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Tiago emprega três figuras para designar a Palavra.

A 1ª figura esta no vs. 18: “ele nos gerou pela palavra da verdade,” Fomos tornados novas criaturas por um
ato divino, mas o instrumento utilizado foi a Palavra: “pela palavra da verdade”. A Palavra de Deus tem o
poder de nos tornar novas criaturas. Ela é o gérmen da nova vida.

A 2ª figura encontramos no vs. 21. Ela é o enxerto que, implantado no tronco de nossa vida, pode melhorar a
qualidade dos frutos. Melhor dizendo, ela pode produzir frutos em nós que de outra maneira não
conseguiríamos produzir. Tiago enfatiza e dá à Palavra de Deus para moldar e corrigir a vida dos seguidores
de Jesus Cristo.

A 3ª Figura a palavra chave é espelho. Todos sabem da utilidade de um espelho. E também sabemos de suas
limitações. Em termos de utilidade, o espelho reflete a imagem que somos. Mostra-nos como estamos.
Assim é a Palavra de Deus. Ela nos mostra o que somos e como estamos. “O homem é precisamente o que a
Bíblia diz que ele é”, disse Billy Graham. Em termos de limitação, o espelho, por si só, não muda nossa
fisionomia, como muitos gostaríamos. Eu me sentiria feliz se olhando para o espelho ele pudesse me tornar
mais bonito, mais atlético, mais jovem. Infelizmente, ele registra apenas o que eu sou. A simples leitura da
Bíblia não é um ato mágico que mudará as pessoas. Indicará suas deficiências, confrontando-as com a
verdade de Deus para suas vidas, e as pessoas, sabendo de suas deficiências, poderão corrigi-las.

Com estas três figuras Tiago nos mostra o valor das Escrituras. E nós como cristãos estamos convencidos
disso. Mas, o alvo principal de Tiago não é discutir o valor da Palavra. É, sim, mostrar o que ela pode fazer
na vida das pessoas. A partir daqui, ele define dois tipos de ouvintes, conforme o posicionamento das
pessoas diante da Palavra.

Há o tipo de ouvinte que se limita a ouvir. “Se alguém é ouvinte da palavra e não cumpridor, é semelhante a
um homem que contempla no espelho o seu rosto natural; porque se contempla a si mesmo e vai-se, logo se
esquece de como era” v. 23. Ou seja: O espelho mostra aquilo que somos de verdade!
Com isso podemos dizer que o cristianismo não deve ser um mero dever social. Deve ser um relacionamento
vivencial, profundamente preocupado com a personalidade integral do cristão, buscando levá-lo a uma
qualidade de vida cada vez melhor aos olhos de Deus.

O mero ouvinte vê as falhas por corrigir, mas não se incomoda e as esquece. Esse não é o procedimento
adequado. O conhecimento que temos de Deus e de sua santidade deve levar-nos também à santidade. Deus
não espera de nós que sejamos enciclopédias bíblicas ambulantes, mas santos. Em nossos dias a maior
necessidade das igrejas é ter cristãos santos!
Não estou usando o termo “santo” no sentido costumeiro, ou seja, que todos os salvos, por serem separados
para Deus, são santos. Mas, não é esta a conotação que dou à palavra aqui. “Santo” como agora emprego, é
o cristão que leva uma vida tão perto de Deus que impressiona o mundo com seu caráter. É preocupante a
falta de santidade dos cristãos.
Em contrapartida, há a classe do executor da obra: “aquele que atenta bem... não sendo ouvinte esquecido,
mas executor da obra, este será bem-aventurado no que fizer”. É prometido aqui uma bem-aventurança em
tudo àquele que é obediente à Palavra. A expressão “atenta bem” nos traz a idéia de uma pessoa debruçada
sobre a Palavra de Deus, examinando-a com muita atenção. Não é um leitor fortuito, banal, desinteressado,
daqueles cuja preocupação é terminar a leitura no menor tempo possível. É o leitor lento, acurado no que
examina. Ele verifica cuidadosamente se ensinamentos da Escritura. É um examinador.
Uma das maiores bem-aventurança de Jesus foi exatamente para os que obedecem à Palavra. O Evangelho
de Lucas 11:28 diz: “... Antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus, e a observam.”
Esta segunda classe ouve e pratica a palavra. Mas, pratica exatamente o quê? O contexto do cap. Nos mostra
que o que atenta para a palavra e a cumpre, assim o faz em três aspectos: controle da língua, compaixão
pelos necessitados e vida santa.
E a vida cristã, aqui, manifesta-se nos aspectos citados CONTROLE DA LINGUA, COMPAIXAO PELOS
NECESSITADOS E VIDA SANTA