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A LUZ NA DRAMATURGIA DE

TENNESSEE WILLIAMS
A iluminação cênica como fisicalização de
imagens poéticas presentes na obra “Anjo de
Pedra”

Pesquisador | Otávio Correia


Orientador | Eduardo Tudella
INTRODUÇÃO

Deus disse: “Faça-se a luz”! E a luz se fez.
QUAL O PROBLEMA?

Devido ao pouco tempo de trabalho
disponível a iluminação cênica pode vir a ser
pensada tecnicamente ou espetacularmente.
O que o espetáculo perde se isso
acontecer? E o que o espetáculo pode
ganhar se a luz for pensada narrativamente?
COROLÁRIOS
(I) Luz + corpo = Imagem
(II) Imagem + Dramaturgo = Texto
(III) Texto + iluminador = Imagem
(IV) Imagem = Luz + corpo
PRINCIPAIS TEÓRICOS
PERCURSO (I)
2. Luz, imagem e texto dramático
2.1. A luz metafísica
2.1.1. Platão e Santo Agostinho – A iluminação divina
2.1.2. Aristóteles e a imaginação
2.1.3. Descartes e o conhecimento

2.2. O olhar
2.2.1. A imagem visual
2.2.2. A imagem mental
2.2.3. A imaginação e a memória
PERCURSO (II)
2.5. A construção da imagem
2.4.1. Gestalt
2.4.2. A imagem como um símbolo
2.4.3. Semiótica e signos

2.4. A imagem como narrativa


2.3.1. A imagem na pré-história
2.3.2. A imagem como instrumento histórico
2.3.3. A imagem e a narrativa cristã: da idade média ao barroco
PERCURSO (II)
2.5. A imagem e o texto
2.5.1. A imagem poética
2.5.2. Epiteto, Símile e Metáfora
2.5.3. Ekiphrasis

2.6. A imagem e o texto dramático


2.6.1. Teatro grego
2.6.2. Teatro Elisabetano
2.6.3. Drama Burguês
PERCURSO (II)

2.7. A crise do drama e o império da imagem


2.7.1. A crise do drama
2.7.2. A reprise e redescoberta da imagem
2.7.3. O teatro de imagens
PERCURSO (III)
3. Iluminação Cênica
3.1. A luz física
3.1.1. A natureza da luz
3.1.2. Princípios ondulatórios da luz
3.1.3. Ótica e a luz

3.2. O teatro e a luz natural


3.2.1. A luz no teatro grego
3.2.2. A luz no teatro elisabetano
3.3.3. A luz na commedia del’art
PERCURSO (III)
3.3. O teatro e a luz artificial
3.3.1. O teatro em ambientes fechados
3.3.2. O teatro a noite
3.3.3. Formas de iluminação artificial

3.4. O teatro e a luz elétrica


3.4.1. A luz elétrica e o Blck-out
3.4.2. Equipamentos de iluminação
3.4.3. Filtros de iluminação
PERCURSO (IV)

4. Tennessee Williams e a luz - Processo de criação do
projeto de iluminação cênica para o Anjo de Pedra
POR QUE TENNESSEE WILLIAMS?
A escolha de Tennesse Williams deve-se ao fato do dramaturgo norte-americano ter em
suas obras uma característica descritiva da ação e um tratamento estilístico que favorece
a pesquisa, pois suas obras permeiam pelo realismo-naturalismo, podendo assim demonstrar
como a iluminação cênica é responsável por fisicalizar sentimentos aparentemente não
visíveis. Com grandes influências do teatro de Anton Tchekhov (1860 – 1904), dramaturgo
e escritor russo, e Stanislavski, a dramaturgia de Williams possui uma estrutura bem particular
e de caráter realista, com um descrição minuciosa própria de romances.

E também porque eu o amo.


POR QUE “O ANJO DE PEDRA”?
A obra escolhida como referência, Summer and Smoke, traduzida no Brasil para O anjo de
pedra, foi publicada em 1948 e tem como pano de fundo a relação entre Alma Winemiller
e John Buchanan Jr., dois jovens que se amaram quando criança e se reencontram adultos
reacendendo seus sentimentos. Porém, ambos possuem visões completamente diferentes do
amor, e o reencontro os tirará de suas zonas de conforto provocando uma revolução
emocional nas personagens, tornando o texto recheado de potentes imagens poéticas.

E também porque eu o amo e é pouco comentado.


PERSPECTIVA TEÓRICO-METODOLÓGICA

Está pesquisa possui cunho estritamente qualitativa, ainda que possua
desenvolvimento técnico e experimental, seu resultado não pode ser
expressado numericamente.

Para desenvolver essa pesquisa inicialmente será preciso uma pesquisa
bibliográfica, ou seja, “a partir do levantamento de referências teóricas
já analisadas, e publicadas por meios escritos e eletrônicos, como
livros, artigos científicos, páginas de web sites.” (FONSECA apub
GERHARDT, 2009, p. 37). Esse estudo buscará relacionar e
fundamentar o texto como imagem, e a imagem como luz.
PERSPECTIVA TEÓRICO-METODOLÓGICA

O segundo momento será caracterizado por uma investigação
exploratória das obras selecionadas de Tennessee Williams, onde serão
analisadas a partir do método sugerido por Francis Hodge na sua obra
“Play Directing: Analysis, Communication, and Style”, onde
primeiramente é analisada o que ele chama de “facade”, que seria a
“fachada” da obra, o que está aparente, a partir das circunstancias em
que obra se passa e os diálogos; em seguida é analisado o que
segundo ele seria o “core”, o núcleo, uma análise mais interna, a partir
da análise da ação dramática e das personagens.
PERSPECTIVA TEÓRICO-METODOLÓGICA

E por fim, de modo mais subjetivo, os derivados da ação
dramática são analisados, que são as ideias, ritmos e
humores.

O terceiro momento será caracterizado por uma pesquisa
documental, que a partir da análise das ideias, ritmos e
humores presentes na obra, irá buscar-se a partir de
fotografias, pinturas, ilustrações e filmes, referências visuais
para as metáforas extraídas a partir desses derivados.
PERSPECTIVA TEÓRICO-METODOLÓGICA

O quarto momento será caracterizado por uma análise dessas
imagens recolhidas, com ênfase na luz focando em cor,
intensidade, origem, ou seja, o posicionamento da fonte de luz,
sombras criadas e qualidade da luz enquanto brilho e dispersão.

O quinto momento será caracterizado pela elaboração das
imagens enquanto cenas, a partir do estudo imagético,
pensando em quais equipamentos seriam necessários para a
execução da mesma.
PERSPECTIVA TEÓRICO-METODOLÓGICA

O sexto momento será caracterizado pela construção de
um projeto de iluminação pensando nos fatores técnicos
que são: equipamento, distribuição, posicionamento, cor,
intensidade e movimento, a partir das imagens.

O sétimo momento será caracterizado por uma
comparação do projeto realizado a partir das imagens e
os padrões estabelecidos por McCandless, não a fim de
contrapô-lo mas sim de subjetivar os princípios.
Cronograma
ALERTA!!!
ESTA PESQUISA NÃO BUSCA A
CONSTRUÇÃO DE UM MÉTODO, NEM A
DEFINIÇÃO DE LEIS UNIVERSAIS. SÃO
APENAS PENSAMENTOS E PRINCÍPIOS
QUE PODEM SER UTILIZADOS DE MODO A
FAVORECER A NARRATIVA VISUAL DO
ESPETÁCULO.
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