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A Vitória da Fé

Sermão nº 14
Ministrado na manhã de domingo, 15 de março de 1855, pelo
Rev. C. H. Spurgeon

em Exeter Hall, Strand.

“porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o
mundo: a nossa fé” (1Jo 1.4)

As epístolas de João exalam o perfume do amor. A palavra está sempre presente,


enquanto o Espírito permeia cada sentença. Cada letra está embebida e impregnada com
esse mel celestial. Se João fala de Deus, é porque Seu nome é amor; se os irmãos são
mencionados, é porque Deus os ama; e até mesmo quando fala do próprio mundo, João
diz: “Deus amou ao mundo de tal maneira, que deu Seu único filho”. Do início ao fim, o
amor é a maneira, a causa, o motivo e o alvo. Por isso, é um tanto surpreendente que
encontremos palavras marciais numa escrita tão pacífica, pois ouço som de guerra. Com
certeza não é a voz do amor que diz: “aquele que é nascido de Deus vence o mundo”. Eis
aí conflito e batalha. A palavra “vencer” parece ter em si algo a ver com espada e guerra,
com contenda e disputa, com agonia e hostilidade, muito diferente do amor, que é doce e
gentil, que não profere palavras ásperas, cuja boca é aveludada, cujas palavras são mais
suaves que manteiga, cujas declarações fluem com mais facilidade que azeite. Aqui há
guerra ​━ guerra de verdade, pois ouço: “aquele que é nascido de Deus vence o mundo”; é
guerra mortal, confronto por toda a vida, lutando com a certeza da vitória. Como é que o
mesmo evangelho que fala constantemente de paz, aqui proclama a guerra? Como pode
ser? É simples: existe algo no mundo que é antagônico ao amor; existem princípios lá fora
que não suportam a luz; por isso, antes que a luz venha, ela precisa afugentar a escuridão.
Sabemos que, antes que o verão possa reinar, ele precisa lutar com o inverno anterior e
despachá-lo uivando nos ventos de março e derramando suas lágrimas nas chuvas de abril.
Da mesma forma, antes que qualquer coisa boa ou grande possa ter o domínio deste
mundo, deve lutar por ele. Satanás assentou-se em seu trono manchado de sangue e,
quem pode derrotá-lo, a não ser for pela força bruta, pela luta e pela guerra? As trevas
cobrem as nações, e nem o sol pode estabelecer seu império de luz sem que seus raios
trespassem a noite e a façam fugir. Por isso, lemos na Bíblia que Cristo não veio trazer paz
à terra, mas espada; Ele veio indispor “pai contra filho e filho contra pai; mãe contra filha e
filha contra mãe, sogra contra nora e nora contra sogra”, não intencionalmente, mas como
um meio para chegar a um fim, pois deve sempre haver luta antes que a verdade e a justiça
possam reinar. Portanto, a terra é o campo de batalha onde o bem deve combater o mal. Os
anjos observam e prendem a respiração, ardendo de vontade de entrar no conflito; mas nas
tropas do Capitão da Salvação deve haver apenas soldados da cruz. E esse pequeno
bando deve lutar sozinho; contudo, triunfará gloriosamente. Eles serão o bastante para a
conquista, e o lema da sua bandeira será SUFICIENTE. Suficiente pelo auxílio do braço da
Trindade.
Com a ajuda de Deus, vou falar sobre três coisas que podem ser encontradas neste texto.
Primeira, o texto fala de ​uma grande vitória​: ele diz, “esta é a vitória”. Segunda, ele
menciona um ​grande nascimento​: “todo o que é ​nascido de Deus”. E terceira, ele exalta
uma ​grande graça,​ pela qual vencemos o mundo, “a nossa fé”.

I. Em primeiro lugar, o texto fala de uma GRANDE VITÓRIA ​━ a vitória das vitórias
━ a maior de todas. Sabemos que há grandes batalhas entre as nações, e que uma nação
sempre vence a outra; mas, quem já ouviu falar de uma vitória que vence o mundo? Alguns
dizem que Alexandre o conquistou; mas eu digo que não. Ele próprio foi vencido, mesmo
quando tinha tudo em seu poder. Ele lutou pelo mundo e o venceu, mas veja como o mundo
dominou seu mestre, conquistou seu conquistador, atacou o monarca que foi seu flagelo.
Veja o choro daquele jovem real, com as mãos estendidas e gestos infantis, gritando por
querer outro mundo para devastar. Por fora, ele parecia ter vencido a velha terra; mas, na
realidade, no seu íntimo, a terra o tinha conquistado e subjugado, envolvendo-o no sonho
da ambição, cingindo-o com as correntes da cobiça, de modo que, mesmo tendo tudo,
ainda não se sentia satisfeito; e, como um pobre escravo, ele era arrastado pelas rodas da
carruagem do mundo, gritando, gemendo e se lamentando, porque não poderia ter mais
uma vitória. Quem já venceu o mundo? Que dê um passo à frente. Se alguém puder dizer
que venceu o mundo, será um tritão entre peixinhos; ofuscará César e será maior até
mesmo que o nosso próprio Wellington ​(NT1), recém-falecido. Vencer o mundo é uma coisa
tão rara, uma vitória tão prodigiosa, uma conquista tão tremenda que, quem puder
reivindicá-la, poderá andar entre seus companheiros como Saul, que sobressaía a todos do
ombro para cima. Ele será merecedor da nossa admiração; sua presença imporá temor e
respeito; seu discurso levará à nossa obediência; e honrando a quem merece, ao ouvir a
sua voz, diremos: “é como o bater das asas de um anjo”.

Agora tentarei ampliar essa ideia mostrando em quais sentidos o cristão vence o
mundo. A batalha é árdua, cavalheiros, posso lhes garantir ​━ não é uma batalha que possa
ser vencida por cavaleiros sedutores; não é uma escaramuça à toa, onde, num dia
ensolarado, o cavaleiro chega em seu corcel, olha para a multidão e desmonta
elegantemente à porta de sua tenda de cetim; nem é algo que possa ser vencido por um
recruta inexperiente, que veste seu uniforme e imagina infantilmente que uma semana de
serviço será garantia da sua coroa de glória. Não, cavalheiros, essa é uma guerra vitalícia
━ uma luta que precisa do poder de todos os músculos e de um coração vigoroso; uma
disputa que exigirá toda a nossa força, se quisermos ser triunfantes; e, quando formos mais
que vencedores, dirão de nós o mesmo que Hart disse de Cristo: “Ele tinha força suficiente
e não a poupou”. Essa é uma batalha na qual o coração mais decidido pode desanimar;
uma luta em que os bravos podem se abalar se não se lembrarem de que o Senhor está ao
seu lado e, por isso, de quem terão medo? O SENHOR é a fortaleza da sua vida; a quem
temerão? (Sl 27.1). Essa luta com o mundo não é de força bruta ou poder físico; se fosse,
logo poderíamos vencê-la; mas é uma luta muito mais perigosa, pois é uma luta da mente,
um conflito do coração, uma batalha do espírito, um esforço da alma. Quando vencemos o
mundo em certo sentido, não fizemos nem metade do nosso trabalho; pois o mundo é um
Proteus, sempre mudando de forma; é um camaleão, que possui todas as cores do
arco-íris; e, quando o derrotamos de uma forma, ele nos ataca de outra. Até a morte, o
mundo sempre terá novas maneiras de nos atacar. Permitam-me mencionar apenas
algumas nas quais o cristão vence o mundo.

1. O cristão vence o mundo quando este age como legislador e quer lhe ensinar seus
costumes. Todos sabem que o mundo tem um imenso e antigo manual de costumes,
e quem não deseja seguir seus moldes é boicotado pela sociedade. A maioria das
pessoas faz o mesmo que as outras, e isso é suficiente para elas. Se alguém
percebe alguma desonestidade nos negócios, não vê problema nisso, pois todo
mundo faz. Se percebe que a maioria tem certos hábitos, acaba sucumbindo e
fazendo igual. Suponho que essas pessoas achem que marchar para o inferno junto
com a multidão ajudará a diminuir a intensidade das chamas do abismo, mas elas se
esquecem de que, quanto mais lenha maior a fogueira. Elas se deixam levar pela
correnteza como peixes mortos; no entanto, só peixes vivos nadam contra a
corrente. Somente o cristão que despreza os costumes do mundo, sem se importar
com convencionalismos, pergunta a si mesmo: “Isso é certo ou errado?”, e diz: “Se é
certo, vou ser diferente. Se ninguém mais fizer, eu faço; se todos me criticarem, faço
mesmo assim; se as próprias pedras voarem para me apedrejar até a morte, faço do
mesmo jeito; e ainda que me amarrem a uma estaca, não me importa, não vou agir
como as outras pessoas. Ao contrário de todo mundo, vou fazer o que é certo; se
ninguém quiser me seguir, vou sem eles; fico contente se todos fizerem o que é
certo, mas se não fizerem, não faço caso de seus costumes; não me importa o que
eles façam; não vou ser pesado em balança pelos homens. Para o meu Mestre, fico
em pé ou caio. É assim que supero e venço os costumes do mundo”! E que mundo!
Ele se veste de arminho, coloca a toga de juiz e diz solenemente: “Homem, você
está errado. Olhe para seus companheiros; veja como eles fazem. Observe minhas
regras. Há centenas de anos não fazemos assim? Quem é você, para se voltar
contra mim?” E, assim, o mundo saca seu código de leis roído pelas traças e,
virando suas páginas amareladas, diz: “Veja, eis aqui um edito do reinado de
Nabucodonosor e aqui uma lei promulgada na época de Faraó. Eles devem estar
certos, pois foram registrados pelas autoridades da antiguidade. Você quer ir contra
a opinião da maioria?" “Sim, quero, vou pegar o código de leis do mundo e
queimá-lo, como fizeram os efésios com seus livros de mágica (At 19.19); vou pegar
suas obras e jogá-las no lixo; vou arrancar seus cartazes dos muros. Não me
importo com o que os outros fazem; costumes para mim são como teias de aranha.
Considero loucura ser diferente, mas, quando isso significa estar certo, é uma
tremenda sabedoria”. Os cristãos vencem o mundo; desprezam seus costumes;
andam como pessoas distintas, raça separada, geração escolhida, povo peculiar.
Eles fazem seus negócios sem insinuações, não como um ímpio imitando
sarcasticamente Maw-worm (personagem da peça The Hypocrite, de Isaac
Bickerstaffe, 1769): “Colocou areia no açúcar, rapaz?”, “Sim, senhor”, “Folhas
tóxicas no chá?”, “Sim, senhor”. “Veneno na pimenta?”, “Sim, senhor”. “​Então vamos
à reunião de oração”​ . Os cristãos não agem assim! Eles dizem: “Sabemos que não
podemos nos conformar às coisas do mundo. Se oramos, também praticamos; ou
então seremos hipócritas, malditos hipócritas. Se vamos à casa de Deus e dizemos
que O amamos, nós O amamos em qualquer lugar; levamos a religião conosco pra
loja, pra trás do balcão, pro escritório; nós a temos conosco onde quer que seja; do
contrário Deus saberia que não é religião de forma alguma”. Vocês, então, precisam
se posicionar contra os costumes dos homens. Embora esta seja uma cidade de
quase três milhões de pessoas, se quiserem vencer o mundo, devem sair e ser
separados.

2. Quando nos rebelamos contra os costumes do mundo. ​E, fazendo isso, qual é a
reação do nosso inimigo? Ele muda de tática. Ele diz explicitamente: “Esse cara é
um herege, um fanático, um fingido, um hipócrita”. O mundo desembainha sua
espada, franze a testa, faz uma carranca de demônio e cerca-se de tempestades.
“Ele ousa desafiar minha autoridade; não quer agir como todo mundo. Agora sim é
que vou persegui-lo. Calúnia! Sai das profundezas do inferno e atormenta-o! Inveja!
Afia teus dentes e afligi-o!” Assim, o mundo convoca tudo o que é falso e sai em
perseguição do cristão. Quando pode, age com as próprias mãos; se não, com a
língua. Ele atormenta a pessoa aonde quer que ela vá. Tenta arruiná-la nos
negócios ou, se ela não abre mão da verdade, ele ri, faz comentários sarcásticos e
zombarias. E move céus e terra para atingi-la. Como, então, o guerreiro do Senhor
deve agir quando vê o mundo usando todas as suas armas contra ele, e quando vê
toda a terra, como um exército, sair em sua perseguição para destruí-lo? Será que
ele deve se render? Deve se dobrar? Deve se encolher de medo? Ah, não mesmo!
Como Lutero, ele escreve em seu estandarte: “Ceder, jamais!” ​━ “Não me rendo a
ninguém!”, e sai à guerra contra o mundo, se o mundo quiser guerrear contra ele.
Ainda que todos os exércitos se acampem ao seu redor
O cristão habita na terra na mais perfeita paz
Ah! Sei que alguns de vocês, se ouvissem quaisquer palavras contra si
abandonariam de uma vez a religião que professam; mas o verdadeiro filho nascido
de Deus pouco se importa com a opinião do homem. “Ah”, diz ele, “ainda que me
falte o pão, ainda que eu vagueie por aí sem nada nos bolsos; sim, ainda que eu
morra: cada gota de sangue nas minhas veias pertence a Cristo, e estou pronto a
derramá-las por amor do Seu nome”. ​Ele considera tudo como perda para ganhar a
Cristo ​━ para ser achado nEle; e, quando a tempestade ruge, ele sorri para o
mundo e entoa esta linda melodia:
Jerusalém meu alegre lar
Nome precioso a mim
Quando minha lida irá cessar
Em alegria e paz junto a ti?
E, quando o mundo desembainha sua espada, o cristão olha para ela e diz: “Assim
como o relâmpago salta do covil do trovão, rompendo as nuvens e assustando as
estrelas, mas é impotente contra o alpinista protegido pelas rochas, que sorri ante a
sua grandeza, o mundo também não pode me ferir, pois no tempo da tribulação meu
Pai me esconde em Seu pavilhão, me abriga nos recônditos do Seu tabernáculo, e
me coloca sobre a rocha”. Portanto, nós vencemos o mundo ao não nos importar
com a sua cara feia.

3. “Bem”, diz o mundo, “vou tentar de outra forma.”, e esteja certo de que, desta vez,
será a pior de todas. Um mundo sorridente é pior que um mundo carrancudo. Ele
diz: “Já que não posso destruí-lo com golpes repetidos, vou tirar minha luva e
oferecer-lhe minha mão para que ele a beije. Vou lhe dizer o quanto o amo: vou
elogiá-lo e lhe dizer belas palavras”. John Bunyan descreve bem essa Madame
Bolha (personagem de ​O Peregrino que representa as tentações do mundo): ela tem
um jeito cativante; desmancha-se em sorrisos ao final de cada frase; fala muito
sobre coisas boas e tenta atrair e seduzir. Creiam-me, os cristãos correm maior
perigo quando são elogiados do que quando são perseguidos. Quando estamos no
auge da popularidade é que devemos temer e tremer. Não é quando somos
criticados e desprezados que precisamos ficar alertas; é quando somos embalados
nos braços do sucesso e acalentados no colo das pessoas. Quando todos nos
elogiam, ai de nós! Não é no vento frio do inverno que tiro minha capa de justiça e a
deixo de lado, é quando o sol aparece, quando o tempo esquenta e o ar fica ameno
que, sem pensar, tiro as roupas e me dispo. Bom Deus! Quantos têm se despido
pelo amor deste mundo! O mundo lisonjeia e aplaude; a pessoa se embriaga com a
bajulação; toma um gole inebriante, vacila, cambaleia, cai e perde a reputação.
Assim como um cometa que atravessa o céu, vagueia pelo espaço e se perde na
escuridão, ela também se perde. Por melhor que tenha sido, ela cai; por mais
poderosa, vagueia sem rumo e se perde. No entanto, o verdadeiro filho de Deus não
é assim; ele permanece seguro tanto diante de um mundo sorridente quanto de um
mundo carrancudo; ele pouco se importa com seus elogios ou com seu desprezo. Se
for louvado, e o louvor for merecido, ele diz “o que eu fiz merece elogio, mas dou
toda honra a meu Deus”. Grandes almas sabem o que merecem de seus críticos,
para elas, isso é apenas sua paga diária. Algumas pessoas não conseguem viver
sem sua cota de elogios; mas se elas só recebem o que merecem, que recebam,
então. Se forem filhos de Deus, continuarão firmes; não serão arruinados ou
destruídos, mas ficarão como as corças, com os pés firmados nas alturas (Sl 18.33)
━​“Esta é a vitória que vence o mundo”.

4. Além disso, algumas vezes, o mundo se torna o carcereiro do cristão. Deus lhe
manda aflições e tristeza, até que sua vida se torna uma prisão, e o mundo seu
carcereiro ​━ e um carcereiro da pior espécie. Já passou por provações e
tribulações, meu amigo? Será que o mundo nunca chegou para você e lhe disse:
“Pobre coitado; tenho uma chave que pode libertá-lo. Se você está com problemas
financeiros, vou lhe dizer como se livrar deles. Deixe a Dª Consciência de lado. Ela
fica perguntando se é certo ou errado. Não se importe com ela; mande-a dormir;
pense em honestidade depois que ganhar dinheiro, e então se arrependa”. É assim
que o mundo fala, mas você responde: “Não posso fazer isso”. “Bem”, diz ele, “então
chore e lamente: é terrível que uma pessoa tão boa como você esteja nessa prisão”.
“Não”, diz o cristão, “foi meu Pai que me enviou esta provação e, no tempo Dele, Ele
há de me libertar; mas, mesmo que eu morra aqui, não farei nenhuma trapaça para
me livrar. Meu Pai me colocou nesta situação para o meu próprio bem, não vou
reclamar; se meus ossos devem ficar aqui ​━ se meu caixão deve ficar sob estas
pedras ​━ se minha lápide deve ser a parede desta masmorra ​━ vou morrer aqui,
mas não vou levantar um dedo sequer para me livrar de forma ilegal”. “Ah!”, diz o
mundo, “Então, tu és um tolo”. O escarnecedor ri e segue em frente, zombando: “O
cara não tem cabeça; não tem ousadia; não tem coragem; nunca se lançará ao mar;
ele quer seguir o velho caminho da moralidade”. Sim, ele quer; pois é assim que ele
vence o mundo.

Bem, posso lhes falar de algumas batalhas que são travadas. Existem muitas
garotas pobres que trabalham, trabalham, trabalham, até não poder mais, ganhando
uma miséria para confeccionar as roupas que usamos sem saber que estamos
vestindo seu sangue, ossos e tendões. Algumas foram tentadas milhares de vezes;
o maligno tentou seduzi-las, mas elas lutaram bravamente, inflexíveis em sua
integridade. E, mesmo em meio à pobreza, elas se mantiveram firmes: “claras como
o sol, brilhantes como a lua e terríveis como um exército com seu estandarte”;
heroínas inconquistáveis pelas tentações e encantos da imoralidade. Em outros
casos, homens tiveram a chance de enriquecer num piscar de olhos, prosperar de
uma hora pra outra, caso tivessem posto as mãos em algo para o qual nem
ousavam olhar, porque Deus dizia dentro deles: “Não”. Mas o mundo dizia: “Fique
rico, fique rico”; enquanto o Espírito Santo retrucava: “Não, seja honesto, sirva o teu
Deus”. Que batalhas tremendas! E o horrível combate continuava dentro do coração!
“Não, mesmo que as estrelas se transformem em rios de ouro, não quero que toda
essa riqueza corrompa meus princípios e arruíne a minha alma”. E, assim, o cristão
anda como vencedor. “​Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé”.

II. Mas nosso texto fala ainda de um GRANDE NASCIMENTO. Quando pregava em Exeter
Hall, um amigo muito gentil me disse que eu deveria respeitar a opinião de meus ouvintes;
que, apesar de eu ser calvinista e batista, eu deveria me lembrar que existiam diferentes
crenças entre eles. Ora, se eu fosse pregar só aquilo que agradasse a todos, o que deveria
pregar? Eu prego o que acredito ser a verdade; e mesmo que a omissão de uma única
verdade em que acredito fizesse de mim o rei da Inglaterra para sempre, eu não a omitiria.
Quem não gosta do que digo pode ir embora. Suponho que venham aqui para agradar a si
mesmos, e se a verdade não os agrada, eles podem sair. Nunca terei medo de ouvintes
britânicos honestos que dão as costas a quem não tropeça, não gagueja e não falseia ao
dizer a verdade. Bem, agora vamos falar desse grande nascimento. Talvez o que eu vá
dizer seja muito duro, mas eu o ouvi primeiramente do Sr. Jay. Alguns dizem que o novo
nascimento ocorre no batismo infantil, no entanto, lembro-me daquele respeitável senhor
dizendo: o papado é uma ​mentira​, o puseísmo (NT2) é uma ​mentira,​ a regeneração
batismal é uma ​mentira​. Então é. É uma mentira tão palpável que imagino que quem pregue
tal coisa não deva ter muito cérebro. Na verdade, é uma coisa tão absurda que, quem
acredita nela, está fora da realidade. Não faz sentido crer que cada criança que recebe
algumas gotas d’água possa nascer de novo! Se for assim, então, aquele lutador de boxe
profissional que vemos no ringue é nascido de novo só porque, quando criança, recebeu
algumas gotas sagradas na testa! No entanto, alguém jura que o viu bêbado e cambaleante
pelas ruas! Nascido de novo! Mas que belo nascimento! Acho que ele quer nascer de novo
outra hora. Esse tipo de regeneração só serve para o diabo e, pelo seu efeito ilusório, pode
tornar alguém sete vezes mais filho do inferno. No entanto, de acordo com a invenção
dessa bela igreja puseísta, quem amaldiçoa, fala mal, rouba e furta, assim como os pobres
coitados que são enforcados, são todos nascidos de novo. Fora com isso! Fora! Ah, Deus
manda algo muito melhor que isso ao coração dos homens quando lhes dá um novo
nascimento.
Seja como for, o texto fala de um grande nascimento, “​todo o que é nascido de Deus
vence o mundo”. Esse novo nascimento é o grande mistério de toda a religião. Se você
pregar qualquer coisa que não seja o novo nascimento sempre se dará bem com seus
ouvintes; mas, se insistir em que, para entrar no céu, é preciso haver uma mudança radical,
apesar de esta ser uma doutrina bíblica, é tão intragável à humanidade em geral, que
dificilmente você fará com que lhe prestem atenção. Ah! Sei que vocês irão embora se eu
começar a lhes falar que, “quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino
de Deus” (João 3.5). Se eu lhes disser que é preciso uma influência regeneradora ser
exercida em sua mente pelo poder do Espírito Santo, sei que ​dirão:​ “isso é entusiasmo”.
sim, mas é o entusiasmo da Bíblia. Fico por aqui; e por isso serei julgado. Se a Bíblia não
diz que precisamos nascer de novo, eu desisto; mas se é verdade, então, senhores, não
desconfiem dessa verdade, pois sua salvação depende dela.

Portanto, o que é nascer de novo? Em resumo, nascer de novo é sofrer uma


mudança tão ​misteriosa que palavras humanas não podem exprimi-la. Assim como não
podemos descrever nosso primeiro nascimento, também é impossível descrevermos o
segundo​. “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para
onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito” (João 3.8). No entanto, apesar de ser
tão misteriosa, essa mudança é ​conhecida e sentida​. As pessoas não nascem de novo
quando estão na cama dormindo, a fim de não saberem o que aconteceu. Elas sentem o
novo nascimento; elas o experimentam. O galvanismo (NT3), ou a força da eletricidade,
pode ser misterioso, mas produz uma impressão ​━ uma sensação. O mesmo acontece com
o novo nascimento. No momento do novo nascimento a alma está em grande agonia ​━
muitas vezes mergulhada num mar de lágrimas. Às vezes, seu gosto é amargo, às vezes,
misturado com gotas doces de esperança. A passagem da morte para a vida é uma
experiência que ninguém, exceto o filho de Deus, pode realmente entender. É uma
mudança misteriosa, mas, ao mesmo tempo, positiva. É como se o coração fosse arrancado
de dentro de mim, para que as gotas negras de sangue fossem espremidas, e então fosse
lavado e limpo, e colocado novamente na minha alma. É “um novo coração e um espírito
reto”: uma mudança misteriosa, mas real e verdadeira!

Além disso, deixem-me dizer que essa mudança é também sobrenatural. Não é algo
que o próprio ser humano possa realizar por si mesmo. Não é deixar de beber e ficar sóbrio;
não é deixar o Catolicismo Romano e se tornar protestante; não é passar de herege a
religioso ou de religioso a herege. É muito mais que isso. É um novo caráter infundido que
opera dentro do coração, entra na própria alma e move a pessoa inteira. Não é uma
mudança de nome, mas uma renovação da natureza, a fim de que eu não seja mais a
pessoa que costumava ser, mas uma nova pessoa em Cristo. É uma mudança sobrenatural
━ algo que o homem não pode fazer e somente Deus pode efetuar; que a própria Bíblia
não faz sem o auxílio do Espírito Santo de Deus; que nenhum ministro pode produzir com
sua eloquência ​━ algo tão poderoso e tão maravilhoso que precisamos confessar ser obra
de Deus, e de Deus somente. É preciso observar também que essa é uma mudança
permanente. Os arminianos dizem que as pessoas nascem de novo mas podem cair em
pecado e depois se recuperar sozinhas, tornando-se novamente cristãs ​━ cair em pecado,
perder a graça de Deus e voltar novamente ​━ cair em pecado uma centena de vezes,
continuar perdendo e recuperando a graça de Deus. Bem, pode ser que haja uma nova
versão da Escritura onde isso seja dito, mas na minha Bíblia está escrito que, se
verdadeiros cristãos pudessem apostatar da fé, seria impossível renová-los para
arrependimento. Além disso, também está escrito que, onde quer que Deus comece uma
boa obra, Ele há de completá-la, e aquele que uma vez Ele amou, Ele o amará até o fim. Se
fui apenas reformado, talvez ainda seja um beberrão ou ande agindo na surdina. No
entanto, se realmente nasci de novo, com uma verdadeira mudança sobrenatural, jamais
serei um apóstata; posso cair em pecado, mas não será em definitivo; enquanto esta vida
durar, vou continuar seguro e, quando morrer, de mim será dito ​━

Servo de Deus, finda é a tua luta!


Descansa da tua bendita labuta;
Travaste a batalha, alcançaste a vitória;
Entra no teu repouso de glória.

Amados, não se enganem. Se acham que foram regenerados e, tendo abandonado a Deus,
poderão ter um novo nascimento outra vez, é porque não sabem nada sobre isso, pois
“Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado” (1Jo 3.9). Feliz é
aquele que é real e verdadeiramente regenerado, e passou da morte para a vida!

III. Para concluir: há também uma GRANDE GRAÇA. Pessoas nascidas de novo realmente
vencem o mundo. Como isso acontece? O texto diz: “​esta é a vitória que vence o mundo: a
nossa ​fé”​ . Os cristãos não vencem o mundo pela razão. De forma alguma! A razão é algo
muito bom, e ninguém deve por defeitos nela. Mas a razão é uma vela, enquanto a fé é um
sol. Bem, eu prefiro o sol, embora não apague a vela. Como cristão, eu uso a razão; eu a
exercito constantemente; mas, quando tenho uma luta real, a razão é apenas uma espada
de madeira, que quebra e lasca, enquanto a fé, a espada feita do verdadeiro metal de
Jerusalém, corta, para dividir corpo e alma. Nosso texto diz: “esta é a vitória que vence o
mundo: a nossa fé”. Quem é que faz alguma coisa no mundo? Não são sempre os homens
de fé? Considere isso como fé natural. Quem vence a batalha? Ora, aquele que sabe que
vai ganhar e jura que sairá vencedor. Quem é que nunca progride na vida? Quem tem
receio de fazer alguma coisa por achar que não vai conseguir. Quem é que escala o topo
dos Alpes? Aquele que diz: “Ou vai ou racha”. Se alguém puser na cabeça que pode fazer
alguma coisa, ele a fará, se estiver ao seu alcance. Quem foram aqueles que levantaram o
estandarte e, segurando com firmeza, o sustentaram durante as lutas e batalhas ferozes?
Ora, os homens de fé. Quem é que realiza grandes coisas? Não são os trêmulos e
medrosos, aqueles que vivem com medo; mas os homens de fé, de fronte corajosa e testa
de bronze, que nunca se abalam, nunca tremem, mas creem em Deus e elevam seus olhos
para os montes, de onde vem sua força (Sl 121).

“Nunca houve um grande feito na terra que não tenha brotado da fé; sua raiz não foi
a nobreza, a generosidade ou a grandeza, mas a fé; sua glória não foi beleza ou fama, foi a
fé. Leônidas lutou na fé humana, Josué na divina. Xenofonte confiava nas suas habilidades,
os filhos de Matias na sua causa” (NT4). A fé é a força mais poderosa que existe. É
soberana nos reinos da mente; nenhum ser é superior à sua força e não há criatura que não
se curve à sua bravura divina. A falta de fé torna um homem desprezível, e ​o encolhe tanto
que ele poderia viver em poucas palavras. Dê-lhe fé e ele será um leviatã mergulhando nas
profundezas do mar; será um cavalo de guerra gritando na batalha: Ahhhh! Ahhhh!; será um
gigante tomando nações em suas mãos e esmigalhando-as; o qual encontra as hostes do
inimigo e, com uma espada, as faz desaparecer; junta todos os cetros num feixe e une
todas as coroas à sua. Senhores, não há nada como a fé. ​Ela nos torna quase tão
onipotentes quanto Deus, pelo poder emprestado da Sua divindade. Dê-nos fé e podemos
fazer qualquer coisa.

Gostaria de lhes dizer como a fé ajuda os cristãos a vencer o mundo. Ela sempre
age de forma homeopática. Aí você diz: “Essa é uma ideia curiosa”. Bem, talvez seja. O
princípio é: “o semelhante cura o semelhante”. Portanto, a fé vence o mundo curando o
semelhante com semelhante. Como a fé calca aos pés o ​temor do mundo? Pelo temor de
Deus. “Ora”, diz o mundo, “se você não fizer isso, vou tirar sua vida. Se não se curvar diante
de mim, vou jogá-lo na fornalha de fogo ardente”. No entanto, a pessoa de fé diz: “Temo
Aquele que pode destruir no inferno tanto o corpo quanto a alma. É bem verdade que tenho
certo receio de você, mas tenho um temor ainda maior, temo desagradar a Deus; tremo só
de pensar em ofender meu Soberano”. E, assim, um temor contrabalança o outro. Como a
fé destrói as ​esperanças do mundo? “Ei”, diz o mundo, “se você for meu discípulo, vou lhe
dar isso, vou lhe dar aquilo. Pode esperar, você será rico, será importante”. Mas a fé diz:
“Minha esperança está depositada nos céus, é uma esperança que não se esvai, é
incorruptível, imaculada, imarcescível; é uma esperança preciosa, é a coroa da vida”.
Assim, a esperança da glória supera todas as esperanças do mundo. Mas o mundo não se
dá por vencido: “Por que você não segue o ​exemplo dos seus amigos?” A fé responde:
“Porque vou seguir o exemplo de Cristo”. Se o mundo coloca um exemplo diante de nós, a
fé coloca outro. Quando o mundo diz: “Siga o exemplo de tal pessoa; ela é sábia, boa,
poderosa”. A fé retruca: “Seguirei a Cristo; Ele é o mais sábio, o melhor e o mais poderoso”.
Desta forma, a fé supera o exemplo pelo exemplo. “Bem”, diz o mundo, “já que você não
pode ser conquistado por essas coisas, venha, eu vou ​amá-lo;​ você será meu amigo”. Mas
a fé diz: “Aquele que é amigo do mundo, não pode ser amigo de Deus. Deus me ama”. E,
assim, a fé confronta o amor com amor; o temor com temor; a esperança com esperança; o
tremor com tremor; e vence o mundo pelo semelhante curando o semelhante.

Fechando meu sermão, irmãos e irmãs, sei que não passo de uma criança; eu lhes
falei o que podia. Talvez noutra ocasião eu seja capaz de lançar mais trovões e proclamar
melhor a Palavra de Deus; mas estou certo de uma coisa ​━ eu lhes disse tudo o que sei, e
falei o que convém. Não sou orador, apenas digo o que brota do meu coração. No entanto,
antes de terminar, tenho uma palavrinha para suas almas. Quantos aqui já nasceram de
novo? Alguns se fazem de surdos e dizem: “Isso tudo é bobagem; venho sempre ao culto,
com a Bíblia e o hinário debaixo do braço. Sou muito religioso!” Ah, alma! Se eu a encontrar
no dia do julgamento, lembre-se do que eu disse ​━ e eu disse a Palavra de Deus ​━ ​“se
não ​nascerdes de novo​, de modo algum entrareis no reino dos céus”. Outros dizem: “Não
creio que nascer de novo seja uma mudança tão radical, hoje sou muito melhor do que
antes; não falo mais palavrão e sou muito correto”. Senhores, eu disse que a mudança não
é pequena. Não é consertar o vaso; é quebrar e fazer de novo; não é remendar o coração, é
ter um novo coração e um espírito reto. Nada, exceto a morte para o pecado, e a vida para
justiça, salvará sua alma.

Não estou pregando doutrina nova. Peguem os artigos da Igreja da Inglaterra e


leiam. Às vezes, pessoas que frequentam a nossa igreja me procuram porque querem fazer
parte do nosso rol de membros; eu lhes mostro nossas doutrinas no livro de orações e elas
dizem que nem sabiam que estavam lá. Queridos ouvintes, por que não leem nossos
artigos de fé? Porque, sem dúvida, não sabem o que há em seus próprios livros de orações.
Hoje em dia as pessoas não leem a Bíblia e, a maioria, não tem religião. Aliás, elas têm
uma religião, mas é algo externo, que ninguém pensa em verificar o que realmente significa.
Senhores, não é a capa da religião que fará alguma coisa por vocês; o que precisam é de
uma piedade fundamental; não apenas um domingo religioso, mas uma segunda-feira
religiosa; não uma igreja piedosa, mas um aposento piedoso; não um lugar sagrado para
dobrar os joelhos, mas um lugar santo para ficar o dia todo. É preciso haver uma mudança
real, radical, fundamental e total no coração. E agora, o que me dizem? Será que sua fé
vence o mundo? Será que podem viver acima da mera aparência? Ou amam o mundo e as
coisas que ele oferece? Se amam, senhores, sigam em frente e pereçam, cada um de
vocês, a menos que mudem e entreguem o coração a Cristo. Ah, o que me dizem? Será
que Jesus é digno do seu amor? Será que as coisas eternas e celestiais valem as
temporais? É tão bom ser do mundo que vale viver em tormento? É tão bom ser pecador
que vale pôr em risco a felicidade eterna da sua alma? Ah, meus amigos, vale a pena correr
o risco de passar a eternidade em aflição por uma hora de prazer? Vale a pena dançar no
inferno, com seus terríveis demônios, para sempre? Será que um sonho, com um despertar
horrendo, vale a pena ser desfrutado, quando há glórias eternas no céu para quem segue a
Deus? Se meus lábios me deixassem lhes falar, meu coração atropelaria meus olhos e os
faria chorar até que vocês tivessem piedade de suas pobres almas. Sei que sou, de certa
forma, responsável por suas almas, pois ​se o atalaia não avisá-los, eles perecerão, mas seu
sangue será requerido das mãos do atalaia (Ezequiel 33.6-9). “Convertei-vos, convertei-vos
dos vossos maus caminhos; pois por que haveis de morrer, ó casa de Israel?” (Ezequiel
33.11). Tolos, repletos de vis desejos e voltados para o mal, o Espírito Santo ainda lhes fala
por meu intermédio nesta manhã, “convertam-se ao SENHOR, que se compadecerá de
vocês, e voltem-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar” (Isaías 66.7). Não posso
persuadi-los, não posso trazê-los para Deus. Minhas palavras são impotentes, meus
pensamentos são fracos. O velho Adão em vocês ainda é forte demais para este jovem
atraí-los ou puxá-los; mas Deus lhes fala, queridos corações; Deus manda a verdade, e
então nos alegraremos juntos, tanto o que semeia quanto o que ceifa, pois é Deus quem dá
o crescimento. Que Deus os abençoe! Que todos vocês possam nascer de novo e ter a fé
que vence o mundo!

“Acaso tenho a fé que espera em Cristo,


A qual vence o mundo e o pecado ​━
O recebe como Profeta, Sacerdote e Rei,
E a minha consciência tem lavado?
“Se tenho tal graça preciosa
Somente a Ti é devido o louvor;
Se não tenho, eu a busco das Tuas mãos,
Assim, concede-a a mim, Senhor”.

Tradução e revisão: Mariza Regina de Souza


NT1: ​Arthur Colley Wellesley, Primeiro Duque de Wellington (1769-1852), marechal e político britânico, primeiro-ministro do
Reino Unido por duas vezes.

NT2: Movimento ritualista liderado pelo teólogo Edward Pusey (1800-1882), que visava aproximar do catolicismo a igreja
anglicana (Michaelis online ​━​​https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/puse%C3%ADsmo/​)

NT3: ​(gal.va.​nis.​ mo) ​sm. ​1. Elet. Eletricidade gerada por meios químicos, pelo contato de metais diferentes com um eletrólito.
(Dicionário Online Caldas Aulete ​━​​http://www.aulete.com.br/galvanismo​)

NT4: Proverbial Philosophy: A Book of Thoughts and Arguments, publicado em 31 de dezembro de 1817, pela Editora Wiley &
Putnam