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Material ética.

Definição (o que é)

O termo ética deriva do grego ethos (caráter, modo de ser de uma pessoa).
Ética é um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta
humana na sociedade. A ética serve para que haja um equilíbrio e bom
funcionamento social, possibilitando que ninguém saia prejudicado. Neste
sentido, a ética, embora não possa ser confundida com as leis, está relacionada
com o sentimento de justiça social.

A ética é construída por uma sociedade com base nos valores históricos e
culturais. Do ponto de vista da Filosofia, a Ética é uma ciência que estuda os
valores e princípios morais de uma sociedade e seus grupos.

Códigos de ética

Cada sociedade e cada grupo possuem seus próprios códigos de ética. Num
país, por exemplo, sacrificar animais para pesquisa científica pode ser ético. Em
outro país, esta atitude pode desrespeitar os princípios éticos estabelecidos.
Aproveitando o exemplo, a ética na área de pesquisas biológicas é denominada
bioética.

A ética em ambientes específicos

Além dos princípios gerais que norteiam o bom funcionamento social, existe
também a ética de determinados grupos ou locais específicos. Neste sentido,
podemos citar: ética médica, ética profissional (trabalho), ética empresarial,
ética educacional, ética nos esportes, ética jornalística, ética na política, etc.

Antiética

Uma pessoa que não segue a ética da sociedade a qual pertence é chamado de
antiético, assim como o ato praticado.

https://www.suapesquisa.com/o_que_e/etica_conceito.htm

ÉTICA E OS ANTIGOS PENSADORES

A Ética é uma parte da filosofia prática também conhecida por filosofia moral. Os
problemas principais da ética estão relacionados com os fundamentos do dever e com
a natureza do bem e do mal, ou seja, tudo aquilo que está relacionado com o modo
como devemos viver. Não por acaso, a palavra “ética” vem do grego éthikos e significa
modos de ser. Em outras palavras, esse termo pode ser entendido como a reflexão
sobre o comportamento moral.
Kant e o Imperativo Categórico

A área da ética que enfrenta a questão do modo como devemos viver é a Ética
Normativa, que floresceu na época do Iluminismo, quando os filósofos passaram a
entender que aquilo que deveria pautar as escolhas morais deveria ser a razão
humana, e não os valores religiosos. O imperativo categórico de Kant é uma
importante expressão das perguntas acerca da ação moralmente correta que
marcaram esse período. Por meio do Imperativo Categórico, Kant procurou
proporcionar um padrão pelo qual determinamos o que é obrigatório ou permissível
fazer.

Desse modo, no pensamento de Kant, entrelaçam-se as noções de liberdade e de


dever. A razão humana seria uma razão legisladora e, por isso, pela atividade do
pensamento, seria possível chegar a normas. Essas normas seriam universais porque
são fundadas na razão, algo que todos os humanos possuem. Ao obedecer às normas,
a pessoa exerceria sua liberdade de estabelecer, por meio da razão, aquilo que é
correto. Para Kant, podemos entender que o dever é uma expressão da racionalidade
humana.

Mas o homem, sabia Kant, não é formado apenas de razão, pois ele possui também
desejos, medos e interesses que interferem em suas decisões. Por isso, Kant acreditava
que, em qualquer decisão, o homem deveria observar se sua ação pode ser
universalizada, ou seja, aplicável a todos sem que ninguém seja prejudicado por ela. Se
não puder ser universalizada, não se trata de uma ação moralmente correta.

A diferença entre Ética Formalista e Ética Aplicada

A ética de Kant pode ser entendida como formalista, ou seja, ele apresenta uma forma
de agir moralmente correta, mas não especifica o que devemos ou não fazer em
situações concretas. O filósofo Hegel criticou o formalismo de Kant e propôs uma ética
vinculada à história, ao contrário do que ele entendia ser a ética kantiana, que, por não
levar em conta a história e o desenvolvimento da sociedade, não conseguia resolver os
problemas do indivíduo concreto.

Diferente da ética formalista é a Ética Aplicada, na qual se discute o que é obrigatório


ou permissível fazer em relação a situações concretas. Consideremos, por exemplo,
que matar uma pessoa seja moralmente incorreto. Mas e se essa pessoa for uma
ameaça à sua vida ou à vida de outra, matá-la seria um ato moralmente correto? Da
mesma forma, consideremos o roubo e o furto como atos moralmente incorretos. Mas
e se essa pessoa for uma mãe desesperada para alimentar os filhos?

Uma área que se desenvolveu a partir da Ética Aplicada foi a Bioética, que discute,
entre outros problemas, aqueles relacionados com o uso de animais em experimentos
científicos.

O que os filósofos antigos pensavam sobre a Ética?

Desde os sofistas a preocupação sobre o comportamento humano faz-se presente. A


ética dos sofistas era relativista, ou seja, para eles não havia normas que poderiam ser
universalmente válidas, o contrário do que disse Kant séculos depois.

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Sócrates já dizia algo no mesmo sentido que Kant, mas, para ele, a alma humana era,
em sua essência, razão e nela deveriam ser encontrados os fundamentos da moral.
Platão, por sua vez, desenvolveu esse pensamento com uma distinção entre corpo e
alma: o corpo, por ser dotado de paixões, poderia desviar o homem do bem. Para
alcançar a ideia de bem, o homem precisaria da pólis, de modo que aquele que age de
forma ética é bom e, também, um bom cidadão.

Dissociando o homem da sociedade, os estoicos pensavam na ética como um


autocontrole individual com aceitação em relação ao que acontece e com a noção de
amor ao destino. Tudo faria parte dos planos de uma razão universal. A consequência
do agir, segundo esses princípios, seria a imperturbabilidade da alma.

Para os epicuristas, a imperturbabilidade da alma era também a finalidade da ética,


mas os princípios que eles seguiam eram quatro: 1) Não há o que temer quanto aos
deuses; 2) Não há o que temer quanto à morte; 3) A felicidade pode ser alcançada; 4)
Pode-se suportar a dor. Eles defendiam também que o bem fundamental é o prazer,
mas não no sentido do prazer sexual, e sim do prazer da amizade.

Aristóteles e a ética do equilíbrio

A preocupação da ética de Aristóteles, também racionalista como a de Platão, era


relacionar mais profundamente o homem com a vida na pólis. Por isso, abandonou o
dualismo platônico corpo-alma.

Em sua obra, Aristóteles investigou as formas de governo que permitiriam que os


homens tivessem uma vida melhor em sociedade. Para ele, “o homem é um animal
político”, ou seja, o homem só realiza sua natureza quando envolvido na vida da pólis.
A política constitui, ao lado da ética, dentro do sistema aristotélico, o “saber prático”,
pois o objetivo de ambas não é o conhecimento de uma realidade – como no caso da
física, astronomia, ciências biológicas e psicologia, que constituem o “saber teórico”.
Segundo esse filósofo, ética e polítca não poderiam ser pensadas separadamente, pois
enquanto a ética busca o bem-estar individual, a política busca o bem comum.

A ética aristotélica é um estudo da virtude – em grego, areté, que também pode ser
traduzido por “excelência”. Isso significa que o objetivo do ser humano é atingir o grau
mais elevado do bem humano – a felicidade. Para alcançar a virtude, o homem precisa
escolher “o caminho do meio”, a justa medida das coisas, e agir de forma equilibrada.
A covardia e o medo de tudo, por exemplo, não seriam o certo, mas não ter nenhum
medo também não. A melhor forma de agir seria preservar a cautela, evitando os
excessos, tanto de medo tanto de destemor.

Para alcançar a felicidade, cada ser precisa cumprir sua faculdade. A faculdade
principal do homem e que o distingue dos outros animais é a racionalidade. Essa é a
maior virtude do homem. Sendo assim, para ser feliz, na concepção de Aristóteles, ele
precisa exercitar a sua capacidade de pensar. Como o homem não vive sozinho, seu
agir virtuoso também terá impacto na relação que estabelece com os outros, ou seja,
na vida social e política.

O que é Ética na Filosofia:


Ética na filosofia é o estudo dos assuntos morais, do modo de ser e agir dos
seres humanos, além dos seus comportamentos e caráter. A ética na filosofia
procura descobrir o que motiva cada indivíduo de agir de um determinado jeito,
diferencia também o que significa o bom e o mau, e o mal e o bem.

A ética na filosofia estuda os valores que regem os relacionamentos


interpessoais, como as pessoas se posicionam na vida, e de que maneira elas
convivem em harmonia com as demais. O termo ética é oriundo do grego, e
significa “aquilo que pertence ao caráter”. A ética diferencia-se de moral, uma
vez que, a moral é relacionada a regras e normas, costumes de cada cultura, e
a ética é o modo de agir das pessoas.

Para a filosofia clássica, a ética estudava a maneira de buscar a harmonia


entre todos os indivíduos, uma forma de conviver e viver com outras pessoas,
de modo que cada um buscasse seus interesses e todos ficassem satisfeitos. A
ética na filosofia clássica abrangia diversas outras áreas de conhecimento,
como a estética, a psicologia, a sociologia, a economia, pedagogia, política, e
etc.

Com o crescimento mundial e o início da Revolução Industrial, surgiu a ética na


filosofia contemporânea. Diversos filósofos como Sócrates, Aristóteles, Epicuro
e outros, procuraram estudar a ética como uma área da filosofia que estudava
as normas da sociedade, a conduta dos indivíduos e o que os faz escolher
entre o bem e o mal.
A ética na atualidade

A urgência de valores éticos na contemporaneidade brasileira

Um dos maiores desafios que o Brasil enfrenta na atualidade é crise de


valores. O que antes era visto como inadmissível, hoje está se tornando cada
vez mais comum, contribuindo para uma humanidade cada vez mais falha.

Cada ser pensante traz consigo a noção do que é certo e do que é errado,
tendo em vista que ao nascer nos deparamos com determinados costumes,
crenças e valores atribuídos por familiares que, segundo o filósofo Mario Sérgio
Cortella, é o ponto de partida para a formação ética.

Não é de hoje que o bom convívio em sociedade precisa ser debatido,


exemplos de egocentrismo e a intolerância vêm se tornando cada vez mais
comuns, uma vez que vivemos em sociedade e temos alguns exemplos de
valores antiéticos governando o Brasil e uma população cada vez mais violenta
e intolerante contribuindo para que o país tenha níveis acima da média no que
se refere a crimes violentos.

Em virtude do que foi mencionado, é de grande urgência que valores éticos


sejam retomados e ensinados, uma vez que eles estão sendo deixados para
trás, além disso é de extrema importância ensinamentos éticos nas escolas
brasileiras, sendo ela umas das maiores fontes na formação dos cidadãos.

2 ÉTICA NA SOCIEDADE

Desde os primórdios da humanidade o homem precisou viver em grupos ou em


sociedade e em cada época foi criando padrões de comportamento como
justiça, honestidade, responsabilidade, lealdade e respeito de acordo com os
valores estabelecidos na sua cultura. Para Arruda (2001):

“A ética é a parte da filosofia que estuda a moralidade dos atos humanos,


enquanto livres e ordenados a seu fim último. De modo natural, a inteligência
adverte a bondade ou malícia dos atos livres, haja vista o remorso ou
satisfação que se experimenta por ações livremente experimenta por ações
livremente experimenta por ações livremente por que tal ação é boa ou má. A
resposta a tais questões conduz a um estudo científico dos atos humanos
enquanto bons ou maus.”
3 ÉTICA NAS ORGANIZAÇÕES

Nos dias atuais com um mundo cada vez mais globalizado e competitivo as
organizações empresariais preocupam-se em com a ética nos seus negócios
mostrando-se cada vez mais eficaz para competir com sucesso e obter
resultados positivos e compensadores nas suas vendas e satisfação dos
funcionários, cliente fornecedores e da sociedade em geral. Conforme Nash
(2001):

“Ética dos negócios é o estudo da forma pela quais normas morais pessoais se
aplicam às atividades e aos objetivos da empresa comercial. Não se trata de
um padrão moral separado, mas do estudo de como o contexto dos negócios
cria seus problemas próprios e exclusivos à pessoa moral que atua como um
gerente desse sistema”.

A sobrevivência e evolução das empresas e de seus negócios, portanto, está


associada cada vez mais a sua capacidade de adotar e aperfeiçoar condutas
marcadas pela seriedade, humildade, justiça e pela preservação da integridade
e dos direitos das pessoas.

4 ÉTICA NA RELIGIÃO

No passado a religião dominava todas as classes sócias e pregava moralidade


nas tradições e bons costumes do povo servindo ainda para manter as pessoas
bem comportadas e obedientes.

Nos dias de hoje com acesso a informação por muitos meios de comunicação e
conhecimento a maioria dos indivíduos já divide opiniões não quais acreditam
que não é obrigatório ter um comportamento religioso para ser moral e ético.

O que é Deontologia:

Deontologia é uma filosofia que faz parte da filosofia moral contemporânea,


que significa ciência do dever e da obrigação.
A deontologia é um tratado dos deveres e da moral. É uma teoria sobre as
escolhas dos indivíduos, o que é moralmente necessário e serve para nortear o
que realmente deve ser feito.

O termo deontologia foi criado no ano de 1834, pelo filósofo inglês Jeremy
Bentham, para falar sobre o ramo da ética em que o objeto de estudo é o
fundamento do dever e das normas. A deontologia é ainda conhecida como
"Teoria do Dever".
Immanuel Kant também deu sua contribuição para a deontologia, uma vez que
a dividiu em dois conceitos: razão prática e liberdade.

Para Kant, agir por dever é a maneira de dar à ação o seu valor moral; e por
sua vez, a perfeição moral só pode ser atingida por uma livre vontade.

A deontologia também pode ser o conjunto de princípios e regras de conduta


ou deveres de uma determinada profissão, ou seja, cada profissional deve ter a
sua deontologia própria para regular o exercício da profissão, e de acordo com
o Código de Ética de sua categoria.

Para os profissionais, deontologia são normas estabelecidas não pela moral e


sim para a correção de suas intenções, ações, direitos, deveres e princípios.

O primeiro Código de Deontologia foi feito na área da medicina, nos Estados


Unidos.

Os componentes da ética na Educação Física escolar

Respeito mútuo

A afirmação do respeito mútuo fundamenta-se no princípio de que todos os


indivíduos merecem ser respeitados independentemente de sua origem social, etnia,
religião, sexo, manifestações sócio-culturais, opinião etc., pois o respeito implica na
valorização de cada indivíduo de acordo com sua singularidade e as características que
o constituem.

Uma sociedade com bases democráticas exige que se respeite a dignidade do ser
humano e a convivência com respeito no ambiente escolar é a melhor experiência que
pode ser oferecida ao aluno pois, desta maneira, além de vivenciar ele pode refletir
sobre o respeito nas diferentes áreas de conhecimento, aprendendo a respeitar e a
exigir respeito (PCNs/BRASIL, 1998).

Para que os alunos sejam capazes de exercer o respeito mútuo, é imprescindível que
professores e administração também o façam, o que exige coerência entre o discurso e
a prática cotidiana.

Assim como no contexto escolar de forma geral, nas aulas de Educação Física há
meninos e meninas, alunos com características diferentes, alguns com limitações no
desempenho, outros habilidosos para determinadas atividades, alunos portadores de
necessidades especiais, outros tímidos e resistentes à aproximação etc. Todos os
alunos estão, como na sala de aula, usufruindo o mesmo direito à educação e à
participação.
Nas situações de preconceito como aquelas em que se estigmatizam indivíduos com
apelidos pejorativos, por exemplo, os alunos cuja aparência não corresponde a um
“modelo” criado e ocasionalmente valorizado, todos devem ter consciência para
identificar e repudiar as situações de desrespeito, assim como de humilhação e
vergonha.

Em relação aos alunos menos habilidosos para as modalidades esportivas


tradicionais das aulas de Educação Física sugerimos a inclusão de outras modalidades,
com o objetivo de oportunizar a participação do maior número possível de alunos. Nos
campeonatos realizados nas escolas, além das modalidades tradicionais, outras como
o atletismo, a dança, jogos da cultura local podem ser adicionadas. Sugerimos
também, quando o espaço permitir, a realização de mais de uma atividade por vez,
para que um número maior de alunos possa participar, cada um na modalidade que se
considerar mais capaz.

Com a inclusão dos alunos portadores de necessidades especiais, os professores


podem incentivar as turmas a promover adaptações para que estes possam participar
das atividades das aulas. Além disso, surge a possibilidade de que todos aprendam a
lidar com as limitações e dificuldades que os indivíduos apresentam.

Na interação com os adversários em um jogo ou modalidade esportiva, o respeito


mútuo pode ser exercido na busca pela participação na atividade de forma leal e não-
violenta. A colaboração, a cooperação, o respeito às regras do jogo, dos limites de
determinadas brincadeiras, são todas questões que podem ser tratadas pelos
professores nas aulas de Educação Física buscando desenvolver o princípio do respeito
mútuo.

Em relação aos meios de comunicação, o professor pode incentivar debates e


discussões, especialmente em relação aos jogos de futebol transmitidos pela televisão,
nos quais se assistem atitudes incompatíveis com o respeito mútuo, como faltas
violentas e desleais, tentativas de se enganar o juiz, lances ilegais, gols cometidos de
maneiras irregulares etc.

Atitudes como estas, muitas vezes, são glorificadas. Um jogador que marcou um gol
com a mão salvando seu time da derrota é valorizado por sua esperteza em vez de ser
criticado por sua atitude “anti-esportiva”. Exemplos como estes somados à
importância que o futebol representa na sociedade brasileira, conduzem a necessidade
de se refletir sobre todos os valores e atitudes nele presente.
Justiça

O princípio da justiça, além de basear-se na busca da igualdade de direitos e


oportunidades, pressupõe a consideração das condições concretas das situações e dos
sujeitos envolvidos para o julgamento do que é justo ou injusto.

O critério da igualdade indica que todas as pessoas têm direitos iguais, não existe
razão para que sejam tratadas de maneiras diferentes ou que alguns grupos recebam
mais privilégios que outros, contudo deve-se considerar a igualdade de direitos
articulada às diferenças que caracterizam os indivíduos.

Deste modo, de acordo com os PCNs (BRASIL, 1998) este conceito deve ser ampliado
pelo de equidade, pois, na grande maioria das vezes, as pessoas não se encontram em
posição de igualdade. Existem as diferenças físicas, de condições sociais, econômicas
etc. Seria injusto não considerar essas diferenças, por exemplo, ao destinar crianças e
adultos aos mesmos trabalhos, assim como, dar igual recompensa ou castigo a todas
as ações, punir um crime de infração e um de assassinato da mesma maneira ou
atribuir a mesma nota a todos os alunos.

No contexto escolar, atuar com justiça nas diferentes situações que se apresentam é
um desafio muito grande, pois não existe um modelo que indique como ser justo,
muito menos métodos que garantam esse aprendizado, já que as situações reais são
sempre complexas.

Tratando-se de um princípio, a legitimação da justiça envolve a construção


conceitual, o aprendizado de procedimentos e o desenvolvimento de atitudes. Decorre
disso a necessidade de que a escola seja uma “sociedade justa”, na qual as relações e
sua própria organização estejam orientadas de acordo com parâmetros de justiça
(PCNs/BRASIL, 1998).

A escola pode desenvolver um papel fundamental para que os alunos adquiram a


capacidade de se pautarem pelo princípio da justiça de modo autônomo, e, para que
isso aconteça, algumas condições se fazem necessárias.

É fundamental que os alunos tenham conhecimento das normas de conduta


estabelecidas pela escola, que estas estejam relacionadas à aprendizagem e que sejam
expostas e explicadas. Os deveres também devem ser compreensíveis, normas
ambíguas impedem que os alunos saibam o que exatamente se espera deles e o que se
cobra. Os direitos devem ser esclarecidos para que saibam quando estão sendo
injustiçados.

Nas aulas de Educação Física os professores também devem estar atentos a todas
estas questões, às normas para o bom andamento das aulas e a preservação da
segurança dos alunos devem ser expostas e esclarecidas de modo que todos entendam
a necessidade de se respeitá-las. Por exemplo, dirigir-se à quadra em silêncio e sem
correria evita atrapalhar as outras classes e o contato brusco com outros alunos, o que
pode ferir a integridade física de alguém.

É imprescindível ainda que os professores tenham conhecimento do regimento


escolar e das leis que permeiam o campo educacional, para que nenhum tipo de
infração seja cometida no ambiente de trabalho, como atitudes de preconceito,
humilhação, exclusão, discriminação, etc.

É preciso ter claro que as sanções devem punir somente os culpados (por exemplo,
não optar por aplicar castigo a uma classe toda por não conhecer o responsável pelo
delito), ser aplicadas de maneira justa, por reciprocidade, ou seja, proporcionais à falta
cometida.

Aplicar castigos físicos também é algo que deve ser totalmente evitado, pois pode
humilhar os alunos, enquanto as sanções coletivas podem causar sentimento de
revolta e injustiça nos que não têm culpa e estão sendo punidos.

O professor deve estar muito atento também para a questão da inclusão dos alunos
nas aulas, pois independentemente de suas habilidades, todos têm o mesmo direito de
usufruir as atividades propostas.

A respeito das relações entre a afetividade e a racionalidade, uma situação


freqüente no cotidiano escolar e nas aulas de Educação Física é o conflito que se
estabelece entre a afetividade e o limite, quando por exemplo, um professor tenta
impor limites de uma maneira mais branda, demonstrando sua afetividade e os alunos
acabam por não levar tão a sério. Outra variável para esta questão diz respeito ao
sentido que é atribuído ao “não” dependendo do aluno que está sendo censurado: o
“não” atribuído um aluno bom é igual ou tem o mesmo sentido do emitido a um aluno
considerado “bagunceiro”?

Não podemos deixar de considerar que o componente da afetividade faz com que os
professores acabem por criar laços com determinados alunos que são diferentes em
relação a outros, por isso, a necessidade em se procurar sempre estabelecer uma
postura que não demonstre qualquer tipo de injustiça frente a uma mesma falta
cometida por alunos diferentes.
Atuar com justiça em todas as situações que ocorrem no contexto escolar é muito
difícil, pois vários fatores fazem com que cada caso seja diferente. No entanto, os
professores devem estar sempre muito atentos para não cometer injustiças com os
alunos, especialmente diante da classe. Tratamentos privilegiados são percebidos
pelos alunos e constituem injustiças, já que por direito todos devem ser tratados da
mesma maneira.

Durante o desenvolvimento das aulas, outras situações como o confronto com o


resultado de um jogo e a presença do árbitro, permitem a vivência e o
desenvolvimento da capacidade do julgamento de justiça. O respeito às regras torna-
se necessário para que o jogo seja “limpo”, qualquer infração resulta em um ato de
injustiça contra a equipe adversária e o contrato estabelecido por meio das regras.

Estes são exemplos de situações para as quais os professores devem estar atentos e
que podem ser utilizadas nas aulas de Educação Física para o desenvolvimento do
princípio da justiça que, além de fundamental no contexto escolar e das diversas áreas
de conhecimento, também o é para a vida em sociedade.

Solidariedade
A solidariedade pode ser considerada como a expressão concreta do respeito que os
indivíduos tem entre si, demonstrando sentimentos de interdependência e
pertinência, por meio dos quais a pessoa ou comunidade se sente unida e adquire
como dever compartilhar interesses e ideais, considerando a repercussão de seus atos
na vida coletiva (PCNs/BRASIL, 1998).

Podemos considerar que existem diversas formas de ser solidário, como ajudar
pessoas necessitadas engajando-se em campanhas de socorro, por exemplo, em prol
de vítimas de terremotos ou enchentes e participar ativamente do espaço público e na
vida política (PEREIRA-AUGUSTO, 2001).

Na escola o desenvolvimento do princípio da solidariedade deve passar pela prática


e reflexão, por meio das quais os alunos sejam levados a pensar e a praticar sobre ela,
juntamente com os outros valores.

A organização e a participação em ações comunitárias, o aprendizado de primeiros


socorros, a formação de uma biblioteca comunitária, o engajamento em campanhas de
saúde, contra as drogas, a preservação do meio ambiente, são exemplos de atividades
que podem ser estimuladas pela escola para que os alunos se envolvam na resolução
de problemas reais (PEREIRA-AUGUSTO, 2001).
Nas aulas de Educação Física, muitas situações podem proporcionar o
desenvolvimento da atitude solidária nos alunos. Por exemplo, em relação aos alunos
portadores de necessidades especiais é preciso que se crie um ambiente de acolhida,
no qual estes alunos possam participar das atividades da melhor maneira possível, sem
sofrer qualquer tipo de discriminação.

Essa participação é tão importante para o aluno especial quanto para os demais que
têm a oportunidade de aprender a lidar com uma situação diversa, respeitando as
limitações do outro e contribuindo para que cada vez mais elas sejam minimizadas.

A convivência com estes alunos pode ser muito valiosa para toda a comunidade
escolar no sentido de que permite que todos os alunos aprendam a convier com as
limitações e diferenças das pessoas, além disso, nas aulas de Educação Física, por
exemplo, pode mobilizar os alunos a procurar meios que facilitem a participação dos
alunos especiais nas atividades físicas realizadas. Por meio do conhecimento, da
vivencia de situações concretas e pela reflexão sobre elas é que os alunos podem
construir uma postura solidária.

As atividades em grupo, principalmente os jogos, em que é fundamental o trabalho


em equipe, podem estimular a partilha e a cooperação, fazendo com que a
solidariedade possa ser exercida e valorizada. Como isso não ocorre naturalmente,
torna-se muito importante a intervenção pedagógica do professor.

Aulas nas quais algumas noções de primeiros socorros sejam ensinadas também
podem preparar os alunos para lidar com questões deste tipo quando necessário,
assim como a elaboração de uma lista com os principais números de telefones que
podem ser consultados em situações de emergência.

Incentivar os alunos a fazer um levantamento através de pesquisas sobre os locais


públicos da cidade que oferecem a possibilidade da prática gratuita de atividades
físicas para que sejam divulgados para a comunidade, também é um exemplo de ato
solidário que pode ser executado pelos alunos.

Diálogo
O ato da comunicação é inerente aos seres humanos e pode ser praticado em
diversas dimensões, como a expressão corporal por meio de gestos ou olhares, uma
conversa entre duas pessoas, um debate público, uma discussão científica etc.
(PCNs/BRASIL, 1998).
De acordo com os PCNs (BRASIL, 1998), pela própria necessidade que o homem
possui de se comunicar, um dos objetivos mais importantes da educação é, sem
dúvidas, fazer com que os alunos consigam participar do universo da comunicação
criado pelos homens, para que, utilizando os instrumentos de que ela dispõe, consiga
elaborar e emitir suas próprias mensagens.

Os PCNs (BRASIL, 1997) indicam que a relação professor-aluno tem uma importância
fundamental neste processo, a fala do professor dever ser sempre muito clara e
objetiva, evitando-se ambigüidades. Da mesma forma, deve exigir dos alunos clareza,
evitando a ocorrência de expressões vagas que permitam interpretações variadas.

Neste sentido, o diálogo será um instrumento fundamental na escola para que o


aluno participe do processo de ensino-aprendizagem interagindo com o professor e os
colegas. Deve ser utilizado ainda sempre que necessário para o esclarecimento e
superação de conflitos.

A participação de toda a comunidade escolar deve ser valorizada na elaboração e


efetivação de projetos, na discussão e implementação das normas e regras escolares, e
em todas as atividades cujo desenvolvimento envolva a aprendizagem dos alunos.
Neste processo, as opiniões devem ser respeitadas, as decisões baseadas em critérios
de justiça, nas quais a solidariedade e o bem comum sejam priorizados.

Nas aulas de Educação Física o diálogo é instrumento fundamental para o


desenvolvimento dos conteúdos e atividades, nas quais as possibilidades de
construções coletivas devem ser valorizadas.

Nos trabalhos em grupo, a cooperação obtida propicia o estabelecimento e


cumprimento de contratos, e é onde os alunos aprendem a honrar a palavra
empenhada e constituem relações de reciprocidade.

O professor pode estimular os alunos na construção de jogos e brincadeiras, nos


quais as regras sejam estabelecidas por meio democrático através do diálogo. Assim, o
descumprimento do que foi combinado estabelece uma relação de responsabilidade
dos participantes pela conseqüência de suas atitudes relativas à própria atividade.

As situações de conflito geradas durante as aulas de Educação Física podem


proporcionar situações de diálogo, nos quais as soluções mais justas possam ser
encontradas com base no respeito mútuo entre as partes envolvidas. Desta maneira,
evita-se que a lei do mais forte seja imposta e que os direitos de cada um sejam
respeitados por todos.
RESOLUÇÃO CONFEF nº 307/2015
Dispõe sobre o Código de Ética dos Profissionais de
Educação Física registrados no Sistema CONFEF/CREFs.

O PRESIDENTE DO CONSELHO FEDERAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA, no uso das atribuições que lhe
confere o inciso IX do art. 43 do Estatuto do Conselho Federal de Educação Física e:

CONSIDERANDO o disposto no inciso XVIII do art. 26 do Estatuto do Conselho Federal de Educação


Física, criado pela Lei nº 9.696, de 1º de Setembro de 1998;

CONSIDERANDO a responsabilidade do Conselho Federal de Educação Física - CONFEF, como órgão


formador de opinião e educador da comunidade para compromisso ético e moral na promoção de
maior justiça social;

CONSIDERANDO a finalidade social do Sistema CONFEF/CREFs;

CONSIDERANDO que um país mais justo e democrático passa pela adoção da ética na promoção
das atividades físicas, desportivas e similares;

CONSIDERANDO a função educacional dos órgãos integrantes do Sistema CONFEF/CREFs,


responsáveis pela normatização e codificação das relações entre beneficiários e destinatários;

CONSIDERANDO a necessidade de mobilização dos integrantes da categoria profissional para


assumirem seu papel social e se comprometerem, além do plano das realizações individuais, com a
realização social e coletiva;

CONSIDERANDO a necessidade de adaptação e aperfeiçoamento do Profissional de Educação


Física, para adequar-se à proposta contida no Manifesto Mundial de Educação Física - FIEP/2000,
que reformulou o conceito da profissão;

CONSIDERANDO as contribuições, encaminhadas ao CONFEF, de setores e órgãos interessados;

CONSIDERANDO ser o Código de Ética dos Profissionais de Educação Física, sobretudo, um código
de ética humano, que contém normas e princípios que devem ser por estes seguidos, e se aplicam
às pessoas físicas devidamente registradas no Sistema CONFEF/CREFs, por adesão, demonstrando,
portanto, a total aceitação aos princípios nele contidos;

CONSIDERANDO as sugestões de alterações propostas no VIII Seminário de Ética da Educação


Física, realizado em conjunto com o 30º Congresso Internacional da FIEP, ocorridos na Cidade de
Foz do Iguaçu - PR, em janeiro de 2015;

CONSIDERANDO finalmente, o que decidiu o Plenário do CONFEF em Reunião Ordinária, realizada


em 09 de maio de 2015;

RESOLVE:

Art. 1º - Fica aprovado o Código de Ética dos Profissionais de Educação Física, na forma do anexo
desta Resolução.

Art. 2º - Fica revogada a Resolução CONFEF nº 254/2013.

Art. 3º - Esta Resolução entra em vigor nesta data.


Jorge Steinhilber
Presidente
CREF 000002-G/RJ

Publicada no DOU nº 221 de 19 de novembro de 2015 – Seção 1 – fls. 129 e 130

CÓDIGO DE ÉTICA DOS PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO FÍSICA

PREÂMBULO

No processo de elaboração do Código de Ética para o Profissional de Educação Física


tomaram-se por base, também, as Declarações Universais de Direitos Humanos e da
Cultura, a Agenda 21, que conceitua a proteção do meio ambiente no contexto das
relações entre os seres humanos em sociedade, e, ainda, os indicadores da Carta
Brasileira de Educação Física 2000; nesta esteira, repudia-se todas e quaisquer ações
que possam incidir em risco para o contexto ecológico da natureza, da sociedade e do
indivíduo, nomeadamente, o uso de todos os meios que desencadeiem o subjugo da
saúde, segundo os princípios assegurados pelas Agências Nacionais e Internacionais de
Controle Anti-dopagem, dentre outros.

Esses documentos, juntamente com a legislação referente à Educação Física e a seus


profissionais nas esferas federal, estadual e municipal, constituem o fundamento para
a função mediadora do Sistema CONFEF/CREFs no que concerne ao Código de Ética.

A Educação Física afirma-se, segundo as mais atualizadas pesquisas científicas, como


atividade imprescindível à promoção e à preservação da saúde e à conquista de uma
boa qualidade de vida.

Ao se regulamentar a Educação Física como atividade profissional, foi identificada,


simultaneamente à importância de conhecimento técnico e científico especializado, a
necessidade do desenvolvimento de competência específica para sua aplicação, que
possibilite estender a toda a sociedade os valores e os benefícios advindos da sua
prática.

Este Código propõe normatizar a articulação das dimensões técnica e social com a
dimensão ética, de forma a garantir, no desempenho do Profissional de Educação
Física, a união de conhecimento científico e atitude, referendando a necessidade de
um saber e de um saber fazer que venham a efetivar-se como um saber bem e um
saber fazer bem.

Assim, o ideal da profissão define-se pela prestação de um atendimento melhor e mais


qualificado a um número cada vez maior de pessoas, tendo como referência um
conjunto de princípios, normas e valores éticos livremente assumidos, individual e
coletivamente, pelos Profissionais de Educação Física.
A CONSTRUÇÃO DO CÓDIGO DE ÉTICA

A construção do Código de Ética para a Profissão de Educação Física foi desenvolvida


através do estudo da historicidade da sua existência, da experiência de um grupo de
profissionais brasileiros da área e da resposta da comunidade específica de
profissionais que atuam com esse conhecimento em nosso país.

Assim, foram estabelecidos os 12 (doze) itens norteadores da aplicação do Código de


Ética, que fixa a forma pela qual se devem conduzir os Profissionais de Educação Física
registrados no Sistema CONFEF/CREFs:
I - O Código de Ética dos Profissionais de Educação Física, instrumento regulador do
exercício da Profissão, formalmente vinculado às Diretrizes Regulamentares do
Sistema CONFEF/CREFs, define-se como um instrumento legitimador do exercício da
profissão, sujeito, portanto, a um aperfeiçoamento contínuo que lhe permita
estabelecer os sentidos educacionais, a partir de nexos de deveres e direitos;
II - O Profissional de Educação Física registrado no Sistema CONFEF/CREFs e,
consequentemente, aderente ao presente Código de Ética, na qualidade de
interventor social, deve assumir compromisso ético para com a sociedade, colocando-
se a seu serviço primordialmente, independentemente de qualquer outro interesse,
sobretudo de natureza corporativista;
IIII - Este Código de Ética define, para seus efeitos, no âmbito de toda e qualquer
atividade física, como destinatário, o Profissional de Educação Física registrado no
Sistema CONFEF/CREFs e, como beneficiários das intervenções profissionais os
indivíduos, grupos, associações e instituições que compõem a sociedade. O Sistema
CONFEF/CREFs é a instituição mediadora, por exercer uma função educativa, além de
atuar como reguladora e codificadora das relações e ações entre beneficiários e
destinatários;
IV - A referência básica deste Código de Ética, em termos de operacionalização, é a
necessidade em se caracterizar o Profissional de Educação Física diante das diretrizes
de direitos e deveres estabelecidos normativamente pelo Sistema CONFEF/CREFs. Tal
Sistema deve visar assegurar por definição: qualidade, competência e atualização
técnica, científica e moral dos Profissionais nele incluídos através de inscrição legal e
competente registro;
V - O Sistema CONFEF/CREFs deve pautar-se pela transparência em suas operações e
decisões, devidamente complementada por acesso de direito e de fato dos
beneficiários e destinatários à informação gerada nas relações de mediação e do pleno
exercício legal. Considera-se pertinente e fundamental, nestas circunstâncias, a
viabilização da transparência e do acesso ao Sistema CONFEF/CREFs, através dos meios
possíveis de informação e de outros instrumentos que favoreçam a exposição pública;
VI - Em termos de fundamentação filosófica o Código de Ética visa assumir a postura
de referência quanto a direitos e deveres de beneficiários e destinatários, de modo a
assegurar o princípio da consecução aos Direitos Universais. Buscando o
aperfeiçoamento contínuo deste Código, deve ser implementado um enfoque
científico, que proceda sistematicamente à reanálise de definições e indicações nele
contidas. Tal procedimento objetiva proporcionar conhecimentos sistemáticos,
metódicos e, na medida do possível, comprováveis;
VII - As perspectivas filosóficas, científicas e educacionais do Sistema CONFEF/CREFs se
tornam complementares a este Código, ao se avaliarem fatos na instância do
comportamento moral, tendo como referência um princípio ético que possa ser
generalizável e universalizado. Em síntese, diante da força de lei ou de mandamento
moral (costumes) de beneficiários e destinatários, a mediação do Sistema produz-se
por meio de posturas éticas (ciência do comportamento moral), símiles à coerência e
fundamentação das proposições científicas;
VIII - O ponto de partida do processo sistemático de implantação e aperfeiçoamento
do Código de Ética dos Profissionais de Educação Física delimita-se pelas Declarações
Universais de Direitos Humanos e da Cultura, como também pela Agenda 21, que situa
a proteção do meio ambiente em termos de relações entre os homens e mulheres em
sociedade e ainda, através das indicações referidas na Carta Brasileira de Educação
Física (2000), editada pelo CONFEF. Estes documentos de aceitação universal,
elaborados pelas Nações Unidas, e o Documento de Referência da qualidade de
atuação dos Profissionais de Educação Física, juntamente com a legislação pertinente à
Educação Física e seus Profissionais nas esferas federal, estadual e municipal,
constituem a base para a aplicação da função mediadora do Sistema CONFEF/CREFs no
que concerne ao Código de Ética;
IX – Além, da ordem universalista internacional e da equivalente legal brasileira, o
Código de Ética deverá levar em consideração valores que lhe conferem o sentido
educacional almejado. Em princípio, tais valores como liberdade, igualdade,
fraternidade e sustentabilidade com relação ao meio ambiente, são definidos nos
documentos já referidos. Em particular, o valor da identidade profissional no campo da
atividade física - definido historicamente durante séculos - deve estar presente,
associado aos valores universais de homens e mulheres em suas relações
socioculturais;
X - Tendo como referências a experiência histórica e internacional dos Profissionais de
Educação Física no trato com questões técnicas, científicas e educacionais, típicas de
sua profissão e de seu preparo intelectual, condições que lhes conferem qualidade,
competência e responsabilidade, entendidas como o mais elevado e atualizado nível
de conhecimento que possa legitimar o seu exercício, é fundamental que desenvolvam
suas atuações visando sempre preservar a saúde de seus beneficiários nas diferentes
intervenções ou abordagens conceituais;
XI - A preservação da saúde dos beneficiários implica sempre na responsabilidade
social dos Profissionais de Educação Física, em todas as suas intervenções. Tal
responsabilidade não deve e nem pode ser compartilhada com pessoas não
credenciadas, seja de modo formal, institucional ou legal;
XII - Levando-se em consideração os preceitos estabelecidos pela bioética, quando de
seu exercício, os Profissionais de Educação Física estarão sujeitos sempre a assumirem as
responsabilidades que lhes cabem.

CAPÍTULO I
Disposições Gerais

Art. 1º - O exercício da profissão exige do Profissional de Educação Física conduta


compatível com os preceitos da Lei nº. 9.696/1998, do Estatuto do CONFEF, deste
Código, de outras normas expedidas pelo Sistema CONFEF/CREFs e com os demais
princípios da moral individual, social e profissional.

Parágrafo Único - Este Código de Ética constitui-se em documento de referência para


os Profissionais de Educação Física, no que se refere aos princípios e diretrizes para o
exercício da profissão e aos direitos e deveres dos beneficiários das ações e dos
destinatários das intervenções.

Art. 2º - Para os efeitos deste Código, considera-se:


I - beneficiário, o indivíduo ou instituição que utilize os serviços do Profissional de
Educação Física;
II - destinatário, o Profissional de Educação Física.

Art. 3º - O Sistema CONFEF/CREFs reconhece como Profissional de Educação Física, o


profissional identificado consoante as características da atividade que desempenha
nos campos estabelecidos da profissão.

CAPÍTULO II
Dos Princípios e Diretrizes

Art. 4º - O exercício profissional em Educação Física pautar-se-á pelos seguintes


princípios:
I - o respeito à vida, à dignidade, à integridade e aos direitos do indivíduo;
II - a responsabilidade social;
III - a ausência de discriminação ou preconceito de qualquer natureza;
IV - o respeito à ética nas diversas atividades profissionais;
V - a valorização da identidade profissional no campo das atividades físicas, esportivas
e similares;
VI - a sustentabilidade do meio ambiente;
VII - a prestação, sempre, do melhor serviço a um número cada vez maior de pessoas,
com competência, responsabilidade e honestidade;
VIII - a atuação dentro das especificidades do seu campo e área do conhecimento, no
sentido da educação e desenvolvimento das potencialidades humanas, daqueles aos
quais presta serviços.

Art. 5º - São diretrizes para a atuação dos órgãos integrantes do Sistema


CONFEF/CREFs e para o desempenho da atividade profissional em Educação Física:
I - comprometimento com a preservação da saúde do indivíduo e da coletividade, e
com o desenvolvimento físico, intelectual, cultural e social do beneficiário de sua ação;
II - aperfeiçoamento técnico, científico, ético e moral dos Profissionais registrados no
Sistema CONFEF/CREFs;
III - transparência em suas ações e decisões, garantida por meio do pleno acesso dos
beneficiários e destinatários às informações relacionadas ao exercício de sua
competência legal e regimental;
IV - autonomia no exercício da profissão, respeitados os preceitos legais e éticos e os
princípios da bioética;
V - priorização do compromisso ético para com a sociedade, cujo interesse será
colocado acima de qualquer outro, sobretudo do de natureza corporativista;
VI - integração com o trabalho de profissionais de outras áreas, baseada no respeito,
na liberdade e independência profissional de cada um e na defesa do interesse e do
bem-estar dos seus beneficiários.

CAPÍTULO III
Das Responsabilidades e Deveres

Art. 6º - São responsabilidades e deveres do Profissional de Educação Física:


I - promover a Educação Física no sentido de que se constitua em meio efetivo para a
conquista de um estilo de vida ativo dos seus beneficiários, através de uma educação
efetiva, para promoção da saúde e ocupação saudável do tempo de lazer;
II - zelar pelo prestígio da profissão, pela dignidade do Profissional e pelo
aperfeiçoamento de suas instituições;
III - assegurar a seus beneficiários um serviço profissional seguro, competente e
atualizado, prestado com o máximo de seu conhecimento, habilidade e experiência;
IV - elaborar o programa de atividades do beneficiário em função de suas condições
gerais de saúde;
V - oferecer a seu beneficiário, de preferência por escrito, uma orientação segura
sobre a execução das atividades e dos exercícios recomendados;
VI - manter o beneficiário informado sobre eventuais circunstâncias adversas que
possam influenciar o desenvolvimento do trabalho que lhe será prestado;
VII - renunciar às suas funções, tão logo se verifique falta de confiança por parte do
beneficiário, zelando para que os interesses do mesmo não sejam prejudicados e
evitando declarações públicas sobre os motivos da renúncia;
VIII - manter-se informado sobre pesquisas e descobertas técnicas, científicas e
culturais com o objetivo de prestar melhores serviços e contribuir para o
desenvolvimento da profissão;
IX - avaliar criteriosamente sua competência técnica e legal, e somente aceitar
encargos quando se julgar capaz de apresentar desempenho seguro para si e para seus
beneficiários;
X - zelar pela sua competência exclusiva na prestação dos serviços a seu encargo;
XI - promover e facilitar o aperfeiçoamento técnico, científico e cultural das pessoas
sob sua orientação profissional;
XII - manter-se atualizado quanto aos conhecimentos técnicos, científicos e culturais;
XIII - guardar sigilo sobre fato ou informação de que tiver conhecimento em
decorrência do exercício da profissão, admitindo-se a exceção somente por
determinação judicial ou quando o fato for imprescindível como única forma de defesa
perante o Tribunal de Ética do Sistema CONFEF/CREFs;
XIV - responsabilizar-se por falta cometida no exercício de suas atividades
profissionais, independentemente de ter sido praticada individualmente ou em
equipe;
XV - cumprir e fazer cumprir os preceitos éticos e legais da profissão;
XVI - emitir parecer técnico sobre questões pertinentes a seu campo profissional,
respeitando os princípios deste Código, os preceitos legais e o interesse público;
XVII - comunicar formalmente ao Sistema CONFEF/CREFs fatos que envolvam recusa
ou demissão de cargo, função ou emprego motivados pelo respeito à lei e à ética no
exercício da profissão;
XVIII - apresentar-se adequadamente trajado para o exercício profissional, conforme o
local de atuação e a atividade a ser desempenhada;
XIX - respeitar e fazer respeitar o ambiente de trabalho;
XX - promover o uso adequado dos materiais e equipamentos específicos para a
prática da Educação Física;
XXI - manter-se em dia com as obrigações estabelecidas no Estatuto do CONFEF.
XXII - portar e utilizar a Cédula de Identidade Profissional - CIP como documento
identificador do pleno direito ao exercício profissional, observando, imperiosamente, o
período de vigência do referido documento.

Art. 7º - No desempenho das suas funções é vedado ao Profissional de Educação Física:


I - contratar, direta ou indiretamente, serviços que possam acarretar danos morais
para si próprio ou para seu beneficiário, ou desprestígio para a categoria profissional;
II - auferir proventos que não decorram exclusivamente da prática correta e honesta
de sua atividade profissional;
III - assinar documento ou relatório elaborado por terceiros, sem sua orientação,
supervisão ou fiscalização;
IV - exercer a profissão quando impedido, ou facilitar, por qualquer meio, o seu
exercício por pessoa não habilitada ou impedida;
V - concorrer, no exercício da profissão, para a realização de ato contrário à lei ou
destinado a fraudá-la;
VI - prejudicar, culposa ou dolosamente, interesse a ele confiado;
VII - interromper a prestação de serviços sem justa causa e sem notificação prévia ao
beneficiário;
VIII - transferir, para pessoa não habilitada ou impedida, a responsabilidade por ele
assumida pela prestação de serviços profissionais;
IX - aproveitar-se das situações decorrentes do relacionamento com seus beneficiários
para obter, indevidamente, vantagem de natureza física, emocional, financeira ou
qualquer outra;
X – incidir em erros reiterados que evidenciem inépcia profissional;
XI – fazer falsa prova de qualquer dos requisitos para registro no Sistema
CONFEF/CREFs.
XII - vincular o seu nome e/ou registro a atividades de cunho manifestamente
duvidoso.

Art. 8º - No relacionamento com os colegas de profissão, com outros profissionais nos


diversos espaços de atuação profissional, a conduta do Profissional de Educação Física
será pautada pelos princípios de consideração, apreço e solidariedade, em
consonância com os postulados de harmonia da categoria profissional, sendo-lhe
vedado:
I - fazer referências prejudiciais ou de qualquer modo desabonadoras a colegas de
profissão, ou a outros profissionais nos diversos espaços de atuação profissional;
II - aceitar encargo profissional em substituição a colega que dele tenha desistido para
preservar a dignidade ou os interesses da profissão, desde que permaneçam as
mesmas condições originais;
III - apropriar-se de trabalho, iniciativa ou solução encontrados por terceiros,
apresentando-os como próprios;
IV - provocar desentendimento com colega que venha o substituir no exercício
profissional;
V - pactuar, em nome do espírito de solidariedade, com erro ou atos infringentes das
normas éticas ou legais que regem a profissão.

Art. 9º - No relacionamento com os órgãos e entidades representativos da categoria e


da classe, o Profissional de Educação Física observará as seguintes normas de conduta:
I - exercer com interesse e dedicação o cargo de dirigente de entidades de classe que
lhe seja oferecido, podendo escusar-se de fazê-lo mediante justificação
fundamentada;
II - jamais se utilizar de posição ocupada na direção de entidade de classe em benefício
próprio, diretamente ou através de outra pessoa;
III - denunciar aos órgãos competentes as irregularidades no exercício da profissão ou
na administração das entidades de classe de que tomar conhecimento;
IV - auxiliar a fiscalização do exercício Profissional;
V - zelar pelo cumprimento deste Código;
VI - não formular, junto a beneficiários e estranhos, mau juízo das entidades de classe
ou de Profissionais não presentes, nem atribuir seus erros ou as dificuldades que
encontrar no exercício da Profissão à incompetência e desacertos daqueles;
VII - acatar as deliberações emanadas do Sistema CONFEF/CREFs;
VIII - manter-se em dia com as obrigações legais e pecuniárias relativas ao exercício
profissional estabelecidas pelo Conselho Regional de Educação Física – CREF no qual
tenha registro.

CAPÍTULO IV
Dos Direitos e Benefícios

Art. 10 - São direitos do Profissional de Educação Física:


I - exercer a Profissão sem ser discriminado por questões de religião, raça, sexo, idade,
opinião política, cor, orientação sexual ou de qualquer outra natureza;
II - recorrer ao Conselho Regional de Educação Física, quando impedido de cumprir a
lei ou este Código, no exercício da profissão;
III - requerer desagravo público ao Conselho Regional de Educação Física sempre que
se sentir atingido em sua dignidade profissional;
IV - recusar a adoção de medida ou o exercício de atividade profissional contrários aos
ditames de sua consciência ética, ainda que permitidos por lei;
V - participar de movimentos de defesa da dignidade profissional, principalmente na
busca de aprimoramento técnico, científico e ético;
VI - apontar falhas e/ou irregularidades nos regulamentos e normas, formalmente, por
escrito, aos gestores de eventos e de instituições que oferecem serviços no campo da
Educação Física quando os julgar tecnicamente incompatíveis com a dignidade da
profissão e com este Código ou prejudiciais aos beneficiários;
VII - receber salários ou honorários pelo seu trabalho profissional.

Parágrafo Único - As falhas e/ou irregularidades apontadas de acordo com o inciso VI


deste artigo, quando não atendidas, deverão ser transformadas em denúncia que será
formulada ao CREF, por escrito.
Art. 11 - As condições para a prestação de serviços do Profissional de Educação Física
serão definidas previamente à execução, de preferência, por meio de contrato escrito
e, com pertinência na legislação vigente, sua remuneração será estabelecida em
função dos seguintes aspectos:
I - a relevância, o vulto, a complexidade e a dificuldade do serviço a ser prestado;
II - o tempo que será consumido na prestação do serviço;
III - a possibilidade do Profissional ficar impedido ou proibido de prestar outros
serviços no mesmo período;
IV - o fato de se tratar de serviço eventual, temporário ou permanente;
V - a necessidade de locomoção na própria cidade ou para outras cidades do Estado ou
do País;
VI - a competência e o renome do Profissional;
VII - os equipamentos e instalações necessários à prestação do serviço;
VIII - a oferta de trabalho no mercado onde estiver inserido;
IX - os valores médios praticados pelo mercado em trabalhos semelhantes.

§ 1º - O Profissional de Educação Física poderá transferir a prestação dos serviços a seu


encargo a outro Profissional de Educação Física, com a anuência do beneficiário.

§ 2º - É vedado ao Profissional de Educação Física oferecer ou disputar serviços


profissionais mediante aviltamento de honorários ou concorrência desleal.

CAPÍTULO V
Das Infrações e Penalidades

Art. 12 - O descumprimento do disposto neste Código constitui infração ética, ficando


o infrator sujeito a uma das seguintes penalidades, a ser aplicada conforme a
gravidade da infração:
I - advertência escrita, com ou sem aplicação de multa;
II - censura pública;
III - suspensão do exercício da Profissão;
IV - cancelamento do registro profissional e divulgação do fato.

Art. 13 - Incorre em infração ética o Profissional que tiver conhecimento de


transgressão deste Código e omitir-se de denunciá-la ao respectivo Conselho Regional
de Educação Física.

Art. 14 – As Comissões de Ética, as Juntas de Instrução e Julgamento, os Tribunais


Regionais de Ética e o Tribunal Superior de Ética são órgãos do Sistema CONFEF/CREFs
com suas áreas de abrangência e competências elencadas no Código Processual de
Ética do Sistema CONFEF/CREFs.

Parágrafo Único - O documento mencionado no caput deste artigo corresponde ao


ordenamento adjetivo no que respeita a materialidade do fenômeno ético no âmbito
do exercício profissional da Educação Física e, garante os princípios norteadores da
justiça alicerçados no devido processo legal, na ampla defesa, no contraditório e, no
duplo grau de jurisdição.

CAPÍTULO VI
Disposições Finais

Art. 15 - O registro no Sistema CONFEF/CREFs implica, por parte dos Profissionais de


Educação Física, total aceitação e submissão às normas e princípios contidos neste
Código.

Art. 16 - Com vistas ao contínuo aperfeiçoamento deste Código, serão desenvolvidos


procedimentos metódicos e sistematizados que possibilitem a reavaliação constante
dos comandos nele contidos.

Art. 17 - Os casos omissos serão analisados e deliberados pelo Conselho Federal de


Educação Física.
Publicada no DOU nº 221 de 19 de novembro de 2015 – Seção 1 – fls. 129 e
130