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epitélio que recobre a superfície inferior da língua

SISTEMA DIGESTÓRIO
ANATOMIA DA CAVIDADE ORAL é mais delgado e delicado do que o do dorso.
PROBLEMA 1: IGUAIS, MAS NEM Músculos: A língua contém dois grupos diferentes
TANTO... LÍNGUA de músculos: os músculos intrínsecos da língua
Objetivos: A língua manipula materiais dentro da boca e e os músculos extrínsecos da língua. Tanto os
1. Descrever a anatomia da cavidade oral pode ocasionalmente ser utilizada para trazer músculos extrínsecos quanto os intrínsecos são
1.1. Língua: papilas e botões gustativos, alimentos para a cavidade oral. supridos pelo nervo hipoglosso (N XII). Os
músculos, inervação, vascularização. Funções: (1) processamento mecânico por músculos extrínsecos incluem os músculos
1.2. Dentes: tipos, função, camadas, formação compressão, abrasão e distorção; (2) miolohióide, genioide genioglosso, hioglosso,
da dentição (decíduos e permanentes) movimentação para auxiliar a mastigação e a estiloglosso, e palatoglosso.
1.3. Glândula salivar: tipo, localização, local de preparação do alimento para a deglutição; (3)
ejeção da saliva. Toda a movimentação mais ampla da língua é
análise sensitiva por receptores de tato,
2. Descrever o mecanismo de mastigação realizada pelos músculos extrínsecos. Os
2.1. Inervação temperatura e gustação; e (4) secreção de mucina
e de uma enzima que auxilia a digestão de músculos intrínsecos, mais delicados, modificam o
2.2. Músculos mastigatórios
2.3. Relacionar com o processo de deglutição gorduras. formato da língua e atuam em conjunto com os
3. Descrever a síntese, secreção, regulação, músculos extrínsecos na execução de movimentos
composição e tipos de saliva Pode ser dividida em: precisos, como na articulação dos sons durante a
3.1. A saliva é armazenada em vesículas?  Corpo da língua, porção anterior, fala.
3.2. Qual a função da saliva? porção oral
3.3. Inervação/controle neural (SNA, No dorso do corpo da língua há projeções afiladas
receptores)
 as papilas linguais.
3.4. Fatores que estimulam a secreção de
O epitélio espessado que recobre cada papila
saliva (cortisol, receptores de
estiramento, melatonina, insulina) produz atrito adicional que auxilia a
3.5. Existe salivação basal, de curto e de longo movimentação do alimento pela língua. Além
prazo? disso, receptores gustatórios são encontrados ao
4. Explicar o mecanismo de deglutição longo das margens de muitas papilas linguais.
4.1. Quais as fases?
4.2. Tem diferença entre alimentos  Raiz da língua, porção posterior,
sólidos/líquidos? porção faríngea
4.3. Onde começa e onde termina a deglutição?
Quais estruturas envolvidas?
O epitélio da língua é banhado por secreções de
4.4. É voluntário e/ou involuntário?
5. Caracterizar a anatomia do esôfago pequenas glândulas que se estendem para dentro
5.1. Relacionar com os movimentos da lâmina própria da língua. Essas secreções
peristálticos. contêm mucinas aquosas e a enzima lipase
6. Descrever o mecanismo de fome e saciedade lingual.
6.1. Quais os núcleos, vias, nervos, hormônios,
receptores, neurotransmissores A lipase lingual inicia a quebra enzimática de
6.2. Existem alimentos com maior potencial lipídeos, especificamente triglicerídeos. O
sacietógeno?
HISTOLOGIA DA LÍNGUA das glândulas salivares linguais
desembocam nessas valas.
 Na língua são encontradas numerosas
irregularidades denominadas papilas
linguais, que cobrem toda a superfície dorsal
na língua na porção anterior ao sulco terminal.
o Algumas apresentam uma estrutura
especializada chamadas botões
gustativos que constituem a mucosa
especializada, existem 4 principais
tipos de papilas:
1. Papilas filiformes, são menores e mais
numerosas nos humanos. Possuem 3. Papilas folheadas, possuem cristas baixas e
projeções cônicas e alongadas de tecido paralelas, intercaladas por fendas mucosas
conjuntivo que são recobertas por epitélio profundas. Elas ocorrem, em maioria, na
margem lateral da língua e pequenas  Outra estrutura muito importante são os
queratinizado. Elas desempenham um papel
glândulas serosas desembocam dentro das botões gustativos, que são encontrados nas
mecânico, sendo encontradas em toda a
fendas, possuindo botões gustativos em sua papilas fungiformes, folhadas e circunvaladas.
superfície dorsal anterior da língua.
superfície lateral. o Trata-se de corpúsculos ovais de
coloração pálida e com uma porção
que se abre na superfície chamado
poro gustativo.
o Nestes botões são encontrados três
tipos principais de células:
I. Células neuroepiteliais (sensitivas), são
as mais numerosas, alongadas da base até
o poro e apresentam microvilosidades.
Estão ligadas no ápice por zônulas de
oclusão e na base fazem sinapses com os
nevos facial (VII), glossofaríngeo (IX) ou
2. Papilas fungiformes, são projeções em vago (X), elas possuem um tempo de
formato de cogumelo e se projetam em cima renovação de 10 dias.
das papilas filiformes, sendo mais numerosas 4. Papilas circunvaladas, são estruturas II. Células de sustentação, são as 2 mais
nas partes da proximidade da ponta da grandes em formato de cúpula que são numerosas são alongadas da base ate o
língua. encontradas na mucosa, imediatamente poro, apresentam microvilosidades, o
anterior ao sulco terminal da língua. Cada tempo de renovação é de 10 dias.
papila é circundada por uma invaginação III. Células basais, são pequenas e
semelhante a uma vala revestida por localizadas na base do poro, elas são
epitélio estratificado pavimentoso, o qual células-tronco para reserva dos outros
contém diversos botões gustativos. Os ductos tipos de células.
processo mastóide do osso temporal, composição de 99,4% de água, além de uma
cruzando anteriormente a superfície do variedade de íons, soluções-tampão, metabólitos e
músculo masseter. As secreções de cada enzimas. Glicoproteínas, denominadas mucinas,
glândula são drenadas por um ducto parotídeo, ou são principalmente responsáveis pelos efeitos de
ducto de Stensen (ou Stenon), que esvazia seu lubrificação da saliva.
conteúdo no vestíbulo da boca, no nível do Durante as refeições, a produção de grandes
segundo dente molar superior; quantidades de saliva lubrifica a boca, hidrata o
As glândulas parótidas produzem uma secreção alimento e dissolve substâncias químicas que
serosa espessa contendo a enzima digestiva estimulam os receptores gustatórios. Um nível
amilase salivar, que inicia o processo químico de básico e contínuo de secreção banha as superfícies
quebra de carboidratos complexos. orais e auxilia no controle da população local de
bactérias. Uma redução ou eliminação das
GLÂNDULAS SUBLINGUAIS secreções salivares desencadeia uma explosão de
São recobertas pela túnica mucosa do soalho da crescimento populacional bacteriano na cavidade
boca. Numerosos ductos sublinguais (maior e oral. Esta proliferação leva rapidamente a
menores), ou ductos de Rivinus, abrem-se ao episódios repetidos de infecção e erosão
longo de cada lado do frênulo da língua; progressiva de dentes e gengivas.

GLÂNDULAS SUBMANDIBULARES DENTES


São encontradas próximo ao soalho da boca ao A mastigação quebra tecidos conectivos
longo da superfície interna do corpo da resistentes e fibras vegetais, contribuindo para
mandíbula, inferiormente à linha milo-hióidea. saturar o alimento com secreções salivares e
GLÂNDULAS SALIVARES Os ductos submandibulares, ou ductos de enzimas.
Cada glândula salivar é recoberta por uma cápsula Wharton, abrem-se na boca de cada lado do
fibrosa. A saliva produzida pelas células frênulo da língua, imediatamente posterior A massa de cada dente consiste em uma matriz
secretoras das glândulas é transportada através aos dentes. mineralizada similar ao osso. Este material,
de uma rede de finos ductos para um único grande denominado dentina, difere do osso porque não
ducto de drenagem. Este ducto principal contém células vivas. Em vez disso, processos
transpassa a cápsula e se abre na superfície da citoplasmáticos estendem-se para o interior da
túnica mucosa oral. dentina a partir de células na cavidade pulpar
central.
GLÂNDULAS PARÓTIDAS A cavidade pulpar é esponjosa e altamente
São as maiores glândulas salivares, com um peso vascularizada. Ela recebe vasos sangüíneos e
médio de aproximadamente 20 g. Apresentam nervos que passam através de um túnel estreito
formato irregular e se estendem entre a denominado canal da raiz do dente, localizado na
superfície inferior do arco zigomático e a base, ou raiz do dente. Os ramos dentais
margem anterior do músculo Em conjunto, as glândulas salivares produzem de
sangüíneos e nervosos penetram o canal da raiz
esternocleidomastóideo, e a partir do 1 a 1,5 litros de saliva diariamente, com uma
através do forame do ápice do dente para suprir a apresentam três ou mais raízes. Os molares
cavidade pulpar. também apresentam coroas planas para amassar
e triturar os alimentos.
A dentina da coroa é recoberta por uma camada
de esmalte. O esmalte contém cristais de fosfato
de cálcio densamente agrupados, sendo a mais
dura substância de fabricação biológica no corpo.
Quantidades adequadas de fosfato de cálcio e
vitamina D durante a infância são essenciais para
completar o revestimento de esmalte e aumentar
a resistência do dente.

A raiz do dente é ancorada em um soquete ósseo,


ou alvéolo dental. Fibras colágenas do periodonto
(ligamento periodontal) estendem-se da dentina
da raiz ao osso alveolar, criando uma resistente
articulação conhecida como gonfose. Uma camada TIPOS DE DENTES
de cemento recobre a dentina da raiz, oferecendo 1. OS INCISIVOS são dentes em forma de lâmina
proteção e ancorando firmemente o periodonto. encontrados na região anterior da boca. Os
Em sua estrutura histológica, o cemento é muito incisivos são úteis para agarrar e cortar, como
semelhante ao osso, sendo menos resistente à ocorre ao se morder a ponta de uma cenoura.
erosão em comparação com a dentina.
O colo do dente marca o limite entre a raiz e a 2. OS CANINOS são dentes cônicos com
coroa do dente. A coroa é a porção visível do dente superfícies laterais aguçadas e uma ponta aguda.
que se projeta acima do tecido mole da gengiva. São utilizados para rasgar e lacerar um pedaço
resistente de um vegetal fibroso pode ser
enfraquecido pela ação de apreensão dos
incisivos, porém o alimento pode ser movido
lateralmente de modo a aproveitar a ação
lacerante e cortante dos caninos. Tanto os caninos
quanto os incisivos apresentam raiz única.

3. OS PRÉ-MOLARES possuem uma ou duas


raízes. Apresentam coroas planas com cristas
proeminentes. São utilizados para amassar e
triturar.

4. OS MOLARES apresentam coroas grandes e


planas com cristas proeminentes e tipicamente SUCESSÃO DENTAL
O primeiro a aparecer é o conjunto de dentes Os terceiros molares, ou dentes serotinos (do do dente por células denominadas
decíduos, também denominados dentes siso), podem não irromper antes dos 21 anos de amelogeninas e enamelinas. Este tecido
primários, dentes “de leite” ou dentes infantis. idade e podem inclusive não irromper. possui características de colunas
Estes são os dentes temporários da primeira HISTOLOGIA DOS DENTES alongadas compostas por vários cristais
dentição. Geralmente existem 20 dentes decíduos, de minerais.
cinco em cada um dos quadrantes da maxila e da c) Polpa, é constituída, basicamente, de
mandíbula. tecido conjuntivo frouxo. Tem como
principais componentes os odontoblastos,
Em cada um dos quadrantes da maxila e da fibroblastos e uma matriz que contem
mandíbula, a dentição primária consiste em dois fibrilas finas de colágeno e diversos
incisivos, um canino e um par de molares glicosaminoglicanos, sendo um tecido
decíduos. Estes dentes são gradativamente muito inervado e sensível a dor assim
substituídos pela dentição permanente. como vascularizado.
ESÔFAGO
O esôfago é um tubo muscular oco que conduz
alimentos sólidos e líquidos ao estômago. Está
situado posteriormente à traquéia passa ao longo
do mediastino, junto à parede posterior do tórax,
e entra na cavidade abdominal através de uma
abertura no diafragma, o hiato esofágico,
atingindo o estômago. O esôfago tem
aproximadamente 25 cm de comprimento e cerca
de 2 cm de diâmetro. Inicia-se no nível da
cartilagem cricóidea, anteriormente à vértebra C
Existem 3 principais tecidos que revestem o
VI, e termina anteriormente à vértebra T VII*.
dente, que são: dentina, esmalte e polpa, vale
ressaltar que há uma quarta estrutura
denominada periodonto. MASTIGAÇÃO
a) Dentina, trata-se do tecido mineralizado Os dentes são adaptados, engenhosamente, para a
mais duro que o osso, pois possui um mastigação. Os anteriores (incisivos) possibilitam
conteúdo de cálcio muito maior, sendo a ação de cortar, e os posteriores (molares), ação
Neste processo, o periodonto e as raízes dos composta principalmente por fibras de trituração. Todos os músculos da mandíbula,
dentes decíduos sofrem um processo de erosão e colágenas tipo I, glicosaminoglicanos, em conjunto, conseguem aproximar os dentes
reabsorção até que o dente caia ou seja fosfoproteina e hidroxiapatita. Esta é com força de até 25 kg nos incisivos e 91 kg nos
empurrado pela erupção do dente permanente secretada pelos odontoblastos. molares.
(secundário). Os dentes pré-molares adultos b) Esmalte, este é o composto mais duro do
substituem os molares decíduos, e os molares corpo humano sendo composto por 98% A maioria dos músculos da mastigação é
permanentes estendem a linha dental com o de minerais (hidroxiapatita), este é inervada pelo ramo motor do quinto nervo
crescimento dos arcos dentais. secretando apenas durante o crescimento
craniano (trigemio), e o processo de mastigação elementos muito reduzidos, ao ponto que não também comprime o bolo, de novo, contra as
é controlado por núcleos no tronco encefálico. ofereçam resistência ao nível da superfície paredes da cavidade bucal  inibe mais uma
oclusal ou da mucosa bucal, sendo vez os músculos mandibulares, permitindo que
A estimulação de áreas reticulares específicas, nos responsável por 25 a 30% do ciclo. a mandíbula desça e suba mais uma vez. Esse
centros do paladar do tronco cerebral, causa processo é repetido continuamente.
movimentos de mastigação rítmicos. Além Obs: A oclusão dental se refere a um processo no
disso, a estimulação de áreas no hipotálamo, na qual há justaposição de ambas as arcadas
amígdala e até mesmo no córtex cerebral, dentárias, de modo que
próxima às áreas sensoriais do paladar e do entre ambas se cria um sistema de forças quando
olfato, muitas vezes, pode causar mastigação. em contato; é a força interoclusal.
 Ao nascer a criança apresenta fenômenos
REFLEXO DA MASTIGAÇÃO natos de sucção, deglutição primaria e
respiração. Tratando-se de reflexos não
 Entende-se por mastigação o conjunto de
aprendidos
fenômenos estomatognáticos que visam
o A mastigação, assim como a
a degradação mecânica dos alimentos, isto
fonoarticulação, aparecem mais
é, a trituração e moagem dos alimentos,
tardiamente não de forma espontânea,
degradando-os em partículas pequenas
mas adquiridas através de
que, logo após, ligam-se entre si pela ação
precursores da evolução do indivíduo.
misturadora da saliva, obtendo-se o bolo IMPORTÂNCIA: A mastigação é importante para
o Para esta ação de mastigar se
alimentar, apto para ser deglutido. a digestão de todos os alimentos, mas
desenvolver ela vai precisar fazer
 A mastigação subdivide e mistura o novas associações com centros especialmente importante para a maioria das
alimento com as enzimas amilase salivar e superiores, particularmente com o frutas e dos vegetais crus, com membranas de
lipase lingual e com a glicoproteína córtex cerebral, núcleos da base e celulose indigeríveis ao redor das porções
mucina, que lubrifica o alimento para a cerebelo. nutrientes, que precisam ser rompidas para que o
mastigação e deglutição. o Trata-se de uma atividade reflexa alimento possa ser digerido.
 Fases mecânicas do ciclo da mastigação: baseada na aprendizagem. Por outro lado, a mastigação ajuda na digestão dos
1. Fixação: alimentos duros, seram esmiuçados alimentos por outra razão simples: as enzimas
pelo movimento de lateralidade da A presença de bolo de alimento na boca, primeiro, digestivas só agem nas superfícies das
mandíbula, principal ação do canino de fixar. desencadeia a inibição reflexa dos -músculos- partículas de alimentos; portanto, a intensidade
2. Incisão: fase dura aproximadamente 10 a da mastigação, permitindo que a mandíbula da digestão depende da área de superfície total,
15% do tempo da mastigação, tem por inferior se abaixe. exposta às secreções digestivas. Além disso,
objetivo cortar os alimentos e com o auxílio da triturar o alimento, em partículas bem pequenas,
língua e bochechas os fazerem cair sobre os Isso, por sua vez, inicia reflexo de estiramento previne escoriação do trato gastro-intestinal e
dentes posteriores (pré-molares e molares). dos músculos mandibulares que leva à facilita o transporte do alimento, do estômago
3. Trituração: a ação é fazer com que os pedaços contração reflexa.
grandes de alimentos sejam moídos em partes
menores pelos dentes posteriores. Essa ação automaticamente eleva a mandíbula,
4. Pulverização: trata-se da moagem de das causando o cerramento dos dentes, mas
partículas pequenas, transformando-as em
ao intestino delgado e para os sucessivos O componente sensorial da mastigação cujas
segmentos do intestino. fibras aferentes provem dos dentes, das gengivas, A principal característica da fase cefálica é a
da cavidade bucal e da língua, é representado ativação do trato GI em prontidão para a
pela raiz sensitiva do trigêmeo. As fibras refeição. Os estímulos envolvidos são cognitivos
motoras provem da raiz mandibular do e incluem a antecipação ou pensamento sobre o
trigêmeo (musculo da mastigação) e do consumo de alimentos, entrada olfativa, entrada
hipoglosso (musculatura da língua). O visual e auditiva.
bucinador é inervado pelo facial. Afecções
envolvendo quaisquer crânicos têm reflexos Todos esses estímulos causam aumento da
na mastigação. descarga parassimpática neural excitatória
para o trato GI. A entrada sensorial (p. ex.,
 Processo de controle e ajuste da cheiro) estimula os nervos sensoriais que ativam
mastigação. a descarga parassimpática do tronco
o Como a mastigação é, também, encefálico.
controlada por memoria muscular,
quando ingerimos alimentos novos a A ativação do núcleo motor dorsal no tronco
nossa mastigação tende a se adaptar a encefálico, a região onde surgem os corpos
eles por meio de: celulares dos neurônios pré--ganglionares
1. Variação da intensidade da força vagais.
mastigatória. A ativação dos núcleos leva ao aumento da
2. Variações da pressão mastigat6ria. atividade nas fibras eferentes que passam para
3. Variações do número de golpes o trato GI no nervo vago. Em contrapartida, as
Os músculos masseter, temporal e pterigoideo mastigatórios. fibras eferentes ativam os motoneurônios pós-
externo e interno abrem e fecham a mandíbula e 4. Distribuição do alimento durante a ganglionares  O aumento do fluxo
moem os alimentos. A língua ajuda a mastigação, mastigação parassimpático melhora a secreção salivar, a
deslizando o alimento lateralmente em direção  Reflexo protetor da mastigação. secreção gástrica ácida, a secreção de enzimas
aos incisivos, enquanto os bucinadores o pancreáticas, a contração da vesícula biliar e o
empurram diretamente para os dentes. Os relaxamento do esfíncter de Oddi.
pterigoideos produzem movimentos Todas essas respostas melhoram a capacidade do
mandibulares que ajudam diretamente a
FASE CEFÁLICA E ORAL trato GI para receber e realizar a digestão do
mastigação. Muitas das características da fase oral são alimento que é ingerido. A resposta salivar é
indistinguíveis da fase cefálica. A única diferença é mediada através do nono nervo craniano; as
O digástrico, o Milo-hioideo e gênio-hioideo que o alimento está em contato com a respostas remanescentes são mediadas através do
ajudam, também, a abrir a boca. A força exercida superfície do trato GI. Dessa forma, existem nervo vago.
no fechamento da boca é muito grande: no nível estímulos adicionais gerados a partir da boca,
dos incisivos ela é de 25 kg e no nível dos molares, tanto mecânicos quanto químicos (paladar).
Entretanto, muitas das respostas iniciadas pela SECREÇÃO SALIVAR
é de 90 kg.
presença de alimento na cavidade oral são As principais funções da saliva na digestão são
idênticas àquelas iniciadas na fase cefálica, lubrificação e umidificação do alimento para a
pois a via eferente é a mesma. deglutição, solubilização do material para o
paladar, início da digestão de carboidratos, e 1. O fluxo de saliva ajuda a lavar a boca das clivagem proteolítica, liberando o IgA. Este
depuração e neutralização do refluxo das bactérias patogênicas, bem como das partículas de processo é comum em todo o sistema digestório.
secreções gástricas no esôfago. A saliva apresenta alimentos que provêm suporte metabólico
também ações antibacterianas que são a essas bactérias.
importantes para a saúde completa da cavidade
oral e dos dentes. 2. A saliva contém vários fatores que
destroem as bactérias. São eles os íons
Ela é secretada pelas glândulas salivares, porem tiocianato e diversas enzimas
também são liberadas (em pequenas proteolíticas — a mais importante é a
quantidades) pelas sulco gengival, das lisozima — que (a) atacam as bactérias;
criptas da tonsila e da transudação geral do (b) ajudam os íons tiocianato a entrar nas
revestimento epitelial da cavidade oral. bactérias, onde se tornam bactericidas; e
(c) digerem partículas de alimentos,
Produzem cerca de 1200ml por dia ajudando, assim, a remover, ainda mais o
suporte metabólico das -bactérias.-
FUNÇÃO DA SALIVA NA HIGIENE ORAL
Sob condições basais de vigília, cerca de 0,5 3. A saliva frequentemente contém
mililitro de saliva é secretado a cada minuto, quantidades significativas de anticorpos
quase inteiramente do tipo mucoso; entretanto, proteicos, que podem destruir as bactérias
durante o sono ocorre pouca secreção. Essa orais, incluindo algumas das que causam cáries
secreção tem função extremamente importante dentárias. Na ausência de salivação, os tecidos ANATOMIA DA GLANDULA SALIVAR
para a manutenção da saúde dos tecidos orais. A orais, com frequência, ficam ulcerados e até
Existem três pares das principais glândulas
boca hospeda bactérias patogênicas que podem infectados, e as cáries dentárias podem ser
salivares: parótida, submandibular e
destruir facilmente os tecidos e causar cáries comuns.
sublingual. A porção acinar da glândula é
dentárias. A saliva ajuda a evitar os processos de
classificada de acordo com a sua secreção
deterioração de diversas maneiras. 4. As proteínas na saliva formam uma cobertura
principal: serosa (“aquosa”), mucosa ou mista.
protetora sobre os dentes, denominada de
película adquirida.  A glândula parótida produz
principalmente a secreção serosa
5. O fosfato e o cálcio são de extrema importância  A glândula sublingual secreta
para a mineralização dos dentes recém- principalmente o mucosa.
irrompidos, bem como para o reparo de pequenas  A glândula submandibular produz uma
lesões do esmalte dos dentes. secreção mista

6. As IgA sintetiza pelos plasmócitos no tecido Cada glândula salivar parece um “cacho de uva”,
conjuntivo que circunda os acinos das glândulas onde uma única uva corresponde a um ácino.
salivares são internalizadas por meio de um O ácino é o fundo cego de um sistema de ductos
receptor de imunoglobulina polimérica (plgR) ramificados e é revestido por células acinares.
que se liga a IgA, entra na célula e depois sobre As células acinares produzem uma primeira
saliva composta por água, íons, enzimas e muco.
Eles são organizados em lóbulos, pois há uma
Esta primeira saliva passa por um segmento curto, camada de tecido conjuntivo frouxo que
chamado ducto intercalado e, então, pelo ducto separa em lobos e lóbulos formando uma
estriado, que é revestido por células ductais. As capsula, os maiores, esses septos são
células ductais modificam as concentrações de ricamente vascularizados e inervados.
diversos eletrólitos na primeira saliva e
produzem a saliva final. Os menores não possuem capsula.
As células mioepiteliais são encontradas nos
ácinos e ductos intercalados. A estimulação Obs: tanto os maiores quanto os menores
nervosa contrai as células mioepiteliais, que possuem grande quantidade de linfócitos e
ejetam a saliva na boca. plasmócitos em seu tecido conjuntivo.

A unidade secretora das glândulas salivares é


o salivon, que é formada por ácinos.
Os ácinos das glândulas salivares contem
células serosas (proteína) e células mucosas
Ainda existem ductos para a condução e
(mucina) ou ambas. A frequência dessas
formação da saliva.
células distingue as glândulas salivares. Desta
1. Os ductos intercalares são revestidos por
forma são descritos três tipos de ácinos.
células epiteliais cuboides baixos. As células
1. Células serosas, formato piramidal,
dos ductos intercalares apresentam atividade
superfície basal relativamente largam
de anidrase carbônica. Nas glândulas
voltada para a lâmina basal, contém
secretoras serosas e nas glândulas mistas, os
grande quantidade de RER,
ductos intercalares secretam HCO3 – no
ribossomos livres, e numerosos
OBS: Parotidite Infecciosa, é a famosa caxumba, produto acinoso e absorvem Cl– a partir do
grânulos secretores esféricos.
a qual é causada por um vírus da família dos produto acinoso.
A maioria das células secretoras de proteína que
Paramyxoviridae. Trata-se de uma doença 2. Os ductos estriados são revestidos por um
armazenam suas secreções em grânulos de
sistêmica caracterizada pelo edema de uma ou epitélio simples cuboide, que geralmente se
zimogênio, os grânulos estão localizados no
mais glândulas salivares, tem sintomas torna colunar à medida que se aproxima do
citoplasma apical.
inespecíficos de início e, na maioria das vezes, é ducto excretor. As invaginações da membrana
autolimitada, sendo de notificação plasmática basal são vistas em cortes
2. Células mucosas, o muco é produzido
compulsória e a principal forma de prevenção é a histológicos como “estriações”. Mitocôndrias
de forma cíclica e armazenado de
vacina. Sua transmissão ocorre pelo ar e por alongadas e de orientação longitudinal estão
grânulos de mucinogênio, quando é
gotículas de saliva, ela começa a ser transmitida envolvidas por invaginações da membrana. As
liberado a síntese é iniciada
a partir de 2 dias antes do aparecimento do edema invaginações basais em associação a
automaticamente. Possuem núcleos
ate 5 dias depois dele. mitocôndrias alongadas constituem uma
redondos e localização central, a
especialização morfológica associada à
HISTOLOGIA DA GLANDULA SALIVAR porção apical possui diversos
reabsorção de líquido e eletrólitos. As células
 Ácinos glandulares secretores. grânulos e ainda apresentam
dos ductos estriados também apresentam
complexos juncionais apicais.
numerosas pregas basolaterais, que são
interdigitadas com as das células adjacentes. e muco. Em comparação com o plasma, a saliva é
Em geral, o núcleo ocupa uma localização hipotônica (ou seja, apresenta osmolaridade A ação combinada destes transportadores é a
central (e não basal) na célula. Os ductos menor) e tem maior concentração de K+ e absorção de Na+ e Cl- e a secreção de K+ e
estriados constituem locais de: bicarbonato e menor concentração de Na+ e HCO3-.
 Reabsorção de Na+ a partir da secreção cloreto (Cl-).
primária A absorção total de Na+ e Cl- faz com que as
 Secreção de K+ e HCO3 – na secreção. FORMAÇÃO DA SALIVA concentrações destes íons na saliva sejam
Obs: O diâmetro dos ductos estriados menores do que seus níveis plasmáticos e a
A primeira etapa é a formação de uma solução
frequentemente ultrapassa o do ácino secretor. Os secreção geral de K+ e HCO3- faz com que as
isotônica, similar ao plasma, pelas células
ductos estriados estão localizados no parênquima concentrações de K+ e da saliva sejam maiores
acinares. A segunda etapa é uma modificação
das glândulas (são ductos intralobulares), mas do que as observadas no plasma.
desta solução pelas células ductais.
podem ser circundados por pequenas
quantidades de tecido conjuntivo no qual podem Uma vez que a absorção de NaCl é maior do que a
1. AS CÉLULAS ACINARES SECRETAM A
ser observados vasos sanguíneos e nervos que secreção de KHCO3, há a absorção geral de
PRIMEIRA SALIVA
seguem um percurso paralelo com o ducto. soluto.
Que é isotônica e é produzida pelas células
3. Os ductos excretores constituem os principais acinares tem aproximadamente a mesma A última pergunta é: Como a saliva, a princípio
ductos de cada uma das glândulas maiores. composição eletrolítica que o plasma. Assim, na isotônica, fica hipotônica ao fluir pelos ductos? A
Esses ductos conectam-se finalmente com a primeira saliva, a osmolaridade e as resposta é baseada na relativa
cavidade oral. O epitélio dos pequenos ductos concentrações de Na+, K+, Cl- e HCO3- são impermeabilidade à água das células ductais.
excretores é simples cuboide. Modifica-se similares às observadas no plasma. Como mencionado, há a absorção total de soluto,
gradualmente para um epitélio já que a absorção de NaCl é maior do que a
pseudoestratificado colunar ou estratificado 2. AS CÉLULAS DUCTAIS MODIFICAM A secreção de KHCO3. Uma vez que as células
cuboide. À medida que aumenta o diâmetro do PRIMEIRA SALIVA. ductais são impermeáveis à água, a água não é
ducto, o epitélio estratificado colunar é Os mecanismos de transporte que participam absorvida junto com o soluto, fazendo com que
frequentemente observado e, à medida que os desta modificação são complexos, mas podem ser a saliva final seja hipotônica.
ductos se aproximam do epitélio oral, pode simplificados ao considerarmos os eventos nas
haver epitélio estratificado pavimentoso. O membranas luminais e basolaterais de forma CONSTITUINTES ORGANICOS
ducto parotídeo (ducto de Stensen) e o ducto separada e, então, determinando o resultado de As células acinares também secretam
submandibular (ducto de Wharton) seguem o todos os mecanismos de transporte. constituintes orgânicos, como a α-amilase, a
seu trajeto no tecido conjuntivo da face e do A membrana luminal das células ductais contém lipase lingual, as glicoproteínas mucinosas, a
pescoço, respectivamente, por uma pequena três transportadores: IgA (imunoglobulina A) e a calicreína.
distância da glândula antes de penetrar na  o trocador de Na+-H+,
mucosa oral.  o trocador de Cl-HCO3-  A α-amilase começa a digestão de
 o trocador de H+-K+. carboidratos
COMPOSIÇÃO DA SALIVA
A saliva é uma solução aquosa de volume muito  A lipase lingual inicia a digestão de
A membrana basolateral possui: lipídios.
alto considerando o pequeno tamanho das  Na+-K+ ATPase
glândulas. A saliva é composta por água,  O componente mucoso atua como
 Canais de Cl- lubrificante.
eletrólitos, α-amilase, lipase lingual, calicreína
 A calicreína é uma enzima que cliva o pelas células ductais. No entanto, a concentração Os núcleos salivatórios (superior e inferior)
cininogênio de alto peso molecular em estão localizados aproximadamente na junção
bradicinina, um potente vasodilatador. entre o bulbo e a ponte e são excitados por
Durante os períodos de alta atividade da estímulos gustativos e táteis, da língua e de outras
glândula salivar, a calicreína é secretada e áreas da boca e da faringe.
produz bradicinina. A bradicinina, então,
causa vasodilatação local, responsável Muitos estímulos gustativos, especialmente o
pelo alto fluxo sanguíneo das glândulas sabor azedo (causado por ácidos), provocam
durante períodos de maior atividade copiosa secreção de saliva — com frequência, 8
salivar. a 20 vezes a secreção basal. Além disso, estímulos
EFEITO DA TAXA DE FLUXO táteis, como a presença de objetos de superfície
lisa na boca  causam salivação acentuada,
O mecanismo das alterações dependentes da taxa enquanto objetos ásperos  causam menor
de fluxo sobre a concentração baseia-se salivação e, às vezes, até mesmo a inibem.
principalmente no tempo de contato entre a
saliva e as células ductais. A salivação pode ser estimulada por outros
Em altas taxas de fluxo, as células ductais têm centros superiores do SNC  área do apetite,
menos tempo para modificar a saliva; em baixas área do paladar, área do olfato, córtex cerebral,
taxas de fluxo, têm mais tempo para modificar a de HCO3- na saliva é menor em baixas taxas de
fluxo e maior em altas taxas de fluxo. Isto amigdala (sistema límbico);
saliva. Nas condições de menor taxa de fluxo, onde
há maior tempo de contato, a reabsorção de Na+ ocorre porque a secreção de HCO3- é
e Cl- é maior, o que diminui suas concentrações seletivamente estimulada quando a produção de PARASSIMPÁTICO
em comparação com a primeira saliva, e maior saliva é estimulada (p. ex., pela atividade A estimulação parassimpática das glândulas
secreção de K+, o que aumenta sua concentração. parassimpática). Assim, com o aumento da taxa salivares é carreada pelo nervo facial (NC VII) e
de fluxo da saliva, a concentração de HCO3- pelo nervo glossofaríngeo (NC IX). Os neurônios
Em taxas maiores de fluxo (4 mL/minuto), a também aumenta. parassimpáticos pós-ganglionares liberam ACh,
saliva final é mais parecida com o plasma e com a que interage com receptores muscarínicos 3 nas
primeira saliva produzida pelas células acinares. REGULAÇÃO células acinares e ductais. Em nível celular, a
Em taxas menores de fluxo (< 1 mL/minuto), a ativação de receptores muscarínicos leva à
(1) A secreção salivar é controlada produção de 1,4,5-trifosfato de inositol (IP3) e
saliva final é mais diferente do plasma exclusivamente pelo sistema nervoso
(apresentando menores concentrações de Na+ e aumenta a concentração intracelular de cálcio
autônomo, enquanto as demais secreções
Cl- e maior concentração de K+). Ou seja, quanto (Ca2+), o que gera a ação fisiológica de maior
gastrintestinais estão sob controle nervoso e secreção de saliva, principalmente por aumentar
mais tempo fica em contato com as células hormonal.
ductais menor é a taxa de fluxo e maior é a o volume de saliva e o componente enzimático.
(2) A secreção salivar é aumentada pela Diversos fatores modulam a estimulação
conversão da saliva para aumentar as estimulação parassimpática e simpática,
quantidades de K+ e HCO3- parassimpática para as glândulas salivares.
embora a estimulação parassimpática seja Também causa vasodilatação, fazendo com que
dominante. mais substratos alcancem as células.
O Hco3-, de acordo com a explicação do tempo de
contato, sua concentração deve ser maior quando NÚCLEOS SALIVATÓRIOS
as taxas de fluxo são baixas, por ser secretado
OBS: A atividade parassimpática para as glândulas A inervação simpática estimula respostas motoras
salivares é aumentada pelo alimento, pelo cheiro e que ajudam a expelir a saliva das glândulas.
pela náusea e reduzida pelo medo, pelo sono e pela
desidratação. MECANISMOS IÔNICOS DE SECREÇÃO
SALIVAR
Um fator secundário que afeta a secreção salivar é
o suprimento de sangue para as glândulas,
porque essa secreção sempre requer nutrientes TRANSPORTE IÔNICO NAS CÉLULAS
adequados do sangue. Os sinais nervosos ACINARES
parassimpáticos  dilatam moderadamente A bomba de Na+-K+ produz o gradiente de
os vasos sanguíneos. Além disso, a própria concentração favorável para a entrada de 1Na+-
salivação dilata, de modo direto, os vasos 1K+-2Cl- pelo cotransportador NaKCl  na
sanguíneos, proporcionando, assim, maior membrana basolateral.
nutrição das glândulas salivares, necessária às
células secretoras. Parte desse efeito Eles são permeáveis a água e relativamente ao
vasodilatador adicional é causado pela calicreína Na+, pois expressa na sua superfície apical a
 secretada pelas células salivares ativadas que, aquaporina 5
por sua vez, agem como enzima a qual cliva TRANSPORTE IÔNICO DAS CÉLULAS
uma das proteínas do sangue, alfa2-globulina, DUCTAIS
para formar a bradicinina, potente O HCO3- e o Cl- saem da célula pela membrana A bomba de Na+/K+ mantem o gradiente
vasodilatador. apical por canais de íons. eletroquímico que favorece a ação de outros
transportadores:
SIMPÁTICO Essa secreção de ânions promove a entrada de  Antiporte Na+-H+
Na+ e, assim, da água no lúmen acinar através das  Antiporte H+-K+
A estimulação simpática para as glândulas
junções celulares ligeiramente permeáveis.  Antiporte Cl-/HCO3-
salivares é originária dos segmentos torácicos T1-
T3, por nervos pré-ganglionares que fazem A secreção de fluido de células acinares é muito
sinapse no gânglio cervical superior. Os Resultam na absorção de Na+ e Cl- do lúmen e na
aumentada em resposta às elevações da [Ca++] secreção de K+ e HCO3-. A impermeabilidade
neurônios simpáticos pós-ganglionares liberam
intracelular como resultado da ativação do relativa do epitélio ductal à água evita que os
noradrenalina, que interage com receptores β-
receptor muscarínico para acetilcolina. ductos absorvam água em excesso por osmose.
adrenérgicos nas células acinares e ductais. A
ativação dos receptores β-adrenérgicos provoca
a estimulação de adenilil ciclase e a produção de
monofosfato cíclico de adenosina (cAMP). A ação
fisiológica do cAMP, como a do mecanismo
parassimpático de IP3/Ca2+, é aumentar a
secreção de saliva.
Sabe-se que apenas com esse estímulo ela não
consegue manter e iniciar a salivação, porem ele
aumenta a potência do parassimpático.
ou bolo alimentar na sua passagem inicial
na faringe.
5) Coordenação funcional dos processos
respiratório e digestório.

ESTÁGIO VOLUNTÁRIO DA
DEGLUTIÇÃO
Quando o alimento está pronto para ser deglutido,
ele é “voluntariamente” comprimido e
empurrado para trás, em direção à faringe, pela
pressão da língua para cima e para trás contra o
palato.
A partir daí, a deglutição passa a ser um processo
inteiramente — ou quase inteiramente —
automático e que, nas condições normais, não
pode ser interrompido.
DEGLUTIÇÃO
Em termos gerais, a deglutição pode ser dividida
em (1) um estágio voluntário, que inicia o ESTÁGIO FARÍNGEO INVOLUNTÁRIO
processo de deglutição; (2) um estágio faríngeo, DA DEGLUTIÇÃO
que é involuntário, correspondente à passagem do O bolo de alimento, ao atingir a parte posterior
alimento pela faringe até o esôfago; e (3) um da cavidade bucal e a faringe  estimula as
estágio esofágico, outra fase involuntária que áreas de receptores epiteliais da deglutição ao
transporta o alimento da faringe ao estômago. redor da abertura da faringe, especialmente nos
 O ato de engolir, ou deglutição, é uma ação pilares tonsilares  seus impulsos passam para
reflexa que empurra o bolo de alimento ou de o tronco encefálico, onde iniciam uma série de
líquido para o esôfago. contrações musculares faríngeas automáticas:

Proposito da deglutição: 1. O palato mole é empurrado para cima, de


1) Alimentação; maneira a fechar a parte posterior da
2) Escoamento de conteúdo líquido, sendo cavidade nasal (orofaringe), evitando o
um processo muito similar a do solido mas refluxo do alimento.
não idêntico;
3) Defesa das vias aéreas inferiores, 2. As pregas palatofaríngeas em cada lado
permitindo a drenagem de produtos da faringe são empurradas
obtidos por ação de proteção como o medialmente de forma a se
sistema mucociliar; aproximarem.
4) Proteção da permeabilidade das vias
aéreas, evitando a introdução de fluidos
Dessa forma, essas pregas formam fenda Então, o alimento se move livre e Obs: Enquanto o bolo se move para baixo no
sagital, por onde o alimento deverá facilmente da faringe posterior para o esôfago a epiglote dobra-se para baixo, fazendo o
passar para a parte posterior da faringe. esôfago superior. Entre as deglutições, fechamento das vias aéreas superiores,
Essa fenda desempenha ação seletiva, esse esfíncter permanece fortemente prevenindo com que alimentos sólidos ou líquidos
permitindo que o alimento contraído, evitando a entrada de ar no passem para essa área.
suficientemente mastigado passe com esôfago durante a respiração. O
facilidade. Esse estágio da deglutição dura movimento para cima da laringe também INICIAÇÃO NERVOSA
menos de 1 segundo, e qualquer objeto eleva a glote afastando-a do fluxo principal O estágio faríngeo da deglutição é essencialmente
grande normalmente é impedido de de alimento, de maneira que este passe ato reflexo  iniciado pelo movimento
passar para o esôfago. nos lados da epiglote em vez de ao longo voluntário do alimento para a parte posterior
da sua superfície; essa ação confere uma da boca, que, por sua vez, excita os receptores
3. As cordas vocais da laringe se aproximam proteção adicional contra a entrada de sensoriais faríngeos para iniciar a parte
vigorosamente, e a laringe é puxada, alimento na traqueia. involuntária do reflexo da deglutição.
para cima e para frente,  pelos
músculos do pescoço. 5. Quando a laringe é elevada e o esfíncter Esses receptores estão localizados na parte
Essas ações, combinadas com a presença faringo-esofágico relaxado  toda a posterior da boca e faringe, situam-se em um
de ligamentos que impedem o movimento parede muscular da faringe se contrai, anel ao redor da abertura da faringe com maior
para cima da epiglote, fazem com que a iniciando na parte superior e, então, a sensibilidade nos pilares tonsilares.
epiglote se mova para trás, na direção contração progredindo para baixo nas
da abertura da laringe. O conjunto áreas medial e inferior da faringe, o que Os impulsos aferentes são transmitidos pelo NC V
desses efeitos impede a passagem do impulsiona o alimento por peristaltismo (Trigêmio) e NC IX (Glossofaríngeo) até o a
alimento para o nariz e para a traqueia. De para o esôfago. substância reticular do bulbo e porções
grande importância é a vigorosa  isto ocorre, pois, a pressão que o bolo inferiores da ponte  onde se encontra o centro
justaposição das cordas vocais, mas a alimentar faz sobre o palato mole desencadeia da deglutição.
epiglote ajuda a evitar que o alimento ação do glossofaríngeo para o centro da
chegue até elas. A destruição das cordas deglutição no bulbo. A informação é recebida e o centro da deglutição
vocais ou dos músculos que as envia a resposta eferente através do NC V, IX, X
aproximam pode causar engasgo. e XII (Trigêmio –parte motora, glossofaríngeo,
vago e hipoglosso) onde é desencadeado
4. O movimento para cima da laringe impulsos motores para os músculos envolvidos
também puxa e dilata a abertura do na deglutição.
esôfago. Ao mesmo tempo, os 3 a 4 Existe um centro coordenador da deglutição
centímetros superiores da parede localizado na formação reticular bulbar,
muscular esofágica, referidos como bem na vizinhança com a porção pontina, o
esfíncter esofágico superior (também denominado centro funcional da deglutição.
conhecido como esfíncter o Estes fazem conexões com corpos
faringo-esofágico ou esficter celulares no núcleo do trato
esofágico superior - EES) se solitário, como integrantes dos
relaxam.
axônios dos nervos; facial, A função primária do esôfago é a de conduzir esôfago é controlada pelo nervo vago, que atuam
glossofaríngeo e vago (os principais). rapidamente o alimento da faringe para o por meio de conexões com o sistema nervoso
o O núcleo do trato solitário junto com estômago  apresenta dois tipos de movimentos mioentérico esofágico. Quando os ramos do nervo
os interneurônios vizinhos, formam peristálticos: peristaltismo primário e vago vão para o esôfago são cortados, o plexo
uma estrutura funcional que pode ser peristaltismo secundário. nervoso mioentérico do esôfago fica excitável o
denominada de corpo ou região suficiente para causar, após vários dias, ondas
dorsal. PERISTALTISMO PRIMÁRIO peristálticas secundárias fortes, mesmo sem o
o Podem estar ligados a produção de É a continuação da onda peristáltica que suporte dos reflexos vagais. Portanto, inclusive após
padrão rítmico da deglutição. começa na faringe e se prolonga para o esôfago, a paralisia do reflexo da deglutição no tronco
 Na deglutição, como nas fazes esofágicas e durante o estágio faríngeo da deglutição. Essa encefálico, alimento introduzido por sonda no
faríngea são detectadas certas expressões de onda faz o percurso desde a faringe até o esôfago, ainda passa rapidamente para o
influência vagal, gera uma sutil bradicardia estômago em cerca de 8 a 10 segundos. (A estômago.
e inibição respiratória. gravidade exerce efeito adicional).
o Essas ações acorrem por mediação A peristalse no esôfago é estimulada por sua
geradas por impulsos do núcleo do PERISTALTISMO SECUNDÁRIO distensão. Os mecanorreceptores presentes nos
trato solitário que atinge o centro Se a onda peristáltica primária não consegue aferentes sensitivos transmitem impulsos ao
respiratório inibindo-o também mover para o estômago todo o alimento que complexo dorsal do vago, que, por sua vez, ativa
neurônios do centro pneumotáxico, entrou no esôfago, ondas peristálticas eferentes somáticos (para o musculo estriado
obtendo um estado de apneia. secundárias resultam da distensão do próprio do terço superior do esôfago) e vagais (para
o Os neurotransmissores destas ações esôfago pelo alimento retido; essas ondas nervos do sistema nervosa entérico).
cardiodepressoras e continuam até o completo esvaziamento do
pneumodepressora estaria esôfago. O último ativa nervos entéricos capazes de liberar
relacionado com opioides ACh (para induzir a contração) acima da
endógenos, particularmente beta- As ondas peristálticas secundárias são localização da distensão induzida pelo bolo
endorfina e encefalinas leu e met. deflagradas, em parte, por circuitos neurais alimentar, ou óxido nítrico (para induzir o
EFEITO DO ESTÁGIO FARÍNGEO DA intrínsecos do sistema nervoso mioentérico e, relaxamento) abaixo do bolo alimentar. O efeito
DEGLUTIÇÃO SOBRE A RESPIRAÇÃO em parte, por reflexos iniciados na faringe e final das contrações e dos relaxamentos
Todo o estágio faríngeo da deglutição transmitidos por fibras vagais aferentes para o sequenciais consiste em mover o bolo alimentar
normalmente ocorre em menos de 6 segundos, bulbo retornando ao esôfago por fibras em direção aboral.
interrompendo a respiração por apenas fração nervosas eferentes vagais e glosso-faríngeas.
do ciclo respiratório. O centro da deglutição MOTILIDADE ESOFÁGICA:
inibe especificamente o centro respiratório do Obs: "A musculatura da parede faríngea e do A função da motilidade do esôfago é a de propelir
bulbo durante esse tempo, interrompendo a terço superior do esôfago é composta por o bolo alimentar da faringe para o estômago.
respiração em qualquer ponto do ciclo para músculo estriado. Portanto, as ondas peristálticas Existe sobreposição entre a fase esofágica da
permitir a deglutição. E mesmo quando a pessoa nessas regiões são controladas por impulsos em deglutição e a motilidade esofágica. A passagem
está falando, a deglutição interrompe a respiração fibras nervosas motoras de músculos esqueléticos do bolo alimentar pelo esôfago ocorre da seguinte
por tempo tão curto que mal se percebe. dos nervos glossofaríngeo e vago. Nos dois terços forma:
inferiores do esôfago, a musculatura é 1. O esfíncter esofágico superior se abre, mediado
composta por músculo liso e essa porção do pelo reflexo de deglutição, permitindo que o bolo
ESTÁGIO ESOFÁGICO DA DEGLUTIÇÃO
alimentar se mova da faringe para o esôfago. Uma esôfago de qualquer conteúdo alimentar
vez que o bolo penetra no esôfago, o esfíncter remanescente. A contração peristáltica
esofágico superior se fecha, o que evita o refluxo secundária se inicia no ponto de distensão e se
para a faringe. dirige para baixo.

2. A contração peristáltica primária, também Problema interessante é o da localização


mediada pelo reflexo de deglutição, envolve uma intratorácica do esôfago (apenas o esôfago
série de contrações sequenciais. Enquanto cada inferior fica localizado no abdome). A localização
segmento do esôfago se contrai, ele cria área de torácica significa que a pressão intraesofágica
alta pressão logo atrás do bolo, empurrando-o é igual à pressão intratorácica, que é menor
para baixo no esôfago. Cada contração sequencial que a atmosférica. Isso também significa que a
empurra o bolo um pouco mais longe. Se a pessoa pressão intraesofágica é menor que a pressão
está sentada ou em pé, essa ação é, ainda, abdominal. A baixa pressão intraesofágica cria
acelerada pela gravidade. dois problemas:
 A gravidade não é indispensável. (1) manter o ar fora do esôfago, na
extremidade superior;
3. Quando a onda peristáltica e o bolo alimentar se (2) manter também os conteúdos gástricos
aproximam do esfíncter esofágico inferior, este se fora na extremidade inferior.
abre. A abertura do esfíncter esofágico inferior é
mediada por fibras peptidérgicas do nervo vago É função do esfíncter esofágico superior evitar
que liberam o VIP como neurotransmissor. O VIP que o ar penetre no esôfago superior bem
promove o relaxamento da musculatura lisa do como o é para o esfíncter inferior evitar que o
esfíncter esofágico inferior. Ao mesmo tempo em conteúdo ácido gástrico penetre no esôfago
que o esfíncter esofágico inferior se relaxa, a inferior. Ambos os esfíncteres esofágicos ficam
região oral do estômago também se relaxa, fechados, exceto quando o alimento está passando
fenômeno chamado de relaxamento receptivo. da faringe para o esôfago ou do esôfago para o
Este relaxamento reduz a pressão na região estômago. As situações em que a pressão intra-
oral do estômago e facilita o movimento do abdonimal está aumentada (p. ex., gravidez ou RELAXAMENTO RECEPTIVO DO
bolo para o seu interior. Logo que o bolo penetra obesidade mórbida) podem causar o refluxo ESFÍNCTER E ESTÔMAGO
no estômago oral, o esfíncter esofágico inferior se gastroesofágico, em que o conteúdo gástrico pode
contrai, retornando a seu elevado tônus de refluir para o interior do esôfago. Quando a onda peristáltica esofágica se aproxima
repouso. Nesse tônus de repouso, a pressão no do estômago, a onda de relaxamento,
esfíncter é maior que a pressão no esôfago ou no transmitida por neurônios inibidores
estômago oral. mioentéricos, precede o peristaltismo. Todo o
estômago e, em menor extensão, até mesmo o
4. Se a contração peristáltica primária não duodeno relaxam quando a onda peristáltica
remover completamente a comida do interior do atinge a porção inferior do esôfago  se
esôfago, a contração peristáltica secundária, preparam com antecedência para receber o
mediada pelo sistema nervoso entérico, esvazia o alimento levado pelo esôfago.
O esfincter gastroesofágico (ou esficter FOME: conjunto de sensações despertadas pela Quando o centro da saciedade for estimulado
esofágico ingerior – EEI) permanece necessidade de alimento, que levam o indivíduo  este vai inibir o centro da fome fazendo com
tonicamente contraído em condições normais  à procura, captação e ingestão desse alimento. que o animal se negue a comer.
mantendo uma pressão intraluminal no estômago A fome induz à procura do alimento por
de 30mmHg e evita o refluxo do conteúdo gástrico necessidade energética, biológica e não Por outro lado, quando o centro da saciedade
para as porções do esôfago. emocional. não for estimulado  o centro da fome não é
Quando a onda peristáltica atinge a porção final do inibido, ou seja, libera-se da ação depressora do
esôfago  ocorre o relaxamento do esfíncter A sensação de fome refere-se em geral à centro da saciedade, pelo que o animal procura o
gastroesofágico. necessidade de adquirir o alimento, mas não alimento e come;
 O esfíncter esofágico inferior não é um um determinado tipo de alimento. Quando o
enfincter verdadeiro, visto que é apenas uma indivíduo tem a sensação de precisar de REFLEXO DE ALIMENTAÇÃO
região de alta tensão que atua como uma determinado alimento, refere-se a apetite. Isto é,
Aferências aos centros hipotalâmicos  As
barreira para o esôfago do estomago. o desejo físico, ou emocional, de comer certo
aferências que chegam ao centro ventromedial
o Quando os alimentos são deglutidos a alimento específico; trata-se de uma sensação
são de dois tipos fundamentais quanto à sua
tensão relaxa permitindo a passagem dirigida a satisfazer um estado afetivo, que
origem: pré-absortivas (pré-prandial) e pós-
do bolo alimentar, esse relaxamento é procura preencher mais uma necessidade
absortivas (pós-prandial).
um ato reflexo. emocional, ou seja, come porque gosta de comer,
porque isto produz satisfação emótica.
AFERENCIAS PRÉ-ABSORTIVAS
Além do esfíncter há o mecanismo semelhante à
válvula na porção final do esôfago que se estende SACIEDADE: sensação consciente da cessação de Trata-se de estímulos produzidos antes da
até o estômago prevenindo que a pressão do fome, opondo-se a bromatossulipse e ingestão do absorção intestinal, mas que agem excitando a
lúmen estomacal force o conteúdo gástrico para o alimento. área ventromedial, isto é, estimulando a
esôfago. saciedade, e por conseguinte, somente podem
Ambas são sensações internas inatas, de modo começar a agir quando já se iniciou o processo da
OBS: Durante a fase da inspiração da respiração, que qualquer indivíduo, em determinadas alimentação, mas não antes de comer.
quando a pressão intrapleural cai, as paredes do circunstâncias, necessita do alimento ou não o
esôfago expandem-se. A expansão cria uma deseja. BOCA
pressão subatmosférica no lúmen esofágico, que Quando o alimento é incorporado na boca,
pode sugar o conteúdo ácido do estômago se o NÚCLEOS DA FOME E SACIEDADE aumenta a pressão intra-oral, o que excita os
esfincter estiver relaxado. mecanorreceptores da mucosa bucal; estas
Disto pode-se concluir que a área ventromedial
estimulações da mucosa provocam o reflexo da
do hipotálamo está ligada à saciedade, isto é, à
mastigação por um lado, e por outro, estímulos
FOME E SACIEDADE recusa do alimento, enquanto a região
que chegam ao núcleo ventromedial do
A ingestão dos alimentos é um fenômeno ventrolateral liga-se à fome, isto é, à aceitação e
hipotálamo; O próprio processo de mastigação
voluntário, e como tal é controlado através de procura do alimento. Daí que a área ventromedial
excitam ainda mais o centro da saciedade 
sensações conscientes misturadas com estados é denominada área ou centro da saciedade, e a
através de proprioceptores musculares dos
afetivos que levam à procura do alimento ou à sua ventrolateral, área ou centro da alimentação ou da
músculos envolvidos na mastigação.
rejeição. fome.
ESTÔMAGO
Quando o bolo alimentar chega ao estômago, A grelina estimula a fome e a maior ingestão de No jejum  glicose diminui  a fome aumenta.
produz distensão  receptores de distensão alimentos  age no centro da saciedade no
são excitados produzindo impulsos até o centro hipotálamo, deprimindo-o. Diferença artério-venosa  representa a taxa
da saciedade no hipotálamo via fibras aferentes A grelina tem um antagonista  o peptídeo YY  de consumo de glicose por determinado
vagais. que produz sensação de saciedade e bem estar. tecido, pois a concentração de glicose é maior no
Pouca grelina  aumenta PYY. Muita grelina  sangue arterial do que no venoso.
HORMONIOS GASTROINTESTINAIS inibe PYY.
Em obesos mórbidos há diminuição do PYY e No individuo em jejum e no diabético  a
exagero da grelina. diferença arterio-venosa está baixa 
estimulando a fome.
AFERENCIAS PÓS-ABSORTIVAS
São estímulos gerados após o processo absortivo  HIPÓTESE GLICOSTÁTICA DE MAYER
intestinal  período pós-prandial. Nos centros hipotalâmicos e no estômago
A natureza destes estímulos é metabólica, e são existiriam receptores sensíveis às variações da
ligados aos mecanismos desencadeados - direta glicose  alta excitação quando o consumo de
ou indiretamente -pela presença do substrato glicose é alto  chamados de glicorreceptores 
energético no sangue, e disponível para a estimulam o centro da saciedade  o que inibe a
célula. Estes mecanismos metabólicos estão fome.
ligados às variações da temperatura corporal e à
COLESCISTOCININA: taxa sanguínea de glicose e ácidos graxos livres. ACIDOS GRAXOS LIVRES:
Hormônio produzido pelas células da mucosa
duodenal, quando chega o alimento ao duodeno TEMPERATURA CORPORAL:  HIPÓTESE LIPOSTÁTICA
ricos em gorduras e proteínas. É capaz de inibir Haveria os liporreceptores localizados no
O aumento da temperatura corporal 
a fome excitando exclusivamente a área hipotálamo  quimiorreceptores que
estimula a área ventromedial do hipotálamo,
ventromedial do hipotálamo. detectariam a magnitude de utilização dos ácidos
produzindo-se a sensação de saciedade e
inibindo-se a fome, o que limita a ingestão graxos  a estimulação desses receptores
INSULINA E GLUCAGON: alimentar. levaria a inibição dos neurônios
Determina-se que a mera presença de alimento no Este aumento se deve a liberação de energia ventromediais  deprimindo o centro da
estômago ou duodeno provoca, por mecanismo térmica pela oxidação de substratos energéticos saciedade  levaria a sensação de fome.
ainda não estabelecido, maior secreção insular (glicose e proteínas) no fígado  síntese e
de insulina e glucagon, fatores que por ação hidrólise do ATP.
direta - não mediada pelas modificações do teor
de glicose ou ácidos graxos no hipotálamo Na febre, ocorre anorexia (falta da fome). Em
determinariam diminuição da sensação de ambientes frios há mais fome e nos quentes, menos
fome, reduzindo a ingestão de alimentos. fome.

GRELINA: TAXA SANGUÍNEA DE GLICOSE:


Após um período pós-prandial a taxa de glicose
aumenta  a fome diminui e a saciedade aumenta.
Durante o período pós-prandial a lipólise é inibida aminobutírico), hormônio concentrador de
e a lipogênese estimulada. Porém, no período pre- melanina (MCH) e até mesmo o cortisol. Por exemplo, lesões dos núcleos
prandial ou no jejum, ocorre a lipólise para No entanto, outros neurotransmissores estariam paraventriculares provocam excesso de ingestão,
fornecer substrato enérgico para o corpo, envolvidos na depressão da fome  como enquanto as lesões dos núcleos dorsomediais
aumenta a taxa de ácidos graxos livres no sangue. serotonina, noradrenalina, a-MSH e geralmente deprimem o comportamento
enterostatina. alimentar. Como discutido antes, os núcleos
arqueados são os locais do hipotálamo onde
Das outras porções do neuroeixo, a múltiplos hormônios, liberados pelo trato
amigdala límbica, a área pré-frontal gastrointestinal e pelo tecido adiposo, convergem
do córtex cerebral, o núcleo para regular a ingestão de alimentos, bem como o
accumbens e o estriado são gasto energético.
particularmente relevantes em
relação com o controle da ingestão NÚCLEO ARQUEADO
alimentar. Existem dois tipos distintos de neurônios nos
núcleos arqueados do hipotálamo especialmente
SENSAÇÃO DE FOME E importantes, tanto como controladores do apetite
REFLEXO CONDICIONADO como do gasto energético:
(1) neurônios pró-opiomelanocortina (POMC)
Fome condicionada: quando um indivíduo está
que secretam o hormônio a-melanócito
habituado a se alimentar em determinado horário,
estimulante (a-MSH), juntamente com o
chegando mais ou menos à hora habitual da
ESTRUTURAS NERVOSAS LIGADAS AO transcrito relacionado à cocaína e à anfetamina
refeição, esse indivíduo apresenta fome  esse
CONTROLE DA INGESTÃO ALIMENTAR (CART);
individuo estiver impedido de comer, sua
(2) neurônios que produzem as substâncias
Os centros hipotalâmicos da fome e saciedade sensação de fome será intensa à hora precisa, mas
orexígenas neuropeptídeo Y (NPY) e a proteína
podem ser influenciados por outros centros vai se reduzindo, à medida que passa o tempo, isto
relacionada ao agouti (AGRP).
nervosos: é, afastando-se da hora em que rotineiramente
Alguns do mesmo hipotálamo, tais como  os comia;
A ativação dos neurônios POMC reduz a
corpos mamilares e os núcleos arqueado e Não é fome no sentido estrito da palavra,
ingestão de alimentos e aumenta o gasto
paraventricular, que coordenam respostas porquanto se houvesse realmente condições
energético.
condutuais alimentares associados às suas inibidoras do núcleo ventromedial do hipotálamo,
Enquanto a ativação dos neurônios NPY-AGRP
funções específicas; como hipoglicemia, por exemplo, ou aumento da
tem efeitos opostos, ao elevar a ingestão e
Bem como estruturas dopaminérgicas e algo taxa de ácidos graxos, a sensação de fome não
reduzir o gasto energético.
menos, as noradrenérgicas  podem cederia com o tempo;
determinar depressão da fome.
POMC/CART
A respeito, uma série de neurotransmissores OUTROS NÚCLEOS Os neurônios POMC liberam a-MSH, que então
liberados no hipotálamo estaria ligada com o
Os núcleos paraventricular, dorsomedial e atua sobre os receptores da melanocortina,
controle alimentar, entre os quais caberia
arqueado do hipotálamo também encontrados de modo especial nos neurônios
destacar como fatores que estimulam a fome 
desempenham papel importante na regulação da dos núcleos paraventriculares.
entre outros, as orexinas, endorfinas, galanina,
ingestão de alimentos.
aminoácidos (como glutamato e ácido y-
A ATIVAÇÃO DESSES RECEPTORES REDUZ O neurônios do hipotálamo que diminuem o apetite múltiplos locais no hipotálamo, especialmente os
CONSUMO DE ALIMENTOS, ENQUANTO e aumentam o gasto energético. neurônios POMC e AGRP/NPY dos núcleos
AUMENTAM O GASTO ENERGÉTICO (MCR-3 e arqueados e os neurônios dos núcleos
MCR-4). Inversamente, a inibição do MCR-3 e do Apresenta um efeito depressor da sensação de paraventriculares.
MCR-4 eleva bastante o gasto energético. fome provida pelo hipotálamo, porquanto nesse
O efeito da ativação do MCR de aumentar o gasto território se encontram abundantes receptores de A estimulação dos receptores leptínicos nesses
energético parece ser mediado, ao menos em leptina. núcleos hipotalâmicos inicia múltiplas ações que
parte, pela ativação de vias neuronais que se reduzem o armazenamento das gorduras,
projetam dos núcleos paraventriculares para o A leptina ativa os receptores de leptina localizados incluindo:
núcleo do trato solitário (NTS), estimulando a no núcleo arqueado do hipotálamo  esses (1) redução da produção hipotalâmica de
atividade do sistema nervoso simpático. neurônios liberam os neuropeptídios a-MSH e estimuladores do apetite, como NPY e AGRP;
CART  estes, por sua vez, ativam neurônios do
Obs: mutações do MCR4 causam obesidade. Já a núcleo paraventricular a secretar TSH e ACTH (2) ativação dos neurônios POMC, provocando
ativação excessiva leva a anorexia nos casos de  provocando aumento da taxa metabólica e liberação do a-MSH e ativação dos receptores da
infecções graves, canceres e uremia. temperatura corporal, além de aumentar o tônus melanocortina;
simpático do sistema nervoso visceral
NPY/ARGP aumentando a temperatura corporal. (3) aumento da produção hipotalâmica de
O AGRP liberado pelos neurônios orexígenos do substâncias tais como o hormônio liberador de
hipotálamo é antagonista natural do MCR-3 e A ingestão alimentar é inibida por meio de corticotropina, que diminui a ingestão alimentar;
do MCR-4 e, provavelmente, AUMENTA A conexões de neurônios do núcleo arqueado
INGESTÃO DE ALIMENTOS PELA INIBIÇÃO DOS com células do hipotálamo lateral.(núcleo da (4) atividade nervosa simpática aumentada (pelas
EFEITOS DO A-MSH NA ESTIMULAÇÃO DOS fome). projeções neurais do hipotálamo para os centros
RECEPTORES DA MELANOCORTINA. vasomotores), o que aumenta o metabolismo e o
A administração intracerebral de a-MSH ou CART gasto energético;
O NPY também é liberado pelos neurônios mimetiza a resposta a níveis elevados de leptina.
orexígenos dos núcleos arqueados. Quando os Assim, esses peptídeos são ditos peptídeos (5) diminuição da secreção de insulina pelas
estoques energéticos do corpo estão baixos, os anoréticos – eles diminuem o apetite. células beta pancreáticas, o que reduz o
neurônios orexígenos são ativados para liberar armazenamento energético.
NPY que estimula o apetite. Ao mesmo tempo, a A queda dos níveis de leptina  estimula o
atividade dos neurônios POMC é reduzida, neurônio do núcleo arqueado a secretar  Desse modo, a leptina pode ser em parte
diminuindo, assim, a atividade da via da neuropeptídeo Y e AgRP  inibem a secreção de importante por intermédio do qual o tecido
melanocortina e estimulando adicionalmente o TSH e ACTH, ativam a divisão parassimpática do adiposo sinaliza o cérebro que energia suficiente
apetite. SNV e estimulam o comportamento alimentar foi armazenada e que a ingestão de alimentos não
 são peptídeos orexígenos. é mais necessária.
LEPTINA
NO GUYTON
O hormônio leptina, liberado por adipócitos
A leptina então circula para o cérebro, onde
(células armazenadoras de gordura), regula a
atravessa a barreira hematoencefálica por difusão
massa corporal atuando diretamente em
facilitada, ocupando os receptores da leptina em
absorção1 . De forma semelhante, a saciedade Além disso, existem mais camadas de músculos na
pode ser afetada ainda pelo volume16 e pela camada mucosa, e a função motora do intestino
densidade energética17, os quais interagem são realizadas por essas diferentes camadas.
diretamente nos receptores gástricos e
intestinais2

A ausência da mastigação, que ocorre quando da


ingestão de alimentos líquidos, tem sido apontada
como um dos fatores que contribuiriam para a
menor saciedade. O tempo de exposição aos
receptores orofaríngeos, intimamente ligados ao
controle dos centros da fome a da saciedade, é
muito maior para os alimentos sólidos do que para
ALIMENTOS E SACIEDADE os líquidos.
Dentre as propriedades físico-químicas dos Posteriormente, verificou-se, também em
alimentos, a viscosidade, definida como a animais, que a mastigação ativa a liberação de
resistência que um fluido oferece ao movimento histamina, a qual suprime fisiologicamente a
relativo de quaisquer de suas partes, também está ingestão alimentar, pela ativação dos centros de
relacionada a alterações na ingestão alimentar. saciedade no hipotálamo. Com isso, há uma
Uma maior viscosidade retardaria o esvaziamento redução tanto do volume, quanto da velocidade de
gástrico, aumentando o tempo de saciedade14. ingestão do alimento, um aumento da lipólise,  O musculo liso gastrointestinal funciona como
Portanto, de uma forma geral, alimentos mais particularmente em adipócitos viscerais e, ainda, um sincício.
viscosos tendem a retardar a sensação de fome um aumento da expressão gênica das proteínas As camadas de músculos estão interligadas por
por mais tempo do que alimentos menos viscosos. desacopladoras (UCPs). junções comunicantes que fazem o transporte de
A composição de macronutrientes também tem íons, consequentemente eletricidade, tendo uma
sido demonstrada como um fator que influencia a Esse menor tempo de exposição aos receptores resistência bem menor.
ingestão alimentar, na qual a proteína é o orofaríngeos, que ocorre com alimentos líquidos,
macronutriente mais sacietógeno, seguido de também resulta em uma fase cefálica da Cada feixe de fibra esta separado um do outro por
carboidratos e lipídios15, e a eficiência de alimentação menos pronunciada, pois há uma meio de tecido conjuntivo frouxo, mas alguns
absorção dos macronutrientes pode diferir, a fraca produção/liberação dos hormônios e feixes se fundem a outros em diversos pontos de
depender do estado físico do alimento, peptídeos envolvidos. maneira que se comportam como um único feixe,
por isso o sincício. Desta forma, os sinais elétricos
Sólidos e líquidos apresentam diferenças em sua se propagam em várias direções.
resistência à ação da degradação enzimática,
FISIOLOGIA DA MOTILIDADE
bacteriana e mecânica, podendo os alimentos GASTROINTESTINAL  Atividade elétrica do musculo liso
sólidos apresentar um menor aproveitamento O intestino, em corte longitudinal, é dividido em gastrointestinal.
energético. Além disso, um alto conteúdo de várias camadas, sendo as principais: serosa,  O musculo liso é excitado por meio de
fibras, característica de alimentos sólidos, pode camada muscular lisa longitudinal, camada atividade elétrica intrínseca, continua e
resultar também em perda de energia na muscular lisa circular, a submucosa e a mucos. lenta.
 Existem dois tipos básicos de ondas  Elas não são potenciais de ação e sim A movimentação de quantidade de íons cálcio
elétricas nesse sistema: ondas lentas e variações lentas e ondulares do potencial para o interior da fibra muscular durante o
potenciais em espicula. de repouso da membrana. potencial de ação tem papel especial na contração
A causa das ondas, não é totalmente das fibras musculares.
compreendida, mas acredita-se que seja causada
por células chamadas de células intersticiais de Obs: apenas nos potenciais em espicula que
Cajal, que é o marcapasso elétrico das células do quantidade significativa de cálcio entra na célula.
musculo liso.
 Elas formam redes entre si.  Mudança na voltagem do potencial de repouso
 Os potenciais de membrana das células de da membrana.
Cajal passam por mudanças cíclicas, Sob condições normais o potencial de repouso
devido a canais iônicos específicos, que varia em torno de -56mV, porem diversos fatores
periodicamente, abrem-se permitindo podem alterar esse nível.
correntes de fluxo de íons.
 As ondas lentas estimulam, por meio de Obs: Quando o potencial fica menos negativo, o
disparos intermitentes, os potenciais em que é denominado despolarização da membrana,
espicula e são esses que de fato promovem as fibras musculares ficam mais excitáveis.
a contração muscular. Quando o potencial fica mais negativo, o que se
2. Potenciais em espicula. chama de hiperpolarização, as fibras ficam
Os potenciais em espicula são os verdadeiros menos excitáveis.
potenciais de ação. Eles ocorrem
automaticamente quando o potencial de repouso Os fatores que despolarizam a membrana — isto
da membrana do musculo liso gastrointestinal fica é, a fazem mais excitável — são (1) estiramento do
mais positivo que -40 mV. músculo; (2) estimulação pela acetilcolina,
liberada a partir das terminações dos nervos
Todas as vezes que os potenciais de onda lenta parassimpáticos; e (3) estimulação por diversos
ficam temporariamente mais positivos que -40mV hormônios gastrointestinais específicos.
surgem os potenciais em espicula, superpostos a
esses picos. Fatores importantes que tornam o potencial da
 Quanto maior o potencial de onda lenta, membrana mais negativo — isto é,
maior a frequência das espiculas. hiperpolarizam a membrana e a fazem menos
Nas fibras do musculo liso gastrointestinal, os excitáveis — são (1) efeito da norepinefrina ou da
canis responsáveis pelos potenciais de ação são epinefrina, na membrana da fibra; e (2)
diferentes; eles permitem que quantidades estimulação dos nervos simpáticos que secretam
1. Ondas lentas.
particularmente maiores de íons cálcio (Ca) entre principalmente norepinefrina em seus terminais.
A maioria das contrações gastrointestinais
ocorrem ritmicamente, e o ritmo é determinado, junto com quantidades menores de íons sódio
em grande parte, pela frequência das ondas lentas. (Na), por isso são denominados canais Ca-Na.
 Estes canais de Na-Ca se abrem e fecham  Contração Tônica de Alguns Músculos Lisos
com mais lentidão. Gastrointestinais.
 As contrações tônicas são mantidas por
minutos ou horas. Elas ocorrem em
alguns esfincteres de músculo liso e na
porção apical do estômago.
 A contração tônica é, por vezes, causada
por potenciais em espícula repetidos sem
interrupção.
 a contração tônica é ocasionada por
hormônios ou por outros fatores que
produzem a despolarização parcial
contínua da membrana do músculo liso,
sem provocar potenciais de ação.
 entrada contínua de íons cálcio, no
interior da célula, que se dá por modos
não associados à variação do potencial da
membrana.
Obs: existe também as contrações fásicas,
com ciclos de contração- -relaxamento que
duram apenas alguns segundos, ocorrem na
região distal do estômago e no intestino
delgado.