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Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o

problema do outro. No entanto, quando se observa a influência que o controle de dados da


internet possui para manipular o comportamento dos usuários nesse ambiente, no Brasil,
hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente
na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela ausência
de leis que regulem as ações das empresas no meio eletrônico, seja pela desinformação por parte
do público acerca da coleta de dados.
É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do
problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por
meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível
perceber que, no Brasil, a utilização de dados dos usuários no meio eletrônico encontra-se sem
delimitações jurídicas especifica, deixando esse vulnerável as técnicas de persuasão, tanto
comercial como de comportamento, visto que o brasileiro utiliza os serviços digitais em média sete
horas diárias, dividindo entre redes sociais e serviço de stream conforme dados do Ministério da
Tecnologia.
Outrossim, destaca-se o desconhecimento do usuário sobre o uso de suas informações por
parte dos algoritmos das grandes empresas da internet, como impulsionador do problema. De
acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de
exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que
os dados que tais empresas possuem, servem de mecanismos de manipulação direta do
comportamento do usuário, moldando os padrões de uso e pensamento, contribuindo para a
perda da capacidade de discernimento das pessoas na sociedade atual.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem
à construção de um mundo melhor. Desarte, o Ministério da Educação (MEC) e Governo Federal
devem formular leis de que delimitem o uso de dados pela empresas na internet, de modo que as
pessoas saibam que informações serão utilizadas por tais empresas, bem como punição para tais
quando houver abuso, de forma a promover um ambiente desprovido de influência. Como já dito
pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e as pessoas mudam o mundo.
Logo, o MEC deve instituir, nas escolas e meios de comunicação, palestras e propaganda
ministradas por psicólogos, que discutam o combate a disseminação de informação dos dados
dos usuários pelas empresas na internet, a fim de que o tecido social se desprenda de certos
tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.