Você está na página 1de 6

Plano de aula – Regencia – Estagio II

DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO PLANO DE ENSINO

 Tipo de plano: Sequencia didática

• Tema/assunto: Violência no Brasil: Ditadura Militar no Brasil e pôs-1964.

• Nome da Escola: Escola Municipal Professor Domigos Pimetel de Ilhoâ

• Nome do professor: Iara Toscano Correia

• Disciplina ou área de ensino: História

• Nível de ensino: 9 ano do ensino Fundamental

BREVE CARACTERIZAÇÃO DO CONTEXTO DE ENSINO:

Aprendizagem é um processo de mudança de comportamento obtido através da experiência construída por


fatores emocionais, neurológicos, relacionais e ambientais. Aprender é o resultado da interação entre
estruturas mentais e o meio ambiente. O plano de aula é pensando para uma turma de 9º ano do ensino
fundamental, de uma escola municipal da prefeitura da cidade de Uberlândia localizada em um bairro de
classe média (Santa Mônica), mas que recebe também alunos de bairros periféricos como o bairro Tibery e
Morumbi.

OBJETIVO
A história precisa ser trabalhada como algo dinâmico, vivo, dessa forma a capacidade de relações entre
passado e futuro deve ser estimulada para ficar evidente para os alunos. Desta forma, o objetivo geral das
duas aulas é instigar os alunos a reflexão sobre as práticas de violência que o Estado brasileiro aplicou no
período da ditadura e que persistem até os dias atuais.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

- Compreender o contexto da Ditadura Civil militar no Brasil.


- Perceber as formas de resistências culturais e armadas.
- Discutir sobre a Ditadura e suas consequências para a sociedade brasileira a partir de músicas que remetem
ao tema da violência policial.
- Comparar as criações musicais da época da ditadura militar com as músicas de protestos contemporâneas.
- Instigar a reflexão crítica dos alunos.
- Incentivar a escrita e leitura dos alunos.
- Estimular a capacidade de interpretação textual e de entendimento dos alunos.
PROCEDIMENTOS

Dinâmica do Aulas Procedimento


ensino

1. Avaliação prévia 1 A produção inicial inclui uma ou mais atividades cuja finalidade é que
da turma os alunos exponham o que sabem e pensam sobre o assunto, por meio de
produção de texto, conversas, etc. Trata-se de uma avaliação prévia e é
através dela que o professor conhece as dificuldades dos alunos. O
objetivo será descobrir o que a turma sabe em relação à Ditadura Militar

2. Problematização 1º. MOMENTO – Música e Imagem

Apresentar aos alunos a questão: Quem sabe o que é música de protesto?


Procurar discutir com os alunos as possíveis respostas:
Apresentar as músicas:

– Música 1: Geraldo Vandré - Pra não dizer que não


falei das Flores (1968)- 4min21s.
15 https://www.youtube.com/watch?v=1KskJDDW93k
min
– Música2: Chico Buarque - Apesar de Você (1970) –
3min 53s
https://www.youtube.com/watch?v=33-bMTOlvx0

Figura 1- Todos Negros 1983.


Figura 2- Todos negros 1983

2º. MOMENTO

Enfatizar as questões apresentada na letra das músicas e estimular os


alunos a refletirem sobre ela. Também relacionar as letras das músicas
com as fotos do fotografo Luiz Murier procurando perguntar aos alunos
se existe alguma relação. Destacar a cenas das desigualdades e a
violência.

3. Exploração Aula expositiva


progressiva do
conhecimento • Em seguida das discussões sobre as músicas será feita uma aula
novo (conceito, expositiva. A aula será iniciada informando à turma que a aula se
fatos, 35 trata de uma aula de Regência com a temática da violência
procedimentos e min polícia: herança da Ditadura militar. Logo após esta explicação
atitudes) será feita uma exposição geral do que foi o regime militar. Sendo
feita uma abordagem tradicional, tocando nos pontos dos
governos, dos atos institucionais, das questões econômicas,
culturais e as formas de resistência que existiram.
• Por fim, será feita breves informações sobre do que se tratará a
próxima aula.
4. Consolidação:
desafio, 1º Momento:
aplicação, - Nesta segunda aula será feita a pergunta aos alunos: Vocês sabem o
transposição 2 que é ser alguém periférico, alguém que mora na periferia?
5 min de conversa sobre o tema.

- Em seguida, será apresentada outra fotografia de Luiz Morier intitulada


Soldado humilha dois negros detidos (1997). Depois a música Um
homem na estrada (1993) do grupo de Rap Racionais Mc’s (Letra) –
8min41s.

Letra:
Um homem na estrada recomeça sua vida
Sua finalidade: a sua liberdade, que foi perdida, subtraída
E quer provar a si mesmo que realmente mudou
Que se recuperou
E quer viver em paz, não olhar para trás
Dizer ao crime nunca mais
Pois sua infância não foi um mar de rosas, não
Na FEBEM, lembranças dolorosas, então
Sim, ganhar dinheiro, ficar rico enfim
Muitos morreram sim, sonhando alto assim
Me digam quem é feliz, quem não se desespera
Vendo nascer seu filho no berço da miséria
Um lugar onde só tinham como atração
O bar e o candomblé pra se tomar a benção
Esse é o palco da história que por mim será contada
15 Um homem na estrada
min Equilibrado num barranco, um cômodo, mal acabado e sujo
Porém, seu único lar, seu bem e seu refúgio
Um cheiro horrível de esgoto no quintal
Por cima ou por baixo, se chover será fatal
Um pedaço do Inferno aqui é onde eu estou
Até o IBGE passou aqui e nunca mais voltou
Numerou os barracos, fez uma pá de perguntas
Logo depois esqueceram, filha da puta
Acharam uma mina morta e estuprada
Deviam estar com muita raiva, "Mano, quanta paulada!"
Estava irreconhecível, o rosto desfigurado
Deu meia-noite e o corpo ainda estava lá
Coberto com lençol, ressecado pelo sol, jogado
O IML estava só dez horas atrasado
Sim, ganhar dinheiro, ficar rico enfim
Quero que meu filho nem se lembre daqui
Tenha uma vida segura, não quero que ele cresça
Com um "oitão" na cintura e uma "PT" na cabeça
E o resto da madrugada sem dormir, ele pensa
O que fazer para sair dessa situação
Desempregado então, com má reputação
Viveu na detenção, ninguém confia não
E a vida desse homem para sempre foi danificada
Um homem na estrada
Um homem na estrada
Amanhece mais um dia e tudo é exatamente igual
Calor insuportável, 28 graus
Faltou água, já é rotina, monotonia
Não tem prazo pra voltar, hã, já fazem cinco dias
São dez horas, a rua está agitada
Uma ambulância foi chamada com extrema urgência
Loucura, violência, exagerado
Estourou a própria mãe, estava embriagado
Mas bem antes da ressaca ele foi julgado
Arrastado pela rua o pobre do elemento
O inevitável linchamento, imaginem só
Ele ficou bem feio, não tiveram dó
Os ricos fazem campanha contra as drogas
E falam sobre o poder destrutivo dela
Por outro lado promovem e ganham muito dinheiro
Com o álcool que é vendido na favela
Empapuçado ele sai, vai dar um rolê
Não acredita no que vê, não daquela maneira
Crianças, gatos, cachorros disputam palmo a palmo
Seu café da manhã na lateral da feira
Molecada sem futuro, eu já consigo ver
Só vão na escola pra comer, apenas, nada mais
Como é que vão aprender sem incentivo de alguém
Sem orgulho e sem respeito, sem saúde e sem paz
Um mano meu tava ganhando um dinheiro
Tinha comprado um carro, até Rolex tinha
Foi fuzilado a queima roupa no colégio
Abastecendo a "playboyzada" de farinha
Ficou famoso, virou notícia
Rendeu dinheiro aos jornais, hã, cartaz à policia
Vinte anos de idade e alcançou os primeiros lugares
Superstar do notícias populares
Uma semana depois chegou o crack
Gente rica por trás, diretoria
Aqui, periferia, a miséria é de sobra
Um salário por dia garante a mão-de-obra
A clientela tem grana e compra bem
Tudo em casa, costa quente de sócio
A "playboyzada" muito louca até os ossos
Vender droga por aqui, grande negócio
Sim, ganhar dinheiro ficar rico enfim
Quero um futuro melhor, não quero morrer assim
Num necrotério qualquer, um indigente, sem nome e sem nada
Um homem na estrada
Assaltos na redondeza, levantaram suspeitas
Logo acusaram uma favela para variar
E o boato que corre é que esse homem está
Com o seu nome lá, na lista dos suspeitos pregada na parede do bar
A noite chega e o clima estranho no ar
E ele sem desconfiar de nada, vai dormir tranquilamente
Mas na calada caguetaram seus antecedentes
Como se fosse uma doença incurável
No seu braço a tatuagem, DVC, uma passagem
157 na lei, no seu lado não tem mais ninguém
A Justiça Criminal é implacável
Tiram sua liberdade, família e moral mesmo longe do sistema carcerário
Te chamarão para sempre de ex-presidiário
Não confio na polícia, raça do caralho
Se eles me acham baleado na calçada
Chutam minha cara e cospem em mim
É, eu sangraria até a morte, "Já era, um abraço"
Por isso a minha segurança eu mesmo faço
É madrugada, parece estar tudo normal
Mas esse homem desperta, pressentindo o mal
Muito cachorro latindo, ele acorda ouvindo
Barulho de carro e passos no quintal
A vizinhança está calada e insegura
Premeditando o final que já conhecem bem
Na madrugada da favela não existem leis
Talvez a lei do silêncio, a lei do Cão talvez
Vão invadir o seu barraco, é a polícia!
Vieram pra arregaçar, cheios de ódio e malícia
Filhos da puta, comedores de carniça!
Já deram minha sentença e eu nem tava na treta
Não são poucos e já vieram muito loucos
Matar na crocodilagem, não vão perder viagem
Quinze caras lá fora, diversos calibres
E eu apenas com uma "treze tiros" automática
Só eu mesmo e eu, meu Deus e o meu Orixá
No primeiro barulho, eu vou atirar
Se eles me pegam, meu filho fica sem ninguém
O que eles querem, mais um pretinho na FEBEM
Sim, ganhar dinheiro ficar rico enfim
A gente sonha a vida inteira e só acorda no fim
Minha verdade foi outra, não dá mais tempo pra nada...
"Homem mulato aparentando entre vinte e cinco e trinta anos
É encontrado morto na estrada do M'Boi Mirim, sem número
Tudo indica ter sido acerto de contas entre quadrilhas rivais
Segundo a polícia, a vitima tinha vasta ficha criminal..."

2º momento:
A partir da música e da fotografia, discutir com os alunos como seria a
vida de um jovem negro no Brasil em 1964 e no pôs-1964.
25 Para isso, seria feita uma exposição oral sobre a História da violência
min nas periferias embasado no site Memória da Ditadura,
http://memoriasdaditadura.org.br/ visto por último 19/10/2019.
Através da abordagem das músicas e das imagens buscaremos perceber
como a ditadura intensificou a repressão as populações periféricas e
como permanece até os dias atuais, como por exemplo, a guerra as
drogas no Rio de Janeiro.

5. Forma de Avaliação
avaliação
Será proposto que os alunos escrevam um texto curto com o mínimo de
sete linhas sobre a Violência histórica no Brasil e o que os alunos
10 acharam da aula. Este texto produzido por eles permitirá perceber a
min compreensão de que o processo histórico não é algo morto e acabado,
mas que a História é viva e pulsante. Podendo ser entregue na aula ou na
próxima aula.