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Epistemologia das Ciências Sociais e Humanas

Aula 01
Epistemologia = episteme (conhecimento) + logos (discurso)
Pensar sobre pensamento, teoria das teorias…
Já em crianças fazemos perguntas (tentar perceber como são capazes de perceber. End my
misery)

Conhecimento:
 Prático (saber fazer): andar de bicicleta, falar um língua estrangeira, reconhecer
coisas….
 Pessoal (relacional): conhecemos seres únicos
 Proposicional (saber que x): é o que realmente interessa a epistemologia.
Enquanto a ciência testa a hipótese, a epistemologia reflete na forma como a hipótese esta
expressa.

Questões essenciais:
 Qual a natureza da realidade? Se existe se não existe, mutável, imutável…
 Qual a capacidade humana de a conhecer? Assumindo que existe uma realidade
objetiva, qual é a capacidade humana de a conhecer?
 Qual o papel dos sentidos no conhecimento? A nossa absorção pessoal (visão,
audição, tato…)
 Qual o papel da mente no conhecimento? A mente neste caso refere-se a aquilo que
já foi estruturado a nascença.
 Qual o papel dos processos sociais na produção do conhecimento? Nós não somos
seres isolados…
Não temos de saber estas questões mas a UC vai-se basear nelas.

Definição:
A definição clássica do conhecimento é 'Crença verdadeira justificada' (Platão)
a) sujeito acredita em algo
b) essa crença corresponde a uma realidade (um objeto)
c) uma relação entre o sujeito que detê evidencia dessa realidade que justifica a crença (este
é ponto central da epistemologia e da ciência)

O sujeito que acredita num objeto, é ele próprio objeto de nós enquanto sujeito que
acreditamos que o sujeito acredite no objeto.

Como se justifica a crença:


Visão tradicional: evidência (internalismo)
Visão não tradicional: fiabilidade da evidência (externalismo) - probabilidade

Sistematicamente em todas as ciências as evidências são revistas/avaliadas.

Qual a relação entre crenças?:


 Fundacionalismo: enfâse em crenças básicas (evidentes internamente) não
dependentes de outras; conhecimento constrói-se como edifício
 Coerentismo: enfâse em consistência lógica e reforço mútuo entre crenças;
conhecimento constrói-se como rede

Não há crenças discretas isoladas, há sistemas de crenças, e estas crenças relacionam-se uma
com as outras, dependem das outras.

Quais as fontes do conhecimento?:


Percepção; Introspecção; Memória; Razão; Testemunho.

Correntes principais na epistemologia (e respetivas fontes válidas do conhecimento):


(não são necessariamente escola de pensamento, são ideias fortes que atravessam o
pensamento na epistemologia)

 Idealismo (introspecção, razão)


Começa dom Platão. As fontes principais de conhecimento são a introspeção (olhar para os
seus próprios pensamentos) e a razão. Olhar para a evidência dos próprios pensamentos. A
coerência interna é importante, nesta perspetiva deveria se considerar o pensamento
religioso como um pensamento de conhecimento (pois este tem consistência interna).

 Empiricismo (percepção)
A ideia de que o conhecimento é baseado na perceção. Nós construímos teorias a partir dos
dados reais que nos chegam de fora.

 Racionalismo (razão, percepção)


O conhecimento baseia-se na construção teórica, e essa construção teórica é testada
empiricamente (a perceção também tem um papel) e há um jogo entre razão e perceção.

 Cepticismo (não há)


 Constructivismo / relativismo (variadas – cultura)

Aula 02

Períodos históricos:
Antiga: c. 500AC-400DC (os fundamentos do real)
Medieval: 1000-1500DC (a conciliação da razão e da fé)
Moderna: c. 1500-1900DC (a revolução científica)
Contemporânea: 1900- (a ciência auto-reflexiva)

Idealismo platónico (alegoria da caverna)


Sentidos dão impressão superficial de mundo mutável vs A essência do mundo é imutável

ergo
Não podemos confiar nos sentidos para nos indicar o que é a realidade: temos de confiar na
razão
Eventos e exemplares individuais não podem ser o objeto do conhecimento: apenas tipos
gerais é que o podem ser
Epistemologia Aristotélica
Conhecimento (ciência) é baseado em silogismos coerentes entre si
A percepção fornece a forma das coisas, não a sua matéria
A percepção das formas corresponde à sua realidade

O cepticismo (pós-Platão e Aristóteles)


É impossível ter conhecimento seguro sobre o mundo:
Evidências no mundo real são contraditórias
É impossível determinar os critérios de veracidade de proposições

Crítica ao cepticismo: Não se pode ter certeza sobre a própria falta de certeza (estóicos)

O que retemos da epistemologia grega clássica?


O conhecimento que interessa é o de casos gerais e não o de casos e eventos particulares
Não existe percepção sem teoria; teoria define categorias e tipos de objectos e de eventos
(Platão)
Teoria define também lógica de coerência entre proposições (Aristótles)
O conhecimento não é seguro (cépticos)

Santo Agostinho (Séc IV)


Contra os cépticos, como justificar a possibilidade do conhecimento?
 Deus conhece o mundo como ele é (omnisciência)
 O Homem é feito à imagem de Deus, tem por isso a capacidade potencial de aceder a
esse conhecimento...
 Desde que Deus decida iluminar uma parte da realidade para que o Homem a
conheça

Fé e Razão: da religião à ciência


Idade Média (Razão coexiste com Fé sem sistematização da Experiência)
Idade Moderna (Fé torna-se subalterna; serve para justificar relação entre Razão e
Experiência)
Idade Contemporânea (A Fé desaparece; a Ciência discute com a filosofia e reflete sobre si
própria)

Epistemologia medieval: a indissociabilidade de Fé e Razão


 A base de todo o conhecimento é a Fé
 A Fé justifica Razão
 Associação da filosofia clássica ao pensamento religoso (judeu, cristão, e
muçulmano)

“fides quaerens intellectum” (S. Anselmo de Cantuária)

São Tomás de Aquino (Séc XIII):


 Tradução de Aristóteles (influencia pensamento)
 Iluminação divina das almas (S. Agostinho)
 Distinção aristotélica entre conhecimento de
o particulares (exemplares)
o generalidades
o Deus
 Humanos mais capacitados para conhecer generalidades. Conhecimento obtém-se
pela abstração de propriedades de um objecto percebido pelos sentidos

John Dun Scotus (Séc XIII-XIV)


 Diversas classes de coisas podem ser conhecidas, entre as quais as que se conhecem
através da experiência.
 Co-ocorrências regulares (correlação) podem indicar causalidade
 Leis são induzidas da observação acumulada.

A separação da Fé e da Razão na Idade Moderna (sécs. XVII-XVIII)


Os filósofos defendem frequentemente a existência de Deus mas separam
epistemologicamente o mundo no que se pode conhecer pela Fé (sobrenatural) do que se
pode conhecer pela razão e experiência (natural).

René Descartes (1596-1650)


Conhecimento intuitivo
Intuição-base: “Penso, logo existo”
O conhecimento pela Razão é possível porque Deus não é enganador e a Razão baseia-se em
intuições.

Thomas Hobbes (1588-1679)


Proposições da Fé baseadas na vontade e não no intelecto.
Defesa da religião pode ser re-interpretável como posição secularista

John Locke (1632-1704)


A Razão restringe as proposições admissíveis pela Fé às que não contradizem:
- a realidade (evidência empírica)
- umas às outras (razão ou racionalidade)

A cosmografia e a emergência da ciência moderna (Sécs. XVI-XVII)


 Alguns astrónomos propõe uma nova visão do cosmos que contradiz a verdade
revelada proposta na Bíblia e aponta o caminho para uma ciência dominada pela
Razão
 Copérnico (1473-1543) argumenta que a terra gira em redor do sol e não o contrário
 Galileu (1564-1642) demonstra que esse facto, como muitos outros, contradiz
também a impressão imediata dos sentidos e só se pode inferir da observação
mediada por instrumentos e cálculos matemáticos complexos

Aula 03

 Racionalismo (Descartes, Espinoza, Leibniz): a fonte principal do conhecimento é


a razão: intuição e dedução. Os conceitos em psicologia surge das ideias (senso
comum)
Intuição: é a ideia que determinadas ideias do nosso pensamento são evidentes, nos
intuímos, nos sentimos uma grande certeza que elas só podem ser assim.
Dedução: Sistema de ligação entre ideias. Silogismos aristotélicos são deduções.
 Empiricismo (Hobbes, Locke, Hume): a fonte principal do conhecimento
encontra-se nos sentidos; intuição e dedução não servem para conhecer factos no
mundo real (natural), que só podem ser conhecidos através da observação. Tabula
rasa. A posição empírica pura é falsa pois quando observamos já temos ideias.
 Idealismo racionalista (Kant): Conhecimento resulta dos factos do mundo serem
apreensíveis pelos conceitos humanos. Ideia que temos ideais que servem para
conhecer os factos do mundo real. Nós já temos os conceitos dentro da nossa cabeça
para conhecer essas coisas reais.

A realidade é que nós estamos num jogo constante entre ideias desenvolvidas pela razão,
teoria a partir de deduções e observações baseadas nesses conceitos.

Teses racionalistas:
-Conhecimento inato
-Conceitos inatos
-Indispensabilidade / superioridade da razão

A forma da realidade e da razão: epistemologia contemporânea 1


Fenomenologia (preocupa-se com os limites e as capacidades humanas de conhecer):
– Conhecimento do mundo baseado nos fenómenos da experiência (as coisas
tais como elas se apresentam a nós) (Husserl)
– A nossa experiência prática implica relação directa com o mundo
(Heidegger), ou seja, quando nós agimos e fazemos coisas estamos em
relação com o mundo e o mundo está lá.
– Percepção humana baseada nos limites do corpo e da mente (Merleau-
Ponty), temos capacidade de perceber algumas coisas e outras não.

(des)Constructivismo: Todo o conhecimento é historicamente situado e serve propósitos de


poder (Foucault). Visão relativista da ciência. Pós-modernismo. Nenhum conhecimento tem
mais poder que outro. Mas se isto é relativo e cada problema é único (e ninguém
compreende ninguém pois não têm a mesma experiência) então nós não podemos ajudar.

A forma da realidade e da razão: epistemologia contemporânea 2


 Perspectiva analítica: O foco situa-se na análise linguística (ex. Wittgenstein) e na
clarificação conceptual. Ideia que o papel da filosofia é avaliar linguisticamente os
conceitos que usa e que a ciência usa.
 Positivismo lógico (Escola de Viena): Assume distinção entre conhecimento
possível (verificável) e impossível (não verificável). Função da filosofia e
epistemologia é conceptual e analítica e não legitimadora (A filosofia não consegue
legitimar os conhecimentos científicos apenas esclarece como eles são introduzidos);
deve descrever a prática científica. Mais tarde Karl Popper que fazia parte da escola
de Vienna decide sair e ir contra esta ideia.

Objetivos e Objetividade (Soares, 2004, cap.5)


Movimento para a objectividade Séc XX.
Objecto define-se pela relação com um sujeito:
-Obj. é objecto da intencionalidade (conscientemente tomo o objeto como algo sobre o qual
eu penso) mental dos sujeitos (pensado)
Só uma parte dos objectos reais são existentes. (o equador é um objeto real mas não
existente)

Objetividade (Soares, 2004, cap.5)


Todos esses níveis podem ser objetos se forem coisas que eu consigno não apenas pensar
mas saber que os outros também podem pensar. Então encontramo-nos numa epistemologia
que use uma objetividade pragmática.
Objectividade pragmática (epistemologia vs ontologia: epistemologia explica como é possível
conhecer as coisas, ontologia diz “as coisas existem mesmo”): há objetos do conhecimento
que são partilhados que eu sei se são partilhados e há métodos para os partilhar e assim ao
partilha-los, estou a produzir objetividade, estou a fazer com que aquilo não seja uma ideia
que esta só em mim, mas que esteja cá fora e que possa ser usado pelos outros.

Sobre o Equador e unicórnios: Objecto imaginado vs inventado (é objetivo pensar na


existência de unicórnio mas não é real. Os unicórnios não são seres reais mas não seres
objetivos porque não são uma fantasia que eu crio na minha cabeça mas sim uma ideia
(mito) sobre qual eu posso ter ideias.
Pensamento vs representações. Representação é aquilo que eu tenho na minha mente (ideia,
pessoa, imagem, evento, sensação…), é uma coisa imediata não refletida. Pensamento é um
objeto ou pode ser um objeto que pode estar não apenas dentro de mim, dentro da minha
cabeça e dentro da cabeça de outro mas também “no meio” (exp de quando estamos a fazer
um teste e um aluno olha para o professor a espera que ele lhe “passe a informação” para
que o aluno possa responder a pergunta)
A ideia da objetividade é começar por definir aquilo que se conhece como objetos. Objeto é
qualquer coisa que não esta apenas fechado no nosso cérebro.
O próprio pensamento sobre outros pensamentos pode ser objeto do conhecimento.

Aula 04

O falsificacionismo de Popper (1902-1994)


Popper diz que não podemos saber se a nossa teoria/a nossa hipótese é verdadeira, mas,
podemos ter a certeza que é falsa, e se podemos ter a certeza que é falsa, podemos provar
que é falsa, e se não for falsa aguentamos com ela e continuamos.

Qual é o objetivo da ciência / descoberta científica?


-Produzir explicações satisfatórias
Sobre objetos (eventos ou estados reguladores) conhecidos
Com base em algo que não se sabe ainda
Ou seja
Explicar o que se sabe através do que ainda não se sabe
Nota: explicans: explicação vs explicandum: estado de coisas a explicar
O objetivo da descoberta cientifica é produzir explicações satisfatórias sobre o que se sabe
através do que ainda n se sabe.

Uma explicação (satisfatória)


-Não deve ser circular nem ad hoc
-Deve ser baseada em variáveis conhecidas, mas cuja relação com o fenómeno em causa não
bem é conhecida
-Uma explicação deve ser rica (diversa) em consequências (independente do fenómeno a
explicar). Uma boa explicação não explica apenas um fenómeno, é uma explicação que nos
faz pensar em fenómenos que nós ainda não conhecemos e podem vir a descobrir.
-Uma teoria deve ser testável de forma independente por diferentes investigadores
-Deve ser formulada sob a forma de uma lei. Mas em psicologia isto é mais probabilístico e
não tão assertivo como uma “lei”.
-Deve ser falseável. Grande critério de Popper. Se não há uma possibilidade logica de uma
situação que nos indique que uma explicação é falsa, então ela não é testável como deve ser.
A statement, hypothesis, or theory is falsifiable if it can be demonstrated to be false by
observation.
More technically, it is falsifiable if it is contradicted by a basic statement, which, in an
eventual successful or failed falsification, must respectively correspond to a true
or hypothetical observation. For example, the claim "all swans are white and have always
been white" is falsifiable since it is contradicted by this basic statement: "In 1697, during
the Dutch explorer Willem de Vlamingh expedition, there were black swans on the shore of
the Swan River in Australia", which in this case is a true observation. The concept is also
known by the terms refutable and refutability.
The concept was introduced by the philosopher of science Karl Popper. He saw falsifiability
as the logical part and the cornerstone of his scientific epistemology, which sets the limits of
scientific inquiry. He proposed that statements and theories that are not falsifiable
are unscientific.

Parte negativa: As satisfações são temporárias

Known knowns
Unknowns knowns
Unknowns unknown
Como é que a ciência aborda estes 3 casos sabendo que a ciência foca-se em regularidades e
não casos particulares?

Linhas de submissão à prova das teorias


Trabalhamos para que uma teoria possa sobreviver. E Popper sugere 4 linhas de submissão a
prova:
1.Coerência interna (será que esta teoria faz sentido para si própria?)
2.Teoria empírica/científica vs tautológica (há teorias e ideias da razão, filosofia-… que
são úteis para a ciência mas que não são produtoras de novo conhecimento, não são ciência
natural/social. Uma teoria que é internamente coerente como uma religiosa, explica tudo que
esta dentro dela mas nada que esta cá fora, isto não é uma teoria cientifica.
3.Avanço no conhecimento (explica-nos qualquer coisa que já sabíamos mas de uma forma
que ainda não conhecíamos, é uma reanálise; se uma teoria consegue explicar qualquer coisa
na realidade mas já existem ouras teorias que explicam melhor então não é um avanço no
conhecimento)
4.Comprovação empírica (tentativa de mostrar que a teoria é falsa)
Métodos indutivo
-Teorias induzidas da acumulação de observações consistentes
-Metodologia estatística típica: correlação
-Problemas:
#1: donde vem a teoria que guia a observação?
#2: como se sabe se observações se manterão consistentes?
#3: teorias são interpretativas, mas não servem para predizer novas descobertas

Método dedutivo
-As teorias produzem predições: a teoria guia novas observações
-Metodologia estatística típica: teste de hipótese nula
-Resolve o problema da indução do empirismo (inadmissibilidade de argumentos indutivos)

Como construir teorias no método dedutivo?


-Não há um método para criar uma nova teoria
-Criação de ideias pode ser aleatória
-Normalmente: Partir de problemas nas teorias existente (crítica do psicologismo):
Não se pode avaliar se uma teoria foi criada corretamente, apenas se é testável
Usa-se o critério de falseabilidade para determina se uma teoria é científica, não se é
verdadeira.

Aula 05

A estrutura e produção da ciência normal e as revoluções científicas segundo T. Kuhn


 Até Popper, foco na justificação do conhecimento produzido
 Kuhn foca-se o contexto da produção de conhecimento
 “Como é que as ciências se desenvolvem historicamente?”
(que condições afectam a concepção, amadurecimento, aceitação ou rejeição de teorias?)
-Visão tradicional: progresso linear com acumulação de conhecimento / progresso para
aprofundamento
-Visão Popperiana: revolução permanente
-Realidade: cheia becos sem saída, erros, contradições, fraudes, estabilidades
-Objectivo de Kuhn: descrever correctamente o desenvolvimento da ciência

Paradigmas e ciência normal


 Trabalho quotidiano da ciência não é revolucionário
 Chama-se aos períodos não revolucionários “ciência normal”
 Baseia-se muito em conjuntos de pressupostos sobre:
As questões que se colocam
A forma como são investigadas
A interpretação das respostas
 Estes conjuntos chamam-se ‘paradigmas’
ex: física Newtoniana vs Einsteiniana; behaviorismo vs psicanálise, etc

Paradigmas e comunidades
-Paradigmas podem ser mais ou menos abrangentes
-Paradigmas mais abrangentes são ‘comunidades’ de cientistas
-Paradigmas podem-se referir a ‘escolas’ de pensamento (concorrentes)
-Paradigmas no sentido menos abrangente: teorias e métodos usados para abordar um
problema particular

Paradigmas e transições científicas


-Resolução de conflitos entre escolas concorrentes transita ciências de fases pré-
paradigmáticas para paradigmáticas – ganhando estatuto científico e matriz disciplinar

Matriz disciplinar (componentes de)


Generalizações simbólicas
(leis / definições. Necessidade de compatibilizar definições com leis da natureza e predições)

Paradigmas metafísicos
(metáforas permissíveis)

Valores
(ex: precisão, capacidade preditiva, quantificação, utilidade social – tipicamente partilhados
entre várias áreas científicas)

Trabalho científico na ciência normal


-Funciona com base em puzzles (problemas) para os quais existem rotinas e regras para
encontrar soluções
-Puzzles são definidos por focos teóricos e métodos para os resolver
-É rotineira, resistente à crítica, cumulativa, não focalizada em falsear teoria, mas sim em
solucionar problemas dentro dos paradigmas
-Falhas (puzzles para os quais não se encontram soluções) suscitam explicações ad hoc
relacionadas com a investigação e não com a teoria

Crise científica
Acumulação de anomalias (problemas) excessivas para resolver – leva à ideia de crise ou
falhanço de um paradigma, mas
Um paradigma só é descartado se aparecer um melhor (mudança paradigmática)

Epistemologia prescritiva vs descritiva (Popper vs Kuhn)


-Popper concorda com a visão de como funciona ciência normal, mas acusa-a de ser má
ciência
-Kuhn argumenta que é a prática científica que determina o que é boa ciência ou má ciência
-Logo, muito boa ciência é normal (não revolucionária, não baseada em refutações)
-Porque requer colaboração e consensos
-O que conta como boa e má ciência depende de se estar num período normal ou
revolucionário

O problema da incomensurabilidade
-Critérios comuns de avaliação de teorias: precisão, consistência (interna e externa), âmbito,
simplicidade, fertilidade, mas…
 Incomensurabilidade metodológica
 Incomensurabilidade percetiva
 Incomensurabilidade semântica

Aula 06

A epistemologia evolutiva
 Esclarece a ecologia do falsificacionismo
 Assume uma base científica e não filosófica
 Posiciona ser humano que conhece como parte da ordem natural (contínuo de
capacidades cognitivas das formas de vida)
 Evolução biológica vs cultural (ideias)
 Vê a ciência como forma de resolução de problemas

A Evolução doa Mecanismos Epistemológicos (The Evolution of Epistemological


Mechanisms)
Vs.
A Evolução Epistemológica das Teorias (The Evolutionary Epistemology of Theories)

Popper: ciência como resolução de problemas


Falsificacionismo interpretável com o seguinte esquema:
P1 -> TT1 -> EE -> P2
(problem1, tentative solution or theory1, elimination of error, problem2)

Popper: a teoria dos 3 mundos


Mundo 1: O mundo material (física, química, biologia)
Mundo 2: O mundo dos estados mentais (percepção, cognição, consciência)
Mundo 3: O mundo da cultura (religião, ideologia, cultura)

3 níveis de adaptação (Popper)


 Adaptação genética (evolução da vida)
 Adaptação comportamental (tentativa e erro, aprendizagem)
 Descoberta científica

3 mecanismos de transmissão/instrução
 Genes
 Aprendizagem social
 Registo escrito

3 mecanismos de seleção por tentativa e (eliminação do) erro


Genética: eliminação de genes
Comportamental: alteração de reportório comportamental
Ciência: alteração de paradigma (comunidade)

Evolução dos mecanismos epistemológicos - Evolution of epistemological mechanisms


(EEM)
 Evolução biológica como base das capacidades cognitivas necessárias para 'conhecer’
 Capacidades cognitivas humanas aproximam-se mais da objectividade quanto maior
a distância ao objecto
 Exemplo: tacto – visão binocolar – teoria e medida

Evolução da visão

Texto Campell:
 Percepção é forma de conhecimento 'distal' (feita à distância) baseado na percepção
visual e reconstrução do objecto no cérebro (Egon Brunswick)
 Visão binocular permite 'objectivar' pela produção de imagem 3D que fornece
volume e perspectiva de campo
 Conhecimento científico é o mais 'distal' que existe, por isso baseado em sequências
de reconstruções da realidade com base em teorias
 Essas reconstruções são baseadas em pattern matching: comparação de padrões
teóricos com padrões observáveis na realidade
 Ex: comparação de padrão teórico de 'entidade' na gestalt para definir 'entidade
social'

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