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SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL

SENAI JOINVILLE NORTE I

TÉCNICO EM QUÍMICA

ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DA ÁGUA: visita técnica

KAMILLY KETLYN KOHLBECK


PÂMELA ELIZA BARBOZA

Joinville - SC
2019
KAMILLY KETLYN KOHLBECK
PÂMELA ELIZA BARBOZA

ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DA ÁGUA: visita técnica

Trabalho sobre visita técnica apresentado


ao Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial – SENAI Joinville Norte I S.A.
Técnico em Química.
Professor Orientador: Carlos Alfredo Alves
Junior

Joinville - SC
2019
SUMÁRIO

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2.2 7
2.3 7
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2.7 9
2.8 10
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REFERÊNCIAS 12
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1 INTRODUÇÃO

A poluição de águas naturais por contaminantes biológicos e químicos é um


problema mundial. São poucas as áreas povoadas, que não sofrem de alguma
forma de poluição das águas, seja em países desenvolvidos ou não. Diante desse
novo ciclo que os cidadãos vivem, repletos de tecnologia de ponta e de
conhecimentos científicos, deve-se discutir sobre os novos métodos, sendo eles
tradicionais ou inovadores, pelos quais as águas podem ser tratadas. Inicia-se por
técnicas utilizadas para purificar a água potável das fontes parcialmente
descontaminadas, e então se conclui com a poluição e remediação de água
subterrâneas e de esgoto e efluentes.
As Estações de Tratamento da Água (ETA) servem de auxílio para a
realização de análises dos parâmetros necessários para o funcionamento e
verificação da qualidade da água. Já as Estações de Tratamento de Efluentes
(ETE) tratam os efluentes sanitários ou industriais, antes de serem descartados no
meio ambiente. Logo, as Estações de Tratamento de Lodo (ETL) atendem a
demanda do saneamento em conformidade com a legislação vigente, tendo como
objetivo de tratar o lodo gerado nas ETA ́s e ETE ́s, deixando-o adequado para
destinação e recuperação da água de lavagem dos filtros e decantadores. O
dimensionamento dos componentes do sistema de tratamento de lodo é realizado
em função da carga de sólidos.
Com relação ao controle de qualidade da água captada, tratada e
distribuída, os laboratórios de análises de natureza físico-química e microbiológica
atuam nas amostras de água coletadas durante o tratamento e na rede de
distribuição. As metodologias analíticas utilizadas no Laboratório de Controle de
Qualidade para a determinação dos parâmetros físico-químicos e microbiológicos
devem atender às especificações das normas nacionais.
Sabendo das determinadas estações, é possível constatar as condições
das mesmas. Na ETE suas condições são caracterizadas por serem de um alto
investimento tanto para com o empreendedor quanto para a indústria,
considerando os materiais apropriados para um bom desempenho da estação. Já
na ETL, suas condições são definidas pela redução de custos com o descarte do
lodo, promovendo a possibilidade do reaproveitamento dos resíduos, reduzindo a
poluição e a perda de água, sendo que a mesma é proporcionada a partir da
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reciclagem da água da lavagem dos filtros e decantadores. Na ETA, suas


condições são qualificadas para atender diversos aspectos, sendo eles,
higiênicos, estéticos e econômicos, auxiliando para que os serviços públicos
forneçam água de extrema qualidade, para isso, é imprescindível a aplicação dos
processos à obtenção da qualidade da água.

1.1 JUSTIFICATIVA

A visita técnica foi realizada com o intuito de apresentar variados processos


comuns em Estações de Tratamento da Água (ETA), como também em Estações
de Tratamento de Efluentes (ETE) e Estações de Tratamento de Lodo (ETL), que
operam a partir de processos de tratamento das substâncias citadas. Além, de
evidenciar técnicas utilizadas para a purificação da água, tornando-a potável.
Outro ponto a destacar são os procedimentos experimentais usados para o
tratamento da água, de efluentes e também de lodo. Seguidamente do tratamento,
desponta o abastecimento da água, bem com os seus objetivos do mesmo. Isso
porque controla e previne as doenças, melhorando as condições sanitárias, o
conforto e a segurança coletiva, incluindo o desenvolvimento turístico, industrial e
comercial para a região que ali se encontra as ET’s.
Essa visita técnica proporcionou conhecimentos com relação aos processos
de desinfecção, análises laboratoriais, abastecimento e de tratamento físico-
químicos, sendo eles, os procedimentos experimentais conhecidos na visita
técnica. Portanto a visitação à ETA foi benéfica, pois colaborou para os fins
educativos.

1.1 OBJETIVOS

1.1.1 Objetivo Geral


Compreensão das etapas de tratamento, levando em conta a
importância desse recurso natural.
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2 PROCESSO EXPERIMENTAL

Segundo Richter (2019), o tratamento de água é um conjunto de


procedimentos físicos e químicos que são empregues na água para que a mesma
fique em condições apropriadas para o consumo, ou seja, para que a água se
torne potável. O processo de tratamento de água a livra de qualquer tipo de
contaminação, contribuindo para evitar a transmissão de doenças.
A água para ser tratada passa pela Estação de Tratamento de Água (ETA),
que é um local em que se sucede a purificação da água captada de alguma fonte
para torná-la adequada para o consumo e assim usa-la para abastecer a
população de Joinville. A captação da água é realizada em rios ou represas que
possam suprir a demanda por água da população e das indústrias da cidade.
Segundo Razzoto (2013, p.29), a importância de se tratar a água está
associada à manutenção da saúde, pois, mesmo uma água aparentemente
límpida, pode mostrar microrganismos nocivos, aumentando o risco de a
população contrair doenças, desse modo, é dever das estações tornar a água
adequada para o consumo humano.
Antes de ir para o sistema de distribuição de água, a mesma passa por
diversos processos de tratamento divididos em várias etapas, sendo elas:
captação, coagulação, floculação, decantação, filtragem, desinfecção e
reservação. Tais processos podem ser físicos e químicos, fazendo com que a
água obtenha todas as propriedades necessárias para que seja própria para o
consumo.

1.2 CAPTAÇÃO DA ÁGUA


A água bruta (sem tratamento e imprópria ao consumo humano) é captada
de rios, lagos ou represas conforme demonstra a figura 1 a seguir:
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Figura 1- Captação da água bruta

Fonte: as autoras (2019)

Nessa primeira etapa a água captada apresenta muita sujeira, como folhas,
galhos, lodo, bactérias entre outros. O lodo coletado em algumas empresas é
usado na fabricação de cimento, disposição no solo, cultivo de grama comercial,
fabricação de tijolos, solo comercial, compostagem e plantações de cítricos. Além
disso, pode também ser utilizada para a melhoria da sedimentabilidade em águas
de baixa turbidez, recuperação de coagulantes e controle de sulfeto de hidrogênio
(H2S). Após a captação da água, a mesma é enviada para a ETA por meio de
tubulações (também chamadas de adutoras). Caso existam morros ou outros
obstáculos, estações elevatórias se encarregam de bombear a água terreno
acima. Assim como apresenta a figura 2 a seguir :

Figura 2 – Água enviada para a ETA por meio de tubulações

Fonte: as autoras (2019)

Após a água chegar à ETA, a mesma é conduzida para uma bacia de


tranquilização, onde ocorre a primeira etapa de separação. Nessa mesma etapa a
água sofre um processo inicial de limpeza, passando por um gradeamento
(sistema de grades) que impede a entrada de elementos grosseiros contidos na
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água, como folhas, galhos e troncos, por exemplo. Ainda neste processo,
dosadores adicionam cloro na água com intuito de matar vírus, bactérias e outros
microrganismos, além de dissolver metais presentes na mesma.

1.3 COAGULAÇÃO
A água que irá ser tratada apresenta impurezas cujas partículas são
pequenas, e não se sedimentam (não se depositam no fundo do recipiente) sob a
ação da gravidade, por esse motivo é fundamental adicionar à água, coagulantes
químicos, tais como o sulfato de alumínio.
O sulfato de alumínio (Al2(SO4)3) possibilita a união das partículas e
impurezas da água, facilitando a remoção na decantação. Os coagulantes
acrescentados à água são insolúveis e geram íons positivos (cátions) que atraem
as impurezas carregadas negativamente nas águas.

1.4 FLOCULAÇÃO
No processo de floculação, a água passa por canais de coagulação, onde é
adicionado um coagulante com intuito de desestabilizar as partículas de sujeiras.
Nos tanques floculadores ocorre aglutinação das partículas sólidas, formando
flocos cada vez maiores que após sua formação são decantados, por isso
denomina-se este processo de floculação.
O coagulante mais usado é o sulfato de alumínio (Al2(SO4)3), que é obtido
por meio da reação química entre o óxido de alumínio (Al2O3) e o ácido sulfúrico
(H2SO4). O sulfato de alumínio é adicionado à água juntamente com o óxido de
cálcio (CaO), apelidado de cal virgem. Quando essas duas substâncias se
misturam na água, realiza-se uma transformação química que originará uma
substância gelatinosa, o hidróxido de alumínio (Al(OH)3).
Em seguida, as partículas de sujeira sofrem uma aglutinação e “grudam” no
hidróxido de alumínio, formando flóculos.
Para uma melhor distribuição do coagulante e eficácia do tratamento, a
água é agitada fortemente por cerca de 30 segundos por um agitador mecânico ou
ar comprimido, a fim de aumentar a dispersão do coagulante. Logo após, o
sistema é agitado lentamente, permitindo o contato entre as partículas e formando
flocos de impureza assim como demonstra a figura 3 a seguir:
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Figura 3 - Floculação

Fonte: as autoras (2019)


1.5 DECANTAÇÃO
“A decantação é utilizada para separar misturas de substâncias que não
são solúveis uma na outra (imiscíveis), do tipo líquido-líquido.” (FONSECA, 2014,
p. 67).
Após o processo de floculação, a água é direcionada para um novo tanque,
onde permanece por um tempo em repouso a fim de que os flocos formados
sejam decantados para o fundo do tanque, tendo em conta que eles são mais
densos que a água.
Em conformidade com Razzoto (2013, p.30), como os flocos de sujeira são
mais densos que a água, a ação da gravidade é responsável por depositar esses
flocos no fundo do tanque ou recipiente, conforme demonstra a figura 4 a seguir :

Figura 4 - Tanques de decantação

Fonte: as autoras (2019)

1.6 FILTRAÇÃO
A água decantada é dirigida às unidades filtrantes onde é realizado o
processo de filtração que consiste em passar a água por meio de filtros com
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espessura de dois metros, formada por areia de granulometria decrescente, ou


seja, a primeira camada apresenta grãos maiores, e nas camadas seguintes, o
tamanho dos grãos diminui gradativamente. O fluxo da água que passa pelos
filtros é ascendente. Formados por camadas de carvão, areia grossa, areia fina,
pedregulho e cascalho, com o objetivo de reter os flocos que passam sem
decantar-se, ou outras impurezas. Além disso, o carvão utilizado no filtro serve
para deixar a água sem cheiro e sem gosto.
Segundo Fonseca (2014, p. 66) a filtração é utilizada para separar misturas
de um líquido com um sólido não dissolvido.
Figura 5 - Filtração da água

Fonte: as autoras (2019)

1.7 DESINFECÇÃO
É efetuada uma última adição de cloro na água antes de sua saída da
Estação de Tratamento, com objetivo de manter um teor residual do produto
garantindo que a água chegue livre de microrganismos patogênicos causadores
de doenças até a casa do consumidor. Além disso, a água passa por um processo
de alcalinização, que é realizada com a colocação de cal na água com a finalidade
de evitar a corrosão dos canos da rede de abastecimento. Logo em seguida
ocorre o processo de fluoretação, onde o flúor é adicionado à agua para prevenir
cáries na população.

1.8 RESERVAÇÃO
Após todos os processos de tratamento da água, a mesma é armazenada
em reservatórios, com intuito de manter a regularidade do abastecimento e
atender às demandas excessivas, como as que acontecem em períodos de calor
intenso ou quando, durante o dia, usa-se muita água ao mesmo tempo.
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Além disso, A Companhia Águas de Joinville tem o compromisso com a


saúde e o bem-estar da população. Sendo aproximadamente 40 mil análises
realizadas mensalmente a partir de amostras de água coletadas desde a captação
até as ligações domiciliares. A fim de garantir a qualidade da água distribuída em
Joinville, dentro dos padrões de potabilidade estabelecidos pela Portaria de
Consolidação nº 5/2017 do Ministério da Saúde.

1.9 TRATAMENTO DE ESGOTO SANITÁRIO

Atualmente, já existem diversos Processos de Tratamento de Esgoto


Sanitário, a qual o processo ideal depende especialmente do nível de eficiência
desejado. Ou seja, se a qualidade desejada do efluente final, ficará compatível
com a necessidade do corpo receptor.
Os tratamentos dos esgotos passam por vários procedimentos
determinados pela legislação ambiental com a finalidade de garantir que o seu
descarte não cause problemas a natureza. Com uma camada extra de tratamento,
os fluidos podem ser transformados em água de reúso, uma solução sustentável
que colabora para a preservação da água potável do planeta. Além disso, esse
tratamento é classificado em níveis de eficiência sendo ele preliminar, primário,
secundário ou terciário.
O Tratamento preliminar é a primeira etapa do processo, sendo este
responsável pela remoção de sólidos grosseiros e areia presentes no esgoto
tendo como principal objetivo livrar-se do acúmulo de sólidos grosseiros além de
materiais inertes e abrasivos nas tubulações e demais unidades da ETE.
Os sólidos como a areia e terra, predominantemente inorgânicos, são
removidos em unidades que recebem o nome de desarenadores, também
conhecidos como caixas de areia. Esses sólidos compostos por siltes, argilas,
pequenas pedras e outros materiais inorgânicos que sedimentam a velocidades
altas, fazendo com que as caixas de areia sejam dimensionadas com tempos de
retenção pequenos, se mostrando essencial, pois desta forma, é selecionado
apenas o material sedimentado. A areia removida geralmente é recolhida em
caçambas, que são encaminhadas para disposição final em aterro sanitário.
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Inicialmente, quando o esgoto chega à ETE, o mesmo passa por um


sistema de gradeamento para retirada de sólidos grosseiros, logo após, o esgoto
segue para um tanque de aeração, onde recebe uma injeção de oxigênio de
maneira que forme uma colônia de bactérias aeróbias, que irão degradar a matéria
orgânica. Depois de tais processos, o esgoto seguirá para o tanque de
decantação, onde ocorre a separação da água e do lodo, que acaba virando um
subproduto, também chamado de biosólido. Na etapa final, antes da água ser
devolvida ao meio ambiente, a mesma passa pela desinfecção onde ocorre a
inativação dos microrganismos patógenos. A qual maior parte das ETA’s
desempenham tal processo com a adição de cloro na água.
Conforme Ferreira e Pádua (2010), uma importante característica de um
desinfetante é manter um residual estável após a desinfecção. Desta forma, o
cloro residual livre é um indicador da eficiência do processo além de prevenir a
contaminação da água na rede de distribuição. A Portaria 2914/2011 do Ministério
da Saúde estabelece um mínimo de 0,2 mg/L de cloro residual livre ou 2 mg/L de
cloro residual combinado em todo o sistema de distribuição, e um valor máximo de
5 mg/L de cloro residual livre.
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2 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Visto anteriormente nos estudos feitos sobre os processos de tratamento e


nas observações realizadas, é possível constatar que foram utilizados diversos
equipamentos, a fim de uma melhor contribuição à sociedade, contribuindo para a
realização do tratamento da água. A partir de análises praticadas, percebeu-se
como o procedimento de tratamento é realizado, em razão da presença de
compostos imiscíveis ou partículas sólidas, as quais são frutos da poluição da
água.
A prática foi vantajosa, pois se pode aprender os processos ocorridos na
reação envolvida entre o óxido de alumínio (Al2O3) e o ácido sulfúrico (H2SO4)
tendo como obtenção na reação química o sulfato de alumínio (Al2(SO4)3). Ao
misturar o sulfato de alumínio com o óxido de cálcio (CaO), origina-se o hidróxido
de alumínio (Al(OH)3). Esse componente age fortemente para o tratamento da
água podendo ser aproveitado como qualificador.
Visitar a ETA foi prazeroso, pois a mesma mostra a verdadeira importância
dos processos de tratamento e controle da água, por se tratar de ambientes
destinados ao saneamento. Havendo uma conscientização da relevância da
preservação desse recurso natural, o ser humano pode passar a compreender o
quanto é importante preservar a água para as gerações futuras a fim de manter a
vida no planeta.
O uso da visita técnica foi proveitoso, pois como forma de estudo tem uma
ação bastante efetiva pelo fato de se deparar com a circunstância real dos
procedimentos experimentais.
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REFERÊNCIAS

FONSECA, Martha Reis Marques. Química: São Paulo: Ática, 2014.

MEYER, S.T. O uso de Cloro na Desinfecção de Águas, a formação de


Trihalometanos e os Riscos Potenciais à Saúde Pública. Rio de Janeiro: Cad.
Saúde Pública, 1994

RAZZOTO, Eliane Siqueira. Química analítica. São Paulo: Positivo, 2013.

RICHTER, Carlos A. Água: métodos e tecnologia de tratamento. Disponível em:


suapesquisa.com. Acesso em: 29/09/2019