Você está na página 1de 16

Universidade Federal Fluminense

Faculdade de Direito
2019.2

Análise Econômica do Direito sob


Richard Posner & Ronald H Coase

Leonardo Jandre Mataruna


Simples e controversa ideia


Aplicar a abordagem econômica, as
idéias e métodos da economia nas
outras ciências sociais.
Law & Economics, Richard Posner

Análise econômica do direito é um método de
elaboração, interpretação e aplicação do direito,
consequencialista e pragmático.

Complementa o método deontológico e tem como
objeto as escolhas individuais para aumentar o
sucesso e evitar o fracasso de seus desejos,
aperfeiçoando as consequências de seus atos.

Recursos limitados, meios disponíveis e restrições
naturais ou do ordenamento jurídico são avaliados
com dois tipos de análise conceitualmente distintas,
a positiva descritiva e a normativa prescritiva.
Deontologia

Uma classe de tratado ou disciplina que se centra na
análise dos deveres e dos valores regidos pela moral.

Diz-se que o filósofo britânico Jeremy Bentham foi quem
apelidou esta noção. A deontologia faz parte daquilo que
se conhece como ética normativa (a filosofia que indica
que se deveria considerar como bom e que é aquilo que
se deveria qualificar como mau/negativo)

Isto quer dizer que cada profissão, ofício ou âmbito
determinado pode ter a sua própria deontologia que
indica qual é o dever de cada pessoa.

Dicotomia ou maniqueísmo, Keines Vs Pigou.
The Social Costs of Monopoly and Regulation

Author(s): Richard A. Posner

Source: The Journal of Political Economy, Vol. 83,
No. 4 (Aug., 1975), pp. 807-828

Published by: The University of Chicago Press

Stable URL: http://www.jstor.org/stable/1830401

Tentativa empírica de estimar
os custos sociais de
monopólios e regulamentações
indutoras de monopolização e
cartelização nos Estados
Unidos da América.
Porque ignorar impactos das forças econômicas sobre
o sistema jurídico?

Confusão conceitual: análise econômica do
direito NÃO é direito econômico;

Eurocentrismo, por sua origem Norte-americana;

Preconceitos & rótulos, tendencias e
polarizações politicas mitológicas e sem
fundamentos;

Ignorância e desconsideração da evolução da
teoria, estudos e disciplinas desde fases iniciais
ou radicais até mais modernas, amadurecidas e
moderadas pós crise 2008;
A NATUREZA DA FIRMA (1937)

COASE, R. H. (1937). The nature of the firm. In:
WILLIAMSON, O. & WINTER, S. (eds.) (1991)
The nature of the firm: origin, evolution and
development. Oxford: Oxford University Press.

Empresas devem ser concebidas como entidades
endógenas ao sistema econômico, cuja existência só
se justifica na presença de custos de transação para a
produção.

Empresas e outras organizações e instituições
econômicas existem porque os agentes acham que
elas são uma forma útil de minimizar os custos de
transação.
Custo social

“Mercados são instituições que existem para facilitar trocas, isto é, eles
existem de forma a reduzir o custo de executar transações de troca.” Ronald
Coase

Estruturam-se mercados como mecanismos de redução desses custos de
transação. Um sistema de regras e regulações é necessário para reduzir
esses custos e, com isso, aumentar o volume de negócios. Um sistema bem
definido de direitos de propriedade reduz bastante os custos de transação,
facilitando o processo e aumentando a eficiência do mercado. Para Coase,
se os direitos de executar certas ações podem ser vendidos ou comprados,
eles tenderão a ser adquiridos por aqueles que os consideram mais valiosos.

Assim, as ações são levadas a um resultado onde o maior valor possível no
mercado é atingido. Não há diferença, segundo Coase, entre os direitos que
determinam como um pedaço de terra deve ser usado ou aqueles que
permitem que alguém possa emitir fumaça num determinado lugar. Ele
argumenta que, se assumirmos que o efeito negativo da poluição é a morte
de peixes, por exemplo, a questão a ser decidida é se o valor da perda dos
peixes é maior ou menor que o valor da produção que causa a poluição."
Teorema de Coase


As regras jurídicas e intervenções
governamentais NÃO afetam a eficiência na
alocação das externalidades, pois as partes
irão negociar sempre as soluções ótimas.

Desde que:
I. Não haja custos de transação;
II. Os direitos estejam claramente definidos.
Mundo ideal versus mundo real

Em um mundo sem custos de transação, conforme o Teorema de
Coase, não faria diferença a alocação inicial dos direitos de
propriedade, pois tais direitos iriam acabar onde o maior valor
pudesse ser gerado no mercado.

Mas no mundo real existem os custos de transação, e por isso é que
faz toda a diferença a largada inicial com os direitos de propriedade.
Os direitos de propriedade deveriam, em teoria, ser designados aos
agentes que atribuem o maior valor a eles. O problema na vida real é
que o governo nem sempre ou quase nunca sabe o uso mais valioso
de um recurso. Os governos deveriam então criar instituições
minimizadoras dos custos de transação, permitindo assim que as
alocações ineficientes dos recursos possam ser corrigidas da maneira
mais barata possível. A barganha entre as partes permitirá que a
alocação seja mais eficiente."
Intervenções estatais

Em resumo, o problema que enfrentamos ao lidar com ações que
geram efeitos negativos não se limita a restringir os responsáveis. É
preciso decidir se os ganhos provenientes da prevenção desses
efeitos negativos são maiores ou menores que as perdas sofridas
pelo resultado do término da ação que produzia o efeito. No mundo
real, onde existem custos de transação para redistribuir os direitos
estabelecidos pelo sistema legal, as cortes estão tomando uma
decisão sobre um problema essencialmente econômico,
determinando como os recursos deveriam ser utilizados.

Muitos problemas onde há demanda por ações corretivas do governo
são, normalmente, resultado justamente da ação governamental.
Existe um perigo real de que a intervenção excessiva do governo no
sistema econômico leve a uma proteção exagerada daqueles
responsáveis pelo efeito social negativo. Seria quase sempre mais
eficiente permitir que o próprio mercado pudesse definir livremente
essa alocação."
Milton Friedman

"Se colocarem o governo federal para administrar o deserto do Saara,
em cinco anos faltará areia".

"Se uma atividade governamental for privatizada ou eliminada, que seja
por completo. Não faça concessões como a privatização ou a redução
parciais. Isso simplesmente deixa um foco de oponentes determinados,
que trabalharão com diligência, e às vezes com sucesso, para reverter a
mudança".

"Nada é tão permanente quanto um programa governamental
temporário".

"Sou a favor da redução de impostos sob qualquer pretexto, por qualquer
motivo, a qualquer momento possível".

"Sou a favor da legalização das drogas. De acordo com o meu sistema de
valores, se as pessoas quiserem se matar, elas têm o direito de fazê-lo. A
maior parte do estrago das drogas acontece porque elas são ilegais".
Ciclo de projetos
I. Concepção
II.Formulação
III.Análise Ex-ante Custos
IV.Execução supervisionada ?
Rejeita
V.Operação
A
VI.Avaliação Ex-post Efeitos
Zona de
baixo risco

? Implanta
Análise de Impacto Regulatório (AIR)

Processo sistemático de gestão regulatória, baseado na melhor
evidência disponível, que busca avaliar, a partir da definição de
um problema regulatório, os possíveis impactos das opções
regulatórias disponíveis para o alcance dos objetivos
pretendidos.

Aprimoramento da qualidade regulatória, contribuindo para a
transparência do processo de regulação e para o diálogo entre
governo, setor regulado e a sociedade em geral, e tem como
finalidade orientar e subsidiar a tomada de decisão e contribuir
para que a atuação do regulador seja efetiva, eficaz e eficiente.

AIR é um processo de diagnóstico do problema, de reflexão
sobre a necessidade de atuação e de investigação sobre a
melhor forma de executá-la e não apenas uma ferramenta ou
um questionário para comparação de opções regulatórias.
Fases da AIR
I. Análise e definição do problema regulatório: identificação e análise do
problema, por meio da qual se busca o entendimento acerca das
causas e consequências do problema. Nesta fase também são
identificados os agentes afetados pelo problema e definidos os
objetivos pretendidos com a atuação regulatória;
II. Construção das opções regulatórias: levantamento e análise de
viabilidade do maior número possível de opções para solucionar o
problema regulatório, considerando, além das opções normativas, as
não normativas; e
III.Identificação e comparação dos impactos das opções regulatórias:
identificação dos impactos das opções viáveis e comparação dos
impactos através de análises qualitativas ou quantitativas. Esta fase
tem o objetivo concreto de demonstrar aos tomadores de decisão se
existe opção regulatória que se mostre claramente mais adequada,
em termos de custos e benefícios de objetivos pretendidos.

Fim

Contato com o autor: ljmataruna@id.uff.br