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Você tem capital erótico?

Escrito por Mariane Bovoloni


Qua, 08 de Junho de 2011 12:33 - Última atualização Qui, 16 de Junho de 2011 20:17

Estudo mostra características que influenciam na hora da contratação de emprego

Qual a preocupação mais comum dos alunos de graduação, principalmente durante o último
ano de curso? Sem dúvida é se, ao terem o diploma em mãos, vão conseguir ingressar no
mercado de trabalho. Essa preocupação é a que, muitas vezes, motiva a escolha de cursos,
fazendo com que pais incentivem filhos às profissões mais tradicionais. A busca por um bom
emprego, também, leva estudantes a aprenderem outros idiomas e fazerem cursos no exterior.

Hoje, porém, ter um bom currículo pode ser importante, mas não o suficiente para garantir uma
contratação. Há empresas que privilegiam, além de capital econômico, cultural e social, aquele

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“algo a mais”, um poder de atração física conhecido como “capital erótico”.

O principal estudo que trata sobre o tema foi da socióloga Catherine Hakim, da London School
of Economics, Inglaterra, publicado na European Sociological Review. O estudo de Hakim
aponta que pessoas com o chamado capital erótico costumam ser mais atraentes do que
outras, tornando-se companhias apreciadas pelo sexo oposto. Além disso, são mais
persuasivas, têm facilidades para se relacionar e costumam ser vistas como mais honestas e
competentes. Assim é mais fácil para elas conquistar o emprego desejado. O estudo também
aponta que seus salários são, em média, 15% mais altos.

O capital erótico pode prejudicar?

Pense em um jovem buscando seu primeiro emprego. Ele está com excesso de espinhas e
cravos, algumas sardas, com os cabelos num “penteado sem pentear”. Usa adornos metálicos
nas orelhas, lábios, língua, nariz, sobrancelhas e tem uma tatuagem visível no antebraço. Ele
terá facilidade para conseguir um emprego? Não nas empresas mais conservadoras e

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tradicionais e sim em empresas onde isso possa ser utilizado com imagem de modernidade e
vitalidade, como em agências de publicidade, promoters de eventos, artes plásticas, DJs, entre
outros.

O exemplo acima foi dado por Waldyr Faustini Junior quando perguntado se o capital erótico
ajuda ou atrapalha na busca por um emprego. Waldyr é professor e gerente de Recursos
Humanos da Magneti Marelli, do Grupo Fiat, na cidade de
Pedreira, cidade metropolitana de Campinas. De acordo com ele, tudo depende da cultura de
cada empresa, pois existem aquelas vanguardistas e outras conservadoras. A variação ocorre
pelo tipo de negócio em que estão inseridas e pelos profissionais que vão participando de seu
desenvolvimento ao longo dos anos, deixando alguns de seus valores e crenças.

Outro exemplo dado por Waldyr é relacionado às modelos de passarela, onde o capital erótico
é necessário para o sucesso. No entanto, o assédio sofrido – tanto sexual como a pressão para
se manter em forma – é constante e pode prejudicar.

No momento da contratação, há casos em que pessoas abusam de seu capital erótico,


utilizando, por exemplo, decotes excessivos, perfumes e roupas extravagantes. Porém, há o
outro lado, em que o profissional que conduz o processo de seleção comete assédio ou
preconceito. “Pessoalmente, como recrutador, passei por muitas situações inusitadas. Tive um
superior que tinha bastante preconceito sobre pessoas com roupas ‘não convencionais’ e
tatuagens. Por várias vezes fui advertido por contratar ‘gente desse tipo’”, afirma Waldyr.

A explicação do estudo de Catherine Hakim foi o fato de que, para ela, hoje a beleza e o sex
appeal
se tornaram valores individuais tão importantes quanto qualificações educacionais.

No Brasil, o culto à beleza e a necessidade de padrões estéticos faz com que o capital erótico
tenha muito peso na vida das pessoas. Prova disso é o número de cirurgias plásticas
realizadas no país ou o consumo crescente de cosméticos, movimentando toda uma indústria

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de produtos que prometem melhorar a aparência. “E, nesse universo, a mídia em todos os seus
formatos também encontra formas de ganhar a sua parcela, reforçando a imagem e as crenças
do capital erótico”, conclui Waldyr.

Como identificar?
O capital erótico seria composto por seis qualidades. Você sabe quais são?

ü Beleza: varia conforme a época e a cultura. Hoje, é valorizada a fotogenia, olhos grandes,
lábios carnudos e pele bronzeada.

ü Atratividade sexual: corpo considerado sexy e personalidade.

ü Atratividade social: segundo o estudo de Hakim, seria um tipo de graça que deixaria as
pessoas à vontade e contentes com a oportunidade de interação.

ü Vivacidade: relacionado à disposição e ao bom humor.

ü Apresentação: o modo se vestir, a maquiagem que usa... Ou seja, seu estilo.

ü Sexualidade: qualidade ampla que tem a ver com a competência sexual e a imaginação
erótica. Não tem relação com libido.

ü Fertilidade: vale para as mulheres naquelas culturas em que mães de crianças bonitas e
saudáveis são vistas com maior destaque.

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Por se importar mais com sua aparência, a mulher, na maioria dos casos, é quem mais
consegue pôr em prática o capital erótico. Além da vaidade inerente, o incentivo masculino à
erotização também conta. De acordo com o estudo de Hakim, “capital erótico requer talento e
habilidade, mas pode ser treinado, desenvolvido e aprendido”. Sua proposta é incorporar
elementos sociológicos ao estudo desse capital.

5/5

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