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Signos Cármicos

Por Carlos Hollanda

Esse texto fala da conceituação de Libra como um "signo cármico", entre outros. Antes, porém é
preciso explicar que seu enfoque não tem a pretensão de revelar quem foi o quê numa vida
passada, mas de levantar, sim, índoles subconscientes, sejam elas oriundas dos antepassados
(genética), sejam vivências como as das terapias de vidas passadas (TVP). Dentro deste
contexto, é possível alterar consideravelmente padrões repetitivos e nocivos de comportamento
e compreender as circunstâncias que envolvem a existência individual.

Câncer, Virgem, Libra, Escorpião e Peixes. Signos Cármicos por quê?

Câncer não é considerado um signo "desafortunado" ou que tenha que enfrentar conflitos como
Libra, pelos padrões clássicos. Câncer abre o verão, no hemisfério norte e este simbolismo
remete à função vida, à alimentação, à posse (secundariamente a Touro) e à manutenção da
ancestralidade, que é completada em Leão, na proliferação da vida pela descendência.

Libra abre o outono no hemisfério norte, o que é um símbolo de declínio da vida, de um abrir
mão da própria identidade em prol da atuação social. Libra com a regência de Vênus e com a
exaltação de Saturno, une em si dois princípios conflitantes: o princípio do prazer e o princípio
de realidade, semelhantemente aos modelos freudianos. É a necessidade de adequar o desejo
de autogratificação aos padrões impostos pela sociedade, isto é, àquilo que já existe antes do
indivíduo. Note que o "já existe", se refere a uma estrutura já estabelecida reguladora das
atitudes individuais. Aquilo que é preexistente pode ser considerado um processo cármico, mas
não é só por isso que Libra é conceituado desta forma. O próprio conceito de carma está
implícito no simbolismo do signo: a balança. A lei do carma é uma lei de equilíbrio de extremos,
extremos estes que podemos encontrar no mapa na forma de Virgem, de Escorpião, de Áries ou
mesmo dos seis conjuntos opostos que formam os eixos dos signos (ex.: Gêmeos-Sagitário;
Touro-Escorpião etc).
O chamado "caminho do meio", do Buda, é uma das formas de atingir o nirvana, isto é, a não-
necessidade de reentrada na roda de experiências carnais. É o caminho do equilíbrio, não
negando a existência de nada, mas considerando com profundidade os opostos e encontrando
um meio-termo. Mais ainda: Libra é considerado cármico por estar ligado aos relacionamentos. É
através deles, seja o de marido-esposa, seja o de inimigos, seja o de sócios, de clientes,
de oponentes etc, que vivenciamos com maior ênfase nossas facetas "sub" e in" conscientes.
Estamos todo o tempo nos confrontando conosco mesmos, inclusive quando não conseguimos
perceber aquele atributo que detestamos no outro em nós. É o clássico diálogo:
- O que devo fazer para chegar ao Reino dos Céus, mestre?
- Ama a teu próximo como a ti mesmo.
O próximo é o si mesmo. É nossa sombra, sem a qual não somos completos e se não somos
completos somos parciais. Se somos parciais, não temos percepção abrangente. Se não
temos essa percepção, provocamos desequilíbrios cada vez maiores, o que nos enreda na
teia intrincada de processos cármicos que culmina nos acontecimentos que nos forçam a
reencontrar os mesmos padrões que geraram o distúrbio.
Isso acontece até que possamos não só compreender como se dá o processo, mas que
possamos nos fundir (e isso é função de Escorpião, o signo seguinte) com o outro, isto é,
partilharmos a intimidade ou sabermos que o inimigo externo é produzido por nós mesmos.
Quanto mais profunda for a causa, menos controle teremos sobre essas oposições, mas
quanto mais conscientes da lei de equilíbrio (carma), melhor poderemos lidar com elas,
mesmo sujeitos às dores e perdas que não podemos evitar em nossa condição de seres
limitados.
Libra é isso. É o símbolo do esforço para amortecer o movimento pendular dos ritmos a que
nós, como seres sub-lunares estamos sujeitos.
Interessante notar que no Tarô, a carta da Justiça, que representa o carma, é representada
pelo signo de Libra. Na Árvore da Vida, no modelo da Golden Dawn, o passo da Justiça une
Gevurah (Marte) a Hesed (Júpiter), ambos representantes simbólicos dos extremos da
árvore: rigor/justiça e misericórdia/permissividade. O carma do ser humano é ser justo, ser
um tzedek, um ser que passa "pelo buraco de uma agulha" ou por "um lugar estreito", porque
não oscila pra lá e pra cá. Não oscila porque está consciente e torna-se humilde ao encolher-
se, ao tornar-se gérmen, como mostram os símbolos contidos no ato de ajoelharmo-nos, nas
contrações da mãe etc. O movimento de oscilação tem uma causa e ele é o efeito. Quanto
maior tiver sido a potência que originou o movimento, maior será o esforço para amortecê-lo,
assim como maior será o extremo oposto que ele vai evidenciar. Basta observar o movimento
de um pêndulo e temos um bom exemplo.

Câncer entra na linha de pensamento cármico através do elemento Água, mas como o
símbolo da ancestralidade, da marca genética, dos hábitos familiares e raciais. O culto ao
passado histórico, das linhagens e da cultura faz parte deste simbolismo. As reminiscências
do símbolo de Câncer são genéticas. As do símbolo de Escorpião são de vida após a morte
e as de Peixes são uma união dos dois processos anteriores. Eles se fundem na totalidade
que o útero representa, no estado de suspensão e bem-aventurança do qual a espécie
humana tem "saudade" e ao qual tem necessidade de retornar. Peixes é o símbolo do
retorno, do resgate, do salvamento, da remissão (o redentor). A remissão é a busca da
totalidade perdida.

Astrólogo Carlos Hollanda: c-hollanda@uol.com.br

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