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Estudos Técnicos e Dicas Para

Percussão Marcial

- por Rodrigo Cordeiro -


Introdução

Tendo em vista a realidade encontrada nas bandas marciais no estado do Rio Grande do Sul
percebe-se que, apesar de estarmos em plena era da informação, ainda existem estudantes de
percussão que possuem dúvidas ou que nem sequer sabem uma forma funcional e efetiva para a
prática do aprendizado. Este guia prático vem para auxiliar estes estudantes com a finalidade de
otimizar a sua rotina de exercícios de uma maneira eficaz.
Este guia é composto por 5 capítulos onde, em cada um, são abordados temas diferentes mas
que interagem entre si.
No primeiro capítulo, o percussionista encontrará uma explicação simples e consistente
sobre leitura rítmica e em poucos passos conseguirá desenvolver uma boa leitura prática dos
exercícios posteriores.
O segundo capítulo trata dos pré-fundamentos e fundamentos básicos dos tipos de toque,
bem como os 40 rudimentos da Percussive Arts Society International Drum Rudiments, com divisão
por célula rítmica.
No capítulo 3, o estudante receberá informações sobre pratos, suas técnicas e legendas
específicas.
No quarto capítulo, são introduzidos exercícios conhecidos no meio da percussão
rudimentar, onde o percussionista terá uma pequena amostra e a oportunidade de aprender como são
feitos os estudos nas drum corps. Neste capítulo o estudante também encontra um Bônus, no qual
será anexado as 10 folhas do nacionalmente conhecido Tchá-Degga-Da, que é um grupo de
percussão no estilo das drum corps fundado e idealizado pelo grande mestre e professor John Grant.
O Capítulo 5 traz alguns arranjos para percussão marcial com grade para caixa, tenor,
bumbo e prato. Lá o estudante poderá ter uma boa ideia de como funciona a aplicação dos
exercícios dos capítulos anteriores em uma banda marcial de percussão.
É importante lembrar que nem todo este material é de minha autoria. Parte do material são
exercícios que pratiquei ao longo dos anos estudando sobre percussão marcial e drum corps. Vale
lembrar que algumas nomenclaturas foram traduzidas livremente do inglês, portanto, seria normal
que em outros lugares do Brasil essas nomenclaturas sofressem algumas alterações, pelo fato de
ainda não existir um vocabulário brasileiro oficial para tais expressões utilizadas na percussão
marcial.

Bons Estudos!

rcbaterista@gmail.com
fb.com/cordeirobatera

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Capítulo I

Leitura Rítmica:
É muito importante que o percussionista estude teoria musical, principalmente o ritmo, pois
é através dele que é possível criar e reproduzir uma peça, sendo ela para percussão marcial ou não.
Abaixo, uma breve explicação referente a leitura rítmica, necessária para dar segmento aos estudos.

Tempo:
É o nome dado à pulsação básica subjacente de uma composição musical qualquer.

Compasso:
É uma forma de dividir quantitativamente em grupos os sons de uma composição musical,
com base em pulsos e repousos

Fórmula de Compasso:
Normalmente aparece no início da música para que seja reconhecido a acentuação natural e
o valor das notas em relação ao tempo.
Veja abaixo, o significado resumido da formula de compasso:

← Quantidade (número de tempos por compasso)

← Qualidade (valor em tempo das notas)

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Subdivisão das notas para compassos simples:

Nome Nota Pausa Valor


Semibreve
1
Mínima
1/2

Semínima
1/4

Colcheia
1/8

Semicolcheia
1/16

Fusa
1/32

Semifusa
1/64

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Para entender a subdivisão simples da unidade de tempo, subdividimos o tempo em quatro
quartos, sendo o tempo representado pelo número e os demais quartos sendo as letras “i e a”,
respectivamente.
Ex.:

O exemplo acima mostra como será subdividido o tempo, desta maneira, a prática das
células rítmicas fica de melhor entendimento quando temos algo como:

Quando tocamos, a manulação também é muito importante e segue de uma forma natural
alternada entre a subdivisão acima. Perceba que no exemplo abaixo as subdivisões que foram
utilizadas são as mesmas descritas acima, porém com a manulação natural alternada:
Ex.1:

Ex.2:

Exercícios de fixação da manulação alternada:

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Capítulo II
Vamos falar agora sobre empunhadura nos atentando aquela mais utilizada para tocar os
instrumentos de percussão marcial - podendo variar de acordo com a corporação. Os exemplos
abaixo servem também para qualquer instrumento em que se utilize baquetas. Lembre-se de que
esta não é a única forma de empunhadura, mas é a de melhor aceitação e melhor ergonomia entre os
percussionistas.

Empunhadura Convencional

Perceba na imagem ao lado que a baqueta da mão


direita atua como se fosse a continuação do antebraço. Os
braços, mãos, punhos e dedos devem manter-se sempre relaxados.

Iniciamos o movimento dobrando o


punho. É importante manter todos os dedos
encostados na baqueta.

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Empunhadura Tradicional

A baqueta deve ficar encaixada


completamente no polegar sem que haja espaço.
É muito comum alguns percussionistas
deixarem uma pequena folga, portanto, evite
que isso aconteça.

O dedo anelar fica embaixo da baqueta


apoiando-a, é muito importante que a baqueta
fique próxima do início da unha.

Finalmente, o dedo indicador e médio


devem ficar apoiados sobre as baquetas e o
polegar ficará encostado na falange distal do
dedo indicador.
A baqueta, portanto, ficará seguindo a curva
natural da mão aberta.

“Ponto Zero”

Chamamos de “ponto zero” a


posição inicial das baquetas antes de
tocar. Na imagem ao lado é possível
ver esta posição aplicada a
empunhadura tradicional.

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Tipos de Toque:
Atualmente, existem várias maneiras e definições para os tipos de toques aplicados para
percussão com baqueta. Mostrarei aqui a metodologia que considero mais completa e que funcionou
para mim.

Full, Down, Tap e Up Stroke

* Full Stroke: Toque forte. É executado um acento e no final do toque a ponta da baqueta volta
para o ponto mais alto;

* Down Stroke: Toque forte precedendo toque piano. Semelhante ao Full porém, ao final do
toque a ponta da baqueta ficará mais próxima da superfície a ser tocada, pois o próximo toque será
piano;

* Tap Stroke: Toque piano ou não acentuado. A baqueta volta para o mesmo lugar de antes de
ser tocada, entretanto, o toque não é acentuado;

* Up Stroke: Toque piano ou não acentuado que precede um toque forte. Neste, a baqueta
volta para o ponto mais alto após a execução do tap.

Legenda:

Tap Acento Acento Marcato Tenuto

Duplo (duas notas) Duplo Alternado Duplo (quatro notas)

Buzz ou press Rim Shot (tenor e caixa) ou Aro (bumbos) Cruzamento (tenor)

Nota: Na percussão marcial é muito comum a utilização de coreografias corporais e principalmente


visuais com as baquetas denominado popularmente como “stick tricks”, neste guia de estudos não
será abordado este assunto, por se referir a uma abordagem diferente da desejada agora. Portanto,
neste material será trabalhado exclusivamente, a parte sonoridade musical, pois este fator é o que
precisa ser visto primeiramente, para que futuramente seja feito uma pesquisa sobre visuais para a
percussão.

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Notação para Tenor:

Notação para Bumbo:

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Rudimentos

É essencial que todo o percussionista conheça os 40 Rudimentos da Percussive Arts Society


International Drum Rudiments:

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Para estudar os rudimentos de uma maneira eficaz e que contribua para a musicalidade do
percussionista, é fundamental que entendamos qual é a função de um rudimento.
Rudimentos são os “macetes” necessários para se executar qualquer tipo de peça para caixa
ou qualquer outro instrumento onde se utilize baqueta, podendo se estender até mesmo para técnicas
de percussão com as mãos em instrumentos como: congas, bongôs, atabaques, entre outros.
O ideal para a funcionalidade do rudimento é tocá-lo como uma célula rítmica, esta maneira
facilita a assimilação do mesmo.
Ex.:
Single Paradiddle

No exemplo 1 temos o rudimento single paradiddle em sua forma crua sem a acentuação.
Coloquei desta maneira para que seja observada apenas a manulação do exemplo.
No exemplo 2 observamos novamente o single paradiddle, desta vez mostrando a
manulação da forma crua, porém com pausas onde seria a mão esquerda, e a mão direita sendo
executada normalmente.
Enfim, no terceiro exemplo temos o rudimento single paradiddle exemplificado através de
célula rítmica mostrando como seria a interpretação do mesmo em uma ideia musical e não apenas
atribuído a uma série de manulações. Siga este exemplo para todos os outros rudimentos.
Obs.: O exemplo acima também pode ser executado com a mão esquerda.

Exercícios aplicados aos rudimentos:


Agora, alguns exercícios desenvolvidos para aperfeiçoar a prática dos rudimentos.
Single Stroke Roll:

Single Stroke Four:

Single Stroke Seven:

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Multiple Bounce Stroke:

Triple Stroke Roll:

Double Stroke Open Roll:

Five Stroke Roll:

Six Stroke Roll:

Seven Stroke Roll:

13
Nine Stroke Roll:

Ten Stroke Roll:

Eleven Stroke Roll:

Thirteen Stroke Roll:

Fifteen Stroke Roll:

Seventeen Stroke Roll:

Single Paradiddle:

Double Paradiddle:

Triple Paradiddle:

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Paradiddle-diddle:

Flam:

Flam Accent:

Flam Tap:

Flamacue:

Flam Paradiddle:

Single Flammed Mill:

Flam Paradiddle-diddle:

Pataflafla:

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Swiss Army Triplet:

Inverted Flam Tap:

Flam Drag

Drag:

Single Drag Tap:

Double Drag Tap:

Lesson 25:

16
Single Dragadiddle:

Drag Paradiddle #1:

Drag Paradiddle #2:

Single Ratamacue:

Double Ratamacue:

Triple Ratamacue:

Obs.: Os exercícios acima foram extraídos do site: vicfirth.com.

Pratique todos os exercícios lentamente buscando sempre a clareza das notas, evite “flams”
indesejados e não altere o andamento até que seja executado facilmente.
É de extrema importância a utilização do metrônomo para o estudo dos exercícios.

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Capítulo III
Neste capitulo trataremos de um assunto e um instrumento muito importante para a
percussão marcial, os pratos.
Tendo em vista a escassez de informações obtidas no Brasil referente a percussão marcial, a
baixo foi traduzido as explicações sobre a técnica e legenda específica para o naipe de pratos de
uma banda marcial.
Importante: algumas nomenclaturas são em inglês ou em tradução livre, pelo fato de ainda
não haver uma material oficial para pratos de mão que aborde drum corps no Brasil.

O básico:

Amarrando o nó na correia dos pratos:

Partes do prato:

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Empunhadura Garfield:

A empunhadura Garfield é altamente recomendada uma vez que o peso do prato é


distribuído sobre toda a superfície da palma da mão. Esta empunhadura é o meio mais eficaz de
controlar os pratos e, ao mesmo tempo, reduzir a tensão na mão.
Passo 1 - Segure o prato na posição vertical e coloque toda a mão através da correia até o
pulso.
Passo 2 - Vire a mão para que a palma fique voltada para fora do prato.
Passo 3 - Gire a mão inteira para baixo e vire a palma da mão para o prato até tocar na
almofada. A alça deve apoiar na base entre o polegar e o indicador.

Observação: A correia pode ter de ser afrouxada se o prato ficar muito apertada. É importante
manter as pontas dos dedos para fora da superfície do prato, a fim de permitir que o instrumento
possa vibrar livremente.

Posturas:

Posição Para Tocar ou Sentido (set position): Esta é a posição


ao iniciar ou terminar um exercício ou música. Há outros casos em
que essa posição é utilizado, mas estes são os mais comuns. Observe
os cotovelos ligeiramente dobrados e o punho na posição mais reta
possível, seguindo o sentido do antebraço. Isto ajuda a manter os
pratos paralelos um ao outro, e perpendicular ao chão. É importante
notar que os pratos não devem encostar no tronco do percussionista.

Posição Relaxada ou Descansar (relaxed position): Esta é a


posição em que o percussionista fica enquanto espera por algo, como
instruções ou quando o grupo quer manter uma aparência uniforme.
Os pratos são posicionados contra a parte inferior do corpo, direita
para a esquerda, com a borda do prato direito debaixo da almofada da
esquerda. Os pés estão na largura dos ombros nesta posição.

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Posição Orquestral ou Horizontal (orchestral, horizontal ou
flat position) - Esta é a posição mais utilizada para tocar. A partir
desta, é possível fazer quase todas as técnicas de prato necessárias,
como flat crashes, crash chokes, orchestral crashes, sizzles, sizz/sucks
e hi-hat chokes.

Posição Vertical (vertical position ou port position) - Esta é


uma posição muito utilizada também. Para fazê-la é necessário deixar
os pratos verticalmente paralelos em frente ao rosto. A partir desta
posição é possível fazer port crashes, eval crashes, sizzles, sizz/suck,
taps, dings, e zings.

Posição de Abafamento/Silenciamento (choke position) - para


realizar esta posição o percussionista deve apoiar ambos os braços
sobre o tórax e a lateral do abdome, como mostrado. Essa posição é
utilizada para realizar crash chokes e clicks.

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Tipos de Toque:

O Flam: é um conceito básico


da técnica de prato que é adotado na
seção de pratos de renome mundial do
Santa Clara Vanguard Drum & Bugle
Corps. Este "flam" é algo que vai
ocorrer de alguma forma em cada
único ataque de prato que é percutido.
A imagem à direita ilustra o ponto de
contato que possibilita tocar a fim de
alcançar este objetivo, o "flam" com
um orchestral crash a partir da
posição horizontal. Neste caso, a
imagem aponta para o primeiro
contato a ser feito pela borda direita
do prato direito, cerca de 3 polegadas
dentro da margem do prato esquerdo.
Naturalmente, uma vez que este
contato foi feito, o ataque com as
bordas opostas dos próprios pratos
acontecem imediatamente depois, da
mesma forma que um flam tocado na
caixa. Esta técnica permite-lhe atingir
o volume máximo com ambos os
pratos, enquanto exerce apenas uma
quantidade moderada de força.

O Ataque Orquestral (orchestral crash):

O ataque orquestral (orchestral crash) é um tipo de ataque que pode ser tocado na posição
horizontal ou vertical. Se tocado na posição vertical, ele é chamado de Eval. Começando a partir da
posição horizontal, mova as bordas direitas dos pratos longe um do outro, em seguida, usando um
movimento de "onda" traga essas bordas de volta para o outro, com o objetivo de realizar um "flam"
como na foto acima. Quando os pratos se tocarem, certifique-se de endireitar os dedos para que o
som seja amortecido o menos possível. Imediatamente após o ataque, realize o mesmo movimento
de onda, mantendo os dedos estendidos, para possibilitar a vibração dos pratos. E finalmente, se
retorna à posição inicial.

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Ataque para Frente (Flat Crash ou Forward Crash)

O Ataque para frente (flat ou forward crash) é provavelmente o mais utilizado dos ataques
de prato. Este toque utiliza três movimentos muito nítidos e distintos, são eles: a preparação, o
ataque e o recuo. Para a preparação, você faz dois movimentos: com o braço direito, puxe o prato
todo para trás, após o seu ombro, em um movimento nítido e preciso. Ao mesmo tempo, firme o seu
pulso esquerdo para cima, similar ao movimento utilizado no prato esquerdo para o flam. Para o
ataque, você vai realizar o toque com o seu braço direito para a frente, com o objetivo de entrar em
contato com o prato esquerdo aproximadamente 3 polegadas de distância da sua borda mais
afastada. Isso irá garantir que você obtenha um flam de qualidade e, portanto, um ataque imponente.
Você vai continuar empurrando o prato para a frente até o seu braço direito estar completamente
estendido. Para o recuo, rapidamente traga os pratos de volta à posição horizontal, mantendo os
dedos estendidos para preservar a vibração percutida.

Ataque Guilhotina (Guillotine Crash):

Também muito utilizado, o ataque “guilhotina” (guillotine crash), se dá pelo movimento


vertical do prato direito em direção do esquerdo, que fica na horizontal. Verifique na imagem acima
que o percussionista estende todo o seu braço direito para cima enquanto o prato da mão esquerda
fica na posição horizontal. Após, rapidamente o braço direito deve ser abaixado simulando um
movimento de guilhotina. A mão esquerda deve estar firmemente posicionada para receber tal
ataque do prato na mão direita. Finalmente, os pratos voltam a posição inicial ou ainda, podem ir
para a posição de sentido (set position). É importante lembrar que para que o ataque saia com
qualidade, o percussionista tem que evitar encostar os dedos no prato, para que assim, o som
desenvolvido seja completo.

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Ataque Fatiar (Slice Crash):

Este ataque tem este nome pois o movimento que o prato da mão direita faz simula que o
prato está “fatiando” algo. O movimento inicia na posição horizontal, após, o percussionista ergue o
braço direito em diagonal para o lado esquerdo, como aparece na imagem acima, na segunda figura.
O ataque é feito com o prato direito percutindo o esquerdo, tocando no momento onde o prato
superior passar em torno de 3 polegadas do inferior. O prato da mão direita deve descer na diagonal
oposta até o braço ficar semi estendido. Depois, retorna-se a postura inicial, a posição horizontal.

Nota: há também um sequência de movimentos muito interessante, onde o percussionista faz o


slice crash e em seguida o forward chash. Esta combinação é um ótimo exercício para o estudo das
técnicas e também dos visuais feitos pelos pratos.

Chiado/Vácuo (Sizz/Suck):

O chiado/vácuo (sizz/suck*) pode ser tocado em qualquer uma das posturas, vertical ou
horizontal. O chiado é realizado por percutir com cuidado os pratos e mantendo-os próximos uns
dos outros de uma forma que lhes permite vibrar contra o outro por alguns segundos. Você deve
manter os dedos afastados dos pratos para conseguir ressonância de qualidade. O vácuo é realizado
empurrando o prato da mão direita em direção do outro, com a intenção de criar um efeito de
sucção, assim rapidamente, silenciando o som dos pratos. Você pode ajudar a interromper o som
com os dedos, encostando-os nos pratos.

Nota: É muito importante alinhar as bordas dos pratos, quando encostados, com um espaço
suficiente para que não crie o efeito "desentupidor", que poderá danificar o instrumento.

*Existe outro movimento com o prato que também se chama suck, ele será visto mais a frente.

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“Dings”: Tem esse nome por causa da onomatopeia causada
por este tipo de toque. Para tocara o ding será necessário tocar a parte
inferior da cúpula do prato esquerdo com a borda do prato direito. É
muito importante que você toque na parte correta da cúpula para
alcançar o som desejado. Lembrando que o percussionista deve
tentar endireitar os dedos para evitar o abafamento do prato.

Cliques (clicks, suck): Os cliques são realizadas a partir da


posição de abafamento (choke position), simplesmente tocando no
lado de baixo do prato da direita na borda do prato esquerdo. O
resultado, é um som de um clique quase mudo.

“Zings”: Assim como o ding, o


nome é dado em função da
onomatopeia produzida pelo
movimento. Para realizar o “zing”, o
percussionista inicia com o contato dos
pratos no mesmo ponto que se faz no o
ding, só que desta vez, deve-se arrastar
a borda do prato direito ao longo da
parte de baixo do prato esquerdo,
deslizando em cada ranhura até o final
do prato. O resultado é um efeito
sonoro muito brilhante.

Taps: Os "taps" são realizadas em uma variação da posição


vertical. inclina-se os topos de ambos os pratos, voltando-os uma para o
outro, produzindo um toque com a parte inferior do prato à direita para a
borda do prato esquerdo, simulando o som de uma baqueta percutindo o
prato.

Tap com abafamento (tap chokes): São uma versão mais agressiva do tap, onde se executa
um tap forte e, em seguida,coloca-se os pratos imediatamente na posição de abafamento (choke
position), emudecendo o som. As bordas mais distantes do prato são, normalmente, utilizadas para
esta técnica.

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Abafamento de Ataque (crash choke): Este, é geralmente, um ataque pra frente (forward
crash) que termina na posição de abafamento imediatamente após o ataque do prato. Esta é uma das
técnicas mais impactantes quando feita corretamente.

Hi-hat: Tocado na posição horizontal (horizontal position), o hi-hat é tocado abrindo e


fechando os dois pratos com as bordas alinhadas e encostando no corpo, como mostra a imagem
abaixo. O som produzido é similar ao som o chimbal da bateria.

“Crunch”: Este é como o Hi-hat, porém os pratos ficam na posição horizontal, sem encostar
as bordas entre si ou no corpo antes de tocar percurtir. Depois de tocar os pratos voltam a posição
horizontal.

Rolo de Prato (cymbal roll): Para realizar os rolos de prato o percussionista deve utilizar os
pratos na posição vertical (vertical position) e então, pressioná-los um em frente ao outro com um
espaço entre 3 e 4 polegadas das bordas. No próximo passo, deve-se girar os pratos no mesmo
sentido, porém, o movimento se inicia com o prato da mão direita e em seguida o prato esquerdo. A
duração do som dependerá do valor correspondente da nota exigida. Acompanhe a imagem abaixo
para melhor assimilação.

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Legenda:

Após ver todas essas técnicas para os pratos, abaixo, está a legenda indicada para a
realização de cada movimento. Lembrando que dependendo da escrita, esses sinais podem variar,
mas sempre estarão explicados na partitura a que técnica se referem.

Exercício para pratos:

Exercício para Sizzle/Suck

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Capítulo IV
Este capítulo será dedicado para mostrar alguns dos exercícios mais utilizados nas Drum
Corps, possibilitando ao percussionista adquirir o conhecimento da técnica aplicada pelas mesmas.

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É muito comum alguns exercícios serem reconhecidos pelo som que realizam. Alguns dos
exemplos abaixo são nomeados com a onomatopeia que produzem ao serem executados.

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Anexo As“10 Folhas”

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Obs.: O anexo “As 10 folhas” (página 31 à 40) foi pesquisado na página do Facebook do grupo
Thá-Degga-Dá e (até o momento) é disponibilizado gratuitamente no site:
https://www.facebook.com/media/set/?set=oa.754635637892827&type=1
(06, nov. 2015)

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Capítulo V
Neste capítulo, estão exercícios muito comuns para o grupo de uma banda de percussão. São
exemplos excelentes para o estudo da técnica, pois trabalham o aspecto individual e de conjunto.
No momento da realização destes exercícios é recomendado aos percussionistas, para o estímulo da
percepção musical, atentar-se aos outros instrumentos além do próprio. Desta forma, é possível
aprimorar o conhecimento técnico, bem como, auxiliar o desenvolvimento do conjunto de toda a
banda para que o mesmos possam tocar em harmonia e com precisão.

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Conclusão

Este material foi criado para auxiliar todos os percussionistas que ainda não têm ou
desconhecem a técnica exigida para se tocar em uma banda de percussão marcial. O material
coletado e o desenvolvido foi dedicado aos interessados em aprender e a corrigir os erros técnicos
que ainda cometem.
É muito importante destacar que o caminho para se tornar um bom músico é longo e sempre
repleto de desafios. Os estudos são sempre necessários para desenvolver novas técnicas e manter as
habilidades que já possuímos. Outra coisa tão importante quanto estudar é estarmos dispostos a
aprender sempre mais, com sabedoria para compreender as críticas e discernimento, que nos faz
escolher o caminho certo possibilitando alcançar os nossos objetivos.
Talvez a melhor “dica” que eu possa ensinar com este material não seja apenas sobre
técnica, mas também sobre sermos pessoas melhores aprendendo a escutar sem achar que estamos
sempre com a razão. Sejam humildes, isso serve para a vida toda e também para a música, essa arte
inspiradora que agrega as pessoas.

Bons estudos e até a próxima!

rcbaterista@gmail.com
fb.com/cordeirobatera

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