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AÇÃO: Ação Penal – Ordinário/Comum

AUTOR: Ministério Público do Estado do Mato Grosso


DENUNCIADO: Antonio Feliciano Dos Santos
Autos: xxxx.xxxxxx.xxxx

Vistos etc.

Trata-se de Ação Penal Pública promovida pelo


Ministério Público do Estado do Mato Grosso contra Antonio Feliciano dos
Santos, denunciado pela suposta prática do crime de roubo majorado contra a
vítima Elaine Siqueira Ramos.

Aduz a denúncia que, em 10/01/2006, no


estacionamento do Shopping Center de Cuiabá, o Acusado e outros dois
indivíduos, utilizando-se de uma arma de fogo de brinquedo como objeto de
ameaça, subtraíram da vítima um relógio de pulso marca Nike (laudo de
apreensão e avaliação de fl. X) e R$ 150,00 (cento e cinquenta reais) em
dinheiro (laudo de apreensão de fl. X).

O Acusado foi o único preso em flagrante após a


perseguição policial, visto que os outros dois indivíduos conseguiram evadir-se
do local, não tendo sido identificados até o momento.

A prisão em flagrante foi convertida em preventivada


às fls. XX.

Recebida a denúncia (fl. XX), o Acusado,


devidamente citado, apresentou resposta às fls. XX.

Não sendo o caso de absolvição sumária, teve início


a instrução do feito, oportunidade em que foi ouvida a vítima, duas
testemunhas e interrogado o Acusado, ao final.

Sem mais nenhum pedido de diligências


complementares, as partes apresentaram suas alegações finais, no prazo
legal. Tendo a Acusação postulado pela integral procedência da denúncia,

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posto que devidamente comprovada a autoria e materialidade do delito. A
Defesa, por seu turno, negou que o autor tenha concorrido para a prática do
delito, alegando de que o acusado foi detido de forma indevida, pois apenas
estava transitando pelo local dos fatos, por fim, requer pela absolvição.

É o relatório.

DECIDO.
Inexistindo questões preliminares a serem
apreciadas, passo ao exame do mérito.

Prescreve o art. 157 do Código Penal:

Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem,


mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la,
por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência:

Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.

[...];

§ 2º - A pena aumenta-se de um terço até metade:

I - se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma;

II - se há o concurso de duas ou mais pessoas;

[...].

No caso em comento, a materialidade delitiva foi


comprovada pelo auto de apreensão de fl. X (em relação aos objetos
subtraídos) e X (da arma de brinquedo que foi apreendida), laudo pericial de fl.
X, comprova que a arma empregada no delito se tratava de brinquedo.

A autoria também foi comprovada nos autos.

Com relação ao reconhecimento do Acusado


perante à Delegacia de Polícia (fls. XX), nos termos do art. 226 do CPP, a
vítima o reconheceu, o que também ocorreu na audiência de instrução.

Ouvida em juízo (fl. XX), a vítima relatou que foi


abordada por três indivíduos que, portando uma arma, a ameaçaram, e em
seguida subtraíram seu relógio, além de R$ 150,00 (cento e cinquenta reais)
em espécie. Na fuga, observou que um dos assaltantes sofreu uma queda e
acabou sendo apreendido pelos Policiais Militares.
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Duas testemunhas que estavam no local, Morgana
Zago (fl. XX) e Yasmin Bogoni (fl. XZ), também apontaram o Acusado do como
um dos autores do delito, tendo em vista que, em companhia com outros dois
indivíduos, subtraíram o relógio da vítima, bem como reviraram sua bolsa,
retirando quantia em dinheiro. Também informaram que um destes portava
uma arma. Ao visualizar o delito, prontamente acionaram a polícia militar.

Desta forma, diante da ausência de comprovação do


álibi apresentado, bem como do depoimento das testemunhas, cai por terra o
argumento da defesa e do Acusado, de que apenas estava passando pelo local
após um dia de trabalho.

Vale ressaltar que trata-se de delito devidamente


consumado, mesmo o acusado não tendo êxito em se manter com os objetos
da vítima, não há que se falar na possibilidade que trás o inciso II do art. 14 do
Código Penal.

Em consonância com o entendimento dos tribunais


superiores, adota-se a teoria da amotio, segundo a qual, tanto no crime de
roubo como no crime de furto, consuma-se o delito no momento em que o
agente passa a ser o possuidor da coisa alheia móvel, não importanto o tempo
que permaneceu na posse, sendo prescindível a posse mansa, pacífica,
tranquila e/ou desvigiada.

Nesse sentido, veja-se o HC 163.832/SP, Rel.


Ministro GURGEL DE FARIA, QUINTA TURMA, julgado em 26/5/2015, DJe
08/6/2015.

Da mesma forma, muito embora os outros dois co-


autores não tenham sido identificados, pois conseguiram empreender fuga, a
majorante do concurso de pessoas deve subsistir, posto que essa circusntância
restou bem evidenciada nas palavras da vítima e das testemunhas ouvidas em
juízo.

Contudo, não há que se falar em aumento de pena


pelo uso de simulacro.

Mesmo que a arma de brinquedo tenha servido


única e exclusivamente para empregar a grave ameaça contra a vítima, foi
comprovada sua impropriedade lesiva no laudo pericial de fl. X.

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O entendimento já está pacificado nos Tribunais
Superiores. Veja-se recente julgado do Superior Tribunal de Justiça:

[...] ROUBO CIRCUNSTANCIADO. EMPREGO DE ARMA. CAUSA


ESPECIAL AUMENTO DE PENA. SIMULACRO. INEXISTÊNCIA DE
POTENCIALIDADE LESIVA. MAJORANTE NÃO CARACTERIZADA.
CONSTRANGIMENTO ILEGAL DEMONSTRADO. EXCLUSÃO
PROCEDIDA. 1. A utilização de arma de brinquedo para intimidar a
vítima do delito de roubo não autoriza o reconhecimento da causa de
especial aumento de pena do inciso I do § 2º do art. 157 do CP, cuja
caracterização está vinculada ao potencial lesivo do instrumento. [...].
(HC 299.520/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA,
julgado em 28/04/2015, DJe 07/05/2015).

Desta forma, deve o acusado Antonio Feliciano


Dos Santos, maior, capaz, imputável, consciente da ilicitude do ato praticado,
ser condenado pela prática do crime tipificado no art. 157, § 2º, II, do Código
Penal.

Passo à aplicação da pena.

Nos termos do art. 59 do Código Penal, o acusado


não registra antecedentes; devido à falta de elementos concretos, sua conduta
social e personalidade não podem ser avaliadas; não se sabe o motivo do
crime; as circunstâncias foram normais à espécie do delito; as consequências
não foram graves, tendo em vista que os objetos subtraídos foram devolvidos à
vítima; a vítima em nada contribuiu para a prática do delito.

Assim, nesta primeira fase, fixo a pena-base em 4


(quatro) anos de reclusão e 10 (dez) dias-multa, na razão de 1/30 (um
trigésimo) do salário mínimo vigente quando da ocorrência dos fatos.

Sem agravantes ou atenuantes a serem observadas,


pelo que a pena, por hora, permanece inalterada.

Por fim, pesa em desfavor do acusado a causa de


aumento do concurso de pessoas (art. 157, § 2.º, II, do CP), motivo que faz a
pena deve ser aumentada em 1/3.

Assim, na falta de circunstâncias de diminuição da


pena, seja do Código Penal ou de Legislação Especial, fixo a pena, de forma
definitiva, em 5 (cinco) anos e 4 (quatro) meses de reclusão e 15 (quinze)

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dias-multa, na razão de 1/30 (um trigésimo) do salário mínimo vigente
quando da ocorrência dos fatos.

Segundo estabelece o artigo 33, § 2º, alínea “b”, e


3º, diante da análise do art. 59, todos do Código Penal, o regime inicial de
cumprimento da pena será o semiaberto, não sendo admitida a substituição por
pena restritiva de direitos ou suspensão condicional.

Ante o exposto, JULGO PARCIALMENTE


PROCEDENTE a denúncia formulada pelo Ministério Público do Estado do
Mato Grosso e, por conseguinte, CONDENO Antônio Feliciano Dos Santos,
já qualificado, à pena privativa de liberdade de 5 (cinco) anos e 4 (quatro)
meses de reclusão, inicialmente em regime semiaberto, e ao pagamento de
multa pecuniária de 15 (quinze) dias-multa, no valor unitário correspondente a
1/30 (um trigésimo) do salário mínimo vigente à época dos fatos, por infração
ao disposto no art. 157, § 2.º, II, do Código Penal.

Por ter permanecido preso durante todo o processo


(STF, HC 89.824/MS, 1.ª Turma, Rel. Min. AYRES BRITTO, DJ de 28/8/2008),
e por ainda subsistem os motivos que levaram este juízo a decretar sua prisão
preventiva, NEGO ao Condenado o direito de recorrer em liberdade.

Todavia, por ser o regime da condenação mais


benéfico ao Condenado, expeça-se a guia de execução provisória da pena, a
fim de que usufrua, desde já, dos benefícios legais.

Custas pelo Condenado (art. 804 do CPP).

Comunique-se à vítima (art. 201, § 2.º, do CPP).

Não havendo demonstração de prejuízo, deixo de


fixar valor mínimo para reparação de eventual dano sofrido pela vítima.

Após o trânsito em julgado, lance-se o nome do


Condenado no rol de culpados; preencha-se o Boletim Individual; e forme-se o
PEC definitivo.

P.R.I.

Cuiabá (MT), 23 de outubro de 2017.

Assinatura

Rua Antonio Pinto, Nº 21, Bairro Alvorada, Videira, Santa Catarina, Fone: (49) 3566-1415
JUIZA DE DIREITO

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