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3.1 – Artigo 01

RECUPERAÇÃO DE ESTRUTURAS DE CONCRETO ARMADO


PROCEDIMENTO E TECNICA DE REPARO COM A UTILIZAÇÃO DE GRAUTE
MINERAL1

Carlos Marcel Pergentino de Moura 2


Raul Wagner Teotonio Oliveira da Silva 3
Gilvan Bezerra dos Santos Júnior4

RESUMO

A decisão de reparar uma estrutura de concreto armado, ou seus componentes,


pode ser considerada após a comprovação de que o estado limite último fora
alcançado. Com base nas avaliações técnicas e o grau de degradação estrutural, o
perito execução procedimento de identificação e mensuração da patologia permitindo
preparar o diagnóstico e indicar as formas de terapia necessárias à reabilitação da
estrutura ou seu elemento. De acordo com as investigações preliminares sobre as
condições aparentes dos sintomas apresentados, em decorrência das exposições
pelas quais se encontra, as técnicas de reparo são então selecionadas. Para isso,
pode-se fazer uso da utilização dos métodos de encamisamento utilizando o micro
concreto de autodesempenho (grouteamento da peça ou estrutura com a finalidade
de recompor a seção desejada com a utilização de formas), o uso de argamassa
polimérica, injeção de resinas a base epóxi, utilização de fibras de carbono,
substituição de armaduras, acréscimo da área de aço, realcalinização do concreto
carbonatado e remoção eletro química de cloreto da massa do concreto são
comumente usados.

Palavras-chave: Engenharia diagnóstica, laudos periciais, reabilitação estrutural.

_____________________
1 Artigo apresentado à Universidade Potiguar –UnP, como parte dos requisitos para obtenção do

título de Bacharel em Engenharia Civil.


2 Graduando em Engenharia Civil pela Universidade Potiguar-eng.pergentino@hotmail.com
3 Graduando em Engenharia Civil pela Universidade Potiguar-raulwagner@hotmail.com
4 Orientador mestre em Engenharia Civil. Professor da Universidade Potiguar.
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REHABILITATION OF STRUCTURE IN REINFORCED CONCRETE –


PROCEDURE AND TECHNICALS OF REPAIR WITH UTILIZATION OF
GROUT MINERAL.

ABSTRACT

The decision of repair a structure of concrete reinforced, or its components, can


be taken after the evaluate of its state service and structural has arrived or overtake.
With base in the avaliations technical and the level of deterioration, the expert to
execute firstly the procedure of identification and mensuration of the pathology allowing
prepare the diagnostic and to explain the forms of therapy necessary to rehabilitation
of the structure or structural element. According with preliminaries investigations about
apparent conditions, analytics, showed symptoms from structure, on account of
conditions that it is submitted, the technical of repair are so selected. To repair the
structure damaged can use the utilization of methods of jacketing where it use the
micro concrete of high performance (grouting of piece or the structure with the finality
of repair/recompose using forms), the use of cement polymeric, injections of resins
epoxy, utilization of carbon fiber, change of steel, additional space steel, re-alkalization
of concrete carbonated, removal electrochemical of chloride from concrete mass are
generally used.

Keywords: Engineering diagnostic, expert report, structural rehabilitation


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1 INTRODUÇÃO

A excelente resistência à água, baixo custo, disponibilidade no próprio canteiro


de obras, além da facilidade com que os elementos estruturais podem ser executados,
numa variedade de formas e dimensões, são algumas das razões pela qual o concreto
é o material estrutural de maior uso na atualidade (METHA, 1994). Sua composição
consiste basicamente na mistura de cimento Portland, areia, brita e água, sendo
dominado concreto armado àqueles que possuem barras de aço projetadas em sua
massa.

A velocidade com que as estruturas de concreto armado vêm atingindo


precocemente o seu estado limite último, está influenciando cada vez mais, devido à
ação dos agentes ambientais, como também de esforços mecânicos que podem
cansá-lo, fadiga-lo e inclusive feri-lo, num processo contínuo, na degradação dos
materiais que as compõem. Esta interação permanente com o meio leva as estruturas
de concreto uma ou mais vezes durante a sua vida útil, a serem reparadas com a
finalidade de manter os padrões de desempenho e utilização.

Como exemplos de patologias em estruturas de concreto, pode-se mencionar


a corrosão de armaduras, fissuração excessiva, manchas superficiais, degradação
química, deformação excessiva e falhas de concretagem.

Através da realização de cadastramento das manifestações patológicas em


estruturas de concreto armado na região nordeste do Brasil, ANDRADE e DAL MOLIN
(1996) diagnosticaram que a corrosão atinge cerca de 61% dos casos de patologia
catalogados.

Em 2004, somente a Alemanha gastou aproximadamente 90 bilhões de euros


com manutenção e reparo de estruturas de concreto armado (VEDA & TAKEWAKA
2007). Além disso, a parcela dos gastos realizados com reparos e manutenção frente
ao total gasto pela indústria da construção civil é em muitos países superior a 15%,
podendo chegar a superar o montante gasto com construções novas, como é o caso
da Itália, aonde a parcela dos gastos com manutenção e reparo chega a 57% (UEDA
& TAKEWAKA, 2007). No Brasil não se tem exatamente este tipo de quantificação, no
entanto, em decorrência do grande número de empresas e profissionais
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especializados no assunto, é possível considerar que a situação não seja muito


diferente.

Em decorrência da necessidade de restabelecimento das condições de


utilização das peças de concreto que apresentam algum tipo de patologia,
permanentemente são desenvolvidos e lançados novos produtos para recuperação,
reforço e proteção das estruturas, num mercado francamente em expansão que,
segundo HELENE (1992) apud MAILVAGANAM (1991), nos últimos 20 anos cresceu
nos Estados Unidos, a uma taxa de 30 a 50% maior que o crescimento na construção
civil de novos empreendimentos, nesse mesmo período.

ANDRADE e DAL MOLIN (1991) coletaram dados correspondentes às


intervenções para recuperação de estruturas de concreto armado no período de 1978
a 1996 no estado de Pernambuco. Das obras catalogadas,98,3% estão
compreendidas na faixa de 1 a 6km do litoral, sendo a maior parte dos problemas
patológicos corrigidos com o emprego de sistemas de reparo, procedimento de
recuperação recomendado para danos estruturais de pequena extensão. Dentre os
diversos tipos de obras cadastradas na pesquisa, as indústrias correspondem a 9%
do total, tendo como principal método empregado para reabilitação das estruturas,
com 86% dos casos, os sistemas de reparo que utilizam graute mineral como material
para recomposição da seção das peças reparadas.

Grautes minerais são argamassas ou micro concretos base cimento,


geralmente com adições de super plastificante e agente expansor. Caracterizam-se
principalmente por apresentarem consistência auto adensável, retração compensada
e elevada resistência inicial.

O alto percentual de utilização do graute mineral como material de reparo para


estruturas de concreto no ramo industrial, deve-se ao fato da grande incidência de
corrosão de armaduras de vigas e pilares de tal tipo de obra. Pelo fato dos elementos
estruturais geralmente apresentarem processo corrosivo bastante avançado,
necessitando de imediata intervenção de reparo, é feita a opção pela utilização do
graute para recomposição da seção das peças reparadas, uma vez que o mesmo
apresenta elevadas resistências iniciais, consequentemente evitando prolongada
paralização da indústria para perfeita realização dos serviços de reparo.
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A grande utilização do graute mineral como material para reparo em estruturas


de concreto no ramo industrial, conjugado ao fato do Estado do Rio Grande do Norte
concentrar grande parte do setor industrial na região litorânea, principalmente
representado pela indústria do sal e do petróleo, foram os principais motivos que
incentivaram o desenvolvimento deste artigo cujo demonstrará a técnica de reparo de
estruturas de concreto armado sob o efeito da corrosão com a utilização de graute
mineral.

Este artigo traz uma apresentação da teoria de envoltória sobre a degradação


das estruturas de concreto armado, onde a princípio contém revisão da literatura de
forma lacônica, que consiste na exposição dos procedimentos e técnicas de reparos
mais usuais na recuperação de estruturas de concreto armado.

O artigo em questão teve por objetivo principal a demonstração da técnica de


encamisamento utilizando grout mineral, microconcreto, e seus procedimentos,
utilizado na recuperação estrutural.

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

As patologias de estruturas de concreto armado e consequente recuperação se


faz necessária em decorrência da suscetibilidade e agressões do meio ambiente das
superfícies de concreto expostas, em alguns casos poucos meses após a conclusão
da obra. Esta deterioração é ainda mais significativa em edifícios localizados em
grandes centros urbanos, como São Paulo (OLIVEIRA E HELENE, 1991), e em
ambientes marinhos.

Os sintomas mais comuns, de maior incidência nas estruturas de concreto, são


as fissuras, as eflorescências, as flechas excessivas, as manchas no concreto
aparente, a corrosão de armaduras e os ninhos de concretagem – segregação dos
materiais constituintes do concreto (HELENE, 1992). Certos problemas, como os
resultantes das reações álcalis-agregado e corrosão das armaduras só aparecem com
intensidade anos após a produção.

O conceito de desempenho reflete o comportamento em serviço de cada


produto ao longo de sua vida útil, não significando, entretanto que o produto esteja
“condenado” se apresentar desempenho insatisfatório. Neste caso, a estrutura requer
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imediata intervenção técnica, de forma a reabilitá-la. Um modelo proposto por SOUZA


& RIPPER (1998), mostrado na figura 01, apresenta três histórias de desempenho,
em função de fenômenos patológicos diversos. Na figura 01, a linha em traço duplo
ponto, ilustra o fenômeno de desgaste natural da estrutura, que após intervenção,
recupera-se seguindo a linha do desempenho acima do exigido para sua utilização.
No segundo caso, a linha cheia, representa uma estrutura submetida a um problema
súbito, tal como um acidente, para qual a intervenção é imediata para voltar ao
comportamento satisfatório. No terceiro caso, linha traço ponto, tem-se uma estrutura
com erros originais de projeto ou execução, ou que tenha mudado seu propósito
funcional, ou seja, que necessita do reforço, já no começo de sua vida útil.

Figura 01 – (Diferentes desempenhos de uma estrutura com o tempo em função de diferentes


fenômenos patológicos).
Fonte: SOUZA & RIPPER (1998)

Portanto para a obtenção de desempenho satisfatório, a estrutura deve atender


às condições de segurança em relação aos estados limites último e de utilização, que
contemplam a resistência, a rigidez, a estabilidade, aspectos estéticos, conforto
térmico e acústico, entre outros.

CALAVERA et al. (1987) observam que a recuperação de um edifício consiste


geralmente em um processo de substituição de componentes ou agregação de outros
a fim de que a estrutura possa funcionar de novo. Afirmam que se planeja a
recuperação ou reabilitação de um edifício após um estudo cuidadoso e crítico
observando principalmente as seguintes características:
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a) Segurança – Alguns elementos estruturais apresentam sintomas de


movimentações, deformações, fissuras, entre outros, que possibilitarão prever se a
ruína se manifestara a curto ou médio prazo.

b) Adequação – As características funcionais e estéticas são antiquadas e podem não


corresponder as atuais exigências da sociedade.

c) Conforto – Os elementos de proteção e acabamento do edifício e instalações têm


que funcionar.

Segundo CALAVERA et al. (1987), em qualquer situação será sempre preciso


uma inspeção preliminar da estrutura, que permitirá a adoção de um plano de atuação
detalhado. Tal plano deve conter normalmente o programa de atuação necessário
para definir a estrutura ou parte da estrutura que será necessário estudar e seu estado
de conservação. Podem-se definir os seguintes tipos de atuação:

d) Inspeção visual detalhada, visando o estabelecimento de procedimentos


adequados:

- Esquema estrutural: Seções, tipologias dos elementos estruturais, sistemas de


apoio.

- Sistemas de união: geometria e disposição e controle dimensional de alguns


elementos.

- Possíveis defeitos: Deformações nos elementos estruturais, inspeção de sintomas


presentes nos elementos estruturais, corrosão, deterioração, fissuras, brocas de
concretagem entre outros.

e) Ensaios não destrutivos: ensaios de carbonatação (uso de fenolftaleína para


identificar as condições do PH, da massa, no concreto), etc.

f) Ensaios destrutivos: retirada de amostras das peças investigas através do uso de


rompedores pneumáticos, pontaletes e marreta, a fim da comprovação de perda de
espessura, oxidação das barras, etc.
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3 RECUPERAÇÃO ESTRUTURAL. TÉCNICAS DE REPARO.

Os serviços de procedimentos preliminares, a princípio, visam apresentar a


localização da estrutura, descrição do projeto, descrição da concepção e resolução
estrutural, métodos de detecção, anomalias detectadas, metodologia aplicada na
recuperação estrutural. Realizada tais etapas, com base nas informações coletadas,
o parecer técnico relativo às patologias identificadas e planilha orçamentária para a
execução dos serviços de reparo e conservação necessários, são descritos para uma
reabilitação adequada.

As técnicas de reparo mais usuais são:

• Sistemas de reparo por repassivação localizada (argamassas, concretos e


grautes de base cimento Portland);
• Sistemas de reparo por barreira química (inibidores de corrosão);
• Sistemas de reparo por barreira sobre o concreto (vernizes e tintas de base
epóxi, acrílica ou poliuretana);
• Sistemas de reparo por proteção catódica.

3.1 SISTEMAS DE REPARO POR REPASSIVAÇÃO LOCALIZADA

Argamassas de reparo, concretos e grautes base cimento Portland são os


materiais mais utilizados na recuperação de estruturas deterioradas pela corrosão das
armaduras. Isso ocorre por se tratarem de materiais similares aos empregados
quando da confecção do elemento estrutural. O seu princípio de uso é bastante
simples: retira-se o material contaminado; limpa-se a região (substrato e armadura);
substitui-se a armadura, se necessário; reconstitui-se a seção com material novo. Por
não apresentar contaminantes e, além disso, alta alcalinidade, o novo material possui
a capacidade de passivar as armaduras e cessar o processo corrosivo no local. De
forma a melhorar o desempenho destes materiais, é muito comum à utilização de
aditivos e adições quando da produção destes, dos quais podemos destacar: os
aditivos inibidores de corrosão, aditivos redutores e/ou compensadores de retração,
fibras de polipropileno, e os mais comuns, adições minerais e poliméricas.
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3.2 SISTEMA DE REPARO POR BARREIRA QUÍMICA

Inibidores de corrosão, como o próprio nome diz, são substancias químicas


capazes de inibir e/ou reduzir o processo de corrosão. Esses materiais foram
descobertos na década de 60, em pesquisas que visavam o desenvolvimento de
aceleradores de pega que não possuíssem efeitos negativos na corrosão, como os
aceleradores de base cloreto. Nessas pesquisas foram desenvolvidos produtos
capazes de acelerar a pega do cimento, e verificou-se que, além disso, possuíam a
capacidade de inibir e/ou retardar o processo de corrosão do aço (LIMA, 1996). Vale
ressaltar que uma parte dos inibidores comercializados atualmente tem como
característica serem aceleradores de pega.

3.3 SISTEMAS DE REPARO POR BARREIRA SOBRE O CONCRETO

Sistemas formadores de película são compostos por polímeros que ao


coalescerem formam uma película/filme sobre a superfície a ser protegida, impedindo
assim a passagem de gases e íons através da mesma. Esses materiais podem ser
aplicados, dependendo do caso, diretamente sobre a superfície do aço, ou sobre o
concreto que o envolve. A diferença principal entre as formas de aplicação reside na
questão operacional (momento da obra em que a pintura é aplicada), na quantidade
de material envolvido e na proteção ou não do concreto de cobrimento. A aplicação
direta sobre o aço, apesar de mais econômica do ponto de vista do consumo de
material, necessita que o aço esteja exposto (antes da concretagem), sendo seu uso
em reparos controverso. Alguns pesquisadores afirmam que o recobrimento de
trechos isolados da barra pode levar à formação de macro células. Já a aplicação
sobre o concreto, apesar de consumir maior quantidade de material, apresenta grande
vantagem do ponto de vista executivo (maior facilidade na aplicação e reaplicação),
permitindo recobrir todo o trecho da estrutura (não só o reparo), o que minimizaria
possíveis efeitos de macro célula. Outra vantagem reside na proteção do concreto de
recobrimento. O uso desses materiais sobre o concreto reduz significativamente a
carbonatação e a lixiviação deste (RED REHABILlTAR, 2003).

A capacidade de proteção destes materiais está relacionada à qualidade da


resina empregada e da formulação do produto (relação entre resina, pigmento,
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solvente e carga). As resinas mais comuns utilizadas na construção civil como um


todo são:

• PVA;
• Acrílicas;
• Alquídicas;
• Poliuretânicas;
• Epoxídicas.

Dentre estas resinas, a primeira, devido a sua baixa capacidade de proteção, é


utilizada somente nas áreas internas das edificações, onde o grau de agressividade é
bastante reduzido. As resinas alquídicas não são recomendadas para uso em contato
com o concreto², devido à sua baixa resistência à alcalinidade elevada do mesmo -
sofre um processo de "saponificação". As demais são bastante empregadas na
proteção/recuperação de estruturas de concreto armado, sendo a epoxídicaa mais
resistente a meios extremamente agressivos. No entanto, esta resina deve ser usada
com cautela (em locais cobertos e/ou sistemas duplos) devido à sua baixa resistência
à radiação ultravioleta.

Sistemas hidrofugantes são compostos por resinas da família dos silicones que
têm por principal característica serem hidrófobas, isto é, possuem aversão à água.

Estes materiais, devido à sua polaridade similar à da água, têm a capacidade


de repelir a mesma, afastando-a da superfície sobre a qual esta está aplicada (isto
não ocorre no caso de existirem gradientes de pressão). Estes materiais devem ser
aplicados sobre a superfície do concreto/argamassa que deve estar seca. Então
penetram nos poros existentes e reagem com a matriz cimentícia, ligando-se
quimicamente a mesma. JACOB& HERMANN (1997) afirmam que estes materiais
apresentam desempenho reduzido quando aplicados sobre concreto/argamassa
jovem (idade menor que seis meses), isso ocorreria uma vez que a continuidade da
hidratação da matriz cimentícia após a aplicação destes produtos permitiria a
formação de compostos hidratados sobre a área tratada, reduzindo a efetividade do
tratamento. Outra característica muito importante destes materiais é fato destes não
colmatarem/tamponarem a superfície dos poros, permitindo que estes "respirem". Isso
é muito interessante, principalmente em situações onde é necessária a passagem de
vapor d'água pelo concreto (locais onde há percolação de água), onde sistemas
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formadores de película reteriam a passagem deste vapor, formando bolhas no


revestimento. Esta característica, no entanto, permite não só a passagem de vapor
d'água, como também de outros gases, como o CO2, por exemplo.

Dessa forma a capacidade de redução da carbonatação e da lixiviação não é


tão efetiva como nos formadores de película. Todavia, no que diz respeito aos
fenômenos de transporte relacionados à água, estes sistemas se mostram bem
efetivos, chegando às reduções na absorção de água da ordem de 95% (MEDEIROS
& HELENE, 2007).

3.4 SISTEMAS DE REPARO POR PROTEÇÃO CATÓDICA

A proteção catódica utiliza conceitos de eletroquímica para se proteger o metal


desejado. Numa célula eletroquímica convencional, a área anódica se corrói,
perdendo seus elétrons para a área catódica onde estes são consumidos. Baseado
neste fato, o sistema de proteção catódica visa criar uma corrente de elétrons entre
um ânodo de sacrifício e o metal a ser protegido. Dessa forma a área anódica existente
na célula eletroquímica, em vez de perder elétrons passa a recebê-los, comportando-
se então como uma área catódica. A corrosão neste caso não é eliminada, porém
passa a ocorrer em local pré-determinado e de forma controlada enquanto a corrente
de elétrons for mantida.

Para conseguir criar esse mecanismo, existem dois métodos bastante comuns:
ânodos galvânicos e corrente impressa.

Para se estabelecer um sistema de proteção catódica por corrente impressa,


utiliza-se um retificador de corrente capaz de criar um fluxo constante e controlado de
elétrons, da ordem de 3 a 20 mA/cm2, entre o metal a ser protegido e o ânodo de
sacrifício (Figura 02). Esse ânodo de sacrifício é normalmente colocado sobre a
estrutura de concreto armado a ser protegida e revestida com uma argamassa de
fixação de alta condutividade iônica (Figura 3). Como ânodos de sacrifício são
utilizados metais nobres como titânio, por exemplo, já que estes apresentam baixas
taxas de corrosão e menor volume nos produtos resultantes desta, aumentando a vida
útil do sistema e o intervalo de troca destes.
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Figura 02 - (Esquema de aplicação dos sistema de proteção catódica por corrente impressa).
Fonte:TULA & HELENE, 2001)

Figura 03 - (Exemplo de um ânodo de sacrifício na forma de malha, aplicado em uma estrutura real,
bloco de fundação).
Fonte: (GONÇALVEZ et AL., 2003)
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É sabido que quando dois metais de natureza distinta entram em contato dentro
de um eletrólito, o metal mais anódico corrói. No sistema de proteção catódica por
ânodos galvânicos, utiliza-se um metal de sacrifício fortemente anódico, de forma a
se contrapor a célula de corrosão naturalmente existente na estrutura, conferindo às
armaduras de aço, proteção contra a corrosão. Assim, são utilizados como ânodo de
sacrifício, metais como o zinco, que possui caráter fortemente anódico e, além disso,
seus produtos de corrosão apresentam volumes menores que o do aço.

4 REFORÇO DE ESTRUTURAS

“Faz-se presente o reforço em uma estrutura quando existe a necessidade de


aumentar a sua capacidade resistente ou para corrigir possíveis falhas que fazem
supor que a capacidade de carga prevista inicialmente diminuiu”. [VALENZUELA
SAAVEDRA, M.A., 2010].

A função dos reforços estruturais é aumentar a capacidade mecânica do


elemento estrutural. Deve-se assegurar a aderência com o uso de epóxi termoestável,
entregando aderência. Pode-se também empregar micro-concretos (groutes minerais)
aditivados ou poliméricos, apresentando o primeiro maiores resistências à
compressão e o segundo melhores resistências à flexão e tração. Portanto, é
importante conhecer as caraterísticas do material a ser reforçado, isto é, resistência,
módulo de deformação, fluência e retração. Ademais, é vital saber sobre a aderência
do material aplicado, já que a transmissão de cargas entre o elemento original e o
reforço deve ser capaz de resistir à interface gerada da ação dos esforços tangenciais.
Os procedimentos de reforço classificam-se em ativos e passivos.

Os reforços ativos fazem referência a aqueles tratamentos baseados na


introdução na estrutura de ações ou deformações que modificam o estado de tensão,
favorecendo o comportamento resistente. Uma das técnicas mais convencionais é a
protensão externa. Os reforços passivos partem de uma condição neutra e entram em
carga à medida que a estrutura original vai solicitando-o. É muito importante conhecer
as propriedades de deformação do reforço e da estrutura, pelo que resulta necessário
fazer um estudo de deformação da estrutura frente às cargas instantâneas e de longa
duração. Entre os reforços passivos, tem-se o encamisamento de elementos, o reforço
por chapas coladas, com perfis metálicos e com fibras de carbono.
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4.1 ENCAMISAMENTO DE ELEMENTOS ESTRUTURAIS

O encamisamento consiste em aumentar a seção de elementos de concreto


armado (geralmente pilares e vigas) com o fim de poder suportar cargas superiores
às previstas no projeto original. Na Figura 04 mostra-se o encamisamento de uma viga
em concreto armado.

Figura 04- (Encamisamento de viga em concreto armado).


Fonte: http://www.generadordeprecios.info

Este sistema apresenta a vantagem de uma grande compatibilidade entre o


material original e o de reforço, bem como uma ampla superfície de contato entre
ambos, que possibilita a necessária transferência de esforços. Assim mesmo, é
possível aumentar consideravelmente a seção de concreto e incorporar uma
abundante quantia de novas armaduras que, caso necessário, podem ser ligadas às
armaduras originais mediante algum tipo de ancoragem. O resultado final é um
elemento notavelmente monolítico, capaz de incrementar a resistência e rigidez do
elemento original.

Os reforços mediante encamisamento com concreto armado apresentam um


bom comportamento frente ao fogo, algo que não acontece na maior parte dos
sistemas de reforço restantes. Devido à sua baixa condutividade térmica, o concreto
faz com que os danos produzidos pelas exposições ao fogo, ou por temperaturas
extremas, limitem-se às zonas superficiais do concreto, oferecendo um suficiente
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isolamento térmico para as armaduras, sempre que se disponham os recobrimentos


adequados.

Destacam-se como inconvenientes fundamentais desta técnica de reforço, a


necessidade de aumentar, de modo considerável, as dimensões originais da peça,
acrescentando o peso próprio da mesma, uma dificuldade construtiva elevada e,
consequentemente, um custo elevado. Em termos estruturais indica-se que o
incremento de rigidez que este sistema implica, pode alterar a distribuição de esforços
no conjunto da estrutura. O correto funcionamento do reforço mediante
encamisamento com concreto armado passa por aproveitar os mecanismos de
transferência de cargas entre a peça pré-existente e o reforço.

Segundo BUENO (2008) descreve no seu livro Patología, reparación y refuerzo


de estructuras de hormigón armado enedificación, estes mecanismos de transferência
foram largamente estudados e são os seguintes:

g) Compressão direta concreto-concreto: A compressão direta através da superfície


de contato é a forma mais eficaz de transferência de esforços entre dois concretos.
Um adequado desenho do reforço, eliminando todo material deteriorado e tratando
adequadamente a superfície de concreto original, são essenciais para aproveitar este
mecanismo de transferência;

h) Atrito concreto-concreto: As forças de atrito entre a superfície do concreto original


e a de reforço são em geral consideráveis dada a extensão da superfície de contato.
Para aproveitá-las devidamente convém tratar a superfície de contato de maneira que
seja a mais rugosa e irregular possível. Uma armação transversal de reforço gera um
efeito de confinamento que igualmente melhora o atrito. Assim, a disposição de barras
passantes através da junta, que entram em tração ao se mobilizar, incrementa o atrito;

i) Aderência concreto-concreto: Aparece em caso de dispor um adesivo entre o


concreto original e o de reforço. As tensões tangenciais de aderência oscilam
tipicamente entre 0,6 e 2,4 N/mm2, para deslizamentos compreendidos entre 0,05 e
0,2 mm;

j) Pinos passadores: A disposição de barras ancoradas no concreto original e


embebidas no reforço, geralmente conhecidas como pinos passadores, permitem uma
considerável transferência de esforços entre o elemento original e o reforço.
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k) Transferência armadura-armadura: A conexão direta da armadura original e a de


reforço constitui em uma possibilidade a mais de transferência de esforços. Para isso,
deve-se eliminar o recobrimento na região e colocar barras soldadas ou de
sobreposição que permitam dita transferência de esforço. A armadura transversal do
reforço tem grande importância na eficácia deste tipo de conexão.

4.2 TIPOS DE ENCAMISAMENTOS

l) Com concreto armado: Consiste em colocar, com espessura superior a 7 cm, um


concreto convencional de adequada resistência e armadura similar à existentes
(Figura 5). Para aumentar sua trabalhabilidade e, portanto, facilitar a colocação em
obra, este concreto deverá levar incorporados aditivos superfluidificantes e ter as
caraterísticas de fluidez e consistência adequados;

Figura 05- (Encamisamento de um pilar com concreto armado). Disponível em


http://www.engenhariacivil.com

m) Com micro-concreto de cimento polimérico (argamassa hidráulico polimérico de


alta resistência). Baseia-se em colocar, com espessura compreendido entre 3 cm e 7
cm, um micro concreto confeccionado a partir do argamassa polimérica e uma mistura
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de areia de granulometria entre 3 mm e 10 mm. Este micro-concreto pode ser armado


ou não;

n) Com argamassa de cimento polímero (argamassa hidráulica polimérico de alta


resistência) consiste em colocar, com espessura compreendida entre 1 cm e 3 cm,
argamassa polimérico de dois componentes. Este encamisamento não costuma ser
armado.

5 PRINCIPAIS ETAPAS DE RECUPERAÇÃO COM A TÉCNICA DE


ENCAMISAMENTO UTILIZANDO O GROUT MINERAL EM RESERVATÓRIO DE
ÁGUA ELEVADO SITUADO NA CIDADE DE NATAL/RN

A princípio, realizou-se uma vistoria, inspeções, no reservatório para a


identificação de patologias e anomalias construtivas aparentes, eventualmente com o
auxílio de equipamentos e/ou aparelhos para a identificação da patologia, devido ao
efeito da corrosão presente nas armaduras dos pilares e vigas da estrutura, pelos
quais estavam comprometendo o estado limite último da mesma (Foto 06).
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Foto 06 – (Elevada presença de corrosão em armaduras de vigas comprometendo sua função


estrutural).
Fonte: NORTEC – Norte Engenharia Civil LTDA

Próximos procedimentos foram o apicoamento, para formar uma superfície de


aderência com o grout mineral das superfícies, e a inserção de inibidores de corrosão
nas armaduras, após a remoção da carepagem de óxido sobre sua superfície, criando
uma película resistente ao processo corrosivo no aço (Foto 07).

Foto 07 – (Apicoamento em toda a superfície do concreto de viga e inibidor de corrosão em


armaduras).
Fonte: NORTEC – Norte Engenharia Civil LTDA

Em seguida é inserida a ferragem de reforço, seguida de limpeza da superfície


com jateamento de água ou areia (Foto 08).
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Foto 08 – (Inserção de armadura de reforço mais limpeza de materiais pulverulentos presentes na


superfície do pilar).
Fonte: NORTEC – Norte Engenharia Civil LTDA

Passando-se essa etapa, os elementos são encamisados com formas de


madeiras ou aço, levando em consideração a secção acrescida para garantir o
cobrimento previsto. Após a inserção das formas, o grout mineral é adicionado, por
etapas, a fim de preencher todos os vazios existe com o seu auto-adensamento.
(Fotos 09 a 13).
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Foto 09 – (Pilar com forma de madeira, ensamisado).


Fonte: NORTEC – Norte Engenharia Civil LTDA

Foto 10 – (Pilar recebendo o grouteamento, por etapas, e com secção acrescida).


Fonte: NORTEC – Norte Engenharia Civil LTDA

Foto 11 – (Viga com forma metálica, encamisada).


Fonte: NORTEC – Norte Engenharia Civil LTDA
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Foto 12 – (Grouteamento de uma etapa da viga. Detalhe na secção acrescida).


Fonte: NORTEC – Norte Engenharia Civil LTDA

Foto 13 – (Conferência de secção acrescida, pós grouteamento. Detalhe na intersecção entre pilar e
vigamento).
Fonte: NORTEC – Norte Engenharia Civil LTDA

O mesmo procedimento fora realizado até se obter o completo


encamisamento de todos os elementos estruturais, vigas e pilares, do reservatório de
água elevado. Assim o mesmo estará estruturalmente reabilitado, elevando sua
resistência de estado limite último, podendo voltar normalmente a atender sua
finalidade.
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4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme podemos apresentar no estudo de caso, as estruturas tendem a


envelhecer gradativamente. As presentes em regiões litorâneas, mesmo que a uma
distância dentro da margem da classe de agressividade moderada, tendem a receber
um ataque mais agressivo dos agentes ambientais, físicos e químicos. Pois, na
maioria das vezes, as barreias físicas são insuficientes na contenção do transporte
dessas intempéries.

A corrosão de armaduras em estruturas de concreto armado ainda é um dos


principais agentes protagonista para a redução significativa e exponencial da saúde
destas. Os procedimentos, técnicas de reparo, e eficaz execução destes, fazem com
que as estruturas recuperem a saúde estrutural.

A utilização da técnica de encamisamento com grout mineral, micro concreto,


CAD e adjacentes, são procedimentos bastante eficazes para a reabilitação estrutural,
tendo em vista a dificuldade de recomposição das secções dos elementos estruturais,
com a garantia de que estes estarão aptos para atender as solicitações novamente.

Entretanto, conclui-se que a resistência à compressão dos groutes é uma


característica de fundamental importância, pois eles não podem ser mais débeis que
o concreto da estrutura reparada. Caracterizando-se por atingirem elevadas
resistências nas primeiras idades, seguido de uma redução acentuada na taxa de
crescimento, nos casos em que forem utilizados como material para recomposição da
secção de peças recuperadas, a resistência à compressão da peça recuperada terá
maior importância que a resistência isolada dos materiais envolvidos.
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REFERÊNCIAS

ANDRADE, C. J.: DAL MOLIN, Denise. Degradação de estruturas em


macroambiente marinho: análise das principais formas de recuperação
adotadas. In: CONGRESSO IBEROAMERICANO DE PATOLOGIA DE LAS
CONSTRUCCIONES, 5; CONGRESSO DE CONTROL DE CALIDA, 7, 1999,
Montevideo. Anais... Montevideo: CONPAT 99, 1999. P.1473-1481.
CAVALERA, J. Et. al. (1987). Curso de Rehabilitation. La Estructura. Colégio Oficial
de Arquitetos. Madrid.
GROCHOSKI, Maurício; HELENE, Paulo. Sistemas de reparo para estruturas de
concreto com corrosão de armaduras. Boletim Técnico da Escola Politécnica da
USP Departamento de Engenharia de Construção Civil. Págs. 6 a 18. São Paulo –
2008.
HELENE, P. Contribuição ao estudo da corrosão em armaduras de concreto
armado. São Paulo, 1993. Tese (Livre Docência). Escola Politécnica, Universidade
de São Paulo.
JACOB, T.; HERMANN, K. Protección de lassuperficies de concreto:
Impregnaciones hidrófobas. Construcción y Tecnología, p. 17-23, 1997.
LIMA, M.G. Inibidores de corrosão: avaliação da eficiência frente à corrosão de
armaduras provocada por cloretos. São Paulo, 1996. Tese (Doutorado). Escola
Politécnica, Universidade de São Paulo. p. 34-36.
MAILVAGANAM, N.P.; DEANS, J.J. Materials, selection, and handling. In: Repair and
protection of concrete structures. Boca Raton: CRC Press, 1992. P. 27-42.
MEDEIROS, M. H. F.; HELENE, P. Efficacy of Surface Hydrophobic Agents in
Reducing Water and Chloride lon Penetration in
Concrete.MateriaIsandStructures. v. 41, p. 59-71, 2007.
MEHTA, P. K.; MONTEIRO, P. J. M. Concreto, estrutura, propriedades e materiais.
Tradução de Paulo Helene R. L. (coord.). São Paulo: Pini, 1994. p. 345.
RED REHABILlTAR. Manual de Reparo, Proteção e Reforço de Estruturas de
Concreto. Editores: P. Helene& F. Pereira. São Paulo, 2003.
SOUZA, V. C.; RIPPER, T. Patologia, recuperação e reforço de estruturas de
concreto. São Paulo: PINI, 1998.
TULA, Leonel S., HELENE, Paulo. A Proteção Catódica Galvânica de Estruturas
de Concreto Armado - Estratégia de Futuro. In: 43º Congresso Brasileiro do
Concreto, 2001, Foz do Iguaçu. IBRACON. São Paulo: IBRACON, 2001. v.1. p.135 –
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UEDA, T.; TAKEWAKA, K. Performance - based 5tandard 5pecifications for
Maintenance and Repair of Concrete 5tructures in Japan.Structural Engineering
International. v. 4, p. 359-366, 2007.
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3.2 – Artigo 02

RECUPERAÇÃO DE ESTRUTURAS EM CONCRETO ARMADO –


CORROSÃO DE ARMADURAS. PROCEDIMENTO E TÉCNICAS DE
REPARO.

Carlos Marcel Pergentino de Moura¹


Raul Wagner Teotonio Oliveira da Silva
Gilvan Bezerra dos Santos Júnior²

RESUMO

A decisão de reparar uma estrutura de concreto armado, ou seus componentes,


pode ser considerada após a comprovação de que o estado limite último fora
alcançado. Com base nas avaliações técnicas e o grau de degradação estrutural, o
perito executa o procedimento de identificação e mensuração da patologia permitindo
preparar o diagnóstico e indicar as formas de terapia necessárias à reabilitação da
estrutura ou seu elemento. De acordo com as investigações preliminares sobre as
condições aparentes dos sintomas apresentados, em decorrência das exposições
pelas quais se encontra, as técnicas de reparo são então selecionadas. Para isso,
pode-se fazer uso da utilização dos métodos de encamisamento utilizando o micro
concreto de auto desempenho (grouteamento da peça ou estrutura com a finalidade
de recompor a seção desejada com a utilização de formas), o uso de argamassa
polimérica, injeção de resinas a base epóxi, utilização de fibras de carbono,
substituição de armaduras, acréscimo da área de aço, re-alcalinização do concreto
carbonatado e remoção eletro-química de cloreto da massa do concreto são
comumente usados.

Palavras-chave: Engenharia diagnóstica, laudos periciais, reabilitação estrutural.

¹ Graduandos da nona série, turma B, do curso de Engenharia Civil da Universidade Potiguar, Campus
Natal. E-mail: eng.pergentino@hotmail.com Cel.: +55 84 9830.4765, raulwagner@hotmail.com
² Professor universitário. Graduado e mestre em Engenharia Civil pela Universidade Potiguar.
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REPAIR AND REHABILITATION OF STRUCTURE IN REINFORCED


CONCRETE – CORROSION OF STEEL BARS. PROCEDURE AND
TECHNICALS OF REPAIR.

ABSTRACT

The decision of repair a structure of concrete reinforced, or its components, can be


taken after the evaluate of its state service and structural has arrived or overtake. With
base in the avaliations technical and the level of deterioration, the expert to execute
firstly the procedure of identification and mensuration of the pathology allowing prepare
the diagnostic and to explain the forms of therapy necessary to rehabilitation of the
structure or structural element. According with preliminaries investigations about
apparent conditions, analytics, showed symptoms from structure, on account of
conditions that it is submitted, the technical of repair are so selected. To repair the
structure damaged can use the utilization of methods of jacketing where it use the
micro concrete of high performance (grouting of piece or the structure with the finality
of repair/recompose using forms), the use of cement polymeric, injections of resins
epoxy, utilization of carbon fiber, change of steel, additional space steel, re-alkalization
of concrete carbonated, removal electrochemical of chloride from concrete mass are
generally used.

Keywords: Engineering diagnostic; expert report; structural rehabilitation


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1 INTRODUÇÃO

A velocidade com que as estruturas de concreto armado vêm atingindo


precocemente o seu estado limite de último, está influenciando cada vez mais, devido
à ação das intempéries, na forma de como elas são reabilitadas. Por consequências
de erros de projetos, má execução e conservação, as estruturas não atingem o tempo
de vida útil pela qual fora projetada.

O procedimento tomado pode não atingir o objetivo esperado, de acordo com


a (s) técnica (s) de reparo empregado (s), ocasionando um prejuízo financeiro para o
proprietário/investidor. Pode se tornar um fator exponencial degenerativo se não
tratado corretamente. Resgatar a durabilidade estrutural é um trabalho complexo onde
o engenheiro perito utiliza a sua experiência em engenharia diagnóstica, estrutural, e
orçamentos para alcançar o resultado satisfatório após o procedimento e a técnica
utilizado na realização do reparo.

Em 2004, somente a Alemanha gastou aproximadamente 90 bilhões de euros


com manutenção e reparo de estruturas de concreto armado (VEDA & TAKEWAKA
2007). Além disso, a parcela dos gastos realizados com reparos e manutenção frente
ao total gasto pela indústria da construção civil é em muitos países superior a 15%,
podendo chegar a superar o montante gasto com construções novas, como é o caso
da Itália, aonde a parcela dos gastos com manutenção e reparo chega a 57% (UEDA
& TAKEWAKA, 2007).

A partir da necessidade de resgatar a durabilidade estrutural, com a


apresentação correta do procedimento e das técnicas de reparo, o artigo teve como
objetivo demonstrar alguns dos principais passos a serem seguidos para o tratamento
da estrutura submetida a tais patologias, através de um estudo de caso realizado em
um edifício, a fim de alcançar o objetivo esperado pelo engenheiro e/ou
proprietário/investidor.

Dividido em 4 partes, na primeira parte o trabalho traz uma apresentação da


teoria de envoltória sobre a degradação das estruturas de concreto armado, onde a
princípio contém revisão da literatura de forma lacônica. Na segunda serão expostos
os serviços preliminares do procedimento e técnicas de reparos mais usuais, e na
terceira apresentar-se-á um estudo de caso de um edifício particular situado no bairro
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de lagoa nova, Natal/RN, onde apresenta elevada corrosão de armaduras e brocas


de concretagem, enquanto que na quarta etapa serão as considerações finais a
respeito do estudo em questão.

1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

As patologias de estruturas de concreto armado e consequente recuperação se


faz necessária em decorrência da suscetibilidade e agressões do meio ambiente das
superfícies de concreto expostas, em alguns casos poucos meses após a conclusão
da obra. Esta deterioração é ainda mais significativa em edifícios localizados em
grandes centros urbanos, como São Paulo (OLIVEIRA E HELENE, 1991), e em
ambientes marinhos.

Os sintomas mais comuns, de maior incidência nas estruturas de concreto, são


as fissuras, as eflorescências, as flechas excessivas, as manchas no concreto
aparente, a corrosão de armaduras e os ninhos de concretagem – segregação dos
materiais constituintes do concreto (HELENE, 1992). Certos problemas, como os
resultantes das reações álcalis-agregado e corrosão das armaduras só aparecem com
intensidade anos após a produção. O conceito de desempenho reflete o
comportamento em serviço de cada produto ao longo de sua vida útil, não significando,
entretanto que o produto esteja “condenado” se apresentar desempenho insatisfatório.
Neste caso, a estrutura requer imediata intervenção técnica, de forma a reabilitá-la.
Um modelo proposto por SOUZA & RIPPER (1998), mostrado na figura 01, apresenta
três histórias de desempenho, em função de fenômenos patológicos diversos. Na
figura 01, a linha em traço duplo ponto, ilustra o fenômeno de desgaste natural da
estrutura, que após intervenção, recupera-se seguindo a linha do desempenho acima
do exigido para sua utilização. No segundo caso, a linha cheia, representa uma
estrutura submetida a um problema súbito, tal como um acidente, para qual a
intervenção é imediata para voltar ao comportamento satisfatório. No terceiro caso,
linha traço ponto, tem-se uma estrutura com erros originais de projeto ou execução,
ou que tenha mudado seu propósito funcional, ou seja, que necessita do reforço, já
no começo de sua vida útil.
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Figura 01 – (Diferentes desempenhos de uma estrutura com o tempo em função de


diferentes fenômenos patológicos).

Portanto para a obtenção de desempenho satisfatório, a estrutura deve atender


às condições de segurança em relação aos estados limites último e de utilização, que
contemplam a resistência, a rigidez, a estabilidade, aspectos estéticos, conforto
térmico e acústico, entre outros.

CALAVERA et al. (1987) observam que a recuperação de um edifício consiste


geralmente em um processo de substituição de componentes ou agregação de outros
a fim de que a estrutura possa funcionar de novo. Afirmam que se planeja a
recuperação ou reabilitação de um edifício após um estudo cuidadoso e crítico
observando principalmente as seguintes características:
a) Segurança – Alguns elementos estruturais apresentam sintomas de
movimentações, deformações, fissuras, entre outros, que possibilitarão prever se a
ruína se manifestara a curto ou médio prazo.
b) Adequação – As características funcionais e estéticas são antiquadas e podem não
corresponder as atuais exigências da sociedade.
c) Conforto – Os elementos de proteção e acabamento do edifício e instalações têm
que funcionar.

Segundo CALAVERA et al. (1987), em qualquer situação será sempre preciso


uma inspeção preliminar da estrutura, que permitirá a adoção de um plano de atuação
detalhado. Tal plano deve conter normalmente o programa de atuação necessário
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para definir a estrutura ou parte da estrutura que será necessário estudar e seu estado
de conservação. Podem-se definir os seguintes tipos de atuação:

a) Inspeção visual detalhada, visando o estabelecimento de procedimentos


adequados:
- Esquema estrutural: Seções, tipologias dos elementos estruturais,
sistemas de apoio.
- Sistemas de união: geometria e disposição e controle dimensional de
alguns elementos.
- Possíveis defeitos: Deformações nos elementos estruturais, inspeção de
sintomas presentes nos elementos estruturais, corrosão, deterioração, fissuras,
brocas de concretagem entre outros.

b) Ensaios não destrutivos: ensaios de carbonatação (uso de fenolftaleína


para identificar as condições do PH, da massa, no concreto), etc.

c) Ensaios destrutivos: retirada de amostras das peças investigas através


do uso de rompedores pneumáticos, pontaletes e marreta, a fim da comprovação de
perda de espessura, oxidação das barras, etc.

2. PROCEDIMENTOS E TÉCNICAS DE REPARO ESTRUTURAL

Os serviços de procedimentos preliminares, a princípio, visam apresentar a


localização da estrutura, descrição do projeto, descrição da concepção e resolução
estrutural, métodos de detecção, anomalias detectadas, metodologia aplicada na
recuperação estrutural. Realizada tais etapas, com base nas informações coletadas,
o parecer técnico relativo às patologias identificadas e planilha orçamentária para a
execução dos serviços de reparo e conservação necessários, são descritos para uma
reabilitação adequada.

As técnicas de reparo mais usuais são:

 Sistemas de reparo por repassivação localizada (argamassas, concretos e


grautes de base cimento Portland);
 Sistemas de reparo por barreira sobre a armadura (argamassas de base epóxi,
os primers e tintas de base epóxi);
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 Sistemas de reparo por barreira sobre o concreto (vernizes e tintas de base


epóxi, acrílica ou poliuretana);
 Sistemas de reparo por barreira química (inibidores de corrosão);
 Sistemas de reparo por proteção catódica.
Argamassas de reparo, concretos e grautes base cimento Portland são os
materiais mais utilizados na recuperação de estruturas deterioradas pela corrosão das
armaduras. Isso ocorre por se tratarem de materiais similares aos empregados
quando da confecção do elemento estrutural. O seu princípio de uso é bastante
simples: retira-se o material contaminado; limpa-se a região (substrato e armadura);
substitui-se a armadura, se necessário; reconstitui-se a seção com material novo. Por
não apresentar contaminantes e, além disso, alta alcalinidade, o novo material possui
a capacidade de passivar as armaduras e cessar o processo corrosivo no local. De
forma a melhorar o desempenho destes materiais, é muito comum à utilização de
aditivos e adições quando da produção destes, dos quais podemos destacar: os
aditivos inibidores de corrosão, aditivos redutores e/ou compensadores de retração,
fibras de polipropileno, e os mais comuns, adições minerais e poliméricas.

Inibidores de corrosão, como o próprio nome diz, são substancias químicas


capazes de inibir e/ou reduzir o processo de corrosão. Esses materiais foram
descobertos na década de 60, em pesquisas que visavam o desenvolvimento de
aceleradores de pega que não possuíssem efeitos negativos na corrosão, como os
aceleradores de base cloreto. Nessas pesquisas foram desenvolvidos produtos
capazes de acelerar a pega do cimento, e verificou-se que, além disso, possuíam a
capacidade de inibir e/ou retardar o processo de corrosão do aço (LIMA, 1996). Vale
ressaltar que uma parte dos inibidores comercializados atualmente tem como
característica serem aceleradores de pega.

Sistemas formadores de película são compostos por polímeros que ao


coalescerem formam uma película/filme sobre a superfície a ser protegida, impedindo
assim a passagem de gases e íons através da mesma. Esses materiais podem ser
aplicados, dependendo do caso, diretamente sobre a superfície do aço, ou sobre o
concreto que o envolve. A diferença principal entre as formas de aplicação reside na
questão operacional (momento da obra em que a pintura é aplicada), na quantidade
de material envolvido e na proteção ou não do concreto de cobrimento. A aplicação
direta sobre o aço, apesar de mais econômica do ponto de vista do consumo de
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material, necessita que o aço esteja exposto (antes da concretagem), sendo seu uso
em reparos controverso. Alguns pesquisadores afirmam que o recobrimento de
trechos isolados da barra pode levar à formação de macro células. Já a aplicação
sobre o concreto, apesar de consumir maior quantidade de material, apresenta grande
vantagem do ponto de vista executivo (maior facilidade na aplicação e reaplicação),
permitindo recobrir todo o trecho da estrutura (não só o reparo), o que minimizaria
possíveis efeitos de macro célula. Outra vantagem reside na proteção do concreto de
recobrimento. O uso desses materiais sobre o concreto reduz significativamente a
carbonatação e a lixiviação deste (RED REHABILlTAR, 2003).

A capacidade de proteção destes materiais está relacionada à qualidade da


resina empregada e da formulação do produto (relação entre resina, pigmento,
solvente e carga). As resinas mais comuns utilizadas na construção civil como um
todo são:

• PVA;
• Acrílicas;
• Alquídicas;
• Poliuretânicas;
• Epoxídicas.

Dentre estas resinas, a primeira, devido a sua baixa capacidade de proteção, é


utilizada somente nas áreas internas das edificações, onde o grau de agressividade é
bastante reduzido. As resinas alquídicas não são recomendadas para uso em contato
com o concreto², devido à sua baixa resistência à alcalinidade elevada do mesmo -
sofre um processo de "saponificação". As demais são bastante empregadas na
proteção/recuperação de estruturas de concreto armado, sendo a epoxídica a mais
resistente a meios extremamente agressivos. No entanto, esta resina deve ser usada
com cautela (em locais cobertos e/ou sistemas duplos) devido à sua baixa resistência
à radiação ultravioleta.

Sistemas hidrofugantes são compostos por resinas da família dos silicones que
têm por principal característica serem hidrófobas, isto é, possuem aversão à água.
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___________________________________________________________________________
² Grande atenção deve ser dada a baixa resistência à alcalinidade dessas resinas, uma vez que é muito
comum o uso destas diretamente sobre as armaduras. Esse uso está totalmente errado. Essa confusão
ocorre uma vez que este tipo de pintura (comumente conhecido como "zarcão') tem desempenho
excelente como primer para elementos metálicos como portões e grades, onde sabemos, não existe a
elevada alcalinidade proveniente da argamassa ou concreto.
Estes materiais, devido à sua polaridade similar à da água, têm a capacidade
de repelir a mesma, afastando-a da superfície sobre a qual esta se encontra aplicada
(isto não ocorre no caso de existirem gradientes de pressão). Estes materiais devem
ser aplicados sobre a superfície do concreto/argamassa que deve estar seca.

Estes materiais então penetram nos poros existentes e reagem com a matriz
cimentícia, ligando-se quimicamente a mesma. JACOB & HERMANN (1997) afirmam
que estes materiais apresentam desempenho reduzido quando aplicados sobre
concreto/argamassa jovem (idade menor que seis meses), isso ocorreria uma vez que
a continuidade da hidratação da matriz cimentícia após a aplicação destes produtos
permitiria a formação de compostos hidratados sobre a área tratada, reduzindo a
efetividade do tratamento. Outra característica muito importante destes materiais é
fato destes não colmatarem/tamponarem a superfície dos poros, permitindo que estes
"respirem". Isso é muito interessante, principalmente em situações onde é necessária
a passagem de vapor d'água pelo concreto (locais onde há percolação de água), onde
sistemas formadores de película reteriam a passagem deste vapor, formando bolhas
no revestimento. Esta característica, no entanto, permite não só a passagem de vapor
d'água, como também de outros gases, como o CO2, por exemplo.

Dessa forma a capacidade de redução da carbonatação e da lixiviação não é


tão efetiva como nos formadores de película. Toda via, no que diz respeito aos
fenômenos de transporte relacionados à água, estes sistemas se mostram bem
efetivos, chegando às reduções na absorção de água da ordem de 95% (MEDEIROS
& HELENE, 2007).

A proteção catódica utiliza conceitos de eletroquímica para se proteger o metal


desejado. Numa célula eletroquímica convencional, a área anódica se corrói,
perdendo seus elétrons para a área catódica onde estes são consumidos. Baseado
neste fato, o sistema de proteção catódica visa criar uma corrente de elétrons entre
um ânodo de sacrifício e o metal a ser protegido. Dessa forma a área anódica existente
na célula eletroquímica, em vez de perder elétrons passa a recebê-los, comportando-
se então como uma área catódica. A corrosão neste caso não é eliminada, porém
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passa a ocorrer em local pré-determinado e de forma controlada enquanto a corrente


de elétrons for mantida.
Para conseguir criar esse mecanismo, existem dois métodos bastante comuns:
ânodos galvânicos e corrente impressa.

Para se estabelecer um sistema de proteção catódica por corrente impressa,


utiliza-se um retificador de corrente capaz de criar um fluxo constante e controlado de
elétrons, da ordem de 3 a 20 mA/cm2 , entre o metal a ser protegido e o ânodo de
sacrifício (Figura 02). Esse ânodo de sacrifício é normalmente colocado sobre a
estrutura de concreto armado a ser protegida e revestida com uma argamassa de
fixação de alta condutividade iônica (Figura 3). Como ânodos de sacrifício são
utilizados metais nobres como titânio, por exemplo, já que estes apresentam baixas
taxas de corrosão e menor volume nos produtos resultantes desta, aumentando a vida
útil do sistema e o intervalo de troca destes.

Figura-02 (Esquema de aplicação dos sistema de proteção catódica por corrente impressa; TULA &
HELENE, 2001).
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Figura-03 (Exemplo de um ânodo de sacrifício na forma de malha, aplicado em uma estrutura real,
bloco de fundação).

É sabido que quando dois metais de natureza distinta entram em contato dentro
de um eletrólito, o metal mais anódico corrói. No sistema de proteção catódica por
ânodos galvânicos, utiliza-se um metal de sacrifício fortemente anódico, de forma a
se contrapor a célula de corrosão naturalmente existente na estrutura, conferindo às
armaduras de aço, proteção contra a corrosão. Assim, são utilizados como ânodo de
sacrifício, metais como o zinco, que possui caráter fortemente anódico e, além disso,
seus produtos de corrosão apresentam volumes menores que o do aço.

3. ESTUDO DE CASO DO EDIFÍCIO FÊNIX

A vistoria realizada na edificação buscou a identificação de patologias e


anomalias construtivas aparentes, eventualmente com auxílio de equipamentos e/ou
aparelhos para a identificação das mesmas.

A) Localização: Edifício residencial FÊNIX, Lagoa Nova, Natal/RN.


B) Característica da Edificação
- Tipo do Imóvel: edifício residencial
- Pavimentos: 17 pavimentos (térreo mais 16 pavimentos tipo e
cobertura)
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- Idade: aproximadamente 10 anos


- Ocupação: fase de acabamento
- Característica Construtiva

A edificação possui área de construção de aproximadamente


6.200,00 m², com fundações do tipo profunda (Fck considerado de
20Mpa), superestrutura formada por vigas, pilares e lajes em concreto
armado (Fck considerado de 35Mpa), e paredes de vedação e divisórias
em alvenaria de tijolo cerâmico.

Internamente a edificação encontra-se com alvenarias concluídas


e revestidas em sua maior parte com chapisco. A estrutura de concreto
interna dos pavimentos está chapiscada, exceto as lajes que não
receberam nenhum tipo de revestimento ou tratamento superficial (Fotos
04 e 05).

Foto-04 (Vista fachada principal da edificação).


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Foto-05 (Vista interna do pavimento térreo).

Durante os serviços de vistoria da edificação, identificou-se principalmente


cinco tipos de patologias e anomalias que afetam a estrutura de concreto armado do
prédio, sendo elas a corrosão das armaduras, brocas de concretagem, proliferação
de fungos, infiltração de águas pluviais e supressão de ferragens por corte.

Com relação à corrosão das armaduras, principal patologia identificada na


estrutura, o fenômeno ocorre em todos os pavimentos, com maior intensidade no nível
do térreo e da cobertura. No pavimento tipo, a patologia está concentrada
principalmente nos elementos estruturais posicionados na fachada sul, como também
em alguns elementos internos com maior exposição à ação das intempéries. O nível
de deterioração das ferragens é variável, indo desde leves oxidações superficiais, a
situações em que as barras já se encontram seccionadas.

No térreo, verificou-se intenso processo de oxidação principalmente nas vigas


de contorno (posicionadas na fachada) e na base de alguns pilares, o que pode ser
constatado pelo processo de fissuração e desplacamento da camada de cobrimento
das ferragens. Apenas uma laje apresentou sinais externos de oxidação (Fotos 06 e
07).
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Foto-06 (Processo de corrosão em viga do térreo).

Foto-07 (Corrosão da ferragem em pilar do térreo).

Com relação aos pavimentos superiores, existe uma predominância da


patologia da corrosão nos elementos estruturais não revestidos (sem reboco), e que
se encontram posicionados ao longo das fachadas, sendo o lado sul da edificação o
mais afetado. Além desses, alguns elementos estruturais internos, com maior
exposição ação das intempéries, também apresentam sinais de oxidação das
ferragens, como é o caso das lajes da escada que apresentam diversos pontos de
oxidação.
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No nível da cobertura, identificou-se intenso processo de oxidação nas


ferragens dos pilaretes do platibanda e em setores do barrilete, casa de máquinas e
reservatório superior (Fotos 08 e 09).

Foto-08 (Corrosão em pilar da casa de máquinas/reservatório).

Foto-09 (Viga interna do 10º pavto. tipo com processo de oxidação da ferragem – ausência de
sintomas externos da patologia).
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Durante a vistoria dos pavimentos, fora inspecionada a estrutura de concreto (pilares,


vigas e lajes) para coletar algumas informações que estão diretamente relacionadas
ao desenvolvimento da patologia na estrutura, que são a espessura do cobrimento
das ferragens, condições de alcalinidade e contaminação da massa do concreto por
cloretos (salinidade).

A espessura da camada de cobrimento das ferragens corresponde à capa de


concreto que protege as armaduras da ação das intempéries. A espessura e a
qualidade do concreto que compõe a camada de cobrimento das armaduras são de
fundamental importância na durabilidade das estruturas contra a ação dos agentes
externos (salinidade, gás carbônico, umidade, produtos químicos, etc.). Constatou-se,
a partir de informações geométricas das peças e das ferragens da estrutura, que o
cobrimento especificado em projeto é de 3cm para os pilares e de 1,5cm para vigas e
lajes. Nos trechos afetados pela patologia da corrosão, o cobrimento é variável, indo
desde situações em que fora obedecida a especificação de projeto, a casos em que a
ferragem se encontra totalmente exposta, situação essa comum no caso de estribos.

Além da identificação do cobrimento das armaduras, verificou-se as condições


de alcalinidade do concreto (pH) a partir da superfície da peça, através da aplicação
solução de fenolftaleína na concentração 1%.

Concretos com elevada alcalinidade, apresentam pH superior a 12, situação


essa, que garante as barras de aço imersas em sua massa, um estado de passivação
química contra o fenômeno da corrosão. Naturalmente, com o passar do tempo, o
concreto apresenta redução do pH, resultante principalmente de reações entre os
componentes alcalinos do concreto com substâncias ácidos presentes na atmosfera,
sendo o CO2 o mais comum dentre eles. A redução do pH remove ou prejudica a
película de passivação química das barras, abrindo frente para o desenvolvimento da
patologia da corrosão. Durante o ensaio com aplicação de fenolftaleína, os trechos
que apresentam coloração róseo-avermelhada, significa que a condição de pH é
elevada, enquanto que as regiões incolores, representa as regiões carbonatadas
(Fotos 10 e 11).
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Foto-10 (Ensaio de carbonatação em pilar no pavimento térreo).

Foto-11 (Ensaio de carbonatação em viga do pavimento térreo – 1ª laje. Frente de carbonatação


bastante avançada já tendo alcançado a ferragem).

Em razão da cidade do Natal está situada em uma região litorânea, e o prédio


encontrar-se relativamente próximo a orla, cerca de 3,5km, realizou-se a análise do
grau de contaminação superficial da massa do concreto com relação a cloretos
(salinidade), principal agente corrosivo das estruturas de concreto armado em nossa
região. Os elementos estruturais selecionados para realização dos ensaios, foram os
pilares P5 e P10 no nível do térreo. As amostras de concreto foram retiradas da face
do pilar voltada para a fachada sul, em razão da maior exposição da mesma a ação
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das intempéries. Em cada pilar fora realizado um furo com profundidade de 3cm, com
recolhimento de material nas profundidades 0 a 1,5cm e 1,5 a 3,0cm.

O ensaio de concentração de cloretos das amostras fora realizado pela UFRN,


depto. de Química, utilizando o procedimento interno PLIE02R00, segundo a norma
oficial APHA 4110 (standard methods for examination of water e wastewater). De
acordo com os resultados obtidos nos ensaios (Anexo-II), a concentração de cloretos
do pilar P1 ( referência em planta P5) reduziu com o aumento da profundidade,
situação essa inversa no caso do P18 (referência em planta P10).

A Tabela-01 apresenta o percentual de cloretos em relação à massa do cimento


da amostra. Para determinação desse índice, consideramos a densidade do concreto
de 2.400kg/m3, com consumo de cimento de 380kg/m3 de concreto.

ELEMENTO PROFUNDIDADE CONCENTRAÇÃO CLORETOS PERCENTUAL DE CLORETOS


ESTRUTURAL EM RELAÇÃO A MASSA DE EM RELAÇÃO A MASSA DE
CIMENTO CIMENTO
P1 (REF. 0 - 1cm 2.558,96 mg/kg 0,26%
PLANTA P5)
P1 (REF. 1,5 - 3cm 2.274,50 mg/kg 0,23%
PLANTA P5)
P18(REF. 0 - 1cm 451,01 mg/kg 0,045%
PLANTA P10)
P18(REF. 1,5 - 3cm 2.931,91 mg/kg 0,29%
PLANTA P10)
Tabela -01 ( Concentração de cloretos em relação a massa de cimento do concreto).

Além da patologia da corrosão, identificaram-se vários pontos da estrutura que


apresentam falhas de concretagem, anomalia essa caracterizada pela existência de
vazios na massa do concreto, que geralmente expõem as armaduras da estrutura,
criando condições propícias para oxidação das ferragens. Esse tipo anomalia fora
identificada predominantemente no setor da escada e nos pilares da platibanda no
nível da cobertura (Foto 05 e 09)
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Foto-09 (Broca de concretagem na face inferior da laje da escada).

4.1 PARECER TÉCNICO E RECOMENDAÇÕES DE REPARO

Apresentaremos a seguir, comentários técnicos relativos às patologias e


anomalias construtivas identificadas, como também o procedimento de reparo para
cada caso.

a) Corrosão das armaduras na estrutura de concreto


Diagnóstico:

A corrosão identificada na estrutura de concreto armado da edificação está


relacionada principalmente ao baixo cobrimento das armaduras, aliado ao fato da
ausência de revestimentos sobre a mesma, o que a deixou diretamente exposta à
ação dos agentes agressivos externos (água, salinidade, CO2, dentre outros) durante
todo o período de paralisação da obra.

O cobrimento das armaduras especificado em projeto, no caso das vigas e


lajes, mesmo atendendo as especificações da NB1-78, Norma Brasileira de Projeto e
Execução de Obras de Concreto Armado em vigor no período da elaboração do
projeto estrutural da edificação, mostra-se insuficiente para se alcançar uma boa
durabilidade da estrutura de concreto. A NBR 6118 / 2003 e 2014, que substituíram a
NB1-78, classifica as estruturas encravadas em zonas urbanas como moderada
agressividade, especificando o cobrimento mínimo de 2,5cm para lajes e 3,0cm para
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vigas, podendo ser reduzido para 2 e 2,5cm respectivamente, dependendo da


localização do elemento estrutural e do tipo de revestimento. Dessa forma, o
cobrimento especificado para a estrutura de concreto do edifício, no caso de vigas e
lajes, encontra-se bem abaixo do mínimo recomendado pela norma atualmente em
vigor. Além disso, vários setores apresentaram espessuras de cobrimento inferior à
recomendação de projeto, agravando ainda mais a situação.

De acordo com os resultados obtidos nos ensaios de carbonatação, verificamos


que a frente de carbonatação já atingiu, na maioria dos casos ocasionados em obras
de situações e épocas aproximadas, as armaduras provocando a degradação de sua
camada de passivação contra o fenômeno da corrosão. Estando as armaduras
despassivadas, a estrutura de concreto aumenta a vulnerabilidade a desenvolver a
patologia, assim como vem ocorrendo em vários setores.

Com relação à concentração de cloretos na massa do concreto, o CEB (Comitê


Euro Internacional Du Beton), BS810 (Norma Britânica), admitem para concreto,
concentração máxima de cloretos em relação a massa de cimento de 0,4%, enquanto
que para a ACI (American Concrete Institute), esse valor é de no máximo 0,30%.

Os resultados obtidos nos ensaios de concentração cloretos apresentaram


valor máximo (Tabela-02) de 0,29%, estando abaixo do máximo recomendado pelas
normas acima referenciadas, no entanto, bem próximo do limite especificado pelo
CEB, Norma Britânica e do ACI.

Terapia:
O procedimento de reparo dos elementos estruturais que apresentam corrosão
das armaduras será composto pelas seguintes etapas executivas:

• Isolamento das barras oxidadas em no mínimo 1,5cm em todo o seu contorno, seja
pelo método manual com marretas e ponteiros ou utilizando rompedores elétricos
de pequeno porte com no máximo 5kg. Tomar a precaução de escorar a estrutura
caso necessário;
• Limpeza mecânica das ferragens utilizando escovas de aço adaptadas a
furadeiras, seguido da lavagem das mesmas por meio de jato de água
pressurizado;
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• Inserção de novas ferragens em substituição ou complemento das ferragens


existentes que se encontrarem com a seção comprometida (perda de seção superior
a 10% da área);
• Aplicação de primer anticorrosivo (epóxi rico em zinco) sobre a armadura reparada;
• Execução de formas no caso dos pilares e vigas;
• Aplicação de argamassa tipo graute autoadensável ou tixotrópico sobre a superfície a
ser reparada, de forma a garantir um cobrimento mínimo de 2,5cm para as armaduras.

Os setores não submetidos à intervenção de reparo deverão ser tratados


superficialmente. Os tratamentos especificados têm por objetivo a garantia de uma
maior vida útil para a estrutura de concreto, variando de procedimento de acordo com
o pavimento e posicionamento do elemento estrutural na edificação.

Os procedimentos recomendados possuem as seguintes finalidades:

I) Hidrojateamento: lavagem da superfície com a finalidade de retirada das


impurezas depositadas sobre a mesma (poeira, óleo, salinidade, etc.);
II) Aplicação de Ferrogard 903: inibidor de corrosão que tem por finalidade a
realcalinização do concreto, levando a formação de nova película anticorrosiva
(carepa de passivação) sobre as barras de aço, além de interromper os casos de
corrosão incipiente;
III) Tratamento das superfícies com argamassa polimérica: esse tratamento
objetiva impermeabilizar a superfície do concreto, protegendo a mesma contra a ação
dos agentes ambientais, isso é, corrige a vulnerabilidade da estrutura com relação ao
baixo recobrimento das armaduras. Os trechos submetidos a esse tratamento e que
irão receber revestimento, deverão ser chapiscados com argamassa de cimento e
areia na proporção 1:3 com aditivo promotor de aderência base acrílica;
IV) Revestimento das superfícies com argamassa de cimento e areia (1:4) com
aditivo impermeabilizante: visa promover maior proteção física da estrutura contra
ação dos agentes ambientais;
V) Pintura látex acrílica: assim como a argamassa polimérica e o reboco, a
mesma tem por finalidade promover maior proteção da estrutura contra ação dos
agentes ambientais. O procedimento da pintura será uma demão de selador acrílico
seguido de no mínimo duas demãos da tinta acrílica;
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b) Brocas na estrutura de concreto

Diagnóstico:
As brocas (vazios) existentes na estrutura de concreto foram decorrentes da
deficiência do processo de vibração durante a moldagem dos elementos estruturais,
ou em razão da fuga de materiais por aberturas existentes nas formas.

Terapia:
Os trechos da estrutura que apresentarem brocas falhas de concretagem
deverão ser cortados até alcançar a massa do concreto compacta, sem vazios. Após
o corte, preencher a cavidade com aplicação de graute autoadensável ou tixotrópico.
No caso da existência de ferragens oxidadas, realizar o tratamento das ferragens
conforme tratamento indicado no item ´a´.
Os pilaretes do platibanda no nível da cobertura que apresentam brocas de
concretagem deverão ser demolidos e reconstruídos.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme podemos apresentar no estudo de caso, as estruturas situadas em


regiões litorâneas, mesmo que a uma distância dentro da margem da classe de
agressividade moderada, tendem a receber um ataque mais agressivo dos agentes
ambientais, físicos e químicos. Pois, na maioria das vezes, as barreias físicas são
insuficientes na contenção do transporte dessas intempéries.

A corrosão de armaduras em estruturas de concreto armado ainda é um dos


principais agentes protagonista para a redução significativa e exponencial da saúde
destas. Os procedimentos, técnicas de reparo, e eficaz execução destes, fazem com
que as estruturas recuperem a saúde estrutural. Vale ressaltar que os planos de
manutenção e conservação, de acordo com as normas regulamentadoras, além de
ser uma forma barata de se atingir tal pretensão, contribuem significativamente para
o prolongamento da vida útil.

Entretanto, concluímos que se tomado às medidas necessárias de prevenções,


de acordo com os fatores físicos, químicos e biológicos, pelos quais as estruturas
estão submetidas, logo na fase de projeto e concepção estrutural de uma estrutura, é
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possível atingir o estado limite esperado dentro dos padrões de segurança e uso
estabelecido por norma.

REFERÊNCIAS

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USP Departamento de Engenharia de Construção Civil. Págs. 6 a 18. São Paulo –
2008.
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LIMA, M.G. Inibidores de corrosão: avaliação da eficiência frente à corrosão de
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Concreto. Editores: P. Helene & F. Pereira. São Paulo, 2003.
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de Concreto Armado - Estratégia de Futuro. In: 43º Congresso Brasileiro do
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