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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS

CAMPUS QUIRINÓPOLIS
Licenciatura em História IV Período
História Moderna I Professora Mestre Wanderléia Nogueira
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RESUMO DO CAPÍTULO VI “O OLHAR ANTROPOLÓGICO”


DA OBRA “A FEITIÇARIA NA EUROPA MODERNA” DE LAURA DE MELLO

Amanda Batista; Arly C. Neves; João Vítor de Andrade e Wesley G. Neves.

O texto de Laura de Mello trabalha o tema das bruxas analisando suas práticas e as perseguições por
elas sofridas. A autora esclarece que as bruxas foram vítimas de um mundo antigo (baixa Idade Média) onde
Deus e o Diabo vigiavam o cotidiano e nele interferiam.

Em seguida, passa a analisar as razões pelas quais a sociedade da Idade Moderna começou a
enxergar a bruxaria com novos olhos. Esclarece que os demonólogos, os racionalistas e os historiadores
ajudaram a desconstruir o medo das bruxas através de um olhar racional e antropológico. A autora propõe a
análise antropológica como sendo a mais fecunda e promissora porque ela ajuda a compreender o papel e o
espaço das práticas da bruxaria.

A autora, sem citar fatos, utilizando-se apenas da argumentação, citando autores (não
necessariamente suas obras, mas suas vidas), com isso vai demonstrando a evolução do olhar sobre as
bruxas, defendendo assim sua tese, o pensamento científico da Idade Moderna substituiu a representação de
um mundo metafísico pelo racional cristalizando os medos indefinidos da sociedade, tornando-os
inofensivos.

Segundo Mandrou, casos escandalosos de satanismo provocou uma tomada de consciência decisiva
no meio judiciário. Os magistrados que antes perseguiam com sede e sem tréguas, foram entrando em
contato com os humanistas e com os médicos e passaram a ver a bruxaria de modo diferente. Foi nessa época
que se constituiu um universo regido pela razão em que a presença de Deus e do Diabo nos acontecimentos
foi substituída pela busca de uma explicação mais racional. (apud SOUZA, 1987, p. 46)

O que antes se perseguia com fúria passou a ser considerado superstição e ignorância (próprios para
assustar ou adormecer as crianças). A razão passou a ser a única forma de conhecimento admissível. O
Renascimento e a Imprensa foram reverenciados como forma suprema de conhecimento. O racionalismo
dominou de tal forma a sociedade moderna ao ponto de Voltaire lamentar o desencantamento, a descrença
em fadas e espíritos, dizendo inclusive que éramos felizes antes.

O florescimento da antropologia e o contato com as práticas mágicas de povos primitivos permitiram


a análise sob o enfoque antropológico. A antropologia praticada fora da Europa ajudou a reequacionar a
abordagem do fenômeno das bruxas a partir de um modelo extra europeu. O estudo do inglês Evans-
Pritchard sobre a bruxaria Azande no sul do Sudão, o estudo de Malinoswki sobre os nativos Trobiandeses
(Ilhas Trobiand) e as práticas mágicas (mães de santo) no Brasil ajudaram no surgimento desse ponto de vista
etnológico, captando suas dimensões e traços específicos.

Segundo Mello, as práticas mágicas no Brasil seguiram um percurso totalmente diferente do que diz
Mandrou e Keith Thomas. Não foi preciso que o pensamento mágico desaparecesse para que o científico
aflorasse. Assim pensava Marx, para quem o pensamento mágico e a ciência não são incompatíveis, se assim
fosse, necessário seria erradicar as bruxas para prevalecer o pensamento científico.

E finalmente, a autora cita Einstein, que dizia que para enveredar pelo caminho da ciência, era
necessário afastar-se de Deus, mas para aprofundar os estudos havia que se reconciliar com o Criador. O que
Einstein está dizendo é que Deus é pensamento mágico e a magia (a imaginação, a criatividade) são úteis à
ciência.

SOUZA, Laura de Mello. A Feitiçaria na Europa Moderna. São Paulo: Ática, 1987.

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