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ales. España: Desclée Testes de Consciência Fonológica da Bateria de


tamiento: métodos de
Avaliação Neuropsicológica de Coimbra: Estudos de
precisão e validade
e behavior. Cognitive
Company.
or Therapy. 4, 697-699. Phonological Awareness Tests of Coimbra’s
ment of social compe-
), 453-462.
Neuropsychological Assessment Battery: Reliability and
between Doctors and validity studies
Seville (Spain). Social
Cristina Petrucci Albuquerque1, Mário R. Simões2, Cristina Martins3
al with modeling and
ogy. 77, 313-323.
Program for Indecisi-
velopment Quarterly.

s. RESUMO
chological skills trai-
nd Bacon. A Bateria de Avaliação Neuropsicológica de Coimbra (BANC) integra, entre
rkbook. Canadian Ps- diversos outros instrumentos de avaliação, três testes de consciência fonémica:
um teste de eliminação e dois de substituição de fonemas. No presente trabalho,
ertive behavior. Beha- apresentam-se dados relativos às propriedades psicométricas destes testes, desig-
nadamente à precisão (consistência interna e estabilidade temporal), à validade de
e validación psicomé- constructo (progressão dos resultados em função da idade e intercorrelações entre
Social en México. 12, os testes), à validade discriminante (diferenciação do desempenho de grupos com
e sem problemas de aprendizagem), e à validade concorrente (correlações com tes-
mportamiento indivi- tes de inteligência, outros testes da BANC e os resultados escolares dos sujeitos).
Os resultados obtidos atestam a adequação psicométrica do teste de eliminação e
ncia social: su educa- de um dos testes de substituição, sendo menos favoráveis, em termos de precisão
e progressão em função da idade, no que concerne ao outro teste de substituição.
manual. Assessment,
hn Wiley & Sans Ltd.
ial Skills Training for 1 Cristina Petrucci Albuquerque, Professora da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade
de Coimbra, E-Mail: calbuquerque@fpce.uc.pt
2 Mário R. Simões, Professor da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra,
niques: a guide to the E-Mail: simoesmr@fpce.uc.pt
3 Cristina Martins, Professora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, E-Mail: cristina.sp.martins@
gmail.com

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Palavras-Chave: Testes de Consciência Fonémica; Bateria de Avaliação Neurop-


sicológica de Coimbra da linguagem escrita,
ram os trabalhos con
ABSTRACT ração e aferição da B
contemplar a respect
Coimbra’s Neuropsychological Assessment Battery contains, amongst seve- âmbito do domínio d
ral other assessment instruments, phonemic awareness tests: one phoneme elision sim, este último dom
test and two phoneme substitution tests. This paper presents data concerning their constituído por teste
psychometric properties, namely precision (internal consistency and temporal sta- Rápida, Compreensã
bility), construct validity (age differentiation and tests’ intercorrelations), discri- Fluência Verbal Semâ
minant validity (differentiation of groups with and without learning problems) e Consciência Fonoló
and concurrent validity (correlations with intelligence tests, other tests from the Recorda-se que, n
Battery and academic grades of subjects). The results obtained demonstrate the o processo conducen
psychometric adequacy of the elision test and of one of the substitution’s tests, da BANC deu os seu
but are less favourable regarding the other substitution test, namely in terms of sos, o panorama nac
precision and age differentiation. avaliação da consciên
afigurava lacunar que
Key Words: Phonemic Awareness Tests; Coimbra’s Neuropsychological As- idades cronológicas
sessment Battery desenvolvimento da c
lógica contemplados,
dos dados normativo
I- INTRODUÇÃO liado através de vários testes; foi aferi- disponíveis (Albuque
da numa mesma amostra de crianças, o Simões, 2007). Esse
A Bateria de Avaliação Neuropsi- que permite identificar e comparar as da verificação de que,
cológica de Coimbra (BANC; Simões trajectórias desenvolvimentais de dife- casos de dificuldades
et al., 2008) apresenta as seguintes ca- rentes funções, bem como circunscre- são, não raras vezes, e
racterísticas nucleares: foi elaborada ver as respectivas inter-relações; pode diamente para serviço
especificamente para crianças, reflec- ser empregue com múltiplos fins como, conduziu à decisão d
tindo, por conseguinte, a interligação por exemplo, os relativos à detecção de consciência fonol
de uma perspectiva desenvolvimental de défices passíveis de se constituí- gessem um amplo leq
e neuropsicológica; abarca múltiplos rem como obstáculos à aprendizagem. Os testes em ques
domínios, designadamente os relativos Assim sendo, tem paralelo com ins- um teste de Eliminação
à linguagem, à memória, à atenção/ trumentos internacionais de avaliação vens dos 6 aos 15 anos e
funções executivas e motricidade, os neuropsicológica infantil, igualmente tuição, com duas versõe
quais visam possibilitar uma avaliação abrangentes, como é o caso da NEPSY denominada Substituiçã
abrangente do desenvolvimento e fun- (Korkman, Kirk & Kemp, 1998). dos 6 aos 9 anos de idad
cionamento neuropsicológico infantil; Dada a importância da consciência nada Substituição II, par
cada um desses domínios pode ser ava- fonológica ao nível da aprendizagem dos 10 aos 15 anos de id

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de Avaliação Neurop-
da linguagem escrita, quando se inicia- Na sua versão definitiva, o teste de
ram os trabalhos conducentes à elabo- Eliminação é constituído por 19 itens,
ração e aferição da BANC, decidiu-se em que se solicita à criança ou jovem
contemplar a respectiva avaliação no que pronuncie palavras familiares sem
ntains, amongst seve- âmbito do domínio da linguagem. As- um determinado fonema (ex: “Diz gado
one phoneme elision sim, este último domínio viria a ser sem [g]”). As palavras têm uma exten-
data concerning their constituído por testes de Nomeação são variada (4-7 fonemas) e a elimi-
ncy and temporal sta- Rápida, Compreensão de Instruções, nação de fonemas diz, exclusivamente,
rcorrelations), discri- Fluência Verbal Semântica e Fonémica respeito a um segmento consonântico.
ut learning problems) e Consciência Fonológica. Por seu turno, e também nas suas
, other tests from the Recorda-se que, na ocasião em que versões definitivas, o teste de Substi-
ined demonstrate the o processo conducente à elaboração tuição I compreende 19 itens e o teste
he substitution’s tests, da BANC deu os seus primeiros pas- de Substituição II 17 itens, nos quais
t, namely in terms of sos, o panorama nacional referente à se pede à criança ou jovem que pro-
avaliação da consciência fonológica se nuncie palavras familiares depois de
afigurava lacunar quer em termos das ter comutado um ou mais fonemas por
uropsychological As- idades cronológicas e dos níveis de outros (ex., “Diz fada, mas muda o
desenvolvimento da consciência fono- [f] para [v]”). Além disso, e ainda no
lógica contemplados, quer em termos plano das similitudes, os dois testes de
dos dados normativos e psicométricos Substituição têm 12 itens em comum
ários testes; foi aferi- disponíveis (Albuquerque, Martins & e integram palavras com 4 a 6 fone-
amostra de crianças, o Simões, 2007). Esse facto, acrescido mas (Substituição I) ou 4 a 7 fonemas
tificar e comparar as da verificação de que, no nosso país, os (Substituição II). Ainda assim, os dois
volvimentais de dife- casos de dificuldades de aprendizagem testes de Substituição diferenciam-se,
em como circunscre- são, não raras vezes, encaminhados tar- essencialmente, ao nível do número de
s inter-relações; pode diamente para serviços especializados, itens que requerem a manipulação de
m múltiplos fins como, conduziu à decisão de elaborar testes um ou mais do que um fonema. Deste
relativos à detecção de consciência fonológica que abran- modo, os itens do teste de Substituição
veis de se constituí- gessem um amplo leque de idades. I implicam a substituição de um fo-
ulos à aprendizagem. Os testes em questão compreendem nema, excepto num caso que requer a
m paralelo com ins- um teste de Eliminação para crianças e jo- substituição de dois fonemas, enquanto
acionais de avaliação vens dos 6 aos 15 anos e um teste de Substi- que no teste de Substituição II, 12 itens
infantil, igualmente tuição, com duas versões, sendo uma delas, implicam a substituição de um fonema
o é o caso da NEPSY denominada Substituição I, para crianças e 5 itens a de 2 ou mais fonemas.
& Kemp, 1998). dos 6 aos 9 anos de idade, e a outra, desig- Como se pode inferir da descrição
tância da consciência nada Substituição II, para crianças e jovens efectuada, as respostas aos dois tipos
vel da aprendizagem dos 10 aos 15 anos de idade. de testes requerem actividades metalin-

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guísticas diferentes, já que a substituição Em segundo lugar, os testes de cia fonológica, mas
de fonemas implica não só uma tarefa de Eliminação e Substituição requerem a plexidade linguística
eliminação, mas também a adição, na produção de respostas verbais, as quais poderiam vir a integr
mesma posição fonotáctica, do segmento são potencialmente mais difíceis do vários estudos têm p
fonológico facultado nas instruções. No que as que implicam um mero recon- cia que, dada a enor
entanto, ambos têm em comum vários hecimento (por ex., identificar a figura que se pode registar n
aspectos. Em primeiro lugar, avaliam a cuja designação se inicia com um de- itens no seio de uma
consciência fonémica, dado implicarem terminado fonema) ou são expressas de de avaliação da cons
a segmentação de palavras em fonemas. modo não verbal (por ex., movimentar ca, os parâmetros ling
Com efeito, e sendo a consciência fono- blocos para representar uma determi- podem assumir maio
lógica relativa às componentes fonoló- nada manipulação fonémica; Sodoro, que o tipo de tarefa
gicas da linguagem oral, esta pode dizer Allinder & Rankin-Erickson, 2002). Auken & Dunham,
respeito a diferentes tipos de unidades Em terceiro lugar, os testes em Chang, 1995; Schatsc
fonológicas presentes nas palavras, tais apreço dizem respeito ao nível de des- Foorman, Fletcher,
como as sílabas, as unidades intrassi- envolvimento mais avançado da cons- Stahl & Murray, 199
lábicas ou os fonemas. Esta última, de- ciência fonémica, isto é, à manipulação análise das característ
nominada consciência fonémica, desen- fonémica. Com efeito, e como assi- línguas tem posto em
volve-se mais tardiamente, reflectindo nalado noutra ocasião (Albuquerque, respectiva complexid
um domínio mais profundo e complexo 2003), quer diferentes teorizações do oralidade é passível d
da consciência fonológica (Anthony & desenvolvimento da consciência fono- volvimento da consc
Francis, 2005). A sua relevância deriva lógica (Adams, 1990; Ball, 1993), quer (cf. Anthony & Franc
do facto de ser um dos melhores predito- estudos que examinaram o desempen- e de modo a que os it
res do desempenho em leitura (Wagner, ho de crianças de diferentes idades em a revelar amplitude e
Torgensen & Rashotte, 1994) e ortogra- diversas provas de consciência fonoló- pectivo grau de dificu
fia (Plaza & Cohen, 2004), de diferenciar gica (Chafouleas, Lewandowski, Smi- a diversos parâmetro
crianças com e sem dislexia equiparáveis th & Blachman, 1997; Chafouleas & tencialmente relevan
em termos de idade cronológica (Badian, Martens, 2002), confluem, em termos frequência das palavr
1996; Goulandris, Snowling & Walker, gerais4 , na indicação de que a manipu- fonemas das palavras
2000) ou desempenho em leitura (Ba- lação é mais difícil do que a síntese ou segmentais/fonémicas
dian, 1996), de constituir, desde a idade a mera segmentação fonémica. bica dos segmentos. A
pré-escolar, um importante factor de ris- Não obstante, na construção dos efectuada quer no â
co em relação à dislexia (Sprenger-Cha- testes não atendemos, apenas, ao tipo exploratório, quer do
rolles, Colé, Lacert & Serniclaes, 2000), de tarefa passível de avaliar a consciên- vo, já foi descrita nou
e de o seu ensino exercer um impacto buquerque, Martins, &
moderado, mas estatisticamente signifi- Por conseguinte, limit
4 Registam-se algumas excepções, segundo as quais a
cativo, na aprendizagem da leitura e da eliminação de fonemas se afigura mais fácil do que a cordar os dados mais i
ortografia (Ehri et al., 2001). segmentação fonémica (McBride-Chang, 1995; Schats- apresentados e que,
chneider et al., 1999; Stahl & Murray, 1994).

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lugar, os testes de cia fonológica, mas também à com- atestam a adequação da versão definiti-
bstituição requerem a plexidade linguística dos itens que as va dos testes de consciência fonológica,
ostas verbais, as quais poderiam vir a integrar. Na realidade, no que respeita à generalidade dos cri-
nte mais difíceis do vários estudos têm posto em evidên- térios psicométricos adoptados: o teste
cam um mero recon- cia que, dada a enorme variabilidade de Eliminação compreende 10 itens
x., identificar a figura que se pode registar na dificuldade dos fáceis e 9 de dificuldade intermédia, o
se inicia com um de- itens no seio de uma ou mais tarefas teste de Substituição I 2 itens fáceis, 16
a) ou são expressas de de avaliação da consciência fonológi- de dificuldade intermédia e 1 difícil, e o
(por ex., movimentar ca, os parâmetros linguísticos dos itens teste de Substituição II 10 itens fáceis,
esentar uma determi- podem assumir maior importância do 5 de dificuldade intermédia e 2 difíceis;
o fonémica; Sodoro, que o tipo de tarefa (Chafouelas, Van o Índice de Discriminação registou va-
n-Erickson, 2002). Auken & Dunham, 2001; McBride- lores elevados e/ou estatisticamente
lugar, os testes em Chang, 1995; Schatschneider, Francis, significativos nos itens de qualquer
peito ao nível de des- Foorman, Fletcher, & Mehta, 1999; um dos testes; nenhum teste revelou
is avançado da cons- Stahl & Murray, 1994). Além disso, a diferenças significativas em função do
isto é, à manipulação análise das características de diferentes género; salvo algumas excepções, os
efeito, e como assi- línguas tem posto em evidência que a itens evidenciam sensibilidade genéti-
casião (Albuquerque, respectiva complexidade no plano da ca nas faixas etárias a que se destinam.
rentes teorizações do oralidade é passível de afectar o desen- No presente trabalho, propomo-nos
da consciência fono- volvimento da consciência fonológica prosseguir a caracterização psicométri-
990; Ball, 1993), quer (cf. Anthony & Francis, 2005). Assim, ca destes testes, focando no que respeita
minaram o desempen- e de modo a que os itens pudessem vir à precisão, a consistência interna e a es-
diferentes idades em a revelar amplitude em termos do res- tabilidade temporal. Por seu turno, e no
e consciência fonoló- pectivo grau de dificuldade, atendemos que concerne à validade, abordaremos:
, Lewandowski, Smi- a diversos parâmetros linguísticos po- a progressão dos resultados médios em
1997; Chafouleas & tencialmente relevantes, tais como a função da idade; as inter-relações entre
confluem, em termos frequência das palavras, o número de os testes de consciência fonológica; e
ção de que a manipu- fonemas das palavras, as propriedades dados relativos ao desempenho de um
il do que a síntese ou segmentais/fonémicas e a posição silá- grupo com problemas de aprendizagem
ção fonémica. bica dos segmentos. A análise dos itens comparativamente ao obtido por um
, na construção dos efectuada quer no âmbito do estudo grupo de controlo. Por último, no que se
mos, apenas, ao tipo exploratório, quer do estudo normati- refere à validade concorrente, examinar-
de avaliar a consciên- vo, já foi descrita noutro momento (Al- se-ão as relações de qualquer um dos
buquerque, Martins, & Simões, 2007). testes de consciência fonológica com
Por conseguinte, limitar-nos-emos a re- testes de inteligência e com todos os
excepções, segundo as quais a
se afigura mais fácil do que a cordar os dados mais importantes então testes que integram a BANC, bem como
McBride-Chang, 1995; Schats- apresentados e que, no seu conjunto, com os resultados escolares.
hl & Murray, 1994).

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A este último respeito, acrescenta- amostra normativa da BANC (Simões específicas, designad
se que a análise se centrará nas disci- et al., 2008). da estabilidade temp
plinas de Português, Inglês e Francês, A selecção da amostra normativa de teste-reteste, o ex
dada a importância da consciência fo- baseou-se no método de amostragem discriminante e das
nológica ao nível da aprendizagem da estratificada aleatória e teve em con- testes de consciência
língua materna e das línguas estrangei- sideração os seguintes critérios de es- resultados escolares.
ras. Os resultados escolares correspon- tratificação: idade (aproximadamente específicas são descri
dem às classificações atribuídas pelos 100 sujeitos por faixa etária); género A estabilidade tem
professores no final do período lectivo (número idêntico de rapazes e rapari- nada em grupos cons
em que as crianças foram avaliadas gas por nível etário); ano de escolarida- 74 e 32 crianças, resp
com a BANC. de (aproximadamente 100 sujeitos por casos dos testes de El
Em suma, visa-se apresentar alguns ano); área de residência (distribuição tuição I e Substituição
elementos essenciais quer à utilização por áreas de residência predominan- A capacidade dos t
destes testes no nosso país, quer à análise temente urbanas, moderadamente ur- cia fonológica difere
e interpretação dos respectivos resultados. banas e predominantemente rurais co- com diferentes níveis
rrespondente à distribuição nacional; foi examinada atravé
II- MÉTODO INE/DGOTDU, 1998); e localização de crianças com e se
geográfica (distribuição por distritos do aprendizagem. O gru
2.1- Amostra litoral e do interior próxima da popu- mas de aprendizagem
lação portuguesa; Paredes, 2004). crianças, dos 9 aos 13
A consistência interna, a progressão O Quadro 1 apresenta as caracterís- 8º ano de escolaridade
dos resultados em função da idade, as ticas da amostra relativa a cada um dos trolo foi constituído a
inter-relações entre os testes de cons- testes e atesta a sua consonância com de aferição da BANC
ciência fonológica e entre estes últimos os critérios que acabámos de enunciar. relhamento caso a cas
e os restantes instrumentos da Bate- Todas as outras análises psicomé- das crianças com pro
ria foram determinadas com base na tricas foram realizadas com amostras dizagem, em termos
mográficas como a id
escolaridade, a região
Quadro 1: Caracterização da amostra normativa de residência e a escol
O grupo de crian
mas de aprendizagem
na Consulta de Insu
Centro de Desenvolv
tal Pediátrico de Coim
rapazes e 13 rapariga
de cronológica média
(d.p.=11.07). Os crit

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va da BANC (Simões específicas, designadamente a análise das crianças neste grupo contempla-
da estabilidade temporal em termos ram: a ausência de qualquer outro
a amostra normativa de teste-reteste, o exame da validade diagnóstico; Quociente Intelectual Ge-
todo de amostragem discriminante e das relações entre os ral (QIEC) superior a 80 na WISC-III;
tória e teve em con- testes de consciência fonológica e os e percentil superior a 35 nas M.P.C.R..
uintes critérios de es- resultados escolares. Essas amostras Trata-se, pois, de critérios de inclusão
e (aproximadamente específicas são descritas em seguida. abrangentes, cuja adopção resultou
faixa etária); género A estabilidade temporal foi exami- num grupo que, embora comportando
de rapazes e rapari- nada em grupos constituídos por 106, uma maioria de crianças com dificulda-
o); ano de escolarida- 74 e 32 crianças, respectivamente, nos des específicas de aprendizagem da lei-
mente 100 sujeitos por casos dos testes de Eliminação, Substi- tura (63.6%), também abarca crianças
sidência (distribuição tuição I e Substituição II. com dificuldades na aprendizagem da
idência predominan- A capacidade dos testes de consciên- leitura associadas a perturbações na
moderadamente ur- cia fonológica diferenciarem crianças linguagem expressiva (4.6%) e/ou a
nantemente rurais co- com diferentes níveis de desempenho défices de atenção (4.6%), e crianças
distribuição nacional; foi examinada através da comparação com dificuldades não específicas de
1998); e localização de crianças com e sem problemas de aprendizagem (27.4%).
buição por distritos do aprendizagem. O grupo com proble- Por seu turno, o grupo de controlo
or próxima da popu- mas de aprendizagem compreende 44 abrange 32 rapazes e 12 raparigas, com
Paredes, 2004). crianças, dos 9 aos 13 anos e do 3º ao uma idade cronológica média de 126.95
presenta as caracterís- 8º ano de escolaridade. O grupo de con- meses (d.p.=10.87). Os dois grupos
elativa a cada um dos trolo foi constituído a partir da amostra não se diferenciam significativamen-
sua consonância com de aferição da BANC e de um empa- te em relação a nenhuma das variáveis
cabámos de enunciar. relhamento caso a caso com cada uma que foram objecto de emparelhamento:
as análises psicomé- das crianças com problemas de apren- idade [F(1,87)=.147; p=.702]; géne-
izadas com amostras dizagem, em termos de variáveis de- ro [χ2(1)=.056; p=.813]; escolaridade
mográficas como a idade, o género, a [F(1,87)=3.655; p=.059]; região geográ-
escolaridade, a região geográfica, a área fica [χ2(1)=3.058; p=.08]; área de resi-
mativa de residência e a escolaridade dos pais. dência [χ2(2)=4.260; p=.119]; e habili-
O grupo de crianças com proble- tações académicas do pai [χ2(4)=3.650;
mas de aprendizagem foi observado p=.445] e da mãe [χ2(4)=4.554; p=.336].
na Consulta de Insucesso Escolar do As correlações entre o desempenho
Centro de Desenvolvimento do Hospi- nos testes de consciência fonológica
tal Pediátrico de Coimbra e integra 31 e os resultados escolares foram deter-
rapazes e 13 raparigas, com uma ida- minadas com base em subamostras da
de cronológica média de 126.05 meses amostra de aferição. O Quadro 2 assi-
(d.p.=11.07). Os critérios de inclusão nala que a dimensão destas subamostras

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varia de acordo com o nível de escolari- faz com que as respectivas idades cro- funções executivas (T
dade, mas no seio de cada uma delas o nológicas médias sejam iguais (por ex., de 2 e 3 Sinais; Trail M
número de rapazes e raparigas é muito 10.60 no caso do teste de Eliminação de Coimbra); e motri
semelhante, oscilando as diferenças en- e das disciplinas de Português e Inglês de Motricidade). Além
tre 1 a 8 sujeitos. Além disso, no âmbi- no 2º ciclo) ou muito próximas (por ex., que vários testes facu
to de um mesmo ciclo de escolaridade, 13.12, 13.10 e 13.11, nos casos, respec- um resultado, especifi
os sujeitos que frequentam duas ou três tivamente, dos testes de Eliminação e cunstâncias, qual ou q
disciplinas são os mesmos ou sensivel- Substituição II e das disciplinas de Por- empregues no present
mente os mesmos, o que, por sua vez, tuguês, Inglês e Francês no 3º ciclo). ainda, que se trata, na
ria, de instrumentos or
vidos especificamente
Quadro 2: Caracterização da amostra relativa às correlações dos testes de três excepções são: a
Consciência Fonológica com os resultados escolares de Rey (Rey, 1941, Os
in Baron, 2004), o T
(Army Individual Test
in Baron, 2004) e o T
(Milner, 1971, cit. in B
Fluência Verbal S
teste requer a mobiliz
verbais, da memória e
cutivas. Solicita à cri
o maior número possív
ferentes e corresponde
2.2- Instrumentos Outros Testes da Bateria – Visto te- semânticas “nomes de
rem também sido contemplados na aná- de meninos e meninas”
Testes de Consciência Fonológi- lise da validade concorrente, procede-se, sas para comer”. O res
ca - Uma vez que os testes de Elimi- de seguida, a uma breve caracterização de ao número de palav
nação e Substituição foram descritos dos instrumentos que integram a BANC. Fluência Verbal Fo
precedentemente, limitemo-nos agora Para o efeito, adopta-se uma sequência te avalia as mesmas co
a acrescentar que, para além dos itens baseada nas funções que abrangem, no- Fluência Verbal Sem
propriamente ditos, qualquer um dos meadamente: linguagem (Fluência Ver- do conhecimento fo
testes integra 2 itens de exemplo que bal Semântica e Fonémica; Nomeação solicita a produção de
se destinam a assegurar que o sujeito Rápida; Compreensão de Instruções); do com categorias fon
compreende correctamente a tarefa. memória verbal (Lista de Palavras; Me- criança, com 7 ou ma
As respostas são cotadas com 0 ou 1 mória de Histórias); memória visual deve nomear o maior
pontos, consoante são consideradas in- (Memória de Faces; Tabuleiro de Cor- de palavras diferentes
correctas ou correctas. si; Figura Complexa de Rey); atenção e letras P, M e R. O resu

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espectivas idades cro- funções executivas (Teste da Barragem ao número de palavras correctas.
sejam iguais (por ex., de 2 e 3 Sinais; Trail Making Test; Torre Nomeação Rápida - Os testes de
o teste de Eliminação de Coimbra); e motricidade (Tabuleiro Nomeação Rápida integram: um teste
de Português e Inglês de Motricidade). Além disso, e uma vez de Nomeação de Cores para crianças
uito próximas (por ex., que vários testes facultam mais do que com 5 e 6 anos; um teste de Nomeação
.11, nos casos, respec- um resultado, especifica-se, nessas cir- de Números e um teste de Nomeação de
stes de Eliminação e cunstâncias, qual ou quais os que serão Formas e Cores, ambos para crianças e
das disciplinas de Por- empregues no presente estudo. Nota-se, jovens com idades compreendidas en-
rancês no 3º ciclo). ainda, que se trata, na sua grande maio- tre os 7 e os 15 anos. Avaliam a aptidão
ria, de instrumentos originais, desenvol- para aceder e produzir palavras fami-
vidos especificamente para a BANC. As liares rapidamente, já que, em qualquer
lações dos testes de três excepções são: a Figura Complexa um destes testes, se solicita à criança
scolares de Rey (Rey, 1941, Osterrieth, 1944, cit. que nomeie o mais depressa que lhe for
in Baron, 2004), o Trail Making Test possível 50 estímulos visuais familia-
(Army Individual Test Battery, 1944, cit. res constantes num cartão, os quais se
in Baron, 2004) e o Tabuleiro de Corsi repetem em sequências aleatórias. En-
(Milner, 1971, cit. in Baron, 2004). tre os resultados disponíveis, atendeu-
Fluência Verbal Semântica – Este se ao tempo total despendido.
teste requer a mobilização de aptidões Teste de Compreensão de Ins-
verbais, da memória e das funções exe- truções – Este teste avalia a linguagem
cutivas. Solicita à criança que produza receptiva, ao nível semântico e sin-
o maior número possível de palavras di- táctico, através da resposta não verbal
ferentes e correspondentes às categorias da criança a 27 instruções orais. Estas
da Bateria – Visto te- semânticas “nomes de animais”, “nomes 27 instruções distribuem-se, em igual
contemplados na aná- de meninos e meninas” e “nomes de coi- número, por 3 partes que envolvem
ncorrente, procede-se, sas para comer”. O resultado correspon- um grau de complexidade crescente e
a breve caracterização de ao número de palavras correctas. materiais diferentes. O resultado total
que integram a BANC. Fluência Verbal Fonémica – Este tes- corresponde ao número de instruções
pta-se uma sequência te avalia as mesmas competências que a correctamente executadas.
ões que abrangem, no- Fluência Verbal Semântica, acrescidas Lista de Palavras – Este teste ava-
uagem (Fluência Ver- do conhecimento fonológico, já que lia a capacidade de aprendizagem, re-
Fonémica; Nomeação solicita a produção de palavras de acor- tenção, evocação e reconhecimento
ensão de Instruções); do com categorias fonémicas. Assim, a de material auditivo-verbal. A criança
Lista de Palavras; Me- criança, com 7 ou mais anos de idade, começa por aprender uma lista de 15
ias); memória visual deve nomear o maior número possível palavras no decurso de 4 ensaios. Uma
es; Tabuleiro de Cor- de palavras diferentes começadas pelas nova lista de 15 palavras, a lista de in-
exa de Rey); atenção e letras P, M e R. O resultado corresponde terferência, é, então, apresentada e evo-

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cada (Ensaio da Lista de Interferência). to Imediato), e após um intervalo de nutos, colocar um tra
Depois, a criança é solicitada a evocar tempo previamente fixado, de 20 a 30 quadrados iguais aos
a primeira lista, no âmbito de Ensaios minutos (Reconhecimento Diferido). tado é calculado atrav
de Evocação Diferida e de um Ensaio O resultado empregue neste estudo foi la que atende ao núm
de Reconhecimento. Entre os resultados o relativo ao reconhecimento imediato. correctamente assinal
que é possível apurar através deste teste, Tabuleiro de Corsi – Trata-se de um incorrectamente assin
privilegiámos os relativos à memória de teste de memória visual com uma com- Trail Making Tes
trabalho fonológica dada a sua poten- ponente motora. O examinador efectua, composto por duas pa
cial relevância ao nível do desempenho com o dedo indicador, sequências de B. Ambas avaliam a p
em testes de consciência fonológica, movimentos em 9 cubos dispostos num pida e a velocidade m
nomeadamente os resultados nos 4 en- tabuleiro. A criança deve reproduzir, de B apela, adicionalmen
saios da lista de aprendizagem (Lista de seguida, cada uma dessas sequências. de flexibilidade e alter
Palavras- Aprendizagem), bem como o O resultado total corresponde à soma Na Parte A, a criança
resultado na lista de interferência. dos pontos alcançados. linha que una 25 círc
Memória de Histórias – A realização Figura Complexa de Rey – O prin- distribuídos aleatoria
deste teste requer as mesmas competên- cipal objectivo deste teste reside na ha, pela ordem aprop
cias que o precedente, mas também as de avaliação da memória visual e da capa- ao 25. Na Parte B, a
planificação, organização, sequenciação cidade de organização visoespacial. O traçar uma linha que
e linguagem. Comporta 4 histórias, tendo procedimento de administração adopta- com números ou le
as designadas de A e B sido aplicadas a do consiste na cópia da figura, seguida aleatoriamente numa
crianças dos 6 aos 9 anos e as designadas de um ensaio de evocação imediata 3 números e letras (po
de C e D a crianças dos 10 aos 15 anos. minutos depois e, por fim, de um ensaio etc.). Em ambas as p
O examinador lê cada uma das histó- de evocação diferida 20 a 30 minutos corresponde ao temp
rias e a criança reconta-a imediatamente depois. Neste estudo, empregou-se o a realização da tarefa.
após ter terminado de a ouvir (Ensaio de resultado referente à evocação imediata. Torre de Coimbra
Evocação Imediata) e 20 a 30 minutos Teste da Barragem de 2 ou 3 Si- as funções executivas
depois (Ensaio de Evocação Diferida). nais - Este teste avalia, essencialmen- monitorização, auto-r
Por último, são-lhe colocadas questões te, a atenção selectiva e a sustentada. lução de problemas.
de escolha múltipla sobre cada uma das A Barragem de 2 Sinais foi aplicada a preende 12 modelos, a
histórias (Ensaio de Reconhecimento). À crianças dos 6 aos 9 anos e a de 3 Si- forma de fotografias,
semelhança do assinalado em relação à nais a crianças dos 10 aos 15 anos. O de reproduzir numa to
Lista de Palavras, atendeu-se ao resulta- material consiste numa folha A3 com de cores diferentes. E
do referente à evocação imediata. 1600 quadrados dispostos em linhas modelo, é possível r
Memória de Faces – Este teste ava- e 2 ou 3 quadrados modelo colocados saios. Se bem que seja
lia a capacidade de reconhecimento de no topo da folha (consoante se trate da vários resultados, no
16 faces não familiares, imediatamente Barragem de 2 ou 3 Sinais). A tarefa atende-se, apenas, ao r
após a sua exposição (Reconhecimen- da criança consiste em, durante 10 mi- Tabuleiro de Motr

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após um intervalo de nutos, colocar um traço por cima dos te avalia a destreza manual e digital. A
te fixado, de 20 a 30 quadrados iguais aos modelos. O resul- criança tem de colocar o maior número
hecimento Diferido). tado é calculado através de uma fórmu- possível de pregos num tabuleiro com
egue neste estudo foi la que atende ao número de quadrados 50 buracos, primeiro com a mão do-
nhecimento imediato. correctamente assinalados, omitidos e minante, depois com a mão não domi-
Corsi – Trata-se de um incorrectamente assinalados. nante e, por fim, com as duas mãos em
visual com uma com- Trail Making Test – Este teste é simultâneo. Apesar se poder calcular
O examinador efectua, composto por duas partes distintas: A e um resultado para cada uma das mãos,
cador, sequências de B. Ambas avaliam a pesquisa visual rá- utilizámos, apenas, o resultado relativo
9 cubos dispostos num pida e a velocidade motora, mas a Parte a ambas as mãos.
ça deve reproduzir, de B apela, adicionalmente, a mecanismos Testes de Inteligência - No âmbito
ma dessas sequências. de flexibilidade e alternância cognitiva. dos estudos de validade concorren-
corresponde à soma Na Parte A, a criança tem de traçar uma te, recorreu-se a testes de inteligência
çados. linha que una 25 círculos numerados, aferidos para a população portuguesa,
exa de Rey – O prin- distribuídos aleatoriamente numa fol- designadamente a WISC-III (Escala de
deste teste reside na ha, pela ordem apropriada, desde o 1 Inteligência de Wechsler para Crianças
mória visual e da capa- ao 25. Na Parte B, a criança já deverá - Terceira Edição; Wechsler, 2003) e
zação visoespacial. O traçar uma linha que una 25 círculos as Matrizes Progressivas Coloridas de
administração adopta- com números ou letras, distribuídos Raven (M.P.C.R.; Simões, 2000).
pia da figura, seguida aleatoriamente numa folha, alternando
evocação imediata 3 números e letras (por ex., 1, A, 2, B, III- RESULTADOS
por fim, de um ensaio etc.). Em ambas as partes, o resultado
rida 20 a 30 minutos corresponde ao tempo necessário para 3.1- Precisão
tudo, empregou-se o a realização da tarefa.
e à evocação imediata. Torre de Coimbra – Este teste avalia O alfa de Cronbach registou, na
ragem de 2 ou 3 Si- as funções executivas de planeamento, amostra normativa, os seguintes valo-
avalia, essencialmen- monitorização, auto-regulação e reso- res: .91 no teste de Eliminação, .90 no
ectiva e a sustentada. lução de problemas. O material com- teste de Substituição I e .72 no teste de
Sinais foi aplicada a preende 12 modelos, apresentados sob a Substituição II.
s 9 anos e a de 3 Si- forma de fotografias, que o sujeito tem Em relação ao teste-reteste, o Qua-
os 10 aos 15 anos. O de reproduzir numa torre com três bolas dro 3 especifica os resultados padroni-
numa folha A3 com de cores diferentes. Em relação a cada zados obtidos nas duas aplicações, sepa-
dispostos em linhas modelo, é possível realizar até 4 en- radas por um intervalo médio de 27 dias
os modelo colocados saios. Se bem que seja possível calcular (+10 dias), e as correlações entre eles.
(consoante se trate da vários resultados, no presente estudo, Como se pode observar, nos testes
u 3 Sinais). A tarefa atende-se, apenas, ao resultado total. de Eliminação e Substituição I, obti-
te em, durante 10 mi- Tabuleiro de Motricidade - Este tes- veram-se valores elevados na consis-

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Quadro 3: Médias, desvios-padrão e coeficientes de correlação


no teste-reteste No que concerne
função da idade, o Qu
ta que, no teste de El
aumento importante
brutos entre os 6 e os
de uma estabilização

Quadro 5: Médias

tência interna, determinada através do globalidade. No entanto, os valores co-


alfa de Cronbach, e nas correlações rrespondentes revelaram-se menos ele-
relativas ao teste-reteste, quando se vados, ainda que satisfatórios, no teste
atende aos grupos de crianças na sua de Substituição II.

3.2- Validade de Constructo


Por seu turno, o
la que, no teste de S
Quadro 4: Médias e desvios-padrão do teste de Eliminação por idade verifica um aumento
resultados brutos com
ANOVA, com corre
(F(3, 397)= 117.31; p<
ta que as diferenças,
etários consecutivos,
entre os 6/7 anos (p<.
(p<.05), e os 8/9 anos
Pelo contrário, no
tuição II há uma aus
são entre os 10 e os
de incrementos reduz
e os 14 anos, ou seja,
uma fraca sensibilida

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de correlação
No que concerne à progressão em anos. Os resultados de uma ANOVA,
função da idade, o Quadro 4 documen- com correcção de Tukey (F(9, 993)=
ta que, no teste de Eliminação, há um 134.57; p<.001), atestam a presença de
aumento importante dos resultados diferenças significativas entre os 6 e 7
brutos entre os 6 e os 9 anos, seguido anos (p<.001), os 7 e 8 anos (p<.05) e
de uma estabilização a partir dos 10 os 8 e 9 anos (p<.001).

Quadro 5: Médias e desvios-padrão dos testes de Substituição por idade

ntanto, os valores co-


elaram-se menos ele-
satisfatórios, no teste
.

Por seu turno, o Quadro 5 assina- marcado efeito de tecto. A comprová-


la que, no teste de Substituição I, se lo, uma ANOVA, com correcção de
inação por idade verifica um aumento progressivo dos Tukey (F(5, 596)= 11.832; p<.001),
resultados brutos com a idade. Uma apenas documenta a existência de uma
ANOVA, com correcção de Tukey diferença estatisticamente significativa
(F(3, 397)= 117.31; p<.001), documen- (p<.05) entre os 11 e os 12 anos.
ta que as diferenças, entre dois níveis O Quadro 6 apresenta as interco-
etários consecutivos, são significativas rrelações entre os resultados padroni-
entre os 6/7 anos (p<.001), os 7/8 anos zados dos testes de consciência fono-
(p<.05), e os 8/9 anos (p<.001) lógica. Os coeficientes, obtidos pelas
Pelo contrário, no teste de Substi- 401 crianças a quem foram aplicados
tuição II há uma ausência de progres- os testes de Eliminação e Substituição
são entre os 10 e os 11 anos, seguido I, registaram um valor global de .70
de incrementos reduzidos entre os 12 (p<.001), o qual oscilou entre um
e os 14 anos, ou seja, este teste denota máximo de .78 (p<.001) aos 6 anos e
uma fraca sensibilidade genética e um um mínimo de .58 (p<.001) aos 9 anos.

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Por seu turno, os valores correspon- em .61 (p<.001), no caso do valor glo- 3.4- Validade Conco
dentes, mas relativos aos resultados bal, e em .70 e .58, respectivamente, no
padronizados dos testes de Eliminação que concerne aos valores máximo (aos As correlações co
e Substituição II (n=602), situaram-se 13 anos) e mínimo (aos 10 e 15 anos). mentos de avaliação a

Quadro 6: Intercorrelações dos testes de Consciência Fonológica por idade Quadro 8: C

3.3- Validade Discriminante aprendizagem e 44 crianças sem proble-


mas de aprendizagem (Cf. Amostra).
Tal como já tivemos oportunidade Como se pode verificar no Quadro
de apontar, a capacidade dos testes de 7, as crianças com problemas de apren-
consciência fonológica discriminarem dizagem obtêm resultados padroniza-
crianças com diferentes níveis de desem- dos sistemática e significativamente
penho foi determinada através da compa- inferiores aos dos seus pares do grupo
ração de 44 crianças com problemas de de controlo.

Quadro 7: Médias, desvios-padrão e diferença de médias no desempenho de


crianças com e sem problemas de aprendizagem

No que se reporta
teligência, as correla
camente respeito aos
nação e Substituição I
dos primeiros ter sid
crianças com idades e
anos. Como se pode

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no caso do valor glo- 3.4- Validade Concorrente de inteligência e todos os restantes tes-
8, respectivamente, no tes da Bateria, tratando-se, excepto no
valores máximo (aos As correlações com outros instru- caso das M.P.C.R., de correlações entre
o (aos 10 e 15 anos). mentos de avaliação abrangeram testes resultados padronizados.

onológica por idade Quadro 8: Correlações dos testes de Consciência Fonológica


com outros testes

4 crianças sem proble-


gem (Cf. Amostra).
e verificar no Quadro
m problemas de apren-
resultados padroniza-
e significativamente
s seus pares do grupo

s no desempenho de
zagem

No que se reporta aos testes de in- dro 8, os valores são modestos, sendo
teligência, as correlações dizem uni- os mais elevados os registados com as
camente respeito aos testes de Elimi- M.P.C.R.. Algo surpreendente é o fac-
nação e Substituição I, dado a aplicação to de o teste de Substituição I, ao con-
dos primeiros ter sido efectuada em trário do que acontece com o teste de
crianças com idades entre os 6 e os 10 Eliminação, apresentar uma correlação
anos. Como se pode verificar no Qua- mais elevada com o QI de Realização

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do que com o QI Verbal da WISC-III. Ainda no âmbito dos valores mais salvo uma excepção
Uma análise mais detalhada das co- elevados que foram obtidos, destacam- nação e disciplina de
rrelações entre o teste de Substituição se os referentes à Lista de Palavras que
I e cada um dos testes que compõem apela, como se viu, à memória fonológi- Quadro 9: Corr
a Escala de Realização assinala que ca, bem como os relativos aos testes de resulta
as mais elevadas se registam nos tes- atenção e, em particular, à Barragem de 2
tes de Disposição de Gravuras (.33) e Sinais no caso dos testes de Eliminação e
Pesquisa de Símbolos (.35). Ora, estes Substituição I, e à Barragem de 3 Sinais e
testes apelam à representação mental e ao Trail Making Test – Parte B no caso do
à atenção, as quais são também mobili- teste de Substituição II. A este respeito,
zadas pelo teste de Substituição I. podem também apontar-se as correlações
No que concerne aos testes da Ba- com os resultados do Tabuleiro de Corsi,
teria, começamos por apontar que as o qual, apesar de ser considerado um tes-
dimensões das amostras, constantes do te de memória visual, coloca igualmente
Quadro 8, nem sempre corresponderem em jogo a atenção (Lezak, Howienson, &
às 1003, 401 e 602 crianças a quem Loring, 2004).
foram aplicados, respectivamente, os Já no que concerne aos valores me-
testes de Eliminação e Substituição I nos elevados obtidos, nota-se que eles
e II. Tal facto fica a dever-se às idades respeitam a um teste de funções execu-
de aplicação dos diferentes testes (Cf. tivas, a Torre de Coimbra, a um teste IV - Discussão dos R
Instrumentos) ou à necessidade de ex- de motricidade, o Tabuleiro de Motri-
clusão de alguns protocolos (por ex., cidade e a um teste de memória visual, No que respeita à
Torre de Coimbra). a Memória de Faces. tes de Eliminação e S
Apesar das correlações serem, uni- Em relação às correlações dos re- tiveram valores que
formemente, baixas ou moderadas, sultados dos testes de consciência fo- derados como elevad
destacamos os valores mais elevados nológica com os resultados escolares, (DeVellis, 2003). Por
que foram obtidos, os quais dizem res- e no que concerne especificamente à de Substituição II ob
peito a testes que se enquadram nos disciplina de Português, os dados cons- destos, o que pode, em
domínios da linguagem, da memória tantes do Quadro 9 atestam um padrão do ao facto deste tes
verbal e da atenção. Assim, os testes de diferenciado de correlações consoante número ligeiramente
consciência fonológica relacionam-se, se trata do teste de Eliminação ou do itens. Não obstante, o
de forma mais estreita, com testes do teste de Substituição II. No primeiro, dos, neste caso, situa
domínio no qual se inserem, nomea- as correlações diminuem à medida que pouco acima do valor
damente com os testes de Nomeação se avança na escolaridade, enquanto por Nunnally (1978)
Rápida de Cores e de Formas e Cores que no segundo acontece o contrário. aceitável. Além disso
e com o teste de Compreensão de Ins- No que respeita às línguas estrangeiras sente que a adequaçã
truções. e, em particular ao Inglês, nota-se que, precisão deve ser inte

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bito dos valores mais salvo uma excepção (teste de Elimi- as correlações tendem a aumentar em
am obtidos, destacam- nação e disciplina de Inglês, 3º ciclo), função da escolaridade.
Lista de Palavras que
u, à memória fonológi- Quadro 9: Correlações dos testes de Consciência Fonológica com os
relativos aos testes de resultados escolares a Português, Inglês e Francês
icular, à Barragem de 2
testes de Eliminação e
Barragem de 3 Sinais e
est – Parte B no caso do
ção II. A este respeito,
ontar-se as correlações
do Tabuleiro de Corsi,
er considerado um tes-
ual, coloca igualmente
(Lezak, Howienson, &

cerne aos valores me-


idos, nota-se que eles
ste de funções execu-
Coimbra, a um teste IV - Discussão dos Resultados objectivos que presidem à utilização de
o Tabuleiro de Motri- um dado instrumento de avaliação. As-
te de memória visual, No que respeita à precisão, os tes- sim, e tratando-se de testes orientados
ces. tes de Eliminação e Substituição I ob- para fins de despistagem, como é a si-
às correlações dos re- tiveram valores que podem ser consi- tuação presente, valores de .70 podem
es de consciência fo- derados como elevados ou muito bons ser considerados aceitáveis (Murphy &
resultados escolares, (DeVellis, 2003). Por seu turno, o teste Davidshofer, 1991).
ne especificamente à de Substituição II obteve valores mo- No que concerne à validade de
uguês, os dados cons- destos, o que pode, em parte, ser devi- constructo, registaram-se, por um lado,
9 atestam um padrão do ao facto deste teste comportar um resultados favoráveis em termos das
correlações consoante número ligeiramente mais reduzido de inter-relações dos testes de consciência
de Eliminação ou do itens. Não obstante, os valores regista- fonológica e da sua capacidade de dife-
ição II. No primeiro, dos, neste caso, situam-se, ainda, um renciarem crianças com e sem proble-
minuem à medida que pouco acima do valor de .70, apontado mas de aprendizagem e, por outro lado,
colaridade, enquanto por Nunnally (1978) como o mínimo resultados menos favoráveis em termos
acontece o contrário. aceitável. Além disso, convém ter pre- da progressão em função da idade. Em
s línguas estrangeiras sente que a adequação dos valores de relação aos primeiros, gostaríamos de
o Inglês, nota-se que, precisão deve ser interpretada à luz dos salientar que a magnitude, em regra

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elevada, do padrão de intercorrelações bém os estudos já concluídos que com- fouleas & Martens, 2
está em consonância com a apontada pararam o desempenho na BANC de atesta que esta tem
por outros autores (Chafouleas et al., grupos com várias problemáticas com entre o final da idad
1997; McBride-Chang, 1995; Wagner o de grupos de controlo. No âmbito 1º ano de escolarid
et al., 1994) e sublinha que os testes da investigação disponível nesta área, subsequentemente, u
de consciência fonológica tendem a referimo-nos, por exemplo, a crianças progressivo. Ainda a
partilhar uma proporção substancial com e sem dificuldades na ortografia testes de eliminação
de variância comum (Schatschneider (Plaza & Cohen, 2004), epilepsia ge- transposição fonémic
et al., 1999). Em acréscimo, e segundo neralizada ou epilepsia do lobo frontal uma trajectória desenv
Chafouleas et al. (1997), as correlações (Vanasse, Béland, Carmant & Lasson- ramente mais ampla,
entre testes de consciência fonológi- de, 2005), ou Perturbação de Hiperacti- competências fonoló
ca tendem a aumentar à medida que vidade e Défice de Atenção associada a plexas. Por exemplo,
cresce o nível de dificuldade das tare- dificuldades na aprendizagem da leitura do que se apurou no
fas, mostrando-se, por exemplo, mais (Willcutt et al., 2001). Já no âmbito dos a eliminação fonémic
elevadas entre testes de eliminação estudos com a BANC, referimo-nos a tada como difícil par
e substituição fonémica do que entre crianças com epilepsia generalizada ou 9 anos (Bruce, 1964)
testes de produção e categorização de epilepsia do lobo frontal (Lopes, 2007) escolaridade (Strattm
rimas. Assim sendo, este facto poderá e traumatismo crâneo-encefálico (San- 2005), denotando, pa
ter também contribuído para os valores tos, 2006) Por conseguinte, a aplicabi- aumentos estatisticam
observados. lidade e a utilidade dos instrumentos vos entre o 1º e o 2º an
No que respeita à diferenciação en- de avaliação da consciência fonológica de (Korkman, Barron
tre crianças com e sem problemas de estende-se muito para além das dificul- Lahti-Nuuttila, 1999)
aprendizagem, e uma vez que, no pre- dades na aprendizagem da leitura e da tido, Korkman et al. (1
sente estudo, o grupo com problemas escrita. que um teste de sub
de aprendizagem é constituído maio- No seu conjunto, os dados relati- ou mais fonemas reg
ritariamente por crianças com dificul- vos à progressão em função da idade estatisticamente sign
dades específicas na aprendizagem da reflectem os já apontados ao nível da 1º e o 4º anos de esc
leitura, confirma-se a relevância que os análise dos itens (Albuquerque et al., atribuído à necessida
défices na consciência fonológica po- 2007), visto que, nessa ocasião, se tação fonémica estar
dem assumir nesta problemática (Ba- verificou, por exemplo, que nos testes e às exigências, em te
dian, 1996; Goulandris et al., 2000). de Eliminação e Substituição I predo- tação mental e mem
Porém, afigura-se-nos pertinente sa- minam itens fáceis a partir dos 9 anos. deste tipo de prova.
lientar que o poder diferenciador destes Por outro lado, os dados obtidos vão Atendendo a que
testes não se restringe a crianças com também ao encontro da investigação qualquer tarefa ou tes
e sem dificuldades na aprendizagem da sobre o desenvolvimento da consciên- fonológica depende d
leitura, tal como, aliás, o atestam a in- cia fonológica (Anthony & Francis, lidade com o nível de
vestigação disponível nesta área e tam- 2005; Chafouleas et al., 1997; Cha- infantil, bem como d

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concluídos que com- fouleas & Martens, 2002), na qual se de aos progressos individuais, poderá
mpenho na BANC de atesta que esta tem lugar, sobretudo, considerar-se que as tarefas de manipu-
as problemáticas com entre o final da idade pré-escolar e o lação fonémica constituem uma opção
controlo. No âmbito 1º ano de escolaridade, registando, a privilegiar junto de crianças em idade
disponível nesta área, subsequentemente, um abrandamento escolar. No entanto, esta opção enfren-
r exemplo, a crianças progressivo. Ainda assim, tarefas ou ta igualmente vários obstáculos, entre
uldades na ortografia testes de eliminação, substituição ou os quais sobressaem os relativos à pre-
2004), epilepsia ge- transposição fonémica podem registar sença de efeitos de tecto, tal como foi
lepsia do lobo frontal uma trajectória desenvolvimental ligei- constatado neste estudo, e à influência
, Carmant & Lasson- ramente mais ampla, visto reflectirem recíproca que a consciência fonológica
urbação de Hiperacti- competências fonológicas mais com- estabelece com a leitura (Hogan, Catts
e Atenção associada a plexas. Por exemplo, e à semelhança & Little, 2005), circunstâncias que fa-
rendizagem da leitura do que se apurou no presente estudo, zem com que a avaliação da consciên-
001). Já no âmbito dos a eliminação fonémica tem sido apon- cia fonológica perca poder preditivo
ANC, referimo-nos a tada como difícil para crianças de 8 e e informativo à medida que a criança
epsia generalizada ou 9 anos (Bruce, 1964) ou do 2º ano de avança na escolaridade. Não obstante,
frontal (Lopes, 2007) escolaridade (Strattman & Hodson, estes obstáculos não comprometem,
âneo-encefálico (San- 2005), denotando, para além do mais, na nossa óptica, a importância da ava-
nseguinte, a aplicabi- aumentos estatisticamente significati- liação da consciência fonológica, no-
ade dos instrumentos vos entre o 1º e o 2º anos de escolarida- meadamente junto de crianças e jovens
onsciência fonológica de (Korkman, Barron-Linnankoski, & com diversas problemáticas, tendo em
para além das dificul- Lahti-Nuuttila, 1999). No mesmo sen- vista quer a delineação das suas com-
zagem da leitura e da tido, Korkman et al. (1999) verificaram petências e défices, quer a identificação
que um teste de substituição de um de objectivos de intervenção ou a mo-
unto, os dados relati- ou mais fonemas registava progressos nitorização dos efeitos dos esforços
em função da idade estatisticamente significativos entre o reeducativos.
pontados ao nível da 1º e o 4º anos de escolaridade, padrão No âmbito da validade concorrente,
(Albuquerque et al., atribuído à necessidade de a segmen- e mais especificamente das correlações
e, nessa ocasião, se tação fonémica estar bem estabelecida entre os testes de consciência fonológi-
emplo, que nos testes e às exigências, em termos de represen- ca e outros instrumentos de avaliação,
Substituição I predo- tação mental e memória de trabalho, impõem-se três ordens de conside-
is a partir dos 9 anos. deste tipo de prova. rações.
os dados obtidos vão Atendendo a que a adequação de A primeira é a de que a obtenção
ntro da investigação qualquer tarefa ou teste de consciência de correlações uniformemente baixas
vimento da consciên- fonológica depende da sua compatibi- ou moderadas atesta a especificidade
Anthony & Francis, lidade com o nível de desenvolvimento dos testes em apreço. Por exemplo, no
s et al., 1997; Cha- infantil, bem como da sua sensibilida- que respeita aos testes de inteligência,

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70

McBride-Chang e colaboradores (Mc- Ainda neste registo, a existência teste de Substituição


Bride-Chang, 1995; McBride-Chang, de uma relação significativa entre me- se, mais uma vez, de v
Wagner, & Chang, 1997) conside- didas de consciência fonológica e me- consonantes com os r
raram que a consciência fonológica mória de trabalho fonológica tem sido estudos (Hansen & B
comportaria, entre outras, uma com- apontada por vários autores (Hansen & Bride-Chang, 1995;
ponente cognitiva inerente à compre- Bovey, 1994; McBride-Chang, 1995; 2000) e que traduzem
ensão e realização da tarefa. Contudo, Oakhill & Kyle, 2000; Strattman & ca correspondência d
o facto das correlações entre testes de Hodson, 2005), podendo, esta asso- avaliadas.
inteligência e consciência fonológica ciação, ficar a dever-se a duas razões, A segunda consi
serem, tal como no presente estudo, re- não mutuamente exclusivas entre si. se à solidez da estru
duzidas (McBride-Chang, 1995; Wag- Assim, por um lado, tarefas ou testes apoia-se na verificaçã
ner et al., 1994), ou de o QI, mesmo de avaliação da consciência fonológi- de avaliação da cons
quando considerado em simultâneo ca, tais como os de manipulação fo- ca se correlacionam,
com a percepção da fala e a memó- némica, requerem a memória de tra- menos estreita, respe
ria verbal a curto prazo, explicar uma balho fonológica, na medida em que outros testes do domí
percentagem diminuta da progressão implicam a retenção e o processamento e com testes de funçõe
dos resultados numa tarefa de elimi- activo da informação. Tal relação con- rre de Coimbra), motr
nação fonémica (McBride-Chang et duziu, até, alguns autores a admitirem ro de Motricidade) e
al., 1997), são dados que apontam a dificuldade em determinar se, com (Memória de Faces).
para que o contributo da componente tais testes, se avaliaria, na verdade, a A terceira conside
cognitiva seja restrito. No mesmo sen- consciência fonológica ou, antes, a me- associações, ainda qu
tido, tem-se verificado uma controvér- mória de trabalho fonológica (Oakhill testes de consciência
sia apreciável sobre a natureza total ou & Kyle, 2000). Por outro lado, tem-se os de atenção. Com
parcialmente fonológica da nomeação considerado que ambas as capacidades compreende, os teste
rápida (cf. Albuquerque & Simões, partilham uma componente de proces- fonológica requerem
2009). Uma vez que neste estudo as samento fonológico (Hansen & Bovey, de uma palavra e fon
correlações entre os testes de cons- 1994), de tal modo que o desempenho quer a manutenção d
ciência fonológica e de nomeação rá- nas duas dependeria da qualidade ou via, o facto do Trail M
pida oscilam entre um mínimo de .14 eficiência das representações fonológi- te B apresentar uma co
e um máximo de .30, sendo, além dis- cas subjacentes. Os valores das corre- com o teste de Subst
so, similares às apontadas por outras lações por nós obtidos no que respeita na nossa óptica, no f
investigações (Korkman et al., 1999; ao teste de Lista de Palavras sublinham comportar exigências
Manis, Doi, & Bhadha, 2000; Wagner que os testes de avaliação da consciên- em termos de atenção
et al., 1994), reforça a perspectiva de cia fonémica comportam exigências bilidade cognitiva. C
que a nomeação rápida envolve outras diferenciais em termos de memória de teste o sujeito tem n
competências que não as estritamente trabalho fonológica, as quais se afigu- minar fonemas e de
fonológicas. ram ligeiramente mais importantes no outros como estas o

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registo, a existência teste de Substituição II. Porém, trata- em 5 itens, sobre um maior número de
ignificativa entre me- se, mais uma vez, de valores reduzidos, fonemas do que acontece no teste de
ncia fonológica e me- consonantes com os registados noutros Substituição I.
o fonológica tem sido estudos (Hansen & Bovey, 1994; Mc- Ainda no contexto da validade
os autores (Hansen & Bride-Chang, 1995; Oakhill & Kyle, concorrente, mas agora mais espe-
cBride-Chang, 1995; 2000) e que traduzem, assim, uma fra- cificamente das relações com os re-
2000; Strattman & ca correspondência das competências sultados escolares na disciplina de
podendo, esta asso- avaliadas. Português, a descida progressiva dos
ver-se a duas razões, A segunda consideração reporta- valores do teste de Eliminação conflui
exclusivas entre si. se à solidez da estrutura da BANC e com a indicação de que a influência
ado, tarefas ou testes apoia-se na verificação de que os testes da consciência fonológica ao nível da
consciência fonológi- de avaliação da consciência fonológi- aprendizagem da leitura e da escrita se
de manipulação fo- ca se correlacionam, de forma mais e exerce, sobretudo, nos primeiros anos
m a memória de tra- menos estreita, respectivamente, com de escolaridade (Wagner et al., 1994,
, na medida em que outros testes do domínio da linguagem 1997). Por conseguinte, a subida pro-
ção e o processamento e com testes de funções executivas (To- gressiva das correlações do teste de
ação. Tal relação con- rre de Coimbra), motricidade (Tabulei- Substituição II com os resultados es-
s autores a admitirem ro de Motricidade) e memória visual colares em Português afigura-se algo
determinar se, com (Memória de Faces). inesperada. Admitimos que tal resulta-
aliaria, na verdade, a A terceira consideração respeita às do possa traduzir que este teste é mais
ógica ou, antes, a me- associações, ainda que modestas, dos influenciado pelo domínio progressivo
o fonológica (Oakhill testes de consciência fonológica com da leitura e escrita do Português ou re-
or outro lado, tem-se os de atenção. Como facilmente se flectir, como vimos, a mobilização de
ambas as capacidades compreende, os testes de consciência outras competências que não as fono-
omponente de proces- fonológica requerem quer a focagem lógicas (por ex., atenção, flexibilidade
co (Hansen & Bovey, de uma palavra e fonemas específicos, cognitiva). Não obstante, convém ter
do que o desempenho quer a manutenção da atenção. Toda- presente que um estudo de natureza
eria da qualidade ou via, o facto do Trail Making Test – Par- correlacional e em que a operaciona-
resentações fonológi- te B apresentar uma correlação superior lização do desempenho académico foi
Os valores das corre- com o teste de Substituição II radica, efectuada exclusivamente em termos
btidos no que respeita na nossa óptica, no facto deste último das classificações atribuídas pelos
de Palavras sublinham comportar exigências mais acentuadas professores não permite a elucidação
valiação da consciên- em termos de atenção dividida e flexi- das relações entre a consciência fono-
omportam exigências bilidade cognitiva. Com efeito, neste lógica e a leitura e a escrita.
ermos de memória de teste o sujeito tem não apenas de eli- Sem prejuízo destas considerações,
ca, as quais se afigu- minar fonemas e de os substituir por e já no que concerne às relações entre
mais importantes no outros como estas operações recaem, os testes de consciência fonológica e

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os resultados escolares em Francês e V- CONCLUSÕES Anthony, J. L., &


Inglês, recorda-se a hipótese da trans- ness. Current Directio
ferência linguística, segundo a qual No seu conjunto, os elementos Badian, N. (1996
as competências adquiridas numa lín- apresentados indicam a adequação psi- Journal of Learning D
gua se transfeririam para outra língua, cométrica dos testes de Eliminação e Ball, E. W. (1993
mesmo quando as crianças têm uma Substituição I. Já no que se refere ao Hearing Services in S
competência reduzida nesta última. teste da Substituição II, afiguram-se Baron, I. S. (2004
Assim, as competências de consciência menos favoráveis quer em termos de versity Press.
fonológica relativas à língua mater- precisão, quer de progressão em função Bruce, D. J. (1964
na facilitariam o desenvolvimento de da idade. Como já apontámos, a elabo- Journal of Educationa
competências semelhantes e o domí- ração de qualquer um destes testes e, Chafouleas, S. M
nio da linguagem escrita noutras lín- em particular do de Substituição II, vi- (1997). Phonological
guas, tal como o atestam os estudos de sou a abrangência de uma vasta gama tasks and ages. Journ
crianças falantes de espanhol (Cisero de idades passível de viabilizar a ava- Chafouleas, S. M
& Royer, 1995; Durgunoğlu, Nagy, & liação tanto de crianças mais jovens, awareness tasks: Are
Hancin-Bhatt, 1993) ou de inglês (Co- como mais velhas e a identificação chology Quarterly, 17
meau, Cormier, Grandmaison & La- daquelas que apresentam dificuldades. Chafouleas, S. M.
croix, 1999) que estavam a aprender, Por conseguinte, as limitações do teste are created equal: The
respectivamente, o inglês ou o francês. de Substituição II derivam do objectivo ness tasks. Journal of
Os resultados por nós obtidos vão ao ambicioso que presidiu à sua criação, Cisero, C. A., & R
encontro desta hipótese. mas em simultâneo aconselham a sua fer of phonological a
utilização criteriosa e preferencialmen- 303.
te orientada para crianças e jovens com Comeau, L., Corm
necessidades especiais. nal study of phonolog
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Correlational ex
anomalous expe
fantasy pronene
sample

RESUMEN

Aquí se examina
anómalo/paranormale
altos en absorción, di
maron estas hipótesis
sexos, 76% mujeres y
= 25.11; SD = 7.23), a
cias Disociativas, Esc
Creativas y la Encuest
cias obtuvieron punta
tasía que quienes no
razonablemente más r
sadas en temas parano

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Facultad de Psicología Unive

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