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Patologia e efeitos psicossociais

decorrentes da hospitalizaçaã o da pessoa


idosa

UFCD_3552

762191 - Agente em
Geriatria

25 Horas
Patologia e efeitos psicossociais decorrentes da hospitalização da pessoa idosa UFCD 3552

Índice

Objetivos e conteúú dos................................................................................................................................................................. 4

Patologias da pessoa idosa........................................................................................................................................................ 6

Patologia cardiovascúlar............................................................................................................................................................ 6

Patologia respiratoú ria............................................................................................................................................................... 12

Patologia hematoloú gica e oncoloú gica.................................................................................................................................. 18

Patologia neúroloú gica e sensorial........................................................................................................................................ 24

Os acidentes.................................................................................................................................................................................. 28

Eqúilíúbrio bio-psicossocial da pessoa idosa..................................................................................................................... 30

A pessoa idosa portadora de doença croú nica.................................................................................................................. 30

Sinais e sintomas........................................................................................................................................................................ 32

Sinais de descompressaã o......................................................................................................................................................... 36

Agúdizaçaã o da doença.............................................................................................................................................................. 36

Sitúaçoã es de emergeê ncia......................................................................................................................................................... 40

Os acidentes.................................................................................................................................................................................. 40

Internamento da pessoa idosa em estado terminal...................................................................................................... 43

Abordagem múltidimensional............................................................................................................................................... 43

Cúidados especíúficos................................................................................................................................................................. 45

Hospitalizaçaã o - efeitos psicossociais................................................................................................................................. 45

Meio hospitalar............................................................................................................................................................................ 45

“Colegas” de qúarto.................................................................................................................................................................... 46

Teú cnicos e estrútúras de apoio.............................................................................................................................................. 48

A hospitalizaçaã o ......................................................................................................................................................................... 58

Aspetos positivos/benefíúcios: tratamento e ganho em saúú de..................................................................................58

Aspetos negativos: perda do qúadro de refereê ncias; famíúlia e aúmento dos níúveis de dependeê ncia........59

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Aútonomia da pessoa idosa.................................................................................................................................................... 61

Minimizar os efeitos das hospitalizaçoã es na vida da pessoa idosa.........................................................................61

Nas atividades da vida.............................................................................................................................................................. 61

Higiene e alimentaçaã o............................................................................................................................................................... 61

Sono................................................................................................................................................................................................. 66

Ocúpaçaã o e conforto.................................................................................................................................................................. 67

Visitas.............................................................................................................................................................................................. 68

A famíúlia da pessoa idosa: apoio; informaçaã o; preparaçaã o/ensino....................................................................... 68

O apoio extra-hospitalar.......................................................................................................................................................... 69

O recúrso a oútros recúrsos da sociedade: apoio domiciliaú rio; centro de dia e lar.........................................69

A alta meú dica e continúidade da prestaçaã o de cúidados............................................................................................ 72

Consúltas; medicaçaã o; exames/tratamentos................................................................................................................... 72

Bibliografia.................................................................................................................................................................................... 74

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Objetivos:

 Identificar as patologias qúe condúzem aà hospitalizaçaã o da pessoa idosa.

 Detectar precocemente sinais de alteraçaã o oú eqúilíúbrio bio-psicossocial da pessoa


idosa.

 Adqúirir conhecimentos sobre a sitúaçaã o do doente terminal no hospital.

 Identificar conseqúeê ncias psicoloú gicas e sociais da hospitalizaçaã o da pessoa idosa.

 Promover a aútonomia da pessoa idosa.

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Conteúdos

 Patologias da pessoa idosa

 Patologia cardiovascúlar

 Patologia respiratoú ria

 Patologia hematoloú gica e oncoloú gica

 Patologia neúroloú gica e sensorial

 Os acidentes

 Eqúilíúbrio bio-psicossocial da pessoa idosa

 Apessoaidosa portadora de doença croú nica

 Sinais e sintomas

 Sinais de descompressaã o

 Agúdizaçaã o da doença

 Sitúaçoã es de emergeê ncia

 Os acidentes

 As intoxicaçoã es

 Internamento da pessoa idosa em estado terminal

 Abordagem múltidimensional

 Cúidados especíúficos

 Hospitalizaçaã o - efeitos psicossociais

 A pessoa idosa e o hospital

 Meio hospitalar

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 “Colegas” de qúarto

 Teú cnicos e estrútúras de apoio

 A hospitalizaçaã o

 Aspetos positivos/benefíúcios

o tratamento

o ganhos em saúú de

 Aspetos negativos

o perda do qúadro de refereê ncias

o famíúlia

o aúmento dos níúveis de dependeê ncia

 Aútonomia da pessoa idosa

 Minimizar os efeitos das hospitalizaçoã es na vida da pessoa idosa

 Nas atividades da vida

o higiene e alimentaçaã o

o sono

o ocúpaçaã o e conforto

 As visitas

 - A famíúlia da pessoa idosa

o apoio

o informaçaã o

o preparaçaã o/ensino

 O apoio extra-hospitalar

o O recúrso a oútros recúrsos da sociedade

o apoio domiciliaú rio

o centro de dia

o lar

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 A alta meú dica e continúidade da prestaçaã o de cúidados

o consúltas

o medicaçaã o

o exames/tratamentos

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Patologias da pessoa idosa

Patologia cardiovascular

As doenças cardiovasculares saã o o conjúnto de doenças qúe afetam o aparelho


cardiovascular, designadamente o coraçaã o e os vasos sangúíúneos.

Fatores de risco

O qúe saã o? São condições que predispõem uma pessoa a maior risco de desenvolver úma
patologia, neste caso doenças do coração e dos vasos sanguíneos.

Existem diversos fatores de risco para as doenças cardiovascúlares, qúe podemos dividir em
imutáveis (aqúeles qúe naã o podemos múdar) e mutáveis (fatores sobre os qúais podemos
inflúir, múdando, prevenindo oú tratando).

FATORES de risco IMUTÁVEIS:

HEREDITÁRIOS

Os filhos de pessoas com doenças cardiovascúlares teê m úma maior propensaã o para
desenvolverem doenças deste grúpo.

IDADE

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4 em cada 5 pessoas atingidas por doenças cardiovascúlares teê m mais de 65 anos de idade

SEXO

Os homens têm maior hipóteses de ter úm ataqúe cardíúaco e os seús ataqúes ocorrem núma
faixa etaú ria menor.

Mesmo depois da menopausa, qúando a taxa das múlheres aúmenta, núnca eú taã o elevada
como a dos homens.

FATORES de risco MUTÁVEIS:

TABACO

O risco de ocorrer úm ataqúe cardíúaco núm fúmador eú 2 vezes maior qúe núm naã o fúmador.

Os fúmadores teê m úma hipoú tese 2 a 4 vezes maior de morrer súbitamente do qúe úm naã o
fúmador.

Os fúmadores passivos tambeú m teê m o risco de úm ataqúe cardíúaco aúmentado.

COLESTEROL ELEVADO

Os riscos aúmentam na medida em qúe os níúveis de colesterol estaã o mais elevados no sangúe.

Júntamente com oútros factores como hipertensaã o arterial e fúmo o risco eú ainda maior.

Este fator de risco eú agravado pela idade, sexo e alimentaçaã o.

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HIPERTENSÃO ARTERIAL

Para manter a hipertensão arterial, o coraçaã o realiza úm trabalho maior, com isso vai
atrofiando o múú scúlo cardíúaco qúe se dilata e fica mais fraco com o tempo, aúmentando os
riscos de úm ataqúe.

O risco de um ataque num hipertenso aúmenta qúando associado ao cigarro, aà Diabetes, aà


obesidade e ao colesterol elevado.

VIDA SEDENTÁRIA

A falta de exercíúcio fíúsico eú úm factor de risco.

Exercíúcios fíúsicos regúlares e moderados teê m úm papel importante para evitar doenças
cardiovascúlares.

OBESIDADE

O excesso de peso tem úma maior probabilidade de provocar um AVC oú úma doença
cardíúaca, mesmo na aúseê ncia de oútros factores de risco.

A obesidade exige úm esforço maior do coraçaã o.

Estaú associada a doenças coronárias, hipertensão arterial, colesterol elevado e Diabetes.

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DIABETES MELLITUS

A Diabetes constitui úm seú rio risco para a doença cardiovascúlar.

Na presença da Diabetes, os oútros fatores de risco tornam-se mais significativos e


ameaçadores.

Existem outros fatores qúe podem inflúenciar negativamente os fatores jaú apresentados.

 Estar constantemente sob tensão emocional (stress), pode fazer com qúe se coma
mais, fúme mais e tenha hipertensaã o.

 Certos medicamentos podem ter efeitos semelhantes.

Sintomas de Doença Cardíaca

Existem alguns sintomas qúe podem constitúir sinais de alerta, principalmente em pessoas
mais idosas:

Dificuldade em respirar - pode ser o indíúcio de úma doença coronaú ria e naã o apenas a
conseqúeê ncia da maú forma fíúsica, especialmente se súrge qúando se estaú em repoúso oú se nos
obriga a acordar dúrante a noite;

Angina de peito – qúando, dúrante úm esforço fíúsico, se tem úma sensaçaã o de peso,
aperto oú opressaã o por detraú s do esterno, qúe por vezes se estende ateú ao pescoço, ao braço
esqúerdo oú ao dorso;

Alterações do ritmo cardíaco;

Enfarte do miocárdio - eú úma das sitúaçoã es de úrgeê ncia/emergeê ncia meú dica cardíúaca.
O sintoma mais caracteríústico eú a existeê ncia de dor prolongada no peito, súrgindo múitas
vezes em repoúso. Por vezes, eú acompanhada de ansiedade, súdaçaã o, falta de força e voú mitos.

Insuficiência cardíaca - súrge qúando o coraçaã o eú incapaz de, em repoúso, bombear


sangúe em qúantidade súficiente atraveú s das arteú rias para os oú rgaã os, oú, em esforço, naã o
consegúe aúmentar a qúantidade adicional necessaú ria. Os sintomas mais comúns saã o a fadiga
e úma grande debilidade, falta de ar em repoúso, distensaã o do abdoú men e pernas inchadas

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PREVENÇÃO

A prevenção eú o melhor tratamento de qúalqúer doença.

Alimentaçaã o eqúilibrada aà base de legúmes, vegetais, frúta e cereais;

Exercíúcio fíúsico moderado e com regúlaridade;

Naã o fúmar;

Controlo regúlar da tensaã o arterial, açúú car e gordúra no sangúe;

A partir dos 40 anos deve haver realizaçaã o de exames perioú dicos de saúú de. As pessoas
com antecedentes familiares devem começar mais cedo.

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PATOLOGIA RESPIRATÓRIA

As doenças respiratórias saã o as qúe afetam o trato e os órgãos do sistema respiratório.

ALTERAÇÕES DO SISTEMA RESPIRATÓRIO E ENVELHECIMENTO

À medida que envelhecemos:

Os púlmoã es ficam menos elásticos diminúindo a Capacidade Vital.

A atividade ciliar, qúe faz a limpeza das secreçoã es, diminúi de atividade
proporcionando a acumulação de secreções qúe favorecem as infecçoã es respiratoú rias e
dificúlta as trocas de gases.

A musculatura do tórax perde a capacidade de eliminar secreçoã es pela tosse, de


respirar profúndamente expandindo os púlmoã es, e de expelir dioú xido de carbono.

Estas alteraçoã es afetam especialmente os fumadores e pessoas qúe vivem em


ambientes com alto teor de poluentes e acabam possúir desconforto respiratoú rio.

Estas múdanças facilitam e favorecem a instalação de doenças.

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SINTOMAS

Tosse:

A tosse é uma defesa do organismo na tentativa de expelir secreçoã es acúmúladas nas


vias respiratoú rias.

Com o passar dos anos, pelos motivos jaú expostos, a tosse torna-se menos eficiente.

A presença de tosse persistente com dúraçaã o de mais de 2 semanas deve ser alvo de
avaliaçaã o.

A tosse persistente estaú intimamente relacionada com qúadros de regúrgitaçaã o


(entrada de líúqúidos contidos no estoê mago para os púlmoã es - aspiraçaã o), asma, alergias e
infeções.

CAUSAS MAIS COMUNS DE TOSSE EM IDOSOS:

Tabagismo

Bronqúites

Asma

Pneúmonias

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Reflúxo Gastroesofaú gico

Cancro de Púlmaã o, Metaú stases

Túbercúlose

Efeitos Adversos de Medicamentos

SINTOMAS

SIBILOS (CHIADO):

Tambeú m conhecido como broncoespasmo eú úm sintoma relacionado com o som


gerado pela passagem do ar por estrútúras túbúlares (Broê nqúios).

Qúando se vai expelir o ar e as passagens encontram-se contraíúdas e/oú semi-


obstrúíúdas ocorre o sibilo.

Trata-se de úm sintoma caracteríústico em portadores de bronquite crónica e asma.

DISPNEIA (DIFICULDADE PARA RESPIRAR, FALTA DE AR):

A falta de ar sempre eú úm sintoma preocúpante comúm a vaú rias doenças e condiçoã es,
múitas delas de extrema gravidade.

Costúma apresentar-se em pessoas qúe estando em repouso oú com poúca actividade


decidem, por exemplo, súbir algúns escadas

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Considera-se múito grave a presença de dispneia em repouso.

Algúns pacientes não se conseguem deitar completamente na cama. Dormem semi-


sentados para aliviar o desconforto desta grave condiçaã o.

CAUSAS COMUNS DE DISPNEIA EM IDOSOS

Insúficieê ncia Cardíúaca Congestiva

Embolia Púlmonar

Pneúmonias Graves

Núnca eú demais enfatizar a gravidade deste sintoma. A presença de desconforto


respiratório em idosos deve ser considerada úma emergeê ncia meú dica.

DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÓNICA (DPOC)

DPOC é uma doença crónica qúe se caracteriza pela diminúiçaã o da capacidade respiratoú ria.

Trata-se de úm termo geneú rico comúm a algúmas doenças:

Enfisema

Asma

Bronqúite Croú nica

Destas doenças destacam-se pela súa prevaleê ncia: a Bronquite Crónica e o Enfisema
pulmonar.

Todos os pacientes portadores de DPOC devem ser vacinados contra a gripe todos os anos e
úma vez contra a pneúmonia.

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PNEUMONIA

A pneumonia é uma das doenças qúe freqúentemente leva pessoas idosas aà morte.

EÉ a qúinta caúsa de morte nos EUA.

Pacientes em instituições têm um risco 50 vezes maior de contrair infeçoã es


púlmonares qúando comparados com aqúeles qúe vivem nos seús domicíúlios.

Vaú rios fatores contribúem e facilitam esta terríúvel complicaçaã o.

Ao contraú rio do paciente adúlto jovem, a pneúmonia, especialmente naqueles mais


idosos, naã o se costúma apresentar de modo claú ssico, com febre alta, tosse produtiva,
catarro amarelado (purulento), dores nas costas e prostração.

Pode ocorrer de maneira absolutamente silenciosa, e aà s vezes apenas úma alteraçaã o


no padraã o de comportamento nos leva a considerar esta possibilidade.

TUBERCULOSE

Doença grave, transmitida pelo ar.

Pode acometer todos os órgãos do corpo, em especial nos púlmoã es.

Nos EUA, cerca de 30% de novos casos registados anúalmente ocorrem em pessoas
acima dos 65 anos de idade.

Pessoas qúe vivem em instituições estão mais expostas ao risco de contrair a


doença.

Acredita-se qúe 80% dessas pessoas tenham tido contacto com o agente etioloú gico
antes dos 30 anos de idade e agora, fragilizados e com o seú sistema imúnoloú gico
comprometido, a micobacteú ria silente acaba por encontrar a oportúnidade para se reativar.

Certas condições aumentam o risco:

 Desnútriçaã o

 Diabetes Mellitús

 Tabagismo

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 Alcoolismo

 Neoplasias (Cancro)

 Doenças graves e debilitantes

SINTOMAS

Na faixa etária geriátrica, os sintomas costúmam ser vagos e inespecíúficos:

 Fraqúeza

 Emagrecimento

 Tosse

PREVENÇÃO

Algúmas medidas saã o realmente eficazes na prevenção das infecções respiratórias.

O que fazer para prevenir?

 Estimúlar a tosse e hidratar convenientemente.

 Especialmente nos dias qúentes, manter uma garrafa de líquidos para controlo a
respeito da qúantidade efetivamente ingerida.

As caminhadas e exercícios físicos contribúem para a mobilizaçaã o das secreçoã es


púlmonares.

Pacientes que apresentam pneumonias de repetição oú oútras condiçoã es qúe


representem risco, o meú dico assistente deveraú indicar oútros recúrsos como: medicaçaã o
especíúfica de longa dúraçaã o, vacinas, etc.

O uso de aparelhos para inalação soú deve ser indicado pelo meú dico.

O paciente deve ser mantido em boas condições nutricionais, com úma dieta bem
balanceada oú com ajúda de súplementos alimentares se prescritas pelo meú dico. Estas
medidas, sem dúú vida, previnem oú pelo menos diminúem o risco de infecçoã es púlmonares.

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PATOLOGIA HEMATOLÓGICA E ONCOLÓGICA

PATOLOGIA HEMATOLÓGICA

As doenças hematológicas tambeú m saã o chamadas de doenças do sangue.

As mais comuns são a anemia, leúcemia e hemofilia.

Normalmente, são detectadas por sintomas clínicos como fraqueza, cansaço, infecçoã es
freqúentes e sangramentos anormais, e confirmadas em diagnoú sticos feitos por meio de
anaú lises laboratoriais do sangúe oú da medúla oú ssea (aonde saã o formadas as ceú lúlas do
sangúe).

A ANEMIA

A anemia ocorre qúando a qúantidade de hemaú ceas (gloú búlos vermelhos qúe conteê m
hemoglobina, úma proteíúna qúe transporta o oxigénio pelo corpo) no sangúe se encontra
abaixo do níúvel normal.

CAUSAS

NUTRICIONAIS

A falta de Ferro, vitamina B12 oú AÉ cido Foú lico pode levar a qúadros aneú micos,
geralmente caúsados por dietas nútricionais deficientes em nútrientes derivados de animais
(carne, ovos e leite).

O problema costúma atacar pessoas vegetarianas.

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Alcoolismo, gravidez e algúmas doenças tambeú m podem levar aà deficieê ncia destes
nútrientes.

Hereditárias

Doenças crónicas: Algúmas doenças croú nicas, como doenças dos rins e do fíúgado,
podem levar aà anemia, principalmente em pessoas qúe necessitam de hospitalização
frequente.

Falhas na medula óssea

Uso de medicamentos

LEUCEMIA

Esta doença atinge a medula óssea e os gânglios do corpo, podendo provocar


anemia, diminúiçaã o das plaqúetas (caúsando sangramentos anormais) e, principalmente,
alteraçaã o dos leúcoú citos (gloú búlos brancos qúe fazem a defesa do corpo contra as infecçoã es).

Há dois tipos de leucemia mais frequentes: a linfóide aguda ou linfoblástica (mais


comúm em crianças) e a leúcemia mieloú ide agúda.

HEMOFILIA

EÉ a mais comúm das doenças hemorrágicas hereditárias.

Causada pela deficiência dos fatores responsáveis pela acçaã o coagúlante do sangúe,
o qúe torna o hemofíúlico sújeito a importantes hemorragias, mesmo por motivos simples,
como úm corte ao se barbear oú extracçoã es dentaú rias.

As cirurgias podem ser fatais para estas pessoas. A hemofilia afecta qúase qúe
exclúsivamente os homens.

RECOMENDAÇÕES

Fazer uma dieta alimentar equilibrada, com ingestaã o adeqúada de proteíúnas e


vitaminas.

Fazer exames médicos de rotina, pelo menos úma vez por ano.

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Procurar o médico sempre qúe os segúintes sintomas aparecerem: fraqúeza, cansaço,
sangramento anormal oú infecçoã es freqúentes.

O CANCRO

O cancro é a proliferação anormal de ceú lúlas.

O cancro tem início nas células; úm conjúnto de ceú lúlas forma úm tecido e, por súa
vez, os tecidos formam os oú rgaã os do nosso corpo. Normalmente, as ceú lúlas crescem e dividem-
se para formar novas ceú lúlas. No seú ciclo de vida, as ceú lúlas envelhecem, morrem e saã o
súbstitúíúdas por novas ceú lúlas.

Algúmas vezes, este processo ordeiro e controlado corre mal: formam-se ceú lúlas
novas, sem qúe o organismo necessite e, ao mesmo tempo, as ceú lúlas velhas naã o morrem. Este
conjúnto de ceú lúlas extra forma úm túmor.

Nem todos os tumores correspondem a cancro. Os túmores podem ser benignos oú


malignos.

Os tumores benignos não são cancro:

1. Raramente poã em a vida em risco;

2. Regra geral, podem ser removidos e, múitas vezes, regridem;

3. As ceú lúlas dos túmores benignos naã o se "espalham", oú seja, naã o se disseminam para os
tecidos em volta oú para oútras partes do organismo (metastizaçaã o aà distaê ncia).

Os tumores malignos são cancro:

4. Regra geral saã o mais graves qúe os túmores benignos;

5. Podem colocar a vida em risco;

6. Podem, múitas vezes, ser removidos, embora possam voltar a crescer;

7. As ceú lúlas dos túmores malignos podem invadir e danificar os tecidos e oú rgaã os
circúndantes; podem, ainda, libertar-se do túmor primitivo e entrar na corrente sangúíúnea oú
no sistema linfaú tico - este eú o processo de metastizaçaã o das ceú lúlas canceríúgenas, a partir do
cancro original, formando novos túmores noútros oú rgaã os.

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FATORES DE RISCO

ENVELHECIMENTO

O fator de risco mais importante para ter cancro eú o envelhecimento. A maioria dos
cancros ocorre em pessoas com mais de 65 anos.

No entanto, o cancro pode surgir em pessoas de todas as idades, inclúindo crianças.

TABACO

O uso do tabaco eú a caúsa de morte qúe mais se pode prevenir. Em Portúgal, todos os
anos morrem cerca de 3100 pessoas com cancro do púlmaã o.

É mais provável que os fumadores desenvolvam cancro dos pulmões, laringe, boca,
esoú fago, bexiga, rins, garganta, estoê mago, paê ncreas oú colo do úú tero, do qúe os naã o fúmadores.
Tambeú m eú mais provaú vel qúe desenvolvam leúcemia mieloú ide agúda (túmor qúe tem iníúcio nas
ceú lúlas do sangúe).

Usar produtos de tabaco oú estar regúlarmente em contacto com o fúmo (fúmador


ambiental, passivo oú secúndaú rio), aúmenta o risco de cancro.

LUZ SOLAR

A radiação ultravioleta (UV) provém do sol, de laê mpadas solares e de caê maras de
bronzeamento; provoca envelhecimento precoce da pele e alteraçoã es qúe podem originar
cancro de pele.

Os médicos encorajam as pessoas de todas as idades a limitar o tempo de exposiçaã o


ao sol, bem como a evitar oútras fontes de radiação UV.

RADIAÇÃO IONIZANTE

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A radiação ionizante pode caúsar danos na pele qúe levam aà formaçaã o de túmores.
Este tipo de radiaçaã o proveú m de raios qúe entram na nossa atmosfera (terrestre), vindos do
espaço exterior, poeiras radioactivas, gaú s radaã o, raios-X, entre oútras fontes.

DETERMINADOS QUÍMICOS E OUTRAS SUBSTÂNCIAS

Pessoas com determinados empregos (pintores, trabalhadores da constrúçaã o civil e


da indúú stria qúíúmica), apresentam úm risco aúmentado para desenvolver úm túmor. Múitos
estúdos demonstraram qúe a exposiçaã o ao amianto, benzeno, caú dmio, níúqúel oú cloreto de
vinilo, no local de trabalho, podem caúsar cancro.

DETERMINADAS HORMONAS

Os meú dicos podem recomendar tratamento com hormonas, para ajúdar a controlar
algúns problemas qúe podem súrgir dúrante a menopaúsa, como afrontamentos, secúra
vaginal e enfraqúecimento dos ossos.

No entanto, algúns estúdos demonstram qúe a terapêutica hormonal, na menopaúsa,


pode caúsar efeitos secúndaú rios graves: pode aúmentar o risco de cancro da mama, de enfarte
do miocaú rdio, de AVC oú formaçaã o de trombos (peqúenos coaú gúlos de sangúe qúe podem
entúpir veias oú arteú rias).

ÁLCOOL

Beber mais de duas bebidas alcoólicas por dia, dúrante múitos anos, pode aúmentar
a probabilidade de desenvolver cancro da boca, da garganta, do esoú fago, da laringe, do fíúgado e
da mama.

O risco aumenta com a quantidade de álcool qúe úma pessoa bebe. Na maioria
destes cancros, o risco eú mais elevado se a pessoa tambeú m fúmar.

DIETA POBRE, FALTA DE ACTIVIDADE FÍSICA OU EXCESSO DE PESO

As pessoas qúe teê m úma dieta pobre, qúe naã o praticam actividade fíúsica súficiente, oú
qúe teê m excesso de peso, podem ter úm risco aúmentado para vaú rios tipos de cancro.

Por exemplo, algúns estúdos sugerem que as pessoas cuja dieta é rica em gorduras,
teê m úm risco aumentado para cancro do cólon, do útero e da próstata.

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Por oútro lado, a falta de atividade física e o excesso de peso, saã o fatores de risco para
cancro da mama, do coú lon, do esoú fago, dos rins e do úú tero.

SINAIS DE ALERTA

O cancro pode provocar muitos sintomas diferentes, como por exemplo:

Espessamento, massa oú "úma elevaçaã o" na mama, oú em qúalqúer oútra parte do


corpo.

Aparecimento de úm sinal novo, oú alteraçaã o núm sinal jaú existente.

Ferida qúe naã o passa, oú seja, cúja cicatrizaçaã o naã o acontece.

Roúqúidaã o oú tosse qúe naã o desaparece.

Alteraçoã es relevantes na rotina intestinal oú da bexiga.

Desconforto depois de comer.

Dificúldade em engolir.

Ganho, oú perda de peso, sem motivo aparente.

Sangramento oú qúalqúer secreçaã o anormal.

Sensaçaã o de fraqúeza oú extremo cansaço.

PATOLOGIA NEUROLÓGICA E SENSORIAL

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DOENÇA DE ALZHEIMER

A Doença de Alzheimer estaú , na maioria dos casos, relacionada com o envelhecimento.

O aúmento do núú mero de sitúaçoã es diagnosticadas eú , por isso, úma conseqúeê ncia directa do
actúal súcesso da Medicina em prolongar a vida.

A doença de Alzheimer eú úma doença do ceú rebro, progressiva, irreversíúvel e com caúsas e
tratamento ainda desconhecidos.

Começa por atingir a memoú ria e, progressivamente, as outras funções mentais, acabando
por determinar a completa aúseê ncia de aútonomia dos doentes.

Os doentes de Alzheimer tornam-se incapazes de realizar a mais peqúena tarefa, deixam de


reconhecer os rostos familiares, ficam incontinentes e acabam, qúase sempre, acamados.

EÉ úma doença muito relacionada com a idade, afetando as pessoas com mais de 50 anos. A
estimativa de vida para os pacientes sitúa-se entre os 2 e os 15 anos.

SINTOMAS

Ao princíúpio observam-se pequenos esquecimentos, perdas de memoú ria, normalmente


aceites pelos familiares como parte do processo normal de envelhecimento, qúe se vaã o
agravando gradúalmente.

Os pacientes tornam-se confusos e, por vezes, agressivos, passando a apresentar alteraçoã es


da personalidade, com distúrbios de conduta.

Acabam por não reconhecer os próprios familiares e ateú a si mesmos qúando colocados
frente a úm espelho.

AÀ medida qúe a doença evolúi, tornam-se cada vez mais dependentes de terceiros.

Iniciam-se as dificuldades de locomoção, a comúnicaçaã o inviabiliza-se e passam a necessitar


de cúidados e súpervisaã o integral, ateú mesmo para as actividades elementares do qúotidiano,
como alimentaçaã o, higiene, vestúaú rio, etc.

DEZ SINAIS DE ALERTA DA DOENÇA DE ALZHEIMER

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PERDA DE MEMÓRIA

EÉ normal esqúecer ocasionalmente reúnioã es, nomes de colegas de trabalho, núú meros
de telefone de amigos, e lembrar-se deles mais tarde.

Uma pessoa com a doença de Alzheimer esqúece-se das coisas com mais freqúeê ncia,
mas naã o se lembra delas mais tarde, em especial dos acontecimentos mais recentes.

DIFICULDADE EM EXECUTAR AS TAREFAS DOMÉSTICAS

As pessoas muito ocupadas podem temporariamente ficar taã o distraíúdas qúe chegam
a deixar as batatas no forno e soú se lembram de as servir no final da refeiçaã o.

O doente de Alzheimer pode ser incapaz de preparar qúalqúer parte de úma refeiçaã o
oú esqúecer-se de qúe jaú comeú.

PROBLEMAS DE LINGUAGEM

Toda a gente tem, por vezes, dificuldade em encontrar a palavra certa.

Poreú m, úm doente de Alzheimer pode esqúecer mesmo as palavras mais simples oú


súbstitúíú-las por palavras desajústadas, tornando as súas frases de difíúcil compreensaã o.

PERDA DA NOÇÃO DO TEMPO E DESORIENTAÇÃO

EÉ normal perdermos – por úm breve instante – a noçaã o do dia da semana oú


esqúecermos o síútio para onde vamos.

Poreú m, úma pessoa com a doença de Alzheimer pode perder-se na súa proú pria rúa,
ignorando como foi dar ali oú como voltar para casa.

DISCERNIMENTO FRACO OU DIMINUÍDO

As pessoas podem por vezes naã o ir logo ao meú dico qúando teê m úma infecçaã o, embora
acabem por procúrar cuidados médicos.

Um doente de Alzheimer poderaú naã o reconhecer úma infecçaã o como algo


problemaú tico e naã o ir mesmo ao meú dico oú, entaã o, vestir-se inadeqúadamente, úsando roúpa
qúente núm dia de Veraã o.

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PROBLEMAS RELACIONADOS COM O PENSAMENTO ABSTRACTO

Por vezes, as pessoas podem achar qúe eú difíúcil fazer as contas dos gastos.

Mas, algúeú m com a doença de Alzheimer pode esqúecer completamente o qúe saã o os
núú meros e o qúe tem de ser feito com eles. Festejar úm aniversaú rio eú algo qúe múitas pessoas
fazem, mas o doente de Alzheimer pode naã o compreender seqúer o qúe eú úm aniversaú rio.

TROCAR O LUGAR DAS COISAS

Qúalqúer pessoa pode não arrumar corretamente a carteira oú as chaves.

Um doente de Alzheimer pode poê r as coisas núm lúgar desajústado: úm ferro de


engomar no frigoríúfico oú úm reloú gio de púlso no açúcareiro.

ALTERAÇÕES DE HUMOR OU COMPORTAMENTO

Toda a gente fica triste oú mal-húmorada de vez em qúando.

Algúeú m com a doença de Alzheimer pode apresentar súú bitas alteraçoã es de húmor –
da serenidade ao choro oú aà angúú stia – sem qúe haja qúalqúer razaã o para tal facto.

ALTERAÇÕES NA PERSONALIDADE

A personalidade das pessoas pode variar úm poúco com a idade.

Poreú m, úm doente com Alzheimer pode múdar totalmente, tornando-se


extremamente confúso, desconfiado oú calado. As alteraçoã es podem inclúir tambeú m apatia,
medo oú úm comportamento inadeqúado.

PERDA DE INICIATIVA

EÉ normal ficar cansado com o trabalho domeú stico, as actividades profissionais do dia-a-
dia oú as obrigaçoã es sociais; poreú m, a maioria das pessoas recúpera a capacidade de iniciativa.

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Um doente de Alzheimer pode tornar-se múito passivo e necessitar de estíúmúlos e
incitamento para participar.

PATOLOGIA SENSORIAL

Em função da idade, saã o detectadas diversas múdanças nas fúnçoã es perceptivas dos idosos.

Podemos destacar como consequência dessas alterações, úma deterioraçaã o progressiva no


desempenho motor especializado.

A visão, considerada por múitos como o oú rgaã o do sentido mais essencial, é


prioritariamente afetada.

A diminuição da capacidade auditiva eú considerada por múitos estúdiosos da aú rea


como úm importante motivo da exclúsaã o social do idoso.

A maior dificuldade auditiva da pessoa idosa eú na detecçaã o de sons de alta


freqúeê ncia e no aúmento do tempo de reacçaã o aos sons.

O olfacto tambeú m eú afectado, ocorrendo úma qúeda gradúal na capacidade de


identificar corretamente os odores.

O tato, responsaú vel pela informaçaã o ao sistema nervoso da temperatúra do ambiente


externo, sensaçoã es de dor e de toqúe, eú sensivelmente diminúíúdo.

Os órgãos do sentido saã o responsaú veis em grande parte pelas percepçoã es.

Quanto menor forem as informações recebidas pelo sistema nervoso, menor seraú a
súa resposta ao ambiente, interno oú externo, e conseqúentemente, menos interacçoã es com o
meio ao seú redor o indivíúdúo teraú .

O idoso exclui-se facilmente caso naã o seja constantemente estimúlado e motivado a


participar de actividades na sociedade onde vive.

OS ACIDENTES

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Cerca de 75% dos acidentes em idosos acontecem nas suas próprias casas, inclúindo os
alojamentos coletivos (lares e oútros locais de acolhimento), no meio circundante (escadas,
jardim oú paú tio), oú por escorregamento na rúa.

Os acidentes aumentam com a idade e na maior parte dos casos daã o origem a qúedas.

Além das quedas, os acidentes com idosos inclúem ferimentos com facas de cozinha,
qúeimadúras devidas a manipúlaçaã o desajeitada de prodútos inflamaú veis, oú aà diminúiçaã o das
facúldades sensoriais, como a perda da sensibilidade ao calor, ou a perda do olfato.

OS ACIDENTES MAIS FREQUENTES EM CASA SÃO CAUSADOS POR:

Poê r-se de peú em cima de úm banco, escadote oú cadeira

Andar sobre pavimentos molhados, húú midos oú encerados

Peqúenos tapetes, oú tapetes de qúarto sem forro antiderrapante

Mobiliaú rio instaú vel, gavetas abertas, peças de mobíúlia oú oútros obstaú cúlos deixados no
seú caminho

Maú ilúminaçaã o

Escadas com degraús de tamanhos diferentes

Fios eleú ctricos oú de telefone deixados no chaã o

Banheira oú chúveiro sem barras de apoio oú tapete antiderrapante

Equilíbrio bio-psicossocial da pessoa idosa

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A PESSOA IDOSA PORTADORA DE DOENÇA CRÓNICA

De acordo com a OMS, as doenças crónicas saã o a principal causa de morte e incapacidade
no múndo. Mas podem ser prevenidas.

Qúal eú o impacto das doenças croú nicas no múndo?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica qúe as doenças croú nicas de declaraçaã o naã o
obrigatoú ria, como as doenças cardiovascúlares, a diabetes, a obesidade, o cancro e as doenças
respiratoú rias, representam cerca de 59 por cento do total de 57 milhoã es de mortes por ano e
46 por cento do total de doenças. Afetam paíúses desenvolvidos e paíúses em vias de
desenvolvimento.

A expansão das doenças crónicas reflecte os processos de indústrializaçaã o, úrbanismo,


desenvolvimento econoú mico e globalizaçaã o alimentar, qúe acarretam:

Alteraçaã o das dietas alimentares;

Aúmento dos haú bitos sedentaú rios;

Crescimento do consúmo de tabaco.

Cerca de metade das mortes causadas por doenças crónicas estaú diretamente associada aà s
doenças cardiovasculares.

Os ataques cardíacos e os enfartes do miocárdio matam cerca de 12 milhoã es de pessoas


por ano. A hipertensaã o e oútras doenças cardíúacas matam, por súa vez, 3,9 milhoã es de pessoas.
Cerca de 75 por cento das doenças cardiovasculares são atribuíveis a:

Colesterol elevado;

Tensaã o arterial elevada;

Dieta pobre em frútas e vegetais;

Sedentarismo;

Tabagismo.

Porque é que as doenças crónicas têm um impacto tão grande na saúde?

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Porqúe os haú bitos alimentares alteraram-se. As pessoas consomem, hoje em dia, alimentos
mais caloú ricos, com elevado níúvel de açúú car e/oú gordúras satúradas, e excessivamente
salgados.

A mudança dos hábitos alimentares e a implantação de um estilo de vida sedentário


estaã o a ocorrer a úm ritmo múito mais raú pido nos paíúses em vias de desenvolvimento, por
comparaçaã o com o qúe aconteceú nos paíúses desenvolvidos. As doenças croú nicas estaã o a
crescer em múitos dos paíúses mais pobres, articúlando-se de forma múito perigosa com oútra
calamidade: as doenças infeciosas.

As pessoas idosas teê m com frequência doenças crónicas, mas elas raramente se tratam nas
nos centros de saúú de oú únidades hospitalares. Por vezes têm dificuldade em caminhar
longas distâncias ateú a estes locias e precisam da ajuda da família e comunidade.

As pessoas idosas podem ser ajúdadas pelo tratamento, mais do qúe as pessoas jovens.

As pessoas idosas devem ser encorajadas a ter úm estilo de vida saúdaú vel, com úma
alimentaçaã o nútritiva e praú tica regúlar de exercíúcio.

QUAIS SÃO OS FATORES DE RISCO?

Apesar de múito diferentes entre si, as doenças crónicas apresentam fatores de risco
comúns. Saã o poúcos e podem ser prevenidos:

Colesterol elevado;

Tensaã o arterial elevada;

Obesidade;

Tabagismo;

Consúmo de aú lcool.

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COMO REDUZIR OS RISCOS DE OCORRÊNCIA DE DOENÇAS CRÓNICAS?

Atraveú s da alteração do estilo de vida poderaú , em poúco tempo, redúzir o risco de


desenvolver úma doença crónica.

Alterando a dieta alimentar – privilegiar frútas, vegetais, frútos secos e cereais


integrais; súbstitúir as gordúras animais satúradas por gordúras vegetais insatúradas; redúzir
as doses de alimentos salgados e doces;

Iniciando a prática de exercício físico diário;

Mantendo um peso normal – IÉndice de Massa Corporal entre 18,5 e 24,9.

Eliminando o consumo de tabaco.

SINAIS E SINTOMAS

As doenças crónicas saã o doenças qúe, apoú s súrgirem, geralmente dúram ateú ao fim da vida.
As pessoas com estas doenças precisam de tratamento para o resto da vida e podem levar úma
vida normal se tiverem apoio.

Exemplos de doenças crónicas:

O Cancro

Diabetes mellitús

Doença hipertensa

O CANCRO eú o nome dado a úm conjúnto de mais de 100 doenças qúe teê m em comúm o
crescimento desordenado de ceú lúlas qúe invadem os tecidos e oú rgaã os, podendo espalhar-se
para oútras regioã es do corpo. As ceú lúlas saúdaú veis múltiplicam-se qúando necessaú rio e
morrem qúando o organismo naã o precisa mais delas. O cancro parece súrgir qúando o
aúmento de ceú lúlas do corpo estaú fora de controlo, e elas dividem-se múito raú pido. Tambeú m
pode ocorrer qúando a ceú lúla "se esqúece" de morrer.

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OS SINAIS E SINTOMAS caúsados pelo cancro variam dependendo de qúe parte do corpo eú
afetada. Algúns sinais e sintomas gerais, qúe naã o saã o especíúficos para o cancro e devem ser
crúzados com oútros fatores de risco, inclúem:

Fadiga

Protúberaê ncia oú aú rea de espessamento qúe pode ser sentida sob a pele

Múdanças de peso, inclúindo a perda naã o intencional oú ganho

Alteraçoã es da pele, tais como amarelecimento, escúrecimento oú vermelhidaã o da pele,


feridas qúe naã o cicatrizam oú alteraçoã es moles

Múdanças nos haú bitos intestinais oú da bexiga

Tosse persistente

Dificúldade em engolir

Roúqúidaã o

Indigestaã o persistente oú desconforto depois de comer

Dor múscúlar oú nas articúlaçoã es persistente e sem caúsa aparente

Febre oú súores notúrnos persistentes sem caúsa aparente.

A DIABETES MELLITUS

A diabetes eú úma síúndrome metaboú lica de origem múú ltipla, decorrente da falta de
insulina e/oú da incapacidade da insulina exercer adeqúadamente os seús efeitos,
caúsando úm aumento da glicose (açúcar) no sangue.

A diabetes acontece porqúe o paê ncreas naã o eú capaz de prodúzir a insúlina em


qúantidade súficiente para súprir as necessidades do organismo, oú porqúe esta hormona naã o
eú capaz de agir de maneira adeqúada (resisteê ncia aà insúlina). A insulina promove a redúçaã o
da glicemia ao permitir qúe o açúú car qúe estaú presente no sangúe possa penetrar dentro das
ceú lúlas, para ser útilizado como fonte de energia. Portanto, se houver falta dessa hormona,

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oú mesmo se ela naã o agir corretamente, haveraú aumento de glicose no sangue e,
consequentemente, o diabetes

SINTOMAS DA DIABETES

Principais sintomas da diabetes tipo 1: Na diabetes tipo 1, o paê ncreas perde a capacidade de
prodúzir insúlina em decorreê ncia de úm defeito do sistema imúnoloú gico, fazendo com qúe os
nossos anticorpos ataqúem as ceú lúlas qúe prodúzem a esse hormona.

vontade de úrinar diversas vezes

fome freqúente

sede constante

perda de peso

fraqúeza

fadiga

nervosismo

múdanças de húmor

naú úsea e voê mito.

Principais sintomas da diabetes tipo 2: Na diabetes tipo 2 existe úma combinação de dois
fatores - a diminúiçaã o da secreçaã o de insúlina e úm defeito na súa açaã o, conhecido como
resistência à insulina. Geralmente, a diabetes tipo 2 pode ser tratado com medicamentos
orais oú injetaú veis, contúdo, com o passar do tempo, pode ocorrer o agravamento da doença.

infeçoã es freqúentes

alteraçaã o visúal (visaã o embaçada)

dificúldade na cicatrizaçaã o de feridas

formigamento nos peú s e fúrúú ncúlos.

DOENÇA HIPERTENSA

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A hipertensão arterial oú pressaã o alta eú úma doença caracterizada pela elevação dos níveis
tensionais no sangue. EÉ úma síúndrome metaboú lica geralmente acompanhada por oútras
alteraçoã es, como obesidade. A hipertensão pode acontecer qúando as nossas arteú rias
sofrem algúm tipo de resisteê ncia, perdendo a capacidade de contrair e dilatar, oú entaã o
qúando o volúme se torna múito alto, exigindo úma velocidade maior para circúlar. Hoje, a
hipertensaã o eú a principal causa de morte no mundo, pois pode favorecer úma seú rie de
oútras doenças.

SINTOMAS

Os sintomas da hipertensão costúmam aparecer apenas qúando a pressaã o sobe múito:


podem ocorrer:

dores no peito,

dor de cabeça,

tontúras,

zúmbido no oúvido,

fraqúeza,

visaã o embaçada e

sangramento nasal.

SINAIS DE DESCOMPRESSÃO

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A doença por descompressão, tambeú m conhecida como mal dos mergúlhadores, mal de
descompressaã o oú doença do caixaã o, trata-se de úm grupo de sintomas manifestados por
pessoas qúe são expostas a uma significativa redução de pressão do ar qúe a circúnda.
Consiste em úm tipo de disbarismo.

Qúando úm indivíúdúo se desloca de úm ambiente de alta pressão para um de baixa pressão,


os gases qúe se encontram dissolvidos na corrente sanguínea podem dar origem a bolhas,
qúe levam aà obstrução dos vasos sanguíneos, ocasionando dor e oútros sintomas. Isso
ocorre ao súbir de úma imersaã o.

AGUDIZAÇÃO DA DOENÇA

O doente com dor crónica é multifacetado, com freqúente morbilidade física e psíquica,
podendo sofrer das mais variadas patologias, desde doenças reumáticas, neurológicas ou
psiquiátricas, a doenças oncológicas.

Apesar de freqúentemente poúco valorizada, exceto tratando-se de doença oncoloú gica, a dor
crónica também afeta as crianças.

Estima-se tambeú m qúe úma percentagem naã o negligenciaú vel de pessoas idosas sofra de dor
croú nica. Isto porqúe a maioria dos idosos tende a encarar a dor como sendo normal na súa
idade.

A maioria dos doentes com doença oncológica avançada sofre de dor croú nica, a qúal pode
ser aliviada na qúase totalidade dos casos (cuidados paliativos).

Como se trata a dor?

A dor aguda e a dor crônica, pelas súas caracteríústicas, saã o tratadas de forma diferente.
Contúdo, eú possíúvel aliviar o sofrimento dos doentes com dor croê nica, a qúem eú reconhecido o
direito de serem tratados em Unidades de Dor.

A terapêutica da dor divide-se em dois grandes grupos:

a farmacologia (medicamentos) e a naã o farmacoloú gica.

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Técnicas farmacológicas

As técnicas farmacológicas mais conservadoras envolvem, fúndamentalmente, a útilizaçaã o


de fármacos analgésicos e adjuvantes.

Os analgésicos podem ser opióides (morfina, por exemplo, e codeíúna) e não opióides (os
anti-inflamatoú rios naã o esteroú ides e os antipireú ticos, como o paracetamol e o metamizol).

Os fármacos adjuvantes, de enorme importaê ncia no controlo da dor croú nica, saã o
medicamentos qúe, naã o sendo verdadeiros analgeú sicos, contribúem para o alívio da dor,
potencializando os analgeú sicos nos vaú rios fatores qúe podem agravar o qúadro aú lgico. Saã o
exemplo, entre oútros, os antidepressivos, os ansiolíúticos, os anticonvúlsivantes, os
corticosteroides, os relaxantes múscúlares e os anti-histamíúnicos.

Existem também métodos farmacológicos invasivos, qúe envolvem a útilizaçaã o de


anestésicos locais e agentes neurolíticos para a execúçaã o de bloqúeios nervosos, com a
intenção de provocar interrupção da transmissão dolorosa.

São também considerados invasivos os meú todos de administraçaã o de opioú ides, anesteú sicos
locais e corticoú ides, por via espinhal.

Finalmente, existem também técnicas neurocirúrgicas, sendo as mais conhecidas as


neúrectomias, as rizotomias, as drezotomias, as simpaticectomias, as cordotomias, as
mielotomias e algumas técnicas de neuroestimulação (algúmas das qúais realizadas por via
percútaê nea).

Técnicas não farmacológicas

Compreendem, entre outras, a reedúcaçaã o do doente, a estimúlaçaã o eleú trica transcútaê nea,
as teú cnicas de relaxamento e biofeedback, a abordagem cognitivo-comportamental, as
psicoterapias psicodinaê micas, as estrateú gias de coping e de redúçaã o do stress, os tratamentos
pela FISIOTERAPIA. Podem tambeú m ser úsadas teú cnicas de terapia ocúpacional e teú cnicas de
reorientaçaã o ocúpacional e vocacional.

É possível a autoajuda no controle da dor?

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Sim, eú possíúvel. A atuação e a intervenção dos profissionais de saúde qúe integram as
equipas multidisciplinares saã o fúndamentais nesta mateú ria, pois podem ensinar o doente
a colaborar de forma esclarecida e adeqúada no controlo da dor.

O ensino dos doentes abrange as áreas seguintes:

Auto-avaliação da dor

O doente deve estar capacitado para saber:

A localizaçaã o da dor e da aú rea oú aú reas afetadas pela dor;

A identificaçaã o das limitaçoã es fúncionais oú necessidades vitais afetadas, como o sono,


repoúso, exercíúcio, alimentaçaã o, atividade sexúal, atividades sociais oú oútras;

A caracterizaçaã o da dor qúanto ao seú tipo, caraú ter e intensidade, atraveú s de escalas de
avaliaçaã o;

A medicaçaã o qúe toma oú oútras terapeê úticas para a redúçaã o da dor e os resúltados
obtidos com as mesmas.

Formas de autocontrolo dos estímulos desencadeantes da dor e dos sintomas

Controlo de possíúveis estíúmúlos desencadeantes, como a mobilizaçaã o, a compressaã o e a


comúnicaçaã o oral;

Controlo dos sintomas qúe podem diminúir a toleraê ncia aà dor relacionados com a
proú pria doença e/oú com a medicaçaã o antaú lgica, como astenia, anorexia, naú úseas e voú mitos,
obstipaçaã o, debilidade emocional e depressaã o.

Medicação antiálgica

Persúadir o doente a colaborar na implementaçaã o terapeê útica e a cúmpri-la;

Envolver os familiares no cúmprimento das regras de administraçaã o dos


medicamentos;

Desmistificar a útilizaçaã o de opioú ides, particúlarmente da morfina;

Incútir no espíúrito do doente e dos familiares confiança na medicaçaã o, prevenindo


expectativas irrealistas.

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Auto-controlo da dor

Seja para diminuir a intensidade da dor ou o aumento da tolerância, as açoã es nesta aú rea
prendem-se, sobretúdo, com o ensino de técnicas não farmacológicas de apoio, passíúveis
de serem realizadas pelo proú prio doente. As técnicas de autocontrolo da dor podem ser de
tipo comportamental e de tipo cognitivo.

Técnicas comportamentais

O relaxamento, pelos seús efeitos diretos na tensaã o da múscúlatúra – ao diminúir a


hiperatividade múscúlar -, decresce, tambeú m, o agravamento e manútençaã o da dor;

Programaçaã o de atividades - ao diminúir progressivamente as atividades, aúmenta a


fixaçaã o nas sensaçoã es fíúsicas e na exacerbaçaã o da dor, o qúe leva a sentimentos de desespero e
perda da aútonomia. O planeamento de atividades e o seú envolvimento promovem o
sentimento de qúe eú capaz e de qúe pode controlar a súa vida;

O registo da dor e de atividades – consiste no registo das tarefas qúe realiza e dos
sentimentos e pensamentos associados aà realizaçaã o dessas tarefas, de acordo com úma tabela
predefinida, a qúal deveraú inclúir tambeú m o registo da intensidade da dor. Os dados
registados seraã o analisados com o psicoú logo e trabalhadas as cognições e os sentimentos
inadequados.

Técnicas cognitivas

Distração ou atenção dirigida – focar a atençaã o em algo qúe naã o seja a súa dor, como
por exemplo oúvir múú sica, ver televisaã o, ler. Este meú todo pode redúzir a intensidade dolorosa
oú aúmentar a resisteê ncia aà dor, tornando-a menos incoê moda;

Estratégias de conforto - destinam-se a alterar as circúnstaê ncias negativas


relacionadas com a dor, reduzindo os seus efeitos nocivos. As mais útilizadas saã o a aúto-
instrúçaã o (aúto-afirmaçoã es positivas perante pensamentos negativos); a testagem da
realidade (procúra de evideê ncias empíúricas para os seús pensamentos); a pesqúisa de
alternativas (procúra de todas as alternativas possíúveis e naã o apenas as negativas); e a
descatastrofizaçaã o;

Reestruturação cognitiva – vai aleú m do debate loú gico e do empíúrico. Consiste,


tambeú m, no treino, ensaio e repetiçaã o de formas alternativas de discúrso interno, de forma a

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consegúir súbstitúir as cogniçoã es irracionais oú distorcidas associadas aà dor por
pensamentos mais relativistas, adaptados, funcionais e realistas.

Situações de emergência

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OS ACIDENTES

Os acidentes são muito comuns. Mesmo com todo o cúidado, haú objetos e sitúaçoã es qúe
representam risco e podem provocar acidentes. Para as crianças e para os idosos, em especial,
todas as divisoã es da casa podem representar úm enorme risco.

Um tapete qúe naã o estaú devidamente assente com proteçaã o antiderrapante, úma gaveta da
coú moda aberta, a porta de úm armaú rio, um fio do telefone solto, podem provocar qúedas e
traúmatismos com conseqúeê ncias múito graves. Por vezes, esses acidentes são tão graves
que podem levar à morte.

QUAIS SÃO OS FATORES DE RISCO OU CAUSAS MAIS FREQUENTES DE ACIDENTES


DOMÉSTICOS?

Escorregar ao andar sobre pisos molhados, húú midos oú encerados;

Andar de meias oú úsar chinelos e sapatos mal apertados;

Moú veis no meio do caminho (gavetas abertas, por exemplo), principalmente entre o
qúarto e a casa de banho;

Escadas com degraús de tamanhos diferentes;

Tapetes nos qúartos, casas de banho, corredores e oútras divisoã es da casa;

Poúca ilúminaçaã o;

Estar em peú em cima de úm banco oú cadeira;

Tontúras ao levantar-se;

Visaã o alterada pela idade;

Perda do eqúilíúbrio, múitas vezes caúsada por remeú dios;

Nos mais idosos, enfraqúecimento dos ossos e dos múú scúlos;

Soleiras das portas naã o niveladas com o chaã o.

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QUAIS SÃO OS FACTORES DE RISCO OU CAUSAS MAIS FREQUENTES DE ACIDENTES
DOMÉSTICOS ENVOLVENDO IDOSOS?

Visaã o e aúdiçaã o deficientes;

Enfraqúecimento dos ossos e dos múú scúlos;

Problemas de locomoçaã o oú osteoarticúlares e tremores;

Factores do ambiente;

Ilúminaçaã o deficiente;

Inexisteê ncia de corrimaã o oú de barras de segúrança, nomeadamente na banheira;

Mobíúlia instaú vel;

Pavimento escorregadio;

Calçado naã o apropriado.

AS INTOXICAÇÕES

PRODUTOS QUÍMICOS (LIXÍVIAS)

As mais perigosas saã o as indústriais oú as prodúzidas especificamente para a limpeza


do lar.

A ingestaã o costúma acontecer por acidente oú por confúsaã o.

Depois da referida ingestaã o, o efeito costúma ver-se logo, com úma sensaçaã o de mal-
estar e ardeê ncia interna.

Se se ingeriú algúma destas súbstaê ncias, naã o se deve provocar o voú mito, porqúe
aúmentaraú a lesaã o no tracto esofaú gico ao sair de novo para o exterior.

Recomenda-se qúe se ingira gemas de ovo para contrariar o efeito corrosivo.

Se se ingeriú qúalqúer oútro tipo de súbstaê ncia naã o corrosiva, recomenda-se qúe se
provoqúe o voú mito.

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A pessoa afetada deve ser enviada imediatamente para úm centro meú dico.

FÁRMACOS:

Os idosos costúmam intoxicar-se devido a confúsoã es.

O tratamento baseia-se em prodúzir o voú mito a fim de eliminar o mais depressa


possíúvel os faú rmacos.

GASES:

As intoxicaçoã es por gases qúase sempre se devem ao gaú s bútano, oú a gases gerados
por combústaã o.

O gaú s bútano eú reconhecido facilmente pelo seú cheiro.

Qúando se súspeitar de qúe úm gaú s foi libertado, eú fúndamental desligar a electricidade


para evitar qúalqúer chispa qúe gere a deflagraçaã o e ventilar bem a casa.

O monoú xido de carbono eú originado na combústaã o habitúal dos aqúecedores a gaú s


bútano.

EÉ úm gaú s múito difíúcil de identificar, úma vez qúe, naã o tem cheiro.

A intoxicaçaã o costúma identificar-se com úma intoxicaçaã o por sintomatologia digestiva,


com naú úseas e voú mitos, e neúroloú gica, com dores de cabeça e perda de conhecimento.

EÉ necessaú rio fazer imediatamente úma ventilaçaã o adeqúada da casa, evacúando-se o


mais depressa possíúvel.

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Internamento da pessoa idosa em estado


terminal

ABORDAGEM MULTIDIMENSIONAL

Uma doença terminal muda tudo. Na maioria dos casos, cúidar de algúeú m qúe sofre de úma
doença terminal torna-se mais assústador do qúe o diagnoú stico inicial. Naã o existe úma cúra,
mas tambeú m naã o haú certezas relativamente aos meses oú ateú anos qúe podem separar o
diagnoú stico da morte. Como lidar com um doente terminal?

No fúndo, eú múito simples – essas pessoas necessitam dos mesmos cuidados físicos,
emocionais e espirituais qúe todos noú s. E a verdade eú qúe estamos todos a morrer, mas, ateú
ao úú ltimo súspiro, estamos todos vivos, por isso, haú qúe aproveitar cada dia ao maú ximo. As
pessoas qúe enfrentam uma doença terminal sentem úma dor e uma solidão enorme,
múitas vezes associada aà depressão e a um sentimento de “vazio”. Para aleú m de serem
cúidadas, estas pessoas precisam de ser acarinhadas, principalmente porqúe estaã o a viver
úm períúodo na súa vida marcado por emoções negativas como a tristeza, a ansiedade, a
revolta e o medo.

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Enquanto cuidador, como deve reagir?

Deve ajúdar a pessoa a aceitar a doença qúe tem e naã o fingir qúe estaú túdo bem. Deve
apoiar a vontade qúe o doente tem em viver da forma mais normal possíúvel, sem permitir
comportamentos qúe possam ser prejúdiciais para a súa actúal condiçaã o.

O medo do abandono, do desconhecido, de deixar aqúeles qúe mais amam e ateú o medo
da vida para aleú m da morte saã o emoçoã es reais qúe devem ser identificadas, reconhecidas e
expressas. Pode naã o saber o qúe dizer, mas talvez, nesta altúra, o qúe o doente terminal mais
precise eú algúeú m qúe esteja ao seú lado e qúe o oúça. Disponibilize-se para oúvir e/oú falar
sempre qúe ele qúiser, sem forçar essas conversas.

AÀ s vezes, nem eú preciso falar, basta um forte abraço oú estarem de mãos dadas enqúanto
partilham úma oútra atividade, como ver úm filme oú dar úm passeio. O conforto físico é
muito importante e, algúns estúdos mostram qúe as expectativas e os pensamentos
positivos podem trazer grandes benefícios físicos para um doente terminal.

Um doente terminal pode sentir-se preocúpado em ser abandonado por aqúeles qúe o
rodeiam oú assústado ao pensar na possibilidade de ser separado do seú qúotidiano. Qúando
se fala em manter a vida de úm doente terminal o mais “normal” possíúvel, isto significa qúe se
deve integrar as suas necessidades pessoais na rotina diária de úma forma natúral.

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CUIDADOS ESPECÍFICOS

O doente pode requerer cuidados específicos ao longo do dia e da noite mas, se a


pessoa estaú habitúada a cozinhar e a fazer as súas proú prias compras, por exemplo, deve
permitir qúe continúe a fazeê -lo (enqúanto tiver capacidades para isso mesmo).

O cuidador tem de ser a pessoa com o qual o doente deve poder sempre contar,
oú seja, deve estar ao seú lado para o oúvir e apoiaú -lo naqúilo qúe for preciso. Naã o deve,
poreú m, tentar assúmir o controlo total da súa vida e das súas coisas, o doente sentir-se-ia
desacreditado oú rebaixado. É essencial deixar o doente tomar o maú ximo de decisoã es
possíúveis, assim ele sentir-se-aú em controlo de pelo menos úma parte da súa vida.

Se o doente assim o desejar, ajúde-o a resolver assúntos pendentes. Pode qúerer


preparar oú alterar o seú testamento, oú deixar indicaçoã es para o seú fúneral. Pode ainda ser
da súa vontade organizar as súas finanças oú entregar, a familiares oú amigos, algúns dos seús
bens pessoais. Fazer as pazes com algúeú m oú esclarecer úm mal entendido do passado, seraã o
oútras qúestoã es qúe essa pessoa poderaú ter necessidade de resolver.

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EÉ fúndamental qúe ajúde o doente terminal a concretizar os seús desejos finais, mesmo
qúe seja úm assúnto simples como visitar úm velho amigo, realizar úma viagem a úm local
especial oú fazer úma coisa qúe sempre qúis, mas núnca teve a oportúnidade.

Acima de túdo, e porqúe estaã o preocúpados com o papel qúe agora desempenham na
famíúlia, no trabalho e na comúnidade, um doente terminal quer manter vivas as relações
qúe tem com as pessoas mais chegadas e especiais da súa vida. Desfrutar do tempo que
resta, na companhia daqueles que lhe são mais queridos, eú túdo aqúilo qúe úma pessoa
com úma doença terminal mais precisa. Sentir qúe ainda estaú caú e qúe qúem o rodeia tambeú m
continúa presente, eú o conforto necessaú rio para qúem se aproxima do final da súa vida.

Quem enfrenta uma doença terminal, retira especial prazer dos “peqúenos nadas”
qúe preenchem o nosso qúotidiano, como saborear a súa refeiçaã o preferida, oúvir a múú sica
qúe mais aprecia, ter o filho oú o neto ao colo, ver úm filme qúe sempre gostoú, apreciar a
natúreza oú estar núma festa de famíúlia.

Hospitalização - efeitos psicossociais

A PESSOA IDOSA E O HOSPITAL

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A hospitalização, em qúalqúer indivíúdúo, pode repercutir no seu estado emocional, jaú qúe
o afastamento do seú meio, de seú qúotidiano, do seú trabalho e da súa famíúlia jaú prodúz por
si soú conseqúeê ncias importantes.

MEIO HOSPITALAR

Considerando aqúi o paciente idoso, onde aqúilo qúe lhe eú conhecido e rotineiro representa
úm valor importante, podemos pensar qúe o afastamento da súa casa, da súa famíúlia e da súa
rotina de vida pode vir a influir negativamente do ponto de vista emocional, mais do qúe
em úm paciente jovem, qúe, geralmente, se pode adeqúar de úma maneira mais faú cil a úm
novo ambiente.

Aleú m disso, a hospitalização no idoso possúi úm caraú ter distinto, pois, em algúns casos, esta
internaçaã o pode virar sinoú nimo de institúcionalizaçaã o, na proú pria únidade hospitalar. Isto
acontece qúando nos deparamos com úma internação prolongada, onde a permaneê ncia do
paciente se daú por úm tempo maior qúe o necessaú rio para o seú tratamento, podendo refletir
de forma relevante no seú estado emocional.

A comunicação é um dos pilares principais, fúncionando como uma estratégia


terapêutica de intervenção no sofrimento e no controlo de sintomas associados aà doença
do idoso. Esta comúnicaçaã o deseja-se eficaz, para tal depende da formaçaã o padronizada, do
treino e da experieê ncia dos profissionais de saúú de. Emerge nesta ideia a necessidade de úma
formaçaã o adeqúada.

A crise desencadeada pela hospitalização e os sentimentos qúe essa crise pode gerar no
idoso precisa receber a atençaã o de toda a eqúipa de saúú de, e sobretúdo do psicoú logo qúe
tambeú m deveraú estender a assistência psicológica ao familiar qúe acompanha o processo
de adoecer e de hospitalizaçaã o do seú familiar.

Qúando se pensa em acolhimento no ambiente hospitalar, eú importante refletir qúe o idoso


hospitalizado precisa de cúidados mais complexos, pois aleú m da doença, o mesmo encontra-se
mais vúlneraú vel pela exposiçaã o a úm ambiente taã o hostil qúanto o hospital.

“COLEGAS” DE QUARTO

Os colegas de qúarto saã o importantes para idoso, mas porqúe eú qúe a presença de úm
membro da famíúlia se faz importante? Por três motivos principais. Inicialmente, porqúe a

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hospitalização traz a todos noú s sentimentos de medo, impotência e fragilidade. Ter algúeú m
de confiança por perto neste momento traz úm maior sentimento de acolhimento e segúrança.
O segúndo motivo diz respeito à necessidade de ter presente alguém responsável pelo
idoso qúe pode estar dependente definitiva oú temporariamente. EÉ essencial ter algúeú m para
conversar com os profissionais de saúú de sobre o estado geral do idoso, receber notíúcias de
diagnoú sticos, informaçoã es relevantes sobre procedimentos, tratamentos e medicaçoã es a serem
administradas qúando o idoso estiver em casa. O úú ltimo motivo diz respeito ao idoso com
comprometimento cognitivo, em especial portadores da Doença de Alzheimer. Nestas pessoas,
mudanças bruscas de ambiente e a presença de pessoas diferentes podem caúsar úm
estado de grave confusão mental e irritabilidade, e a presença de algúeú m conhecido do
idoso pode ajúdar a aliviar esta confúsaã o e a irritaçaã o.

Os hospitais geralmente exigem qúe o acompanhante de idosos internados em


enfermarias coletivas seja alguém do mesmo sexo, mas por qúe isto acontece? Em respeito
ao púdor dos pacientes internados na mesma enfermaria. Múitas vezes os pacientes saã o
sújeitos a procedimentos qúe expoã em súa intimidade, por isto naã o eú adeqúada a permaneê ncia
de pessoas do sexo oposto (qúe naã o trabalham na aú rea da saúú de) neste local. Em casos
especiais, onde realmente não existe a possibilidade de manter úm acompanhante do
mesmo sexo do idoso na enfermaria, esta pessoa deve ter o bom senso de se retirar do local
sempre qúe algúm destes procedimentos for realizado com úm dos internos.

Os colega de quarto também são importantes na medida em que promove a distração


dos idosos e permitem ocupar melhor o tempo que passam na unidade hospitalar.

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TÉCNICOS E ESTRUTURAS DE APOIO

Alguns utentes paliativos consideram discútir abertamente com os seús profissionais de


saúú de algúmas das suas vontades antecipadas. Assim, torna-se importante formar os
profissionais de saúú de afim de melhor os capacitar a enfrentar estas procuras e
necessidades dos doentes em fim de vida.

A eficácia da comunicação passa, sobretúdo, por úm comportamento assertivo, oú seja,


úm comportamento firme, calmo e tranqúilizador qúe ajúde a controlar a sitúaçaã o e a
estabelecer relações de confiança.

A “empatia” eú a capacidade de se colocar no lúgar do oútro e sentir como se estivesse na


sitúaçaã o e circúnstaê ncias experimentadas por ele sem, no entanto, perder o proú prio sistema
de refereê ncia. EÉ , portanto, a base de toda relação de ajuda. Para qúe o teú cnico aúxiliar de
saúú de seja empaú tico, ele deve ser capaz de:

Aproximar-se da sitúaçaã o qúe o doente estaú a vivenciar.

Desenvolver a capacidade de se colocar no lúgar dele, procúrando ver o múndo como


ele o veê , o qúe naã o significa fazer súas as emoçoã es e a viveê ncia do oútro, porqúe a
diferenciaçaã o eú fúndamental na relaçaã o de ajúda.

Ter conscieê ncia de qúe o problema eú do doente.

Soú assim o teú cnico aúxiliar de saúú de seraú capaz de identificar e compreender de forma
verdadeira o conteúú do das mensagens do doente, pois estaraú em posiçaã o de ver o múndo do
mesmo prisma qúe ela o veê .

A empatia pode ser desenvolvida:

Por úma personalidade afetúosa e flexíúvel;

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Pela capacidade de generalizaçoã es relativas aà s experieê ncias de vida;

Pela capacidade de tolerar e útilizar o sileê ncio na relaçaã o;

Por semelhanças de experieê ncias e viveê ncias;

Pela disponibilidade e escúta atenta;

Pela toleraê ncia ao stress;

Por experieê ncias de vida variadas, propiciando maior flexibilidade e espontaneidade;

Pela aútoafirmaçaã o;

Pelo úso de lingúagem apropriada e

Pela capacidade de compreender a lingúagem simboú lica útilizada pelo doente.

A empatia, por si só, naã o solúciona os problemas do doente como se fosse úm passe de
maú gica; constitúi-se núm meio para fazer com qúe ele naã o se sinta solitaú rio diante deles. Ao
perceber qúe algúeú m entende a dimensaã o qúe os problemas tomam na súa vida, sente-se
mais confortaú vel e, assim, pode canalizar a súa energia na resolúçaã o deles com o apoio
daqúele com qúem manteú m úma relação de ajuda.

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Para qúe a comúnicaçaã o seja úm processo eficiente com as pessoas em sitúaçoã es de
vúlnerabilidade devemos ter com conta algúns aspetos fúndamentais:

A ESCUTA ATIVA

“Escútar” naã o eú sinoú nimo de “oúvir”. Escútar eú constatar por meio do estíúmúlo do sistema
aúditivo; eú úm processo ativo e volúntaú rio em qúe o indivíúdúo se permite impregnar pelo
conjúnto das súas perceçoã es externas e internas. Na relaçaã o de ajúda, escútar representa úm
instrúmento para compreender a pessoa vúlneraú vel de forma a poder determinar com
precisaã o as intervençoã es necessaú rias.

Ao escutar a pessoa vulnerável, o técnico auxiliar de saúde, pretende:

 Mostrar-lhe a súa importaê ncia;

 Permitir qúe a pessoa vúlneraú vel identifiqúe as súas emoçoã es;

 Aúxiliaú -lo na identificaçaã o das súas necessidades e na elaboraçaã o de úm planeamento


objetivo e eficaz para as satisfazer.

Para escutar de modo eficiente, O técnico auxiliar de saúde deve:

 Desejar estabelecer úma relaçaã o mais estreita com a pessoa vúlneraú vel.

 Escolher úm local calmo qúe propicie a escúta.

 Manter-se a úma distaê ncia confortaú vel da pessoa vúlneraú vel, mas qúe permita úma boa
visúalizaçaã o de ambos.

 Procúrar compreender naã o soú a lingúagem verbal, mas principalmente a naã o-verbal da
pessoa vúlneraú vel.

 Evitar júlgamentos com base em valores pessoais.

 Reformúlar com a pessoa vúlneraú vel, poreú m com as proú prias palavras, o qúe ele lhe
referiú, validando súa compreensaã o.

 Respeitar, compreender e interpretar o sileê ncio da pessoa vúlneraú vel.

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O silêncio pode traduzir a intensidade da procura da resposta considerando túdo o qúe a
precedeú; pode significar o medo ou o sofrimento qúe impedem a elaboraçaã o de palavras oú,
ao contraú rio, úma alegria taã o intensa qúe tambeú m naã o pode ser tradúzida por palavras. EÉ a
escúta do sileê ncio qúe exige a presença mais intensa e mais verdadeira do teú cnico aúxiliar de
saúú de, dado qúe isso pode levaú -lo ao encontro real do qúe o oútro vive de mais profúndo.
Silêncio não é sinónimo de vazio nem ausência de relação; costuma ser rico em
significados.

Para ser tradúzido e transformado em instrúmento de comúnicaçaã o, deve ser compreendido,


respeitado, acolhido e núnca prematúramente interrompido.

Escutar não é memorizar as palavras emitidas pela pessoa vulnerável; é compreendê-la,


ver, apreender e sentir o contexto e os sentimentos relacionados com o conteúú do das
mensagens emitidas. Exige grande empenho, vigilância sensorial, intelectual e emocional,
o qúe consome múita energia e reqúer preparo e amadúrecimento.

O teú cnico aúxiliar de saúú de qúe de facto escúta a pessoa vúlneraú vel reflete atentamente sobre
o significado das súas mensagens (verbais e naã o verbais), visando o estabelecimento de
intervençoã es apropriadas aà s necessidades identificadas.

Escutas que não ajudam

Escuta inadequada – O teú cnico aúxiliar de saúú de estaú mais atento aà s proú prias
reflexoã es do qúe aà s da pessoa vúlneraú vel, estaú distraíúdo, tem “pressa” em responder oú
identifica a sitúaçaã o descrita como familiar e faz úm processo de transfereê ncia.

Escuta apreciativa – O teú cnico aúxiliar de saúú de faz júíúzos de valor dúrante a escúta.
Embora normal, essa atitúde pode ser nociva. Para evitar isso, o teú cnico aúxiliar de saúú de
precisa desenvolver a habilidade de aceitar as pessoas vúlneraú veis e escútaú -los objetivamente.

Escuta filtrada – relaciona-se a nossa defesa pessoal, oú seja, selecionamos de modo


inconsciente o qúe permitimos oú naã o entrar em contacto connosco e criamos barreiras qúe,
mesmo involúntariamente, deformam a nossa capacidade de escútar. Isto pode ser evitado
com o desenvolvimento de úm profúndo aútoconhecimento.

Escuta compassiva – refere-se ao sentimento de compaixaã o desenvolvido pelo teú cnico


aúxiliar de saúú de em relaçaã o aà pessoa vúlneraú vel. Tal atitúde pode detúrpar a perceçaã o dos
factos, gerando açoã es inadeqúadas.

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Capacidade de clarificar

“Clarificar” significa tornar claro, limpo ou puro. Na relaçaã o de comúnicaçaã o, significa ser
capaz de delimitar mais precisamente o problema em si e os envolvidos de maneira concreta e
realista. Para tanto, o teú cnico aúxiliar de saúú de deve ser capaz de aúxiliar a pessoa vúlneraú vel a
refletir sobre os seús problemas e a descreveê -los com toda a súa extensaã o, intensidade e
complexidade. Depois de escútaú -lo, deve repetir com as súas palavras a mesma qúestaã o,
permitindo, assim, súa reinterpretaçaã o.

As pergúntas “Quem?”, “o quê?”, “onde?”, Como?” e “Por quê?” aúxiliam na clarificaçaã o, mas
o úso indiscriminado do “por qúeê ?” Pode despertar na pessoa vúlneraú vel a necessidade de se
jústificar, geralmente defendendo-se. Cada pergúnta deve ter por objetivo aúxiliar a pessoa
vúlneraú vel a perceber com maior clareza o problema oú as súas solúçoã es.

A utilização, pelo técnico auxiliar de saúde, de generalizaçoã es, abstraçoã es oú termos


imprecisos pode estar relacionada ao medo de enfrentar o problema. Ao agir dessa forma, o
problema torna-se maior. O teú cnico aúxiliar de saúú de naã o deve útilizar lingúagem intelectúal,
abstrata, impessoal e/oú vaga, úma vez qúe isso naã o ajúda a pessoa vúlneraú vel a clarificar e
precisar o seú pensamento.

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Conhecer-se naã o eú faú cil, pois isso geralmente coloca-nos diante de qúestoã es qúe naã o qúeremos
oú com as qúais naã o gostamos de nos confrontar. Tememos ser rejeitados, júlgados, cobrados,
correr riscos oú falhar e ter de admitir as falhas. Tememos, sobretúdo, tomar conscieê ncia do
nosso verdadeiro “eú” e descobrir qúe eú preciso múdar o nosso comportamento e a nossa
vida. Apenas com esse conhecimento pessoal podemos compreender o oútro e, entaã o, tentar
estabelecer úma relaçaã o de ajúda. EÉ fúndamental entender qúe ajúdar eú “dar de si”, jaú qúe
envolve doaçaã o (de tempo, competeê ncia, saber, interesse), capacidade de escúta e
compreensaã o.

Nas relações interpessoais, e através da comunicação, o teú cnico aúxiliar de saúú de, ajúda as
pessoas vúlneraú veis a enfrentar e a súperar úma sitúaçaã o de crise com os recúrsos qúe elas
dispoã em.

Tais sitúaçoã es manifestam-se de diferentes maneiras, mais oú menos explíúcitas e/oú penosas.
A capacidade e o limite de cada pessoa vúlneraú vel saã o inerentes aà proú pria pessoa e
constrúíúdos dúrante as súas experieê ncias pessoais, cabendo ao teú cnico aúxiliar de saúú de a
habilidade para os reconhecer.

Embora toda relação de ajuda envolva comunicação, nem toda a comúnicaçaã o eú


obrigatoriamente úma relaçaã o de ajúda. Qúando o teú cnico aúxiliar de saúú de pergúnta aà pessoa
vúlneraú vel sobre dados precisos (qúantas vezes úrinoú no dia, se tomoú o peqúeno almoço, se
jaú almoçoú, etc..), ela vai-lhe dar úma resposta precisa (desde qúe tenha capacidade de oúvir e
compreender). Nesse caso, ambos apenas circúlam informaçoã es.

A segúnda consideraçaã o a ser feita eú a compreensaã o de qúe, núma relaçaã o de comúnicaçaã o, a


pessoa vúlneraú vel eú a principal detentora dos recúrsos para a resolúçaã o das dificúldades. O
estabelecimento de uma relação de comunicação eficaz possibilita-o identificar, sentir,
saber, escolher e decidir sobre as suas ações (autonomia). Ao teú cnico aúxiliar de saúú de
cabe aúxiliaú -lo a descobrir oú redescobrir capacidades e potencialidades proú prias,
redirecionando as súas energias para úm novo olhar sobre si mesmo, qúe, diante das
circúnstaê ncias, pode naã o existir oú estar múito deteriorado.

A principal ênfase da relação de comunicação é a dimensão afetiva do problema, pois


múitas das desadaptaçoã es naã o ocorrem por falta de conhecimento, e sim por insatisfaçoã es
emocionais. O teú cnico aúxiliar de saúú de vai procúrar aúxiliar a pessoa vúlneraú vel a
compreender-se, a fazer escolhas de forma independente e significativa e a fazer com qúe súas

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relaçoã es lhe sejam mais satisfatoú rias. Esta relaçaã o visa, sobretúdo, aà melhoria da aútoestima,
ao alcance da aúto realizaçaã o, aà promoçaã o do conforto psicoloú gico e ao fornecimento do apoio
necessaú rio para se confrontar com as proú prias dificúldades existenciais.

Dessa forma, a relação de comunicação visa auxiliar a pessoa vulnerável a:

Ultrapassar úma sitúaçaã o-limite.

Resolver úma sitúaçaã o atúal oú potencial.

Encontrar úm fúncionamento pessoal mais satisfatoú rio, aúmentando a súa aútoestima


e o seú sentimento de segúrança e diminúindo a súa ansiedade ao míúnimo.

Desenvolver atitúdes positivas perante as súas (in) capacidades.

Melhorar a súa capacidade de comúnicaçaã o e as súas relaçoã es com os oútros.

Identificar o sentido para a súa existeê ncia.

Manter úm ambiente estimúlante no qúe se refere aos níúveis biopsicossociais.

Para desenvolver úma relaçaã o de comúnicaçaã o, eú fundamental que o técnico auxiliar de


saúde seja:

Preciso e objetivo no qúe lhe diz respeito e no qúe diz respeito aos oútros.

Capaz de respeitar-se e de respeitar os oútros.

Congrúente consigo mesmo e com a pessoa com qúem se relaciona.

Empaú tico.

Capaz de se confrontar

É importante destacar que, para ser um bom profissional de saúde, este deve:

Reconhecer os seús valores pessoais;

Ser capaz de analisar as proú prias emoçoã es;

Estar apto a servir de modelo e a inflúenciar oútros;

Ser altrúíústa;

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Desenvolver alto senso de responsabilidade em relaçaã o a si mesmo e aos oútros;

Ser eú tico.

Estas carateríústicas aúxiliaraã o a formaçaã o de interaçoã es mais abertas entre o teú cnico aúxiliar
de saúú de e a pessoa vúlneraú vel, mantendo atitúdes positivas com o objetivo de alcançar a
aútonomia em vez do controlo.

No estabelecimento de úma relaçaã o de comúnicaçaã o, eú necessaú rio definir os objetivos das dúas
partes envolvidas – O teú cnico aúxiliar de saúú de e a pessoa vúlneraú vel. Cabe ao técnico
auxiliar de saúde:

Identificar com clareza os problemas vivenciados pela pessoa vúlneraú vel.

Estabelecer conjúntamente com a pessoa vúlneraú vel os objetivos concretos e


pertinentes.

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A HOSPITALIZAÇÃO

ASPETOS POSITIVOS/BENEFÍCIOS: TRATAMENTO E GANHO EM SAÚDE

O ambiente hospitalar eú considerado úm espaço traumático e hostil para o idoso e pode


afetar o processo terapeê útico.

Como em túdo na vida, a hospitalização tem aspectos negativos e positivos para o idoso.
Seraú qúe tem mais aspetos negativos oú positivos?

Muitos idosos são internados pela primeira vez nesta fase da vida. Estaã o habitúados a
realizar as súas tarefas, cúidar deles e por vezes veêm-se obrigados a depender de
terceiros, o qúe lhes caúsa úm mal-estar pois sentem-se dependentes e sentem qúe deixaram
de ter controlo sobre a súa vida e decisoã es, tornando-se este, múitas vezes, um aspeto
negativo.

Outros idosos, por seú lado, veeê m o internamento como úma "bóia de salvação" pois passam
a ter companhia, qúem lhes trate das refeiçoã es e lhes preste todos os cúidados baú sicos qúe úm
ser húmano precisa.

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Assim, eú importante saber jogar com estes dois lados do dado, dando úma certa
independência a quem necessita dela pra naã o se sentir úm "fardo" e por oútro lado
promover uma escuta ativa, apostando na relação de ajuda com todos os doentes que
estão internados.

ASPETOS NEGATIVOS: PERDA DO QUADRO DE REFERÊNCIAS; FAMÍLIA E AUMENTO DOS


NÍVEIS DE DEPENDÊNCIA

Internar sim mas em úú ltimo caso...túdo o qúe possa passar por cúidados domiciliaú rios, isto
sem lesão para o idoso, é muito melhor! Ateú porqúe naã o podemos esqúecer qúe a perda da
rotina múitas vezes eú o "início do fim..."

Para minorar devemos acima de túdo saber cúidar...sabemos qúe aà partida este tipo de
utentes são os mais apelativos e conseqúentemente os qúe reqúerem mais atençaã o.

Como garantia de úm bom cúidado, o cúidador deve ter sempre presente qúe o idoso aà súa
frente pode ser em espelho seú dentro de algúmas deú cadas, oú ateú mesmo úm familiar
proú ximo!

Vamos redúzir o impacto do internamento atraveú s da relação próxima e cúmplice com o


idoso, saber ouvir, saber falar, saber olhar...para saber atuar!

AÀ s vezes, nem eú preciso falar, basta um forte abraço oú estarem de mãos dadas enqúanto
partilham úma oútra atividade, como ver úm filme oú dar úm passeio. O conforto físico é
muito importante e, algúns estúdos mostram qúe as expectativas e os pensamentos
positivos podem trazer grandes benefícios físicos para um doente terminal.

O idoso pode sentir-se preocúpado em ser abandonado por aqúeles qúe o rodeiam oú
assústado ao pensar na possibilidade de ser separado do seú qúotidiano. Qúando se fala em
manter a vida de úm doente terminal o mais “normal” possíúvel, isto significa qúe se deve
integrar as suas necessidades pessoais na rotina diária de úma forma natúral.

O doente pode requerer cuidados específicos ao longo do dia e da noite mas, se a


pessoa estaú habitúada a cozinhar e a fazer as súas proú prias compras, por exemplo, deve
permitir qúe continúe a fazeê -lo (enqúanto tiver capacidades para isso mesmo).

O cuidador tem de ser a pessoa com o qual o doente deve poder sempre contar,
oú seja, deve estar ao seú lado para o oúvir e apoiaú -lo naqúilo qúe for preciso. Naã o deve,

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poreú m, tentar assúmir o controlo total da súa vida e das súas coisas, o doente sentir-se-ia
desacreditado oú rebaixado. É essencial deixar o doente tomar o maú ximo de decisoã es
possíúveis, assim ele sentir-se-aú em controlo de pelo menos úma parte da súa vida.

Autonomia da pessoa idosa

MINIMIZAR OS EFEITOS DAS HOSPITALIZAÇÕES NA VIDA DA PESSOA IDOSA:

NAS ATIVIDADES DA VIDA: HIGIENE E ALIMENTAÇÃO; SONO; OCUPAÇÃO E CONFORTO

A HIGIENE

eú úm ramo da medicina qúe visa a prevenção da doença.

A descoberta de qúe vaú rios microú bios caúsam doenças, fez com qúe a higiene se tornasse
fúndamental.

A limpeza do corpo, das roúpas, dos útensíúlios e das habitaçoã es, diminúiú sensivelmente o
risco de infeçaã o por fúngos, bacteú rias e víúrús.

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A higiene pessoal, cúidado baú sico para a saúú de e bem-estar do ser húmano, eú úma atividade
incorporada na rotina diaú ria e difere entre cúltúras e eú pocas. Entende-se por higiene pessoal
a corporal e íúntima, a oral e a do coúro cabelúdo.

Durante o envelhecimento e a doença, a capacidade de nos autocuidarmos diminui e a


carência de cuidados de higiene aumenta, como tal, o Agente em Geriatria (o cúidador)
deve contribuir para conservar a saúde e o bem-estar do idoso, prestando bons cuidados
de higiene.

A higiene pode ser:

 Parcial: EÉ aqúela qúe tem em conta os cúidados especíúficos de cada parte do corpo,
freqúentemente as regioã es com secreçaã o abúndante e maior careê ncia de higiene (cara e boca,
maã os, axilas, peú s e genitais).

OU

 Total: consiste no banho total, completo, desde a higiene ao corpo ateú ao cortar das
únhas e cúidados com o cabelo.

Na cama OU no chuveiro, consoante as caracteríústicas da pessoa de qúem se cúida.

O banho eú , normalmente, realizado mais para agradar a qúem cúida (senso de


responsabilidade) do qúe para atender a úma real necessidade oú desejo da pessoa cúidada.

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O banho diaú rio naã o se baseia tanto em reqúerimentos clíúnicos, mas sim em normas cúltúrais.
Algúmas delas valorizam o asseio e acreditam qúe o banho eú incompleto se naã o hoúver o úso
de vaú rios champoê s, sabonetes oú desodorisantes; oútras, poreú m, consideram o banho semanal
súficiente, naã o vendo sentido em “mascarar” o proú prio odor com prodútos perfúmados.

A frequência do banho depende das necessidades apresentadas pelas pessoas idosas. Em


algúmas circúnstaê ncias, pode ser dado apenas, por exemplo, duas vezes por semana. EÉ o caso
dos idosos com peles demasiado secas, dos muito enfraquecidos oú dos qúe, por
problemas de saúú de, se cansam facilmente.

ALIMENTAÇÃO

Dar de comer e beber o maú ximo qúe o doente púder. EÉ preciso ter pacieê ncia. Uma criança oú
adúlto doente, múitas vezes naã o qúer comer múito. Portanto, dar alguma coisa para comer
muitas vezes por dia.

A pessoa doente deve ter úma ALIMENTAÇÃO eqúilibrada. Os alimentos qúe saã o bons para
noú s quando estamos saudáveis saã o tambeú m bons qúando estamos doentes. As coisas qúe
nos fazem mal qúando estamos saúdaú veis fazem pior qúando estamos doentes.

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As pessoas doentes muitas vezes não têm apetite. Por isso, deve-se tentar melhorar o
sabor da comida. Mas deve-se ter cúidado com o qúe se úsa, porqúe pode provocar náusea
ou dor do estômago.

Melhorar o sabor da comida

Melhorar o sabor dos alimentos com ervas e condimentos. Júntar cebola e alho aos
gúisados e sopas, para dar sabor.

Tomar a refeiçaã o acompanhada de peqúenos goles de líúqúidos.

Mastigar bem os alimentos e movimentaú -los dentro da boca.

Beber aú gúa mistúrada com úma peqúena qúantidade de súmo de limaã o, antes das
refeiçoã es, estimúla o apetite.

A seguir descrevem-se alguns conselhos a dar aos doentes qúe teê m problemas em
alimentar-se:

Perda de apetite

Tentar naã o comer sozinho.

Comer sempre qúe tiver vontade.

Comer peqúenas porçoã es de alimentos leves, dos qúe mais gosta.

Fazer lanches nútritivos sempre qúe possíúvel.

Escolher alimentos energeú ticos e constrútores.

Tomar bebidas ricas em energia e proteíúnas, como o leite e o maheú.

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Evitar comidas com cheiro forte.

Perda de peso

Tentar fazer peqúenos lanches fora do horaú rio normal das refeiçoã es, mesmo qúe isso
signifiqúe comer 4 oú 5 vezes por dia. Uma peça de frúta eú úm oú ptimo lanche.

Comer alimentos ricos em proteíúnas para fortalecer os múú scúlos.

Adicionar gordúra aos alimentos, se for tolerada. A gordúra torna a comida mais
apetitosa e fornece mais energia.

Náuseas e vómitos

Esperar ateú ficar úm poúco melhor antes de fazer úma refeiçaã o, mas naã o deixar de se
alimentar.

Fazer refeiçoã es leves ao longo do dia.

Tomar líúqúidos entre as refeiçoã es.

Beber bebidas frias aos poúcos. Os súmos púros de frúta (caseiros) saã o melhor
tolerados.

Comer algúns alimentos frios.

Cozer os alimentos em aú gúa e sal.

Comer alimentos secos tais como bolachas de aú gúa e sal, paã o torrado, bananas.

Evitar alimentos múito temperados oú condimentados.

Evitar frútos aú cidos, tais como laranjas e oútros citrinos, ananaú s.

Evitar cafeíúna (cafeú e chaú ) e aú lcool.

Escolher alimentos qúe naã o sejam múito gordos oú múito doces.

Evitar preparar a comida qúando estiver com naú úseas.

Naã o se deitar logo apoú s ter comido. Se tiver de se deitar, recostar-se sobre almofadas

Fadiga, letargia

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Aceitar a ajúda de familiares e amigos na preparaçaã o da comida.

Comer alimentos qúe sejam faú ceis de comer e naã o precisem de preparaçaã o, por
exemplo, banana, abacate, amendoim e castanha de cajú, frúta fresca.

Se precisar de ficar na cama, manter os alimentos aà maã o.

Lembrar qúe a fadiga pode ser o resúltado de anemia.

SONO

Os “peqúenos sonos” saã o períúodos de repoúso normais qúe aúmentam aà medida qúe
envelhecemos;

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EÉ freqúente, os idosos qúeixarem-se de ter o sono múito leve, de acordar múitas vezes dúrante
a noite, oú ainda, de naã o dormir o súficiente.

Eis algumas razões:

 Insónia – caúsada por medicamentos; dores; tristeza; sentimentos de abandono;


ansiedade; demeê ncia; depressaã o

Observe se o idoso estaú desconfortaú vel na cama, sentindo dor oú mal-estar, medo,
insegúrança, falta de carinho oú a companhia de algúeú m no qúarto;

O idoso pode acordar para úrinar vaú rias vezes, e perde o sono; neste caso, procúre deixar o
úrinol perto da súa cama, evitando qúe ele vaú ao WC.

OCUPAÇÃO E CONFORTO

A ocupação do idoso eú úma forma deste se esqúecer do tempo qúe passa no hospital,
contribúindo para isso, a conversa com os colegas de qúarto, o ver televisaã o, ler livros, jornais,

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entre oútros. Todas estas atividades minimizam a súa possíúvel solidaã o e conseqúente
depressaã o.

A forma como um idoso se veste diz múito sobre a maneira como se trata e sobre a súa
higiene pessoal. Múitas vezes, os idosos teê m dificúldade em levantar os braços, em dobrar-se
oú inclinar-se, mas isso naã o qúer dizer qúe sejam desleixados na súa maneira de vestir. A
melhor opçaã o passa por selecionar roúpas mais largas, mais praú ticas e mais confortaú veis para
a prossecúçaã o das súas atividades e exercíúcios diaú rios.

O conforto que o vestuário proporciona pode ser dividido em três categorias distintas:

O conforto físico: Refere-se aà útilizaçaã o de roúpas qúe protegem úm determinado


indivíúdúo da húmidade, do calor, do frio e ajúda-o a sentir-se fisicamente confortaú vel e segúro;

O conforto psicológico: O vestúaú rio eú úma forma de identificaçaã o pessoal e espelha


úm traço da personalidade de úm indivíúdúo. O conforto psicoloú gico do vestúaú rio estaú
associado ao bem-estar de úm indivíúdúo e aà forma como se apresenta perante a sociedade,
podendo elevar a súa aútoestima e aútoconfiança.

O conforto social: Uma pessoa sente-se confortaú vel oú desconfortaú vel ao útilizar úm
determinado tipo de roúpa núm determinado evento oú acontecimento social. EÉ normal qúe
úma pessoa qúeira deixar úma boa impressaã o atraveú s do vestúaú rio qúe útiliza e os idosos naã o
saã o exceçaã o.

AS VISITAS

A FAMÍLIA DA PESSOA IDOSA: apoio; informação; preparação/ensino

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A família eú úma únidade baú sica da organizaçaã o social e eú nela qúe o indivíúdúo se forma como
ser húmano. No caso de ser hospitalizado, toda a famíúlia eú confrontada com sentimentos de
ansiedade, de medo e de stress, os qúais os enfermeiros devem estar atentos, dúrante e apoú s
o períúodo de visita.

Qúando úm elemento da família é hospitalizado, as reaçoã es de cada familiar saã o diferentes


e as alteraçoã es qúe a doença provoca na famíúlia estaã o relacionadas com o papel social do
indivíúdúo qúe adoece, com a idade, com o sexo e com a proú pria estrútúra familiar. A doença de
úm dos membros vai converter-se em doença familiar, e todos sentiraã o a inflúeê ncia negativa
do sofrimento e da dor. É essencial que todos os profissionais de saúde estejam
sensibilizados para este aspeto, pois eú taã o importante cúidar do doente críútico, como da
famíúlia qúe o visita.

Durante o internamento de um doente, súrgem nos membros da súa famíúlia necessidades


especíúficas e estas dependem de vaú rios fatores: do níúvel de desenvolvimento em qúe se
encontra a famíúlia, das expectativas qúanto ao papel de cada membro, das crises, dos conflitos,
bem como das experieê ncias anteriores da família e satisfação familiar.

O APOIO EXTRA-HOSPITALAR

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O RECURSO A OUTROS RECURSOS DA SOCIEDADE: APOIO DOMICILIÁRIO; CENTRO DE
DIA E LAR

Esta resposta social, SERVIÇO DE APOIO DOMICILIÁRIO, consiste na prestaçaã o de cúidados


individúalizados e personalizados no domicíúlio, a idosos de ambos os sexos, a partir dos 65
anos e, excecionalmente, de oútras idades qúando a saúú de fíúsica oú mental o jústifiqúem.

Serviço de Apoio Domiciliário assegúra a prestaçaã o dos segúintes serviços:

Confeçaã o e distribúiçaã o de refeiçoã es

Higiene Pessoal

Higiene Habitacional

Tratamento de Roúpas

O Serviço de Apoio Domiciliário realiza ainda as seguintes atividades:

Açoã es de Sensibilizaçaã o

Açoã es de Informaçaã o

Atividades sociocúltúrais

OS CENTRO DE DIA proporcionam, aleú m da alimentaçaã o diaú ria (peqúeno-almoço, almoço e


jantar), da higiene pessoal, do tratamento de roúpas e da assisteê ncia meú dica e de enfermagem,

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o convíúvio e todo úm conjúnto de atividades ligadas à ocupação do idoso, facilitando ainda
o transporte de casa para o CA e vice-versa.

Incentivam a execução de trabalhos artesanais, costúra, rendas, pintúra, jardinagem, visitas


cúltúrais e recreativas, passeios e a freqúeê ncia de coloú nias de feú rias.

OS LARES saã o úma resposta social desenvolvida em estabelecimento para alojamento


coletivo, de útilizaçaã o temporaú ria oú permanente, para pessoas idosas em sitúaçaã o de risco oú
de perda de independeê ncia e oú aútonomia, beneficiando de atividades de apoio social e
cúidados de saúú de.

Privilegia-se e incentiva-se o espírito de interajuda e valorização pessoal,


individúalizando o mais possíúvel o acolhimento de cada idoso.

Serviços Prestados

Alojamento;

Cúidados de Higiene e Conforto pessoal;

Refeiçoã es, nomeadamente, peqúeno-almoço, almoço, lanche e jantar;

Cúidados Meú dicos e de Enfermagem - Tratamento de Roúpas Pessoais;

Limpeza e Manútençaã o dos Espaços.

Os Estabelecimentos promovem ainda as seguintes atividades:

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Atividades de Animaçaã o Sociocúltúral, Recreativa e Ocúpacional;

Assisteê ncia Religiosa

Podem ainda facilitar o acesso a um conjunto de atividades e serviços qúe naã o se


encontram inclúíúdos na comparticipaçaã o familiar e qúe poderaã o ser úsúfrúíúdos mediante
pagamento das mesmas, como:

Consúltas de especialidades meú dicas;

Serviço de Cabeleireiro;

Atividades cúltúrais e de lazer externas;

Serviço de manicúra/pedicúra;

Fisioterapia;

Oútros serviços

A ALTA MÉDICA E CONTINUIDADE DA PRESTAÇÃO DE CUIDADOS

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CONSULTAS; MEDICAÇÃO; EXAMES/TRATAMENTOS

O aumento do número de pessoas idosas, a indisponibilidade das famíúlias para prestar


cúidados e a insúficieê ncia de estrútúras e serviços cria novas necessidades de cúidados de
saúú de a pessoas em situação de dependência.

A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados sitúa-se núm níúvel intermeú dio de
cúidados entre os de internamento hospitalar e os de base comúnitaú ria, pretendendo a
prestaçaã o de cúidados núma perspetiva de reabilitaçaã o e/oú satisfaçaã o de necessidades aà
pessoa dependente, assim como a participaçaã o e coresponsabilizaçaã o da famíúlia na prestaçaã o
de cúidados enqúanto núú cleo privilegiado para o eqúilíúbrio e bem-estar da pessoa idosa oú em
sitúaçaã o de dependeê ncia

Na conjuntura atual de crise económica e austeridade, cada vez mais súrgem políúticas de
saúú de orientadas para a assistência domiciliária em detrimento da hospitalização
tradicional, preconizando-se internamentos mais cúrtos, pelo qúe os doentes víútimas de
doenças croú nicas saã o encaminhados para o cúidado das súas famíúlias independentemente das
súas condições sociais, económicas, psicológicas, físicas, conhecimentos oú condiçoã es
habitacionais adeqúadas.

Os enfermeiros entendem que o conhecimento das condições físicas do domicíúlio e


recúrsos econoú micos familiares permitem adeqúar o planeamento de atividades qúe
permitam a recuperação do utente adaptada aà realidade qúe posteriormente encontraraã o no
domicíúlio.

Por oútro lado, referem ainda qúe a própria dependência dos idosos eú condiçaã o bastante
para dificúltar a preparação da alta para domicílio nomeadamente no qúe diz respeito aà
incapacidade para o aútocúidado resúltante de limitações físicas e mentais irreversíveis,
assim como a acomodaçaã o oú falta de motivaçaã o dos idosos em participar no seú processo de
recúperaçaã o.

Apesar do importante papel da família no cuidar do idoso dependente, os enfermeiros


identificam qúe o processo de preparaçaã o para a alta eú dificúltado pela desresponsabilizaçaã o e
falta de interesse da família, pela perceçaã o do estado real do idoso e por vezes pela
dificúldade de conjúgaçaã o de horaú rios entre eqúipas prestadoras de cuidados e familiares.

AS CONSULTAS

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A comunicação empática na relação médico-paciente estaú sendo novamente valorizada na
atúalidade, definida como úma habilidade cognitiva, passíúvel de ser ensinada e aprendida, e
qúe envolve a compreensaã o dos sentimentos do paciente. Na relação médico-paciente idoso
existem expectativas claramente definidas. De úm lado, os idosos precisam da ajúda dos
meú dicos; reciprocamente, os médicos comportam-se de maneira altruísta e dispoã em de
conhecimentos especializados qúe permitem atingir o objetivo comúm de ambos: a cura. O
papel do meú dico caracteriza-se, antes de túdo, pela sua preocupação com o bem-estar do
paciente, em oposiçaã o a oútras profissoã es orientadas primeiramente pela procúra do lúcro.

Nas consúltas, o idoso deve sentir-se completamente aà vontade com o medico para qúe possa
expor túdo aqúilo qúe sente, receia, as súas insegúranças, sendo qúe dessa forma o meú dico
pode medica-lo, oriatenta-lo e trata-lo da melhor forma possíúvel. Neste campo de
tratamento inclúem-se os medicamentos, os TRATAMENTOS indicados e os EXAMES, qúando
necessaú rios.

Bibliografia
Manúal do formador: Apoio a idosos em meio familiar – Maria do Carmo Cabeê do
Sanches e Faú tima Joaã o Pereira, Projecto Delfim, s.d.

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MURRAY, M.E.; ATKINSON, L.D. Fúndamentos de Enfermagem –introdúçaã o ao processo
de enfermagem. Rio de Janeiro: Gúanabara Koogan, 1989.

SCHULL, P. D. Enfermagem baú sica – teoria e praú tica. Saã o Paúlo: Rideel, 2000.

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