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REDAÇÃO PARA VESTIBULARES E ENEM REDAÇÃO

Maria Fernanda S. Freitas UniFiPMoc


Os 102 erros mais comuns da Língua  No ano passado, comprei meus presentes com
antecedência: a dois meses do Natal.
Portuguesa:
6. “Haver” e “a ver”
1. “Mal” e “mau”
Apesar de soarem iguaizinhas, as duas palavras, na
realidade, não têm nada em comum: a primeira é um verbo,
“Mau” com “U” é um adjetivo, enquanto “mal” pode ser mas a segunda indica uma afinidade (ou não) entre duas
advérbio ou substantivo. Olha só: coisas. Confira:

 A luta entre o bem e o mal nunca acaba.  Quando chove muito, pode haver enchentes na
 Nas histórias, as madrastas sempre são más, isto cidade.
é, têm o coração mau.  É possível que dois gêmeos sejam bem parecidos
 Quem é mal-humorado está sempre de mau humor! ou, pelo contrário, não tenham nada a ver um com
o outro.
2. “Bem” e “bom”
7. “Haja” e “aja”
“Mal” é o contrário de “bem” e “mau” o de “bom”, ou seja, É bem fácil distinguir “haja” de “aja”, do verbo “agir”: é só ver
“bem” pode ser usado nas mesmas situações em que se usa se dá para trocar por “existir”. Veja só:
“mal”, e “bom” naquelas em que você colocaria “mau”.
Assim:
 Mesmo que haja (ou exista) algum risco, vale a
pena investir nesse setor.
 Ficamos de bom humor (ou bem-humorados)
depois de comer tão bem no restaurante!
 Para que a empresa se recupere da crise, é preciso
que a administração aja imediatamente.
 Fritura é muito bom, mas infelizmente não faz bem.
8. “Vem” e “veem”
3. “Independente de” e “independentemente de”
Os dois são verbos, mas se o primeiro (com um “e” só) é de
A diferença entre esses dois é que “independente” pode ser “vir”, o segundo (com dois) é conjugação de “ver”. Entenda:
uma qualidade ou um estado (isto é, um adjetivo), enquanto
“independentemente” é um advérbio de modo, que quer
dizer a mesma coisa que “de forma independente”. Confira  Você prometeu que vem me visitar amanhã.
os exemplos e entenda melhor:  Eles não veem a hora de se encontrar de novo.

 Com que idade um jovem se torna independente 9. “A gente” e “agente”


dos pais?
Junto ou separado? A resposta é simples: se for o mesmo
 Independentemente da nossa idade, todos que “nós”, é separado; se for a profissão, é junto. Fique de
podemos precisar do apoio da família em algum olho:
momento.

 James Bond é o agente secreto mais famoso do


4. “A princípio” e “em princípio”
mundo.
A palavra “princípio” pode se referir tanto a ideologias e  Por que você não vem com a gente ao cinema?
valores como ao começo de alguma coisa, certo? Pois, a
chave para a diferença entre essas duas expressões está 10. “Acerca de” e “cerca de”
justamente aí: com “a” ela tem sentido de início, e com “em”
de valor ou essência. Veja: “Acerca de” é o mesmo que “sobre” ou “a respeito de”. Já
“cerca de” vem da expressão em latim circa, podendo
significar tanto “perto de”, quanto “mais ou menos”. Veja só:
 A princípio, pensava-se que a Terra era o centro do
universo.
 A poesia é, em princípio, a arte de escrever em  Preciso falar com você acerca de um problema
versos. pessoal.
 Estima-se que a população mundial tenha chegado,
5. “Há” e “a” hoje, a cerca de 7,4 bilhões de pessoas.

Um é um verbo, o outro uma preposição, mas por causa da 11. “De trás”, “atrás” e “detrás”
pronúncia idêntica, é fácil se embananar na hora de Enquanto “detrás” e “atrás” podem ser usados como
escrevê-los, não é? A dificuldade aumenta quando “há” sinônimos, “de trás”, separado, aparece quando é
(que, para quem não se lembra, é do verbo “haver”) é usado necessário empregar a preposição “de”. Confuso? É só
para indicar o tempo passado, se confundindo com a pensar assim: se a pergunta for só “onde”, responda com
preposição “a”, que só marca uma distância (temporal ou “atrás” ou “detrás”. Agora, se for “de onde”, o certo vai ser
espacial). Fica assim: “de trás”. Fica desse jeito:

 Há muito tempo, os dinossauros foram extintos.  Onde está o cofre secreto? Atrás do quadro.
 O supermercado mais próximo fica a 10 minutos  Onde foi parar meu casaco? Está pendurado detrás
daqui. da porta.
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 De onde saiu esse rato? De trás do armário da  As duas empresas se uniram para atingir interesses
cozinha. afins (ou semelhantes).
 Você está a fim de sair hoje à noite?
12. “Aparte” e “à parte”  Precisamos passar no banco a fim de fazer um
depósito.
“Aparte” pode ser o imperativo do verbo “apartar” (que quer
dizer separar ou desviar) ou um substantivo masculino (que
significa um comentário isolado, como se fosse um 17. “Perca” e “perda”
parêntese em um discurso). Já “à parte” é aquilo que já está Mais um parzinho fácil de distinguir: “perda” é substantivo,
ou vai ser separado. Veja se entende melhor com os enquanto “perca” é verbo. Ou seja: se puder colocar artigo
exemplos: antes (“a perda” ou “uma perda”) é com “d”. Sacou? Então
confira:
 Ele não consegue manter sua linha de raciocínio e
faz apartes desnecessários o tempo todo, de modo  Não perca tempo: compre já o nosso produto!
que ninguém entende o que diz.
 Acabe com a perda de tempo usando nossa técnica
 Ontem fui chamado para uma conversa à parte para ser mais produtivo!
com minha chefe.
 Minhas compras pessoais precisam ser feitas à
18. “Descriminar” e “discriminar”
parte em relação às da empresa.
“Discriminação”, com “i”, é separar as coisas, e por vezes
13. “Decerto” e “de certo” tratar as pessoas ou questões de forma desigual por causa
de algum preconceito. Já “descriminar” é tirar a culpa de um
A dica aqui é tentar substituir a expressão pela palavra crime (daí o prefixo “des”, de negação, como em
“certamente”. Se funcionar, use “decerto” junto. Se não, é “descolorir”, por exemplo). Acompanhe:
“de certo” separado. Desse jeito:
 Você já sofreu algum tipo de discriminação racial
 De certo modo, seu conselho me ajudou mais do no trabalho?
que eu esperava.  O júri descriminou o réu após um julgamento que
 Depois de estudar tanto, você decerto conseguirá durou meses.
uma boa nota na prova!
19. “Absolver” e “absorver”
14. “Propício” e “propenso”
Por falar em descriminar, um de seus sinônimos que
Eles são parecidos, mas o significado não é o mesmo. também gera alguma confusão é “absolver”, que quer dizer
“Propício” indica que uma situação pode favorecer alguma tirar a culpa, perdoar, etc. Diferentemente de absorver, que
outra coisa, mas não necessariamente que há uma é fazer desaparecer um líquido ou assimilar algo. É simples:
tendência, como indica “propenso”. Basicamente, é o
seguinte:
 Os padres ouvem as confissões dos fiéis para
absolver seus pecados.
 Um ambiente silencioso é mais propício (ou  Em uma aula expositiva, nem sempre é fácil
apropriado) para os estudos. absorver todo o conteúdo dado.
 Mas se você não estiver propenso (ou tendendo) a
estudar, o silêncio não vai fazer diferença.
20. “No lugar de”, “ao invés de” e “em vez de”

15. “Senão” e “se não” Pense em trigêmeos, mas com dois dos irmãos sendo
iguaizinhos e um deles bem diferente. A ovelha negra é “ao
“Se não” separado aparece em frases em que você poderia invés de”, que só serve para contrastar ideias opostas (tipo
inserir alguma coisa entre o “se” e o “não”. Já “senão” junto alto e baixo, frio e quente, etc.). Os outros dois contrastam
pode aparecer como substantivo ou no sentido de “mas coisas diferentes, mas que não se excluem mutuamente
sim”, “do contrário” e “exceto”, sem que você possa separar (como manga e melancia, azul ou branco, etc.). Repare nos
os dois elementos. Teste nessas frases e entenda: exemplos:

 Aceito seus termos, com um senão: preciso de um  Decidimos fazer uma mousse para a sobremesa no
prazo maior. lugar do bolo. (mousse e bolo não são
 Se não conseguir chegar a tempo ao cinema, eu necessariamente opostos)
compro seu ingresso e espero-o na entrada das  Não vamos viajar mais para o Japão. Em vez disso,
salas. vamos para a Nova Zelândia. (idem)
 Tente chegar pontualmente, senão perderemos o  Ao invés de sair, resolvemos ficar em casa. (ficar
início do filme! em casa e sair podem ser consideradas coisas
opostas, certo?)
16. “A fim” e “afim”
21. “Na medida em que” e “à medida que”
“Afim” junto vem de afinidade, enquanto “a fim” é a
preposição “a” ligada ao “fim” no sentido de finalidade. Para Se “na medida em que” tem sentido de causa e pode ser
saber qual dos dois usar, então, é só parar para pensar qual trocada por “porque” ou “visto que”. Sua expressão gêmea,
dessas duas ideias você está tentando passar. Veja: “à medida que”, indica uma progressão proporcional. Veja
como:
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 O calor vai aumentando à medida que o verão se Todo mundo sabe o que “hora” quer dizer, certo? A dúvida,
aproxima. então, se concentra geralmente mais no caso de “ora” sem
 As casas dos países de clima temperado precisam “h”, que além de fazer parte de algumas expressões fixas,
ser construídas com mais cuidado na medida em pode significar “agora” e “além disso”. Confira:
que (ou porque) sofrem mais com as oscilações de
temperatura a cada estação.  A que horas você pretende chegar? Tenho um
compromisso depois.
22. “De encontro a” e “ao encontro de”  Você disse que está enfrentando problemas
pessoais? Ora, não me venha com essa, eu
Parece mesmo bobagem, mas trocar o “a” e o “de” de lugar conheço bem a sua situação.
em torno da palavra “encontro” pode, sim, fazer toda a
diferença! Isso porque “de encontro a” é algo negativo, que  O clima está mesmo louco: ora faz um calor
indica uma oposição. Já “ao encontro de” é positivo, é insuportável, ora um frio de gelar até os ossos.
mostra a afinidade entre duas coisas. Fica assim:  Por ora, acredito que essa seja a melhor solução.

28. “Tachar” e “taxar”


 A ascensão da sustentabilidade no cenário mundial
vai de encontro aos interesses das empresas que “Taxar” está relacionado a taxas, tarifas, pagamentos, etc.
preferem explorar o meio ambiente a cuidar dele. Por outro lado, “tachar” é atribuir qualidades negativas a
 As feiras de alimentos orgânicos vão ao encontro alguém ou, ainda, censurar algo, colocando uma tacha
dos produtores locais, que conseguem vender seus (como aqui). Veja:
produtos a preços melhores.
 É normal taxar produtos importados para estimular
23. “Viajem” e “viagem” o consumo interno.
Com “g”, “viagem” é substantivo, enquanto com “j” é verbo.  Depois de cometer um erro fatal no primeiro dia de
O truque, então, é checar se dá para usar artigo (“a” ou trabalho, João foi tachado de incompetente.
“uma”): se der, acerte com o “g”. Confira:
29. “Meio” e “meia”
 Vou fazer uma viagem para o exterior nessas “Meia”, com “a”, só pode ser duas coisas: a metade ou a
férias. meia que calçamos antes dos sapatos (além do número 6,
 Espero que vocês viajem muito durante o numa redução de “meia dúzia”). Já “meio” pode ser, além de
intercâmbio! metade, um advérbio, significando algo como mais ou
menos. Assim, podemos dizer:
24. “Seção” e “sessão”
 Beba água por toda a manhã, de meia em meia
Com “ç”, “seção” tem sempre a ver com uma divisão ou hora, até meio-dia e meia.
subdivisão. Já com “ss”, se refere a um evento que dura um  Deixe a janela meio aberta para que o ar circule.
tempo determinado (como no cinema, uma reunião,
assembleia, consulta médica, etc.). Olha só: 30. “Eminente” e “iminente”
“Eminente” é algo excelente, importante, superior. Já
 Foi convocada uma sessão extraordinária no
“iminente” é algo imediato, que está por acontecer em breve.
congresso para esta semana.
Entenda:
 A lei que você procura está na última seção do
regulamento.
 Guimarães Rosa foi um autor e homem eminente.
25. “Comprimento” e “cumprimento”  Quem mora em regiões onde acontecem tsunamis
fica em perigo iminente após um terremoto.
O “cumprimento”, com “u”, é a saudação, o aperto de mãos,
etc., além do substantivo do verbo “cumprir”. Já o
31. “Embaixo” e “em cima”
“comprimento”, com “o”, é a medida. Fica assim:
O erro aqui não é o significado, claro, mas a escrita. Para
 Essa sala tem 3 metros de comprimento. ajudar a se lembrar disso, vale pensar na letra “V”, que tem
duas pontas em cima e apenas uma embaixo. Assim, você
 O não cumprimento da lei pode acarretar multas. não se esquece de qual dessas duas expressões tem duas
 Dê meus cumprimentos ao seu irmão pela palavras e qual tem apenas uma.
formatura.
32. “Em cima” e “acima”
26. “Descrição” e “discrição”
Decorou que “em cima” se escreve separado? Ótimo, mas
“Descrição” vem de “descrever”, enquanto “discrição” é de não confunda com “acima” (e “abaixo”!), que é uma palavra
“discreto”. Não é difícil diferenciar esses dois, veja só: só, ok?

 Em uma entrevista de emprego, o ideal é se vestir 33. “Saber” e “conhecer”


com mais discrição.
Os verbos “saber” e “conhecer” não são exatamente
 Nas vendas pela internet, é sempre bom contar
sinônimos, não! Afinal, nem sempre é preciso conhecer
com uma descrição detalhada do produto.
alguma coisa (no sentido de compreendê-la mais a fundo)
para saber sobre ela (no sentido de estar ciente). Veja
27. “Hora” e “ora” alguns exemplos em que não dá para trocar um pelo outro:
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 Não conheço os detalhes por trás dessa lei, mas tempo futuro ou passado, e ao que já dissemos antes.
sei que se desobedecê-la serei punido. Confira três exemplos em que esse contraste fica evidente:
 Para conhecer as causas de um problema, é
preciso, primeiro, saber que ele existe.  Daqui a alguns meses, neste verão, provavelmente
 Aproveite a oportunidade para conhecer nossa loja não vamos ter férias tão boas quanto estamos
e saber mais sobre nossos serviços! tendo agora, nesse inverno, já que precisaremos
nos preocupar com problemas de final de ano.
34. “Eficaz”, “efetivo” e “eficiente”  Este instrumento que estou tentando usar não
serve, por favor, me passe esse que está ao seu
De longe essas três palavrinhas parecem mesmo muito lado.
semelhantes, e até intercambiáveis, não acha? Mas basta  Depois dessas palavras que acabei de pronunciar,
uma olhada mais cuidadosa para ver que, na verdade, elas gostaria ainda de acrescentar esta citação: “…”
não são assim tão parecidas. Enquanto alguma coisa eficaz
deve simplesmente cumprir com o esperado, algo eficiente
precisa fazê-lo de forma a gastar a menor quantidade de 38. “Por que” e “porque”
energia e recursos possível. Já efetivo tem relação apenas A maioria das pessoas conhece a regrinha que diz que “por
com efetivar, isto é, concretizar algo. Sendo assim, podemos que” separado é para a pergunta, e “porque” junto é para a
afirmar o seguinte: resposta, certo? Mas nem sempre ela funciona, já que às
vezes a gente acaba precisando usar o “por que” separado
Fixar um quadro à parede com fita adesiva no lugar de em frases com ponto final também, sabia? Isso acontece
pregos pode ser eficiente, já que é muito mais simples do quando ele pode ser substituído por “por que razão” (ou algo
que furar a parede. Além disso, é efetivo na medida em que com o mesmo sentido), mas não por “pois”. Confira:
realiza o desejo de fixar o quadro. Contudo, essa solução
provavelmente não é a mais eficaz, pois não cumprirá com o
 Eu não sei por que meu chefe faltou ao trabalho
objetivo de manter o quadro fixado ali por muito tempo, não
hoje, imagino que esteja doente.
é?
 Precisarei sair mais cedo porque tenho uma
consulta médica.
35. “Qualquer”, “algum” e “nenhum”
 Por que você não avisou que precisaria de ajuda?
Esse é outro trio de palavras que parecem intercambiáveis
de longe, mas têm suas diferenças de perto. O principal 39. “Por quê” e “porquê”
erro, aqui, é trocar “nenhum” por “qualquer” em frases Passemos ao próximo nível dos porquês: quando tem
negativas, já que o segundo termo não tem esse sentido. A acento e quando não tem? Separado, “por que” aparece
confusão parece vir de uma tradução ao pé da letra do com acento quando está no final da frase. Já “porquê”, junto
inglês any. Quanto ao “algum”, ele pode ser usado no e com acento, é um substantivo, podendo ser usado com
sentido negativo quando vem logo depois de um artigo (“o porquê”). Quer ver?
substantivo. Fica assim:

 Você chegou atrasado hoje e eu quero saber por


 Escreva: Não há nenhum problema. quê.
 Escreva: Não há problema algum.  Meu computador não está funcionando por quê?
 Escreva: Há um problema qualquer.  Gostaria de saber o porquê dessa algazarra.
 Não escreva: *Não há qualquer problema.
Concordância e regência
36. “Simples” e “fácil”
Achou que eram sinônimos? Pois bem, em alguns casos, 40. “Havia” e “haviam”
pode ser que algo seja simples e fácil, de modo que essas
palavras possam ser substituídas uma pela outra sem Sim, lá vem o tal “haver” de novo, mas prometemos que é
problemas. No entanto, seu significado não é bem o mesmo. sua última aparição neste post! O erro, aqui, é colocar o
Para entender melhor, vale pensar em “simples” no sentido verbo no plural quando está sendo usado no sentido de
de humilde, sem muita ornamentação, singelo. Por outro existir. É que, nesse caso, ele faz uma oração sem sujeito,
lado, fácil é aquilo que, mesmo se envolver diversos passos, não devendo, portanto, concordar com a coisa que existe ou
não demanda muita habilidade. Veja como isso é possível: deixa de existir. Quando usado como auxiliar, no entanto
(isto é, quando aparece junto com outro verbo e pode ser
substituído pelo auxiliar “ter”), o plural está liberado.
 Passar um bife é simples: basta temperá-lo e jogá-
lo na frigideira bem quente.
Veja só:
 Entretanto, conseguir deixar a carne no ponto certo
não é nada fácil: alguns minutos a mais podem
deixá-la dura e ressecada, e alguns a menos, crua.  Há três flores no jardim.
 Havia nove alunos na sala.
37. “Este” e “esse”  Eles haviam mudado de casa no ano anterior.
 Nós havíamos colocado seu nome na lista.
Já ficou em dúvida sobre dizer “este ano” ou “esse ano”?
Essa realmente é uma questão um pouquinho complicada,
mas dá para resumi-la dizendo o seguinte: “este” se refere 41. “Faz” e “falta”
ao que está perto de quem está falando, ao tempo presente Lembra-se de quando falamos da diferença entre “há” e “a”
e ao que queremos dizer a seguir. Já “esse” faz justamente e vimos que o “há” é usado para marcar uma distância em
o contrário: se refere ao que está longe de quem fala, ao relação ao passado? Pois é exatamente essa função que
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também exerce o “faz”, e como no caso do “há”, ele também preposição adotada na literatura. Mesmo assim, para não
vai ficar no singular nesse tipo de sentença, mesmo que o correr nenhum risco, a gente recomenda que você escreva
tempo que venha depois (como 7 duas ou 2 horas) esteja no assim:
plural. Por outro lado, quando usamos “faltar” para marcar
uma distância em relação ao futuro, o tempo é sujeito da
 Vou assistir a um filme hoje à noite.
oração, por isso o verbo vai poder ir para o plural.
Complicado? Não se preocupe, é só conferir os exemplos e  Vou ver um filme hoje à noite.
você vai entender:
46. “Implicar”
 Faz nove meses que mudei de cidade. Outro verbo que pode confundir até os mais experientes
 Faltam nove meses para que eu me mude quando o assunto é a regência é “implicar”. Afinal, ele pode
novamente. vir acompanhado de nada menos que três preposições
diferentes, dependendo do seu sentido na frase. Vamos ver:

42. “Tem” e “têm”  Os alunos implicaram com a professora nova. (No


sentido de não gostar)
Esse erro é bem simples, por isso não é difícil remediá-lo: é
só saber que o verbo “ter”, quando conjugado na terceira  O novo funcionário já se implicou em fofocas e
pessoa do plural (“eles” e “elas”), leva acento circunflexo. confusões. (Envolveu-se)
Fica assim então:  Grandes poderes implicam grandes
responsabilidades. (No sentido de ter por
consequência ou requisito)
 Ele tem muito dinheiro.
 Eles têm muito dinheiro.
47. “Acarretar”

A mesma regrinha também vale para o verbo “vir”: “ele vem” Um exemplo de verbo transitivo direto e indireto (que pode
e “eles vêm”. Só não confunda com “veem” como falamos vir acompanhado de um objeto com e outro sem
mais acima, ok? preposição), “acarretar” costuma aparecer incorretamente
associado à preposição “em”. No entanto, na verdade quem
o rege é a preposição “a”, e mesmo assim é opcional
43. “Mantém” e “mantêm” adicionar esse segundo objeto indireto. Veja por quê:
O caso de “manter” é bem parecido com o de “ter” e “vir”, só
que aqui, na terceira pessoa do singular (“ele” e “ela”), o  O acidente acarretou perdas [ao produtor].
verbo já leva um acento agudo, que vai então apenas se
transformar em circunflexo no plural:
Não há preposição entre “acarretou” e “perdas” (primeiro
objeto), mas ainda que haja “a” antes de “o produtor”, essa
 Ele mantém suas coisas em ordem.
parte da frase, destacada entre colchetes, é opcional,
 Eles mantêm suas coisas em ordem.
concorda?

O mesmo vale para “contém” e “contêm”!


48. “Onde”, “aonde” e “de onde”

44. “Lembrar-se de” e “lembrar” A preposição diz tudo: se “onde” é o lugar onde alguma
Trata-se aqui de um erro de regência verbal, isto é, de saber coisa está, “aonde” implica um movimento a algum lugar
quando um verbo precisa de uma preposição ou não. No (como quando usamos “ir” ou “chegar”), e “de onde”
caso, é só saber que, quando o verbo é pronominal demanda a origem de algo. Confira:
(“lembrar-se” no lugar de só “lembrar”), precisa vir
acompanhado da preposição “de”. Veja como:  Você viu onde está minha carteira?
 Não estou entendendo aonde eles pensam que
 Por favor, me lembre de agendar uma consulta vão.
médica mais tarde.  Não sei de onde veio o barulho.
 Você está se lembrando de que vamos nos
encontrar hoje? 49. “Em que” e “onde”
 Eu lembrei que você não gosta de chocolate.
Ainda da série do “onde”, é bom aprender a diferenciá-lo de
“em que”. Para quem não sabe, “onde” só serve para
Essa regra também é multiuso: se aplica da mesmíssima representar lugares físicos, enquanto “em que” pode ser
forma a “esquecer” e “esquecer-se de”, viu? usado para falar de locais mais abstratos. Isso acontece em
situações como as seguintes:
45. “Assistir”
O verbo “assistir” pode aparecer com diferentes sentidos  Ontem vi um filme em que o universo é dominado
(como presenciar algo, ajudar alguém, apoiar uma causa, por forças do mal. (O filme não é um lugar físico)
etc.), mas o problema só acontece quando ele se confunde  No filme, o lugar onde as forças do mal se
com o verbo “ver”, referindo-se a coisas como espetáculos, concentram é uma nave do tamanho e formato de
televisão, filmes, e por aí vai. Isso porque, no uso um planeta. (Ainda que não exista de verdade, a
consagrado da língua, o correto é que o objeto seja nave seria um lugar físico)
precedido da preposição “a”, mas na medida em que pode
ser trocado por “ver”, ele acaba fugindo dessa regrinha na
50. “Que” sem preposição
linguagem oral, e já começa até a ter esse uso sem a
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Quando o assunto é regência, mais um errinho daqueles No primeiro exemplo ali em cima, você deve ter reparado
que a gente comete inocentemente, quase sem se dar que “-o” apareceu em uma forma diferente: “-lo”. Pois
conta, é se esquecer das preposições na hora de usar o acontece que quando “-o” vem ligado depois do verbo (ou
“que”. Quer ver quando isso acontece? Confira se você se seja, em ênclise), ele precisa mudar de forma em dois casos
lembraria de colocar as preposições marcadas na frase a diferentes: depois de verbos que terminariam em “r”, “s” ou
seguir ou se escreveria apenas “que” no lugar dos termos “z”, quando se transforma em “-lo”; e depois de verbos que
em negrito: terminam em sons nasais (com “m” ou til), quando vira “-no”.
Confira os exemplos:
 Sua dúvida tem a ver com o assunto de que a
gente falou na aula passada.  Você terá que trazê-los amanhã. (trazer)
 Os livros de que eu mais gosto estão na parte de  Encontramo-la embaixo da mesa. (encontramos)
cima da estante.  Fi-lo sem segundas intenções. (fiz)
 Aquele homem com quem eu estava conversando  Descobriram-na por acidente. (descobriram)
ontem é o professor.  Põe-no sobre a cômoda. (põe)
 O jeito com que você disse aquilo me ofendeu.
 A história em que os protagonistas são bruxos é a 55. Mesóclise de “-lo”
melhor.
Última dica sobre “-o” para você ficar totalmente craque no
51. “Cujo” uso desse pronome oblíquo (e suas declinações, claro!):
sabia que quando ele aparece com verbos no futuro do
Outro pronome que costuma ser esquecido em prol do tão presente (tipo “farei”, “comerei”, etc.) ou no futuro do
eclético “que” é o “cujo”, equivalente a “de que”, “de quem” pretérito (tipo “adoraria”, “faríamos”, etc.) precisa ser
ou “do qual”. Você sabe quando e como deveria usá-lo nas colocado no meio do verbo e ainda aparece sempre como “-
suas frases? Então confira aqui: lo” (e declinações)? Então veja só:

 O rapaz cuja camisa é vermelha.  Venderei esses produtos amanhã. Vendê-los-ei


 A sala cujas paredes estão manchadas. amanhã.
 O filme cujo final não é feliz.  Queria sua resposta o quanto antes. Querê-la-ia o
 As calças cujos bolsos estão furados precisam ser quanto antes.
consertadas.  Conseguiremos esse dado em breve. Consegui-lo-
emos em breve.
52. “Lhe” e “o”  Você aprenderá a língua rapidamente. Você
aprendê-la-á rapidamente.
Tanto “lhe” quanto “o” são pronomes pessoais oblíquos.
Porém, enquanto o primeiro serve para substituir objetos 56. “Dele” e “de ele”
indiretos, isto é, que precisam de preposição, o segundo só
é usado para os objetos diretos, ou seja, sem preposição. Ninguém tem dúvida na hora de juntar “de” e “ele” em “dele”
Compare, a seguir, três frases com o verbo “enviar” (que ou “em” e “ele” em “nele”, certo? Mas nem sempre se deve
pode ter objeto direto e indireto), e entenda a diferença: fazer essa contração! Quando o pronome reto da 3ª pessoa
(“ele” e suas declinações) for o sujeito de um verbo no
infinitivo, a contração não vai acontecer. É o caso de:
 Enviei o resultado a seu assistente. (“o resultado”
não tem preposição, por isso é objeto direto; “ao
seu assistente” tem preposição “a”, então é objeto  O fato de ele ser o chefe não lhe dá o direito de
indireto) maltratar os funcionários.
 Enviei-o a seu assistente. (o objeto direto é  Antes de ela sair, todos estavam em silêncio.
substituído por “-o”)  O problema está em eles desobedecerem às
 Enviei-lhe o resultado. (o objeto indireto é ordens.
substituído por “-lhe”)
57. “Dele” ou “seu”
53. “Você” e “te”
Como aqui no Brasil usamos o “você” com muita frequência,
em algumas situações, podem ocorrer ambiguidades em
Na linguagem oral, apesar de a gente empregar, na maior que “dele” e “dela” ajudam a esclarecer a quem determinado
parte do Brasil, o “você” para se referir à 2ª pessoa, não é elemento se refere. Mesmo assim, quando não há risco de
raro misturarmos seu uso com o “te”, dizendo “te encontro mal-entendido, a regra é usar “seu”. Veja só:
mais tarde” a alguém que não tratamos por “tu”, por
exemplo, não é verdade? Na escrita, contudo, é bom se
lembrar de que o “te” não é o pronome que corresponde ao  Ana tem três cadernos em sua mochila.
“você” gramaticalmente, já que “você” é um pronome de  Para lidar com seus problemas, a empresa recorreu
tratamento (assim como “senhor” ou “Vossa Excelência”) e, a uma solução simples.
por isso, concorda com a 3ª pessoa no lugar da 2ª. Assim,  O homem recolheu seus pertences e foi para casa.
no lugar de “te” ou “teu”, usamos:
58. “Mim”, “me” e “eu”
 Você tem alguma dúvida? Este livro pode ajudá-lo!
Parecido com o problema de trocar “lhe” por “o” (e vice-
 Ei, você, esta não é sua carteira? versa), para solucionar a confusão entre “mim”, “me” e “eu”,
 Você quer que eu o espere? é preciso parar para descobrir qual é a função desse
elemento na oração. Se for sujeito, opte sempre por “eu”; se
54. Ênclise de “o”
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não houver preposição, use “me”; se houver preposição, segunda opção, mas é só se lembrar de que o “-se” vai
“mim” será a resposta certa. Confira: exigir o verbo no singular, ok? Repare como em todas estas
frases o sujeito não é conhecido:
 Preciso que você me envie os dados para eu fazer
a análise. (apesar do “para”, “eu” é sujeito de  Dizem que eles estão tendo um caso, mas não se
“fazer”) sabe ao certo desde quando.
 Preciso que você envie os dados para mim. (“mim”  Picharam o muro da escola. Ainda não se
é objeto indireto de “enviar”, com preposição “para”) descobriu quem foi.
 Preciso que você me envie os dados. (“me” é  Precisa-se de garçons com experiência.
objeto indireto de “enviar”, mas não há preposição)
63. Cores variáveis
59. “A maioria”
Quando o assunto é a concordância entre um nome e uma
A expressão está no singular e até tem artigo definido, mas cor, é bom saber que nem sempre a vida é tão cor-de-rosa
se o que vier depois estiver no plural (como geralmente quanto parece. Isso porque enquanto algumas cores são
está), com o que o verbo deve concordar? Nesses casos, a adjetivos, podendo concordar com o nome sem problemas,
regra é flexível: você pode escolher! Mesmo assim, para outras são substantivos, permanecendo invariáveis. Entre as
evitar mal-entendidos, nosso conselho é preferir manter o cores variáveis, isto é, que concordam com o nome em
singular, optando pela chamada concordância gramatical gênero e número, estão as seguintes:
(por oposição à atrativa, que concorda com o elemento mais
próximo). Suas frases então vão ficar assim:
 As folhas são verdes, amarelas e marrons.
 O colar tem miçangas azuis, roxas, vermelhas e
 A maioria das pessoas gosta de chocolate. brancas.
 O governo procurou atender aos pedidos que as
maiorias fizeram. 64. Cores invariáveis
 O mesmo vale para outras expressões partitivas
(como “a maior parte”, “a minoria”, “metade de”, “o As cores invariáveis são aquelas que tiram seu nome de
resto de”, etc.): outros substantivos, como rosa, cinza, gelo, açafrão, vinho,
 O restante dos trabalhadores ficará por aqui. ferrugem, etc. Assim, ao empregar essas cores, não há
variação, independentemente do número e gênero do nome
que elas qualificam:
60. Porcentagens
Outra dúvida parecida é esta aqui: na hora de concordar um  Passe-me essas almofadas vinho e malva.
verbo com um sujeito em que há uma porcentagem, em que  Experimente essas pulseiras cinza com aqueles
você deve se basear, no número ou no substantivo? A lenços creme e pastel.
resposta é que o substantivo sempre vai mandar mais que o
número, a não ser que haja um artigo antes da porcentagem
ou que o número seja de apenas 1%. Fica assim: 65. Cores compostas
Além das cores invariáveis e variáveis, outro tipo de palavra
 40% das pessoas concordaram que Matemática é costuma deixar qualquer um encucado na hora de fazer a
difícil. concordância: as cores que formam palavras compostas.
 Entre 10 e 15% dos candidatos do concurso Felizmente, a regra é simples: só as cores em que não há
erraram a questão. nenhum substantivo flexionam, e apenas o segundo termo
da palavra faz a concordância. O que acontece, portanto, é
 Apenas 1% dos investimentos teve retorno.
o seguinte:
 Os 30% que discordaram da ideia se retiraram da
sala.
 Vou encomendar essas flores vermelho-claras e
estas azul-turquesa.
 Gostaria de levar as peças cor de goiaba e
castanho-escuras.
61. “Um dos”
 O tratamento é feito com ajuda de raios
E quando juntamos singular e plural com a expressão “um infravermelhos e ultravioleta.
dos que” (ou “uma das que”), com quem o verbo deve
concordar? Com o plural! Veja: 66. Azul-marinho e azul-celeste
A exceção à regra anterior? Esses dois. Embora sejam
 O jogador foi um dos que mais se destacaram compostos exclusivamente por adjetivos, “azul-marinho” e
nessa Copa. “azul-celeste” permanecem invariáveis em qualquer
 Esse filme é um dos que menos chamaram a contexto:
atenção no Oscar.
 Suas roupas eram feitas com faixas azul-marinho.
62. Sujeito indeterminado
 Placas azul-celeste indicavam o caminho até o
O sujeito indeterminado aparece quando não sabemos centro.
quem executa a ação ou, ainda, quando não há necessidade
em sabê-lo. Quando isso acontece, há duas opções Acentuação
possíveis para a conjugação do verbo: na 3ª pessoa do
plural (eles); ou do singular (ele) com o verbo acompanhado
do pronome “-se”. A dúvida, geralmente, aparece mais na 67. “À”
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Ao escrever ou mesmo falar, você tem alguma dúvida sobre estiver em “oi” e “ei” e ainda houver alguma sílaba depois
quando usar “ao” (como em “vou ao supermercado”)? Então disso, não coloque acento:
pode ficar tranquilo, porque o “a” com crase nada mais é que
a versão feminina de “ao”! Afinal, se “ao” é “a” (a preposição)
 Ideia (i-de-ia);
mais “o” (o artigo), “à” é exatamente a mesma coisa, só que
com o artigo feminino.  Paranoia (pa-ra-no-ia);
 Estreia (es-tre-ia);
Ou seja: na dúvida, substitua a palavra (que, claro, tem que  Joia (jo-ia);
ser feminina) que você não sabe se precisa preceder de “à”  Jiboia (ji-bo-ia).
por um substantivo masculino e confira se deveria dizer “ao”.
Se sim, não tenha medo da crase: 72. Oxítonas em “oi” e “ei”
Entendeu agora por que “ideia” não leva mais acento? Joia!
 Assine nossa newsletter na coluna à esquerda. Mas antes que você saia tirando todos os acentos das
 Desligue o celular quando estiver à mesa. palavras com “oi” e “ei” que conhece, não se esqueça de
 Gostaria de pedir uma pizza à moda da casa. que aquela regrinha só vale para as paroxítonas. Palavras
oxítonas (com a tônica na última sílaba da palavra)
continuam acentuadas, ok? Confira:
68. Crase antes de nome de lugar
Em geral, não se usa crase antes de nome próprio, no
 Herói (he-rói);
entanto, “à” pode ter que ser empregado antes de nomes de
lugar que vêm usualmente acompanhados de artigo  Dói (dói);
feminino, sabia disso? Veja alguns exemplos e entenda:  Papéis (pa-péis).

 Meu sonho é ir à França. (colocamos artigo 73. O trema


feminino antes de França) Outra novidade trazida pelo Acordo Ortográfico é a perda do
 Meu cunhado foi à Argentina no mês passado. trema (sim, “trema” é um substantivo masculino) em
(colocamos artigo feminino antes de Argentina) palavras como “cinquenta”, “linguiça”, “frequência”, etc.
 Nunca fui ao Japão. (usamos artigo masculino para Agora, elas só aparecem em palavras de origem estrangeira
Japão) e seus derivados: como Dürer e düreriano, por exemplo.
 Nessas férias, irei a Portugal. (não usamos artigo Veja só:
antes de Portugal)
 Max Müller foi um linguista, orientalista e mitólogo
69. “Àquele” alemão.
 A obra mülleriana The sacred books of the East tem
Agora que você entendeu a lógica por trás da crase em “à”,
cinquenta e um volumes.
saiba que ela também pode aparecer em “aquilo”, “aquele” e
“aquela” quando essas palavras precisarem ser precedidas
da preposição “a”. Assim, na união dos dois “As” (da 74. Verbos com pronome em ênclise
preposição e do pronome), surge de novo a crase: Sabe aqueles verbos no infinitivo que perdem a última letra
quando vêm antes de “-lo”, como vimos ali em cima? Pois
 Seu discurso fez referência àqueles de seus então: depois de serem contraídos, eles sempre levam
predecessores. (fazer referência a algo) acento na última sílaba. A exceção são os verbos
 Assistimos àquilo horrorizados. (assistir a algo) terminados em “ir” que não têm acento no “i” quando
 Prestaram socorro àquela pessoa imediatamente. conjugados no presente do indicativo na 1ª pessoa do plural
(prestar socorro a alguém) (nós). Complicado? Os exemplos vão ajudar você a
entender:

70. Palavras proparoxítonas


 Excluí-lo (nós excluímos);
Para quem não sabe, palavras proparoxítonas são aquelas  Destruí-lo (nós destruímos);
cuja tônica fica na terceira sílaba de uma palavra, contando
 Despi-lo (nós despimos);
da direita para a esquerda, isto é, da última para a primeira
sílaba. Pois absolutamente todas as palavras assim têm um  Apagá-la;
acento exatamente nessa sílaba, quer ver? Cheque esses  Vendê-los.
exemplos e faça as contas:
75. “Álcool” e “alcoólico”
 Dúvida (dú-vi-da); Como última dica sobre acentuação, vale chamar a atenção
 Família (fa-mí-li-a); para duas palavrinhas que costumam gerar certa
 Referência (re-fe-rên-ci-a); insegurança em sua ortografia: “álcool” e “alcoólico”. Para
 Anônimo (a-nô-ni-mo); não errar, lembre-se de que todas as duas são
 Pirâmide (pi-râ-mi-de). proparoxítonas, por isso precisam de acento na terceira
sílaba contada da direita para a esquerda! Confira:

71. Paroxítonas em “oi” e “ei” na nova ortografia


 Ál-co-ol;
Talvez você não se lembre disso, ou talvez não saiba ainda  Al-co-ó-li-co.
que a regra mudou, mas as palavras paroxítonas (com a
tônica na segunda sílaba da direita para a esquerda) com
ditongos abertos em “oi” e “ei” perderam o acento que
tinham antes do novo Acordo Ortográfico. Assim, se a tônica
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Pontuação  Dentro desta caixa, guardo alguns clips
enferrujados, retratos da minha infância (roubados
76. Vocativo de um álbum de fotos da minha avó), uma meia
sem pé e outras lembranças.
O vocativo é um termo isolado do resto da oração, que serve  Para montar o bolo coloque o primeiro disco de
para se dirigir ao interlocutor ou chamar a pessoa (ou massa sobre o prato, cubra com o recheio — que já
pessoas) com quem você está falando. E justamente por deve ter esfriado —, acrescente o segundo disco
não ter relação com outras partes da frase, esse elemento de massa e finalize com a cobertura.
precisa vir separado do restante por vírgulas. Veja que
diferença faz:
80. “Etc.”

 Isso vai ser um problema pessoal. (sem vocativo) E quando a enumeração termina com o velho e bom “etc.”?
Nesse caso, cabe sempre colocar uma vírgula logo antes
 Isso vai ser um problema, pessoal. (com vocativo)
dessa palavrinha, ok? Além disso, saiba que não é preciso
 Você já conheceu minha amiga Ana? (sem duplicar o ponto final nas frases terminando com “etc.”, não
vocativo) se deve usar reticências após a expressão e, ainda, não se
 Você já conheceu minha amiga, Ana? (com deve colocar “e” antes dela, apenas a vírgula! Veja aqui:
vocativo)
 Trouxe lápis, borracha, papel, etc. para podermos
77. Aposto escrever.
Outro elemento que deve sempre vir isolado por vírgulas em  Compre todo o necessário para o café da manhã:
uma oração é o aposto, que serve para inserir uma pequena pão, manteiga, café, leite, etc.
explicação dentro de um período. Ele é algo dispensável  As cores cujos nomes derivam de outro substantivo
(que, quando retirado, permite que a frase continue fazendo (rosa, turquesa, goiaba, etc.) são invariáveis.
sentido) e pode ser composto por uma palavra só ou mesmo
uma oração inteira: 81. Orações conclusivas
As orações conclusivas são aquelas em que há conjunções
 Leon Tolstoi, autor de Guerra e Paz, nasceu em
ou locuções como “portanto”, “logo”, “assim”,
1828.
“consequentemente”, “por conseguinte”, “assim sendo”, etc.
 Ana, que já tinha terminado o dever, saiu para Em todas elas, é preciso destacar a conclusão por meio de
brincar lá fora. vírgulas, seja logo antes da conjunção (à sua esquerda) ou
 A diretora da empresa, Maria, se pronunciou hoje mesmo depois dela. Quer ver como fica?
sobre o assunto.
 Estou aprendendo, logo ainda cometo erros.
78. Enumeração em itens
 Não gosto de flores. Assim sendo, não me
Principalmente ao escrever para a web, as enumerações em presenteie com elas.
bullet points são bastante populares, mas você sabe com  Não sei se teremos dinheiro de sobra no final do
que pontuação terminar cada um dos itens? Há duas ano. A princípio, então, não viajaremos.
opções: o ponto final ou o ponto e vírgula. Veja como  Não sabia de qual deles você gostaria mais, por
funciona a primeira: isso trouxe todos.

 É mais recomendada para frases longas, com 82. “Pois” conclusivo ou explicativo
vírgulas e pausas dentro de cada item.
“Pois” pode funcionar como conjunção explicativa, quando
 Nela, o ideal é começar com letra maiúscula a cada
pode ser substituído por “porque” (junto!), ou como
nova linha.
conjunção conclusiva, no sentido de “portanto”, “assim”, etc.
No primeiro caso, a vírgula antes da conjunção é opcional,
Na segunda opção, você pode: mas no segundo, é obrigatório que o termo venha isolado
por vírgulas na oração e ainda apareça logo depois do
 usar itens mais curtos; verbo. Entenda:
 escolher entre começar cada item com letra
maiúscula ou com minúscula;  Não trouxe guarda-chuva, pois estava fazendo sol.
 separá-los por ponto e vírgula; (vírgula opcional, sentido de “porque”)
 e finalizar o último com ponto final.  Vim mais cedo, pois fiquei com medo de perder o
ônibus. (vírgula opcional, sentido de “porque”)
79. Enumeração dentro de um mesmo período  O rapaz estudou muito para a prova. Recebeu,
pois, uma nota excelente. (vírgulas obrigatórias,
Já nas enumerações que acontecem dentro de um mesmo sentido de “portanto”)
período, ou seja, onde não há bullet points, o ideal é separar  Estou ocupada agora. Não quero, pois, lidar com
cada item apenas por vírgula, unindo os dois últimos por “e”. interrupções. (vírgulas obrigatórias, sentido de
Nesse caso, não pode haver vírgula entre o último e o “portanto”)
penúltimo item, ok? Se precisar acrescentar informações
entre um item e outro, use mais vírgulas, parênteses ou
83. Orações adversativas
travessão. Confira:
As orações adversativas são aquelas em que há um
 Maria tem em sua mochila um lápis, dois cadernos, contraste ou uma oposição entre uma frase e outra,
três canetas, uma borracha e um livro. marcadas por conjunções como “mas”, “todavia”, “porém”,
“entretanto”, etc. Nelas, deve haver uma vírgula (ou ponto
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final) à esquerda, ou duas vírgulas em torno da conjunção. deve colocar uma vírgula entre um e outro, por mais longo
Confira: que o sujeito seja. Confira:

 Não é meu sabor favorito, porém também não é  A ausência de vírgulas entre o sujeito e o predicado
aquele de que menos gosto. de uma oração é uma regra na língua portuguesa.
 Queria ter corrido. Mas minhas pernas estavam  A existência de vírgulas entre o sujeito e o
fracas demais. predicado, a não ser em caso de elementos que
 Segui as instruções à risca, no entanto, nada podem ser retirados da oração sem prejuízo para a
funcionou. mesma, é proibida no português.
 Gostaria de poder dizer que sim, mas sabemos que
isso não seria verdade. Outros

84. “Mas sim” e “e sim” 88. Gramas


Quando usamos as expressões “mas sim” e “e sim” (assim Todo mundo concorda que “grama” pode se referir tanto ao
como “senão” junto), não é obrigatório, mas pode ser gramado sempre mais verde dos seus vizinhos quanto ao
interessante precedê-las de vírgula para marcar o contraste peso do presunto fatiado que você compra na padaria,
entre os dois elementos que você está colocando em certo? Mas o que você talvez não saiba é que, se no
oposição. Veja se não concorda: primeiro caso a palavra é feminina, no segundo (a medida),
ela é masculina, igual quilograma! Observe:
 Não quero esta cor, mas sim aquela.
 Não são eles que receberão o benefício, e sim as  Não chove há tanto tempo que a grama está até
pessoas ao seu lado. amarelando.
 No caso de “e não”, a vírgula é totalmente optativa:  De quantos gramas de queijo você precisa?
 Quero esta cor e não aquela.  São necessários duzentos gramas de manteiga
 Quero esta cor, e não aquela. nessa receita.

85. “Isto é” e “ou seja” 89. Redundância


Elementos explicativos, dentre os quais podemos destacar Não é raro que a gente às vezes use, na linguagem oral,
“isto é”, “ou seja”, “digo”, “vale dizer”, “por assim dizer”, “isto alguma forma de enfatizar uma expressão sem que haja
sim”, “a propósito” e “ou melhor”, entre outros, também alguma mudança real no seu significado. Porém, na hora de
precisam ficar isolados na oração. Veja só: escrever, seja para a web ou outro meio de comunicação,
evite esse recurso, já que ele pode pegar mal. Confira
algumas redundâncias comuns das quais você deve fugir:
 Esta super-heroína, diga-se de passagem, está
entre as mais poderosas desse universo.
 Ler sobre a linguagem e estudar para melhorar  “A grande maioria”;
sempre, isto sim, é ser um bom redator.  “Subir para cima” ou “descer para baixo”;
 “Sair para fora” ou “entrar para dentro”;
86. “Bem como” e “assim como”  “Planejar antecipadamente”.
Geralmente, essas duas expressões (e “como”, quando
usado no mesmo sentido) assumem na frase a mesma 90. “Semirreta” e “inter-regional”
função da conjunção “e”, de modo que não se coloca vírgula Talvez você já esteja por dentro das mudanças que a nova
nem antes nem depois delas. Contudo, quando contribuem ortografia trouxe para a hifenização de palavras, mas você
para adicionar um sujeito à oração, sem que o verbo seja sabe por que aquelas duas ali são escritas de maneira
por ele modificado, vêm entre vírgulas. Fica assim: diferente? A questão é que as regrinhas que mandam
nesses dois casos são bem diferentes:
 A professora, como seus alunos, saiu da sala
apressadamente.  Na primeira, trata-se de dobrar o “r” de “reta” ao
 A professora como seus alunos saíram da sala adicionar um prefixo que termina em vogal (no
apressadamente. caso, “semi”). O mesmo acontece com palavras
 O padre, assim como os fiéis, fez o sinal da cruz. começadas com “s” e adicionadas de prefixo
 O padre assim como os fiéis fizeram o sinal da terminado em vogal: monossilábico,
cruz. autossatisfação, minissaia, etc.
 Já a regra que manta separar “inter” e “regional”
por hífen é a que diz que palavras compostas cujo
Perceba que quando há vírgula, além de o verbo concordar
primeiro termo termina com a mesma letra com que
apenas com o primeiro sujeito, a impressão é de que as
começa o segundo devem ser hifenizadas. É o
ações não necessariamente foram realizadas ao mesmo
caso, ainda, de: micro-ondas, sub-bibliotecário,
tempo, concorda?
anti-imperialista, e por aí vai.

87. Vírgula entre sujeito e predicado


91. Plural de substantivos compostos
Para finalizar, vamos a um dos maiores pecados quando o
Por falar em hífen, já te aconteceu de ter que passar um
assunto é pontuação no português: separar, em uma
substantivo composto para o plural e você não saber se
oração, o sujeito do predicado por vírgula. Embora seja
coloca “s” no final dos dois elementos, só do último ou só do
possível inserir elementos entre vírgulas no meio dos dois
primeiro? Pois agora vamos solucionar esse mistério:
(como o aposto, vocativo ou as orações explicativas), não se
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 Os dois termos são flexionados quando são: ou Essa é fácil: a expressão “ao meu ver” simplesmente não
dois substantivos ou um substantivo e um adjetivo. existe. Simples, né?
É o caso de: criados-mudos, couves-flores, obras-
primas, carros-chefes, etc.  A meu ver, os resultados foram satisfatórios.
 Só o substantivo flexiona quando a palavra é
composta por um substantivo e um verbo. Estamos
97. “Há alguns anos atrás”
falando de: guarda-chuvas, porta-copos, para-
brisas, guarda-roupas, etc. Essa frase é redundante. Há duas maneiras corretas para
 Só o primeiro elemento flexiona nas palavras relatar eventos do passado:
compostas unidas por preposição (com ou sem
hífen): pés de moleque, pães de ló, pimentas-do-
 Eu a conheci há dez anos.
reino, cravos-da- índia, e assim por diante.
 Eu a conheci dez anos atrás.
 Exceções (achou que não ia ter?!): arco-íris,
mapas-múndi e ave-marias, entre outros.
98. “Ratificar” e “Retificar”
92. Plural de adjetivos compostos Ambos os verbos, muitas vezes, são utilizados com
semântica oposta, fazendo deste um erro muito cometido. O
Não se desespere! O plural dos adjetivos compostos não é
termo “ratificar” implica confirmação, comprovação. Já
tão complicado quanto o dos substantivos. Nele, a regra é
“retificar” significa corrigir.
única: só o último elemento flexiona, independentemente de
haver hífen ou aglutinação. Dê uma olhada:
 Após analisar os dados, ratifico tudo que disse
antes.
 Populações afro-americanas.
 Após analisar os dados, retifico algumas falhas não
 Questões político-econômicas.
percebidas antes.
 Fatores histórico-culturais.
 Práticas socioambientais.
99. “Mas” e “Mais”

93. “No qual”, “o qual”, “do qual”, “pelo qual” Muitas pessoas confundem esses termos, já que suas
grafias são muito semelhantes. “Mas” é uma conjunção
O pronome “qual” traz problemas para muita gente, adversativa, e pode ser substituído por “porém”. “Mais”, por
principalmente por vir sempre precedido por preposição sua vez, é um advérbio de intensidade.
(pelo qual, do qual, no qual) ou por artigo (o qual). Uma dica
interessante é contar o número de sílabas da preposição: se
forem duas ou mais, usa-se “qual”, e não “quem” ou “que”.  Fui até o local indicado, mas não encontrei Paulo.
Por exemplo:  Paulo deveria ter sido mais claro.

 Falamos sobre um assunto importante. O assunto 100. “Trás” e “Traz”


sobre o qual falamos é importante. Embora sejam palavras foneticamente semelhantes, há
 Ele passou por uma situação difícil. A situação pela diferenças em sua utilização. “Trás” é sinônimo de parte
qual ele passou foi difícil. posterior, enquanto “traz” é a conjugação do verbo “trazer”.
 Esta é uma estátua antiga, a qual foi construída há
100 anos.
 Olhei para trás e vi duas pessoas me perseguindo.
 Estes são os livros sobre os quais lhe falei ontem.
 Todas as quintas, ela traz bolinhos e chá.

94. “Medeia”, “anseia”, “incendeia”


101. “Para eu” e “Para mim”
Há uma dica simples para nunca mais errar a conjugação
“Para eu” deve ser utilizado quando o sujeito for seguido de
dos verbos irregulares. Existem apenas quatro deles:
qualquer verbo no infinitivo, indicando uma ação. Já “para
mediar, ansiar, incendiar e odiar. Portanto, basta compará-
mim” é um pronome pessoal oblíquo, e sempre precedido de
las com o verbo “odiar”. Por exemplo:
preposição. Ou seja, como complemento de uma oração.

 Jonas medeia todos os debates das reuniões.


 Preciso fazer compras para eu comer.
 Ainda anseio por um encontro com ele.
 Ela olhou para mim e sorriu.
 As festas de carnaval incendeiam as ruas da
cidade.
102. “Encima” e “Em cima”
95. “Através” e “Por meio de” Outro erro de português muito comum se refere aos dois
termos acima. Ambos existem, mas enquanto o primeiro
“Vou buscar meus direitos através dos meios jurídicos”: essa vem do verbo “encimar”, o segundo significa que algo está
frase está incorreta, e você provavelmente já ouviu alguém em um lugar mais alto que o outro.
utilizar esse termo de maneira errônea. Isso porque
“através” explicita a ideia de atravessar. Por exemplo:
 O boné encima a cabeça do homem.
 Os quartos ficam em cima da casa.
 Ela olhava atentamente através da janela.
 Venho, por meio desta carta, solicitar uma reunião.

96. “A meu ver” e “Ao meu ver”