoção Agregatória arte. - Expressão compartilhamento Bola fora: Faltou mais uma
- Sintonia das emoções - Provoca relaxamento - Comunicação de nossas sub- condução focada nisso. Questões • Acho que a gente consegue
melhorando a unidade do grupo - Convivência, troca de energia felicidades orientadoras mais focadas fazer um bom grupo, um grupo
- Autonomia só com parceria! - Alegria, satisfação, realização e - Interação, comunicação, diálogo, - AVALIAÇÃO unificado, dinâmico, a partir do
- A música reverbera nos corações participação amizade, carinho, cuidado, afeto Bola dentro: Estamos crescendo. momento em que a gente ouve o
deles e nos nossos - Com alegria, o exercício corporal, - Amor a si GA1 ARTE E É caótico e dói. Foi crescimento que o outro tem a dizer. Acho que
são ressignificados e apropriados sempre fortalece a autonomia. - Nós sentimos o pulsar na experiência conjunta. - Retorno a ser feliz TRANSFORMAÇÃO hoje o grupo ouviu muito o que o outro
pelo tecido social no qual estão Chave da sustentabilidade: - Agita o sangue! (eles) - Para nós, percebemos a - O prazer de tocar (EXPERIMENTAÇÃO) Bola fora: Potencial das práticas tinha a dizer e contribuiu em cima
inseridos. Isso determina as reconhecer valor imanente co - Mexendo o corpo alegria, felicidade, tranqüilidade, - Por meio da sincronia da entre a culturais a respeito da educação da fala dos outros.
especificidades de cada Ponto. processo de construção da - Leveza interior novidades. respiração e o ritmo Que bom
Cultura Viva como referência para democracia. - Compartilhamento de expressões - Paixão - A música alimenta a alma Bola dentro: Estarmos juntos para • Na prática, ouvimos muito o
formulação de políticas públicas. favorecendo uma leveza social - Encantamento. Despertando a - Traz energia positiva e alegria, - O encontro discutir educação que os outros disseram, apesar
Reformulação da relação entre Autonomia como capacidade - Alegria, satisfação de estar criatividade. leveza e distração - A troca Bola fora: Eu não falei quase nada de as experiências dos outros
Estado e sociedade; revisão de de intervenção no sentido de produzindo arte; identificação, - A alegria é um ótimo elixir para - Desconstrução gera alegria, - Aprendi muita coisa mostrarem caminhos diversos.
legislação; participação nos transformação social. Autonomia integração, compartilhar a alegria a saúde alegria e bem estar. Para melhorar - Que a cultura está viva! Bola dentro: Riqueza e Aprendi muito a partir disso,
processos decisórios; flexibilização pressupõe protagonismo. - A música transforma as pessoas, - Quando é feito coletivamente, é preciso interagir - Quase tudo... complexidade da nossa conversa. ouvindo as experiências dos
da estrutura do Estado; ampliação traz o contato. melhor ainda. - Os da alegria, interatividade - Sentir o coletivo Comparado com seminário demais. Acho que compartilhei
das expectativas e pressões É preciso considerar, para uma - Contaminar a humanidade com a - A música deles é como o sangue - Estimula, dá alegria, esperança, - Compartilhar sonhos tradicional foi muito bom. Foi uma muito e recebi também. O que eu
do processo de espaços de correta apreensão do conceito, música e a alegria deles que corre nas suas veias: vitalidade perspectiva inovadora, aprendi acho que a gente pode repensar
formulação das políticas públicas; o a papel das diversas mediações - Se sentem úteis à humanidade e vital, quente e circular! - Alegria imanente da música/ Que pena muitas coisas é como manter as redes podem
democratização dos recursos Estado/Instituições/Comunidade. felizes pelo dom da música - LIBERDADE cultura. Bola fora: Se tivesse dado um ser mantidas e fortalecidas.
públicos e das decisões. Devemos considerar a confusão - Contaminam a nossa alma e - A arte é necessidade da alma - Fazer circular, circular, circular as - Que o tempo não seja do tempo pra cada um? Gostaria de Como fazer para que a mudança
O Estado aparece como que existe entre o papel do Estado alimentam a nossa vontade de humana. Um ser saudável precisa manifestações culturais tamanho do Brasil ter ouvido mais algumas pessoas. de governo não enfraqueça ou
fomentador do processo de e dos movimentos sociais. Cultura pertencer ter sua alma nutrida, tanto quanto - Paz - Tempo curto Poderia ter feito uma rodada para destrua a rede. Como fazer para
organização e mobilização da rede. Viva é igual a trabalho vivo não - Reconhecimento o corpo. - Tranqüilidade e Amor - Que eu não seja Deus todos terem oportunidade de falar que ela se mantenha? Essa forma
Um processo emancipatório tende subordinado. - Identificação - A música e a expressão do - Conexão ontológica - Que o encontro tem fim de diálogo é única.
a reforçar um quadro em que os - Aplaudir Indivíduo pela arte liberta! - Descontração, quebra, olhares - Acabar a programação antes Bola dentro: Foi muito instrutivo
movimentos organizados devem Política do COMUM valoriza, - Existir isso - A expressão coletiva (troca), coletiva - Não poder fazer barulho no pra mim • A disposição a ouvir mais do que
passar a pautar o Estado. reconhece a Multiplicidade. - Ativar circulação e criatividade - Música solta a energia de - A expressão artística desperta grupo Bola fora: Aumenta o tempo de falar é muito importante.
A diversidade cultural como a - Participação Pública forma descontraída, levando os sentidos e pela estética produz - Ter pouco tempo para falar no alguns em detrimento de outros.
Diferenciar entre Sustentabilidade oxigenação do programa. - Quem faz arte se diverte e ao desenvolvimento corporal e novas éticas grupo Senti falta em alguns momentos • Eu aprendi que nem tudo é
e Autonomia: nem todo Ponto de Apropriação dos processos aumenta a auto-estima. Também mental, desenvolvendo a harmonia - Música, ritmo, alegria, comunhão de um maior controle do tempo. polêmica. Para a gente chegar a
Cultura DEVE ou PODE ser auto- de gestão como facilitador alegra quem está em volta. de Paz e Calma no compasso do - Relaxando, se divertindo, Que tal um consenso não precisa ser com
sustentável financeiramente; do empoderamento: - O ritmo, a música, a Arte, a tempo purificando o corpo, ritmo limpa Bola dentro: É muito difícil fazer discussão exaltada e nem porrada.
Autonomia ≠ Sustentabilidade: acompanhamento dos processos Cultura favorece a saúde física, - Alegria, emoção e harmonia stress, exercita neutrônios - Comprometer-se em lutar pela uma reunião cultural com um O que eu ensinei é muito forte,
sustentabilidade enquanto pelo Minc das comunidades; retirar mental e espiritual. - Satisfação e alegria - Alegria continuidade do Cultura Viva tema tão complexo e produzir prefiro o que eu compartilhei.
busca de recurso e sobrevivência foco do CONTROLE. Evoluir para - Irradiação do encantamento - Animando - Criar novos encontros e mais algo tão rico quanto o que Espero ter conseguido
material; autonomia na gestão ACOMPANHAMENTO, quando na 2ª pergunta: Gera alegria! - Nós somos músicos. Tocar nos - Tocar todos juntos!; Enche de trocas produzimos. compartilhar minha experiência e
e efetivação do programa; atividade fim e não somente no Reconhecimento! Alimenta a faz bem. alegria e inspiração na vida! - Encontrarmos uma vez por mês Bola fora: Ter mudado a regra do para amanhã espero manter essa
sustentabilidade e autonomia se aspecto financeiro. alma! - Hugo - Dar-lhes alto estima - Nos vermos de novo jogo no meio do caminho também relação boa que tivemos hoje. É
determinam reciprocamente; a - Porque são afetados e nos - A música lhes traz alegria e união - Mais, mais, mais confunde. O que faríamos em um bom repassar amanhã esse sentido
sustentabilidade dos projetos nem GA8 - CULTURA COMO - Este ato une as pessoas. Traz paz, afetam. - Assim mesmo! - Toque e tenha - Brincar mais dia e meio tivemos que fazer em de união.

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programa. A cultura deve ser uma - o como foi feito o trabalho, a - Poder ter um espaço para com pesquisadores, pontos e - Mudança de horário: ficamos
Aprendi com a experiência prioridade. tranqüilidade e o respeito dos refletir sobre a prática e dialogar gestores menos produtivos no final do dia BRASIL. TEIA 2006. Brasília: SCC/
de cada um e com a vivência mediadores e os recursos materiais com outras pessoas que estão - Encontrar a diversidade ( 19. Ministério da Cultura, 2006.
de cada ponto de cultura. O GA4 CULTURA DIGITAL - sorvete de limão com melancia, envolvidas com o Programa gestores, pontos de cultura e - Que não houve mais debate
que compartilhei foi a minha diversa ruptura do tradicional Cultura Viva em diferentes frentes pesquisadores) cultural e avançar - O pouco tempo do GA BRASIL. Revista Cultura Viva.
vivência no ponto. Para manhã, Que bom ... - A metodologia utilizada na reflexão - Que não tivemos oportunidade Programa Nacional de Cultura,
é importante manter a rede, o Que pena... - Que houve participação coletiva - A organização de identificar contradições na Educação e Cidadania. Brasília:
intercâmbio de experiências para - Conhecer e rever pessoas - Que o tempo foi respeitado - O espaço compreensão dos conceitos e MinC, 2004.
construção de pontos cada vez - Convergência e divergência de - que o tempo foi muito pouco, - Que o trabalho fluiu sem - Que houve participação de aprofundá-los. Muitas vezes,
melhores. idéias mas o aprendizado foi muito problemas vários atores do Cultura Viva neste as falas iam acontecendo e CUNHA, Antônio Geraldo da.
- A diversidade de pessoas grandioso - Participação do grupo encontro sobrepondo-se umas às outras ( Dicionário etimológico da língua
O acordo de convivência, a - Que os facilitadores foram - o pouco tempo para as - Experiências e visões relatadas - Grupos pequenos e facilitadores houve de tudo) portuguesa. RJ: Lexikon, 2007.
experiência de ouvir o outro parceiros discussões conceituais - Saber ouvir - Grupo misto ( pontos + gestores+ - O tempo foi exíguo
foi muito construtiva. Aprendi - Conseguimos terminar o - pouco tempo - Que debatemos todos juntos pesquisadores) - Que neste grupo tenham tão GADOTTI, Moacir. Pedagogia da
muito ouvindo as experiências trabalho, mesmo com o tempo - não ter mais tempo - Que a composição do grupo foi - A iniciativa do seminário: um poucos com experiências práticas Terra. São Paulo: Peirópolis, 2000.
dos demais. É importante manter apertado - que não tivemos mais tempo equilibrada espaço de reflexão coletiva. Isso é de Pontos de Cultura
a união do grupo e a sintonia - O nível da discussão foi muito - que tivemos pouco tempo - Que este espaço aproximou poder participar dos processos de - Ter pouco tempo para discussões LABREA, Valéria Viana. A
na hora de transmitir o que foi bom - que foi 3 dias ativistas, pesquisadores e gestores construção de políticas públicas. - Que o grupo tinha um numero “vanguarda que se auto-anula”ou
discutido. - Que participei à tarde aqui - a pressão do tempo - Mediação - Ouvir, propor, mensurar, muito reduzido de pontos de a ilusão necessária: o sujeito
Foi muito rico poder ouvir a - ...de galinha, sem muito tempo - Disposição dimensionar, dividir opiniões, cultura enredado. Cartografia subjetiva
experiência dos outros pontos e Que pena... para aprofundar os temas - Debate concepções e até conceitos, - Não termos aproveitado mais da Rede Brasileira de Educação
poder ouvir a experiência direto - A partilha observando do “ meio”, nos os conteúdos pensados antes do Ambiental. Brasília: CDS/UnB,
com o jovem. Além disso, essa - A facilitadora cobrou o tempo Que tal... - A síntese interstícios da coisa cultura viva Seminário ( Publicação) 2009.
metodologia foi muito legal. - O formato da dinâmica - O método - O tempo curto para tratarmos
Colaborou e permitiu que as atrapalhou, em algumas horas. - que foi muito bom - A possibilidade de discussão e Que pena... das nossas subjetividades LABREA, Valéria Viana; RANGEL,
pessoas exercitassem o ouvir. Para - Tivemos poucos pontos de - enviar uma cópia do relatório avaliação de uma ação pública - Que não conseguimos ainda Antonia Maria do Carmo
amanhã é bom que essa cultura de cultura para o meu e-mail alxmarques@ - Encontrar, discutir, participar, - O ritmo acelerado do debate avançar para ampliar os espaços (org.). Programa Cultura Viva:
ouvir o outro se mantenha. - Que já está acabando ig.com.br deliberar, fazer avançar a Cultura - O pouco tempo de discussão de discussão para englobar ainda observações e análises. Brasília:
- Que não consegui acompanhar o - mais! - Que conseguimos convergir e que acarreta a superficialidade em mais os movimentos populares SCC/Ministério da Cultura, 2009.
Aprendi que as relações humanas dia todo - manter o círculo de reflexão ser objetivos sem, ou com pouca algumas discussões
que tomam parte nesses espaços constante prolixia - A falta de tempo Que tal... SADER, Emir; BETTO, Frei.
são insubstituíveis. A relação GA5 CULTURA, TRADIÇÃO - curtirmos o resultado desse - Reunir pessoas de diferentes - Horário cansativo Contraversões. Civilização ou
igualitária que se estabeleceu E INVENÇÃO (LINGUAGEM, transe/transição, ruptura, vivência, formas de pensar e agir em relação - Que a sistematização não - Pensarmos em maneiras de barbárie na virada do século. São
no grupo permitiu a todos se RUPTURA E CONTRADIÇÃO) etc e tal? às implementações de programas teve tempo para permitir maior avançar no protagonismo social Paulo: Boitempo, 2000.
doar um pouco e levar um - a próxima ser uma semana que possibilitam aberturas e aprofundamento e debate das e na distribuição e ampliação de
pouco do outro, permitiu que Que bom ... - continuar... rompimentos de regulações do posições levantadas recursos governamentais para SANTOS, Boaventura de Sousa
houvesse compartilhamento. Para - a gente se encontrar de novo, Estado. - Redução do tempo na última fortalecer políticas como essa... Santos.A gramática do tempo;
amanhã, é importante que essa - o conhecimento que tivemos talvez numa cachoeira - Poder trocar com atores tão hora - Acontecer sempre e com tempo para uma nova cultura política.
harmonia, o bom astral, a união neste encontro com tanta - “Que bom, que pena, que tal... distintos - Que faltou uma síntese mais maior? São Paulo: Cortez, 2006.
se mantenham. Que nós próximos diversidade cultural Esse côco vem do meu quintal!” - O trabalho com o grupo efetiva por conta do tempo curto - Aproveitarmos esta metodologia
grupos e nos próximos trabalhos - o trabalho ter abertura a - Poder conhecer mais do - Sacrificar o tempo em outros cenários? SEMERARO, Giovanni. Intelectuais
isso se mantenha. todos para mostrar suas idéias GA7 - CULTURA E programa - Não ter mais representantes dos orgânicos em tempos de
e experiências na roda e todos EMANCIPAÇÃO (ESTADO, - Trocar idéias e experiências Pontos de Cultura no grupo BIBLIOGRAFIA modernidade. In: Cad. Cedes,
Como é bom trabalhar com puderam se expressar SOCIEDADE E POLÍTICA) - Estar em Pirenópolis - Que algumas pessoas não se Campinas, vol. 26, n. 70, p. 373-
diversidade cultural. Ouvir outras - o espaço de idéias - Que fomos convidados para manifestaram BOFF, Leonardo. Ecologia: grito 391, set./dez. 2006
histórias, outras experiências. É - poder discutir em grupo Que bom... discutir sobre diretrizes conceituais - Não ter falado da minha da Terra, grito dos pobres. Rio de
importante fortalecer a formação - compartilhar do Programa Cultura Viva e de experiência enquanto colaboradora Janeiro: Sextante, 2004. TURINO, Célio. Ponto de Cultura;
das redes, para que haja maior - que vocês tiveram paciência e - O monitoramento do facilitador seu fortalecimento como política do Ponto o Brasil de baixo para cima. São
conhecimento dos outros pontos. flexibilidade sobre o grupo pública - O grupo acabou reunindo muitos BOFF, Leonardo. Saber cuidar; Paulo: Ed. Anita Garibaldi, 2009.
- que conseguimos finalizar a - A administração do tempo - Poder trocar idéias pesquisadores e ficou carente das ética do humano, compaixão pela
Importância da continuidade do tarefa, mesmo com pouco tempo - A democracia acontece! - Que realizamos este Seminário histórias vividas pelos Pontos. terra. Petrópolis: Vozes, 1999.

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