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A ambigüidade deve-se

Questão 26 a) à inadequação na ordem das palavras.


b) à ausência do sujeito verbal.
Os versos abaixo são da letra da música Co- c) ao emprego inadequado dos substantivos.
bra, de Rita Lee e Roberto de Carvalho: d) ao emprego das palavras na ordem indire-
ta.
Não me cobre ser existente
e) ao emprego inadequado de elementos coe-
Cobra de mim que sou serpente
sivos.
Com relação ao emprego do imperativo nos
versos, podemos afirmar que alternativa E
a) a oposição imperativo negativo e imperati- O elemento coesivo de deveria reger o termo
vo afirmativo justifica a mudança do verbo "presente" e não "um ramo de bambu". Assim:
cobre/cobra. "Ganhou de presente um ramo de bambu".
b) a diferença de formas (cobre/cobra) não é Além desse problema, o artigo um aparece duas
registrada nas gramáticas normativas, por- vezes no original. Para melhor clareza, faz-se ne-
tanto há inadequação na flexão do segundo cessária a retirada de um deles.
verbo (cobra).
c) a diferença de formas (cobre/cobra) deve-se
ao deslocamento da 3ª para a 2ª pessoa do su- Questão 28
jeito verbal.
d) o sujeito verbal (3ª pessoa) mantém-se o Assinale a opção que melhor traduz o trecho
mesmo, portanto o emprego está adequado.
em destaque do texto abaixo:
e) o primeiro verbo no imperativo negativo
opõe-se ao segundo verbo que se encontra no O novo livro de Ubaldo pode ser visto
presente do indicativo.
como um belo exercício de retórica. Utili-
za-se de Itaparica, da radioatividade natu-
alternativa C
ral e da história da ilha baiana para defen-
"Não me cobre" (imperativo negativo na 3ª pes- der uma tese: a de que homens e mulheres
soa singular) e "cobra" (imperativo afirmativo na podem ser igualmente grandes em suas rea-
2ª pessoa singular). Com o deslocamento da
lizações e virtudes, mas não podem escapar
3ª pessoa para a 2ª pessoa, houve mudança do
sujeito (você) para (tu). de seus pecadilhos e prevaricações, se se
querem grandes. (Sereza, H. C. Caderno 2/
Cultura. O Estado de S. Paulo, 16/7/2000.)
Questão 27 a) Os pequenos erros são inevitáveis e es-
senciais para a grandeza de homens e mu-
No texto abaixo sobre as eleições em São lheres.
Paulo, há ambigüidade no último período, o b) Os pequenos erros são importantes, mas
que pode dificultar o entendimento. não essenciais, para a grandeza de homens e
mulheres.
Ao chegar à Liberdade*, a candidata c) Ainda que os pequenos erros sejam inevitá-
participou de uma cerimônia xintoísta (reli-
veis, não contribuem para a grandeza de ho-
gião japonesa anterior ao budismo). Depois,
mens e mulheres.
fez um pedido: “Quero paz e amor para to-
d) Não são os pequenos erros que tornam ho-
dos”. Ganhou um presente de um ramo de
bambu. (Folha de S. Paulo, 9/7/2000, adap- mens e mulheres grandes em suas realiza-
tado.) ções e virtudes.
e) Os pequenos erros são inevitáveis para a
(*) Bairro da cidade de São Paulo. grandeza de homens e mulheres.
português/redação 2

alternativa A Desde que o homem é homem, ou talvez


Segundo o texto, os pequenos erros são inevitá- mesmo antes, ele sente saudade; desde que
veis ("não podem escapar de seus pecadilhos") e aprendeu a falar aprendeu também, de
essenciais, já que representam uma condição uma forma ou de outra, a dizê-lo. (Saudade.
para se chegar à grandeza ("se se querem gran- Folha de S. Paulo, 6/4/1996, adaptado.)
des").

As questões de 29 a 32 referem-se ao se-


guinte texto: Questão 29
Certos mitos são repetidos tantas e tan-
tas vezes que muitos acabam se convencen- NÃO se pode afirmar que a noção do senti-
do de que eles são de fato verdadeiros. Um mento saudade no texto seja
desses casos é o que envolve a palavra “sau- a) atribuída exclusivamente ao ser humano.
dade”, que seria uma exclusividade mundial
b) uma prova de que a espécie humana é fru-
da língua portuguesa. Trata-se de uma
to da mutabilidade de espécies.
grande e pretensiosa balela.
c) comum a todos os seres humanos, mas a
Todas as línguas do mundo exprimem
com maior ou menor grau de complexidade maneira de expressá-lo é diferente.
todos os sentimentos humanos. E seria uma d) comum a todos os seres humanos e remon-
grande pretensão acreditar que o sentimen- ta aos tempos antigos.
to que batizamos de “saudade” seja exclusivo e) talvez anterior à razão.
dos povos lusófonos.
Embora línguas que nos são mais fami- alternativa A
liares como o inglês e o francês tenham de O texto atribui o sentimento de saudade também
recorrer a mais de uma expressão (seus aos cães, como se observa no começo do sexto
equivalentes de “nostalgia” e “falta”) para parágrafo: "Ora, se até os cães demonstram sen-
exprimir o que chamamos de saudade em to- tir saudades de seus donos quando ficam separa-
das as circunstâncias, existem outros idio- dos por um motivo qualquer...".
mas que o fazem de forma até mais sintética Obs.: a alternativa b é problemática, pois o texto
que o português. afirma "Desde que o homem é homem, ou talvez
Em uma de suas colunas semanais nes- antes, ele sente saudade". Ora, isto pressupõe a
ta Folha, o professor Josué Machado lem- idéia de transformação da espécie, mas não im-
brou pelo menos dez equivalentes da pala- plica necessariamente que o sentimento de sau-
vra “saudade”. Os russos têm “tosca”; ale- dade seja uma prova dessa mutabilidade.
mães, “Sehnsucht”; árabes, “shauck” e tam-
bém “hanim”; armênios, “garod”; sérvios e
croatas, “jal”; letões, “ilgas”; japoneses, Questão 30
“natsukashi”; macedônios, “nedôstatok”; e
húngaros, “sóvárgás”.
No texto, a tese é que
Pode-se ainda acrescentar a essa lista o
a) todos os povos têm os mesmos sentimentos
“desiderium” latino, o “póthos” dos antigos
e têm palavras para designá-los.
gregos e sabe-se lá quantas mais expressões
equivalentes nas cerca de 6 mil línguas b) os cães, assim como os seres humanos, sen-
atualmente faladas no planeta ou nas 10 mil tem saudade.
que já existiram. c) trata-se de um mito a crença de que ape-
Ora, se até os cães demonstram sentir nas os povos lusófonos têm uma palavra para
saudades de seus donos quando ficam sepa- designar o sentimento “saudade”.
rados por um motivo qualquer, seria de um d) há línguas que são mais sintéticas que ou-
etnocentrismo digno de fazer inveja à Ale- tras para exprimir os sentimentos.
manha nazista acreditar que esse sentimen- e) há línguas que são mais sintéticas que o
to é próprio apenas aos que falam portu- português para expressar o sentimento que
guês. os povos lusófonos designam “saudade”.
português/redação 3

alternativa C
O parágrafo inicial do texto apresenta a "tese" a
Questão 33
ser defendida pelo autor, isto é, o fato de tratar-se
de um mito a idéia de que só a língua portuguesa Podemos afirmar que na obra D. Casmurro,
tem um termo para designar o sentimento "sauda- Machado de Assis
de". a) defende a tese de que o meio determina o
homem porque descreve a personagem Capi-
tu desde o início como uma futura adúltera.
Questão 31 b) defende a tese determinista porque o meio
em que Bentinho e Capitu vivem determina a
futura tragédia.
NÃO se pode dizer que no texto haja
c) não defende a tese determinista, apontan-
a) uma declaração inicial que sintetiza a tese
do antagonismo entre o meio e a tragédia fi-
a ser defendida.
nal.
b) a exclusividade da forma impessoal, que é
d) defende a tese determinista ao demonstrar
marcada apenas pelo emprego de orações na
a influência da educação religiosa na forma-
voz passiva.
ção de Capitu.
c) uma equiparação do sentimento saudade
e) não defende a tese determinista de modo
dos cães ao dos seres humanos.
explícito porque não fica clara a relação entre
d) a generalização de uma idéia após a apre-
o meio e o fim trágico dos personagens.
sentação de exemplos.
e) exemplos de vocábulos de outras línguas
alternativa E
para designar o sentimento “saudade”, que
funcionam como argumentos para a tese de- Não há elementos claros em Dom Casmurro que
fendida. estabeleçam relações diretas entre o ambiente e
o comportamento das personagens.
alternativa B
Não há exclusividade da forma impessoal (3ª pes-
soa), já que no texto encontramos 1ª pessoa: "ba- Questão 34
tizamos", "que nos são mais familiares", etc. Além
do mais, a maior parte das orações tem sujeito Leia o texto abaixo e as afirmações que se
expresso. seguem

Que falta nesta cidade? Verdade.


Questão 32 Que mais por sua desonra? Honra.
Falta mais que se lhe ponha? Vergonha.

No trecho “existem outros idiomas que o fa- O demo a viver se exponha,


zem de forma até mais sintética que o portu- Por mais que a fama a exalta,
guês” (3º parágrafo), o termo “o”, em desta- Numa cidade onde falta
que, substitui Verdade, honra, vergonha.
a) uma oração indicativa de finalidade. Matos, G. de. Os melhores poemas de
b) uma oração indicativa de causa. Gregório de Matos Guerra. Rio de Janeiro:
c) uma oração indicativa de conseqüência. Record, 1990.
d) a oração antecedente.
e) o sujeito da oração antecedente. O poema
I – mantém uma estrutura formal e rítmica
alternativa A regular.
II – enfatiza as idéias opostas.
O termo "o" substitui a passagem "para exprimir o III – emprega a ordem direta.
que chamamos de saudade em todas as circuns-
IV – refere-se à cidade de São Paulo.
tâncias", que exprime, principalmente, idéia de fi-
nalidade. V – emprega a gradação.
português/redação 4

Então, pode-se dizer que são verdadeiras Para haver resposta, seria necessário os exami-
a) apenas I, II, IV. b) apenas I, II, V. nadores explicitarem a expressão "crônica de
c) apenas I, III, V. d) apenas I, IV, V. costumes".
e) todas.
As questões de 36 a 45 devem ser resolvi-
alternativa B das no caderno de soluções.
Estão erradas as alternativas:
III. Gregório de Matos, maior representante da Questão 36
poesia barroca no Brasil, utiliza-se de hipérbatos
(inversão da ordem natural da frase): "O demo a
viver se exponha"; Na frase abaixo, extraída do texto publicitá-
IV. Trata-se de uma referência à cidade da Bahia, rio de um conceituado restaurante, há uma
conforme o título: "Torna a Definir o Poeta os palavra cujo significado contraria o efeito de
Maus de Obrar na Governança da Bahia, Princi- sentido esperado.
palmente Naquela Universal Fome, que Padecia
a Cidade". A nossa meta de atendimento é eficiência e
cortesia.

Questão 35 a) Localize a palavra e explique por que ela


contraria o objetivo publicitário do texto.
Algumas obras de ficção retratam um con- b) Escreva uma frase semelhante, mas que
texto urbano, sendo por isso consideradas produza o efeito de sentido esperado nesse
crônica de costumes. É, por exemplo, o caso texto publicitário.
de obras dos seguintes autores:
a) Antonio de Alcântara Machado; Manuel Resposta
Antônio de Almeida; Joaquim Manuel de Ma- a) Meta. Se é meta, então ainda não é uma reali-
cedo; Lima Barreto. dade, é um alvo a ser atingido.
b) Antônio de Alcântara Machado; Manuel b) Existem muitas respostas possíveis, como:
Antônio de Almeida; Joaquim Manuel de Ma- A marca do nosso atendimento é eficiência e cor-
cedo; Graciliano Ramos. tesia.
c) Manuel Antonio de Almeida; Joaquim Ma-
nuel de Macedo; Lima Barreto; Mário de
Andrade. Questão 37
d) Antônio de Alcântara Machado; Joaquim
Manuel de Macedo; Lima Barreto; Graciliano
Ramos. Leia o texto seguinte:
e) Manuel Antonio de Almeida; Joaquim Ma-
nuel de Macedo; Mário de Andrade; Antônio Antes de começar a aula – matéria e
de Alcântara Machado. exercícios no quadro, como muita gente
entende –, o mestre sempre declamava um
poema e fazia vibrar sua alma de tanta em-
ver comentário
polgação e os alunos ficavam admirados.
De acordo com o enunciado, obras de ficção que Com a sutileza de um sábio foi nos ensi-
retratam um contexto urbano são consideradas nando a linguagem poética mesclada ao rit-
crônica de costumes. Ora, todos os autores men- mo, à melodia e a própria sensibilidade ar-
cionados apresentam obras em contextos urba- tística. Um verdadeiro deleite para o espí-
nos, como, entre muitos exemplos: rito, uma sensação de paz, harmonia.
• A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo; (Osório, T. Meu querido professor. Jornal
• Memórias de um Sargento de Milícias, de Ma- Vale Paraibano, 15/10/1999.)
nuel Antônio de Almeida;
• Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima a) Qual a interpretação que pode ser dada à
Barreto;
• Brás, Bexiga e Barra Funda, de Antônio de ausência da crase no trecho “a própria sensi-
Alcântara Machado; bilidade artística”?
• Amar, Verbo Intransitivo, de Mário de Andrade; b) Qual seria a interpretação caso houvesse a
• Angústia, de Graciliano Ramos. crase?
português/redação 5

Resposta a) Localize, no texto, o trecho em que há um


a) A expressão não foi usada como complemento problema de coerência.
nominal de mesclada e sim como objeto direto do b) Reescreva o trecho de modo a torná-lo coe-
verbo ensinar. Portanto, o professor, além de en- rente.
sinar a linguagem poética ensinou também a sen-
sibilidade artística. Resposta
b) Nesse caso, a expressão seria complemento
a) "... mas só quando prescritos por um oftalmolo-
nominal de mesclada. Portanto, o professor teria
gista."
ensinado a linguagem poética mesclada ao ritmo,
b) Lubrificantes oculares gelados também são
à melodia e à sensibilidade artística.
muito eficientes, mas lembre-se de que todo me-
dicamento deve sempre ser prescrito por um mé-
dico.
Questão 38

Leia o texto seguinte: Questão 40


Sítio Bom Jardim apresenta Forró Ser-
tanejo com a banda Casa Nova, no dia 30 Leia o texto abaixo
de outubro, a partir das 21 horas. Mulher
No novo catecismo das empresas, um
acompanhada até 24 horas não paga. Ve-
trainee deve ter as mesmas qualidades dos
nha e participe desta festa. (Jornal Vale
diretores e gerentes, que por sua vez preci-
ADC’S, out./1999, adaptado.)
sam saber ouvir e usar a Internet como os
a) Localize o trecho em que há ambigüidade. trainees, que precisam ter a mesma disposi-
b) Aponte duas interpretações possíveis para ção de se superar do presidente, que precisa
esse trecho, considerando o contexto. trabalhar com equipes do mesmo jeito que
os trainees, gerentes e diretores, e vi-
Resposta ce-versa. (Você, N. 10, abril/1999, adaptado.)
a) Mulher acompanhada até 24 horas não paga.
a) Aponte duas propriedades do texto que
b) 1ª interpretação: até às 24 horas, a entrada é
gratuita às mulheres que estiverem acompanha-
contribuem para o efeito do sentido circular.
das. b) O termo “vice-versa” é necessário no con-
2ª interpretação: a entrada é gratuita às mulheres texto em que aparece? Por quê?
que estiverem acompanhadas por até 24 horas.
Resposta
a) Podem ser apontados, entre outros, os seguin-
Questão 39 tes recursos:
• o uso repetido do conectivo que, encadeando
O texto abaixo, da seção “Saúde” do Suple- as orações numa progressão que vai do trainee
mento de março/2000, do Caderno Regional ao presidente.
FolhaVale, Folha de S. Paulo, faz parte de • o uso de palavras ou expressões que reiteram
uma série de recomendações para relaxamen- as idéias: as mesmas qualidades..., que por sua
vez precisam..., … ter a mesma disposição de...,
to dos olhos
… do mesmo jeito que...
– Lubrificantes oculares gelados também • o uso de substantivos que podem caracterizar
são muito eficientes, mas só quando prescri- uma gradação progressiva e regressiva: trainee,
tos por um oftalmologista. gerentes, diretores, presidente; presidente, trainee,
gerentes, diretores.
– Importante: não jogue água boricada den-
b) O termo é desnecessário, pois a circularidade
tro do olho, pois isto causa irritação. Ela
foi caracterizada pelos recursos acima enumera-
deve ser usada apenas para limpeza exter- dos e não pelo uso de "vice-versa" que se tornou,
na ou como compressa gelada. portanto, redundante no contexto.
português/redação 6

Questão 41 Questão 43
Leia o texto seguinte: Leia o texto seguinte:

A aposentada A. S., 68, tomou na sema- Levantamento inédito com dados da Re-
na passada uma decisão macabra em rela- ceita revela quantos são, quanto ganham e
ção ao seu futuro. Ela pegou o dinheiro de no que trabalham os ricos brasileiros que
sua aposentadoria (um salário-mínimo) e pagam impostos. (...)
comprou um caixão. Entre os nove que ganham mais de 10
A. mora com a irmã, M. F., 70, que tam- milhões por ano, há cinco empresários, dois
bém é aposentada. Elas não têm parentes. empregados do setor privado, um que vive
A. diz que está investindo no futuro. Sua de rendas. O outro, quem diria, é servidor
irmã a apóia. A. também comprou a morta- público. (Veja, 12/7/2000.)
lha – roupa que quer usar quando morrer.
O caixão fica guardado na sala da casa. a) A ausência de vírgula no trecho em desta-
(Aposentada compra caixão para o futuro. que, no primeiro parágrafo, afeta o sentido?
Folha de S. Paulo, 22/8/1992, adaptado.) Justifique.
b) Por que o emprego da vírgula é obrigatório
a) Localize um trecho que revela ironia. no trecho em destaque, no segundo parágra-
b) Explique como se dá esse efeito de ironia. fo? O que esse trecho permite inferir?

Resposta Resposta
a) "A. diz que está investindo no futuro." a) A presença ou ausência da vírgula obriga o lei-
b) A ironia consiste na idéia de que, com o salá- tor a ler a notícia de diferentes formas:
rio-mínimo que existe no Brasil, a única perspecti- • sem a vírgula: "os ricos brasileiros que pagam
va de futuro é a morte, isto é, a ausência de futuro. impostos". Nesse caso, a oração "que pagam im-
postos" seria uma oração adjetiva restritiva, ou
seja, restringe o levantamento da Receita apenas
Questão 42 aos ricos que pagam impostos;
• com a vírgula: "os ricos brasileiros, que pagam
Leia abaixo a tira de Luís Fernando Veríssi- impostos". A oração "que pagam impostos" seria
mo, publicada no jornal O Estado de S. Paulo uma oração adjetiva explicativa, ou seja, pagar
de 16/7/2000, e explique como se dá o efeito impostos é inerente ao fato de ser rico. Nesse
cômico. caso, o levantamento da Receita abrange todos
os ricos.
b) Trata-se de uma oração intercalada em que se
caracteriza a interferência do articulista na notícia
dada. Tal interferência tem o sentido de ironizar o
que se diz.

Questão 44
O poema abaixo caracteriza-se pelo tom de
Resposta humor:

O efeito cômico é dado pelo uso da ambigüidade. O capoeira


Podemos interpretar a segunda fala de duas ma- – Qué apanhá sordado?
neiras:
– O quê?
• É necessário lavar as mãos antes das refeições, – Qué apanhá?
como norma de higiene; neste caso, por causa da
sujeira da tinta do jornal; Pernas e cabeças na calçada.
ou (Andrade, Oswald de. Pau-Brasil. São Pau-
• é necessário lavar as mãos por causa da sujei- lo: Globo, 1998.)
ra das notícias do Brasil.
português/redação 7

a) Aponte uma característica do texto respon- • a ausência do verso organizado em uma estru-
sável pelo efeito de humor. Justifique. tura sintática tradicional;
b) Qual a importância do título para a inter- • a valorização do signo lingüístico, sobretudo no
plano do significante com o intuito de chegar a in-
pretação do poema? Justifique.
suspeitados significados.
b) Sim, pois o texto 2 retoma o texto 1, caracteri-
Resposta zando um exercício de intertextualidade.
a) Alguns recursos são fundamentais para o efei-
to de humor do texto, entre os quais: INSTRUÇÕES PARA REDAÇÃO
• a linguagem coloquial presente nos diálogos; Redija uma dissertação (em prosa, de aproxi-
• a linguagem telegráfica que conduz a ação madamente 25 linhas) sobre o tema:
para um rápido fim;
• a irreverência do desafio; A ocasião faz o ladrão?
• o desfecho abrupto da ação no 4º verso. Para elaborar sua redação, você poderá va-
b) O título antecipa os movimentos dos corpos,
mencionados no último verso, compondo o qua- ler-se, total ou parcialmente, dos argumentos
dro de uma luta de capoeira. contidos nos excertos abaixo, refutando-os ou
concordando com os mesmos. Não os copie.
(Dê um título ao seu texto. A redação final
Questão 45 deve ser feita com caneta azul ou preta.)

Leia os textos seguintes: 1) (...) muito se reclama no Brasil da cor-


rupção pública, que vai do guardinha de
(1) (2) trânsito ao deputado federal. A corrupção
privada, no entanto, é igualmente difusa e
(...) lá? danosa, embora ninguém pareça escanda-
Minha terra tem palmeiras ah! lizar-se demais com ela. Quando vou ao
Onde canta o sabiá; Brasil, freqüento jornalistas, cineastas,
As aves que aqui gorjeiam, Sabiá... publicitários, e é impressionante a quanti-
Não gorjeiam como lá. papá... dade de histórias de corrupção privada
(...) maná... que eles têm a contar. Na maior parte dos
Sofá... casos, são atravessadores que faturam
(Dias, Gonçalves. Poesias
sinhá... uma bonificação para cada transação co-
completas. São Paulo:
Saraiva, 1957.) mercial que executam. Acredito que em
cá? outros campos de trabalho se verifiquem
bah! fatos análogos. Se, em vez de jornalistas,
(Paes, J. P. Um por todos. Poesia cineastas e publicitários, eu freqüentasse
reunida. São Paulo: Brasiliense, 1986.) fabricantes de parafusos ou importadores
de máquinas agrícolas, acho que acabaria
a) Aponte uma característica do texto (1) que ouvindo o mesmo número de histórias de
o filia ao Romantismo e uma do texto (2) que corrupção. (Diogo Mainardi. Veja, 5/7/2000.)
o filia ao Concretismo.
b) É possível relacionar o texto (2) com o (1)? 2) No Brasil uma pessoa já é considerada
Justifique. honesta apenas porque é medíocre em sua
desonestidade. (Millôr Fernandes. Folha
Resposta de S. Paulo, 30/7/2000.)
a) Entre as características românticas do texto de
3) Não há povos mais ou menos predispos-
Gonçalves Dias, podemos mencionar:
• nacionalismo ("Minha terra..."); tos à desonestidade. Há sim, sistemas
• saudosismo ("... como lá"); mais permissivos, mais frouxos, mais cor-
• a exaltação da natureza americana (palmeiras, ruptos, nos quais ela encontra terreno fér-
sabiá); til para plantar suas raízes profundas – o
• retomada da redondilha. que estaria ocorrendo no Brasil. (IstoÉ,
Entre as características concretistas do texto de 20/5/1992.)
José Paulo Paes, podem ser mencionadas:
português/redação 8

4) Os excertos abaixo foram extraídos da J. A. S. – Engenheiro


matéria “O bloco dos honestos”, publicada – Salário de Cr$2 milhões por mês, exami-
em IstoÉ de 20/5/1992, e adaptados. (A nando loteamentos fora da lei.
moeda na época era o Cruzeiro.)
– Já interditou mais de 60 empreendimen-
tos imobiliários irregulares.
G. B. P. – Funcionária do Metrô de São – Diz que o menor diálogo com “a pilantra-
Paulo gem termina em corrupção”.
– Salário mensal de Cr$640 mil; entre
suas funções recolhe roupas doadas para
os pobres.
– Trabalhando solitariamente numa sala, Comentário
encontrou US$ 400 ∗ no bolso de um casaco
Uma seqüência de textos que versam sobre a re-
que lhe foi entregue. latividade de certos conceitos como honestida-
– Passou o dinheiro a seu chefe, que de/desonestidade é o ponto de partida para uma
aguarda o verdadeiro dono. tomada de posição sobre os desvarios que aco-
(*) US$ 400 correspondia a um pouco metem nossa sociedade – da vida pública à priva-
mais que o dobro do salário da funcioná- da – e que podem provocar aguçadas discussões
sobre o que realmente é "ser honesto".
ria, na época.
Os exemplos extraídos da revista IstoÉ trazem,
como protagonistas, trabalhadores honestos que
não se deixam levar pela corrupção, o que, de
C. A. – Camareira de hotel certa forma, contradiz o ditado "A ocasião faz o
– Ganha mensalmente Cr$390 mil, traba- ladrão". A dissertação do ITA deve, portanto, girar
lhando 10 horas por dia. em torno de questionamentos que envolvem pre-
– Entrega à gerência dólares, relógios e ceitos morais e de educação em oposição a inte-
jóias esquecidos pelos hóspedes. resses econômicos, individualizadores e egoístas.
– Sua receita para a honestidade é “não Bom tema.
dar chance à tentação”.

H. H. F. – Fiscal Aduaneiro
– Cr$3 milhões de salário mensal, fiscali-
zando a fronteira Brasil-Paraguai.
– Por suas mãos passam diariamente
US$10 milhões em guias de exportação.
– Irredutível, declara: “A corrupção não
compensa, tampouco constrói”.

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