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SEMEDO, Alice – Introdução: o domínio da prática, in Alice Semedo e João Teixeira Lopes

(Coord.) Museus, Discursos e Representações, Edições Afrontamento: Porto. ISBN10:972-36-


0818-9 pags.13-26, 2006.

Introdução
O domínio da prática: o discurso

Alice Semedo

Ninguém sabe melhor que tu, sábio Kublai, que nunca se


deve confundir a cidade com o discurso que a descreve.
E contudo entre eles há uma relação.

Italo Calvino, 2000:63

A motivação subjacente ao lançamento deste livro é apresentar um conjunto de reflexões sobre


a relação entre os conceitos de representação e discurso e o de museu, partindo de diversas
perspectivas disciplinares e cruzando abordagens e olhares múltiplos sobre a problemática do
museu enquanto espaço de discursos e representações.

Os temas propostos pelo colóquio “Museus, discursos e representações” de que este livro é o
resultado, exploraram e analisaram diversas narrativas museológicas consideradas cruciais na
forma como o objecto museológico se tem constituído e representado, tratando de revelar os
pressupostos em que se alicerçam os argumentos implícitos nos discursos e representações
museológicas: nos seus textos, na relação com os públicos, nas suas colecções, nas suas
exposições, na sua arquitectura. Quais são os contornos destas representações
museológicas? Como se constituem como um tipo de argumento? Que tipos de argumentos
são apresentados? Porque são importantes? Quais são os seus efeitos e consequências na
construção da profissão e do objecto museológico, na política museológica e nas suas
missões?

As questões aqui propostas assumem que a realidade apresentada por museus é uma
invenção: é o resultado de uma forma particular de construir a realidade e que este processo
está profundamente enraizado na ideologia da profissão. Os museus não reproduzem
meramente a realidade, os museus (re)definem essa mesma realidade no contexto da sua

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própria ideologia e, por essa razão, devem ser compreendidos como performers, criadores de
sentido, como práticas de significação.

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Normalmente, o termo “discurso” é utilizado como um conceito linguístico mas Foucault


conferiu-lhe um outro sentido, concentrando-se neste conceito como prática de representação.
O que interessava a este investigador eram as regras, as normas e as práticas que produziam
declarações significativas e que regulavam o discurso em diferentes períodos históricos. O
discurso é, para Foucault, o que constrói o “tópico”, o que define e produz os objectos do nosso
conhecimento. Esta abordagem implica que qualquer coisa só é “verdadeira” no âmbito de um
contexto histórico específico, o que faz com que seja essencial olhar para o campo semântico
no qual um qualquer encadeamento ideológico significa (Foucault 1973; 1978). É exactamente
este campo semântico que define a forma como o “tópico” pode ser estudado e pensado de
forma significante, influenciando a prática e a regulação de conduta. Para além disso, o
discurso nunca consiste numa única declaração, num texto, numa acção ou numa fonte. O
mesmo discurso, característico de um estado de conhecimento num tempo particular
(episteme), intervém através de uma série de textos e – como forma de conduta – num número
de diferentes locais institucionais numa dada sociedade. No entanto, quando estes eventos
discursivos “refer to the same object, share the same style and… support a strategy… a
common institutional, administrative or political drift and pattern” (Cousins e Hussain, 1984:84-
85), então, são compreendidos por Foucault como pertencendo à mesma formação discursiva.

Investigação recente tem reconhecido esta dimensão das ideologias e tende a concentrar-se
no papel mais amplo do discurso na cultura. Os discursos são considerados como forma de
“referência a” ou de “construção de conhecimento acerca de” um tópico de prática particular:
um grupo (ou formação) de ideias, imagens, práticas, que faculta estratégias para falar acerca
de formas de conhecimento e de conduta, associado a um tópico particular, a uma actividade
social ou a um local institucional numa dada sociedade. Estas formações discursivas, como
são conhecidas, definem o que é ou não é apropriado no desenvolvimento das nossas práticas
em relação a um sujeito particular ou a um local de actividade social; que conhecimento é
considerado útil, relevante e “verdadeiro” nesse contexto e que tipo de pessoas ou “sujeitos”
incorporam essas características. “Discursivo” tem-se tornado o termo geral utilizado para nos
referirmos a qualquer abordagem na qual o significado, representação e cultura são
considerados constitutivos.

Neste contexto é útil considerarmos ainda a teorização de Bourdieu que, comparado com
Foucault e como argumenta Craig Calhoun (1993), em geral, sugere uma forma de ultrapassar
a problemática relação entre a linguagem e a vida social, relacionando as condições sociais à
utilização da linguagem uma vez que acreditava que o poder da linguagem reside,

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precisamente, nas condições institucionais para a sua produção. Para além disso – é
importante notar – as instituições podem ser aqui compreendidas como grupos relativamente
estáveis de relações sociais que suprem os seus membros com determinados recursos. Ainda
que Bourdieu não negue a existência de sistemas / regras subjacentes, chama a atenção para
o facto de que se estão desprovidos, isentos de referência em relação à experiência sensorial,
a consequência pode ser que a liberdade do actor, do agente seja destruída (Bourdieu,
1992a:41).

Na sua opinião, o problema com a posição objectivista é, precisamente, que falha em


reconhecer a importância de práticas e estratégias; por outras palavras, o papel de agência na
vida do dia-a-dia. O “estruturalismo construtivista” resultante (May, 1996:125), promove um
exame empírico da interacção, da inter-relação entre as características subjectivas e objectivas
da vida social, sem abandonar a maior contribuição do legado estruturalista às ciências socais,
quer dizer “the relational mode of thinking…which identifies the real not with substances but
with relations” (Bourdieu, 1989:15-16).

O conceito seminal de habitus introduzido por Bourdieu (1984) pode, então, ser frutuosamente
utilizado como “a way of escaping from the choice between structuralism without subject and
the phillosophy of the subject” (Bourdieu, 1990:10); como uma reacção em relação ao
estruturalismo e a sua filosofia de acção que reduzia o agente ao papel de suporte ou veiculo
(Träger) da estrutura. Pelo contrário, Bourdieu desejava realçar de forma muito clara as
capacidades activas, inventivas, criativas do habitus e do sujeito (Bourdieu, 1992 b: 209 e 1989
b: 61). Esta noção pode ser compreendida como sendo mais ou menos sinónimo do conceito
de cultura (como a “way of life” de um grupo, de uma comunidade) proposto pelos estudos da
Escola de Birmingham. Cultura, para Bourdieu, refere-se aos recursos ou ao material, aos
códigos e enquadramentos que as pessoas utilizam na construção e articulação dos seus
pontos de vista, nas suas atitudes em relação à vida e estatuto social. O habitus refere-se a
estas práticas que reflectem contextos e pressupostos partilhados.

A palavra habitus indica qualquer coisa similar à palavra grega hexis que se relaciona com
comportamento, maneira, estilo. O habitus ele mesmo é compreendido como história
incorporada nos seres humanos. A sua existência é aparente em e através das práticas
sociais. O habitus é um corpo socializado, um corpo estruturado, um corpo que incorporou as
estruturas imanentes de um mundo ou de um sector particular desse mundo, de um campo, e
que estrutura não só a percepção desse mundo mas também a acção nesse mundo (Bourdieu,
1992 a: 110). Para além disso, o habitus é compreendido como um “projecto de classificação”,
que endereça princípios de classificação, princípios de “visão” e “divisão”. Estabelece
diferenças entre o que é bom e o que não é, o que pode ser feito, o que é certo e o que é
errado. Tal, de certa forma, está relativamente próximo do conceito de ideologia como “habitus
visual”, como “gramática do olhar” (Fyfe, 1996: 210-211).

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O habitus é, no entanto, um “open system of dispositions that is constantly subjected to
experiences, and therefore constantly affected by them in a way that either reinforces or
modifies its structures” (Bourdieu e Wacquant, 1992: 133). O habitus é, desta forma, não só um
grupo de disposições que um agente possui quando se enfrenta com o mundo social mas
implica igualmente uma “capacidade transformativa”.

O habitus é inculcado tanto pela experiência como pela aprendizagem / socialização, enquanto
o seu poder é compreendido como derivando da falta de reflexão que informa as suas
manifestações. De forma muito simples, as performances competentes são produzidas numa
base rotineira, no processo do qual significados objectivos são reproduzidos. O habitus pode,
por isso mesmo, ser considerado como uma forma de “subjectividade socializada” (Bourdieu e
Wacquant, 1992:126) onde a re-representação da história tem lugar em disposições que as
pessoas adquirem ao longo do tempo e trazem consigo para as situações sociais.

Cada neófito tem que considerar a ordem estabelecida no campo, com as suas regras próprias
do jogo, cujo conhecimento e reconhecimento (illusio) são tacitamente impostas a todos os que
entram o jogo. O “espaço do possível”, uma espécie de código específico cujo conhecimento e
identificação constitui o verdadeiro direito de acesso ao campo, deve pois ser também
considerado. Como uma linguagem, este código constitui quer uma censura – pelas
possibilidades que exclui – quer uma forma de expressão que confina com os limites definidos,
as possibilidades de invenção infinita que oferece; funciona como um sistema historicamente
situado, que percepciona projectos de apreciação bem como projectos de expressão que
definem as condições sociais de possibilidade – e, no mesmo acto, os seus limites – de
produção e circulação dos “produtos” do grupo. Estes projectos existem quer num estado
objectivo, nas estruturas que constituem o campo, quer num estado incorporado, nas
estruturas mentais e nas disposições que constituem o habitus (Bourdieu, 1992 b: 308). O
habitus é, por essa razão, uma forma de produção de práticas sociais e uma forma de
interpretar e avaliar práticas, “the habitus implies a “sense of one’s place” but also a “sense of
other’s place”” (Bourdieu, 1990:131) o que também significa que os processos de identidade no
habitus podem estar relacionados, de igual forma, com o estabelecimento da diferença. De
facto, a análise de estratificação de Bourdieu defende que os agentes utilizam formas de
identificação que lhes permitem distinguir-se de outros grupos.

A luta para a definição (ou classificação) dentro do grupo é conseguida através do


estabelecimento de fronteiras. Definir, defender fronteiras, significa controlar a sua entrada,
defender a ordem estabelecida do campo (Bourdieu, 1992 b: 257-258). Logo, a luta pelo
reconhecimento é uma parte central da vida social. A relação entre estas estratégias e a
posição social – onde a acumulação de formas de “capital” está em jogo – é aqui
compreendida dialecticamente (Bourdieu, 1989: 15).

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As estratégias dos agentes, o seu posicionamento, depende, neste sentido, do lugar que
ocupam na estrutura do campo, quer dizer, na distribuição do capital simbólico específico,
institucionalizado ou não (reconhecimento interno ou notoriedade externa) e que, através da
mediação das disposições que constituem o habitus, os predispõem a conservar ou
transformar a estrutura dessa distribuição e, por essa razão, a perpetuar as regras do jogo ou,
pelo contrário, a subvertê-las. No entanto, essas estratégias também dependem do “espaço de
possibilidades” herdado de lutas anteriores que, no final, tende a definir os posicionamentos
possíveis e a orientar a investigação, a procura de soluções e, portanto, da própria evolução da
produção (Bourdieu, 1992 a). O capital cultural refere-se aqui à competência cultivada,
conhecimento de projectos de classificação, códigos e convenções de formas culturais e
capacidade de expor esse conhecimento para vantagem social (Bourdieu, 1968). Nas palavras
de Bourdieu (1992 a), este capital social é mais precisamente a forma assumida de qualquer
tipo de capital quando compreendido através de categorias de percepção que são o produto da
incorporação das divisões e das oposições inscritas na estrutura da distribuição desse tipo de
capital (ex. conservador / visitante; arte / não-arte, etc.).

Como é acima sugerido, o habitus tem que ser compreendido em relação a um campo, caso
contrário seria dada prioridade ao sujeito em relação ao objecto e a centralidade do método
dialéctico de Bourdieu seria perdida. O habitus, como um valor de disposições adquiridas ao
longo do tempo, actua como um mecanismo generativo, entre a estrutura e a prática, que
constitui o campo como significante. Uma cumplicidade ontológica quase-que-inconsciente
existe, portanto, entre o habitus do agente e o campo. Ao mesmo tempo, os actores não são
meros suportes da estrutura. O emprego de estratégias num campo conduz ao
desenvolvimento de práticas que não são reduzíveis simplesmente a quaisquer regras
subjacentes ao campo.

Para além disso, encontramos em Bourdieu uma “dualidade da estrutura” na qual as estruturas
não são só o resultado mas o meio reflexivo da acção. A este nível podemos dizer que existem
paralelos entre o habitus e a ideia de estrutura de Giddens (Bourdieu, 1990:42). No entanto,
como nota May (1996:126), a noção de estratégia no trabalho de Bourdieu é substituída pela
ideia de regras, encontrada na ideia de estrutura de Giddens. De facto, em oposição aos
dualismos de acção e estrutura, Giddens dirige a sua atenção em relação à reprodução das
estruturas nas relações sociais. No seu lugar encontramos a dualidade da estrutura e o
processo de estruturação. A estrutura é compreendida como participando da “constitution of the
agent and social practices and “exists” in the generating moments of its constitution” (Giddens,
1979: 5). Esta reprodução é uma questão concreta, que se manifesta na “situatedness of
interaction in time and space” (Giddens, 1984: 110; 25).

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A estrutura torna-se pois conceptualizada quer como meio quer como resultado da produção e
reprodução de práticas sociais. O foco sobre o qual a estruturação de práticas sociais encontra
uma explanação na forma como as estruturas são constituídas através da acção e, da mesma
maneira, como é que a acção se constitui reciprocamente (Giddens, 1996). A estrutura é por
isso mesmo dinâmica, não é estática. A estrutura é um constrangimento, uma restrição mas é
também possibilitadora (a “dualidade da estrutura”) (Giddens, 1996: 183).

Para além disso, este autor trata a estrutura, pelo menos no seu sentido mais elementar, como
referindo-se a regras e recursos. Como resultado, para Giddens a estrutura refere-se às
propriedades de estruturação que permitem a “delimitação” de tempo-espaço nos sistemas
sociais, refere-se às propriedades que permitem a existência de práticas sociais perceptíveis
que são similares dentro das variáveis tempo-espaço, emprestando-lhes uma forma
“sistémica”. Dizer que a estrutura é uma “ordem virtual” de relações transformativas significa
que os sistemas sociais, como práticas sociais reproduzidas, não possuem propriamente
estruturas mas exibem “propriedades estruturais” e que a estrutura só existe como presença
espacio-temporal nas suas exemplificações nestas práticas; como características mnemónicas
que orientam a conduta de agentes humanos que têm capacidade cognitiva. Giddens (1984)
identifica estas propriedades estruturais profundamente incorporadas na reprodução de
práticas sociais como princípios estruturais.

Quando fala de propriedades estruturais de sistemas sociais refere-se então às características


institucionalizadas que fornecem “solidez” através do tempo e do espaço. Utiliza o conceito de
“estruturas” para chegar às relações de transformação e mediação que constituem as “circuit
keys”, subjacentes às condições já observadas de reprodução do sistema. Consequentemente
considera que é possível obter informação significativa acerca da vida social através do estudo
das qualidades recorrentes da fala e da linguagem. Quando produzimos uma expressão
gramatical, Giddens argumenta, pedimos apoio às próprias regras sintácticas que a expressão
ajuda a produzir. Mas falamos a “mesma” linguagem que outros actores de uma mesma
comunidade linguística; todos nós partilhamos as mesmas regras e práticas linguísticas.
Estudar a estruturação de sistemas sociais significa analisar as formas nas quais estes
sistemas – baseados nas actividades cognitivas dos actores que se apoiaram nas regras e
recursos e no âmbito dos mais diversos contextos de actividade – são produzidos e
reproduzidos em interacção (Giddens, 1984). Mais uma vez, o conceito de praxis é mobilizado
como uma conexão entre linguagem e prática social que, por outro lado, nem representa
liberdade nem determinação (Giddens, 1981: 53-54).

Como actores sociais, todos os seres humanos são altamente “proficientes” no conhecimento
que necessitam e aplicam na produção e reprodução de encontros sociais do dia-a-dia; a
natureza essencial deste conhecimento é, substancialmente, mais prática que teórica. Este
conhecimento não especifica todas as situações que um actor pode encontrar: isso não pode

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ser feito; mas o conhecimento que possuem permite-lhes reagir a um determinado número de
situações sociais. Na realidade, a maior parte das regras envolvidas na produção e reprodução
de práticas sociais são apenas tacitamente apreendidas pelos actores. Mais uma vez, a
formulação discursiva de uma regra é já uma interpretação desta mesma regra que pode
também variar com a sua aplicação. Todos os membros competentes de um grupo são
imensamente talentosos na realização prática de actividades sociais. A estrutura não existe
independentemente do conhecimento que os agentes possuem em relação ao que fazem nas
suas actividades diárias (Giddens, 1984).

O agente é essencialmente um fazedor activo de significados: a constituição do mundo como


“significante”, “relevante” ou “inteligível” depende da linguagem compreendida, no entanto, não
como um simples sistema de signos e símbolos, mas como um meio para a actividade prática.
A re-produção do grupo é realizada através das capacidades constitutivas e activas dos seus
membros, utilizando recursos e dependente de condições de que estes membros não estão
conscientes ou que apenas entrevêem tenuemente (Giddens, 1996: 177-179). Giddens
distingue ainda três aspectos significantes da produção de interacção: a constituição de
significado, de moralidade e de relações de poder. As formas através das quais qualquer um
destes aspectos se materializa podem, igualmente, ser pensadas como modalidades de
reprodução da estrutura: a ideia de dualidade da estrutura é aqui fundamental já que a
estrutura emerge como condição e consequência da produção e da interacção. Todas as
organizações, e na verdade todos os grupos, “consistem” em sistemas de interacção e podem,
como resultado, ser analisados em termos das suas propriedades estruturais através das quais
são reproduzidas. A reprodução dos modos de dominação, pode ainda ser realçado, expressa
assimetrias nas formas de significado e moralidade que têm mais “poder” em interacção, o que
as relaciona com as divisões de interesses que servem para guiar as lutas acerca das
interpretações das práticas de significação e de normas morais (Giddens, 1996: 179-180). No
entanto, a ascendência da acção humana é compreendida como limitada uma vez que produz
a sociedade mas os actores estão historicamente situados e não sob condições que
escolheram. No entanto, existe uma margem instável entre comportamento que pode ser
analisado como acção intencional e comportamento que tem que ser examinado como um
grupo de “ocorrências” (Giddens, 1996: 183).

Finalmente, interessa ainda apontar que existem algumas similitudes mas também algumas
diferenças importantes entre a abordagem semiótica e a discursiva. Uma destas diferenças é
que a abordagem semiótica diz respeito ao “como” da representação, à forma como a
linguagem produz significado – o que tem sido apelidado de poética; enquanto que a
abordagem discursiva se preocupa mais com os “efeitos” e “consequências” da representação
– as suas políticas. A abordagem discursiva examina não só como é que a linguagem e a
representação produzem significados mas também como é que o conhecimento dentro de um
discurso particular é produtivo, se relaciona com o poder, regula a conduta, faz ou produz

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identidades e subjectividades, define a forma como certas coisas são representadas, como se
pensa acerca delas, como se praticam, como se estudam.

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Os grandes museus do séc. XIX, com a sua ambição moralizadora e disciplinadora que se
apresentavam como repositórios de classificações científicas do mundo natural e humano, tem
sido fortemente afrontada nos últimos anos por novas práticas de coleccionar, de expor e
interpretar e, enfim, por novas visões da sua missão profundamente democrática. O trabalho
em si sofreu modificações, partilhando os conservadores, no sentido tradicional,
responsabilidades com outros tipos de profissionais altamente qualificados. Por vezes anuncia-
se mesmo o fim dos museus – pelo menos como os conhecemos – e alguns autores falam já
de um pós-museu. A verdade é que os museus são instituições sócio-culturais constituídas por
diferentes níveis – muitas vezes dissonantes – de discursos que vivem hoje uma “crise de
posicionalidade” que tem produzido novos tipos de “fazer” formas críticas de profissionalismo e
novas formas de “fazer” museus. Mas estas são instituições extremamente frágeis e complexas
que necessitam de uma constante “vigilância reflexiva” (Bourdieu e Wacquant, 1992) que
promova o seu estudo e questionamento.

Este livro pretende endereçar algumas destas questões que se relacionam, de um modo geral,
com os significados políticos e culturais dos espaços museológicos. A nossa preocupação foi
reunir olhares diferenciados que procurassem revelar as formas através das quais os
significados e práticas em museus são negociados internamente e externamente.

Este é um campo de investigação fértil que tem sido explorado nos últimos anos por alguns dos
mais conceituados investigadores do campo (ver, por exemplo Hooper-Greenhill, 2000; Walsh,
1992; Karp e Lavine, 1998; Pearce, 1992; Duncan, 1995; Shanks e Tilley, 1987) que têm
assumido um ponto de vista interpretativo crítico na análise das diferentes práticas
museológicas (envolvendo práticas desde os processos de constituição de colecções aos
processos de interpretação e mediação dessas colecções).

As contribuições aqui apresentadas seguem praticamente a ordem de apresentação no


colóquio que teve lugar no Porto em 2001 e organizam-se tematicamente. Ainda que a
contribuição de Scott Lash no colóquio se tenha centrado mais nas questões que dizem
respeito ao seu conceito de museu intensivo e de museu extensivo, optou por apresentar neste
livro outro texto que coloca algumas questões fulcrais em relação aos discursos da arte e dos
efeitos produzidos e que, naturalmente, afectam o próprio conceito de museu. Nesta
contribuição, Scott Lash opta por olhar para a arte produzida pelo movimento de artistas
britânicos yBas e considera como é que pode ser descrita em termos de “mediation of things”.
Parte de uma reflexão sobre a arte como conceito no qual se assiste a uma mudança de

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enfoque dos materiais para o conceito. Nesta alteração a base ontológica do objecto de arte
torna-se conceptual. A base do objecto de arte torna-se o campo fenomenológico que liga o
artista e o observador ao objecto. Trata-se de uma espécie de campo generativo no qual as
estruturas linguísticas e conceptuais constituem a base dos eventos. Mas numa segunda fase
do conceptualismo assistimos a um remodelar deste conceito que é, simultaneamente, um
remodelar da ontologia do próprio objecto de arte. O conceito ou ideia não é mais uma
preposição ou uma regra ou uma frase. É, pelo contrário, comunicação. O conceito torna-se
agora, de acordo com o autor, informativo, privilegiando a arte como vida. As obras produzidas
pelos artistas yBas vão ser expostas em locais de transição, promovidos pelos
desenvolvimentos de políticas de regeneração urbana que adoptavam a arte como estratégia.
Se a arte como conceito exercitava a sua crítica reflexiva em relação às instituições de arte
agora a arte ao tornar-se media, exercita a sua reflexividade em relação à produção e
circulação da cultura em termos mais gerais, des-problematizando a arte e as suas instituições.
O autor examina ainda as consequências desta redefinição.

As representações do visitante e das políticas de mediação e da própria construção do grupo


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profissional foram o tema central das comunicações que se seguiram . João Teixeira Lopes
apresenta uma reflexão sobre o trabalho de violência simbólica contido nos “novos manuais de
civilidade” aplicados aos públicos da cultura e que tão bem se aplica à noção dominante de
públicos e educação em museus no nosso país. As representações que dizem respeito à
caracterização do público virtual e ao desenvolvimento de “guiões de visita” e “modos de ver”
em museus, são aqui relacionadas com as representações sociais dos responsáveis
institucionais que promovem a invenção de um habitus colectivo no qual subsiste um padrão de
cultura cultivada. O autor contrapõe a esta concepção legitimadora do alargamento e formação
de públicos, preconizada pelo discurso das políticas culturais dominantes, uma noção
verdadeiramente alicerçada na democratização cultural que tenha em conta a diversidade e um
conhecimento etnográfico dos públicos. Esta noção mais inclusiva do conceito de museu e das
funções que desempenha na sociedade tem, na realidade, sido objecto de estudos recentes e
de experiências museológicas (ver por exemplo Hooper-Greenhill, 2000, Sandell, 2002; Karp e
Lavine, 1999), começando a fazer parte de um “novo” vocabulário e gramática museológica. A
contribuição de Carla Padró espelha esta mudança de paradigma e introduz algumas das
questões mais relevantes que dizem respeito à complexa rede de relações que permite que a
educação em museus seja compreendida como um dos locus principais de produção do

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Kevin Hetherington apresentou neste colóquio a comunicação “Museums and Consumer Society: The
Disposal of Value” mas não teve oportunidade de apresentar o texto para publicação. A sua reflexão
considerava o museu do século XIX no contexto de uma cultura de consumo em desenvolvimento
explorando, em particular, as dinâmicas antropológicas da alienação do valor no âmbito dos museus. Em
vez de locais afastados do circuito de troca de bens, o autor considera que os museus estão
fundamentalmente comprometidos no mercado como parte do seu importante papel social,
nomeadamente através das práticas de alienação que integram o consumo nas sociedades capitalistas.
Transformar um bem com um determinado valor num artefacto “singularizado” não-mercantilizado não é
um processo simples e linear. Armando Coelho Ferreira da Silva apresentou, igualmente, a comunicação
“O discurso da proto-história nos museus nacionais, regionais e locais” que infelizmente também não teve
oportunidade de ultimar para publicação neste volume.

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discurso museológico contemporâneo. A sua análise procura discutir não só como é que “o
visitante” e o “educador” são (re)produzidos mas também os efeitos destas construções nas
relações de poder internas (entre os educadores mais antigos e os noviços; entre os
educadores e os outros profissionais de museus, nomeadamente os produtores de conteúdos
e, acrescentaria ainda, os responsáveis pela conservação) e externas (relações de governação
entre o visitante e o educador / o museu), relações que definem, afinal, as posições no campo.
A sua crítica dirige-se sobretudo à representação da educação como “prática” e vocação,
representação que promove um perfil profissional pouco definido que confere pouca
credibilidade e pouco poder a este grupo na participação da produção de narrativas
expositivas. Esta noção de educação é apontada como favorecendo estratégias didácticas que
pressupõem, por um lado, um sujeito-educado autodisciplinado e, por outro, que não
reconhecem a heterogeneidade e crescente sofisticação dos públicos. Para além disso, a
lógica e os valores da eficiência e da eficácia de programas deste tipo, sublinha o carácter
profissional a que o grupo cada vez mais aspira. O estudo tradicional-sociométrico dos públicos
oferece um terreno firme para o desenvolvimento desta conceptualização, obliterando o
visitante como indivíduo e participante activo da (re)produção do “circuito de cultura” (Hall,
1997). Como João Teixeira Lopes, esta investigadora advoga a necessidade de desenvolver
outro tipo de abordagem que contemple, neste caso, a investigação-acção e que ajude a
compreender os mecanismos da prática e a reflectir sobre esta. Esta abordagem apoiaria o
discurso museológico sobre a educação em museus que assume a sua vocação de serviço
público, que promove a cidadania activa, a inovação e o desenvolvimento pessoal. Ainda que
as estratégias marcadas pelo construtivismo – que compreendem o visitante como indivíduo e
parte central do processo e que confere aos educadores o papel de mediador – sejam aqui
criticadas, a proposta de elaboração de estratégias interpretativas dialógicas que permitam a
produção de narrativas polifónicas e a contextualização das visões dos visitantes, não deixa de
se alicerçar nesses princípios. A minha contribuição para esta discussão propôs uma reflexão
sobre as mudanças verificadas na forma como a profissão museológica em Portugal, como
comunidade discursiva, se representa nos seus textos. Nesta análise interessou-me sobretudo
a investigação do desenvolvimento dos conceitos que se referem à identidade do grupo,
apontando padrões, similitudes e diferenças, oferecendo uma leitura dos mecanismos
subjacentes e de como o discurso encarna estereótipos e atitudes da profissão. Ao examinar
estas práticas – que considero operar uma função social vital nas relações intergrupo – parti do
princípio que é através das práticas discursivas que o profissional de museologia é
“constituído” e que as mudanças nessas práticas são parte essencial do seu desenvolvimento.
Estas mudanças reflectem mudanças no papel societal desempenhado por estes profissionais
em relação ao grupo e à sociedade em geral. Para além disso, desempenham um papel
fundamental na formação de uma realidade e identidade cognitiva, societal e social,
desempenhando papéis importantes na (re)produção da ideologia / da cultura de grupo, da sua
poética enquanto tentam criar um espaço para o seu “campo” na sociedade. Sublinho ainda o

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papel dinâmico e construtivo do discurso na estruturação de áreas do conhecimento e práticas
sociais e institucionais que lhe estão associadas.

Numa segunda parte deste livro, reunimos duas comunicações que suscitaram um interessante
debate sobre algumas particularidades dos discursos que enformam os museus de arte. Estes
museus, argumenta Raquel Henriques da Silva, são um território de um discurso celebratório
que distancia os públicos numa ambiência predominantemente sacralizada. As suas
exposições privilegiam a abordagem do historiador de arte, aderindo a e sublinhando o
discurso historiográfico que determina, em grande parte, o carácter elitista destes museus. A
função aurática do museu de arte vê-se, desta forma, reforçada pelas opções museológicas e
museográficas que, se por um lado, funcionam como forma de distinção social de uma elite,
por outro lado, as suas estratégias de comunicação – que se traduzem mais em revelação que
em aprendizagem – já pressupõem um” público cultivado”. Este modelo tem, porém, vindo a
ser posto em causa, quer por mudanças nos contextos sociais que conduziram a um re-
posicionamento dos museus, quer por importantes transformações das próprias práticas
artísticas que vêm cada vez mais questionando o espaço-museu, introduzindo novos géneros e
realçando os processos de criação artística, promovendo, assim, uma maior abertura e
questionamento das próprias obras artísticas. A encomenda de obras de arte por museus é
ainda, actualmente, uma prática discursiva comum que leva esta autora a colocar uma série de
questões pertinentes em relação aos seus efeitos quer em termos da definição do próprio
conceito de museu de arte quer em termos das relações de poder estabelecidas. Ulrich Loock
interroga os museus de arte a partir de metáforas como a estação de comboios, o white cube
ou mesmo a Internet, discutindo o seu lugar e a sua função nas complexas relações que se
estabelecem com o mundo artístico. Estas são questões que nos ocupam desde que a arte se
divorciou de lugares como as igrejas ou os palácios para se apresentar em lugares de
substituição – como podem ser considerados os museus – onde as obras são conservadas,
classificadas, processadas cientificamente, iluminadas e expostas e em que as estruturas
discursivas da instituição se reproduzem constantemente, incluindo, excluindo e (re)produzindo
efeitos evidentes (quer na definição da relação entre a instituição e o campo artístico quer ao
nível da apresentação da arte ou do próprio entendimento do visitante). Para este autor, a
“Guggenheimização” do mundo da arte com a sua apetência pelo espectacular e pelo turismo
de massas, a criação do curador super-artista e a integração de diversas práticas culturais –
incluindo os próprios edifícios dos museus de arte que amiúde se apresentam como obra de
arte ou escultura no seu próprio direito – fazem parte do mesmo paradigma que actualmente se
projecta em muitos destes museus. Em vez deste modelo propõe um museu de arte que
assuma as consequências dos trabalhos críticos e dos discursos que desde os anos 60 têm
sido dirigidos à instituição museu, que a fizeram visível, um modelo que tenha em conta,
seriamente, as transformações tecnológicas que atravessamos e que são, sobretudo,
transformações mentais.

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Investigadores da área da antropologia trouxeram-nos três comunicações que apresentam
análises substancialmente diferentes. Na tradição dos estudos de Susan Pearce, Fernando
Paulo Magalhães centra as suas questões em torno das práticas de coleccionar em museus e,
especificamente, dos efeitos destas práticas na produção de uma identidade local. Os objectos
em museus são alvo de inúmeras leituras e interpretações que tornam o seu significado
dinâmico, desafiando a tradicional dicotomia entre o sujeito e o objecto e, neste sentido, os
objectos possuem uma vida social que sempre os acompanha. O autor insiste ainda na ideia
de que os objectos existentes em museus – pela sua capacidade de representar tradições,
ideias e valores – desempenham um papel fundamental na reprodução social. Algumas destas
colecções museológicas assumem particular importância enquanto meios de objectivação e
projecção de identidade, como demonstra neste texto. A partir de um exemplo extremamente
curioso, Elizabeth Hallam propõe-nos uma exploração da formação e utilização de colecções e
de museus de anatomia e de como têm gerado modos de conhecimento incorporado. Técnicas
de exploração de anatomia na Europa – da dissecação à acumulação e exposição de
fragmentos preservados de corpos – induziram determinadas formas de ver, manusear e
conceptualizar a forma humana. A par das práticas de dissecação, assistimos ao
desenvolvimento de colecções e de museus de anatomia por toda a Europa que têm sido
utilizados como importantes recursos para a definição e atribuição de significados ao corpo
humano. Centrando-se na constituição visual e material de museus de anatomia, este capítulo
diz respeito à antropologia histórica do conhecimento anatómico em contextos museológicos.
Os corpos têm sido transformados em espécimes, modelos e ilustrações e, seguidamente,
reunidos e re-expostos desde o século XIX em locais particulares. Esta autora defende que,
precisamente, estas dinâmicas localizadas de olhar, tocar e “anatomisar” têm gerado formas de
conhecer que emergem como parte do campo em transformação das relações sociais e das
práticas culturais. O último texto deste grupo, apresentado por Joaquim Pais de Brito, tem
como principal referência os museus com colecções etnográficas e explora a identificação das
categorias que fundam a existência e esboçam a natureza do próprio conceito de museu, das
suas dinâmicas e das suas tensões. Os momentos e contextos intelectuais da criação de
museus e constituição dos seus acervos são aqui examinados mas a questão central que este
autor procura focar, diz respeito ao valor atribuído ao património recolhido e guardado que se
altera com o próprio processo da sua incorporação e, argumenta, neste espaço de
transfiguração que é o museu, a realidade dos objectos é indissociável do discurso que os
imagina, estejam eles guardados em reserva ou iluminados e encenados na sala de
exposições. Toda a acção do museu se programa e experimenta sobre esta articulação entre
guardar, estudar e conservar os seus objectos, e o que fazer com eles, como produzir
conhecimentos, ideias e emoções, como interpelá-los, como deslocá-los para a condição de
pretexto, despindo-os do seu estatuto hegemónico, que está na origem da própria ideia de
património e de museu e que têm que ter em conta as críticas contemporâneas das
abordagens feministas e pós-colonialistas.

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Finalmente, dois arquitectos propõem-nos duas análises das configurações dos espaços
museológicos (com especial destaque para os museus de arte contemporânea) como meios
poderosos de requalificação urbana e marketing das cidades e dos discursos que lhe estão
associados. A maior parte dos nossos museus estão implantados em áreas urbanas e estão,
na verdade, intimamente relacionados com o desenvolvimento da cidade moderna onde, aliás,
o seu valor político, económico, social e cultural é expresso de forma mais explícita. Em
segundo lugar, a explosão museológica que as cidades têm conhecido em todo o mundo
ocidental nos últimos anos, tem sido acompanhada por um papel crescentemente explícito dos
projectos culturais no planeamento urbano. Na última década os museus – e nomeadamente
os museus de arte contemporânea – têm sido considerados como uma das peças-chave de
planos e projectos de reabilitação urbana, devido aos poderes que lhe conferem não só re-
estruturantes do tecido urbano, mas também sócio-económicos e simbólicos, quer dizer, como
instrumentos por excelência para a projecção de uma imagem de riqueza cultural / monumental
expressiva do poder das cidades e dos seus governantes. No primeiro destes textos, e nas
palavras de Nuno Grande, intenta-se descortinar as “relações de força” que se estabeleceram
no seio da actual geopolítica da cultura, entre os “discursos” políticos e as suas
“representações” espaciais – no âmbito da cidade e da arquitectura – que conferem aos
Museus e Centros de Arte o protagonismo da narrativa. Para além disso, este autor propõe-se
situar a relação entre política e espaço no contexto da concepção e programação dos grandes
equipamentos culturais da contemporaneidade portuguesa. Utilizando material proveniente de
alguns casos que considera paradigmáticos, Helena Barranha procura discutir a dimensão
icónica da arquitectura, demonstrando o contributo dos edifícios de museus de arte
contemporânea para o desenho da cidade e, simultaneamente, para a construção de uma
imagem capaz de representar um ideal de urbanidade e de modernidade.

Esta pequena colecção de estudos examinou alguns aspectos das práticas museológicas que
consideramos relacionadas com a própria constituição do objecto de arte, com a definição e
produção do conceito de museu e da profissão, com a interpretação e mediação, com as
práticas de coleccionar e de organizar colecções, com os edifícios que albergam estas
instituições e, enfim, com o próprio conceito de museu. Mas onde nos podem conduzir estas
reflexões? Há alguma forma de construir a partir destes estudos críticos? Ainda que nem
sempre seja fácil avaliar ou aprender a partir destas discussões, o objectivo que nos
propúnhamos com este exercício auto-reflexivo era o de desenvolver melhores práticas que
provassem ser relevantes para o mundo que os museus pretendem habitar.

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