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UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ

CLEONICE ROMÃO DA SILVA BIOTI

A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOPEDAGOGIA NO PROCESSO DE


LETRAMENTO E ALFABETIZAÇÃO

CURITIBA

2014
CLEONICE ROMÃO DA SILVA BIOTI

A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOPEDAGOGIA NO PROCESSO DE


LETRAMENTO E ALFABETIZAÇÃO

Artigo de conclusão de Curso de Pós-graduação


apresentado ao Curso de Especialização em
Psicopedagogia, Faculdade de Ciências Humanas
da Universidade Tuiuti do Paraná, como requisito
parcial à obtenção do título de especialização em
Psicopedagogia.

Orientadora: Jeanete Lima

CURITIBA

2014
RESUMO

O presente artigo tem como finalidade apresentar as contribuições da


Psicopedagogia no processo de intervenção na instituição escolar, visando a
aprendizagem das crianças na fase da alfabetização e letramento. Para o estudo foi
necessário realizar uma pesquisa bibliográfica sobre a proposta da Psicopedagogia
diante da aprendizagem humana e suas contribuições para intervir e prevenir os
problemas de aprendizagem no contexto escolar. O problema abordado para este
trabalho foi: 'De que forma o psicopedagogo na instituição escolar pode contribuir
com a aprendizagem das crianças durante o processo de alfabetização e
letramento?’ O desenvolvimento do artigo está dividido em três capítulos e trazem a
abordagem de vários teóricos que esclarecem o papel do psicopedagogo e sua
ação psicopedagógica no contexto escolar, visando suas contribuições para garantir
o sucesso do ensino-aprendizagem na fase da alfabetização e letramento. Por fim, o
resultado da pesquisa, possibilitou a compreensão da importância do profissional no
ambiente escolar, para mediar o trabalho dos professores e equipe pedagógica,
garantindo um ensino de qualidade, principalmente na fase inicial da alfabetização e
letramento, e consequentemente, prevenindo o insucesso da criança nos próximos
anos.

Palavras-chave: Psicopedagogia, desenvolvimento, criança, aprendizagem,


prevenção, alfabetização, letramento, contexto escolar, qualidade, sucesso.

3
1 INTRODUÇÃO

O presente artigo tem como intenção abordar as principais contribuições da


Psicopedagogia no contexto escolar, enfatizando a sua importância para prevenir o
insucesso das crianças na fase da alfabetização e letramento.
A criança quando entra na escola, nem sempre está ‘pronta’ para ser
alfabetizada, pois a sua aprendizagem depende de vários fatores. Segundo Lakomy,

a maturação biológica, o conhecimento prévio, o desenvolvimento da


linguagem, o processo de interação social e a descoberta da afetividade são
fatores de grande relevância no processo de desenvolvimento da
inteligência e, consequentemente, da aprendizagem ( 2008, p. 29).

Neste sentido, o acesso da criança no primeiro ano do Ensino Fundamental,


está sendo dramático, pois muitas instituições estão iniciando o processo de
alfabetização e letramento sem levar em conta o desenvolvimento dos aspectos
necessários para garantir uma aprendizagem prazerosa. Por isso, a
Psicopedagogia traz uma ampla visão sobre a aprendizagem humana que pode
intervir no contexto escolar, buscando a prevenção de problemas nesse processo.
Então, justifica-se a realização dessa pesquisa, para explicitar a visão do
psicopedagogo e como suas contribuições podem prevenir os problemas de
aprendizagem no contexto escolar. Para Mery (1985) o trabalho do psicopedagogo é
específico e, no seu ponto de vista, assume uma dupla polaridade de seu papel,
realiza tarefas de pedagogo sem perder de vista os propósitos terapêuticos de sua
ação psicopedagógica.
É com esse propósito que surge a seguinte questão: De que forma o
psicopedagogo na instituição escolar pode contribuir com a aprendizagem das
crianças durante o processo de alfabetização e letramento?
Sendo assim, torna-se necessário conhecer a Psicopedagogia e seus saberes
no combate da não-aprendizagem no contexto escolar. A metodologia utilizada para
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desenvolver essa temática foi através de pesquisa bibliográfica, possibilitando a
organização do artigo em três capítulos.
O primeiro capítulo aborda os fundamentos teóricos sobre o histórico da
Psicopedagogia no Brasil.
O segundo capítulo relata a construção do conhecimento da criança, desde o
nascimento, visando os aspectos necessários para ocorrer a aprendizagem.
O terceiro capítulo descreve as contribuições do psicopedagogo no contexto
escolar e suas formas de intervir e prevenir os problemas de aprendizagem na fase
inicial da alfabetização e letramento.
Os capítulos apresentam assuntos que podem contribuir com os profissionais
da área de Psicopedagogia, explicitando que para alcançar a efetiva aprendizagem
deve-se ir além dos pré-requisitos necessários no processo de alfabetização e
letramento. Portanto, esse trabalho destaca os pressupostos teóricos para
fundamentar a prática do profissional que visa a melhor qualidade do ensino e
sucesso da criança no contexto escolar.

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2 HISTÓRIA DA PSICOPEDAGOGIA NO BRASIL

Na atualidade, as crianças estão iniciando mais cedo a vida escolar. Aos 6


anos já estão envolvidos no processo de alfabetização. É nessa fase que elas
passam a apresentar problemas de aprendizagem. Por isso, há professores por não
saberem o porquê da não aprendizagem, encaminham a criança a um especialista
em Psicopedagogia. O psicopedagogo pode estar cuidando desse problema,
realizando um trabalho dentro da instituição.
A Psicopedagogia, busca investigar o que está impedindo a criança de
aprender e também trata e previne os problemas de aprendizagem.
De acordo com Visca:

A Psicopedagogia nasceu como uma ocupação empírica pela necessidade


de atender as crianças com dificuldades na aprendizagem, cujas causas
eram estudadas pela medicina e psicologia. Com o decorrer do tempo, o
que inicialmente foi uma ação subsidiaria dessas disciplinas, perfilou-se
com um conhecimento independente e complementar, possuidor de um
objeto de estudo (o processo aprendizagem) e de recursos diagnósticos,
corretores e preventivos próprios (VISCA, 1987, p. 7)

Este profissional, o psicopedagogo, surgiu justamente para suprir as


necessidades que há décadas vem marcando a história dos alunos que não
conseguem aprender. Bossa (2011, p. 48) confirma que “historicamente, a
Psicopedagogia nasceu para atender a patologia da aprendizagem, [...]”.
Do ponto de visa de Weiss ( In SCOZ et al., 1991, p. 6), “a Psicopedagogia
busca a melhoria das relações com a aprendizagem, assim como a melhor
qualidade na construção da própria aprendizagem de alunos e educadores”. Neste
sentido, percebe-se que a função do psicopedagogo é de intervir no processo de
aprendizagem, buscando recursos necessários para que de fato, o sujeito assimile o
conhecimento.
Há décadas que o problema da não-aprendizagem vem sendo discutido. A

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partir de 1960, ocorreram no Brasil, mudanças no contexto político, social e
econômico devido ao golpe militar e a ditadura. Grassi (2009) relata que nessa
época, a carência cultural passou a ser mencionada como explicação do fracasso do
aluno.
Na década de 70, Kiguel ( In SCOZ et al., 1991) explicita que as crianças
que apresentavam distúrbios de aprendizagem, passaram a ter um rótulo de
Disfunção Cerebral Mínima. Ou seja, mais uma vez apontam os culpados da
dificuldade de aprendizagem, mas sem solução para o problema, servindo apenas
de justificativa àquela criança que não aprende. Dorneles (2009) diz que, as
explicações sobre o fracasso escolar nesse tempo, negavam o pedagógico, por
falarem de desnutrição, problemas neurológicos e problemas psicológicos.
De acordo com Bossa (2011, p. 78) “no início da década de 80, começa a se
configurar uma teoria sociopolítica a respeito do fracasso escolar, e o problema de
aprendizagem escolar passa a ser concebido como problema de ensinagem”. Neste
sentido, o problema que antes era visto apenas no aluno, agora passou para a
escola.
Nessa mesma década, surge a Psicopedagogia no Brasil, justamente para
atender os sujeitos que apresentam problemas de aprendizagem. No país, a
Psicopedagogia tem grande influência da Argentina, pela proximidade geográfica e
devido ao acesso fácil da literatura. Segundo Bossa (2011, p.56) “A Psicopedagogia
não nasceu aqui tampouco na Argentina”. Ela relata isso, devido à pesquisa que
realizou, pois verificou que a origem do pensamento argentino acerca da
Psicopedagogia, está fortemente marcada pela literatura francesa, ou seja, a
preocupação com os problemas de aprendizagem teve origem na Europa, ainda no
século XIX.
O termo Psicopedagogia curativa, foi adotado pela psicopedagoga francesa
Janine Mery, “[...]usado para caracterizar uma ação terapêutica que considera
aspectos pedagógicos e psicológicos no tratamento de crianças que apresentam
fracasso escolar”.(Bossa, p.57) Neste sentido, percebe-se que o fracasso escolar foi
o principal motivo do surgimento da Psicopedagogia.
De acordo com Scoz (1990) a Psicopedagogia, hoje no Brasil, é a área que
estuda e trabalha com o processo de aprendizagem e suas dificuldades, englobando

7
vários campos do conhecimento. Isso quer dizer, que abrange vários fatores que
podem influenciar no processo de aprendizagem, sendo de grande valia à
superação do fracasso escolar.
Analisando o tempo histórico, a Psicopedagogia é um campo novo, que está
aos poucos ganhando seu espaço e sendo reconhecida pela sociedade. Kiguel (In
SCOZ, 1987) relata que a Psicopedagogia está em fase de organização de um
corpo teórico específico, visando a “[...] integração das ciências pedagógicas,
psicológica, fonoaudiológica, neuropsicológica e psicolinguística para a
compreensão mais integradora do fenômeno da aprendizagem humana. Isso quer
dizer que o objeto de estudo da Psicopedagogia é a aprendizagem humana que
busca compreender e intervir a favor da capacidade de aprender.

2.1 O OBJETO DE ESTUDO DA PSICOPEDAGOGIA

O período histórico no Brasil, aponta a Psicopedagogia como uma solução


para os problemas de aprendizagem, ou seja, para sanar o fracasso escolar. Neste
caso, a Psicopedagogia busca entender o processo de aprendizagem para intervir e
tratar os problemas apresentados pela criança.
Para Kiguel,

O objeto de estudo da Psicopedagogia está se estruturando em torno do


processo de aprendizagem humana: seus padrões evolutivos normais e
patológicos – bem como a influência do meio (família, escola, sociedade) no
seu desenvolvimento ( In SCOZ et al., 1987, p.24).

Percebe-se que o trabalho psicopedagógico é muito amplo e complexo, o que


exige do profissional muita competência e responsabilidade. Neves, complementa
que a Psicopedagogia,

[...] estuda o ato de aprender e ensinar, levando sempre em conta as


realidades interna e externa da aprendizagem, tomadas em conjunto. E,
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mais procurando estudar a construção do conhecimento em toda a sua
complexidade, procurando colocar em pé de igualdade os aspectos
cognitivos, afetivos e sociais que lhe estão implícitos(1991, p. 12).

É importante salientar que o olhar psicopedagógico diante desses aspectos,


não estão focados somente em causas físicas ou psicológicas e análises das
conjunturas sociais como no passado, mas sim, almeja os fatores orgânicos,
cognitivos, afetivos/sociais e pedagógicos dentro das articulações sociais (SCOZ,
1994).Ou seja, a Psicopedagogia, embora tenha seu nome relacionado com a
Psicologia e Pedagogia, se trata de uma nova área que transita por outros campos
do conhecimento, interdisciplinarmente, compondo seu próprio campo. A
Psicopedagogia investe na elaboração de um instrumental próprio, buscando sua
emancipação e com reforce de uma legislação mais precisa que garanta o seu
exercício de forma mais plena e confiável (BOSSA, 2011).

3 A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO

É importante o psicopedagogo compreender como a criança aprende e o que


ela necessita para aprender. Para Lakomy

a maturação biológica, o conhecimento prévio, o desenvolvimento da


linguagem, o processo de interação social e a descoberta da afetividade são
fatores de grande relevância no processo de desenvolvimento da
inteligência e, consequentemente, da aprendizagem ( 2008, p. 29).

Neste sentido, percebe-se que além da maturação biológica há outros fatores


que são importantes para desenvolver a inteligência e adquirir a aprendizagem.
O psicólogo Piaget, importante pensador do século XX, contribui muito com sua
teoria sobre a epistemologia genética para o esclarecimento desse processo de
aprendizagem. Atualmente sua teoria é citada em diversas áreas do conhecimento,
9
pelo fato de ter mudado a concepção da criança, de ser desprovida de experiências,
sendo que desde cedo é capaz de desenvolver relações inteligentes com o meio,
por meio de trocas, em busca do desenvolvimento.
Outro teórico que fala sobre a aprendizagem é Skinner. Ele criou a teoria
comportamental behaviorista, ou seja, baseada na relação estímulo-resposta e
concluiu que o resultado da aprendizagem é a mudança, ou aquisição de
comportamentos observáveis, causas por estímulos externos ou ambientais.
Para Skinner, a aprendizagem, ocorre somente quando o conhecimento é
adquirido. Defende então, em suas teorias, que o melhor método para ensinar
crianças é baseado num ensino mecânico, utilizando reforço negativo ou positivo
para estimular a aprendizagem (LAKOMY, 2008).
O psicólogo Albert Brandura, seguidor dos pensamentos de Skinner,
desenvolveu a teoria cognitiva social. Brandura (2008) complementa que para o ser
humano adquirir conhecimento é necessário considerar os processos cognitivos,
decorrentes de fatores sociais, ambientais e comportamentais.
Porém, Lakomy (2008) afirma que o aprendizado, na realidade, consiste em
mudança relativamente persistente do indivíduo devido à experiência. Ainda,
enfatiza que o indivíduo de modo particular, tem sua maneira de interpretar e tentar
entender o que acontece no ambiente. Ou seja, o indivíduo não aprende
mecanicamente, procurando processar e categorizar o fluxo de informações
recebido do mundo exterior.
A forma como a criança vai internalizar esse conhecimento depende do seu
significado e da significância para sua vida. Pensando desta forma, Piaget mais uma
vez contribui criando a teoria construtivista, explorando nela como cada criança
elabora seu processo de aquisição do conhecimento. Ele estudou o
desenvolvimento cognitivo e define que o conhecimento humano ocorre conforme o
amadurecimento da criança, ou seja, dividido em etapas. Por isso, Piaget
(BALESTRA, 2007) criou os estágios de desenvolvimento:
• O primeiro estágio, Sensório motor, inicia nos primeiros dias de vida da criança
– 0 aos 2 anos – O recém nascido possui reflexos básicos que são
modificados com a maturação do sistema nervoso e a interação com o meio;

• O segundo estágio, pré-operatório – 2 aos 7 anos - A criança desenvolve


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uma capacidade simbólica, ou seja onde um objeto ou gesto podem
representar algo distinto do que é percebido;

• O terceiro estágio, operatório concreto – 7 aos 12 anos - a criança desenvolve


a capacidade de pensar de maneira lógica;

• O quarto estágio, operatório-formal – 12 anos em diante – passa a pensar de


modo lógico, explorando o raciocínio dedutivo.

Segundo Piaget (1990), para desenvolvimento cognitivo, há quatro fatores


responsáveis: o fator biológico, exercícios e experiências, as interações sociais e o
equilíbrio das ações.
Neste sentido, o psicopedagogo deve estar atento a estes fatores que
contribuem para o desenvolvimento da inteligência da criança. Afirma Piaget que

Cada ato, de inteligência é definido pelo desequilíbrio entre duas


tendências: acomodação e assimilação. Na assimilação, a criança incorpora
eventos, objetos ou situações dentro de formas e pensamentos, que
constituem as estruturas mentais organizadas. Na acomodação, as
estruturas mentais existentes reorganizam-se para incorporar novos
aspectos do ambiente externo. Durante o ato de inteligência, o sujeito
adapta-se às exigências do ambiente externo, enquanto, ao mesmo tempo,
mantêm sua estrutura mental intacta. O brincar neste caso é identificado
pela primazia da assimilação sobre a acomodação (1990, p.139).

Neste caso, as estruturas mentais da criança são constituídas de forma que o


conhecimento seja internalizado, ou seja, aprendido e apreendido.
Vygotsky aprimorou as ideias de Piaget em sua teoria sociointeracionista
ressaltando a importância do ambiente externo. Para ele, os aspectos culturais no
ambiente onde a criança se encontra, favorece a construção do conhecimento.
Segundo Balestra (2007) na visão sociointeracionista, o contexto social e o
desenvolvimento cognitivo caminham juntos e Vygotsky concorda parcialmente com
as análises de Piaget, sobre os estágios de desenvolvimento, afirmando que o
avanço da criança somente é possível a partir da interação com o meio onde está
inserida. Ou seja, além de estruturas mentais,
Vygotsky destaca em sua teoria, a importância da mediação como instrumento
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no processo de aprendizagem. Para “o desenvolvimento das crianças se dá de fora
para dentro, ou seja, a criança é cópia do meio externo e as características
individuais dependem da interação do ser humana com o meio físico e social”
(OLIVEIRA, 1998, p. 26).
A criança precisa da mediação do ser humano para aprender, ou seja, para
desenvolver tanto o cognitivo quanto a interação com meio social, pois através
dessas experiências adquire conhecimento.
Para Oliveira (1998), no processo de aprendizagem da teoria de Vygotsky, a
criança passa por três fases de desenvolvimento:
• Nível de desenvolvimento real – é o nível que a criança está;
• Nível de desenvolvimento potencial – é o nível que a criança pode
alcançar com a ajuda de alguém;
• Nível de desenvolvimento proximal – é a distância que existe entre os
dois níveis e que deve ser propiciado pelas escolas.
Isso quer dizer, que quando a criança tem alguém que oriente na
aprendizagem, aos poucos ela será capaz de alcançar o resultado esperado.
De acordo com Lakomy (2008) a classificação de estágios do desenvolvimento
cognitivo humano de Vygotsky acontece da seguinte forma:
• Aos 3 anos – Fase da fala social: a fala acompanha as ações da criança;
• Dos 3 anos aos 6 anos – Fala egocêntrica: atua com auxílio;
• A partir dos 6 anos – Fala interior: permite uma função planejadora.
Nessa percepção percebe-se que a linguagem, também é um fator importante
para compreender o desenvolvimento cognitivo da criança.
Para aprimorar as ideias de Piaget e Vygotsky, o francês Wallon desenvolveu
a teoria da Afetividade. Para Wallon afetividade e a inteligência se desenvolvem
juntas desde o primeiro ano de vida da criança. Segundo Mahoney e Almeida
(2006, p.12) a teoria de Wallon, “[...] aponta para duas ordens de fatores que irão
constituir as condições em que emergem as atividades de cada estágio: fatores
orgânicos e fatores sociais”. Sendo assim, Wallon apresenta a sequência de
estágios da criança (MAHONEY e ALMEIDA, 2006):
• Impulso emocional (0 a 1 ano) - tem sensibilidades internas e
externas, expressivas de bem-estar e mal-estar;
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• Sensório-motor e projetivo (1 a 3 anos) – reconhece padrões
emocionais diferenciados para medo, alegria, raiva, etc.; discrimina
formas de se comunicar pelo corpo e discriminação de objetos;
• Personalismo (3 a 6 anos) – construção da própria subjetividade e
discriminação entre o eu e o outro;
• Categorial (6 a 11 anos) – exploração mental do mundo físico;
• Puberdade e adolescência (11 anos em diante) – exploração de si
mesmo, como uma identidade autônoma e domínio de categorias
cognitivas de maior nível de abstração.
Essas fases, tem como suporte a atividade motora durante o desenvolvimento
da criança. Para Mahoney e Almeida (2006, p.13) “todos os conjuntos funcionais, em
suas várias configurações, revelam-se inicialmente de forma sincrética, o motor, o
afetivo e o cognitivo que reagem como um todo indiferenciado aos estímulos [...]”
internos (centrípeta- afetivo) e externos (centrífuga – cognitivo). Neste sentido, a
capacidade de aprender da criança vai se aprimorando sincreticamente, conforme o
seu desenvolvimento.
Sendo assim, a teoria de Piaget, Vygotsky e Wallon são de extrema
importância para compreender o desenvolvimento cognitivo da criança, respeitando
sua maturidade biológica e proporcionando diferentes experiências no contexto
social em que vive através da mediação do outro.
Analisando os fatores que envolvem a aprendizagem, percebe-se que para a
criança aprender depende da sua maturação biológica, ou seja, do seu
desenvolvimento cognitivo de acordo com a sua idade cronológica. E para atingir
esse desenvolvimento depende da interação e mediação do meio social. Sendo
assim, compreende-se que o desenvolvimento da criança nesse período até os 6
anos de vida, pode contribuir na aprendizagem da leitura e escrita. São os
chamados pré-requisitos para a aquisição da leitura e escrita. Segundo Massi (2007,
p.125) “deriva daí a ênfase dada à maturidade de mecanismos neurofisiológicos
relacionados a atitudes ou capacidades entendidas como necessárias para que se
aprenda a ler e escrever”. Os pré-requisitos que a criança precisa ter para ser
alfabetizada são:

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• Organização espacial e temporal;
• Noções de lateralidade;
• Noções de esquema corporal;
• Discriminação e percepção visual;
• Discriminação e percepção auditiva;
• Memória imediata e memória de longo prazo;
• Praxias orofaciais;
• Movimentos manuais grossos e finos;
• Coordenação visomotora;
• Postura.( MASSI, 2007, p. 124)

Zorzi (2007) enfatiza que a aprendizagem da leitura e escrita não depende


somente dos pré-requisitos, mas também a partir dos usos e funções que lhe são
atribuídas. Ou seja, a criança precisa vivenciar situações reais do seu dia a dia que
para que a leitura e escrita tenha sentido e significado a sua vida. Ferreiro e
Teberosky (1986 p. 45) confirmam que "o individuo aprende quando consegue
aprender um conteúdo e formular uma representação pessoal de um objeto da
realidade".
Percebe-se a importância do desenvolvimento da criança para iniciar o
processo de alfabetização, pois é um conhecimento muito complexo que deve haver
relação com o mundo letrado, para facilitar a assimilação dos símbolos e códigos
gráficos.
O processo de alfabetização, também passa por etapas até a criança ser de
fato alfabetizada. Ferreiro e Teberosky (1986) através de estudos, criaram a primeira
teoria sobre o processo de construção mental da escrita, chamado de teoria da
psicogênese. Por isso, as autoras dizem que, a criança produz sua escrita através
de aplicação de esquemas de assimilação ao objeto, elaborando desde cedo ideias
próprias em relação aos sinais gráficos, baseando seu processo de aquisição da
escrita em hipóteses construídas sobre o que ela tenha acesso no tocante da língua
escrita.
Sendo assim, a criança vai construindo seu conhecimento de forma gradual
que pode ser percebido pelas hipóteses durante o processo de aquisição da leitura e
escrita.
Segundo Ferreiro e Teberosky (1986) os períodos da linha de evolução são:

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Hipótese pré-silábica; Hipótese silábica; Hipótese silábico-alfabética;Hipótese
alfabética.O último período para Ferreiro e Teberosky (1986), é o período alfabético
a criança já deve ter vencido os obstáculos conceituais para a escrita, para ela cada
letra corresponde a menor unidade da escrita, mas ainda não alcançou as regras
normativas da ortografia, mesmo com a escrita compreensiva.
Neste sentido, a criança quando entra na escola deve-se verificar se ela está
preparada para ser alfabetizada, considerando os pré-requisitos e o a forma como
está sendo ensinada, se está sendo abordando assuntos do mundo da criança, ou
seja, do mundo letrado, para ter sentido e significado e ocorrer de fato a
aprendizagem. Outro ponto é reconhecer que para chegar a alfabetização a criança
apresentará hipóteses que deve ser analisado a cada passo, para proporcionar
novas situações de aprendizagem e ir avançando cada vez mais ao longo do
processo.

4 A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOPEDAGOGIA NO PROCESSO DE


ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO

Através do estudo de como a criança adquire o conhecimento compreende-se


que existem diversos fatores para que aconteça a alfabetização, ou seja, na
concepção psicopedagógica estão os "[...] aspectos orgânicos, físicos, psicológicos,
cognitivos, psicomotores, econômicos, sociais, culturais, políticos, escolares,
familiares, históricos, entre outros"( GRASSI, 2009, p.137).
Para Rubinstein (In SCOZ et al.,1987) são múltiplos os fatores que intervêm na
aprendizagem, mas os mais específicos são os aspectos cognitivos, responsáveis
pela objetividade e os aspectos afetivos, responsáveis pela subjetividade.
Neste sentido, a psicopedagogia na instituição escolar pode contribuir
desenvolvendo estes aspectos realizando um trabalho junto aos professores para
evitar o atraso na alfabetização, ou seja, de prevenção.
Segundo Bossa (2011) a prática preventiva do psicopedagogo na instituição
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escolar se baseia na observação e análise profunda de uma situação concreta. O
psicopedagogo faz um trabalho de investigação e intervenção, identifica os
obstáculos, os elementos facilitadores e pesquisa as condições para que se produza
a aprendizagem do conteúdo escolar.
Para Mery (1985) o trabalho do psicopedagogo é específico e, no seu ponto de
vista, assume uma dupla polaridade de seu papel, realiza tarefas de pedagogo sem
perder de vista os propósitos terapêuticos de sua ação psicopedagógica.
Compreende-se que é fundamental a presença do psicopedagogo na instituição
escolar, por barrar os problemas de aprendizagem que vem muitas vezes por
consequência de fatores externos, ou seja, problemas que se encontram fora da
escola, no contexto familiar e social. Para Bossa (2011, p.143) pensar a
Psicopedagogia no contexto escolar, “[...] significa analisar um processo que inclui
questões metodológicas, relacionais e socioculturais, englobando o ponto de vista
de quem aprende, [...] a participação da família e da sociedade”.
Segundo Kiguel (In SCOZ et al., 1987) o psicopedagogo deve oportunizar
situações que envolvam a ativa participação dos professores na descoberta de
como se aprende, para que haja na prática dinamismo e a ação da criança na
construção do conhecimento. Neste sentido, também percebe-se que a presença do
psicopedagogo pode evitar uma prática inadequada do ensino-aprendizagem,
proporcionando aos professores saberes necessários com o objetivo de promover a
aprendizagem das crianças principalmente na fase da alfabetização. Kiguel (In
SCOZ et al., 1987) ainda realça que os professores alfabetizadores, podem
prejudicar as crianças, ao realizar uma prática errônea, como por exemplo,
apresentar desenhos prontos, mimeografados, pois essas atitudes inibem o
processo e não conduzem ao prazer. Isso quer dizer, que a aprendizagem tem que
ser de forma prazerosa a criança, sem pressão e sem cobranças, pois as hipóteses
que apresentam no decorrer do processo de alfabetização devem ser respeitadas.
Para Bossa (2011), a Psicopedagogia trabalha atualmente visando as disposições
afetivas e intelectuais que interferem na forma de relação do sujeito com o meio.
Neste caso, é outro fator que o psicopedagogo pode estar trabalhando em prol da
criança na fase da alfabetização, a questão da afetividade, a relação professor-
aluno, a relação família-escola, que podem influenciar positivamente ou

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negativamente na aprendizagem.

Bossa (2011, p.141) relata que o psicopedagogo na instituição escolar, cumpre


uma importante função social, “[...] a de socializar os conhecimentos disponíveis,
promover o desenvolvimento cognitivo e a construção de regras de conduta, dentro
de um projeto social mais amplo”. Isso quer dizer, que o campo de atuação do
psicopedagogo na escola é muito abrangente, o qual pode estar intervindo e
possibilitando a criança uma aprendizagem significativa, que tenha relação com sua
vida. A ligação do que é aprendido na escola com a realidade da criança, ou seja, o
conhecimento prévio, além de facilitar a assimilação dos conteúdos, propicia o
conhecimento do mundo.
De acordo com Soares

Alfabetizar e letrar são duas ações distintas, mas não inseparáveis, ao


contrário: o ideal seria alfabetizar letrando, ou seja: ensinar a ler e escrever
no contexto das práticas sociais da leitura e da escrita, de modo que o
indivíduo se tornasse, ao mesmo tempo alfabetizado e letrado. (1998, p.47)

Por isso, percebe-se que o psicopedagogo pode realizar um trabalho


preventivo, visando a prática do professor durante o processo de alfabetização das
crianças, pois deve ir além da codificação e decodificação de palavras, formar
crianças letradas, que saibam usar a leitura e a escrita fora da escola.
Segundo Weiss

Existem diferentes enfoques em relação ao que se entende por


Psicopedagogia na escola. Adotarei a posição de considerá-la como um
trabalho em que se busca a melhoria das relações com a aprendizagem,
assim como a melhor qualidade na construção da própria aprendizagem de
alunos e educadores( In SCOZ et al., 1991, p. 98).

Sendo assim, o psicopedagogo torna-se um mediador do professor e


indiretamente do aluno, visando aprimorar a prática do ensino-aprendizagem para

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combater os problemas durante o processo da alfabetização e letramento. SCOZ
(1994) relata que as escolas, “a partir do momento em que respeitar a etapa de
desenvolvimento na qual os alunos se encontram, e souber trabalhar esse limite,
introduzindo propostas de trabalho ricas e desafiadoras, poderão transformar os
erros dos alunos em algo construtivo”. Por isso, vale ressaltar que cada criança tem
o processo de desenvolvimento diferente uma da outra e psicopedagogo deve estar
atento a isso. Sendo assim, Bossa afirma que

Cabe ao psicopedagogo perceber eventuais perturbações no processo


aprendizagem, participar da dinâmica da comunidade educativa,
favorecendo a integração, promovendo orientações metodológicas de
acordo com as características e particularidades dos indivíduos do grupo,
realizando processos de orientação. Já que no caráter assistencial, o
psicopedagogo participa de equipes responsáveis pela elaboração de
planos e projetos no contexto teórico/prático das políticas educacionais,
fazendo com que os professores, diretores e coordenadores possam
repensar o papel da escola frente a sua docência e às necessidades
individuais de aprendizagem da criança ou, da própria ensinagem (2011, p.
23).

Isso quer dizer que, a tarefa mais importante da ação psicopedagógica


preventiva é estar atento a qualquer situação dentro do contexto escolar, buscando
novas formas de aprimorar o ensino, fornecendo subsídios à equipe educativa para
o melhor andamento da aprendizagem. Portanto, percebe-se a que é de extrema
importância o psicopedagogo no contexto escolar para realizar um trabalho
preventivo e contribuir com a aprendizagem das crianças durante o processo de
alfabetização e letramento.

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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Psicopedagogia por ser um campo novo, muitos ainda não sabem o quanto pode
contribuir com a aprendizagem de crianças na fase da alfabetização, realizando um
trabalho preventivo e evitando o insucesso escolar.
Em síntese entende-se que a Psicopedagogia, surgiu justamente para prevenir e
tratar os problemas de aprendizagem. Por isso, necessita conhecer seu objeto de
estudo, ou seja, a aprendizagem humana, para saber compreender os aspectos que
influenciam e ocasionam a não-aprendizagem.
Durante a pesquisa, sobre a construção do conhecimento da criança pode-se
perceber o quanto é importante o desenvolvimento da criança e suas influências e/ou
consequências quando chega na idade da alfabetização. Neste sentido, entende-se que
na atualidade, a entrada da criança mais cedo na escola, exige uma prontidão para a
alfabetização. Muitas instituições exigem de seus profissionais alfabetizadores que as
crianças saiam do primeiro ano alfabetizadas e letradas. Mas, sabe-se que não é bem
assim, para a criança aprender, principalmente quando não se encontra bem
desenvolvida ou com maturidade suficiente para compreender o código da escrita. Por
isso, em muitos casos, o professor acaba agravando ainda mais a situação da criança
que não está conseguindo acompanhar a turma.
É por este motivo que o psicopedagogo deve estar presente na escola para não
deixar acontecer práticas educativas errôneas, que inibem a aprendizagem da criança,
principalmente na alfabetização, pois é a base para os próximos anos escolares. O
trabalho psicopedagógico preventivo serve para isso, prevenir para que quando a
criança for para o próximo ano, não comece a apresentar problemas decorrentes
dos erros do passado.
Portanto, considera-se que a presença do psicopedagogo no contexto escolar
é de extrema importância, para evitar que as crianças sofram com a não-
aprendizagem, podendo mediar o trabalho do professor e todos os envolvidos no
processo de ensino-aprendizagem. Além disso, compreende-se que o primordial é a
formação dos professores, para saber conduzir turmas heterogêneas, que

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apresentam níveis diferentes de aprendizagem da leitura e escrita, sempre olhando
a criança individualmente, para que todos aprendam de forma prazerosa. Também,
percebe-se que família e escola devem caminhar juntas em prol da aprendizagem
das crianças na fase da alfabetização e letramento, pois assim o psicopedagogo
pode intervir em todos os aspectos, que por ventura, atrapalhem a aprendizagem.

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