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1. INTRODUÇÃO

Nos anos de 1980 a administração pública passou por uma série de


modificações essenciais nas políticas de gestão pública (PGPs) e no
arcabouço das organizações. Essas mudanças deram origens a discursos
ideológicos provindos do setor privado, tal magnitude de reformas deu origem
as ondas de modernizações que tiveram como causas principais a crise fiscal
do Estado, a competitividade das instituições privadas, a europeanização.

Diante de tantas mudanças no âmbito tecnológico e essencialmente


ideológico o modelo burocrático foi contestado e considerado impróprio
naquele contexto institucional contemporâneo presumido sua morosidade,
ineficácia e estilo autocentralista.

E então os modelos da administração gerencial (AGP) e o governo


empreendedor (GE) foram apresentados como alternativa ao modelo
burocrático. A administração pública gerencial (AGP) e o governo
empreendedor (GE) são modelos organizacionais que incorporam prescrições
para a melhora da afetividade da gestão das organizações públicas. O
movimento da governança (GP) se traduz em um modelo relacional porque
oferece uma abordagem diferenciada da conexão entre o sistema
governamental e o ambiente que circunda o governo.

Um debate acadêmico dessa natureza é de fundamental importância


para toda sociedade, pois somos cidadãos e pertencemos a uma destas
organizações quer seja pública ou privada e sofreremos inevitavelmente os
reflexos destas transformações institucionais e sociais, esta discussão também
nos permite compreender a linha do tempo em que cada modelo organizacional
prevaleceu e que fatos históricos contribuíram para o desenvolvimento teórico
de seu arcabouço sistemático.

O modelo burocrático tem como principais características a


especialização, o exercício da autoridade racional-legal, onde o poder emana
das normais institucionais formais sendo que o chefe decide e faz saber a
sua decisão, até aqui falamos de aspectos que de certo modo são negativos e
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que pouco nos serve de lição, mas a burocracia possui outras características
como: a formalidade, a impessoalidade e o profissionalismo. Esta qualidade é
relevante, pois o modelo burocrático visa à equidade, a competição justa, a
meritocracia significa, o profissional que chega aos melhores cargos é por
mérito, capacidade técnica e conhecimento, e não for favoritismo, nepotismo,
troca de favores e tráficos de influência.

Já o gerencialismo é composto por dois modelos de administração


pública: a administração pública gerencial (APG) e o governo empreendedor
(GE) ambos compartilham de valores como produtividade, descentralização,
orientação ao serviço, eficiência na prestação de serviços, mercantilismo e
responsabilização (accountability).

O discurso a despeito desse modelo organizacional é proveitoso e de


grande valia e leva-nos a pensar de forma crítica (insight) por se tratar de um
texto com teor filosófico recheado de palavras rebuscadas e conceitos
intrigantes. Para alguns autores o gerencialismo é um movimento limitado ao
tempo e espaço, outro diz que se trata de um conjunto de ferramenta e não
uma ideologia, tendência ou movimentos, outro ainda defende que é o APG é
uma filosofia de administração e etc...

A Governança pública é debatida em aspectos conceituais visto que


existe muita polêmica quanta a sua aplicação. O termo governance tem
significado ambíguo e é usado com diversos sentidos dependendo do contexto
que esta inserido, por exemplo, na contabilidade refere-se a um conjunto de
princípios básicos que objetivam aumentar o controle por parte de stakeholders
(parte interessada). Mas neste artigo, especificamente, a sua interpretação
deriva das ciências políticas e da administração pública, como um modelo entre
autores públicos e privados no processo de elaboração de políticas públicas.

O resumo, onde se comprara os modelos organizacionais é o clímax, é


um instante onde devemos dá uma maior atenção, pois é daí que extraímos as
nossas considerações. Percebemos que o principal elemento comum desses
modelos é a preocupação com a função de controle, a clara distinção entre os
três modelos em estudo é visível na forma de tratamento do cidadão, o
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modelo burocrático e os modelos gerenciais são iguais na manutenção


da distinção Wilsoniana quando entramos em contexto entre política e
administração pública. A separação entre política e administração é
evidente no modelo burocrático Weberiano em que a construção da
agência pública é vista totalmente como de responsabilidade da
administração. No gerencialismo, a responsabilidade por completo
sobre os resultados das políticas públicas é de responsabilidade dos
políticos.

2. DESCRIÇÃO DO ASSUNTO

O presente trabalho sobre os modelos organizacionais foi realizado a


partir de uma extensa pesquisa em livros científicos e na literatura de
administração pública publicada na Europa e nos Estados Unidos, faz uma
comparação entre os modelos organizacionais que tem servido como fonte de
inspiração para modelos de estruturas e processos nas recentes reformas na
administração pública. Os modelos organizacionais analisados e comparados
são: O burocrático, a administração pública gerencial, o governo empreendedor
e a governança pública.

No tópico modelo burocrático dá um panorama histórico caracterizando


o modelo burocrático weberiano conhecido na literatura inglesa como
progressive public administration. As bases da democracia foram
definitivamente construídas após a morte de Max Weber em 1922, com a
publicação do livro economia e sociedade.

Neste tópico, também são descritas as características da burocracia


entre as quais são: o exercício da autoridade racional-legal, especialização,
controle, formalidade, impessoalidade, profissionalismo e sobre tudo o
racionalismo.

No tópico gerencialismo, os autores descrevem as características do


(APG) e do (GE) que neste artigo são tratados como subdivisões do
gerencialismo, tais modelos compartilham valores de produtividade orientação
ao serviço, descentralização, eficiência na prestação de serviço e também trata
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do conceito da administração pública gerencial que é também chamada nova


gestão (New Public Management). É relevante relatar que os autores divergem
em relação ao seu conceito. De acordo com Barzelay a administração pública é
um debate acadêmico e profissional sobre as políticas de gestão pública. E
outros dizem ainda que APG é um conjunto de ferramentas e não uma
ideologia, tendência ao movimento.

No tópico, governança pública, o termo governança é definido por


diversos autores nos diversos contextos e situações, deliniam também os fatos
impulsionadores do movimento governança (GP), descrevendo suas
discordâncias, semelhanças, e outrora, aludindo suas ideologias, causas, fatos
e/ou acontecimentos nos cenários institucionais e políticos. (VER QUADRO
COMPARATIVO EM ANEXO).

O tópico (Comparando modelos organizacionais: continuidade ou


descontinuidade). Constitui de um relatório comparacional mais enxuto onde
são enumeradas as características essenciais dos modelos organizacionais
suas semelhanças e diferenças, e com base nessas comparações é elaborado
um quadro comparativo destas caracteristicas básicas. (EM ANEXO).

3. ANÁLISE CRÍTICA

O artigo dá uma visão panorâmica sobre as formas de governos


começando pelo relato histórico dos pertinentes modelos de administração, em
se tratando de um trabalho que se propõe a comparar tais modelos penso que
se deixou a desejar! Deveria dá se mais ênfase as características de cada
modelo de administração pública confrontando as diferenças essenciais, e tais
questionamentos deveriam feitos: o que deu origem ao modelo burocrático e
de que necessidade partiu, diga-se de passagem, o combate aos excessos do
patrimonialismo foi o principal fator que deu causa ao surgimento da burocracia
(VIANA, 2005). Qual a definição de burocracia? Qual a base fundamental do
modelo burocrática, qual a função da burocracia? Tais perguntas são
essenciais e deveriam ser respondidas.

O texto caracteriza a burocracia como inadequada, se é assim definida o


que a faz imprópria, então obviamente se deveria comentar com mais ênfase
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as causas, os fatores para tal inadequação. O texto faz uma análise ultra
genérica não dá para identificar o ambiente político das indagações, isto é o
contexto geográfico da discussão a despeito de tais modelos, também senti a
falta de um comentário sobre a reforma no contexto brasileiro, é observável
que quanto a metodologias foram utilizados livros e artigos científicos
largamente publicados e divulgados na Europa e nos Estados Unidos
especificamente, esse debate se situa no contexto internacional da reforma do
aparelho do Estado, que teve início na Europa e nos Estados Unidos. Para
uma melhor compreensão desse movimento é preciso levar em consideração
que fato está diretamente relacionado com o gerencialismo ideário que
floresceu durante os governos de Margareth Thatcher e de Ronald Reagan.
(PAULA, 2006)

Penso que no tópico 2. Empenhado a descrever sobre o modelo


burocrático. Além de descrever sobre seu momento histórico e ápice no século
XX deveria se fazer um comentário sobre a importância da burocracia na
estrutura organizacional e seus dilemas segundo weber, se até aquele
momento ela estava sobrevivendo quais os pressupostos que a mantinha viva,
o que se constata é que o redator prende-se em elaborar conceitos e o faz
de forma abundante e por que não dizer de forma prólixa e às vezes
desnecessária ao em vez disso poderia se falar sobre a trajetória do modelo
burocrático passando pelo combate ao patrimonianismo até suas limitações e
crises, dentre outros. Também se poderia argumentar sobre as mudanças
propostas a administração burocrática tendo em vista os movimentos de
reforma administrativa e o discurso da Nova Administração Pública; as
perspectivas sobre a existência de um suposto modelo pós-burocrático de
gestão, visualizado sob o enfoque da teoria organizacional.

No tópico 3 onde se propõe discursar sobre o gerencialismo parece mais


uma vez fugir aos objetivos propostos a despeito do trabalho onde a proposta é
de se fazer uma comparação entre os modelos organizacionais e relacionais
que dão inspiração a forma de estruturas e processos na administração
pública, o que se nota é um vislumbre conceituais do modelo gerencialista sem
a devida preocupação em comparar suas características, aliás, quando a faz se
é de maneira inoportuna no instante em que compara o gerencialismo ao
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modelo do governo empreendedor ao expor que ambos modelos compartilham


os valores de produtividade; orientação ao serviço, descentralização, eficiência
na prestação de serviços etc.

A partir deste ponto se faz oportunamente uma contextualização


histórica do gerencialismo ou nova gestão pública (new public management)
que é um modelo pós-burocrático para estruturação e gestão da administração
pública fundamentada em valores de eficiência, eficácia e competitividade, e
subseqüentemente descreve os pontos de vista de vários autores renomados e
peritos no assunto, dentre estes, o comentário de Hood e Jackson (1991) é
bem interessante ao defender a APG como um argumento filosófico em que
suas doutrinas e prescrições de ações não são apenas teorias, mas receitas
para serem aplicadas na gestão e no desempenho das organizações públicas,
mas tarde Hood (1995-1998) endossa a discussão enumerando o conjunto de
prescrições operativas da APG:

Desagregação do serviço público em unidades especializadas, e centros


de custos;
Competição entre organizações públicas e entre organizações públicas
e privadas;
Uso de práticas de gestão provenientes da administração privada;
Atenção à disciplina e parcimônia;
Administradores empreendedores com autonomia para decidir;
Avaliação de desempenho;
Avaliação centrada nos outputs

Achei conveniente que a partir deste ponto o redator passa a descrever


sobre o governo empreendedor tendo como referência o livro Reinventando o
governo, escrito por Osborne e Gaerbler em 1992, é justificável, pois o governo
empreendedor parece mais um ideário de um modelo de governo, e como o
próprio texto diz trata-se de uma abordagem que foi inspirada na teoria
administrativa moderna, trazendo para os administradores públicos a
linguagem e ferramentas da administração privada contida em livros como
práticas de governo desenvolvido em grande escala nos Estados Unidos.
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No tópico 4 onde se fala sobre governança pública o autor descreve


brilhantemente ao ampliar suas conceituações sobre o termo governança visto
que é susceptível as discrepâncias e que possuem várias definições que
muitas das vezes pode causar mau entendimento e contestações aos leitores
desatentos, ainda ao meu modo de ver deveria ser feita uma análise entre
governabilidade e governança visto que são frequentemente utilizadas dentro
desse assunto e conforme Caio Marcio são duas coisas diferentes (MARCIO,
1995).

Subseqüentemente faz-se uma exaustiva exposição sobre a governança


em vários aspectos: etimologia da palavra, o contexto gramatical, geográfico,
social, político, histórico e econômico. O ponto crítico é o estrangeirismo, o uso
de palavras e/ou outros idiomas (na língua inglesa) tais como stakeholders,
framework, accountability que são essenciais neste contexto, mas que em
minha opinião necessitam de notas de rota-pé e explicações extras. Daí por
adiante se expõe os vários conceitos de diferentes autores a despeito de
governança, e que tenho para mim que esta coxa de retalhos, este compêndio
de informações, de certa maneira só vai dificultar as interpretações e a
absorção das idéias principais concernente ao tema em pauta.

No tópico 5, comparando modelos organizacionais: continuidade ou


descontinuidade? Parece ser bem sugestivo e num relance dá a entender que
tem sido elaborado com a pretensão de levar o leitor a escolher esse ou aquele
modelo organizacional como apropriado a determinada gestão administrativa,
mas se examinarmos minuciosamente veremos que existe uma possível
incoerência, o conteúdo na sua essência mais parece um resumo a despeito do
tema em questão (modelos organizacionais e reformas da administração
pública), aliás nas primeiras linhas o autor elabora uma problemática, um
comentário, que a meu ver é inoportuno e desnecessário, que é a questão de
tratar o modelo de forma fragmentada e isolada, é obvio que ao tratar qualquer
coisa dessa maneira trará distorções e más interpretações.

O referido tópico descreve cada modelo organizacional caracterizando-


os, ora! Mostrando seus pontos comuns ora! Descrevendo suas distinções e
diferenças, portanto, a elaboração deste subtítulo deixa a desejar e ficaria
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melhor se fosse colocado dessa forma: “Modelos organizacionais: suas


diferenças e semelhanças.

4. CONSIRAÇÕES FINAIS

O documento intitulado modelos organizacionais e reformas da


administração pública é um texto complexo baseado numa extensa bibliografia
estrangeira e descrito numa linguagem tergiversada, prolixa e subjetiva, neste
sentido, é ideal para discussões e debates acadêmicos. Esta maneira de tratar
um assunto subjetivamente permite construirmos muitas perguntas e
indagações a despeito do tema em questão, e se atentarmos minuciosamente
para os detalhes observamos que não existe uma ruptura total desses modelos
em dado momento histórico, conseqüentemente não podendo ser tratado de
forma isolada e descontextualizada, pois, eles estão intrinsecamente
relacionados.

Além disso, entre instituições e dentro de uma mesma empresa, o


pesquisador estudante pode achar ainda diferentes níveis de
entendimentos dos diversos modelos organizacionais. A inquirição a
despeito da adoção de modelos organizacionais deve averiguar
continuidades e descontinuidades dos modelos em diferentes unidades
organizacionais, níveis hierárquicos e regiões geográficas.

Questionamentos de pesquisa que parecem estar distantes de


serem respondidas na realidade do Brasil. Até que ponto as reformas da
administração pública foi colocado em prática? Em quais níveis
organizacionais e de decisão o proclamado aumento da discricionariedade
dos gerentes vem ocorrendo? Para que tipo de decisão os gestores
mediadores usufrui de liberdade (discricionariedade em como fazer ou
discricionariedade no que fazer)? Há verdadeiramente uma transição de
mecanismos de controle em beneficio de mecanismos ex post, a despeito
de controles de processo?

Tais perguntas parecem esta fora da compreensão e o trabalho


de pesquisa de campo poderá respondê-las adequadamente nos entes
federal, estadual e municipal, nas várias áreas de políticas públicas e nas
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diversas regiões do país. Dessa maneira, são de grande relevância para


o acúmulo de conhecimento a elaboração de estudos comparativos, a
criação de projetos entre as instituições que estudam as questões, e a
pesquisa usando a gramática e os escopos analíticos já escritos no
âmbito da administração pública e políticas públicas (policymaking studies).
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5. REFERENCIAL TEÓRICO

ABRUCIO, Fernando Luiz. “O impacto do modelo gerencial na Administração


Pública: Um breve estudo sobre a experiência internacional recente”. in:
Cadernos ENAP. n. 10. Brasília: Fundação Escola Nacional de Administração
Pública, 1997.

BRESSER PEREIRA, Luis Carlos. “A Reforma do estado dos anos 90: lógica e
mecanismos de controle”. in: cadernos MARE da reforma do estado. volume 1.
Brasília: Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado, 1997.

GONÇALVES, Alcindo. “O conceito de Governança”. (Artigo apresentado no


XVII Congresso Nacional do CONPEDI, Brasília, 20 a 22 de novembro de
2008).

MARCIO, Marini Ferreira. Crise e Reforma do Estado: Uma questão de


Cidadania e Valorização do Servidor. 1995. Disponível em
<www.fdc.org.br/pt/.../gestao.../crise_reforma.pdf> Acesso em 20 OUT 2010

PAULA, Paes de Paula. Entre o Gerencialismo e a Gestão Social: em busca de


um novo modelo para a administração pública brasileira. 2006. Disponível em
<www.uece.br/cev/index.php/arquivos/docdownload/66-texto2> Acesso 20 OUT
2010.

VIANA, Mário Sérgio. Do modelo burocrático ao gerencial: o exemplo de Mato


Grosso/Mário Sérgio Viana. Cáceres-MT: Editora Unemat, 2005.

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6. ANEXO