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Enfrentando a ansiedade generalizada

O que é a Perturbação de Ansiedade Generalizada?


Pessoas com a Perturbação de Ansiedade Generalizada (PAG) têm preocupações persistentes e
perturbadoras diariamente. Experienciam também sintomas físicos, como inquietação, falta de ar,
palpitações, dores musculares, suores e insónias. Pessoas com PAG podem frequentemente ter uma outra
perturbação de ansiedade. Por exemplo, muitas pessoas com PAG têm também ansiedade social e
preocupam-se que as outras pessoas as vejam como ansiosas. Se não for tratada, a PAG frequentemente leva
à Depressão.

O que causa a Perturbação de Ansiedade Generalizada?


Há muitos fatores que podem conduzir à PAG. Entre 30% a 50% da causa pode ser genética, mas
experiências precoces na infância (tais como a perda de um parente, o sentimento de necessidade de dar
conforto e proteção a um parente, o divórcio parental, a superproteção dos pais ou constantes declarações
dos pais de que o mundo é um lugar perigoso), stresses recentes na vida, expetativas irrealistas sobre si
próprio e os outros, conflitos nos relacionamentos, abuso de álcool e cafeína, baixas competências de
enfrentamento e outros fatores também contribuem para a experiência de ansiedade.

Como é que pensar afeta a PAG?


Pessoas que sofrem com a ansiedade são atormentadas por um fluxo de pensamentos irracionais
que aumentam ainda mais a sua ansiedade: “as pessoas podem ver que eu sou ansiosa; elas pensam mal de
mim; sou a única que tenho este problema; não consigo suportar ser rejeitada; é horrível isto acontecer”.
Muitas pessoas com PAG têm um fluxo interminável de preocupações que começa com “e se…?”.
Pensamentos típicos deste tipo são “e se eu estiver a perder o controlo/enlouquecer/fazer figura de parva?”.
Também podem preocupar-se com as suas preocupações; por exemplo, “tenho de me ver livre desta
ansiedade imediatamente; eu vou falhar; a minha preocupação está fora de controlo e eu vou enlouquecer;
eu nunca deveria preocupar-me”.
Estas pessoas frequentemente têm sentimentos e crenças mistos sobre as suas preocupações. Por
um lado, acreditam que a sua preocupação as prepara e protege. Por outro, acreditam que a sua preocupação
as tornarão doentes e que precisam de parar completamente de se preocupar. Estas pessoas tendem
também a ser altamente intoleráveis à incerteza, acreditando que se não têm a certeza de uma coisa, então
essa coisa vai correr mal. As pessoas que sofrem com a ansiedade tendem a esperar o pior, que não serão
capazes de lidar com o stresse, e exigem certeza num mundo incerto. Assim sendo, poderá ter dificuldade
em viver no momento presente e desfrutar da vida, estando constantemente à procura de respostas que
poderá nunca obter.

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Como é que a personalidade afeta a PAG?


As pessoas com PAG são ansiosas em relação a coisas que são pessoalmente relevantes às suas
preocupações. Dependendo da personalidade, uma pessoa pode preocupar-se em cometer erros, não
alcançar o sucesso, sentir-se doente ou ser abandonada. Além disso, uma pessoa pode evitar ou sair de
situações que a deixam ansiosa ou pode tentar compensar a sua ansiedade tentando ser demasiado
controladora, demasiado preocupada em ser aceite ou tentando ser perfeita. As preocupações individuais e
a forma como lida com a ansiedade podem, assim, tornar uma pessoa mais vulnerável à ansiedade.

Como pode o tratamento ser útil?


A terapia cognitivo-comportamental, combinada ou não com a medicação, é especialmente útil no
tratamento da PAG. Durante as sessões de psicoterapia e como parte do seu trabalho de casa de autoajuda,
a pessoa com PAG pode aprender um vasto número de técnicas para diminuir a ansiedade. Vejamos algumas
dessas técnicas:
 Diminuir a ativação – é mais provável sentir-se ansiosa quando a pessoa está fisicamente mais
ativada. A pessoa deve examinar quanta cafeína e álcool consome. O seu terapeuta pode ensiná-la
exercícios de respiração e relaxamento para moderar esta ativação. A meditação e o yoga são
frequentemente úteis para acalmar o corpo e a mente. Em adição, exercício físico regular também
pode ser útil.
 Identificar e enfrentar os medos – o terapeuta irá ajudar a pessoa com PAG a reconhecer situações
específicas, sensações ou pensamentos que lhe são incómodos. Poderá ser pedido à pessoa para
classificar esses medos numa escala de menor para maior medo e para identificar exatamente o que
é que tem medo que aconteça. Através de uma exposição gradual e guiada a esses medos, com a
ajuda do terapeuta, a pessoa poderá começar a mudar a forma como experiencia essas situações.
 Modificar o pensamento – o terapeuta pode ajudar a pessoa a identificar e modificar o pensamento
negativo. A pessoa poderá estar a levar as coisas demasiado a sério, a envolver-se na adivinhação de
eventos que nunca acontecem ou a prever catástrofes que afinal foram meras inconveniências.
Muitas pessoas com PAG têm um conjunto de regras na vida, como “se não sou perfeita, sou um
fracasso; se alguém não gostar de mim, é um desastre; preciso de ter a certeza; nunca devia sentir-
me ansiosa”. Esta pessoa pode aprender a usar técnicas da terapia cognitiva para identificar e
modificar o seu pensamento de forma a torná-lo mais realista e justo para ela própria.
 Aprender a lidar com a preocupação – a pessoa com PAG pode acreditar que a sua preocupação a
ajuda a preparar-se e proteger-se. Ela poderá aprender a distinguir entre preocupação produtiva e
não-produtiva, a aceitar as limitações e viver com um certo nível de incerteza, a aproveitar o
momento presente sem julgamentos e a olhar para as preocupações como “barulho de fundo” que

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não necessita de controlar. A pessoa pode aprender a desligar a sensação de urgência que a coloca
constantemente sob pressão.
 Desenvolver inteligência emocional – muitas pessoas com PAG têm dificuldades em lidar com as
suas emoções. Frequentemente, acreditam que as suas emoções irão sobrecarregá-las, serão
infinitas ou que não fazem sentido. A vida não tem a ver com a eliminação das emoções; ela implica
que se aprenda a viver com elas. A terapia cognitivo-comportamental pode ajudar as pessoas a
aceitar as emoções que dão riqueza e significado à vida.
 Melhorar os relacionamentos – a ansiedade pode estar muitas vezes relacionada com conflitos e
mal-entendidos nos relacionamentos. A terapia pode ajudar na identificação destes assuntos
problemáticos, desenvolvendo formas mais eficazes de pensar sobre as relações e de lidar
ativamente para tornar as coisas melhores. A comunicação, o ouvir, a asserção, a resolução de
problemas mútua e o aumento de experiências positivas podem ser importantes na terapia.
 Tornar-se um solucionador de problemas – apesar de as pessoas com ansiedade tenderem a gerar
problemas que não existam, elas evitam resolvê-los. Isto porque muita da ansiedade é baseada no
evitamento de experiências que as deixam ansiosas. O terapeuta pode ajudar a tornar essa pessoa
um solucionador de problemas prático e produtivo, o que aumentará a confiança em relação a
potenciais problemas.

Medicação
Dependendo do quão severa é a PAG e do facto de a Depressão ser ou não parte do problema, o
médico pode prescrever um número de medicamentos que já se provaram eficazes no tratamento destas
perturbações. A eficácia da terapia cognitivo-comportamental pode ser aumentada com a medicação para
as perturbações de ansiedade. Benzodiazepinas e alguns antidepressivos são úteis para a PAG. Mas é o seu
médico que deve receitar a medicação, que nunca pode ser automedicada.