Você está na página 1de 261

DIREITO ADMINISTRATIVO

@dicasexconcurseira 1
BLOCO I - Caps. I, II e III
Cap.I – Organização do Estado (Aulas 01 a 05) ...............................................................................................................................3
Cap.II – Órgãos Públicos e Entidades da Administração (Aulas 01 a 14) .........................................................................................7
Cap.III – A Reforma do Aparelho do Estado; Contrato de Gestão; Terceiro Setor; OS; OSCIP; Regime Jurídico das Parcerias
Voluntárias; Serviços Sociais Autônomos; Entidades de Apoio; Agências Executivas; Agências Reguladoras (Aulas 01 a 06)
........................................................................................................................................................................................................23

BLOCO II – Caps.IV, V e VI
Cap.IV – Regime Jurídico Administrativo (Aulas 01 a 10) .............................................................................................................35
Cap.V – Poderes Administrativos (Aulas 01 a 05) .........................................................................................................................49
Cap.VI – Agentes Públicos (Aulas 01 a 25) ....................................................................................................................................58

BLOCO III – Caps.VII e VIII


Cap.VII – Atos Administrativos (Aulas 01 a 15) ...........................................................................................................................105
Cap.VIII – Contratos Administrativos (Aulas 01 a 10) ..................................................................................................................119

BLOCO IV – Caps.IX e X
Cap.IX – Licitação (Aulas 01 a 19) ................................................................................................................................................138
Cap.X – Serviços Públicos (Aulas 01 a 11) ....................................................................................................................................170

BLOCO V – Caps.XI, XII e XIII


Cap.XI – Responsabilidade Civil (Aulas 01 a 06) ..........................................................................................................................185
Cap.XII – Controle da Atividade Estatal (Aulas 01 a 13) ..............................................................................................................198
Cap.XIII – Improbidade Administrativa (Aulas 01 a 04) ...............................................................................................................214

BLOCO VI – Caps.XIV, XV e XVI


Cap.XIV – Processo Administrativo Federal (Aulas 01 a 07) ........................................................................................................222
Cap.XV – Bens Públicos (Aulas 01 a 06) .......................................................................................................................................233
Cap.XVI – Intervenção do Estado na Propriedade Privada (Aulas 01 a 09) .................................................................................242

Este material foi elaborado com base no curso de Ricardo Alexandre,


anotações das aulas do curso e na jurisprudência extraída no Dizer o Direito.

@dicasexconcurseira 2
BLOCO I - Caps.I, II e III

Capítulo I

Aula 01 - O Estado e sua organização 1

Noções Introdutórias
O espírito de associação é próprio da natureza humana e advém da necessidade de cooperação para que se alcance
objetivos maiores.
Pessoas jurídicas são entidades a quem a ordem jurídica confere personalidade jurídica, possibilitando-lhes a atuação
como sujeitos de direitos e obrigações.

Classificação das pessoas jurídicas:


a) De direito privado: predominam os interesses privados. São elas: associações, sociedades, fundações privadas,
organizações religiosas, partidos políticos, EIRELI.
b) De direito público: regime jurídico de direito público, onde o Estado aparece numa posição de supremacia, em razão
da supremacia do interesse público. Pode ser:
b.1. De direito público externo: estados estrangeiros, organizações internacionais e todas as pessoas que forem regidas
pelo direito internacional público.
b.2. De direito público interno: União, Estados, DF, Territórios e Municípios (pessoas políticas) + autarquias (inclusive
associações públicas) e demais entidades de caráter público criadas por lei (ex: fundações públicas).

Conceito de Estado: é pessoa jurídica de direito público externo constituída por 3 elementos indissociáveis: povo,
território e governo soberano.

Formas de Estado:
a) Estado Unitário: há centralização política; há apenas um governo central. Ex: França, Inglaterra, Paraguai, Uruguai.
b) Estado Federado (complexo ou composto): há descentralização política. O poder político é exercido em todo o
território nacional, dividindo o exercício do poder político ente estados e municípios. Somos um federalismo de terceiro grau,
pois admitimos como autônomos, também, os Municípios. Peculiaridade: o município não tem participação na elaboração da
vontade do todo (não há uma casa nacional que represente os municípios).

Estado brasileiro - características:


a) Forma federativa;
b) Pessoas políticas:
b.1) União: poder político central;
b.2) Estados-Membros: poderes regionais;
b.3) Distrito Federal: poderes regionais e locais;
b.4) Municípios: poderes locais.
c) Relação entre os entes políticos: de coordenação (um não se sobrepõe ao outro).
d) Autonomia: os entes agem em liberdade vigiada, de acordo com a CF/88.

Aula 02 - O Estado e sua organização 2

Tripartição do poder e a função administrativa: o Estado se submete ao direito que ele mesmo elaborou, por meio do
povo.

Funções básicas do Estado Blocos orgânicos (art.2º, CF)


a) Administrativas (ou executivas); a) Poder Executivo;
b) Legislativas; b) Poder Legislativo;
c) Judiciais. c) Poder Judiciário.

Objetivos básicos:
a) Garantir os próprios direitos individuais: checks and balances; isso porque a tendência de todo poder é se tornar
absoluto, caso não haja um outro poder que o controle. E, segundo a CF, os três poderes são independentes, mas harmônicos
entre si.
b) Garantir a eficiência: racional divisão de atribuições e competências.

@dicasexconcurseira 3
Funções típicas:
Poder Legislativo: legislativa/normativa (e fiscalizatória, para alguns doutrinadores);
Poder Judiciário: jurisdicional;
Poder Executivo: administrativa ou executiva.

Funções atípicas:
Poder Legislativo: administrativa e jurisdicional (ex: admissão do processo por crime de responsabilidade pela Câmara
dos Deputados e julgamento pelo Senado Federal);
Poder Judiciário: normativa (ex: cada tribunal elabora seu regimento interno) e administrativa;
Poder Executivo: normativa (ex: edição de medida provisória) e jurisdicional (ex: julgamento de processos
administrativos).

Aula 03 - Administração Pública

Governo e Administração
Governo: função política e com alto grau de discricionariedade.
Administração: realiza a implementação das políticas.

Governo Administração

a) Natureza política; a) Execução das decisões políticas tomadas pelo


governo;

b) Atribuição de formar as políticas públicas; b) Atuação técnica/neutra;

c) Decisões políticas independentes e discricionárias; c) Decisões vinculadas à lei ou à norma técnica


(normalmente);

d) Caráter político. d) Caráter instrumental.

Formas de governo:
1. República:
a) Elegibilidade dos representantes do povo;
b) Temporalidade dos mandatos dos governantes;
c) Dever de prestar contas (responsabilidade dos governantes)

2. Monarquia
a) Investidura de um monarca na chefia de um Estado;
b) Transmissão do poder de forma hereditária e vitalícia (ou até abdicação);
c) Inexiste, em regra, dever de prestar contas (irresponsabilidade do monarca).

Sistemas de governo: como se relacionam os poderes Legislativo e Executivo


1. Presidencialismo: independência maior entre o Executivo e o Legislativo. O presidente é chefe de governo e chefe de
Estado.
2. Parlamentarismo: o presidente necessita do apoio do Legislativo para se manter no poder. A chefia de governo é
exercida por uma pessoa oriunda/indicada pelo Parlamento (Primeiro Ministro), e a chefia de Estado é exercido por outra
pessoa.

Presidencialismo:
a) Chefia do Poder Executivo exercida pelo Presidente;
b) Cumulação de funções (chefe de Estado e chefe de Governo);
c) Mandato fixo, não dependendo da confiança do parlamento para a manutenção do cargo;
d) Membros do Poder Legislativo eleitos para mandatos fixos.

Parlamentarismo:
a) Há divisão de atribuições (chefia dual do Executivo);
b) Chefia de Estado: Monarca ou Presidente;
c) Chefia de Governo: Primeiro-Ministro ou Presidente do Conselho de Ministros;
d) Confiança do Parlamento.
@dicasexconcurseira 4
Sentidos da expressão “Administração Pública”
1. Sentido subjetivo/orgânico/formal: Administração Pública designa os entes que exercem as funções administrativas,
compreendendo as pessoas jurídicas, os órgãos e os agentes incumbidos dessa função.
2. Sentido objetivo/material: administração pública (grafada em minúsculas, por se referir à função administrativa) é
caracterizada pela própria atividade administrativa exercida pelo Estado, por meio de seus agentes e órgãos.

Aula 04 - Direito Administrativo 1

Administração pública extroversa e introversa:

Administração pública extroversa/externa:


a) Funções enquadradas como atividades-fim da administração;
b) Interesses públicos primários;
c) Direto benefício aos administrados destinatários da atuação estatal.
Poder extroverso: o Estado usando do seu poder de império.

Administração pública introversa/interna:


a) Funções enquadradas como atividades-meio da administração;
b) Interesse público visto de maneira mediata;
c) De maneira imediata, satisfação dos interesses institucionais da Administração;
d) Pessoal, bens e serviços.

Administração pública em sentido material: atividades que contribuam direta (atividades-fim) ou indiretamente
(atividades-meio) com as seguintes atuações estatais:
a) Polícia Administrativa;
b) Intervenção;
c) Fomento;
d) Serviço público.

Administração pública em sentido amplo e em sentido estrito:

Administração pública em sentido amplo:


a) Aspecto subjetivo: órgãos constitucionais de Governo e órgãos administrativos subordinados;
b) Aspecto objetivo: formulação de políticas públicas (função de Governo) e execução dessas políticas públicas (função
administrativa).

Administração pública em sentido estrito:


a) Aspecto subjetivo: órgãos administrativos subordinados à estrutura de governo;
b) Aspecto objetivo: execução das políticas públicas (função administrativa).

O Direito Administrativo e os outros ramos do Direito


O Direito pode ser definido como um conjunto de normas e princípios impostos coativamente pelo Estado, com o
objetivo de disciplinar as relações sociais.

Princípios
Direito privado: predomínio do interesse dos particulares.
a. Igualdade entre as partes;
b. A disponibilidade de interesses;
c. A liberdade contratual (autonomia da vontade).

Direito público: predomínio do interesse público.


a) Supremacia do interesse público sobre o interesse privado;
b) Indisponibilidade do interesse público;
c) Legalidade. Entre particulares é permitido fazer tudo o que a lei não proíbe; no âmbito público, o agente público só
pode agir quando há autorização legal.

@dicasexconcurseira 5
Aula 05 - Direito Administrativo 2

Origem do Direito Administrativo


- Fins do séc.XVIII e início do séc.XIX;
- Na Idade Média, prevalecia as monarquias absolutas (the king do no wrong)
- Estado Moderno: Revolução Francesa, 1789;
- Lei de 28 do Ano VIII (1800);
- Caso Blanco, 1873 (Agnès Blanco) - Conselho de Estado vs. Corte de Cassação (na França, há dualidade de jurisdição).
Agnès foi atropelada por um bonde público. Decidiu-se que quem deveria julgar o caso era o Conselho de Estado.

Objeto do Direito Administrativo


- Varia no tempo e no espaço.
- Pretende disciplinar:
a) Relações internas entre órgãos e entidades administrativas;
b) Relações entre a administração e os seus agentes, quer sejam regidos pelo estatuto funcional ou pela CLT;
c) Relações entre a administração e os seus administrados, quer sejam predominantemente de direito público ou de
direito privado;
d) As atividades administrativas exercidas por prestadores de serviços públicos delegados.

Conceito de Direito Administrativo - Critérios:


a) Legalista (Escola Legalista): o direito administrativo trata das normas administrativas.

b) Do Poder Executivo: o direito administrativo disciplina as atividades do Poder Executivo.

DAS MAIS COBRADAS EM CONCURSO PÚBLICO:


c) Do Serviço Público (ou Escola do Serviço Público): originada do caso Blanco.
c.1. Sentido Amplo (Duguit e Bonnard) —> todas as atividades estatais, inclusive judiciais;
c.2. Sentido Estrito (Jèze) —> atividades materiais, que atendem às necessidades coletivas, no uso do direito
exorbitante.

CESPE: Na França, formou-se a denominada Escola do Serviço Público, inspirada na jurisprudência do Conselho do Estado (caso
Blanco, principalmente), segundo a qual a competência dos tribunais administrativos passou a ser fixada em função da execução
dos serviços públicos.

d) Das Relações Jurídicas: estudo da relação jurídica entre a administração e o administrado.


e) Teleológico (ou finalístico): todas as normas que disciplinam a atuação da administração em busca do interesse
público.

f) Negativo/Residual: todas as funções estatais em busca do bem comum, com exclusão da função jurisdicional e
legislativa.

g) Da Administração Pública.

Helly Lopes Meirelles: Conjunto harmônico de princípios jurídicos que regem os órgãos, os agentes e as atividades públicas
tendentes a realizar concreta, direta e imediatamente os fins desejados pelo Estado.

Celso Antônio Bandeira de Mello: O direito administrativo é o ramo do direito público que disciplina a função administrativa,
bem como pessoas e órgãos que a exercem.

Maria Sylvia Zanella Di Pietro: O ramo do direito público que tem por objeto os órgãos, agentes e pessoas jurídicas
administrativas que integram a Administração Pública, a atividade jurídica não contenciosa que exerce e os bens de que se utiliza
para a consecução de seus fins, de natureza pública.

José dos Santos Carvalho Filho: O conjunto de normas e princípios que, visando sempre o interesse público, regem as relações
jurídicas entre as pessoas e órgãos do Estado e entre este e as coletividades a que devem servir.

@dicasexconcurseira 6
Fontes do Direito Administrativo

Fonte principal/primordial/primária Fonte secundária

a) Lei. a) Doutrina —> tende a se universalizar;

b) Jurisprudência —> tende a ser mais local (é mais


nacional).

c) Costumes - requisitos:
i. Uso;
ii. Convicção generalizada da necessidade de sua
obrigatoriedade (cogência).

Capítulo II

Aula 01 - Órgãos Públicos

Teorias sobre a relação do Estado com os agentes públicos:


a) Do mandato: o agente público seria como se fosse um procurador/mandatário, que praticaria os atos em nome do Estado.
Não explica algumas situações como a ação do mandatário que vai além dos poderes conferidos no mandato. A
responsabilidade seria pessoal do agente (só este responde pelo excesso). Isso não se coaduna com o estágio atual da
responsabilidade civil do Estado.

b) Da representação: o agente público representa o Estado (como o curador/tutor que age representando o
tutelado/curatelado). Não teria como responsabilizar o Estado quando um agente público fosse além dos poderes conferidos
pela representação. Esta teoria falha pelo mesmo motivo da outra. e além: se estamos dizendo que a teoria da representação se
refere aos incapazes, seria dizer que o Estado é um incapaz. E como esse incapaz poderia outorgar representação para alguém?

c) Do órgão (imputação volitiva) - Otto Gierke: o órgão é parte de um todo; a parte não se confunde com o todo. Agora, tudo o
que a parte faz é imputado ao todo. “Volitiva” = a vontade enxergada na atuação do órgão é a vontade da pessoa que este órgão
representa. É a teoria que prevalece no direito brasileiro.

Conceito de órgão público


a) Teoria subjetiva: o órgão é o próprio agente público. Se a pessoa morrer, o órgão também se extinguiria…?
b) Teoria objetiva: o órgão é um conjunto de atribuições. É a teoria que prevalece no direito brasileiro.
c) Teoria mista/eclética: o órgão seria o conjunto de agente e o conjunto de atribuições.

Helly Lopes Meirelles: órgãos públicos são centros de competência (TEORIA OBJETIVA) instituídos para o desempenho de
funções estatais, através de seus agentes, cuja atuação é imputada à pessoa jurídica (TEORIA DO ÓRGÃO/IMPUTAÇÃO
VOLITIVA) a que pertencem.

Aula 02 - Órgãos Públicos 2

Características dos órgãos públicos:


a) Centro ou compartimento de competências;
b) Parte de um todo;
c) Razão de ser: especialização de funções estatais;
d) Existe tanto nas pessoas políticas, quanto nas puramente administrativas;
e) Quando a União age por seus próprios órgãos, há o exercicio pela administração direta; quando a União cria outra
pessoa, há atuação pela administração indireta. OBS: quando a pessoa jurídica quer se especializar em órgãos, deve fazê-lo por
meio de lei (a extinção também se dará por lei — princípio do paralelismo das formas). A atuação e funcionamento do órgão
pode ser disciplinada por decreto.
f) Ausência de personalidade jurídica;
g) Regra: ausência de capacidade processual. Exceção: capacidade processual ou ‘personalidade judiciária” de órgãos
constitucionais (Poder Legislativo/Executivo/Judiciário, Tribunal de Contas, MP, DP), na defesa de competências e prerrogativas
violadas por outro órgão (entendimento jurisprudencial).

@dicasexconcurseira 7
Classificação dos órgãos públicos à CAI EM PROVA!
- Quanto à posição estatal: hierarquia.
a) Órgãos independentes: derivam diretamente da Constituição. Ex: Poder Legislativo, Executivo, Judiciário, MP,
Tribunal de Contas, DP.
b) Órgãos autônomos: estão imediatamente abaixo dos órgãos independentes. Exs: Ministérios, AGU, Secretarias
Estaduais/Municipais.
c) Órgãos superiores:
d) Órgãos subalternos: órgãos de mera execução, sem qualquer autonomia e sem poder decisório.

- Quanto à estrutura: quantidade de órgãos.


a) Simples (ou unitários): é aquele que, dentro de sua estrutura, não tem outro órgão.
b) Compostos: quase todo órgão é composto, pois quase todo órgão tem um outro órgão dentro de sua composição.

- Quanto à atuação funcional: poder de decisão dentro do órgão.


a) Singulares (ou unipessoais): apenas uma única pessoa tem o poder decisório. Ex: Presidência da República.
b) Colegiados (ou pluripessoais): a decisão é tomada por um conjunto de pessoas, que agem com poderes
praticamente iguais. Ex: tribunais.

- Quanto à esfera de ação:


a) Centrais: órgãos que tem competência para atuar em toda a região em que atua a pessoa jurídica.
b) Locais.

- Quanto às funções exercidas (Celso Antônio Bandeira de Mello):


a) Ativos: órgãos que tem competência para tomar as decisões políticas.
b) De controle: órgãos que controlam a atuação dos demais órgãos. Ex: Tribunal de Contas.
c) Consultivos: órgãos que emitem opiniões.
d) Verificadores: órgãos que verificam de forma técnica. Ex: Instituto Médico Legal.
e) Contenciosos: órgãos responsáveis por dirimir certos conflitos.

Aula 03 - Órgãos Públicos 3

Organização da Administração Pública


- Formas de exercício da atividade administrativa:
a) Centralizada: só uma pessoa jurídica exerce a atribuição, de forma centralizada. Exs: União, Estados, DF e Municípios.
Ex: A segurança pública exercida pela policia federal (União).
b) Descentralizada: quando a pessoa jurídica atribui a uma outra o exercício de determinada atividade, via outorga
(pessoa criada pelo poder público) ou delegação (particular). Não importa se esta outra pessoa jurídica é pública ou privada.
Entre as pessoas jurídicas descentralizadas (pessoas jurídicas administrativas) e a Administração Direta (pessoas políticas) não há
hierarquia, mas um “controle finalístico”/tutela administrativa.

- Formas de exercício de competências dentro de uma mesma pessoa jurídica:


a) Concentração:
b) Desconcentração: divisão em órgãos.
FCC: A desconcentração está relacionada ao tema hierarquia. — CORRETO

Combinação dos fenômenos:


a) Centralização concentrada; c) Descentralização concentrada;
b) Centralização desconcentrada; d) Descentralização desconcentrada.

Modalidades de descentralização (Maria Sylvia Zanella Di Pietro)


a) Descentralização territorial/geográfica: é o caso do Territórios, que existiam no Brasil (Fernando de Noronha era um
território). Uma nova pessoa jurídica de direito publico, que fazia parte da União
b) Descentralização por serviços/funcional/técnica: é o mais comum. A União cria uma outra entidade, na
Administração Indireta, e esta entidade irá prestar determinado serviço público. Ex: Correios.
c) Descentralização por colaboração: é atribuir uma atividade a pessoa jurídica de direito privado.

Formas de descentralização (Hely Lopes Meirelles):


a) Outorga: é a descentralização por serviços da classificação de Di Pietro.

@dicasexconcurseira 8
b) Delegação: é a descentralização por colaboração de Di Pietro. Poderá se dar por: concessão, permissão e
autorização.

Aula 04 - Órgãos Públicos 4

Administração Direta: órgãos integrantes das pessoas federativas (pessoas políticas - União, Estados, DF e Municípios), que
exercem a atividade administrativa de forma centralizada.

Administração Indireta: pessoas jurídicas criadas pelos entes federados, vinculadas às respectivas Administrações Diretas, cujo
objetivo é exercer a função administrativa de forma descentralizada.

- Principais características das entidades da Administração Indireta:


a) Personalidade jurídica própria;
b) Regime jurídico de direito público ou de direito privado;
c) Manifestação da descentralização por serviço, funcional ou técnica (outorga);
d) Criação dependente de lei;
e) Capacidade de autoadministração;
f) Ausência de autonomia política;
g) Vinculação (e não “subordinação”) a órgãos da Administração Direta do ente político instituidor.

- Espécies das entidades da Administração Indireta:


a) Autarquias
b) Fundações públicas;
c) Empresas públicas;
d) Sociedades de economia mista.
* Consórcios públicos: alguns doutrinadores apontam como se fosse uma quinta entidade da administração indireta; só que, na
própria lei que trata de consorcio público, diz que consórcio é autarquia. Faz parte da administração indireta de vários entes
(União, Estado, etc) ao mesmo tempo. Posicionamento de Ricardo Alexandre: não são uma nova entidade da Administração
Indireta; se enquadram como autarquia ou empresa pública, a depender do tipo de consórcio.

CF, art.37, XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de
sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação;
Autarquia —> criação direta por lei.
OBS: tem caso de lei que cria diretamente fundação. STF: algumas fundações públicas são espécie de autarquia. A
chamada “fundação autárquica/autarquias fundacionais”.
Demais entidades —> criação autorizada por lei.

Extinção das entidades da Administração Indireta:


Observar o princípio do paralelismo das formas/simetria.

DE OLHO NA JURIS! Decreto não pode extinguir colegiado previsto em lei


É proibida a extinção, por ato unilateralmente editado pelo chefe do Poder Executivo, de colegiado cuja existência encontre
menção em lei em sentido formal, ainda que ausente a expressa referência “sobre a competência ou a composição”. Caso
concreto: o Presidente da República editou o Decreto nº 9.759/2019 extinguindo uma série de colegiados existentes na
Administração Pública federal. O art. 1º, § 2º deste Decreto previu que ficariam extintos os colegiados que sejam mencionados
em lei, mas sem que esta tenha definido a competência ou a composição. O STF, em medida cautelar, declarou a
inconstitucionalidade dessa previsão, considerando que a extinção desses colegiados mencionados em lei somente poderia
ocorrer também mediante lei (e não por decreto). STF. Plenário. ADI 6121 MC/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 12 e
13/6/2019 (Info 944).

Iniciativa legislativa para criação de entidades administrativas


Quem propõe é o chefe do poder a quem vai estar vinculada a entidade. Em quase 100% dos casos, quem cria a
entidade administrativa é o chefe do Poder Executivo. Mas, teoricamente, é possível que os demais poderes criem entidades da
administração indireta.

Entidades paraestatais
Não compõem a Administração Pública; atuam ao lado do estado; realizam atividades que são de interesse do Estado;
podem receber subsídios do Estado.

@dicasexconcurseira 9
Aula 05 - Autarquias 1

Definição: pessoas jurídicas de direito público, integrantes da Administração Indireta, criadas por lei específica, que possuem
capacidade de autoadministração, sendo encarregadas do desempenho descentralizado de atividades administrativas típicas do
Poder Público, sujeitando-se a controle (controle finalístico/tutela administrativa) pelo ente criador.

Classificação das autarquias:


- Divisão tradicional:
a) Territoriais: não existem mais. Eram os territórios federais.
b) Institucionais: as mais comuns. Ex: INSS.

- Classificações de José dos Santos Carvalho Filho:


i. Quanto ao nível federativo: federais, estaduais, distritais ou municipais;

ii. Quanto ao objeto: assistenciais, previdenciárias, culturais (Universidades Federais; parte das universidades são criadas como
autarquias e outras como fundações), profissionais/corporativas (exs: CREA, CRM, etc; fiscalizam o exercício de profissões; seu
pessoal deve ser admitida por concurso público*), de controle (ex: agências reguladoras**), associativas (consórcios públicos de
direito público***), administrativas (categoria residual);

OBS: STF —> a OAB não se enquadra na Administração Indireta; constitui um serviço público autônomo; é entidade sui generis.
Isso porque a OAB tem uma atuação institucional (e não apenas corporativa, de defender as prerrogativas dos seus
profissionais). A OAB defende a sociedade, defende direitos que extrapola os direitos dos próprios advogados.

** Agência reguladora é uma autarquia que recebe uma qualificação.

*** Consórcio público de direito público é uma autarquia interfederativa, pois atua em diversos entes, ao mesmo tempo.

iii. Quanto à natureza (regime jurídico): comuns (ou em regime comum); especiais (ou em regime especial: como as autarquias
de controle, que são as agencias reguladoras; as associativas, que são os consórcios públicos de direito púbico; os conselhos de
fiscalização profissional).

DE OLHO NA JURIS! Carros dos conselhos profissionais não podem ser registrados como veículos oficiais
Os conselhos de fiscalização profissional não possuem autorização para registrar os veículos de sua propriedade como oficiais.
STJ. 1ª Turma. AREsp 1029385-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 05/12/2017 (Info 619).

É constitucional a previsão da lei de que determinadas atividades são privativas de nutricionistas


É constitucional a expressão “privativas”, contida no caput do art. 3º da Lei nº 8.234/91, que regulamenta a profissão de
nutricionista, respeitado o âmbito de atuação profissional das demais profissões regulamentadas. STF. Plenário. ADI 803/DF, Rel.
Min. Gilmar Mendes, julgado em 28/9/2017 (Info 879).

Conselho de Contabilidade, no exercício de fiscalização, pode requisitar dos contadores os livros e fichas contábeis de seus
clientes
O ato do Conselho de Contabilidade que requisita dos contadores e dos técnicos os livros e fichas contábeis de seus clientes, a
fim de promover a fiscalização da atividade contábil dos profissionais nele inscritos, não importa em ofensa aos princípios da
privacidade e do sigilo profissional. STJ. 1ª Turma.REsp 1420396-PR, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 19/09/2017 (Info 612).

Quem pode ser responsável técnico em drogarias


É facultado aos técnicos de farmácia, regularmente inscritos no Conselho Regional de Farmácia, a assunção de responsabilidade
técnica por drogaria, independentemente do preenchimento dos requisitos previstos nos arts. 15, § 3º, da Lei nº 5.991/73, c/c o
art. 28 do Decreto nº 74.170/74, entendimento que deve ser aplicado até a entrada em vigor da Lei nº 13.021/2014. Obs: após a
Lei nº 13.021/2014 apenas farmacêuticos habilitados na forma da lei poderão atuar como responsáveis técnicos por farmácias
com manipulação e drogarias. STJ. 1ª Seção.REsp 1243994-MG, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 14/6/2017 (recurso
repetitivo) (Info 611).

Suspensão ou cancelamento do registro do profissional que atrasar anuidades


Segundo o art. 8º da Lei nº 12.514/2011, para que os Conselhos Profissionais ajuízem execução fiscal cobrando anuidades em
atraso, é necessário que o total da quantia executada seja de, no mínimo, quatro vezes o valor da anuidade. Mesmo sem poder
executar a dívida, o Conselho Profissional poderá adotar uma outra sanção contra o inadimplente: poderá suspender ou
cancelar seu registro profissional. Assim, o fato de os conselhos não poderem executar dívidas inferiores a quatro vezes o valor
@dicasexconcurseira 10
cobrado anualmente da pessoa física ou jurídica inadimplente, não impede que seja feita a suspensão ou o cancelamento do
registro do profissional que deixar de efetuar o pagamento das anuidades. Isso está previsto no art. 8º, parágrafo único, da Lei
nº 12.514/2011. No caso específico dos Engenheiros e Arquitetos, o cancelamento do registro somente pode acontecer desde
que o atraso seja de, no mínimo, duas anuidades consecutivas (art. 64 da Lei nº 5.194/66). STJ. 2ª Turma. REsp 1659989-MG,
Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 25/4/2017 (Info 603)

Conselhos profissionais não estão sujeitos ao regime de precatórios


Os pagamentos devidos, em razão de pronunciamento judicial, pelos Conselhos de Fiscalização (exs: CREA, CRM, COREN, CRO)
não se submetem ao regime de precatórios. STF. Plenário. RE 938837/SP, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco
Aurélio, julgado em 19/4/2017 (repercussão geral) (Info 861).

Técnico de futebol não precisa ser inscrito no Conselho Regional de Educação Física
O exercício da profissão de técnico ou treinador profissional de futebol não se restringe aos profissionais graduados em
Educação Física, não havendo obrigatoriedade legal de registro junto ao respectivo Conselho Regional. STJ. 2ª Turma.REsp
1650759-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 6/4/2017 (Info 607).

Anuidade da OAB não tem natureza tributária


Os créditos decorrentes da relação jurídica travada entre a OAB e os advogados não compõem o erário e, consequentemente,
não têm natureza tributária. Por isso, a pretensão executória de tais verbas observará o prazo prescricional estabelecido pelo
Código Civil. STJ. 1ª Turma. REsp 1574642/SC, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 16/02/2016.

Os Conselhos Profissionais exercem atividade tipicamente pública


Os Conselhos Profissionais são criados por lei e possuem personalidade jurídica de direito público, exercendo uma atividade
tipicamente pública, qual seja, a fiscalização do exercício profissional. Os Conselhos são dotados de poder de polícia e poder
arrecadador. STF. 1ª Turma. MS 28469, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09/06/2015.

Para que o Conselho Profissional demita um servidor seu, é necessário processo administrativo?
SIM. Como os Conselhos de Fiscalização Profissional têm natureza jurídica de autarquia, devem ser aplicados aos seus servidores
os arts. 41 da CF/88 e 19 do ADCT, razão pela qual não podem ser demitidos sem a prévia instauração de processo
administrativo. Assim, o servidor de órgão de fiscalização profissional não pode ser demitido sem a prévia instauração de
processo administrativo disciplinar. STF. 2ª Turma. RE 838648 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 07/04/2015. Exceção: OAB
(STF ADI 3026).

Criação das autarquias


É feita diretamente por lei específica (art.37, XIX, CF). A personalidade jurídica da autarquia se inicia imediatamente
com a vigência da respectiva lei instituidora, não sendo necessário registro de atos constitutivos em cartório para tal fim.
É necessário que a referida lei trate unicamente da instituição da autarquia, não podendo dispor sobre outras matérias.
É isso o que quer dizer a expressão “lei específica” do inc.XIX, art.37.
Sua extinção também deve se dar por meio de lei (princípio do paralelismo das formas).

Atividades desenvolvidas, atos e contratos:


- Atividades típicas de Estado, sendo vedado o exercício de atividades econômicas;
- Editam atos administrativos e firmam contratos administrativos (com atributos e cláusulas exorbitantes);
- Sujeitam-se à licitação;
- Necessário concurso público para admissão de pessoal.

Bens autárquicos
Possuem natureza de bens públicos e são impenhoráveis, imprescritíveis (não podem ser adquiridos por usucapião) e
inalienáveis (poderá ser alienado, atendidas determinadas condições, no processo de desafetação).

Aula 06 - Autarquias 2

Relação da autarquia com o ente político instituidor e o controle finalístico:


- Contraem obrigações e exercem direito em nome próprio;
- Controle finalistico pelo ente instituidor;
- Controle externo do legislativo, com o auxílio do Tribunal de Contas (arts.70 e 71, CF).

@dicasexconcurseira 11
Regime de pessoal das autarquias
Redação anterior à EC 19/1998:

A União, os Estados, o DF e os Municípios instituirão, no âmbito de sua competência, regime jurídico único e planos de carreira
para os servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas.

Redação posterior à EC 19/1998:


CF, Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de sua competência, regime jurídico
único e planos de carreira para os servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas. —> DEU
FIM AO REGIME JURÍDICO UNICO.

ATENÇÃO! Este art.39 teve sua eficácia suspensa pelo STF na ADI 2.135, em 02.08.2007. O STF reconheceu inconstitucionalidade
formal na aprovação do novo art.39. Voltou-se, portanto, a exigir o regime jurídico único. Tal decisão foi proferida com efeitos
ex nunc (não retroativos). Os agentes públicos admitidos entre a publicação da EC 19/1998 e a decisão do STF segundo um
regime jurídico diferenciado permanecem nesta situação ao menos até o julgamento do mérito da ADI.

Resumindo, hoje vigora o regime jurídico único.

Foro competente para os litígios judiciais


CF, Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:
I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés,
assistentes ou oponentes, EXCETO as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do
Trabalho;

Exceções:
a) Falência
b) Acidentes de trabalho
c) Justiça Eleitoral
d) Justiça do Trabalho

OBS: se a autarquia for ESTADUAL, obviamente, será a Justiça Estadual.

Privilégios processuais:
Fazenda Pública = União, Estados, DF, Municípios, autarquias e fundações públicas.
i. Prazo processual em dobro;
ii. Remessa necessária ao segundo grau de jurisdição
iii. Desnecessidade de depósito prévio das despesas processuais
iv. Prescrição quinquenal (Decreto 20.910/1932 c/c Decreto-Lei 4.597/1942)
v. Créditos cobrados usando o processo especial das execuções fiscais (Lei 6.830/1980).

Responsabilidade civil
CF, art.37, §6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos
danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos
de dolo ou culpa. —> responsabilidade civil OBJETIVA do Estado.

Imunidade tributária:
CF, Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e
aos Municípios:
VI - instituir impostos sobre:
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
§2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se
refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. - STF: só cobra se
houver um desvio de finalidade; se não houver finalidade nenhuma (ex: o terreno está vazio), não poderá cobrar IPTU.

STJ, REsp 726.326/MG: A imunidade do IPTU existe mesmo em relação aos imóveis autárquicos alugados a terceiros, desde que
a renda auferida com o mesmo seja utilizada na satisfação dos objetivos da autarquia.

CF, art.150, § 3º As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços,
relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em
@dicasexconcurseira 12
que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação
de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. - tinha gente que comprava o imóvel de uma autarquia; para transferir a
propriedade, tem que registrar no cartório; enquanto não registrar, o imóvel ainda não é se, mas sim da autarquia; isso fazia
com que a pessoa não quisesse registrar, porque aí não teria que pagar imposto nunca.
STF, Súmula 583: Promitente comprador de imóvel residencial transcrito em nome de autarquia é contribuinte do IPTU.

Aula 07 - Fundações Públicas 1

Fundação —> patrimônio separado para alcance de determinado fim.


OBS: o poder publico cria autarquia no lugar de uma fundação, e cria fundação no lugar de autarquia. O STF acabou
dizendo, antes mesmo da CF/88, que as fundações eram uma espécie de autarquia. Isso porque não dava para diferenciar as
fundações que estavam sendo criados das autarquias propriamente ditas. Quando foram criadas fundações diretamente por lei,
foi dito que a fundação era de direito público. Sendo que a CF é muito clara quando diz que a lei cria a autarquia. E aí, diremos
que a lei é inconstitucional? A lei não poderia criar uma fundação? O nome que se dá a uma coisa não muda a natureza da coisa.
Em direito acontece muito isso; a pessoa tenta driblar uma regra e coloca um nome diferente.
E aí surgiram expressões curiosas “fundações autárquicas” e “autarquias fundacionais”. Sao fundações que são espécie
de autarquia; mais uma autarquia especial.
A fundação criada pelo poder público de maneira correta, conforme à CF, será uma fundação pública de direito privado
(personalidade jurídica de direito privado)
Fundações públicas de direito público —> personalidade jurídica de direito público —> forma de criação: diretamente
na lei.
Fundações públicas de direito privado —> personalidade jurídica de direito privado —> forma de criação: autorização
legal + registro dos atos constitutivos no órgão competente (cartório). Regime jurídico predominantemente privado (tem
interferência de direito público).
Arts.62 a 69 do Código Civil.

Conceito: pessoa jurídica de direito publico ou privado, integrante da administração indireta, criada mediante a vinculação de
uma parcela do patrimônio publico ao exercício, de forma descentralizada, de atividades sociais sem finalidade lucrativa,
encontrando-se vinculada ao ente instituidor.
OBS: não ter finalidade lucrativa não significa que ela não tenha lucro. Para ver se tem finalidade lucrativa ou não, é
necessário observar se a entidade reparte seu lucro/receita/excedente.

Finalidade: descentralizar a execução de certas atividades.

Características:
- Patrimônio próprio e personalidade jurídica distinta do ente instituidor;
- Exercício de uma entidade de interesse social;
- Vedado desenvolver atividade visando ao lucro;
- Exemplos: Fundação Nacional do Índio (FUNAI); Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE);
- Podem ser constituídas sob o regime de direito publico ou privado;
- Encontram-se vinculadas à pessoa federativa que as criou e sofrem controle finalístico (tutela administrativa) por
parte desta.
- Possuem apenas capacidade administrativa (capacidade de autoadministração);
- Submetem-se ao controle externo exercido pelo Poder Legislativo, com o auxilio do Tribunal de Contas;
- São consideradas como espécie do gênero “autarquias”, daí porque este tipo de fundação pública também é chamado
de “fundação autárquica”; —> vale para as fundações de direito público.
- O início da personalidade jurídica das fundações autarquias coincide com a vigência da respectiva lei instituidora;
- Quanto às fundações publicas de direito privado, a lei apenas autoriza a sua instituição e a aquisição da personalidade
jurídica ocorre com o registro da escritura publica de constituição no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas.

Características básicas:
- A figura do instituidor, que faz a doação patrimonial;
- O objeto, consistente em atividades de interesse social; e
- A ausência de finalidade lucrativa.

Criação
Fundações públicas de direito público —> criação direta por lei.
Fundações públicas de direito privado —> criação autorizada por lei + operacionalizada com o arquivamento dos atos
constitutivos no Registro Civil das Pessoas Jurídicas.
@dicasexconcurseira 13
Aula 08 - Fundações Públicas 2

Extinção
Observância do princípio da simetria das formas jurídicas.

Regime jurídico das fundações públicas

Fundações Públicas de Direito Público Fundações Públicas de Direito Privado

Submetidas às sujeições e gozam das prerrogativas Regime jurídico possui caráter híbrido, ou seja,
típicas do regime publicista, da mesma forma que os predominantemente regido pelo direito privado, mas
entes federados e as autarquia. sofrendo o influxo de normas de direito público.

Atividades desenvolvidas, atos e contratos


OBS: cabe à lei complementar definir a área de atuação da fundação.

Fundações Públicas de Direito Público Fundações Públicas de Direito Privado

Edição de atos administrativos e celebração de contratos Edição de atos privados e celebração de contratos
administrativos (precedidos de licitação) administrativos (precedidos de licitação).

Bens
CC, Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros
são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem.

Fundações Públicas de Direito Público Fundações Públicas de Direito Privado

Bens públicos (alienabilidade condicionada, Bens privados (não possuem garantias especiais)
impenhorabilidade e imprescritibilidade)

Relação com o ente público instituidor

Fundações Públicas de Direito Público Fundações Públicas de Direito Privado

Localização institucional no âmbito da administração Localização institucional no âmbito da administração


indireta e vinculação ao ente federativo instituidor. indireta e vinculação ao ente federativo instituidor.

Sujeição a controle finalístico (tutela administrativa) e Sujeição a controle finalístico (tutela administrativa) e
submissão ao controle externo do Poder Legislativo, submissão ao controle externo do Poder Legislativo,
exercido com o auxílio do Tribunal de Contas. exercido com o auxílio do Tribunal de Contas.
OBS: ao contrário das fundações privadas instituídas por
particulares, não há sujeição ao controle finalístico do
Ministério Público.

O MP só fiscaliza as fundações públicas de direito privado (não fiscaliza as fundações públicas de direito publico, pois,
neste caso, já há o controle finalístico pelo ente instituidor, que é um controle ainda mais intenso; mas é óbvio que, se o próprio
ente instituidor/poder público for omisso, aí o MP poderá atuar, por exemplo, propondo ação civil pública).

Controle
- Controle externo pelo Poder Legislativo, exercido com o auxílio do Tribunal de Contas.
CC, Art. 66. Velará pelas fundações o Ministério Público do Estado onde situadas.

@dicasexconcurseira 14
Pessoal

Fundações Públicas de Direito Público Fundações Públicas de Direito Privado

Pessoal sujeito a regime jurídico único (salvo aqueles Pessoas sujeito a regime jurídico celetista
admitidos em outro regime entre a publicação da EC
19/1998 e a concessão pelo STF de medida cautelar na
ADI 2.135/DF).

Foro competente e privilégios em litígios judiciais

Fundações Públicas de Direito Público Fundações Públicas de Direito Privado

Se insere na regra do art.109, I, CF, pois a fundação Foro competente: Justiça Estadual, qualquer que seja o
pública de direito público é espécie de autarquia. ente politico ao qual estejam vinculadas (União, Estados,
Foro competente: DF ou Municípios, com semelhantes ressalvas)
a) Justiça Federal (fundações federais), ressalvadas as
causas relativas à falência, acidentes de trabalho e as
sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho; ou
b) Justiça Estadual (fundações estaduais, municipais ou
distritais), com semelhantes ressalvas.

Responsabilidade civil

Fundações Públicas de Direito Público Fundações Públicas de Direito Privado

Sujeição às regras da responsabilidade civil objetiva Sujeição às regras da responsabilidade civil objetiva

Imunidade tributária

Fundações Públicas de Direito Público Fundações Públicas de Direito Privado

Gozo da imunidade tributária recíproca Gozo da imunidade tributária recíproca.

CF, Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e
aos Municípios:
VI - instituir impostos sobre:
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
§2º - A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se
refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes.

Aula 09 - Empresas Estatais 1

Empresas estatais:
a) Empresas públicas;
b) Sociedades de economia mista;
c) Qualquer outra entidade cuja maioria do capital votante pertença, direta ou indiretamente, a União, Estados, DF ou
Municípios. —> NÃO integram a administração pública indireta.

DE OLHO NA JURIS! A alienação do controle acionário de empresas públicas e sociedades de economia mista exige autorização
legislativa e licitação
A alienação do controle acionário de empresas públicas e sociedades de economia mista exige autorização legislativa e licitação.
Por outro lado, não se exige autorização legislativa para a alienação do controle de suas subsidiárias e controladas. Nesse caso, a
operação pode ser realizada sem a necessidade de licitação, desde que siga procedimentos que observem os princípios da
@dicasexconcurseira 15
administração pública inscritos no art. 37 da CF/88, respeitada, sempre, a exigência de necessária competitividade. STF.
Plenário.ADI 5624 MC-Ref/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 5 e 6/6/2019 (Info 943).

Conceitos - Empresa pública e sociedade de economia mista


- Aspectos semelhantes:
a) Caracterização como pessoas jurídicas de direito privado;
b) Criação autorizada por lei;
c) Desempenho de atividade econômica (em sentido amplo).

Empresa pública: a pessoa jurídica de direito privado integrante da administração pública indireta de qualquer dos entes
políticos, cuja criação é autorizada por lei específica, constituída sob qualquer forma jurídica e com capital exclusivamente
público, destinando-se à exploração de atividade econômica ou à prestação de serviços públicos.
Capital 100% público pode ser da seguinte forma: 70% da União, 10% do Banco do Brasil (sociedade de economia
mista); 20% de algum Estado. OBS: entre os donos do Banco do Brasil, há particulares. Então, na prática, algum percentual da
empresa pública pertence à particular.

Sociedade de economia mista: a pessoa jurídica de direito privado integrante da administração pública indireta de qualquer dos
entes federados cuja criação é autorizada por lei específica, constituída sob a forma de sociedade anônima, com a participação
obrigatória de capital público e privado, cuja maioria das ações com direito a voto pertencem à pessoa política instituidora ou a
entidades integrantes da administração pública, destinando-se à exploração de atividade econômica ou à prestação de serviços
públicos.

Finalidades:
a) Prestação de serviços públicos;
b) Exploração de atividade econômica.

Exploração direta quando necessária:


a) Segurança nacional
b) Relevante interesse coletivo
c) Monopólio estatal

Atividades que não podem ser delegadas às empresas estatais:


a) As exclusivas do Estado
b) As que envolvem o exercício do poder de império
c) As que representam manifestação da soberania nacional

Criação e extinção
- Dependem de autorização legal específica para a sua criação (art.37, XI, CF)
- Criação de subsidiárias e participação em empresas privadas também dependem de autorização legislativa (arr.37, XX, CF)
- Extinção deve atender à teoria do paralelismo das formas/simetria das formas.

Criação de subsidiárias
STF, ADI 1.649/DF: É dispensável a autorização legislativa para a criação de empresas subsidiárias, desde que haja
previsão para esse fim na própria lei que instituiu a empresa de economia mista matriz, tendo em vista que a lei criadora é a
própria medida autorizadora.

Aula 10 - Empresas Estatais 2

Regime jurídico
Regime jurídico de direito privado derrogado parcialmente por normas de direito público. Necessidade de: licitação
(quanto às atividades meio), controle pelo Tribunal de Contas e Legislativo, e concurso público para contratação de seus
empregados.

Licitação e contratos:
Lei 8666, art.1º, Parágrafo único. Subordinam-se ao regime desta Lei, além dos órgãos da administração direta, os fundos
especiais, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades
controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios.

@dicasexconcurseira 16
Empresa pública ou sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica —> a licitação NÃO se aplica
quando o objeto do contrato a ser celebrado disser respeito à atividade-fim.

OBS: Petrobrás e Eletrobras —> procedimento licitatório simplificado, conforme previsão legal. Deveria ser
regulamentado por lei, mas não foi por lei, e sim por ato administrativo. O STF ainda não decidiu se esse procedimento é
constitucional ou não (por não ter sido regulamentado por lei).

Pessoal
- Relações empregatícios regidas pela CLT;
- Litígios devem ser processados e julgados na Justiça do Trabalho (art.114, I, CF);
- Sujeição ao Regime Geral da Previdência Social - RGPS (art.40, §13, CF);
- Empregados das empresas governamentais sujeitam-se às seguintes regras:
a) prévia aprovação em concurso público de provas ou de provas e títulos (art.37, II, CF);
OBS: empregado público não tem estabilidade, porem a dispensa deve ser motivada.
b) proibição de acumulação remunerada de cargos, empregos e funções públicas (art.37, Xvi e XVII)
c) teto remuneratório previsto na CF, se a empresa pública ou sociedade de economia mista receber recursos da União, dos
Estados, do DF ou dos Municípios (art.37, XI e §9º, CF)
d) equiparam-se a funcionários públicos para fins penais (art.327, §1º, CP)
e) são considerados agentes públicos para fins de aplicação de sanções em caso de improbidade administrativa (Lei 8.429/1992).

DE OLHO NA JURIS! Os Correios têm o dever jurídico de motivar, em ato formal, a demissão de seus empregados
A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) tem o dever jurídico de motivar, em ato formal, a demissão de seus
empregados. STF. Plenário. RE 589998 ED/PI, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 10/10/2018 (repercussão geral) (Info 919).

Dirigentes
É indicado pelo Poder Executivo e ocupa uma espécie de função de confiança.

- Desnecessidade de concurso público


- Vínculo laboral

TST, Súmula 269: O empregado eleito para ocupar cargo de diretor tem o respectivo contrato de trabalho suspenso, não se
computando o tempo de serviço desse período, SALVO se permanecer a subordinação jurídica inerente à relação de emprego.

STF, ADI 1.642/MG: O processo de nomeação dos diretores das empresas públicas e sociedades de economia mista, quer estas
sejam exploradoras de atividade econômica ou quer sejam prestadoras de serviços públicos, não deve se submeter ao crivo do
Poder Legislativo.

Bens
CC, Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros
são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem.

Assim, os bens das empresas estatais são bens privados.

- Penhora de bens:
STF, 1ª Turma, RE 393.032 AgR/MG: A execução ajuizada contra os Correios (atividade de serviço público essencial) somente
poderia ocorrer pelo regime de precatórios previsto no art.100, CF.

STF, Pleno, RE 599.628: A empresa governamental que desenvolva atividade em regime de concorrência ou que tenha como
objetivo a distribuição de lucro entre os seus acionistas NÃO poderá se beneficiar do sistema de pagamento por precatório.

Responsabilidade civil
Se as empresas estatais prestam serviço público -> responsabilidade civil objetiva.
Se as empresas estatais desenvolvem atividade econômica -> responsabilidade civil subjetiva.

Aula 11 - Empresas Estatais 3

Regime tributário — Empresas públicas e sociedades de economia mistas:


a) Exploradoras de atividade econômica: regime próprio das empresas privadas (art.173, §1º, II, CF)
b) Não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado (art.173, §2º, CF).
@dicasexconcurseira 17
Tal regime visa evitar a concorrência desleal e privilegiar a livre iniciativa.

OBS: art.150, §2º —> estende a imunidade às autarquias e fundações públicas. Sendo que os Correios foram para a
justiça alegando que prestam serviço publico essencial em regime de monopólio… Mas, só quem pode dar imunidade é a
Constituição. Carlos Veloso (tributarista do Supremo) adotou a seguinte tese: quando a empresa pública presta serviço publico
essencial e de prestação obrigatória, irá se equiparar a uma autarquia.

STF, 2ª Turma, RE 407.099/RS: A imunidade abrange as empresas públicas que prestam serviços públicos essenciais é
obrigatória pelo Poder Público. Segundo raciocínio do Min. Carlos Veloso, nos casos da pessoa jurídica cujo patrimônio é
exclusivamente público e vinculado ao exercício de um serviço público essencial, a empresa pública é equiparada a uma
fundação e, portanto, beneficiária da imunidade.

* Sociedades de economia mista: STF, AC 1.550-2/RO.

STF, RE 601.392/PR, j. 28.02.2013: Recurso Extraordinário com repercussão geral. 2. Imunidade recíproca. Empresa Brasileira de
Correios e Telégrafos. 3. Distinção, para fins de tratamento normativo, entre empresas públicas prestadoras de serviço público e
empresas públicas exploradoras de atividade. Precedentes. 4. Exercício simultâneo de atividades em regime de exclusividade e
em concorrência com a iniciativa privada. Irrelevância. Existência de peculiaridades no serviço postal. Incidência da imunidade
prevista no art.150, VI, ‘a’, da CF. 5. Recurso extraordinário conhecido e provido. —> “subsídio cruzado”: os correios prestam
alguns serviços com exclusividade, mas presta outros em concorrência com a iniciativa privada; vai fazer essa segunda atividade
(lucrativa) financie a primeira atividade (que o correio presta com exclusividade). “Concorrência" nem tanto; deve se falar em
universalização do serviço de banco postal, que atuam em pequenas cidades humildes, onde não há interesse dos bancos
privados irem atuar.

MPF, Procurador da República: O exercício simultâneo de atividades em regime de exclusividade e em regime de concorrência
com a iniciativa privada, a exemplo de atividade bancária conhecida como “banco postal” e venda de títulos de capitalização,
não se inserindo no conceito de serviço postal - é irrelevante para a incidência da imunidade tributária. — CORRETO

DE OLHO NA JURIS! É possível aplicar o regime de precatórios às sociedades de economia mista?


É aplicável o regime dos precatórios às sociedades de economia mista prestadoras de serviço público próprio do Estado e de
natureza não concorrencial. STF. Plenário. ADPF 387/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 23/3/2017 (Info 858). É
inconstitucional determinação judicial que decreta a constrição de bens de sociedade de economia mista prestadora de serviços
públicos em regime não concorrencial, para fins de pagamento de débitos trabalhistas. Sociedade de economia mista prestadora
de serviço público não concorrencial está sujeita ao regime de precatórios (art. 100 da CF/88) e, por isso, impossibilitada de
sofrer constrição judicial de seus bens, rendas e serviços, em respeito ao princípio da legalidade orçamentária (art. 167, VI, da
CF/88) e da separação funcional dos poderes (art. 2º c/c art. 60, § 4º, III). STF. Plenário. ADPF 275/PB, Rel. Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 17/10/2018 (Info 920).

É possível aplicar o regime de precatórios às empresas públicas?


Não se submetem ao regime de precatório as empresas públicas dotadas de personalidade jurídica de direito privado com
patrimônio próprio e autonomia administrativa que exerçam atividade econômica sem monopólio e com finalidade de lucro.
STF. 1ª Turma. RE 892727/DF, rel. orig. Min. Alexandre de Morais, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber, julgado em 7/8/2018 (Info
910). Ex: a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina - APPA ostenta personalidade jurídica de direito privado, exerce
atividade econômica em regime concorrencial, sem monopólio e com vista a auferir lucro (Lei nº 17.895/2013, do Estado do
Paraná). Sujeita-se, portanto, ao regime jurídico das empresas privadas (art. 173, §§ 1º, II, e 2º, da CF/88), a ela não se aplicando
o regime de precatórios previsto no art. 100 da CF/88.

Falência
Lei 11.101/2005, art.2º: Esta lei não se aplica a:
I - empresa pública e sociedade de economia mista;

Diferenças entre empresas públicas e sociedade de economia mista:


a) Forma jurídica de organização
b) Composição do capital social
c) Foro competente para julgamento de suas ações (apenas para as empresas públicas federais).

- Forma jurídica
Sociedades de economia mista: sociedade anônima (S.A), com registro na Junta Comercial.

@dicasexconcurseira 18
Empresas públicas: qualquer tipo societário admitido em direito, com registro na Junta Comercial ou no Cartório de
Registro Civil de Pessoas Jurídicas (se for prestadora de serviço público).

- Composição do capital
Sociedade de economia mista: capitais públicos + privados
Empresa pública: capital exclusivamente público.

- Direito a voto (controle acionário):


Sociedade de economia mista —> capitais públicos + privados; o capital público é obrigatoriamente controlado pelo ente
federativo ou entidade da Administração Indireta (art.5º, III, Decreto-lei 200/67).
* Empresa pública com capital de mais de uma pessoa jurídica de direito público interno bem como de entidades da
Administração Indireta: a maioria do capital votante deve ser da União (art.5º, DL 900/1969).

- Foro competente

Empresas Públicas Sociedades de Economia Mista

a) Justiça Federal (empresas públicas federais), Justiça Estadual, qualquer que seja o ente político ao
ressalvadas as causas relativas à falência, acidentes de qual estejam vinculadas (União, Estados, DF ou
trabalho, à Justiça Eleitoral e a Justiça do Trabalho; ou Município), com semelhantes ressalvas.
b) Justiça Estadual (empresas públicas estaduais,
municipais ou distritais), com semelhantes ressalvas.

Aula 12 - Consórcios Públicos

Considerações gerais:
CF, Art. 241. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios disciplinarão por meio de lei os consórcios públicos e os
convênios de cooperação entre os entes federados, autorizando a gestão associada de serviços públicos, bem como a
transferência total ou parcial de encargos, serviços, pessoal e bens essenciais à continuidade dos serviços transferidos.

- Regulamentação: Lei 11.107/2005 e Decreto 6.017/2007

Conceito e natureza jurídica


- Antes da vigência da Lei 11.107/2005: acordo de vontades (doutrina).
- Lei 11.107/2005: pessoas jurídicas responsáveis por exercer de forma descentralizada objetivos comuns das pessoas
federativas consorciadas.

Personalidade jurídica
Personalidade jurídica de direito público —> associação pública (espécie de autarquia); — autarquia interfederativa.
Personalidade jurídica de direito privado —> requisitos da legislação civil (art.1º, §1º c/c art.6º, I e II). Polêmica
doutrinária se esta pessoa pertence ou não à administração indireta. E, se pertencer, que ente essa pessoa jurídica seria?
Ricardo Alexandre: empresa pública. Isso não tem sido cobrado em prova.

FCC: De acordo com a Lei 11.107, o consórcio público constituirá associação pública, integrando a Administração Indireta dos
entes da federação consorciados, ou pessoa jurídica de direito privado.

Conceito: consórcios públicos são entidades interfederativas, integrantes da administração indireta dos entes consorciados,
dotadas de personalidade jurídica de direito público ou de direito privado, criadas com o objetivo de realizar a gestão
consorciada de serviços públicos.

Partícipes do consórcio público: União, Estados, DF e Municípios.

Regra Especial - União:


Lei 11.107/2005, Art. 1º Esta Lei dispõe sobre normas gerais para a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
contratarem consórcios públicos para a realização de objetivos de interesse comum e dá outras providências.

@dicasexconcurseira 19
§2º A União somente participará de consórcios públicos em que também façam parte todos os Estados em cujos territórios
estejam situados os Municípios consorciados. — se existe um consorcio firmado entre o Município do Rio de Janeiro e o
Município de Volta Redonda, o Município de Belfor Roxo; para a União participar, o Estado do Rio de Janeiro também tem que
participar.

Instituição do consórcio público - Requisitos formais prévios:


a) A subscrição do protocolo de intenções; — não traz obrigações automáticas; antes, o protocolo precisará ser ratificado por lei
de cada ente consorciado.
b) Ratificação por meio de lei de cada entidade consorciada.

Cláusulas obrigatórias do protocolo de intenções:


Lei 11.107/2005, Art. 4º São cláusulas necessárias do protocolo de intenções as que estabeleçam:
I – a denominação, a finalidade, o prazo de duração e a sede do consórcio;
II – a identificação dos entes da Federação consorciados;
III – a indicação da área de atuação do consórcio;
IV – a previsão de que o consórcio público é associação pública OU pessoa jurídica de direito privado sem fins econômicos;
V – os critérios para, em assuntos de interesse comum, autorizar o consórcio público a representar os entes da Federação
consorciados perante outras esferas de governo;
VI – as normas de convocação e funcionamento da assembléia geral, inclusive para a elaboração, aprovação e modificação dos
estatutos do consórcio público;
VII – a previsão de que a assembléia geral é a instância máxima do consórcio público e o número de votos para as suas
deliberações;
VIII – a forma de eleição e a duração do mandato do representante legal do consórcio público que, obrigatoriamente, deverá
ser Chefe do Poder Executivo de ente da Federação consorciado;
IX – o número, as formas de provimento e a remuneração dos empregados públicos, bem como os casos de contratação por
tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público;
X – as condições para que o consórcio público celebre contrato de gestão ou termo de parceria;
XI – a autorização para a gestão associada de serviços públicos, explicitando:
a) as competências cujo exercício se transferiu ao consórcio público;
b) os serviços públicos objeto da gestão associada e a área em que serão prestados;
c) a autorização para licitar ou outorgar concessão, permissão ou autorização da prestação dos serviços;
d) as condições a que deve obedecer o contrato de programa, no caso de a gestão associada envolver também a prestação de
serviços por órgão ou entidade de um dos entes da Federação consorciados;
e) os critérios técnicos para cálculo do valor das tarifas e de outros preços públicos, bem como para seu reajuste ou revisão; e
XII – o direito de qualquer dos contratantes, quando adimplente com suas obrigações, de exigir o pleno cumprimento das
cláusulas do contrato de consórcio público.

Princípio da publicidade e da transparência (art.4º, §5º, Lei 11.107/2005): protocolo de intenções deverá ser publicado na
imprensa oficial.

Aula 13 - Consórcios Públicos 2

Exemplo (Lei Estadual/PE nº 13.235/2007) - 1º consórcio público de direito privado, e que teve natureza de empresa pública.
Art. 1º Fica ratificado o Protocolo de Intenções constante do Anexo Único desta Lei, celebrado entre o
Estado de Pernambuco e os Municípios do Recife e de Olinda, para promover a gestão associada plena do Sistema de
Transporte Público Coletivo de Passageiros da Região Metropolitana do Recife – STPP/RMR, através do consórcio público, nos
termos do artigo 241 da Constituição Federal e da Lei Federal n° 11.107, de 06 de abril de 2005.
§1° Fica autorizada a criação do Consórcio de Transportes da Região Metropolitana do Recife – CTM,
sob a forma de EMPRESA PÚBLICA, nos termos previstos no Protocolo de Intenções mencionado no caput do presente artigo,
pessoa jurídica de direito privado, multifederativa, com autonomia administrativa e financeira.
Consórcio público de direito privado —> é empresa pública interfederativa.

* Ratificação dispensada: quando a participação no consórcio público for disciplinada por lei, antes da subscrição do protocolo
de intenção (art.5º, §4º, Lei 11.107/2005). — O mais comum é que, primeiro, se discuta os termos do consorcio e faca um
protocolo de intenções; e a ratificacao venha por lei. Mas, se primeiro foi feita uma lei e depois foi feito um protocolo de
intenções (se este protocolo não trouxer novidades), não é necessária uma nova lei para ratificar, pois já está autorizado
anteriormente por lei.
OBS: sempre haverá a formação de um contrato para a formação do consórcio.

@dicasexconcurseira 20
* Ratificação pendente de homologação: se realizada após 2 anos da subscrição do protocolo de intenções, dependerá de
homologação da assembléia geral do consórcio público (art.5º, §3º, Lei 11.107/2005). — Como a ratificação depende de lei,
pode ser que um ente subscreva o protocolo de intenções, mas não edite uma lei ratificando-o. Se não ratificar dentro do prazo
de 2 anos, a ratificação a posteriori tem que ser aceita pelos demais entes do consórcio.

Aquisição da personalidade
Lei.11.107/2005, art.6º O consórcio público adquirirá personalidade jurídica:
I – de direito público, no caso de constituir associação pública (espécie de autarquia), mediante a vigência das leis de
ratificação do protocolo de intenções;
II – de direito privado, mediante o atendimento dos requisitos da legislação civil. — art.45, CC: registro do atos constitutivos no
órgão competente (no presente caso, registro civil de pessoas jurídicas).

* Alteração do contrato de consórcio público: exige instrumento aprovado pela assembléia geral, ratificado mediante lei por
todos os entes consorciados (art.12, caput, Lei 11.107/2005).

* Retirada do consórcio público: depende de ato formal de seu representante na assembléia geral, na forma previamente
disciplinada em lei (art.11, caput, Lei 11.107/2005). A retirada não depende de aprovação da assembleia, pois os entes
federados são autônomos (regra constitucional).

* Exclusão do consórcio público: quando o ente não consignar, em sua lei orçamentária ou em créditos adicionais, as dotações
suficientes para suportar as despesas assumidas por meio de contrato de rateio (art.8º, §5º, Lei 11.107/2005). — o contrato de
rateio é onde se prevê os repasses de cada ente federado para integrar o consórcio.
OBS: inicialmente será aplicável a suspensão.

* Regras aplicáveis em caso de retirada de entes:


a) Os bens destinados ao consórcio público pelo consorciado que se retira somente serão revertidos ou retrocedidos (voltam
para o patrimônio do ente que se retirou) no caso de expressa previsão no contrato do consórcio público ou no instrumento de
transferência ou de alienação (art.11, §1º);
b) Não serão prejudicadas as obrigações constituídas, inclusive os contratos de programa, cuja extinção dependerá do prévio
pagamento das indenizações eventualmente devidas (art.11, §2º - tal regra também é aplicável no caso de extinção do
consórcio).

* Regras aplicáveis nos casos de alteração ou extinção do consórcio:


a) Os bens, direitos, encargos e obrigações decorrentes da gestão associada de serviços públicos custeados por tarifas ou outra
espécie de preço público serão atribuídos aos titulares dos respectivos serviços (art.12, §1º); — tanto os bônus quanto os ônus
serão devolvidos aos titulares dos respectivos serviços.
b) Até que haja decisão que indique os responsáveis por cada obrigação, os entes consorciados responderão solidariamente
pelas obrigações remanescentes, garantindo o direito de regresso em face dos entes beneficiados ou dos que deram causa à
obrigação (art.12, §2º).

Aula 14 - Consórcios Públicos 3

* Privilégios:
a) Firmar convênios, contratos, acordos de qualquer natureza, receber auxílios, contribuições e subvenções sociais ou
econômicas de outras entidades e órgãos do governo (art.2º, §1º, I, Lei 11.107/2005);

b) Nos termos do contrato de consórcio de direito público, promover desapropriações e instituir servidões nos termos de
declaração de utilidade ou necessidade pública, ou interesse social, realizada pelo Poder Público (art.2º, §1º, II, Lei
11.107/2005);

c) Ser contratado pela administração direta ou indireta dos entes da Federação consorciados, DISPENSADA a licitação (art.2º,
§1º, III, Lei 11.107/2005);

d) Emitir documentos de cobrança e exercer atividades de arrecadação de tarifas e outros preços públicos pela prestação de
serviços ou pelo uso ou outorga de uso de bens públicos por eles administrados ou, mediante autorização específica, pelo ente
da Federação consorciado (art.2º, §2º, Lei 11.107/2005);

@dicasexconcurseira 21
e) Outorgar concessão, permissão ou autorização de obras ou serviços públicos mediante autorização prevista no contrato de
consórcio público, que deverá indicar de forma específica o objeto da concessão, permissão ou autorização e as condições a que
deverá atender, observada a legislação de normas gerais em vigor (art.2º, §3º, Lei 11.107/2005);

f) Limites mais elevados do que aqueles previstos normalmente para a escolha da modalidade licitatória, sendo este limite o
DOBRO, quando forem formados por até 3 entes federados, ou do TRIPLO, quando integrado por MAIS DE 3 entes federados
(Lei 8666/93, art.23, §8º, incluído pela Lei 11.107/2005);

g) DISPENSAR a licitação quando celebrarem contrato de programa com ente da federação ou com entidade de sua
administração indireta, para a prestação de serviços públicos de forma associada nos termos do autorizado em contrato de
consórcio público ou em convênio de cooperação (Lei 8666/93, art.24, XXVI, incluído pela Lei 11.107/2005);
h) Limites mais elevados para DISPENSA de licitação em razão do valor — o DOBRO do valor normal (Lei 8.666/93, art.24, I e II,
§1º).

* Contrato de rateio (Lei 11.107/2005, art.8º, Dec. 6.017/2007, art.2º II e VII): contrato por meio do qual os entes consorciados
comprometem-se a fornecer recursos financeiros para a realização das despesas do consórcio público. — O natural é que haja
um contrato de rateio por exercício financeiro.

* Inexistência de hierarquia entre os entes consorciados: lei atribui a todos eles, individualmente ou em conjunto, o poder de
exigir o cumprimento pelos demais das obrigações previstas no contrato de rateio (art.8º, §1º, Lei 11.107/2005).

* Aspectos importantes:
- Vedações de aplicação de recursos entregues por meio de contrato de rateio para o atendimento de despesas genéricas,
inclusive transferências ou operações de crédito (art.8º, §2º, Lei 11.107/2005).
- Fornecimento de informações necessárias para consolidação das despesas (art.8º, §4º, Lei 11.107/2005);
- Poder de exigir o cumprimento das obrigações previstas no contrato de rateio (art.8º, §3º, Lei 11.107/2005).

* Improbidade administrativa (Lei 8.429/1992, art.10, XIV e XV, com a redação dada pela Lei 11.107/2005) - art.10 = atos que
gerem prejuízo ao erário:
a) Celebrar contrato ou outro instrumento que tenha por objetivo a prestação de serviços públicos por meio da gestão associada
sem observar as formalidades previstas em lei;
b) Celebrar contrato de rateio de consórcio público sem suficiente e prévia dotação orçamentária, ou sem observar as
formalidades previstas em lei.

* Fiscalização: pelo Tribunal de Contas competente para apreciar as contas do Chefe do Poder Executivo representante legal
do consórcio, sem prejuízo do controle externo a ser exercido em razão de cada um dos contratos de rateio (art.9º, parágrafo
único, Lei 11.107/2005).

* Contrato de programa (Lei 11.107/2005, art.4º, XI, “d" e art.13): objetivo de constituir e regulamentar as obrigações entre
um ente da Federação (ou sua Administração Indireta) para com outro ente da Federação, OU para com consórcio público, no
âmbito da gestão associada de serviços públicos.

* Formas de viabilização:
a) “Convênio de cooperação” —> entre ente da Federação (ou da sua Adm. Indireta) e outro ente da federação.
b) Celebração de contrato de programa entre o consórcio público e um dos entes consorciados.

DE OLHO NA JURIS! Princípio da intranscendência e entidade integrante de consórcio público com pendência no CAUC
Se um consórcio público celebrou convênio com a União por meio do qual estão previstos repasses federais, o fato de um dos
entes integrantes do consórcio possuir pendência inscrita no CAUC não pode impedir que o consórcio receba os valores
prometidos. Isso porque o consórcio público é uma pessoa jurídica distinta dos entes federativos que o integram e, segundo o
princípio da intranscendência das sanções, as punições impostas não podem superar a dimensão estritamente pessoal do
infrator, ou seja, não podem prejudicar outras pessoas jurídicas que não sejam aquelas que praticaram o ato. Assim, o fato de
ente integrante de consórcio público possuir pendência no Serviço Auxiliar de Informações para Transferências Voluntárias
(CAUC) não impede que o consórcio faça jus, após a celebração de convênio, à transferência voluntária a que se refere o art. 25
da LC 101/2000. STJ. 2ª Turma. REsp 1463921-PR, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 10/11/2015 (Info 577).

@dicasexconcurseira 22
Capítulo III

Aula 01 - A Reforma do Aparelho do Estado 1

A Reforma do aparelho do Estado:


- Anos 80 (atuação direta do Estado no setor produtivo) - crise fiscal do Estado (poupança pública negativa e perda do crédito
público), inflação, deterioração da qualidade dos serviços públicos.
- Anos 90 - reforma do Estado brasileiro: Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (MARE) —-> implantação no Brasil do
modelo de administração pública gerencial.

3 formas básicas ou modelos de administração pública;


1. Patrimonialista:
2. Burocrática:
3. Gerencial:

- Uma das tentativas de modernização da Administração Pública brasileira foi a criação do Departamento Administrativo do
Serviço Público (DASP), em 1937, que visava a simplificação, padronização e racionalização de procedimento, revisão de
estruturas organizacionais e constituição de uma burocracia meritocrática.

* Modelos de administração pública adotados no Brasil:


- Administração Pública Patrimonialista:
i. o Estado funciona como uma extensão do poder soberano;
ii. corrupção e nepotismo.
- Administração Pública Burocrática:
i. Surge na segunda metade do séc.XIX, na época do Estado Liberal, com o objetivo de combater a corrupção e o nepotismo da
administração pública patrimonialista;
ii. Princípios: profissionalização e organização em carreira dos servidores públicos, hierarquia funcional, impessoalidade,
formalismo;
iii. Controles rígidos dos processos (a priori);
iv. Ineficiência dos serviços em razão do controle ter seu foco nos procedimentos e não nos resultados;
v. O Estado volta-se para si mesmo, perdendo a noção de sua missão básica que é servir à sociedade.

- Administração Pública Gerencial:


i. Emerge na segunda metade do séc.XX;
ii. Valores: eficiência, produtividade e qualidade da prestação dos serviços públicos;
iii. Flexibilidade da gestão, descentralização de funções e redução dos níveis hierárquicos, incentivos à criatividade;
iv. Maior participação dos agentes privados e/ou organizações sociais;
v. O controle deixa de se basear nos procedimentos (meios) para se concentrar nos resultados (fins), também chamado de
controle a posteriori;
vi. Inspira-se na administração de empresas;
vii. Os serviços públicos são orientados para o cidadão-cliente;
viii. Transparência e incentivo ao controle social para possibilitar a responsabilização dos agentes públicos.

Aula 02 - A Reforma do Aparelho do Estado 2; Contrato de Gestão; O Terceiro Setor 1

Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado - ideias básicas:


a) redefinir o papel do Estado, no sentido de que ele deixe de ser o responsável direto pelo desenvolvimento econômico e social
pela via da produção de bens e serviços, para fortalecer sua função de promotor e regulador desse desenvolvimento;
b) transferir para o mercado as atividades que podiam ser exercidas por particulares, mediante privatização;
c) implantar a publicização dos serviços estatais não exclusivos (transferência destes serviços para o setor público não estatal,
o chamado Terceiro Setor), como no caso dos serviços de educação, saúde, cultura e pesquisa científica;
d) tornar a atuação do Estado mais eficiente, por meio da implantação da Administração Pública Gerencial;
e) reduzir o déficit público.

* Para viabilizar essas mudanças, tivemos:


- EC 19/98 - Reforma Administrativa
- EC 20/98 - Reforma da Previdência
- Agências reguladoras
@dicasexconcurseira 23
- Agências executivas
- Contratos de gestão
- Termos de parceria
- Organizações sociais (OS)
- Organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIP)
- Parcerias Público-Privadas (PPP)

Contrato de gestão (acordo-programa): objetiva o delimitar metas de desempenho, para aumentar a eficiência.

CF, art.37, §8º A AUTONOMIA gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos (? - "monstrinho") e entidades da
administração direta e indireta poderá ser AMPLIADA mediante contrato (CONTRATO DE GESTÃO), a ser firmado entre seus
administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo
à lei dispor sobre:
I - o prazo de duração do contrato;
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e responsabilidade dos dirigentes;
III - a remuneração do pessoal.
Incluído pela EC 18/1998.

Lei 9.637/1998, Art. 5º Para os efeitos desta Lei, entende-se por contrato de gestão o instrumento firmado entre o Poder Público
e a entidade qualificada como organização social, com vistas à formação de parceria entre as partes para fomento e execução
de atividades relativas às áreas relacionadas no art. 1º. —> possibilidade de contrato de gestão entre Poder Público e terceiro
setor.
Lei 9.637/1998, art.1º, O Poder Executivo poderá qualificar como organizações sociais pessoas jurídicas de direito privado,
sem fins lucrativos, cujas atividades sejam dirigidas ao ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico, à
proteção e preservação do meio ambiente, à cultura e à saúde, atendidos aos requisitos previstos nesta Lei.

Espécies de contratos de gestão:


a) Firmados pela Administração Direta com seus próprios órgãos ou com órgãos e entidades da Administração Indireta (art.38,
§8º) —> autonomia administrativa, orçamentária e financeira ampliada
b) Firmado pelo Poder Público e entidade do Terceiro Setor qualificada como organização social —> restrição da autonomia (se
a entidade é privada, ela tem ampla liberdade; mas, a partir do momento em que ela recebe a qualificação de organização social
pelo Poder Público, ela se compromete a várias coisas).

Críticas:
- Falta de personalidade jurídica própria dos órgãos da Administração que celebram os contratos;
- Falta de interesses contrapostos entre as partes (então não poderia ser “contrato”).
- Natureza de convênio? (no convênio, os interesses são iguais).

@dicasexconcurseira 24
@dicasexconcurseira 25
Aula 03 - O Terceiro Setor 2; Organizações Sociais; Contrato de Gestão firmado com as Organizações Sociais 1

Do 1º ao 2º setor —> privatização; do 2º ao 3º setor —> publicização.


Terceiro Setor:
- Entidades declaradas de utilidade pública;
- Serviços sociais autônomos (SESI, SESC, SENAI);
- Organizações Sociais (OS);
- Organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP).

Terceiro Setor —> Princípio da subsidiariedade

* Características das entidades que compõem o Terceiro Setor (Maria Sylvia Zanella Di Pietro)
a) Não são criadas pelo Estado, ainda que algumas delas tenham sido autorizadas por lei;
b) Em regra, desempenham atividade privada de interesse público (serviços sociais NÃO exclusivos do Estado);
c) Recebem algum tipo de incentivo do Poder Público;
d) Muitas possuem algum vínculo com o Poder Público e, por isso, são obrigadas a PRESTAR CONTAS dos recursos públicos à
Administração Pública e ao Tribunal de Contas;
e)Possuem regime jurídico de direito privado, porém derrogado parcialmente por normas direito público;
f) Integram o terceiro setor porque não se enquadram inteiramente como entidades privadas e também porque não integram a
Administração Pública Direta ou Indireta.

DE OLHO NA JURIS! Serviços sociais autônomos não devem figurar no polo passivo de ação proposta pelo contribuinte
discutindo a exigibilidade das contribuições sociais
As entidades dos serviços sociais autônomos não possuem legitimidade passiva nas ações judiciais em que se discute a relação
jurídico-tributária entre o contribuinte e a União e a repetição de indébito das contribuições sociais recolhidas. Os serviços
sociais são meros destinatários de subvenção econômica e, como pessoas jurídicas de direito privado, não participam
diretamente da relação jurídico-tributária entre contribuinte e ente federado. O direito que tais entidades possuem à receita
decorrente da subvenção não gera interesse jurídico a ponto de justificar a ocorrência de litisconsórcio com a União. O interesse

@dicasexconcurseira 26
dos serviços sociais autônomos nesta lide é reflexo e meramente econômico. STJ. 1ª Seção. EREsp 1.619.954-SC, Rel. Min. Gurgel
de Faria, julgado em 10/04/2019 (Info 646).

Os serviços sociais autônomos não precisam realizar concurso público para contratar seu pessoal
Os serviços sociais autônomos precisam realizar concurso público para contratar seu pessoal? NÃO. Os serviços sociais
autônomos, por possuírem natureza jurídica de direito privado e não integrarem a Administração Pública, mesmo que
desempenhem atividade de interesse público em cooperação com o ente estatal, NÃO estão sujeitos à observância da regra de
concurso público (art. 37, II, da CF/88) para contratação de seu pessoal. Obs.: vale ressaltar, no entanto, que o fato de as
entidades do Sistema “S” não estarem submetidas aos ditames constitucionais do art. 37, não as exime de manterem um padrão
de objetividade e eficiência na contratação e nos gastos com seu pessoal. STF. Plenário. RE 789874/DF, Rel. Min. Teori Zavascki,
julgado em 17/9/2014 (repercussão geral) (Info 759).

* Quarto Setor da economia —> corresponde ao setor da economia informal.

* ORGANIZAÇÕES SOCIAIS (OS)


– Pessoa jurídica de direito privado (associação civil ou fundação privada), com atuação em área de interesse social, sem
finalidade lucrativa, não integrante da administração pública.
– QUALIFICAÇÃO OUTORGADA pelo poder público às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, que atendam os
requisitos previstos na lei.
– Contrato de gestão e regime de parceria com o poder público.
– Áreas de ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, proteção e preservação do meio ambiente, cultura e
saúde. — rol restritivo.
– Lei 9.637/1998 não é lei nacional; é lei federal, aplicável apenas no âmbito da Administração Pública Federal.

* Requisitos (art.1º da Lei 9.637/1998)


a) ter personalidade jurídica de direito privado;
– Associação civil sem fins lucrativos ou
– Fundação privada
b) não ter finalidade lucrativa;
– Excedente financeiro deve ser reinvestido
c) atuar em pelo menos uma das seguintes áreas: ensino, saúde, cultura, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico ou
proteção e preservação do meio ambiente.
Obs.: Atos constitutivos devem trazer cláusulas obrigatórias, que garantam o cumprimento dos requisitos.

* Decisão sobre qualificação como organização social (OS)


– Juízo de conveniência e oportunidade (decisão discricionária) a ser feito pelo Ministro ou titular de órgão supervisor ou
regulador da área de atividade correspondente ao seu objeto social e pelo Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão.

* Preceitos obrigatórios:
a) especificação do programa de trabalho proposto pela organização social, a estipulação das metas a serem atingidas e dos
respectivos prazos de execução;
b) previsão expressa dos critérios objetivos de avaliação de desempenho a serem utilizados, mediante indicadores de qualidade
e produtividade;
c) estipulação dos limites e critérios para despesa com REMUNERAÇÃO e VANTAGENS de qualquer natureza a serem
percebidas pelos DIRIGENTES e EMPREGADOS das organizações sociais, no exercício de suas funções;
d) Os Ministros de Estado ou autoridades supervisoras da área de atuação da entidade devem definir as demais cláusulas dos
contratos de gestão de que sejam signatários.

* Organizações sociais são entidades de interesse social e utilidade pública

* Benefícios:
a) destinação de recursos orçamentários e de bens públicos necessários ao cumprimento do contrato de gestão. Estes últimos
serão cedidos às organizações sociais, dispensada a licitação, mediante permissão de uso, conforme cláusula expressa no
contrato de gestão;
b) cessão especial de servidor público para as organizações sociais, com ônus para o órgão de origem do servidor;
c) dispensa de licitação para que firmem contratos com a Administração (art. 24, XXIV, da Lei 8.666/1993, com redação
introduzida pela Lei 9.648/1998), o que não acontece em outros casos de transferência de serviços estatais não exclusivos.

@dicasexconcurseira 27
O STF manteve a regra, indeferindo pedido de suspensão imediata da eficácia do dispositivo legal, reconhecendo a ausência
dos pressupostos legais (o fumus boni iuris e o pericullum in mora) para a concessão da cautelar (STF, ADI-MC 1923/DF, Tribunal
Pleno, Rel. p/ acórdão Min. Eros Grau, j. 1.º.08.2007, DJ 20.09.2007).

Aula 04 - Contrato de Gestão firmado com as Organizações Sociais 2; Organização da Sociedade Civil de Interesse Público
(OSCIP) 1

– Decreto 5.504/2005: licitação para as obras, compras, serviços e alienações custeados com recursos que tenham origem nos
repasses feitos pela União; pregão para a aquisição de bens e serviços comuns.
– Decreto 6.170/2007 (art. 11 – derroga parcialmente o Decreto 5.504/2005): cotação prévia de preços no mercado e a
observância dos princípios da impessoalidade, moralidade e economicidade. — não precisa mais de licitação!

• Fiscalização das organizações sociais:


– Pelo órgão ou entidade supervisora da área de atuação correspondente à atividade fomentada (Lei 9.637/1998, art. 9.º). —
isso é controle interno.
– Descoberta de irregularidades ou ilegalidades → Ciência ao TCU é obrigatória, sob pena de responsabilidade solidária (Lei
9.637/1998, art. 9.º).

• Desqualificação das organizações sociais (Lei 9.637/1998, art. 16):


a) A pedido da entidade (embora a lei não se refira a esta hipótese); ou
b) Como sanção pelo descumprimento das obrigações previstas no contrato de gestão.
* Processo administrativo com ampla defesa.

• ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO (OSCIP)


– Pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, que desempenham serviços sociais não exclusivos do Estado,
gozando de incentivos e se sujeitando à fiscalização pelo Poder Público.
– QUALIFICAÇÃO ATRIBUÍDA pelo Poder Público.
– Disciplina: Lei 9.790/1999, regulamentada pelo Decreto Federal 3.100/1999 e pela Portaria 361/1999 do Ministério da Justiça.

• Áreas de atuação:

OS: ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, proteção e preservação do meio ambiente, cultura e saúde.

OSCIP: atividades que pode desenvolver (Lei 9.790/1999, art. 3º):


a) promoção da assistência social;
b) promoção da cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico;
c) promoção gratuita da educação, observando-se a forma complementar de participação das organizações de que trata esta
Lei;
d)promoção gratuita da saúde, observando-se a forma complementar de participação das organizações de que trata esta Lei;
e) promoção da segurança alimentar e nutricional;
f) defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável;
g) promoção do voluntariado;
h) promoção do desenvolvimento econômico e social e combate à pobreza;
i) experimentação, não lucrativa, de novos modelos socioprodutivos e de sistemas alternativos de produção, comércio, emprego
e crédito;
j) promoção de direitos estabelecidos, construção de novos direitos e assessoria jurídica gratuita de interesse suplementar;
k) promoção da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da democracia e de outros valores universais;
l) estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias alternativas, produção e divulgação de informações e conhecimentos
técnicos e científicos que digam respeito às atividades mencionadas neste artigo.
@dicasexconcurseira 28
• Não podem ser qualificadas como OSCIP (Lei 9.790/1999, art. 2.º):
a) as sociedades comerciais;
b) os sindicatos, as associações de classe ou de representação de categoria profissional;
c) as instituições religiosas ou voltadas para a disseminação de credos, cultos, práticas e visões devocionais e confessionais;
d) as organizações partidárias e assemelhadas, inclusive suas fundações;
e) as entidades de benefício mútuo destinadas a proporcionar bens ou serviços a um círculo restrito de associados ou sócios;
f) as entidades e empresas que comercializam planos de saúde e assemelhados;
g) as instituições hospitalares privadas não gratuitas e suas mantenedoras;
h) as escolas privadas dedicadas ao ensino formal não gratuito e suas mantenedoras;
i) as organizações sociais (OS);
j) as cooperativas;
k) as fundações públicas;
l) as fundações, sociedades civis ou associações de direito privado criadas por órgão público ou por fundações públicas;
m) as organizações creditícias que tenham quaisquer tipo de vinculação com o sistema financeiro nacional a que se refere o art.
192 da Constituição Federal.
* Não é possível a cumulação de qualificações.

• Processo de qualificação - requisitos e procedimento:


– Ser pessoa jurídica sem fins lucrativos;
– Funcionamento regular há, no mínimo, 3 (três) anos;
– Em caso de dissolução, o patrimônio líquido deve ser transferido a outra OSCIP;
– Pode instituir remuneração aos dirigentes;
– Deve possuir conselho fiscal ou órgão equivalente;
– Pode haver participação de servidores públicos na composição de conselho, não obrigatória;

• Processo de qualificação - requisitos e procedimento:


– Requerimento escrito ao Ministério da Justiça (na esfera federal), instruído com a documentação prevista em lei;
– Decisão é ATO VINCULADO da autoridade competente.
* ATENÇÃO!! A qualificação da OS é ato discricionário.

• TERMO DE PARCERIA – Cláusulas essenciais:


a) a do objeto da parceria, que conterá a especificação do programa de trabalho proposto pela OSCIP;
b) a de estipulação das metas e dos resultados, com respectivos prazos de execução ou cronograma;
c) critérios objetivos de avaliação (mediante indicadores de resultado);
d) Previsão de receitas e despesas; detalhamento das remunerações e benefícios de pessoal a serem pagos, com recursos
oriundos ou vinculados ao Termo de Parceria, a seus diretores, empregados e consultores;
e) a obrigação de a OSCIP apresentar ao Poder Público, ao término de cada exercício, relatório sobre a execução do objeto do
Termo de Parceria, contendo comparativo das metas propostas com os resultados alcançados, acompanhado de prestação de
contas dos gastos e receitas efetivamente realizados;
f) a de publicação, na imprensa oficial, do extrato do Termo de Parceria e de demonstrativo da sua execução física e financeira,
sob pena de não liberação dos recursos previstos no termo de parceria.
* Concursos de projetos: como o Poder Público seleciona qual a pessoa jurídica ele irá qualificar como OSCIP? Por meio de
concurso de projetos. Mas há casos em que há dispensa desse concurso.

• Dispensa do concurso de projetos:


– Exige decisão fundamentada do titular do órgão estatal responsável pelo Termo de Parceria
– Situações (Decreto 3.100/1999, art. 23, § 2º, I, II e III):
a) nos casos de emergência ou calamidade pública (duração máxima de 180 dias consecutivos e ininterruptos, contados da
ocorrência da emergência ou calamidade, vedada a prorrogação da vigência do instrumento)
b) para a realização de programas de proteção a pessoas ameaçadas ou em situação que possa comprometer sua segurança;
ou (Incluído pelo Decreto 7.568/2011); - ex: proteção de testemunha.
c) nos casos em que o projeto, atividade ou serviço objeto do Termo de Parceria já seja realizado adequadamente com a
mesma entidade há pelo menos 5 anos e cujas respectivas prestações de contas tenham sido devidamente aprovadas.

• Fiscalização das OSCIP:


– Órgão do Poder Público da área de atuação correspondente à atividade fomentada, e pelos Conselhos de Políticas Públicas das
áreas correspondentes de atuação;
– Ciência ao TCU e ao Ministério Público é obrigatória, sob pena de responsabilidade solidária (Lei 9.790/1999, art. 12).

@dicasexconcurseira 29
Lei 9.790/1999, art. 15-B. A prestação de contas relativa à execução do Termo de Parceria perante o órgão da entidade estatal
parceira refere-se à correta aplicação dos recursos públicos recebidos e ao adimplemento do objeto do Termo de Parceria,
mediante a apresentação dos seguintes documentos:
I - relatório anual de execução de atividades, contendo especificamente relatório sobre a execução do objeto do Termo de
Parceria, bem como comparativo entre as metas propostas e os resultados alcançados;
II - demonstrativo integral da receita e despesa realizadas na execução;
III - extrato da execução física e financeira;
IV - demonstração de resultados do exercício;
V - balanço patrimonial;
VI - demonstração das origens e das aplicações de recursos;
VII - demonstração das mutações do patrimônio social;
VIII - notas explicativas das demonstrações contábeis, caso necessário;
IX - parecer e relatório de auditoria, se for o caso.

• Desqualificação das OSCIP:


a) a pedido da entidade; ou
b) como sanção pelo descumprimento das obrigações previstas no termo de parceria.
* Processo administrativo ou judicial, assegurados o contraditório e a ampla defesa.

Aula 05 - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) 2; Regime Jurídico das Parcerias Voluntárias; Serviços
Sociais Autônomos; Entidades de Apoio; Agências Executivas

• Quadro comparativo – OS e OSCIP:

OS - Lei 9.637/1998 OSCIP - Lei 9.790/1999

Natureza Jurídica Pessoa jurídica de direito privado, sem Pessoa jurídica de direito privado, sem
finalidade lucrativa, não integrante da finalidade lucrativa, não integrante da
Administração Pública Administração Pública

Área de atuação Ensino, pesquisa científica, A área de atuação é mais ampla do


desenvolvimento tecnológico, proteção e que a das organizações sociais, porque
preservação do meio ambiente, cultura e abrange, além de todo o campo de
saúde. atuação destas últimas, diversas
outras áreas previstas no art.3º da Lei
9.790/1999.

Vínculo jurídico com a CONTRATO DE GESTÃO TERMO DE PARCERIA


Administração Pública

Natureza jurídica do ato de ATO DISCRICIONÁRIO ATO VINCULADO


qualificação

Ato de qualificação Aprovação do Ministro ou titular Concedida pelo Ministério da Justiça


supervisor ou regulador da área de
atividade correspondente ao seu objeto
social E do Ministro do Planejamento,
Orçamento e Gestão

Impossibilidade de dupla Não admite ser qualificada ao mesmo Não admite ser qualificada ao mesmo
qualificação - OS e OSCIP tempo como OSCIP. tempo como OS.

@dicasexconcurseira 30
Estrutura Interna Exigência legal: Exigência legal:
- Conselho de administração com - Conselho Fiscal.
participação obrigatória de representantes OBS: Não se exige Conselho de
do Poder Público e membros da administração ou participação de
comunidade de notória capacidade representantes do Poder Público em
profissional e idoneidade moral; qualquer órgão da entidade.
- Diretoria.

Licitação Dispensável para a contratação de Decreto 3.100/1999 prevê que a


prestação de serviços no âmbito do escolha da OSCIP para firmar termo de
contrato de gestão (art.24, XXIV, Lei 8666) parceria deverá ser feita por meio de
concurso de projetos.

Desqualificação A pedido ou se descumprido o contrato de A pedido ou mediante decisão


gestão, mediante processo proferida em processo administrativo
administrativo, em que seja assegurado o ou judicial, de iniciativa popular ou do
direito ao contraditório e ampla defesa. MP, em que sejam assegurados o
contraditório e a ampla defesa.

• REGIME JURÍDICO DAS PARCERIAS VOLUNTÁRIAS


Lei 13.019/2014, art. 1.º - Marco Regulatório do Terceiro Setor

Conteúdo: normas gerais para as parcerias voluntárias, envolvendo OU NÃO transferências de recursos financeiros

Abrangência: União, Estados, Distrito Federal, Municípios e respectivas autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades
de economia mista prestadoras de serviço público, e suas subsidiárias. —> Administração Direta e Indireta.

• Entidades aptas a firmar parcerias voluntárias com o Poder Público: Não há necessidade de obtenção de qualquer
qualificação ou título específico para que uma instituição possa firmar com o Poder Público.

• TERMO DE COLABORAÇÃO: instrumento pelo qual são formalizadas as parcerias estabelecidas pela administração pública com
organizações da sociedade civil, selecionadas por meio de chamamento público, PARA A CONSECUÇÃO DE FINALIDADE DE
INTERESSE PÚBLICO PROPOSTAS PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, sem prejuízo das definições atinentes ao contrato de
gestão (OS) e ao termo de parceria (OSCIP); —> A Administração Pública diz “vem colaborar comigo”.

• TERMO DE FOMENTO: instrumento pelo qual são formalizadas as parcerias estabelecidas pela administração pública com
organizações da sociedade civil, selecionadas por meio de chamamento público, PARA A CONSECUÇÃO DE FINALIDADES DE
INTERESSE PÚBLICO PROPOSTAS PELAS ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL, sem prejuízo das definições atinentes ao
contrato de gestão (OS) e ao termo de parceria (OSCIP). —> A organização da sociedade civil diz “me fomente”.

• Entidades impedidas de firmar parcerias voluntárias:


Lei 13.019/2014, art. 39.
I - não esteja regularmente constituída ou, se estrangeira, não esteja autorizada a funcionar no território nacional;
II - esteja omissa no dever de prestar contas de parceria anteriormente celebrada;
III - tenha como dirigente agente político de Poder ou do Ministério Público, dirigente de órgão ou entidade da administração
pública de qualquer esfera governamental, ou respectivo cônjuge ou companheiro, bem como parente em linha reta, colateral ou
por afinidade, até o segundo grau;(...)

• Atividades que não podem ser objeto de parcerias voluntárias - Lei 13.019/2014, art. 40.
I - delegação das funções de regulação, de fiscalização, do exercício do poder de polícia ou de outras atividades exclusivas do
Estado;
II - prestação de serviços ou de atividades cujo destinatário seja o aparelho administrativo do Estado. — o destinatário do
termo de parceria/termo de fomento é a sociedade, e não o Estado.
(parágrafo único estatui outras vedações)

@dicasexconcurseira 31
• Seleção do parceiro privado – o chamamento público:
Lei 13.019/2014, art. 2.º. (...). XII - chamamento público: procedimento destinado a selecionar organização da sociedade civil
para firmar parceria por meio de termo de colaboração ou de fomento, no qual se garanta a observância dos princípios da
isonomia, da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da
vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos;

• Edital de chamamento público:


– Conteúdo mínimo:
a) o mínimo de 3 anos de existência;
b) experiência prévia;
c) capacidade técnica e operacional.
- Critérios objetivos para julgamento das propostas

• Inexigibilidade e dispensa de chamamento público:


Dispensa (art. 30). A administração pública poderá dispensar a realização do chamamento público:
I - no caso de urgência decorrente de paralisação ou iminência de paralisação de atividades de relevante interesse público
realizadas no âmbito de parceria já celebrada, limitada a vigência da nova parceria ao prazo do termo original;
II - guerra ou grave perturbação da ordem pública, para firmar parceria com organizações da sociedade civil que desenvolvam
atividades de natureza continuada nas áreas de assistência social, saúde ou educação, que prestem atendimento direto ao
público e que tenham certificação de entidade beneficente de assistência social;
III - realização de programa de proteção a pessoas ameaçadas ou em situação que possa comprometer a sua segurança;

Lei 13.019/2014, art. 31. Será considerado inexigível o chamamento público na hipótese de inviabilidade de competição entre
as organizações da sociedade civil, em razão da NATUREZA SINGULAR DO OBJETO do plano de trabalho OU quando as METAS
SOMENTE PUDEREM SER ATINGIDAS POR UMA ENTIDADE ESPECÍFICA.

• Fiscalização e prestação de contas:


Lei 13.019/2014, art. 58. A administração pública está incumbida de realizar procedimentos de fiscalização das parcerias
celebradas ANTES do término da sua vigência, inclusive por meio de visitas in loco, para fins de monitoramento e avaliação do
cumprimento do objeto, na forma do regulamento.

• Sanções administrativas:
Lei 13.019/2014, art. 73.
I - advertência;
II - SUSPENSÃO temporária da participação em chamamento público e IMPEDIMENTO de celebrar termos de fomento, termos
de colaboração e contratos com órgãos e entidades da esfera de governo DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA SANCIONADORA, por
prazo não superior a 2 anos;
III - DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE para participar em chamamento público ou celebrar termos de fomento, termos de
colaboração e contratos com órgãos e entidades de TODAS as esferas de governo, enquanto perdurarem os motivos
determinantes da punição ou até que seja promovida a reabilitação perante a própria autoridade que aplicou a penalidade, que
será concedida sempre que a organização da sociedade civil ressarcir a administração pelos prejuízos resultantes, e após
decorrido o prazo da sanção aplicada com base no inciso II deste artigo (= após 2 anos).

Parceria Voluntária Parceria com OS Parceria com OSCIP

Qualificação da entidade Não precisa Precisa de qualificação de Precisa de qualificação de


parceria OS OSCIP

Instrumento de parceria Termo de colaboração ou Contrato de gestão Termo de parceria


Termo de Fomento

@dicasexconcurseira 32
SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS ENTIDADES DE APOIO

Pessoas jurídicas de direito privado Pessoas jurídicas de direito privado

Executam atividades privadas de interesse público, sem Integram o Terceiro Setor (não fazem parte da
fins lucrativos, em cooperação com o Poder Público Administração Pública)

Fazem parte do Terceiro Setor (não integram a Exercem em caráter privado, sem fins lucrativos, serviços
Administração Pública) sociais não exclusivos do Estado

Sua criação depende de lei autorizadora Criadas por servidores públicos —> na prática, não
apenas.

São mantidos por dotações orçamentárias e Constituídas sob as formas de fundação privada,
contribuições parafiscais associação ou cooperativa —> geralmente, na forma de
fundação privada.

Estão submetidos a controle estatal e à fiscalização Firmam convênios com entidades da Administração
exercida pelo Tribunal de Contas Direta e Indireta.

Seus funcionários são regidos pela CLT, não precisam ser


admitidos por concurso público e não se submetem ao
teto remuneratório previsto na CF

• AGÊNCIAS EXECUTIVAS:

– Qualificação atribuída a entidades preexistentes (AUTARQUIAS e FUNDAÇÕES PÚBLICAS) por ato do Presidente da
República.
– Possuem autonomia de gestão e a disponibilidade de recursos orçamentários e financeiros para que possam cumprir seus
objetivos e metas institucionais.
- Ex: INMETRO.

– Vinculação a um Órgão da administração direta mediante celebração de CONTRATO DE GESTÃO.

Não está hierarquicamente subordinada!

CESPE, Advogado da União: “As agências executivas se caracterizam por ser autarquia ou fundação que celebra contrato de
gestão com o órgão da administração direta a que se acha hierarquicamente subordinada, para melhoria da eficiência e redução
de custos”.

• Requisitos cumulativos:
a) ter um plano estratégico de reestruturação e de desenvolvimento institucional em andamento; +
b) ter celebrado um contrato de gestão com o respectivo Ministério supervisor (pelo prazo mínimo de 1 ano).

CESPE, Juiz Federal Substituto do TRF 5.ª R.: “A qualificação de uma autarquia como agência executiva, o que lhe assegura
aumento dos valores de contratação de obras e serviços de engenharia com dispensa de licitação, depende de ela ter um plano
estratégico de reestruturação e de desenvolvimento institucional em andamento ou, alternativamente, da celebração de
contrato de gestão com o respectivo ministério supervisor”.

@dicasexconcurseira 33
• Benefícios:
a) autonomia de gestão;
b) DUPLICAÇÃO do limite de DISPENSA de licitação;
c) disponibilidade de recursos orçamentários e financeiros.

Aula 06 - Agências Reguladoras

• Agências reguladoras:
– Redefinição do papel do Estado no setor econômico;
– Definição: Pessoas jurídicas de direito público, que possuem natureza jurídica de FUNDAÇÕES ou AUTARQUIAS de regime
especial, cuja função é regulamentar, controlar e fiscalizar determinado setor econômico ou atividades que constituem objeto
de delegação de serviço público ou de concessão para exploração de bem público.
– Natureza jurídica: AUTARQUIA DE REGIME ESPECIAL.
– Todos os entes da Federação (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) podem criar suas próprias agências reguladoras.

DE OLHO NA JURIS! É constitucional a previsão de que a ANVISA pode proibir produtos e insumos em caso de violação da
legislação ou de risco iminente à saúde, inclusive cigarros com sabor e aroma
É constitucional o art. 7º, III e XV, da Lei nº 9.782/99, que preveem que compete à ANVISA: III - estabelecer normas, propor,
acompanhar e executar as políticas, as diretrizes e as ações de vigilância sanitária; XV - proibir a fabricação, a importação, o
armazenamento, a distribuição e a comercialização de produtos e insumos, em caso de violação da legislação pertinente ou de
risco iminente à saúde. Entendeu-se que tais normas consagram o poder normativo desta agência reguladora, sendo importante
instrumento para a implementação das diretrizes, finalidades, objetivos e princípios expressos na Constituição e na legislação
setorial. Além disso, o STF, após empate na votação, manteve a validade da Resolução RDC 14/2012-ANVISA, que proíbe a
comercialização no Brasil de cigarros com sabor e aroma. Esta parte do dispositivo não possui eficácia erga omnes e efeito
vinculante. Significa dizer que, provavelmente, as empresas continuarão ingressando com ações judiciais, em 1ª instância,
alegando que a Resolução é inconstitucional e pedindo a liberação da comercialização dos cigarros com aroma. Os juízes e
Tribunais estarão livres para, se assim entenderem, declararem inconstitucional a Resolução e autorizar a venda. Existem,
inclusive, algumas decisões nesse sentido e que continuam valendo. STF. Plenário. ADI 4874/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado
em 1º/2/2018 (Info 889).

Multas previstas em resoluções criadas por agências reguladoras


Não há violação do princípio da legalidade na aplicação de multa previstas em resoluções criadas por agências reguladoras, haja
vista que elas foram criadas no intuito de regular, em sentido amplo, os serviços públicos, havendo previsão na legislação
ordinária delegando à agência reguladora competência para a edição de normas e regulamentos no seu âmbito de atuação. STJ.
2ª Turma. AgRg no AREsp 825776/SC, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 05/04/2016.

CESPE, Procurador do Município de Natal/RN: “As agências reguladoras são órgãos da administração pública cuja finalidade é
fiscalizar e controlar determinada atividade”.

ESAF, Procurador do Ministério Público de Contas dos Municípios de Goiás: “As chamadas agências reguladoras integram o
chamado Terceiro Setor, assumindo atividades de interesse público”.

• Regime jurídico especial:


a) PODER NORMATIVO TÉCNICO (competência para editar normas técnicas concernentes aos setores que regulam, que
encontra limites na lei);
b) AUTONOMIA DECISÓRIA: decidem em última instância administrativa os conflitos existentes no âmbito das atividades
reguladas; —> assim, não caberá recurso hierárquico impróprio das decisões da agência reguladora ao ente da administração
direta que a criou.
c) INDEPENDÊNCIA ADMINISTRATIVA: dirigentes possuem mandato por tempo determinado e gozam de relativa estabilidade;
d) autonomia econômico-financeira (possuem recursos próprios).

• Poder normativo:
– Competência para editar normas técnicas concernentes aos setores que regulam.
– Limites na lei.

• Regime de pessoal:
– Seus servidores são ocupantes de cargos públicos, submetidos ao regime estatutário. — regime jurídico único.
@dicasexconcurseira 34
* STF, ADI 2.310-1/DF, Min. Marco Aurélio.

• Dirigentes:
a) mandatos dos membros do colegiado descoincidentes e por prazo determinado;
b) relativa estabilidade dos mandatos dos dirigentes, pois a perda destes só pode ocorrer em caso de i) renúncia, ii) condenação
judicial transitada em julgado ou de iii) condenação em processo administrativo disciplinar;
c) possuem investidura especial (são escolhidos e nomeados pelo Presidente da República, após aprovação do Senado
Federal);
d) se submetem à quarentena (impedidos de exercer atividades ou prestar serviços a empresas que se submetam ao poder
regulador do ente que dirigiu pelo prazo de 4 ou 12 meses).

• Quarentena:
– Definição: prazo contado a partir da exoneração ou do término do mandato, em que o ex-dirigente da agência reguladora
fica impedido de exercer atividades ou prestar serviços a empresas que se submetam ao poder regulador do ente que dirigiu.
– Caso descumpra a quarentena, o ex-dirigente praticará crime de advocacia administrativa.
– Inaplicabilidade da regra: ao ex-dirigente exonerado a pedido se ele ainda não tiver cumprido seis meses de seu mandato
(Lei 9.986/2000, art. 8.º, §3.º).

PRAZO DE QUARENTENA
Regra (art.8º da Lei 9.986/2000) 4 meses
Anatel 12 meses
Aneel
ANP
ANS
Prazo de quarenten
ESAF, Juiz do Trabalho do TRT7: “A quarentena aplica-se, também, ao ex-dirigente que tenha sido exonerado a pedido, desde
que tenha cumprido pelo menos um ano de seu mandato”.

• Licitação
– Pregão e consulta.
OBS: A “CONSULTA” é modalidade licitatória aplicável tão somente às AGÊNCIAS REGULADORAS FEDERAIS.
Analista do MPU: “A legislação das agências reguladoras estabeleceu a possibilidade de se utilizar, para a aquisição de bens e
contratação de serviços por essas entidades, uma modalidade especial de licitação, prevista tão somente para essa categoria
organizacional. Tal modalidade denomina-se consulta”.

• Principais agências reguladoras federais:


– Aneel; Anatel; ANP; Anvisa; ANS; ANA; ANTT; Antaq; Ancine; Anac.

BLOCO II - Caps. IV, V e VI

Cap.IV - Regime Jurídico Administrativo

Aula 01 - Considerações Iniciais

NORMAS JURÍDICAS
Princípios Jurídicos Regras Jurídicas

- Caráter genérico e abstrato; - Caráter específico e menos abstrato;

- Colisão de princípios: ponderação de interesses, - Colisão de regras: raciocínio excludente com base nos
graduando-se a aplicação dos princípios envolvidos. critérios hierárquico, cronológico e da especialidade.

- Força normativa (coercitiva) e vinculante. - Força normativa (coercitiva) e vinculante.

@dicasexconcurseira 35
Celso Antônio Bandeira de Mello: “Violar um princípio é muito mais grave que transgredir uma norma. A desatenção ao princípio
implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório, mas a todo o sistema de comandos. É a mais grave forma
de ilegalidade ou inconstitucionalidade, conforme o escalão do princípio violado, porque representa insurgência contra todo o
sistema, subversão de seus valores fundamentais, contumélia irremissível a seu arcabouço lógico e corrosão de sua estrutura
mestra”.

CESPE, Auditor de Controle Externo do TCE/RO: “De acordo com a doutrina, o regime jurídico-administrativo abrange tanto as
regras quanto os princípios, os quais são considerados recomendações para a atividade da administração pública”.

Aula 02 - Regime Jurídico da Administração; Regime Jurídico Administrativo; Supraprincípios de Direito Administrativo 1

• Interesse público primário (da população) e secundário (do Estado)

Celso Antônio Bandeira de Mello: “Independentemente do fato de ser, por definição, encarregado dos interesses públicos, o
Estado pode ter tanto quanto as demais pessoas, interesses que lhe são particulares, individuais, e que, tal como os interesses
delas, concebidas em suas meras individualidades, se encarnam no Estado enquanto pessoa. Estes últimos NÃO são interesses
públicos, mas interesses individuais do Estado, similares, pois (sob o prisma extrajurídico), aos interesses de qualquer outro
sujeito”.

ESAF, Procurador do Distrito Federal: “O denominado interesse secundário do Estado, na lição de Celso Antônio Bandeira de
Mello, não se insere na categoria dos interesses públicos propriamente ditos”.

• Características do princípio da supremacia do interesse público:


a) Princípio implícito na Constituição Federal;
b) Chamado também de princípio da finalidade pública;
c) Consiste na primazia do interesse público primário (coletivo) sobre o interesse privado (individual);
@dicasexconcurseira 36
d) Inspira o legislador e vincula a autoridade administrativa em toda a sua atuação;
e) Dá origem a certas prerrogativas da administração pública;
f) Dele decorre o caráter instrumental da administração pública;
g) Não se constitui em princípio absoluto, devendo conviver harmonicamente com os demais princípios constitucionais e com as
garantias e direitos fundamentais;
h) Não se aplica às relações da Administração regidas pelo direito privado.

CESPE, estagiário da Defensoria Pública do Estado do Espírito Santo: “Do princípio da supremacia do interesse público decorre o
caráter instrumental da administração pública”.

CESPE, Analista Judiciário do Superior Tribunal Militar: “Em situações em que a administração participa da economia, na
qualidade de Estado-empresário, explorando atividade econômica em um mercado concorrencial, manifesta-se a
preponderância do princípio da supremacia do interesse público”.

Aula 03 - Supraprincípios de Direito Administrativo 2; Princípios Constitucionais do Direito Administrativo 1

• Características do princípio da indisponibilidade do interesse público:


a) Princípio implícito na Constituição Federal;
b) Impõe uma série de restrições (sujeições) à conduta administrativa;
c) Conteúdo: a Administração Pública não pode abrir mão de alcançar o bem comum (interesse público primário) nem de
conservar o patrimônio público (interesse público secundário);
d) Consequências práticas: proibição de alienar bens públicos enquanto afetados à finalidade pública, restrições à alienação de
bens públicos, necessidade de concurso público para admissão de pessoal; necessidade de licitação para celebração de
contratos administrativos; proibição de renúncia de receita, salvo autorização legal etc.;
e) A indisponibilidade do interesse público aplica-se à Administração Pública, e não ao Parlamento, que pode, por meio de lei
praticar atos de liberalidade sobre este;
f) A indisponibilidade do interesse público gera como consequência lógica a submissão da Administração Pública a uma série de
outros princípios (legalidade, continuidade do serviço público, igualdade dos administrados, controle da atuação administrativa,
publicidade etc.).

@dicasexconcurseira 37
• Princípios Constitucionais do Direito Administrativo

CESPE, Escrivão de Polícia do Estado de Alagoas: “A legalidade do ato praticado pelo agente público pode subsistir ainda que não
exista lei prévia que autorize a sua prática”.

• Consequência do princípio da legalidade: a Administração Pública não pode, por simples ato administrativo, conceder direitos
de qualquer espécie, criar obrigações ou impor vedações aos administrados.

• Exemplos de aplicação prática do princípio da legalidade:


a) Não pode ser exigido exame psicotécnico em concurso público sem que tal fato esteja expressamente previsto em lei (STF, 1.ª
T., AI 677.718 AgR/DF);

b) Não pode ser imposto limite de idade em concurso público sem que tal exigência esteja prevista em lei (STF, 1.ª T., RE
425.760 AgR/DF);

DE OLHO NA JURIS! Momento para comprovação do limite de idade


O limite de idade, quando regularmente fixado em lei e no edital de determinado concurso público, há de ser comprovado no
momento da inscrição no certame. STF. 1ª Turma. ARE 840592/CE, Min. Roberto Barroso, julgado em 23/6/2015 (Info 791).

c) Não pode um servidor ser exonerado de ofício (sem prévio processo disciplinar) por abandono de cargo, já que, mesmo neste
caso, a lei obriga a realização de processo disciplinar, em que seja assegurado ao servidor o direito ao contraditório e a ampla
defesa;

d) Não pode um decreto (que é ato hierarquicamente inferior à lei) conceder direitos e impor obrigações a terceiros etc.

@dicasexconcurseira 38
FCC, Analista Judiciário, Área judiciária, TRT 4.ª R: “O conteúdo do princípio constitucional da legalidade não exclui a
possibilidade de atividade discricionária pela Administração Pública, desde que observados os limites da lei, quando esta deixa
alguma margem para a Administração agir conforme os critérios de conveniência e oportunidade”.

Aula 04 - Princípios Constitucionais do Direito Administrativo 2

Autorizações legais genéricas


Diógenes Gasparini: “Não carece existir lei estabelecendo se, como e quando a Administração Pública deve agir, pois muitas
vezes o interesse público, a moralidade administrativa e o dever de agir permitem sua atuação sem a existência de uma
específica lei.”

FCC, Analista em Planejamento, Orçamento e Finanças Públicas da SEFAZ-SP: “A legalidade determina que todos os atos
praticados pela Administração devem contar com autorização legal específica.” —> a autorização não precisa ser sempre
específica.

• Bloco de legalidade e princípio da juridicidade

CESPE, Magistratura/TJ/MG: “O Preâmbulo da Constituição de 1988 influi no controle de legalidade do ato da Administração”.
— o preâmbulo não é parâmetro para controle de constitucionalidade, mas pode servir para influir, pode servir como
“raciocínio".

@dicasexconcurseira 39
• Exceções ao princípio da legalidade (Celso Antônio Bandeira de Mello): estas exceções estão previstas na CF, daí muito
dizerem que não são exceções propriamente ditas. “b" e “c" = legalidade extraordinária.
a) medidas provisórias;
b) estado de defesa;
c) estado de sítio.

CESPE, Técnico Administrativo do IBAMA: “De acordo com a CF, a medida provisória, o estado de defesa e o estado de sítio
constituem exceção ao princípio da legalidade na administração pública”.

• Princípio da Impessoalidade

• Princípio da impessoalidade — Finalidade pública:


— Perseguição dos fins públicos previstos na lei, de forma expressa ou implícita;
— Ato administrativo praticado sem interesse público, visando unicamente satisfazer a interesse privado, sofre desvio de
finalidade, devendo por isso ser invalidado.

• Princípio da impessoalidade — Isonomia:


— Não importa a pessoa que está se relacionando com a administração, o tratamento deve sempre ser isonômico;
— Exemplos de regras que visam garantir a isonomia (impessoalidade):
a) exigência de licitação;
b) concurso público para o provimento de cargo ou emprego público;
c) vedação ao nepotismo;
d) invocação de impedimento ou suspeição pela autoridade responsável por julgar o processo administrativo;
e) respeito à ordem cronológica para pagamento dos precatórios etc.

• Princípio da impessoalidade — Imputação da conduta administrativa ao órgão:


— Atuação administrativa imputada ao Estado, e não aos agentes que a praticam;
— Caráter educativo, informativo ou de orientação social da publicidade governamental, dela não podendo constar nomes,
símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos;
— Reconhecimento da validade dos atos praticados por funcionário irregularmente investido no cargo ou função. —> é o caso
do "funcionário de fato”. Se o servidor que expediu a certidão não foi investido corretamente, o ato será imputado à
administração pública e sua certidão valerá.

@dicasexconcurseira 40
Aula 05 - Princípios Constitucionais do Direito Administrativo 3

• Princípio da Moralidade

ESAF, Agente de Fazenda da Secretaria Municipal de Finanças da Cidade do Rio de Janeiro: “o princípio da moralidade
administrativa não comporta juízos de valor elásticos, porque o conceito de moral administrativa está definido de forma rígida
na Constituição Federal”.

OBS: Improbidade administrativa é uma imoralidade qualificada.


O princípio da moralidade deve ser observado não só pelos agentes públicos, como também pelos particulares ao se relacionarem
com a Administração Pública.

Agentes públicos Particulares

a) Prática de nepotismo; a) Fraude em certames de interesse público;

b) Utilização de publicidade governamental com o fim b) Conluios em licitações, etc.


exclusivo de autopromoção da autoridade pública

c) Prática de atos de favorecimento próprio, etc.

Exemplos de violações:

@dicasexconcurseira 41
• Controle da moralidade administrativa:
a) Administrativo (autotutela);
b) Judicial.

• Princípio da Publicidade
A administração, além de pública, deve ocorrer “em público”, sendo regra a ampla publicidade dos atos administrativos, e
exceções os casos de sigilo. —> Transparência ou visibilidade da atuação administrativa

CF, art. 5.º, XXXIII — Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse
coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja
imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;

DE OLHO NA JURIS! Possibilidade de divulgação de vencimentos dos servidores públicos com relação nominal
É legítima a publicação, inclusive em sítio eletrônico mantido pela Administração Pública, dos nomes de seus servidores e do
valor dos correspondentes vencimentos e vantagens pecuniárias. STF. Plenário. ARE 652777/SP, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado
em 23/4/2015 (repercussão geral) (Info 782)

ESAF, Procurador do Distrito Federal: “Na esfera administrativa, o sigilo, como exceção ao princípio da publicidade, é
inadmissível ante a existência de preceito constitucional expresso que veda sua adoção pela Administração Pública”.

STF, SS 3.902: “1. Caso em que a situação específica dos servidores públicos é regida pela 1ª parte do inciso XXXIII do art. 5º da
Constituição. Sua remuneração bruta, cargos e funções por eles titularizados, órgãos de sua formal lotação, tudo é constitutivo
de informação de interesse coletivo ou geral. Expondo-se, portanto, a divulgação oficial. (...) 2. Não cabe, no caso, falar de
intimidade ou de vida privada, pois os dados objeto da divulgação em causa dizem respeito a agentes públicos enquanto
agentes públicos mesmos; ou, na linguagem da própria Constituição, agentes estatais agindo “nessa qualidade” (§6º do art.
37)”.

STF, SS 3.902: “E quanto à segurança física ou corporal dos servidores, seja pessoal, seja familiarmente, claro que ela resultará
um tanto ou quanto fragilizada com a divulgação nominalizada dos dados em debate, mas é um tipo de risco pessoal e familiar
que se atenua com a proibição de se revelar o endereço residencial, o CPF e a CI de cada servidor. No mais, é o preço que se
paga pela opção por uma carreira pública no seio de um Estado republicano”.

Aula 06 - Princípios Constitucionais do Direito Administrativo 4

STF, ADI 2.472/RS: “Cláusula que determina que conste nos comunicados oficiais o custo da publicidade veiculada. Exigência
desproporcional e desarrazoada, tendo-se em vista o exagero dos objetivos visados. Ofensa ao princípio da economicidade
(CF, artigo 37, caput).”.

@dicasexconcurseira 42
CESPE, Juiz do Tribunal de Justiça da Paraíba: “De acordo com o STF, atende à razoabilidade e aos princípios previstos no art. 37,
caput, da CF norma estadual que determine a obrigatoriedade de o custo da publicidade constar dos comunicados oficiais”.

• Desdobramentos do princípio da publicidade na Constituição Federal:


a) direito à obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse
pessoal, independentemente do pagamento de taxas (art. 5.º, XXXIV, “b”);
b) direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder, independentemente
do pagamento de taxas (art. 5.º, XXXIV, “a”);
c) direito de acesso dos usuários a registros administrativos e atos de governo (art. 37, § 3.º, II);
d) habeas data (CF, art. 5.º, LXXII);
e) mandado de segurança (CF, art. 5.º, LXIX).

– Lei de Acesso à Informação ou Lei da Transparência Pública


Lei 12.527/2011, art. 1.º. Esta Lei dispõe sobre os procedimentos a serem observados pela União, Estados, Distrito Federal e
Municípios, com o fim de garantir o acesso a informações previsto no inciso XXXIII do art. 5.º, no inciso II do § 3.º do art. 37 e no
§ 2.º do art. 216 da Constituição Federal.

Lei 8.666/1993, art. 6.º, XIII — Imprensa Oficial: veículo oficial de divulgação da Administração Pública, sendo para a União o
Diário Oficial da União, e, para os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, o que for definido nas respectivas leis;

CESPE, Analista Judiciário, Área judiciária, TRT 8.ª R.: “Com base na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a
divulgação de ato da administração pública pela imprensa particular em programa de televisão ou de rádio em horário oficial
atende ao princípio da publicidade, podendo produzir efeitos jurídicos”. —> tem que ser publicado também no diário oficial; o
ato administrativo pode, ou não, também ser publicado na imprensa particular. Mas a publicação em diário oficial é obrigatória.

* A publicidade do ato é necessária para que este gere efeitos (EFICÁCIA), mas não para sua validade (compatibilidade com o
direito) ou sua perfeição (completude).

CESPE, Escrivão de Polícia do Estado de Alagoas: “O princípio da publicidade, no direito administrativo, relaciona-se à
publicidade, diretamente ligada à eficácia do ato, bem como à transparência, derivada, por sua vez, do princípio da
indisponibilidade do interesse público”.

STJ, RMS 21.554/MG: “Recurso ordinário. Mandado de segurança. Administrativo. Concurso público. Procurador do Estado de
Minas Gerais. Nomeação após mais de 3 anos da data de homologação do concurso. Efetivação do ato somente mediante
publicação no Diário Oficial. Princípios da publicidade e da razoabilidade. Não observância”.

CESPE, Analista Judiciário, Área administrativa, TRT 8.ª R.: “Considere que determinado candidato aprovado em concurso
público tenha sido nomeado, mediante a exclusiva publicação no diário oficial, após três anos da data de homologação do
certame. Nesse caso, segundo entendimento do STJ, independentemente do lapso temporal transcorrido entre a data da
homologação e a da nomeação, é presumida a ciência do candidato, visto que a comunicação por meio de diário oficial é
suficiente para atender às exigências do princípio da publicidade”.

@dicasexconcurseira 43
CF, art. 37, § 1.º. A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter
educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem
promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.

Aula 07 - Princípios Constitucionais do Direito Administrativo 5; Princípios Administrativos Reconhecidos 1

• Princípio da Eficiência
Veio com a EC 19/98.

Hely Lopes Meirelles: “O princípio da eficiência exige que a atividade administrativa seja exercida com presteza, perfeição e
rendimento funcional. É o mais moderno princípio da função administrativa, que já não se contenta em ser desempenhada
apenas com legalidade, exigindo resultados positivos para o serviço público e satisfatório atendimento das necessidades da
comunidade e de seus membros”.

FCC, Defensor Público do Estado de São Paulo: “Está em conformidade com a eficiência a prestação de serviço público que
satisfaça em parte às necessidades dos administrados, desde que realizados com rapidez e prontidão.”

– Conteúdo do princípio da eficiência

* “Fazer mais e melhor, gastando menos”

– Aspectos do princípio da eficiência (Maria Sylvia Zanella Di Pietro):


1.º Modo de atuação do agente público; — ex: necessidade de avaliação de desempenho para alcançar a
estabilidade/vitaliciedade;
2.º Modo de organizar, estruturar, disciplinar a Administração Pública.

FCC, Analista Judiciário, Execução de mandados, TRT 1.ª R.: “O princípio da eficiência e o princípio da legalidade podem ser
excludentes, razão pela qual cabe ao administrador à opção de escolha dentre eles, de acordo com o caso concreto”.

@dicasexconcurseira 44
• Princípios administrativos reconhecidos: não estão no caput do art.37 da CF, mas podem ser identificados em outros
dispositivos explícitos de outras normas ou implícitos.

1. Princípios da razoabilidade e da proporcionalidade

José dos Santos Carvalho Filho: “o princípio da razoabilidade não incide apenas sobre a função administrativa, mas, ao contrário,
incide sobre qualquer função pública, inclusive sobre a função legislativa”.

Aula 08 - Princípios Administrativos Reconhecidos 2

• Proporcionalidade — Três elementos:


1.º Adequação (compatibilidade entre o meio empregado e o fim almejado);
2.º Exigibilidade (a conduta praticada deve ser necessária, não havendo meio menos gravoso para alcançar o fim público); e,
3.º Proporcionalidade em sentido estrito (as vantagens obtidas com conduta superam as desvantagens).

ESAF, Analista de Planejamento e Orçamento: “A observância da adequação e da exigibilidade, por parte do agente publico,
constitui fundamento do seguinte principio da Administração Publica: proporcionalidade”.

Princípio da Razoabilidade Princípio da Proporcionalidade

a) O princípio da razoabilidade exige do administrador a) O princípio da proporcionalidade exige do


atuação coerente, racional, com bom-senso; administrador uma conduta equilibrada, balanceada,
sem excessos, proporcional ao fim a que se destina;

b) O princípio da razoabilidade diz respeito a b) O princípio da proporcionalidade é uma das facetas


aceitabilidade de uma conduta, dentro de padrões do princípio da razoabilidade;
normais de comportamento;

c) Permite o controle de constitucionalidade das leis e c) Elementos do princípio da proporcionalidade:


controle de legalidade dos atos administrativos, c.1. adequação;
constituindo-se em limitação ao poder discricionário da c.2. exigibilidade;
administração. c.3. proporcionalidade em sentido estrito.

d) Permite o controle de constitucionalidade das leis e


atos administrativos, constituindo-se em limitação ao
poder discricionário da administração.

2. Princípio da motivação — Aspectos gerais:

a) O princípio da motivação determina que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas
decisões;
b) Abrangência da aplicação: TODOS os atos administrativos (atos vinculados e atos discricionários);
c) Exceção típica ao dever de motivar: EXONERAÇÃO de servidor de cargo comissionado ou DESTITUIÇÃO de servidor de
função de confiança;
d) A motivação, em regra, não exige uma forma específica, mas deve ser explícita, clara e congruente;
e) A motivação, como regra, pode ser prévia ou concomitante ao ato. A motivação ulterior pode resultar na invalidação do ato
administrativo; sendo, em casos específicos, possível a convalidação.
f) Admite-se a MOTIVAÇÃO ALIUNDE, aquela que não se encontra no próprio texto do ato praticado, mas em outro local,
expressamente indicado naquele ato; —“aliunde” = de outro local.
g) Não se admite motivações genéricas ou insuficientes.

CESPE, estagiário da Defensoria Pública do Espírito Santo: “O dever de motivação restringe-se aos atos vinculados”.

@dicasexconcurseira 45
CESPE, Analista Judiciário do TRT8: “Na remoção ex officio de servidor publico para localidade diversa da por ele postulada,
exige-se a correspondente motivação por parte da administração pública”.

CESPE, Analista Judiciário do TJRJ: “Pelo princípio da motivação, é possível a chamada motivação aliunde, ou seja, a mera
referência, no ato, à sua concordância com anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, como forma de
suprimento da motivação do ato.”

Aula 09 - Princípios Administrativos Reconhecidos 3

3. Princípio da autotutela
Veremos na aula sobre atos administrativos mais especificamente.
É o poder-dever da Administração de zelar pela legalidade e pelo mérito de seus atos, podendo anulá-los ou revogá-los.

Necessidade de garantir contraditório e ampla defesa para se realizar a autotutela


A Administração Pública pode anular seus próprios atos quando estes forem ilegais. No entanto, se a invalidação do ato
administrativo repercute no campo de interesses individuais, faz-se necessária a instauração de procedimento administrativo
que assegure o devido processo legal e a ampla defesa. Assim, a prerrogativa de a Administração Pública controlar seus próprios
atos não dispensa a observância do contraditório e ampla defesa prévios em âmbito administrativo. STF. 2ª Turma. RMS
31661/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 10/12/2013 (Info 732). STF. Plenário. MS 25399/DF, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 15/10/2014 (Info 763).
4. Princípios da segurança jurídica, da proteção à confiança e da boa-fé

Lei 9.784/1999, art. 2.º, parágrafo único, XIII — Interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o
atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. —> visa garantir a segurança
jurídica.

STF, MS 28.105/DF: “Mandado de segurança. Tribunal de contas da União. Aposentadoria. Legalidade do cômputo do prazo de
aluno-aprendiz. Mudança de orientação do Tribunal de Contas da União quanto aos requisitos exigidos, após a concessão da
aposentadoria. Impossibilidade. Precedentes. Segurança concedida.” —> proteção à confiança.

CESPE, Analista Judiciário – área administrativa, TRT 19.ª R.: “Com base no princípio da segurança jurídica, uma nova
interpretação dada pela administração acerca de determinado tema não pode ter eficácia retroativa”.

— Proteção à confiança ou “proteção à confiança legítima” (aspecto subjetivo da segurança jurídica)


Maria Sylvia Zanella Di Pietro: “Princípio da proteção à confiança leva em conta a boa-fé do cidadão, que acredita e espera que
os atos praticados pelo Poder Público sejam lícitos e, nessa qualidade, serão mantidos e respeitados pela própria Administração
e por terceiros”.
* Não há disposição normativa expressa.

CESPE, Analista de Infraestrutura, MPOG: “Dado o princípio da legítima confiança, é incabível a restituição ao erário dos valores
recebidos de boa-fé por servidor público em decorrência de errônea ou inadequada interpretação da lei por parte da
administração pública”.

• Princípio da boa-fé:
Lei 9.784/1999, art. 2.º, parágrafo único, IV — Atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé;
Lei 9.784/1999, art. 4.º, II — Proceder com lealdade, urbanidade e boa-fé;

• Aspectos da boa-fé:
1.º aspecto objetivo: diz respeito à conduta leal e honesta, objetivamente considerada;
2.º aspecto subjetivo: se refere à crença do sujeito de que está agindo corretamente. Ao contrário, se o sujeito sabe que seu
comportamento não está em conformidade com as regras jurídicas, ele estará agindo de má-fé.

@dicasexconcurseira 46
Princípio da segurança jurídica Princípio da proteção à confiança Princípio da boa-fé

a) Objetivo: garantir a estabilidade a) Objetivo: proteger à confiança dos a) Aspecto objetivo: conduta leal e
das relações jurídicas consolidadas e administrados nos atos da honesta;
a certeza das consequências jurídicas Administração;
dos atos praticados pelos indivíduos
nas suas relações sociais;

b) Consequências: vedação a b) Aspecto ou dimensão subjetiva do b) Aspecto subjetivo: crença do


interpretação retroativa de norma princípio da segurança jurídica; sujeito de que está agindo
jurídica; limitação temporal ao corretamente;
exercício da autotutela; respeito ao
direito adquirido, a coisa julgada e ao
ato jurídico perfeito etc.

c) Consequências: manutenção de c) Deve ser exigida da Administração


atos ilegais ou inconstitucionais, e do Administrado;
manutenção de atos praticados por
funcionários de fato etc.

d) Consequências: manutenção de
atos ilegais ou inconstitucionais,
manutenção de atos praticados por
funcionários de fato etc.

Aula 10 - Princípios Administrativos Reconhecidos 4

• Princípio da continuidade do serviço público — Aspectos gerais:

a) Conteúdo: veda a interrupção da prestação de serviços públicos;


b) Regras para assegurar a continuidade do serviço público:
b.1) restrição ao direito de greve no serviço público;
b.2) inoponibilidade ou restrição a exceção do contrato não cumprido (exceptio non adimpleti contractus); — mesmo se o Poder
Público não cumprir a sua parte, o particular só pode deixar de praticar a atividade contratada após 90 dias do adimplemento;
se isso se der no âmbito do serviço público (ex: contratação de uma concessionaria), o particular só pode deixar de fazer a sua
parte se for à justiça (não pode deixar de fazer a sua parte unilateralmente).
b.3) encampação de serviços públicos delegados;
b.4) reversão de bens dos concessionários ao final da concessão;
b.5) ocupação pela Administração Pública e utilização do local, instalações, equipamentos, material e pessoal, empregados na
execução do contrato, necessários à continuidade do serviço público essencial;
b.6) suplência, delegação e substituição de servidores públicos;

c) Hipóteses legais de interrupção dos serviços públicos:


c.1) situação de emergência (sem aviso prévio);
c.2) razões de ordem técnica ou de segurança das instalações (após prévio aviso);
c.3) inadimplemento do usuário (após prévio aviso).

Corte de fornecimento – serviços essenciais

STF, REsp 363.943/MG – Ministro Relator Humberto Gomes de Barros: “Em pouco tempo, ninguém mais honrará a conta de luz.
Ora, se ninguém paga pelo fornecimento, a empresa distribuidora de energia não terá renda. Em não tendo renda, a
distribuidora não poderá adquirir os insumos necessários à execução dos serviços concedidos e, finalmente, entrará em
insolvência. Falida, a concessionária interromperia o fornecimento a todo o município, deixando às escuras, até a iluminação
pública.
@dicasexconcurseira 47
DE OLHO NA JURIS! É possível o corte da energia elétrica por fraude no medidor, desde que cumpridos alguns requisitos
Na hipótese de débito estrito de recuperação de consumo efetivo por fraude no aparelho medidor atribuída ao consumidor,
desde que apurado em observância aos princípios do contraditório e da ampla defesa, é possível o corte administrativo do
fornecimento do serviço de energia elétrica, mediante prévio aviso ao consumidor, pelo inadimplemento do consumo
recuperado correspondente ao período de 90 (noventa) dias anterior à constatação da fraude, contanto que executado o corte
em até 90 (noventa) dias após o vencimento do débito, sem prejuízo do direito de a concessionária utilizar os meios judiciais
ordinários de cobrança da dívida, inclusive antecedente aos mencionados 90 (noventa) dias de retroação. STJ. 1ª Seção. REsp
1412433-RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 25/04/2018 (recurso repetitivo) (Info 634).

É válida a interrupção do serviço público por razões de ordem técnica se houve prévio aviso por meio de rádio
Em regra, o serviço público deverá ser prestado de forma contínua, ou seja, sem interrupções (princípio da continuidade do
serviço público). Excepcionalmente, será possível a interrupção do serviço público nas seguintes hipóteses previstas no art. 6º, §
3º da Lei n.º 8.987/95: a) Em caso de emergência (mesmo sem aviso prévio); b) Por razões de ordem técnica ou de segurança
das instalações, desde que o usuário seja previamente avisado; c) Por causa de inadimplemento do usuário, desde que ele seja
previamente avisado. Se a concessionária de energia elétrica divulga, por meio de aviso nas emissoras de rádio do Município,
que haverá, daqui a alguns dias, a interrupção do fornecimento de energia elétrica por algumas horas em virtude de razões de
ordem técnica, este aviso atende a exigência da Lei nº 8.987/95? SIM. A divulgação da suspensão no fornecimento de serviço de
energia elétrica por meio de emissoras de rádio, dias antes da interrupção, satisfaz a exigência de aviso prévio, prevista no art.
6º, § 3º, da Lei nº 8.987/95. STJ. 1ª Turma. REsp 1270339-SC, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 15/12/2016 (Info 598).

6. Princípio da presunção de legitimidade ou de veracidade


Atributo presente em todo ato administrativo —> presunção de legitimidade/veracidade. Ocasiona a inversão do ônus
da prova: é o particular que tem que provar que a multa de trânsito foi erroneamente aplicada. Presume-se também que o ato
administrativo foi elaborado em conformidade com o procedimento exigido em lei.

7. Princípio da especialidade:
a) Conteúdo: consiste na criação de entidades da Administração Indireta, que irão prestar serviços públicos de forma
descentralizada e com especialização de função; —> “especialidade" não se relaciona à criação de órgãos, mas apenas a novas
entidades da administração indireta.
b) O princípio da especialidade relaciona-se com princípios da legalidade e da indisponibilidade do interesse público;
c) O princípio da especialidade não é pertinente às parcerias firmadas pelo Poder Público com organizações do terceiro setor.

CESPE, Juiz Federal do TRF 2.ª R.: “Aplica-se o princípio da especialidade quando a administração pública firma termo de parceria
com organizações da sociedade civil de interesse público, visto que recebe ou pode receber delegação para a gestão do serviço
público”.

8. Princípio da hierarquia:
a) Conteúdo: relação de coordenação e subordinação entre os órgãos da administração pública;
b) Consequências:
b.1) possibilidade do superior rever os atos dos subordinados;
b.2) possibilidade do superior delegar ou avocar competências;
b.3) possibilidade de punição do subordinado;
b.4) dever do subordinado obedecer às ordens do seu superior, salvo as manifestamente ilegais;
c) O princípio da hierarquia diz respeito à ideia de desconcentração administrativa;
d) O princípio da hierarquia não está relacionado ao processo de descentralização administrativa.

FCC, Analista Legislativo da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte: “A desconcentração está relacionada ao tema
hierarquia”.

9. Outros princípios:
a) Juridicidade: você deve obedecer não só à lei, mas ao bloco de legalidade. Obediência à lei e ao direito.
b) Realidade;
c) Responsabilidade;
d) Responsividade: o gestor deve justificar suas escolhas fiscais.
e) Sindicabilidade: todo ato administrativo pode ser levado ao Poder Judiciário.

@dicasexconcurseira 48
ESAF, Auditor da Receita Federal: “A possibilidade jurídica de submeter-se efetivamente qualquer lesão de direito e, por
extensão, as ameaças de lesão de direito a algum tipo de controle denomina-se princípio da sindicabilidade”.

f) Sancionabilidade: permite instituir punições e incentivos para incentivar condutas corretas.


g) Ponderação;
h) Subsidiariedade: a atuação do Estado deve ser a menor possível.
i) Consensualidade;
j) Monocrático;
k) Colegiado;
l) Coerência administrativa.

Cap. V - Poderes Administrativos

Aula 01 - Poderes Administrativos 1

• Poderes Administrativos (Hely Lopes Meirelles):


a) poder vinculado;
b) poder discricionário;
c) poder hierárquico;
d) poder disciplinar;
e) poder regulamentar; e,
f) poder de polícia.

CESPE, Assessor Jurídico da Prefeitura de Natal: “O poder vinculado não existe como poder autônomo; em realidade, ele
configura atributo de outros poderes ou competências da administração pública”.

@dicasexconcurseira 49
• Poder hierárquico

• Poder disciplinar

@dicasexconcurseira 50
Sanção Disciplinar Sanção de Polícia Sanção Penal

Natureza administrativa; Natureza administrativa; Natureza penal;

Decorre do poder disciplinar; Decorre do poder de polícia; Decorre do poder geral de


persecução penal;

Aplica-se sobre as pessoas que Aplica-se sobre as pessoas que Aplica-se sobre as pessoas que
possuam vínculo específico com a desobedeçam às regulamentações cometem crimes ou contravenções.
Administração. de polícia administrativa. Pessoas
submetidas à sujeição geral.

DE OLHO NA JURIS! Princípio da intranscendência das sanções


Súmula 615-STJ: Não pode ocorrer ou permanecer a inscrição do município em cadastros restritivos fundada em irregularidades
na gestão anterior quando, na gestão sucessora, são tomadas as providências cabíveis à reparação dos danos eventualmente
cometidos. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 09/05/2018, DJe 14/05/2018 (Info 624).

Princípio da intranscendência e atos praticados pelas gestões anteriores


Segundo a posição que prevalece no STF, se a irregularidade no convênio foi praticada pelo gestor anterior e a gestão atual,
depois que assumiu, tomou todas as medidas para ressarcir o erário e corrigir as falhas (exs: apresentou todos os documentos
ao órgão fiscalizador, ajuizou ações de ressarcimento contra o antigo gestor etc.), neste caso, o ente (Estado ou Município) não
poderá ser incluído nos cadastros de inadimplentes da União. Assim, de acordo esta acepção, o princípio da intranscendência
subjetiva das sanções proíbe a aplicação de sanções às administrações atuais por atos de gestão praticados por administrações
anteriores. Nesse sentido: STF. 1ª Turma. AC 2614/PE, AC 781/PI e AC 2946/PI, Rel. Min. Luiz Fux, julgados em 23/6/2015 (Info
791). Vale ressaltar, no entanto, que o Min. Marco Aurélio recentemente manifestou-se contrariamente à tese afirmando que:
"a inscrição do nome do Estado-Membro em cadastro federal de inadimplentes em face de ações e/ou omissões de gestões
anteriores não configura ofensa ao princípio da intranscendência." (STF. 1ª Turma. ACO 732/AP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado
em 10/5/2016. Info 825).

Inclusão de entes federativos nos cadastros federais de inadimplência


É necessária a observância da garantia do devido processo legal, em especial, do contraditório e da ampla defesa, relativamente
à inscrição de entes públicos em cadastros federais de inadimplência. Assim, a União, antes de incluir Estados-membros ou
Municípios nos cadastros federais de inadimplência (exs: CAUC, SIAF) deverá assegurar o devido processo legal, o contraditório e
a ampla defesa. STF. Plenário. ACO 1995/BA, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 26/3/2015 (Info 779). STF. 1ª Turma. ACO
732/AP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 10/5/2016 (Info 825).

Estado-membro não pode ser incluído nos cadastros de inadimplentes da União por irregularidades praticadas pelos outros
Poderes que não o Executivo
O Estado só pode sofrer restrições nos cadastros de devedores da União por atos praticados pelo Poder Executivo. Dessa forma,
atos do Legislativo, Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas e dos entes da Administração Pública indireta (como as
autarquias e as empresas públicas) não podem gerar sanções da União contra o Estado, diante da ausência de ingerência direta
do Executivo sobre eles. STF. Plenário. ACO 1612-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, DJe 13/2/2015. STF. Plenário. ACO 2099 AgR,
Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 18/12/2015.

CESPE, Assessor Jurídico da Prefeitura de Natal: “As sanções impostas aos particulares pela administração pública são exemplos
de exercício do poder disciplinar”.

CESPE, Auditor Interno do Estado de Minas Gerais: “No exercício do poder disciplinar, o administrador se sujeita ao princípio da
pena específica, estando estritamente vinculado à prévia definição da lei acerca da infração funcional e da respectiva sanção”.

@dicasexconcurseira 51
Aula 02 - Poderes Administrativos 2

• Poder Regulamentar:
CF, art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: (...)
IV — sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; —>
regulamento é conteúdo, e decreto é a forma. Parte da doutrina usa a expressão “poder regulamentar” apenas para essa
competência do chefe do Poder Executivo, e “poder normativo” referente à competência de demais autoridades de elaborar
outras normas (ex: Ministro que edita uma portaria).

• Lei e Regulamentos executivo, autônomo e autorizado

Lei Regulamento executivo Regulamento Regulamento autorizado


autônomo/independente

Norma geral e Norma geral e abstrata Norma geral e abstrata Norma geral e abstrata
abstrata

Inova a ordem Não inova a ordem jurídica Inova a ordem jurídica Inova a ordem jurídica em
jurídica matérias de natureza
eminentemente técnica

Ato normativo Ato normativo secundário Ato normativo primário Ato normativo secundário
primário

Elaborada pelo Poder Elaborado pelo chefe de Elaborado pelo chefe de Elaborado pelo órgão que
Legislativo Poder Executivo Poder Executivo (delegável a for autorizado pela lei
Ministros, AGU e PGR - §
único, art.84, CF).

Pode ser objeto de Não pode ser objeto de Pode ser objeto de controle Não pode ser objeto de
controle de controle de de constitucionalidade controle de
constitucionalidade constitucionalidade; é constitucionalidade
controle de legalidade.

CF, Art.84, Compete privativamente ao Presidente da República: VI – dispor, mediante decreto, sobre:
a) ORGANIZAÇÃO e FUNCIONAMENTO da administração federal, quando NÃO implicar aumento de despesa NEM criação ou
extinção de órgãos públicos; — decreto autônomo.
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos; — não é regulamento autônomo, pois não inova em nada.
Parágrafo único. O Presidente da República poderá delegar as atribuições mencionadas nos incisos VI, XII e XXV, primeira parte,
aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado-Geral da União, que observarão os limites
traçados nas respectivas delegações.

@dicasexconcurseira 52
• Regulamentos jurídicos e regulamentos administrativos

Regulamento jurídico: efeitos externos à Administração.


Regulamento administrativo: efeitos internos à Administração.

Aula 03 - Poderes Administrativos 3

• Poder de Polícia:
– Supremacia do interesse público sobre o interesse privado.
– Permite ao Estado restringir o exercício de direitos e garantias individuais em benefício de interesses da coletividade.

CTN, Art. 78. Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito,
interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à
higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de
concessão ou autorização do Poder Público, à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou
coletivos.

Poder de polícia em sentido amplo Poder de polícia em sentido estrito

O significado mais amplo da expressão corresponderia A expressão poder de polícia corresponderia unicamente
tanto aos atos do Executivo quanto aos do Legislativo aos atos do Poder Executivo que impliquem limitação da
(edição de leis) que condicionem a propriedade e a propriedade e da liberdade individual em favor da
liberdade do indivíduo em prol do interesse coletivo. coletividade, quer estes sejam intervenções gerais e
abstratas (como os regulamentos), quer sejam
concretas e específicas (como as licenças e
autorizações).

• Exemplos de aplicações do poder de polícia:


a) Apreensão de mercadoria estragada em depósito alimentício;
b) Suspensão de atividades lesivas ao meio ambiente;
c) Fiscalização exercida sobre pessoas físicas ou jurídicas pelos conselhos de fiscalização profissional;
d) Apreensão de mercadoria ilegal na alfândega;
e) Interdição de um estabelecimento que viole normas sanitárias;
f) Aplicação de uma multa a restaurante que infringiu normas ligadas à proteção da saúde pública;
g) Lavratura de auto de infração contra empresa que violou normas relativas à vigilância sanitária;
h) Demolição de edifício particular que ameaçava ruir;
i) Expedição de porte de arma de fogo.

@dicasexconcurseira 53
Polícia Administrativa Polícia Judiciária

1) incide sobre bens, direitos ou atividades; 1) atua apenas sobre as pessoas;

2) é inerente e se difunde por toda a Administração; 2) é privativa de órgãos especializados (Polícia Civil,
Polícia Militar ou Polícia Federal);

3) age predominantemente de forma preventiva, mas 3) age predominantemente de maneira repressiva, mas
também pode atuar de maneira repressiva; pode atuar de maneira preventiva;

4) atua na área do ilícito administrativo. 4) atua no caso de ilícitos penais.

CESPE, Analista Judiciário do Tribunal de Justiça de Alagoas: “A polícia administrativa atua sobre bens, direitos ou atividades,
enquanto a polícia judiciária atua sobre pessoas”.

• Distinção entre poder de polícia e serviço público


Celso Antônio Bandeira de Mello: enquanto os serviços públicos se destinam a fornecer comodidades ou utilidades aos
administrados (por exemplo: energia elétrica, água encanada, gás etc.), o poder de polícia, diferentemente, visa restringir a
atuação livre dos particulares, de modo que seja possível um bom convívio social.

CESPE, estagiário da Defensoria Pública do Espírito Santo: “o exercício do poder de polícia pela administração pública é exemplo
de serviço público em sentido estrito”.

Aula 04 - Poderes Administrativos 4

• Técnicas de ordenação (Lucas Rocha Furtado):


1.ª Técnica de informação: a lei exige que os particulares informem coisas ao poder público para que este possa tomar medidas.
Ex: certas doenças contagiosas são de comunicação obrigatória ao Poder Público; declarações tributárias.
2.ª Técnica de condicionamento: quando o poder publico estabelece as condições para o exercício de certas atividades. Ex: quer
ser advogado, deve fazer o curso de direito e fazer o exame da OAB. Além disso, por exemplo, há condicionamentos negativos,
como os casos de incompatibilidade. Assim, se sou auditor da receita federal, não posso advogar, apesar de ter passado na OAB.
3.ª Técnica sancionatória: aplicação de punições para as pessoas que descumprem as regulamentações de polícia.

ESAF, Analista de Comércio Exterior do MDIC:

COLUNA I COLUNA II

(1) Declaração de Renda de Pessoas Físicas. (1) Técnica de ordenação pela informação.

(1) Apresentação do cartão de vacinas para a (2) Técnica de ordenação pelo condicionamento.
efetivação de matrícula de menor na rede
pública
de ensino.

(3) Multa pelo avanço de sinal vermelho. (3) Técnica de ordenação sancionatória.

(2) Concessão de alvará de funcionamento.

(2) Concessão da Carteira Nacional de Habilitação

• Competência: poder de polícia, em regra, é da mesma pessoa que possui competência para regular a matéria.

STF, RE 240.406: considerou que, por se tratar de assunto local, os MUNICÍPIOS seriam competentes para exigir que bancos
instalem porta eletrônica com detector de metais e vidros a prova de bala. —> pois é regra de segurança (e não regra de
matéria financeira propriamente dita).

@dicasexconcurseira 54
STF, Súmula 645: “É competente o MUNICÍPIO para fixar o horário de funcionamento de ESTABELECIMENTO COMERCIAL.”

STJ, Súmula 19: “A fixação de HORÁRIO DE BANCO, para atendimento ao público, é da competência da UNIÃO.” —> matéria
financeira é da União.

• Meios de atuação (Maria Sylvia Zanella Di Pietro):


a) os atos normativos em geral; e
b) os atos administrativos e operações materiais de aplicação da lei ao caso concreto.

• Ciclo de Polícia (Diogo de Figueiredo Moreira Neto) - 4 etapas:


i) ordem de polícia: requisitos exigidos pela lei (atividade legislativa);
ii) consentimento de polícia: é o procedimento mediante o qual o poder público, em virtude de requerimento do particular,
analisa se estão presentes os requisitos e consente com o exercício da atividade/direito.
iii) fiscalização de polícia: verificação se o particular continua cumprindo os requisitos exigidos par ao excercício da
atividade/direito.
iv) sanção de polícia: caso seja descumprido algum requisito legalmente exigido.

ESAF, Auditor Fiscal do Trabalho


Enunciado: “Ao exercer o poder de polícia, o agente público percorre determinado ciclo até a aplicação da sanção, também
chamado ciclo de polícia”. Identifique, entre as opções abaixo, a fase que pode ou não estar presente na atuação da policía
administrativa.
Alternativa considerada correta: “consentimento de polícia”. —> ex: não há uma habilitação para andar de bicicleta, mas o CTB
diz o que a bicicleta deve ter para poder estar em circulação. Desta forma, o particular pode usar normalmente sua bicicleta,
mas o Poder Público pode (e deve) fiscalizar as bicicletas.

• Discricionariedade: liberdade de escolha da autoridade pública sobre a conveniência e oportunidade do exercício do poder de
polícia. Em regra, o ato administrativo de polícia é discricionário.

CUIDADO! Há casos em que não há discricionariedade no ato administrativo de polícia, como é o caso de se o carro estiver sem
farol, o carro tem que ser apreendido. Não há outra opção de comportamento por parte do guarda de trânsito; ele vai ter que
apreender o veículo.

CESPE, Técnico em Gestão de Telecomunicações da Telebrás: “A polícia administrativa se expressa ora por atos vinculados, ora
por atos discricionários.”

@dicasexconcurseira 55
Aula 05 - Poderes Administrativos 5; Abuso de Poder; Deveres Administrativos

• Autoexecutoriedade
Hely Lopes Meirelles: o atributo da autoexecutoriedade consiste na “faculdade de a Administração decidir e executar
diretamente sua decisão por seus próprios meios, sem intervenção do Judiciário”.
OBS: não há autoexecutoriedade na cobrança de valores/multa. Neste caso, a Administração deve buscar seu crédito no
Judiciário.

• Autoexecutoriedade só existe em duas situações:


a) quando estiver prevista expressamente em lei; ou
b) mesmo não estando prevista expressamente em lei, se houver situação de urgência que demande a execução direta da
medida.

Exigibilidade = "particular, derrube esta obra”. Se ele não derrubar, entra a “executoriedade”, que significa que a
própria Administração irá entrar em ação e derrubar a obra.

DE OLHO NA JURIS! A administração pública possui interesse de agir para tutelar em juízo atos em que ela poderia atuar com
base em seu poder de polícia
Um dos atributos do poder de polícia é a autoxecutoriedade. Isso significa que a Administração Pública pode, com os seus
próprios meios, executar seus atos e decisões, sem precisar de prévia autorização judicial. A Administração, contudo, pode, em
vez de executar o próprio ato, ingressar com ação judicial pedindo que o Poder Judiciário determine essa providência ao
particular. Ex: diante de uma irregularidade grave, a Administração Pública poderia, em tese, interditar o estabelecimento. Se
ela, em vez de executar esta ordem diretamente, ajuíza ação pedindo que o Poder Judiciário determine essa providência, tal
ação não pode ser julgada extinta por falta de interesse de agir. A autoexecutoriedade não retira da Administração Pública a
possibilidade de valer-se de decisão judicial que lhe assegure a providência fática que almeja, pois nem sempre as medidas
tomadas pelo Poder Público no exercício do poder de polícia são suficientes. STJ. 2ª Turma. REsp 1651622/SP, Rel. Min. Herman
Benjamin, julgado em 28/03/2017.

• Coercibilidade: atributo do poder de polícia que faz com que o ato seja imposto ao particular, independentemente de sua
concordância.

Poder de polícia originário Poder de polícia “delegado”/outorgado

É aquele exercido pelos órgãos dos próprios entes Poder de polícia atribuído às pessoas de direito público
federativos, cujo fundamento é a própria repartição de da Administração Indireta, delegação esta que deve ser
competências materiais e legislativas constante na feita por meio de lei do ente federativo que detém o
Constituição Federal. poder de polícia originário.
OBS: sociedade de economia mista e empresa pública
não exercem poder de polícia.

• Delegação do poder de polícia a pessoas jurídicas de direito privado

CESPE, Promotor de Justiça do Estado de Rondônia: “Conforme entendimento do STF, o poder de polícia pode ser delegado,
mediante edição de lei, a pessoa jurídica de direito privado.” —> o STF nunca disse isso expressamente.

@dicasexconcurseira 56
STJ, EDcl no REsp 817.534/MG, j. 25.05.2010: “(...)
18. Mas, ao contrário, permanece o teor da fundamentação e, para sanar a contradição, é necessária a reforma do provimento
final do recurso, para lhe dar parcial provimento, PERMITINDO OS ATOS DE FISCALIZAÇÃO (POLICIAMENTO), MAS NÃO A
IMPOSIÇÃO DE SANÇÕES.
19. Embargos de declaração parcialmente acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial,
no sentido de que permanece a vedação à imposição de sanções pela parte embargada, facultado, no entanto, o exercício do
poder de polícia no seu aspecto fiscalizatório.”

STJ: no ciclo de polícia, só pode ser delegada a pessoa jurídica de direito privado a parte de fiscalização.

• Limites ao poder de polícia

• Prescrição

• Causas de interrupção da prescrição da ação punitiva, no caso das sanções de polícia (art. 2.º da Lei 9.873/1999):
a) notificação ou citação do indiciado ou acusado, inclusive por meio de edital;
b) ocorrer qualquer ato inequívoco que importe apuração do fato;
c) pela decisão condenatória recorrível; e
d) por qualquer ato inequívoco que importe em manifestação expressa de tentativa de solução conciliatória no âmbito interno
da administração pública federal.

• Suspensão do prazo prescricional para aplicação das sanções de polícia (art. 3.º):
a) interessado cessar a prática do ilícito; ou
b) corrigir a irregularidade.

@dicasexconcurseira 57
CESPE, Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Pará: “No âmbito federal, a aplicação de sanções relacionadas ao exercício do
poder de polícia submete-se a prazo de prescrição de cinco anos, não passível de interrupção ou suspensão”.

• Abuso de poder: quando a autoridade, ao exercer o poder de polícia, ultrapassa os limites de sua COMPETÊNCIA ou utiliza o
poder de polícia para FINS DIVERSOS do interesse público.

• Espécies de ABUSO DO PODER:


a) EXCESSO DE PODER: quando a autoridade atua extrapolando os limites da sua competência;
b) DESVIO DE PODER/DESVIO DE FINALIDADE: quando a autoridade pratica um ato que é de sua competência, mas o utiliza
para uma finalidade diversa da prevista ou contrária ao interesse público.

• Deveres Administrativos (Hely Lopes Meirelles):


a) dever de agir;
b) dever de eficiência;
c) dever de prestar contas;
d) dever de probidade.

Cap. VI - Agentes Públicos

Aula 01 - Introdução

• Agente público:
A expressão agente público tem sentido amplo, designando qualquer pessoa física que exerça uma função pública, de forma
remunerada ou gratuita, de natureza política ou administrativa, com investidura definitiva ou transitória.

@dicasexconcurseira 58
• Categorias de agentes públicos (Maria Sylvia Di Pietro)

a) AGENTES POLÍTICOS: aqueles que exercem TÍPICAS ATIVIDADES DE GOVERNO, cabendo-lhes propor ou decidir as diretrizes
políticas dos entes públicos. Exs: chefes do Poder Executivo, membros do parlamento (deputados, senadores e vereadores),
auxiliares diretos dos chefes do Executivo (Ministros e Secretários). A grande discussão é em relação ao enquadramento dos
membros do MP, da magistratura e membros dos Tribunais de Contas. Helly Lopes Meirelles e Di Pietro defendem que estes
últimos membros fazem parte da categoria “agente político”.
CESPE, Analista Judiciário do TJRJ: “A moderna doutrina arrola os juízes como agentes políticos, por exercerem também uma
parcela da soberania do Estado”.

CESPE: “Há divergência na doutrina acerca do tema. A doutrina moderna constitucionalista confere ao poder Judiciário um papel
muito mais atuante e politizado do que houvera em outros tempos, já que os juízes exercem também uma parcela da soberania
do Estado” (cf. Hely Lopes Meirelles, 2003, e Maria Sylvia Zanella di Pietro, 2006).
“(...) No entanto, nos manuais de alguns doutrinadores do Direito Administrativo, a exemplo de José dos Santos Carvalho Filho,
Diógenes Gasparini, Celso Antônio Bandeira de Mello, dentre outros, essa visão mais moderna não é compartilhada, dado que
entendem que os juízes não seriam agentes políticos em razão de não terem a atribuição de definir as políticas públicas ou a
possibilidade de serem eleitos. A anulação da questão não tem por finalidade mudar o entendimento de que os juízes seriam
agentes políticos, mas evitar prejuízo àqueles que estudaram os manuais mais conhecidos de Direito Administrativo”.

b) PARTICULARES EM COLABORAÇÃO COM O PODER PÚBLICO: pessoas físicas que prestam serviços ao Estado, sem vínculo de
trabalho, com ou sem remuneração.
Exemplos:
- titulares de serviços notariais e de registro público não oficializados; - cartórios.
- jurados;
- convocados para prestar serviço eleitoral etc.

c) MILITARES

@dicasexconcurseira 59
d) SERVIDORES PÚBLICOS CIVIS
Servidor estatutário = tem cargo; empregado público = emprego; servidor temporário = função.

Aula 02 - Normas Constitucionais 1

• Normas constitucionais relativas aos servidores públicos de todas as esferas


– Cargos, empregos e funções.
Cargo = vínculo estatutário; emprego = vínculo trabalhista; função = conjunto de atribuições. Não existe cargo sem
função; mas existe diversas funções sem cargo específico.

CF, art. 37. (...)


I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei,
assim como aos estrangeiros, na forma da lei;
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e
títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações
para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração;

CF, art. 37. (...)


V - as funções de confiança, exercidas EXCLUSIVAMENTE por servidores ocupantes de CARGO EFETIVO, e os cargos em
comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei,
destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento; - “servidor de carreira” = servidor que passou no
concurso.

Aula 03 - Normas Constitucionais 2

• Criação, transformação e extinção de cargos


CF, art. 48. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República (= a matéria deve estar em lei), não exigida
esta para o especificado nos arts. 49, 51 e 52 *, dispor sobre todas as matérias de competência da União, especialmente
sobre:(...)
X - criação, transformação e extinção de cargos, empregos e funções públicas, observado o que estabelece o art. 84, VI, b
(extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos, via decreto pelo Presidente da República);

@dicasexconcurseira 60
OBS: no âmbito das pessoas jurídicas de direito privado da administração indireta, a criação de empregos é feita por atos
internos da própria entidade (não precisa de lei). Mas, se na cobra exigirem o conhecimento decoreba da constituição, marque
como correta.
* criação e extinção de cargos e funções do próprio poder legislativo feito por resolução de cada casa.

• Criação de cargos – Iniciativa legislativa


CF, art. 61. (...)
§ 1.º. São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que: (…) II - disponham sobre:
a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica ou aumento de sua remuneração; —
isso se dá apenas no âmbito do próprio Poder Executivo.

Aula 04 - Normas Constitucionais 3

• Regime jurídico do servidor público

– Redação anterior a EC 19/1998:


CF, art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de sua competência, regime jurídico
único e planos de carreira para os servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas.

– Redação dada pela EC 19/1998:


CF, art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão conselho de política de administração e
remuneração de pessoal, integrado por servidores designados pelos respectivos Poderes.

STF, ADI 2.135 MC-DF: Medida cautelar em ação direta de inconstitucionalidade. Poder constituinte reformador. Processo
legislativo. Emenda constitucional 19, de 04.06.1998. (...) Inovação que não obteve a aprovação da maioria de três quintos dos
membros da Câmara dos Deputados quando da apreciação, em primeiro turno, do destaque para votação em separado (DVS)
nº 9. Substituição, na elaboração da proposta levada a segundo turno, da redação original do caput do art. 39 pelo texto

@dicasexconcurseira 61
inicialmente previsto para o parágrafo 2º do mesmo dispositivo, nos termos do substitutivo aprovado. (inconstitucionalidade
formal, portanto)

Supressão, do texto constitucional, da expressa menção ao sistema de regime jurídico único dos servidores da administração
pública. Reconhecimento, pela maioria do plenário do Supremo Tribunal Federal, da plausibilidade da alegação de vício formal
por ofensa ao art. 60, § 2º, da Constituição Federal. Relevância jurídica das demais alegações de inconstitucionalidade formal e
material rejeitada por unanimidade. — ninguém entendeu que regime jurídico único é clausula pétrea; mas a maioria entendeu
que houve vicio formal. Houve suspensão do dispositivo, com efeito ex nunc, de modo que o regime jurídico único está ainda em
vigor.

Aula 05 - Normas Constitucionais 4

• Regime jurídico dos servidores temporários


Não tem cargos, nem empregos; exercem algumas funções.

CF, art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
(...)
IX – a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional
interesse público;

STF, AI 784.188 AgR/MG: Reconheceu que os servidores temporários não são regidos pela CLT, daí porque eventuais litígios
entre estes e a Administração deverão ser resolvidos pela JUSTIÇA COMUM, e não pela justiça do trabalho.

Competência para julgar demandas propostas por servidores temporários contra a Administração
A justiça comum é competente para processar e julgar causas em que se discuta a validade de vínculo jurídico-administrativo
entre o poder público e servidores temporários. Dito de outra forma: a Justiça competente para julgar litígios envolvendo
servidores temporários (art. 37, IX, da CF/88) e a Administração Pública é a JUSTIÇA COMUM (estadual ou federal). A
competência NÃO é da Justiça do Trabalho, ainda que o autor da ação alegue que houve desvirtuamento do vínculo e mesmo
que ele formule os seus pedidos baseados na CLT ou na lei do FGTS. STF. Plenário. Rcl 4351 MC-AgR/PE, rel. orig. Min. Marco
Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Dias Toffoli, julgado em 11/11/2015 (Info 807).

É constitucional a quarentena para recontratação de servidores temporários prevista no art. 9º, III, da Lei 8.745/93
No âmbito da administração pública federal, é vedada a contratação temporária do mesmo servidor antes de decorridos 24
meses do encerramento do contrato anterior. Tal regra está prevista no art. 9º, III, da Lei nº 8.745/93: Art. 9º O pessoal
contratado nos termos desta Lei não poderá: III - ser novamente contratado, com fundamento nesta Lei, antes de decorridos 24
(vinte e quatro) meses do encerramento de seu contrato anterior, salvo nas hipóteses dos incisos I e IX do art. 2º desta Lei,
mediante prévia autorização, conforme determina o art. 5º desta Lei. O STF, ao analisar um caso concreto envolvendo a
contratação temporária de professores, decidiu que essa regra é constitucional e fixou a seguinte tese: “É compatível com a
Constituição Federal a previsão legal que exija o transcurso de 24 (vinte e quatro) meses, contados do término do contrato,
antes de nova admissão de professor temporário anteriormente contratado.” STF. Plenário. RE 635648/CE, Rel. Min. Edson
Fachin, julgado em 14/6/2017 (repercussão geral) (Info 869).

• Regime dos servidores temporários


– Regime Geral de Previdência Social (RGPS)
– Servidores Temporários da Administração Federal (Lei 8.745/1993)
– Necessidade temporária de excepcional interesse público

• Necessidade temporária de excepcional interesse público


Lei 8.745/1993, art. 2.º. Considera-se necessidade temporária de excepcional interesse público:
I – assistência a situações de calamidade pública;
II – assistência a emergências em saúde pública;
III – realização de recenseamentos e outras pesquisas de natureza estatística efetuadas pela Fundação Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística - IBGE;
IV – admissão de professor substituto e professor visitante;
V – admissão de professor e pesquisador visitante estrangeiro;
VI – atividades:
a) especiais nas organizações das Forças Armadas para atender à área industrial ou a encargos temporários de obras e serviços
de engenharia;
@dicasexconcurseira 62
b) de identificação e demarcação territorial;
(...)

DE OLHO NA JURIS! Lei de contratação temporária não pode prever hipóteses genéricas nem a prorrogação indefinida dos
contratos
São inconstitucionais, por violarem o art. 37, IX, da CF/88, a autorização legislativa genérica para contratação temporária e a
permissão de prorrogação indefinida do prazo de contratações temporárias. STF. Plenário. ADI 3662/MT, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 23/3/2017 (Info 858).

Admite-se a contratação temporária ainda que para o exercício de atividades permanentes do órgão ou entidade
O Ministério da Saúde autorizou a contratação de 200 profissionais para a Agência Nacional de Saúde Suplementar — ANS. O
sindicato dos servidores públicos impetrou MS contra este ato alegando que os servidores estavam sendo contratados para a
análise de processos administrativos do órgão, o que não é uma atividade temporária, mas sim permanente e, portanto, não se
enquadraria no art. 37, IX, da CF/88, devendo ser desempenhada por servidores estatutários da autarquia. O MS foi julgado
improcedente. Segundo decidiu o STJ, admite-se a contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária
de excepcional interesse público (art. 37, IX, da CF/88), ainda que para o exercício de atividades permanentes do órgão ou
entidade. Na situação analisada, as contratações temporárias se faziam necessárias em decorrência do crescente número de
demandas e do enorme passivo de procedimentos administrativos que estavam parados junto à ANS. Ademais, o quadro de
pessoal da agência já estava completo, inexistindo, portanto, cargos vagos para a realização de concurso público. STJ. 1ª Seção.
MS 20335-DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 22/4/2015 (Info 560).

• Direito de acesso aos cargos, empregos e funções públicas


CF, art. 37. (...)
I – os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim
como aos estrangeiros, na forma da lei;

Evolução da Constituição Federal em relação à possibilidade do estrangeiro ocupar cargos, empregos e funções
públicas

CF/88 (texto original) Admitia-se apenas que os estrangeiros fossem contratados temporariamente em caso de
excepcional interesse público, com base no art. 37, IX, da CF. No entanto, as hipóteses de
contratação temporária deveriam estar previstas na lei (norma de eficácia limitada), tal
como ocorreu com o art. 2º, V, da Lei 8.745/1993.

EC 11/1996 (incluiu os Incluiu a possibilidade das universidades e instituições de pesquisa científica e tecnológica
§§ 1.º e 2.º ao art. 207 admitirem professores, técnicos e cientistas estrangeiros, na forma da Lei. Neste caso, os
da CF) estrangeiros passaram também a poder ocupar cargos públicos, e não só funções
temporárias, dependendo a norma constitucional de lei regulamentadora para ser
aplicada (norma de eficácia limitada).

EC 19/1998 (alterou a Ampliou a possibilidade constitucional do estrangeiro ocupar cargo, emprego e função
redação do art. 37, I, da pública, que deixou de ser restrita apenas as funções temporárias por excepcional
CF) interesse público e a contida no art. 207, §§ 1º e 2º. Todavia, a norma constitucional é de
eficácia limitada, dependendo da edição de norma regulamentadora para poder ser
aplicada.

@dicasexconcurseira 63
Aula 06 - Normas Constitucionais 5

• Requisitos de acesso:
CF, art. 37, I: Requisitos estabelecidos em lei. Os requisitos não podem constar apenas no edital!
– Requisitos devem ter previsão legal.
– Exigência legal deve respeitar os princípios da isonomia e da razoabilidade.

Súmula 683 do STF: “O limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. 7º, XXX, da
Constituição, quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido.”

@dicasexconcurseira 64
• Momento da comprovação da habilitação legal

Súmula 266 do STJ: “O diploma ou habilitação legal para o exercício do cargo deve ser exigido NA POSSE e não na inscrição para
o concurso público”.

STF, MS 26.668, MS 26.673 e MS 26.810: A exigência de habilitação para o exercício do cargo objeto do certame dar-se-á no
ATO DA POSSE e não da inscrição no concurso (Plenário, MS 26.810, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 15.04.2009, DJe
29.05.2009).

• Exigência de três anos de atividade jurídica para o ingresso no CARGO DE MEMBRO DO MINISTÉRIO PÚBLICO - CUIDADO!!!

STF, ADI 3.460: Decidiu que a comprovação desse requisito (3 anos de atividade jurídica) deve ocorrer na DATA DA INSCRIÇÃO
no concurso e não em momento posterior (Min. Carlos Britto, em 31.008.2006, Informativo STF 438, set.-2006).

• Concurso público

CONCURSO PÚBLICO PREVISTO NO ART. 37, II, CF CONCURSO PREVISTO NO ART. 22, § 4º, DA LEI 8.666/93

É procedimento administrativo destinado a seleção de É a modalidade de licitação entre quaisquer interessados


pessoas que irão ocupar empregos públicos ou cargos para escolha de trabalho técnico, científico ou artístico,
públicos de provimento efetivo ou vitalício. mediante a instituição de prêmios ou remuneração aos
vencedores, conforme critérios constantes de edital
publicado na imprensa oficial com antecedência mínima
de 45 (quarenta e cinco) dias.

• Concurso público
– Deve ser aberto a todos os interessados.
– Não se admitem atualmente os chamados “concursos internos”.

Súmula 684 do STF: “É inconstitucional o veto não motivado à participação de candidato a concurso público”.

• Concurso público – Obrigatório para:


a) Cargos e empregos da Administração Direta;
b) Administração Indireta, incluindo as Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista.

Súmula 685 do STF: “É inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie ao servidor investir-se, sem prévia
aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente
investido”.

@dicasexconcurseira 65
• Concurso público pode ser:
a) de provas ou
b) de provas e títulos.
– Não se admite concurso apenas de títulos.
– Admissão sem concurso público: contratação é nula.
– Desvio de função em data posterior à Constituição de 1988: não terá direito ao reenquadramento. Ex: o sujeito tem um cargo
de nível médio, mas exerce atividade de nível superior. A Administração pode ser obrigada a pagar a diferença, mas o sujeito
não terá direito de se reenquadrar no cargo superior.

• Exceção a regra do concurso público:


a) cargos de mandato eletivo;
b) cargo comissionado;
c) contratação temporária por excepcional interesse público;
d) ex-combatente que tenha efetivamente participado de operações bélicas durante a Segunda Guerra Mundial (ADCT, art. 53,
I);
e) outras hipóteses: Ministros ou Conselheiros dos Tribunais de Contas; Ministros do STF, do STJ, TSE, TST e STM; integrantes do
quinto Constitucional dos Tribunais Judiciários.

CESPE, Exame de Ordem da OAB: “A regra do concurso público é exigida para toda forma de provimento originário em cargos
públicos”.

Aula 07 - Normas Constitucionais 6

• Processo seletivo público:


CF, Art. 198. (...)
§ 4.º Os gestores locais do sistema único de saúde poderão admitir agentes comunitários de saúde e agentes de combate às
endemias por meio de processo seletivo público, de acordo com a natureza e complexidade de suas atribuições e requisitos
específicos para sua atuação. (Incluído pela EC 51/2006.)

Lei 11.350/2006: Regulamenta o § 5.º do art. 198 da Constituição, dispõe sobre o aproveitamento de pessoal amparado pelo
parágrafo único do art. 2.º da Emenda Constitucional 51, de 14 de fevereiro de 2006, e dá outras providências.
Lei 11.350/2006, art. 9.º: Processo seletivo público de provas ou de provas e títulos.

• Vedação ao nepotismo
STF, Súmula Vinculante 13: “A nomeação de cônjuge, companheiro, ou parente, em linha reta, colateral ou por afinidade, até o
3º grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica, investido em cargo de direção, chefia ou
assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança, ou, ainda, de função gratificada na administração
pública direta e indireta, em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o
ajuste mediante designações recíprocas, viola a CF.”
* Nepotismo cruzado.

DE OLHO NA JURIS! Contratação de parentes antes da SV 13 do STF e improbidade administrativa


A contratação, por agente político, de parentes para cargos em comissão ocorrida antes da Súmula Vinculante 13 configura ato
de improbidade administrativa?
• NÃO. Não configura improbidade administrativa a contratação, por agente político, de parentes e afins para cargos em
comissão ocorrida em data anterior à lei ou ao ato administrativo do respectivo ente federado que a proibisse e à vigência da
Súmula Vinculante 13 do STF. STJ. 1ª Turma. REsp 1.193.248-MG, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 24/4/2014
(Info 540).
• SIM. A prática de nepotismo configura grave ofensa aos princípios da administração pública, em especial aos princípios da
moralidade e da isonomia, enquadrando-se, dessa maneira, no art. 11 da Lei nº 8.429/92. A nomeação de parentes para ocupar
cargos em comissão, ainda que ocorrida antes da publicação da Súmula vinculante 13, constitui ato de improbidade
administrativa, que atenta contra os princípios da administração pública, nos termos do art. 11 da Lei n. 8.429/92, sendo
despicienda a existência de regra explícita de qualquer natureza acerca da proibição. STJ. 2ª Turma. REsp 1643293/MG, Rel. Min.
Herman Benjamin, julgado em 28/03/2017.

Não haverá nepotismo se a pessoa nomeada possui um parente no órgão, mas sem influência hierárquica sobre a nomeação
Não há nepotismo na nomeação de servidor para ocupar o cargo de assessor de controle externo do Tribunal de Contas mesmo
que seu tio (parente em linha colateral de 3º grau) já exerça o cargo de assessor-chefe de gabinete de determinado Conselheiro,
@dicasexconcurseira 66
especialmente pelo fato de que o cargo do referido tio não tem qualquer poder legal de nomeação do sobrinho. A
incompatibilidade da prática enunciada na SV 13 com o art. 37 da CF/88 não decorre diretamente da existência de relação de
parentesco entre pessoa designada e agente político ou servidor público, mas de presunção de que a escolha para ocupar cargo
de direção, chefia ou assessoramento tenha sido direcionado à pessoa com relação de parentesco com quem tenha potencial de
interferir no processo de seleção. STF. 2ª Turma. Rcl 18564/SP, rel. orig. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o acórdão Min. Dias Toffoli,
julgado em 23/2/2016 (Info 815).

Norma que impede nepotismo no serviço público não alcança servidores de provimento efetivo
A Constituição do Estado do Espírito Santo prevê, em seu art. 32, VI, que é “vedado ao servidor público servir sob a direção
imediata de cônjuge ou parente até segundo grau civil”. Foi proposta uma ADI contra esta norma. O STF julgou a norma
constitucional, mas decidiu dar interpretação conforme à Constituição, no sentido de o dispositivo ser válido somente quando
incidir sobre os cargos de provimento em comissão, função gratificada, cargos de direção e assessoramento. Em outras palavras,
o STF afirmou que essa vedação não pode alcançar os servidores admitidos mediante prévia aprovação em concurso público,
ocupantes de cargo de provimento efetivo, haja vista que isso poderia inibir o próprio provimento desses cargos, violando, dessa
forma, o art. 37, I e II, da CF/88, que garante o livre acesso aos cargos, funções e empregos públicos aos aprovados em concurso
público. STF. Plenário. ADI 524/ES, rel. orig. Min. Sepúlveda Pertence, red. p/ o acórdão Min. Ricardo Lewandowski, julgado em
20/5/2015 (Info 786).

STF, Rcl 6.650-MC-AgR: Considerou válida a nomeação de irmão de Governador de Estado para o cargo de Secretário Estadual
de Transportes, já que a mesma não ofendia a Súmula vinculante nº 13, uma vez que o cargo em questão possuía natureza
política (Rel. Min. Ellen Gracie, j. 16.10.2008, Plenário, DJe 21.11.2008).

CESPE, Advogado da União: “Considere que Platão, governador de estado da Federação, tenha nomeado seu irmão, Aristóteles,
que possui formação superior na área de engenharia, para o cargo de secretário de estado de obras. Pressupondo-se que
Aristóteles atenda a todos os requisitos legais para a referida nomeação, conclui-se que esta não vai de encontro ao
posicionamento adotado em recente julgado do STF”.

• Prazo de validade:
CF, art. 37. (...)
III - o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma vez, por igual período;
* Prorrogação do prazo de validade: só pode ser feita enquanto não expirado o prazo inicial.

• Direito subjetivo e prioridade na nomeação:


Súmula 15 do STF: “Dentro do prazo de validade do concurso, o candidato aprovado tem direito à nomeação, quando o cargo for
preenchido sem observância da classificação”.

STF, RE 227.480: Entendeu que os candidatos aprovados em concurso público têm direito subjetivo à nomeação quando houver
cargos vagos existentes (incluindo os que vierem a vagar no prazo de validade do concurso) e necessidade de seu provimento. A
eventual recusa da administração pública em prover cargos vagos quando existentes candidatos aprovados em concurso público
deve ser motivada, e esta motivação é suscetível de apreciação pelo Poder Judiciário (Rel. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia, j.
16.09.2008, Primeira Turma, DJe 21.08.2009; no mesmo sentido: MS 24.660, Rel. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia, j 03.02.2011,
Plenário, Informativo 614).

STJ, RMS 20.718/SP: Firmou o entendimento de que o candidato aprovado em concurso público, dentro do número de vagas
previstas no edital, possui direito líquido e certo à nomeação e à posse (6.ª Turma, Rel. Min. Paulo Medina, j. 04.12.2007).

STF, RE 598.099/MS: Pacificou o entendimento de que “o candidato aprovado em concurso público dentro do número de vagas
previstas no edital tem direito subjetivo de ser nomeado, dentro do prazo de validade do concurso” (Rel. Min. Gilmar Mendes, j.
10.08.2011).

• Candidatos aprovados fora do número de vagas:


STJ, AgRg no RMS 33822/PB: Há mera expectativa de direito à nomeação, que se submete ao juízo de conveniência e
oportunidade da Administração (1.ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, j. 17.05.2011, DJe 24.05.2011).

DE OLHO NA JURIS! Surgimento de novas vagas + necessidade do provimento + inexistência de restrição orçamentária = direito
subjetivo à nomeação
O candidato aprovado em concurso público fora do número de vagas tem direito subjetivo à nomeação caso surjam novas vagas
durante o prazo de validade do certame, haja manifestação inequívoca da administração sobre a necessidade de seu
@dicasexconcurseira 67
provimento e não tenha restrição orçamentária. STJ. 1ª Seção. MS 22.813-DF, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 13/06/2018
(Info 630).

Aula 08 - Normas Constitucionais 7

• Prioridade na nomeação de concursados:


CF, art. 37, IV – Durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado em concurso público de
provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou emprego, na
carreira. - o prazo do concurso começa a contar a partir da homologação do concurso. A União, na lei 8112, unicamente na
esfera federal, diz que, durante o prazo de validade de um concurso, a Administração não poderá fazer novo concurso.

CESPE, Exame de Ordem/OAB-SP: “Ainda que existam, em uma instituição pública, candidatos aprovados em concurso anterior
com prazo de validade não expirado, é permitida a abertura de novo concurso público, nessa mesma instituição, para o mesmo
cargo, em prejuízo do candidato aprovado no concurso anterior”.

• Reserva de vagas para pessoas portadoras de deficiência:


– CF, art. 37, VIII: A lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá
os critérios de sua admissão;
– Art. 37 e seguintes do Decreto 3.298/1999.
– Lei 7.853/1989: Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência.
– Lei 8.112/1990, art. 5.º, § 2.º: até 20% das vagas oferecidas no concurso.

STF, RE 227.299 MG: Decidiu que a exigência constitucional de reserva de vagas para portadores de deficiência em concurso
público se impõe ainda que o percentual legalmente previsto seja inferior a um, hipótese em que a fração deve ser
arredondada. Entendimento que garante a eficácia do artigo 37, inciso VIII, da Constituição Federal, que, caso contrário, restaria
violado (1.ª Turma, Rel. Ilmar Galvão, j 14.06.2000).

CESPE, Juiz de Direito do Tocantins: “Maria, Sônia, João e Paulo foram aprovados em concurso público para provimento de 7
vagas de analista judiciário no tribunal de justiça de determinado estado da Federação, cujo edital, com base em lei estadual,
previa que 20% das vagas seriam destinadas aos deficientes físicos. Maria foi classificada em 6.º lugar e Sônia, em 1.º lugar,
entre os aprovados às vagas destinadas aos não-deficientes. João e Paulo classificaram-se em 1.º e 2.º lugar, respectivamente,
entre as vagas destinadas aos deficientes”.
“Conforme entendimento do STF, Maria não terá direito à sua nomeação, já que devem ser duas as vagas destinadas aos
deficientes físicos e somente cinco destinadas aos não-deficientes”.
Atualmente, marcaria essa questão incorreta, pois não poderia ultrapassar os 20% do total das vagas.

STJ, RMS 18.669/RJ: Decidiu ser necessário que haja alternância entre a nomeação de um candidato deficiente e outro não, até
que se atinja o limite de vagas para os portadores de deficiência estabelecido no edital (5.ª Turma, Rel. Min. Gilson Dipp, j.
07.10.2004, DJ 29.11.2004, p. 354).

• Reserva de vagas aos negros:


– Lei 12.990/2014: Reserva aos negros 20% (vinte por cento) das vagas oferecidas nos concursos públicos para provimento de
cargos efetivos e empregos públicos no âmbito da administração pública FEDERAL, das autarquias, das fundações públicas, das
empresas públicas e das sociedades de economia mista controladas pela UNIÃO. - ricardo alexandre: acho que essa norma
também se aplica aos âmbitos do Poder Judiciário e Legislativo; no entanto, as autoridades que estão aplicando esta norma dizem
que ela só se aplica ao Poder Executivo. Em concurso, acredito que a banca irá falar apenas em “administração publica federal”;
mas, se a banca insistir, defenda que a norma só se aplica ao Poder Executivo da União. Até que um dia o STF se manifeste
expressamente sobre esta matéria.

• Critério para caracterização como negro:


- Fenotípico mediante autodeclaração, no ato da inscrição, como preto ou pardo, conforme o quesito de cor ou raça utilizado pelo
IBGE;
- Falsidade da declaração anulação da admissão e aplicação de sanções.

• Quantidade de vagas reservadas:


- Percentual exato: 20%;
• Arredondamento para cima em caso de frações iguais ou superiores a 0,5 e para baixo no caso de frações menores;
• Reserva somente é aplicável nos concursos que oferecerem 3 (três) ou mais vagas;
@dicasexconcurseira 68
• Concorrência em dupla lista sem a contabilização nas vagas reservadas dos candidatos negros aprovados na ampla
concorrência;
• Nomeações mediante alternância e proporcionalidade entre candidatos negros, com deficiência e da ampla concorrência.

• Edital:

Aula 09 - Normas Constitucionais 8

STF, RE 318.106: “Após a publicação do edital e no curso do certame, só se admite a alteração das regras do concurso se
houver modificação na legislação que disciplina a respectiva carreira, para adaptá-las à nova legislação aplicável à espécie (Rel.
Min. Ellen Gracie, DJ 18.11.2005).

STF, RE 390.939: Também admite-se a alteração no edital se for para sanar erro material, mediante publicação de errata no
Diário Oficial (sendo desnecessária a publicação em jornais de grande circulação), e desde que seja garantido prazo razoável
aos candidatos para conhecimento da modificação introduzida antes da realização da prova (Rel. Min. Ellen Gracie, j.
16.08.2005, Segunda Turma, DJ 09.09.2005).

STF, ADI 3.443: “Viola o princípio constitucional da isonomia norma que estabelece como título o mero exercício de função
pública” (Rel. Min. Carlos Velloso, j. 08.09.2005, Plenário, DJ 23.09.2005).

STF, ADI 3.522: “Mostra-se conflitante com o princípio da razoabilidade eleger como critério de desempate tempo anterior na
titularidade do serviço para o qual se realiza o concurso público” (Rel. Min. Marco Aurélio, j. 24.11.2005, Plenário, DJ
12.05.2006).

STF, RE 146.585: “Não ofende o princípio da igualdade o regulamento de concurso público que, destinado a preencher cargos de
vários órgãos da Justiça Federal, sediados em locais diversos, determina que a classificação se faça por unidade da Federação,
ainda que daí resulte que um candidato se possa classificar, em uma delas, com nota inferior ao que, em outra, não alcance a
classificação respectiva” (Rel. Min. Sepúlveda Pertence, j. 18.04.1995, 1.ª Turma, DJ 15.09.1995).

STF, RE 478.136-AgR: “O art. 37, II, da Constituição, ao dispor que a investidura em cargo público depende de aprovação em
concurso público de provas ou de provas e títulos, não impede a administração de estabelecer, como condição para a realização
das etapas sucessivas de um concurso, que o candidato, além de alcançar determinada pontuação mínima na fase precedente,
esteja, como ocorre na espécie, entre os 400 melhores classificados. Não cabe ao Poder Judiciário, que não é árbitro da
conveniência e oportunidade administrativas, ampliar, sob o fundamento da isonomia, o número de convocações.”

STF, RE 523.737-AgR: “Concurso público da polícia militar. Teste de esforço físico por faixa etária: exigência desarrazoada, no
caso. Ofensa aos princípios da igualdade e legalidade. O Supremo Tribunal Federal entende que a restrição da admissão a cargos
públicos a partir da idade somente se justifica se previsto em lei e quando situações concretas exigem um limite razoável, tendo
em conta o grau de esforço a ser desenvolvido pelo ocupante do cargo ou função. No caso, se mostra desarrazoada a exigência
de teste de esforço físico com critérios diferenciados em razão da faixa etária” (Rel. Min. Ellen Gracie, j. 22.06.2010, Segunda
Turma, DJE 06.08.2010).

DE OLHO NA JURIS! A exigência de teste de aptidão física é legítima quando prevista em lei, guardar relação de pertinência com
as atividades a serem desenvolvidas, estiver pautada em critérios objetivos e for passível de recurso
Em concurso público, o teste de capacidade física somente pode ser exigido se: a) houver previsão na lei que criou o cargo (não
pode ser previsto apenas no edital do certame); b) tiver relação (razoabilidade) com as funções do cargo; c) estiver pautado em
critérios objetivos; d) for passível de recurso. STJ. 1ª Turma. AgInt nos EDcl no RMS 56.200/PE, Rel. Min. Regina Helena Costa,
julgado em 07/08/2018. STJ. 2ª Turma. AgRg no RMS 39.181/BA, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 11/11/2014. STJ. 6ª
Turma. RMS 26.927/RO, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 04/08/2011.

@dicasexconcurseira 69
É válida a alteração na ordem de aplicação das provas do teste físico desde que anunciada com antecedência
A simples alteração na ordem de aplicação das provas de teste físico em concurso público, desde que anunciada com
antecedência e aplicada igualmente a todos, não viola direito líquido e certo dos candidatos inscritos. Ex: o edital inicial dizia
que, no dia da prova de esforço físico, o teste de equilíbrio seria o primeiro e a corrida o último; depois foi publicado um novo
edital alterando a ordem. STJ. 1ª Turma.RMS 36064-MT, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 13/6/2017 (Info 608).

A limitação de idade, sexo e altura para o ingresso na carreira militar é válida desde que haja previsão em lei específica e no
edital do concurso público
É razoável, dada a natureza e as peculiaridades do cargo, exigir-se altura mínima para o ingresso em carreira militar, devendo
esse requisito, contudo, encontrar previsão legal e não apenas editalícia. A jurisprudência dos Tribunais Superiores é pacífica no
sentido de que é constitucional a exigência de altura mínima para o ingresso em carreiras militares, desde que haja previsão
legal específica. Somente lei formal pode impor condições para o preenchimento de cargos, empregos ou funções públicas. STJ.
2ª Turma. AgInt no REsp 1590450/PE, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 19/10/2017. STF. 2ª Turma. ARE 1073375 AgR, Rel.
Min. Gilmar Mendes, julgado em 23/03/2018. Não fere direitos dos candidatos a disposição do edital do certame que prevê
limites mínimo e máximo de idade para o ingresso na carreira militar, em razão da atividade peculiar nela exercida, desde que
tal limitação esteja prevista em legislação específica. STJ. 1ª Turma. AgInt no RMS 51864/SE, Rel. Min. Regina Helena Costa,
julgado em 21/03/2017.

A candidata que está amamentando (lactante) na época do curso de formação para o cargo de agente penitenciário tem direito
de fazer o curso em um período posterior
É constitucional a remarcação de curso de formação para o cargo de agente penitenciário feminino de candidata que esteja
lactante à época de sua realização, independentemente da previsão expressa em edital do concurso público. STJ. 1ª Turma. RMS
52622-MG, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 26/03/2019 (Info 645).

A candidata que esteja gestante no dia do teste físico possui o direito de fazer a prova em uma nova data no futuro
É constitucional a remarcação do teste de aptidão física de candidata que esteja grávida à época de sua realização,
independentemente da previsão expressa em edital do concurso público. STF. Plenário. RE 1058333/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado
em 21/11/2018 (repercussão geral).

É inconstitucional dispositivo legal que preveja a possibilidade de o indivíduo aprovado no concurso tomar posse e entrar em
exercício, de imediato, na classe final da carreira
É inconstitucional lei que preveja a possibilidade de o indivíduo aprovado no concurso público ingressar imediatamente no
último padrão da classe mais elevada da carreira. Essa disposição afronta os princípios da igualdade e da impessoalidade, os
quais regem o concurso público. Por essa razão, o STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 18 da Lei nº 8.691/93.
STF. Plenário. ADI 1240/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 28/2/2019 (Info 932).

É possível cobrar questões sobre jurisprudência no concurso mesmo que o edital não preveja que irá exigir dos candidatos
conhecimentos acerca dos entendimentos dos Tribunais Superiores
Exemplo: determinado concurso cobrou questão envolvendo o entendimento do STJ acerca do inquérito policial. O candidato se
insurgiu contra isso afirmando que o edital não previa a exigência dos entendimentos dos Tribunais Superiores. O STJ considerou
válida a pergunta. Isso porque o edital do concurso previa o conhecimento dos candidatos sobre o tema “Inquérito Policial”. O
fato de o edital não fazer menção expressa que exigiria do candidato o conhecimento acerca do entendimento dos Tribunais
Superiores não é, por si só, óbice que impeça a banca examinadora de promover a cobrança de assuntos de forma multidisciplinar.
Os concursos, não raras vezes, exigem dos candidatos a capacidade de examinar a matéria sob o ponto de vista de um sistema de
normas, diplomas e posicionamentos jurisprudenciais que se relacionam entre si. STJ. 1ª Turma. AgInt no RMS 50769/BA, Rel.
Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 01/03/2018.

STF, RE 205.535-AgR: “Discrepa da razoabilidade norteadora dos atos da administração pública o fato de o edital de concurso
emprestar ao tempo de serviço público pontuação superior a títulos referentes a pós-graduação.” (Rel. Min. Marco Aurélio, j.
22.05.1998, 2.ª Turma, DJ 14.08.1998).

STF, RE 179.500: “Concurso Público. Prova de esforço físico. Longe fica de implicar ofensa ao princípio isonômico decisão em que
se reconhece, na via do mandado de segurança, o direito de o candidato refazer a prova de esforço, em face de motivo de força
maior que lhe alcançou a higidez física no dia designado, dela participando sem as condições normais de saúde.” (Rel. Min.
Marco Aurélio, j. 26.10.1998, 2.ª Turma, DJ 15.10.1999)

• Exame psicotécnico

@dicasexconcurseira 70
STF, RE 473.719-AgR: O exame psicotécnico pode ser exigido em concurso público, mas para isso é preciso que atenda aos
seguintes requisitos cumulativos (Eros Grau, j. 17.06.2008, Segunda Turma, DJe de 1º.08.2008. e RE 417.019-AgR, Rel. Min.
Sepúlveda Pertence, j. 14.08.2007, Primeira Turma, DJ 14.09.2007):
a) O exame psicotécnico deve estar previsto em lei (a simples previsão no edital não é suficiente);
b) Utilizar critérios objetivos de caráter científico;
c) Possibilidade de reexame administrativo;
d) Publicidade dos atos em que se desdobra, para viabilizar o recurso do candidato ao Poder Judiciário.

Súmula 686 do STF: “Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de candidato a cargo público”.

STF, RE 243.926: A avaliação do candidato, em exame psicotécnico, com base em critérios subjetivos, sem um grau mínimo de
objetividade, ou em critérios não revelados, é ILEGÍTIMO por não permitir o acesso ao Poder Judiciário para a verificação de
eventual lesão de direito individual pelo uso desses critérios (Rel. Min. Moreira Alves, j. 16.05.2000, Primeira Turma, DJ
10.08.2000).

DE OLHO NA JURIS! Constatada a ilegalidade do exame psicotécnico, o candidato deve ser submetido a nova avaliação, pautada
por critérios objetivos e assegurada a ampla defesa
É válida a realização do exame psicotécnico em concursos públicos desde que cumpridos os seguintes requisitos: a) o exame
precisa estar previsto em lei e no edital; b) deverão ser adotados critérios objetivos no teste; c) o resultado deve ser público com
a possibilidade de o candidato prejudicado apresentar recurso. Se exame psicotécnico não adotou critérios objetivos ou não
permitia a possibilidade de recurso, a providência correta não será a simples aprovação do candidato outrora reprovado, mas
sim a realização de nova avaliação pautada por critérios objetivos e assegurada a ampla defesa. É incabível a providência de se
determinar a posse do candidato no cargo, pois não se pode suplantar a fase do concurso relativa ao exame psicotécnico, para
garantir judicialmente a nomeação do candidato. Nessa hipótese, deve ser realizado novo exame, compatível com as
deficiências do candidato, bem como que atenda aos critérios de objetividade, cientificidade e possibilidade de recurso. STJ. 2ª
Turma. AgInt no RMS 51809/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 01/03/2018.

Ação questionando critérios do psicotécnico previstos no edital deve ser proposta contra a entidade que promoveu o concurso
(e não contra a instituição contratada)
Em ação ordinária na qual se discute a eliminação de candidato em concurso público – em razão da subjetividade dos critérios
de avaliação de exame psicotécnico previstos no edital – a legitimidade passiva será da entidade responsável pela elaboração do
certame. Ex: o Estado do ES abriu concurso para agente penitenciário. O CESPE foi contratado para realizar as provas. João
inscreveu-se no certame e foi aprovado nas provas teóricas, tendo sido, contudo, reprovado no exame psicotécnico. Diante
disso, João quer ajuizar ação ordinária questionando os critérios de avaliação do exame psicotécnico previstos no edital sob o
argumento de que eles eram subjetivos. Essa ação terá que ser proposta contra o Estado do ES (e não contra o CESPE). STJ. 1ª
Turma. REsp 1425594-ES, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 7/3/2017 (Info 600).

• Forma de convocação
STF, RMS 33132/SC: Caracteriza violação ao princípio da razoabilidade e da publicidade a convocação para determinada fase de
concurso público apenas mediante publicação do chamamento em diário oficial quando passado considerável lapso temporal
entre a realização ou a divulgação do resultado da etapa imediatamente anterior e a referida convocação, uma vez que é
inviável exigir que o candidato acompanhe, diariamente, com leitura atenta, as publicações oficiais (Segunda Turma, Rel. Min.
Mauro Campbell Marques, j. 01.12.2011, DJe 09.12.2011).

– Sentido inverso
STJ, RMS 34829/BA: Admite-se que a convocação para determinada fase do concurso seja feita mediante publicação apenas no
diário oficial, quando esta se der logo após a conclusão da etapa anterior, no prazo estabelecido no próprio edital (Primeira
Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, j. 07.02.2012, DJE 14.02.2012).

• Controle
a) Feito pela própria Administração (princípio da autotutela)
b) Feito pelo Poder Judiciário

MAIS JURIS SOBRE CONCURSO PÚBLICO


Nas ações em que se discute concurso público, é DISPENSÁVEL a formação de litisconsórcio passivo necessário entre os
candidatos aprovados
É desnecessária a formação de litisconsórcio necessário em situação na qual se discuta situação pessoal de eliminação de
candidato em determinada fase de concurso público. Assim, caso um candidato proponha ação judicial questionando sua
eliminação do concurso, é dispensável a citação dos demais concursados como litisconsortes necessários, pois os candidatos,
@dicasexconcurseira 71
mesmo aprovados, não titularizariam direito líquido e certo à nomeação, mas tão somente expectativa de direito. STJ. 2ª Turma.
AREsp 1182113/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12/12/2017. STJ. 2ª Turma. AgInt no AREsp 1028930/PE, Rel.
Min. Og Fernandes, julgado em 28/11/2017. ATENÇÃO: Como regra, o STJ entende que, na ação judicial que questiona a validade
de cláusula do edital do concurso público ou alega a nulidade de ato de classificação ou de eliminação de candidato, não é
necessária formação de litisconsórcio necessário entre os candidatos. Isso porque ausente a comunhão de interesses, na medida
em que eventual direito à nomeação constituiria simples expectativa de direito. No entanto, se a ação a providência judicial
almejada pelo autor resultar no atingimento de direito de terceiro, aí sim será necessária a citação desses terceiros (demais
candidatos) para que possam defender seus interesses. Ex: se o autor da ação pretende a vaga de um indivíduo que já está
nomeado em empossado. STJ. 2ª Turma. RMS 55.622/SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 21/11/2017.

A nomeação tardia de candidato aprovado em concurso não gera direito à indenização, ainda que a demora tenha origem em
erro reconhecido pela própria Administração Pública
O STF, em sede de repercussão geral, fixou a seguinte tese: Na hipótese de posse em cargo público determinada por decisão
judicial, o servidor não faz jus à indenização, sob fundamento de que deveria ter sido investido em momento anterior, salvo
situação de arbitrariedade flagrante. STF. Plenário. RE 724347/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto
Barroso, julgado em 26/2/2015 (repercussão geral) (Info 775). Esse entendimento do STF aplica-se mesmo que o erro tenha sido
reconhecido administrativamente pelo Poder Público (e não por decisão judicial). Assim, a nomeação tardia de candidatos
aprovados em concurso público não gera direito à indenização, ainda que a demora tenha origem em erro reconhecido pela
própria Administração Pública. STJ. 1ª Turma.REsp 1238344-MG, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 30/11/2017 (Info 617).

O termo inicial do prazo decadencial para a impetração de mandado segurança, na hipótese em que o candidato aprovado em
concurso público não é nomeado, é o término do prazo de validade do concurso
Somente depois de expirado o prazo de validade do concurso, e não havendo a nomeação regular do candidato classificado, é
que haverá o termo inicial do prazo decadencial para a ação de mandado de segurança. STJ. 2ª Turma. RMS 55464/RJ, Rel. Min.
Mauro Campbell Marques, julgado em 21/11/2017. STJ. 1ª Turma. AgInt no REsp 1417814/SC, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado
em 11/09/2018.

O encerramento do concurso público não conduz à perda do objeto do mandado de segurança que busca aferir suposta
ilegalidade praticada em alguma das etapas do processo seletivo
O encerramento do concurso público não acarreta a perda do objeto da ação mandamental na qual se discute suposta
ilegalidade praticada em etapa do certame. STJ. 2ª Turma. REsp 1681156/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em
03/10/2017.

O candidato aprovado fora do número de vagas, mas que fique dentro do número de vagas em virtude da desistência de alguém
melhor colocado, passa a ter direito subjetivo de ser nomeado
A desistência de candidatos melhor classificados em concurso público convola a mera expectativa em direito líquido e certo,
garantindo a nomeação dos candidatos que passarem a constar dentro do número de vagas previstas no edital. STJ. 1ª
Turma.RMS 53506-DF, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 26/09/2017 (Info 612). STJ. 2ª Turma. RMS 52251/PR, Rel.
Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05/09/2017. STF. 1ª Turma. ARE 1058317 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado
em 01/12/2017.

Aprovação e direito à nomeção: tese fixada pelo STF em repercussão geral


O surgimento de novas vagas ou a abertura de novo concurso para o mesmo cargo, durante o prazo de validade do certame
anterior, não gera automaticamente o direito à nomeação dos candidatos aprovados fora das vagas previstas no edital,
ressalvadas as hipóteses de preterição arbitrária e imotivada por parte da administração, caracterizada por comportamento
tácito ou expresso do Poder Público capaz de revelar a inequívoca necessidade de nomeação do aprovado durante o período de
validade do certame, a ser demonstrada de forma cabal pelo candidato. Assim, o direito subjetivo à nomeação do candidato
aprovado em concurso público exsurge nas seguintes hipóteses: a) quando a aprovação ocorrer dentro do número de vagas
dentro do edital; b) quando houver preterição na nomeação por não observância da ordem de classificação; e c) quando
surgirem novas vagas, ou for aberto novo concurso durante a validade do certame anterior, e ocorrer a preterição de candidatos
de forma arbitrária e imotivada por parte da administração nos termos acima. STF. Plenário. RE 837311/PI, Rel. Min. Luiz Fux,
julgado em 09/12/2015 (repercussão geral) (Info 811).

A nomeação tardia a cargo público em decorrência de decisão judicial não gera direito à promoção retroativa
A nomeação tardia de candidatos aprovados em concurso público, por meio de ato judicial, à qual atribuída eficácia retroativa,
não gera direito às promoções ou progressões funcionais que alcançariam se houvesse ocorrido, a tempo e modo, a nomeação.
STF. Plenário. RE 629392 RG/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 8/6/2017 (repercussão geral) (Info 868).

@dicasexconcurseira 72
O espelho de prova, com a motivação da avaliação do candidato, deve ser apresentado antes ou durante a divulgação do
resultado, sob pena de nulidade
A banca examinadora do certame, por ocasião da divulgação dos resultados das provas, deve demonstrar, de forma clara e
transparente, que os critérios de avaliação previstos no edital foram devidamente considerados, sob pena de nulidade da
avaliação. As informações constantes dos espelhos de provas subjetivas representam a motivação do ato administrativo,
consistente na atribuição de nota ao candidato. Essa motivação deve ser apresentada anteriormente ou concomitante à prática
do ato administrativo, pois caso se permita a motivação posterior, isso pode dar ensejo para que se fabriquem, forjem ou criem
motivações. Não é legítima a conduta da banca examinadora de divulgar o espelho de provas com a motivação das notas após
ser contestada na via judicial ou administrativa. Destaque-se também que não há fundamentação válida se a banca apenas
divulga critérios muito subjetivos e a nota global dos candidatos, desacompanhados do padrão de resposta e das notas
atribuídas para cada um dos critérios adotados. STJ. 2ª Turma. RMS 49896-RS, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 20/4/2017
(Info 603). Obs: existe precedente em sentido contrário. Veja: O objetivo dos certames públicos de provas ou provas e títulos,
previstos nos incisos I a IV do art. 37 da Constituição Federal para ingresso no serviço público, é assegurar a observância do
princípio constitucional da isonomia, razão pela qual a divulgação, ainda que a posteriori, dos critérios de correção das provas
dissertativas não viola, só por si, o princípio da igualdade, desde que os mesmos parâmetros sejam uniforme e indistintamente
aplicados a todos os candidatos. STJ. 1ª Turma. AgInt no RMS 51.969/MS, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 08/08/2017.

Restrição a candidatos com tatuagem


Editais de concurso público não podem estabelecer restrição a pessoas com tatuagem, salvo situações excepcionais em razão de
conteúdo que viole valores constitucionais. STF. Plenário. RE 898450/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 17/8/2016 (repercussão
geral) (Info 835).

Surgimento de vaga durante o período validade do concurso e abertura de novo certame logo depois do primeiro concurso
expirar
Determinado candidato foi aprovado fora do número de vagas. Todos os aprovados dentro do número de vagas foram
nomeados e empossados. Durante o prazo de validade do concurso, um servidor se aposentou, mas não houve autorização do
Ministério do Planejamento para que o órgão federal fizesse o provimento desta vaga. Um mês após o fim do prazo de validade
do concurso, a Administração Pública abriu novo concurso para este cargo. O STF entendeu que este candidato NÃO possui
direito líquido e certo à nomeação porque:
* foi aprovado fora do número de vagas previsto no edital; e
* o prazo de validade do concurso em que ele foi aprovado expirou antes da abertura do novo certame.
Realmente surgiu uma vaga decorrente da aposentadoria, mas não houve manifestação do órgão competente se havia
disponibilidade orçamentária para que este cargo fosse imediatamente provido. O mero surgimento de vagas ou a abertura de
novo concurso para o mesmo cargo não gera direito subjetivo à nomeação do candidato aprovado fora do número de vagas,
cabendo a ele demonstrar, de forma inequívoca, que houve preterição arbitrária e imotivada por parte da administração
pública. No caso concreto, o STF entendeu que isso não ficou comprovado. Assim, para o Tribunal, a situação não se enquadra
nas hipóteses previstas no RE 837311/PI. STF. 1ª Turma. RMS 31478/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min.
Edson Fachin, julgado em 9/8/2016 (Info 834).

Aula 10 - Normas Constitucionais 9

STF, MS 27.260: Decidiu que “não cabe ao Poder Judiciário, no controle jurisdicional da legalidade, substituir-se à banca
examinadora do concurso público para reexaminar os critérios de correção das provas e o conteúdo das questões formuladas
(...).” (Rel. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia, j. 29.10.2009, Plenário, DJE 26.03.2010).

STF, RE 434.708: O controle jurisdicional é admissível, quando não se cuida de aferir a correção dos critérios da banca
examinadora na formulação das questões ou na avaliação das respostas, mas apenas de verificar se as questões formuladas se
continham no programa do certame, dado que o edital – nele incluído o programa, é a lei do concurso (Rel. Min. Sepúlveda
Pertence, j. 21.06.2005, Primeira Turma, DJ de 09.09.2005).

O grave erro no enunciado – reconhecido pela própria banca examinadora – constitui flagrante ilegalidade apta a ensejar a
nulidade da questão
O STF, em recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, firmou a seguinte tese: "Não compete ao Poder Judiciário,
no controle de legalidade, substituir banca examinadora para avaliar respostas dadas pelos candidatos e notas a elas atribuídas"
(RE 632.853). Do voto condutor do mencionado acórdão, percebe-se que a tese nele constante buscou esclarecer que o Poder
Judiciário não pode avaliar as respostas dadas pelo candidato e as notas a eles atribuídas se for necessário apreciar o conteúdo
das questões ou os critérios utilizados na correção, exceto se flagrante a ilegalidade. Ao analisar uma prova para o cargo de
assessor do MPRS, o STJ decidiu anular uma das questões discursivas pelo fato de que ela possuía um grave erro no enunciado,
o que prejudicou o candidato na elaboração de sua resposta. No enunciado da questão constou a expressão “permissão de
@dicasexconcurseira 73
saída”, mas na verdade o examinador queria saber sobre a “saída temporária”, tanto que a resposta padrão do gabarito envolvia
este segundo instituto. Houve, portanto, uma troca dos conceitos. A própria comissão examinadora reconheceu que houve o
erro no enunciado, mas afirmou que isso não atrapalhou os candidatos e, por isso, manteve as notas. O STJ, contudo, não
concordou com isso e anulou a questão. Se a própria banca examinadora reconhece o erro na formulação da questão, não se
pode fechar os olhos para tal constatação ao simplório argumento de que referido erro não influiria na análise do enunciado
pelo candidato. Vale ressaltar que o STJ afirmou que esta anulação não contraria o que decidiu o STF no julgamento do RE
632.853 por duas razões: 1) o candidato não está buscando que o Poder Judiciário reexamine o conteúdo da questão ou o
critério de correção para decidir se a resposta dada por ele está ou não correta. Em outras palavras, não se quer que recorrija a
prova. O que o impetrante pretende é que seja reconhecido que o enunciado da questão apresenta um erro grave insuperável.
2) o STF decidiu que, em regra, não é possível a anulação de questões de concurso, salvo se houver ilegalidade a permitir a
atuação do Poder Judiciário. Em outras palavras, existe uma “exceção” à tese fixada no RE 632.853. E, no presente caso,
estamos diante de uma flagrante ilegalidade da banca examinadora. STJ. 2ª Turma. RMS 49896-RS, Rel. Min. Og Fernandes,
julgado em 20/4/2017 (Info 603).

STF, AI 741.101-AgR: “O Supremo Tribunal Federal fixou entendimento no sentido de que a eliminação do candidato de
concurso público que esteja respondendo a inquérito ou ação penal, sem pena condenatória transitada em julgado, fere o
princípio da presunção de inocência” (Rel. Min. Eros Grau, j. 28.04.2009, Segunda Turma, DJE de 29-5-2009).

Candidato a agente penitenciário que respondia a inúmeras investigações foi eliminado do concurso
O STJ entendeu que um candidato aprovado para o concurso de agente penitenciário não deveria tomar ser nomeado e tomar
posse porque contra ela existem 11 boletins de ocorrência, sendo 5 relacionados com lesão corporal, 3 de crime de ameaça, 2
ocorrências de estelionato e, ainda, 1 referente ao crime de porte ilegal de armas. Apesar de não haver condenação com trânsito
em julgado, entendeu-se que a sua nomeação representaria ofensa aos valores morais e éticos que devem ser almejados pela
Administração Pública. STJ. 1ª Turma. RMS 35.016/RS, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 06/06/2017.

STF, RE 351.489: “Concurso público. Irregularidades. Anulação do concurso anterior à posse dos candidatos nomeados.
Necessidade de prévio processo administrativo. Observância do contraditório e da ampla defesa” (Rel. Min. Gilmar Mendes, j.
07.02.2006, Segunda Turma, DJ de 17.03.2006).

• Acumulação de cargos, empregos e funções:


CF, art. 37. (...)
XVI – é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, EXCETO, quando houver compatibilidade de horários, observado
em qualquer caso o disposto no inciso XI (teto de remuneração): - teoricamente, o teto se refere à soma das duas
remunerações. Estão tentando criar a tese de que seria a aplicação do teto para cada cargo (isso para “salvar" os casos de
médicos em pequenas cidades do interior, que é difícil de atrair e, por isso, acabam tendo que receber remuneração alta).
a) a de dois cargos de professor;
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico; - cargo técnico = exige formação específica. Técnico judiciário
não é cargo técnico, pois só exige nível médio.
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas;
XVII – a proibição de acumular estende-se a EMPREGOS e FUNÇÕES e abrange autarquias, fundações, empresas públicas,
sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público;

DE OLHO NA JURIS! Se a pessoa acumular licitamente dois cargos públicos ela poderá receber acima do teto
Nos casos autorizados constitucionalmente de acumulação de cargos, empregos e funções, a incidência do art. 37, XI, da
Constituição Federal pressupõe consideração de cada um dos vínculos formalizados, afastada a observância do teto
remuneratório quanto ao somatório dos ganhos do agente público. Ex: se determinado Ministro do STF for também professor
da UnB, ele irá receber seu subsídio integral como Ministro e mais a remuneração decorrente do magistério. Nesse caso, o teto
seria considerado especificamente para cada cargo, sendo permitido que ele receba acima do limite previsto no art. 37, XI da CF
se considerarmos seus ganhos globais. STF. Plenário. RE 612975/MT e RE 602043/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, julgados em 26 e
27/4/2017 (repercussão geral) (Info 862).

STF, RE 553.670-AgR: Decidiu que a possibilidade da acumulação de cargos privativos de profissionais de saúde inclui também os
assistentes sociais que exercem suas funções em unidades de saúde (Rel. Min. Ellen Gracie, j. 14.09.2010, Segunda Turma, DJE
de 1º.10.2010).

CESPE, Exame da OAB: “A acumulação ilegal de cargos não ocorre na hipótese de um servidor público federal ocupar dois cargos
efetivos de professor com 40 horas semanais de trabalho cada um”.

@dicasexconcurseira 74
STJ, RMS 7.550/PB: “Cargo científico é o conjunto de atribuições cuja execução tem por finalidade investigação coordenada e
sistematizada de fatos, predominantemente de especulação, visando a ampliar o conhecimento humano. Cargo técnico é o
conjunto de atribuições cuja execução reclama conhecimento específico de uma área do saber.” (6.ª Turma, Rel. Min. Luiz
Vicente Cernicchiaro, DJ 02.03.1998).

Definição de cargo técnico


Cargo técnico "é aquele que requer conhecimento específico na área de atuação do profissional, com habilitação específica de
grau universitário ou profissionalizante de 2º grau" (STJ. 2ª Turma. RMS 42.392/AC, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em
10/02/2015). É aquele que exige da pessoa um conjunto de atribuições ligadas ao conhecimento específico de uma área do
saber. Segundo já decidiu o STJ, somente se pode considerar que um cargo tem natureza técnica se ele exigir, no desempenho
de suas atribuições, a aplicação de conhecimentos especializados de alguma área do saber. STJ. 2ª Turma. REsp 1569547-RN,
Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 15/12/2015 (Info 575).

É possível a acumulação de cargos mesmo que a jornada semanal ultrapasse 60h


A acumulação de cargos públicos de profissionais da área de saúde, prevista no art. 37, XVI, da CF/88, não se sujeita ao limite de
60 horas semanais previsto em norma infraconstitucional, pois inexiste tal requisito na Constituição Federal. O único requisito
estabelecido para a acumulação é a compatibilidade de horários no exercício das funções, cujo cumprimento deverá ser aferido
pela administração pública. STF. 1ª Turma. RE 1176440/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 9/4/2019 (Info 937). STF.
2ª Turma. RMS 34257 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 29/06/2018. STJ. 1ª Seção. REsp 1767955/RJ, Rel. Min.
Og Fernandes, julgado em 27/03/2019 (Info 646).

Jornada de trabalho diferenciada para servidores médicos e dentistas


A jornada de trabalho do MÉDICO servidor público é de 4 horas diárias e de 20 horas semanais, nos termos da Lei nº 12.702/2012.
A jornada de trabalho do ODONTÓLOGO servidor público é de 6 horas diárias e de 30 horas semanais, nos termos do DL 2.140/84.
Essas regras acima explicadas não se aplicam no caso de médicos e odontólogos que ocupem cargo em comissão ou função de
confiança, considerando que, neste caso, terão que cumprir a jornada normal de trabalho. STF. 2ª Turma.MS 33853/DF, Rel. Min.
Dias Toffoli, julgado em 13/6/2017 (Info 869).

STJ – Dentre outros, NÃO SÃO cargos técnicos nem científicos:


✓ Analista técnico-jurídico;
✓ Técnico judiciário (nível médio);
✓ Técnico de finanças e controle da CGU;
✓ Agente de polícia civil e policial militar;
✓ Técnico administrativo educacional;
✓ Auxiliar administrativo;
✓ Atendente de telecomunicações.

CESPE, Exame da OAB: “Considere que um cidadão ocupe cargo efetivo de professor em determinado município e tenha sido
aprovado em concurso público de técnico judiciário, cargo acessível aos que detenham nível médio de escolaridade, em
qualquer área do conhecimento. Nessa situação, os dois cargos referidos são acumuláveis”.

• Outros casos de acumulação remunerada previstos na Constituição Federal:


a) um cargo de juiz com outro de magistério (art. 95, parágrafo único, I);
b) um cargo de membro do Ministério Público com outro de magistério (art. 128, § 5º, II, d);
c) um cargo de vereador com outro cargo, emprego ou função pública (art. 38, III).

Aula 11 - Normas Constitucionais 10

• Direito de greve e de livre associação sindical:


CF, art. 37. (...)
VII – o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica;

@dicasexconcurseira 75
* Esta lei específica ainda não foi criada; por isso, o STF disse que deveria ser aplicada a Lei 7.783/1989 referente ao direito de
greve dos trabalhadores da iniciativa privada, como maneira de concretizar o direito de greve dos servidores públicos.

DE OLHO NA JURIS! Compete à Justiça Comum (estadual ou federal) decidir se a greve realizada por servidor público é ou não
abusiva
A justiça comum, federal ou estadual, é competente para julgar a abusividade de greve de servidores públicos celetistas da
Administração pública direta, autarquias e fundações públicas. STF. Plenário. RE 846854/SP, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac.
Min. Alexandre de Moraes, julgado em 1º/8/2017 (repercussão geral) (Info 871).

• Servidores públicos civis estatutários:


– Aplicabilidade das Leis 7.701/1998 e 7.783/1989.
– STF, MI 670-Es e 712-PA.

STF, MI 670-ES: Mandado de injunção. Garantia fundamental (CF, art. 5º, INCISO LXXI). Direito de greve dos servidores públicos
civis (CF, art. 37, inciso VII). Evolução do tema na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF). Definição dos parâmetros de
competência constitucional para apreciação no âmbito da justiça federal e da justiça estadual até a edição da legislação
específica pertinente, nos termos do art. 37, VII, da CF. Em observância aos ditames da segurança jurídica e à evolução
jurisprudencial na interpretação da omissão legislativa sobre o direito de greve dos servidores públicos civis, fixação do prazo de
60 (sessenta) dias para que o Congresso Nacional legisle sobre a matéria. Mandado de injunção deferido para determinar a
aplicação das Leis 7.701/1988 e 7.783/1989.
• Competência para apreciar os dissídios de greve envolvendo servidores públicos fixadas no MI 670/ES (aplicação analógica
da Lei 7.701/1988):
a) Se a paralisação for de âmbito nacional, ou abranger mais de uma região da Justiça Federal, ou ainda, compreender mais de
uma unidade da Federação, a competência para o dissídio de greve será do STJ (por aplicação analógica do art. 2.º, I, “a”, da Lei
7.701/1988);
b) Ainda no âmbito federal, se a controvérsia estiver adstrita a uma única região da Justiça Federal, a competência será dos
Tribunais Regionais Federais (aplicação analógica do art. 6.º da Lei 7.701/1988);
c) No contexto estadual ou municipal, se a controvérsia estiver adstrita a uma unidade da federação, a competência será do
respectivo Tribunal de Justiça (aplicação analógica do art. 6.º da Lei 7.701/1988);
d) As greves de âmbito local ou municipal serão dirimidas pelo Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional Federal com jurisdição
sobre o local da paralisação, conforme se trate de greve de servidores municipais, estaduais ou federais.

STF, Pleno, Rcl 6.568/SP: “Os servidores públicos são, seguramente, titulares do direito de greve. Essa é a regra. Ocorre,
contudo, que entre os serviços públicos há alguns que a coesão social impõe sejam prestados plenamente, em sua totalidade.
Atividades das quais dependam a manutenção da ordem pública e a segurança pública, a administração da Justiça — onde as
carreiras de Estado, cujos membros exercem atividades indelegáveis, inclusive as de exação tributária — e a saúde pública não
estão inseridos no elenco dos servidores alcançados por esse direito. Serviços públicos desenvolvidos por grupos armados: as
atividades desenvolvidas pela polícia civil são análogas, para esse efeito, às dos militares, em relação aos quais a Constituição
expressamente proíbe a greve (art. 142, § 3.º, IV)” (Rel. Min. Eros Grau, j. 21.05.2009).

Policiais são proibidos de fazer greve


O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos policiais civis e a todos os servidores públicos
que atuem diretamente na área de segurança pública. É obrigatória a participação do Poder Público em mediação instaurada
pelos órgãos classistas das carreiras de segurança pública, nos termos do art. 165 do CPC, para vocalização dos interesses da
categoria. STF. Plenário. ARE 654432/GO, Rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
5/4/2017 (repercussão geral) (Info 860).

STF, RE 456.530-ED: “É legítimo o desconto efetuado na remuneração do servidor público pelos dias não trabalhados, uma vez
que a participação em greve suspende o contrato de trabalho. Todavia, não se proíbe a adoção de soluções autocompositivas
em benefício dos servidores grevistas” (Rel. Min. Joaquim Barbosa, j. 23.11.2010, Segunda Turma, DJE 1º.02.2011).

Administração Pública deve descontar os dias não trabalhados por servidor público em greve
A administração pública deve proceder ao desconto dos dias de paralisação decorrentes do exercício do direito de greve pelos
servidores públicos, em virtude da suspensão do vínculo funcional que dela decorre. É permitida a compensação em caso de
acordo. O desconto será, contudo, incabível se ficar demonstrado que a greve foi provocada por conduta ilícita do Poder
Público. STF. Plenário. RE 693456/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 27/10/2016 (repercussão geral) (Info 845).

@dicasexconcurseira 76
O desconto dos dias parados pode ser feito de forma parcelada
Não se mostra razoável a possibilidade de desconto em parcela única sobre a remuneração do servidor público dos dias parados
e não compensados provenientes do exercício do direito de greve. STJ. 2ª Turma. RMS 49339-SP, Rel. Min. Francisco Falcão,
julgado em 6/10/2016 (Info 592).

STF, RE 226.966: “A simples circunstância de o servidor público estar em estágio probatório não é justificativa para demissão
com fundamento na sua participação em movimento grevista por período superior a trinta dias. A ausência de
regulamentação do direito de greve não transforma os dias de paralisação em movimento grevista em faltas injustificadas”
(Rel. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia, j. 11.11.2008, Primeira Turma, DJE 21.08.2009).

• Direito à livre associação sindical dos servidores públicos (art. 37, VI, CF): norma autoaplicável.

• Militares: proibida a filiação a sindicato e a greve (art. 142, IV, CF).

• Mandato eletivo:
CF, art. 38. Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, no exercício de mandato eletivo, aplicam-se as
seguintes disposições:
I – tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará AFASTADO de seu cargo, emprego ou função;
II – investido no mandato de Prefeito, será AFASTADO do cargo, emprego ou função, sendo-lhe facultado OPTAR PELA SUA
REMUNERAÇÃO;
III – investido no mandato de Vereador, havendo compatibilidade de horários, perceberá as vantagens de seu cargo, emprego
ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo, e, não havendo compatibilidade, será aplicada a norma do inciso
anterior;
IV – em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de mandato eletivo, seu tempo de serviço será contado para
todos os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento;
V – para efeito de benefício previdenciário, no caso de afastamento, os valores serão determinados como se no exercício
estivesse.

FCC, Procurador MPT-CE: “Servidor público da administração direta, em exercício de mandato de deputado federal, será
afastado de seu cargo, deixando de receber a remuneração a ele correspondente, mas continuando a contagem do tempo de
serviço, salvo para efeito de promoção por merecimento”.

FCC, Analista de Regulação - Advogado/ARCE-CE: “Nos termos da Constituição da República, o servidor público da administração
direta, autárquica ou fundacional que for investido no mandato de Prefeito será afastado do emprego, cargo ou função, sendo-
lhe facultado optar por sua remuneração”.

Aula 12 - Normas Constitucionais 11

• Estabilidade: garantia constitucional de permanência no serviço público outorgada ao servidor que, nomeado por concurso
público para cargo de provimento efetivo, tenha transposto o período de estágio probatório (art. 41, CF).

Cargos efetivos = característica de alguns cargos, que exigem concurso e que são cargos permanentes da administração
pública. No momento em que você faz concurso e que toma posse, você ja é efetivo.
Estabilidade = após certo tempo sendo avaliado, o servidor cumpre requisitos e passa a ter uma relação mais estável
com o poder público. A estabilidade é NO SERVIÇO PÚBLICO (e não no cargo).

• Estabilidade extraordinária
ADCT, art. 19. Os servidores públicos civis da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, da administração
direta, autárquica e das fundações públicas, em exercício na data da promulgação da Constituição, há pelo menos 5 anos
continuados, e que não tenham sido admitidos na forma regulada no art. 37, da Constituição, são considerados ESTÁVEIS no
serviço público.

@dicasexconcurseira 77
• Excluídos da estabilidade extraordinária (ADCT, art. 19, §§ 2.º e 3.º):
a) ocupantes de cargos, funções e empregos de confiança ou em comissão, e os que a lei declare de livre exoneração;
b) professores de nível superior;
c) empregados das empresas públicas e sociedades de economia mista. - pois não tem estabilidade.

• Estabilidade dos servidores públicos e a EC 19/1998:


a) aumentou o prazo necessário para aquisição da estabilidade, que antes era de 2 anos, e passou a ser de 3 anos de efetivo
exercício;
b) previu como condição obrigatória para a aquisição da estabilidade que o servidor sofresse uma avaliação especial de
desempenho realizada por comissão instituída para essa finalidade;
c) previu mais duas hipóteses de perda do cargo pelo servidor estável.

• Hipóteses de perda do cargo pelo servidor estável:


a) em virtude de sentença judicial transitada em julgado;
b) mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa;
c) mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa
(hipótese acrescentada pela EC 19/1998);
d) no caso do Poder Público não cumprir os limites de gastos com pessoal previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal — LC
101/2001 (hipótese acrescentada pela EC 19/1998).

• Medidas prévias à exoneração de servidor estável para cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (CF, art. 169, §§ 1.º e
2.º):
1.º Reduzir em pelo menos 20% as despesas com cargos em comissão e funções de confiança;
2.º Exoneração de todos os servidores não estáveis.
Súmula 390 do TST: Estabilidade. Art. 41 da CF/1988. Celetista. Administração direta, autárquica ou fundacional. Aplicabilidade.
Empregado de empresa pública e sociedade de economia mista. Inaplicável. I – O servidor público celetista da administração
direta, autárquica ou fundacional é beneficiário da estabilidade prevista no art. 41 da CF/1988. II – Ao empregado de empresa
pública ou de sociedade de economia mista, ainda que admitido mediante aprovação em concurso público, não é garantida a
estabilidade prevista no art. 41 da CF/1988.

Aula 13 - Normas Constitucionais 12

• Estágio probatório: período de exercício do servidor durante o qual a Administração apura a conveniência ou não de sua
permanência no serviço público, mediante a verificação do cumprimento dos requisitos estabelecidos na lei para a aquisição da
estabilidade.

Lei 8.112/1990, art. 20. Ao entrar em exercício, o servidor nomeado para cargo de provimento efetivo ficará sujeito a estágio
probatório por período de 24 (vinte e quatro) meses, durante o qual a sua aptidão e capacidade serão objeto de avaliação para
o desempenho do cargo, observados os seguinte fatores:
I – assiduidade;
II – disciplina;
III – capacidade de iniciativa;
IV – produtividade;
V – responsabilidade.

OBS: prevaleceu a tese de que estágio probatório corresponde ao período de estabilidade. Vide julgado abaixo. Assim, o art.20
da Lei 8112 foi derrogado, no que tange aos 24 meses; o estágio probatório é de 3 anos. Se a pessoa não for aprovada no
estágio probatório, será exonerado (e não “demitido”, pois demissão é punição).

• Prazo de aquisição da estabilidade e estágio probatório: 3 anos, conforme EC 19/1998 – Apesar de serem institutos
distintos, encontram-se pragmaticamente ligados. (STF, 2.ª T., AI 754.802 AgR-ED/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 07.06.2011;
STJ, 3.ª S., MS 12.523 / DF, Rel. Min. Felix Fischer, j. 22.04.2009).

• Afastamento, licença e cessão — Contagem do tempo de estágio probatório: o estágio probatório deve ocorrer no cargo em
que efetivamente deva ser avaliado o servidor, em razão disso o prazo pode ser prorrogado ou suspenso (STJ, 5.ª T., RMS
19.884/DF, j. 08.11.2007, DJ 10.12.2007; STJ, 6.ª T., RMS 23.689/RS, j. 18.05.2010, DJe 07.06.2010).

@dicasexconcurseira 78
• Exoneração em razão de insuficiência de desempenho: (mesmo depois de o servidor ter adquirido a estabilidade) deve ser
precedida da instauração de processo administrativo, em que seja assegurado o direito a ampla defesa e ao contraditório (STJ,
RMS 22.567-MT, Informativo 470; Súmula 21 do STF).

• Servidor não aprovado em estágio probatório: será EXONERADO; ou, se estável, RECONDUZIDO ao cargo anteriormente
ocupado. Pois a estabilidade se dá no serviço público (e não no cargo).

• A recondução somente pode se dar durante estágio probatório (STF, Tribunal Pleno, MS 24.543/DF, Rel. Min. Carlos Velloso,
j. 21.08.2003, DJ 12.09.2003). Se você passar no estágio probatório do novo cargo, não poderá querer ser reconduzido para o
cargo anterior. Só pode ser reconduzido ao cargo anterior durante o estágio probatório do novo cargo.

CESPE, Juiz Federal Substituto do TRF 5.ª R.: “Conforme entendimento do STF, o servidor público federal tem direito de retornar
a cargo federal anterior, mesmo após o estágio probatório de novo cargo assumido”.

• Vitaliciedade – Cargos previstos na Constituição Federal:


A vitaliciedade é no cargo; a estabilidade é no serviço público. O servidor vitalício só perde o cargo em razão de decisão
judicial transitada em julgado (há uma garantia maior). Valem para:
a) magistrados (art. 95, I);
b) membros do Ministério Público (art. 128, § 5.º, I a);
c) membros dos Tribunais de Contas (art. 73, § 3.º) .

Aula 14 - Normas Constitucionais 13

• Sistema remuneratório — Três categorias jurídicas distintas:


a) Salário; - aos empregados públicos
b) Vencimentos; - para cargo público. Permite acréscimos aos vencimento base.
c) Subsídio - parcela única (não pode somar gratificações).

• Subsídio — Obrigatório para as seguintes categorias de agentes públicos:


a) Membros de Poder (chefes dos Poderes Executivos, senadores, deputados, vereadores, magistrados), detentores de
mandato eletivo, Ministros de Estado e Secretários Estaduais e Municipais (art. 39, § 4.º, CF);
b) Ministros ou Conselheiros dos Tribunais de Contas (art. 73, § 3.º, CF);
c) Membros do Ministério Público (art. 128, § 5.º, I, c, CF);
d) Integrantes das carreiras pertencentes à Advocacia Geral da União, à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, às
Procuradorias dos Estados e do Distrito Federal e às Defensorias Públicas da União, DF e Territórios e Defensorias Públicas
Estaduais (art. 135, CF);frisc
e) Servidores policiais integrantes da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Ferroviária Federal, Polícias Civis, Polícias
Militares e Corpos de Bombeiros Militares (art. 144, § 9.º, CF).

• Subsídio facultativo: a remuneração dos servidores públicos organizados em carreira (CF, art. 39, § 8º).

CESPE, Analista Judiciário do TJRJ: “A remuneração do cargo de analista judiciário, mesmo sendo este organizado em carreira,
não poderá ser fixada em subsídio”.

• Fixação e alteração da remuneração e do subsídio:


CF, art. 37. (...)
X – a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o § 4.º do art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados
por lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem
distinção de índices; - a revisão geral anual, sem distinção de índices, é de iniciativa do Presidente da República para o âmbito
federal (governador, no âmbito estadual; e prefeito, âmbito municipal); mas, a iniciativa para a fixação ou alteração da
remuneração deve ser feita por cada poder.

@dicasexconcurseira 79
DE OLHO NA JURIS! Regime de subsídio e pagamento de 13º e férias a Prefeito e Vice-Prefeito
O art. 39, § 4º, da Constituição Federal não é incompatível com o pagamento de terço de férias e décimo terceiro salário. STF.
Plenário. RE 650898/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 1º/2/2017 (repercussão
geral) (Info 852).

Súmula 339 do STF: “Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos
sob fundamento de isonomia”.

Súmula Vinculante 37: Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de servidores
públicos sob o fundamento de isonomia.

DE OLHO NA JURIS! Decisão que concede a gratificação de 13,23% viola a SV 37


A decisão judicial que concede a servidor público a gratificação de 13,23% prevista na Lei nº 10.698/2003 afronta a súmula
vinculante 37, mesmo que o julgador fundamente sua decisão no art. 37, X, da CF/88 e no art. 6º da Lei nº 13.317/2016. Não
cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob o fundamento de
isonomia. STF. 1ª Turma.Rcl 25927 AgR/SE e Rcl 24965 AgR/SE, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de
Moraes, julgados em 31/10/2017 (Info 884). STF. 1ª Turma. Rcl 24965 AgR/SE, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 28/11/2017 (Info 886).

Súmula 679 do STF: “A fixação de vencimentos dos servidores públicos não pode ser objeto de convenção coletiva”.

Cargos Iniciativa da lei para fixação da remuneração ou


subsídio

Cargos da estrutura do Poder Executivo Chefe do Poder Executivo (art. 61, § 1.º, II, “a”, CF)

Membros e servidores do Judiciário Cada Tribunal (art. 96, II, “b”, CF)

Membros e servidores do Ministério Público Respectivo Procurador-Geral (art. 127, § 2.º, CF)

Membros, Procuradores do Ministério Público e Cada Tribunal de Contas (art. 73 c/c 96, II, “b”, CF)
servidores dos Tribunais de Contas

Ministros do STF STF (art. 48, XV, CF)

Deputados Federais, Senadores, Presidente e Vice- Congresso Nacional (art. 49, VII e VIII, CF)
Presidente da República e Ministros de Estado

Deputados Estaduais,Governador, Vice-Governador e Respectiva Assembleia Legislativa (art. 27, § 2º e art. 28,
Secretários de Estado § 2º, CF)

Vereadores, Prefeito, Vice-Prefeito e Secretários Respectiva Câmara de Vereadores (art. 29, V e VI, CF)
Municipais

Cargos da estrutura organizacional da Câmara dos Câmara dos Deputados (art. 51, IV, CF)
Deputados

Cargos da estrutura organizacional do Senado Senado (art. 52, XIII, CF)

• Revisão geral anual — Requisitos:


a) Lei específica, cuja iniciativa cabe a cada um dos Chefes do Executivo;
b) Caráter genérico da revisão, atingindo todos os servidores, inclusive os do Legislativo, Judiciário, Ministério Público e Tribunal
de Contas;
c) Periodicidade anual da revisão;
d) Índices revisionais idênticos para todos os servidores.

@dicasexconcurseira 80
• Irredutibilidade:
CF, art. 37. (...)
XV – o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e empregos públicos são irredutíveis, ressalvado o disposto nos
incisos XI e XIV deste artigo e nos arts. 39, § 4.º, 150, II, 153, III, e 153, § 2.º, I;

* Beneficia os cargos em comissão (STF, RE 378.932-PE) - a irredutibilidade também se aplica aos cargos comissionados.

• Limites de remuneração de servidores:


a) mínimo: salário mínimo; - a irredutibilidade se refere à totalidade das verbas, e não em relação a cada parcela do vencimento.
b) máximo: art. 37, XI, da CF (EC 41/2003).

• Teto geral: subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal Federal.

Súmula Vinculante 6 do STF: Não viola a Constituição o estabelecimento de remuneração inferior ao salário mínimo para as
praças prestadoras de serviço militar inicial.

Aula 15 - Normas Constitucionais 14

CF, art. 37, XI. A remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta,
autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos (aposentado), pensões ou outra espécie
remuneratória, percebidos cumulativamente ou não*, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não
poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite
(SUBTETOS), nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no
âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos
Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos (90,25%) por cento do subsídio
mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite (90,25%
da remuneração do Ministro do STF) aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos;
* mesmo acumulando, tem que obedecer ao teto; apesar de existir uma tese tentando a separação.

Não existe subteto para desembargador do TRF expressamente!


OBS: verbas temporárias não precisam ficar sujeitas aos limites dos 90,25%.
Conclusão: há uma estrutura nacional da justiça, onde TJ’s e TRF’s estão no mesmo patamar. Esta estrutura não deve
ser olhada apenas no que concerne ao fluxo do processo. Existe uma estrutura remuneratória que deve ser respeitada! Seria
discriminatório criar um teto apenas para os TJ’s, enquanto que os TRF’s, que estão no mesmo patamar, não teriam teto. Daí o
STF deu interpretação conforme à Constituição e disse que esta regra do inc.XI, no ponto em que fala do limite de 90,25%, vale
para os SERVIDORES do poder judiciário, mas não para os membros. Para os membros do TJ e TRF, não se aplica o limite de
90,25% da remuneração do STF. Aos membros do TJ e TRF se aplica o teto do ministro do STF.

DE OLHO NA JURIS! Vantagens pessoais também devem estar dentro do teto, mesmo que anteriores à EC 41/2003
Alguns servidores continuavam tentando excluir do teto as vantagens pessoais que haviam adquirido antes da EC 41/2003 (que
implementou, na prática, o teto no funcionalismo). Argumentavam que a garantia da irredutibilidade de vencimentos, modalidade
qualificada de direito adquirido, impediria que as vantagens percebidas antes da vigência da EC 41/2003 fossem por ela
alcançadas. O STF acolheu esse argumento? As vantagens pessoais anteriores à EC 41/2003 estão fora do teto? NÃO. Computam-
se para efeito de observância do teto remuneratório do artigo 37, XI, da Constituição da República, também os valores percebidos
anteriormente à vigência da EC 41/2003 a título de vantagens pessoais pelo servidor público, dispensada a restituição de valores
eventualmente recebidos em excesso e de boa-fé até o dia 18/11/2015. STF. Plenário. RE 606358/SP, Rel. Min. Rosa Weber,
julgado em 18/11/2015 (repercussão geral) (Info 808).

Teto remuneratório de Procuradores Municipais é o subsídio de Desembargador de TJ


A expressão "Procuradores", contida na parte final do inciso XI do art. 37 da Constituição da República, compreende os
procuradores municipais, uma vez que estes se inserem nas funções essenciais à Justiça, estando, portanto, submetidos ao teto
de 90,25% (noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento) do subsídio mensal, em espécie, dos ministros do STF. STF.
Plenário. RE 663696/MG, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 28/2/2019 (Info 932).

Os substitutos interinos dos cartórios extrajudiciais devem receber limitado ao teto do funcionalismo público (art. 37, XI, da
CF/88)
Incide o teto remuneratório constitucional aos substitutos interinos de serventias extrajudiciais. STF. 2ª Turma. MS 29039/DF,
Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/11/2018 (Info 923).
@dicasexconcurseira 81
CF, art. 37. (...)
§11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de
caráter indenizatório previstas em lei. - ex: diárias, ajuda de custo em caso de remoção.

• Regra do teto remuneratório também se aplica (art. 37, § 9.º, da CF):


a) às empresas públicas e às sociedades de economia mista, e suas subsidiárias, que receberem recursos da União, dos
Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios para pagamento de despesas de pessoal ou de custeio em geral. - “custeio em
geral” = despesa para manter um serviço que já existe.

• Esfera estadual e distrital — Remuneração dos agentes públicos limitada (além do teto dos ministros do STF):
a) No âmbito do Poder Executivo: ao subsídio do Governador;
b) No âmbito do Poder Legislativo: ao subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais.
c) No âmbito do Poder Judiciário: ao subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado este a 90,25% do subsídio
dos Ministros do STF. Este limite também se aplica aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores
Públicos.

• Esfera municipal: a remuneração dos agentes públicos além de não poder exceder o teto geral (do ministro do STF), também
não pode exceder o subsídio do Prefeito (subteto municipal).

Aula 16 - Normas Constitucionais 15

• Vedação à vinculação e à equiparação de remunerações:


CF, art. 37 (...)
XIII — é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de remuneração de pessoal do
serviço público; - “vincular" é atrelar uma coisa a outra. Se você disser que a remuneração do analista judiciário será igual a 30%
dos subsídios do juiz, você criou uma vinculação. De forma que, toda vez que aumentar o subsidio do juiz, também aumentará,
automaticamente, a remuneração do analista. Também não pode vincular a remuneração do analista de acordo com o índice do
INPC, por exemplo. “Equiparar" é dar tratamento igual a coisas diferentes; é uma espécie de vinculação em 100%.

Súmula 681 do STF: “É inconstitucional a vinculação do reajuste de vencimentos de servidores estaduais ou municipais a índices
federais de correção monetária”.

DE OLHO NA JURIS! Inconstitucionalidade de norma que equipara remuneração de servidores públicos


A Constituição do Estado do Ceará previa que deveria ser assegurado “aos servidores da administração pública direta, das
autarquias e das fundações, isonomia de vencimentos para cargos de atribuições iguais ou assemelhadas do mesmo Poder ou
entre servidores dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, ressalvadas as vantagens de caráter individual e as relativas à
natureza ou ao local de trabalho.” O STF decidiu que é inconstitucional a expressão “das autarquias e das fundações”. Isso
porque a equiparação remuneratória entre servidores, a teor da redação originária do art. 39, § 1º, da CF/88, restringiu-se aos
servidores da administração direta, não mencionando os entes da administração indireta, como o faz a norma impugnada. Além
disso, o dispositivo estadual não foi recepcionado, em sua integralidade, pela redação atual do art. 39 da Constituição Federal,
na forma EC 19/1998. STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).

• Exceções - a própria CF é quem equipara:


a) a equiparação de vencimentos e vantagens entre os Ministros do TCU e do STJ (art. 73, § 3.º, CF);
b) a vinculação entre o subsídio dos Ministros dos Tribunais Superiores (que receberão 95% do que recebe o ministro do STF) e
o subsídio mensal fixado para os Ministros do STF (art. 93, V, CF);

• Vedação ao efeito repicão:


CF, art. 37. (...)
XIV – os acréscimos pecuniários percebidos por servidor público não serão computados nem acumulados para fins de concessão
de acréscimos ulteriores;

• Pagamento a maior:
STJ, AgRg no AREsp 458.020/ES, DJ 22.04.2014: Servidor público. Pagamento indevido pela Administração. Valores recebidos DE
BOA-FÉ. Restituição ao erário. Desnecessidade. Súmula 83. Agravo não provido. (...) 2. Não é lícito descontar diferenças pagas
indevidamente a servidor ou pensionista em decorrência de interpretação errônea, equivocada ou deficiente da lei pela própria
Administração Pública, ante a boa-fé do servidor público.

@dicasexconcurseira 82
Não devolução dos valores recebidos de boa-fé por servidor público por força de decisão liminar revogada
Não deve ser determinada a devolução de valores recebidos de boa-fé por servidor público, percebidos a título precário no período
em que liminar produziu efeitos. É desnecessária a devolução dos valores recebidos por liminar revogada, em razão de mudança
de jurisprudência. Também é descabida a restituição de valores recebidos indevidamente, circunstâncias em que o servidor
público atuou de boa-fé. STF. 1ª Turma. MS 32185/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 13/11/2018 (Info 923).

Servidor que recebe indevidamente valores em decorrência de erro operacional da Administração não tem que devolver
A 1ª Seção do STJ, no julgamento do Recurso Especial Representativo da Controvérsia 1.244.182/PB, firmou o entendimento de
que não é devida a restituição de valores pagos a servidor público de boa-fé, por força de interpretação errônea ou má aplicação
da lei por parte da Administração. O mesmo entendimento tem sido aplicado pelo STJ nos casos de mero equívoco operacional
da Administração Pública. Assim, para o STJ, não é devida a devolução de verba paga indevidamente a servidor em decorrência
de erro operacional da Administração Pública, quando se constata que o recebimento pelo beneficiado se deu de boa-fé. STJ. 1ª
Turma. AgRg no REsp 1447354/PE, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 16/09/2014. STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp
1560973/RN, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 05/04/2016.

Súmula 249 do TCU: É dispensada a reposição de importâncias indevidamente percebidas, de boa-fé, por servidores ativos e
inativos, e pensionistas, em virtude de erro escusável de interpretação de lei por parte do órgão/entidade, ou por parte de
autoridade legalmente investida em função de orientação e supervisão, à vista da presunção de legalidade do ato
administrativo e do caráter alimentar das parcelas salariais.

09.09.2013: Súmula 71 alterou a Súmula 34, ambas da AGU, para: “É incabível a restituição de valores de caráter alimentar
percebidos de boa-fé, por servidor público, em virtude de interpretação errônea, má aplicação da lei ou erro da Administração.”

26.09.2013: Súmula 72 cancelou a Súmula 71 e a Súmula 34 voltou a ter sua redação original (todas da AGU): “Não estão
sujeitos à repetição os valores recebidos de boa-fé pelo servidor público, em decorrência de errônea ou inadequada
interpretação da lei por parte da Administração Pública.”

Aula 17 - Normas Constitucionais 16

• Regime previdenciário dos servidores públicos:(art. 201, CF)


RPPS (art.40, CF) RGPS (art.201, CF)

a) Servidores ocupantes de cargos públicos de a) Empregados públicos;


provimento efetivo. b) Cargos comissionados;
c) Servidores temporários;
d) Titulares de mandato eletivo.

• Principais regras constitucionais atualmente aplicáveis ao RPPS:


a) Proibição de contagem de tempo de contribuição fictício; - leva-se em conta o tempo de contribuição, e não mais o tempo
de serviço.
b) Cálculo dos proventos de aposentadoria a partir de uma média das remunerações sobre as quais o servidor contribuiu; - e
não mais com base na última remuneração. E, mesmo assim, o servidor não vai poder receber mais do que ele recebia na última
remuneração (pois, cuidado, tem vezes que a média das remunerações dá maior do que a última remuneração do servidor; isso
porque os valores das remunerações anteriores, para calcular e ver a média, devem ser atualizados).
c) Cálculo do valor das pensões com aplicação de REDUTOR sobre as que ultrapassarem o limite máximo para os benefícios; -
se o servidor tem remuneração de 10.400 reais; suponha que o limite do INSS é de 4.400 reais; o beneficiário do servidor
falecido receberá 4.400 + 70% do valor que o servidor recebia acima desse limite (ou seja, 70% 6 mil reais, que é igual a 4200
reais). Assim, recebera: 4.400 + 4.2000 = 8600.

— Valor do benefício da pensão por morte será igual (art. 40, § 7.º, I e II, CF):
c.1) ao valor da totalidade dos proventos do servidor falecido, até o limite máximo estabelecido para os benefícios do RGPS de
que trata o art. 201, acrescido de 70% da parcela excedente a este limite, caso aposentado à data do óbito; ou

@dicasexconcurseira 83
c.2) ao valor da totalidade da remuneração do servidor no cargo efetivo em que se deu o falecimento, até o limite máximo
estabelecido para os benefícios do RGPS (até 4.400) de que trata o art. 201, acrescido de 70% da parcela excedente a este
limite, caso em atividade na data do óbito.

Exemplo:
O servidor faleceu quando estava ainda em atividade.
Remuneração do cargo efetivo: R$ 10.000,00
Valor máximo hipotético dos benefícios do RGPS: R$ 4.000,00
Valor excedente ao benefício máximo ao RGPS: R$ 6.000,00
Cálculo do valor da pensão:
R$ 4.000,00 (valor máximo do benefício do RGPS)
(+) R$ 4.200,00 (70% do excedente de R$ 6.000,00)
R$ 8.200,00

DE OLHO NA JURIS! Não há que se falar em prescrição de fundo de direito nas ações em que se busca a concessão do benefício
de pensão por morte
Não ocorre a prescrição do fundo de direito no pedido de concessão de pensão por morte, estando prescritas apenas as
prestações vencidas no quinquênio que precedeu à propositura da ação. STJ. 1ª Seção. EREsp 1269726-MG, Rel. Min. Napoleão
Nunes Maia Filho, julgado em 13/03/2019 (Info 644).

d) Forma de reajuste dos benefícios SEM vinculação com a modificação da remuneração dos servidores em atividade; - acabou
a paridade entre aposentados e ativos! A garantia é de reajuste para manter o valor real do seu benefício.
e) Contribuições dos aposentados e pensionistas ao RPPS (contribuição incidente somente sobre aquilo que exceder ao limite
do INSS) e instituição do abono de permanência;
OBS: no INSS, o aposentado não paga contribuição alguma.
Abono permanência = servidor que mesmo tendo os requisitos para se aposentar ainda permanece no serviço público e, por
isso, faz jus a um abono equivalente ao que o servidor paga de contribuição. Ex: servidor federal paga 11% de contribuição;
quando se aposenta, paga uma contribuição sobre o que exceder ao teto do RGPS no valor de 11%; se permanecer no serviço, o
abono permanência será de 11%.
f) Instituição de regime de previdência complementar e fixação do limite dos benefícios igual ao aplicável ao RGPS. - regime de
previdência complementar fechada para complementar a aposentadoria (pois esta tem que respeitar o limite do RGPS). Só pode
existir esse teto quando for disponibilizado ao servidor o regime de previdência complementar.

A contribuição previdenciária paga pelo servidor não deve incidir sobre parcelas que não são incorporadas à sua aposentadoria
Não incide contribuição previdenciária sobre verba não incorporável aos proventos de aposentadoria do servidor público, tais
como terço de férias, serviços extraordinários, adicional noturno e adicional de insalubridade. STF. Plenário.RE 593068/SC, Rel.
Min. Roberto Barroso, julgado em 11/10/2018 (repercussão geral) (Info 919).

• Modalidades de aposentadoria para o servidor público vinculado ao RPPS:


a) por invalidez:
b) compulsória (aos 70 ou 75 anos de idade, na forma da lei complementar) e
c) voluntária. Membro do MP e juiz

– Vedação a adoção de requisitos diferenciados para concessão de aposentadoria:


CF, art. 40, § 4.º É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria aos abrangidos
pelo regime de que trata este artigo, ressalvados, nos termos definidos em leis complementares, os casos de servidores:
I – portadores de deficiência;
II – que exerçam atividades de risco;
III – cujas atividades sejam exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física.

@dicasexconcurseira 84
TIPO DE APOSENTADORIA REQUISITOS PROVENTOS

a) Invalidez permanente a.1) Invalidez permanente (regra Proporcionais ao tempo de


geral) contribuição

a.2) Invalidez permanente Integralidade da média


decorrente de acidente em serviço,
moléstia profissional ou doença
grave, contagiosa ou incurável, na
forma da lei

b) Compulsória* b) 70 ou 75 anos (homem ou Proporcionais ao tempo de


mulher), na forma da lei contribuição
complementar

c) Voluntária c.1) Por idade Proporcionais ao tempo de


Mulheres: 60 anos contribuição
Homens: 65 anos

c.2) Por idade e tempo de Integralidade da média


contribuição
• Requisitos cumulativos:
i) tempo mínimo de 10 anos de
efetivo exercício no serviço público;
ii) tempo mínimo de 5 anos no cargo
efetivo em que se dará a
aposentadoria;
iii) os seguintes requisitos de idade e
de tempo de contribuição:
(OBS: Pode contar o tempo de
serviço no setor privado na
contagem de aposentadoria no
serviço público).

Idade Tempo de contribuição

Mulher 55 anos 30 anos

Homem 60 anos 35 anos

OBS: professor (ensino infantil, fundamental e médio) que queira se aposentar voluntariamente tem diminuído, em 5, os
tempos: menos 5 anos na idade e menos 5 anos no tempo de contribuição.

* DE OLHO NA JURIS! Aposentadoria compulsória e titulares de serventias judiciais não estatizadas


Não se aplica a aposentadoria compulsória prevista no art. 40, § 1º, II, da CF aos titulares de serventias judiciais não estatizadas,
desde que não sejam ocupantes de cargo público efetivo e não recebam remuneração proveniente dos cofres públicos. STF.
Plenário. RE 647827/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/2/2017 (repercussão geral) (Info 854).

Aposentadoria compulsória não se aplica a cargos comissionados


Os servidores ocupantes de cargo exclusivamente em comissão não se submetem à regra da aposentadoria compulsória prevista
no art. 40, § 1º, II, da CF, a qual atinge apenas os ocupantes de cargo de provimento efetivo, inexistindo, também, qualquer
idade limite para fins de nomeação a cargo em comissão. Ressalvados impedimentos de ordem infraconstitucional, não há óbice
constitucional a que o servidor efetivo, aposentado compulsoriamente, permaneça no cargo comissionado que já
desempenhava ou a que seja nomeado para cargo de livre nomeação e exoneração, uma vez que não se trata de continuidade
ou criação de vínculo efetivo com a Administração. STF. Plenário. RE 786540/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 15/12/2016
(repercussão geral) (Info 851).

@dicasexconcurseira 85
Agentes penitenciários possuem direito à aposentadoria especial
Os agentes penitenciários possuem direito à aposentadoria especial. Os agentes penitenciários podem ingressar com mandado
de injunção pedindo a concessão de aposentadoria especial sob o argumento de que está havendo uma omissão
inconstitucional. Isso porque se trata de categoria que desempenha atividades com risco imanente (inerente). STF. Decisão
Monocrática. MI 6943, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11/09/2018. Obs: existem decisões monocráticas de praticamente todos
os Ministros nesse mesmo sentido.

Guardas municipais não têm direito à aposentadoria especial


Aposentadoria especial é aquela cujos requisitos e critérios exigidos do beneficiário são mais favoráveis que os estabelecidos
normalmente para as demais pessoas. A CF/88 prevê que os servidores que exerçam atividades de risco têm direito à
aposentadoria especial, segundo requisitos e condições previstas em lei complementar (art. 40, § 4º, II, “b”). Diante da ausência
de legislação específica, não cabe ao Poder Judiciário garantir aposentadoria especial (art. 40, § 4º, II, da CF/88) às guardas
municipais. A aposentadoria especial não pode ser estendida aos guardas civis, uma vez que suas atividades precípuas não são
inequivocamente perigosas e, ainda, pelo fato de não integrarem o conjunto de órgãos de segurança pública relacionados no
art. 144, I a V, da CF/88. Como a expressão "atividades de risco" possui caráter aberto e tendo em vista a relativa liberdade de
conformação do legislador, somente há omissão inconstitucional nos casos em que a periculosidade é inequivocamente inerente
ao ofício. A eventual exposição a situações de risco a que podem estar sujeitos os guardas municipais e, de resto, diversas outras
categorias, não garante direito subjetivo constitucional à aposentadoria especial. A percepção de gratificações ou adicionais de
periculosidade, assim como o porte de arma de fogo, não são suficientes para reconhecer o direito à aposentadoria especial, em
razão da autonomia entre o vínculo funcional e o previdenciário. STF. Plenário. MI 6515/DF, MI 6770/DF, MI 6773/DF, MI
6780/DF, MI 6874/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 20/6/2018 (Info 907).

Não se pode cassar a aposentadoria do servidor que ingressou no serviço público por força de provimento judicial precário e se
aposentou durante o processo, antes da decisão ser reformada
Em regra, não produzem fato consumado a posse e o exercício em cargo público decorrentes de decisão judicial tomada à base
de cognição não-exauriente. Em outras palavras, não se aplica a teoria do fato consumado para candidatos que assumiram o
cargo público por força de decisão judicial provisória posteriormente revista. Trata-se do entendimento firmado no RE
608482/RN (Tema 476). A situação é diferente, contudo, se a pessoa, após permanecer vários anos no cargo, conseguiu a
concessão de aposentadoria. Neste caso, em razão do elevado grau de estabilidade da situação jurídica, o princípio da proteção
da confiança legítima incide com maior intensidade. Trata-se de uma excepcionalidade que autoriza a distinção (distinguish)
quanto ao leading case do RE 608482/RN (Tema 476). STF. 1ª Turma. RE 740029 AgR/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado
em 14/8/2018 (Info 911). Quando o exercício do cargo foi amparado por decisões judiciais precárias e o servidor se aposentou,
antes do julgamento final do mandado de segurança, por tempo de contribuição durante esse exercício e após legítima
contribuição ao sistema, a denegação posterior da segurança que inicialmente permitira ao servidor prosseguir no certame não
pode ocasionar a cassação da aposentadoria. STJ. 1ª Seção. MS 20558-DF, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 22/2/2017
(Info 600).

Em regra, não se aplica a teoria do fato consumado a candidato que assumiu o cargo por força de decisão precária
posteriormente revertida
Não é compatível com o regime constitucional de acesso aos cargos públicos a manutenção no cargo, sob fundamento de fato
consumado, de candidato não aprovado que nele tomou posse em decorrência de execução provisória de medida liminar ou
outro provimento judicial de natureza precária, supervenientemente revogado ou modificado. Igualmente incabível, em casos
tais, invocar o princípio da segurança jurídica ou o da proteção da confiança legítima. A posse ou o exercício em cargo público
por força de decisão judicial de caráter provisório não implica a manutenção, em definitivo, do candidato que não atende a
exigência de prévia aprovação em concurso público (art. 37, II, da CF/88), valor constitucional que prepondera sobre o interesse
individual do candidato, que não pode invocar, na hipótese, o princípio da proteção da confiança legítima, pois conhece a
precariedade da medida judicial. Em suma, não se aplica a teoria do fato consumado para candidatos que assumiram o cargo
público por força de decisão judicial provisória posteriormente revista. STF. Plenário. RE 608482/RN, Rel. Min. Teori Zavascki,
julgado em 7/8/2014 (repercussão geral) (Info 753). O STJ possui o mesmo entendimento: STJ. 1ª Turma. AgRg no AREsp
474423/RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 04/04/2017. Obs: a situação será diferente se o servidor se
aposentou antes do fim do processo: STJ. 1ª Seção. MS 20.558-DF, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 22/2/2017 (Info
600).

Não se aplica a teoria do fato consumado para remoção realizada fora das hipóteses legais
A “teoria do fato consumado" não pode ser aplicada para consolidar remoção de servidor público destinada a acompanhamento
de cônjuge, em hipótese que não se adequa à legalidade estrita, ainda que tal situação haja perdurado por vários anos em virtude
de decisão liminar não confirmada por ocasião do julgamento de mérito. Em outras palavras, se a pessoa consegue uma decisão
provisória garantindo a ela a remoção e, posteriormente, esta decisão é revogada, esta remoção terá que ser desfeita mesmo que
já tenha se passado muitos anos. Não se aplica a "Teoria do Fato Consumado" em relação a atos praticados sob contestação das
@dicasexconcurseira 86
pessoas envolvidas, que o reputam irregular e manifestam a existência da irregularidade nas vias adequadas, ainda que, pela
demora no transcurso do procedimento destinado à apuração da legalidade do ato, este gere efeitos no mundo concreto.
Verificada ou confirmada a ilegalidade, o ato deve ser desfeito, preservando-se apenas aquilo que, pela consolidação fática
irreversível, não puder ser restituído ao status quo ante. Se a Administração Pública, mesmo após a decisão liminar, continuou
questionando no processo a legalidade da remoção do servidor/autor, não se pode aplicar a teoria do fato consumado, devendo
o ato ser desfeito, salvo se tivesse havido uma consolidação fática irreversível (ou seja, se não fosse mais possível voltar ao "status
quo ante"). STJ. Corte Especial. EREsp 1157628-RJ, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 7/12/2016 (Info 598).

Aula 18 - Domínio Público; Normas aplicáveis aos servidores públicos federais 1

• Normas aplicáveis aos servidores públicos federais (Lei 8.112/1990)


Lei 8.112/1990, art. 2.º. Para os efeitos desta Lei, servidor é a pessoa legalmente investida em cargo público.

Lei 8.112/1990, art. 3.º. Cargo público é o conjunto de atribuições e responsabilidades previstas na estrutura organizacional
que devem ser cometidas a um servidor.
Parágrafo único. Os cargos públicos, acessíveis a todos os brasileiros, são criados por lei, com denominação própria e vencimento
pago pelos cofres públicos, para provimento em caráter efetivo ou em comissão.

Lei 8.112/1990, art. 4.º. É proibida a prestação de serviços gratuitos, salvo os casos previstos em lei. - ex: o serviço de jurado e
de mesário são gratuitos.

• Provimento: ato da autoridade competente por meio do qual é preenchido o cargo público vago.

O provimento originário é aquele advindo por quem não tinha relação nenhuma com o Poder Público. Provimento
derivado derivam de uma relação anterior, de você já ser servidor público. Se você é servidor e progride na carreira, dá-se um
provimento derivado. Analista classe 1 para analista classe 2 —> sai de um cargo e vai para outro cargo.

@dicasexconcurseira 87
Lei 8.112/1990, art. 8.º. São formas de provimento de cargo público:

Ascensão e transferência foram consideradas inconstitucionais pelo STF, pois significavam provimento em cargos de
carreiras distintas sem concurso público.

DE OLHO NA JURIS! STF decide modular os efeitos de decisão que mandou afastar Delegados de Polícia do cargo por ofensa à
regra do concurso público
Em 2001, foi editada uma lei estadual criando cargos e organizando a Polícia Civil do Estado do Amazonas. Nesta Lei foi previsto
que, na estrutura da Polícia Civil, haveria cargos de Delegado de Polícia e de Comissário de Polícia. Ainda em 2001, foi realizado
um concurso público, com provas específicas para cada um desses cargos, e os aprovados nomeados e empossados. Contudo,
em 2004, houve duas leis modificando o cargo de Comissário de Polícia. • a primeira delas afirmou que Comissário de Polícia
seria autoridade policial, juntamente com o Delegado de Polícia, equiparando a remuneração dos dois cargos. • a segunda lei,
transformando o cargo de "Comissário de Polícia" em "Delegado de Polícia". Essas duas leis foram impugnadas por meio de ADI.
Em 2015, o STF decidiu que elas são INCONSTITUCIONAIS porque representaram burla à exigência do concurso público. As
referidas leis fizeram uma espécie de ASCENSÃO FUNCIONAL dos Comissários de Polícia porque transformaram os ocupantes
desses cargos em Delegados de Polícia sem que eles tivessem feito concurso público para tanto. No caso concreto, os Ministros
entenderam que, quando o cargo de Comissário de Polícia foi criado, ele possuía diferenças substanciais em relação ao de
Delegado de Polícia, o que impediria a transformação, mesmo sob o argumento de ser medida de racionalização administrativa.
Foram opostos embargos de declaração contra a decisão. Em 2018, o STF acolheu os embargos e aceitou modular os efeitos da

@dicasexconcurseira 88
decisão proferida na ADI 3415. Além disso, o Tribunal determinou ao Estado do Amazonas que promova, no prazo máximo de 18
meses, a contar da publicação da ata de julgamento (07/08/2018), a abertura de concurso público para o cargo de Delegado de
Polícia. O Ministro Relator Alexandre de Moraes afirmou que mais de 70 delegacias de polícia ficariam sem delegados e que a
população amazonense é que sofreria as consequências. Além disso, na decisão dos embargos, os Ministros esclareceram que
são plenamente válidos os atos praticados nos cargos de Delegado de Polícia que serão afastados. STF. Plenário.ADI 3415 ED-
segundos/AM, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 1º/8/2018 (Info 909).

O que pode é fazer promoções dentro da carreira (ex: promoções dentro da carreira de técnico). O que pode é ir para
um novo cargo dentro da mesma carreira; e não ir para outro cargo de uma outra carreira.
Remoção: sai de uma cidade para outra. Geralmente, as pessoas chamam isso de “transferência”. CUIDADO! Não é
correto! E remoção, como já dito, foi considerada inconstitucional. Na remoção, você não muda de cargo; apenas muda de
cidade/lotação.

DE OLHO NA JURIS! Servidor que fazia faculdade particular e é removido, de ofício, para outra cidade tem direito a matrícula
em universidade pública, se não existir instituição privada congênere no destino
É constitucional a previsão legal que assegure, na hipótese de transferência ex officio de servidor, a matrícula em instituição
pública, se inexistir instituição congênere à de origem. Ex: Paulo é servidor público federal, lotado em Recife (PE), onde faz
faculdade de Medicina em uma universidade particular. Ele é transferido, de ofício, para Rio Branco (AC). Suponhamos,
hipoteticamente, que, em Rio Branco, as universidades privadas lá existentes não possuem o curso de medicina. Neste caso, Paulo
teria direito a uma vaga no curso de Medicina da universidade pública. Fundamento legal: art. 1º da Lei nº 9.536/97. STF. Plenário.
RE 601580/RS, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 19/9/2018 (repercussão geral) (Info 916).

Promoção = é vertical, sai de um patamar mais baixo de uma carreira para um patamar mais alto (receberá mais e terá
novas tarefas).
Readaptação = sai de um cargo para outro, mas não progride na carreira. É necessário porque o servidor, por exemplo,
sofreu uma limitação física.
Reingresso = pessoas que tinham saído da Administração Pública e volta. Na reversão, a pessoa tinha sido aposentado
e, depois, volta.
Aproveitamento = um servidor que, por exemplo, estava em disponibilidade vai ser colocado em um novo cargo.
Reintegração = o servidor foi demitido (é punição), mas depois a decisão administrativa foi cassada pela justiça. A
justiça manda o servidor voltar ao serviço.

DE OLHO NA JURIS! Servidor reintegrado deve ser ressarcido dos vencimentos e vantagens devidas durante o período de
afastamento
O servidor reintegrado deve ser ressarcido dos vencimentos a que faria jus desde o desligamento indevido, a fim de restabelecer
a situação injustamente desconstituída. STJ. 2ª Turma. AgInt no AREsp 1285218/CE, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado
em 11/09/2018.

Recondução = o servidor que estava em estágio probatório em um novo cargo, mas já era estável no serviço público, e
foi reprovado no estágio probatório. Neste caso, ele será reconduzido ao antigo cargo.

Aula 19 - Normas Aplicáveis aos Servidores Públicos Federais 2

• Nomeação

@dicasexconcurseira 89
Se a pessoa não tomou posse, ele ainda não servidor; o ato de provimento, assim, é tornado sem efeito.

• Promoção: passagem de um cargo para outro mais elevado na carreira, com a consequente mudança de classe.

Hely Lopes Meirelles: “Classe é o agrupamento de cargos da mesma profissão, e com idênticas atribuições, responsabilidades e
vencimentos. As classes constituem os degraus de acesso na carreira”.

Na progressão, sai de um padrão para o outro, mas é na mesma linha horizontal; na progressão, a evolução é vertical.
CESPE, Analista Judiciário do TST: “A passagem de Melissa, ocupante de cargo de analista judiciário do TST, do penúltimo para o
último padrão de determinada classe configuraria progressão funcional e não, promoção”.

@dicasexconcurseira 90
• Aproveitamento: forma de provimento derivado, por reingresso, pela qual o servidor estável, que havia sido posto em
disponibilidade em razão da extinção ou da declaração de desnecessidade do seu cargo, retorna à atividade.

Atribuições e vencimentos compatíveis com cargo Prazo legal para entrar em exercício no novo cargo
anterior

• Reintegração: quando o servidor estável tem sua demissão invalidada por decisão administrativa ou judicial.

Lei 8.112/1990, art. 28. (...)


§ 1.º Na hipótese de o cargo ter sido extinto, o servidor ficará em disponibilidade, observado o disposto nos arts. 30 e 31.
§ 2.º Encontrando-se provido o cargo, o seu eventual ocupante será reconduzido ao cargo de origem, sem direito à indenização
ou aproveitado em outro cargo, ou, ainda, posto em disponibilidade.

RECONDUÇÃO
Hipóteses Destino do servidor reconduzido

a) inabilitação em estágio probatório relativo a outro a) Se o cargo que o servidor ocupava anteriormente
cargo por parte do servidor a ser reconduzido; estiver vago, o servidor será reconduzido ao mesmo.

b) desistência do novo cargo, dentro do período do novo b) Se o cargo que o servidor ocupava anteriormente não
estágio probatório, por parte do servidor a ser estiver vago abrem-se duas hipóteses:
reconduzido (entendimento do STF); b.1. Será aproveitado em outro cargo de atribuições e
vencimentos compatíveis; ou
b.2. Se não houver outro cargo de atribuições e
vencimentos compatíveis vago, o servidor será posto em
disponibilidade até o seu posterior aproveitamento.

c) reintegração do anterior ocupante.

Aula 20 - Normas Aplicáveis aos Servidores Públicos Federais 2

• Vacância
Lei 8.112/1990, art. 33. A vacância do cargo público decorrerá de:
I — exoneração; - não é punição.
II — demissão; - é punição.
III — promoção;
IV e V — (Revogados pela Lei 9.527/1997);
VI — readaptação;
VII — aposentadoria;
VIII — posse em outro cargo inacumulável;
IX — falecimento.

@dicasexconcurseira 91
• Remoção: deslocamento do servidor, a pedido ou de ofício, no âmbito do mesmo quadro, com ou sem mudança de sede.
É diferente de “transferência”.

• Remoção a pedido, para outra localidade, independentemente do interesse da Administração (Lei 8.112/1990, art. 36,
parágrafo único, III):
a) para acompanhar cônjuge ou companheiro, também servidor público civil ou militar, de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, que foi deslocado no interesse da Administração;
b) por motivo de saúde do servidor, cônjuge, companheiro ou dependente que viva às suas expensas e conste do seu
assentamento funcional, condicionada à comprovação por junta médica oficial;
c) em virtude de processo seletivo promovido (“concurso de remoção”), na hipótese em que o número de interessados for
superior ao número de vagas, de acordo com normas preestabelecidas pelo órgão ou entidade em que aqueles estejam lotados.

STJ, REsp 616.831: ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. REMOÇÃO PARA ACOMPANHAR O CÔNJUGE. NÃO-
ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. AUSÊNCIA DE INTERESSE DA ADMINISTRAÇÃO. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E
IMPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça vem decidindo no sentido de que a remoção prevista no art. 36, parágrafo único,
III, a, da Lei 8.112/90, exige que o cônjuge de servidor público tenha sido deslocado no interesse da Administração. 2. Hipótese
em que não há falar em deslocamento do servidor público no interesse da Administração, uma vez que se trata de primeiro
provimento de cargo e o servidor tinha conhecimento de que seu exercício seria, necessariamente, no Estado do Rio de Janeiro,
tendo em vista a natureza estadual do órgão para o qual foi nomeado. Inexiste, portanto, direito líquido e certo da recorrente à
remoção. 3. Recurso especial conhecido e improvido (5.ª Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, DJ 14.05.2007).

@dicasexconcurseira 92
CESPE, Agente Administrativo do MTE: “Maria, servidora pública federal, é esposa de Pedro, que foi recentemente aprovado em
concurso público na esfera federal em localidade distinta do domicílio do casal. Nesse caso, Maria tem direito a ser removida
para acompanhar o seu cônjuge”.

DE OLHO NA JURIS! Inexistência de direito à remoção para acompanhamento de cônjuge que foi removido a pedido (art. 36 da
Lei 8.112/90)
Pedro e Soraia, casados entre si, são servidores públicos federais lotados em Recife. É aberta uma vaga em Salvador para o cargo
de Pedro. Este concorre no concurso de remoção e consegue ser removido para a capital baiana. Soraia terá direito de ser
removida junto com Pedro, com fulcro no art. 36, parágrafo único, III, “a”? O servidor que é transferido de localidade a pedido,
após concorrer em concurso de remoção, gera para seu cônjuge o direito subjetivo de também ser transferido para acompanhá-
lo, independentemente do interesse da Administração? NÃO. O servidor público federal somente tem direito à remoção prevista
no art. 36, parágrafo único, III, "a", da Lei nº 8.112/90, na hipótese em que o cônjuge/companheiro, também servidor, tenha
sido deslocado de ofício, para atender ao interesse da Administração (nos moldes do inciso I do mesmo dispositivo legal). STJ. 1ª
Seção.EREsp 1247360-RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 22/11/2017 (Info 617).

Inexistência de direito à remoção para acompanhamento de cônjuge que passou em concurso público (art. 36 da Lei 8.112/90)
João e Maria são casados. Maria é servidora pública federal, lotada em Recife. João é aprovado em concurso público federal e é
nomeado para trabalhar em Fortaleza, tendo que se mudar para lá. Maria terá direito de ser removida junto com João, com
fulcro no art. 36, parágrafo único, III, “a”, da Lei nº 8.112/90? NÃO. De acordo com o art. 36, parágrafo único, III, "a", da Lei nº
8.112/90, a remoção para acompanhamento de cônjuge exige prévio deslocamento de qualquer deles no interesse da
Administração, inadmitindo-se qualquer outra forma de alteração de domicílio. Se a pessoa teve que alterar seu domicílio em
virtude de aprovação em concurso público, ela fez isso em interesse próprio, estando assim ciente de que iria assumir o cargo
em local diverso da residência do cônjuge. Logo, não há direito de seu cônjuge ser removido para acompanhá-la. STJ. 1ª Turma.
AgRg no REsp 1339071/PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 14/06/2016.

• Direito líquido e certo de acompanhar o cônjuge independente de vagas:


STF, Pleno, MS 23.058: “(...) 3. A alínea ‘a’ do inciso III do parágrafo único do art. 36 da Lei 8.112/90 não exige que o cônjuge do
servidor seja também regido pelo Estatuto dos servidores públicos federais. (...) 4. O entendimento ora perfilhado descansa no
regaço do art. 226 da Constituição Federal, que, sobre fazer da família a base de toda a sociedade, a ela garante ‘especial
proteção do Estado’. Outra especial proteção à família não se poderia esperar senão aquela que garantisse à impetrante o
direito de acompanhar seu cônjuge, e, assim, manter a integridade dos laços familiares que os prendem” (Rel. Min. Carlos Britto,
j. 18.09.2008, DJe 14.11.2008).

CESPE, Delegado da Polícia Civil/RN: “Uma empregada da CAIXA foi transferida, de ofício, de Brasília para a cidade de
Fortaleza/CE. O seu esposo, servidor da Receita Federal do Brasil, requereu ao seu órgão sua remoção para a capital cearense,
justificando seu pedido com base na transferência da esposa. No entanto, o requerimento foi indeferido. Com base nessa
situação hipotética, à luz da jurisprudência do STF, não assiste razão ao servidor público, uma vez que a remoção para
acompanhar cônjuge é devida apenas na hipótese de os dois agentes serem servidores regidos pela Lei 8.112/1990”.

• Redistribuição

Lei 8.112/1990, art. 37. Redistribuição é o deslocamento de cargo de provimento efetivo, ocupado ou vago no âmbito do quadro
geral de pessoal, para outro órgão ou entidade do mesmo Poder, com prévia apreciação do órgão central do SIPEC, observados
os seguintes preceitos:
I — interesse da administração;
II — equivalência de vencimentos;
III — manutenção da essência das atribuições do cargo;
IV - vinculação entre os graus de responsabilidade e complexidade das atividades;
V - mesmo nível de escolaridade, especialidade ou habilitação profissional;
VI - compatibilidade entre as atribuições do cargo e as finalidades institucionais do órgão ou entidade.

Aula 21 - Normas Aplicáveis aos Servidores Federais 4

• Direitos e vantagens (Lei 8.112/1990)


— Proteção à remuneração, como verba alimentar:
a) Nenhum desconto incidirá sobre a remuneração ou provento, salvo se o desconto decorrer de imposição legal (ex.:
contribuição para a seguridade social) ou de mandado judicial (art. 45, caput);
@dicasexconcurseira 93
b) Admitem-se, mediante autorização do servidor e a critério da administração, descontos consignados em folha de
pagamento em favor de terceiros (art. 45, parágrafo único); - exs: consignação de contribuição ao sindicato, de plano de saúde,
etc.
c) As reposições e indenizações ao erário serão previamente comunicadas ao servidor ativo, aposentado ou ao pensionista, para
pagamento, no prazo máximo de 30 dias, podendo ser parceladas, a pedido do interessado (art. 46).

Súmula 249 do TCU: “É dispensada a reposição de importâncias indevidamente percebidas, de boa-fé, por servidores ativos e
inativos, e pensionistas, em virtude de erro escusável de interpretação de lei por parte do órgão/entidade, ou por parte de
autoridade legalmente investida em função de orientação e supervisão, à vista da presunção de legalidade do ato administrativo
e do caráter alimentar das parcelas salariais”;

d) O vencimento, a remuneração e o provento não serão objeto de arresto, sequestro ou penhora, exceto nos casos de
prestação de alimentos resultante de decisão judicial (art. 48).

• Vantagens pagas ao servidor público federal:


a) indenizações; - jamais se incorporam à remuneração do servidor
b) gratificações; - podem vir a se incorporar à remuneração do servidor.
c) adicionais. - podem vir a se incorporar à remuneração do servidor.

• Indenizações pagas ao servidor federal:


a) ajuda de custo; - quando o servidor muda de sede, no interesse da Administração. Pode chegar até 3x a remuneração do
servidor.
b) diárias;
c) indenização de transporte; - servidor que utiliza veículo próprio para o seu deslocamento.
d) auxílio-moradia. - se não houver residência funcional disponível.

DE OLHO NA JURIS! Recebimento de auxílio-moradia com má-fé e inexistência de decadência


Servidor que recebeu auxílio-moradia apresentando declaração falsa de que havia se mudado para outra cidade terá que
ressarcir o erário e devolver os valores recebidos mesmo que já se tenha passado mais de 5 anos desde a data em que o
pagamento foi autorizado. STF. 1ª Turma. MS 32569/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, rel. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado
em 13/09/2016 (Info 839).

• Retribuições, gratificações e adicionais do servidor federal:


Lei 8.112/1990, art. 61. Além do vencimento e das vantagens previstas nesta Lei, serão deferidos aos servidores as seguintes
retribuições, gratificações e adicionais:
I – retribuição pelo exercício de função de direção, chefia e assessoramento;
II – gratificação natalina; - 13º salário.
III – (revogado pela Medida Provisória 2.225-45/2001);
IV – adicional pelo exercício de atividades insalubres, perigosas ou penosas; - não são cumuláveis entre si (porque o lugar pode
ser, ao mesmo tempo, insalubre, perigosa e penosa).
V – adicional pela prestação de serviço extraordinário; - é a hora extra.
VI – adicional noturno;
VII – adicional de férias;
VIII – outros, relativos ao local ou à natureza do trabalho;
IX – gratificação por encargo de curso ou concurso. - servidor que participa de banca examinadora, de curso de formação.

CESPE, Técnico Judiciário, Área administrativa, TJDFT: “Um servidor que tenha tomado posse no dia 10 de novembro de 2006
pode ter gozado o primeiro período de férias no período de 1.º a 30 de dezembro de 2007 e um novo período de férias em
janeiro de 2008”.

– Parcelamento do período de gozo de férias: pode ser parcelado em até 3 etapas, desde que o servidor assim requeira e tal
pedido atender ao interesse público.
– Remuneração: acréscimo de adicional correspondente a 1/3 (um terço). O pagamento da remuneração de férias, será efetuado
até 2 dias antes do início do respectivo período do gozo (Lei 8.112/1990, art. 78). — sob esse adicional não incide IR, pois esse
adicional tem caráter indenizatório.

@dicasexconcurseira 94
STJ, AgRg no Ag 1.008.567/DF: Ocorrendo vacância, por posse em outro cargo inacumulável, SEM solução de continuidade no
tempo de serviço, o direito à fruição das férias não gozadas e nem indenizadas transfere-se para o novo cargo, ainda que este
último tenha remuneração maior (Quinta Turma, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, j. 18.09.2008, DJE 20.10.2008).

• Férias — Regra Geral: devem ser gozadas sem interrupção.


– Hipóteses de interrupção (Lei 8.112/1990, art. 80):
a) calamidade pública;
b) comoção interna;
c) convocação para júri, serviço militar ou eleitoral; ou,
d) por necessidade do serviço declarada pela autoridade máxima do órgão ou entidade.

ESAF, Advogado do IRB: “As férias do servidor público podem ser interrompidas nos casos previstos em lei. Não se inclui neste
rol de previsão legal a hipótese de necessidade do serviço declarada pela chefia imediata do servidor”. — é pela AUTORIDADE
MÁXIMA do órgão/entidade.

• Licenças (Lei 8.112/1990):


1. Licença por motivo de doença em pessoa da família (art. 81, I); - com remuneração.
2. Licença por motivo de afastamento do cônjuge ou companheiro (art. 81, II); - sem remuneração.
3. Licença para o serviço militar (art. 81, III);
4. Licença para atividade política (art. 81, IV); - para o candidato.
5. Licença para capacitação (art. 81, V);
6. Licença para tratar de interesses particulares (art. 81, VI); - até 3 anos, sem remuneração.
7. Licença para desempenho de mandato classista (art. 81, VII);
8. Licença para tratamento de saúde (art. 202);
9. Licença por acidente em serviço (art. 211);
10. Licença à gestante (art. 207); - esfera federal = 120 dias; estado PE = 6 meses.
11. Licença à adotante (art. 210);
12. Licença-paternidade (art. 208).
Licença concedida dentro de 60 dias do término de outra, será considerada prorrogação da primeira.

• Afastamentos e concessões
Celso Antônio Bandeira de Mello: “Entre licenças e afastamentos não há diferença, senão a de nomes”.

• Hipóteses de AFASTAMENTO como direito do servidor (Lei 8.112/1990):


a) afastamento para, mediante cessão, servir a outro órgão ou entidade dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal
ou dos Municípios (art. 93);
b) afastamento para exercício de mandato eletivo (art. 94);
c) afastamento para estudo ou missão oficial no exterior (art. 95); - até 4 anos. Depois que ele volta, ele é obrigado a ficar no
serviço público, pelo mesmo tempo em que ficou afastado, sob pena de ter que ressarcir/indenizar o poder público.
d) afastamento para participação em programa de pós-graduação stricto sensu no país (art. 96-A);
e) afastamento para participar de programa de treinamento regularmente instituído (art. 102, IV);
f) afastamento para júri e outros serviços obrigatórios por lei (art. 102, VI);
g) afastamento por deslocamento para nova sede, remoção, redistribuição, requisição ou cessão, por um período de 30 dias
(art. 18, c/c 102, IX);
h) afastamento para participar de competição desportiva nacional ou para integrar representação desportiva nacional, segundo
estabelecido em legislação específica (art. 102, X);
i) afastamento para servir em organismo internacional do qual o Brasil participe ou com o qual coopere (art. 102, XI).

• Concessões – Três espécies:


1.ª Permite ao servidor se ausentar do serviço, sem qualquer prejuízo a sua remuneração, nas seguintes condições (art. 97):
a) por 1 dia, para doação de sangue;
b) por 2 dias, para se alistar como eleitor;
c) por 8 (oito) dias consecutivos em razão de :
c.1) casamento (licença gala);
c.2) falecimento do cônjuge, companheiro, pais, madrasta ou padrasto, filhos, enteados, menor sob guarda ou tutela e irmãos.

2.ª Concessão de horário especial de trabalho nas seguintes situações (art. 98):

@dicasexconcurseira 95
a) ao servidor estudante, quando comprovada a incompatibilidade entre o horário escolar e o da repartição, sendo exigida a
compensação de horário;
b) ao servidor portador de deficiência, quando comprovada a necessidade por junta médica oficial, independentemente de
compensação de horário;
c) ao servidor que tenha cônjuge, filho ou dependente portador de deficiência física, quando comprovada a necessidade por
junta médica oficial, exigindo-se, porém, neste caso, a compensação de horário;
d) ao servidor que atue como instrutor em curso instituído no âmbito da administração pública federal ou que participe de
banca examinadora de concursos, vinculado à compensação de horário a ser efetivada no prazo de até 1 ano.

3.ª Matrícula em instituição de ensino assegurada ao servidor que mudar de sede no interesse da administração, bem como
seu companheiro, cônjuge, filhos, enteados e menores sob sua guarda, INDEPENDENTE de vaga.

Aula 22 - Normas Aplicáveis aos Servidores Públicos Federais 5

• Direito de petição
Lei 8.112/1990, art. 104. É assegurado ao servidor o direito de requerer aos Poderes Públicos, em defesa de direito ou interesse
legítimo.

• Formas de manifestação do direito de petição:


a) requerimento;
b) pedido de reconsideração; —> possibilidade de juízo de retratação.
c) recurso.
• Cabe recurso nas seguintes hipóteses (Lei 8.112/1990, art. 107):
a) do indeferimento do pedido de reconsideração;
b) das decisões sobre os recursos sucessivamente interpostos.

* Efeito suspensivo a juízo da autoridade competente (art. 109).


* Prazo: 30 dias, a contar da publicação ou da ciência, pelo interessado, da decisão recorrida (art. 108).

• Direito de requerer prescreve (Lei 8.112/1990, art. 110):


a) em 5 anos, quanto aos atos de demissão e de cassação de aposentadoria ou disponibilidade, ou que afetem interesse
patrimonial e créditos resultantes das relações de trabalho;
b) em 120 dias, nos demais casos, salvo quando outro prazo for fixado em lei.

• Outras regras relativas à prescrição (Lei 8.112/1990):


a) a prescrição é de ordem pública, não podendo ser relevada pela administração (art. 112);
b) o pedido de reconsideração e o recurso, quando cabíveis, interrompem a prescrição (art. 111);
c) o prazo de prescrição será contado da data da publicação do ato impugnado ou da data da ciência pelo interessado, quando o
ato não for publicado (art. 110, parágrafo único).
• Regime Disciplinar – Deveres:
Lei 8.112/199, art. 116. São deveres do servidor:
I – exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo;
II – ser leal às instituições a que servir;
III – observar as normas legais e regulamentares;
IV – cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais;
(…)

@dicasexconcurseira 96
PROIBIÇÕES AO SERVIDOR

ADVERTÊNCIA a) ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe imediato;
b) retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer documento ou objeto da
repartição;
c) recusar fé a documentos públicos;
d) opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou execução de serviço;
e) promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição;
f) cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, o desempenho de
atribuição que seja de sua responsabilidade ou de seu subordinado;
g) coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação profissional ou sindical,
ou a partido político;
h) manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou
parente até o 2º grau civil; - SV nº13 = até o 3º grau.
i) recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado.

SUSPENSÃO a) cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em situações de
emergência e transitórias;
b) exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício do cargo ou função e
com o horário de trabalho;

DEMISSÃO a) valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da
função pública;
b) participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não
personificada, exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou
comanditário;
c) atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando se tratar
de benefícios PREVIDENCIÁRIOS ou ASSISTENCIAIS de parentes até o 2º grau, e de cônjuge
ou companheiro;
d) receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em razão de suas
atribuições;
e) aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro;
f) praticar usura sob qualquer de suas formas;
g) proceder de forma desidiosa;
h) utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades particulares;

Aula 23 - Normas Aplicáveis aos Servidores Públicos Federais 6

* Podem ser aplicadas de forma cumulativa.


• Absolvição criminal e a responsabilidade administrativa:
Lei 8.112/1990, art. 126. A responsabilidade administrativa do servidor será AFASTADA no caso de absolvição criminal que
NEGUE A EXISTÊNCIA DO FATO ou SUA AUTORIA.

@dicasexconcurseira 97
• Penalidades aplicáveis aos servidores públicos federais (Lei 8.112/1990, art. 127):
a) advertência;
b) suspensão;
c) demissão;
d) cassação de aposentadoria ou disponibilidade;
e) destituição de cargo em comissão; - equivalente à demissão de cargo efetivo.
f) destituição de função comissionada.

• Hipóteses de aplicação da penalidade de DEMISSÃO:


a) violação das proibições funcionais especificadas na Lei 8.112/1990;
b) crime contra a administração pública;
c) abandono de cargo; - o servidor falta o serviço propositalmente por prazo superior a 30 dias.
d) inassiduidade habitual; - por 60 dias intercalados, dentro do período de 12 meses.
e) improbidade administrativa;
f) incontinência pública e conduta escandalosa, na repartição;
g) insubordinação grave em serviço;
h) ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, salvo em legítima defesa própria ou de outrem;
i) aplicação irregular de dinheiros públicos;
j) revelação de segredo do qual se apropriou em razão do cargo;
k) lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional;
l) corrupção;
m) acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas. - salvo se o servidor estiver de boa-fé, caso em que o servidor
poderá continuar no servido público, devendo abrir mão de um dos cargos.

• Prescrição da ação disciplinar (Lei 8.112/1990, art. 142):


a) em 5 anos, quanto às infrações puníveis com demissão, cassação de aposentadoria ou disponibilidade e destituição de cargo
em comissão;
b) em 2 anos, quanto às infrações puníveis com suspensão;
c) em 180 dias, quanto às infrações puníveis com advertência.

Termo inicial e causa de interrupção do prazo prescricional das infrações administrativas (Súmula 635 do STJ)
Súmula 635-STJ: Os prazos prescricionais previstos no artigo 142 da Lei 8.112/90 iniciam-se na data em que a autoridade
competente para a abertura do procedimento administrativo tomar conhecimento do fato, interrompendo-se com o primeiro
ato de instauração válido, sindicância de caráter punitivo ou processo disciplinar, e volta a fluir por inteiro após decorridos 140
dias desde a interrupção. • Importante. • Aprovada em 12/06/2019.

Se a infração disciplinar praticada for, em tese, também crime, o prazo prescricional do processo administrativo será aquele
que for previsto no art. 109 do CP, esteja ou não esse fato sendo apurado na esfera penal
O prazo prescricional previsto na lei penal se aplica às infrações disciplinares também capituladas como crime
independentemente da apuração criminal da conduta do servidor. Para se aplicar a regra do § 2º do art. 142 da Lei nº 8.112/90
não se exige que o fato esteja sendo apurado na esfera penal (não se exige que tenha havido oferecimento de denúncia ou
instauração de inquérito policial). Se a infração disciplinar praticada for, em tese, também crime, deve ser aplicado o prazo
prescricional previsto na legislação penal independentemente de qualquer outra exigência. STJ. 1ª Seção. MS 20857-DF, Rel.
Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. Acd. Min. Og Fernandes, julgado em 22/05/2019 (Info 651).

• Algumas regras sobre os prazos prescricionais:


a) o prazo de prescrição começa a correr da data em que o fato se tornou conhecido (Lei 8.112/1990, art. 142, § 1.º);
b) os prazos de prescrição previstos na lei penal aplicam-se às infrações disciplinares capituladas também como crime (Lei
8.112/1990, art. 142, § 2.º); - IMPORTANTE!!
c) a abertura de sindicância ou a instauração de processo disciplinar INTERROMPE a prescrição, até a decisão final proferida
por autoridade competente (Lei 8.112/1990, art. 142, § 3.º). - STF = essa decisão final deve se proferida dentro do prazo de 60 +
60 + 20 (=140 dias é o prazo máximo que a prescrição pode ficar suspensa).
d) uma vez interrompido o curso da prescrição, o prazo começará a correr a partir do dia em que cessar a interrupção (Lei
8.112/1990, art. 142, § 4.º).

STF, MS 23.299/SP: Entende que o prazo da prescrição interrompido pela instauração de processo disciplinar tem a sua
contagem REINICIADA após o prazo legal de 140 dias (60 dias prorrogáveis por mais 60 para a conclusão do processo
disciplinar, previsto no art. 152, e mais 20 dias para a autoridade julgadora proferir a sua decisão, previsto no art. 167), caso a
autoridade competente não profira a decisão dentro desse prazo.
@dicasexconcurseira 98
CESPE, Analista de Controle Externo/TCU: “Em 31.12.2001, entrou em vigência contrato de prestação de serviços contínuos de
vigilância entre a empresa Vigilantes e Atentos Ltda. e a União, com prazo de duração de um ano. Em 15.12.2002, Helena,
servidora pública federal, foi flagrada ao receber propina de João, sócio-gerente da citada empresa, para renovar o contrato de
prestação de serviços por mais um ano, o que acabou ocorrendo. Nesse mesmo dia, tais fatos repercutiram nacionalmente na
imprensa. Em 2.5.2003, foi aberto processo administrativo disciplinar visando apurar os fatos, somente tendo sido publicada em
15.5.2008 a portaria da demissão de Helena. Em 2.5.2003, com a instauração do processo administrativo disciplinar, por meio da
publicação da respectiva portaria, o prazo prescricional foi interrompido e somente voltou a correr 140 dias após essa data, não
estando, portanto, prescrita a pretensão punitiva da administração pública.”

Aula 24 - Normas Aplicáveis aos Servidores Públicos Federais 7

• Sindicância e processo administrativo disciplinar

Lei 8.112/1990, art. 144. As denúncias sobre irregularidades serão objeto de apuração, desde que contenham a identificação e o
endereço do denunciante e sejam formuladas por escrito, confirmada a autenticidade.
Parágrafo único. Quando o fato narrado não configurar evidente infração disciplinar ou ilícito penal, a denúncia será arquivada,
por falta de objeto.

• Sindicância:
a) Prazo: Não excederá 30 dias, podendo ser prorrogado por igual período, a critério da autoridade superior.
b) Procedimento investigativo: destina-se a constatar a existência ou não de determinada irregularidade no serviço público e a
sua autoria.
c) NÃO se constitui em etapa preparatória do processo disciplinar. - o PAD pode ser instaurado diretamente, sem prévia
sindicância. Mas, desta, pode decorrer a necessidade de punição mais grave e aí será instaurado um PAD (os autos da
sindicância serão anexados ao PAD).

@dicasexconcurseira 99
• Processo administrativo disciplinar (PAD): instrumento destinado a apurar a responsabilidade do servidor por infração
praticada no exercício de suas atribuições, OU que tenha relação com as atribuições do cargo em que está investido (Lei
8.112/1990, art. 148).

• Procedimentos para o PAD:


a) rito ordinário; e,
b) rito sumário.

• Rito ordinário (Lei 8.112/1990, art. 151):


a) Primeira fase: INSTAURAÇÃO, que se dá com a publicação do ato que constituir a COMISSÃO;
b) Segunda fase: INQUÉRITO ADMINISTRATIVO, que compreende instrução, defesa e relatório;
c) Terceira fase: JULGAMENTO.

@dicasexconcurseira 100
@dicasexconcurseira 101
• Coleta de provas (Lei 8.112/1990, art. 155):
a) tomada de depoimentos;
b) acareações;
c) investigações;
d) diligências cabíveis;
e) consulta a técnicos e peritos.

• Regras para inquirição de testemunhas (Lei 8.112/1990, art. 158, §§ 1.º. e 2.º.):
a) os depoimentos serão prestados oralmente e reduzidos a termo, não sendo permitido que as testemunhas tragam os seus
depoimentos previamente escritos;
b) as testemunhas serão inquiridas separadamente;
c) na hipótese de depoimentos contraditórios ou que se infirmem, será feita a acareação dos depoentes (serão ouvidos frente a
frente).

Súmula Vinculante 5 do STF: “A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo não ofende a Constituição.”

Aula 25 - Normas Aplicáveis aos Servidores Públicos Federais 8

• Competência para aplicação de penalidades (art. 141, Lei 8.112/1990):


a) pelo Presidente da República, pelos Presidentes das Casas do Poder Legislativo e dos Tribunais Federais e pelo Procurador-
Geral da República, quando se tratar de DEMISSÃO e CASSAÇÃO de aposentadoria ou disponibilidade de servidor vinculado ao
respectivo Poder, órgão, ou entidade;
b) pelas autoridades administrativas de HIERARQUIA IMEDIATAMENTE INFERIOR àquelas mencionadas no inciso anterior
(Ministros de Estado) quando se tratar de SUSPENSÃO superior a 30 (trinta) dias;
c) pelo chefe da repartição e outras autoridades na forma dos respectivos regimentos ou regulamentos, nos casos de
ADVERTÊNCIA ou de SUSPENSÃO de até 30 (trinta) dias;
d) pela autoridade que houver feito a nomeação, quando se tratar de DESTITUIÇÃO DE CARGO EM COMISSÃO.

CESPE, Advogado da União: “Segundo o STF, a falta de defesa técnica por advogado, no âmbito de processo administrativo
disciplinar, não ofende a CF. Da mesma forma, não há ilegalidade na ampliação da acusação a servidor público, se, durante o
processo administrativo, forem apurados fatos novos que constituam infração disciplinar, desde que rigorosamente
observados os princípios do contraditório e da ampla defesa. O referido tribunal entende, também, que a autoridade julgadora
não está vinculada às conclusões da comissão de processo administrativo disciplinar”.

@dicasexconcurseira 102
• Revisão do Processo Administrativo Disciplinar (Lei 8.112/1990, arts. 174 a 182: o PAD só poderá ser revisto quando forem
apresentados fatos novos ou circunstâncias suscetíveis de justificar a inocência do punido ou a inadequação da penalidade
aplicada (art. 174).

• Atenção - REVISÃO:
a) o ônus da prova na revisão do PAD cabe ao requerente (Lei 8.112/1990, art. 175);
b) a revisão do PAD NÃO poderá resultar na aplicação de penalidade mais grave ao servidor (Lei 8.112/1990, art. 182,
parágrafo único). - proibição da reformatio in perus na revisão.
c) o deferimento do requerimento de revisão do PAD é de competência do Ministro de Estado ou de autoridade equivalente,
que, se autorizar a revisão, encaminhará o pedido ao dirigente do órgão ou entidade onde se originou o processo disciplinar (Lei
8.112/1990, art. 177).
d) será constituída uma comissão de revisão, nos mesmos moldes da comissão de atuou no PAD. A comissão revisora terá o
prazo de 60 dias, improrrogáveis, para concluir os trabalhos, (Lei 8.112/1990, art. 179).
e) Concluídos os trabalhos, os autos serão encaminhados para a autoridade julgadora.

JURISPRUDÊNCIAS SOBRE O PAD


Possibilidade de instauração de PAD com base em denúncia anônima
Súmula 611-STJ: Desde que devidamente motivada e com amparo em investigação ou sindicância, é permitida a instauração de
processo administrativo disciplinar com base em denúncia anônima, em face do poder-dever de autotutela imposto à
Administração. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 09/05/2018, DJe 14/05/2018 (Info 624).

@dicasexconcurseira 103
No PAD, a alteração da capitulação legal imputada ao acusado não enseja nulidade, uma vez que o indiciado se defende dos
fatos nele descritos e não dos enquadramentos legais
O indiciado se defende dos fatos que lhe são imputados e não de sua classificação legal. Assim, a posterior alteração da
capitulação legal da conduta, não tem o condão de gerar nulidade o Processo Administrativo Disciplinar. A descrição dos fatos
ocorridos, desde que feita de modo a viabilizar a defesa do acusado, afasta a alegação de ofensa ao princípio da ampla defesa.
STJ. 1ª Seção. MS 19.726/DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 13/12/2017.

Irregularidades que ensejam a anulação do PAD


As irregularidades verificadas no processo disciplinar, para justificarem a sua anulação, devem ser graves a ponto de afetar as
garantias do devido processo legal, dependendo, portanto, da efetiva demonstração de prejuízos à defesa do servidor, segundo
o princípio da instrumentalidade das formas (pas de nullité sans grief). STJ. 3ª Seção. RO nos EDcl nos EDcl no MS 11.493/DF,
Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 25/10/2017.

A decretação de nulidade no processo administrativo depende da demonstração do efetivo prejuízo para as partes, à luz do
princípio pas de nullité sans grief
A nulidade do processo administrativo disciplinar somente deve ser declarada quando houver efetiva demonstração de prejuízo
sofrido pela defesa do servidor. STJ. 2ª Turma. AgInt no RMS 53.758/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em
10/10/2017.

Validade da prova emprestada no PAD


Súmula 591-STJ: É permitida a “prova emprestada” no processo administrativo disciplinar, desde que devidamente autorizada
pelo juízo competente e respeitados o contraditório e a ampla defesa. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 13/09/2017, DJe 18/09/2017.
Este “empréstimo” da prova é permitido mesmo que o processo penal ainda não tenha transitado em julgado? SIM. É possível a
utilização, em processo administrativo disciplinar, de prova emprestada validamente produzida em processo criminal,
independentemente do trânsito em julgado da sentença penal condenatória. Isso porque, em regra, o resultado da sentença
proferida no processo criminal não repercute na instância administrativa, tendo em vista a independência existente entre as
instâncias. STJ. 2ª Turma. RMS 33628-PE, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 2/4/2013 (Info 521).

Excesso de prazo para conclusão do PAD


Súmula 592-STJ: O excesso de prazo para a conclusão do processo administrativo disciplinar só causa nulidade se houver
demonstração de prejuízo à defesa. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 13/09/2017, DJe 18/09/2017.

Competência para instaurar e julgar PAD relacionado com servidor cedido


A instauração de processo disciplinar contra servidor efetivo cedido deve ocorrer, preferencialmente, no órgão em que tenha
sido praticada a suposta irregularidade. Por outro lado, o julgamento e a eventual aplicação de sanção só podem ocorrer no
órgão ao qual o servidor efetivo estiver vinculado. Ex: João é servidor efetivo (técnico judiciário) do TJDFT e foi cedido para um
cargo em comissão no STJ. Quando ainda estava prestando serviços no STJ, João praticou uma infração disciplinar. A Instauração
do PAD deverá ser feita preferencialmente pelo STJ. Por outro lado, o julgamento do servidor e aplicação da sanção deverão ser
realizados obrigatoriamente pelo TJDFT. STJ. Corte Especial. MS 21991-DF, Rel. Min. Humberto Martins, Rel. para acórdão Min.
João Otávio de Noronha, julgado em 16/11/2016 (Info 598).

O art. 170 da Lei 8.112/1990 é inconstitucional


O art. 170 da Lei nº 8.112/90 prevê que, mesmo estando prescrita a infração disciplinar, é possível que a prática dessa conduta
fique registrada nos assentos funcionais do servidor. O STF e STJ entendem que esse art. 170 é INCONSTITUCIONAL por violar os
princípios da presunção de inocência e da razoabilidade. STF. Plenário. MS 23262/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
23/4/2014 (Info 743). STJ. 1ª Seção. MS 21598-DF, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10/6/2015 (Info 564).

Impossibilidade de aprovação do relatório final por servidor que participou das investigações
O servidor que realizou a sindicância pode também determinar a instauração de processo disciplinar, designando a comissão
processante, e, ao final dos trabalhos, aprovar o relatório final? NÃO. O STJ decidiu que o servidor que participou das
investigações na sindicância e concluiu que o sindicado havia cometido a infração disciplinar, tanto que determinou a
instauração do PAD, não pode, posteriormente, ser a autoridade designada para aprovar o relatório final produzido pela
comissão no processo administrativo, uma vez que ele já formou seu convencimento no sentido da culpabilidade do acusado.
STJ. 3ª Seção. MS 15107-DF, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 26/9/2012 (Info 505). STJ. 3ª Seção. MS 7758/DF, Rel. Min.
Ericson Maranho (Des. Conv. do TJ/SP), julgado em 22/04/2015.

Possibilidade de execução imediata de penalidade imposta em PAD


Determinado servidor público federal recebeu pena de demissão em processo administrativo disciplinar contra si instaurado. O
servidor interpôs recurso administrativo contra a decisão proferida. Ocorre que, antes mesmo de ser julgado o recurso, a
@dicasexconcurseira 104
Administração Pública já cessou o pagamento da remuneração do servidor e o afastou das funções. É possível que a sanção
aplicada seja desde logo executada mesmo que ainda esteja pendente recurso interposto no âmbito administrativo? SIM. É
possível o cumprimento imediato da penalidade imposta ao servidor logo após o julgamento do PAD e antes do julgamento do
recurso administrativo cabível. Não há qualquer ilegalidade na imediata execução de penalidade administrativa imposta em PAD
a servidor público, ainda que a decisão não tenha transitado em julgado administrativamente. STJ. 1ª Seção. MS 19488-DF, Rel.
Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 25/3/2015 (Info 559).

Bloco III - Caps. VII e VIII

Capítulo VII

Aula 01 - Introdução; Atos da Administração e Atos Administrativos

INSTITUTOS ASSEMELHADOS
– Fatos jurídicos: eventos em razão dos quais nascem, se modificam, subsistem e se extinguem relações jurídicas.
– Atos jurídicos: espécie de fatos jurídicos que se peculiarizam pela existência de manifestação volitiva do seu autor.

Eventos a que o direito


atribui relevância

INSTITUTOS ASSEMELHADOS
– Fatos administrativos: eventos em razão dos quais são produzidos EFEITOS MATERIAIS no âmbito da Administração Pública.

– Atos da Administração:
a) Os atos administrativos;
b) Os atos materiais;
c) Os atos de direito privativo.

CESPE, Exame da Ordem: “Um parecer opinativo acerca de determinado assunto emitido pela consultoria jurídica de órgão da
administração pública não é considerado, por parte da melhor doutrina, ato administrativo, mas sim ato da administração”. —>
Maria Sylvia Zanella Di Pietro inclui os pareceres entre os atos da administração; enquanto que Hely Lopes Meirelles classifica
os pareceres dentro de um grupo específico dos atos administrativos, dentro do grupo dos atos enunciativos. OBS: As bancas
costumam seguir a doutrina de Hely Lopes Meirelles no tema atos administrativos.

Hely Lopes Meirelles: “ato administrativo é toda manifestação UNILATERAL de vontade da Administração Pública que, agindo
nessa qualidade (submetido ao direito público), tenha por fim imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar, extinguir e
declarar direitos, ou impor obrigações aos administrados ou a si própria”.

Maria Sylvia Zanella Di Pietro: ato administrativo é “a declaração do Estado ou de quem o represente, que produz efeitos
jurídicos imediatos, com observância da lei, sob regime jurídico de direito público e sujeita a controle pelo Poder Judiciário”.

Celso Antônio Bandeira de Mello – Dois conceitos:


a) Sentido amplo: declaração do Estado no exercício de prerrogativas públicas, manifestada mediante providências jurídicas
complementares da lei a título de lhe dar cumprimento, e sujeitas a controle de legitimidade por órgão jurisdicional.
b) Sentido estrito: acrescenta à definição anterior as características da concreção e da unilateralidade.

• Atenção:
– Função administrativa é atividade típica do Executivo. Os demais Poderes de Estado exercem tal função de maneira atípica.
– Nem todo ato praticado no exercício da função administrativa é ato administrativo.
– Ato administrativo pode ser praticado não só pelo Estado, mas também por quem o represente.

Conceito: ato administrativo é a manifestação unilateral de vontade emanada de entidade investida em prerrogativas estatais
que, amparada pelos atributos decorrentes do regime jurídico de direito público, destina-se a produção de efeitos jurídicos e
sujeita-se a controle judicial.

@dicasexconcurseira 105
Aula 02 - Elementos do Ato Administrativo 1

• Elementos do ato administrativo:


a) competência;
b) finalidade;
c) forma;
d) motivo;
e) objeto.

• COMPETÊNCIA: Conjunto de atribuições conferidas pelo ordenamento jurídico às pessoas jurídicas, órgãos e agentes públicos,
com o objetivo de possibilitar o desempenho de suas atividades.

• Fontes de competência:
a) primárias: Constituição e leis;
b) secundárias: Normas de organização editadas por órgãos de competência primária.

• Alguns critérios lógicos para repartição de competências:


a) matéria - ex: Ministério da Saúde, da Educação…
b) território - ex: tribunais estaduais, regionais, delegacias (o crime deve ser investigado onde cometido)
c) hierarquia;
d) tempo - ex: comissão da verdade, para investigar torturas cometidas durante a ditadura militar.

• Características da competência:
a) de exercício obrigatório (é um poder-dever);
b) irrenunciável (ou inderrogável);
c) intransferível - salvo por lei.
d) imodificável;
e) imprescritível;
f) improrrogável - somente se houver previsão em lei.

Aula 03 - Elementos do Ato Administrativo 2

• Delegação de competência:
– Feita, EM REGRA, para órgão ou agente de plano hierárquico inferior.

Lei 9.784/1999, art. 12. Um órgão administrativo e seu titular poderão, SE NÃO HOUVER IMPEDIMENTO LEGAL, delegar parte
da sua competência a outros órgãos ou titulares, AINDA QUE ESTES NÃO LHE SEJAM HIERARQUICAMENTE SUBORDINADOS,
quando for conveniente, em razão de circunstâncias de índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial.

• Delegação de competência:
– Feita para órgão ou agente de plano hierárquico inferior.
* Admissível a delegação fora da linha hierárquica, quando justificadamente necessário.
– Delegação NÃO RETIRA A ATRIBUIÇÃO DA AUTORIDADE DELEGANTE.
– Ato DISCRICIONÁRIO, salvo impedimento legal.
– Pode ser revogada a qualquer tempo.

CESPE, Procurador do Ministério Público junto ao TCU: “Um órgão administrativo e seu titular não podem, sem previsão legal
expressa, delegar parte de sua competência a outros órgãos ou titulares”.

@dicasexconcurseira 106
• Regras da Lei 9.784/1999 (Lei do Processo Administrativo Federal) sobre delegação de competência (arts. 11 a 14):
a) NÃO SERÁ PERMITIDA A DELEGAÇÃO: - CAI MUITO! IMPORTANTE!
a.1) edição de atos de caráter normativo;
a.2) decisão de recursos administrativos;
a.3) matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade;
a.4) quando houver algum impedimento legal específico;
b) a delegação pode ser feita a órgãos ou agentes públicos, independentemente de estes serem hierarquicamente subordinados
aos órgãos ou autoridades delegantes; - é exceção!
c) é permitida apenas a delegação DE PARTE da competência (a delegação total da competência é vedada);
d) a delegação é ato discricionário, cujo juízo de conveniência para sua prática deverá levar em consideração circunstâncias de
índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial, e é revogável a qualquer tempo pela autoridade delegante;
e) o ato de delegação e sua revogação deverão ser publicados no meio oficial;
f) o ato de delegação especificará as matérias e poderes transferidos, os LIMITES da atuação do delegado, a DURAÇÃO e os
OBJETIVOS da delegação e o recurso cabível;
g) as decisões adotadas por delegação devem mencionar explicitamente esta qualidade e considerar-se-ão editadas pelo
delegado, ou seja, o delegado responde pelas suas decisões.

Súmula 510 do STF: “Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contra ela cabe o mandado de
segurança ou a medida judicial”.

STF, MS 24.732 MC/DF: O foro da autoridade delegante não se transmite a autoridade delegada.

Aula 04 - Elementos do Ato Administrativo 3

• Avocação: fenômeno inverso ao da delegação e consiste na possibilidade de o superior hierárquico trazer para si
temporariamente o exercício de competências que foram estabelecidas na lei para órgão ou agente hierarquicamente
INFERIOR.

• Avocação - Importante:
a) é excepcional, pois é fator de desestímulo ao subordinado.
b) temporária;
c) NÃO é possível avocar competências exclusivas.

• Vícios de competência:
a) excesso de poder - é espécie de abuso de poder; excesso de poder é quando o agente age extrapolando os limites de sua
competência. OBS: o desvio de poder/finalidade é outra espécie de abuso de poder e é vício de finalidade do ato administrativo.
b) usurpação de função - o sujeito finge ser agente público e pratica atos típicos; isso é crime.
c) função de fato. - o sujeito está na condição de servidor público, só que há um problema no seu ato de provimento. Ex: o
sujeito foi nomeado para exercer um cargo, mas ele não fez concurso público. O sujeito está lá, mas não deveria estar. Aplica-se
a teoria da aparência, em respeito à boa-fé do terceiro, e o ato é válido.

• Finalidade do ato administrativo:


a) geral (ou mediata) - é o bem comum, o interesse público.
b) específica (ou imediata) - pode estar expressa ou implícita na lei. Ex: remoção para atender um interesse pessoal do servidor.

Aula 05 - Elementos do Ato Administrativo 4

• Desvio de finalidade:
a) ato é formalmente praticado com finalidade diversa da prevista na lei; - a finalidade foi declinada/dita (ex: o sujeito pratica
ato de remoção e diz que está fazendo isso para punir).
b) ato, apesar de formalmente editado com a finalidade legal, tem, na prática, o objetivo de atender a fim de interesse
particular da autoridade. Ex: diz que desapropria para construir um hospital, mas, na verdade, o que se queria era atingir um
político rival.

@dicasexconcurseira 107
• Forma - Conceito:
a) restrito: modo de exteriorização do ato administrativo;
b) amplo: modo de exteriorização do ato + formalidades que devem ser observadas no seu processo de formação.

Lei 9.784/1999, art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei
expressamente a exigir. - formalismo moderado
§ 1.º. Os atos do processo devem ser produzidos por escrito, em vernáculo, com a data e o local de sua realização e a assinatura
da autoridade responsável.

CESPE, Procurador do Ministério Público junto ao TCU: “Os atos do processo administrativo independem de forma determinada,
a menos que a lei expressamente o exija”.

• Vícios de forma:
a) ato emitido sem a obediência à forma ou sem cumprimento das formalidades previstas na lei;
b) ausência de MOTIVAÇÃO, quando for OBRIGATÓRIA. OBS: Motivação é diferente de motivo.

DE OLHO NA JURIS! Ausência de motivação do ato administrativo e correção do vício posteriormente


O ato de remoção de servidor público por interesse da Administração Pública deve ser motivado. Caso não o seja, haverá
nulidade. No entanto, é possível que o vício da ausência de motivação seja corrigido em momento posterior à edição dos atos
administrativos impugnados. Assim, se a autoridade removeu o servidor sem motivação, mas ela, ao prestar as informações no
mandado de segurança, trouxe aos autos os motivos que justificaram a remoção, o vício que existia foi corrigido. STJ. 1ª Turma.
AgRg no RMS 40427-DF, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 3/9/2013 (Info 529).

• Silêncio da Administração:
a) não havendo previsão legal, NÃO produz qualquer efeito jurídico apriorístico;
b) havendo previsão legal, terá o efeito que a lei estabelecer.

CTN, art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever
de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade,
tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.
§ 4.º. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo
sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito,
salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.

Lei 6.766/1979, art. 16, § 1.º. Transcorridos os prazos sem a manifestação do Poder Público, o projeto será considerado
rejeitado ou as obras recusadas, assegurada a indenização por eventuais danos derivados da omissão.

CESPE, Analista de Controle Externo do TCE-AC: “O silêncio da administração é forma de manifestação da vontade, significando
seu consentimento tácito”. - ERRADO

Aula 06 - Elementos do Ato Administrativo 5

• Motivo: pressupostos de fato e de direito que autorizam (ato discricionário) ou determinam (ato vinculado) a prática do
ato. O pressuposto de direito é a norma que autoriza/determina a prática do ato; o pressuposto de fato é aquilo que
acontece no mundo e enseja a aplicação da norma.
a) ato vinculado: motivo determina a prática do ato;
b) ato discricionário: motivo apenas autoriza a prática do ato.

• Motivo

@dicasexconcurseira 108
• Vício de motivo ocorre nas seguintes situações:
a) quando o motivo é inexistente; - a autoridade administrativa aponta um motivo que não aconteceu.
b) quando o motivo é falso; - quando o motivo apontado não é condizente, pois aconteceu outra coisa.
c) quando o motivo é inadequado. - o motivo não justifica a prática do ato administrativo.
Motivo Motivação

Deve estar sempre presente. Mas nem sempre precisa dizer qual o motivo (ausência de motivação)

Motivo Motivação

- O motivo é o pressuposto de fato e de direito que - A MOTIVAÇÃO É A DECLARAÇÃO EXPRESSA DO


fundamenta a edição do ato administrativo. MOTIVO que determinou a prática do ato
- O motivo sempre estará presente em qualquer ato, administrativo.
quer seja o ato vinculado ou discricionário. - A motivação nem sempre será exigida.

• Atos administrativos que DEVERÃO SER MOTIVADOS (art. 50 da Lei 9.784/1999):


a) neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;
b) imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;
c) decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública;
d) dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório;
e) decidam recursos administrativos;
f) decorram de reexame de ofício;
g) deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais;
h) importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.
* Motivação deve ser explícita (obs: é possível a motivação aliunde), clara e congruente.

CESPE, Analista Judiciário do TRE-MA: “Mesmo diante da margem de liberdade de escolha da conveniência e oportunidade
concedida à administração, é necessária a adequada motivação, explícita, clara e congruente, do ato discricionário que nega,
limita ou afeta direitos ou interesses dos administrados”.

Motivação dos atos administrativos

Teoria dos motivos determinantes: a validade do ato se vincula à veracidade dos motivos alegados

CESPE, Procurador Federal: “NÃO se decreta a invalidade de um ato administrativo quando apenas UM, entre os diversos
motivos determinantes, não está adequado à realidade fática”. - IMPORTANTE

Aula 07 - Elementos do Ato Administrativo 6; Ato Administrativo Discricionário e Vinculado

• Objeto: Efeito jurídico imediato produzido pelo ato. É o próprio conteúdo, é o que se pretende com o ato. Ex:
quando aplico uma multa de transito, o objeto é a punição do sujeito.
a) natural
b) acidental.

Modo (ou encargo);

• Termo: é o evento futuro e certo, que faz iniciar ou terminar os efeitos de um ato.

@dicasexconcurseira 109
• Modo (ou encargo): o sujeito tem uma autorização para usar um box no mercado público, com o encargo de todo ano pintar o
box.

• Validade do ato administrativo - Objeto deve ser:


a) lícito;
b) possível;
c) certo;
d) moral.

• Ato administrativo quanto ao GRAU DE LIBERDADE do agente público:


a) vinculado;
b) discricionário.
Conceitos jurídicos indeterminados.

Hely Lopes Meirelles: “atos discricionários são os que a Administração pode praticar com escolha de seu conteúdo, de seu
destinatário, de sua conveniência, de sua oportunidade e do modo de sua realização”.

ESAF, Analista do MPU: “Pela moderna doutrina de direito administrativo, afirma-se que, no âmbito dos denominados conceitos
indeterminados, sempre ocorre a discricionariedade administrativa”.

• Elementos dos atos administrativos vinculados e discricionários:


a) competência;
b) finalidade; - a finalidade genérica (busca do interesse público) é que é vinculada. Mas existem várias formas de se alcançar o
interesse público (há discricionariedade se o bem público, naquele caso, será melhor atendido se se investir em segurança,
saúde, etc).
c) forma; - às vezes, a própria lei dá mais de uma possibilidade em como se praticar o ato.

Motivo e objeto configuram o MÉRITO administrativo, o juízo de conveniência e oportunidade, e é discricionário.

CESPE, Juiz Substituto do TRF 5.ª R.: “Alguns doutrinadores entendem que o elemento finalidade do ato administrativo pode ser
discricionário. Isso porque a finalidade pode ser dividida entre finalidade em sentido amplo, que se identifica com o interesse
público de forma geral, e finalidade em sentido estrito, que se encontra definida na própria norma que regula o ato. Assim, a
primeira seria discricionária e a segunda, vinculada”.

CESPE, Técnico de Controle Externo do TCU: “A finalidade dos atos administrativos é sempre um elemento vinculado, pois o fim
desejado por qualquer ato administrativo é um interesse público”.

Lei 9.784/1999, art. 22. Os atos do processo administrativo NÃO DEPENDEM DE FORMA determinada senão quando a lei
expressamente a exigir.

@dicasexconcurseira 110
Aula 08 - Atributos do Ato Administrativo

• Atributos dos atos administrativos:


a) presunção de legitimidade;
b) imperatividade;
c) autoexecutoriedade;
d) tipicidade. - Maria Sylvia Zanella Di Pietro. Tipicidade não traz vantagem (atributo é no sentido de vantagens); por isso, a
maioria da doutrina não lista a tipicidade como atributo. Di Pietro é que inclui como atributo. Tipicidade seria: o ato
administrativo deve se encaixar em um daqueles formatos previstos na lei.

• Presunção de legitimidade ou de legalidade

- Princípio da legalidade
(a Administração atua conforme a lei)

- Presunção RELATIVA
Legalidade = algo mais técnico; legitimidade = algo mais amplo (lei + princípios).

• Presunção de veracidade

- Fatos (presume-se que os fatos ocorreram. A multa decorreu porque o sujeito realmente ultrapassou o sinal vermelho; é o
condutor que tem que provar que não ultrapassou o sinal vermelho —> inversão do ônus da prova).
- Presunção RELATIVA
- Inversão do ônus da prova

ESAF, Analista de Planejamento e Orçamento do MPOG: “Entre os atributos do ato administrativo, encontra-se a presunção de
veracidade a qual diz respeito à conformidade do ato com a lei; em decorrência desse atributo, presume-se, até prova em
contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei”.

FCC, Procurador do Município de Jaboatão/PE: “O princípio da presunção de legitimidade resulta da certeza da adequação do
ato administrativo face ao ordenamento jurídico”. - a presunção é RELATIVA.

• Imperatividade (ou coercibilidade): não está presente em todos os atos administrativos, pois seu
conteúdo não impõe nada ao particular (é o caso dos chamados atos enunciativos e negociais: ex - o particular
pede pra ter uma cartelra de habilitação; este ato não impõe nada ao particular)

• Autoexecutoriedade: executar diretamente o ato, como destruir mercadorias, demolir prédios.

Princípio da supremacia do interesse público

• Autoexecutoriedade é possível quando (Maria Sylvia Zanella Di Pietro):


a) estiver EXPRESSAMENTE PREVISTA EM LEI; ou
b) quando se tratar de medida URGENTE, que não sendo adotada imediatamente ocasionará prejuízo maior ao interesse
público.

@dicasexconcurseira 111
FCC, Procurador da Prefeitura de Jaboatão: “A execução dos atos administrativos, em regra, depende da prévia autorização do
Poder Judiciário”. — em regra, NÃO depende.

Exigibilidade Executoriedade

Exigibilidade = as providências que a administração toma para coagir o particular a agir conforme a lei são meios coercitivos
indiretos (ex: você tem que fazer isso, se não haverá multa).

• Tipicidade

Princípio da legalidade

Maria Sylvia Zanella Di Pietro: “Tipicidade é o atributo pelo qual o ato administrativo deve corresponder a figuras definidas
previamente pela lei como aptas a produzir determinados resultados”.

Aula 09 - Classificação dos Atos Administrativos 1

• Classificação dos atos administrativos


– Quanto aos DESTINATÁRIOS: depende se o ato for direcionado a um grupo indefinido
a) Atos GERAIS: ato destinado a um grupo indefinido.
b) Atos INDIVIDUAIS: tem destinatário(s) especifico(s)
b.1) singulares: o ato é destinado a uma pessoa específica. Ex: nomeação de um servidor público.
b.2) plúrimos: o ato é destinado a várias pessoas específicas.

– Quanto ao GRAU DE LIBERDADE:


a) Atos vinculados: não analisa a conveniência ou oportunidade (mérito administrativo).
b) Atos discricionários: o motivo e o objeto (mérito adm.) podem ser discricionários.

– Quanto às PRERROGATIVAS DA ADMINISTRAÇÃO:


a) Atos de IMPÉRIO: ato praticado no gozo das prerrogativas do regime jurídico de direito público.
b) Atos de GESTÃO: não usa das prerrogativas de direito público
c) Atos de EXPEDIENTE/DE MERO EXPEDIENTE: impulsionar os processos administrativos; não tem conteúdo decisório; manda
os autos para outro local.

ESAF, Auditor Fiscal da Receita Federal, área tecnologia da informação: “A classificação dos atos administrativos em atos de
império e atos de gestão ampara-se na teoria de personalidade dupla do Estado”. — lembrando que esta teoria da dupla
personalidade do Estado está superada.

– Quanto à FORMAÇÃO:
a) Atos SIMPLES: um único órgão manifesta a vontade.
b) Atos COMPLEXOS: são duas manifestações de vontade independentes. Vontades que se juntam para elaboração de um único
ato. Ex: aposentadoria do servidor público = entidade a que o servidor é vinculada emite um ato de aposentadoria, que já gera
alguns efeitos (efeito prodrômico/eliminar) + manifestação do Tribunal de Contas. STF = só há ato juridicamente perfeito após a
manifestação do TC.
c) Atos COMPOSTOS: duas manifestações, mas a segunda manifestação é acessória. Doutrina: 1ª corrente: vontade única +
manifestação acessória; 2ª corrente: duas vontades, mas a segunda é acessória.

CESPE, Assistente Jurídico do Distrito Federal: “Ao ato administrativo cuja prática dependa de vontade ÚNICA de um órgão da
administração, mas cuja exequibilidade dependa da verificação de outro órgão, dá-se o nome de ato administrativo composto”.
— CORRETO

• Classificação dos atos administrativos


– Quanto à NATUREZA DAS SITUAÇÕES JURÍDICAS QUE CRIAM:
a) Atos-regra: é ato normativo, em que se enxerga duas características: generalidade + abstração.
b) Atos-subjetivos: é ato individual, com destinatários definidos, e concreto, pois se refere a um caso concreto.
c) Atos-condição: a rigor não seriam enquadrados nem como atos administrativos. Na maioria das vezes, são atos praticados por
particulares que querem se enquadrar em um regime jurídico ou a uma hipótese de ato-regra. Ex: pessoa aprovada em concurso
@dicasexconcurseira 112
público e toma posse —> pratica ato em que se enquadra ao regimento da Lei 8.112, que é ato-regra. A prática de um ato-
condição é comparada à adesão a um contrato de adesão.

ESAF, Auditor-Fiscal da Receita Federal: “Ato-regra é aquele pelo qual alguém se vincula a uma situação jurídica preestabelecida,
sujeita a alterações unilaterais”. — definição de ATO-CONDIÇÃO.

Quanto à natureza das situações jurídicas que criam


Atos-regra Atos subjetivos Atos-condição

Gerais e abstratos (caráter Individuais e concretos Praticado por quem quer se vincular
normativo) a uma situação jurídica
preestabelecida num ato-regra

Aula 10 - Classificação dos Atos Administrativos 2

• Classificação dos atos administrativos


– Quanto ao CICLO DE FORMAÇÃO:
a) Ato perfeito: passou por todo o ciclo de formação. Não necessariamente é um ato válido ou legal.
b) Ato imperfeito: não concluiu o ciclo de formação.

– Quanto à CONFORMIDADE AO ORDENAMENTO JURÍDICO:


a) Ato válido;
b) Ato inválido.
* Atos irregulares, anuláveis e inexistentes. Ato inexistente é um ato inválido, cuja invalidade é muita grave (é uma invalidade
qualificada) - ex: ato praticou por quem usurpou a função pública. Ato irregular é válido, pois a irregularidade é irrelevante.

– Quanto à PRODUÇÃO DE EFEITOS:


a) Ato eficaz:
b) Ato ineficaz:

– Ato pendente

– Ato consumado

• Efeitos dos atos administrativos


– Efeitos ATÍPICOS:
a) Efeitos preliminares (ou prodrômicos): efeitos gerados anteriormente à própria conclusão do ato. Ex: a administração
concede aposentadoria; falta a analise do tribunal de contas; mas o ato praticado pelo órgão ao qual o servidor está vinculado já
produz alguns efeitos.
b) Efeitos reflexos: efeitos que atingem terceiros. Ex: ato que gera desapropriação do imóvel - efeito típico: passar a
propriedade para a administração; efeito reflexo: para quem era locador do imóvel.

FCC, Procurador de Manaus:


a) “Distingue-se nos atos administrativos efeitos típicos e efeitos prodrômicos. Típicos são aqueles específicos de determinadas
categorias de ato; prodrômicos, os contemporâneos à emanação do ato”.
b) “Os efeitos não típicos, que se produzem independentemente da vontade do agente emissor, também verificados (efeitos
prodrômicos), não seriam suprimíveis”.

• Possíveis combinações entre validade e eficácia:


– Efeitos atípicos:
a) ato perfeito, válido e eficaz;
b) ato perfeito, válido e ineficaz; - ex: ato que está sujeito a termo.
c) ato perfeito, inválido e eficaz; - ex: ato cuja nulidade ainda não foi proclamada. Como o ato administrativo se presume legal,
ele começa a produzir efeito imediatamente. Exceção: o servidor público não é obrigado a cumprir ordem manifestamente
ilegal. Desta forma, como o servidor não irá efetivar a ordem, o ato não produzirá efeitos.
@dicasexconcurseira 113
d) ato perfeito, inválido e ineficaz.

– Quanto à NATUREZA DOS EFEITOS:


a) Constitutivo;
b) Declaratório: quando se declara o que já existia.
c) Enunciativo: declara uma informação que já tinha. Ex: certidão.

Aula 11 - Espécies de Atos Administrativos 1

• Espécies de atos administrativos (Hely Lopes Meirelles):


a) atos normativos:
b) atos ordinatórios: decorre do poder hierárquico.
c) atos negociais: o ato é expedido unilateralmente (não é contrato!), mas coincidem com a vontade do particular (ex: licença).
d) atos enunciativos;
e) atos punitivos.

• Atos NORMATIVOS (forma jurídica):


a) Decreto: regulamento é o conteúdo; e a forma é o decreto.
a.1) geral;
a.2) individual;
a.3) decreto regulamentar (decreto de execução): é um decreto geral.
a.4) decreto autônomo: de existência polêmica. A maioria da doutrina entende que é possível para casos específicos. Este tipo
de decreto pode inovar, conforme diz a própria da CF (art.84, VI), após a EC 32/01. É um decreto normativo, sem ser
regulamentar. Desta forma é um tipo de decreto geral.

b) Regulamento;

c) Instrução normativa (ou regulamentar): ato de Ministro de Estado. Mas, na pratica, é comum instruções normativas por
outras autoridades, como as instruções normativas da Receita Federal.

d) Regimento: para organizar o funcionamento de órgãos públicos. O regimento da receita federal disciplinaria o funcionamento
da receita, sem atingir os administrados pela receita federal.

e) Resolução: atos dos auxiliares do poder executivo (Ministros e Secretarias), ou órgãos colegiados do CNJ e do CNMP.

f) Deliberação: ato editado por órgãos colegiados.

• Atos ORDINATÓRIOS:
a) Instrução: ordem escrita e geral sobre o modo e a forma de execução de determinado serviço.

b) Circular: o superior quer passar instruções/ordens/orientações que sejam uniformes para várias pessoas. Ofícios idênticos
para várias pessoas.

c) Aviso: ato emitido por Ministro de Estado.

d) Portaria: ato administrativo interno por meio do qual os chefes expedem determinações gerais para seus subordinados.

e) Ordens de serviço: expedida pelo superior dizendo como serão prestados determinados serviços pelo particulares. É comum,
na prática, ordem de serviço de caráter abstrato e comum.

f) Provimentos: ato interno expedido pelas corregedorias ou tribunais para uniformizar ou regularizar a prestação de serviço.

g) Ofícios: meio oficial de comunicação entre autoridades de órgãos distintos.

h) Despachos: natureza decisória.

@dicasexconcurseira 114
Aula 12 - Espécies de Atos Administrativos 2

• Atos NEGOCIAIS:
a) Licença: ato administrativo vinculado e definitivo. A administração reconhece que o administrado cumpriu os requisitos. Ex:
licença para dirigir.

b) Autorização: ato administrativo discricionário e precário (revogável a qualquer tempo), no interesse da sociedade. Ex:
autorização para explorar o serviço público de táxi.

c) Permissão:
c.1) permissão de uso de bem público: ato administrativo discricionário e precário, mas no interesse do particular.
c.2) permissão de serviço público: lei 8987/95 - necessidade de licitação, formalizada via contrato de adesão, e que é precário.
Como é contrato (bilateral), não é ato administrativo.

d) Aprovação: ato de controle, pelo qual o poder público verifica a legalidade e o mérito de outro ato (de outro órgão público ou
de particular).

e) Admissão: admissão em uma universidade, por exemplo.

f) Visto: para que um ato produza efeitos, é necessário que determinada autoridade ateste que viu o ato.

g) Homologação: é um ato de controle, para se verificar a legalidade de outro ato praticado. Homologar = a autoridade diz "vi o
ato e considerei que o ato é legal”.

h) Dispensa: ato mediante o qual a administração libera o particular de certas obrigações legais. Ex: dispensa de incorporação ao
serviço militar obrigatório.

i) Renúncia administrativa: é semelhante à dispensa. A administração extingue um crédito ou outro direito que tinha perante o
administrado. A renúncia deve ser autorizada por lei, pois o patrimônio público é indisponível.

j) Protocolo administrativo: é um ato praticado em conjunto entre que o poder publico e o particular (ou entre entidades
diferentes do poder publico) estipulam quais serão as condições/requisitos de se prestar determinado serviço ou realizar
determinada atividade. Ex: protocolo de intenções firmado para dizer como se dará a criação de um consórcio publico
envolvendo entes federados.

Aula 13 - Espécies de Atos Administrativos 3

• Atos ENUNCIATIVOS:
a) Certidão: é uma cópia fiel de um documento que se encontra nas mãos da Administração. Atualmente, com toda a
tecnologia, muitas, o que é certificado é informações que constam dentro de um banco de dados da Administração.
b) Atestado: a Administração declara coisas transitórias, que podem mudar com rapidez. Ex: atestado que o MP emite a respeito
do funcionamento de determinada fundação.
c) Parecer: opiniões que são dadas por pessoas especializadas na matéria e que vão subsidiar tomadas de decisão pela
autoridade administrativa. OBS: existem pareceres vinculantes.
d) Apostila: expressão usada como sinônimo de averbação. Na prática, é uma averbação.

• Atos PUNITIVOS
– Atos punitivos DE ATUAÇÃO EXTERNA:
a) Multa;
b) Interdição de atividade: pode ocorrer de forma cautelar, para se evitar prejuízos.
c) Destruição de coisa: não é necessariamente uma punição, pois também se dar de forma cautelar.

– Atos PUNITIVOS DE ATUAÇÃO INTERNA: a servidores públicos ou particulares que se sujeitam à disciplina interna da
Administração (particulares que firmaram contratos decorrentes de licitação)
a) Advertência - via portaria.
b) Suspensão;
c) Demissão;
d) Destituição de cargo em comissão.

@dicasexconcurseira 115
Aula 14 - Formas de Extinção dos Atos Administrativos; Revogação do Ato Administrativo

• FORMAS DE EXTINÇÃO dos atos administrativos (Celso Antônio Bandeira de Mello):


a) cumprimento de seus efeitos (extinção natural);
b) desaparecimento do sujeito (extinção subjetiva) ou do objeto (extinção objetiva);
c) RETIRADA do ato pelo Poder Público;
d) RENÚNCIA do beneficiário.

• CUMPRIMENTO DE EFEITOS do ato administrativo:


a) esgotamento do conteúdo jurídico do ato; - ex: gozo da licença maternidade.
b) execução material;
c) implemento de condição resolutiva/resolutória ou termo final.

• DESAPARECIMENTO do sujeito ou do objeto: falecimento; prédio interditado que, depois, vem a cair.

• RETIRADA DO ATO pelo Poder Público:


a) Revogação: por motivo de conveniência e oportunidade.

b) Anulação: por vício de legalidade.

c) Cassação: a ilegalidade não é do ato em si; a ilegalidade é na maneira como se comporta o administrado que é beneficiário do
ato. O particular, que é beneficiário de um ato, quando tem que cumprir certos requisitos, se ele deixa de cumprir, o ato será
cassado. Ex: o poder publico autoriza o particular a ter um hotel em um local da cidade; o hotel se transforma em casa de
prostituição; neste caso, o particular deixa de cumprir os requisitos e terá a autorização cassada.

d) Caducidade: há uma superveniência de uma nova norma jurídica, que não mais permite que aquele ato praticado
anteriormente à sua edição exista. Ex: particular adquiriu uma autorização para abrir uma banca de revista em um local; uma
nova lei disciplina o uso e ocupação do solo diz que aquela área é residencial e que não pode ter uma banca de revista.

e) Contraposição (ou derrubada): um segundo ato administrativo derruba o primeiro ato. Ex: a exonerarão extingue os efeitos
da nomeação.

DE OLHO NA JURIS! É possível a aplicação, por analogia integrativa, do prazo decadencial de 5 anos previsto na Lei do processo
administrativo federal para Estados e Municípios que não tiverem leis sobre o tema
Súmula 633-STJ: A Lei 9.784/99, especialmente no que diz respeito ao prazo decadencial para revisão de atos administrativos
(AUTOTUTELA) no âmbito da administração pública federal, pode ser aplicada de forma subsidiária aos Estados e municípios se
inexistente norma local e específica regulando a matéria. Importante. Aprovada em 12/06/2019.

• RENÚNCIA do beneficiário
Ex: renúncia à aposentadoria.

• REVOGAÇÃO do ato administrativo:


– Razões de conveniência e oportunidade (controle de mérito);
– Somente pode atingir os atos administrativos discricionários;
– Revogação do ato válido (editado em conformidade com o ordenamento jurídico); - se o ato é ilegal, terá que ser anulado (e
não revogado).
– Ato contrário a lei ou ao ordenamento jurídico: anulação (invalidação).

Anulação Legalidade ou legitimidade

Revogação Controle de mérito

• Competência para revogar o ato: a Administração editora do ato no exercício da atividade administrativa.

• Poder Judiciário e revogação do ato administrativo:


– Não pode apreciar os aspectos de conveniência e oportunidade do ato.
– Não poderá revogar qualquer ato da Administração.
* Revogação opera efeitos ex nunc.

@dicasexconcurseira 116
FCC, Auditor do Tribunal de Contas do Estado de Alagoas: “O instituto da revogação traduz uma valoração acerca de
determinado ato administrativo, não podendo ser processada senão pela própria Administração Pública em razão da prevalência
do sistema de repartição de funções estatais no Direito Público”.

• Limites à revogação (Maria Sylvia Zanella Di Pietro):


a) os atos vinculados;
b) os atos que exauriram seus efeitos;
c) quando a prática do ato exauriu a competência de quem o praticou;
d) os meros atos administrativos;
e) os atos que integram um procedimento;
f) os atos que geram direitos a terceiros (direito adquirido).

STF, Súmula 473. A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles
não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e
ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.

Aula 15 - Anulação do Ato Administrativo

• ANULAÇÃO (ou INVALIDAÇÃO) do ato administrativo:


– Administração Pública (de ofício ou a requerimento) ou Poder Judiciário.
– Controle de legalidade (quando viola a lei).
– Legitimidade do ato (quando viola os princípios do ordenamento jurídico).
– Administração: poder de autotutela.

STF, Súmula 346. A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos.

DE OLHO NA JURIS! Impossibilidade de exame do mérito administrativo


O controle de legalidade exercido pelo Poder Judiciário sobre os atos administrativos diz respeito ao seu amplo aspecto de
obediência aos postulados formais e materiais presentes na Carta Magna, sem, contudo, adentrar o mérito administrativo. STJ.
2ª Turma. AgInt no RMS 49202/PR, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 02/05/2017. No controle jurisdicional do processo
administrativo, a atuação do Poder Judiciário limita-se ao campo da regularidade do procedimento, bem como à legalidade do
ato, não sendo possível nenhuma incursão no mérito administrativo a fim de aferir o grau de conveniência e oportunidade, de
maneira que se mostra inviável a análise das provas constantes no processo disciplinar para adotar conclusão diversa da
adotada pela autoridade administrativa competente. STJ. 1ª Seção. AgInt no MS 22526/DF, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em
10/05/2017. Consoante entendimento consolidado no STJ, a intervenção do Poder Judiciário nos atos administrativos cinge-se à
defesa dos parâmetros da legalidade, permitindo-se a reavaliação do mérito administrativo tão somente nas hipóteses de
comprovada violação aos princípios da legalidade, razoabilidade e proporcionalidade, sob pena de invasão à competência
reservada ao Poder Executivo. STJ. 1ª Turma. AgInt no REsp 1271057/PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em
18/05/2017.

• Prazo para anulação:


Lei 9.784/1999, art. 54. O direito da Administração de ANULAR os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para
os destinatários DECAI EM 5 ANOS, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada MÁ-FÉ.

• Supremo Tribunal Federal


– O prazo quinquenal não é aplicável quando o vício que macula o ato decorre de flagrante inconstitucionalidade.
* Não pode prejudicar terceiros de boa-fé.

DE OLHO NA JURIS! Anulação de anistia e prazo decadencial


A Administração Pública não pode, depois de terem se passado mais de 5 anos, anular a anistia política concedida mesmo que,
antes de completar este prazo, a AGU tenha emitido nota questionando os critérios adotados na concessão. A nota emitida pela
AGU teve efeito similar ao de um parecer e, por isso, não impediu o fluxo do prazo decadencial, não podendo ser classificada
como "exercício do direito de anular", para os fins do § 2º do art. 54 da Lei nº 9.784/99. Vale ressaltar que, no caso concreto,
não ficou demonstrada má-fé do interessado. Além disso, não houve flagrante inconstitucionalidade na concessão de anistia,
mas sim nova interpretação da Administração Pública quanto ao efetivo enquadramento como anistiado político. STF. 1ª Turma.
RMS 31841/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 2/8/2016 (Info 833).

@dicasexconcurseira 117
O prazo decadencial do art. 54 da Lei nº 9.784/99 não se aplica quando o ato a ser anulado afronta diretamente a Constituição
Federal
Não existe direito adquirido à efetivação na titularidade de cartório quando a vacância do cargo ocorre na vigência da CF/88, que
exige a submissão a concurso público (art. 236, § 3º). O prazo decadencial do art. 54 da Lei nº 9.784/99 não se aplica quando o
ato a ser anulado afronta diretamente a Constituição Federal. O art. 236, § 3º, da CF é uma norma constitucional autoaplicável.
Logo, mesmo antes da edição da Lei 8.935/1994 ela já tinha plena eficácia e o concurso público era obrigatório como condição
para o ingresso na atividade notarial e de registro. STF. Plenário. MS 26860/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 2/4/2014 (Info 741).

• Superior Tribunal de Justiça:


– Antes da Lei 9.784/1999, a Administração Pública podia rever, a qualquer tempo, seus próprios atos quando eivados de
nulidade.
– A contagem do prazo decadencial relativo aos atos praticados anteriormente à Lei 9.784/1999 seria iniciada a partir da
vigência desta Lei (AgRg no REsp 2009/0142213-3, 2.ª Turma, DJE 24.09.2010).

CESPE, Juiz Substituto do TRF 5.ª R.: “Segundo o entendimento firmado pela Corte Especial do STJ, caso o ato acoimado de
ilegalidade tenha sido praticado antes da promulgação da Lei n.º 9.784/1999, a administração tem o prazo de cinco anos para
anulá-lo, a contar da prática do ato”.

STF, Súmula Vinculante 3: “Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e a ampla defesa
quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a
apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão”.

Pois o ato de aposentadoria é ato complexo, onde dois órgãos manifestam vontades independentes. O sujeito não está
aposentado antes do registro feito pelo TCU. Como o ato ainda não foi completado, o TCU ainda é parte que irá colaborar com a
edição/aperfeiçoamento do ato de aposentadoria. O ato de aposentadoria não se completa, porque o TC não registra. Não há
anulação do ato propriamente dita.

ANULAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO REVOGAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO

Só atinge os atos inválidos. Só atinge os atos válidos.

Pode atingir tanto os atos vinculados quanto os Só atinge os atos discricionários.


discricionários.

Pode ser proclamada pelo Poder Judiciário (no exercício Somente pode ser realizada pela própria Administração,
da função jurisdicional) ou pela própria Administração no exercício da função administrativa e do poder de
(no exercício da sua função administrativa e do seu autotutela.
poder de autotutela). A revogação não depende de pedido do interessado,
A anulação pelo Poder Judiciário, no exercício da função mas de juízo de conveniência e oportunidade a ser
jurisdicional, depende de pedido do interessado. Já a realizado pela Administração.
anulação pela própria Administração pode ser feita a
pedido ou ex officio.

Em regra: efeito ex tunc. Sempre produz efeito ex nunc.


Exceção: efeito ex nunc (no caso dos atos unilaterais
ampliativos da esfera jurídica dos administrados, quando
estes estiverem de boa-fé).

Prazo decadencial de 5 anos, se o destinatário do ato Não há prazo decadencial, mas a doutrina entende que
estiver de boa-fé. em algumas situações a revogação não será possível.

• Anulação do ato administrativo viciado – Dever ou faculdade?


– Corrente minoritária (Hely Lopes Meirelles): O princípio da legalidade impõe a anulação dos atos ilegais, sendo incompatível
com a existência de atos anuláveis.

@dicasexconcurseira 118
– Corrente majoritária (Celso Antônio Bandeira de Mello):
a) atos inexistentes;
b) atos nulos;
c) atos anuláveis;
d) atos irregulares.

* Convalidação (ou saneamento).

Cap.VIII

Aula 01 - Introdução; Competência Legislativa; Diferenças entre o Contrato Administrativo e o Direito Privado 1

Contrato da Administração

• Contratos da Administração: ajustes firmados pela Administração com terceiros, pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou
privadas, mediante acordo de vontades, estabelecendo direitos e obrigações recíprocos entre as partes.

Contratos da Administração

- Contratos administrativos (regidos por normas de direito público)

- Contratos de direito privado firmados pela Administração (regidos predominantemente por normas de direito privado)

• Competência legislativa:
CF, Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: XXVII – normas gerais de licitação e contratação, em todas as
modalidades, para as administrações públicas diretas, autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito Federal e
Municípios, obedecido o disposto no art. 37, XXI, e para as empresas públicas e sociedades de economia mista, nos termos do
art. 173, § 1.º, III;

• Diplomas normativos:
Lei 8.666/1993: Estatuto das Licitações e Contratos
Lei 8.987/1995: Concessão e permissão de serviços públicos
Lei 11.079/2004: Parcerias público-privadas

Lei 8.666/1993, art. 62, § 3.º, I - as normas gerais constantes deste diploma legal se aplicam também, no que couber, aos
contratos de seguro, de financiamento, de locação em que o Poder Público seja locatário, e a todos os demais contratos cujo
conteúdo seja regido, predominantemente, por norma de direito privado.

• Competência dos entes federativos:


- União: normas gerais.
- Estados, Distrito Federal e Municípios: normas específicas sobre contratação no âmbito de suas esferas de atuação.

ADI 3.670/DF: STF declarou a inconstitucionalidade de alguns dispositivos da Lei Distrital 3.705/2005. Entre as disposições
consideradas viciadas estava o art. 1.º, que proibia a Administração Pública Direta e Indireta do Distrito Federal de celebrar
contrato com as pessoas jurídicas de direito privado que discriminarem, na contratação de mão de obra, pessoas que estejam
com o nome incluído nos serviços de proteção ao crédito. Para a Corte, a regra possuía caráter geral, de forma a não poder ser
veiculada em lei estadual ou distrital. (Rel. Min. Sepúlveda Pertence, j. 02.04.2007, Informativo STF 462)

@dicasexconcurseira 119
• Diferenças entre o Contrato Administrativo e o Contrato de Direito Privado firmado pela Administração
a) REGRA: os contratos administrativos são firmados por pessoas jurídicas de direito público.

STJ, REsp 527.137/PR: “À luz do art. 37, XXI, da Constituição Federal, a natureza do vínculo jurídico entre a ECT e as empresas
recorrentes é de Direito Administrativo, sendo certo que a questão sub judice não envolve Direito Privado, tampouco de relação
de consumo” (1.ª Turma, rel. Min. Luiz Fux, Informativo do STJ 208, maio 2004).

ESAF, Administrador do MPOG: “Um dos aspectos fundamentais, que caracteriza o contrato administrativo, no seu essencial,
distinguindo-o de outros comuns, regidos pelas disposições do direito privado, é o fato de ter por contratante uma pessoa
jurídica de direito público”.

• Principais características:
Contrato administrativo Contratos de direito privado

Presença da Administração em um dos polos da relação Presença da Administração em um dos polos da relação
contratual (regra). contratual (regra).

• Consecução do bem público:


Contrato administrativo Contratos de direito privado

Finalidade pública imediata ou direta. Finalidade pública mediata ou indireta.

• Regime jurídico:
Contrato administrativo Contratos de direito privado

Regido por normas de direito público, aplicando-se o Regido predominantemente por normas de direito
direito privado de modo supletivo. privado, parcialmente derrogadas por normas de direito
público.

Lei 8.666/1993, art. 60. (...) Parágrafo único. É nulo e de nenhum efeito o contrato verbal com a Administração, SALVO o de
pequenas compras de pronto pagamento, assim entendidas aquelas de valor não superior a 5% do limite estabelecido no art.
23, inciso II, alínea “a” desta Lei (= 4 mil reais), feitas em regime de adiantamento.

Prerrogativas Sujeições

Conferem certos poderes à Administração que a coloca Constituem-se em limitações impostas à Administração,
em posição de vantagem diante do particular necessárias para assegurar a finalidade pública e evitar o
desrespeito aos direitos dos cidadãos.

Aula 02 - Diferenças entre o Contrato Administrativo e o Direito Privado 2; Clausulas Exorbitantes 1

Contrato administrativo Contratos de direito privado

Presença obrigatória de cláusulas exorbitantes, as quais NÃO é obrigatória a presença de cláusulas exorbitantes,
estarão presentes na relação contratual mesmo que não que somente existirão se constarem expressamente do
estejam expressas no instrumento contratual. instrumento contratual.

FCC, Procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas: “Os contratos celebrados com particulares, em que a
Administração figurar como locatária, poderão conter cláusulas exorbitantes, derrogatórias do regime geral aplicável aos
contratos de locação”.

@dicasexconcurseira 120
• Características dos Contratos Administrativos:
a) presença da Administração Pública nesta qualidade;
b) finalidade pública;
c) procedimento legal;
d) bilateralidade;
e) consensualidade;
f) formalidade;
g) onerosidade;
h) comutatividade;
i) caráter sinalagmático;
j) natureza de contrato de adesão;
k) caráter intuitu personae (pessoalidade); - pode haver delegação de parte do contrato, desde que prevista expressamente.
l) presença de cláusulas exorbitantes;
m) mutabilidade. - poder de a Administração alterar unilateralmente (ou consensualmente) o contrato.

• Cláusulas exorbitantes

Maria Sylvia Zanella Di Pietro: cláusulas exorbitantes são “aquelas que não seriam comuns ou que seriam ilícitas em contrato
celebrado entre particulares, por conferirem PRERROGATIVAS a uma das partes (a Administração) em relação à outra; elas
colocam a Administração em posição de supremacia sobre o contratado”.

Hely Lopes Meirelles: cláusulas exorbitantes são “as que excedem do Direito Comum para consignar uma vantagem OU UMA
RESTRIÇÃO à Administração ou ao contratado”.

CESPE, Gestor de Políticas Públicas do Acre: “Cláusulas exorbitantes excedem do direito comum para conferir vantagem ou
restrição à administração pública ou ao contratado, como, por exemplo, a possibilidade de alteração e rescisão unilaterais por
iniciativa da administração e a garantia do equilíbrio econômico-financeiro, em favor do contratado”.

• Principais cláusulas exorbitantes:


Lei 8.666/1993, art. 58. O regime jurídico dos contratos administrativos instituído por esta Lei confere à Administração, em
relação a eles, a prerrogativa de:
I - modificá-los, unilateralmente, para melhor adequação às finalidades de interesse público, respeitados os direitos do
contratado;
II - rescindi-los, unilateralmente, nos casos especificados no inciso I do art. 79 desta Lei;
III - fiscalizar-lhes a execução;
IV - aplicar sanções motivadas pela inexecução total ou parcial do ajuste;
V - nos casos de serviços essenciais, ocupar provisoriamente bens móveis, imóveis, pessoal e serviços vinculados ao objeto do
contrato, na hipótese da necessidade de acautelar apuração administrativa de faltas contratuais pelo contratado, bem como
na hipótese de rescisão do contrato administrativo.
§ 1.º As cláusulas econômico-financeiras e monetárias dos contratos administrativos não poderão ser alteradas sem prévia
concordância do contratado.
§ 2.º Na hipótese do inciso I deste artigo, as cláusulas econômico-financeiras do contrato deverão ser revistas para que se
mantenha o equilíbrio contratual.

@dicasexconcurseira 121
PRINCIPAIS CLÁUSULAS EXORBITANTES

• alteração unilateral do contrato pela Administração;


• rescisão unilateral do contrato pela Administração;
• fiscalização da execução do contrato;
• aplicação de sanções;
• ocupação temporária;
• exigência de garantia;
• retomada do objeto;
• restrição ao uso do princípio da exceptio non adimpleti contractus (exceção de contrato não cumprido);
• anulação do contrato.

Aula 03 - Cláusulas Exorbitantes 2

• Possibilidade de ALTERAÇÃO UNILATERAL do contrato pela Administração

ao interesse ao interesse
público privado

* Flexibilização do princípio do pacta sunt servanda.

• Alteração unilateral do contrato administrativo – Hipóteses (art. 65, I, a e b, da Lei 8.666/1993:


a) modificação do projeto ou das especificações, para melhor adequação técnica aos seus objetivos (alteração qualitativa);
b) modificação do valor contratual em decorrência de acréscimo ou diminuição quantitativas de seu objeto, respeitados os
limites legais (alteração quantitativa).

@dicasexconcurseira 122
• Alteração unilateral:

Qualitativa Quantitativa

Lei silente. Duas correntes: Até 25% do valor inicial atualizado do contrato (esta é a
1.ª Não estão sujeitas a limites; regra), e no caso particular de reforma de edifício ou de
2.ª Existência de limites é indispensável. Deve-se adotar equipamento, até o limite de 50% para os seus
regras idênticas estipuladas para as alterações ACRÉSCIMOS (art. 65, § 1.º, da Lei 8.666/1993).
quantitativas. Posição do TCU.

2.ª corrente: Posição do TCU: Decisão Plenária 215/99, rel. Min. Substituto José Antônio Barreto de Macedo, DOU 21.05.1999).

Princípio da Respeito ao
Proporcionalidade contratado

Requisitos para alterações contratuais CONSENSUAIS, QUALITATIVAS e excepcionalíssimas de contratos de obras e serviços
ultrapassarem os limites quantitativos:
I - não acarretar para a Administração encargos contratuais superiores aos oriundos de uma eventual rescisão contratual por
razões de interesse público, acrescidos aos custos da elaboração de um novo procedimento licitatório;
II - não possibilitar a inexecução contratual, à vista do nível de capacidade técnica e econômico-financeira do contratado;
III - decorrer de fatos supervenientes que impliquem em dificuldades não previstas ou imprevisíveis por ocasião da contratação
inicial;
IV - não ocasionar a transfiguração do objeto originalmente contratado em outro de natureza e propósito diversos;
V - ser necessárias à completa execução do objeto original do contrato, à otimização do cronograma de execução e à
antecipação dos benefícios sociais e econômico decorrentes;
VI - demonstrar-se na motivação do ato que autorizar o aditamento contratual que extrapole os limites legais mencionados na
alínea “a”, supra que as consequências de outra alternativa (a rescisão contratual, seguida de nova licitação e contratação)
importam sacrifício insuportável ao interesse público primário (interesse coletivo) a ser atendido pela obra ou serviço, ou seja
gravíssimas a esse interesse; inclusive quanto à sua urgência e emergência.

ESAF, Procurador do Distrito Federal: “As alterações contratuais decorrentes de acréscimos ou supressões no objeto do contrato
podem ser classificadas como quantitativas e qualitativas, sendo que ambas estão sujeitas ao limite de 25% do valor atualizado
do contrato. Entretanto, em situações especialíssimas, o Tribunal de Contas da União admite a extrapolação do limite de 25%
apenas quando se tratar de alterações qualitativas”. — questão dificílima (entendimento do TCU).

Aula 04 - Cláusulas Exorbitantes 3

• Direito à MANUTENÇÃO DO EQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO INICIAL do contrato:


– Acréscimo ou supressão do objeto contratual: aditivo contratual ajustando o valor do contrato proporcionalmente aos novos
encargos do contratado, evitando enriquecimento sem causa de qualquer das partes (art. 65, § 6.º).
– Lei proíbe que a Administração altere unilateralmente as cláusulas econômico-financeiras e monetárias do contrato.: lei 8666,
art.58, § 1.º As cláusulas econômico-financeiras e monetárias dos contratos administrativos não poderão ser alteradas sem prévia
concordância do contratado.

Limites para Alteração Contratual

Alteração UNILATERAL por parte da Administração (qualitativa ou quantitativa)

1. Obras, serviços ou compras acréscimo – até 25%


supressão – até 25%

2. Reforma de edifício ou de equipamento acréscimo – até 50%


supressão – até 25%

@dicasexconcurseira 123
Limites para Alteração Contratual

Alteração BILATERAL (qualitativa ou quantitativa)

1. Obras, serviços ou compras acréscimo – até 25%


supressão – não há limite

2. Reforma de edifício ou de equipamento acréscimo – até 50%


supressão – não há limite

• Possibilidade de RESCISÃO UNILATERAL do contrato pela Administração:


– Rescisão contratual: extinção do vínculo contratual durante sua execução por:
a) inadimplência do particular;
b) razões de caso fortuito ou força maior que impeçam ou tornem inconveniente o prosseguimento do ajuste; ou
c) ocorrência de fatos que acarretem seu rompimento de pleno direito. - ex: falecimento do contratado, falência da pessoa
jurídica.

• Fiscalização da execução do contrato:

Administração Representante Contratação de terceiros para assisti-lo e subsidiá-lo de


informações pertinentes a essa atribuição

Contratado deverá manter preposto, aceito pela Administração, no local da obra ou serviço, para representá-lo na
execução do contrato (art. 68).

STF, ADI 916/MT: Declarou-se a inconstitucionalidade da Lei 6.209/1993, do Estado do Mato Grosso, que determinava que todos
os contratos celebrados entre o Governo daquele Estado e empresas particulares dependeriam de registro prévio junto ao
Tribunal de Contas estadual. Entendeu-se que o mencionado dispositivo legal ofendia o art. 71 da CF, aplicável aos tribunais de
contas estaduais em razão da regra da simetria (CF, art. 75), uma vez que a Constituição Federal não prevê como atribuição do
Tribunal de Contas da União o controle prévio dos contratos celebrados pela Administração (Rel. Min. Joaquim Barbosa, j.
02.02.2009, Informativo STF 534).

Aplicação de sanções

Aplicação direta Não necessita manifestação


em caso de do Poder Judiciário
inadimplemento

@dicasexconcurseira 124
• Sanções administrativas em caso de inadimplemento contratual (art. 87, Lei 8.666/1993):
a) ADVERTÊNCIA;
b) MULTA, na forma prevista no instrumento convocatório ou no contrato;
c) SUSPENSÃO TEMPORÁRIA de participação em licitação e impedimento de contratar com a Administração, por prazo não
superior a 2 anos;
d) DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE para licitar ou contratar com a Administração Pública, por, no mínimo, 2 anos. Necessidade
de reabilitação.

• Reabilitação:
– Direito do contratado.
– Será concedida depois de 2 anos da declaração de inidoneidade.
– Depende do contratado RESSARCIR a Administração pelos prejuízos causados.
* Declaração de inidoneidade é ato de competência exclusiva do Ministro de Estado, do Secretário Estadual ou Municipal (art.
87, § 3.º).

• Efeitos da declaração de inidoneidade:


- No tempo:
Superior Tribunal de Justiça Sanções só produzem efeitos para o futuro (efeito ex nunc), sem
interferir nos contratos já existentes e em andamento

STJ, 1.ª Seção, MS 14.002/DF: ausência do efeito rescisório automático não compromete nem restringe a faculdade que têm as
entidades da Administração Pública de, no âmbito da sua esfera autônoma de atuação, promover medidas administrativas
específicas para rescindir os contratos, nos casos autorizados e observadas as formalidades estabelecidas nos arts. 77 a 80 da Lei
8.666/1993 (Rel. Min. Teori Albino Zavascky, DJe 06.11.2009).

- Quanto à esfera em que a declaração de inidoneidade irá surtir efeito:


Efeitos da declaração de inidoneidade

Restritivo Extensivo (a inidoneidade impede que a empresa contrate com qualquer esfera)
STJ, REsp 174.274/SP

SUSPENSÃO TEMPORÁRIA PARA LICITAR OU DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE PARA LICITAR OU


CONTRATAR COM A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CONTRATAR COM A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

O prazo é estabelecido pela autoridade que aplicar a É aplicada por prazo indeterminado, perdurando até
sanção, não podendo ultrapassar 2 anos. que seja promovida a reabilitação perante a
autoridade que aplicou a penalidade. A reabilitação
depende de dois requisitos:
a) ser requerida após dois anos da declaração de
inidoneidade; e
b) o contratado ressarcir a Administração pelos
prejuízos que causar.

Efeito ex nunc (STJ) Efeito ex nunc (STJ)


Efeito extensivo (STJ) Efeito extensivo (STJ)
Aplicável a qualquer dos participantes do certame Aplicável a qualquer dos participantes do certame
(não apenas a quem venceu)

O Estatuto das Licitações e Contratos não prevê a A aplicação desta penalidade é de competência
competência exclusiva para a aplicação desta exclusiva do Ministro de Estado, do Secretário
penalidade Estadual ou Municipal, conforme o caso.

@dicasexconcurseira 125
Aula 05 - Cláusulas Exorbitantes 4

Ocupação temporária de bens do contratado por parte da Administração

– Medida acautelatória – Rescisão contratual


– Impedir que o contratado – Continuidade da prestação do serviço
atrapalhe a apuração dos fatos público essencial

• Exigência de garantia:
a) Na licitação:
– Integra a documentação pertinente à qualificação econômico-financeira apresentada na fase de habilitação do procedimento
licitatório.
– Deverá ser devolvida aos licitantes não vencedores.
– Não poderá ultrapassar 1% do valor estimado do contrato.
b) Do contratado:
– Exigência deve estar prevista no instrumento convocatório da licitação.
– Não poderá ultrapassar 5% do valor do contrato. Em obras, serviços e fornecimentos de grande vulto, pode ser elevada para
até 10%.

• Modalidades de garantia: Direito de escolher pelo licitante ou contratado


i) caução em dinheiro ou em títulos da dívida pública, devendo estes ter sido emitidos sob a forma escritural, mediante registro
em sistema centralizado de liquidação e de custódia autorizado pelo Banco Central do Brasil e avaliados pelos seus valores
econômicos, conforme definido pelo Ministério da Fazenda;
ii) seguro-garantia;
iii) fiança bancária.

• Substituição de garantia:
CESPE, Juiz Substituto do TJSE: “A substituição da garantia da execução do contrato administrativo exige aquiescência da
administração e concordância do contratado”.

• Exigência de garantia:
c) CONCESSÃO de serviço público PRECEDIDA DA EXECUÇÃO DE OBRA PÚBLICA: é obrigatória a exigência de garantia para a
execução da obra, limitada ao valor da obra (Lei 8.987/1995, art. 18, XV, c/c o art. 23, parágrafo único, II).
d) parcerias público-privadas: obrigatória a exigência de garantia do parceiro privado, limitada a 10% do valor do contrato.

@dicasexconcurseira 126
LIMITES DAS GARANTIAS
Licitantes Contratados

a) até 1% do valor estimado da contratação. a) até 5% do valor do contrato, atualizados nas


mesmas condições daquele;

b) para obras, e fornecimentos de grande vulto


envolvendo alta complexidade técnica e riscos
financeiros consideráveis, até 10% do valor do
contrato;

c) quando envolver a entrega de bens pela


Administração, dos quais o contratado ficará como
depositário, o valor da garantia deverá ser acrescido
do valor desses bens.

Parceiro privado nas PPP Concessão de serviço público precedida de obra


pública

a) até 10% do valor do contrato, e, caso envolva a a) garantia para a execução da obra, limitada ao valor
entrega de bens pela Administração, dos quais o desta obra.
contratado ficará como depositário, o valor da
garantia deverá ser acrescido do valor desses bens.

• Retomada do objeto

• Restrição ao uso do princípio da Exceptio Non Adimpleti Contractus (exceção de contrato não cumprido)

Apenas se houver atraso superior a 90 dias dos pagamentos devidos pela administração pública.
* Exceto casos de calamidade pública, grave perturbação da ordem interna ou guerra, que aí o contratado terá que
continuar prestando o serviço, mesmo que por inadimplemento superior a 90 dias.

• Opções do contratado, após o prazo de 90 dias:


a) suspender o cumprimento de suas obrigações até que seja normalizada a situação, opondo a exceção do contrato não
cumprido; ou
b) obter a rescisão judicial ou amigável do contrato (Lei 8.666/1993, art. 78, XV).

• Anulação do contrato
Autotutela

STF, Súmula 346. A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos.

STF, Súmula 473. A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles
não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e
ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.

Lei 8.666/1993, art. 59. A declaração de nulidade do contrato administrativo opera retroativamente impedindo os efeitos
jurídicos que ele, ordinariamente, deveria produzir, além de desconstituir os já produzidos.
Parágrafo único. A nulidade não exonera a Administração do dever de indenizar o contratado pelo que este houver executado
até a data em que ela for declarada e por outros prejuízos regularmente comprovados (vedação ao enriquecimento sem
causa), contanto que não lhe seja imputável (contato que não seja por culpa do próprio contratado), promovendo-se a
responsabilidade de quem lhe deu causa.

@dicasexconcurseira 127
• Principais aspectos da ANULAÇÃO do contrato administrativo:
a) Caráter retroativo;
b) Nulidade do procedimento licitatório implica a nulidade do contrato;
c) Dever da Administração de indenizar o contratado;
d) Dever da Administração de responsabilizar aqueles que deram causa à nulidade do contrato administrativo e provocaram
prejuízo ao erário.

Aula 06 - Formalidades do Contrato; Alteração bilateral do contrato; Prazo de duração e de prorrogação dos contratos;
Recebimento do objeto 1

• Formalidades dos contratos:


– Formais e escritos.
– Instrumento de contrato (termo de contrato): obrigatório nas hipóteses de CONCORRÊNCIA ou TOMADA DE PREÇOS e nas
DISPENSAS OU INEXIGIBILIDADES de licitação cujos valores contratados estejam compreendidos nos mesmos limites.

* Exceção: casos de compras (de até 4 mil reais) com entrega imediata e integral dos bens adquiridos, dos quais não resultem
obrigações futuras(art. 62, § 4º). CUIDADO: se existirem prestações futuras (ex: assistência técnica), tem que haver
instrumento de contrato.

Instrumentos hábeis para substituir o contrato - rol exemplificativo


a) Carta-contrato;
b) Nota de empenho da despesa - o empenho dá garantia que há dotação orçamentária para pagamento futuro.
c) Autorização de compra;
d) Ordem de execução de serviço;
e) Outro instrumento hábil.

– Lavratura nas repartições interessadas.


– Nomes das partes.
– Nomes de seus representantes.
– Finalidade.
– Ato que autorizou a sua lavratura.
– Número do processo da licitação, da dispensa ou da inexigibilidade.
– Sujeição dos contratantes às normas da Lei 8.666/1993 e às cláusulas contratuais (art. 61).

• Cláusulas necessárias (art. 55, Lei 8.666/1993):


a) objeto do contrato e seus elementos característicos;
b) regime de execução do contrato ou a forma de fornecimento;
c) preço e as condições de pagamento, os critérios, data-base e periodicidade do reajustamento de preços, os critérios de
atualização monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento;
(...)

@dicasexconcurseira 128
• Publicação do extrato contratual
Lei 8.666/1993, art. 61. (...) Parágrafo único. A PUBLICAÇÃO RESUMIDA a do instrumento de contrato ou de seus aditamentos
na imprensa oficial, que é condição INDISPENSÁVEL para sua EFICÁCIA, será providenciada pela Administração até o 5º dia útil
do mês seguinte ao de sua assinatura, para ocorrer no prazo de vinte dias daquela data, qualquer que seja o seu valor, ainda
que sem ônus, ressalvado o disposto no art. 26 desta Lei. — “daquela data”? A data da assinatura ou até 20 dias depois do 5º dia
útil do mês seguinte ao da assinatura? Há duas correntes.

• Prazo para publicação – Dois entendimentos quanto ao “daquela data”:


1.º Até, no máximo, o quinto dia útil do mês seguinte ao de sua assinatura, não podendo ultrapassar o prazo de 20 dias da
assinatura do contrato.
2.º Deve ocorrer no prazo de 20 dias, contados do quinto dia útil do mês seguinte ao da sua assinatura.

CESPE, Auditor Interno de Minas Gerais: “O contrato deve ser publicado resumidamente no Diário Oficial no prazo máximo de
20 dias a contar da assinatura, sendo dispensável essa publicação se tiver sido formalizado por instrumento lavrado em cartório
de notas”.

• Alteração bilateral do contrato:


– Administração e o contratado por acordo (alteração bilateral).
– Não constitui cláusula exorbitante.
– Decorrência da autonomia de vontade das partes contratantes.

Prazo de duração e prorrogação dos contratos na Lei 8.666/1993

• Exceções (art. 57, Lei 8.666/1993):


a) quando o contrato se referir à execução dos projetos cujos produtos estejam contemplados nas metas estabelecidas no
Plano Plurianual, os quais poderão ser prorrogados se houver interesse da Administração e desde que isso tenha sido previsto
no ato convocatório (art. 57, I);
b) quando o contrato for relativo à prestação de serviços a serem executados de forma contínua, que poderão ter a sua
duração prorrogada por iguais e sucessivos períodos visando à obtenção de preços e condições mais vantajosas para a
administração, LIMITADA A 60 MESES (art. 57, II);
c) no caso do aluguel de equipamentos e da utilização de programas de informática, podendo a duração estender-se pelo
prazo de ATÉ 48 MESES após o início da vigência do contrato (art. 57, IV);
d) nos contratos celebrados com dispensa de licitação pelos seguintes motivos:
i) possibilidade de comprometimento da segurança nacional;
ii) para as compras de material de uso das forças armadas, exceto materiais de uso pessoal e administrativo, quando houver
necessidade de manter a padronização requerida pela estrutura de apoio logístico naval, aéreo e terrestre;
iii) para o fornecimento de bens e serviços, produzidos ou prestados no País, que envolvam, cumulativamente, alta
complexidade tecnológica e defesa nacional;
iv) para contratação de empresas relacionadas à pesquisa e desenvolvimento tecnológico, conforme previsto nos arts. 3.º, 4.º,
5.º e 20 da Lei 10.973/2004. Estes contratos poderão ter vigência por ATÉ 120 MESES, caso haja interesse da Administração (art.
57, V).

• Emergência ou calamidade pública:


– Dispensa de licitação.
– Duração do contrato pelo período necessário ao afastamento da urgência.
– Prazo máximo de 180 dias, contados da ocorrência da emergência ou calamidade.
– Vedação da prorrogação (art. 24, IV, Lei 8.666/1993). Ver posição do TCU abaixo.

@dicasexconcurseira 129
TCU, AC-1941-39/07-P: A regra pode ser excepcionada em hipóteses restritas, resultantes de fato superveniente, e desde que a
duração do contrato se estenda por lapso de tempo razoável e suficiente para enfrentar a situação emergencial.

Proibição do prazo de vigência indeterminado (Lei 8.666/1993, art. 57, § 3.º)

Não aplicação ao CONTRATO DE CONCESSÃO DE DIREITO REAL DE USO DE TERRENOS PÚBLICOS para fins específicos de
regularização fundiária de interesse social, urbanização, industrialização, edificação, cultivo da terra, aproveitamento
sustentável das várzeas, preservação das comunidades tradicionais e seus meios de subsistência ou outras modalidades de
interesse social em áreas urbanas, que poderá ser firmado por tempo certo ou INDETERMINADO (Decreto-lei 271/1967, art.
7.º, com redação dada pela Lei 11.481/2007).
CESPE, Auditor das Contas Públicas da Controladoria Geral do Estado da Paraíba: “Não é permitida a celebração de contrato
administrativo por prazo indeterminado”.

Fato justificado e autorizado previamente pela autoridade competente (art. 57, § 1.º, Lei 8.666/1993)

• Hipóteses excepcionais de PRORROGAÇÃO dos prazos contratuais:


a) alteração do projeto ou especificações, pela Administração;
b) superveniência de fato excepcional ou imprevisível, estranho à vontade das partes, que altere fundamentalmente as
condições de execução do contrato;
c) interrupção da execução do contrato ou diminuição do ritmo de trabalho por ordem e no interesse da Administração;
d) aumento das quantidades inicialmente previstas no contrato, nos limites permitidos por esta Lei;
(...)

• Recebimento do objeto: é o ato da Administração de atestar que o contrato foi cumprido.

Aula 07 - Recebimento do objeto 2; Responsabilidade pela Execução do Contrato

Recebimento provisório Recebimento definitivo

Consiste na simples transferência da posse do bem ou Implica o reconhecimento pela Administração de que o
dos resultados do serviço para a Administração, não objeto do contrato foi cumprido. Contudo, tal fato não
implicando a liberação integral do particular, nem que a libera o particular de responder pelos vícios ocultos,
Administração esteja reconhecendo que o objeto é bom que são aqueles que só se revelam em momento
ou que foi executado adequadamente. posterior.

• Regras a respeito do recebimento do objeto


– Quanto a obras e serviços, o objeto será recebido:
a) Provisoriamente: em até 15 dias da comunicação escrita do contratado;
b) Definitivamente: após o prazo de observação ou vistoria (até 90 dias).

– Quanto a compras ou locação de equipamentos, o objeto será recebido:


a) provisoriamente: para efeito de posterior verificação da conformidade do material com a especificação;
b) definitivamente: após a verificação da qualidade e quantidade do material e consequente aceitação.

– Aquisição de grande vulto: recebimento mediante termo circunstanciado.


* Fora desses casos, mediante recibo (art. 73, § 1.º, Lei 8.666/1993).

– Recebimento provisório ou definitivo não exclui:


a) responsabilidade civil pela solidez e segurança da obra ou do serviço;
b) responsabilidade ético-profissional pela perfeita execução do contrato, dentro dos limites estabelecidos pela lei ou pelo
contrato (art. 73, § 2º, Lei 8.666/1993).

– Dispensa do recebimento provisório – O recebimento definitivo é imediato:


a) gêneros perecíveis e alimentação preparada;
b) serviços profissionais;
@dicasexconcurseira 130
c) obras e serviços de valor até R$ 80.000,00, desde que não se componham de aparelhos, equipamentos e instalações sujeitos
à verificação de funcionamento e produtividade.

– Recebimento tácito:
a) Inércia da administração (deve haver notificação à administração nos 15 dias anteriores ao fim do prazo);
b) Conduta incompatível com a rejeição.

• Responsabilidade pela execução do contrato: lei prevê que o contratado é obrigado a reparar, corrigir, remover, reconstruir
ou substituir, às suas expensas, no total ou em parte, o objeto do contrato em que se verificarem vícios, defeitos ou incorreções
resultantes da execução ou de materiais empregados (art. 69).

IMPORTANTE! IMPORTANTE! IMPORTANTE! IMPORTANTE!

– EXECUÇÃO DO CONTRATO: culpa ou dolo – responsabilidade SUBJETIVA DO CONTRATADO (art. 70, Lei 8.666/1993).

– PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS: responsabilidade OBJETIVA (independentemente de culpa ou dolo) – art. 37, § 6.º, da
CF.

IMPORTANTE! IMPORTANTE! IMPORTANTE! IMPORTANTE!

Responsabilidades do contratado:
a) o contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do
contrato (art. 71);
b) a inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais, NÃO TRANSFERE À
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a
regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis (art. 71, § 1.º);

DE OLHO NA JURIS! O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados do contratado não transfere
automaticamente ao Poder Público a responsabilidade pelo seu pagamento
O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados do contratado não transfere automaticamente ao Poder Público
contratante a responsabilidade pelo seu pagamento, seja em caráter solidário ou subsidiário, nos termos do art. 71, § 1º, da Lei
nº 8.666/93. Obs: a tese acima foi a fixada pelo STF. No entanto, penso que é importante um esclarecimento revelado durante
os debates: é possível sim, excepcionalmente, que a Administração Pública responda pelas dívidas trabalhistas contraídas pela
empresa contratada e que não foram pagas, desde que o ex-empregado reclamante comprove, com elementos concretos de
prova, que houve efetiva falha do Poder Público na fiscalização do contrato. STF. Plenário. RE 760931/DF, rel. orig. Min. Rosa
Weber, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgado em 26/4/2017 (repercussão geral) (Info 862).

@dicasexconcurseira 131
Competência para julgar responsabilização trabalhista subsidiária da União pelo inadimplemento do contratado
A União possui um contrato com a empresa privada "XXX Vigilância Ltda.". Por meio deste contrato, a empresa, com seus
funcionários, obrigou-se a fazer a vigilância armada do prédio onde funciona o órgão público federal, recebendo, em
contraprestação, R$ 200 mil mensais. A União, percebendo que a empresa estava atrasando os salários e com receio de ser
condenada por responsabilidade subsidiária (Súmula 331 do TST), decidiu suspender o pagamento da contraprestação mensal
devida e ajuizar ação de consignação em pagamento a fim de depositar em juízo os R$ 200 mil previstos no contrato. Surgiu, no
entanto, uma dúvida: onde deverá ser proposta essa ação, na Justiça Federal comum ou na Justiça do Trabalho? Justiça do
Trabalho. A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ação de consignação em pagamento movida pela União
contra sociedade empresária por ela contratada para a prestação de serviços terceirizados, caso a demanda tenha sido proposta
com o intuito de evitar futura responsabilização trabalhista subsidiária da Administração nos termos da Súmula 331 do TST. STJ.
2ª Seção. CC 136739-RS, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 23/9/2015 (Info 571).

c) A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA RESPONDE SOLIDARIAMENTE COM O CONTRATADO PELOS ENCARGOS PREVIDENCIÁRIOS


resultantes da execução do contrato (art. 71, § 2.º);
d) o contratado é responsável pelos custos dos ensaios, testes e demais provas exigidos por normas técnicas oficiais para a boa
execução do objeto do contrato, salvo se houver previsão em sentido contrário constante do edital, convite ou de ato normativo
(art. 75).

TST, Súmula 331. “O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade
SUBSIDIÁRIA do tomador dos serviços (poder público), quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da
administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde
que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial”.

• Responsabilidade do contratado:
a) Pelo objeto do contrato: sendo obrigado a reparar, corrigir, remover, reconstruir ou substituir, às suas expensas, no total ou
em parte, o objeto do contrato em que se verificarem vícios, defeitos ou incorreções resultantes da execução ou de materiais
empregados.
b) Responsabilidade civil: pelos danos causados diretamente a Administração ou a terceiros. No entanto, se o dano for
decorrente da prestação de serviços públicos, a responsabilidade do contratado perante terceiros será OBJETIVA.

Aula 08 - Mutabilidade dos Constratos Administrativos

• Mutabilidade dos contratos administrativos – Decorre de:


a) cláusulas exorbitantes que permitem a sua alteração ou rescisão unilateral por interesse público antes do prazo estabelecido,
ou
b) acontecimentos que dificultam ou retardam a execução do contrato, tornando-o mais oneroso, ou mesmo impedindo o
prosseguimento da sua execução.
* O equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato deve ser aferido em relação à data de APRESENTAÇÃO DAS
PROPOSTAS pelos licitantes.

ESAF, Procurador do Distrito Federal:“O equilíbrio econômico-financeiro do contrato administrativo se perfaz na relação entre
os encargos impostos ao particular e a remuneração correspondente, dessa forma o momento da definição desse equilíbrio é o
da assinatura do contrato, pois é a partir daí que se estabelecem as obrigações e os direitos”.

@dicasexconcurseira 132
• Reequilíbrio econômico financeiro dos contratos:
– Reajuste: fórmula prevista no contrato e utilizada para proteger os contratados dos efeitos inflacionários (art. 55, III, Lei
8.666/1993).
– Revisão: decorre de um fato superveniente ou de fatos já existentes no momento da celebração do contrato, mas que eram
desconhecidos pelas partes contratantes.

• Riscos do contrato (Maria Sylvia Zanella Di Pietro):


a) Álea ordinária ou empresarial - risco que toda atividade empresarial gera.
b) Álea administrativa - comportamentos da Administração.
b.1) alteração unilateral;
b.2) fato do príncipe (atuação da Administração como Poder Público) - o Poder Público, por ex, aumenta o imposto de
importação de vários produtos, que acaba impactando um contrato administrativo previamente celebrado.
b.3) fato da Administração - a Administração, por ex, atrasada na liberação do terreno onde deve ser feita a obra. É ato que se
refere diretamente ao contrato celebrado.
c) Álea econômica - risco econômico.
d) Força maior e caso fortuito - caso fortuito = evento da natureza (ex: tsunami); força maior = evento do homem (ex: greve,
guerra).
e) Fatos imprevistos - situações descobertas após a celebração do contrato.

CESPE, Procurador do Ceará: “Caracteriza-se o fato do príncipe quando a administração, como parte contratual, torna impossível
a execução do contrato ou provoca seu desequilíbrio econômico”.

STJ, 2.ª T., REsp 134.797/DF: O aumento do piso salarial da categoria NÃO constitui fato imprevisível capaz de autorizar a
revisão do contrato (Rel. Paulo Gallotti, j. 16.05.2000, DJ 1.º.08.2000, p. 222).

CESPE, Juiz Federal Substituto do TRF 5.ª Região: “Não pode ser aplicada a teoria da imprevisão para a recomposição do
equilíbrio econômico-financeiro do contrato administrativo na hipótese de aumento salarial concedido, em virtude de dissídio
coletivo, aos empregados da empresa contratada pela administração para terceirização de serviço, pois tal dissídio constitui
evento certo que deveria ser levado em conta quando da efetivação da proposta”.

• Contratos de parceria público-privada (Lei 11.079/2004):


– Repartição dos riscos entre as partes contratantes, inclusive na hipótese de caso fortuito, força maior, fato do príncipe e álea
econômica.

TCU, AC-2225-24/08-1: “Na repactuação dos contratos de serviços de natureza continuada deverá ser observado o interregno
mínimo de um ano, a contar da data da proposta ou da data do orçamento a que a proposta se referir. Nas repactuações
subsequentes à primeira, o prazo mínimo de um ano conta-se a partir da data da última repactuação” (Sessão 15.07.2008, rel.
Min. Marcos Bemquerer).

Aula 09 - Extinção do contrato; Rescisão do contrato administrativo; Consequências da rescisão contratual; Principais espécies
de contratos administrativos

• Extinção do contrato:
a) de maneira ORDINÁRIA, pelo cumprimento do objeto ou pelo advento do termo final previsto no contrato;
b) de forma EXTRAORDINÁRIA, pela anulação (ilegalidade no contrato ou na licitação) ou pela rescisão contratual.

• Rescisão do contrato administrativo (Lei 8.666/1993, art. 78, I a XVIII) – Três espécies:
a) rescisão amigável;
b) rescisão judicial - por iniciativa do partícular.
c) rescisão unilateral.

• Rescisão judicial proposta pelo CONTRATADO ou AMIGÁVEL


– Causas de rescisão do contrato administrativo:
a) a supressão, por parte da Administração, de obras, serviços ou compras, acarretando modificação do valor inicial do
contrato além do limite permitido na lei;
b) a suspensão de sua execução, por ordem escrita da Administração, por prazo superior a 120 dias, salvo em caso de
calamidade pública, grave perturbação da ordem interna ou guerra, ou ainda por repetidas suspensões que totalizem o mesmo
@dicasexconcurseira 133
prazo, independentemente do pagamento obrigatório de indenizações pelas sucessivas e contratualmente imprevistas
desmobilizações e mobilizações e outras previstas, assegurado ao contratado, nesses casos, o direito de optar pela suspensão do
cumprimento das obrigações assumidas até que seja normalizada a situação;
c) o atraso superior a 90 dias dos pagamentos devidos pela Administração decorrentes de obras, serviços ou fornecimento, ou
parcelas destes, já recebidos ou executados, salvo em caso de calamidade pública, grave perturbação da ordem interna ou
guerra, assegurado ao contratado o direito de optar pela suspensão do cumprimento de suas obrigações até que seja
normalizada a situação;
d) a não liberação, por parte da Administração, de área, local ou objeto para execução de obra, serviço ou fornecimento, nos
prazos contratuais, bem como das fontes de materiais naturais especificadas no projeto.

• Rescisão unilateral pela Administração, judicial proposta pelo contratado ou amigável


– Causas de rescisão do contrato administrativo:
a) a ocorrência de caso fortuito ou força maior, regularmente comprovada impeditiva da execução do contrato.

• Culpa do contratado (art. 80, I a IV, Lei 8.666/1993):


a) assunção imediata do objeto do contrato, no estado e local em que se encontrar, por ato próprio da Administração;
b) ocupação e utilização provisória do local, instalações, equipamentos, material e pessoal empregados na execução do
contrato, necessários à sua continuidade, que deverá ser precedida de autorização expressa do Ministro de Estado
competente, ou Secretário Estadual ou Municipal, conforme o caso (art. 80, § 3.º);
c) execução da garantia contratual, para ressarcimento da Administração, e dos valores das multas e indenizações a ela devidos;
d) retenção dos créditos decorrentes do contrato até o limite dos prejuízos causados à Administração.

• Sem culpa do contratado – Direitos (art. 79, § 2.º, Lei 8.666/1993):


a) ser ressarcido dos prejuízos regularmente comprovados que houver sofrido;
b) devolução da garantia contratual;
c) pagamentos devidos pela execução do contrato até a data da rescisão;
d) pagamento do custo de desmobilização.

STJ, 2.ª T., REsp 730.800/DF: “Recebida a prestação executada pelo contratado, não pode a Administração se locupletar
indevidamente, e, ao argumento da não comprovação da quitação dos débitos perante a Fazenda Pública, reter os valores
devidos por serviços já prestados, o que configura violação ao princípio da moralidade administrativa” (Rel. Min. Franciulli
Netto, j. 06.09.2005, DJ 21.03.2006, p. 115).

CESPE, Promotor de Justiça Substituto do MPE-RO: “Caso determinada empresa seja contratada pelo Estado de Rondônia para
prestar serviço de natureza contínua e, ao longo da execução do contrato, essa empresa fique inadimplente em relação ao fisco
estadual, nessa hipótese, conforme precedente do STJ, o Estado de Rondônia poderá reter o pagamento da parcela, mesmo que
o serviço tenha sido prestado adequadamente”.

• Contrato de obra pública:


– Objeto: construção, reforma, fabricação, recuperação ou ampliação, realizada por execução direta ou indireta (art. 6.º, I, Lei
8.666/1993). - lista exaustiva. OBS: demolição não é obra; demolição é considerado serviço.

– Atividades que consistem na realização de obra (José dos Santos Carvalho Filho):
a) Construção: “resulta de atividades e materiais destinados à criação do bem”;
b) Reforma: “é o conjunto de alterações que esse bem pode sofrer, sem que seja ampliado”;
c) Fabricação: “indica o sentido de criação do bem”;
d) Recuperação: “que não deixa de ser uma reforma, contrata-se para o fim especial de restauração do bem”;
e) Ampliação: ”pressupõe que o bem já exista, mas que pelo contrato vai receber acréscimo em suas dimensões”.

– As obras poderão ser executadas:


a) Diretamente; - a Administração faz pelos seus próprios meios, ou seja, por entidade ou órgão da Administração Direta ou
Indireta.
b) Indiretamente. - o particular é contratado pela Administração para executar a obra.

– Regimes de execução indireta (art. 10, II, Lei 8.666/1993):


a) Empreitada por preço global (art. 6.º, VIII, a) - contrata a obra ou serviço por preço certo e global/total.
b) Empreitada por preço unitário (art. 6.º, VIII, b) - contrata a obra ou serviço por preço certo de unidades determinadas.

@dicasexconcurseira 134
c) Tarefa (art. 6.º, VIII, d) - quando se ajusta mão-de-obra para pequenos trabalhos com preço certo, com ou sem fornecimento
de material.. Ex: contratação para pintar uma parede.
d) Empreitada integral - contrata um empreendimento em sua totalidade, até a entrega ao contratante já em condições de
funcionamento.

– Administração contratada - vetada - seria: o poder público contrata a empresa que vai fazer a obra e ela será remunerada com
base nos gastos que ela faria na obra. A tendência seria a empresa fazer com que a obra fosse a mais cara possível e isso
contraria o interesse público.

• Contrato de prestação de serviços


– Prestação de serviços: atividade destinada a obter determinada utilidade de interesse para a Administração, tais como:
demolição, conserto, instalação, montagem, operação, conservação, reparação, adaptação, manutenção, transporte, locação de
bens, publicidade, seguro ou trabalhos técnico-profissionais (art. 6.º, II, Lei 8.666/1993).
STF: para efeito de tributação, locação de bem imóvel não é serviço, pois serviço é contratação de obrigação de fazer.
No caso de locação de bem imóvel, há a entrega do bem.

• Serviços técnicos profissionais especializados (art. 13, I a VII, Lei 8.666/1993) - rol taxativo:
a) estudos técnicos, planejamentos e projetos básicos ou executivos;
b) pareceres, perícias e avaliações em geral;
c) assessorias ou consultorias técnicas e auditorias financeiras ou tributárias;
d) fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras ou serviços;
e) patrocínio ou defesa de causas judiciais ou administrativas;
f) treinamento e aperfeiçoamento de pessoal;
g) restauração de obras de arte e bens de valor histórico.

– Inexigibilidade de licitação de serviços técnicos profissionais especializados (requisitos cumulativos):


a) serem de natureza singular;
b) serem prestados por profissionais ou empresas com notória especialização.

• Contrato de fornecimento (ou compras): aquele pelo qual a Administração Pública adquire bens móveis ou semoventes
necessários à execução de obras ou serviços.

• Contrato de concessão – Três espécies:


a) de serviço público;
b) de obra pública;
c) de uso de bem público.

– Concessão de serviço público – Espécies:


a) comum;
b) patrocinada;
c) administrativa.

– Concessão de obra pública

– Concessão de uso

• Contrato de permissão de serviço público (art. 40, Lei 8.987/1995):

Lei 8.987/1995, art. 2.º, IV – permissão de serviço público: a delegação, a título precário, mediante licitação, da prestação de
serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade para seu desempenho, por
sua conta e risco.

* Formalizada mediante contrato de adesão.

@dicasexconcurseira 135
Aula 10 - Convênios Administrativos

• Convênios administrativos: ajustes entre o Poder Público e entidades públicas ou privadas, em que se estabelecem a
previsão de colaboração mútua, visando à realização de objetivos de interesse comum.

Convênio Contrato

Contrato administrativo Convênio administrativo

Interesses dos contratantes são contraditórios e opostos Interesses dos signatários são comuns

Relação jurídica bilateral (mesmo que apareçam diversas É possível a existência de diversos polos ocupados por
pessoas no mesmo polo da relação contratual) diversos convenentes

Salvo expressa expressão, não há liberdade para os Há a possibilidade de se retirar do convênio de forma
contratantes se retirarem livremente da avença relativamente livre

Nos contratos de constituição de sociedades, há criação A regra é a NÃO aquisição de personalidade jurídica
de nova pessoa jurídica pelo convênio

A regra é a necessidade de licitação para a escolha do Normalmente há impossibilidade jurídica de


contratado competição (inexigibilidade)

• Plano de trabalho prévio ao convênio deve conter (art. 116, § 1.º, Lei 8.666/1993):
a) identificação do objeto a ser executado;
b) metas a serem atingidas;
c) etapas ou fases de execução;
d) plano de aplicação dos recursos financeiros;
e) cronograma de desembolso;
f) previsão de início e fim da execução do objeto, bem assim da conclusão das etapas ou fases programadas;
g) se o ajuste compreender obra ou serviço de engenharia, comprovação de que os recursos próprios para complementar a
execução do objeto estão devidamente assegurados, salvo se o custo total do empreendimento recair sobre a entidade ou
órgão descentralizador.

• Hipóteses de retenção das parcelas do convênio (art. 116, § 3.º, Lei 8.666/1993):
a) quando não tiver havido comprovação da boa e regular aplicação da parcela anteriormente recebida;
b) quando verificado desvio de finalidade na aplicação dos recursos, atrasos não justificados no cumprimento das etapas ou
fases programadas, práticas atentatórias aos princípios fundamentais de Administração Pública nas contratações e demais atos
praticados na execução do convênio, ou o inadimplemento do executor relativo a outras cláusulas conveniais básicas;
c) quando o executor deixar de adotar as medidas saneadoras apontadas pelo partícipe repassador dos recursos ou por
integrantes do respectivo sistema de controle interno.

• Regras financeiras (art. 116, Lei 8.666/1993):


a) Os saldos de convênio, enquanto não utilizados, serão obrigatoriamente aplicados em cadernetas de poupança de instituição
financeira oficial, se a previsão de seu uso for igual ou superior a um mês, ou em fundo de aplicação financeira de curto prazo ou
operação de mercado aberto lastreada em títulos da dívida pública, quando a utilização destes se verificar em prazos menores
que um mês (art. 116, § 4.º);
b) As receitas financeiras auferidas na forma do parágrafo anterior serão obrigatoriamente computadas a crédito do convênio e
aplicadas, exclusivamente, no objeto de sua finalidade, devendo constar de demonstrativo específico que integrará as
prestações de contas do ajuste (art. 116, § 5.º);
c) Quando da conclusão, denúncia, rescisão ou extinção do convênio, acordo ou ajuste, os saldos financeiros remanescentes,
inclusive os provenientes das receitas obtidas das aplicações financeiras realizadas, serão devolvidos à entidade ou órgão
repassador dos recursos, no prazo improrrogável de 30 dias do evento, sob pena da imediata instauração de tomada de contas
especial do responsável, providenciada pela autoridade competente do órgão ou entidade titular dos recursos (art. 116, § 6.º).

@dicasexconcurseira 136
• Âmbito da União:
Decreto 6.170/2007, art. 1.º. Este Decreto regulamenta os convênios, contratos de repasse e termos de execução
descentralizada celebrados pelos órgãos e entidades da administração pública federal com órgãos ou entidades públicas ou
privadas sem fins lucrativos, para a execução de programas, projetos e atividades que envolvam a transferência de recursos ou a
descentralização de créditos oriundos dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União.

Convênio: acordo, ajuste ou qualquer outro instrumento que discipline a transferência de recursos financeiros de dotações
consignadas nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União e tenha como partícipe, de um lado, órgão ou entidade da
administração pública federal, direta ou indireta, e, de outro lado, órgão ou entidade da administração pública estadual, distrital
ou municipal, direta ou indireta, ou ainda, entidades privadas sem fins lucrativos, visando a execução de programa de governo,
envolvendo a realização de projeto, atividade, serviço, aquisição de bens ou evento de interesse recíproco, em regime de mútua
cooperação;

Contrato de repasse: instrumento administrativo, de interesse recíproco, por meio do qual a transferência dos recursos
financeiros se processa por intermédio de instituição ou agente financeiro público federal, que atua como mandatário da União.

Termo de execução descentralizada: instrumento por meio do qual é ajustada a descentralização de crédito entre órgãos e/ou
entidades integrantes dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União, para execução de ações de interesse da unidade
orçamentária descentralizadora e consecução do objeto previsto no programa de trabalho, respeitada fielmente a classificação
funcional programática.

• Proibição de celebração de convênios e contratos de repasse (art. 2.º, Decreto 6.170/2007):


a) com órgãos e entidades da administração pública direta e indireta dos Estados, Distrito Federal e Municípios, cujo valor seja
inferior a R$ 100.000,00 ou, no caso de execução de obras e serviços de engenharia, exceto elaboração de projetos de
engenharia, nos quais o valor da transferência da União seja inferior a R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais);
b) com entidades privadas sem fins lucrativos que tenham como dirigente agente político de Poder ou do Ministério Público,
dirigente de órgão ou entidade da administração pública de qualquer esfera governamental, ou respectivo cônjuge ou
companheiro, bem como parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o segundo grau; e
c) entre órgãos e entidades da administração pública federal, porque nessa hipótese deverá ser firmado termo de execução
descentralizada;
d) com entidades privadas sem fins lucrativos que não comprovem ter desenvolvido, durante os últimos três anos, atividades
referentes à matéria objeto do convênio ou contrato de repasse; e
e) com entidades privadas sem fins lucrativos que tenham, em suas relações anteriores com a União, incorrido em pelo menos
uma das seguintes condutas:
e.1) omissão no dever de prestar contas;
e.2) descumprimento injustificado do objeto de convênios, contratos de repasse ou termos de parceria;
e.3) desvio de finalidade na aplicação dos recursos transferidos;
e.4) ocorrência de dano ao Erário;
e.5) prática de outros atos ilícitos na execução de convênios, contratos de repasse ou termos de parceria.

CESPE, Advogado da União: “Segundo as normas aplicáveis às transferências de recursos da União, é vedada a celebração de
convênios e contratos de repasse entre órgãos e entidades da administração pública federal, caso em que deverá ser firmado
termo de cooperação, definido como instrumento administrativo por meio do qual a transferência dos recursos financeiros se
processa por intermédio de instituição ou agente financeiro público federal, atuando como mandatário da União”.

@dicasexconcurseira 137
Bloco IV - Caps. IX e X

Cap. IX

Aula 01 - Introdução; Competência para legislar sobre licitação; Obrigação de licitar

• Licitações Públicas
– Conceito: procedimento administrativo mediante o qual a Administração, antes de celebrar um contrato administrativo, abre a
todos os interessados que com ela pretendam contratar e que atendam às condições previstas no instrumento convocatório, a
possibilidade de apresentar suas propostas, com o objetivo de que seja escolhida aquela que melhor atenda ao interesse
público.

– Proposta mais vantajosa;


– Princípio da impessoalidade;
– Princípio da isonomia.

CF, art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: XXVII – normas gerais de licitação e contratação, em todas as
modalidades, para as administrações públicas diretas, autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito Federal e
Municípios, obedecido o disposto no art.37, XXI, e para as empresas públicas e sociedades de economia mista, nos termos do
art.173, §1.º, III;

• Competência para legislar supletivamente (Estados, DF e Municípios) NÃO permite:


a) a criação de novas modalidades licitatórias ou de novas hipóteses de dispensa de licitação;
b) o estabelecimento de novos tipos de licitação (critérios de julgamento das propostas);
c) a redução dos prazos de publicidade ou de recursos.

• Obrigação de licitar:
CF, art. 37. (...)
XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços (serviços prestados à própria Administração, e não à
população), compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de
condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da
proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à
garantia do cumprimento das obrigações.

CF, art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente (por meio da Administração Direta ou Indireta) ou sob
regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação (“autorização”, modalidade de delegação, não precisa de
licitação), a prestação de serviços públicos.
@dicasexconcurseira 138
STF, ADIN 1917/DF: Considerou inconstitucional lei de unidade federativa que permitia que pequenas empresas pagassem
seus débitos tributários por meio de dação em pagamento de materiais para a Administração (Rel. Ricardo Lewandowski, em
26.04.2007). — pois foi considerado uma nova hipótese de dispensa de licitação não prevista em lei. OBS: no CTN, há previsão
de dação em pagamento por meio de bem imóvel.

IMPORTANTE! IMPORTANTE! IMPORTANTE! IMPORTANTE!

• Serviços sociais autônomos (SESC, SESI e SENAI).


TCU, Decisão 907/97: entende atualmente que tais entidades NÃO estão obrigadas à realização de licitação, pois não integram
a Administração Direta ou Indireta (Rel. Min. Lincoln Magalhães da Rocha, Proc. nº 011777/96-6; confirmada pela Decisão nº
461/98, do mesmo relator).

• Empresas públicas e sociedades de economia mista que desempenham atividade econômica: somente são obrigadas a
licitar as contratações que envolvam os objetos-meios dessas entidades, ficando as atividades fins submetidas às regras
comerciais comuns (a fim de que possam concorrer em igualdade de condições quanto às atividades fins).

Aula 02 - Princípios 1

Lei 8.666/1993, art. 3º. A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia, a seleção da
proposta mais vantajosa (economicidade) para a administração e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável e será
processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da
igualdade, da publicidade, da probidade administrativa (moralidade qualificada), da vinculação ao instrumento convocatório,
do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos.

• Igualdade – isonomia:
Lei 8.666/1993, art. 3º, § 1º. É vedado aos agentes públicos:
I - admitir, prever, incluir ou tolerar, nos atos de convocação (edital ou carta-convite), cláusulas ou condições que
comprometam, restrinjam ou frustrem o seu caráter competitivo, inclusive nos casos de sociedades cooperativas, e
estabeleçam preferências ou distinções em razão da naturalidade, da sede ou domicílio dos licitantes ou de qualquer outra
circunstância impertinente ou irrelevante para o específico objeto do contrato, ressalvado o disposto nos §§ 5º. a 12 deste
artigo e no art. 3º. da Lei 8.248, de 23 de outubro de 1991;

• Outra aplicação do princípio da igualdade:


Lei 8.666/1993, art. 3º, II – estabelecer tratamento diferenciado de natureza comercial, legal, trabalhista, previdenciária ou
qualquer outra, entre empresas brasileiras e estrangeiras, inclusive no que se refere a moeda, modalidade e local de
pagamentos, mesmo quando envolvidos financiamentos de agências internacionais, ressalvado o disposto no parágrafo seguinte
(promoção do desenvolvimento nacional sustentável) e no art. 3º da Lei no 8.248, de 23 de outubro de 1991.
STF, ADI 3070/RN: Julgou procedente pedido formulado em ação direta ajuizada pelo Procurador-Geral da República para
declarar a inconstitucionalidade de dispositivo da Constituição do Estado do Rio Grande do Norte, que estabelecia que, na
análise de licitações, para averiguação da proposta mais vantajosa, seriam considerados, entre outros itens, os valores relativos
aos impostos pagos à Fazenda Pública estadual. Entendeu-se que o dispositivo impugnado faz distinção entre brasileiros, o
que afronta o disposto no art. 19, III, da CF, que veda à União, aos Estados, ao DF e aos Municípios criar distinções entre
brasileiros ou preferências entre si.
Considerou-se, também, no referido julgamento, que a previsão contida naquela Constituição Estadual violava o princípio da
isonomia, haja vista que assegurava injustificada desvantagem sobre os licitantes que não sejam contribuintes naquele Estado
ou os que sendo recolham menos impostos do que o licitante que pague mais (Rel. Min. Eros Grau, 29.11.2007, Informativo STF
490, nov/2007).

• Ponderação: igualdade x desenvolvimento nacional:


Regra 01
Lei 8.666/1993, art. 3º, § 2º. Em igualdade de condições, como CRITÉRIO DE DESEMPATE, será assegurada preferência,
sucessivamente, aos bens e serviços:
I - Revogado pela Lei 12.349/2010;
II - produzidos no País; - nacionalidade dos bens
III - produzidos ou prestados por empresas brasileiras; - nacionalidade das empresas
IV - produzidos ou prestados por empresas que invistam em pesquisa e no desenvolvimento de tecnologia no País.

@dicasexconcurseira 139
Regra 02
Lei 8.666/1993, art. 3º, § 12. Nas contratações destinadas à implantação, manutenção e ao aperfeiçoamento dos sistemas de
tecnologia de informação e comunicação, considerados estratégicos em ato do Poder Executivo federal, a licitação poderá ser
RESTRITA a bens e serviços com tecnologia desenvolvida no País e produzidos de acordo com o processo produtivo básico de
que trata a Lei 10.176, de 11 de janeiro de 2001.

Regra 03
Lei 8.666/1993, art. 3º, §§ 5º a 10.
a) A margem de preferência NORMAL: para produtos manufaturados e para serviços nacionais que atendam a normas técnicas
brasileiras;
b) A margem de preferência ADICIONAL (cumulativa): para produtos manufaturados e serviços nacionais resultantes de
desenvolvimento e inovação tecnológica realizadas no país.

O percentual máximo é de 25% (a margem de preferencia normal + adicional não pode ultrapassar 25%).
* Poderá ser estendida, total ou parcialmente, aos bens e serviços originários dos Estados Partes do MERCOSUL.

• Critérios para definição e revisão da margem de preferência:


I - geração de emprego e renda;
II - efeito na arrecadação de tributos federais, estaduais e municipais;
III - desenvolvimento e inovação tecnológica realizados no País;
IV - custo adicional dos produtos e serviços; e
V - em suas revisões, análise retrospectiva de resultados.

Aula 03 - Princípios 2

• Igualdade material - isonomia:


A proteção às micro e pequenas empresas: A regra do EMPATE FICTO
LC 123/2006, art. 44. Nas licitações será assegurada, como critério de desempate, preferência de contratação para as
microempresas e empresas de pequeno porte.
§ 1º Entende-se por empate aquelas situações em que as propostas apresentadas pelas microempresas e empresas de
pequeno porte sejam iguais ou até 10% superiores à proposta mais bem classificada.
§ 2º Na modalidade de PREGÃO, o intervalo percentual estabelecido no §1º deste artigo será de até 5% superior ao melhor
preço.

• Princípios correlatos:
a) Princípio da obrigatoriedade - a Administração é obrigada a licitar.
b) Princípio do formalismo - a lei detalha as etapas do procedimento licitatório.
c) Princípio do sigilo das propostas - sigilosas até a abertura dos envelopes, óbvio.
d) Princípio da adjudicação compulsória ao vencedor - é diferente de “contratação compulsória”, pois a Administração não é
obrigada a contratar.
e) Princípio da competitividade;
f) Princípio da vedação à oferta de vantagens imprevistas. - o que é vedado, na verdade, é que a Administração aceite tais
vantagens.

• Princípio da licitação sustentável


Maria Sylvia Zanella Di Pietro: “o princípio da sustentabilidade da licitação ou da licitação sustentável liga-se à ideia de que é
possível, por meio do procedimento licitatório, incentivar a preservação do meio ambiente”.

• Princípio da licitação sustentável:


– Lei 8.666/1993, art. 3º.
– Lei 12.462/2011: Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC)

Lei 12.462/2011, art. 4.º. Nas licitações e contratos de que trata esta Lei serão observadas as seguintes diretrizes (...)
§ 1.º. As contratações realizadas com base no RDC devem respeitar, especialmente, as normas relativas à:
I – disposição final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos gerados pelas obras contratadas;
II – mitigação por condicionantes e compensação ambiental, que serão definidas no procedimento de licenciamento ambiental;
III – utilização de produtos, equipamentos e serviços que, comprovadamente, reduzam o consumo de energia e recursos
naturais;
IV – avaliação de impactos de vizinhança, na forma da legislação urbanística;
@dicasexconcurseira 140
V – proteção do patrimônio cultural, histórico, arqueológico e imaterial, inclusive por meio da avaliação do impacto direto ou
indireto causado pelas obras contratadas; e
VI – acessibilidade para o uso por pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida.

Aula 04 - Comissão de licitação; Contratação direta

• Comissão de licitação:
a) Permanente: responde pela generalidade das licitações, funcionando em caráter perene.
b) Especial: designada para um determinado certame, normalmente funcionando por tempo determinado.

• Comissão de licitação – Principais regras:


– Composição: 3 servidores (no mínimo, 2 do quadro permanente);
– No CONVITE: se a unidade é pequena e exíguo o pessoal, excepcionalmente pode UM ÚNICO servidor substituir a comissão;
– No CONCURSO: comissão especial integrada por pessoas de reputação ilibada e reconhecido conhecimento da matéria em
exame, SERVIDORES PÚBLICOS OU NÃO.
– O LEILÃO pode ser cometido a leiloeiro oficial ou a servidor designado pela Administração. O leiloeiro não substitui a
comissão de licitação. O leiloeiro normalmente só faz a parte dos lances verbais.
– O PREGÃO é conduzido pelo pregoeiro, que será designado pela autoridade competente dentre os servidores do órgão ou
entidade promotora da licitação. O pregoeiro não impede, também, que exista a comissão de licitação.
– Responsabilidade SOLIDÁRIA dos membros pelos atos da licitação, salvo posição divergente registrada em ata.

@dicasexconcurseira 141
Aula 05 - Inexigibilidade de licitação 1

• INEXIGIBILIDADE de licitação (Lei 8.666/1993, art. 25, I, II e III): lista exemplificativa.


– INVIABILIDADE de competição - 3 hipóteses:
I – FORNECEDOR EXCLUSIVO, vedada à preferência de marca;

Súmula 255/2010 do TCU: “Nas contratações em que o objeto só possa ser fornecido por produtor, empresa ou representante
comercial exclusivo, é dever do agente público responsável pela contratação a adoção das providências necessárias para
confirmar a veracidade da documentação comprobatória da condição de exclusividade.”

ESAF, Procurador da Fazenda Nacional: “Uma das Secretarias do Ministério da Fazenda pretende comprar um bem de
determinada marca. Nesse sentido, solicita manifestação do órgão de consultoria jurídica, após demonstrar ser tecnicamente
justificável a opção pela marca. —> esta marca pode ser fornecida por mais de um fornecedor. Se houver um só fornecedor,
haverá inexigibilidade.
(...)
À luz da Lei 8.666/1993, é correto afirmar que será possível a compra, não se podendo apontar, a partir das informações do
comando desta questão, se deverá ou não haver prévia licitação”.

II – SERVIÇOS TÉCNICOS ESPECIALIZADOS, + de natureza singular (objeto singular), + com profissionais ou empresas de notória
especialização (sujeito especializado), vedada a inexigibilidade para serviços de publicidade e divulgação;

Definição: Lei 8.666/1993, art. 13 (...)


Lei 8.666/1993, art. 13. Para os fins desta Lei, consideram-se serviços técnicos profissionais especializados os trabalhos relativos
a:
I – estudos técnicos, planejamentos e projetos básicos ou executivos;
II – pareceres, perícias e avaliações em geral;
III – assessorias ou consultorias técnicas e auditorias financeiras ou tributárias;
IV – fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras ou serviços;
V – patrocínio ou defesa de causas judiciais ou administrativas;
VI – treinamento e aperfeiçoamento de pessoal;
VII – restauração de obras de arte e bens de valor histórico.
VIII – (Vetado).
Súmula 252/2010 do TCU: “A inviabilidade de competição para a contratação de serviços técnicos, a que alude o inciso II do art.
25 da Lei nº 8.666/1993, decorre da presença simultânea de três requisitos: serviço técnico especializado, entre os
mencionados no art. 13 da referida lei, + natureza singular do serviço e + notória especialização do contratado”.

Súmula 39/2011 do TCU: ALTERAÇÃO: “A inexigibilidade de licitação para a contratação de serviços técnicos com pessoas físicas
ou jurídicas de notória especialização somente é cabível quando se tratar de serviço de natureza singular, capaz de exigir, na
seleção do executor de confiança, grau de subjetividade insuscetível de ser medido pelos critérios objetivos de qualificação
inerentes ao processo de licitação, nos termos do art. 25, inciso II, da Lei nº 8.666/1993”.

CESPE, ACE-TCU: “Caso a União, visando recuperar recursos públicos federais desviados por uma quadrilha composta por
diversos servidores públicos, pretenda contratar um escritório de advocacia localizado nos Estados Unidos da América, com
notória especialidade nesse tipo de ação, tal contrato poderá ser firmado com inexigibilidade de licitação”.

III – ARTISTA CONSAGRADO pela crítica especializada ou pela opinião pública (diretamente ou através de empresário exclusivo).

@dicasexconcurseira 142
Aula 06 - Inexigibilidade de licitação 2

LICITAÇÃO DISPENSADA
(alienação de bens da administração)

Bens imóveis Bens móveis

a) dação em pagamento; a) doação, permitida exclusivamente para fins e uso de


b) doação, permitida exclusivamente para outro órgão interesse social, após avaliação de sua oportunidade e
ou entidade da administração pública, de qualquer conveniência socioeconômica, relativamente à escolha
esfera de governo, ressalvado o disposto nas alíneas f, h de outra forma de alienação;
e i; b) permuta, permitida exclusivamente entre órgãos ou
c) permuta, por outro imóvel que atenda aos requisitos entidades da Administração Pública;
constantes do inciso X do art. 24 desta Lei; c) venda de ações, que poderão ser negociadas em
d) investidura; bolsa, observada a legislação específica;
e) venda a outro órgão ou entidade da administração d) venda de títulos, na forma da legislação pertinente;
pública, de qualquer esfera de governo; (...)
(...)

• Licitação dispensada (Lei 8.666/1993, art. 17, § 3º, I e II):


– Investidura de bens imóveis (hipótese de licitação dispensável) nas seguintes situações:
I – a alienação aos proprietários de imóveis lindeiros de área remanescente ou resultante de obra pública, área esta que se
tornar inaproveitável isoladamente, por preço nunca inferior ao da avaliação e desde que esse não ultrapasse R$ 40.000,00
(quarenta mil reais);
II – a alienação, aos legítimos possuidores diretos ou, na falta destes, ao Poder Público, de imóveis para fins residenciais
construídos em núcleos urbanos anexos a usinas hidrelétricas, desde que considerados dispensáveis na fase de operação dessas
unidades e não integrem a categoria de bens reversíveis ao final da concessão.

• Licitação dispensada (Lei 8.666/1993, art.17, § 2º, I e II):


– Concessão de título de propriedade ou de direito real de uso de imóveis quando o uso destinar-se a:

II – a pessoa natural que, nos termos da lei, regulamento ou ato normativo do órgão competente, haja implementado os
requisitos mínimos de cultura, ocupação mansa e pacífica e exploração direta sobre área rural situada na Amazônia Legal,
superior a 1 (um) módulo fiscal e limitada a 15 (quinze) módulos fiscais, desde que não exceda 1.500ha (mil e quinhentos
hectares).

• Licitação dispensável
Maria Sylvia Zanella Di Pietro: As hipóteses de licitação dispensável podem ser dividas em quatro categorias:
a) em razão do pequeno valor;
b) em razão de situações excepcionais;
c) em razão do objeto;
d) em razão da pessoa.

• Licitação dispensável (Lei 8.666/1993, art. 24, I e II):


– Em razão do pequeno valor:
I – para obras e serviços de engenharia de valor até R$ 15.000,00 (quinze mil reais), desde que não se refiram a parcelas de uma
mesma obra ou serviço ou ainda para obras e serviços da mesma natureza e no mesmo local que possam ser realizadas conjunta
e concomitantemente;
II – para outros serviços e compras de valor até R$ 8.000,00 (oito mil reais) e para alienações, nos casos previstos nesta Lei,
desde que não se refiram a parcelas de um mesmo serviço, compra ou alienação de maior vulto que possa ser realizada de uma
só vez;
* Os limites são DOBRADOS para consórcios públicos, sociedade de economia mista, empresa pública e por autarquia ou
fundação qualificada como agência executiva

@dicasexconcurseira 143
• Licitação dispensável (Lei 8.666/1993, art. 24, III, IV, V, VI, VII, IX, XI, XIV, XVIII, XXVII e XXVIII):
– Em razão de situações excepcionais:
III – nos casos de guerra ou grave perturbação da ordem;
IV – nos casos de emergência ou de calamidade pública, quando caracterizada urgência de atendimento de situação que possa
ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens, públicos ou
particulares, e somente para os bens necessários ao atendimento da situação emergencial ou calamitosa e para as parcelas de
obras e serviços que possam ser concluídas no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias consecutivos e ininterruptos,
contados da ocorrência da emergência ou calamidade, vedada a prorrogação dos respectivos contratos;
V – quando não acudirem interessados à licitação anterior e esta, justificadamente, não puder ser repetida sem prejuízo para a
Administração, mantidas, neste caso, todas as condições preestabelecidas; - LICITAÇÃO DESERTA

• Licitação dispensável (Lei 8.666/1993, art. 24, V):


CESPE, Procurador do Estado do Ceará: “Considera-se deserta a licitação quando nenhum dos interessados é selecionado em
decorrência de inabilitação ou desclassificação”. = LICITAÇÃO FRACASSADA

• Licitação dispensável (Lei 8.666/1993, art. 24, VII):


– Hipótese de licitação fracassada:
a) Todas as propostas apresentadas pelos licitantes foram desclassificadas em razão do PREÇO.
b) Prazo de 8 (oito) dias úteis para a apresentação de outras propostas.
c) Admissão da adjudicação direta dos bens ou serviços, por valor não superior ao constante do registro de preços, ou dos
serviços.

• Exemplo de armadilha:
Licitação dispensável (Lei 8.666/1993, art. 24, XIV):
XIV – para a aquisição de bens ou serviços nos termos de acordo internacional específico aprovado pelo CONGRESSO NACIONAL,
quando as condições ofertadas forem manifestamente vantajosas para o Poder Público;

ESAF, Analista do MPU: “Não se inclui no rol legal de hipóteses de dispensa de licitação a aquisição de bens ou serviços nos
termos de acordo internacional específico aprovado pelo Poder Executivo, quando as condições ofertadas forem
manifestamente vantajosas para o Poder Público”.

• Licitação dispensável (Lei 8.666/1993, art. 24, X, XII, XV, XVII, XIX, XXI, XXV, XXIX, XXX e XXXI):
– Em razão do objeto:
X – para a compra ou locação de imóvel destinado ao atendimento das finalidades precípuas da administração, cujas
necessidades de instalação e localização condicionem a sua escolha, desde que o preço seja compatível com o valor de mercado,
segundo avaliação prévia;
XII – nas compras de hortifrutigranjeiros, pão e outros gêneros perecíveis, no tempo necessário para a realização dos processos
licitatórios correspondentes, realizadas diretamente com base no preço do dia;
XV – para a aquisição ou restauração de obras de arte e objetos históricos, de autenticidade certificada, desde que compatíveis
ou inerentes às finalidades do órgão ou entidade.

• Licitação dispensável (Lei 8.666/1993, art. 24, incisos VIII, XIII, XVI, XX, XXII, XXIII, XXIV e XXVI):
– Em razão da pessoa:
VIII – para a aquisição, por pessoa jurídica de direito público interno, de bens produzidos ou serviços prestados por órgão ou
entidade que integre a Administração Pública e que tenha sido criado para esse fim específico em data anterior à vigência desta
Lei, desde que o preço contratado seja compatível com o praticado no mercado;

DE OLHO NA JURIS! Correios podem ser contratados sem licitação, com fundamento no art. 24, VIII, da Lei 8.666/93, para a
prestação de serviços de logística
A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), empresa pública federal, pode ser contratada sem licitação, com
fundamento no art. 24, VIII, da Lei nº 8.666/93, para a prestação de serviços de logística: Art. 24 (...) VIII - para a aquisição, por
pessoa jurídica de direito público interno, de bens produzidos ou serviços prestados por órgão ou entidade que integre a
Administração Pública e que tenha sido criado para esse fim específico em data anterior à vigência desta Lei, desde que o preço
contratado seja compatível com o praticado no mercado; A ECT preenche todos os requisitos legais necessários à possibilidade
de sua contratação direta, haja vista integrar a Administração e ter sido criada em data anterior à da Lei nº 8.666/93 para
prestação de serviços postais, dentre os quais se incluem os serviços de logística integrada. STF. 2ª Turma. MS 34939/DF, Rel.
Min. Gilmar Mendes, julgado em 19/3/2019 (Info 934).
@dicasexconcurseira 144
XIII – na contratação de instituição brasileira incumbida regimental ou estatutariamente da pesquisa, do ensino ou do
desenvolvimento institucional, ou de instituição dedicada à recuperação social do preso, desde que a contratada detenha
inquestionável reputação ético-profissional e não tenha fins lucrativos;

• Licitação dispensável (Lei 8.666/1993, art. 24, XIII):


Súmula 250 do TCU: “A contratação de instituição sem fins lucrativos, com dispensa de licitação, com fulcro no art. 24, inciso
XIII, da Lei n.º 8.666/93, somente é admitida nas hipóteses em que houver nexo efetivo entre o mencionado dispositivo, a
natureza da instituição e o objeto contratado, além de comprovada a compatibilidade com os preços de mercado”.

• Licitação dispensável (Lei 8.666/1993, art. 24, XXIII):


XXIII – na contratação realizada por empresa pública ou sociedade de economia mista com suas subsidiárias e controladas, para
a aquisição ou alienação de bens, prestação ou obtenção de serviços, desde que o preço contratado seja compatível com o
praticado no mercado.

Súmula 265/2011 do TCU: “A contratação de subsidiárias e controladas com fulcro no art. 24, inciso XXIII, da Lei nº 8.666/93
somente é admitida nas hipóteses em que houver, simultaneamente, compatibilidade com os preços de mercado e pertinência
entre o serviço a ser prestado ou os bens a serem alienados ou adquiridos e o objeto social das mencionadas entidades”.

• Licitação dispensável (Lei 8.666/1993, art. 24, XXIII):


CESPE, Juiz Federal Substituto do TRF 5.ª R.: “Não há restrição legal para que empresa pública contrate com sua subsidiária, com
dispensa de licitação, prestação de serviços ou aquisição de bens”. — tem que haver compatibilidade de preço + pertinência.

• Licitação dispensável (Lei 8.666/1993, art. 24, XXIV): CAI EM PROVA!


XXIV – para a celebração de contratos de prestação de serviços com as ORGANIZAÇÕES SOCIAIS, qualificadas no âmbito das
respectivas esferas de governo, para atividades contempladas no contrato de gestão.

FCC, Procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas de Minas Gerais: “NÃO configura hipótese de dispensa de
licitação a celebração de contrato de prestação de serviços com organização da sociedade civil de interesse público qualificada
no âmbito da respectiva esfera de governo”. — CERTA

Aula 07 - Inexigibilidade de licitação 3

• Formalidades necessárias à contratação direta sem licitação:


– Necessidade de motivação:
OBS: a lei de licitação exige motivação em alguns casos, e a lei de processo administrativa exige motivação em todos os
casos. Como solucionar este conflito? Na esfera federal, aplica-se a lei 9.784, que é mais rígida (e é mais ampla que a lei 8666).
Nas demais esferas, aplica-se a lei 8666.

Esfera Federal: todos os casos de dispensa e inexigibilidade (Lei 9.784/1999, art. 50, IV)

Demais esferas (Lei 8.666/1993, art. 26):


a) situações de dispensa de licitação previstas no art. 24, do Estatuto (excetuada a dispensa pelo critério de valor prevista no
art. 24, I e II (dispensável pelo preço), do Estatuto);
b) todas as situações de inexigibilidade de licitação;
c) licitação dispensada para concessão de título de propriedade ou direito real de uso de imóveis quando o uso for destinado a
outro órgão ou entidade da Administração Pública, qualquer que seja a localização do imóvel (art. 17, § 2.º, I);
d) licitação dispensada para concessão de título de propriedade ou direito real de uso de imóveis quando o uso for destinado a
pessoal natural que, nos termos da lei, regulamento ou ato normativo do órgão competente, haja implementado os requisitos
mínimos de cultura, ocupação mansa e pacífica e exploração direta sobre área rural situada na Amazônia Legal, superior a 1
(um) módulo fiscal e limitada a 15 (quinze) módulos fiscais, desde que não exceda mil e quinhentos hectares (art. 17, § 2.º, II);
e) licitação dispensada para doação com encargo, motivada por interesse público devidamente justificado (art. 17, § 4.º).

– Formalização de processo administrativo, instruído com os seguintes elementos (Lei 8.666/93, art. 26):
OBS: a comissão que realiza a licitação é a mesma que dispensa ou declara a inexigibilidade.
a) Caracterização da situação emergencial ou calamitosa que justifique a dispensa, quando for o caso;
b) Razão da escolha do fornecedor ou executante;
c) Justificativa do preço; - tem que contratar a preço de mercado.
d) Documento de aprovação dos projetos de pesquisa aos quais os bens serão alocados, quando for o caso.
@dicasexconcurseira 145
Aula 08 - Procedimento licitatório 1

• Procedimento licitatório:
Procedimento Administrativo = Fase interna + Fase externa

TCU 005.991/2000-7: “A realização de prévia pesquisa de preço de mercado é uma exigência legal”.

– Fase INTERNA da licitação (atos):


a) designação da COMISSÃO DE LICITAÇÃO (permanente ou especial);
b) especificação do OBJETO a ser licitado;
c) PESQUISA DE PREÇOS;
d) elaboração de PROJETO BÁSICO (quando for o caso);
e) redação da MINUTA DO EDITAL E DO CONTRATO;
f) a realização de AUDIÊNCIA PÚBLICA (nos casos previstos na lei).

– Fase EXTERNA da licitação (etapas):


1.ª Etapa - divulgação: com a publicação do ato convocatório (edital ou carta-convite)
2.ª Etapa - proposição: os particulares trazem suas propostas, com 2 envelopes.
3.ª Etapa - habilitação: entrega dos dois envelopes: um, com os documentos a respeito de sua qualificação; e outro com a
proposta propriamente dita.
4.ª Etapa - julgamento: para julgar, tem que:
a) haver transcorrido o prazo sem interposição de recurso;
b) ter havido desistência expressa do recurso; ou,
c) concluído o julgamento dos recursos interpostos.
5.ª Etapa - deliberação: a autoridade superior recebe o julgamento feito pela comissão e homologa o procedimento.
Homologado o procedimento, há adjudicação compulsória do objeto.

• Procedimento licitatório:
– Concorrência (básico para a análise dos demais):

Fase interna: designação da comissão de licitação, caracterização do objeto, projeto básico, orçamento detalhado, indicação dos
recursos orçamentários, redação da minuta do edital e do contrato, audiência pública etc.

@dicasexconcurseira 146
• Edital: instrumento convocatório de todas as modalidades licitatórias, exceto do convite (cuja convocação é feita pela carta-
convite). É com ele que a Administração torna pública a realização da licitação e fixa as regras a serem observadas durante a
realização do certame.
– Lei interna da licitação.

• Preâmbulo:
Lei 8.666/1993, art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e
de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e
hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará,
obrigatoriamente, o seguinte: (...)

• Edital – Requisitos (Lei 8.666/1993, art. 40):


I – objeto da licitação, em descrição sucinta e clara;

Súmula 177 do TCU: “A definição precisa e suficiente do objeto licitado constitui regra indispensável da competição, até mesmo
como pressuposto do postulado de igualdade entre os licitantes, do qual é subsidiário o princípio da publicidade, que envolve o
conhecimento, pelos concorrentes potenciais das condições básicas da licitação, constituindo, na hipótese particular da licitação
para compra, a quantidade demandada uma das especificações mínimas e essenciais à definição do objeto do pregão”.

• Edital – Requisitos (Lei 8.666/1993, art. 40):


VI – condições para participação na licitação, em conformidade com os arts. 27 a 31 desta Lei, e forma de apresentação das
propostas;

Súmula 247 do TCU: “É obrigatória a admissão da adjudicação por item e não por preço global, nos editais das licitações para a
contratação de obras, serviços, compras e alienações, cujo objeto seja divisível, desde que não haja prejuízo para o conjunto ou
complexo ou perda de economia de escala, tendo em vista o objetivo de propiciar a ampla participação de licitantes que,
embora não dispondo de capacidade para a execução, fornecimento ou aquisição da totalidade do objeto, possam fazê-lo com
relação a itens ou unidades autônomas, devendo as exigências de habilitação adequar-se a essa divisibilidade”.

• Edital – Requisitos (Lei 8.666/1993, art. 40):


X – o critério de aceitabilidade dos preços unitário e global, conforme o caso, PERMITIDA a fixação de preços máximos e vedados
a fixação de preços mínimos, critérios estatísticos ou faixas de variação em relação a preços de referência, ressalvado o disposto
nos parágrafos 1º e 2º do art. 48; - preço mínimo é proibido quando, por ex, for inexequível. Em regra, é proibido fixar preço
mínimo, mas há uma exceção. Mas, ainda nesta hipótese de possibilidade de fixar preço mínimo e o licitante oferecer valor abaixo
do mínimo, ainda assim será possível de a Administração contratá-lo.

TCU, Entendimento Consolidado: “Estabelecimento dos critérios de aceitabilidade de preços unitários, com a fixação de preços
máximos, ao contrário do que sugere a interpretação literal do art. 40, inciso X, da Lei 8.666/93, é OBRIGAÇÃO do gestor e não
sua faculdade, uma vez que o limite constitui fator ordenador da licitação, ao evitar a disparidade exagerada dos preços
unitários e global constantes das propostas, situação que poderia predispor a contratação futura a alterações indevidas”.

• Edital – Requisitos (Lei 8.666/1993, art. 40):


§ 2.º. Constituem ANEXOS do edital, dele fazendo parte integrante:
I – o projeto básico e/ou executivo, com todas as suas partes, desenhos, especificações e outros complementos;
II – orçamento estimado em planilhas de quantitativos e preços unitários;
III – a minuta do contrato a ser firmado entre a Administração e o licitante vencedor;
IV – as especificações complementares e as normas de execução pertinentes à licitação.

• Projeto básico – Lei 8.666/1993, art. 6.º, IX:


a) desenvolvimento da solução escolhida de forma a fornecer visão global da obra e identificar todos os seus elementos
constitutivos com clareza;
b) soluções técnicas globais e localizadas, suficientemente detalhadas, de forma a minimizar a necessidade de reformulação ou
de variantes durante as fases de elaboração do projeto executivo e de realização das obras e montagem;
c) identificação dos tipos de serviços a executar e de materiais e equipamentos a incorporar à obra, bem como suas
especificações que assegurem os melhores resultados para o empreendimento, sem frustrar o caráter competitivo para a sua
execução;
d) informações que possibilitem o estudo e a dedução de métodos construtivos, instalações provisórias e condições
organizacionais para a obra, sem frustrar o caráter competitivo para a sua execução;

@dicasexconcurseira 147
e) subsídios para montagem do plano de licitação e gestão da obra, compreendendo a sua programação, a estratégia de
suprimentos, as normas de fiscalização e outros dados necessários em cada caso;
f) orçamento detalhado do custo global da obra, fundamentado em quantitativos de serviços e fornecimentos propriamente
avaliados.

Súmula 261 do TCU: “Em licitações de obras e serviços de engenharia, é necessária a elaboração de projeto básico adequado e
atualizado, assim considerado aquele aprovado com todos os elementos descritos no art. 6º, inciso IX, da Lei 8.666, de 21 de
junho de 1993, constituindo prática ilegal a revisão de projeto básico ou a elaboração de projeto executivo que transfigurem o
objeto originalmente contratado em outro de natureza e propósito diversos”.

Súmula 258 do TCU: “As composições de custos unitários e o detalhamento de encargos sociais e do BDI (bonificação por
despesa indireta) integram o orçamento que compõe o projeto básico da obra ou serviço de engenharia, devem constar dos
anexos do edital de licitação e das propostas das licitantes e não podem ser indicados mediante uso da expressão ‘verba’ ou de
unidades genéricas”.

Lei 8.666/1993, art. 7.º (...)


§ 2.º As obras e os serviços somente poderão ser licitados quando:
I - houver projeto básico aprovado pela autoridade competente e disponível para exame dos interessados em participar do
processo licitatório;
II - existir orçamento detalhado em planilhas que expressem a composição de todos os seus custos unitários;
III - houver previsão de recursos orçamentários que assegurem o pagamento das obrigações decorrentes de obras ou serviços a
serem executadas no exercício financeiro em curso, de acordo com o respectivo cronograma;
IV - o produto dela esperado estiver contemplado nas metas estabelecidas no Plano Plurianual, quando for o caso.

• Projeto Executivo
Lei 8.666/1993, art. 6.º, X – Projeto Executivo: o conjunto dos elementos necessários e suficientes à execução completa da
obra, de acordo com as normas pertinentes da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT;

Lei 8.666/1993, art. 7.º, § 1.º. A execução de cada etapa será obrigatoriamente precedida da conclusão e aprovação, pela
autoridade competente, dos trabalhos relativos às etapas anteriores, à exceção do projeto executivo, o qual poderá ser
desenvolvido concomitantemente com a execução das obras e serviços, desde que também autorizado pela Administração.

ESAF, Analista de Finanças e Controle da CGU –área de auditoria e fiscalização: “Não se considera pressuposto necessário ao
procedimento licitatório, para obras e serviços, nos termos da legislação respectiva, haver projeto executivo, com o
detalhamento técnico das atividades a serem realizadas pelos contratados”.

Aula 09 - Procedimento licitatório 2

• Publicidade do Edital
Lei 8.666/1993, art. 21. Os avisos contendo os resumos dos editais das concorrências, das tomadas de preços, dos concursos e
dos leilões, embora realizados no local da repartição interessada, deverão ser publicados com antecedência, no mínimo, por uma
vez:
I - no Diário Oficial da União, quando se tratar de licitação feita por órgão ou entidade da Administração Pública Federal e,
ainda, quando se tratar de obras financiadas parcial ou totalmente com recursos federais ou garantidas por instituições
federais;
II - no Diário Oficial do Estado, ou do Distrito Federal quando se tratar, respectivamente, de licitação feita por órgão ou
entidade da Administração Pública Estadual ou Municipal, ou do Distrito Federal;
III - em jornal diário de grande circulação no Estado e também, se houver, em jornal de circulação no Município ou na região
onde será realizada a obra, prestado o serviço, fornecido, alienado ou alugado o bem, podendo ainda a Administração, conforme
o vulto da licitação, utilizar-se de outros meios de divulgação para ampliar a área de competição.
Lei 8.666/1993, art. 21, § 1.º. O aviso publicado conterá a indicação do local em que os interessados poderão ler e obter o texto
integral do edital e todas as informações sobre a licitação
* Modalidade Convite: instrumento convocatório é a Carta-convite (art. 22, § 3.º).

@dicasexconcurseira 148
Modalidades Prazos (intervalo mínimo: prazo entre a publicação do edital e a entrega das propostas)

Concorrência a) 45 dias corridos (critérios “técnica” ou “técnica e preço” ou quando o contrato a ser
celebrado contemplar o regime de empreitada integral)
b) 30 dias corridos (critério “menor preço” ou quando o contrato a ser celebrado não
contemplar o regime de empreitada integral)

Tomada de a) 30 dias corridos (critérios “técnica” e “técnica e preço”)


Preços b) 15 dias corridos (critério menor preço)

Convite 5 dias ÚTEIS

Concurso 45 dias corridos

Leilão 15 dias corridos

Pregão 8 dias ÚTEIS


Prazos mínimos de publicidade (publicação do edital —> entrega das propostas)

José dos Santos Carvalho Filho: “Se houver modificação superveniente do edital, a Administração tem duas obrigações:
1) divulgar a modificação pela mesma forma em que se deu o texto original; e,
2) reabrir o prazo estabelecido no início, salvo quando a alteração NÃO afetar a formulação da proposta”.

• Impugnação do edital
Lei 8.666/1993, art. 41 (...)
§1º Qualquer CIDADÃO é parte legítima para IMPUGNAR EDITAL de licitação por irregularidade na aplicação desta Lei,
devendo protocolar o pedido até 5 DIAS ÚTEIS antes da data fixada para a abertura dos envelopes de habilitação, devendo a
Administração JULGAR e responder à impugnação em até 3 DIAS ÚTEIS, sem prejuízo da faculdade prevista no §1.º do art. 113.
§2º DECAIRÁ do direito de impugnar os termos do edital de licitação perante a administração o LICITANTE que não o fizer até
o 2º DIA ÚTIL que anteceder a abertura dos envelopes de habilitação em concorrência, a abertura dos envelopes com as
propostas em convite, tomada de preços ou concurso, ou a realização de leilão, as falhas ou irregularidades que viciariam esse
edital, hipótese em que tal comunicação NÃO terá efeito de recurso.

FCC, Procurador do MP-TCU/RO: “Em determinada licitação, conduzida sob a modalidade de concorrência, foi realizada a sessão
de abertura de envelopes de habilitação, tendo um dos participantes sido declarado inabilitado. Posteriormente, esse
participante ingressou com o recurso administrativo cabível, em que exclusivamente impugnava determinada cláusula do edital
que conduziu à inabilitação. Antes da abertura dos envelopes, esse mesmo participante não tinha tomado qualquer iniciativa
quanto ao edital. O procedimento adotado pelo participante inabilitado não tem respaldo na legislação, pois a impugnação ao
edital deveria ter sido efetuada até dois dias antes da abertura dos envelopes de habilitação”.

Lei 8.666/1993, art. 113, § 1.º. Qualquer licitante, contratado ou pessoa física ou jurídica poderá representar ao Tribunal de
Contas ou aos órgãos integrantes do sistema de controle interno contra irregularidades na aplicação desta Lei, para os fins do
disposto neste artigo.

STF, RE 547.063: “A Turma proveu recurso extraordinário para conceder a segurança impetrada em favor de servidor público
condenado, por Tribunal de Contas estadual, ao pagamento de multa pelo não envio automático de cópia de edital de
concorrência para controle prévio perante aquela Corte. (...)
Concluiu-se que a exigência feita por atos normativos do recorrido sobre a remessa prévia do edital, sem qualquer solicitação,
invadiria a competência legislativa distribuída pela Constituição, já exercida pela Lei 8.666/93, que não contém essa
determinação. PL657444379BR

Aula 10 - Procedimento licitatório 3

• Habilitação dos licitantes: fase da licitação destinada a aferir se os licitantes interessados em contratar com a Administração
possuem as condições necessárias para a execução adequada do contrato no caso da sua respectiva proposta vir a ser
considerada vencedora do certame.

@dicasexconcurseira 149
Lei 8.666/1993, art. 27. Para a habilitação nas licitações exigir-se-á dos interessados, exclusivamente, documentação relativa a:
I – habilitação jurídica;
II – qualificação técnica;
III – qualificação econômico-financeira;
IV – regularidade fiscal e trabalhista;
V – cumprimento da proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de 18 anos e de qualquer trabalho para
menores de 16 anos, exceto na condição de aprendiz, a partir de 14 anos.

CF, art. 37, XXI – Somente será permitida exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do
cumprimento das obrigações.

TCU, Entendimento consolidado:


a) “a exigência de comprovação da qualificação técnica deve ser pertinente e compatível com o objeto da licitação ou da
contratação direta e indispensável ao cumprimento do objeto” (Acórdão 52/2014 – Plenário).
b) “exigências especiais de habilitação, quaisquer que sejam as particularidades do objeto, devem manter vínculo com a lei de
licitações e estar justificadas no processo, sob pena de serem consideradas restritivas à competitividade do certame” (Acórdão
1495/2009 – Plenário).

Lei 8.666/1993, art. 28. A documentação relativa à habilitação jurídica, conforme o caso, consistirá em:
I - cédula de identidade;
II - registro comercial, no caso de empresa individual;
III - ato constitutivo, estatuto ou contrato social em vigor, devidamente registrado, em se tratando de sociedades comerciais, e,
no caso de sociedades por ações, acompanhado de documentos de eleição de seus administradores;
IV - inscrição do ato constitutivo, no caso de sociedades civis, acompanhada de prova de diretoria em exercício;
V - decreto de autorização, em se tratando de empresa ou sociedade estrangeira em funcionamento no País, e ato de registro ou
autorização para funcionamento expedido pelo órgão competente, quando a atividade assim o exigir.

Lei 8.666/1993, art. 30. A documentação relativa à qualificação técnica limitar-se-á a:


I - registro ou inscrição na entidade profissional competente;
II - comprovação de aptidão para desempenho de atividade pertinente e compatível em características, quantidades e prazos
com o objeto da licitação, e indicação das instalações e do aparelhamento e do pessoal técnico adequados e disponíveis para a
realização do objeto da licitação, bem como da qualificação de cada um dos membros da equipe técnica que se responsabilizará
pelos trabalhos;
III - comprovação, fornecida pelo órgão licitante, de que recebeu os documentos, e, quando exigido, de que tomou conhecimento
de todas as informações e das condições locais para o cumprimento das obrigações objeto da licitação;
IV - prova de atendimento de requisitos previstos em lei especial, quando for o caso.

Súmula 263/2011 do TCU: “Para a comprovação da capacidade técnico-operacional das licitantes, e desde que limitada,
simultaneamente, às parcelas de maior relevância e valor significativo do objeto a ser contratado, é legal a exigência de
comprovação da execução de quantitativos mínimos em obras ou serviços com características semelhantes, devendo essa
exigência guardar proporção com a dimensão e a complexidade do objeto a ser executado.”

Lei 8.666/1993, art. 31. A documentação relativa à qualificação econômico-financeira limitar-se-á a:


I – balanço patrimonial e demonstrações contábeis do último exercício social, já exigíveis e apresentados na forma da lei, que
comprovem a boa situação financeira da empresa, vedada a sua substituição por balancetes ou balanços provisórios, podendo
ser atualizados por índices oficiais quando encerrado há mais de 3 (três) meses da data de apresentação da proposta;
II – certidão negativa de falência ou concordata expedida pelo distribuidor da sede da pessoa jurídica, ou de execução
patrimonial, expedida no domicílio da pessoa física;
III – GARANTIA, nas mesmas modalidades e critérios previstos no caput e § 1.º do art. 56 desta Lei, limitada a 1% do valor
estimado do objeto da contratação.

DE OLHO NA JURIS! Empresa em recuperação judicial pode participar de licitação, desde que demonstre a sua viabilidade
econômica
Sociedade empresária em recuperação judicial pode participar de licitação, desde que demonstre, na fase de habilitação, a sua
viabilidade econômica. STJ. 1ª Turma. AREsp 309867-ES, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 26/06/2018 (Info 631).

Lei 8.666/1993, art. 56. A critério da autoridade competente, em cada caso, e desde que prevista no instrumento convocatório,
poderá ser exigida prestação de garantia nas contratações de obras, serviços e compras.
§ 1.º Caberá ao CONTRATADO (aplica-se também ao licitante) optar por uma das seguintes modalidades de garantia:
@dicasexconcurseira 150
I - caução em dinheiro ou em títulos da dívida pública, devendo estes ter sido emitidos sob a forma escritural, mediante registro
em sistema centralizado de liquidação e de custódia autorizado pelo Banco Central do Brasil e avaliados pelos seus valores
econômicos, conforme definido pelo Ministério da Fazenda;
II - seguro-garantia;
III - fiança bancária.

IMPORTANTE! IMPORTANTE! IMPORTANTE! IMPORTANTE!

• Garantia – Limite (art. 56 da Lei 8.666/1993):


a) Na fase de LICITAÇÃO: garantia de até 1% do valor estimado do futuro contrato;
b) Na fase de celebração do CONTRATO: garantia de até 5% do valor do contrato;
c) Contrato sobre obras, serviços e fornecimentos de grande vulto envolvendo alta complexidade técnica e riscos financeiros
consideráveis: garantia exigida na celebração do contrato poderá ser elevada para até 10% do valor do contrato.

• Qualificação econômico-financeira:
Lei 8.666/1993, art. 31 (...)
§1º A exigência de índices limitar-se-á à demonstração da capacidade financeira do licitante com vistas aos compromissos que
terá que assumir caso lhe seja adjudicado o contrato, vedada a exigência de valores mínimos de faturamento anterior, índices
de rentabilidade ou lucratividade.
§2º A Administração, nas compras para entrega futura e na execução de obras e serviços, poderá estabelecer, no instrumento
convocatório da licitação, a exigência de capital mínimo ou de patrimônio líquido mínimo (...)
§3º O capital mínimo ou o valor do patrimônio líquido a que se refere o parágrafo anterior NÃO PODERÁ EXCEDER A 10% DO
VALOR ESTIMADO DA CONTRATAÇÃO, devendo a comprovação ser feita relativamente à data da apresentação da proposta, na
forma da lei, admitida a atualização para esta data através de índices oficiais.
§4º Poderá ser exigida, ainda, a relação dos compromissos assumidos pelo licitante que importem diminuição da capacidade
operativa ou absorção de disponibilidade financeira, calculada esta em função do patrimônio líquido atualizado e sua
capacidade de rotação.

CESPE, Procurador do Estado do Espírito Santo: “É abusivo exigir, em edital de licitação, que, na fase de habilitação, as empresas
participantes comprovem capital mínimo circulante ou patrimônio líquido de 10% do valor da contratação”.

Entendimentos consolidados do Tribunal de Contas da União:


a) “Exigência de capital social ou patrimônio líquido mínimo vincula-se, necessariamente, ao percentual máximo de 10% do
valor estimado da contratação”;
b) “A Administração NÃO DEVE EXIGIR, para a qualificação econômico-financeira das empresas licitantes, a apresentação de
capital social ou de patrimônio líquido mínimo JUNTO com prestação de garantia de participação no certame”;
Lei 8.666/1993, art. 29. A documentação relativa à regularidade fiscal e trabalhista, conforme o caso, consistirá em:
I - prova de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Geral de Contribuintes (CGC); — hoje, usa-se a
expressão “CNPJ”.
II - prova de inscrição no cadastro de contribuintes estadual ou municipal, se houver, relativo ao domicílio ou sede do licitante,
pertinente ao seu ramo de atividade e compatível com o objeto contratual;
III - prova de regularidade para com a Fazenda Federal, Estadual e Municipal do domicílio ou sede do licitante, ou outra
equivalente, na forma da lei;
IV - prova de regularidade relativa à Seguridade Social e ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), demonstrando
situação regular no cumprimento dos encargos sociais instituídos por lei;
V – prova de inexistência de débitos inadimplidos perante a Justiça do Trabalho, mediante a apresentação de certidão
negativa, nos termos do Título VII-A da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de
1943.

TCU (anteprojeto de súmula autuado): “É obrigatória a exigência de prova de regularidade para com o FGTS para contratação
com a Administração Pública, precedida ou não de licitação, devendo essa condição de regularidade ser mantida durante toda a
execução do contrato”.

Microempresas e empresas de pequeno porte:


LC 123/2006, art. 42. Nas licitações públicas, a comprovação de regularidade fiscal das microempresas e empresas de pequeno
porte somente será exigida para efeito de ASSINATURA DO CONTRATO..

@dicasexconcurseira 151
LC 123/2006, art. 43. As microempresas e empresas de pequeno porte, por ocasião da participação em certames licitatórios,
deverão apresentar toda a documentação exigida para efeito de comprovação de regularidade fiscal, mesmo que esta
apresente alguma restrição.
Tendo alguma restrição e sendo a vencedora no certame, a microempresa ou empresa de pequeno porte terá 5 DIAS
ÚTEIS, PRORROGÁVEIS POR IGUAL PERÍODO, para regularizar a documentação, sob pena de decadência e sanções legais.

Aula 11 - Procedimento licitatório 4

Lei 8.666/1993, art. 33. Quando permitida na licitação a participação de empresas em consórcio, observar-se-ão as seguintes
normas:
I - comprovação do compromisso público ou particular de constituição de consórcio, subscrito pelos consorciados;
II - indicação da empresa responsável pelo consórcio que deverá atender às condições de liderança, obrigatoriamente fixadas
no edital;
III - apresentação dos documentos exigidos nos arts. 28 a 31 desta Lei por parte de cada consorciado, admitindo-se, para efeito
de qualificação técnica, o somatório dos quantitativos de cada consorciado, e, para efeito de qualificação econômico-
financeira, o somatório dos valores de cada consorciado, na proporção de sua respectiva participação, podendo a
Administração estabelecer, para o consórcio, um acréscimo de até 30% dos valores exigidos para licitante individual,
inexigível este acréscimo para os consórcios compostos, em sua totalidade, por micro e pequenas empresas assim definidas
em lei;
IV - impedimento de participação de empresa consorciada, na mesma licitação, através de mais de um consórcio ou
isoladamente; - pois quebra o sigilo das propostas.
V - responsabilidade SOLIDÁRIA dos integrantes pelos atos praticados em consórcio, tanto na fase de licitação quanto na de
execução do contrato.

Lei 8.666/1993, art. 32, § 1.º. A documentação de que tratam os arts. 28 a 31 desta Lei poderá ser dispensada, no todo ou em
parte, nos casos de CONVITE (valor pequeno), CONCURSO, FORNECIMENTO DE BENS PARA PRONTA ENTREGA e LEILÃO.

Lei 8.666/1993, art. 41, § 4.º. A inabilitação do licitante importa preclusão do seu direito de participar das fases subsequentes.
* Recurso COM efeito suspensivo sobre procedimento licitatório (art. 109, § 2.º, Lei 8.666/1993).

Lei 8.666/1993, art. 43 (...)


§ 5.º Ultrapassada a fase de habilitação dos concorrentes (incisos I e II) e abertas as propostas (inciso III), não cabe desclassificá-
los por motivo relacionado com a habilitação, salvo em razão de fatos supervenientes ou só conhecidos após o julgamento.
§ 6.º Após a fase de habilitação, não cabe desistência de proposta, salvo por motivo justo decorrente de fato superveniente E
aceito pela Comissão.

@dicasexconcurseira 152
Lei 8.666/1993, art. 98. Obstar, impedir ou dificultar, injustamente, a inscrição de qualquer interessado nos registros cadastrais
ou promover indevidamente a alteração, suspensão ou cancelamento de registro do inscrito:
Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

Aula 12 - Procedimento Licitatório 5

• Julgamento das propostas: fase em que a Administração irá julgar as propostas dos licitantes, ordenando-as de acordo com os
critérios objetivos previstos no instrumento convocatório.

• Proposta será desclassificada quando:


a) não atender as exigências do ato convocatório;
b) Contiverem valor global superior ao limite estabelecido ou com preços manifestamente inexequíveis, assim considerados
aqueles que não venham a ter demonstrada sua viabilidade através de documentação que comprove que os custos dos insumos
são coerentes com os de mercado e que os coeficientes de produtividade são compatíveis com a execução do objeto do
contrato, condições estas necessariamente especificadas no ato convocatório da licitação.

• Proibição de fixação de preço mínimo - Exceção:


Lei 8.666/1993, art. 48, § 1.º. Para os efeitos do disposto no inciso II deste artigo consideram-se manifestamente inexequíveis -
no caso de licitações de menor preço para obras e serviços de engenharia - as propostas cujos valores sejam inferiores a 70%
(setenta por cento) do menor dos seguintes valores:
a) média aritmética dos valores das propostas superiores a 50% (cinqüenta por cento) do valor orçado pela administração, ou
b) valor orçado pela administração.

Súmula 262 do TCU: “O critério definido no art. 48, inciso II, § 1º, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.666/93 conduz a uma presunção
RELATIVA de inexequibilidade de preços, devendo a Administração dar à licitante a oportunidade de demonstrar a
exequibilidade da sua proposta”.

• Critérios vedados no julgamento das propostas


Lei 8.666/1993, art. 44. (...)
§ 1.º É vedada a utilização de qualquer elemento, critério ou fator sigiloso, secreto, subjetivo ou reservado que possa ainda que
indiretamente elidir o princípio da igualdade entre os licitantes.
§ 2.º Não se considerará qualquer oferta de vantagem não prevista no edital ou no convite, inclusive financiamentos
subsidiados ou a fundo perdido, nem preço ou vantagem baseada nas ofertas dos demais licitantes.
Lei 8.666/1993, art. 48, § 3º. Quando todos os licitantes forem inabilitados ou todas as propostas forem desclassificadas
(LICITAÇÃO FRACASSADA), a administração poderá fixar aos licitantes o prazo de 8 dias úteis para a apresentação de nova
documentação ou de outras propostas escoimadas das causas referidas neste artigo, facultada, no caso de convite, a redução
deste prazo para 3 dias úteis.

• TIPOS de licitação (critérios de julgamento) – Lei 8.666/1993


a) o menor preço;
b) a melhor técnica;
c) a técnica e o preço;
d) a de maior lance ou oferta, nos casos de alienação de bens ou concessão de direito real de uso.
* Critérios diferenciados: contratos de concessão e permissão de serviços públicos e parcerias público-privadas.

• Melhor preço: É A REGRA, pois é o critério que é unicamente objetivo


– Considera mais vantajosa para a Administração a proposta que, cumprindo as especificações do edital ou convite, ofereça o
menor preço para contratação.

• Melhor técnica e melhor preço e técnica:


– Serviços de natureza intelectual;
– Bens e serviços de informática (OBS: admitem também PREGÃO/MELHOR PREÇO); IMPORTANTE! Pregão é SEMPRE feito
pelo tipo MENOR PREÇO.
– Serviços de publicidade.

@dicasexconcurseira 153
• Recurso administrativo: qualquer meio posto à disposição dos administrados para provocar o reexame dos atos da
Administração.

• Espécies de recursos EM SENTIDO AMPLO (Lei 8.666/1993):


a) recurso (em sentido estrito);
b) representação; e,
c) pedido de reconsideração.

Lei 8.666/1993, art. 109. Dos atos da Administração decorrentes da aplicação desta Lei cabem:
I – RECURSO, no prazo de 5 DIAS ÚTEIS a contar da intimação do ato ou da lavratura da ata, nos casos de:

c) anulação ou revogação da licitação;


d) indeferimento do pedido de inscrição em registro cadastral, sua alteração ou cancelamento;
e) rescisão do contrato, a que se refere o inciso I do art. 79 desta Lei;
f) aplicação das penas de advertência, suspensão temporária ou de multa;

• Representação
Lei 8.666/1993, art. 109, II - REPRESENTAÇÃO, no prazo de 5 DIAS ÚTEIS da intimação da decisão relacionada com o objeto da
licitação ou do contrato, de que não caiba recurso hierárquico; - se não couber recurso hierárquico, vai caber representação.

• IMPUGNAÇÃO ao recurso: 5 DIAS ÚTEIS. - seria tipo uma “contrarrazão”.


* Convite —> recurso contra habilitação/inabilitação e julgamento das propostas: 2 DIAS ÚTEIS.

• RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO: 5 DIAS ÚTEIS. Caso não reconsidere, a autoridade deve fazer o recurso subir informado, no
mesmo prazo, sob pena de responsabilidade.

• PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO
Lei 8.666/1993, art. 109. Dos atos da Administração decorrentes da aplicação desta Lei cabem:
III – pedido de reconsideração, de decisão de Ministro de Estado, ou Secretário Estadual ou Municipal, conforme o caso, na
hipótese do § 4.º do art. 87 desta Lei, no prazo de 10 dias úteis da intimação do ato.

• Homologação: consiste na aprovação do procedimento licitatório pela autoridade superior. A homologação da licitação é
precedida do exame dos atos que a integram.

Controle hierárquico

• Providências adotadas quando a Autoridade não homologar o procedimento:


a) se houver vício de ilegalidade sanável, determinará o retorno dos autos à comissão de licitação para suprir as irregularidades;
b) se houver vício de ilegalidade insanável, anulará o procedimento;
c) se houver razões de interesse público decorrente de fato superveniente devidamente comprovado, revogará a licitação (art.
49).

• Adjudicação: ato administrativo, praticado pela autoridade competente, por meio do qual é atribuído ao licitante vencedor o
objeto do contrato.

@dicasexconcurseira 154
• Aspectos da homologação e da adjudicação:
– Existem procedimentos em que a adjudicação do objeto licitado ocorrerá ANTES DA HOMOLOGAÇÃO: PREGÃO e RDC.
– Para corrente minoritária, homologação não faz parte do procedimento licitatório.
– Adjudicação não confere ao vencedor do certame o direito subjetivo a assinatura do contrato.

FCC, Procurador do Município de Manaus: “A homologação não é fase que integra o procedimento da licitação, sendo que
somente após é que se opera a adjudicação”.

Convocação para assinar o contrato

60 dias, prorrogável uma vez,


por igual período, por motivo justificado

Convocação do licitante remanescente, para cumprir o


contrato nas condições que o primeiro colocado propôs.

Aula 13 - Modalidades Licitatórias 1

• Modalidades licitatórias:

f) Pregão (Lei 10.520/2002);


g) Consulta (Leis 9.472/1997 e 9.986/2000) - restrita às agências reguladoras federais.

TCU, entendimento consolidado (AC-0015-01/08-2): “A modalidade de licitação cujo objeto seja serviço de natureza continuada
deve ser aquela que inclua em seu limite de valor todas as possíveis prorrogações do contrato”.

@dicasexconcurseira 155
• Concorrência:
Lei 8.666/1993, art. 22, § 1.º. Concorrência é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados que, na fase inicial de
habilitação preliminar, comprovem possuir os requisitos mínimos de qualificação exigidos no edital para execução de seu objeto.

Art. 23, Lei 8.666/1993 Obras e serviços de engenharia Compras e outros serviços que não
sejam de engenharia

CONVITE Até R$ 150.000,00 Até R$ 80.000,00

TOMADA DE PREÇOS Até R$ 1.500.000,00 Até R$ 650.000,00

CONCORRÊNCIA Acima de R$ 1.500.000,00 Acima de R$ 650.000,00

* Consórcio (Lei 8.666/1993, art. 23, § 8.º): IMPORTANTE!


a) Até 3 entes: DOBRO dos valores;
b) 4 ou mais entes: TRIPLO dos valores.

@dicasexconcurseira 156
• Outros casos de concorrência:
a) Compras e alienações de bens imóveis, qualquer que seja o seu valor, com a ressalva prevista no art. 19, III, do Estatuto das
Licitações, que também permite a realização de LEILÃO para a alienação de bens imóveis da administração que tenham sido
adquiridos mediante i) procedimento judicial ou ii) dação em pagamento (Lei 8.666/1993, art. 23, § 3.º);
b) Concessão de direito real de uso (Lei 8.666/1993, art. 23, § 3.º);
c) Para registro de preços, com a ressalva de que além da concorrência também pode ser utilizada a modalidade PREGÃO se o
objeto a ser registrado for bem ou serviço considerado comum (art. 15, § 3.º, I, da Lei nº 8.666/1993 combinado com o art. 11,
da Lei 10.520/2002); - é feita licitação na moralidade concorrência ou pregão para registrar preço.
d) Concessão comum de serviços públicos (Lei 8.987/1995, art. 2.º, I e II);
e) Concessões especiais de serviços públicos objeto de parcerias público-privadas (Lei 11.079/2004, art. 10);
f) Concessões florestais (Lei 11.284/2006, art. 13, § 1.º);
g) Licitações internacionais (Lei 8.666/1993, art. 23, § 3.º), em regra (admite-se, observados os limites da lei, a TOMADA DE
PREÇOS, quando o órgão ou entidade dispuser de cadastro internacional de fornecedores ou o CONVITE, quando não houver
fornecedor do bem ou serviço no país).

• Princípios aplicados à modalidade concorrência:


– Ampla publicidade;
– Universalidade.

Inversão das fases de habilitação e julgamento


- Contratos de parcerias público-privadas (PPP) ou contratos de concessão comum de serviços públicos - SE HOUVER
PREVISÃO DO EDITAL;
- Serviços de PUBLICIDADE (Lei 12.232/2010) – OBRIGATORIAMENTE.

Aula 14 - Modalidades licitatórias 2

• Tomada de preços:
Lei 8.666/1993, art. 22, § 2.º. Tomada de preços é a modalidade de licitação entre interessados devidamente cadastrados ou
que atenderem a todas as condições exigidas para cadastramento até o 3º dia anterior à data do recebimento das propostas,
observada a necessária qualificação.

• Convite:
Lei nº 8.666/1993, art. 22, § 3.º. Convite é a modalidade de licitação entre interessados do ramo pertinente ao seu objeto,
cadastrados ou não, escolhidos e convidados em número mínimo de 3 pela unidade administrativa, a qual afixará, em local
apropriado, cópia do instrumento convocatório e o estenderá aos DEMAIS CADASTRADOS na correspondente especialidade que
manifestarem seu interesse com antecedência de até 24 horas da apresentação das propostas.

• Participantes da modalidade convite:


a) Convidados (que podem ser cadastrados ou não);
b) Não convidados (deverão ser cadastrados e demonstrar seu interesse em participar do certame com antecedência de até 24
horas da apresentação das propostas).
* Convocação dos interessados necessita de publicação no Diário Oficial.
CESPE, Analista Judiciário (área administrativa) do STF: “A única modalidade de licitação para a qual não se exige edital é o
convite”.

Lei 8.666/1993, art. 22, § 6.º. Na hipótese do § 3º deste artigo, existindo na praça mais de 3 possíveis interessados, a cada novo
convite, realizado para objeto idêntico ou assemelhado, é obrigatório o convite a, no mínimo, mais um interessado, enquanto
existirem cadastrados não convidados nas últimas licitações.

Lei 8.666/1993, art. 22, § 7.º. Quando, por LIMITAÇÕES DO MERCADO ou MANIFESTO DESINTERESSE dos convidados, for
impossível a obtenção do número mínimo de 3 licitantes (que é diferente de “3 convidados”), essas circunstâncias deverão ser
devidamente justificadas no processo, sob pena de repetição do convite.

Súmula 248 do TCU: “Não se obtendo o número legal mínimo de três propostas aptas a seleção, na licitação sob a modalidade
Convite, impõe-se a repetição do ato com a convocação dos possíveis interessados, ressalvadas as hipóteses previstas no § 7.º do
art. 22 da Lei 8.666/1993”.

@dicasexconcurseira 157
• Concurso:
Lei 8.666/1993, art. 22, § 4.º. Concurso é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para escolha de trabalho
técnico, científico ou artístico, mediante a instituição de prêmios ou remuneração aos vencedores, conforme critérios
constantes de edital publicado na imprensa oficial com antecedência mínima de 45 dias.

Modalidade licitatória concurso Concurso público destinado a admissão de ocupantes de cargos ou


empregos públicos

• Contratos de serviços técnicos profissionais especializados (art. 13 da Lei 8.666/1993): deverão, preferencialmente, ser
precedidos de concurso, com estipulação prévia de prêmio ou remuneração, sempre que houver possibilidade de competição.
* Autor do projeto DEVE ceder os direitos patrimoniais (art. 111).

• REGULAMENTO da modalidade concurso (art. 52, Lei 8.666/1993): deverá indicar a qualificação exigida dos participantes, as
diretrizes e a forma de apresentação do trabalho, as condições de realização do concurso e os prêmios a serem concedidos. —
normalmente, o edital do concurso tem como anexo esse regulamento.

• Leilão:
Lei 8.666/1993, art. 22, § 5.º. Leilão é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para a venda de bens móveis
inservíveis para a administração ou de produtos legalmente apreendidos ou penhorados (na realidade, “empenhado”), ou
para a alienação de bens imóveis prevista no art. 19, a quem oferecer o maior lance, igual ou superior ao valor da avaliação.

• Modalidade de licitação utilizada para venda dos seguintes tipos de bens (art. 22, § 5.º):
a) Bens móveis inservíveis para a administração (até R$ 650.000,00);
b) Produtos legalmente apreendidos ou penhorados;
c) Alienação de bens imóveis, cuja aquisição haja derivado de procedimentos judiciais ou de dação em pagamento.

Marçal Justen Filho: “A Lei 8.666/1993 cometeu erro jurídico evidente, ao introduzir a referência à venda de produtos
‘penhorados’. (...) Possivelmente, a Lei pretendia indicar os bens ‘empenhados’ (ou seja, objeto de contrato de penhor).
Algumas entidades financeiras da Administração indireta realizam contratos de mútuo, garantidos por penhor. Vencido o
contrato e não liquidada a dívida, promove-se o leilão do bem empenhado, o qual seguirá as regras básicas da Lei 8.666.”

• Hipóteses restritas de utilização FACULTATIVA da modalidade leilão:


– Privatização de serviços públicos. Lei 9.074/95 (art. 27, I e § 3º; art. 29 e art. 30) e Lei 9.491/97 (art. 4º, § 3º).

• Regras do leilão:
Lei 8.666/1993, art. 53. O leilão pode ser cometido a leiloeiro oficial ou a servidor designado pela Administração, procedendo-
se na forma da legislação pertinente.
§ 1º Todo bem a ser leiloado será previamente avaliado pela Administração para fixação do preço mínimo de arrematação.
§ 2º Os bens arrematados serão PAGOS À VISTA ou NO PERCENTUAL ESTABELECIDO NO EDITAL, não inferior a 5% e, após a
assinatura da respectiva ata lavrada no local do leilão, imediatamente entregues ao arrematante, o qual se obrigará ao
pagamento do restante no prazo estipulado no edital de convocação, sob pena de perder em favor da Administração o valor já
recolhido.
§ 3º Nos leilões internacionais, o pagamento da parcela à vista poderá ser feito em até 24h.
§ 4° O edital de leilão deve ser amplamente divulgado, principalmente no município em que se realizará.

Aula 15 - Modalidades Licitatórias 3

• Pregão:
– Modalidade licitatória utilizada para a AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMUNS. Consideram-se bens e serviços comuns,
para os fins e efeitos deste artigo, aqueles cujos padrões de desempenho e qualidade possam ser objetivamente definidos pelo
edital, por meio de especificações usuais no mercado (Lei 10.520/2002, art. 1.º).

@dicasexconcurseira 158
• Evolução da modalidade na Legislação:

Utilização do pregão para SERVIÇOS de engenharia → VEDADA pelo art. 5º do Decreto 3.555/2000 e pelo art. 6º do Decreto
5.450/2005.
x
Súmula 257 do TCU: “O uso do pregão nas contratações de SERVIÇOS comuns de engenharia ENCONTRA amparo na Lei nº
10.520/2002”.
ESAF, Procurador do Distrito Federal: “O pregão é a modalidade de licitação em que a disputa pelo fornecimento de bens e
serviços comuns é feita em sessão pública por meio de propostas de preços escritas e lances verbais. Neste sentido não se
admite a utilização desta modalidade às contratações de obras e serviços de engenharia”.

• Pregão eletrônico OBRIGATÓRIO (esfera FEDERAL)


Decreto 5.450/2005, art.4º Nas licitações para aquisição de bens e serviços comuns será obrigatória a modalidade pregão, sendo
PREFERENCIAL a utilização da sua forma eletrônica.
§1º O pregão DEVE ser utilizado na forma eletrônica, salvo nos casos de comprovada inviabilidade, a ser justificada pela
autoridade competente.

• Fases do pregão:
1.ª Fase preparatória (fase interna);
2.ª Fase externa.

• Algumas considerações:
a) INVERSÃO OBRIGATÓRIA DAS FASES DE HABILITAÇÃO E JULGAMENTO DAS PROPOSTAS; - primeiro julga e depois confere a
habilitação da melhor proposta.
b) Inversão FACULTATIVA para concessões de serviços públicos e para parcerias público-privada; —- a inversão se dará apenas
se prevista no edital.
c) Fase de julgamento das propostas combina PROPOSTA ESCRITA COM LANCES VERBAIS (Lei 10.520/2002, art. 4.º, VIII e IX).
Propostas até 10% superiores ou 3 licitantes, ainda que o valor de suas propostas seja superior a 10%.
d) Julgamento e classificação das propostas, será sempre adotado o critério de julgamento de menor preço.
e) Após ser declarado o vencedor, qualquer licitante poderá manifestar a intenção de RECORRER, desde que o faça de forma
IMEDIATA e motivadamente (Lei 10.520/2002, art. 4.º, XVIII). Terá 3 dias para apresentar as razões do recurso.
f) O acolhimento do recurso importará a invalidação apenas dos atos insuscetíveis de aproveitamento (Lei 10.520/2002, art.
4.º, XIX).
g) A HOMOLOGAÇÃO É POSTERIOR À ADJUDICAÇÃO, no que difere da regra contida na Lei 8.666/93 (onde a homologação é
anterior a adjudicação).

• Vedações expressas em lei:


Lei 10.520/2002, art. 5º. É VEDADA a exigência de:
I – garantia de proposta;
II – aquisição do edital pelos licitantes, como condição para participação no certame; e
III – pagamento de taxas e emolumentos, salvo os referentes a fornecimento do edital, que não serão superiores ao custo de
sua reprodução gráfica, e aos custos de utilização de recursos de tecnologia da informação, quando for o caso.

• Consulta:
– Inicialmente prevista na Lei 9.472/1997 (Lei Geral de Telecomunicações/criação da ANATEL).
– Lei 9.986/2000: todas as agências reguladoras federais.
– Leis 9.472/1997 e 9.986/2000: não detalharam o procedimento.
– Resolução 5/1998 da ANATEL: disciplina a modalidade consulta.

@dicasexconcurseira 159
• Consulta:é a modalidade de licitação em que AO MENOS 5 PESSOAS, físicas ou jurídicas, de elevada qualificação, serão
chamadas a apresentar propostas para fornecimento de bens ou serviços NÃO COMUNS (Res. 5/1998 da ANATEL, art. 15).

Aula 16 - Licitação de Serviços de Publicidade; Registros de Preços; Anulação e Revogação de Licitação

• Licitação de serviços de publicidade (Lei 12.232/2010)


– Serviços de publicidade serão obrigatoriamente contratados com agências de propaganda cujas atividades sejam
disciplinadas pela Lei 4.680, de 18 de junho de 1965, E que tenham obtido certificado de qualificação técnica de
funcionamento.

• Modalidades licitatórias admitidas para a contratação de serviços de publicidade:


a) convite;
b) tomada de preços;
c) concorrência.
* Critério de julgamento: observação obrigatória dos tipos de licitação “melhor técnica” ou “técnica e preço”.
• Conceito
Lei 12.232/2010, art. 2.º Para fins desta Lei, considera-se serviços de publicidade o conjunto de atividades realizadas
integradamente que tenham por objetivo o estudo, o planejamento, a conceituação, a concepção, a criação, a execução interna,
a intermediação e a supervisão da execução externa e a distribuição de publicidade aos veículos e demais meios de divulgação,
com o objetivo de promover a venda de bens ou serviços de qualquer natureza, difundir ideias ou informar o público em geral.

• Atividades complementares
Lei 12.232/2010, art. 2o, § 1.º. Nas contratações de serviços de publicidade, poderão ser incluídos como atividades
complementares os serviços especializados pertinentes:
I – ao planejamento e à execução de pesquisas e de outros instrumentos de avaliação e de geração de conhecimento sobre o
mercado, o público-alvo, os meios de divulgação nos quais serão difundidas as peças e ações publicitárias ou sobre os resultados
das campanhas realizadas, respeitado o disposto no art. 3º desta Lei;
II – à produção e à execução técnica das peças e projetos publicitários criados;
III – à criação e ao desenvolvimento de formas inovadoras de comunicação publicitária, em consonância com novas tecnologias,
visando à expansão dos efeitos das mensagens e das ações publicitárias.

• Proibições
Lei 12.232/2010, art. 2o, § 2.º. Os contratos de serviços de publicidade terão por objeto somente as atividades previstas no caput
e no §1º deste artigo, vedada a inclusão de quaisquer outras atividades, em especial as de assessoria de imprensa,
comunicação e relações públicas ou as que tenham por finalidade a realização de eventos festivos de qualquer natureza, as
quais serão contratadas por meio de procedimentos licitatórios próprios, respeitado o disposto na legislação em vigor.

• Inversão obrigatória das fases de habilitação e julgamento das propostas: apenas os licitantes classificados no julgamento
final das propostas são convocados para apresentação dos documentos de habilitação (Lei 12.232/2010, art. 11, § 4.º, XI).

• Os licitantes deverão apresentar SEMPRE DUAS propostas:


a) uma proposta técnica;
b) uma proposta de preços.

• Comissões de julgamento:
a) subcomissão técnica, responsável pelo julgamento das propostas técnicas;
b) comissão permanente ou especial, responsável pelo julgamento da proposta de preços e da habilitação dos licitantes.

Procedimento

Abertura dos invólucros pela Comissão permanente ou especial → Análise e julgamento pela Comissão técnica →
Sessão pública para apuração do resultado geral → Publicação do resultado geral e abertura de prazo para recurso → Abertura
dos invólucros com propostas de preços → Publicação do resultado do julgamento final das propostas e abertura de prazo para
recurso → Convocação dos licitantes classificados para apresentação dos documentos de habilitação →
Recebimento dos documentos em sessão pública → Decisão quanto a habilitação ou inabilitação dos licitantes e abertura de
prazo para recurso → Homologação do procedimento e adjudicação do objeto licitado

@dicasexconcurseira 160
• REGISTROS DE PREÇOS
Lei 8.666/1993, art. 15. As compras, sempre que possível, deverão:
II – ser processadas através do sistema de registro de preços.

Sistema de registro de preços Decreto 7.892/2013

• Sistema de Registro de Preços: “conjunto de procedimentos para registro formal de preços relativos à prestação de serviços
e aquisição de bens, para contratações futuras” (Dec. 7.892/2013, art. 2º, I).

• Hipóteses de adoção
Decreto 7.892/2013, art. 3.º. O Sistema de Registro de Preços poderá ser adotado nas seguintes hipóteses:
I – quando, pelas características do bem ou serviço, houver necessidade de contratações frequentes;
II – quando for conveniente a aquisição de bens com previsão de entregas parceladas ou contratação de serviços remunerados
por unidade de medida ou em regime de tarefa;
III – quando for conveniente a aquisição de bens ou a contratação de serviços para atendimento a mais de um órgão ou
entidade, ou a programas de governo; ou
IV – quando, pela natureza do objeto, não for possível definir previamente o quantitativo a ser demandado pela
Administração.

No caso de pregão.

• Cadastro dos potenciais fornecedores

• Ata de registro de preços: documento vinculativo e obrigacional (para os particulares), com característica de compromisso
para futura contratação, em que se registram os preços, fornecedores, órgãos participantes e condições a serem praticadas,
conforme as disposições contidas no instrumento convocatório e propostas apresentadas (Decreto 7.892/2013, art. 2º, II).

• Anulação e revogação de licitação

@dicasexconcurseira 161
Anulação (efeitos ex tunc) Revogação (efeitos ex nunc)

CESPE, Analista Judiciário do TST: “Após recente aprovação de legislação no Distrito Federal estabelecendo normas mais rígidas
de segurança contra incêndio, o TST iniciou tomada de preços para contratar a prestação de serviços correspondentes à
adequação do edifício sede a essas normas. Após a apresentação das propostas, mas antes de sua apreciação, a referida
legislação distrital foi revogada, motivo pelo qual a autoridade competente do TST determinou, de ofício, a imediata anulação
do referido procedimento licitatório. Irresignada, uma licitante ofereceu pedido de reconsideração, argumentando que era
ilícito invalidar o procedimento sem que os interessados tivessem chance de apreciar os motivos da invalidação e de se
manifestar sobre eles.

O pedido foi indeferido sob o argumento de que, como ainda não havia sido definida uma licitante vencedora, a licitação podia
ser invalidada sem a abertura de contraditório”.
Em face da hipótese:
“A revogação da referida legislação pode ser causa para a revogação da licitação, mas não é motivo que justifique a sua
anulação”. — CORRETA

• Hipóteses de revogação:
a) por razões de interesse público decorrente de fato superveniente devidamente comprovado, pertinente e suficiente para
justificar tal conduta (art.49); ou
b) na hipótese do adjudicatário ter sido convocado e não assinar o termo de contrato ou não aceitar ou não retirar o
instrumento equivalente no prazo e condições estabelecidos; situação em que a Administração possui a faculdade de convocar
os licitantes remanescentes, na ordem de classificação, para fazê-lo em igual prazo e nas mesmas condições propostas pelo
primeiro classificado, ou revogar a licitação (art. 64, § 2º).

• Contraditório e ampla defesa:


a) STJ, RMS 23402/PR: A revogação da licitação ANTES da adjudicação do objeto não enseja o direito ao contraditório, uma vez
que o mero titular de uma expectativa de direito não goza da garantia do contraditório. Todavia, se a revogação da licitação
ocorrer DEPOIS da adjudicação, o direito do contraditório deverá ser respeitado (2.ª T., Rel. Min.Eliana Calmon, j.
18.03.2008,DJe 02.04.2008).
b) Lei 8.666/1993, art. 49, § 3.º: Prevê, SEM EXCEÇÃO, o direito ao contraditório e a ampla defesa em caso de desfazimento do
processo licitatório (por anulação ou revogação).

• Anulação: decorre da existência de ilegalidade no procedimento licitatório.

@dicasexconcurseira 162
• Hipóteses:
a) de ofício;
b) por provocação de terceiros;
c) decisão do Poder Judiciário, em sede de controle judicial.

CESPE, Juiz Federal Substituto do TRF 5.ª R.: “Um cidadão ajuizou ação popular para anular um contrato ilegal, por ausência de
licitação. Restou demonstrado que a determinação do ressarcimento, por força de ilegalidade de contratação, conduziria ao
enriquecimento sem causa. Nessa situação, por ter a empresa contratada prestado efetivamente à população o serviço, a
determinação de devolução ao Estado dos valores percebidos pela contratada configuraria locupletamento indevido”.

Aula 17 - Regime Diferenciado de Contratações Públicas - RDC 1

• Regime diferenciado de contratações públicas – RDC (Lei 12.462/2011)


Aplicação facultativa
– Aplicável exclusivamente às licitações e contratos necessários à realização:
a) da Copa das Confederações da FIFA 2013;
b) da Copa do Mundo da FIFA 2014;
c) dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016;
d) de obras de infraestrutura e de contratação de serviços para os aeroportos das capitais dos Estados da Federação distantes
até 350 km das sedes dos eventos relacionados nas letras “a” e “b” acima.
e) das ações integrantes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC);
f) das obras e serviços de engenharia no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS.
g) das obras e serviços de engenharia para construção, ampliação e reforma de estabelecimentos penais e unidades de
atendimento socioeducativo;
h) das obras e serviços de engenharia no âmbito dos sistemas públicos de ensino.

• Escopo:

• Consequências da adoção do RDC quanto a Lei 8.666/1993:


– Afastamento das normas contidas na Lei 8.666/1993, exceto nos casos previstos expressamente na própria Lei 12.462/2011
(art. 1.º, § 2.º).
– Hipóteses de dispensa e inexigibilidade de licitação previstas no art. 24 e 25 da Lei 8.666/1993 se aplicam, no que couber, às
contratações realizadas com base no RDC (art. 35).
@dicasexconcurseira 163
• Inovações mais relevantes trazidas pelo RDC – Maria Sylvia Zanella Di Pietro:
a) ampliação dos objetivos da licitação (art. 1º, § 1º);
b) inclusão do princípio da economicidade e do desenvolvimento nacional sustentável (art.3º);
c) restrições à publicidade do orçamento estimado (art. 6º);
d) inversão nas fases de habilitação e julgamento (art.12);
e) novos critérios de julgamento (art.18); —> novos tipos de licitação.
f) previsão de procedimentos auxiliares das licitações (art. 29);
g) previsão de possibilidade de exigência de AMOSTRA para a pré-qualificação e para o julgamento (art. 7.º, II);
h) possibilidade de REMUNERAÇÃO VARIÁVEL vinculada ao desempenho da contratada (art. 10);
i) previsão da contratação simultânea ou possibilidade de contratação de mais de uma empresa para realizar o mesmo serviço
(art. 11);
j) previsão da CONTRATAÇÃO INTEGRADA entre os regimes de execução do contrato (art. 8.º). - contratar a mesma empresa
para realizar do início ao fim. A mesma pessoa que faz o projeto básico pode também fazer a contratação.

• Regimes admitidos para execução indireta de obras e serviços de engenharia:


a) empreitada por preço unitário;
b) empreitada por preço global;
c) contratação por tarefa;
d) empreitada integral; ou
e) contratação integrada.

• Contratação integrada:
Lei 12.462/2011, art. 9.º. Nas licitações de obras e serviços de engenharia, no âmbito do RDC, poderá ser utilizada a contratação
integrada, desde que técnica e economicamente justificada e cujo objeto envolva, pelo menos, uma das seguintes condições:
I - inovação tecnológica ou técnica;
II - possibilidade de execução com diferentes metodologias; ou
III - possibilidade de execução com tecnologias de domínio restrito no mercado.
§1º. A contratação integrada compreende a elaboração e o desenvolvimento dos projetos básico e executivo, a execução de
obras e serviços de engenharia, a montagem, a realização de testes, a pré-operação e todas as demais operações necessárias
e suficientes para a entrega final do objeto.
§4º. Nas hipóteses em que for adotada a contratação integrada, É VEDADA A CELEBRAÇÃO DE TERMOS ADITIVOS aos
contratos firmados, exceto nos seguintes casos:
I - para recomposição do equilíbrio econômico-financeiro decorrente de caso fortuito ou força maior; e
II - por necessidade de alteração do projeto ou das especificações para melhor adequação técnica aos objetivos da
contratação, a pedido da administração pública, desde que não decorrentes de erros ou omissões por parte do contratado,
observados os limites previstos no §1º do art. 65 da Lei 8.666, de 21 de junho de 1993.

• Não podem participar direta ou indiretamente no RDC (art. 36 da Lei 12.462/2011):


a) da pessoa física ou jurídica que elaborar o projeto básico ou executivo correspondente; - salvo no caso de contratação
integrada.
b) da pessoa jurídica que participar de consórcio responsável pela elaboração do projeto básico ou executivo correspondente;
c) da pessoa jurídica da qual o autor do projeto básico ou executivo seja administrador, sócio com mais de 5% (cinco por
cento) do capital votante, controlador, gerente, responsável técnico ou subcontratado; ou
d) do servidor, empregado ou ocupante de cargo em comissão do órgão ou entidade contratante ou responsável pela licitação.

Aula 18 - Regime Diferenciado de Contratações Públicas 2 - RDC


OBS: Não é considerada nova modalidade de licitação

• Critérios de julgamentos previstos no RDC (art. 18 da Lei 12.462/2011 ):


a) menor preço ou maior desconto;
b) técnica e preço;
c) melhor técnica ou conteúdo artístico;
d) maior oferta de preço; ou
e) maior retorno econômico (somente para contratos de eficiência). Remunerar o contratado com base no que ele economiza.
* Critérios maior desconto, melhor conteúdo artístico e maior retorno econômico não estão previstos na Lei 8.666/1993.

@dicasexconcurseira 164
• Orçamento:
– Regra Geral do RDC: o orçamento previamente estimado para a contratação será tornado público apenas e imediatamente
após o encerramento da licitação, sem prejuízo da divulgação do detalhamento dos quantitativos e das demais informações
necessárias para a elaboração das propostas (art. 6.º da Lei 12.462/2011).
– NÃO aplicação da regra geral: quando o critério de julgamento utilizado for o de MAIOR DESCONTO ou de MELHOR TÉCNICA,
hipóteses em que o valor do orçamento (maior desconto), do prêmio ou da remuneração (melhor técnica) deverão
obrigatoriamente constar do instrumento convocatório (art. 6.º,§§ 1.º e 2.º, da Lei 12.462/2011).

• Inversão das fases de habilitação e julgamento


– Regra geral do RDC:
a) julgamento das propostas;
b) habilitação dos licitantes.
Excepcionalmente pode ser invertido: exige ato motivado e previsão no instrumento convocatório.
(No procedimento da Lei 8.666/1993 é a regra.)

• Fase recursal única: julga, verifica a habilitação e abre uma fase recursal única, onde se poderá contestar tanto o julgamento
quanto a habilitação. Proclamado o julgamento, deve manifestar o interesse de recorrer imediatamente e, depois, apresenta as
razões do recurso.

• Procedimentos auxiliares à licitação (Lei 12.462/2011, art. 29)

Lei 12.462/2011, art. 33. O catálogo eletrônico de padronização de compras, serviços e obras consiste em sistema
informatizado, de gerenciamento centralizado, destinado a permitir a padronização dos itens a serem adquiridos pela
administração pública que estarão disponíveis para a realização de licitação.
Parágrafo único. O catálogo referido no caput deste artigo poderá ser utilizado em licitações cujo critério de julgamento seja a
oferta de menor preço ou de maior desconto e conterá toda a documentação e procedimentos da fase interna da licitação,
assim como as especificações dos respectivos objetos, conforme disposto em regulamento.

• Procedimento das licitações (Lei 12.462/2011, art. 12):


1.º fase preparatória;
2.º publicação do instrumento convocatório;
3.º apresentação de propostas ou lances;
4.º julgamento;
5.º habilitação;
6.º fase recursal, e
7.º encerramento.

• Inversão das fases:


1.º preparatória;
2.º publicação do instrumento convocatório;
3.º habilitação;
4.º interposição e apreciação dos recursos contra as decisões relativas à habilitação;
5.º apresentação das propostas ou lances;
6.º julgamento das propostas ou lances;
7.º interposição e apreciação dos recursos contra as decisões relativas ao julgamento das propostas ou lances;
8.º encerramento.

@dicasexconcurseira 165
• Prazos mínimos para apresentação de propostas, contados a partir da data de publicação do instrumento convocatório (Lei
12.462/2011, art. 15):

• 2ª Fase - Publicidade do instrumento convocatório (Lei 12.462/2011, art. 15, § 1.º):


a) Diário Oficial da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município (ente de maior nível em caso de consórcio público);
b) divulgação em sítio eletrônico oficial.

* DISPENSADA A PUBLICAÇÃO em licitações com valor até R$ 150.000,00, para obras, ou R$ 80.000,00, para bens e serviços,
inclusive de engenharia.

• Pedidos de esclarecimento e impugnações ao instrumento convocatório (art. 45 da Lei 11.462/2011):


a) até 2 dias úteis antes da data de abertura das propostas, no caso de licitação para aquisição ou alienação de bens; ou
b) até 5 dias úteis antes da data de abertura das propostas, no caso de licitação para contratação de obras ou serviços.

Aula 19 - Regime Diferenciado de Contratações Públicas 3 - RDC 3

• 3ª Fase – Apresentação das propostas:

• Formas de disputa na apresentação das propostas ou lances:


a) disputa aberta; - em lances verbais.
b) disputa fechada;
c) combinação dos modos de disputas aberta e fechada.

@dicasexconcurseira 166
• Julgamento das propostas: critério previsto no instrumento convocatório.

• Desclassificação de propostas que (Lei 12.462/2011, art. 24):


a) contenham vícios insanáveis;
b) não obedeçam às especificações técnicas pormenorizadas no instrumento convocatório;
c) apresentem preços manifestamente inexequíveis ou permaneçam acima do orçamento estimado para a contratação;
d) não tenham sua exequibilidade demonstrada, quando exigido pela administração pública; ou
e) apresentem desconformidade com quaisquer outras exigências do instrumento convocatório, desde que insanáveis.

• Critérios de desempate das propostas (Lei 12.462/2011, art. 25), nesta sequência sucessiva:
a) disputa final entre os empatados: apresentação de nova proposta fechada em ato contínuo à classificação;
b) avaliação do desempenho contratual prévio dos licitantes (sistema objetivo);
c) bens e serviços produzidos no país; com tecnologia desenvolvida no país; produzidos ou prestados por empresas que
invistam em pesquisa e no desenvolvimento de tecnologia no País (art. 3º da Lei no 8.248/1991; § 2º do art. 3º da Lei nº
8.666/1993);
d) sorteio.

• Habilitação (Lei 12.462/2011, art. 14):


a) poderá ser exigida dos licitantes a declaração de que atendem aos requisitos de habilitação;
b) será exigida a apresentação dos documentos de habilitação apenas pelo licitante vencedor, exceto no caso de inversão de
fases;
c) no caso de inversão de fases, só serão recebidas as propostas dos licitantes previamente habilitados; e
d) em qualquer caso, os documentos relativos à regularidade fiscal poderão ser exigidos em momento posterior ao
julgamento das propostas, apenas em relação ao licitante mais bem classificado.
* Lei 8.666/1993, arts. 27 a 33 (aplicação subsidiária).

DE OLHO NA JURIS! Regularidade fiscal durante o contrato


Para que a pessoa possa participar de licitações e contratar com a Administração Pública é necessário que comprove sua
regularidade fiscal, ou seja, a inexistência de débitos com o Poder Público. Essa regularidade fiscal não é exigida apenas no
momento da licitação e da contratação, persistindo durante toda a execução do contrato. No entanto, segundo o STJ, é ilegal
reter o pagamento devido a fornecedor em situação de irregularidade perante o Fisco. Essa prática não é permitida,
considerando que não existe autorização na Lei para que seja feita (viola o princípio da legalidade). No caso de falta de
regularidade fiscal durante a execução do pacto, a Lei de Licitações autoriza que o Poder Público imponha penalidades ao
contratado (art. 87) ou rescinda o contrato. STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1313659-RR, Min. Mauro Campbell Marques, julgado
em 23/10/2012 (Info 507).

• Fase recursal

• Fase de encerramento – Encaminhamento dos autos à autoridade superior, que poderá (Lei 12.462/2011, art. 28):
a) determinar o retorno dos autos para saneamento de irregularidades que forem supríveis;
b) anular o procedimento, no todo ou em parte, por vício insanável;
c) revogar o procedimento por motivo de conveniência e oportunidade; ou
d) adjudicar o objeto e homologar a licitação.

Licitante vencedor não assina termo de contrato ou não aceita ou não retira instrumento no prazo e condições estabelecidos

Revogação da licitação Convocação dos licitantes remanescentes, na ordem de classificação

• Sanções administrativas:
Lei 12.462/2011, art. 47. Ficará IMPEDIDO de licitar e contratar com a União, Estados, Distrito Federal ou Municípios, pelo
prazo de até 5 anos, sem prejuízo das multas previstas no instrumento convocatório e no contrato, bem como das demais
cominações legais, o licitante que:
I – convocado dentro do prazo de validade da sua proposta não celebrar o contrato, inclusive nas hipóteses previstas no
parágrafo único do art. 40 e no art. 41 desta Lei;
II – deixar de entregar a documentação exigida para o certame ou apresentar documento falso;
III – ensejar o retardamento da execução ou da entrega do objeto da licitação sem motivo justificado;
IV – não mantiver a proposta, salvo se em decorrência de fato superveniente, devidamente justificado;
@dicasexconcurseira 167
V – fraudar a licitação ou praticar atos fraudulentos na execução do contrato;
VI – comportar-se de modo inidôneo ou cometer fraude fiscal; ou
VII – der causa à inexecução total ou parcial do contrato.

@dicasexconcurseira 168
@dicasexconcurseira 169
Cap. X – Serviços Públicos

Aula 01 - Conceito; Classificação 1

• Conceito de serviço público:


a) Critério subjetivo: aquele prestado diretamente pelo próprio Estado;
b) Critério objetivo (ou material): a atividade que tenha por objeto a satisfação de necessidades coletivas;
c) Critério formal: aquele exercido sob regime jurídico de direito público derrogatório e exorbitante do direito comum.

CESPE, Promotor de Justiça do Tocantins: “No direito brasileiro, para determinada atividade ser tida como serviço público, é
necessária a conjunção de três elementos: o subjetivo (referente à pessoa jurídica que realiza a atividade), o material (concernente
à atividade propriamente dita) e o formal (relativo ao regime jurídico aplicável).”

• Expressão serviço público e seu duplo prisma:


Critério subjetivo Sujeito

Critério objetivo Atividade/ atividade material

• Variação das definições quanto ao objeto:


– Todas as funções do Estado (administrativa, legislativa e judiciária).
– Funções administrativas, e excluindo as funções legislativas e judiciárias.
– Funções administrativas, e excluindo exercício do poder de polícia, de fomento e de intervenção.

ESAF, Procurador do Distrito Federal: “O exercício da atividade estatal de polícia administrativa constitui a prestação de um serviço
público ao administrado.”

• Análise atual dos critérios de conceituação de serviço público:


a) Critério subjetivo;
b) Critério objetivo (ou material);
c) Critério formal.

Maria Sylvia Zanella Di Pietro: “Serviço público é toda atividade material que a lei atribui ao Estado para que a exerça
diretamente ou por meio de seus delegados, com o objetivo de satisfazer concretamente às necessidades coletivas, sob regime
jurídico total ou parcialmente público.”

• Classificação:
a) Serviços públicos propriamente ditos (essenciais) e serviços de utilidade pública (não-essenciais);
b) Serviços próprios e impróprios;
c) Serviços administrativos, econômicos (comerciais ou industriais) e sociais;
d) Serviços uti singuli (singulares) e uti universi (coletivos).

Aula 02 - Classificação 2

a) Serviços públicos propriamente ditos (essenciais) e serviços de utilidade pública (não-essenciais)


Essenciais = exercício do poder de império, o Estado tem que exercer por mão própria. Ex: segurança, proteção de
fronteiras, policia administrativa e judiciária.
Não essenciais = não há exercício do poder de império. É conveniente que o Estado o preste, mas pode delegar a
particular. Ex: energia elétrica, telefonia.

@dicasexconcurseira 170
b) Serviços próprios e impróprios:

Serviço Público Próprio Serviço Público Impróprio

Posição de O Estado assume esses serviços como seus O Estado não assume esses serviços como seu.
Maria executando-os diretamente ou mediante Por isso, não pode executá-los, nem muito menos
Sylvia Di delegação a terceiros. delegar sua execução a terceiros. Na realidade,
Pietro tais serviços se constituem em atividades afetas
a iniciativa privada, as quais apenas se
submetem ao controle estatal mediante a
utilização do poder de polícia.

Posição de O serviço público próprio é aquele que deve ser O serviço público impróprio é aquele cuja
Hely Lopes exercido com o uso da supremacia do Poder execução pode ser delegada a terceiros.
Meirelles Público sobre os administrados. Por isso, devem
ser executados diretamente pelo Estado, por
meio de seus órgãos ou entidades, SEM
delegação a particulares.

FCC, citando HLM, PBGÁS: “Serviços próprios do Estado são aqueles que dizem respeito às atribuições do Poder Público e não
podem ser objeto de delegação a particulares”. — Hely Lopes.

ESAF, citando MSZP, Procurador/DF: “A classificação do serviço público como impróprio decorre de que o serviço prestado, apesar
de atendendo a necessidades coletivas, não é executado pelo Estado, seja direta seja indiretamente, mas tão-somente autorizado,
regulamentado e fiscalizado pelo Poder Público”. — Di Pietro.

c) Serviços administrativos, econômicos (comerciais ou industriais) e sociais


Administrativos = a Administração atua para satisfazer suas necessidades internas. É atividade-meio, em busca do bem
comum. Ex: imprensa oficial.
Econômicos/comerciais/industriais = art.173, CF - o Estado pode atuar na área econômica, por meio de empresas
públicas e sociedades de economia mista.
Sociais = atendem atividades coletivas. Ex: saúde, educação, previdência. Quando prestado por particular, a maioria da
doutrina entende que não pode ser chamado de “serviço público”.

d) Serviços uti singuli (singulares ou individuais) e uti universi (universais, coletivos ou gerais):
– Serviços uti singuli: usuários determinados (ou, ao menos, DETERMINÁVEIS), sendo possível a mensuração individualizada da
utilização por parte de cada usuário. Ex.: telefone, água, energia, gás etc.
– Serviços uti universi (universais, coletivos ou gerais): prestados a coletividade, mas usufruídos apenas indiretamente pelos
indivíduos.
Ex.: iluminação pública, segurança pública, varrição de rua, defesa nacional etc.

Súmula 670 do STF: O serviço de iluminação pública não pode ser remunerado mediante taxa.

@dicasexconcurseira 171
Aula 03 - Competência

• Competência (arts. 21, 23, 25, § 1.º, e 30 da CF)


* Distrito Federal (CF, art. 32, § 1.º)

CF, art. 32. O Distrito Federal, vedada sua divisão em Municípios (...):
§1º Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos Estados e Municípios.

CF, art. 21. 21. Compete à União: (...)


XIII - organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios e a Defensoria Pública dos
Territórios;
XIV - organizar e manter a polícia civil, a polícia militar e o corpo de bombeiros militar do Distrito Federal, bem como prestar
assistência financeira ao Distrito Federal para a execução de serviços públicos, por meio de fundo próprio;

CESPE, Analista de Controle Externo do TCU: “O DF deve prestar os serviços públicos previstos como de competência dos estados
e dos municípios, cumulativamente.” — o DF não tem competência para o serviço do Poder Judiciário, do MP e da polícia civil,
militar e corpo de bombeiros.

CESPE: “Alterado de C para E, pois a assertiva não contemplava as exceções existentes no texto constitucional.”

CF, art. 23, parágrafo único: Leis complementares fixarão normas para a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal
e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional.

Aula 04 - Formas de Prestação de Serviços Públicos

• Formas de prestação de serviços públicos


CF, art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente (órgãos e entidades da Adm) ou sob regime de concessão
ou permissão (ou autorização), sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos.
Parágrafo único. A lei disporá sobre:
I - o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua
prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão;
II - os direitos dos usuários;
III - política tarifária;
IV - a obrigação de manter serviço adequado.

• Modo de prestação dos serviços públicos:


– Centralizado: prestado pela própria pessoa jurídica federativa que detém a sua titularidade. É a Administração Direta prestando
o serviço.
– Descentralizado: o ente político titular daquele serviço público, embora mantendo a sua titularidade, transfere a pessoas alheias
a sua estrutura administrativa a responsabilidade pela prestação.

@dicasexconcurseira 172
• Descentralização: de uma pessoa (ente político/federativo) para outra pessoa (da Administração Indireta ou para um
particular)
a) por outorga (delegação legal); - para pessoas jurídicas da Administração Indireta.
b) por delegação (delegação negocial). - para particulares.

Descentralização
Outorga Delegação

O poder público cria novas entidades (autarquias, Não há a criação de novas entidades pelo Poder Público.
fundações públicas, sociedades de economia mista ou O serviço público é transferido a particulares.
empresas públicas), com personalidade jurídica própria,
a quem outorga a prestação dos serviços públicos.

A transferência da execução do serviço para o A transferência da execução do serviço para a pessoa


outorgado é feita por LEI. delegada é feita por CONTRATO (concessão e
permissão) ou por ATO administrativo unilateral
(autorização).

Ex.: ECT (Empresa de Correios e Telégrafos). Ex.: Telemar (concessionária).

@dicasexconcurseira 173
Concessões Comuns 1

• Concessões comuns
Lei 8.987/1995, art. 2.º, II – concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita pelo poder concedente, mediante
licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu
desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado.

• Concessão de serviço público PRECEDIDA DA EXECUÇÃO DE OBRA PÚBLICA


Lei 8.987/1995, art. 2.º, III – a construção, total ou parcial, conservação, reforma, ampliação ou melhoramento de quaisquer
obras de interesse público, delegada pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa
jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para a sua realização, por sua conta e risco, de forma que o
investimento da concessionária seja remunerado (lucro) e amortizado (receber de volta o que investiu) mediante a exploração
do serviço ou da obra por prazo determinado;

• Direitos e obrigações dos usuários


Lei 8.987/1995, art.7. Sem prejuízo do disposto na Lei 8.078/90, são direitos e obrigações dos usuários:
I – receber serviço adequado;
II – receber do poder concedente e da concessionária informações para a defesa de interesses individuais ou coletivos;
III - obter e utilizar o serviço, com liberdade de escolha entre vários prestadores de serviços, quando for o caso, observadas as
normas do poder concedente.
IV – levar ao conhecimento do poder público e da concessionária as irregularidades de que tenham conhecimento, referentes ao
serviço prestado;
V – comunicar às autoridades competentes os atos ilícitos praticados pela concessionária na prestação do serviço;
VI – contribuir para a permanência das boas condições dos bens públicos através dos quais lhes são prestados os serviços.

• Direitos e obrigações dos usuários


Lei 8.987/1995, art. 7.º-A. As concessionárias de serviços públicos, de direito público e privado, nos Estados e no Distrito Federal,
são obrigadas a oferecer ao consumidor e ao usuário, dentro do mês de vencimento, o mínimo de SEIS DATAS OPCIONAIS para
escolherem os dias de vencimento de seus débitos.

• Serviço adequado

• NÃO CARACTERIZA DESCONTINUIDADE DO SERVIÇO A SUA INTERRUPÇÃO em razão de:


a) situação de emergência (o serviço pode ser interrompido, SEM NECESSIDADE DE AVISO PRÉVIO ao usuário);
b) por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações (o usuário DEVE SER AVISADO previamente);
c) por inadimplemento do usuário, considerado o interesse da coletividade (o usuário inadimplente DEVE SER AVISADO
previamente).

• Política tarifária: tarifa paga pelo usuário, que serve para remunerar a concessionária pela prestação do serviço público. Deve
ser fixada inicialmente de acordo com o preço estabelecido na proposta vencedora da licitação.

@dicasexconcurseira 174
Garantia da manutenção do equilíbrio econômico-financeiro:
Ex. Revisão tarifária em virtude da variação da carga tributária (Lei 8.987/1994, art. 9º, § 2º).
* Caso do IR - só for aumentado o IR, NÃO poderá haver aumento da tarifa.

• DESNECESSIDADE de alternativa gratuita:


Lei 8.987/1994, art. 9º, § 1º. A tarifa não será subordinada à legislação específica anterior e somente nos casos expressamente
previstos em LEI sua cobrança poderá ser condicionada à existência de serviço público alternativo e gratuito para o usuário. -
não há em nenhuma lei, nem na lei que fala do pedágio, o requisito de que haja via alternativa para que haja delegação ao
particular.

Aula 06 - Concessões Comuns 2

• Licitação: a celebração de qualquer contrato de concessão ou permissão de serviço público deve ser precedida da realização de
licitação, conforme previsto no art. 175 da CF.

• Critérios de julgamento das propostas dos licitantes


Lei 8.987/1995, art. 15. No julgamento da licitação será considerado um dos seguintes critérios:
I – o menor valor da tarifa do serviço público a ser prestado; - ex: exploração de rodovias.
II – a maior oferta, nos casos de pagamento ao poder concedente pela outorga da concessão; - ex: licitação para usar a nova banda
de telefonia celular.
III – a combinação, dois a dois, dos critérios referidos nos incisos I, II e VII;
IV – melhor proposta técnica, com preço fixado no edital;
V – melhor proposta em razão da combinação dos critérios de menor valor da tarifa do serviço público a ser prestado com o de
melhor técnica;
VI – melhor proposta em razão da combinação dos critérios de maior oferta pela outorga da concessão com o de melhor técnica;
VII – melhor oferta de pagamento pela outorga após qualificação de propostas técnicas.
§ 1.º A aplicação do critério previsto no inciso III (combinação de critérios) só será admitida quando previamente estabelecida no
edital de licitação, inclusive com regras e fórmulas precisas para avaliação econômico-financeira.
§ 2.º Para fins de aplicação do disposto nos incisos IV, V, VI e VII, (envolvendo técnica) o edital de licitação conterá parâmetros e
exigências para formulação de propostas técnicas.
§ 3.º O poder concedente recusará propostas manifestamente inexequíveis ou financeiramente incompatíveis com os objetivos da
licitação.
§ 4.º Em igualdade de condições, será dada preferência à proposta apresentada por empresa brasileira.

• Direitos e obrigações dos usuários


Lei 8.987/1995, art. 18-A. O edital PODERÁ prever a inversão da ordem das fases de habilitação e julgamento, hipótese em
que:
I - encerrada a fase de classificação das propostas ou o oferecimento de lances, será aberto o invólucro com os documentos de
habilitação do licitante mais bem classificado, para verificação do atendimento das condições fixadas no edital;
II - verificado o atendimento das exigências do edital, o licitante será declarado vencedor;
III - inabilitado o licitante melhor classificado, serão analisados os documentos habilitatórios do licitante com a proposta
classificada em segundo lugar, e assim sucessivamente, até que um licitante classificado atenda às condições fixadas no edital;
IV - proclamado o resultado final do certame, o objeto será adjudicado ao vencedor nas condições técnicas e econômicas POR
ELE OFERTADAS.

@dicasexconcurseira 175
• Prazo da concessão:
– Lei 8.987/1995: prazo determinado – definição na LEI reguladora do serviço ou no CONTRATO.

ESAF, AFC – área de auditoria e fiscalização/CGU: “O prazo previsto na legislação federal brasileira para a concessão de estações
aduaneiras e outros terminais alfandegados de uso público, não-instalados em área de porto ou aeroporto, precedidas ou não de
obras públicas, é de 25 anos, podendo ser prorrogado por mais 10 anos.”

* Lei 9.074/1995, art. 1º, § 2º

@dicasexconcurseira 176
Aula 07 - Concessões Comuns 3

• Transferência da concessão, Transferência do controle acionário da concessionária, Contratação com terceiros e


subconcessão

• Subconcessão: verificada quando parcela do objeto principal do contrato é transferida para o subconcessionário. A regra,
também, é que a subconcessão seja proibida. Mas…

• Requisitos da subconcessão:
a) a subconcessão deve estar prevista no contrato de concessão;
b) o pode concedente (poder público) deve autorizar a subconcessão; e,
c) o poder concedente deverá realizar nova licitação, na modalidade concorrência, para a escolha do subconcecionário. — é
como se fosse uma nova licitação. Na prática, é o poder público quem vai escolher o subconcessionário.

Transferência = refere-se à totalidade do objeto; depende de anuência do poder público; a lei não fala que depende de
nova licitação; mas “transferir" é maior do que “subconcessão”; daí a doutrina majoritária entender que também depende de
nova licitação, apesar de este requisito não constar na lei.

DE OLHO NA JURIS! A concessionária não tem direito adquirido à renovação do contrato de concessão
A concessionária não tem direito adquirido à renovação do contrato de concessão de usina hidrelétrica. A União possui a
faculdade de prorrogar ou não o contrato de concessão, tendo em vista o interesse público, não se podendo invocar direito
líquido e certo a tal prorrogação. Dessa forma, a prorrogação do contrato administrativo insere-se no campo da
discricionariedade. A Lei nº 12.783/2013 subordinou a prorrogação dos contratos de concessão de geração, transmissão e
distribuição de energia elétrica à aceitação expressa de determinadas condições. Se estas são recusadas pela concessionária, a
Administração Pública não é obrigada a renovar a concessão. A Lei nº 12.783/2013 pode ser aplicada para a renovação de
contratos ocorrida após a sua vigência mesmo que a assinatura do pacto original tenha ocorrido antes da sua edição. STF. 2ª
Turma. RMS 34203/DF e AC 3980/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgados em 21/11/2017 (Info 885).

@dicasexconcurseira 177
• Encargos do Poder Concedente e da Concessionária

ENCARGOS/PODERES DO PODER CONCEDENTE ENCARGOS DA CONCESSIONÁRIA

1) regulamentar o serviço concedido e fiscalizar 1) prestar serviço adequado, na forma prevista


permanentemente a sua prestação; nesta Lei, nas normas técnicas aplicáveis e no
2) aplicar as penalidades regulamentares e contratuais; contrato;
3) intervir na prestação do serviço, nos casos e condições 2) manter em dia o inventário e o registro dos bens
previstos em lei; vinculados à concessão;
4) extinguir a concessão, nos casos previstos nesta Lei e na 3) prestar contas da gestão do serviço ao poder
forma prevista no contrato; concedente e aos usuários, nos termos definidos no
5) homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas* na contrato;
forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; 4) cumprir e fazer cumprir as normas do serviço e as
6) cumprir e fazer cumprir as disposições regulamentares do cláusulas contratuais da concessão;
serviço e as cláusulas contratuais da concessão; 5) permitir aos encarregados da fiscalização livre
7) zelar pela boa qualidade do serviço, receber, apurar e acesso, em qualquer época, às obras, aos
solucionar queixas e reclamações dos usuários, que serão equipamentos e às instalações integrantes do
cientificados, em até 30 dias, das providências tomadas; serviço, bem como a seus registros contábeis;
8) declarar de UTILIDADE PÚBLICA os bens necessários à 6) promover as DESAPROPRIAÇÕES e constituir
execução do serviço ou obra pública, promovendo as SERVIDÕES autorizadas pelo poder concedente,
DESAPROPRIAÇÕES, diretamente ou mediante outorga de conforme previsto no edital e no contrato;
poderes à concessionária, caso em que será desta a 7) zelar pela integridade dos bens vinculados à
responsabilidade pelas indenizações cabíveis; prestação do serviço, bem como segurá-los
9) declarar de NECESSIDADE ou UTILIDADE PÚBLICA, para adequadamente; e
fins de instituição de SERVIDÃO ADMINISTRATIVA , os bens 8) captar, aplicar e gerir os recursos financeiros
necessários à execução de serviço ou obra pública, necessários à prestação do serviço.
promovendo-a diretamente ou mediante outorga de
poderes à concessionária, caso em que será desta a
responsabilidade pelas indenizações cabíveis;
10) estimular o aumento da qualidade, produtividade,
preservação do meio-ambiente e conservação;
11) incentivar a competitividade; e
12) estimular a formação de associações de usuários para
defesa de interesses relativos ao serviço.

* DE OLHO NA JURIS! Decisão que suspende reajuste das tarifas de transporte público urbano viola a ordem pública
A interferência judicial para invalidar a estipulação das tarifas de transporte público urbano viola a ordem pública, mormente
nos casos em que houver, por parte da Fazenda estadual, esclarecimento de que a metodologia adotada para fixação dos preços
era técnica. Segundo a “doutrina Chenery”, o Poder Judiciário não pode anular um ato político adotado pela Administração
Pública sob o argumento de que ele não se valeu de metodologia técnica. Isso porque, em temas envolvendo questões técnicas
e complexas, os Tribunais não gozam de expertise para concluir se os critérios adotados pela Administração são corretos ou não.
Assim, as escolhas políticas dos órgãos governamentais, desde que não sejam revestidas de reconhecida ilegalidade, não podem
ser invalidadas pelo Poder Judiciário. STJ. Corte Especial. AgInt no AgInt na SLS 2240-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em
7/6/2017 (Info 605).

@dicasexconcurseira 178
• Intervenção na Concessão

Aula 08 - Concessões Comuns 4

• Extinção da Concessão

@dicasexconcurseira 179
• Extinção da Concessão – consequências
a) retornam ao poder concedente todos os bens reversíveis, direitos e privilégios transferidos ao concessionário conforme
previsto no edital e estabelecido no contrato;
b) assunção imediata do serviço pelo poder concedente, ficando este autorizado a ocupar as instalações e a utilizar todos os bens
reversíveis;
c) bens reversíveis ainda não amortizados ou depreciados deverão ser indenizados ao concessionário.
• Extinção da Concessão: qualquer que seja a causa da extinção (mesmo com culpa do contratado como na caducidade) irá
gerar direito à indenização do particular, sob pena de enriquecimento ilícito do poder público.

• Advento do termo contratual: com o fim do prazo previsto no contrato, ocorre a extinção natural da concessão.

• Encampação (ou resgate): aqui, o particular não fez nada de errado.


Requisitos:
a) interesse público;
b) LEI QUE AUTORIZE ESPECIFICAMENTE A ENCAMPAÇÃO; e,
c) pagamento de indenização PRÉVIA ao concessionário referente aos bens reversíveis empregados na execução do serviço,
ainda não amortizados ou depreciados.

OBS: nas licitações, o STJ, no caso de extinção dos contratos, disse haver direito à indenização pelos lucros cessantes.
Mas não há jurisprudência neste sentido também, ainda, no que tange aos contratos de concessão.

• Caducidade (ou decadência): dá-se por culpa do concessionário.


Lei 8.987/1995, art. 38, § 1º. A caducidade da concessão PODERÁ ser declarada pelo poder concedente quando:
I - o serviço estiver sendo prestado de forma inadequada ou deficiente, tendo por base as normas, critérios, indicadores e
parâmetros definidores da qualidade do serviço;
II - a concessionária descumprir cláusulas contratuais ou disposições legais ou regulamentares concernentes à concessão;
III - a concessionária paralisar o serviço ou concorrer para tanto, ressalvadas as hipóteses decorrentes de caso fortuito ou força
maior;
IV - a concessionária perder as condições econômicas, técnicas ou operacionais para manter a adequada prestação do serviço
concedido;
V - a concessionária não cumprir as penalidades impostas por infrações, nos devidos prazos;
VI - a concessionária não atender a intimação do poder concedente no sentido de regularizar a prestação do serviço; e
VII - a concessionária não atender a intimação do poder concedente para, em 180 dias, apresentar a documentação relativa a
regularidade fiscal, no curso da concessão, na forma do art. 29 da Lei 8.666, de 21 de junho de 1993.

CESPE, Juiz Federal Substituto do TRF5: “A condenação transitada em julgado da concessionária por sonegação de tributos
importa, obrigatoriamente, na caducidade do contrato de concessão”.

@dicasexconcurseira 180
Lei 8.987/1995, art. 27. A transferência de concessão ou do controle societário da concessionária sem prévia anuência do poder
concedente IMPLICARÁ a caducidade da concessão.
• Formalidades para declaração da caducidade:
a) a concessionária deverá ser comunicada dos descumprimentos contratuais, sendo-lhe dado um prazo para corrigir as falhas e
transgressões apontadas e para o enquadramento, nos termos contratuais;
b) não sendo atendida a notificação, deverá ser instaurado processo administrativo para verificar a inadimplência da
concessionária, sendo-lhe assegurado o direito de ampla defesa;
c) comprovada a inadimplência da concessionária em processo administrativo, a caducidade será declarada por DECRETO (ato do
chefe do Executivo) do poder concedente; INDEPENDENTE DE INDENIZAÇÃO PRÉVIA.

• Rescisão: forma de extinção da concessão, por iniciativa da concessionária, motivada pelo descumprimento de normas
contratuais por parte do poder concedente.

Exige ação judicial

• Anulação:
Lei 8.666/1993, art. 59 (aplicação subsidiária). A declaração de nulidade do contrato administrativo opera retroativamente
impedindo os efeitos jurídicos que ele, ordinariamente, deveria produzir, além de desconstituir os já produzidos.
Parágrafo único. A nulidade não exonera a Administração do dever de indenizar o contratado pelo que este houver executado até
a data em que ela for declarada e por outros prejuízos regularmente comprovados, contanto que não lhe seja imputável,
promovendo-se a responsabilidade de quem lhe deu causa.

DE OLHO NA JURIS! Contrato celebrado sem licitação e declarado nulo: contratado não será indenizado se estava de má-fé
Se for reconhecida a nulidade do contrato administrativo por ausência de prévia licitação, a Administração Pública, em regra,
tem o dever de indenizar os serviços prestados pelo contratado. No entanto, a Administração Pública não terá o dever de
indenizar os serviços prestados pelo contratado na hipótese em que este tenha agido de má-fé ou concorrido para a nulidade do
contrato. STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1394161-SC, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 8/10/2013 (Info 529).

• Falência ou extinção da empresa concessionária e falecimento ou incapacidade do titular, no caso de empresa individual:

José dos Santos Carvalho Filho: tais acontecimentos provocam a extinção de pleno direito do contrato, pela simples razão de
que tornam inviável, de fato, a execução do serviço público objeto do ajuste.

• Desafetação do Serviço Público


Quando a lei retira do poder público a competência para prestar determinado serviço, podendo, qualquer particular,
prestá-lo.

Diogenes Gasparini: a desafetação do serviço público em virtude de lei também é hipótese de extinção da concessão.

• Distrato (acordo): não há previsão legal de extinção da concessão por meio de acordo (distrato ou rescisão bilateral amigável)
entre o poder concedente e a concessionária, mas tal hipótese não foi vedada pela lei.

Admitida pela doutrina

• Renúncia da Concessionária

Diogo de Figueiredo Moreira Neto: a renúncia da concessionária será admitida como forma de extinção da concessão quando
houver previsão contratual atribuindo-lhe esse efeito.

@dicasexconcurseira 181
Aula 09 - Concessão Especial (PPP) 1

• Concessão Especial (Parceria Público-privada) - Lei 11.079/2004


– Natureza jurídica: contrato administrativo de concessão

Concessão comum Lei 8.987/1995

Concessão especial Lei 11.079/2004

• Modalidades de Concessão Especial:


a) a concessão patrocinada; e,
b) a concessão administrativa.

MODALIDADES DE CONCESSÃO ESPECIAL (parceria público-privada)

Concessão patrocinada Concessão administrativa

A concessão patrocinada é a concessão de serviço O contrato de prestação de serviços de que a


público ou de serviço público precedida da realização de Administração Pública seja a usuária direta ou indireta,
obras públicas de que trata a Lei nº 8.987/95 (concessões ainda que envolva a execução de obra ou fornecimento
comuns), quando envolver, além da tarifa TARIFA e instalação de bens, sendo o parceiro privado
COBRADA DOS USUÁRIOS, CONTRAPRESTAÇÃO DO remunerado basicamente pela contraprestação
PARCEIRO PÚBLICO AO PARCEIRO PRIVADO. pecuniária dada pelo parceiro público. Ex: concessão de
presídios.

• VEDAÇÕES
a) quanto ao valor: valor inferior a 20 milhões de reais;
b) quanto ao tempo: prazo inferior a 5 ou superior a 35 anos;
c) quanto ao objeto: ter como objeto ÚNICO o fornecimento de mão-de-obra, o fornecimento e instalação de equipamentos ou
a execução de obra pública.

• Contraprestação da Administração Pública (art. 6.º, Lei 11.079/2004):


a) ordem bancária;
b) cessão de créditos não tributários;
c) outorga de direitos em face da Administração Pública;
d) outorga de direitos sobre bens públicos dominicais;
e) outros meios admitidos em lei.

• Pagamento
– Parcela do serviço que já se revelar fruível (art. 7.º, § 1.º) - o poder público só paga quando o serviço já estiver disponível.
– Possibilidade (princípio) da variabilidade remuneratória vinculada ao desempenho do particular (art. 6.º, § 1.º)

• Garantias prestadas pela Administração


Lei 11.079/2004, art. 8.º. As obrigações pecuniárias contraídas pela Administração Pública em contrato de parceria público-privada
poderão ser garantidas mediante: - caso raro de a lei prever a possibilidade de a Administração ter que prestar garantia (o comum
é a lei prever que é o particular quem tem que prestar garantia).
I – vinculação de receitas, observado o disposto no inciso IV do art. 167 da Constituição Federal (mas não pode vincular as receitas
decorrentes de impostos, o que é proibido pela CF);;
II – instituição ou utilização de fundos especiais previstos em lei;
III – contratação de seguro-garantia com as companhias seguradoras que não sejam controladas pelo Poder Público;
IV – garantia prestada por organismos internacionais ou instituições financeiras que não sejam controladas pelo Poder Público;
V – garantias prestadas por fundo garantidor ou empresa estatal criada para essa finalidade;
VI – outros mecanismos admitidos em lei.

@dicasexconcurseira 182
ESAF, Juiz do Trabalho do TRT7 (questão adaptada): “No âmbito da Lei 11.079/2004 foram previstas várias formas de garantia
para sustentar as obrigações pecuniárias contraídas pelo Poder Público. Está previsto na norma citada a garantia prestada por
instituição financeira, de qualquer natureza”.

• Sociedade de Propósito Específico


Lei 11.079/2004, art. 9.º. Antes da celebração do contrato, deverá ser constituída SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO,
incumbida de implantar e gerir o objeto da parceria.
§1.º A transferência do controle da sociedade de propósito (que é feita pelo particular) específico estará condicionada à
autorização expressa da Administração Pública, nos termos do edital e do contrato, observado o disposto no parágrafo único do
art. 27 da Lei 8.987, de 13 de fevereiro de 1995.
§2.º A sociedade de propósito específico poderá assumir a forma de companhia aberta, com valores mobiliários admitidos a
negociação no mercado.
§3.º A sociedade de propósito específico deverá obedecer a padrões de governança corporativa e adotar contabilidade e
demonstrações financeiras padronizadas, conforme regulamento.
§4.º Fica VEDADO à Administração Pública ser titular da maioria do capital votante das sociedades de que trata este Capítulo.
§5.º A vedação prevista no § 4.º deste artigo NÃO SE APLICA à eventual aquisição da maioria do capital votante da sociedade
de propósito específico por instituição financeira controlada pelo Poder Público em caso de inadimplemento de contratos de
financiamento.

Aula 10 - Concessão Especial (PPP) 2

Licitação
• Edital (instrumento convocatório da licitação):

• Julgamento:
a) o menor valor da tarifa do serviço público a ser prestado;
b) o menor valor da contraprestação a ser paga pela Administração Pública;
c) a melhor proposta em razão da combinação dos critérios de menor valor da tarifa do serviço público a ser prestado com o de
melhor técnica;
d) a melhor proposta em razão da combinação do critério de menor valor da contraprestação a ser paga pela Administração
Pública com o de melhor técnica, de acordo com os pesos estabelecidos no edital;

@dicasexconcurseira 183
• Possibilidade de inversão da ordem das fases de habilitação e julgamento:
a) encerrada a fase de classificação das propostas ou o oferecimento de lances, será aberto o invólucro com os documentos de
habilitação do licitante mais bem classificado, para verificação do atendimento das condições fixadas no edital;
b) verificado o atendimento das exigências do edital, o licitante será declarado vencedor;
c) inabilitado o licitante melhor classificado, serão analisados os documentos habilitatórios do licitante com a proposta classificada
em 2.º (segundo) lugar, e assim, sucessivamente, até que um licitante classificado atenda às condições fixadas no edital;
d) proclamado o resultado final do certame, o objeto será adjudicado ao vencedor nas condições técnicas e econômicas por ele
ofertadas.

• Normas aplicáveis apenas à União


– Órgão gestor de parcerias público-privadas federais (art. 14, Lei 11.079/2004)
– Fundo garantidor de parcerias público-privadas (arts. 16 a 22, Lei 11.079/2004)
– Responsabilidade Fiscal
Lei 11.079/2004, art. 22. A União somente poderá contratar parceria público-privada quando a soma das despesas de caráter
continuado derivadas do conjunto das parcerias já contratadas não tiver excedido, no ano anterior, a 1% da receita corrente líquida
do exercício, e as despesas anuais dos contratos vigentes, nos 10 anos subsequentes, não excedam a 1% da receita corrente líquida
projetada para os respectivos exercícios.

CESPE, Procurador do MP/TCM-GO: “De acordo com a Lei 11.079/2004, o poder público (apenas a União) não pode contratar
parceria público-privada quando a soma das despesas de caráter continuado derivadas do conjunto das parcerias já contratadas
tiver excedido, no ano anterior, em 1% a receita corrente líquida do exercício;”

Lei 11.079/2004, art. 28. A União não poderá conceder garantia ou realizar transferência voluntária aos Estados, Distrito Federal
e Municípios se a soma das despesas de caráter continuado derivadas do conjunto das parcerias já contratadas por esses entes
tiver excedido, no ano anterior, a 5% da receita corrente líquida do exercício ou se as despesas anuais dos contratos vigentes nos
10 anos subsequentes excederem a 5% da receita corrente líquida projetada para os respectivos exercícios.

Aula 11 - Permissão e Autorização de Serviços Públicos

• Permissão e Autorização de Serviços Públicos


– Permissão de serviço público
a) É uma forma de delegação de serviços públicos;
b) Deve ser precedida de licitação pública, mas a Lei não determina a modalidade licitatória a ser seguida (diferencia-se da
concessão de serviço público que exige a licitação na modalidade concorrência);
c) É formalizada por meio de um CONTRATO DE ADESÃO, de natureza PRECÁRIA, uma vez que a lei prevê que pode ser revogado
de maneira unilateral pelo poder concedente (diferencia-se das concessões de serviço público que não possuem natureza
precária); OBS: doutrina majoritária = se colocar prazo no contrato e desmanchar o contrato antes do prazo, mesmo sendo
precário, o permissionário terá direito à indenização. No caso da permissão sem prazo, pode-se revogar independentemente de
indenização.
d) Os permissionários podem ser pessoas físicas ou jurídicas (diferencia-se das concessões de serviço público em razão dos
concessionários somente poderem ser pessoa jurídica ou consórcio de empresas).

PERMISSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO CONCESSÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS

Forma de delegação de serviço público; Forma de delegação de serviço público;

Depende da realização de licitação, mas a lei não Depende da realização de licitação na modalidade
predetermina a modalidade licitatória; obrigatória da concorrência;

Possui natureza precária, mas há controvérsias na Não possui natureza precária;


doutrina;

Os permissionários podem ser pessoa física ou pessoa Os concessionários só podem ser pessoa jurídica ou
jurídica. consórcio de empresas.

– Autorização de serviço público


a) ato administrativo unilateral, discricionário e precário (LGT - lei geral de telecomunicações - fala em ato vinculado);
b) poder público delega a execução de um serviço público de sua titularidade;
@dicasexconcurseira 184
c) particular executa predominantemente em seu próprio benefício. ex: táxi.

Hely Lopes Meirelles: “Serviços autorizados são aqueles que o Poder Público, por ato unilateral, precário e discricionário, consente
na sua execução por particular para atender a interesse coletivos instáveis ou emergência transitória”.

FCC, Advogado Trainee do Metrô de São Paulo: “Autorização é ato administrativo vinculado ou discricionário, por meio do qual o
Poder Público permite ao interessado o exercício de uma atividade”.

Bloco V

Cap.XI - Responsabilidade Civil

Aula 01 - Introdução; Evolução das Teorias

• Responsabilidade civil da Administração Pública: obrigação estatal de indenizar os danos patrimoniais, morais ou estéticos que
seus agentes, atuando nessa qualidade, causarem a terceiros.

@dicasexconcurseira 185
* Evolução das Teorias sobre a Responsabilidade Civil do Estado

• Teoria dos atos de império e dos atos de gestão

• Teoria da culpa civil (para toda a atuação estatal)

@dicasexconcurseira 186
• Teorias publicistas (direito público)

- Teoria da culpa do serviço

- Teorias do risco

@dicasexconcurseira 187
Aula 02 - Evolução no Ordenamento Jurídico Brasileiro

• Evolução da responsabilidade civil extracontratual do Estado no ordenamento jurídico brasileiro

• Constituição de 1824: responsabilidade pessoal do agente público


Art. 179, XXIX — Os empregados públicos são estritamente responsáveis pelos abusos e omissões praticados no exercício de suas
funções e por não fazerem efetivamente responsáveis aos seus subalternos.

• Código Civil de 1916: responsabilidade subjetiva do Estado


Art. 15. As pessoas jurídicas de Direito Público são civilmente responsáveis por atos de seus representantes que nessa qualidade
causem danos a terceiros, procedendo de modo contrário ao direito ou faltando a dever prescrito em lei, salvo o direito regressivo
contra os causadores do dano.

• Constituição de 1934: responsabilidade civil subjetiva do Estado


Art. 171. Os funcionários públicos são responsáveis solidariamente com a Fazenda Nacional, Estadual ou Municipal, por quaisquer
prejuízos decorrentes de negligência, omissão ou abuso no exercício dos seus cargos.

• Constituição de 1946: introduziu a teoria da responsabilidade objetiva do Estado


Art. 194. As pessoas jurídicas de Direito Público Interno são civilmente responsáveis pelos danos que os seus funcionários, nessa
qualidade, causem a terceiros.
Parágrafo único. Caber-lhes-á ação regressiva contra os funcionários causadores do dano, quando tiver havido culpa destes.

• Carta de 1967 e a Emenda 1, de 1969: responsabilidade objetiva do Estado, acrescentando que a ação regressiva contra o
funcionário se daria também nos casos de dolo, e não apenas nos casos de culpa, como previsto na Constituição de 1946.

@dicasexconcurseira 188
• Constituição Federal de 1988: responsabilidade objetiva do Estado
Art. 37, § 6.º As pessoas jurídicas de Direito Público e as de Direito Privado prestadoras de serviço público responderão pelos
danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos
de dolo ou culpa.

• Teoria do risco integral jamais foi acolhida em quaisquer das constituições brasileiras

• Lei 10.744/2003, art. 1.º: Fica a União autorizada, na forma e critérios estabelecidos pelo Poder Executivo, a assumir despesas
de responsabilidades civis perante terceiros na hipótese da ocorrência de danos a bens e pessoas, passageiros ou não,
provocados por atentados terroristas, atos de guerra ou eventos correlatos, ocorridos no Brasil ou no exterior, contra aeronaves
de matrícula brasileira operadas por empresas brasileiras de transporte aéreo público, excluídas as empresas de táxi aéreo.

• CF, art. 21: Compete à União:(...)


XIII - organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios e a Defensoria Pública dos
Territórios;(...)
d) a responsabilidade civil por danos nucleares independe da existência de culpa;

FCC, Procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas do Estado de Alagoas: “A respeito da responsabilidade do
Estado e sua evolução na legislação pátria, pode-se afirmar que o ordenamento jurídico brasileiro evoluiu da teoria da
responsabilidade subjetiva para a objetiva, incluindo, atualmente, a possibilidade de responsabilização do Estado pela prática de
atos lícitos e por danos morais.”

• Conclusões sobre a evolução no Brasil da responsabilidade civil extracontratual do Estado


a) A teoria da irresponsabilidade civil do Estado nunca foi admitida no direito brasileiro
b) A evolução legislativa mostra que o ordenamento jurídico pátrio previu inicialmente a responsabilidade civil do Estado com
base na culpa civil, evoluindo para a responsabilidade pela falta de serviço, até chegar à responsabilidade objetiva.
c) A responsabilidade objetiva do Estado foi introduzida no ordenamento jurídico brasileiro na Constituição Federal de 1946.
d) A Constituição Federal de 1988 ampliou a responsabilidade objetiva do Estado, passando a responsabilizar objetivamente
também as pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público, e consagrou, também, a responsabilidade por
danos morais (ou extrapatrimoniais).
e) A responsabilidade objetiva do Estado, adotada pela CF/1988, segundo o entendimento doutrinário dominante, segue a teoria
do risco administrativo. A teoria do risco integral jamais foi acolhida em quaisquer das constituições brasileiras.
f) O Código Civil de 2002 prevê também a responsabilidade objetiva do Estado, diferenciando-se da Constituição Federal de 1988
por não ter feito referência à responsabilidade objetiva das pessoas jurídicas prestadoras de serviço público.

@dicasexconcurseira 189
Aula 03 - Responsabilidade Civil Objetiva

• Principais aspectos acerca da responsabilidade civil objetiva do Estado:


1.º O fundamento justificador da responsabilidade objetiva do Estado é o princípio da igualdade dos ônus e encargos sociais.

2.º A responsabilidade objetiva do Estado abrange os danos resultantes de atos lícitos (regulares ou legais) e ilícitos (irregulares
ou ilegais)

3.º A responsabilidade civil objetiva do Estado se dá, em regra, pela prática de atos comissivos de seus agentes; somente em
situações excepcionais é que os Tribunais aceitam a responsabilidade objetiva do Estado por atos omissivos.

STF, RE 272.839: “Morte de detento por colegas de carceragem. Indenização por danos morais e materiais. Detento sob a custódia
do Estado. Responsabilidade objetiva. Teoria do risco administrativo. Configuração do nexo de causalidade em função do dever
constitucional de guarda (art. 5.º, XLIX). Responsabilidade de reparar o dano que prevalece ainda que demonstrada a ausência de
culpa dos agentes públicos” (rel. Min. Gilmar Mendes, j. 1.º.02.2005, DJ 08.04.2005). No mesmo sentido: AI 512.698-AgR, rel. Min.
Carlos Velloso, j. 13.12.2005, DJ 24.02.2006

Qual é a responsabilidade civil do Estado em caso de suicídio do preso?


O STF decidiu que a responsabilização objetiva do Estado em caso de morte de detento somente ocorre quando houver
inobservância do dever específico de proteção previsto no art. 5º, inciso XLIX, da Constituição Federal (RE 841526/RS). Não
haverá responsabilidade civil do Estado se o Tribunal de origem, com base nas provas apresentadas, decide que não se
comprovou que a morte do detento foi decorrente da omissão do Poder Público e que o Estado não tinha como montar
vigilância a fim de impedir que o preso ceifasse sua própria vida. Tendo o acórdão do Tribunal de origem consignado
expressamente que ficou comprovada causa impeditiva da atuação estatal protetiva do detento, rompeu-se o nexo de
causalidade entre a suposta omissão do Poder Público e o resultado danoso. STJ. 2ª Turma. REsp 1305259/SC, Rel. Min. Mauro
Campbell Marques, julgado em 08/02/2018.

Estado deve indenizar preso que se encontre em situação degradante


Considerando que é dever do Estado, imposto pelo sistema normativo, manter em seus presídios os padrões mínimos de
humanidade previstos no ordenamento jurídico, é de sua responsabilidade, nos termos do art. 37, § 6º, da Constituição, a
obrigação de ressarcir os danos, inclusive morais, comprovadamente causados aos detentos em decorrência da falta ou
insuficiência das condições legais de encarceramento. STF. Plenário. RE 580252/MS, rel. orig. Min. Teori Zavascki, red. p/ o ac.
Min. Gilmar Mendes, julgado em 16/2/2017 (repercussão geral) (Info 854).

4.º Para que o Estado possa ser responsabilizado é necessário que o agente público aja nessa condição, caso contrário, não haverá
nexo causal entre a função pública e o dano gerado pelo agente, de forma a não existir responsabilidade estatal.

CESPE, Procurador do Estado da Paraíba: “Um policial militar do Estado da Paraíba, durante o período de folga, em sua residência,
teve um desentendimento com sua companheira e lhe desferiu um tiro com uma arma pertencente à corporação. Considerando
o ato hipotético praticado pelo referido policial, é correto afirmar que não há responsabilidade civil do Estado, visto que o dano
foi causado por policial fora de suas funções públicas.”

5.º A responsabilidade objetiva é o regime aplicado aos atos dos agentes de pessoas jurídicas de direito público (União, Estados,
Distrito Federal, Municípios, autarquias e fundações públicas de direito público) e de direito privado prestadoras de serviço
público (empresas públicas, sociedades de economia mista, fundações públicas de direito privado, permissionárias,
concessionárias ou autorizatárias).

DE OLHO NA JURIS! O Estado responde, objetivamente, pelos danos causados por notários e registradores
O Estado responde, objetivamente, pelos atos dos tabeliães e registradores oficiais que, no exercício de suas funções, causem
dano a terceiros, assentado o dever de regresso contra o responsável, nos casos de dolo ou culpa, sob pena de improbidade
administrativa. O Estado possui responsabilidade civil direta, primária e objetiva pelos danos que notários e oficiais de registro,

@dicasexconcurseira 190
no exercício de serviço público por delegação, causem a terceiros. STF. Plenário. RE 842846/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em
27/2/2019 (repercussão geral) (Info 932).

* Responsabilidade de pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público quanto aos danos causados aos não
usuários do serviço público

ANTIGA posição do STF:


STF, 2.ª Turma, RE 262.651, rel. Min. Carlos Velloso, 16.11.2004: firmou-se posicionamento no sentido de que a responsabilidade
objetiva das pessoas jurídicas de direito privado que sejam permissionárias, concessionárias ou autorizatárias de serviços públicos
alcança APENAS os danos causados aos USUÁRIOS dos serviços. Quanto aos danos causados aos não usuários, a
responsabilidade aplicada é subjetiva, dependendo de prova da culpa ou dolo do agente causador.

ATUAL posição do STF (repercussão geral):


STF, Pleno, RE 591.874/MS : (...) CONCESSIONÁRIO OU PERMISSIONÁRIO DO SERVIÇO DE TRANSPORTE COLETIVO.
RESPONSABILIDADE OBJETIVA EM RELAÇÃO A TERCEIROS NÃO-USUÁRIOS DO SERVIÇO. RECURSO DESPROVIDO. I — A
responsabilidade civil das pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público é objetiva relativamente a terceiros
usuários e não-usuários do serviço, segundo decorre do art. 37, § 6º, da Constituição Federal. II — A inequívoca presença do nexo
de causalidade entre o ato administrativo e o dano causado ao terceiro não-usuário do serviço público, é condição suficiente para
estabelecer a responsabilidade objetiva da pessoa jurídica de direito privado. III — Recurso extraordinário desprovido.

Aula 04 - Responsabilidade Subjetiva do Estado

• Responsabilidade Subjetiva do Estado

• Nexo causal: é o vínculo existente entre a conduta de determinado agente e o dano efetivamente gerado.

• Causas excludentes da responsabilidade estatal:


a) culpa exclusiva da vítima ou de terceiro;
b) caso fortuito;
c) força maior.

• Teorias sobre o nexo causal:


1.ª Teoria da equivalência das condições;
2.ª Teoria da causalidade adequada;
3.ª Teoria da causalidade direta ou imediata (também conhecida como teoria da interrupção do nexo causal ou teoria da
causalidade necessária). — adotada pelo direito brasileiro, no âmbito cível.

@dicasexconcurseira 191
• Teoria da causa direta e imediata é a adotada no ordenamento jurídico brasileiro
ST3F, RE 130.764: “A responsabilidade do Estado, embora objetiva por força do disposto no artigo 107 da Emenda Constitucional
n. 1/69 (e, atualmente, no § 6.º do artigo 37 da Carta Magna), não dispensa, obviamente, o requisito, também objetivo, do nexo
de causalidade entre a ação ou a omissão atribuída a seus agentes e o dano causado a terceiros.
Em nosso sistema jurídico, como resulta do disposto no artigo 1.060 do Código Civil, a teoria adotada quanto ao nexo de
causalidade é a teoria do dano direto e imediato, também denominada teoria da interrupção do nexo causal. Não obstante
aquele dispositivo da codificação civil diga respeito a impropriamente denominada responsabilidade contratual, aplica-se ele
também à responsabilidade extracontratual, inclusive a objetiva, até por ser aquela que, sem quaisquer considerações de ordem
subjetiva, afasta os inconvenientes das outras duas teorias existentes: a da equivalência das condições e a da causalidade
adequada” (rel. Min. Moreira Alves, j. 12.05.1992, DJ 07.08.1992).

CESPE, Defensor Público da União: “Segundo a teoria da causalidade adequada, quando inúmeras e sucessivas causas contribuem
para a produção do evento danoso, todas as concausas são consideras adequadas a produzir esse evento, uma vez que, sem elas,
o resultado não teria ocorrido, imputando-se o dever de reparar o dano a todas ou a qualquer das pessoas que o provocaram”.

Aula 05 - Dano Indenizável; Ação de Reparação do Dano; Ação Regressiva; Responsabilidades do Agente Público

• Dano Indenizável

• Dano: ocorrerá quando for violado algum interesse jurídico patrimonial ou extrapatrimonial de uma pessoa física ou jurídica.

• Cumulação de indenizações: possível a cumulação de indenizações por dano moral, material e estético, ainda que decorrentes
de um mesmo fato, quando as consequências de cada tipo de dano possam ser claramente identificadas (STJ).

CESPE, Procurador do Município de Vitória-ES: “No campo jurídico, quando algo provoca defeito na aparência da vítima que seja
capaz de extrapolar os limites da dor moral, fica caracterizado o dano estético. A indenização por esse dano é vinculada e integra
a indenização por dano moral, tornando, assim, licitamente impossível a cumulação de ambos, ainda que esses danos sejam
decorrentes do mesmo fato”.

• Ação de reparação do dano


– Duas opções:
a) amigável (na esfera administrativa, celebra acordo com o Estado); ou
b) litigiosa (na esfera judicial, move uma ação indenizatória).

CESPE, Procurador do Município de Manaus: “Em matéria de responsabilidade civil do Estado, é correto afirmar que a reparação
do dano causado a terceiro pode ser feita no âmbito administrativo, desde que a Administração reconheça desde logo a sua
responsabilidade e haja entendimento entre as partes quanto ao valor da indenização.”

– Alternativas ao lesado na via judicial:


a) move ação contra o Estado;
b) move ação contra o agente público; — STF não admite esta hipótese!
c) move ação contra o Estado e o agente público, em litisconsórcio facultativo.

@dicasexconcurseira 192
STF, 1.ª Turma, RE 327.904/SP: “Esse mesmo dispositivo constitucional consagra, ainda, DUPLA GARANTIA: uma, em favor do
particular, possibilitando-lhe ação indenizatória contra a pessoa jurídica de direito público, ou de direito privado que preste
serviço público, dado que bem maior, praticamente certa, a possibilidade de pagamento do dano objetivamente sofrido. Outra
garantia, no entanto, em prol do servidor estatal, que somente responde administrativa e civilmente perante a pessoa jurídica
a cujo quadro funcional se vincular. Recurso extraordinário a que se nega provimento” (rel. Min. Carlos Britto, j. 15.08.2006, DJ
08.09.2006, p. 43).

CESPE, Juiz de Direito do Estado de Tocantins: “A ação de responsabilidade civil objetiva por ato cometido por servidor público
pode ser legitimamente proposta contra o Estado ou contra este e o respectivo servidor, em litisconsórcio passivo”.

• Impossibilidade de denunciação à lide - STF: não é possível

– Argumentos:
a) Contra: sendo a responsabilidade civil do Estado de natureza objetiva, a discussão no processo acerca de elementos subjetivos
(dolo e culpa) com o escopo de possibilitar a responsabilização do agente público retardaria o desfecho da demanda, em prejuízo
do terceiro a ser indenizado.
b) A favor: o instituto garante a celeridade processual por resolver as duas lides (terceiro lesado x Estado e Estado x agente público)

STF: não é possível a denunciação à lide do servidor, devendo o Estado manejar ação regressiva autônoma para exercer suas
pretensões contra o agente causador do dano (RE 327.904, Rel. Min. Carlos Britto, j. 15.08.2006, DJ 08.09.2006).
STJ: a denunciação à lide do agente público é possível, mas não é obrigatória (REsp 866614/AL, rel. Min. João Otávio de Noronha,
2.ª Turma, j. 28.08.2007, DJ 17.09.2007, p. 240).

• Acréscimos moratórios

Súmula 43 do STJ: Incide correção monetária sobre dívida por ato ilícito a partir da data do efetivo prejuízo.

Súmula 362 do STJ: A correção monetária do valor da indenização do dano MORAL incide desde a DATA DO ARBITRAMENTO.

@dicasexconcurseira 193
Súmula 54 do STJ: Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade extracontratual.

STJ, 4.ª T., REsp 726.939/RJ: “(...) 3. Cuida-se, na hipótese, de passageiro de ônibus, havendo, portanto, responsabilidade objetiva
e contratual da empresa de transportes. A orientação desta Corte é no sentido de que em tal circunstância os juros moratórios
correm a partir da citação. Inaplicável, in casu, a Súmula 54/STJ, por não se tratar de responsabilidade extracontratual” (rel. Min.
Jorge Scartezzini, j. 24.05.2005, DJ 1.º.07.2005, p. 559).

• Prazo prescricional
5 anos o prazo prescricional das ações contra a Fazenda Pública (pessoas jurídicas de Direito Público) e pessoas jurídicas de
direito privado prestadoras de serviços públicos

Termo inicial para a propositura da ação de indenização contra o Estado

Começa a fluir a partir da data do ato ou do fato que deu origem ao dano

Evento danoso que resulta em invalidez ou incapacidade: o termo inicial é a data em que a vítima teve ciência inequívoca de
sua invalidez e da extensão de sua incapacidade (REsp 673.576/RJ, rel. Min. José Delgado, 1.ª Turma, j. 02.12.2004, DJ
21.03.2005 p. 285).

Ação de indenização decorre de dano gerado por ilícito penal praticado por agente do Estado: o prazo prescricional somente
tem início a partir do trânsito em julgado da ação penal condenatória (REsp 435.266/SP, rel. Min. Eliana Calmon, 2.ª Turma, j.
17.06.2004, DJ 13.09.2004, p. 197).

DE OLHO NA JURIS! Ações contra pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço público
É de 5 anos o prazo prescricional para que a vítima de um acidente de trânsito proponha ação de indenização contra
concessionária de serviço público de transporte coletivo (empresa de ônibus). O fundamento legal para esse prazo está no art.
1º-C da Lei 9.494/97 e também no art. 27 do CDC. STJ. 3ª Turma. REsp 1277724-PR, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado
em 26/5/2015 (Info 563).

• Ação regressiva do Estado contra o agente público

Atenção: direito de regresso deve ser exercido por meio de ação regressiva, não podendo o Estado efetuar diretamente o
desconto nos vencimentos do servidor, sem o consentimento deste.

• Aspectos importantes:
1.º A ação de responsabilização do agente público pressupõe que haja a condenação do Estado a indenizar um particular. Como
consequência, o Estado procurará, em ação regressiva, obter junto ao agente público responsável o ressarcimento do valor que
foi obrigado a indenizar.
2.º A responsabilidade do agente público em ação regressiva é de natureza subjetiva, ou seja, depende da comprovação de que
ele agiu com culpa ou dolo. Assim, é possível que o Estado indenize o particular e não tenha reconhecido o direito de ser ressarcido
pelo servidor responsável; bastando para isso que não seja comprovado dolo ou culpa deste.
3.º As ações de ressarcimento movidas pelo Poder Público são imprescritíveis (CF, art. 37, § 5.º). Desta forma, ainda que ocorra
a prescrição da pretensão punitiva nas esferas administrativa e penal, na esfera civil o Estado pode, a qualquer tempo, em ação
regressiva, obter a reparação do dano.
4.º Em razão da imprescritibilidade da ação regressiva, a obrigação de ressarcir o Estado transmite-se aos herdeiros a qualquer
tempo, tendo como limite o valor do patrimônio transferido (art. 5.º, XLV, da CF/1988).
5.º O servidor responde inclusive depois de extinto seu vínculo com a Administração Pública. Assim, o agente que foi demitido ou
exonerado não fica desobrigado de ressarcir os prejuízos causados ao ente público.

@dicasexconcurseira 194
• Responsabilidades administrativa, civil e penal do agente público

Regra: responsabilidades administrativa, civil e penal do agente público são independentes. Se a justiça penal concluir que o fato
não ocorreu ou que não foi o agente o autor do crime, haverá vinculação quanto as demais esferas.

CESPE, Defensor Público do Estado de Sergipe: “Servidor federal foi demitido, por meio de processo administrativo disciplinar, por
ter praticado crime de peculato e por ter exercido o cargo em proveito pessoal, em detrimento da dignidade da função pública.
No entanto, na esfera penal, foi absolvido por falta de provas. Nessa situação, o servidor deve ser reintegrado no seu cargo, já
que a decisão na esfera penal estende seus efeitos à decisão administrativa.”

ESAF, Analista do Instituto de Resseguros do Brasil: “Assinale a opção que descreva hipótese em que a responsabilidade
administrativa do servidor público será afastada.
a) Sentença civil transitada em julgado que isente o servidor de responsabilidade.
b) Sentença penal que absolva o servidor por falta de provas.
c) Sentença penal que absolva o servidor por inexistência do fato.
d) Sentença penal que absolva o servidor por reconhecer que o mesmo atuou em legítima defesa.
e) Sentença civil que isente o servidor de responsabilidade por reconhecer a existência de força maior”.

Aula 06 - Casos Especiais

• Casos especiais de responsabilidade civil do Estado:


a) Atos legislativos; — se a lei tem conteúdo de ato administrativo e há um destinatário especifico, se responderá como se tratasse
de um ato administrativo qualquer.
b) Omissão legislativa;
c) Atos jurisdicionais; — CF: indenização em caso de erro judiciário ou de quem ficar presa por tempo que o determinado.
d) Obras públicas; — mesmo a obra sendo legal, se gerar um encargo exagerado ao particular, haverá direito de indenização deste.
e) Atos de multidões; — responsabilidade subjetiva do Estado.
f) Pessoas ou coisas sob responsabilidade do Estado; — responsabilidade objetiva. Exs: presídios e escolas.
g) Danos causados por presidiários foragidos; — se passar um período longo de tempo, rompe-se o nexo de causalidade.
h) Dano nuclear; — responsabilidade objetiva baseado na teoria do risco integral.
i) Intervenção estatal na economia;
j) Atos de titulares de serviço notarial e registral; — novidade legislativa de 2016! A responsabilidade passou a ser subjetiva.
k) Danos decorrentes de falhas em concursos públicos.

—> Omissão legislativa

STF, MI 384/RJ: “Mandado de injunção. Portarias reservadas do Ministério da Aeronáutica. ADCT/88, Art. 8º, §3.º. Regime
democrático e sigilo estatal. Inadimplemento da prestação legislativa. Persistência do estado de mora do Congresso Nacional.
Desnecessidade de nova comunicação a instituição parlamentar. Possibilidade do ajuizamento imediato de ação de reparação,
com fundamento no direito comum. Writ concedido. Com a persistência do estado de mora do Congresso Nacional, que, não
@dicasexconcurseira 195
obstante cientificado pelo STF, deixou de adimplir a obrigação de legislar que lhe foi imposta pelo art. 8º, §3.º, do ADCT/88,
reconhece-se, desde logo, aos beneficiários dessa norma transitória a possibilidade de ajuizarem, com fundamento no direito
comum, a pertinente ação de reparação econômica” (j. 05.08.1993, Tribunal Pleno, rel. Min. Celso de Mello).

CESPE, Procurador do Município de Aracaju-SE: “A União é responsável civilmente quando o Congresso Nacional incide em mora
legislativa para edição de lei ordinária conferidora de eficácia a norma constitucional”.

—> Atos jurisdicionais


CF, art. 5.º, LXXV — o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo fixado na
sentença.

STF, 2.ª T., RE-AgR 429.518/SC: “Constitucional. Administrativo. Civil. Responsabilidade civil do Estado: Atos dos juízes. CF, Art. 37,
§ 6.º. I – A responsabilidade objetiva do Estado não se aplica aos atos dos juízes, a não ser nos casos expressamente declarados
em lei. Precedentes do Supremo Tribunal Federal. II – Decreto judicial de prisão preventiva não se confunde com o erro judiciário
(CF, art. 5.º, LXXV) mesmo que o réu, ao final da ação penal, venha a ser absolvido. III – Negativa de trânsito ao RE. Agravo não
provido” (rel. Min. Carlos Velloso, j. 05.10.2004).

—> Obras públicas


• Dois aspectos devem ser observados:
a) se o dano foi causado pelo só fato da obra (em razão da obra em si); — responsabilidade objetiva.
b) se a obra estava sendo executada diretamente pela Administração Pública ou se a Administração contratou sua execução com
uma empresa particular. — caso de obra mal feita; responsabilidade subjetiva da empresa privada e responsabilidade objetiva
do Estado.

CESPE, Juiz do TRF 5.ª R: “Em obra pública, contratada por empreitada global com empresa privada, desaparece a responsabilidade
objetiva da administração pública. Os danos causados a terceiros, em razão da obra em si, são de responsabilidade exclusiva da
empresa contratada.”

Lei 8.666/1993, art. 70. O contratado é responsável pelos danos causados diretamente à Administração ou a terceiros,
decorrentes de sua culpa ou dolo na execução do contrato, não excluindo ou reduzindo essa responsabilidade a fiscalização ou
o acompanhamento pelo órgão interessado.

—> Atos de multidões


STF, 1.ª T., RE 17.803: “Quando provada a culpa, por omissão ou falta de diligência das autoridades policiais, o Estado responde
civilmente pelos danos decorrentes de depredações praticadas pela multidão enfurecida. Matéria de fato. Não se conhece do
apelo” (rel. Min. Barros Barreto, j. 11.10.1951).

ESAF, Procurador do Distrito Federal: “Não tem sido admitida pela doutrina nem pela jurisprudência a hipótese de
reconhecimento de surgimento da responsabilidade estatal por atos danosos causados por multidões”.

@dicasexconcurseira 196
—> Danos causados por presidiários foragidos

STF: não reconhece a responsabilidade estatal como decorrência automática da fuga, entendendo ser necessária análise das
circunstâncias fáticas de cada caso concreto.

STF, RE 573.595-AgR: “Responsabilidade civil do Estado. Artigo 37, § 6.º, da Constituição do Brasil. Latrocínio cometido por
foragido. Nexo de causalidade configurado. Precedente. A negligência estatal na vigilância do criminoso, a inércia das
autoridades policiais diante da terceira fuga e o curto espaço de tempo que se seguiu antes do crime são suficientes para
caracterizar o nexo de causalidade. Ato omissivo do Estado que enseja a responsabilidade objetiva nos termos do disposto no
artigo 37, § 6.º, da Constituição do Brasil”(rel. Min. Eros Grau, j. 24..06.2008, DJE 15.08.2008).

STF, RE 369.820: “Tratando-se de ato omissivo do poder público, a responsabilidade civil por tal ato é subjetiva, pelo que exige
dolo ou culpa, esta numa de suas três vertentes, a negligência, a imperícia ou a imprudência, não sendo, entretanto, necessário
individualizá-la, dado que pode ser atribuída ao serviço público, de forma genérica, a falta do serviço. A falta do serviço – faute du
service dos franceses – não dispensa o requisito da causalidade, vale dizer, do nexo de causalidade entre a ação omissiva atribuída
ao poder público e o dano causado a terceiro. Latrocínio praticado por quadrilha da qual participava um apenado que fugira da
prisão tempos antes: neste caso, não há falar em nexo de causalidade entre a fuga do apenado e o latrocínio” (rel. Min. Carlos
Velloso, j. 04.11.2003, DJ 27.02.2004).

—> Dano nuclear


CF, art. 21, XXIII, d — a responsabilidade por danos nucleares independe da existência de culpa.
Corrente minoritária: aplica a teoria do risco integral.
Corrente majoritária: adota a teoria da responsabilidade objetiva na modalidade risco administrativo.

—> Intervenção estatal na economia

STF, RE 422.941: “A intervenção estatal na economia, mediante regulamentação e regulação de setores econômicos, faz-se com
respeito aos princípios e fundamentos da Ordem Econômica. CF, art. 170. O princípio da livre-iniciativa é fundamento da República
e da Ordem econômica: CF, art. 1.º, IV; art. 170. Fixação de preços em valores abaixo da realidade e em desconformidade com a
legislação aplicável ao setor: empecilho ao livre exercício da atividade econômica, com desrespeito ao princípio da livre iniciativa.

—> Danos decorrentes de falhas em concursos públicos

STF, RE 221.170: “Candidatos que só vieram a ter o direito à nomeação depois de outros que foram nomeados por só terem obtido
prioridade pela nova ordem de classificação em virtude do reexame de questões do concurso. Nesse caso, o direito a serem
ressarcidos por não haverem sido nomeados anteriormente não decorre do artigo 37, II, da Constituição, mas, sim, do seu artigo
37, § 6.º, questão que não foi prequestionada” (rel. p/ o ac. Min. Moreira Alves, j. 04.04.2000, DJ 30.06.2000).

@dicasexconcurseira 197
Cap.12 - Controle da Atividade Estatal

Aula 01 - Introdução; Controle da atividade estatal – controle político e controle administrativo; Classificação 1

• Controle da Administração Pública

– Teoria da separação dos poderes: tem o objetivo de limitar arbítrios de forma a proteger os direitos individuais.

– Teoria dos freios e contrapesos: os poderes constituídos possuem a prerrogativa de controlar (frear e contrabalancear) as
atuações dos demais poderes, de forma que cada um deles tem autonomia, possui liberdade, mas uma liberdade vigiada.

– Controle da atividade administrativa: é desempenhada com um grau bem menor de autonomia, em virtude do princípio da
legalidade somente permitir que a administração aja quando autorizada pela lei e sem descumprir os limites legalmente
estabelecidos.

• Classificação do controle de atividade administrativa


– Quanto à natureza do órgão controlador:
a) Administrativo;
b) Legislativo;
c) Judicial.

– Quanto à localização do órgão de controle:


a) Interno - pode ser hierárquico ou institucionalizado (feito por órgão especializado, como as controladorias).
b) Externo.

Órgão especializado Não depende de escalonamento hierárquico.


Ex.: Controladoria Geral da União

• CF, art.74: Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de controle interno com a
finalidade de:
I – avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de governo e dos orçamentos da
União;
II – comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão orçamentária, financeira e patrimonial
nos órgãos e entidades da administração federal, bem como da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado;
III – exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos e haveres da União;
IV – apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.
§1º - Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela darão
ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de responsabilidade solidária.
§2º - Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para, na forma da lei, denunciar irregularidades
ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União.

@dicasexconcurseira 198
Aula 02 - Classificação 2

– Quanto ao aspecto a ser controlado:


a) De Legalidade (ou legitimidade);
b) De mérito.

– Quanto à amplitude:
a) Hierárquico (amplo - analisa-se aspectos de mérito e legalidade);
b) Finalístico (limitado - ao que está previsto em lei).
Hely Lopes Meirelles: “O controle hierárquico pressupõe as faculdades de supervisão, coordenação, orientação, fiscalização,
aprovação, revisão e avocação das atividades controladas, bem como os meios corretivos dos agentes responsáveis”.

– Quanto ao momento:
a) Prévio ou preventivo (a priori);
b) Concomitante ou simultâneo;
c) Subsequente ou corretivo (a posteriori).

– Quanto à iniciativa do controle:


a) De ofício (ex officio);
b) Provocado.

– Controle popular: qualquer do povo provoca o controle da Administração por meio de denúncias encaminhadas aos órgãos de
controle, tais como o Tribunal de Contas, o Ministério Público e à Ouvidoria, e também por Ação Popular.

@dicasexconcurseira 199
Aula 03 - Controle Administrativo; Recursos Administrativos; O controle administrativo do Poder Judiciário e do Ministério
Público pelos respectivos conselhos nacionais

• Controle Administrativo: É a atividade da Administração consistente em fiscalizar e corrigir os seus próprios atos (controle
interno; hierárquico) ou os atos das entidades a ela vinculadas (controle externo; finalístico).

STF, Súmula 346: A Administração Pública pode declarar a nulidade de seus próprios atos.
STF, Súmula 473: A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que o tornem ilegais, porque deles
não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos e
ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.

@dicasexconcurseira 200
• Recursos administrativos:
CF, art. 5.º, XXXIV. São a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;

• Recursos Administrativos: instrumentos formais por meio dos quais o interessado pleiteia junto aos órgãos da Administração a
revisão de determinado ato administrativo.

• Classificação dos recursos administrativos:


a) recursos hierárquicos próprios (não precisa de previsão legal expressa); decorre da hierarquia.
b) recursos hierárquicos impróprios (previsão legal expressa). Refere-se ao recurso à entidade da administração direta contra
decisão de entidade da administração indireta a quem está vinculado (controle finalístico).

• Recurso de ofício:

- Efeitos:
a) Devolutivo (efeito natural do recurso);
b) Suspensivo (quando existir previsão legal).

– Exigência de garantia para recorrer vulnera:

a) o direito ao contraditório e à ampla defesa (CF, art. 5º, LV), que pode vir deixar de ser exercido por razões financeiras;
b) o direito de petição independentemente do pagamento de taxas (CF, art. 5º, XXXIV, “a”).
c) o princípio da igualdade, pois acaba por permitir que apenas as pessoas que possuam recursos para oferecer a garantia possam
exercer o direito de recorrer.

STJ, Súmula 373: É ilegítima a exigência de depósito prévio para admissibilidade de recurso administrativo.
STF, Súmula Vinculante 21: É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para
admissibilidade de recurso administrativo.
• Controle administrativo do Poder judiciário e do Ministério Público pelos Conselhos Nacionais

STF, ADI 3.367-1: O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) é um órgão interno, de caráter nacional, de controle administrativo,
financeiro e disciplinar da magistratura. O mesmo, com as devidas adaptações, pode ser dito em relação ao Conselho Nacional
do Ministério Público (CNMP).

@dicasexconcurseira 201
Aula 04 - Controle Legislativo/Parlamentar 1

Plano Federal

• Controle parlamentar pode ser exercido:


a) por uma das Casas isoladamente;
b) pelas duas Casas reunidas em sessão conjunta;
c) pela mesa diretoras do Congresso Nacional ou de cada Casa;
d) pelas comissões do Congresso Nacional ou de cada Casa.

• Controle legislativo ou parlamentar: É o exercido pelo Poder Legislativo sobre os atos do Poder Executivo e do Poder Judiciário,
este último apenas em relação ao desempenho da função administrativa, jamais incidindo sobre a função jurisdicional.

* Poder Legislativo exerce o controle interno sobre os seus próprios atos (princípio da autotutela).

• Controle legislativo:
a) político;
b) financeiro.

• Hipóteses de controle POLÍTICO:


a) Da competência exclusiva do Congresso Nacional:
a.1) resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos
ao patrimônio nacional;
a.2) autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças estrangeiras transitem pelo
território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os casos previstos em lei complementar;
a.3) autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República a se ausentarem do País, quando a ausência exceder a quinze dias;
a.4) aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o estado de sítio, ou suspender qualquer uma dessas medidas;
a.5) sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa;
—> “veto legislativo”.
a.6) julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os relatórios sobre a execução dos planos de
governo;
(...)

b) Da competência privativa do Senado Federal:


b.1) processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade, bem como os Ministros
de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles;
b.2) processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho
Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade;
b.3) aprovar previamente, por voto secreto, após arguição pública, a escolha de:
– Magistrados, nos casos estabelecidos nesta Constituição;
– Ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo Presidente da República;
– Governador de Território;
– Presidente e diretores do banco central;
– Procurador-Geral da República;
– Titulares de outros cargos que a lei determinar.
@dicasexconcurseira 202
b.4) aprovar previamente, por voto secreto, após arguição em sessão secreta, a escolha dos chefes de missão diplomática de
caráter permanente;
b.5) autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios
e dos Municípios;
b.6) fixar, por proposta do Presidente da República, limites globais para o montante da dívida consolidada da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; (...)

c) Da competência privativa da Câmara dos Deputados:


c.1) autorizar, por 2/3 de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente e o Vice-Presidente da República e os
Ministros de Estado;
c.2) proceder à tomada de contas do Presidente da República, quando não apresentadas ao Congresso Nacional dentro de 60
dias após a abertura da sessão legislativa;

d) Outros controles políticos:


d.1) a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, ou qualquer de suas Comissões, poderão convocar Ministro de Estado ou
quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados à Presidência da República para prestarem, pessoalmente, informações
sobre assunto previamente determinado, importando crime de responsabilidade a ausência sem justificação adequada;
d.2) as Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal poderão encaminhar pedidos escritos de informações a Ministros
de Estado ou a quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados à Presidência da República, importando em crime de
responsabilidade a recusa, ou o não atendimento, no prazo de 30 dias, bem como a prestação de informações falsas.

Aula 5 - Controle Legislativo 2

CF, art. 58, § 3º. As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais,
além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal,
em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de 1/3 de seus membros, para a apuração de fato determinado e por
prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil
ou criminal dos infratores.

• CPI pode, por ato próprio, sem necessidade de autorização judicial:


a) realizar as diligências que entender necessárias;
b) convocar e tomar o depoimento de autoridades, inquirir testemunhas sob compromisso e ouvir indiciados;
c) requisitar de órgãos públicos informações e documentos de qualquer natureza;
d) requerer ao Tribunal de Contas da União a realização de inspeções e auditorias que entender necessárias;

STF, MS 23.452/RJ: A CPI pode, por autoridade própria (sem necessidade de qualquer intervenção judicial), mas sempre por
decisão fundamentada e motivada, observadas todas as formalidades legais, determinar a quebra de sigilo fiscal, bancário e de
dados (inclusive dados telefônicos) do investigado.

• STF decidiu que as CPIs NÃO podem determinar:


a) realização de diligência de busca e apreensão domiciliar (MS 23.452-RJ);
b) quebra de sigilo das interceptações telefônicas (MS 23.452/RJ);
c) ordem de prisão, exceto no caso de flagrante delito (HC 75.287-0);
d) medidas assecuratórias para garantir a eficácia de eventual sentença condenatória (MS 23.446-DF).

• Tribunais de Contas: são órgãos previstos na Constituição Federal com a finalidade de auxiliar o Poder Legislativo no exercício
do controle externo da Administração. Não integram a estrutura administrativa do Parlamento nem com ele mantém qualquer
relação hierárquica.

• Proibição de criação de novos tribunais, conselhos ou órgãos de contas municipais:


CF, art. 31. A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo Municipal, mediante controle externo, e pelos sistemas
de controle interno do Poder Executivo Municipal, na forma da lei. (...)
§ 4.º É vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas Municipais. — obs: pode ser criado um órgão estadual que
julga/analisa apenas contas municipais, como o que aconteceu no Pará, Goiás, Ceará e Bahia.

– Exceções: Órgãos legitimamente municipais criados anteriormente ao advento da CF/1988, e que puderam manter tal estrutura
até os dias atuais, o que ocorreu no Rio de Janeiro e São Paulo.
Exemplos:
Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro (TCMRJ)
@dicasexconcurseira 203
Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCMSP).

– Estrutura:
Esfera Federal TCU (Tribunal de Contas da União)
Esfera Estadual Tribunais de Contas dos Estados (cada ente estadual tem o seu);
Distrito Federal Tribunal de Contas do Distrito Federal
Esfera Municipal Organização dos Tribunais de Contas não é uniforme

• Composição dos TCs:


– Órgãos colegiados: quadro de pessoal próprio (auditores, analistas, inspetores, procuradores, técnicos, etc.)
– 9 ministros (TCU); 7 Conselheiros (demais TCs, salvo TCM de São Paulo, com Conselheiros)

Aula 06 - Controle Legislativo 3

• Tribunal de Contas não exercem jurisdição em sentido próprio.

• Recurso contra decisão final do Tribunal de Contas: Não há. Deve-se manejar processo autônomo perante o órgão jurisdicional
competente com o escopo de anular a decisão do tribunal de contas.

CESPE, Auditor das Contas Públicas do TCE/PB: “A empresa que tiver seu contrato administrativo suspenso por decisão do tribunal
de contas estadual pode interpor apelação para o tribunal de justiça, que a receberá, em regra, no efeito devolutivo”.

• Controle externo financeiro: exercido pelo Poder Legislativo sobre os atos dos órgãos dos outros Poderes e sobre as entidades
da administração indireta. É neste aspecto que entra o apoio técnico do Tribunal de Contas.

• Aspectos:
a) contábil;
b) financeiro;
c) orçamentário;
d) operacional;
e) patrimonial;
f) de legalidade;
g) de legitimidade;
h) de economicidade.

• Controle externo verifica ainda:


a) Aplicação das subvenções;
b) Renúncia de receita.

• Aspectos importantes sobre as atribuições dos Tribunais de Contas


a) Apreciação de contas do chefe do Poder Executivo com emissão de parecer em 60 dias (art. 71, I, CF). O parecer de tribunal
de contas da União ou Estado pode ser derrubado (apenas) por maioria do Congresso Nacional ou Assembléia Legislativa.
* Chefe do Executivo municipal: relativamente vinculante. O parecer do tribunal de contas, para o município, é relativamente
vinculante, pois só irá deixar de prevalecer pelo voto de 2/3 da Câmara do Município.
b) Julgamento de contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da administração
direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público federal, e as contas daqueles
que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público (art. 71, II, CF).

@dicasexconcurseira 204
• Julgamento das Contas

Obs: se a legislação local assim dispuser, as contas dos tribunais de contas podem ser julgadas pelo parlamento (STF).

Aula 07 - Controle Legislativo 4

• Contas dos gestores públicos e demais agentes que causarem dano ao erário
CF, art. 71. (...)
§ 3.º As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de título executivo. - título executivo
extrajudicial.

• Atos administrativos
CF, art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, ao
qual compete: (...)
X – sustar, se não atendido, a execução do ATO impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal;

• Contratos administrativos
CF, art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual
compete:
(...)
§1.º No caso de CONTRATO, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará, de imediato,
ao Poder Executivo as medidas cabíveis.
§2.º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de 90 dias, não efetivar as medidas previstas no parágrafo anterior,
o Tribunal decidirá a respeito.
STF: os tribunais de contas possuem poder cautelar, como decorrência de seu dever de controle operacional, financeiro,
etc. Podendo, assim, sustar também os contratos. Aplicação da teoria dos poderes implícitos.

• Diferença entre a sustação de ato administrativo e de contrato administrativo:


a) atos administrativos: podem ser diretamente sustados pelo Tribunal de Contas;
b) contratos administrativos: Tribunal de Contas comunicará o fato ao Poder Legislativo, que terá competência para diretamente
sustá-lo, solicitando, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.

• Concessão de medidas cautelares (teoria dos poderes implícitos): prescreve que a outorga de uma competência expressa a
determinado órgão estatal importa deferimento implícito, a esse mesmo órgão, dos meios necessários à integral realização dos
fins que lhe foram atribuídos.

CESPE, Procurador do Município de Aracaju: “O TCU pode suspender cautelarmente procedimento licitatório em andamento e
que não observou os preceitos legais”.

@dicasexconcurseira 205
• Impossibilidade de quebra do sigilo bancário
MS N. 22.934-DF
RELATOR: MIN. JOAQUIM BARBOSA
EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
SEGURANÇA CONCEDIDA. O Tribunal de Contas da União, a despeito da relevância das suas funções, não está autorizado a
requisitar informações que importem a quebra de sigilo bancário, por não figurar dentre aqueles a quem o legislador conferiu
essa possibilidade, nos termos do art. 38 da Lei 4.595/1964, revogado pela Lei Complementar 105/2001.

• Apreciação incidental da constitucionalidade das leis


STF, Súmula 347: “O tribunal de contas, no exercício de suas atribuições, pode APRECIAR A CONSTITUCIONALIDADE das leis e
dos atos do poder público”. — pode deixar de aplicar a lei por considera-la inconstitucional, mas não pode declarar a
inconstitucionalidade de lei.

Exige maioria absoluta dos membros da Corte de Contas na sua composição plenária, em respeito à chamada cláusula de
reserva de plenário contida no art. 97 da CF/88.

Aula 08 - Controle Legislativo 5

• Competência para fiscalizar as empresas públicas e sociedades de economia mista

STF, MS 23.627 e MS 23.875: Decidiu que o TCU não possuía competência para instaurar a tomada de contas especial no âmbito
das sociedades de economia mista, uma vez que os bens e direitos das sociedades de economia mista não são bens públicos
(envolviam o Banco do Brasil – sociedade de economia mista federal).

STF, MS 25.092/DF: Adotou o entendimento que vigora atualmente de que qualquer entidade da administração indireta
(incluindo as empresas públicas e sociedades de economia mista) se submete à fiscalização do Tribunal de Contas, não
importando o seu objeto, nem a sua forma jurídica.

CESPE, Defensor Público da União: “De acordo com o STF, O TCU não tem competência para julgar contas das sociedades de
economia mista exploradoras de atividade econômica, ou de seus administradores, já que os bens dessas entidades não são
públicos, mas, sim, privados”.

• Atuação administrativa condicionada à atuação prévia do Tribunal de Contas


– Não tem previsão constitucional.
– Agressão ao princípio da separação dos poderes.

STF, ADI 916/MT: Declarou a inconstitucionalidade de lei estadual estabelecendo que todos os contratos administrativos
celebrados pelo governo do estado dependeriam de registro prévio no tribunal de contas do estado.

• Direito ao contraditório e a ampla defesa e a Súmula Vinculante 3 do STF


STF, Súmula Vinculante 3: “Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e a ampla defesa
quando da decisão puder resultar ANULAÇÃO ou REVOGAÇÃO de ato administrativo QUE BENEFICIE O INTERESSADO,
excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão (pois são atos
administrativos complexos), desde que o tribunal de contas faça a análise dentro do prazo de 5 anos (STF).

• Impossibilidade do Tribunal de Contas decidir de forma contrária à coisa julgada, mesmo que o TC não tenha participado da
lide

CESPE, Auditor das Contas Públicas da CGE-PB: “O Tribunal de Contas pode reexaminar ato judicial transitado em julgado
concessivo de vantagem funcional a servidor público por ocasião da sua aposentadoria”.

• Impossibilidade de os tribunais de contas funcionarem como instância recursal em processos administrativos tributários

• Impossibilidade do Tribunal de Contas manter o sigilo quanto à autoria de denúncia:


CF, art. 74. (...)
§ 2.º Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para, na forma da lei, denunciar irregularidades
ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União.
@dicasexconcurseira 206
• Lei Orgânica do Tribunal de Contas da União:
Lei 8.443/1992, art. 55. No resguardo dos direitos e garantias individuais, o Tribunal dará tratamento sigiloso às denúncias
formuladas, até decisão definitiva sobre a matéria.
§1° Ao decidir, caberá ao Tribunal manter ou não o sigilo quanto ao objeto e à autoria da denúncia. (Expressão suspensa pela
Resolução 16/ 2006 do Senado Federal.)

STF, MS 24.405-DF: Entendeu que era inconstitucional a manutenção do sigilo.


Ministro Gilmar Mendes: “O exercício da cidadania supõe responsabilidade. As pessoas devem arcar com a responsabilidade pelos
atos praticados”.

Aula 09 - Controle Judicial 1

• Controle judicial: é aquele exercido pelo Poder Judiciário, no exercício da função jurisdicional, sobre os atos administrativos do
Poder Executivo, do Poder Legislativo e do próprio Poder Judiciário.

• Função jurisdicional:
a) Sistema de unidade da jurisdição (sistema de monopólio de jurisdição ou sistema inglês);
b) Sistema de dualidade de jurisdição (sistema do contencioso administrativo ou sistema francês).

CF, art. 5.º (...)


XXXV – a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;

• Controle judicial de políticas públicas

Determinação de políticas públicas pelo Judiciário:


ABSOLUTAMENTE EXCEPCIONAL
Intangibilidade do mínimo existencial + princípio da reserva do possível

* “Escolhas trágicas”.

Aula 10 - Controle Judicial 10

CESPE, Juiz Federal Substituto do TRF 5.ª R.: “A invocação da limitação material, ainda que não esteja devidamente demonstrada,
ou seja, ainda que não seja objetivamente aferível, configura-se como hipótese para aplicação, pelo Estado-juiz, da doutrina da
reserva do possível.”

CESPE, Juiz Federal Substituto do TRF 5.ª R.: “Reside, primariamente, nos Poderes Legislativo e Executivo a prerrogativa de
formular e executar políticas públicas. Assim, é impossível ao Poder Judiciário determinar, ainda que em bases excepcionais, a
implementação de tais políticas aos órgãos estatais inadimplentes, mesmo que presente a possibilidade de se comprometerem a
eficácia e a integridade de direitos sociais e culturais constitucionais.”

STF, ARE 639.337 AgR/SP: “Criança de até cinco anos de idade – Atendimento em creche e em pré-escola – Sentença que obriga
o município de São Paulo a matricular crianças em unidades de ensino infantil próximas de sua residência ou do endereço de
trabalho de seus responsáveis legais, sob pena de multa diária por criança não atendida – Legitimidade jurídica da utilização das
‘astreintes’ contra o poder público – Doutrina – Jurisprudência – Obrigação estatal de respeitar os direitos das crianças – Educação
infantil – Direito assegurado pelo próprio texto constitucional (CF, art. 208, IV, na redação dada pela EC 53/2006).”
“Compreensão global do direito constitucional à educação – Dever jurídico cuja execução se impõe ao poder público,
notadamente ao município (CF, art. 211, § 2.º) – Legitimidade constitucional da intervenção do Poder Judiciário em caso de
omissão estatal na implementação de políticas públicas previstas na Constituição – Inocorrência de transgressão ao postulado

@dicasexconcurseira 207
da separação de poderes – Proteção judicial de direitos sociais, escassez de recursos e a questão das ‘escolhas trágicas’ –
Reserva do possível, mínimo existencial, dignidade da pessoa humana e vedação do retrocesso social.”

• Controle judicial em espécie


– Mandado de Segurança (Lei 12.016/2009)
CF, art. 5.º, LXIX. Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por “habeas-corpus”
ou “habeas-data”, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica
no exercício de atribuições do Poder Público;

• Ato de autoridade
Lei 12.016/2009, art.1.º, §1.º. Equiparam-se às autoridades, para os efeitos desta Lei, os representantes ou órgãos de partidos
políticos e os administradores de entidades autárquicas, bem como os dirigentes de pessoas jurídicas ou as pessoas naturais no
exercício de atribuições do poder público, somente no que disser respeito a essas atribuições.

Súmula 510 do STF: “Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contra ela cabe o mandado de
segurança ou a medida judicial”.

• Espécies de Mandado de segurança quanto a lesão ou ameaça a direito:


a) preventivo;
b) repressivo.

Súmula 625 do STF: Controvérsia sobre matéria de direito não impede concessão de mandado de segurança.

• Natureza residual do mandado de segurança

@dicasexconcurseira 208
Aula 11 - Controle Judicial 3

• Impetrante e impetrado:
a) Impetrante (MS individual): qualquer pessoa.

Súmula 629 do STF: “A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados
INDEPENDE da autorização destes”.

Súmula 630 do STF: “A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada
interesse apenas a uma parte da respectiva categoria”.

Súmula 627 do STF: No mandado de segurança contra a nomeação de magistrado da competência do Presidente da República,
este é considerado autoridade coatora, ainda que o fundamento da impetração seja nulidade ocorrida em fase anterior do
procedimento.

• NÃO cabe mandado de segurança nas seguintes hipóteses:


a) Contra ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independentemente de caução (LMS, art. 5.º, I);
b) Contra decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo (LMS, art. 5.º, II e Súmula STF 267);
c) Contra decisão judicial transitada em julgado (LMS, art. 5.º, III e Súmula STF 268);
d) Contra lei em tese (Súmula do STF 266);
e) Para assegurar a liberdade de locomoção (CF, art. 5.º, LXIX e LXVIII); - caso de HC
f) Para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante constantes de registros ou bancos de dados
de caráter público ou a retificação dessas informações (CF, art. 5.º, LXIX e LXXII); - caso de HD
g) Como substituto da ação popular (Súmula do STF 101);
h) Como substituto da ação de cobrança (Súmula do STF 269).
i) Não cabe mandado de segurança contra os ATOS DE GESTÃO COMERCIAL praticados pelos administradores de empresas
públicas, de sociedade de economia mista e de concessionárias de serviço público (LMS, art. 1.º, § 2.º).

• Medida liminar
– Requisitos (atendimento simultâneo):
a) fundamento relevante (fumus boni iuris); e
b) do ato impugnado possa resultar a ineficácia da segurança, caso não seja deferida a liminar (periculum in mora).
Fumus boni iuris + periculum in mora

– Oitiva da parte contrária para concessão da liminar:


a) Mandado de segurança individual: inaudita altera pars;
b) Mandado de segurança coletivo: concessão de liminar DEPENDE de oitiva do representante judicial da pessoa jurídica de
direito público, que deverá se pronunciar no prazo de 72 horas (LMS, art. 22, § 2º)

– PROIBIDA a concessão de liminar nas seguintes situações:


a) compensação de créditos tributários;
b) entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior;
c) reclassificação ou equiparação de servidores públicos; e
d) concessão de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento de qualquer natureza.

@dicasexconcurseira 209
Aula 12 - Controle Judicial 4

• Prazo decadencial: 120 dias (Lei 12.016/2009, art. 23).


Súmula 632 do STF: “É constitucional lei que fixa o prazo de decadência para a impetração de mandado de segurança.”

– Início do prazo:
a) Ato lesivo já praticado;
b) Omissão;
c) Preventivo. - como não há ato praticado, não há prazo; em qualquer momento haverá a ameaça de lesão.

• Outros aspectos importantes


Súmula 304 do STF: “Decisão denegatória de mandado de segurança, não fazendo coisa julgada contra o impetrante, não impede
o uso da ação própria.”

Súmula 512 do STF: “Não cabe condenação em honorários de advogado na ação de mandado de segurança.”

Súmula 105 do STJ: “Na ação de mandado de segurança não se admite condenação em honorários advocatícios.”

• Mandado de segurança coletivo: instrumento jurídico apto apenas à defesa de direitos coletivos e direitos individuais
homogêneos, deixando de fora os direitos difusos.
Lei 8.078/1990 (CDC), art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser exercida em juízo
individualmente, ou a título coletivo.
Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de:
I - interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível, de que
sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato;
II - interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível de que
seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base;
III - interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos os decorrentes de origem comum.
Conceitos na Lei 12.016/2009 (LMS), art. 21, parágrafo único. Os direitos protegidos pelo mandado de segurança coletivo podem
ser:
I - coletivos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os transindividuais, de natureza indivisível, de que seja titular grupo ou
categoria de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica básica;
II - individuais homogêneos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os decorrentes de origem comum e da atividade ou situação
específica da totalidade ou de parte dos associados ou membros do impetrante.

Mandado de segurança individual Mandado de segurança coletivo

Tutela direito individual do impetrante. Tutela direitos coletivos e individuais homogêneos.

Impetrante: o próprio titular do direito violado. Impetrantes:


a)partido político com representação no Congresso Nacional;
b) organização sindical;
c) entidade de classe;
d) associação legalmente constituída e em funcionamento há,
pelo menos, 1 (um) ano.

Liminar: pode ser concedida de imediato, no momento Liminar: só poderá ser concedida após a audiência do
em que o juiz despachar a inicial, mesmo sem ouvir a representante judicial da pessoa jurídica de direito
outra parte (inaudita altera pars). público, que deverá se pronunciar no prazo de 72
(setenta e duas) horas.

@dicasexconcurseira 210
Aula 13 - Controle Judicial 5

– Ação Civil Pública tutela (Lei 7.347/1985):


a) interesses ou direitos difusos;
b) interesses ou direitos coletivos;
c) interesses ou direitos individuais homogêneos (jurisprudência admite ACP para defesa do consumidor).

– Bens jurídicos tutelados:


Lei 7.347/1985, art. 1.º. Regem-se pelas disposições desta Lei, sem prejuízo da ação popular, as ações de responsabilidade por
danos morais e patrimoniais causados:
I - ao meio-ambiente;
II - ao consumidor;
III – a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico;
IV - a qualquer outro interesse difuso ou coletivo.
V - por infração da ordem econômica;
VI - à ordem urbanística;
VII – à honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos.
VIII – ao patrimônio público e social.
Parágrafo único. Não será cabível ação civil pública para veicular pretensões que envolvam tributos, contribuições
previdenciárias, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS ou outros fundos de natureza institucional cujos
beneficiários podem ser individualmente determinados.

STF, RE 576.155 – 601: Ação Civil Pública. Legitimidade Ativa. Ministério Público do Distrito Federal e territórios. Termo de Acordo
de Regime Especial - TARE (trouxe redução de ICMS indevido). Possível lesão ao patrimônio público. Limitação à atuação do
parquet. Inadmissibilidade. Afronta ao art. 129, III, da CF. Repercussão Geral reconhecida. Recurso Extraordinário provido. I - O
TARE não diz respeito apenas a interesses individuais, mas alcança interesses metaindividuais, pois o ajuste pode, em tese, ser
lesivo ao patrimônio público.

• Espécies de tutela:

Lei 7.347/1985, art. 3.º. A ação civil poderá ter por objeto a condenação em dinheiro ou o cumprimento de obrigação de fazer ou
não fazer.

* Anular ou declarar a nulidade de atos lesivos ao patrimônio público ou à moralidade administrativa (art. 25, IV, b, da Lei
8.625/1993, LONMP)

* Invalidar cláusula contratual abusiva (art. 51, § 4.º, da Lei 8.078/1990)

• Partes:
Lei 7.347/1985, art. 5.º Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar:
I - o Ministério Público;
II - a Defensoria Pública;
III - a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios;
IV - a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista;
V - a associação que, concomitantemente:
a) esteja constituída há pelo menos 1 (um) ano nos termos da lei civil;
b) inclua, entre as suas finalidades institucionais, a proteção ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à livre
concorrência, aos direitos de grupos raciais, étnicos ou religiosos ou ao patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e
paisagístico.

@dicasexconcurseira 211
• Prazo para ajuizamento da ACP
Entendimento do STF (REsp 909.446/RN) 5 anos (prazo prescricional previsto para a ação popular) = aplicação analógica da
LAP, pois este é o prazo de prescrição da ação popular.

* Dano ao erário: ação de ressarcimento imprescritível (STF, MS 26210/DF e REsp 1.067.561/AM).

• Efeitos da sentença e coisa julgada


Lei 7.347/1985, art. 16. A sentença civil fará coisa julgada erga omnes, nos limites da competência territorial do órgão prolator,
exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar
outra ação com idêntico fundamento, valendo-se de nova prova. — este artigo é bizarro! Ver comentários jurisprudenciais a seu
respeito no vade.

• Concomitância da ação civil pública e da ação popular


STJ, REsp 695.214/RJ e 167.783/MG: A ação popular não exclui a ação civil pública (ou vice-versa), uma vez que a lei admite a
concomitância de ambas.

– Ação Popular (Lei 4.717/1965)


CF, art. 5.º (...)
LXXIII – Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de
entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o
autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;

• Pressupostos:
a) Sujeito ativo: cidadão; Eleitor
b) Ilegalidade ou imoralidade dos atos do poder público;
c) Existência de lesão ou ameaça de lesão ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade
administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural.
Lei 4.717/1965, art. 4.º. São também nulos os seguintes atos ou contratos, praticados ou celebrados por quaisquer das pessoas ou
entidades referidas no art. 1.º.
I - A admissão ao serviço público remunerado, com desobediência, quanto às condições de habilitação, das normas legais,
regulamentares ou constantes de instruções gerais.
II - A operação bancária ou de crédito real, quando:
a) for realizada com desobediência a normas legais, regulamentares, estatutárias, regimentais ou internas;
b) o valor real do bem dado em hipoteca ou penhor for inferior ao constante de escritura, contrato ou avaliação.
III - A empreitada, a tarefa e a concessão do serviço público, quando:
a) o respectivo contrato houver sido celebrado sem prévia concorrência pública ou administrativa, sem que essa condição seja
estabelecida em lei, regulamento ou norma geral;
b) no edital de concorrência forem incluídas cláusulas ou condições, que comprometam o seu caráter competitivo;
(...)

• Objeto:
a) a anulação do ato lesivo;
b) a condenação dos responsáveis ao pagamento de perdas e danos ou à restituição de bens e valores (Lei 4.717/65, art. 14, §
4.º).
Natureza dúplice: DESCONSTITUTIVA e CONDENATÓRIA

DE OLHO NA JURIS! Declaração incidental de inconstitucionalidade em ação popular


É possível a declaração incidental de inconstitucionalidade em Ação Popular, desde que a controvérsia constitucional não figure
como pedido, mas sim como causa de pedir, fundamento ou simples questão prejudicial, indispensável à resolução do litígio
@dicasexconcurseira 212
principal, em torno da tutela do interesse público. STJ. 1ª Turma. AgInt no REsp 1352498/DF, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em
05/06/2018.

É possível ação popular mesmo sem demonstração de prejuízo material


O STJ possui firme orientação de que um dos pressupostos da Ação Popular é a lesão ao patrimônio público. Ocorre que a Lei nº
4.717/65 deve ser interpretada de forma a possibilitar, por meio de Ação Popular, a mais ampla proteção aos bens e direitos
associados ao patrimônio público, em suas várias dimensões (cofres públicos, meio ambiente, moralidade administrativa,
patrimônio artístico, estético, histórico e turístico). Para o cabimento da Ação Popular, basta a ilegalidade do ato administrativo
por ofensa a normas específicas ou desvios dos princípios da Administração Pública, dispensando-se a demonstração de prejuízo
material. STJ. 2ª Turma. AgInt no AREsp 949.377/MG, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 09/03/2017.

• Sujeitos:
a) Legitimado ativo (sujeito ativo): cidadão.
Lei 4.717/1965, art. 6.º, § 5.º. É facultado a qualquer cidadão habilitar-se como litisconsorte ou assistente do autor da ação
popular.

b) Sujeito passivo (Lei 4.717/1965, art. 6.º):


1. A pessoa jurídica da qual emanou o ato, o que inclui os entes públicos e as entidades de que estes participem, ainda que de
forma minoritária;
2. As autoridades, funcionários ou administradores que houverem autorizado, aprovado, ratificado ou praticado o ato impugnado,
ou que, por omissão, tiverem dado oportunidade à lesão;
3. Os beneficiários diretos do ato impugnado, se houver.
Litisconsórcio passivo necessário

• Pessoa jurídica da qual emana o ato impugnado - Atitudes possíveis:


a) contestar a ação, continuando na posição de sujeito passivo;
b) abster-se de contestar;
c) passar a atuar no polo ativo da ação, ao lado do autor, desde que, a juízo do respectivo representante legal ou dirigente, isso
se afigure útil ao interesse público.

CESPE, Advogado da União/2009: “A Lei 4.717/1965 possibilita que a AGU se abstenha de contestar o pedido formulado em uma
ação popular, podendo ainda atuar ao lado da parte autora, desde que isso se afigure útil ao interesse público”.

• Atribuições do Ministério Público (Lei 4.717/1965):


Funções obrigatórias Funções facultativas

1. Acompanhar a ação e apressar a produção da prova 1. Dar continuidade ao processo em caso de desistência
(art. 6.º, § 4.º); ou de absolvição de instância, o que também pode ser
feito por qualquer cidadão (art. 9.º);

2. Promover a responsabilidade civil ou criminal, dos que 2. Recorrer de decisões contrárias ao autor desde que
nela incidirem (art. 6.º, § 4.º); suscetíveis de recurso, o que também pode ser feito por
qualquer cidadão (art. 19, § 2.º).

3. Providenciar para que as requisições de documentos e


informações previstas na lei sejam atendidas dentro dos
prazos fixados pelo juiz (art. 7.º, § 1.º);

4. Promover a execução da sentença condenatória


quando o autor não o fizer (art. 16).

@dicasexconcurseira 213
• Outros aspectos importantes:
a) Autor da ação popular está isento de custas e do ônus da sucumbência;
b) Se houver reconhecimento na sentença de que a ação popular foi manifestamente temerária o autor será condenado, a título
de sanção, ao pagamento do décuplo do valor das custas (art. 13, Lei 4.717/1965);
c) A sentença terá eficácia de coisa julgada oponível “erga omnes” (art. 18, Lei 4.717/1965);
d) A sentença que concluir pela carência ou pela improcedência da ação está sujeita ao duplo grau de jurisdição - recurso de
ofício (art. 19, Lei 4.717/1965);
e) Recurso pode ser interposto por qualquer cidadão e também o Ministério Público (art. 19, § 2.º, Lei 4.717/1965);
f) A prescrição da ação popular ocorre no prazo de 5 anos (art. 21, Lei 4.717/1965), exceto quanto à reparação de danos ao erário,
que é imprescritível por força do art. 37, § 5.º, da CF/1988.

Cap. XIII - Improbidade Administrativa

Aula 01 - Introdução; Elementos Constitutivos 1

• Introdução
Ato de improbidade administrativa = "imoralidade qualificada”

CF, art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
(...)
§ 4.º Os atos de improbidade administrativa importarão a susp