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PROTEÇÃO AO MEIO

AMBIENTE OCUPACIONAL
TRATAMENTO E DESTINAÇÃO DE RESÍDUOS
PROF.A NATÁLIA CAVALINI PAGANINI
Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira
REITOR

Reitor:
Prof. Me. Ricardo Benedito de
Oliveira
Pró-reitor:
Prof. Me. Ney Stival
Gestão Educacional:
Prezado (a) Acadêmico (a), bem-vindo Prof.a Ma. Daniela Ferreira Correa
(a) à UNINGÁ – Centro Universitário Ingá.
PRODUÇÃO DE MATERIAIS
Primeiramente, deixo uma frase de Só-
crates para reflexão: “a vida sem desafios não Diagramação:
vale a pena ser vivida.” Alan Michel Bariani
Thiago Bruno Peraro
Cada um de nós tem uma grande res-
ponsabilidade sobre as escolhas que fazemos, Revisão Textual:
e essas nos guiarão por toda a vida acadêmica Felipe Veiga da Fonseca
e profissional, refletindo diretamente em nossa Letícia Toniete Izeppe Bisconcim
vida pessoal e em nossas relações com a socie- Luana Ramos Rocha
dade. Hoje em dia, essa sociedade é exigente
e busca por tecnologia, informação e conheci- Produção Audiovisual:
mento advindos de profissionais que possuam Eudes Wilter Pitta Paião
novas habilidades para liderança e sobrevivên- Márcio Alexandre Júnior Lara
cia no mercado de trabalho. Marcus Vinicius Pellegrini
Osmar da Conceição Calisto
De fato, a tecnologia e a comunicação
têm nos aproximado cada vez mais de pessoas,
Gestão de Produção:
diminuindo distâncias, rompendo fronteiras e
Kamila Ayumi Costa Yoshimura
nos proporcionando momentos inesquecíveis.
Assim, a UNINGÁ se dispõe, através do Ensino
Fotos:
a Distância, a proporcionar um ensino de quali-
Shutterstock
dade, capaz de formar cidadãos integrantes de
uma sociedade justa, preparados para o mer-
cado de trabalho, como planejadores e líderes
atuantes.

Que esta nova caminhada lhes traga


muita experiência, conhecimento e sucesso.

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UNIDADE ENSINO A DISTÂNCIA

01
DISCIPLINA:
PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE OCUPACIONAL -
TRATAMENTO E DESTINAÇÃO DE RESÍDUOS

CONCEITOS DO MEIO AMBIENTE E OS


PROGRAMAS DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL
PROF.A NATÁLIA CAVALINI PAGANINI

SUMÁRIO DA UNIDADE

INTRODUÇÃO..............................................................................................................................................................5
1 - CONCEITUAÇÃO E PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE.................................................................................6
1.1. AS QUESTÕES AMBIENTAIS NO BRASIL.......................................................................................................... 7
2 - O SURGIMENTO DOS ESTUDOS DE PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE.......................................................... 10
3 - ESTUDOS DE PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE COMO FORMA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL.............. 12
3.1. AIA - AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL .................................................................................................. 12
3.2. ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL (EIA) E RELATÓRIO DE IMPACTO AMBIENTAL (RIMA) ................... 13
3.3. PROJETO BÁSICO AMBIENTAL-PBA................................................................................................................ 14
3.4. PLANO DE CONTROLE AMBIENTAL - PCA...................................................................................................... 14
3.5. PLANO DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS - PRAD ..................................................................... 15
3.6. RELATÓRIO DE CONTROLE AMBIENTAL - RCA ............................................................................................. 15
3.7. ANÁLISE DE RISCO............................................................................................................................................ 15

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3.8. RELATÓRIO AMBIENTAL SIMPLIFICADO - RAS............................................................................................. 15
3.9. TERMO DE REFERÊNCIA - TR ......................................................................................................................... 16
4 - O LICENCIAMENTO AMBIENTAL COMO UM ESTUDO DE PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE .................... 17
5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................................................................... 19

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INTRODUÇÃO
O meio ambiente pode ter diversos conceitos, que são identificados pelos componentes
que fazem parte dele. É o meio ambiente o responsável por oferecer aos seres vivos condições
essenciais de sobrevivência e evolução. No meio ambiente estão envolvidos elementos vivos e não
vivos que existem no planeta Terra, ou em alguma região dele, e que afetam outros ecossistemas
existentes, e a vida dos seres humanos.

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De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o meio ambiente é o conjunto
de elementos físicos, químicos, biológicos e sociais que podem causar efeitos diretos ou indiretos
sobre os seres vivos e as atividades humanas.
O meio ambiente é a reunião das unidades ecológicas que funcionam num processo
natural. Essas unidades são: a vegetação, animais, micro-organismos, solo, rochas e a atmosfera.
Também fazem parte do meio ambiente os recursos naturais, como a água e o ar, e os fenômenos
físicos do clima, como energia, radiação, descarga elétrica e magnetismo.
A interação do homem com o meio ambiente evoluiu ao longo dos milhares de anos e
começou a ser desenhada de maneira natural ainda na pré-história. O homem era parte integrante
da natureza. Nômade, caçador e coletor. Não possuía conhecimento para transformar o ambiente
onde vivia (ALBANUS; ZOUVI, 2012).
A sociedade humana não se sustenta sem um clima ameno, água potável, ar puro, e solo
fértil para produzir sua alimentação. Não existe economia sem um meio ambiente estável.
Ao longo dos anos as questões voltadas ao meio ambiente têm ganhado atenção. As
variações de clima, que se intensificam de forma rápida, os desastres ambientais, e os níveis cada
vez mais altos de poluição são temas comuns nos jornais e meios de comunicação. Cada vez mais
é possível sentir as mudanças da natureza.
Muitos são os estudos que apontam que as modificações ambientais provocadas pela
ação antrópica, alterando significativamente os ambientes naturais, poluindo o meio ambiente,
esgotando recursos naturais, aumentam os riscos de exposição a doenças e atuam de forma
negativa na qualidade de vida da população.
As mudanças ambientais que vêm ocorrendo ao longo dos séculos XIX e XX, oriundas
do processo de ocupação dos espaços e da intensa urbanização, que ocorrem em escala global,
revelam taxas incompatíveis da capacidade de suporte do meio ambiente.

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1 - CONCEITUAÇÃO E PRESERVAÇÃO DO
MEIO AMBIENTE
A ideia de ambiente é uma interpretação que pode aparecer em diferentes versões,
variando de acordo com o lugar e tempo – ou, mais notadamente, de acordo com a civilização
e a época. Os antigos povos gregos, por exemplo, compreendiam meio ambiente de uma forma
holística e orgânica: homem e natureza eram duas ideias complementares, na verdade indistintas.
O meio ambiente era visto como um todo no qual cada uma das partes (inclusive o

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homem) se articulava com as demais. A concepção moderna, por outro lado, distingue o meio
ambiente natural do meio ambiente não natural ou humano. A natureza é pensada como algo
externo ao homem, portanto separada dele e dos assuntos humanos (TILIO NETO, 2010).
Analisando a concepção moderna de distinção entre homem e natureza torna possível
pensar em dois tipos de ambiente: o natural e o produzido. O primeiro é o ambiente que resulta
dos processos internos da natureza, físicos e químicos, nos quais a presença do homem não
interfere diretamente. Já o segundo é aquele ocupado pela ação humana, que necessariamente
altera o ambiente natural (TILIO NETO, 2010).
Dividindo os principais ambientes, o qual chamamos produzido, iremos encontrar o
ambiente urbano e o rural, e seu modo de produção atualmente predominante, o capitalismo. Essa
forma moderna de organizar as ideias (e, por conseguinte, de interpretar o mundo) possibilita
que a natureza seja vista como um recurso à disposição do homem.
Assim, Caldas (2015) traz que meio ambiente é a circunvizinhança onde uma empresa
opera, incluindo ar, água, solo, recursos naturais, flora, fauna, seres humanos e suas interações,
ou seja, é o ambiente sobre o qual as atividades de uma empresa geram impactos e consomem
recursos naturais.
Desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que atende às necessidades do presente,
sem comprometer o atendimento às necessidades das futuras gerações.
Recurso natural é qualquer tipo de recurso disponível do meio ambiente que pode ser
utilizado pelo ser humano. Existem dois tipos de recursos naturais:

• Renováveis – são os recursos que, depois de serem usados pelo ser humano, podem ser
recolocados na natureza. Exemplos: árvores, vegetais, entre outros.

• Não renováveis – recursos que não podem ser recolocados na natureza após sua
utilização pelo ser humano e, portanto, devem ser usados com cautela. Exemplos:
minerais, petróleo, entre outros.

Aspecto ambiental é o que a empresa faz e que pode ter algum tipo de interação com o
meio ambiente, e essa interação pode ser adversa ou benéfica. Nesse momento, a empresa precisa
considerar as interações com o meio ambiente em relação aos seus produtos e serviços, bem
como as atividades decorrentes para realizá-los.
Impacto Ambiental, é o resultado da interação da empresa com o meio ambiente, ou seja,
o resultado do aspecto ambiental. Trata-se de qualquer modificação do meio ambiente, adversa
ou benéfica, resultante da manifestação do aspecto ambiental.

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O planeta terra é constituído por complexas relações – algumas ocorrem a todo momento,
outras demandam um tempo que nem é possível estimar. Todas essas relações foram responsáveis
por moldar a forma como os seres vivos estão atualmente organizados e distribuídos. A
interdependência entre meio ambiente e seres vivos é tamanha que ora vemos espécies reduzirem
a população por falta de recursos naturais e, em outros momentos, paisagens sendo modificadas
pelo medo de vida dos organismos. Dessa forma, não há como compreender os seres vivos sem
entender os fluxos de matéria e energia do ambiente, assim como não é possível compreender o
meio ambiente sem a ação das espécies na modificação das paisagens e a respectiva influência na
disponibilidade de alimentos.

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1.1. As Questões Ambientais no Brasil
Foi em 1822 que o Brasil conquistou a independência, não somente o Brasil, como grande
parte dos países das Américas se desgarraram de suas metrópoles. Todavia não foi nessa época
que o colonialismo foi extinto, ainda no final do século XIX, o sistema retornou com outro nome:
neocolonialismo. Isso aconteceu, porque depois da Revolução Industrial, os países da Europa
precisavam encontrar lugares de onde pudessem retirar matéria-prima barata para industrializar
(CURI, 2013).
Foi nessa época que países da Ásia e África se tornaram colônias de nações europeias,
como é o caso de Tailândia e Moçambique, por exemplo. Preservação Ambiental estava longe
de ser uma preocupação dos colonizadores. O objetivo deles era explorar e retirar todo tipo de
riqueza que a natureza pudesse oferecer (CURI, 2013).
No Brasil, as questões ambientais começaram a ser abordadas a partir da década de 1930,
com a emissão dos primeiros documentos legais ambientais: o Decreto n. 1713 (que criou o Parque
Nacionais de Itatiaia, no Rio de Janeiro) e o Decreto-Lei n. 25 (que estabeleceu o Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional). (CALDAS, 2015)

Figura 1 - Monumento localizado na entrada do Parque Nacional de Itatiaia. Fonte: ICMBIO (2018).

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No ano de 1973 foi criada a Secretaria Especial do Meio Ambiente (Sema), e sua primeira
contribuição se deu em 1975, com a criação do Sistema de Licenciamento de Atividades Poluidoras
(Slap). Com isso, o governo poderia requisitar o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) das
empresas com atividades potencialmente poluidoras.
A avaliação dos impactos ambientais foi alçada à esfera federal em 1981 por meio da
Lei n.6.938, a qual estabeleceu a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) e deu origem ao
Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama). Daí surgiu também o Conselho Nacional do
Meio Ambiente (Conama), um colegiado que representa órgãos federais, estaduais e municipais,
sociedade civil e setor empresarial. Entre suas atribuições, o Conama estabelece normas, critérios
e padrões relacionados ao controle da qualidade do meio ambiente (CALDAS, 2015).

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A legislação ambiental brasileira ganhou maior ímpeto com a nova Constituição da
República Federativa do Brasil, em 1988, na qual foi dedicado um capítulo para as questões
ambientais. Obviamente, para cumprir as medidas ambientais definidas ao longo da história, os
países precisariam envolver a sociedade e as empresas.
É evidente que se as nações pudessem desfrutar de um crescimento econômico
sustentável, capaz de perdurar indefinidamente ao longo do tempo, estariam todos voando em
céu de brigadeiro, e boa parte da população estaria desfrutando de uma qualidade de vida quase
impensável. Entretanto, como a história e a realidade nos têm mostrado, não é bem isso o que
acontece (BARDINI, 2015).
De fato, além dos entraves advindos de questões como distribuição de riquezas, das relações
desiguais entre capital e trabalho, das disputas políticas pelo poder, há um ponto primordial que é
parte integrante de qualquer pensamento que se ocupe com os desenvolvimentistas da economia:
os recursos naturais.
Esta é uma percepção real. Pois, se o mundo todo clama por progresso material e se, com
algumas exceções, todos entendem que o aumento do consumo é a condição geral para a nossa
satisfação, temos que pensar em aumento da produção de bens. É um raciocínio lógico e até certo
ponto simplista, ao qual o senso comum chegaria.

A Pirâmide de Necessidades
O psicólogo americano Abraham H. Maslow, na década de 50, desenvolveu a Pirâ-
mide de necessidades, ou também conhecida como Pirâmide de Maslow. A teoria
se baseia na ideia de que cada ser humano precisa satisfazer suas necessidades.
É um esquema que apresenta uma divisão hierárquica em que as necessidades
consideradas de nível mais baixo devem ser satisfeitas antes das necessidades
de nível mais alto. Segundo a pirâmide, cada indivíduo tem de realizar uma “esca-
lada” hierárquica de necessidades para atingir a sua plena autorrealização.
Ao observar os níveis da pirâmide é fácil perceber que o primeiro patamar, ou seja,
as primeiras necessidades a serem satisfeitas são necessidade fisiológicas. Ne-
cessidades como: saciedade da sede e da fome, o processo de respiração, sono,
digestão, entre outros, estão diretamente ligados ao meio ambiente e aos recur-
sos que buscamos no mesmo, essenciais a nossa sobrevivência.

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Figura 2 - Pirâmide de Maslow. Fonte: Marcus Marque (2016).

Um alto padrão de consumo e necessidades requer aumento da utilização de recursos


naturais, e na medida que se percebe a deterioração evidente do meio ambiente, isso passa a ser
um problema e o provável principal entrave ao crescimento econômico.
Vários pensadores da teoria econômica abordaram aspectos dos recursos naturais
relacionados à capacidade de produção. Karl Marx fez a analise de que a destruição do meio
ambiente é uma das razões para que o sistema capitalista não se sustente. A partir da década
de 1960, as consequências da exploração do meio ambiente começaram a surgir de forma mais
incisiva. Nessa época o crescimento da consciência ecológica foi manifestado por alguns grupos
da sociedade.
Nesse período, boa parte dos economistas entendiam o crescimento econômico como
uma alternativa viável, o ambientalismo começou a ser discutido e várias ideias sobre uma
economia viável começaram a aparecer.
Daí em diante, a preocupação e o temor com a destruição do meio ambiente ganharam
espaço na mídia mundial, e passaram a fazer parte das discussões entre especialistas de diferentes
áreas do conhecimento a respeito do que passou a se chamar de desenvolvimento sustentável.

Tragédia dos comuns


Era uma vez um grupo de pastores que dividia uma mesma terra para cuidar de
seus rebanhos. Para que não houvesse confusão, eles chegaram a um acordo
sobre quantidade máxima de animais que cada um deles poderia ter. Se não extra-
polassem esse número, os pastores, seus filhos e netos, poderiam alimentar seus
animais para sempre naquela região. Entretanto um desses pastores era ganan-
cioso e resolveu quebrar o trato. Ele pensou da seguinte forma: “Ah, não vai fazer
muita diferença se eu acrescentar só um animal ao meu rebanho”. O problema é
que ele não foi o único que pensou assim.

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Todos os pastores achavam que os outros cumpririam o combinado. Adivinha o


que aconteceu? O problema da superlotação esgotou os recursos da terra – era
animal demais para pouco capim. No fim, todos os pastores não tinham mais o
que dar de comer a seus animais.
Como todo uso em excesso de algo finito conduz inexoravelmente ao seu esgota-
mento, todos os criadores de ovelhas, todos os pescadores e todos os moradores
do prédio em que a água não é individualizada - mesmo àqueles que não fizeram
uso excessivo do bem comum -, acabarão perdendo, com o esgotamento dos re-
cursos.

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2 - O SURGIMENTO DOS ESTUDOS DE
PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE
Na década de 70, a atuação pública federal e estadual no controle de proteção ao meio
ambiente possuía caráter corretivo, com sua abrangência restrito aos grandes centros urbanizados
e industriais, com exceção dos investimentos federais na criação de espaços protegidos como
estações ecológicas e áreas de interesse turístico. Mundialmente surgiam novas ideias sobre meio
ambiente, desenvolvimento e planejamento, e então a partir daí a política interna brasileira na
questão ambiental assume, a partir de então, uma condição mais preventiva.
No estado de São Paulo, a Lei nº 898 de dezembro de 1975 foi destaque – disciplinou
o uso do solo para a proteção de mananciais, cursos e reservatórios de água - e a Lei nº 1172
de 17 de novembro de 1976 – delimitou as áreas de proteção relativas aos mananciais, cursos e
reservatórios de água protegidos pela Lei 898/75. Infelizmente, mesmo criando leis mais duras
para atuar preventivamente, o estado de São Paulo teve vários de seus mananciais de água
degradados.
Associadamente, foram tomadas iniciativas para separar áreas residenciais de áreas que
deveriam ser destinadas à ocupação por indústrias. Nesse sentido, foram publicadas leis estaduais
contendo diretrizes para o zoneamento e a localização de indústrias na região metropolitana de
São Paulo para harmonizar o desenvolvimento industrial com a melhoria de condição de vida da
população e com a preservação do meio ambiente.
Com a edição da Lei Federal nº 6766/79, denominada Lei de Parcelamento do Solo
Urbano e, na instância estadual de São Paulo, por meio da Lei nº 6.803 de 02 de julho de 1980,
que fixou diretrizes para o zoneamento industrial nas áreas críticas de poluição, e na qual aparece
a primeira menção formal à avaliação de impacto ambiental no Brasil, mantendo a atuação, de
caráter mais preventivo relativo planejamento territorial.
As críticas feitas ao planejamento territorial, da forma em que era desenvolvido,
mostraram que existiam diversos problemas comuns à política anterior, que tinha foco apenas
no controle, reativo, da poluição industrial. Esses problemas eram basicamente:

◆ A aplicação da restrição de porções afetava somente algumas áreas restritas do território


(apenas zonas urbanas).

◆ Não existiam instrumentos para garantir a participação pública na formulação dos


planos de uso do solo.

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◆ O controle ambiental ficava apenas sobre projetos da iniciativa privada, de modo que as
grandes obras de infraestrutura do governo desenvolviam-se sem a sistemática do controle
ambiental (apesar dos Estudos de Avaliação Ambiental- EAAs, exigidos pelo Banco
Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento - BIRD e Banco Interamericano
de Desenvolvimento - BID nos financiamentos de projetos como: as usinas hidrelétricas
de Sobradinho, na Bahia, e de Tucuruí, no Pará; e o terminal porto-ferroviário Ponta da
Madeira, no Maranhão, ponto de exportação do minério extraído pela Companhia do
Vale do Rio Doce (CVRD), na Serra do Carajás).

O Brasil não possuía legislação própria voltada aos estudos de proteção do meio ambiente,

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então os documentos que passaram a ser elaborados seguiam os padrões das normas das agências
internacionais.
Em 31 de agosto de 1981, foi promulgada a Lei nº 6938, que estabeleceu a Política Nacional
de Meio Ambiente, trazendo diversas diretrizes, entre elas:

• Instituiu a Avaliação do Impacto Ambiental e o Licenciamento Ambiental como


instrumentos de execução da Política Nacional de Meio Ambiente, em nível federal.

• Criou o Sistema Nacional de Meio Ambiente, o SISNAMA, uma estrutura político-


administrativa composta por um conjunto articulado de órgãos, entidades, regras e práticas
responsáveis pela proteção e melhoria da qualidade ambiental.

• Criou o Conselho Nacional do Meio Ambiente, o CONAMA, órgão colegiado de caráter


deliberativo e consultivo que, entre outras responsabilidades, delibera sobre normas e padrões para
um ambiente ecologicamente equilibrado e essencial à sadia qualidade de vida. O CONAMA
constitui-se num mecanismo formal de participação da sociedade e de cooperação entre governo e
sociedade, propiciando o debate de temas ambientais relevantes entre representantes da União, dos
estados e municípios, da iniciativa privada e de organizações da sociedade civil.

• Instituiu o princípio da responsabilidade objetiva do poluidor (independentemente de


haver ou não culpa, o poluidor identificado obriga-se a reparar o dano causado ao meio ambiente).

• Incluiu as iniciativas governamentais (as que cabiam) no rol das atividades que deviam
se submeter aos princípios da legislação ambiental. A Constituição Federal, promulgada em 05 de
outubro de 1988, assumiu a relevância da questão ambiental no País, dedicando ao meio ambiente
o Capítulo VI, Art. 225, que define os direitos e deveres do Poder Público e da coletividade em
relação à conservação do meio ambiente como bem de uso comum. No Parágrafo 1º, Inciso IV do
Art. 225, a avaliação de impacto ambiental foi recepcionada pela Constituição Federal, devendo
assim ser exigida pelo Poder Público (como “estudo prévio de impacto ambiental”), para instalação
de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente.

A Lei Nº 6766/79 - Parcelamento do Solo Urbano consolidou o papel da Avaliação de


Impacto Ambiental como o instrumento de execução da Política Nacional de Meio Ambiente,
para a coleta e organização de dados, e como procedimento para considerar os efeitos de projetos
de desenvolvimento sobre a qualidade ambiental e a produtividade dos recursos naturais, em
associação ao licenciamento das atividades utilizadoras dos recursos ambientais, consideradas
efetiva ou potencialmente poluidoras, resguardando o caráter prévio da avaliação e vinculando-a
ao processo decisório.

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3 - ESTUDOS DE PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE


COMO FORMA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL
Os Estudos Ambientais são todos e quaisquer estudos que objetivem avaliar aspectos
ambientais quanto à: localização, instalação, operação e ampliação de uma atividade ou
empreendimento, apresentado como recurso para a análise da licença requerida, tais como:
relatórios ambientais, plano e projeto de controle ambiental, relatório ambiental preliminar,
diagnóstico ambiental, plano de manejo, plano de recuperação de área degradada e análise

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preliminar de riscos.
Após a verificação dos órgãos ambientais competentes, sobre o potencial poluidor da
atividade ou empreendimento, e o nível de que o mesmo tem de degradação ao meio ambiente,
serão definidos os estudos ambientais pertinentes. Vale ressaltar que todos os estudos e programas
desenvolvidos devem ser realizados por profissionais legalmente habilitados.
Seguem os principais programas e estudos a serem realizados para a proteção do meio
ambiente:

3.1. AIA - Avaliação de Impacto Ambiental


A Avaliação de Impacto Ambiental foi vinculada ao processo de licenciamento ambiental
por meio da resolução CONAMA nº 001/86, que estabelece os critérios básicos e as diretrizes
gerais para uso e implementação de avaliação de impactos ambientais, e determina:

➢ O conceito de impacto ambiental.


➢ A subordinação da elaboração do EIA/RIMA ao sistema de Licenciamento Ambiental
de atividades modificadoras do meio ambiente.
➢ Uma listagem, em caráter indicativo, de tipologias de atividades e empreendimento,
que dependerão da elaboração do EIA/RIMA para obtenção de licença ambiental,
especificando para algumas um valor ou limite de referência do porte ou capacidade
produtiva.
➢ A definição do escopo mínimo dos fatores e componentes ambientais que devem
constar no desenvolvimento de EIA/RIMA exigidos.

A elaboração dos Estudos de Impactos Ambientais consiste no desenvolvimento dos


procedimentos referentes à sistemática de avaliação de impactos ambientais. As avaliações de
impactos ambientais são, segundo Bolea (1984, p. 32): “estudos realizados para identificar, prever
e interpretar, assim como prevenir, as consequências ou efeitos ambientais que determinadas
ações, planos, programas ou projetos podem causar à saúde, ao bem-estar humano e ao entorno”.
Estes estudos incluem alternativas à ação ou projeto e pressupõem a participação do público,
representando não um instrumento de decisão em si, mas um instrumento de conhecimento a
serviço da decisão. A avaliação de impacto ambiental deve ser uma atividade contínua, antes e
posterior à tomada de decisões, procedendo-se a sua revisão e atualização periodicamente, após
o pleno funcionamento do projeto ou atividade. 1 Art. 1º, Resolução CONAMA nº 237/97. 2 Art.
3º, Resolução CONAMA nº 237/97.

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3.2. Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Im-


pacto Ambiental (RIMA)
O EIA é um documento de natureza técnica, que tem como finalidade avaliar os impactos
ambientais gerados por atividades e/ou empreendimentos potencialmente poluidores ou que
possam causar degradação ambiental. Deverá contemplar a proposição de medidas mitigadoras
e de controle ambiental, garantindo, assim, o uso sustentável dos recursos naturais. O estudo de
impacto ambiental deverá abordar, no mínimo, os seguintes aspectos:

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➢ Diagnóstico ambiental da área de importância do projeto, contendo descrição dos
recursos ambientais e suas interações, caracterizando as condições ambientais antes da
implantação do projeto. Este diagnóstico deverá contemplar os meios físico, biótico e
socioeconômico.

➢ Análise dos impactos ambientais do projeto e de suas intercorrências, por meio de


identificação, previsão da magnitude e interpretação da importância dos prováveis
impactos relevantes (diretos e indiretos; imediatos e a médio e longo prazos; temporários
e permanentes; seu grau de reversibilidade; a distribuição dos ônus e benefícios sociais).

➢ Medidas mitigadoras - são aquelas destinadas a corrigir impactos negativos ou a reduzir


sua magnitude. Identificados os impactos, deve-se pesquisar quais os mecanismos capazes
de reduzi-los ou anulá-los.

➢ Programas de acompanhamento e monitoramento, estabelecidos ainda durante o EIA,


de modo que se possam comparar, durante a implantação e operação da atividade, os
impactos previstos com os que efetivamente ocorreram.

De acordo com o Programa Nacional de Capacitação de Gestores Ambientais, realizado


pelo Ministério do Meio Ambiente em Brasília no ano de 2009, foram apresentadas as definições
a seguir referente ao Relatório de Impacto Ambiental.

O Relatório de Impacto Ambiental - RIMA deve refletir as conclusões do EIA e


tem como objetivo informar à sociedade sobre os impactos, medidas mitigadoras
e programas de monitoramento do empreendimento ou atividade. Para que esse
objetivo seja atendido, o RIMA deve ser apresentado de forma objetiva e de fácil
compreensão. As informações devem ser apresentadas em linguagem acessível,
acompanhadas de mapas, quadros, gráficos etc., de modo a que as vantagens e
desvantagens do projeto, bem como todas as consequências ambientais de sua
implantação, fiquem claras.
O RIMA deve apresentar, no mínimo, as seguintes informações:
➢ Objetivos e justificativas do projeto, sua relação e compatibilidade com as
políticas setoriais, planos e programas governamentais;
➢ Descrição do projeto, apresentando suas alternativas locacionais e tecnológicas
e especificando, para cada uma delas, nas fases de construção e operação, a área
de influência, a matéria-prima e mão-de-obra, as fontes de energia, processos
e técnicas operacionais, prováveis efluentes, emissões, resíduos e a oferta de
empregos diretos e indiretos;
➢ Listagem sintética dos resultados do diagnóstico ambiental da área de
influência do projeto;

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➢ Descrição dos prováveis impactos nas suas diferentes fases de desenvolvimento


(implantação e operação) e suas características;
➢ Cenário futuro da qualidade ambiental na área de influência do
empreendimento, comparando as diferentes situações da adoção do projeto e de
suas alternativas, bem como a hipótese de sua não realização;
➢ Descrição dos efeitos esperados após as medidas mitigadoras, identificando os
impactos não corrigíveis e o grau de alteração esperado;
Programa de acompanhamento e monitoramento dos impactos negativos.
➢ O Ministério do Meio ambiente desenvolveu o esquema abaixo para
exemplificar as etapas para elaboração dos estudos ambientais” (BRASIL, 2009a).

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Figura 3 - Etapas para elaboração dos estudos ambientais. Fonte: Brasil (2009a).

3.3. Projeto Básico Ambiental-PBA


Ainda de acordo com o Programa Nacional de Capacitação de gestores ambientais, foram
abordas as definições a seguir referente a projetos, planos, relatórios e análises ambientais.

O Projeto Básico Ambiental - PBA é determinado pela Resolução CONAMA nº


006, de 16/09/87, e deverá apresentar um detalhamento de todos os programas e
projetos ambientais previstos, ou seja, aqueles provenientes do EIA/RIMA, bem
como os considerados pertinentes pelo órgão licenciador. Constitui-se em um
dos documentos-base para a obtenção da Licença de Instalação-LI. Embora tenha
sido concebido para empreendimentos do setor de energia, alguns órgãos têm
solicitado a apresentação do PBA para os diversos tipos de empreendimentos”
(BRASIL, 2009a).

3.4. Plano de Controle Ambiental - PCA


O plano de Controle Ambiental - PCA é exigido pela Resolução CONAMA nº
009/90 para a concessão da Licença de Instalação - LI de atividade de extração
mineral de todas as classes. O PCA é uma exigência adicional ao EIA/RIMA,
apresentado na fase anterior à concessão da Licença Prévia. No entanto, o Plano
de Controle Ambiental tem sido exigido, também, para o licenciamento de
outros tipos de atividades (BRASIL, 2009a).

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3.5. Plano de Recuperação de Áreas Degradadas - PRAD


O Plano de Recuperação de Áreas Degradadas – PRAD foi concebido
para a recomposição de áreas degradadas pela atividade de exploração de
recursos minerais. No entanto, tem sido utilizado para os diversos tipos de
empreendimentos, e geralmente, é previsto no escopo dos Estudos Ambientais.
Recuperação deverá ter por objetivo o retorno do sítio degradado a uma forma
de utilização, de acordo com o plano preestabelecido para o uso ou capacidade
produtiva dos recursos ambientais (BRASIL, 2009a).

3.6. Relatório de Controle Ambiental - RCA

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O Relatório de Controle Ambiental - RCA é exigido pela Resolução CONAMA
nº 010/90, na hipótese de dispensa do EIA/RIMA para a obtenção da Licença
Prévia- LP de atividades de extração mineral da classe II. Deve ser elaborado
de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo órgão ambiental competente.
O RCA tem sido exigido por alguns órgãos de meio ambiente também para o
licenciamento de outros tipos de atividade (BRASIL, 2009a).

3.7. Análise de Risco


Análise de Risco consiste em uma metodologia para analisar as possíveis
consequências negativas para a sociedade de atividades humanas ou das
forças da natureza. A análise de riscos subsidia a “Gestão de Riscos”, que é um
processo de avaliação; manutenção de medidas preventivas, de modo a manter
a probabilidade de ocorrências de consequências negativas tão baixa quanto
possível; e de tomada de decisão.
Além disso, pertencem igualmente ao campo da gestão de riscos o planejamento
das situações de emergência e a manutenção de um grau de prontidão para
reagir nessas situações. Para tomar suas decisões, o gestor de riscos, seja um
responsável político governamental ou um diretor de uma instalação industrial,
utiliza todas as informações disponíveis resultantes dos estudos de impacto
ambiental e de avaliações de riscos. De uma maneira geral, a Análise de Riscos
tem por objetivo responder às seguintes perguntas relativas a uma determinada
atividade ou empreendimento:
O que pode acontecer de errado?
Com que frequência isto pode acontecer?
Quais são os efeitos e as consequências?
É necessário reduzir os riscos, e de que modo isto pode ser feito? (BRASIL, 2009a).

3.8. Relatório Ambiental Simplificado - RAS


São estudos relativos aos aspectos ambientais relacionados à localização,
instalação e operação de novos empreendimentos habitacionais, incluindo as
atividades de infraestrutura de saneamento básico, viária e energia, apresentados
como subsídio para a concessão da licença requerida, que conterá, dentre outras,
as informações relativas ao diagnóstico ambiental da região de inserção do
empreendimento, sua caracterização, a identificação dos impactos ambientais
e das medidas de controle, de mitigação e de compensação (BRASIL, 2009a).

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3.9. Termo de Referência - TR


Todos esses estudos e outros aqui não mencionados são aplicáveis a vários tipos
de atividades e empreendimentos e, por esse motivo, o órgão ambiental elabora
um Termo de Referência - TR, que orienta a elaboração do estudo específico de
cada empreendimento, de acordo com suas especificidades e o local proposto
para sua implantação. Portanto, o Termo de Referência é o instrumento
orientador da elaboração de qualquer tipo de estudo ambiental (EIA/RIMA,
PCA, RCA, PRAD, etc.).
Deve ser elaborado criteriosamente, utilizando-se de todas as informações
disponíveis sobre o empreendimento e sobre o local onde será implantado,

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bem como da legislação pertinente. Tem por objetivo estabelecer diretrizes,
conteúdo e abrangência do estudo exigido do empreendedor. Em alguns casos,
o órgão ambiental licenciador solicita que o empreendedor elabore o Termo de
Referência, reservando-se apenas o papel de julgá-lo e aprová-lo.
Abaixo segue um roteiro básico para elaboração dos estudos ambientais acima
citados (BRASIL, 2009a).

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Quadro 1 - Avaliação de Impacto Ambiental. Fonte: Brasil (2009a).

Anexo 1 da Resolução CONAMA nº 237/97 - Atividades ou empreendimentos


sujeitos ao licenciamento ambiental. Disponível em: <http://www2.mma.gov.br/
port/conama/res/res97/res23797.html>.

Resolução CONAMA n 001/86. Lista Exemplificativa de Empreendimentos e Ati-


vidades que dependem de EIA/RIMA. Disponível em: <http://www2.mma.gov.br/
port/conama/res/res86/res0186.html>.

4 - O LICENCIAMENTO AMBIENTAL COMO UM ESTUDO


DE PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE
O licenciamento ambiental exigido para determinadas atividades ou empreendimentos,
objetiva estabelecer mecanismos para o controle ambiental das intervenções setoriais que possam
vir a comprometer a qualidade ambiental.
Todavia sem o papel que Avaliação de Impacto Ambiental passou a exercer como
instrumento de política ambiental, é possível que o licenciamento ambiental de atividades
poluidoras talvez fosse reduzido a um simples registro de intervenções ambientais e uma
preparação para recuperar danos causados por essas intervenções, identificados os responsáveis.

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Dessa maneira, a avaliação de impactos vem como uma forma de antecipar prováveis
danos ambientais, possibilitando medidas preventivas para garantir a qualidade ambiental.
Para chegar a forma atual, o Licenciamento Ambiental passou por um processo de evolução
bastante longo, desde as simples autorizações governamentais para o exercício de atividades que
tem interferência com o meio ambiente, por exemplo, no âmbito federal, as autorizações para
desmatamento, previstas no Código Florestal, de 1965 e as autorizações para caça e pesca em
florestas remanescentes.

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Figura 4 - Etapas do processo de Licenciamento Ambiental. Fonte: JM Ecoengenharia (2017).

O processo de Licenciamento Ambiental como é hoje tornou-se obrigatório em todo


o território nacional desde 1981, com a  Lei Federal n° 6.938/81  – Política Nacional do Meio
Ambiente, prevendo os três tipos de licenças ordinárias da legislação ambiental atual, a Licença
Prévia, a Licença de Instalação e Licença de Operação.
Alguns estados criaram e revisaram legislações específicas, como é o caso do Rio de
Janeiro, foi editado o Decreto-Lei nº 134/1975, que tornou obrigatória a prévia autorização para
operação ou funcionamento de instalação ou atividades real ou potencialmente poluidoras e o
Decreto nº 1633 de 1977, que instituiu o Sistema de Licenciamento de Atividades Poluidoras,
prevendo os três tipos de licenças ordinárias da legislação ambiental atual, a Licença Prévia, a
Licença de Instalação e Licença de Operação.
O estado de São Paulo, por meio da lei Estadual nº 997 de 1976 criou o Sistema de Prevenção
e Controle da Poluição do Meio Ambiente, também com previsão de licenças para instalação
e funcionamento. Esses licenciamentos aplicavam-se a fontes de poluição, que eram atividades
basicamente industriais e certos projetos urbanos como aterros de resíduos e loteamentos.

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Com a inclusão da Avaliação de Impacto Ambiental à legislação brasileira, esses sistemas


de licenciamento preexistentes foram adaptados, principalmente, quanto ao campo de aplicação
e quanto ao tipo de análise. Foi deixado de se avaliar apenas atividades poluidoras, e a Avaliação
de Impactos Ambientais também passou a ser realizada em atividades que extraem recursos
naturais e, que eventualmente podem causar algum tipo de degradação do meio.

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Figura 5 - Aspectos a serem avaliados durante o licenciamento ambiental. Fonte: Caruso Ambiental (2019).

As causas da deterioração da qualidade ambiental tiveram seu entendimento ampliado. A


análise dos poluentes passou a abranger além das emissões dos poluentes, também os seus efeitos
sobre a biota, os impactos sociais etc. Isso representa uma evolução quanto ao entendimento
das causas da deterioração da qualidade ambiental. Ressalta-se o caráter preventivo embutido
na associação da avaliação de impactos ao licenciamento ambiental, que significou um avanço
qualitativo na questão da gestão ambiental.
O sistema de licenciamento ambiental brasileiro é instrumento fundamental para a
consolidação do uso consciente dos recursos naturais e do desenvolvimento sustentável em nosso
país.

5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
O meio ambiente deve ser compreendido como base para o alcance da efetivação dos
direitos humanos, visto que o direito à vida e ao ambiente ecologicamente em equilíbrio são
peças-chave para se ter qualidade de vida e dignidade humana.

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Os indivíduos precisam da natureza para se desenvolverem plenamente em sua condição


de vida. E é partir do desenvolvimento econômico, pautado na busca pela preservação do
meio natural, que o resultado social se torna ainda mais evidente, pois dessa relação ambiente-
economia-sociedade todos saem ganhando. Sem o meio ambiente não há vida.
As questões ambientais têm evoluído ao longo dos tempos junto com o desenvolvimento
da raça humana em nosso planeta. A escassez dos recursos naturais, devido ao uso descontrolado
e irracional, provocado pelo ritmo incessante do crescimento global faz aumentar a preocupação.
A busca sem fim pelo prazer e conforto imediato trouxeram efeitos avassaladores para o meio
ambiente, o qual se tornou a principal fonte de satisfação dos prazeres.
Atividades e estudos de preservação e conservação ambiental se fazem necessários como

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estratégia de sobrevivência. O denominado “desenvolvimento sustentável” deve conciliar a atuação
da economia com a preservação do equilíbrio ecológico. Para se alcançar o desenvolvimento
sustentável, a proteção do meio ambiente deve integrar o processo de desenvolvimento e não
pode ser considerada de forma isolada.
Buscar mecanismos de proteção para a natureza é a forma mais sensata do ser humano se
proteger. O grande desafio da atualidade é harmonizar e descobrir um ponto de equilíbrio entre
atividade econômica e utilização apropriada e coerente dos recursos naturais, preservando-os
para as gerações atuais e futuras.

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UNIDADE ENSINO A DISTÂNCIA

02
DISCIPLINA:
PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE OCUPACIONAL -
TRATAMENTO E DESTINAÇÃO DE RESÍDUOS

CRITÉRIOS E TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO E CONTROLE DE


POLUENTES, A PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE A
QUALIDADE DO AR E A PRESERVAÇÃO DO
MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DA ÁGUA
PROF.A NATÁLIA CAVALINI PAGANINI

SUMÁRIO DA UNIDADE

INTRODUÇÃO.............................................................................................................................................................23
1 - UTILIZAÇÃO DE RECURSOS NATURAIS E A .....................................................................................................24
GERAÇÃO DE POLUENTES.......................................................................................................................................24
2 - A LEI DA CONSERVAÇÃO DAS MASSAS E A POLUIÇÃO..................................................................................26
2.1. OS CICLOS BIOGEOQUÍMICOS S A SUA IMPORTÂNCIA PARA A AVALIAÇÃO E CONTROLE DE
POLUENTES.............................................................................................................................................................. 26
2.1.1. O CICLO DA ÁGUA............................................................................................................................................26
2.1.2. O CICLO DO CARBONO................................................................................................................................... 27
2.1.3. CICLO DO OXIGÊNIO.......................................................................................................................................28
2.1.4. CICLO DO NITROGÊNIO..................................................................................................................................28
3 - A PREOCUPAÇÃO COM O MEIO AMBIENTE E A QUALIDADE DO AR............................................................29

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3.1. AS FONTES DE POLUIÇÃO DO AR E OS PRINCIPAIS POLUENTES   ............................................................ 31
3.2. A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA PARA A QUALIDADE DO AR..............................................................................32
3.3. PRINCIPAIS IMPACTOS DA POLUIÇÃO DO AR E MEDIDAS BÁSICAS DE CONTROLE...............................35
4 - A PREOCUPAÇÃO COM O MEIO AMBIENTE E A QUALIDADE DA ÁGUA........................................................35
4.1. AS FONTES DE POLUIÇÃO DA ÁGUA E OS PRINCIPAIS POLUENTES..........................................................36
4.2. A CLASSIFICAÇÃO DA ÁGUA E OS PRINCIPAIS INDICADORES DE POLUIÇÃO........................................... 37
4.3. PRINCIPAIS IMPACTOS DA POLUIÇÃO DA ÁGUA E AS MEDIDAS BÁSICAS DE CONTROLE.....................38
5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................................................................39

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INTRODUÇÃO
As atividades humanas, cada dia mais intensas devido ao acentuado crescimento
populacional e ao desenvolvimento industrial, têm resultado na produção de resíduos, na
forma de energia ou de matérias sólidas, líquidas ou gasosas, os quais são lançados no ambiente,
causando a poluição.
Do ponto de vista ecológico, poluição é qualquer alteração da composição e das

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características do meio que cause perturbações nos ecossistemas, ou ainda, como uma interferência
danosa nos processos de transmissão de energia. Consiste em distúrbios ambientais, fatos ou
fenômenos desfavoráveis, que direta ou indiretamente prejudicam o meio.
A relação entre as fontes poluidoras e a atmosfera vai definir o nível de qualidade do
ar, que determina, por sua vez, o surgimento de efeitos adversos da poluição do ar sobre os
receptores, que podem ser o homem, os animais, os materiais e as plantas.
Assim como o ar, a água é um recurso natural essencial para a manutenção da vida no
planeta. As atividades antrópicas relacionadas ao descarte indevido de efluentes, uso inadequado
de substâncias químicas, extração de recursos e modificação de condições físico químicas tem
culminado para uma redução na qualidade da água, poluindo-a de diferentes maneiras e graus,
causando consequências negativas tanto para os demais componentes da biosfera quanto para a
própria sociedade humana.
Os recursos hídricos apresentem condições físicas e químicas adequadas para utilização
dos microrganismos. Eles devem conter substâncias essenciais à vida e estar isentos de outras
substancias que possam produzir efeitos prejudiciais.

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1 - UTILIZAÇÃO DE RECURSOS NATURAIS E A


GERAÇÃO DE POLUENTES

Os recursos naturais do nosso planeta diminuíram consideravelmente nas últimas


décadas. Os processos de industrialização, urbanização, agricultura e pecuária, aliados a ações
de extração desenfreada de recursos, queimadas, desmatamento, poluição da água, solo e ar,

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE OCUPACIONAL – TRATAMENTO E DESTINAÇÃO DE RESÍDUOS | UNIDADE 2


tem potencializado os impactos ambientais, afetando direta e indiretamente nosso ecossistema.
Recursos denominados não-renováveis, aqueles limitados e oferecidos apenas pelo próprio
planeta, estão desaparecendo.
Poluição é definida com a alteração indesejável nas características físicas, químicas ou
biológicas das estruturas da Terra (atmosfera, litosfera ou hidrosfera) que ocasione ou possa
ocasionar prejuízo à saúde, à sobrevivência ou às atividades dos seres humanos e outras espécies,
ou ainda danificar materiais. Em finalidade, especialmente do ponto de vista legal do controle da
poluição, acrescentamos que o conceito de poluição deve ser associado às alterações indesejáveis
provocadas pelas atividades e intervenções humanas no ambiente (BRAGA et al, 2005).
A poluição e por consequência os poluentes, são os resíduos gerados pelas atividades
humanas, causadores de alterações indesejáveis no meio, e impacto ambientais extremamente
negativo. A poluição está ligada à concentração, ou quantidade de resíduos presentes no ar, na
água ou no solo. Para que se possa exercer o controle da poluição de acordo com a legislação
ambiental, definem-se padrões e indicadores (BRAGA et al, 2005).

Quanto maior a abundância de riquezas maiores são as consequências


Países ricos e desenvolvidos, com processos de industrialização mais vigorosos,
são consequentemente maiores geradores de poluentes. Um dos maiores poluen-
tes gerados pelas atividades humanas são os resíduos sólidos, por exemplo. A
figura a seguir mostra a quantidade de resíduos gerados de acordo com o desen-
volvimento das nações.

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Figura 1 – A geração de resíduos diante da riqueza das nações. Fonte: Senado federal (2015).

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2 - A LEI DA CONSERVAÇÃO DAS MASSAS E A


POLUIÇÃO
A lei da física chamada de “Lei da conservação da massa” explica muitos dos problemas que
enfrentamos, entre eles a poluição ambiental. Segundo essa lei, qualquer sistema, seja químico ou
físico, nunca se cria e nem elimina matéria, apenas ocorre a transformação da mesma. Portanto,
nada é criado, e sim transformado.
Dessa forma, tudo que existe provém de matéria preexistente, só que em outra

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configuração. Então tudo o que se consome apenas perde a forma original, e adquire outra. Tudo
se realiza com a matéria já existente no planeta, apenas com retirada de materiais do solo, do ar
ou da água, o transporte e a utilização desse material para a elaboração do insumo desejado, sua
utilização pela população, e ao final do ciclo, sua disposição na Terra em outro formato, podendo
muitas vezes ser reaproveitado. (BRAGA et al, 2005)
A lei da conservação de massa explica grandes problemas ambientais, como o caso da
poluição, seja ela da água, solo ou ar. A matéria não pode ser consumida até sua eliminação
completa, o que implica na geração de resíduos de todas as atividades dos seres vivos. Resíduos
são indesejáveis a quem os eliminou, mas nada impede que esses materiais sejam reincorporados
ao meio, e futuramente sejam reutilizados (BRAGA et al, 2005).
A natureza realiza o seu processo de reciclagem por meio dos ciclos biogeoquímicos.
Esses processos reciclam constantemente os elementos químicos da natureza, “bio” vem dos
seres vivos, “geo” significa o ambiente terrestre, e “químico” dos elementos químicos. Quando
a quantidade de poluentes gerados pelas atividades humanas tem um padrão maior do que a
capacidade de reciclagem/recuperação do meio o ambiente entra em desequilíbrio.

2.1. Os Ciclos Biogeoquímicos s a sua Importância para a


Avaliação e Controle de Poluentes
Os ciclos biogeoquímicos são processos naturais que por diversas formas reciclam
quimicamente elementos do meio ambiente para os organismos, e depois, fazem o processo
contrário, ou seja, trazem esses elementos dos organismos para o meio ambiente. Água, carbono,
oxigênio e nitrogênio, são alguns dos elementos que passam por esses ciclos, agregando todos os
componentes vivos e não vivos da Terra. A matéria é constantemente reaproveitada na natureza.
Os ciclos estão intimamente relacionados com processos geológicos, hidrológicos
e biológicos. O estudo desses ciclos se torna cada vez mais importante para avaliar impactos
ambientais, por meio deles é possível saber os efeitos que uma substância (poluente) terá direta e
indiretamente no meio ambiente e nos seres vivos.

2.1.1. O ciclo da água


O ciclo da água na natureza é fundamental para a manutenção da vida do planeta Terra,
visto que vai determinar a variação climática e interferir no nível dos rios, lagos, mares, oceanos.

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Figura 2 - Ciclo da água. Fonte: Brasil escola (2018).

2.1.2. O ciclo do carbono


As ações humanas retiram o carbono armazenado nos depósitos fósseis influenciando
no ciclo global do carbono, uma vez que essa retirada é feita em velocidade superior à absorção
do carbono pelo seu ciclo natural. O aumento das concentrações de CO2 na atmosfera são
potencializados, especialmente pelo fato de que estes depósitos são queimados como combustíveis,
acelerando ainda mais o processo.
Ao longo dos anos com a destruição das florestas, a capacidade de absorção de carbono
está sendo reduzida. Em contrapartida têm aumentado a concentração de dióxido de carbono
devido a extração e queima de petróleo, gás e carvão.

Figura 3 - Ciclo do carbono. Fonte: Estudo Prático (2014).

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2.1.3. Ciclo do oxigênio


O ciclo realizado pelo oxigênio é essencial à vida, pois quase que a totalidade dos seres
vivos o utilizam na respiração, com exceção dos seres anaeróbios, como é o caso de algumas
bactérias, por exemplo. O oxigênio é um dos gases que compõe a camada de ozônio, que protege
a Terra dos raios ultravioletas.
As plantas terrestres usam o gás carbônico (CO2) do ar como combustível para a
fotossíntese e liberam oxigênio (O2) para a atmosfera. As plantas aquáticas usam carbonatos
dissolvidos na água e liberam o oxigênio. Acontece ao contrário com os animais que respiram O2
e liberam CO2, como é o caso do ser humano.

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Figura 4 - Ciclo do oxigênio. Fonte: 100 Pipocas (2011).

2.1.4. Ciclo do nitrogênio


O nitrogênio é indispensável ao bom desenvolvimento das plantas e por consequência dos
animais que as consomem, sejam herbívoros ou carnívoros. Não existindo compostos nitrogenados
suficientes para o desenvolvimento das plantas, utilizam-se fertilizantes industrializados
O excesso de nitratos e amônios no solo pelo uso de fertilizantes e também pela atividade
animal, polui corpos d’água por meio da lixiviação dos solos, provocando ainda o aumento de
nutrientes e crescimento elevado das algas, gerando um desequilíbrio chamado de eutrofização.

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Figura 5 - Ciclo do nitrogênio. Fonte: Brasil Escola (2018).

3 - A PREOCUPAÇÃO COM O MEIO AMBIENTE E A


QUALIDADE DO AR
O recurso ar é utilizado pela população humana sem ponderações, trata-se de um recurso
disponível livremente sem que seu uso implique qualquer encargo ou esforço. As quantidades
utilizadas são enormes. Além dos usos metabólicos naturais do ar pelo homem, pelos animais e
pela vegetação, e dos benefícios dos fenômenos naturais meteorológicos mais conhecidos, o ar
tem outras utilizações consideráveis: comunicação, transporte, combustão, processos industriais
e, principalmente, a utilização do ar como receptor e transportador de resíduos da atividade
humana. (DERISIO, 2012)
O uso primordial do recurso natural ar é manter a vida e o bem-estar. Todos os outros usos
devem sujeitar-se à manutenção de uma qualidade que não degradará aguda ou cronicamente
a saúde ou o bem-estar humano. Outros aspectos a serem controlados diz respeito a estética e
impacto econômico da poluição do ar e seu controle (FERNANDES, 2017).
O resultado do uso impróprio e indiscriminado, sobretudo em áreas geográficas limitadas
ou confinadas, provoca o surgimento da poluição do ar. Se define como poluição do ar a presença
ou o lançamento, no ambiente atmosférico, de substâncias em concentrações suficientes para
interferir direta ou indiretamente na saúde, os chamados poluentes (DERISIO, 2012).

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Poluente é um material presente na atmosfera, a partir de fontes naturais ou da ação


humana, atingindo uma concentração ou um nível tal, que se observa qualquer efeito adverso à
saúde ou bem-estar do homem, vida das plantas e dos animais e ainda materiais de valor para a
sociedade, resultando em alterações do equilíbrio ecológico e físico do planeta (FERNANDES,
2017).
Analisando as últimas décadas é possível constatar um aumento significativo nas
concentrações atmosféricas de substâncias perigosas, decorrente de atividades urbanas e
industriais. Os poluentes atmosféricos causam efeitos verdadeiramente adversos, principalmente
em locais com elevado grau de urbanização e atividade industrial intensa (FERNANDES, 2017).
Além da quantidade e do teor dos poluentes lançados na atmosfera, alguns fatores

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ambientais podem influir no processo de poluição do ar, como:

◆ Fontes de emissão de poluentes; tipos e quantidades de resíduos; período de emissão.

◆ Características climáticas do ambiente, tais como a velocidade e direção dos ventos e a


estabilidade atmosférica, as quais podem contribuir para uma maior ou menor dispersão,
transformação ou remoção dos poluentes.

◆ Condições topográficas do meio, influindo na circulação do ar.

A temperatura da atmosfera decresce com a altura, ficando as camadas mais frias de ar


sobre as camadas mais quentes. Ocorre um movimento ascendente do ar, a partir da superfície
da terra, com o ar mais quente (mais leve) subindo e o ar mais frio (mais pesado) descendo. Este
fenômeno contribui para a dispersão do ar, no sentido vertical.
Em algumas regiões, quando ocorrem condições meteorológicas fora do comum,
acontece o fenômeno inverso, ou seja, a temperatura do ar passa a ser maior nas camadas
superiores, existindo a “inversão térmica”. Nessas situações, o movimento vertical do ar é
prejudicado, formando uma camada estável. Os poluentes lançados na atmosfera concentram-se
nas proximidades da superfície da terra, podendo resultar em grave problema de poluição.

Figura 6 - Inversão térmica. Fonte: Ecycle (2018)

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3.1. As Fontes de Poluição do Ar e os Principais Poluentes  


As principais fontes de poluição estão relacionadas as indústrias, incluindo as fábricas e
outros processos, tais como a queima de combustíveis derivados do petróleo, em fornos caldeiras
e outros processos de combustão. Outro grande responsável pela poluição do ar se refere ao
setor de transportes, compreendendo os veículos automotores de vários tipos e o tráfego aéreo. A
incineração do lixo, perdas, por evaporação, em serviços petroquímicos; queima de combustíveis
para aquecimento de edificações, queima da vegetação (queimadas), e consumo de cigarro
também são fatores contribuintes.
Quando determinada a concentração de um poluente na atmosfera, está sendo medido

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o grau de exposição dos receptores (ser humano, animais, plantas e materiais) como resultado
final do processo de lançamento desse poluente na atmosfera por suas fontes de emissão e
suas interações na atmosfera, do ponto de vista físico (diluição) e químico (reações químicas)
(DERISIO, 2012).
Um ponto importante a frisar é que as condições meteorológicas são determinantes a
diluição dos poluentes, mesmo mantidas as quantidades de emissões. Devido a isso, a qualidade
do ar piora durante os meses de inverno, quando as condições meteorológicas são avessas a
dispersão dos poluentes. A avaliação da qualidade do ar deve ser limitada a um número restrito
de poluentes, definidos em função de sua importância e dos recursos materiais e humanos
disponíveis (DERISIO, 2012).
Os principais poluentes atmosféricos são:

• Compostos de enxofre (SO2, SO3, H2S, sulfatos).


• Compostos de nitrogênio (NO, NO2, NH3, HNO3, nitratos).
• Compostos orgânicos de carbono (hidrocarbonetos, álcoois, aldeídos, cetonas e ácidos
orgânicos).
• Monóxido de carbono e dióxido de carbono.
• Compostos halogenados (HCL, HF, cloretos, fluoretos).
• Material particulado (mistura de compostos no estado sólido ou líquido).

O quadro a seguir mostra as fontes e principais características dos poluentes na atmosfera


elencados pela CETESB.

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Tabela 1 - Fontes e características dos principais poluentes atmosféricos. Fonte: Fat Blue Cat (2012).

3.2. A Legislação Brasileira Para a Qualidade do Ar


A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou em 2005 os padrões de qualidade do

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ar (PQAr). Segundo a publicação, os padrões podem variam de acordo com a abordagem adotada
para equilibrar fatores como: riscos à saúde, viabilidade técnica, considerações econômicas e
outros fatores políticos e sociais, que podem sofrer alterações diante de aspectos como o nível de
desenvolvimento e da capacidade nacional de gerenciar a qualidade do ar (BRASIL, s.d.).
As orientações feitas pela OMS recomendam que os governos, ao formularem suas
políticas de qualidade do ar, considerem as diferenças e circunstâncias locais para estabelecerem
padrões nacionais de qualidade do ar (BRASIL, s.d.).
No Brasil, os padrões de qualidade do ar são estabelecidos pela Resolução CONAMA nº
491/2018, que revogou e substituiu a Resolução CONAMA nº 3/1990. Segundo esta Resolução,
o padrão de qualidade do ar é um dos instrumentos de gestão da qualidade do ar, determinado
como valor de concentração de um poluente específico na atmosfera, associado a um intervalo
de tempo de exposição, para que o meio ambiente e a saúde da população sejam preservados em
relação aos riscos de danos causados pela poluição atmosférica (BRASIL, 2018).
Os padrões nacionais de qualidade do ar são divididos em duas categorias (BRASIL,
2018):
I - padrões de qualidade do ar intermediários - PI: padrões estabelecidos como
valores temporários a serem cumpridos em etapas; e
II - padrão de qualidade do ar final - PF: valores guia definidos pela Organização
Mundial da Saúde - OMS em 2005;
A Resolução CONAMA nº 491/2018 traz ainda em seu artigo 4º a aplicação dos
padrões de qualidade do ar estabelecidos:
“Art. 4º Os Padrões de Qualidade do Ar definidos nesta Resolução serão adotados
sequencialmente, em quatro etapas.
§ 1º A primeira etapa, que entra em vigor a partir da publicação desta Resolução,
compreende os Padrões de Qualidade do Ar Intermediários PI-1.
§ 2º Para os poluentes Monóxido de Carbono - CO, Partículas Totais em
Suspensão - PTS e Chumbo - Pb será adotado o padrão de qualidade do ar final,
a partir da publicação desta Resolução.
§ 3º Os Padrões de Qualidade do Ar Intermediários e Final - PI-2, PI-3 e PF
serão adotados, cada um, de forma subsequente, levando em consideração os
Planos de Controle de Emissões Atmosféricas e os Relatórios de Avaliação da
Qualidade do Ar, elaborados pelos órgãos estaduais e distrital de meio ambiente,
conforme os artigos 5º e 6º, respectivamente.
§ 4º Caso não seja possível a migração para o padrão subsequente, prevalece o
padrão já adotado.
§ 5º Caberá ao órgão ambiental competente o estabelecimento de critérios
aplicáveis ao licenciamento ambiental, observando o padrão de qualidade do ar
adotado localmente.

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Os parâmetros regulamentados pela legislação ambiental são: partículas totais em


suspensão (PTS), fumaça, partículas inaláveis (MP10 e MP2,5), dióxido de enxofre (SO2), monóxido
de carbono (CO), ozônio (O3), dióxido de nitrogênio (NO2) e chumbo (PB). Segue a seguir os
Anexos 1, 2 e 3 da Resolução CONAMA n° 491/2018 que determina os padrões de qualidade do
ar, conteúdo mínimo para o relatório de avaliação de qualidade do ar e níveis de atenção, alerta e
emergência para poluentes e suas concentrações, respectivamente.

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Tabela 2 - Anexo 1 - Padrões de qualidade do ar. Fonte: Brasil (2018).

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Tabela 3 - Anexo II – Conteúdo mínimo para o relatório avaliação da qualidade do ar. Fonte: Brasil (2018).

Tabela 4 - Anexo III - Níveis de atenção, alerta e emergência para poluentes e suas concentrações. Fonte: Brasil
(2018).

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3.3. Principais Impactos da Poluição do Ar e Medidas Bási-


cas de Controle
Entre os principais impactos que a poluição do ar causa podemos citar: danos a
materiais, tais como corrosão do ferro, aço e mármore; deterioração da borracha, de produtos
sintéticos e tecidos; sujeira de roupas, prédios e monumentos. Existem ainda danos vegetais
como a descoloração de folhas e flores, queda de folhas falhas na floração e produção de frutos,
malformação e até mesmo a morte de plantas. 
Na população animal, a poluição do ar é responsável pelo aumento do número de casos

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de doenças respiratórios, envelhecimento precoce, incidências de câncer de pele e muitas outras
patologias.
O controle da poluição atmosférica, principalmente nas grandes cidades ou centros
industriais, torna-se necessário para garantir uma qualidade satisfatória ao ar. Entre as principais
medidas de controle, destacam-se: 

• Localização adequada de industrias, com relação às residências e a outros usos sensíveis,


exigindo-se um afastamento conveniente, em função do potencial de poluição da fonte.

• Instalação de equipamentos de retenção de poluentes, nas indústrias e outras fontes de


poluição da fonte.

• Controle da emissão de gases a partir dos veículos, por meio de novas técnicas de
fabricação que conduzam a uma menor produção de poluentes atmosféricos.

• Utilização maior do transporte coletivo, nas grandes cidades, em substituição ao


transporte individual.

• Melhoria do sistema de transporte urbano, buscando-se um fluxo mais rápido dos


veículos, o que resultará numa menor quantidade de poluentes lançados na atmosfera.

• Controle da queima do lixo e de outros materiais; nos incineradores de resíduos sólidos,


devem ser instalados dispositivos de controle da emissão de poluentes.

4 - A PREOCUPAÇÃO COM O MEIO AMBIENTE E A


QUALIDADE DA ÁGUA
A água potável é um recurso natural finito e sua quantidade diária disponível, diminui
a cada dia com o crescimento da população mundial e com a degradação de nascentes. Diante
disso, se faz necessário o desenvolvimento de ferramentas de avaliação e controle que orientem a
gestão no sentido de diminuir os impactos relacionados aos recursos hídricos (LIRA; CANDIDO,
2013).

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Segundo a ONU, o consumo da água dobrou em relação ao crescimento populacional


no último século. Em função dos consideráveis progressos sociais e industriais obtidos
pela humanidade na atualidade, pode-se enumerar, entre outros, os seguintes usos da água:
abastecimento urbano, irrigação, piscicultura, geração de energia elétrica, controle de cheias,
regularização de vazão, diluição de esgotos e preservação da flora e fauna. Em consequência
dos diversos usos dos recursos hídricos e do crescimento populacional, a escassez de água tem
originado conflitos e problemas frequentes em muitas regiões do mundo (LIRA; CANDIDO,
2013).
Os recursos hídricos atendem as diferentes necessidades humanas, ocupando 75% da
superfície do nosso planeta. Antes esses recursos eram considerados um bem infinito, somente

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com o passar dos anos é que começou a despertar a consciência dessa limitação. Do volume total
de água no planeta, 97% são salgadas e estão nos oceanos e mares, e outros 2% estão armazenados
nas geleiras, em lugares quase inacessíveis. Apenas 1% de toda água do planeta está disponível
para o uso e desta, menos de 0,02% é água doce superficial (LIRA; CANDIDO, 2013).
Em 2006, a Organização das Nações Unidas revelou que 15 milhões de crianças
morrem todo ano por falta de água potável; 80% das doenças e 30% dos óbitos que ocorrem
no mundo estão relacionados a água contaminada. 50% da taxa de doenças e morte nos países
em desenvolvimento ocorrem por falta de água ou pela sua contaminação. Nestes países, para
cada 1.000 litros de água utilizados, outros 10 mil são poluídos, 1,1 bilhão de pessoas em todo o
mundo não têm acesso a água potável, e numa projeção para o ano de 2025 um total de 1,8 bilhão
de pessoas de diversos países viverão em absoluta falta de água, o que equivale a mais de 30% da
população mundial (LIRA; CANDIDO, 2013).
É necessário criar instrumentos de gestão e políticas que venham preservar os recursos
hídricos de forma mais efetiva e com maior agilidade, no sentido de prevenir uma crise maior
quanto a falta da água em um futuro mais próximo.

4.1. As Fontes de Poluição da Água e os Principais Poluentes


A poluição da água possui duas fontes geradoras:

◆ PONTUAL: descarga de efluentes a partir de indústrias e de estações de tratamento de


esgoto. São bem localizadas, fáceis de identificar e de monitorar.

◆ DIFUSA: escoamento superficial urbano, escoamento superficial de áreas agrícolas e


deposição atmosférica. Espalham-se por toda a área, são difíceis de identificar e tratar.

As principais fontes de poluição das águas superficiais são:

• Esgoto doméstico.
• Efluentes industriais.
• Águas pluviais, carreando impurezas do solo ou contendo esgotos lançados nas galerias.
• Resíduos sólidos (lixo).
• Pesticidas.
• Fertilizantes.
• Detergentes.
• Precipitação de poluentes atmosféricos (sobre o solo ou a água).
• Alteração nas margens dos mananciais, provocando carreamento do solo, como
consequências da erosão.

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As principais fontes de poluição das águas subterrâneas são:

• Infiltração de:

◉ Esgotos a partir de sumidouros ou valas de infiltração (fossas sépticas).


◉ Esgotos depositados em lagoas de estabilização ou em outros sistemas de
tratamento usando disposição no solo.
◉ Esgotos aplicados no solo em sistemas de irrigação.
◉ Águas contendo pesticidas, fertilizantes, detergentes e poluentes atmosféricos
depositados no solo.

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◉ Outras impurezas presentes no solo.
◉ Águas superficiais poluídas.

• Vazamento de tubulações ou depósitos subterrâneos.


• Percolação do chorume resultante de depósitos de lixo no solo.
• Resíduos de outras fontes: cemitérios, minas, depósitos de materiais radioativos.

4.2. A Classificação da Água e os Principais Indicadores de


Poluição
A Resolução CONAMA 357/2005 dispõe sobre a classificação dos corpos de água e
diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de
lançamento de efluentes, e dá outras providências. Ficam assim definidas:

I - Águas doces: águas com salinidade igual ou inferior a 0,5 %.


II - Águas salobras: águas com salinidade superior a 0,5 % e inferior a 30 %.
III - Águas salinas: águas com salinidade igual ou superior a 30 %.

As águas definidas como doces, salobras e salinas sofrem subclassificações de acordo com
o uso para o que poderão ser destinadas. E os padrões de qualidade da água e de lançamento de
efluentes variam de acordo com essas classificações.
Os principais indicadores da poluição da água são:

◆ Matéria Orgânica - DBO, DQO e OD (mg/l).


◆ Sólidos - SS e RS (ml/l); turbidez (unt).
◆ Ácidos e Álcalis – pH.
◆ Bactérias - IC (coli/100 ml).
◆ Óleos e Gorduras - OG (mg/l).
◆ Nitratos - NO3 (mg/l).
◆ Fosfatos - PO4 (mg/l).
◆ Temperatura - T (°C).
◆ Metais – Metais (mg/l).

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A Resolução 357, de 17 de março de 2005, dispõe sobre a classificação dos cor-


pos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como esta-
belece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providên-
cias. As seções II, III e IV do Capítulo III estabelecem as Condições e Padrões de
Qualidade das águas doces, salinas e salobras respectivamente.
A Resolução no 430, de 13 de maio de 2011, dispõe sobre as condições e padrões
de lançamento de efluentes, complementa e altera a Resolução no 357, de 17
de março de 2005, do Conselho Nacional do Meio Ambiente-CONAMA. As se-

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ções II e III do capítulo II estabelecem as Condições e Padrões de Lançamento
de Efluentes e os Padrões para Efluentes de Sistemas de Tratamento de Esgotos
Sanitários.

4.3. Principais Impactos da Poluição da Água e as Medidas


Básicas de Controle
Os poluentes, quando presentes na água, podem resultar em danos ao homem, às outras
formas de vida e ao próprio ambiente aquático, tais como:  transmissão de doenças ao homem,
por meio dos microrganismos patogênicos; malefícios causados ao homem e animais aquáticos,
pelos produtos químicos tóxicos; redução da quantidade de oxigênio dissolvido na água, como
consequência da intensa atividade das bactérias aeróbicas no consumo da matéria orgânica,
resultando na morte de peixes e de outros organismos aquáticos; inconvenientes relativos ao uso
da água para banhos e outras práticas recreativas; prejuízos ao abastecimento industrial e aos
outros usos da água; danos às propriedades marginais, com reflexos na agricultura e na irrigação,
causando a desvalorização dessas áreas; proliferação excessiva de algas e de vegetação aquática,
processo conhecido como eutrofização (excesso de nutrientes na água).
Sendo a água um recurso natural indispensável ao homem, é imprescindível que a sua
qualidade seja preservada, por meio de medidas de controle da poluição. O controle da poluição
da água deve ser essencialmente preventivo, surgindo como medida mais eficaz a execução de
sistemas sanitários de coleta e tratamento de esgotos domésticos e industriais.
Nas cidades, a construção de redes coletoras e de estações de tratamento de esgotos
domésticos e industriais representa a melhor forma de evitar que esses resíduos alcancem os
recursos hídricos de modo não-sanitário. Outras medidas devem ser adotadas visando ao
controle da poluição da água: 

• Afastamento adequado entre sistemas de fossas e poços.


• Controle do chorume produzido em aterros de resíduos sólidos, evitando que os
mesmos alcancem os recursos hídricos.
• Preservação das áreas vizinhas aos recursos hídricos superficiais, por meio da adoção de
faixas de proteção marginais, as quais devem ser mantidas com vegetação.
• Controle da aplicação de pesticidas e fertilizantes.
• Disciplinamento do uso do solo nas proximidades dos recursos hídricos, evitando-se as
atividades que possam resultar na poluição da água.

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5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
Do ponto de vista ecológico, poluição é qualquer alteração da composição e das
características do meio que cause perturbações nos ecossistemas, ou ainda, como uma
interferência danosa nos processos de transmissão de energia. Consiste em distúrbios ambientais
consubstanciados em fatos ou fenômenos desfavoráveis, diretos ou indiretos.
Os primeiros distúrbios compreendem ataques à saúde e aos bens, como a promoção de
deslocamentos populacionais ou o desequilíbrio social, ou ainda, implicações na qualidade de
vida, como a poluição sonora e estética, entre outros inconvenientes. Os distúrbios ambientais

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indiretos incluem intromissões nos sistemas biológicos naturais, como a diminuição da
fotossíntese pela poluição atmosférica.
Atualmente existem leis que fiscalizam e proíbem qualquer tipo de destinação incorreta de
dejetos e poluentes em geral, mas ainda são muitas as situações em que isso acontece, a fiscalização
do nosso país é deficiente, a condição socioeconômica de parcela da população é precária e a
consciência ambiental de parte considerável da sociedade e dos governantes é inexistente.
Tem sido criado métodos para a melhora da qualidade do ar, e tratamento da água,
legislação específica, comitês, entre outras medidas. No entanto, o processo de mudança cultural
é extremamente lento e gradual. Portanto, é necessário criar instrumentos de gestão e políticas
que venham preservar os recursos naturais de forma mais efetiva e com maior agilidade, no
sentido de prevenir um colapso maior quanto a falta da água e a contaminação total do ar em um
futuro próximo.

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UNIDADE ENSINO A DISTÂNCIA

03
DISCIPLINA:
PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE OCUPACIONAL -
TRATAMENTO E DESTINAÇÃO DE RESÍDUOS

PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE E


PRESERVAÇÃO DO SOLO, E SERVIÇOS BÁSICOS
DE SANEAMENTO DO MEIO
PROF.A NATÁLIA CAVALINI PAGANINI

SUMÁRIO DA UNIDADE

INTRODUÇÃO.............................................................................................................................................................42
1 - A PREOCUPAÇÃO COM O MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DO SOLO............................................................43
1.1. A CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS, SEUS PRINCIPAIS USOS.............................................................................44
1.2. AS FONTES DE POLUIÇÃO DO SOLO, OS DANOS CAUSADOS E OS PRINCIPAIS POLUENTES..................45
1.3. LEGISLAÇÃO BRASILEIRA PARA A QUALIDADE DO SOLO.............................................................................49
1.4. MEDIDAS BÁSICAS DE CONTROLE DA POLUIÇÃO DO SOLO.........................................................................53
2 - SERVIÇOS BÁSICOS DE SANEAMENTO DO MEIO...........................................................................................53
2.1. OS SERVIÇOS DE SANEAMENTO BÁSICO.......................................................................................................54
2.1.1. DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA POTÁVEL................................................................................................................54
2.1.2. COLETA E TRATAMENTO DE ESGOTO...........................................................................................................55

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2.1.3. COLETA E MANEJO DE RESÍDUOS SÓLIDOS................................................................................................57
2.1.4. DRENAGEM E MANEJO DE ÁGUAS PLUVIAIS URBANAS............................................................................57
3 - CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................................................................59

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ENSINO A DISTÂNCIA

INTRODUÇÃO
O solo é um recurso natural de suma importância para a manutenção da vida na Terra,
sendo um componente fundamental dos ecossistemas e dos ciclos naturais do planeta além de
ser suporte do sistema agrícola e espaço para as atividades humanas e para os resíduos que são
produzidos por tais atividades. A manutenção e preservação da terra são de extrema importância,
tendo em vista sua relevância para todas as formas de vida.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE OCUPACIONAL – TRATAMENTO E DESTINAÇÃO DE RESÍDUOS | UNIDADE 3


A preocupação com a conservação do solo vem sendo cada vez mais discutida em função
da crescente contaminação dos recursos naturais que tem ocorrido ao longo das últimas décadas.
O solo possui múltiplas funções nos ciclos dos nutrientes, no da água e também é importante
para a sustentabilidade dos sistemas naturais, como as florestas primárias e campos, sendo um
dos fatores mais relevantes na determinação da tipologia florestal. Além disso, é fundamental na
produção de alimentos e foi muito importante na evolução da espécie humana e no sucesso desta
frente às demais espécies.
As ações de preservação do solo se esbarram com os serviços básicos de saneamento do
meio: distribuição de água potável, coleta e tratamento de esgoto, coleta e manejo de resíduos
sólidos drenagem e manejo das águas pluviais urbanas. Em resumo, o saneamento é o estudo
do comportamento da sociedade quanto à produção e descarte de resíduos que causam algum
tipo de agressão à saúde do ser humano utilizando ferramentas e elementos que proporcione
qualidade de vida e que minimizem os riscos.
Cada um desses serviços tem sua individualidade e deve ser tratado dentro de
tecnologias atualizadas compatíveis com o grau de desenvolvimento da localização em questão.
Independentemente do estágio socioeconômico, o zelo e cuidados pela boa funcionalidade desses
sistemas indicam o estágio cultural, organizacional e de desenvolvimento de seus habitantes. Com
o crescente aumento da população se faz cada vez mais necessário a priorização das necessidades
de saneamento básico das grandes metrópoles por meio de políticas públicas.

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1 - A PREOCUPAÇÃO COM O MEIO AMBIENTE E


QUALIDADE DO SOLO
O solo pode ser estudado por suas características físicas, químicas e biológicas, para se
conhecer suas propriedades e utilizá-lo no atendimento das necessidades humanas sem degradar
o ambiente. A conceituação do solo é diferenciada de acordo com o objetivo da sua utilização.
Se tratando da disposição de substâncias, o solo é um componente da biosfera, no qual se dão os
processos de produção e decomposição que recicla a matéria, mantendo o equilíbrio natural do

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE OCUPACIONAL – TRATAMENTO E DESTINAÇÃO DE RESÍDUOS | UNIDADE 3


ecossistema (BRAGA et al., 2005).
No geral, o solo é um manto superficial composto por rochas desagregadas, cinzas
vulcânicas em alguns casos, misturadas a matéria orgânica em decomposição, juntamente com
água, ar e organismos vivos. Segundo Braga et al. (2005), os componentes encontrados no solo
têm aproximadamente as seguintes proporções: 45% de elementos minerais; 25% de ar; 25% de
água e 5% de matéria orgânica.
Em termos de superfície, as terras emersas representam 29,2% da superfície total da Terra.
No entanto, comparado com a água doce, o solo é um recurso abundante na crosta terrestre;
observando que os 361 milhões de km² de superfície restantes (70,8%) são ocupados pelos mares,
os quais representam 97,2% da água na Terra. A água doce representa apenas 2,8% da água na
Terra e, desta, 77% são constituídas pelas geleiras e 21% são águas subterrâneas, restando apenas
1% de águas superficiais (DERISIO, 2012).
Segundo o jornal britânico Nature, o planeta tem perdido muito de sua terra. Anualmente,
erosões provocadas pela água e o vento, além das práticas agrícolas, são responsáveis pela perda
de 75 bilhões de toneladas de solo no mundo, gerando um custo de $ 400 bilhões de dólares.
Infelizmente este importante recurso natural só é protegido por lei em alguns países, e acordos
internacionais voltados ao tema ainda não conseguiram ser firmados.
As ações para garantir a preservação do solo afetam a todos, pois as consequências da
poluição desse recurso trazem impactos a todos os seres animais e vegetais que habitam nosso
planeta.
Mesmo sendo considerado um recurso natural ilimitado, o solo é fonte de nutrientes para
diversas plantas e cultivos, armazena água, mantém o ecossistema, disponibiliza minério, areia,
argila e cascalho. Oferece moradia e trabalho para todos e ainda arquiva boa parte da história
da humanidade, pois em suas terras estão enterrados fatos arqueológicos importantes. A não
preservação do recurso pode resultar no aumento da pobreza, fome, conflitos e migrações em
massa. Com o crescimento acelerado, solos de boa qualidade serão cada vez mais necessários
para garantir alimento, fibras e combustível à população.

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1.1. A Classificação dos Solos, seus Principais Usos


Segundo Derisio (2012), os solos são classificados quanto à formação em quatro grupos
principais:

◆ Solos residuais, que são aqueles em que o produto do processo de decomposição


permanece no próprio local em que se deu o fenômeno.

◆ Solos transportados, que são aqueles que, em seguida à sua formação, são carregados
pela ação fluvial, eólica, marinha etc.

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◆ Solos coluvionais, que são aqueles formados pela movimentação lenta da parte mais
superficial do manto de intemperismo sob a ação de agentes diversos, principalmente da
gravidade.

◆ Solos orgânicos, que são aqueles formados pela fração mineral argilosa acrescida de
uma proporção variada de matéria orgânica predominantemente vegetal.

De modo geral, o solo é constituído por matéria mineral, matéria orgânica, umidade
(água) e ar. A fração mineral do solo contém fragmentos da rocha original mais ou menos
transmutados, de tamanhos variados, elementos coloidais de partículas muito finas, compostos
por argilas, silicatos de alumínio hidratados e íons minerais essenciais à nutrição mineral dos
vegetais (DERISIO, 2012).
O solo possui diversos usos, entre ele podemos citar: a função elemento de fixação e
nutrição da vida vegetal, como fundação para edificações, aterros, estradas, sistemas de
disposição de resíduos etc.; como elemento a ser extraído e utilizado na área da construção em
geral e na manufatura de objetos diversos; como elemento de armazenamento de combustíveis
fósseis; como elemento de armazenamento de água para fins diversos, com destaque para o
uso da água como manancial de abastecimento público. A EMBRAPA - Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do
Brasil desenvolveu o esquema abaixo que apresenta as funções que o solo exerce, possibilitando
a vida na Terra.

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Figura 1 - Funções do solo. Fonte: EMBRAPA (2017). PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE OCUPACIONAL – TRATAMENTO E DESTINAÇÃO DE RESÍDUOS | UNIDADE 3

1.2. As Fontes de Poluição do Solo, os Danos Causados e os


Principais Poluentes
As principais fontes de poluição do solo estão ligadas a três atividades com grande
impacto no meio ambiente:

• Disposição em solo de detritos da vida urbana - em quantidade é a principal fonte


causadora da poluição dos solos. É responsável pela produção exacerbada de lixo nas
grandes cidades.

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• Depósitos ilegais de despejos industriais - é fato conhecido que as indústrias fazem


uso desse recurso e descartam indevidamente metais pesados, produtos químicos de alto
risco, além de dejetos sólidos.

• Agrotóxicos e adubação incorreta - nas áreas rurais, por sua vez, os principais vilões
são a utilização indiscriminada de defensivos agrícolas, bem como a adubação incorreta
ou excessiva.

Os diferentes usos do solo provocam alterações distintas no meio ambiente. A atividade


da construção civil tem reflexo na urbanização e ocupação do solo, a exploração extrativa do solo

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resulta na remoção de grandes quantidades de materiais e na alteração da topografia.
Como resultado da atividade agrícola, ocorre a aplicação de nutrientes e defensivos
agrícolas no solo e em determinados períodos a remoção da cobertura vegetal. O principal dano
ao solo decorrente dessa remoção é a suscetibilidade à erosão, a qual é causada pela ação das
águas e do vento, e a consequente remoção das partículas do solo. Essa remoção, além de causar
alterações de relevo, riscos às obras civis e a retirada da camada superficial e fértil do solo, pode
levar ao assoreamento dos rios (DERISIO, 2012).
Inundações e alterações dos cursos d’água são consequências indiretas da atividade
agrícola. A erosão do solo está principalmente associada a fatores como clima, tipo de solo e
declividade do terreno. As ações recomendadas para evitar a erosão estão ligadas à manutenção da
cobertura vegetal, à utilização de árvores como quebra-ventos, à cobertura do solo com serragem
e às técnicas de caráter mecânico, como aração, plantio e construção em curvas de nível, execução
de canaletas para desvio das águas pluviais e execução de muros de arrimo (DERISIO, 2012).
A distribuição desordenada de resíduos no solo é outro uso que tem se mostrado
inadequado, em razão de que ao longo do tempo ocorre a infiltração dos líquidos gerados na
decomposição dos resíduos, que acabam se somando as águas pluviais que se infiltram no solo,
lixiviam resíduos, e carregam substâncias para as camadas mais profundas e para os aquíferos
subterrâneos, causando contaminação desses mananciais de águas. Esses sistemas de disposição
de resíduos no solo tendem a ter seus efeitos de forma localizada.
A disposição dos resíduos orgânicos no solo é responsável pela formação de gases
constituídos basicamente de metano e gás carbônico, gases esses que limitam o abastecimento de
oxigênio para as camadas superficiais do aterro, causando a morte da vegetação.
A presença de metais nos resíduos depositados no solo, na forma de despejos líquidos
industriais ou de lodos, também pode inibir a reposição da vegetação. Quando as aplicações são
realizadas em áreas agrícolas a situação torna-se mais grave, já que alguns metais se mostram
fitotóxicos e, de acordo com volume aplicado e do nível de metais do solo, poderá ocorrer redução
na produtividade. Certos metais se acumulam nas partes comestíveis das plantas, o que pode
causar problemas, tornando esses alimentos impróprios para o consumo (DERISIO, 2012).
Entre os principais poluentes do solo no Brasil, podemos citar:

◆ Fertilizantes – o seu uso para corrigir deficiências do solo de forma indiscriminada


acaba contaminando o solo com impurezas e/ou com uma sobrecarga de nutrientes
para os vegetais, desequilibrando, assim, a composição natural do solo. Alguns metais
pesados, como chumbo e cádmio, também são encontrados em fertilizantes, aumentando
a toxidade do solo, sendo um grande perigo para as plantações. Esses poluentes são
posteriormente arrastados com a água das chuvas ou se infiltram no solo, indo parar em
lençóis freáticos e mananciais, poluindo assim os cursos d›água.

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◆ Pesticidas, Herbicidas e Inseticidas - agrotóxicos são usados para diminuir o número


de pestes que atuam em plantações e prejudicam a atividade agrícola. Essas substâncias
são absorvidas pelo solo, terminando por contaminar as plantações que crescem ali.
O consumo posterior desses vegetais contaminados pode causar sérios danos à saúde
humana e de animais. Outro problema é a redução de fertilidade do solo contaminado.

◆ Resíduos Sólidos - em geral, os lixos doméstico, industrial e rural têm em sua


composição uma variedade de produtos químicos prejudiciais ao meio ambiente. Esse
lixo é degradado e resulta na produção de chorume, que é um líquido altamente tóxico
resultante da decomposição dos resíduos orgânicos. Os depósitos de lixo, feitos de forma

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não sanitária, acabam vazando esse chorume, que atravessa o solo, contaminando-o e
atingindo os lençóis freáticos. O número de lixões a céu aberto no Brasil é preocupante,
sendo que grande parte do nosso lixo não tem o descarte correto. Também pode haver
contaminação do solo por despejo de material radioativo ou lixo hospitalar.

Outras causas para a poluição do solo: infiltração de água poluída lançada pelas indústrias;
vazamentos de petróleo; chuva ácida; esgoto lançado em rios e no solo; perfuração errada do
solo; cemitérios; infiltração de fossas sépticas; queimadas e a atividade de mineração.

Resíduos Sólidos, o grande vilão dos solos


A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/10) estipula a prevenção, re-
dução e a elaboração de um plano de gestão para o controle e destinação final de
resíduos sólidos em todos os municípios e, de acordo com o Panorama dos Re-
síduos Sólidos elaborado pela ABRELPE - Associação Brasileira de Empresas de
Limpeza Pública e Resíduos Especiais, o Brasil gera um total 71,3 milhões de tone-
ladas de resíduos por ano, o que dá aproximadamente 195.452 toneladas por dia.
Cerca de 91% dos resíduos gerados são coletados, o que corresponde a 177.861
toneladas por dia que são encaminhados para algum destino

• 58,4% dos resíduos possuem uma destinação adequada, sendo encaminhados


para Aterros Sanitários, que são locais de disposição preparados para receberem
o descarte do lixo. Eles geralmente contam com a impermeabilização do solo para
a proteção das águas subterrâneas, coleta/tratamento de chorume e captação de
gases liberados para minimizar os danos ao meio ambiente.

• 24,2% vão para Aterros Controlados, que não são a melhor opção quando se trata
de descarte adequado de resíduos. Eles não contam com o processo de imperme-
abilização do solo, apenas com uma cobertura para evitar o contato direto e muito
menos com um sistema de tratamento de chorume ou captação de gases.

• Já os outros 17,4% seguem para a pior destinação possível, os Lixões a céu aber-
to. Eles não dispõem de nenhum planejamento ou tratamento para os resíduos
descartados, causando danos ao meio ambiente e exalando mau cheiro.

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Figura 2 - Aterros sanitários e controlados, e os lixões no Brasil. Fonte: Eco4u (2012).

Observando os dados da ABRELPE, é possível concluir que mais de 40% do resí-


duo coletado no Brasil possui destinação inadequada, conforme a imagem:

Figura 3 - Destinação resíduos coletados no Brasil. Fonte: Cidades Inteligentes (2017).

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41,6% do lixo coletado não possui uma destinação final adequada, o que corres-
ponde a mais de 29 milhões de toneladas de resíduos por ano sem o devido trata-
mento que, se somados com aqueles não coletados, ultrapassam a marca dos 30
milhões. Para evitarmos ainda mais danos ao nosso meio ambiente, precisamos
agir. Tanto as empresas/prefeituras com seus planos de gestão em respeito a Po-
lítica Nacional de Resíduos Sólidos e a também a própria população, não poluindo
o meio ambiente e realizando a devida separação do lixo (CIDADES INTELIGEN-
TES, 2017).

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1.3. Legislação Brasileira para a Qualidade do Solo
A Resolução CONAMA 420/2009 dispõe sobre critérios e valores orientadores de qualidade
do solo quanto à presença de substâncias químicas e estabelece diretrizes para o gerenciamento
ambiental de áreas contaminadas por essas substâncias em decorrência de atividades antrópicas.
No ano de 2013 foi publicada a Resolução CONAMA nº 460 que alterou o prazo do art. 8º, e
acrescentou um novo parágrafo.
No Capítulo I fica determinado que na ocorrência comprovada de concentrações naturais
de substâncias químicas que possam causar risco à saúde humana, os órgãos competentes deverão
desenvolver ações específicas para a proteção da população exposta.
O procedimento para estabelecimento de valores de referência de qualidade do solo é
definido no Anexo I da Resolução. O procedimento descreve as etapas a serem realizadas para a
avaliação do solo:

1. Seleção dos tipos de solo.


2. Seleção de parâmetros para caracterização do solo.
3. Metodologias analíticas.
4. Interpretação dos dados e obtenção dos valores referência de qualidade.
5. Base de dados.

O Anexo II, a seguir, traz uma lista de valores orientadores para solos e para e águas
substâncias, que devem servir como base de dados para estudos de impactos da poluição no solo.

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Figura 4 - Anexo II Resolução CONAMA 420/2009. Fonte: Brasil (2009b).

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1.4. Medidas Básicas de Controle da Poluição do Solo


Algumas medidas simples são essenciais ao controle da poluição do solo, entre elas
podemos citar:

• Coleta seletiva e reciclagem, para diminuir a quantidade de materiais que diariamente


são depositados em aterros e lixões.
• Tratamento e destinação adequado de resíduos domésticos e industriais (resíduos
sólidos e efluentes líquidos).
• Uso de materiais biodegradáveis.

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• Cultivo orgânico.
• Reflorestamento e proteção das matas nativas.
• Medidas de saneamento básico e controle biológico de pragas.
• Uso adequado de fertilizantes e pesticidas.

2 - SERVIÇOS BÁSICOS DE SANEAMENTO DO MEIO


A Lei nº 11.445/07 chamada de a Lei Nacional do Saneamento Básico, foi responsável
por ressaltar o conceito de saneamento básico como: o conjunto de serviços, infraestruturas
e instalações de abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de
resíduos sólidos e drenagem de águas pluviais urbanas.
A lei definiu também as qualificações quanto à coordenação e atuação dos diversos
agentes envolvidos no planejamento e execução da política federal de saneamento básico no País.
A elaboração do Plano Nacional de Saneamento Básico – PLANSAB é de responsabilidade do
Governo Federal, conforme art. 52 da lei. E a elaboração deste ocorrerá sob a coordenação do
Ministério das Cidades.
Os serviços básicos de saneamento do meio são essenciais ao desenvolvimento de uma
sociedade, e muitas outras definições surgem ao longo de discussões sobre o assunto. A profa.
Simone Cynamon, da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/FIOCRUZ), por
exemplo, define que “o saneamento básico é a ciência que trabalha a proteção do ser humano e
do meio ambiente do qual ele está inserido” (FIOCRUZ, s.d.).
O saneamento básico também pode ser entendido como o estudo do comportamento da
sociedade quanto à produção e descarte de resíduos, que causam algum tipo de agressão à saúde
do ser humano, utilizando ferramentas e elementos que proporcionem qualidade de vida e que
minimizem os riscos. Cada uma das tarefas contempladas na Lei Nacional de Saneamento Básico
tem peculiaridade própria e devem ser tratadas dentro de tecnologias atualizadas compatíveis
com o grau de desenvolvimento de cada município.
A despeito do nível de desenvolvimento socioeconômico, a boa funcionalidade desses
sistemas indica o estágio cultural, organizacional e de desenvolvimento dos habitantes de cada
localidade. Com o crescimento da população é necessário a priorização das necessidades de
saneamento básico das grandes metrópoles por meio de políticas públicas.

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2.1. Os Serviços de Saneamento Básico


Os serviços de saneamento básico são relacionados com um objetivo principal: promover
a saúde da população. A preocupação com a qualidade da água que é distribuída, com o tratamento
correto do esgoto e o manejo adequado do lixo e das águas pluviais, está diretamente ligada a não
proliferação de diversas doenças, garantindo, assim, uma melhor qualidade de vida.
Além de assegurar uma melhoria na condição de vida da população, o saneamento básico
de qualidade ajuda indiretamente o meio ambiente. Ao dar um destino adequado ao esgoto e aos
resíduos sólidos, evita-se a poluição de rios e lagos, e até mesmo dos oceanos.
Todas as cidades devem garantir a universalização do acesso ao saneamento básico, ou

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seja, devem levar esses serviços a todas as residências. Entretanto, ainda muitas localidades no
país não têm acesso a esses serviços tão importantes, sendo fundamentais investimentos nessa
área.

Figura 5 - Símbolo dos serviços básicos de saneamento. Fonte: Eos Consultores (2018)

2.1.1. Distribuição de água potável


Menos de 3% da água disponível no planeta é doce. A região mais rica do mundo em termos
de disponibilidade de água doce por pessoa é a América Latina. Na lista de países que contam com
a maior quantidade de água, três da América Latina estão entre os primeiros: Brasil (primeiro),
Colômbia (terceiro) e Peru (oitavo). Para que a água doce seja considerada potável é necessário
um processo de tratamento, ela deve ser captada e tratada. Todos os processos necessários para
enviar água de qualidade à população incluem-se no saneamento básico.
A principal fonte utilizada para o abastecimento público vem dos mananciais. O
tratamento da água se inicia nos próprios mananciais, pois o trabalho preventivo contra a poluição
é fundamental para garantir a qualidade da água. Depois que a água é tratada, fica armazenada
em reservatórios de distribuição para posteriormente ser levada até os reservatórios de bairros,
que são estrategicamente localizados.  Por meio de tubulações maiores a água entra na rede de
distribuição e chega aos consumidores.

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Ainda existe uma enorme desigualdade de abastecimento de água entre as cidades


brasileiras. Um exemplo que pode ser citado é São Paulo, a demanda é muito elevada e o
desperdício vem na mesma proporção por conta de uso inadequado e às instalações precárias.
No Brasil, em torno de 83,3% dos brasileiros são atendidos com abastecimento de água e mais de
35 milhões de pessoas ainda não possuem acesso a este serviço básico de saneamento.

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Figura 6 - Estação de tratamento de água da cidade de Maringá-PR. Fonte: CBN Curitiba (2017).

2.1.2. Coleta e tratamento de esgoto


Segundo os índices da Organização das Nações Unidas (ONU), 40% da população mundial
não têm acesso aos serviços de coleta e tratamento de esgoto e à água potável. Isso significa que
mais de 200 milhões de toneladas de esgoto são despejadas no meio ambiente anualmente sem
coleta e tratamento adequados.
Um estudo inédito realizado em 2017, sobre o saneamento básico no país, produzido
pela Agência Nacional de Águas (ANA), autarquia federal responsável pela gestão dos recursos
hídricos brasileiros, divulgado ontem. A agência reguladora pesquisou a situação dos serviços de
esgotamento sanitário em todos os 5.570 municípios brasileiros (VENTURA, 2017).
O levantamento aponta que 43% da população brasileira urbana são atendidos por
sistema coletivo (rede coletora e estação de tratamento de esgotos); 12%, por solução individual
(fossa séptica); 18% se enquadram na situação em que os esgotos são coletados, mas não são
tratados; e 27% são desprovidos de atendimento, ou seja, não há coleta nem tratamento de esgoto.
Somando a parcela dos cidadãos que não têm esgoto tratado e os que não têm coleta, são 45% da
população, ou 93,6 milhões (VENTURA, 2017).

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Figura 7 - Esgotamento sanitário no Brasil segundo estudo da Agência Nacional de Águas. Fonte: O Globo (2017a).

Figura 8 - Remoção de carga poluidora do esgoto coletado. Fonte: O Globo (2017b).

A crise de abastecimento de água enfrentada por grandes cidades brasileiras como São
Paulo, por exemplo, tem relação direta com o esgoto despejado nos rios brasileiros. A falta de
eficiência no tratamento do esgoto resulta em poluição hídrica. A água poluída não pode ser
utilizada para abastecimento humano (VENTURA, 2017).

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2.1.3. Coleta e manejo de resíduos sólidos


A geração de resíduos está diretamente ligada ao modelo de desenvolvimento que
vivemos, vinculada ao incentivo do consumo. Cada habitante produz diariamente cerca de 0,5 Kg
de lixo. Segundo divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, por meio
da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico – PNSB, 99,96% dos municípios brasileiros têm
serviços de manejo de Resíduos Sólidos, a grande questão é a destinação dada a esses materiais
coletados.
A prática da destinação inadequada provoca sérias e danosas consequências à saúde
pública e ao meio ambiente. Isso está ligado um quadro de um grande número de famílias que

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sobrevivem dos “lixões”, e as inúmeras fontes de poluição que surgem.
A coleta pública de lixo é um processo que consiste na separação e recolhimento dos
resíduos descartados por empresas e pessoas. A limpeza das cidades é uma questão de saúde pública,
com influência direta na proliferação de vetores e doenças.

Figura 9 - Coleta pública de lixo Prefeitura Municipal de Curitiba. Fonte: Gazeta do povo (2016).

2.1.4. Drenagem e manejo de águas pluviais urbanas


O conjunto de obras, equipamentos e serviços projetados para receber o escoamento
superficial das águas de chuva que caem nas áreas urbanas, que fazem sua coleta nas ruas,
estacionamentos e áreas verdes, encaminhando-os aos córregos, lagos ou rios, define o sistema de
drenagem e manejo de águas pluviais urbanas. Os sistemas de drenagem pluvial são classificados
em: microdrenagem: sistema inclui a coleta das águas superficiais ou subterrâneas por meio
de pequenas e médias galerias. E o sistema de macrodrenagem, que engloba, além da rede de
microdrenagem, galerias de grande porte e os corpos receptores destas águas (rios ou canais).

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Os  principais componentes de um sistema de drenagem e manejo de águas pluviais


urbanas são:

• Guia ou meio-fio: é a faixa longitudinal de separação do passeio com a rua.

• Sarjeta: é o canal situado entre a guia e a pista, destinada a coletar e conduzir as águas
de escoamento superficial até os pontos de coleta.

• Bocas-de-lobo ou bueiros: são estruturas destinadas à captação das águas superficiais


transportadas pelas sarjetas; em geral situam-se sob o passeio ou sob a sarjeta.

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• Galerias: são condutos destinados ao transporte das águas captadas nas bocas coletoras
até os pontos de lançamento. Possuem diâmetro mínimo de 400 milímetros.

• Poços de visita: são câmaras situadas em pontos previamente determinados, destinados


a permitir a inspeção limpeza dos condutos subterrâneos.

• Trecho de galeria: é a parte da galeria situada entre dois poços de visita consecutivos.

Figura 10 - Rede de drenagem pluvial. Fonte: AEC Web (2018).

Para manter o sistema em funcionamento, algumas ações simples são essenciais: evitar o
descarte de lixo nas ruas, não fazer ligações de esgoto na rede pluvial e manter áreas permeáveis
nos lotes. Com isso, a qualidade dos corpos hídricos melhora, consequentemente elevando a
qualidade de vida da população.

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3 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
Empresas e indústrias devem conscientizar-se cada vez mais para melhor destinarem
seus resíduos; é preciso que os agricultores e criadores de animais estudem melhores métodos de
plantio e uso do terreno para cultivo. É necessário que a população, com o consumo desenfreado
no qual se encontra, tome consciência de que ela também colabora para a erosão e destruição do
solo.
Um solo contaminado, não apenas interfere no cultivo e na baixa produção de alimentos,
mas também traz sérios riscos à saúde, pois alimentos plantados em solo impuro e impróprio

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acabam sendo também contaminados e consequentemente contaminando aqueles que ingerirem
esses alimentos.
Como forma de preservação ambiental dos recursos naturais e garantia de qualidade de
vida da população o saneamento básico é uma importante ferramenta para prevenção de doenças.
Os investimentos aplicados em combate às doenças tendem a diminuir em regiões onde existem
ações de saneamento. Segundo Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada dólar investido em
saneamento básico significa economizar U$ 9 em outras áreas, especialmente a saúde.
Os serviços de saneamento básico são considerados essenciais, é a partir deles que se
pode promover as condições mínimas de desenvolvimento social. Cabe aos gestores e às políticas
públicas o papel de responsabilidade, articulação e execução dessas ações principalmente em
regiões mais pobres, como o norte e nordeste, onde são encontradas as situações e os índices mais
alarmantes de falta de saneamento básico.
O planejamento das ações de políticas públicas, devem ser bem elaborados e completos.
É preciso que se pense e se planeje não só bons projetos, mas como eles serão aplicados e como
contribuirão para a sociedade.

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UNIDADE ENSINO A DISTÂNCIA

04
DISCIPLINA:
PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE OCUPACIONAL -
TRATAMENTO E DESTINAÇÃO DE RESÍDUOS

DESTINAÇÃO DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS,


ASPECTOS LEGAIS, INSTITUCIONAIS E
ORGÃOS REGULAMENTARES
PROF.A NATÁLIA CAVALINI PAGANINI

SUMÁRIO DA UNIDADE

INTRODUÇÃO.............................................................................................................................................................62
1 - RESÍDUOS INDUSTRIAIS.....................................................................................................................................63
1.1. IDENTIFICAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS......................................................................64
1.1.2. PERICULOSIDADE DOS RESÍDUOS SÓLIDOS...............................................................................................64
1.1.2.1. INFLAMABILIDADE........................................................................................................................................65
1.1.2.2. CORROSIVIDADE...........................................................................................................................................65
1.1.2.3. TOXICIDADE..................................................................................................................................................65
1.1.2.4. REATIVIDADE................................................................................................................................................66
1.1.2.5. PATOGENICIDADE.........................................................................................................................................66
1.2. ACONDICIONAMENTO DOS RESÍDUOS INDUSTRIAIS...................................................................................66
1.3. TRANSPORTE DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS....................................................................................................69

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1.3.1. DOCUMENTAÇÕES NECESSÁRIAS PARA O TRANSPORTE ........................................................................ 72
1.4. TRATAMENTO E DESTINAÇÃO FINAL ............................................................................................................. 72
1.4.1. DESTINAÇÃO DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS A ATERROS..............................................................................74
1.4.2. INCINERAÇÃO DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS................................................................................................74
1.4.3. REUTILIZAÇÃO E RECICLAGEM DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS...................................................................75
2 - CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................................................................78

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INTRODUÇÃO
Entre as classificações de resíduos existentes, os resíduos chamados industriais recebem
destaque devido aos riscos que oferecem a saúde e ao ambiente. Tudo que resta da produção
industrial que não pode ser descartada sem controle e exige um método específico para sua
eliminação, é chamado resíduo industrial. Os resíduos assim definidos, como o próprio nome já
diz são originados de processos industriais, sua composição é múltipla e, muitos deles, podem

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ser perigosos, trazendo consequências negativas não só para o meio ambiente, mas também para
a saúde pública.
Os resíduos industriais são responsabilizados pelas maiores agressões ao meio ambiente.
Ao longo dos anos, as indústrias têm empreendido um esforço crescente para tornarem seus
processos produtivos menos agressivos, empregando cada vez mais tecnologias sustentáveis, em
particular no que se refere à geração e gestão de resíduos sólidos. Todavia o emprego na produção
de diversas substancias químicas e tóxicas, como solventes, metais e pesticidas, ainda não pode
ser evitado.
Um agravante da geração de resíduos industrias no Brasil é o desperdício. O desperdício de
materiais, atribuído à falta de capacitação, de educação ambiental e de um processo de produção
enxuta acaba tornando lixo aquilo que poderia ser matéria-prima.
O Brasil possui poucos dados com relação a geração de resíduos industriais. Parte disso
se deve ao fato de que a legislação que obriga as indústrias a declararem essas informações ao
governo é considerada recente, publicada pelo CONAMA em 2002, e infelizmente acatada por
poucos estados.
Independente das leis ambientais, a principal responsabilidade das indústrias é de
não poluir o meio ambiente e prejudicar a saúde das pessoas, podendo garantir inclusive, a
imagem da empresa identificada como “ambientalmente responsável” e, assim, conquistar mais
consumidores. É crescente, o público consumidor atento ao comportamento das empresas e
prefere comprar produtos daquelas com valores éticos e ambientais corretos.

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1 - RESÍDUOS INDUSTRIAIS
Os resíduos definidos como industriais são aqueles gerados a partir de processos
produtivos e instalações industriais. Para realizar a classificação desse tipo de material é essencial
conhecer o processo industrial que deu origem ao resíduo, buscando a melhor gestão em todas as
etapas, desde o transporte interno até a destinação final adequada (BARROS, 2012).
Os resíduos advindos das indústrias podem ser líquidos como efluentes, restos de
produtos e lodos, ou ainda terem forma sólida. Segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos,
Lei Federal n° 12.305/2010, os locais geradores de resíduos industriais ficam sujeitos à elaboração

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de plano de gerenciamento de resíduos – PGR.
Segundo o Portal de Meio Ambiente da Universidade Federal do Rio Grande Do Norte,
o resíduo industrial representa 4% do total gerado no mundo, segundo estudo realizado no ano
de 2012.

Figura 1 - Porcentagens de resíduos gerados no mundo. Fonte: Meio ambiente (2012).

O resíduo industrial não representa grandes proporções diante dos demais resíduos
gerados, porém a sua grande capacidade poluente é superior a todos os outros.
A geração de resíduos é um importante número a ser averiguado no processo produtivo
e está relacionado principalmente ao controle de estoque de matéria-prima. O controle desses
dados deve ser feito por meio da averiguação de notas fiscais de entrada e saída, assim como
documentações de licenciamentos e autorizações anteriores, projetos dos processos industriais,
entre outros (BARROS, 2012).
O gerenciamento dos resíduos industriais passa por algumas etapas macro, apresentadas
na figura a seguir:

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Figura 2 - Etapas do gerenciamento de resíduos industriais. Fonte: Herasul (2017).

1.1. Identificação e Classificação dos Resíduos Sólidos


Além da classificação de acordo com sua fonte geradora, a ABNT 10004/2004 classifica os
resíduos sólidos da seguinte forma (ABNT, 2004):

Resíduos Classe I – Perigosos


Apresentam periculosidade, traduzida em riscos potenciais à saúde pública e/ou
ao meio ambiente apresentando características de inflamabilidade, corrosividade,
reatividade, toxicidade ou patogenicidade.
Resíduos Classe II – Não perigosos
Os resíduos dessa classe são divididos em duas subclasses:
Resíduos classe II A – Não inertes
Aqueles que não se enquadram na classificação de resíduos perigosos, e são
passíveis de terem propriedades como a combustibilidade, biodegradabilidade
ou solubilidade em água.
Resíduos classe II B – Inertes
Resíduos que em contato estático ou dinâmico com água deionizada ou destilada,
à temperatura ambiente, não tem nenhum de seus constituintes solubilizados a
concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água, salvo aspecto,
turbidez, cor, dureza e sabor.

1.1.2. Periculosidade dos resíduos sólidos


A periculosidade de um resíduo é definida pela ABNT NBR 10004/2004 de acordo com
as características apresentadas pelo mesmo, diante de suas propriedades físicas, químicas ou
infectocontagiosas. O resíduo definido como periculoso pode apresentar risco à saúde pública e/
ou ao meio ambiente (BARROS, 2012).
O risco a saúde pública se relaciona ao risco de se provocar mortalidade, incidência
de doenças ou agravando seus índices. E o risco ao meio ambiente está diretamente ligado ao
gerenciamento inadequado desse resíduo. A toxicidade do resíduo está relacionada ao potencial,
em menor ou maior grau, da geração de efeitos adversos, devido seu contato com o organismo
(BARROS, 2012).

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1.1.2.1. Inflamabilidade
Os resíduos que apresente uma ou mais das características a seguir são classificados como
inflamáveis:

• Ser líquido com ponto de fulgor inferior a 60º C, com exceção das soluções aquosas com
menos de 24% do volume em álcool.

• Não ser líquido, mas em condições de temperatura de 25ºC e pressão de 01 atmosfera,


produzir fogo por fricção, absorção de umidade ou alterações químicas espontâneas,

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queimando de modo vigoroso e persistente dificultando a extinção do incêndio.

• Ser oxidante, definido como substância que pode liberar oxigênio estimulando a
combustão ou aumentando a intensidade do fogo em outros materiais.

• Ser gás comprimido e inflamável, de acordo com as regras para o transporte de produtos
perigosos.

1.1.2.2. Corrosividade
Os resíduos são considerados corrosivos quando apresentam uma ou mais das seguintes
características:

• Ser aquoso e apresentar PH inferior ou igual a 2, superior ou igual a 12,5 e quando


misturado com água na proporção de 1:1 em peso, produzir uma solução com PH inferior
a 2 ou superior ou igual a 12,5.

• Ser líquido e quando misturado com água na proporção em peso, produzir corrosão no
aço maior que 6,5 mm/ano em temperatura de 55º C.

1.1.2.3. Toxicidade
Toxidade é a propriedade que o agente tóxico possui de provocar um efeito adverso em
consequência de sua interação com o organismo, seja por inalação, ingestão ou absorção cutânea.
Os resíduos são classificados como tóxicos quando apresentam uma ou mais destas características:

• Possuir contaminantes em concentrações superiores aos valores constantes no anexo F


da NBR 10004/2004.

• Possuir uma ou mais substâncias constantes no anexo C da NBR 10004/2001.

• Apresentar toxicidade avaliada de acordo com os seguintes critérios: natureza da


toxicidade apresentada; concentração dos constituintes tóxicos; potencial do constituinte
ou produtos tóxicos de sua degradação em migrar para o meio ambiente em condições
impróprias de manuseio; persistência do constituinte ou produtos tóxicos de sua
degradação; potencial do constituinte ou produtos tóxicos de sua degradação em produtos
não perigosos, considerada a velocidade da degradação; extensão em que o constituinte
ou produtos tóxicos de sua degradação causam bioacumulação nos ecossistemas;

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efeitos nocivos por agentes teratogênicos, mutagênicos, carcinogênicos ou ecotóxicos de


substâncias isoladas ou decorrentes da sinergia entre os constituintes do resíduo.

1.1.2.4. Reatividade
Os resíduos são reativos quando forem instáveis, reagirem de forma violenta e imediata
sem detonar e com a água ou quando formarem misturas potencialmente explosivas em contato
com a água.
Também, quando misturados à água, gerarem gases, vapores ou fumaças tóxicas,
provocando danos à saúde pública ou ao meio ambiente. Se confinados e produzirem explosões

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ou detonações sob estímulo, ações catalíticas ou temperatura ambiente também são considerados
resíduos reativos.

1.1.2.5. Patogenicidade
Os resíduos que contêm microrganismos associados a doenças, proteicas virais, ácidos
desoxirribonucleicos (DNA) ou ribonucleicos (RNA), organismos geneticamente modificados,
plasmídeos, cloroplastos, mitocôndrias e/ou toxinas capazes de alterarem as condições normais
de saúde em seres humanos, animais e vegetais são considerados resíduos patogênicos.
Os resíduos que mais se encaixam nessa categoria são os provenientes dos serviços de
saúde, assim como laboratórios, empresas, universidades e outras atividades que produzem uma
ou mais das cinco categorias em que são enquadrados pela Resolução da ANVISA, nº 306/2004 e
Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, nº 358/2005.

1.2. Acondicionamento dos Resíduos Industriais


O acondicionamento dos resíduos industriais é uma etapa essencial a gestão, anterior
a coleta. A forma de acondicionamento dos resíduos tem reflexo direto na etapa de transporte
(BARROS, 2012).
Os resíduos devem ser acondicionados nos próprios locais de geração, em recipientes
adequados as características de cada material gerado. Essa adequação deve ser feita com avaliação
de características de compatibilidade mecânica e também química. Para isso, é imprescindível
conhecer origem e periculosidade do resíduo descartado, e suas incompatibilidades (BARROS,
2012).
A tabela a seguir dá exemplos de resíduos incompatíveis conforme a lei norte americana
(40CFR264 App V) e a ABNT NBR 10157/1987.

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Tabela 1 - Exemplos de resíduos incompatíveis. Fonte: Degr UFSCAR (2016).

Além de respeitar a compatibilidade dos resíduos, as formas de acondicionamento


devem considerar características físicas e químicas dos resíduos gerados, e os recipientes e
contêineres devem garantir estanqueidade, e resistência química e mecânica. Alguns exemplos de
acondicionamento são: big bags, contêineres metálicos estacionários (ou com rodízios) protegidos
com lona, contêineres em PEAD, bombonas metálicas ou plásticas, contêineres tanque, tambores
metálicos ou de plástico etc.

Figura 3 - Acondicionamento de resíduos em big bags. Fonte: Engenha Frankweb (2017).

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Figura 4 - Acondicionamento de resíduos em tambores metálicos. Fonte: Ecopetro (2018).

A coleta interna da empresa deve ser com equipamento compatível aos recipientes
e contêineres. As rotas e horários devem ser planejados previamente, e de conhecimento dos
funcionários. Um ponto importante a se destacar é que todos os funcionários devem ser treinados
a agir em situações de emergências com os resíduos.
A coleta no interior da empresa destina os resíduos aos locais de armazenamento
temporário. Os resíduos ficam armazenados aguardando transporte para o local de reciclagem,
tratamento ou disposição final, mediante autorizações legais para transportes e controle de
poluição ambiental.
Os locais para armazenamento temporário devem garantir segurança a saúde e ao meio
ambiente e a saúde pública. Em alguns casos, esses locais devem ser protegidos do tempo, com
impermeabilização do piso e assente em pallets de madeira. No caso de resíduos acondicionados
em tanques com proteção lateral, são exigidas bacias de contenção dotadas de sistema de
drenagem, no caso de eventuais vazamentos (BARROS, 2012).

1.3. Transporte de Resíduos Industriais


Todas as exigências relacionadas ao transporte terrestre de resíduos estão contempladas
na ABNT NBR 13221/2017. A Agência Nacional de Transportes Terrestres ANTT regulamenta
o transporte de produtos perigosos por meio da Resolução nº 420, de 12 de fevereiro de 2004,
e suas alterações pelas Resoluções n° 5232 de 14/12/2016, n° 5377 de 29/06/2017, n°5581 de
22/11/2017 e n° 5623 de 15/12/2017.
O transporte deve ser feito por meio de equipamento adequado, obedecendo à legislação
pertinente. Os equipamentos utilizados nos serviços de transporte devem estar em bom estado de
conservação, não sendo tolerados vazamentos ou derramamentos de resíduos. A qualidade das
embalagens onde os materiais estão acondicionados também deve ser um fator a ser considerado.
O resíduo deve estar totalmente protegido de intempéries e bem acomodado para que
não ocorra sua disseminação pelas vias durante o transporte. Problemas com a ancoração das
embalagens podem ser evitados a partir dessa verificação.

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As legislações pertinentes proíbem o transporte de alguns tipos de cargas misturadas.


Alimentos, medicamentos ou produtos destinados ao uso ou consumo humano ou animal,
ou, ainda, embalagens destinadas a estes fins não podem ser transportadas juntamente com os
resíduos sólidos.
De acordo com o tipo de resíduo que será transportado, deverão ser observadas
regulamentações específicas. Produtos perigosos, sobretudo, devem atender a especificações
bastante criteriosas. A legislação pode sofrer variações de acordo com cada estado e cidade,
dessa forma é preciso ter uma atenção maior com cargas que passam por diferentes locais. Vale
ressaltar que, todas as cargas devem estar acompanhadas dos documentos de controle ambiental
expedidos pelos órgãos competentes.

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Quando se faz necessária a descontaminação dos equipamentos de transporte, a
responsabilidade é do gerador. O procedimento de descontaminação deve ser realizado em locais
previamente aprovados pelo órgão de controle ambiental competente.  Os métodos selecionados
também deverão ser submetidos à aprovação.
As cargas de produtos perigosos devem estar acompanhadas de uma ficha de
emergência até a sua destinação final, reciclagem, reprocessamento, eliminação por incineração,
coprocessamento ou outro método de disposição. Nos casos em que não houver legislação
ambiental específica para o transporte de resíduos perigosos, o gerador do resíduo deve emitir
documento de controle de resíduo com as seguintes informações:

• Sobre o resíduo: nome apropriado para embarque, conforme Portaria nº 204 do


Ministério dos Transportes; estado físico (sólido, pó, líquido, gasoso, lodo ou pastoso);
– classificação conforme Portaria nº 204 do Ministério dos Transportes; – quantidade; –
tipo de acondicionamento (anexo A); – nº da ONU; – nº de risco; – grupo de embalagem.

• Sobre o gerador, receptor e transportador do resíduo: atividade; razão social; endereço;


telefone; fax; e-mail.

• Nome(s) da(s) pessoas(s), com respectivo(s) número(s) de telefone(s), a ser(em)


contatada(s) em caso de emergência.

Os veículos que transportam resíduos industriais classificados como perigosos devem ser
identificados com um painel de segurança, trata-se de uma placa em formato retangular, sendo
que as arestas horizontais devem medir 40 centímetros e as verticais 30 centímetros. O fundo
do painel deve ser na cor laranja com bordas pretas de, no máximo, 1 centímetro de espessura.
A placa também deve conter o número de risco da carga e o número da ONU (Organização das
Nações Unidas).
O número da ONU é uma identificação composta por quatro algarismos, que reconhece
o material transportado de acordo com a tabela internacional de classificação de produtos
perigosos. Já o número de risco identifica a categoria e a intensidade do risco que a carga oferece.
Formados por dois ou três algarismos, a relevância do risco é registrada da esquerda para a direita.
Todos os números presentes na placa têm o significado de acordo com a sua classe de risco. Os
significados destes números podem ser observados na tabela abaixo.

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Tabela 2 - Significados dos números de risco. Fonte: Wanderson Monteiro (2017).

Além do painel de segurança as cargas perigosas devem ter identificadas os rótulos de


risco. Tratam-se de placas com formato de losango e arestas de 30 centímetros. Estas placas devem
conter uma ilustração que representa o tipo de perigo do produto, a descrição da mercadoria
e o número que represente a sua classe de risco. A cor da placa também define qual é a classe da
carga. Ao todo são 9 classes, sendo elas:

✓ Classe 1: produtos explosivos.


✓ Classe 2: gases.
✓ Classe 3: líquidos inflamáveis.
✓ Classe 4: sólidos inflamáveis.
✓ Classe 5: substância oxidantes e peróxidos orgânicos.
✓ Classe 6: substâncias tóxicas e substâncias infectantes.
✓ Classe 7: materiais radioativos.
✓ Classe 8: substâncias corrosivas.
✓ Classe 9: substâncias e artigos perigosos diversos.

Figura 5 - Exemplo de painel e rótulo de segurança. Fonte: Gestran (2018).

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1.3.1. Documentações necessárias para o transporte


De forma ampla, os documentos exigidos pela Agencia Nacional de Transportes Terrestres
ANTT, para o transporte de cargas perigosas são:

• Documento fiscal.
• Ficha de emergência e envelope para o transporte.
• Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Carga (RNTRC).
• Licença Ambiental emitida pelo órgão ambiental responsável pelo trecho.
• E o condutor do veículo deve ser habilitado ao transporte de cargas perigosas.

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1.4. Tratamento e Destinação Final
Os principais tratamentos empregados em resíduos perigosos oriundos das indústrias
comprometem em tornar esses materiais não perigosos. Em 2008, a Agencia de Proteção
Ambiental dos Estados Unidos USEPA publicou o resumo das tecnologias empregadas no
tratamento de resíduos perigosos (BARROS, 2012).

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Tabela 3 - Tratamentos empregados em resíduos industriais perigosos. Fonte: Abetre (2006).

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1.4.1. Destinação de resíduos industriais a aterros


Muitos dos resíduos industriais têm sua disposição final em aterros. Os aterros autorizados
a receberem esse tipo de material contam com itens de projeto e operação mais criteriosos do que
os exigidos aos aterros que recebem apenas resíduos comuns (BARROS, 2012).
Entre esses itens podemos citar: o duplo sistema de impermeabilização, com sistema de
detecção de vazamento; plano de emergência; plano de inspeção e manutenção preventiva; plano
de fechamento (medidas de desativação). Além de exigências relativas à: localização, separação,
análise dos resíduos, monitoramento, inspeção, treinamentos dos funcionários e controle da
poluição ambiental por meio dos órgãos ambientais de fiscalização (BARROS, 2012).

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1.4.2. Incineração de resíduos industriais
A incineração dos resíduos industriais traz vantagens como a redução do volume e a
destruição dos compostos tóxicos, eliminando então a sua toxicidade. É um processo de
combustão controlada da chama, os resíduos orgânicos se tornam cinzas, gases menos tóxicos e
líquidos (BARROS, 2012).
Os incineradores devem conter equipamentos de controle de poluição gasosa e de material
particulado. Podem ser incinerados:

✓ Resíduos industriais sólidos, líquidos e pastosos.


✓ Defensivos agrícolas e suas embalagens.
✓ Resíduos da indústria farmacêutica e de cosméticos.
✓ Químicos e reagentes.
✓ Resíduos orgânicos clorados e não-clorados.
✓ Resíduos contaminados com hidrocarbonetos (óleo, solvente, entre outros).
✓ Resíduos dos serviços de saúde (grupo A, B e E).
✓ Zoonoses.
✓ Documentos.

Figura 6 - Incinerador de resíduos localizado na cidade de Mauá-SP. Fonte: Silcon (2017).

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1.4.3. Reutilização e reciclagem de resíduos industriais


Muitos resíduos industriais podem ser reciclados, o que contribui para evitar a disposição
final no ambiente, o que pode gerar um grande passivo ambiental. O processo de reciclagem
permite reduzir o consumo de matérias-primas, a poluição do ar e da água, ao reduzir também a
necessidade de tratamento convencional de lixo e a emissão de gases.
Os resíduos reciclados podem ser utilizados novamente como matéria prima sem
anteriormente ter sido recuperado para uso. Ou ainda ser utilizado como um substituto do
produto, material diretamente usado como um substituto eficaz para um produto comercial.
A Ambev, empresa brasileira de fabricação de cervejas, utiliza a mesma garrafa de vidro

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cerca de 20 vezes. Em média, 65% da matéria-prima usada na fabricação de novas garrafas por
toda a empresa provêm de reciclagem. Na Ambev Vidros, seis de cada dez são feitas a partir de
outras garrafas. Com o processo, a fabricante calcula que deixa de consumir 75.000 toneladas de
material virgem por ano – o equivalente a 300 milhões de garrafa (VAZ, 2016).

Figura 7 - Garrafas reutilizadas na fábrica da Ambev. Fonte: Exame (2016).

Logística reversa
Com a instituição da Lei 12305 Política Nacional de Resíduos Sólidos ficou tam-
bém definido o sistema de logística reversa, ou também chamada de logística
inversa. Esse campo da logística tem foco no retorno de materiais já utilizados
para o processo produtivo, visando o reaproveitamento ou descarte apropriado de
materiais e a preservação ambiental.
Quando uma empresa de logística consegue empregar um processo de logística
reversa de maneira ainda lucrativa, ela está alcançando a sustentabilidade econô-
mica e ambiental do seu negócio. Dessa forma, grandes empresas não se tornem
inimigas da sociedade, mas parceiras valiosas na rotina.
A logística reversa engloba diferentes atores sociais na responsabilização da des-
tinação ambientalmente adequada dos resíduos sólidos.

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Gera obrigações, especialmente do setor empresarial, de realizar o recolhimento


de produtos e embalagens pós-consumo, assim como reassegurar seu reapro-
veitamento no mesmo ciclo produtivo ou garantir sua inserção em outros ciclos
produtivos.
A partir da PNRS, o sistema de logística reversa se tornou obrigatório para as se-
guintes cadeias:

• Agrotóxicos, seus resíduos e embalagens.


• Pilhas e baterias.
• Pneus.

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• Óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens.
• Lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista.
• Produtos eletroeletrônicos e seus componentes.
• Produtos comercializados em embalagens plásticas, metálicas ou de vidro.

Figura 8 - Ponto de coleta de pilhas, baterias e lâmpadas. Fonte: Apras (2016).

O artigo 3, parágrafo 12, da Lei 12.305 traz que:

a logística reversa consiste em um instrumento de desenvol-


vimento econômico e social caracterizado por um conjunto de
ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a
restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reapro-
veitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra
destinação final ambientalmente adequada (BRASIL, 2010).

A logística comum é um conjunto de estratégias e ações para produzir e entregar


produtos da forma mais barata e ágil possível às lojas e consumidores. Já a logís-
tica reversa, é um conjunto de estratégias e ações para recolher esses produtos
utilizados da forma mais barata e ágil possível. Para entregar um produto apenas
dois agentes são envolvidos: a fabricante e sua transportadora. Ambos executam
sua estratégia para que os produtos cheguem ao ponto de venda.

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Para que a logística reversa aconteça, todos os agentes também devem ter incen-
tivos. Os fabricantes e transportadoras devem ser incentivadas pelo Governo. As
lojas devem ser incentivadas pelas empresas e as pessoas devem ser incentiva-
das tanto pelas empresas quanto pelas lojas.

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Figura 9 - Papéis e responsabilidades no sistema de logística reversa. Fonte: Ecocemufsc (2015).

O sistema de logística reversa é um ciclo que contempla as indústrias, os distribui-


dores, o comércio, os consumidores, os pontos de coleta e seleção e a reciclagem.

Figura 10 - Ciclo da logística reversa. Fonte: Varejo Brasil (2018).

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A logística reversa traz muitos benefícios às empresas, principalmente, porque ela


estará cumprindo a lei e beneficiando a sociedade. Isso pode ser utilizado como
argumento de marketing em sua estratégia de comunicação.

2 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

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Diante do grande problema ambiental que é a geração e falta de gestão dos resíduos
industriais, é momento de o setor industrial incorporar, com mais eficiência, a sustentabilidade
em suas rotinas de trabalho, em especial no que diz respeito à adoção de processos produtivos
menos agressivos.
Variadas são as políticas e ações ambientais disponíveis para as organizações empresariais
dispostas a reduzir seus resíduos e/ou gerenciá-los corretamente. Podemos citar por exemplo:
a Produção mais limpa (P+L), a Política dos 3 Rs (Reduzir, Reutilizar, Reciclar), os Planos de
Gerenciamento de Resíduos (PGR), os Programas de Educação Ambiental (PEA), os Sistemas de
Gestão Ambiental (SGA) e tantas outras.
Infelizmente, ainda é grande a resistência, por parte do empresariado, em implantar tais
medidas. Muitos empresários acreditam que a inserção da questão ambiental em suas empresas
implicará em grandes investimentos.
A gestão eficiente de fornecedores associada à aplicação da avaliação do ciclo de vida no
gerenciamento de resíduos proporciona e viabiliza a geração de valor para o ambiente corporativo.
Entender o ciclo de vida do produto prezando por uma gestão ambientalmente correta, agrega
valor à marca, e dá ao cliente final a noção de responsabilidade que a empresa quer passar.
A elaboração de inventários e planos de gerenciamento colaboram para a correta
realização das etapas de coleta, classificação, transporte e destinação final adequada dos resíduos
industriais e evitando que eles sejam jogados de forma indiscriminada no meio ambiente.
As indústrias que fazem gestão dos resíduos que produzem, garantindo reaproveitamento
quando possível, e a melhor disposição final demonstram o empenho com sua cadeia de valor,
evidenciando transparência e aprimorando a comunicação entre todos os envolvidos no ciclo de
produção.

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