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GEOGRAFIA DO BRASIL – VOLUME 2 - 2017


Prof. Douglas

Índice

2.6 A agropecuária, a estrutura fundiária e problemas sociais rurais no Brasil, dinâmica das fronteiras agrícolas
e sua expansão para o Centro-Oeste e para a Amazônia. .................................................................................. 1
Exercícios.............................................................................................................................................................10
2.7 A população brasileira: evolução, estrutura e dinâmica............................................................................. 18
2.8 A distribuição dos efetvos demográfcos e os movimentos migratórios internos: refexos sociais e espaciais
....................................................................................................................................................................... 27
2.9 O desenvolvimento econômico e social e os indicadores sociais do Brasil. ................................................ 35
Exercícios.............................................................................................................................................................42

3. O Espaço Natural Brasileiro: seu aproveitamento econômico e o meio ambiente. ...................................... 49


3.1 Geomorfologia do território Brasileiro: O território brasileiro e a placa sulamericana; as bases geológicas
do Brasil; as feições do relevo; os domínios naturais e as classifcações do relevo brasileiro. .......................... 49
Exercícios.............................................................................................................................................................65
3.2 Os recursos minerais ................................................................................................................................. 75
3.3 Fontes de energia e os recursos hídricos. .................................................................................................. 84
Exercícios.............................................................................................................................................................98
3.4 A biosfera e os climas do Brasil................................................................................................................ 106
Exercícios..........................................................................................................................................................115
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2.6 A agropecuária, a estrutura fundiária e problemas sociais rurais no Brasil, dinâmica das fronteiras
agrícolas e sua expansão para o Centro-Oeste e para a Amazônia.

Durante séculos, o modelo agrário brasileiro baseou-se em técnicas rudimentares no uso da terra.
Mudanças ocorridas nas últmas décadas indicam o incremento da produtvidade da pecuária e o aumento da
área ocupada pelas lavouras comerciais.
De país essencialmente agrário, com base no manejo da terra com mão de obra abundante, o Brasil
avançou na artculação entre a agropecuária e a indústria. O fnanciamento público para a produção, por meio
de linhas de crédito, e para a pesquisa, tais como as desenvolvidas pela Embrapa, foi fundamental para o
aprimoramento tecnológico da agropecuária brasileira.
O Brasil faz parte do grupo dos maiores exportadores mundiais de produtos agropecuários. Tal posição
foi alcançada graças à expansão das fronteiras agrícolas e ao investmento em ciência e tecnologia, que
ampliaram a produtvidade e a compettvidade do agronegócio brasileiro nos mercados globais.
Em 2015 e 2016 o Brasil apresentou queda do PIB da ordem de 3,8% e 3,5%, mas a agropecuária
registrou crescimento de produção da ordem de 1,8% em 2015 e 2% em 2016.
Nos últmos 30 anos, o Brasil diminuiu consideravelmente a importação de alimentos e transformou-se
num dos maiores exportadores mundiais. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) a produção de grãos na safra 2015/2016 ultrapassou
210 milhões de toneladas, com destaque para a soja (95 milhões de toneladas), 2º maior produtor mundial e
o milho (88 milhões de toneladas), 3º maior produtor. Em 2015, o Brasil manteve-se como grande fornecedor
de carne de frango (13 milhões de toneladas), se consolidando como 2º produtor mundial, carne suína (3,6
milhões de toneladas), 5º maior produtor e carne bovina (9,2 milhões de toneladas), maior produtor mundial.
Podemos dividir a área agrícola brasileira em dois tpos de lavoura: cultura permanente e cultura
temporária. No primeiro caso, as plantas levam mais de um ano para produzir; podem ser retradas após a
primeira colheita ou permanecem produtvas, como as árvores frutferas. Exemplo:laranja, cacau, banana,
maçã, café. Já as lavouras temporárias são formadas por plantas com ciclo de vida curto, que precisam ser
replantadas todos os anos. Exemplos de culturas agrícolas temporárias: feijão, arroz, trigo, cana, soja, milho,
algodão. De acordo com o últmo censo agropecuário realizado no Brasil, em 2006, as lavouras temporárias
ocupavam cerca de 40 milhões de hectares naquele ano. Entre elas, destacam-se a soja, o milho e a cana-de-
açúcar. As lavouras permanentes, por sua vez, ocuparam cerca de 12 milhões de hectares, com destaque para
o café, o cacau e a laranja, essa últma fortemente concentrada no estado de São Paulo.
Em 2006, as pastagens ocupavam 220 milhões de hectares de terras, com destaque para o rebanho
bovino, criado de maneira extensiva. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de
Carne (Abiec), estma-se que somente 3% do rebanho nacional é criado em sistemas intensivos. A grande
mudança que ocorreu nas últmas décadas foi a melhoria da pastagem, com o objetvo de alcançar uma
produção de ciclo mais curto. Contribuíram para essa transformação o aumento da partcipação dos
supermercados na distribuição da carne bovina e a segmentação dos consumidores, que buscam marcas
diferenciadas e de qualidade, favorecendo o investmento em melhoria genétca, controle de doenças e
infraestrutura para a expansão de sistemas intensivos (confnamento em estábulos, com suplementos
alimentares).
Entre 1996 e 2006, a área de lavoura do país aumentou 20,9%, enquanto a área de pastagem diminuiu
10,7%. O Censo agropecuário 2006 apontou que, nesse período, houve a substtuição de áreas de pastagens
por lavouras, principalmente em razão da progressiva inserção do Brasil no mercado mundial de produção de
grãos, com destaque para a soja. Quanto ao aumento da área de lavoura, os resultados mais expressivos
vieram da Região Norte, que apresentou um crescimento de 38,3%. Em contrapartda, os menores
incrementos ocorreram nas regiões de ocupação mais consolidada: Sudeste, com 15%, e Sul, com 12,6%.

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Essas transformações no uso da terra tornaram a ocupação da Amazônia um assunto de interesse para
diferentes grupos, como dos pecuaristas, da população indígena e ribeirinha.
A diminuição das áreas de pastagens entre 1996 e 2006 revela o uso mais intensivo da terra, pois,
paralelamente a essa redução, constatou-se o crescimento dos principais rebanhos no mesmo período: 15,1%
do bovino e 12,1% do suíno.
A intensifcação da pecuária ocorreu onde já havia desenvolvimento da atvidade, como em áreas dos
estados de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul. De
modo geral, a Região Centro-Sul apresentou queda no percentual das terras de pastagens em relação à área
dos estabelecimentos agropecuários, o que está relacionado ao avanço das lavouras.
De acordo com os dados apresentados pelo Plano agrícola e pecuário 2014/2015, do Ministério da
Agricultura, está ocorrendo um processo de especialização da agropecuária. Entre os principais
produtos agropecuários do Brasil, a pecuária apresentou a maior partcipação no valor da produção (19,2%),
seguida da cana-de-açúcar (13,5%) e da soja (13,4%). Com o cultvo de cereais (8%) e de outros produtos da
lavoura temporária (7,2%), esses produtos são responsáveis por mais da metade do valor da produção
agropecuária no país.
Nos últmos 10 anos, o crescimento da produção e das exportações de produtos agropecuários alterou
a inserção do país no mercado mundial. O Brasil tem mantdo uma posição de destaque entre os principais
produtores de commodites e elevado número de parceiros no comércio mundial.

Tipos de unidades produtvas


Em 2006, quase 90% dos estabelecimentos rurais brasileiros não possuíam trator, utlizando-se ainda
de técnicas rudimentares de planto, como o sistema de roça ou itnerante, que consiste no desmatamento de
um pedaço de terra, seguido da queimada para proceder à limpeza do terreno — prátca denominada coivara.
Após a limpeza, o terreno é semeado. Pratcamente não há utlização de defensivos agrícolas ou adubo, e, em
geral, quando o solo atnge um estado de esgotamento, é abandonado após dois ou três anos de uso.
Percebe-se, assim, enorme diferença entre os estabelecimentos agropecuários brasileiros no que diz
respeito à tecnologia e à produtvidade. Embora o país aprimore suas pesquisas e técnicas em melhoria
genétca, correção dos solos, mecanização de processos de cultvo e colheita, a maioria dos estabelecimentos
rurais ainda apresenta baixa produtvidade e está fora dos circuitos dos negócios agropecuários.
Enfm, a modernização técnica da agropecuária difunde-se de maneira desigual pelo território
brasileiro, sendo mais concentrada nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul,
Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que possuem sistemas agropecuários dotados de tecnologia
intensiva, resultando em elevada produtvidade. No Nordeste, aparecem manchas de modernização nos
cerrados da Bahia, do Maranhão e do Piauí, em razão principalmente dos cultvos de soja, e no Vale do Rio
São Francisco, com destaque para a produção irrigada de frutas destnada sobretudo ao mercado europeu.
Os estabelecimentos rurais brasileiros podem ser divididos pela forma como se organiza o processo de
trabalho na unidade de produção. Assim, as unidades de agricultura familiar são aquelas nas quais os
proprietários trabalham diretamente na terra, sem o uso de outra mão de obra, além dos próprios membros
da família. Por sua vez, as unidades de agricultura patronal são aquelas nas quais o trabalho contratado é
superior ao familiar ou o comando da produção não é exercido por quem trabalha diretamente na terra.
Os diferentes tpos de unidade de produção partcipam desigualmente da produção da riqueza gerada
na agropecuária brasileira. Enquanto a agropecuária patronal gera 68% do PIB agrícola brasileiro, a
agropecuária familiar é responsável por 32%.
Porém, esse cenário pode mudar, uma vez que parte das unidades de agricultura familiar também se
modernizou e partcipa das cadeias agroindustriais. Um programa de incentvo a essa mudança foi o Programa
Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), responsável por cerca de 15% dos
fnanciamentos para as atvidades agropecuárias brasileiras.

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Em segundo lugar, não se pode desconsiderar que a maioria do pessoal ocupado nos estabelecimentos
rurais brasileiros trabalha nas unidades de agricultura familiar. Apesar de cultvar uma área menor com
lavouras e pastagens, a agricultura familiar é responsável pelo fornecimento de boa parte dos alimentos que
estão nas mesas das famílias brasileiras, o que reafrma a sua importância social e econômica.

Cadeias produtvas do agronegócio – modernização agrícola


Atualmente, as modernas propriedades rurais estão inseridas em cadeias produtvas complexas, que
envolvem uma rede de estabelecimentos, como cooperatvas, indústrias e centros de distribuição. Assim, a
matéria-prima animal ou vegetal transforma-se em produtos de maior valor agregado.
A modernização da agropecuária se deu através da formação dos complexos agroindustriais, que
contribuiu para aumentar de forma signifcatva a produtvidade agrícola e transformou o Brasil em um grande
produtor/exportador de commodites agrícolas.

O complexo agroindustrial integra várias atvidades dos setores primário, secundário e terciário. É o
somatório das atvidades industriais (indústria para agricultura e agroindústria), atvidades agropecuárias e
atvidades logístcas de transporte, armazenamento e distribuição dos insumos e dos produtos para consumo,
formando a cadeia produtva do agronegócio, que gera 30% do PIB nacional e metade das exportações do
país.
O produtor agropecuário é um consumidor de produtos industriais, pois ele necessita de insumos para
produzir. Esses insumos são produzidos pelas indústrias para a agricultura. Após a colheita, a produção
agrícola é processada (benefciada) pelas indústrias da agricultura, que são as agroindústrias, que geralmente
se instalam nas proximidades da produção agrícola. Geralmente, o produtor agropecuário sofre um efeito
sandwich, é o recheio do complexo agro-industrial, pois é espremido pelas indústrias dos dois lados, que
fcam geralmente com a maior parcela dos lucros. O complexo agro-industrial também é chamado de
agronegócio, pois movimenta muito capital em toda a cadeia produtva.

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Fronteiras Agrícolas
O desenvolvimento capitalista no Brasil tem imposto uma reordenação territorial ao campo brasileiro. A
formação dos grandes mercados urbanos nas regiões metropolitanas permitu que novos produtos agrícolas
fossem cultvados, formando assim novas áreas produtoras ou mesmo revigorando outras já decadentes.
Somada à da produção voltada para o mercado externo está a expansão das culturas de exportação, via de
regra fnanciadas com incentvos fscais oriundos das polítcas territoriais do Estado. Assim, combinando
mercado interno e mercado externo, o Estado atuou no sentdo de incrementar a produção principalmente de
grãos.
O caráter industrial da agricultura capitalista do país possibilitou a produção em grande escala das culturas
cuja obtenção de preços altos no mercado garanta lucro certo nesses empreendimentos. O Estado atuou no
sentdo de estmular esses setores compettvos, deixando as culturas alimentares em segundo plano. Isto tem
mudado nos últmos anos com as linhas de crédito do Pronaf, destnadas à agricultura familiar.
Entre as polítcas públicas, cabe ressaltar as voltadas para a implantação de novos pólos de
desenvolvimento, na década de 1970: o Polocentro, o Polonordeste e o Polamazônia.
O Polocentro esteve e está voltado para a expansão da cultura de grãos – soja e arroz principalmente – no
cerrado do Brasil Central.
O Polonordeste foi responsável, sobretudo, pelos investmentos na Zona da Mata nordestna e no Sertão.
Na região semi-árida, essas polítcas governamentais privilegiaram investmentos em projetos de irrigação,
quer nas áreas do açudes, quer nos vales dos rios da região. Papel de destaque coube à área do rio São
Francisco nos estados da Bahia e Pernambuco, ao vale do rio Açú no Rio Grande do Norte e ao vale do rio
Jaguaribe no Ceará.
O Polamazônia foi responsável pelo estabelecimento dos pólos de desenvolvimento agromineral e
agropecuário na região amazônica. Seguramente, dessa polítca derivaram os atuais processos de
desmatamento e de violência na região.

A expansão para o Centro-Oeste e Amazônia impulsionada pela soja.


A expansão da cultura de soja no país ocorreu entre as décadas de 1960 e 1980, por meio de incentvos
governamentais repassados aos produtores na forma de linhas de crédito. Até o início da década de 1970, a
produção brasileira de soja era concentrada na Região Sul, que reunia as condições naturais para esse tpo de
lavoura. Nessa época, porém, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias) — órgão
governamental criado com o objetvo de melhorar as condições de planto e a seleção de novas espécies
adaptadas aos solos brasileiros — desenvolveu a primeira semente de soja adaptada às condições tropicais,
ao mesmo tempo que criava um produto à base de calcário (calagem) capaz de neutralizar a acidez natural do
solo dos Cerrados. Com isso, os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, que dispunham de terra
abundante e barata, transformaram-se na nova fronteira agrícola do país, atraindo principalmente
fazendeiros do Sudeste e do Sul.

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Em menos de 30 anos, o Centro-Oeste desbancou o Sul como principal região produtora de soja do país, e
o Brasil tornou-se um dos maiores exportadores mundiais de soja em grãos, óleo de soja e farelo (usado
principalmente na alimentação dos rebanhos).

Em anos mais recentes, o avanço do cultvo por todas as regiões tem garantdo a manutenção da soja no
topo da lista da produção de grãos pela agricultura brasileira. Especialmente, a região denominada
de Matopiba, localizada entre o Maranhão, o Tocantns, o Piauí e a Bahia, tem sido considerada uma nova
fronteira da sojicultura brasileira. A expressão Matopiba tem origem na junção dos nomes desses quatro
estados.
Os investmentos em pesquisas genétcas no cultvo de soja têm garantdo alta produtvidade às
propriedades rurais. A alta produtvidade, aliada à alta
demanda da indústria alimentcia, tem incentvado cada
vez mais a expansão do cultvo desse produto agrícola.
Em 2014, o Brasil passou a ser o maior produtor de soja
do mundo, ultrapassando os Estados Unidos. Na safra
2015/2016 os Estados Unidos voltou a passar o Brasil, mas
a tendência é o Brasil se consolidar como maior produtor
nos próximos anos, uma vez que a soja no Brasil ainda
está em fase de expansão.
Perceba no gráfco ao lado que a expansão da fronteira
agropecuária da soja nos últmos anos avança pela
Amazônia e áreas de Cerrado no Nordeste.

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Outros cultvos
Outra cadeia produtva bem estruturada no Brasil é a do setor sucroalcooleiro. O Brasil domina e artcula
todas as etapas de produção, envolvendo várias atvidades: produção da cana-de-açúcar, processamento do
açúcar e do etanol, realização de pesquisa e capacitação técnica, transporte e comercialização.
Com a aplicação da biotecnologia e da bioquímica em novas variedades de cana, o estado de São Paulo
transformou-se nas últmas décadas no principal produtor de açúcar e álcool do país. O desenvolvimento de
maquinário para a mecanização em diversas etapas da produção atraíram os investmentos de grandes
empresas nacionais e internacionais para o setor sucroalcooleiro paulista. Nos últmos anos, o uso do bagaço
da cana (biomassa) tem sido utlizado para a geração de eletricidade.
O Brasil é o maior produtor de açúcar do mundo e o segundo maior produtor de etanol, porém é o
primeiro de etanol obtdo da cana.
Um dos problemas sociais do setor sucroalcooleiro é que todo esse desenvolvimento econômico não foi
acompanhado pelas melhorias das condições de vida de todos os trabalhadores, pois nas áreas que a colheita
da cana ainda não é mecanizada persiste o trabalhador assalariado temporário, o bóia fria, submetdo a
precárias condições de trabalho e de remuneração.
O café é um dos produtos agrícolas mais antgos do Brasil. A
expansão territorial do cultvo, desde o fnal do século XIX, e sua
importância na pauta de exportação brasileira ao longo do século
XX possibilitaram que o café ocupasse uma posição de destaque
ainda maior do que a produção de cana-de-açúcar e de algodão.
A partr da década de 1970, a atuação da Associação Brasileira
da Indústria do Café (Abic) atuou na criação de medidas de
organização da produção. Entre elas a criação de um selo de
qualidade, que conferiu maior credibilidade ao café brasileiro, e do
Comitê Brasileiro do Café, congregando pela primeira vez os
produtores, as empresas do setor de torrefação e moagem e a indústria de café solúvel e de exportação.
Atualmente, o Cerrado mineiro destaca-se na produção brasileira de café, em razão das condições naturais
da região e, principalmente, do emprego de modernas tecnologias agrícolas. O Brasil contnua sendo
disparado o maior produtor e exportador mundial de café, detendo cerca de 1/3 das exportações mundiais,
seguido por Vietnam e Colômbia.
A produção de algodão concentra-se especialmente nos estados de Mato Grosso e Bahia, que respondem
em 2015/16 por 87,0% da produção do país. Mato Grosso tem a
liderança com 63,6% da produção nacional, vindo a seguir o estado
da Bahia com 23,4% da produção brasileira. O Brasil aparece em 5º
lugar na produção mundial de algodão, logo após Índia, China,
Estados Unidos e Paquistão.
A produção de trigo no país concentra-se na região Sul, sendo o
Paraná e Rio Grande do Sul os principais produtores. O Paraná deve
produzir na atual safra, 2015/16, 60,7% da produção nacional e o
Rio Grande do Sul, 26,5%. Esses dois estados respondem por 87,2%
da produção nacional.
A produção de trigo na safra 2015/16 está sendo estmada pela
Conab em 5,5 milhões de toneladas e pelo IBGE em 5,7 milhões. O
consumo interno está projetado em 10,9 milhões de toneladas. Ou
seja, o Brasil produz aproximadamente a metade do trigo que
consome, sendo o maior importador de trigo do mundo. O Brasil
importa trigo da Argentna.

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A produção nacional de milho, em 2015/16, está distribuída nos estados de Mato Grosso, 24,9%, Paraná,
21,4%, Mato Grosso do Sul, 10,6%, Goiás, 9,8%, Minas Gerais, 7,9%, Rio Grande do Sul, 7,7% e São Paulo,
5,1%. Estes 7 estados têm produção estmada em 66,7 milhões de toneladas, devem contribuir com 87,5% da
produção nacional esperada em 2015/16. O Brasil se mantém nos últmos anos como 3º maior produtor
mundial, conforme gráfco abaixo.

O Brasil tem exportado suco de laranja regularmente para cerca de 20 países. Sua partcipação nas
exportações mundiais no ano 2015/16 está estmada pelo USDA (2016) em
75,3%. O estado de São Paulo, principal produtor do país, na safra 2015/16,
produziu 72,5% da produção nacional.
Apesar de que o arroz é uma cultura comum em quase todo o país, a
maior parte da produção ocorre em 5 estados. Rio Grande do Sul, onde
predomina o arroz irrigado, concentra 69,8% da produção nacional de
2015/16, Santa Catarina, 9,4% da produção, Mato Grosso, 4,5%, Maranhão,
2,5% e Tocantns com 5,4% da produção nacional. No Nordeste,
especialmente no estado do Ceará o arroz é irrigado e se concentra em
perímetros de irrigação. Uma pequena quantdade também é produzida nos
estados por onde passa o Rio São Francisco, como BA, SE, AL e PE e essas
áreas também recebem irrigação. O Brasil não é autossufciente na produção de arroz, precisando importar
pequenas quantdades. Os principais fornecedores são Paraguai e Argentna.
A produção de feijão não apresenta concentração geográfca, ao
contrário, ela possui ampla distribuição geográfca dos principais
produtores dispersos pelo país, conforme pode ser vista no mapa. O
produto é relatvamente distribuído por vários estados, embora os
principais sejam Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso, Bahia, Goiás e Ceará
que produzem atualmente 72,7% da produção nacional. Outros estados,
como Ceará, Goiás, São Paulo e Santa Catarina, produzem atualmente
21,0% da produção nacional. Somando este grupo com o anterior, tem-se
um total de 93,6% da produção nacional representados por dez estados.
Como o arroz, o feijão é parte da cesta básica dos brasileiros. É o produto
que mais tem a produção ajustada ao consumo, tendência que deve se
manter nos próximos anos. As importações são sempre para suprir uma
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pequena diferença entre produção e consumo. O consumo médio anual tem sido de cerca de 3,3 milhões de
toneladas, exigindo pequenas quantdades de importação, que têm se situado por volta de 200 mil toneladas
por ano. O Brasil vem importando feijão da Argentna e China.
Em 2016 o preço do feijão subiu 41%, com forte impacto na infação. O feijão é uma cultura de ciclo curto,
entre 90 e 100 dias. Por isso, é possível ter três safras em cada ano agrícola. A primeira e a segunda safras do
ano agrícola 2015/2016 registraram redução de área plantada e foram prejudicadas por problemas climátcos,
produzidos pelo fenômeno El Niño, como chuvas excessivas e geadas no Paraná e secas na Bahia, Minas
Gerais, Goiás e Mato Grosso. Deste modo, o governo reduziu a alíquota de importação de feijão chinês para
zero para aumentar a quantdade importada e forçar uma redução dos preços por aumento da oferta.

Cidades do Agronegócio
A expansão da fronteira agrícola moderna tem avançado para o Cerrado, o “polígono dos solos ácidos” ou
“planaltos tropicais interiorizados”. O Cerrado apresenta condições topográfcas e climátcas favoráveis à
agricultura moderna. Essa região tem sido incorporada pelo meio técnico cientfco informacional, que se
estende de forma contnua nos estados do Sul e Sudeste, mas ocorre em forma de manchas, enclaves ou
pontos no restante do território (Nordeste, Cerrado e Amazônia). Entretanto, sua difusão ocorre de maneira
acelerada, devido à organização da produção agropecuária exercida pela gestão territorial das cidades do
agronegócio.
Essas cidades surgiram do processo de expansão da fronteira agrícola e se especializaram em suprir
demandas específcas do agronegócio, concentrando serviços especializados.
As cidades do agronegócio são aquelas “cujas funções de atendimento às demandas do agronegócio
globalizado são hegemônicas sobre as demais funções”. Nelas ocorre a instalação de fxos: armazéns,
escritórios exportadores, bancos, aeroportos, terminais de transporte, sistemas de energia e comunicação.
Serviços ofertados pelas cidades ao campo moderno:
 revenda de insumos químicos, mecânicos e biológicos
 prestação de consultorias agronômicas, logístca, fnanceira e de mercado
 benefciamento e processamento agroindustrial dos grãos
 armazenamento e transporte de insumos e produtos agrícolas
 fornecimento do crédito de investmento e custeio (via bancos e empresas privadas)
 comercialização dos grãos (via corretores e tradings)
Exemplos de cidades do agronegócio:
 Rondonópolis, Sorriso, Sinop, Lucas do Rio Verde, Sapezal, Nova Mutum (MT)
 Rio Verde (GO)
 São Desidério, Barreiras, Luis Eduardo Magalhães (BA)
 Dourados (MS)
 Unaí (MG)
 Balsas (MA) e Porto Franco (MA)

Transgênicos
Os cultvos transgênicos utlizam sementes com organismos genetcamente modifcados (OGMs), que
utlizam genes geralmente de bactérias ou fungos, que conferem ao produto, por exemplo, o milho, maior
resistência às pragas, aos herbicidas, a períodos secos prolongados ou muito úmidos, ou então com o objetvo
de aumentar a produtvidade, o sabor, prolongar o amadurecimento depois da colheita, resistr ao ataque de
fungos e vírus, ou até para aumentar o valor nutricional.
No Brasil, a Lei de Biossegurança, de 2005, defniu a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio)
como o órgão responsável por aprovar o uso de sementes genetcamente modifcadas. O Brasil já é o 2º maior
produtor mundial de produtos transgênicos, apenas atrás dos EUA. Os cultvos transgênicos já aprovados no
Brasil são: soja, milho, algodão e feijão.

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Argumentos favoráveis aos transgênicos:
 redução do uso de agrotóxicos e de fertlizantes.
 adaptação a diversos climas.
 incorporação de substancias que auxiliam o combate à obesidade e ao colesterol.
 aumento de produtvidade e da produção de alimentos, tornando os alimentos mais baratos e
acessíveis, contribuindo para a redução da fome.
Argumentos contrários aos transgênicos:
 monopólio do fornecimento de sementes por grandes empresas, como a Monsanto. Ex: sementes tpo
“terminator”.
 resultados inesperados, com possíveis riscos à saúde (alergias).
 erosão genétca (perda de variedades).
 redução de polinizadores.
 aparecimento de outras pragas.

Estrutura Fundiária Brasileira


A estrutura fundiária se refere à posse da terra, ou seja, a quem pertencem as terras ocupadas com
atvidades agropecuárias e qual é sua distribuição em termos de tamanho territorial, isto é, classes de
propriedades.
De acordo com o Estatuto da Terra, criado pelo regime militar em 1964, o cadastramento dos imóveis
rurais foi realizado tendo por base o conceito de módulo rural fxado para cada região.
O Módulo rural foi defnido como sendo uma “área explorável que, em determinada porção do país, direta
e pessoalmente explorado por um conjunto familiar equivalente a quatro pessoas adultas, correspondendo a
mil jornadas anuais, absorva toda a força de trabalho em face do nível tecnológico adotado naquela posição
geográfca e, conforme o tpo de exploração considerado, proporcione um rendimento capaz de assegurar-lhe
a subsistência e o progresso social e econômico." Em outras palavras, módulo rural é a propriedade que deve
proporcionar condições dignas de vida a uma família de quatro pessoas adultas.
A partr do módulo rural, foram criadas as seguintes categorias de imóveis rurais:
 Minifúndio: todo imóvel com área explorável inferior ao módulo rural fxado para a respectva região,
portanto, incapaz de prover a subsistência da família.
 Empresa rural: propriedade com área entre uma e seiscentas vezes o módulo rural da respectva
região, explorada econômica e racionalmente cumprindo a legislação trabalhista e preservando o meio
ambiente.
 Latfúndio por exploração: todo imóvel cuja dimensão não exceda aquela admitda como máxima para
empresa rural (600 vezes o módulo rural), mas que seja mantda inexplorada em relação às
possibilidades fsicas, econômicas e sociais do meio, com fns especulatvos, ou que seja defciente ou
inadequadamente explorada, de modo a vedar-lhe a classifcação como empresa rural. São os imóveis
rurais improdutvos, voltados à especulação imobiliária.
 Latfúndio por dimensão: todo imóvel com área superior a seiscentas vezes o módulo rural fxado para
a respectva região independentemente do tpo e das característcas da produção nela desenvolvidas.
De acordo com a Lei Agrícola de 1993, as propriedades agrícolas ou estabelecimentos agropecuários são
classifcados baseados no conceito de módulo fscal.
Módulo Fiscal: unidade de medida agrária que representa a área mínima necessária para as propriedades
rurais poderem ser consideradas economicamente viáveis. Em outras palavras, é a área que, trabalhada por
uma família formada por 4 pessoas adultas, pode dar um rendimento minimamente satsfatório para atender
as necessidades desta família, com bem estar social e progresso econômico.

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Partndo-se da defnição do módulo fscal, os estabelecimentos agrícolas são assim classifcados:
 Minifúndio: terra agrícola de tamanho inferior ao módulo fscal da região, de modo que é insufciente
para uma família obter aproveitamento econômico.
 Pequena propriedade: área de 1 a 4 Módulos Fiscais.
 Média propriedade: área com mais de 4 até 15 Módulos fscais.
 Grande Propriedade: área maior do que 15 Módulos fscais.
Para a defnição do módulo fscal foram levados em conta o tpo de exploração predominante no
município, a renda obtda com a exploração predominante, condições de produção e dinâmica de mercado,
infraestrutura instalada e disponibilidade tecnológica, aspectos naturais, como água e fertlidade do solo.
Deste modo, o tamanho dos Módulos Fiscais varia de região para região e de município para município. O
menor Módulo Fiscal tem tamanho de 5 hectares, geralmente em cidades situadas em regiões
metropolitanas. O maior Módulo fscal é de municípios localizados na Amazônia (100 hectares) e no Pantanal
Matogrossense (110 hectares). Uma grande propriedade no estado de São Paulo ocupa uma área que seria
considerada pequena propriedade na Amazônia. Veja a tabela abaixo que exemplifca esta situação:

A Lei Agrícola de 1993 (Lei nº 8.629) estabelece que a terra tem que cumprir sua função social, que é gerar
produção, emprego e bem estar social. Caso isto não ocorra, o estabelecimento agrícola poderá ser
desapropriado para fns de reforma agrária. Estabelece
também que são insuscetveis de desapropriação a
pequena e média propriedade rural, desde que seu
proprietário não possua outra propriedade rural.
O acesso à terra no Brasil sempre foi difcil. Em 1850, a
Lei de Terras determinou que a posse da terra só poderia
ser feita através da compra, em dinheiro, em leilões
públicos. Deste modo, escravos alforriados ou imigrantes
europeus difcilmente se tornariam proprietários de terras
no Brasil. As terras eram compradas pelos fazendeiros de
café ou por usineiros de cana, gerando uma concentração
de terras sob controle das oligarquias.
Atualmente, este panorama pouco mudou, sendo uma característca marcante da estrutura fundiária
brasileira a forte concentração da posse da terra. Veja o gráfco acima.
Perceba que 90% dos estabelecimentos agrícolas brasileiros são de pequena dimensão, pequenas
propriedades. Todos eles juntos ocupam apenas 20% da área agrícola brasileira. Por outro lado, as grandes
propriedades (latfúndios) representam apenas 1% de todas as propriedades, mas ocupam quase a metade
das terras agrícolas (45%). Portanto, a terra está mal distribuída, poucos controlam muita terra e muitos tem
uma parcela muito pequena, às vezes insufciente para gerar o sustento da família (minifúndios).
Atualmente existem ainda muitos confitos pela posse da terra no Brasil, entre proprietários (grileiros) e
posseiros. Existem também organizações ideologicamente contrárias: de um lado o MST (Movimento dos
Trabalhadores Rurais sem terra) que promovem a ocupação de terras em defesa da reforma agrária e de
outro lado, a UDR (União Democrátca Ruralista), representatva da classe patronal, que questona as invasões
de terra em propriedades produtvas.

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Solos
Solo: material mineral e/ou orgânico inconsolidado na superfcie da terra que serve como meio natural
para o crescimento e desenvolvimento de plantas terrestres. Observação: O solo se refere a todas as partes
do perfl do solo, presentes acima do material de origem, a rocha matriz (camadas e horizontes genétcos).
Os solos, apartr do local de formação podem ser:
Eluviais ou Zonais: quando o solo se forma a partr do intemperismo local, ou seja, decomposição da
rocha matriz. Guardam característcas das rochas onde estão alicerçados.
Aluviais : formados pela acumulação de materiais transportados pelas enxurradas ou rios (águas
correntes) ou por ação dos ventos e que se depositam em vales fuviais, planícies ou deltas. Corresponde ao
aluvião, os sedimentos da beira dos rios.
Alguns solos relatvamente férteis do Brasil:
Terra roxa: solo fértl, formado pela decomposição de rochas vulcânicas (basalto). Devido ao elevado teor
de ferro do material de origem (basalto), apresentam coloração vermelho escuro. Associado ao planto de
café em São Paulo, sustenta uma agricultura bem diversifcada, se extende desde Goiás até o Rio Grande do
Sul.
Massapé: solo argiloso, escuro, orgânico, fértl, é um solo encontrado principalmente no litoral
nordestno (Zona da Mata) muito associado ao planto da cana de açúcar, consttuído a partr da
decomposição de calcários e gnaisses de tonalidade escura.
Salmorão: aparece em grandes extensões da região Sul, Centro-Oeste e Sudeste, formado pela
decomposição do granito, a frutcultura é muito indicada para este tpo de solo, mas a cana-de-açúcar, o
café, o fumo, girassol e trigo também são cultvados.
Latossolos: profundos, porosos, intemperizados, ácidos, as cores variam de vermelhas muito escuras a
amareladas, que signifca a presença de óxidos de ferro e alumínio, o que favorece a tendência de formação
de lateritas. Os latossolos são passíveis de utlização com culturas anuais, perenes, pastagens e
reforestamento. Normalmente, estão situados em relevo plano a suave-ondulado, com declividade que
raramente ultrapassa 7%, o que facilita a mecanização. Bem drenados, bem permeáveis mesmo quando
muito argilosos, friáveis e de fácil preparo. Um fator limitante é a baixa fertlidade desses solos. Contudo, com
aplicações adequadas de corretvos e fertlizantes, aliadas à época propícia de planto de cultvares adaptadas,
obtêm-se boas produções, tendo então, alto potencial para agropecuária. Os latossolos ocorrem em grande
extensão na Amazônia, no Planalto Central e no domínio dos Mares e Morros.

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Exercícios

1. (EsFCEx 2016) Marque a alternatva correta com relação ao agronegócio e a formação de cidades no Brasil.
A. A utlização intensiva de máquinas pesadas no processo produtvo difculta a formação de cidades.
B. A partcipação de grande número de trabalhadores na produção de soja e milho atrai serviços urbanos
e favorecem a formação de cidades.
C. É possível identfcar diversas áreas nas quais a urbanização se deve diretamente ao agronegócio
globalizado.
D. A instalação de indústrias processadoras contribui para a concentração de serviços e,
consequentemente, para a dispersão espacial de vilas urbanas.
E. Os grandes investmentos no agronegócio garantem pleno desenvolvimento urbano nas áreas de
produção.

2. (EsFCEx 2014) O campo brtasileiro foi dominado pela grande propriedade ao longo da história. Entre as
décadas de 1950 e 1980, a monocultura e a mecanização foram estmuladas por sucessivos governos como
modelo de desenvolvimento e crescimento econômico. Enquanto isso, a agricultura familiar esteve relegada a
segundo plano na formulação de polítcas agrícolas, (...).
Fonte: Moreira, Sene, 2010, página 658.
Com base nas informações acima e em seus conhecimentos sobre a agropecuária brasileira, é correto afrmar
que:
A. há uma superutlização do território brasileiro para a atvidade agrícola, ocupando cerca de 60% das
terras do país com lavouras permanentes.
B. predomina a produção de commodites, voltados, sobretudo, ao mercado intyernacional, com prejuízo
à produção de alimentos para fns de abastecimento interno.
C. ocorre uma superação da agricultura de precisão e biotecnológica pelo agronegócio, com a chegada do
capital estrangeiro no campo.
D. o Estado pouco partcipa do fnanciamneto necessário à criação de novos sistemas de engenharias
ligados às atvidades agropecuárias.
E. as fronteiras agrícolas explicam o processo de modernização do campo, pois cria reserva especial para
a introdução maciça de maquinário e produtos químicos.

3. (EsFCEx 2013) As chamadas cidades do agronegócio no Brasil são cidades:


A. antgas que no passado serviram como ponto de comércio entre regiões brasileiras.
B. localizadas em áreas metropolitanas que fornecem equipamentos técnicos para as atvidades
agrícolas.
C. que surgiram do processo de expansão da fronteira agrícola e se especializaram em suprir demandas
específcas do agronegócio.
D. formadas em terras de grandes fazendas do agronegócio e voltadas para atender diretamente as
demandas regionais dos trabalhadores das fazendas.
E. que apresentam boa qualidade de vida, infraestrutura sanitária e equilibrada distribuição de renda
entre a população.

4. (EsFCEx 2013) Sobre o processo de erosão dos solos no Brasil, pode-se afrmar que:
A. é basicamente oriundo da dinâmica global de aquecimento do planeta.
B. está exclusivamente ligado ao desmatamento e expansão de atvidades agrícolas.
C. surge a partr da ocupação e colonização das terras brasileira.
D. é um movimento tectônico de acomodação de placas do contnente americano.
E. está relacionado à dinâmica da natureza e ação do homem.

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5. (EsFCEx 2013) Assinale a alternatva que representa corretamente as áreas do Brasil em que os latossolos
ocorrem em grande extensão.
A. Na Amazônia, no Planalto Central e no domínio dos Mares e Morros.
B. Na Amazônia, no Planalto Central e no Sertão Nordestno.
C. No Planalto Central, no Pantanal e no Sertão Nordestno.
D. Nos Mares de Morros, na Amazônia e no Pantanal.
E. No Sertão Nordestno, no Pantanal e no Planalto Central.

6. (EsFCEx 2012) Em relação ao sistema produtvo da agricultura brasileira, analise as afrmatvas abaixo
colocando entre parênteses a letra V, quando se tratar de afrmatva verdadeira, e a letra F quando se tratar
de afrmatva falsa. A seguir, assinale a alternatva que apresenta a sequência correta.

( ) O cultvo da cana-de-açúcar, em São Paulo e no Nordeste, utliza técnicas modernas de cultvo.


( ) A ocupação do Centro-Oeste deu-se através de explorações que privilegiavam a grande propriedade.
( ) A alta taxa de urbanização do Centro-Oeste é decorrente da forma de ocupação do campo.
( ) O Nordeste, com os seus perímetros irrigados, conseguiu romper com as estruturas arcaicas de
produção.

A. V-V-V-F
B. F-V-F-V
C. V-F-V-F
D. F-F-V-V
E. F-V-V-F

7. O Brasil é o 2º maior produtor de soja do mundo, fcando atrás apenas dos Estados Unidos. A expansão da
cultura da soja no país ocorreu nas décadas de 1960 a 1980, por meio de incentvos governamentais
repassados aos produtores na forma de linhas de crédito. Até o início da década de 1970, a produção
brasileira de soja era concentrada na Região Sul, que reunia as condições naturais para esse tpo de lavoura.
Atualmente, o estado do Mato Grosso é o maior produtor de soja do Brasil. Assinale a alternatva que explica
como ocorreu a expansão da soja para Mato Grosso.
A. o intenso fuxo migratório de sulistas para a região foi facilitado pelos fnanciamentos bancários para a
compra das terras (baratas), bem como o acesso à terra facilitado através dos projetos de
assentamentos desenvolvidos pelo Incra para a expansão da agricultura familiar, e pela implantação
de uma rede intermodal de transportes, criando modernos corredores de exportação.
B. foram implantadas redes extravertdas de transportes, como a ferrovia Cuiabá-Santarém, facilitando o
escoamento da produção de soja rumo aos mercados externos.
C. a Sabesp criou a soja transgênica de clima tropical e fornece adubos à base de gessagem (adição de
gesso hidratado no solo), que retra o sódio e baixa o valor de pH, corrigindo o solo de foresta, onde
as terras eram abundantes e baratas.
D. a Embrapa desenvolveu a soja adaptada às condições tropicais e criou a calagem, um produto à base
de calcário para corrigir a acidez dos solos do cerrado, onde as terras eram abundantes e baratas.
E. o avanço técnico cientfco informacional consolidou o uso de sementes adaptadas às condições
ecológicas da caatnga, expandindo a fronteira agrícola para o Mato Grosso, incorporando as terras
baratas e valorizando-as com a monocultura de exportação.

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8. (SEAP-DF 2013) A modernização da agricultura brasileira tem promovido nos últmos 40 anos uma profunda
reestruturação dos espaços produtvos do campo, a partr da incorporação de novas tecnologias nas etapas do
trabalho agrícola. A difusão de fatores técnicos, cientfcos e normatvos pelo território brasileiro,
característcos do atual período histórico chamado de meio técnico-cientfco-informacional, possibilitou o
aperfeiçoamento das atvidades econômicas e a especialização produtva dos lugares, principalmente em
áreas com grande aptdão agrícola. Sobre essa temátca, julgue as afrmatvas a seguir:
I. A modernização do campo brasileiro passou a se consolidar a partr de 1960, com a implantação de
empresas multnacionais produtoras de maquinários, implementos e insumos agrícolas, com os
incentvos governamentais através dos programas de fnanciamento, e ao início das pesquisas
agropecuárias em insttuições públicas e privadas. Mas foi, sobretudo na década de 1970, que o Brasil
deu um salto em sua modernidade, quando muitos médios e grandes agricultores passaram a
implementar nos processos produtvos o pacote tecnológico vindos dos países desenvolvidos
(principalmente Europa e EUA) para a agricultura, denominada de Revolução Verde, que inclui
fertlizantes, agrotóxicos, mudas e sementes melhoradas, maquinários e implementos, calendário
agrícola, etc. (Martne e Garcia, 1987). De acordo com Hespanhol (2007), duas forças foram decisivas
neste processo: o Estado e as multnacionais.
II. A polítca de modernização agrícola foi incentvada também através de um argumento, defendida
principalmente pelas grandes empresas ligadas ao ramo agroindustrial e que visavam maximizar suas
vendas, que dizia o seguinte: o arcaico setor rural seria um entrave para o desenvolvimento
econômico, pois não conseguiria responder à demanda do setor urbano-industrial que estava se
consttuindo no país (Teixeira, 2005). Daí a discurso capitalista ter de certa forma convencido grande
parte dos atores pertencentes ao sistema agrário a seguir a ideia de modernização de suas atvidades.
A década de 1970 vai sendo marcada pela chamada 'industrialização da agricultura', sendo esta cada
vez mais subordinada à indústria e, consequentemente, uma maior subordinação da natureza ao
capital.
III. A maior aproximação ou, como muitos autores mencionam, integração e/ou subordinação da
agricultura à indústria e também a outras atvidades, como o comercial e o fnanceiro, resultou na
consolidação dos chamados Complexos Agroindustriais (CAI). Segundo Teixeira (2005), para explicar o
processo produtvo do CAI deve-se analisar os três segmentos que o compõem: indústria a montante,
agricultura e indústria a jusante. A indústria - montante - é a fornecedora de bens de capital e insumos
para a agricultura e a indústria - jusante - é a processadora de matéria-prima agrícola, denominada de
agroindústria.
IV. O agronegócio se fortalece principalmente a partr de 1990, quando houve a regulamentação estatal
da agropecuária brasileira e a liberalização do mercado, favorecendo a entrada e controle do setor por
grandes empresas do Complexo Agroindustrial, especialmente às estrangeiras. Com isso, o país assiste
a uma crescente desmonopolização do mercado de insumos, implementos e maquinários agrícolas,
bem como nas atvidades de processamento, distribuição e comercialização dos produtos agrícolas.
Investndo pesadamente em tecnologia e em ciência, em conjunto com os insttutos de pesquisas,
essas empresas passam a ter um controle poderoso sobre o território brasileiro e a modifcar ainda
mais a base técnica de produção, ao mesmo tempo em que ditam regras ao mercado agroindustrial.

Estão corretas as afrmatvas:


A. I e II B. I, II, III C. I, II, IV D. II, III, IV E. I, II, III e IV

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9. (SEDU-ES 2016) Nas últmas décadas do século XX, o espaço social agrário tornou-se mais complexo como
consequência da modernização da agropecuária. Um dos grupos sociais do campo brasileiro é descrito em:
A. o camponês do Sul vivencia a expansão do binômio trigo-soja e se transfere para as regiões Sudeste e
Centro-Oeste, passando a se dedicar ao agronegócio canavieiro.
B. os trabalhadores permanentes foram reduzidos e aumentaram os temporários nas médias e grandes
propriedades do Centro-Sul e zona da mata nordestna.
C. os posseiros, em luta pela posse da terra na região central do país, tornam-se os pilares da resistência
contra a expansão do agrobusiness no Centro-Oeste.
D. o camponês, descendente de imigrantes europeus, torna-se o colono tecnicamente mais moderno que
desenvolve as bases da agricultura familiar nas periferias urbanas.
E. os trabalhadores sem-terra pressionam o Estado e são os benefciários de programas de colonização
ofciais e partculares que são implantados na Amazônia Ocidental.

10. (IBGE 2016) O gráfico a seguir apresenta a evolução da produção de soja no Brasil, no período de 1970 a 2006.

Entre os fatores que explicam as variações observadas no gráfco, está:


A. a expansão da agricultura familiar, que reduziu a necessidade de ampliação da área cultvada;
B. o emprego de insumos tecnológicos, que contribuiu para o aumento do rendimento médio do cultvo;
C. a fertlidade dos solos do cerrado, que dispensou o uso de insumos químicos na fronteira agrícola;
D. a difusão da agricultura orgânica, que absorveu grande quantdade de trabalhadores rurais;
E. a introdução de técnicas de hidroponia, que garantu a estabilidade da produtvidade do cultvo.

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11. (UEL, 2014)

A ampliação da oferta de alimentos é um dos maiores desafos da humanidade para as próximas décadas.
Com base na disponibilidade do recurso natural respresentada no gráfco, o país com maior potencial para
expansão do seu setor agropecuário é:
A. Índia.
B. China.
C. Brasil.
D. Estados Unidos.
E. Austrália

12. (DDR 2016) Observe o esquema abaixo.

O sistema agrícola representado no esquema é


A. Plantation.
B. Jardinagem.
C. Agricultura itinerante ou sistema de roça.
D. Cinturões agrícolas (Belts).
E. Complexo Agro-industrial.

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13. (IBGE 2016) A extensa faixa localizada no nordeste de São Paulo e no oeste dos Estados do Paraná, Santa
Catarina e Rio Grande do Sul, consttui uma das mais signifcatvas áreas de especialização, domínio e
predomínio agrícola no País, destacando-se cultvares de soja e milho, além de feijão, laranja, amendoim,
trigo, girassol e cana-de-açúcar. Entre os anos de 1996 e 2006, datas de realização dos dois últmos censos
agropecuários, foi registrada uma intensifcação da ocupação agrícola em toda esta área. Em conjunto, os
estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul registraram um acréscimo de cerca de 3,2 milhões de
hectares em áreas de lavoura.
Adaptado de: IBGE. Censo Agropecuário 2006 – segunda apuração. Rio de Janeiro: IBGE, 2012.

O aumento nas áreas de lavouras verifcado nesses estados no período intercensitário foi acompanhado pelo
decréscimo das áreas de:
A. pastagens.
B. Conservação.
C. matas naturais.
D. extratvismo vegetal.
E. cultvos permanentes.

14. (SEDU-ES 2016) Considere o texto abaixo.


A ..I.., como muitos chamaram a evolução da agricultura no terço fnal do século vinte, proporcionou
aumentos signifcatvos de produtvidade que garantram, junto com a expansão das fronteiras agrícolas, o
abastecimento de alimento para uma população mundial em explosivo crescimento neste período. Apesar
disso, as técnicas convencionais e a expansão da área de terras agricultáveis chegando ao seu limite, estamos
correndo o risco de comprometer seriamente alguns recursos naturais, como fora, fauna e mananciais de
água. Portanto, é imperatvo que se busque alternatvas para uma maior oferta de alimentos. É onde entra a
..II..
(Disponível em: www.beefpoint.com.br/cadeia-produtva/espaco-aberto/a-polemica-dos-transgenicos-no-
brasil-5323/)
O conteúdo do texto destaca duas grandes transformações I e II que afetaram a produção agrícola em escala
mundial, desde a década de 1940 até dos dias atuais. Preenchem, correta e respectvamente, as lacunas do
texto em:
A. Revolução Verde − biotecnologia
B. Reforma Agrária − indústria.
C. Modernização do Campo − agricultura orgânica.
D. Globalização Produtva − abertura econômica.
E. Segunda Revolução Industrial – reforma agrária

GABARITO
1 2 3 4 5 6 7
C B C E A E D
8 9 10 11 12 13 14
B B B C C A A

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2.7 A população brasileira: evolução, estrutura e dinâmica.

O conhecimento da evolução do perfl da população de um país é fundamental para o estabelecimento de


polítcas públicas nas áreas de saúde, educação, habitação e sistema previdenciário. Analisar a dinâmica
demográfca nos permite compreender a evolução da população no passado e estmar a evolução futura com
base em indicadores como as taxas de mortalidade e natalidade, a fecundidade e o crescimento vegetatvo.
O crescimento vegetatvo, também chamado de crescimento natural, é o resultado da diferença entre
a taxa de natalidade e a taxa de mortalidade. A taxa de natalidade geralmente é expressa em número de
nascimentos para cada mil habitantes; a taxa de mortalidade é expressa em número de óbitos para cada mil
habitantes. Quanto maior a diferença entre essas taxas, com valores positvos de nascimentos, maior será o
crescimento vegetatvo da população.
A dinâmica demográfca também é infuenciada pela taxa de fecundidade (ou taxa de fertlidade), que
indica o número médio de flhos por mulher, em idade fértl, numa dada população. Com taxa de fecundidade
equivalente a 2,1 (flhos por mulher), considera-se que houve reposição populacional, mantendo-se estável o
tamanho da população, caso sejam desprezadas a entrada e a saída de migrantes.
O crescimento vegetatvo é diferente do crescimento populacional. Este últmo leva em consideração
também o saldo migratório, que é a diferença entre as pessoas que saem do país (emigração) e os
estrangeiros que entram no país (imigração). Este saldo migratório pode ser positvo ou negatvo. Exemplo: a
Espanha tem apresentado crescimento vegetatvo negatvo, mas tem crescimento populacional, pois recebe
anualmente milhares de imigrantes africanos, que compensam numericamente as baixas taxas de natalidade
vigentes nesse país.

Perceba que quatro dos seis países mais populosos do mundo se localizam na Ásia, que é o contnente
onde vive mais da metade da população mundial (cerca de 60%), apresentando a mais elevada densidade
demográfca com 88 hab/Km 2 e sua população contnua a crescer, apesar de em ritmo cada vez menor, como
se vê no gráfco. Em todos esses países populosos está ocorrendo queda de crescimento populacional, mas o
ritmo de crescimento do Paquistão é o dobro do crescimento brasileiro, de modo que a tendência é de que
num horizonte próximo o Paquistão irá ultrapassar a população brasileira, se tornando o 5º país mais
populoso do mundo. A mesma tendência se aplica à Índia, quando comparada à China, sendo que nos
próximos anos a Índia se tornará a nação mais populosa do mundo. Destes países, a China apresenta o menor
índice de crescimento populacional, pois está em vigor no país, desde 1979, um rígido programa de controle
de natalidade denominado polítca do flho único. Em novembro de 2015 essa polítca sofreu alterações, no
sentdo de um abrandamento, pois foi autorizado a ter um segundo flho.
Os países europeus, por já terem concluído a transição demográfca, apresentam taxas de crescimento
vegetatvo nulas ou negatvas, afetando numericamente o mercado de trabalho, de modo que muitos
governos tem incentvado os casais a terem mais flhos.

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Os países mais pobres da África apresentam ainda altos índices de crescimento populacional, de modo
que as projeções da ONU indicam que até o fnal deste século, dos vinte países mais populosos, dez serão
africanos
Atualmente o Brasil se posiciona como o 5º país de maior população absoluta do mundo, com 206
milhões de habitantes. População absoluta é a população total, independentemente de qualquer outro fator.
A população absoluta defne o conceito de populoso. Já a população relatva é o número de habitantes por
Km2 ou a densidade demográfca. A população relatva defne o grau de povoamento ou o conceito de
povoado. Ela leva em consideração o tamanho da população e o tamanho do território habitado por esta
população. Este valor da densidade demográfca é obtdo dividindo-se a população pela área. Exemplo: o
2 2
Brasil tem 206 milhões de habitantes que ocupam 8,5 milhões de Km , o que dá 206 ÷ 8,5 = 24 hab/km .
Portanto, o Brasil é um país populoso, mas pouco povoado.
Veja o mapa abaixo com a distribuição espacial da população brasileira:

A distribuição espacial da população brasileira é bem irregular, com maior concentração nas áreas
litorâneas, devido à ocupação histórica do país desde o período colonial, que concentrou as atvidades
econômicas e implantação das primeiras cidades na orla litorânea.
Apesar do avanço das atvidades econômicas para o interior nos últmos anos através da expansão das
fronteiras agrícolas em direção ao Centro-Oeste e Amazônia, estas áreas ainda exibem baixíssimas densidades
demográfcas, da ordem de, respectvamente, 8 hab/km 2 e 4 hab/km2 sendo, portanto, pouco povoadas.
Escrevendo a primeira História do Brasil, em 1627, o cronista Frei Vicente do Salvador lamentava o caráter
predatório da colonização e o fato de que os portugueses tnham sido até então incapazes de povoar o
interior da nova terra, “arranhando as costas como caranguejos”, nunca se afastando do litoral. Fazendo a
leitura do mapa da atual densidade demográfca brasileira, podemos considerar que o relato do cronista ainda
permanece relatvamente válido. Perceba que a maior parte da população brasileira se concentra na fachada
atlântca, isto é, próxima ao litoral. Nas regiões Sudeste e Sul ocorre uma interiorização maior, com altas
densidades também verifcadas no interior dessas regiões. Mas as densidades nas regiões Centro-Oeste e
Norte caracterizam essas regiões como vazios demográfcos.

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Veja no gráfco abaixo o crescimento da população mundial.

O crescimento populacional mundial desde a época de Cristo foi muito lento, levando 17 séculos para
dobrar a população, pois as taxas de natalidade e mortalidade eram altssimas, já que nascia muita gente
(estlo de vida camponês) e morria muita gente (guerras, baixa produtvidade agrícola, medicina e padrão de
higiene defcientes), sendo baixo o crescimento vegetatvo.
Nos séculos XIX e principalmente XX o crescimento populacional foi intenso e rápido, caracterizando uma
verdadeira explosão demográfca.
A Revolução Industrial instalou um sistema produtvo que garantu uma oferta maior e mais regular de
alimentos, melhorando a alimentação e diminuindo a mortalidade.
Até meados do século XX a taxa de natalidade ainda era alta, pois a maioria da população mundial ainda
vivia no campo, predominando a mentalidade camponesa, que é ter muitos flhos. Apenas em 2008 a
urbanização mundial alcançou 50%, de modo que a tendência é de ao longo do século XXI, com o predomínio
crescente de população urbana, ocorrer uma desaceleração do crescimento populacional, alcançando a
população mundial o total de 9,5 bilhões de habitantes ao fnal do século, quando a população estabilizará,
isto é, vai parar de aumentar.

Teorias Demográfcas
O crescimento populacional intenso começou a ser objeto de estudo por volta do fnal do século XVIII,
quando o pastor e economista inglês Thomas Robert Malthus se dedicou a explicar o rápido crescimento
populacional que se verifcava na Inglaterra. Publicou em 1798 a obra Ensaio sobre o princípio da população,
em que formulou uma teoria demográfca segundo a qual a capacidade de produção de alimentos cresceria
em progressão aritmétca (1, 2, 3, 4, 5...) enquanto a população cresceria em progressão geométrica (1, 2, 4,
8, 16...). Malthus acreditava que essa diferença de ritmo entre o crescimento da população e a capacidade de
produção de recursos necessários à sobrevivência da humanidade seria responsável pela situação de fome e
miséria no mundo. Acreditava que as doenças e guerras seriam um mecanismo de controle da população, sem
os quais a tendência seria a população crescer duplicando a cada período de uma geração. O resultado seria
fome, saques, violência, um verdadeiro caos. Defendia que, para evitar essa situação caótca era necessária a
sujeição moral do indivíduo: casamentos tardios, abstnência sexual, ter flhos de acordo com as posses.
Malthus errou em seus prognóstcos, pois a Inglaterra entrou nas fases da transição demográfca e sua
população cresceu a um ritmo cada vez menor e parte das doenças foram controladas com o
desenvolvimento da medicina. Mas seu maior erro foi não ter considerado o desenvolvimento tecnológico,

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embora estvesse vivendo no início da Revolução Industrial. A tecnologia aplicada à agricultura aumentou
consideravelmente a produção agrícola.
As idéias de Malthus foram denominadas de teoria malthusiana, foram critcadas pelos economistas
posteriores e abandonadas.
Na década de 1960, auge do crescimento da população mundial, as velhas teorias malthusianas foram
retomadas, e surge o neomalthusianismo, defendido pelas autoridades dos países ricos.
Segundo essa teoria, o alto crescimento demográfco seria uma das principais causas da generalização da
pobreza em regiões subdesenvolvidas. O aumento descontrolado do número de pessoas atrapalharia o
desenvolvimento dos Estados pobres, desviando recursos para investmentos não produtvos — como creches
e escolas — e criando relação desfavorável entre o número de pessoas em idade de trabalhar e o total de
habitantes. Logo, o controle da natalidade seria a resposta para o desenvolvimento.
Na década seguinte, essa visão neomalthusiana da dinâmica demográfca ganhou adeptos oriundos do
movimento ambientalista, surgindo o Ecomalthusianismo. De acordo com essa teoria, o acelerado
crescimento demográfco resultaria em pressão sobre os recursos naturais — em especial nos ecossistemas
tropicais e equatoriais —, representando, assim, sério risco para o futuro do planeta, haja vista que os
recursos naturais são fnitos. No entanto, o padrão de produção e consumo dos países ricos, cuja população
parou de crescer, tem impactos muito mais dramátcos sobre o ambiente. Os países desenvolvidos
representam cerca de 16% da população mundial, mas consomem grande parte dos recursos naturais
disponíveis e estão entre as nações que mais poluem.
Os ecomalthusianos questonam o elevado crescimento populacional diante dos recursos naturais
disponíveis no planeta. Questonam se é possível conciliar a sustentabilidade energétca e econômica com a
sustentabilidade ambiental. Segundo essa teoria, a população mundial já é enorme, com mais de 7 bilhões de
habitantes, e o sistema produtvo mundial, para atender as necessidades dessa enorme população em
crescimento, utliza enorme quantdade de recursos naturais (petróleo, carvão, água, madeira, minerais
metálicos), que são recursos que tendem ao esgotamento. Será que as gerações futuras terão recursos
naturais à sua disposição? Eles não são infnitos!
A extração e o consumo desses recursos tem gerado diversos impactos ambientais, pois muitos deles são
combustveis fósseis, que geram enorme quantdade de gases de efeito estufa, como o CO 2 que tem
contribuído para piorar o aquecimento global. Em resumo, a explosão demográfca gera pressão ou impactos
sobre os recursos naturais, esgotando-os. O quê fazer? Os ecomalthusianos são ant-natalistas, defendem
controle de natalidade, adoção do planejamento familiar, mas defendem também mudanças no sistema
produtvo e no consumo, dentro de uma lógica baseada no desenvolvimento sustentável, pois temos de
deixar como herança para as gerações futuras um planeta viável economicamente e ecologicamente.
A teoria reformista inverte o argumento neomalthusiano: não é o crescimento populacional intenso que
gera pobreza, é o contrário, a pobreza é que gera o crescimento populacional explosivo. De uma forma geral
os pobres tendem a ter mais flhos. Elevando o padrão de vida das populações através de reformas sociais e
polítcas de distribuição de renda, é possível reverter o crescimento populacional. Com maior renda e
informação, as mulheres tendem a ter menos flhos. Argumentam que não é necessário o controle de
natalidade, pois os casais tendem a adotar o planejamento familiar. A teoria reformista também é chamada
de teoria marxista, pois se apóia na idéia de reformas sócio-econômicas implementadas pelo Estado.

Transição Demográfca
O ciclo de evolução demográfca, modelo elaborado na década de 1930, é amplamente utlizado para a
compreensão da dinâmica do crescimento populacional. Segundo esse modelo, o ritmo de crescimento da
população mundial tende a diminuir, levando a população mundial a se estabilizar à medida que diminuem as
taxas de natalidade e de mortalidade, no período denominado transição demográfca, que pode ser visto no
gráfco abaixo:

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A Transição Demográfca é um processo de alteração da dinâmica populacional de um país, onde a
população crescia muito lentamente, amparada em altas taxas de natalidade e mortalidade (fase pré-
transicional ou regime demográfco tradicional).
A alta mortalidade vigente nesse período se dava pelas péssimas condições de vida (agricultura
precária e má alimentação, guerras, ciência atrasada e medicina precária, não tnha vacinação, nem
antbiótcos). Posteriormente, a população passa a aumentar (1ª fase), devido à diminuição da mortalidade,
provocada pela melhora do quadro de saúde e higiene. A natalidade contnua alta.
Em seguida a população aumenta de forma explosiva (2ª fase), pois a mortalidade se reduz para níveis
baixíssimos, devido à melhora do padrão de vida. A natalidade começa a diminuir, mas as linhas de natalidade
e mortalidade estão nesta fase mais distanciadas, caracterizando o momento de mais intenso crescimento
vegetatvo.

Na 3ª fase, a natalidade despenca devido ao


processo de urbanização, que induz à redução das taxas de
fecundidade, diminuindo bastante o ritmo de crescimento
populacional. O Brasil se encontra atualmente avançado
nesta 3ª fase, em vias de conclusão da transição
demográfca.
As duas linhas (taxa de natalidade e mortalidade)
voltam a se aproximar, agora amparadas em baixos índices,
estabilizando a população, pratcamente apresentando
taxas nulas ou até negatvas de crescimento, caracterizando
a conclusão da transição demográfca, onde o país passa a
vivenciar a fase pós-transicional ou regime demográfco
moderno, como já acontece em muitos países europeus e
no Japão. Ao período antes de começar propriamente a 1ª
fase da transição demográfca damos o nome de fase pré-
transicional ou regime demográfco tradicional.

Transição Demográfca no Brasil


Entre 1872 e 1940, a população brasileira apresentou taxas de crescimento inferiores a 2% ao ano. Nesse
intervalo, predominava um padrão de crescimento populacional resultante da convivência de altas taxas de
natalidade com taxas também elevadas de mortalidade. As doenças infecciosas e parasitárias eram as
principais responsáveis pela elevada mortalidade da população brasileira.
Apesar das reformas urbanas e dos insttutos de saúde, a mortalidade contnuava elevada no início do
século XX. O padrão de elevada mortalidade só começou a ser rompido na década de 1940, quando novas
conquistas no campo da prevenção de doenças, como a dedetzação, a difusão de novos hábitos de higiene e
as campanhas públicas de educação em saúde, ajudaram a conter a propagação de diversas doenças. Ao
mesmo tempo, a introdução dos antbiótcos aumentou a possibilidade de sobrevivência dos pacientes já
infectados, e o incentvo ao aleitamento materno teve papel importante na redução da mortalidade infantl.
Em decorrência disso, durante as décadas de 1950 e 1960, as taxas de crescimento populacional bateram
recordes históricos, projetando a duplicação da população a cada 25 anos.
Entre 1940 e 1970, enquanto as taxas de mortalidade declinavam, as taxas de natalidade permaneceram
em patamares bastante elevados. A discrepância crescente entre a mortalidade e a natalidade resultou no

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aumento das taxas de crescimento vegetatvo da população brasileira. Em 1940, a população total do país era
de 41,2 milhões; em 1970, de 93,1 milhões — um crescimento de cerca de 130% em apenas trinta anos.
No fnal da década de 1960, a natalidade brasileira começou a cair de maneira acentuada. Na década de
1950, quando foi criado o Ministério da Saúde, começaram as campanhas nacionais de combate às doenças
endêmicas, tais como a malária, a doença de Chagas e a esquistossomose. Desde 1973, um programa de
vacinação organizado nacionalmente imuniza a maior parte das crianças brasileiras contra as doenças mais
comuns na infância, muitas delas já erradicadas no território nacional. As campanhas periódicas de vacinação
atngem anualmente um público cada vez maior e são responsáveis pela diminuição da incidência de doenças
como a poliomielite, o tétano, a rubéola e pela prevenção de outras, sendo, em parte, responsáveis pela
redução das taxas de mortalidade no Brasil.
O Brasil ainda não se livrou das grandes endemias nem das doenças infecciosas e parasitárias (malária,
dengue, cólera e febre amarela); porém, o padrão de ocorrência no país mudou: as doenças infecciosas e
parasitárias, responsáveis por quase metade das mortes ocorridas em 1930, passaram a responder por cerca
de 5% do total dos óbitos registrados em 2009 no país. Em contrapartda, as doenças crônicas não
transmissíveis (diabetes, doenças do sistema cardiovascular, câncer, doenças respiratórias crônicas etc.) —
chamadas “doenças da civilização”, pois se relacionam com o modo de vida moderno — representavam 73,9%
dos óbitos em 2010.
A diminuição do crescimento vegetatvo registrada nas últmas décadas é resultado direto da queda da
taxa de fecundidade que vem ocorrendo em todas as regiões do país, ainda que em diferentes ritmos. Nos
anos 1960, cada brasileira tnha, em média, 6 flhos; em 1984, o número médio de flhos por mulher recuou
para 3,4; em 2012, cada brasileira teve, em média, 1,8 flho, ou seja, a taxa fcou abaixo do nível necessário
para a reposição populacional.

Desde a década de 1970 a população brasileira passou a crescer em ritmos cada vez mais lentos. A
tendência indica, portanto, redução do ritmo do crescimento da população brasileira. Projeções realizadas
pelo IBGE indicam que a população brasileira, composta por cerca de 206 milhões de pessoas em 2016,
deverá crescer até atngir 225 milhões em 2025 e então estabilizará e depois começará a diminuir um pouco
lentamente.

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Veja abaixo os diferentes ritmos do crescimento populacional brasileiro.

Perceba nos gráfcos abaixo que, apesar da população brasileira ter aumentado signifcatvamente
durante o período em tela, tem ocorrido nas últmas décadas acentuada queda da taxa de crescimento
populacional. Podemos dividir em quatro períodos bem nítdos e diferenciados de ritmos de crescimento.
1900 a 1920: houve grande crescimento populacional alimentado pelo saldo migratório positvo elevado
e limitada contribuição do crescimento vegetatvo.
1920 a 1940: diminuiu o ritmo do crescimento populacional pela redução do fuxo de imigrantes devido à
lei de cotas de imigração combinado com alta taxa de mortalidade.
1940 a 1960: apresentou o maior ritmo de crescimento da população brasileira, pois a revolução médico-
sanitária gerou queda da mortalidade combinado com elevadas taxas de natalidade, gerando crescimento
explosivo.
1960 a 2010: apresentou contnua queda do crescimento populacional, pois a urbanização e
popularização dos métodos ant-concepcionais contribuíram para uma rápida queda da taxa de fecundidade
e, consequentemente, queda da taxa de natalidade.
A transição demográfca em curso no Brasil tem produzido uma dramátca queda da taxa de fecundidade,
que é o número médio de flhos em determinado momento histórico. No Brasil essa taxa já está abaixo da
taxa de reposição populacional que é de 2,1 flhos/mulher.

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A queda da taxa de fecundidade produz a queda da taxa de natalidade, que por sua vez gera impactos na
queda da taxa de crescimento vegetatvo e populacional.

Podemos considerar a urbanização como um fator geral que contribuiu para a queda da fecundidade e,
consequentemente, da natalidade no Brasil, pois no ambiente urbano ocorrem os seguintes fatores:
 Ruptura da família enquanto unidade de produção.
 Custo de formação do indivíduo $
 Inserção da mulher no mercado de trabalho.
 Aumento da renda média familiar.
 Maternidade tardia em função de estudo e formação profssional.
 Aumento do nível educacional das mulheres.
 Difusão dos métodos antconcepcionais.
 Adoção do planejamento familiar.
 Abortos clandestnos que vitmam milhares de mulheres (óbito).
Estrutura Etária
A estrutura etária da população é retratada por gráfcos cuja forma se assemelha a uma pirâmide. O
gráfco mostra a população masculina e feminina classifcadas por faixas etárias, de 5 em 5 anos.
A pirâmide etária é composta por 3 partes consttuintes: a base, onde estão agrupados os jovens, o corpo,
composto pela população adulta e o topo, formado pelos idosos.
A forma da pirâmide etária de um país é constantemente associada ao seu grau de desenvolvimento.
As pirâmides etárias referentes a muitos países em desenvolvimento (mais pobres) costumam apresentar
base larga, que refete as altas taxas de natalidade, e topo estreito, resultante da baixa expectatva de vida da
população. Diversos países em desenvolvimento, porém, têm apresentado redução das taxas de natalidade e,
em consequência, estreitamento da base das pirâmides etárias.
A estrutura etária da população tem refexos na economia de um país. A população economicamente
atva (PEA), ou seja, aquela que trabalha e produz riquezas, é composta, em sua maioria, pelos adultos. Um
grande contngente de população jovem, como por exemplo nos países pobres, requer investmentos em
educação para qualifcar a força de trabalho. Já uma elevada porcentagem de idosos é um ônus para o Estado,
visto que aumentam os gastos com aposentadorias e os cuidados com a saúde. A diminuição das taxas de
natalidade e o aumento da expectatva de vida levam a um progressivo envelhecimento da população e a uma
diminuição da população economicamente atva.

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Se somarmos a população jovem (no caso, considerada a população até 14 anos) com a idosa (mais de 65
anos) e dividirmos o resultado pela população em idade atva (entre 15 e 64 anos), obteremos a razão de
dependência. O crescimento econômico dos países com alta taxa de dependência (alto número de crianças,
jovens e idosos) dependerá de polítcas efcazes de educação, do aumento da partcipação de mulheres,
idosos e de imigrantes no mercado de trabalho, entre outras medidas.

As pirâmides etárias brasileiras revelam os resultados da transição demográfca em curso no Brasil. Em


1970 o gráfco tnha um formato bem piramidal, com base larga e topo baixo e estreito, refexo das altas taxas
de natalidade vigentes e baixa expectatva de vida. No gráfco da direita percebe-se um formato irregular,
atestando a queda da natalidade no Brasil entre 1970, 2002 e 2012. Por causa dessa queda, a base da
pirâmide etária tornou-se mais estreita nesse intervalo. O aumento da longevidade refete-se no alargamento
do topo da pirâmide e também no aumento de sua altura. Em 1970 a expectatva de vida no Brasil era de 57
anos, passando para 75 anos em 2015.
O Brasil está deixando de ser um país jovem. A estrutura etária da população brasileira está em rápida
mutação. Em 1980, 38% da população brasileira tnha entre
0 e 14 anos de idade; em 2010, esse percentual já havia
decaído para 24% e, de acordo com as projeções do IBGE,
em 2060 as crianças e jovens menores de 14 anos serão
apenas 13% da população do país. Por outro lado, o
contngente de idosos com mais de 60 anos está
aumentando consideravelmente, em razão da melhoria do
padrão de vida que gerou o aumento da expectatva de vida
e sua conseqüência direta: o envelhecimento da população.
Essa situação gera dois impactos importantes: na saúde e na
previdência social. A expectatva de vida é o indicador
utlizado pelo governo para mudar as regras de
aposentadoria, argumentando que se o brasileiro está
vivendo mais então ele terá que contribuir mais tempo para
requerer o benefcio.
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2.8 A distribuição dos efetvos demográfcos e os movimentos migratórios internos: refexos sociais e
espaciais

Imigração
O Brasil se tornou um país de atração populacional durante o século XIX e início do século XX. Imigrantes
oriundos de diversos países entraram em nosso país neste período, principalmente imigrantes europeus, que
se dirigiram principalmente para duas regiões: Sul e Sudeste.
Enquanto no Sudeste, principalmente no Oeste Paulista os imigrantes se dirigiram para o trabalho na
lavoura de café, se tornando mão de obra assalariada, no Sul os imigrantes se tornaram colonos, pequenos
proprietários, pois receberam do governo brasileiro pequenos lotes de terra. No Sul era necessário povoar o
território para compensar a baixa densidade demográfca que expunha a região à cobiça dos países platnos
vizinhos, enquanto em São Paulo o objetvo era a substtuição do trabalho escravo pelo trabalho assalariado.
O peso numérico das populações negras e mestças nas proximidades da Corte assustava os
governantes, que aproveitaram o empreendimento da imigração para iniciar um processo de
“branqueamento” da população brasileira.
O movimento imigratório para o Brasil iniciou-se, de fato, após a independência, ocorrida em 1822. Na
Europa, com a concentração fundiária e a Revolução Industrial, muitos camponeses estavam perdendo suas
terras e não havia nas cidades uma oferta de empregos sufciente para absorvê-los. Por outro lado, guerras e
confitos polítcos no contnente levaram muitas famílias à decisão de reconstruir suas vidas em outros países,
entre eles o Brasil. Foi assim que, desde então, entraram no país mais de 5 milhões de europeus.
Entre os povos europeus que mais contribuíram com o processo de imigração para o Brasil podemos citar:
 Portugueses, numericamente o maior contngente de imigrantes, que foram principalmente para os
grandes centros urbanos como Rio de Janeiro e São Paulo.
 Italianos, que se instalaram na região serrana do Rio Grande do Sul, sudeste catarinense e
principalmente interior paulista, onde foram trabalhar na lavoura de café.
 Espanhóis, que em sua maioria também se dirigiram para o trabalho no café no interior paulista ou nas
fábricas na cidade de São Paulo.
 Alemães, que se estabeleceram no Rio Grande do Sul, no Vale do rio dos Sinos, fundaram as colônias
de São Leopoldo e Novo Hamburgo. Se estabeleceram também no nordeste catarinense, região de
Blumenau e Itajaí. A fazenda Ibicaba, em Cordeirópolis, no interior paulista, recebeu imigrantes
alemães.
 Eslavos (poloneses e ucranianos) que formaram o grupo majoritário do Paraná.
Outros grupos também foram importantes para a formação do Brasil:
 Japoneses, em sua maioria se dirigiram para o estado de São Paulo.
 Sírio-libaneses, que se dedicaram ao comércio na cidade de São Paulo.

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Em 1850, a Lei Eusébio de Queirós decretou o fm do tráfco negreiro, sinalizando a proximidade do fm


da escravidão no país. A promulgação dessa lei animou os projetos e as iniciatvas imigracionistas.
Ainda em 1850 foi promulgada a Lei de Terras, uma legislação que vedava toda forma de acesso às terras
devolutas que não fosse por meio da compra. A riqueza monetária tornou-se o único meio para obter a
propriedade da terra. A Lei de Terras foi uma estratégia dos latfundiários na defesa de seus interesses, pois
impediu que os escravos libertos e os imigrantes se instalassem como posseiros nas terras, consolidando-se a
estrutura de grandes propriedades no Brasil.
Em 1934, entrou em vigor no país a Lei de Cotas de Imigração, estabelecendo, para cada nacionalidade,
uma cota anual para imigração de até 2% do total que houvesse entrado no país nos últmos 50 anos.
Complementada em 1938, trouxe várias restrições: a principal delas estabelecia que 80% dos imigrantes
deveriam ser agricultores. Somente portugueses estavam isentos da nova legislação. Essa lei foi decretada em
um período de acelerado crescimento industrial do Brasil, revelando uma estratégia de nacionalização da mão
de obra fabril e impedindo a entrada de operários imigrantes, que traziam consigo longa tradição de lutas
sindicais e libertárias.
Assim, a imigração para o Brasil diminuiu signifcatvamente, pelo menos até a eclosão da Segunda Guerra
Mundial, quando chegaram milhares de judeus alemães expulsos pelo nazismo. Durante a década de 1950, o
Brasil ainda receberia um novo contngente de imigrantes, principalmente italianos, dessa vez fugidos da
instabilidade polítca da Europa do pós-guerra.
Nas últmas décadas do século XX, o Brasil deixou de ser um mercado de trabalho atraente para
imigrantes europeus, que preferiram as regiões mais prósperas de seu próprio contnente para trabalhar ou
procurar emprego. Inclusive o saldo migratório brasileiro neste período foi negatvo, com milhares de
brasileiros saindo do Brasil em busca de melhores condições de vida buscando empregos principalmente nos
Estados Unidos.

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No entanto, na primeira década do século XXI, destacou-se a entrada no país de imigrantes oriundos da
Coreia do Sul, da China e da Bolívia. A maior parte deles se instalou na metrópole de São Paulo, onde se
estma que existam entre 50 mil e 100 mil imigrantes clandestnos. As estatstcas da embaixada da Coréia do
Sul indicam que a colônia coreana no Brasil é composta de 18 mil membros, todos eles em situação regular.
Estmatvas não ofciais, porém, contabilizam a existência de mais 15 mil imigrantes coreanos, somente na
cidade de São Paulo, vivendo na ilegalidade.
As Consttuições de 1967 e 1988 não fazem referência específca à polítca migratória, limitando-se a
defnir que se trata de um assunto de competência da União. Por isso, a questão é atualmente regulada pela
lei ordinária conhecida como Estatuto do Estrangeiro, que limita severamente a regularização da situação dos
imigrantes, corroborando para o aumento da clandestnidade e de toda sorte de violação de direitos
fundamentais.
Em 2010, um terremoto devastou o Hait. Estma-se que pelo menos 212 mil pessoas perderam a vida em
consequência do sismo, considerado a pior tragédia da história das Américas. Desde então, um número cada
vez maior de haitanos fugidos da catástrofe humanitária que a ela se seguiu busca reconstruir suas vidas em
outros países. Uma pequena parcela desse contngente, estmada em alguns milhares de pessoas, chegou ao
Brasil, especialmente para as cidades de Brasiléia, no Acre, e de Tabatnga, no Amazonas, de onde solicitaram
asilo polítco e vistos de trabalho. Entretanto, de acordo com as autoridades brasileiras, os haitanos não
fugiam de perseguição polítca, mas de uma situação de extrema vulnerabilidade social, e, portanto, não era o
caso de fornecer asilo. Em virtude da grave crise econômica que se abate sobre o Brasil desde o fnal de 2014,
a maioria dos haitanos saíram de nosso país e foram para os Estados Unidos.

Perceba que a partr da abolição aumenta bastante a entrada de imigrantes no Brasil. Na década de 1890
a entrada de imigrantes foi tão intensa que contribuiu aproximadamente com 29% do crescimento
populacional total do Brasil neste período. Cerca de 1 milhão de imigrantes entraram no Brasil neste período.
Entre 2000 e 2012, o Brasil atraiu a atenção de imigrantes africanos. Nesse período, o número de
residentes e refugiados (sem levar em conta os imigrantes ilegais) cresceu mais de 30 vezes.
Após o ano 2010, cresceu o número de pessoas provenientes de Portugal, Japão, Itália e Espanha. Em
2010, o número de brasileiros residentes no exterior se aproximava de 500 mil. Na direção oposta, os dados
do IBGE mostram que, entre 2000 e 2010, o saldo migratório internacional do Brasil foi igual a zero.
Os Estados Unidos são o país que abrigam o maior número de imigrantes brasileiros, cerca de 300 mil,
considerando os legais e os ilegais.

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Migrações Internas
A partr da década de 1930, as migrações internas seguiram basicamente duas direções: para as fronteiras
agrícolas e para a Região Sudeste. As migrações inter-regionais (entre regiões) predominavam nesse período.
O processo de industrialização tornou a região Sudeste o maior pólo de atração de migrantes, enquanto a
região Nordeste se gtransformou no maior pólo de repulsão populacional. Além da atração que as
oportunidades de trabalho que a industrialização da Região Sudeste oferecia, alguns fatores de repulsão
ajudam a explicar os grandes deslocamentos da população nordestna, a partr da década de 1940. A
economia agrária da Região Nordeste formou uma classe latfundiária, que possuía o controle polítco e
territorial, gerando profundas desigualdades provenientes da concentração da propriedade agrária. Além
desse fato, a modernização no campo e o desemprego agravado pelas secas no Nordeste (década de 1950)
estmularam as migrações.
Fugindo da exclusão social e da pobreza e
buscando melhores oportunidades, entre 1940 e
1980, quase 13 milhões de nordestnos se
deslocaram para diversas regiões do país,
sobretudo para o Sudeste. Os movimentos
migratórios fzeram com que a partcipação do
Nordeste na população do país caísse de quase
47%, em 1872, para 27,8%, em 2010.
No mapa ao lado nota-se que o fuxograma
mais grosso se refere ao intenso deslocamento
de nordestnos para o Sudeste (industrialização)
e Centro-Oeste (construção de Brasília). A
garimpagem e exploração de cassiterita atraíram
migrantes para Mato Grosso e Rondônia.
Nordestnos foram para o Maranhão (extração
de babaçu). Gaúchos foram para as áreas de
expansão da cafeicultura do Paraná. Início da
ocupação da Amazônia através da Operação
Amazônia e criação da SUDAM/ SUFRAMA. Na
década de 1960 se inicia a expansão da fronteira
agrícola para o Centro-Oeste, com fuxos
oriundos do Sul.

A partr da década de 1970 ocorre a expansão da fronteira agrícola para a Amazônia.


O Programa de Integração Nacional implanta as rodovias de integração nacional, a BR 230 –
Transamazônica e BR 163 – Cuiabá-Santarém, que serviram de eixo indutor de migrações para a Amazônia.
Posteriormente são abertas as BR 364 Cuiabá-Porto Velho e BR 319 Porto Velho-Manaus.
O governo estabeleceu um controle das terras virgens, difcultando o acesso dos migrantes às terras. Isso
acarretou em transformar o camponês em trabalhador assalariado urbano e/ ou rural. As cidades passaram a
ter estoque de mão de obra para as frentes de trabalho, o que acarretou o grande crescimento das
populações das cidades na Amazônia (décadas de 1970, 1980 e 1990).

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Veja o mapa abaixo.

A partr da década de 1990, porém, as


migrações inter-regionais se tornaram
signifcatvamente menos intensas. A
Região Metropolitana de São Paulo, por
exemplo, registrou êxodo migratório.
Intensifcou-se o fenômeno conhecido
como migração de retorno, ou seja, a volta
de migrantes nordestnos para os estados
e municípios de origem.
Migrantes nordestinos encontrando
dificuldades no mercado de trabalho
saturado e competitivo do Sudeste
retornaram para o Nordeste, onde foram
criados postos de trabalho nos últimos
anos.
Entretanto, dados do IBGE (2012) mostram
que a Região Sudeste contnua sendo o
principal destno não só de nordestnos
(67,5% dos migrantes do Nordeste), mas
da população do Centro-Oeste (quase a
metade dos que migraram nessa região) e
da maioria das pessoas que nasceram em
países estrangeiros.

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A Região Nordeste foi a que apresentou menor partcipação (2,7%) de residentes não naturais da região.
A Região Centro-Oeste contou com maior percentual (29,4%) de residentes que não eram nascidos na
região. Isso ocorre porque essa região tem recebido elevados fuxos de população brasileira devido à
expansão da fronteira agrícola e do agronegócio (produção de grãos, gado, industrialização de produtos) na
região que atrai riqueza e imigrantes.
Os últmos censos demográfcos brasileiros revelam uma redução signifcatva dos movimentos
migratórios inter-regionais e um aumento das migrações intrarregionais (dentro de uma mesma região). Entre
2000 e 2012, as chamadas cidades médias, com até 500 mil habitantes, apresentaram crescimento
populacional muito mais vigoroso do que as grandes cidades e os aglomerados metropolitanos, tendo se
tornado importantes polos de atração. Esse fenômeno é partcularmente intenso nas cidades médias situadas
na Região Centro-Oeste e partcularmente em Goiás.

No período visto no infográfco acima, percebe-se que a região brasileira com o maior “ganho líquido” de
migrantes foi a região Sudeste.
A região Nordeste, entretanto foi a região brasileira com maior “perda líquida” de migrantes. Nesse
intervalo, aproximadamente 829 mil pessoas deixaram o Nordeste em direção ao Sudeste, dando
contnuidade a um movimento migratório que já havia se iniciado em períodos anteriores.
Por outro lado, cerca de 387 mil pessoas migraram do Sudeste para o Nordeste, indicando a permanência
desta nova categoria de migrações inter-regionais denominada migração de retorno, realizada por
nordestnos que voltaram para sua região de origem depois de terem passado parte de suas vidas no Sudeste.

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Migrações Temporárias
Os deslocamentos da população incluem também as migrações sazonais, ou seja, realizadas
temporariamente, em determinada época do ano. É o caso de trabalhadores rurais que se deslocam para
realizar a colheita de algum produto e retornam após alguns meses, com o término do trabalho.
Um exemplo de migração sazonal ocorre no Nordeste brasileiro, bem comum em épocas de seca, quando
parte da população deixa o Sertão e o Agreste e se dirige à Zona da Mata para trabalhar na colheita da cana-
de-açúcar. Em geral, retornam à área de origem na estação das chuvas para o planto do milho e do feijão em
suas propriedades. O mesmo acontece na Amazônia, onde os seringueiros partcipam da coleta de castanha-
do-pará, realizando a extração do látex na entressafra.
Nas metrópoles brasileiras é muito comum outro tpo de migração temporária: as migrações
pendulares (commutng). Milhões de trabalhadores e estudantes se movimentam diariamente entre os
municípios da metrópole, retornando aos seus lares após a jornada de trabalho ou de estudo.

Composição étnica da população brasileira


A população brasileira recebeu contribuição étnica e cultural de diversas origens: ameríndia, africana,
européia e asiátca (japoneses, sírio-libaneses). A população brasileira é de formação recente, não se
identfcando um tpo fsico predominante. Nos países orientais, que fcaram por milênios num estado de
isolamento geográfco, foi possível ocorrer um isolamento reprodutor, apresentando seus povos
característcas fsicas mais ou menos padronizadas. No Brasil, assim como nos Estados Unidos, isso não
ocorre. Quem é o brasileiro tpico? A população brasileira apresenta elevado grau de miscigenação.
os censos demográfcos realizados no Brasil consideram a cor da população em suas estatstcas.
O Insttuto Brasileiro de Geografa e Estatstca (IBGE) classifca os brasileiros em cinco grandes grupos de
cor: brancos, pardos, pretos, amarelos e indígenas. Ao responder ao questonário do censo, cada brasileiro
pode se declarar pertencente a qualquer uma dessas categorias, já que não existe critério objetvo de
distnção entre elas.
A maioria da população durante o período escravocrata era composta por negros e mulatos. A população
começa a fcar majoritariamente branca com a vinda maciça de imigrantes europeus a partr do fnal do século
XIX.
Nas últmas décadas foi maior o percentual de população considerada branca, até o ano 2000. Veja a
evolução da distribuição étnica brasileira.

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Em 1940, 35,8% da população se declarava preta e parda. Em 1980, eram 44,5% e, em 2010, 50,7%,
ultrapassando a porcentagem da população branca, que diminuiu de 63,5%, em 1940, para 47,7% em 2010.
Portanto, o processo de miscigenação contnua ocorrendo no Brasil. Além disso, a população tem
respondido mais atentamente a essa questão do censo demográfco, o que vem alterando as estatstcas do
IBGE. Supõe-se que as estatstcas estejam mais próximas da realidade brasileira e que a luta dos movimentos
sociais, somada às polítcas públicas, tem surtdo efeito na valorização da identdade. Ultmamente também
tem aumentado no Brasil o número de pessoas que se autoidentfcam como indígenas.
A população índígena autodeclarada aumentou nos últmos censos de 2000 e 2010 em relação ao Censo
de 1991. Para muitos estudiosos, o crescimento da população autodeclarada indígena registrado nas últmas
décadas se deve, em grande medida, ao fenômeno da etnogênese, que é a assunção do indígena, isto é, se
assumir como indígena ou recriação por povos indígenas de suas tradições após um período de ocultamento
ou negação de suas identdades. O indígena havia perdido sua identdade cultural, mas passou a ser
valorizado nas últmas décadas, principalmente após a Consttuição Federal de 1988, que afrma os direitos
dos indígenas à terra, cultura, costumes, língua, etc, inclusive de se organizar em movimentos de
reivindicação de seus direitos, dentro da lei e da ordem, de acordo com o capítulo VIII que reconhece “ a
legitmidade dos índios, suas comunidades e organizações para ingressarem em juízo em defesa de seus
direitos e interesses.”
A denominação “pardo” é muito genérica e costuma ser adotada para mestços como
os cafuzos (resultantes da miscigenação entre negros e indígenas) e os caboclos ou mamelucos (entre brancos
e indígenas), predominantes na Região Norte, assim como para os mulatos (miscigenação entre negros e
brancos), que são maioria na Região Nordeste.

No Censo de 2010 a população manifestou livremente qual é sua raça/cor. O resultado foi que a maioria
da população se identfcou como não brancos, como pode ser visto no gráfco acima.

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2.9 O desenvolvimento econômico e social e os indicadores sociais do Brasil.

Desigualdade social e pobreza


A economia brasileira desenvolveu-se sob signo da concentração da riqueza. O abismo social entre a
elite de proprietários de terra e a massa de trabalhadores formou o arcabouço histórico para a atual
concentração de renda no país.
A consttuição do moderno mercado de mão de obra urbano apoiou-se na combinação de crescimento
vegetatvo acelerado com intenso êxodo rural: a oferta abundante de força de trabalho acompanhou o
crescimento da economia industrial. Um estoque quase inesgotável de força de trabalho de baixa qualifcação
permitu a manutenção de níveis salariais reduzidos no setor secundário e, mais ainda, no setor terciário.
Um indicador consagrado do grau de desigualdade de renda é o coefciente de Gini, desenvolvido pelo
estatstco italiano Corrado Gini. Esse coefciente varia de 0 (situação teórica de inexistência de desigualdade,
na qual todos os indivíduos tem a mesma renda) e 1 (situação teórica de desigualdade absoluta, na qual um
único indivíduo tem toda a renda). O indicador evidencia que o Brasil está entre os países mais desiguais do
mundo, mas também revela que a desigualdade apresenta nítda tendência à redução. O PNAD 2014 revelou
que, pela primeira vez, o Índice de Gini caiu abaixo de 0,5 no Brasil. Veja gráfco abaixo:

Os conceitos de desigualdade e pobreza não devem ser confundidos. A desigualdade tem por
referência a distribuição de renda, enquanto a pobreza refere-se à carência de renda e de acesso a bens e
serviços de primeira necessidade. Cada país tem a própria linha de pobreza. Defne-se que uma pessoa está
abaixo da linha de pobreza quando sua renda não é sufciente para cobrir gastos com alimentação, moradia,
transporte e vestuário.
Em 2015, o Banco Mundial atualizou a linha internacional de pobreza extrema para US$ 1,90/dia, e
lançou uma linha internacional de pobreza de US$ 3,10/dia.
O governo federal defne a linha de pobreza em R$170/mês e a linha de extrema pobreza em 85/mês.
(valor válido para o ano de 2016).
No Brasil, além de persistentes desigualdades sociais, ainda se registra grande incidência de pobreza. A
incidência de pobreza é mais acentuada nas áreas rurais do que nas áreas urbanas: cerca de 47% da
população extremamente pobre no Brasil encontra-se em áreas rurais, e a população rural representa apenas
15,6% da população total do país. Para cada quatro moradores do campo, um está em situação de extrema
pobreza.

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A pobreza rural tem característcas bastante diferentes das da pobreza urbana. No setor
primário (agricultura, pecuária, pesca e extratvismo), expressiva parcela da população atva não tem
rendimentos, pois frequentemente os flhos jovens e as mulheres trabalham como ajudantes do chefe da
família na própria roça ou nas colheitas das fazendas. Nas cidades, pratcamente a totalidade da população
atva tem rendimentos e, por isso, a renda acaba sendo maior que o do meio rural.
No entanto, o custo de vida nas cidades é mais elevado, pois todos os itens que compõem as
necessidades indispensáveis para o indivíduo exigem dispêndios monetários. No campo, em muitos casos,
roças familiares fornecem uma parte dos produtos de alimentação e, de modo geral, os custos com habitação
e transportes são reduzidos.
A pobreza encontra-se disseminada por todo o país. Mas, ao mesmo tempo, há uma geografa da
pobreza muito nítda, que se exprime sob a forma das desigualdades regionais.
A pobreza no Brasil tem forte componente regional:
enquanto no Nordeste 60% da população é
extremamente pobre, na Região Sudeste 17% está
abaixo da linha de pobreza.
Os contrastes são ainda mais evidentes quando
comparamos os estados: em Alagoas e Maranhão os
pobres representam 30%, em Santa Catarina a pobreza
atnge menos de 2%.
A pobreza no Nordeste tem raízes na economia
colonial. A coexistência do latfúndio com o minifúndio
bloqueou o desenvolvimento regional. A maior parte
da população rural fcou marginalizada do mercado
consumidor.
Entre as décadas de 1970 e 1990, o processo de
urbanização recente da população regional não foi
acompanhado por um movimento vigoroso de
industrialização. O crescimento urbano dependeu da
absorção da força de trabalho pelo setor terciário
(transporte, educação, saúde, serviços fnanceiros,
imobiliários etc.).
Os centros industriais das metrópoles nordestnas (Salvador, Recife e Forta-leza) basearam-se em
investmentos de empresas estatais ou grupos privados do Sudeste. Como resultado, o setor
secundário (atvidades industriais, mineradora e construção civil) nordestno passou a absorver uma parcela
muito restrita da mão de obra. Os novos investmentos industriais são atraídos pela oferta de mão de obra
barata existente na região.
No Sudeste, o elevado nível de urbanização e o dinamismo industrial incorporaram a maior parte da
população no mercado de consumo. A expansão e a modernização das atvidades terciárias asseguraram o
crescimento da renda familiar dos trabalhadores e a confguração de uma classe média urbana relatvamente
ampla. Além disso, nas últmas décadas, as pressões dos movimentos sociais resultaram na difusão de serviços
públicos básicos para a periferia das grandes e médias cidades, o que reduziu a incidência da pobreza.
A Região Sul tem os mais baixos níveis de pobreza da população rural. Historicamente, o Brasil
meridional distngue-se pela consttuição de um mercado consumidor abrangente, capaz de integrar a maior
parte da população no circuito de trocas entre o campo e a cidade. Nas áreas de planaltos, onde a
apropriação da terra foi impulsionada pela imigração européia, surgiu uma economia rural baseada no
trabalho familiar e na policultura associada à criação. Sobre essa base, desde cedo se desenvolveu uma vasta
classe média rural, partcularmente nas áreas de colonização italiana, alemã e eslava.

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No Sul, a industrialização se deu por meio de capitais acumulados na própria região. As fábricas
disseminaram-se pelas cidades médias, estabelecendo nexos produtvos com o meio rural. As atvidades
terciárias expandiram-se sobre a base de um mercado consumidor amplo e razoavelmente dinâmico.
As transformações recentes da economia rural sulista — com a mecanização acelerada da produção
agrícola e a concentração da propriedade da terra — romperam parcialmente o equilíbrio social tradicional.
Em algumas áreas, como a Campanha Gaúcha, a prolongada estagnação econômica e a concorrência com a
agropecuária argentna atngiram dramatcamente a qualidade de vida da população. Esse é o caso da
chamada “metade sul” do Rio Grande do Sul.
Em meados da década de 1990 verifcou-se forte declínio da pobreza, com o fm do processo de
hiperinfação e a estabilização da economia brasileira. Depois, na década de 2000, a pobreza declinou
signifcatvamente, em virtude da combinação de um ciclo de crescimento econômico com a aplicação de
amplos programas governamentais de transferência de renda. Assim mesmo temos aproximadamente 12,8 %
da população brasileira vivendo abaixo da linha de pobreza, conforme gráfco abaixo.

O programa Bolsa Família brasileiro mais que dobrou o número de benefciários nos últmos anos. Ele
tem servido de modelo para vários outros países e se caracteriza por ser a principal ação governamental de
distribuição de renda e combate à pobreza e à miséria.

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Observação
Estes dados que indicam uma ligeira melhora do quadro sócio-econômico se encerram no ano de
2014, quando em seu últmo trimestre já se percebia o início de uma crise econômica que
mergulhou o país numa profunda recessão, que tem gerado queda da atvidade industrial e
econômica em geral, aumento do desemprego, queda do poder de compra e consequentemente
do consumo, e a conseqüência disso tudo foi a vertginosa queda do PIB, diminuindo a renda per
capta da população, conforme pode ser visto nos gráfcos seguintes.

IDH – Índice de Desenvolvimento Humano


No início da década de 1990, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgou
um indicador que atualmente serve de referência para estudos comparatvos das condições de vida das
populações do mundo. Trata-se do Índice de Desenvolvimento Humano ou IDH. Desde a criação desse índice,
o Pnud calcula e divulga anualmente o IDH dos países classifcando-os em uma escala que varia de 0 a 1 e
agrupando aqueles com valores semelhantes. Quanto mais próximo de 1 melhor é o padrão geral de
condições de vida vigente em determinada sociedade. Quanto mais próximo de zero, piores são as condições
de vida.
O IDH é construído com base em três grandes indicadores: a expectatva de vida ao nascer (duração
média da vida, em anos); o nível de instrução, representado pela taxa de alfabetzação e pela taxa de
matrícula; e o PNB per capita PPC (Paridade do Poder de Compra).

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As categorias de IDH variam:


 muito alto  acima de 0,800
 alto  0,700 a 0,799
 médio  0,550 a 0,699
 baixo  abaixo de 0,550

O últmo Relatório do Desenvolvimento Humano do PNUD foi o de 2015, referentes aos dados de 2014.
188 países foram pesquisados e o Brasil fcou numa posição intermediária, classifcado como alto IDH.
Ranking IDH 2014:
 1º Noruega 0,944
 75º Brasil 0,755
 188º Níger 0,348

Porém, o Brasil é muito grande e além de apresentar concentração de renda e desigualdade sócio-
econômica, também apresenta desigualdades regionais. Veja os mapas do IDH-M do Brasil, que é o
levantamento do IDH por municípios:

O mapa demonstra uma melhora dos indicadores que compõem o IDH no Brasil, entre 1991 e 2010,
embora persistam ainda muitas desigualdades entre os municípios de uma mesma região e em relação às
regiões. Cerca de 74% dos municípios brasileiros se encontram nas faixas de Médio e Alto Desenvolvimento. O
restante, 25%, está entre aqueles que apresentaram Baixo ou Muito Baixo Desenvolvimento Humano. Na
Região Nordeste estão concentrados o maior número de municípios com Baixo Desenvolvimento Humano
(61,3%), enquanto na Região Norte
cerca de 40,1% dos municípios têm
Baixo Desenvolvimento Humano.
Percebam que o Brasil tem
municípios com padrão europeu de
IDH, mas tem também municípios
com padrão de IDH africano.

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Mortalidade infantl
A mortalidade infantl tem refexos na expectatva de vida. Em países onde a mortalidade infantl é
muito elevada é estatstcamente impossível que a expectatva de vida seja elevada. No conjunto dos países
subdesenvolvidos, embora ainda existam países com taxas altssimas de mortalidade infantl, como países da
África Subsaariana, este indicador sócio-econômico apresenta uma regressão constante desde meados do
século XX, e no Brasil tem declinado sensivelmente.

A mortalidade infantl precoce (crianças com menos de sete dias) e a neonatal (sete dias a um mês)
estão associadas a problemas de formação congênita e
complicações no parto e refetem a baixa qualidade da
assistência pré-natal, ao parto e ao recém-nascido.
Por isso, a melhoria das condições hospitalares é
capaz de produzir uma diminuição acentuada dos índices.
No conjunto dos países desenvolvidos, a cada mil crianças
que nascem vivas, apenas 6 morrem antes de completar
um ano.
Serviços básicos de saúde reprodutva (assistência
competente no parto, pré-natal, nutrição adequada) é um
fator de grande contribuição para a diminuição da
mortalidade infantl.

No caso da mortalidade pós-neonatal (um a doze meses), as causas residem na disseminação de


doenças em grupos sociais atngidos pela subalimentação e pela insalubridade, ou seja, as condições
socioeconômicas e de infraestrutura do lugar onde as famílias residem. Por isso, a mortalidade infantl é um
indicador muito sensível dos níveis de vida da população.
Existe também a mortalidade na infância, que é a mortalidade de crianças até 5 anos de idade. De
modo geral, expressa o desenvolvimento socioeconômico e a infra-estrutura ambiental precários, que
condicionam a desnutrição infantl e as infecções a ela associadas. O acesso e a qualidade dos recursos
disponíveis para atenção à saúde materno-infantl são também
determinantes da mortalidade nesse grupo etário. É infuenciada
pela composição da mortalidade no primeiro ano de vida
(mortalidade infantl), amplifcando o impacto das causas pós-
neonatais, a que estão expostas também as crianças entre 1 e 4
anos de idade.
Há consistente tendência de redução da mortalidade na
infância em todas as regiões brasileiras, decorrente do declínio da
fecundidade nas últmas décadas e o efeito de intervenções
públicas nas áreas de saúde, saneamento e educação da mãe,
entre outros aspectos. Ainda assim, os valores médios contnuam elevados, sobretudo nas regiões Nordeste e
Norte. Na região Nordeste, por exemplo, a taxa chega a ser o dobro da observada no Sul do País.
Fatores que explicam a queda geral da mortalidades infantl e na infância no Brasil:
 avanços no saneamento básico.
 vacinação em massa.
 campanhas para o aleitamento materno.
 acompanhamento pré-natal.
 aumento do nível de instrução das mulheres.

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Analfabetsmo
A taxa de analfabetsmo se refere às pessoas de 15 ou mais anos de idade que são analfabetas. Esse
indicador se relaciona com o nível de instrução do IDH. A diminuição da taxa de analfabetsmo é conseqüência
dos esforços governamentais de universalização do ensino fundamental, que não está concretzada. Cerca de
460 mil crianças de 6 a 14 anos permanecem fora da escola (dados de 2014). Predominam, entre elas, as de
famílias mais pobres, com renda per capita de até ¼ de salário mínimo, negras, indígenas e com defciência.
Portanto, trata-se de um grupo que pede polítcas públicas específcas e diferenciadas.
Mesmo assim, essa taxa tem caído no Brasil em geral e nas regiões, apesar da existência das desigualdades

regionais, conforme pode ser visto no gráfco abaixo.

Analfabetsmo Funcional
A condição de analfabeto funcional é caracterizada pela incapacidade de exercitar certas habilidades de
leitura, escrita e cálculo necessários para a partcipação atva da vida social em diversas dimensões.
Geralmente são pessoas que tveram menos de 4 anos de escolaridade. A pessoa é capaz de identfcar letras
e números, mas não consegue interpretar textos e realizar operações matemátcas mais complexas, de modo
que fca comprometda e limitada sua capacidade de disputar melhores empregos. O PNAD 2014 apontou que
a taxa de analfabetsmo funcional no Brasil é de 17,8%.

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Exercícios

1. (EsFCEx 2015) De acordo com o IBGE, o crescimento contnuo da população é devido à queda nas taxas de
mortalidade após os anos de 1940 e aos altos níveis de fecundidade desse período até o fnal de 1970. No
entanto, a taxa de crescimento entrou em desaceleração a partr de meados da década de 1980, quando os
níveis de fecundidade começaram a apresentar queda acentuada, [...]. (ALMEIDA e RIGOLIM, 2013, p. 593.)
A diminuição na taxa de fecundidade no Brasil, a partr dos anos de 1980, ocorreu devido à associação de
fatores tais como a (o) (à) (ao)
A. urbanização; o acesso da mulher ao mercado de trabalho e à criação do salário família.
B. maior planejamento familiar; a desmetropolização da população e ao aumento da renda média.
C. envelhecimento da população; a criação do salário família e o acesso da mulher ao mercado de
trabalho.
D. acesso da mulher ao mercado de trabalho; o aumento da renda média e ao maior planejamento
familiar.
E. urbanização; a desmetropolização das grandes capitais e o envelhecimento da população.

2. (EsFCEx 2014) Com relação às migrações no Brasil, pode-se dizer que:


A. houve um encolhimento do movimento migratório em função da modernização da agricultura e da
indústria nacional.
B. houve uma acelerada migração das populações residentes nas cidades para o campo.
C. a região Nordeste foi a que mais recebeu imigrantes para trabalhar nas usinas de açúcar.
D. a região Centro-Oeste foi a que mais perdeu população rural.
E. há uma aceleração de movimentos migratórios a partr de 1950.

3. (EsFCEx 2011) Sobre a população brasileira, é correto afrmar:


A. A população absoluta do Brasil e sua grande extensão territorial permite-nos classifcar o País como
povoado, porém pouco populoso.
B. A região Centro-Oeste tem sido um lugar de partda de grandes movimentos migratórios. Isto, sem
dúvida, está associado à desigualdade na distribuição de renda.
C. Os movimentos migratórios têm se reduzido em direção à região Sudeste. No Nordeste este
movimento caracterizou-se mais pelo seu caráter intra-regional.
D. O dinamismo atual da nossa industrialização foi capaz de resolver o problema de demanda de
emprego, além de signifcar um importante fator de redistribuição da população entre os diferentes
setores da nossa economia.
E. A partr de meados da década de 1980, a população urbana passa a ser mais numerosa que a
população rural, em razão do processo de industrialização que se acentua desde o fnal da década de
1960, provocando mudanças do campo para a cidade.

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4. (EsPCEx 2016) Observe a tabela abaixo, que mostra a evolução das taxas de fecundidade no Brasil:

Dentro dos refexos dessa realidade, na demografa brasileira, pode-se destacar a redução
I. da população brasileira, em termos absolutos, a partr de 2010.
II. da proporção de jovens no conjunto da população brasileira.
III. da taxa de natalidade e o aumento da mortalidade infantl.
IV. do crescimento vegetatvo.
V. das taxas de reposição populacional, que, atualmente, já se apresentam abaixo do nível de reposição.

Assinale a alternatva que apresenta todas as afrmatvas corretas.


A. I, II e V
B. I, III e IV
C. II, III e IV
D. I, III e V
E. II, IV e V

5. (EsPCEx 2014) “Em 1989, o coefciente de Gini atngiu no Brasil um pico de 0,636. Depois disso, apresentou
reduções quase constantes, registrando 0,543 em 2009.”
O coefciente de Gini é um importante indicador socioeconômico que revela em um país o grau de
A. escolaridade de sua população.
B. desigualdade de renda.
C. desenvolvimento humano da população.
D. qualifcação de sua mão de obra.
E. pobreza de sua população.

6. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um dado utlizado pela Organização das Nações Unidas
(ONU) para analisar a qualidade de vida de uma determinada população. Em 2014, o Brasil apresentou IDH de
0,755, valor considerado alto. Para defnição desse índice são utlizadas três variáveis básicas que fazem parte
do nosso dia a dia.
Para responder, considere os itens:
I. Expectatva de vida
II. Renda per capita
III. Taxa de Exportação
IV. Taxa de Importação
V. Educação

As três variáveis básicas que compõem o IDH são as dos itens:


A. I, III e V B. I, II e IV C. I, II e V D. II, III e V E. I, III e IV

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7. (EsPCEx 2011) Sobre os indicadores socioeconômicos podemos afrmar que:


I. o IDH do Brasil não refete as condições de vida vigentes no País como um todo, em virtude de este
apresentar fortes desigualdades regionais.
II. o PIB percapta é, por si só, um dado sufciente para se avaliar as condições socioeconômicas de um
país.
III. tanto a taxa de analfabetsmo como o nível de instrução possuem estreita relação com o rendimento
(renda) da população.
IV. o cálculo do IDH baseia-se em três indicadores socioeconômicos: a expectatva de vida, o nível de
instrução e a taxa de mortalidade infantl.

Assinale a alternatva que apresenta todas as afrmatvas corretas:


A. I e II B. I e III C. I, II e IV D. II, III e IV E. III e IV

8. (EsPCEx 2011) “(...) uma população jovem e numerosa, em virtude de elevadas taxas de natalidade, não é
causa, mas consequência do subdesenvolvimento.(...) Foi constatado que quanto maior a escolaridade da
mulher, menor é o número de flhos e a taxa de mortalidade infantl.”
http://www.brasilescola.com consulta em 05/04/2010
O trecho acima refete aspectos defendidos pela teoria
[A] Reformista [B] Malthusiana [C] Neomalthusiana [D] Ecomalthusiana [E] da Explosão Demográfca.

9. (DDR 2016) Leia as duas notcias abaixo e em seguida dê o quê se pede.


06/10/2016, Globo.com – Governo defende adoção de idade mínima para a aposentadoria
Atualmente, está em vigor a "Fórmula 85/95", na qual está prevista a regra de que a mulher só pode se
aposentar quando a soma da idade dela mais o tempo de contribuição é igual ou superior a 85. No caso dos
homens, esse resultado precisa ser igual ou superior a 95. O próprio presidente, porém, já disse ser
"importante" que, na proposta de reforma da Previdência, esteja prevista uma idade mínima para
aposentadoria. Conforme a TV Globo, essa idade será de 65 anos tanto para homens quanto para mulheres.
11/10/2016, Globo.com – Governo lança campanha publicitária para defender reforma da Previdência
O governo deverá lançar, na próxima segunda-feira (17), uma campanha publicitária em defesa da reforma
da Previdência Social, informou a assessoria da Casa Civil. A propaganda será veiculada na TV, no rádio e em
jornais de todo o país. A reforma da Previdência não será um projeto de lei, será uma proposta de emenda
consttucional (PEC), ou seja, será alterada a Consttuição e deverá ser encaminhada para o Congresso
Nacional ainda este ano e votada provavelmente em 2017.

Assinale a mudança na dinâmica populacional brasileira que foi utlizada como argumento pelo governo para
justfcar o aumento do tempo de contribuição do trabalhador, adotando-se idade mínima para requerer
aposentadoria.
A. Crescimento da densidade demográfca.
B. Queda das taxas de fecundidade.
C. Aumento na expectatva de vida.
D. Explosão demográfca.
E. Bônus demográfco.

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10. (DDR 2013) Analise a tabela abaixo e assinale a alternatva correta.

A tabela acima
A. propõe uma polítca pró-natalista, para gerar mais braços para o trabalho agrícola, e assim aumentar a
produção de alimentos.
B. se refere à teoria neomalthusiana, que diz que o excesso de população tende a consumir toda a
produção de alimentos.
C. resume a teoria reformista, que diz que apenas a reforma agrária vai solucionar o impasse da falta de
alimentos.
D. trata da teoria malthusiana (a população tende a crescer em ritmo superior à capacidade da sociedade
de produzir alimentos).
E. gerou a polítca de flho único implementada na China em 1979.

11. (DDR 2016) Analise a tabela abaixo e em seguida assinale a alternatva correta.

A. A França tem a maior população relatva enquanto a Itália é mais povoada.


B. Egito é o mais populoso embora seja o menos povoado.
C. A Itália tem maior densidade demográfca mas fraco grau de povoamento.
D. Egito tem maior população absoluta mas a França tem a maior população relatva.
E. Os dados indicam que França e Itália tem IDH maior que o Egito.

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12. Analise a pirâmide etária apresentada abaixo.

Com relação à pirâmide etária da cidade de São Paulo, é correto afrmar que
A. identfca uma cidade onde mais da metade de sua população é migrante, vinda de outras regiões
brasileiras.
B. mostra a divisão social existente, pois a base é formada por crianças das camadas mais pobres da
população.
C. destaca o elevado número de habitantes na cidade e a necessidade urgente de ampliar a infraestrutura
médico-hospitalar.
D. enfatza a grande proporção de população idosa que representa cerca de 40% dos habitantes da
cidade.
E. caracteriza uma população em processo de envelhecimento com redução da taxa de natalidade.

13. (EsPCEx 2012) Assinale a alternatva que apresenta característcas da dinâmica populacional de um país
quando este conclui a sua transição demográfca.
A. Alta taxa de fecundidade e de mortalidade.
B. Alta taxa de natalidade e baixa taxa de mortalidade.
C. Alta taxa de fecundidade e baixa taxa de mortalidade.
D. Baixa taxa de fecundidade e alta taxa de mortalidade.
E. Baixa taxa de natalidade e de mortalidade

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14. (DDR 2012) No gráfco abaixo estão representadas as fases da transição demográfca.

O maior crescimento vegetatvo é verifcado na


A. 2ª fase ou estágio intermediário. Atualmente, o Brasil se
encontra nesta 2ª fase, caracterizada por crescimento
explosivo.
B. 1ª fase ou estágio inicial. Atualmente, o Brasil percorre o
estágio fnal da transição demográfca (3ª fase).
C. 3ª fase ou estágio fnal. Atualmente, o Brasil já concluiu a
transição demográfca, vivenciando o regime
demográfco moderno.
D. 2ª fase ou estágio intermediário. Atualmente, o Brasil
percorre o estágio fnal da transição demográfca (3ª
fase).
E. fase pré-transicional. Atualmente, o Brasil percorre a 1ª
fase ou estágio inicial, haja vista que a natalidade caiu no
Brasil nos últmos anos.

15. A estrutura etária da população brasileira tem passado por transformações profundas, sobretudo a partr
da década de 1980, como se pode observar nos gráfcos a seguir:

Um dos fenômenos resultantes das alterações acima ilustradas é o chamado bônus demográfco, período no
qual se observa a diminuição substancial do peso da população considerada inatva sobre a população
potencialmente atva, ou disponível para as atvidades produtvas. No caso brasileiro, o bônus demográfco,
que está em curso nas primeiras décadas do século XXI, está associado
Parte superior do formulário
A. à diminuição da razão de dependência de crianças.
B. ao declínio da proporção de idosos na população.
C. ao acréscimo das taxas brutas de mortalidade infantl.
D. à redução da expectatva de vida ao nascer da população.

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E. à elevação das taxas de fecundidade de mulheres jovens.

16. (DDR 2013) Observe os gráfcos abaixo de pirâmides etárias e assinale a alternatva correta.

A. A pirâmide de 1970 apresenta formato de país desenvolvido, que vivencia o regime demográfco
moderno.
B. O formato irregular da pirâmide de 2010 demonstra a queda da posição do Brasil no ranking do IDH
mundial.
C. A tendência verifcada foi de queda da natalidade e envelhecimento.
D. O encorpamento da pirâmide de 2010 revela o aumento populacional devido ao aumento da
natalidade.
E. A tendência verifcada foi de queda da fecundidade e aumento da mortalidade infantl.

GABARITO
1 2 3 4 5 6 7 8
D E C E B C B A
9 10 11 12 13 14 15 16
C D B E E D A C

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3. O Espaço Natural Brasileiro: seu aproveitamento econômico e o meio ambiente.

3.1 Geomorfologia do território Brasileiro: O território brasileiro e a placa sulamericana; as bases geológicas
do Brasil; as feições do relevo; os domínios naturais e as classifcações do relevo brasileiro.

A Terra tem aproximadamente 4,5 bilhões de anos e a cronologia de tempo relatva aos seus eventos
naturais é denominada escala geológica do tempo. Essa linha do tempo pode ser dividida em éons, eras,
períodos, épocas e idades. O maior período de tempo, o éon, refere-se à vida. A palavra proterozoico vem do
grego e signifca “vida primitva”. As eras geológicas com seus diversos eventos são marcadas por um período
de tempo profundo, com dezenas e até centenas de milhões de anos conforme se observa no quadro abaixo.

A disseminação de objetos técnicos vem causando profundas alterações nas dinâmicas da natureza, a tal
ponto que alguns especialistas propõem que o ser humano seja incluído na escala de tempo geológico com
um novo período, o antropoceno, a partr dos últmos 200 anos, marcado pela intensidade e extensão da ação
humana sobre o planeta. Esses especialistas consideram que o crescimento populacional, econômico e a ação
antrópica podem ser comparados às forças da natureza ao causar mudanças ambientais na litosfera, biosfera
e atmosfera, deixando marcas de sua existência nas camadas de rochas e sedimentos do planeta.

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Camadas da Terra
A Terra é formada por 3 camadas geológicas: o núcleo, no interior do planeta, sólido e formado por ferro
e níquel, com temperaturas muito altas. O Manto, camada pastosa, com rochas fundidas, com temperaturas
também altas e a crosta terrestre ou litosfera, camada superfcial e sólida, onde estão alicerçados os
contnentes. Logo abaixo da crosta, existe a Astenosfera, que é a parte superior do Manto.
A rigidez da crosta é apenas aparente. As correntes de convecção, que são o movimento do Magma ou
Manto provocados pelo calor do interior da Terra, produzem
pressões internas que tencionam a crosta, quebrando-a em
diversos pedaços denominados placas tectônicas. Esse
movimento do Manto empurra lentamente as placas tectônicas,
fazendo-as colidir ou se afastar uma das outras.

Deriva Contnental
O cientsta alemão Alfred Wegener (1880-1930), formulou
em 1912 a Teoria da Deriva Contnental. Segundo Wegener, os
contnentes estveram unidos em algum tempo no passado e
exista uma única massa contnental, a Pangeia, que se dividiu e
se separou dando origem aos atuais contnentes. As evidências
apresentadas por Wegener incluíam a semelhança do formato
litorâneo da África e América do Sul, que parecem encaixar, a
presença de estruturas geológicas de clima frio em lugares onde atualmente predominam climas quentes, a
coincidência dos tpos de rochas presentes na costa sul-americana e africana (nos locais de possível encaixe) e
as semelhanças de fósseis nesses lugares. Posteriormente os contnentes foram se separando. Nesse lento
processo, alguns contnentes se chocaram e suas bordas foram comprimidas, formando grandes cadeias de
montanhas. Quando Wegener formulou sua teoria, imaginou que as massas contnentais tvessem se
arrastado sobre o assoalho oceânico, porém não conseguiu explicar o mecanismo responsável pela separação
dos contnentes.

Tectônica de Placas
O fundo dos oceanos é bem
irregular, apresenta planícies,
profundas fossas e cordilheiras
submersas conhecidas como dorsais
submarinas (cujos picos mais altos
formam ilhas). O conhecimento do
assoalho marinho só se tornou
possível a partr do aperfeiçoamento
dos sonares para detectar essas
formas de relevo, na década de 1960.
Com informações mais precisas
sobre o fundo dos oceanos, foi
elaborada a Teoria da Tectônica de
Placas. De acordo com essa teoria,
considera-se que a litosfera (formada
pela crosta e pela parte superior do

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manto) é consttuída de uma série de placas que se movem, umas em relação às outras, sobre uma camada
parcialmente fundida da parte superior do manto terrestre, a astenosfera. Essas placas podem se separar, se
chocar ou deslizar ao longo de outras.
Nos oceanos, a separação das placas provoca fendas na crosta oceânica (chamadas rifs) e a formação de
cadeias montanhosas submersas (denominadas dorsais). Rochas derretdas são trazidas para a superfcie
(correntes de convecção) e se solidifcam, podendo provocar a expansão do assoalho marinho (formação de
um novo piso) ou formar cadeias oceânicas. Quando uma placa se move em direção à outra, a placa mais
densa mergulha sob a outra, fenômeno conhecido como subducção. Esse processo pode dar origem às fossas,
ilhas vulcânicas e intensas atvidades sísmicas. A velocidade da movimentação das placas é lenta, em média
dois a três centmetros por ano.
Isso explica por que as áreas de intenso vulcanismo e frequentes terremotos coincidem com as bordas
das placas tectônicas. Nessas regiões de grande instabilidade geológica localizam-se também as dorsais
submarinas e as altas cadeias de montanhas.
No mapa de Placas Tectônicas, perceba que a Placa Sul-Americana se afasta da Placa Africana, num
movimento divergente. Entretanto, a Placa Sul-Americana, que se desloca para oeste, colide com a Placa de
Nazca, num movimento convergente. Quando as placas deslizam uma em relação à outra, chamamos esse
movimento de consevatvo ou transcorrente, como é o caso da borda da placa pacífca e da América do Norte,
na Califórnia, Estados Unidos, originando a Falha de San Andrés.
O Brasil se localiza bem no centro da Placa Sul-Americana, longe das extremidades, o que garante ao
território brasileiro, relatva estabilidade geológica, haja vista que ocorrem terremotos no Brasil, mas são de
pequena ou média magnitude.

Estrutura Geológica Brasileira

Perceba no mapa à esquerda que o território brasileiro está situado na Plataforma Sul-Americana. As
plataformas são as partes emersas das placas tectônicas, isto é, são os contnentes. Do ponto de vista
tectônico, as plataformas são as áreas estáveis dos contnentes, formadas por um embasamento cristalino
(escudos cristalinos) de origem pré-cambriana e por coberturas sedimentares (bacias sedimentares) antgas

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ou recentes. As plataformas distnguem-se dos dobramentos modernos, que são faixas orogênicas atvas, isto
é, sujeitas, no presente, a intenso tectonismo.
A América do Sul abrange 3 grandes unidades geológicas: a plataforma sul-americana, a plataforma
patagônica (Argentna) e o sistema de dobramentos modernos (cenozóicos) representado pela Cordilheira dos
Andes. O território brasileiro está alojado na plataforma sul-americana.
A Plataforma sul-americana exibe 2 conjuntos de escudos cristalinos, rodeados por bacias sedimentares
que se limitam a ocidente com o sistema andino e ao sul com a plataforma patagônica. O território brasileiro
abrange uma parte do Escudo das Guianas e o Escudo Brasileiro, subdividido em Escudo Brasil Central e
Escudo Atlântco.
Perceba agora no mapa à direita, que os escudos cristalinos brasileiros se distnguem por núcleos
estruturados na Era Arqueozóica e núcleos estruturados na Era Proterozóica. Essas duas eras são pré-
cambrianas. Os núcleos formados na Era Arqueozóica não sofreram tectonismo orogênico desde o fnal dessa
era, há aproximadamente 2,5 bilhões de anos. São formados por massas rochosas mais antgas e são
chamados de blocos cratônicos ou simplesmente crátons. As províncias estruturais Guiana Meridional, Xingu
e São Francisco identfcam-se como crátons.
Durante a Era Proterozóica, intensa atvidade tectônica ocorreu no território brasileiro, que estava
aglutnado na Pangéia. No período fnal dessa era, extensas faixas adjacentes às áreas cratônicas foram
deformadas (dobradas) por orogênese. Essas transformações tectônicas muito remotas confguram o
chamado ciclo brasiliano, durante o qual apareceram sistemas de dobramentos e vales falhados.
As províncias estruturais Mantqueira, Borborema e Tocantns, dominadas por massas rochosas da Era
Proterozóica, formaram-se ao longo desse ciclo de orogênese antga. Nesses cinturões orogênicos
proterozóicos distnguem-se relevos serranos muito complexos, que são vestgios atuais dos dobramentos
originais. Hoje, estão reduzidas a um aspecto serrano, resíduos, muito desgastadas por mais de 700 milhões
de anos de sucessivas fases erosivas.
Segundo Jurandyr Ross, as unidades de relevo do Brasil que se caracterizam por cinturões orogênicos
antgos (pré-cambrianos ou proterozóicos) são:
 Planaltos e Serras do Atlântco Leste Sudeste
 Planaltos e Serras de Goiás-Minas
 Serras residuais do alto Paraguai
 Planalto da Borborema
 Planalto Sul-riograndense

Localize estes planaltos no mapa da classifcação de relevo do Ross, e veja que coincidem com os núcleos
proterozóicos do mapa acima das províncias estruturais brasileiras.
Mas se esses planaltos se localizam em dobramentos orogenétcos antgos, eles não se apóiam em
escudos cristalinos?
Eles são escudos cristalinos, pois sua morfoestrutura litológica, ou seja, a característca rochosa é formada
por rochas cristalinas (magmátcas e metamórfcas) antgas. Mas nem todos os escudos cristalinos brasileiros
sofreram dobramentos durante o ciclo brasiliano. Por exemplo, o Planalto das Guianas (Planaltos Residuais
norte amazônicos) que é mais antgo ainda e não é dobramento. Os dobramentos modernos existentes na
América do Sul (Cordilheira dos Andes) apresentam rochas vulcânicas (magmátcas) de formação recente, pois
muitos vulcões atvos fzeram jorrar lavas que se resfriam, formando rochas vulcânicas. Este processo
contnua, entrando em erupção de tempos em tempos.
Portanto, vou grifar em azulito as macro-estruturas geológicas presentes no território brasileiro e em
vermelhito aquela que não existe no território brasileiro.

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Bacias Sedimentares brasileiras
As bacias sedimentares podem ser de formação antga ou recente. As mais antgas, consolidadas nas eras
paleozóica e mesozóica, resultaram da ação destrutva da erosão sobre os escudos cristalinos pré-cambrianos
e da deposição dos materiais (sedimentação) nas áreas rebaixadas. As mais recentes originaram-se de
sedimentação da era cenozóica. Estas mais recentes consttuem geralmente planícies fuviais ou litorâneas. As
bacias soerguidas por movimentos tectônicos (epirogênese) originaram baixos planaltos. As bacias são
consttuídas por rochas sedimentares inorgânicas (como o arenito e o calcário) ou por orgânicas (como o a
hulha e o petróleo).
Portanto, as bacias sedimentares brasileiras são chamadas de bacias sedimentares fanerozóicas, pois
vieram se formando ao longo das eras paleozóica, mesozóica e cenozóica.

São exemplos de bacias sedimentares no Brasil a Bacia do Paraná e a Bacia Amazônica.


A Bacia do Paraná abrange, no território brasileiro, cerca de 1 milhão de km 2. As suas camadas profundas
de arenito, datadas da Era Paleozoica e do início da Era
Mesozoica, assinalam o começo do ciclo de sedimentação
contnental.
Ainda na Era Paleozoica, no ambiente das glaciações,
extensas forestas e áreas pantanosas foram recobertas por
sedimentos. Esse material orgânico originou, ao longo do
tempo geológico, os depósitos de carvão mineral e folhelho
pirobetuminoso (xisto) do Brasil meridional.
Na segunda parte da Era Mesozoica, durante os períodos
Jurássico e Cretáceo, através de fendas e fssuras, ocorreram
vastos derrames de lavas vulcânicas. A camada de basaltos
resultantes da consolidação do material vulcânico estende-se
por grande parte da Bacia do Paraná. Os basaltos, submetdos
ao desgaste provocado pelo intemperismo, originaram os solos
vermelho-escuros de elevada fertlidade natural — conhecidos
como terra roxa — do centro-sul do país.

A Bacia Amazônica, encaixada entre os escudos cristalinos das províncias Guiana Meridional e Xingu,
abrange uma faixa alongada no sentdo longitudinal, com cerca de 200 quilômetros de largura em cada lado
do eixo do rio Amazonas, alargando-se no sentdo da cabeceira dos cursos fuviais.

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Sua área total, de aproximadamente 1,2 milhão de km 2, exibe sedimentos de todas as eras geológicas,
formando um extenso e profundo depósito de sedimentos com mais de 4 mil metros de profundidade,
alojados sobre o embasamento cristalino. Os sedimentos mais antgos, depositados na Era Paleozóica,
aforam nas bordas norte e sul, formando faixas de contato com as estruturas cristalinas. Em seguida, rumo à
porção central da bacia, estão expostos os sedimentos intermediários, da Era Mesozóica e do período
Terciário da Era Cenozóica.
A Revista Época de 18 de agosto de 2008 aponta um mapeamento de 180 blocos de reservas de gás
natural e petróleo espalhados nos sedimentos mesozóicos da Bacia Amazônica que poderão ser aproveitados
futuramente. Há 20 anos a Petrobrás explora petróleo e gás na base de Urucu, no Estado do Amazonas.
Na parte ocidental, aparecem vastas áreas de sedimentação do período Quaternário. Os sedimentos mais
recentes, da época do Holoceno, foram depositados nos últmos 10 mil anos e ainda não estão consolidados.
Eles se distribuem ao longo dos estreitos vales
do rio Amazonas e de seus afuentes e
refetem o intenso trabalho de acumulação
que contnua ocorrendo.
A Planície do Rio Amazonas, onde está
alojado o rio Amazonas e seus principais
afuentes, compreende área muito menor que
a imaginada há algumas décadas, quando se
acreditava que imensa planície estendia-se
entre as camadas cristalinas do Planaltos das
Guianas (Planaltos Residuais Norte-
Amazônicos) e o Planalto Central Brasileiro
(Planaltos Residuais Sul-Amazônicos). Percebe-
se pelo perfl que entre os planaltos existem
irregularidades, existem depressões e outros
planaltos até se chegar à verdadeira planície
Amazônica. Atualmente, sabe-se que a verdadeira planície está circunscrita a uma estreita faixa, que
corresponde ao vale do rio Amazonas e ao baixo curso de seus afuentes, isto é, às áreas de várzeas. Toda a
verdadeira planície é limitada por depressões e baixos planaltos construídos sobre rochas sedimentares do
período Terciário.
O mapa ao lado mostra a confguração e extensão da Bacia
Amazônica e o perfl topográfco acima mostra os extratos de
sedimentos da Bacia associados às formas de relevo de acordo com a
Classifcação de Relevo de Jurandyr Ross. No perfl, podemos
visualizar a diferença entre estrutura geológica e relevo. A expressão
relevo não designa a matéria, mas as formas da crosta terrestre. A
estrutura, mais antga, é a base rochosa que sustenta formas de
relevo. Veio se formando durante o resfriamento e consolidação da
crosta terrestre desde a Era Arqueozóica. O relevo é superfcial,
esculpido pela ação dos agentes atmosféricos, agentes externos
como as chuvas, que dão a sua forma, que pode se apresentar com
uma feição planáltca ( morro, serra, cuesta ), depressão ou planície.
A estrutura também é importante, pois esse trabalho de esculturação
ou modelagem do relevo é feito sobre uma massa rochosa com maior
ou menor grau de resistência aos processos erosivos, colaborando no
resultado fnal da superfcie, o relevo.

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O relevo brasileiro

O território brasileiro apresenta 3 formas de relevo: planaltos, depressões e planícies.


Os planaltos são superfcies irregulares onde predomina um intenso processo de erosão, que supera o
processo de agradação (construção de um relevo por deposição de sedimentos). Situam-se entre 200 e 2.000
metros. Podem apresentar forma aplainada ou então morros, serras ou elevações íngremes de topo plano.
Esta últma forma de relevo tabular é conhecida como chapada.
Nas bordas de um planalto podem aparecer superfcies íngremes denominadas escarpas – que
impropriamente são chamadas de serras, tais como a Serra do Mar e a Serra Geral, no Brasil.
As planícies são formadas em áreas onde predomina o processo de sedimentação, que ocorre
constantemente por movimentos das águas do mar, de rios etc. A maior parte das planícies se situa em baixas
alttudes (até 100 metros), mas podem existr em alttudes maiores. São exemplos as planícies litorâneas, a
Amazônica, a Planície do Pantanal. As áreas situadas próximas aos oceanos e mares consttuem as planícies
litorâneas (ou costeiras). Quando as planícies são formadas por depósitos de rios, denominam-se planícies
fuviais. As que foram fundos de lagos ancestrais soterrados ou resultam de sedimentos depositados por lagos
nas várzeas ao redor, em períodos de enchentes, são chamadas planícies lacustres.
As depressões podem ser classifcadas em absolutas e relatvas. As depressões absolutas são áreas
contnentais situadas abaixo do nível do mar — como o Mar Morto, situado na Ásia, a 395 metros abaixo do
nível do mar. No Brasil não existem depressões absolutas. As depressões relatvas são superfcies formadas
por processos de erosão, apresentando alttudes mais baixas do que o relevo circundante. Variam de 100 a
500 metros de alttude e possuem suave inclinação. No Nordeste do Brasil temos a Depressão Sertaneja
cercada pelos planaltos da bacia do Parnaíba e da Borborema. Vários outros exemplos poderiam ser citados.
No norte do país, destaca-se a Depressão da Amazônia Ocidental, formada por uma extensa área sedimentar
com alttudes em torno de 200 metros e cortada pelo rio Amazonas. No Brasil Central, localiza-se a Depressão
do Araguaia e na Bacia do Paraná, a Depressão Periférica da Borda Leste.
As depressões circundam os planaltos e foram geradas pelo desgaste erosivo das massas rochosas menos
resistentes. Sendo assim, são em geral consttuídas por bacias sedimentares. As bordas de contato das
depressões com os planaltos, formadas muitas vezes por escarpas pratcamente vertcais, atestam a
resistência desigual à erosão do substrato rochoso.
Os sedimentos da depressão foram intensamente desgastados, enquanto a resistente camada de rochas
vulcânicas do planalto sofria erosão muito menor. Em consequência, formou-se uma escarpa que demarca o
contato entre os dois compartmentos.

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Os planaltos brasileiros se distnguem pelas estruturas geológicas que os sustentam. Há planaltos em
escudos cristalinos (como os Planaltos e Serras do Atlântco-Leste-Sudeste, da Borborema e outros) e
planaltos em bacias sedimentares (como o Planalto da Amazônia Oriental, os Planaltos e Chapadas da Bacia
do Paraná e outros). As chapadas de modo geral caracterizam-se como relevos residuais, isto é, eles
permaneceram mais altos que as depressões circundantes, pois suas estruturas rochosas ofereceram maior
resistência à erosão.
A unidade dos Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná, sustentada pelas camadas de arenitos da Era
Paleozoica e pela cobertura de rochas vulcânicas derramadas na Mesozoica, limita-se a oriente com a
Depressão Periférica da Borda Leste da Bacia do Paraná, que não está assentada sobre basaltos. A modelagem
do relevo pela erosão diferencial (desgaste desigual das rochas) fca evidente nesse contato.
As frentes de cuestas são feições de relevo característcas de diversas áreas do Brasil. Elas aparecem, por
exemplo, nos contatos dos planaltos e chapadas da Bacia do Paraná com as depressões do Araguaia, Cuiabana
e do Miranda. Em todos esses casos, as feições do relevo foram esculpidas pela erosão diferencial.
As planícies são as únicas unidades do relevo brasileiro cujo arcabouço consiste em bacias de
sedimentação recente, formadas por deposições ocorridas no Período Quaternário. As superfcies
apresentam-se notavelmente aplainadas e ainda em processo de consolidação.
A planície e pantanal Mato-Grossense é a mais extensa dessas unidades e consttui parte de uma vasta
área rebaixada que se limita, a oeste, pelos contrafortes da Cordilheira dos Andes, e a leste, pelos planaltos e
chapadas da Bacia do Paraná. Essa área rebaixada é o Chaco Sul-Americano, que abrange terras brasileiras,
paraguaias, argentnas e bolivianas, incluindo os pantanais do Rio Guaporé. O Chaco funciona como bacia de
captação de inúmeros cursos fuviais com nascentes nos planaltos do Brasil ou na vertente oriental andina.
As planícies e tabuleiros litorâneos são, na verdade, um conjunto de compartmentos heterogêneos,
formados por sedimentos marinhos, fuviais e lacustres do Quaternário. As planícies estendem-se do leste do
Pará até o Rio Grande do Sul, exibindo larguras maiores ao norte e chegando a desaparecer em trechos da
costa sudeste e sul, onde aforam os embasamentos cristalinos e aparecem formas de relevo costeiro com
vertente abrupta em contato direto com o mar, as falésias. Na costa nordeste, tabuleiros assentados, em
grande parte, em sedimentos do Terciário interpõem-se nas planícies e formam falésias voltadas para o mar.
Ao longo do litoral sucedem-se paisagens muito diversifcadas. No trecho nordestno destacam-se os
cordões arenosos e as dunas do Maranhão e do Ceará, os mangues associados a estuários fuviais de
Pernambuco e as lagoas e brejos de Alagoas. No trecho de Sudeste destacam-se formações arenosas
dispostas paralelamente às linhas de maré — as restngas — e lagunas do Rio de Janeiro e as enseadas e ilhas
costeiras.
Nas praias, o trabalho de sedimentação resultante da ação dos ventos forma, muitas vezes, dunas frontais
e lençóis de dunas interiores. As dunas são reservas de areia que contribuem para proteger a planície costeira
de avanços do mar. Em condições naturais, as dunas frontais sustentam a vegetação rasteira, enquanto os
lençóis de dunas chegam a apresentar árvores baixas e arbustos.
A vegetação é a proteção das dunas, fxando-as e impedindo que sejam destruídas pelos ventos e pelas
chuvas. A retrada da vegetação rompe o equilíbrio natural, propiciando a mobilidade das dunas e, com isso,
uma atuação mais ampla da erosão marinha sobre a planície costeira. O trabalho destrutvo do mar pode
comprometer vias de tráfego e habitações.
As densidades demográfcas são bastante signifcatvas na maior parte das planícies litorâneas. Há
metrópoles, diversas capitais de estados e inúmeras cidades de médio porte situadas nesses compartmentos.
Em outros trechos, desenvolve-se uma urbanização linear e descontnua, associada ao turismo de praia. A
interferência das atvidades humanas provoca modifcações, às vezes intensas, na morfologia litorânea. Essa
interferência afeta padrões de erosão e sedimentação e degrada as paisagens.

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Classifcações do Relevo Brasileiro

Ao longo do tempo, os mapas de classifcação do relevo brasileiro modifcaram-se em função das novas
teorias geomorfológicas (sobre a gênese e evolução do modelado) e também dos novos conhecimentos
técnicos sobre a realidade fsica do país. Em 1949, Aroldo de Azevedo criou o primeiro mapa didátco de
classifcação do relevo brasileiro, dividindo-o em oito unidades, defnidas principalmente em função das
alttudes médias. Em 1970, Aziz Nacib Ab’Saber publicou nova classifcação, baseada em abordagens mais
modernas sobre a ação da erosão e da sedimentação.

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Jurandyr L. S. Ross classifca o relevo brasileiro em grandes unidades, ou compartmentos, que são uma
síntese dos processos de construção e modelagem da superfcie e das formas resultantes. Ele distngue três
tpos de compartmentos: os planaltos, as depressões e as planícies, totalizando 28 unidades de relevo. Nos
planaltos e depressões predominam os processos erosivos, e nas planícies, o processo de acumulação de
sedimentos.

Altmétrico: os planaltos se localizam acima da alttude de 200 metros e as planícies abaixo dos 200 metros.

Processos atuantes: os planaltos sofrem erosão e nas planícies predominam os processos de sedimentação.

Morfoescultural: os agentes esculpidores (erosivos) atuam nas estruturas geológicas que oferecem maior ou
menor resistência ao desgaste, modelando o relevo.

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Domínios Morfoclimátcos

Os domínios morfoclimátcos são áreas que


apresentam relatva homogeneidade,
considerando-se alguns aspectos naturais, como
estrutura geológica, relevo, clima, vegetação,
hidrografa e solos. Apesar de haver diferenças
entre uma paisagem e outra, o geógrafo brasileiro
Aziz Nacib Ab’Sáber sintetzou a existência de seis
porções relatvamente distntas, ou seis domínios
morfoclimátcos no território brasileiro. No
encontro entre eles existem faixas de transição,
áreas com característcas naturais heterogêneas.

O Domínio Amazônico é caracterizado pelo


relevo de planícies, depressões e baixos planaltos
(baixas alttudes); com predomínio de clima
equatorial, foresta amazônica e rede hidrográfca
extensa (bacia Amazônica). Nesse domínio, os solos
são predominantemente rasos, produzidos e
sustentados pela foresta. Localizado na Região Norte, oeste do Maranhão e norte de Mato Grosso, apresenta
grande biodiversidade e grave problema de degradação (queimadas e desmatamentos).
A Floresta Amazônica é uma foresta perene (sempre verde), tpica de áreas equatoriais úmidas e
quentes. Apresenta plantas de folhas largas (latfoliadas), que crescem em ambiente úmido (hidrófla). A
presença da extensa rede hidrográfca da bacia Amazônica e as variações de relevo, solo e clima são
responsáveis pela existência de forestas fuviais alagadas, além de forestas de terra frme.
A mata de terra frme (80% da foresta) desenvolve-se em áreas de maiores alttudes, livres de inundação.
A intensa atvidade madeireira visa às árvores de maior porte (cedro, castanheira, mogno, andiroba) dessa
área.
A mata de igapó situa-se em terrenos próximos ao rio, constantemente alagados. A mata de
várzea desenvolve-se em terrenos baixos, sujeitos à inundação. Esses ambientes apresentam grande
diversidade de espécies, possibilitando o extratvismo vegetal. A piaçava e as palmeiras são extraídas na mata
de igapó. O látex para a fabricação de borracha é extraído das seringueiras, na mata de várzea.
O Domínio do Cerrado localiza-se na Região Centro-Oeste, sul do Maranhão, oeste da Bahia e de Minas
Gerais, sul de Rondônia. É marcado pelo relevo de extensos planaltos, chapadas sedimentares e depressões.
O Cerrado é consttuído por dois estratos: um superior, composto de arbustos e de pequenas árvores
retorcidas e dispersas, e um estrato inferior, formado por gramíneas. Desenvolve-se em clima tropical com
verão úmido e inverno seco. Por esse motvo, seu aspecto é verdejante no verão e seco no inverno. No
Cerrado, nascem cursos de água que escoam para as bacias dos rios Amazonas, Tocantns, Parnaíba, São
Francisco, Paraná e Paraguai.
Com cerca de 2 milhões de quilômetros quadrados, o Cerrado abrange áreas de 14 estados brasileiros:
Pará, Maranhão, Piauí, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Mato Grosso, Goiás,
Tocantns, Roraima, Amazonas e Amapá. A biodiversidade do Cerrado também está ameaçada. Essa formação
vegetal foi explorada economicamente durante muito tempo pela atvidade pecuária. O uso de tecnologias
modernas para corrigir seus solos ácidos (aplicação de calcário) possibilitou a intensifcação da produção
agrícola, fato que vem acelerando a devastação.

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O Domínio dos Mares de Morros é caracterizado pela predominância de planaltos e serras do Atlântco
Leste-Sudeste ou de escarpas que separam os planaltos da planície litorânea (serra do Mar, da Mantqueira e
outras). Com clima tropical úmido, apresenta
topografa de morros arredondados (meias-
laranjas), modelados pelo intemperismo e pela
erosão em estrutura cristalina.
Localizado na porção leste do país, avançando
para o interior no estado de São Paulo, nesse
domínio ocorre a Mata Atlântca, que sofreu
grande devastação devido ao povoamento e à
industrialização da região. Foi reduzida a apenas
8,5% de sua extensão original. Em virtude do intenso desmatamento nas encostas dos morros, é um domínio
com erosão constante e frequentes deslizamentos de terra.
A Mata Atlântca é uma formação muito densa, contando com grande biodiversidade. Estma-se que ela
abrigue de 33% a 36% das espécies existentes no Brasil. Contém árvores que atngem até 40 metros de altura,
como cedro, canela, ipê, jacarandá, jatobá, jequitbá, coqueiros e pau-brasil, algumas delas em extnção.
Apresenta também intensa vegetação arbustva e um estrato inferior onde surgem samambaias, bromélias,
orquídeas e um tapete de musgos. No entanto, possui o maior número de espécies ameaçadas no Brasil,
resultado de mais de quinhentos anos de ocupação ininterrupta.
Entre os principais motvos da redução da foresta estão: a exploração madeireira, as monoculturas de
exportação, as pastagens, a caça ilegal, as queimadas, a expansão urbana e a poluição ambiental.
O Domínio das Araucárias ocupa as regiões de médias alttudes da Região Sul, com predomínio dos
Planaltos arenito-basáltcos da bacia do Paraná. Por causa do
clima subtropical, é um domínio com a ocorrência da Mata de
Araucárias ou Mata dos Pinhais, pois nela predomina o
pinheiro-do-paraná ( Araucaria angustfolia ), uma
espécie aciculifoliada , associado a outras espécies, como a
imbuia, o cedro, o ipê e a erva-mate.
Trata-se de uma formação vegetal subtropical
de coníferas e por ser uma formação de clima mais ameno,
aparece principalmente nas áreas de maiores alttudes.. A
extração de madeira para móveis e papel, sem reposição das
árvores, as queimadas para formação de pastos para a
pecuária, a agricultura (soja, trigo, milho) e a instalação de
indústrias são algumas atvidades que levaram a foresta quase à extnção, restam menos de 3% de sua área
original.
A Caatnga predomina em clima semiárido. Ocupa uma área de aproximadamente 9,9% do território
brasileiro, abrangendo pratcamente todos os estados do Nordeste e áreas do norte de Minas Gerais. A
vegetação, adaptada à seca, desenvolve-se em ambiente com temperaturas elevadas, chuvas moderadas, rios
intermitentes (que deixam de correr na estação seca), solo raso e pedregoso. A vegetação é xerófta,
adaptada ao ambiente seco, apresenta folhas pequenas e estreitas (ou espinhos, como as cactáceas) e cascas
grossas — estruturas próprias para o armazenamento de água. Suas árvores retorcidas e arbustos
espinhentos perdem as folhas periodicamente com a seca. Apresenta grande variedade biológica, com
animais e vegetais adaptados à escassez de água.
Na época das chuvas, a paisagem da Caatnga transforma-se, enchendo-se de fores. Espécies como o
mandacaru, o xiquexique, o umbuzeiro, o juazeiro, o jericó e o angico são aproveitadas como alimento e
remédio ou para a obtenção de madeira.

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A Caatnga também é uma formação vegetal ameaçada no país. Mais de metade de sua área já foi
desmatada e substtuída por cultvos e pastagens, e sua madeira é utlizada como lenha ou transformada em
carvão. Em muitas regiões da Caatnga está em curso um processo de desertfcação.
No Domínio das Pradarias predominam as baixas alttudes com colinas ou ondulações do terreno,
denominadas coxilhas, principalmente na porção meridional do estado do Rio Grande do Sul. A pecuária
extensiva em suas estâncias (fazendas de gado) e a agricultura (arroz, milho, soja, trigo) marcam a presença
do ser humano nesse domínio ameaçado pela erosão e pela diminuição da fertlidade dos solos.
No domínio das pradarias ou Campos, também conhecidos como Pampas ou Campanha Gaúcha, o relevo
é baixo, com suaves ondulações (coxilhas) e coberto por vegetação herbácea das pradarias (principalmente
gramíneas).
As faixas de transição são áreas de mudança gradual de um tpo de vegetação para outro, não
caracterizando nenhum domínio. Mas dois tpos importantes de vegetação aparecem em certos pontos da
faixa de transição, a Mata dos Cocais e a vegetação complexa do Pantanal.
Na Mata dos Cocais predominam as palmeiras, como o babaçu, o burit, a oitcica e a carnaúba. Consttui
uma mata de transição entre a Caatnga, a Floresta Amazônica e o Cerrado.
Os produtos derivados dos coqueiros são de grande importância econômica para as populações locais. A
carnaúba aparece em áreas de transição com a Caatnga, mais secas, e tem grande aproveitamento: do coco
se extrai óleo; de suas folhas, cera; a madeira é utlizada para construção de casas; e suas folhas, para
telhados. Nas áreas mais úmidas, a oeste, no contato com a Floresta Amazônica, predomina o babaçu. O óleo
desse coqueiro é bastante utlizado na indústria alimentcia e de cosmétcos, e suas folhas, para esteiras,
chapéus e cestos. Embora seus coqueiros sejam aproveitados em atvidades extratvas que não prejudicam a
mata, a expansão da agropecuária tem sido responsável por grandes desmatamentos desse tpo de cobertura
vegetal.
O Pantanal é um complexo heterogêneo composto de cerrados, forestas, campos, charcos inundáveis e
ambientes aquátcos (lagoas, riachos). Desenvolve-se em terrenos de baixa declividade, onde a água que
extrapola os canais de rios escoa lentamente, mantendo as terras alagadas durante um período do ano
(período de chuvas nas cabeceiras dos rios). O clima é quente e úmido no verão (média de 32 ºC) e seco no
inverno (média de 21 ºC), quando a temperatura pode baixar rapidamente, com possibilidade de geadas. Os
solos do Pantanal são geralmente arenosos.
O Pantanal situa-se no sul de Mato Grosso e no noroeste de Mato Grosso do Sul, além de se estender
pelo norte do Paraguai e leste da Bolívia. Assim, interliga a bacia Amazônica à bacia Platna, formando um
corredor biogeográfco que contém variadas fora e fauna alimentadas por um fuxo constante de nutrientes
proveniente das inundações. Abriga diversas espécies de peixes (pintado, dourado, pacu), pássaros e outros
animais, como jacarés, capivaras e ariranhas.
A atvidade econômica tradicional na região é a pecuária, facilitada pelas pastagens naturais. Após a
década de 1970, com a expansão do agronegócio, plantações de soja e de algodão têm causado perturbações
no solo, assoreamento e poluição por agrotóxicos nos rios. Em 2013, segundo estudos realizados pelo
Ministério do Meio Ambiente, o Pantanal tnha cerca de 13,2% de sua área descaracterizada por
desmatamentos. A pesca e a caça predatórias, o garimpo de ouro e pedras preciosas, o turismo descontrolado
e o crescimento da população são alguns dos outros problemas que afetam a região.
A vegetação litorânea ocorre em todo o litoral brasileiro, desde Santa Catarina até a Região Norte.
O mangue é o principal ecossistema das áreas costeiras, localizado em solo salino e lodoso ou em sedimentos
arenosos, sujeitos às variações da maré. Desenvolve-se em clima tropical e subtropical, em áreas alagadas
próximas ao mar. Conta com vegetação exuberante (arbustva e arbórea) adaptada às inundações. Os
manguezais são áreas de transição entre a vida terrestre e a vida marinha, fornecendo matéria orgânica para
os estuários. Consttuem berçário natural para diversas espécies, abrigando algumas que servem de alimento
para peixes, crustáceos, moluscos, aves e mamíferos. É também importante fonte de alimentação para as
populações humanas.

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Impactos Ambientais

Desde os anos 1970, com investmentos em grandes projetos de agropecuária, de extratvismo vegetal e
mineral, a Floresta Amazônica tem sofrido intensa devastação.
O chamado arco do desmatamento é uma região em que uma grande diversidade de ocupação e de
atvidades vem acarretando um intenso processo de queimadas e desforestamentos. As fnalidades são a
extração de madeira, a abertura de área para a pecuária ou para a agricultura etc. É um grande cinturão que
contorna a foresta, principalmente no limite com o Cerrado. Também conhecido como arco do fogo ou, mais
recentemente, como arco de povoamento adensado, estende-se desde a desembocadura do rio Amazonas
até o oeste do Maranhão, leste e sudeste do Pará, Tocantns, Mato Grosso e Rondônia.
Entre os domínios morfoclimátcos brasileiros, o Cerrado tem sofrido o maior impacto com a expansão do
agronegócio, devido, especialmente, à incorporação de novas terras para a monocultura canavieira e de soja.
Estudos de imagens feitas por satélite revelam que 57% da área original do Cerrado já está desmatada e, se
contnuar nesse ritmo, até 2030 essa formação poderá ter desaparecido.

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Exercícios
1. (EsFCEx 2016) Analise as afrmatvas sobre as Depressões no território brasileiro, colocando entre
parênteses a letra V, quando se tratar de afrmatva verdadeira, e a letra F, quando se tratar de afrmatva
falsa. A seguir, assinale a alternatva que apresenta a sequência correta.
( ) Foram geradas em sua maioria por processos erosivos com grande atuação nas bordas das bacias
sedimentares.
( ) Estão localizadas nos pontos de maior alttude e possuem relevo residual.
( ) Foram formadas no Pré-Cambriano pelo acúmulo de sedimentos oriundos da rede hidrológica.
A. VFF B. VFV C. FFV D. FVF E. FVV

2. (EsFCEx 2015) Estão no território brasileiro perto de 16% das reservas forestais mundiais, que possuem,
como sumidouros, grande importância no ciclo do carbono. Todavia, tal fato, que poderia ser uma condição
favorável, consttu-ise numa grande desvantagem, à medida que a comunidade internacional não crê que o
governo brasileiro possa deter as queimadas vinculadas ao desmatamento da Amazônia.
(TAVARES, C. A. In: VITTE, Carlos Antonio; GUERRA, Teixeira J. A., (org.) Refexões sobre a geografa fsica no
Brasil. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004. (pág. 144).)
Baseando-se no texto e em seus conhecimentos sobre a Amazônia Legal, pode-se afrmar que a (o) (s)
A. desmatamento tem proporcionado à introdução em larga escala da produção agroecológica de
alimentos.
B. queimadas ajudam na abertura de novas áreas para a implantação de sistemas de produção
sustentável.
C. mineração, por meio de empresas multnacionais, tem ajudado a melhorar a imagem do Brasil perante
grupos internacionais de defesa do meio ambiente.
D. madeireiras ilegais são quase inexistentes na atualidade e a exploração da madeira acontece em áreas
de manejo forestal.
E. forte demanda por recursos naturais no Brasil e no exterior, a visão de desenvolvimento em curto
prazo, associada ao rápido enriquecimento, tem norteado polítcas predatórias.

3. (EsFCEx 2013) O relevo brasileiro apresenta três tpos de unidades geomorfológicas que refetem suas
gêneses. Analise as alternatvas abaixo e marque aquela que corresponde a essas unidades.
A. As planícies, os tabuleiros e as depressões.
B. As planícies, a zona costeira e as depressões.
C. Os dobramentos modernos, as planícies e a zona costeira.
D. Os planaltos, as depressões e as planícies.
E. Os planaltos, os dobramentos modernos e as planícies.

4. (EsFCEx 2013) Com relação ao conceito de ecossistema, pode-se dizer que:


A. é um termo utlizado para delimitar áreas em estado de degradação ambiental.
B. é um termo oriundo da luta dos indígenas por territórios no Brasil.
C. é um termo que vem da ecologia e compreende a idéia de sistema natural.
D. é um termo utlizado na bolsa de valores para estpular preço aos recursos naturais.
E. é um termo utlizado no mapeamento de espécies natvas de determinado ponto do planeta.

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5. (EsFCEx 2013) Com relação a bacia hidrográfca amazônica, pode-se dizer que:
A. é formada por uma rede de drenagem modesta, com defciências em alimentação e se direciona para
o oceano Atlântco.
B. consttui-se em grande parte de topografa plana de rochas cristalinas do précambriano e platôs de
sedimentos quaternários.
C. o regime fuvial dominante é perene e dependente do escoamento superfcial do planalto brasileiro.
D. a maioria dos rios são intermitentes e dependentes do regime das chuvas de inverno.
E. predomina a execução de grandes obras de geração de energia elétrica e de transposição de águas
para atender o semi-árido.

6. (EsFCEx 2012) O planeta Terra é um corpo dinâmico e complexo onde atuam forças internas e forças
externas. Com base nesta afrmação, pode-se admitr que
A. a rigidez da crosta terrestre é apenas aparente, pois existem diversas rupturas que formam as
chamadas placas tectônicas.
B. os movimentos das placas tectônicas são provocados por movimentos horizontais do magma no
núcleo.
C. as placas tectônicas possuem diversos movimentos, como o transcorrente que é responsável pela
formação das fossas abissais.
D. através dos movimentos de divergência entre duas placas tectônicas, estas formam as fossas abissais e
zonas orogênicas, como a Cordilheira dos Himalaias.
E. a deriva contnental é o movimento que sempre afasta as massas contnentais uma das outras.

7. (EsFCEx 2012) A elaboração do relevo terrestre pelos fenômenos exógenos é bastante complexa e pode
possuir múltplas associações entre processos fsicos, químicos ou biológicos. Com relação a esta afrmatva,
assinale a alternatva correta.
A. O intemperismo consttui-se no principal processo de degradação das rochas e a meteorização química
é o principal processo de agregação química dos minerais da rocha.
B. Os processos de intemperismo agem de modo a produzir materiais para que os agentes externos como
o vento ou a chuva os transporte e criem novas formas de modelado.
C. A ação dos agentes intempéricos em zonas frias é totalmente química, a exemplo da crioclasta que
age de forma a decompor as rochas ao infltrar-se pelas diaclases ou falhas das mesmas.
D. A meteorização fsica ocorre fortemente em ambientes úmidos e super-úmidos, pois a água é
responsável direta pelo transporte de grandes quantdades de material.
E. A erosão, o transporte e a sedimentação são processos essenciais a dinâmica do planeta e a água é o
único agente capaz de carrear grandes quantdades de materiais como areias ou cascalhos.

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8. (EsFCEx 2012) O Geógrafo Azzis Nacib Ab’Saber foi responsável pela formulação da proposta dos Domínios
Morfoclimátcos (fgura). A proposta agrega diferentes fatores responsáveis pela formação dos grandes
conjuntos de paisagem.
Analise as afrmatvas abaixo colocando entre parênteses a letra V, quando se tratar de afrmatva verdadeira,
e a letra F quando se tratar de afrmatva falsa. A seguir, assinale a alternatva que apresenta a sequência
correta.

( ) A área I corresponde à região de terras sub-úmidas


onde os regimes fuviais são essencialmente pluviais,
bem como permite a formação de uma massa de ar
quente e seca graças à zona de convergência
intertropical.
( ) Os regimes temporários ou intermitentes dos rios são
comuns na região IV, onde é comum a presença de
inúmeras espécies xeromórfcas. Além disso, é possível
perceber nestas paisagens, imensas zonas de
aplainamento.
( ) A Araucária Angustfolia predomina no domínio VI e é a
principal espécie da foresta ombrófla densa, onde os
rios são totalmente exorreicos e o intenso escoamento
superfcial produz forte erosão.
( ) A área central da fgura, correspondente ao domínio II,
possui extensas formações tabulares elevadas e divide grandes bacias fuviais como a do São Francisco
e do Araguaia. É ocupada hoje por extensas zonas de produção de commodites primarias como a soja.
( ) O regime nival sazonal é tpico das bacias endorréicas que ocupam o domínio III. Em função de sua
posição atlântca, essa faixa de terras que se estende do nordeste ao sul do país é ocupada por grandes
extensões de forestas ombróflas.
( )
A. V-F-V-F-V
B. F-F-F-V-V
C. F-V-F-F-F
D. F-V-F-V-F
E. V-F-V-V-F

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9. (EsFCEx 2012) O fenômeno da erosão é complexo e preocupa muitos estudiosos no mundo inteiro. Sua
gravidade e extensão tem aumentado cada vez mais e tem levado a perda de grandes áreas agricultáveis. Com
base nisso, é correto afrmar que
A. nas áreas forestais a formação da camada de húmus impede a erosão mecânica dos solos, mas
difculta a infltração da água, criando défcit hídrico.
B. a desertfcação pode ser defnida como um fenômeno que provoca o empobrecimento e perda dos
solos e da biodiversidade e uma das áreas de ocorrência no Brasil é a depressão semiárida do
Nordeste.
C. o signifcado ecológico do solo e sua importância para economia são muito respeitados no Brasil, pois
através deles são produzidas milhares de toneladas de grãos como a soja, que é uma das principais
commodites brasileiras.
D. as prátcas, como o planto em curvas de nível e a rotação de culturas, são responsáveis pela
concentração dos escoamentos superfciais; consequentemente ocorre aumento da remoção de
partculas do solo.
E. nas áreas de forestas equatoriais a água, que se concentra nas folhas das copas das árvores, cai de
forma abrupta, provocando erosão superfcial acelerada.

10. (EsFCEx 2011) Em relação às planícies brasileiras, pode-se afrmar:


A. Correspondem a 59% do território, sendo que os planaltos, ocupam os 41% restantes.
B. São formadas por estruturas geológicas antgas do período terciário e quaternário (cenozóico).
C. Ocupam extensões menores que os planaltos, apesar da sua grande expressão na Amazônia.
D. Equivalem em área aos planaltos, pois as áreas classifcadas como depressões, fazem parte do
conjunto das planícies.
E. São consideradas superfcies nas quais predominam o processo de desgaste, e consequentemente são
as áreas mais baixas do território.

11. (EsFCEx 2011) Numere a coluna da direita em conformidade com a da esquerda e, a seguir, assinale a
alternatva que apresenta a sequência encontrada.
A. 2–4–1
B. 3–2–1
C. 3–4–2
D. 3–4–1
E. 4–3–2

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(EsAEx 2009) Considere o mapa abaixo para responder aos itens 12 e 13.
Jurandir Ross propôs uma classifcação do relevo brasileiro baseada em um conceito genétco utlizando a
terminologia: Planície, Planalto e Depressão. O mapa mostra estes vários compartmentos.

12. O corte A-B representado no mapa defne a passagem pelas seguintes unidades do relevo.
A. Planaltos e Chapadas da Bacia do Parnaíba (2) – Bacia do Rio São Francisco (19) – Altplano da
Borborema (10) – Planícies e Tabuleiros Cambrianos (28)
B. Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná (2) – Bacia do Rio São Francisco (19) – Planalto Nordestno
(10) – Tabuleiros Orogênicos (28)
C. Planaltos do Meio-Norte Nordestno (2) – Bacias Dobradas do Paraíba (19) – Depressão da Borborema
(10) – Planícies e Tabuleiros Marinhos (28)
D. Planaltos e Chapadas da Bacia do Parnaíba (2) – Bacias Sedimentares do Apodi e Araguaia (19) – Serra
da Borborema (10) – Depressões Periféricas do Litoral (28)
E. Planaltos e Chapadas da Bacia do Parnaíba (2) – Depressão Sertaneja e do São Francisco (19) – Planalto
da Borborema (10) – Planícies e Tabuleiros Litorâneos (28)

13. O corte C-D mostra a passagem por cinco unidades do relevo brasileiro. São elas:
A. Planaltos Residuais do Sudoeste Amazônico (5) – Depressão Planáltca Norte-Amazônica (13) –
Depressão Meridional Ocidental (12) – Planície do Rio Amazonas (23) – Depressão Marginal de Sudeste
(14)
B. Planaltos Residuais Norte-Amazônico (5) – Depressão Marginal Norte-Amazônica (13) – Depressão da
Amazônia Ocidental (12) – Depressão Marginal Sul-Amazônica (23) – Tabuleiros Orogênicos (14)
C. Planaltos Residuais Norte-Amazônico (5) – Depressão Marginal Norte-Amazônica (13) – Depressão da
Amazônia Ocidental (12) – Planície do Rio Amazonas (23) – Depressão Marginal Sul-Amazônica (14)
D. Planaltos e Chapadas da Bacia do Parnaíba (5) – Planaltos Residuais Norte-Amazônico (13) – Depressão
Marginal Norte-Amazônica (12) – Planície do Rio Amazonas (23) – Depressão Marginal do Pantanal
(14)
E. Planaltos Amazônicos (5) – Tabuleiros Marginais (13) – Depressão da Amazônia Ocidental (12) –
Planície do Rio Amazonas (23) – Depressão Marginal Sul-Amazônica (14)

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14. (EsAEx 2009)Quais são as três grandes macroestruturas geológicas que desempenham importante papel
na confguração do relevo brasileiro?
A. Áreas cratônicas, áreas de dobramentos antgos e bacias interioranas.
B. Zonas granitoides, zonas de dobramentos modernos e bacias sedimentares.
C. Bacias modernas, dobramentos cratônicos e planícies sedimentares.
D. Bacias sedimentares, áreas cratônicas e dobramentos antgos.
E. Planícies orogênicas, dobramentos antgos e depressões cratônicas.

15. (EsAEx 2008) Na fgura abaixo estao representados os diferentes dominios morfoclimatcos brasileiros
segundo o geografo Azzis Ab’Saber. Sobre tais dominios assinale a alternatva correta.

A. O dominio III corresponde a area onde predominam forestas ombroflas densas, forte predominio de
processos de intemperismo quimico e relevo de Mares de Morros.
B. A sequencia correspondente e: I - Amazonico, II - Pantanal, III - Mares de Morros, IV - Caatngas, V -
Pradarias, VI - Araucarias e VII - Areas de transicao.
C. O dominio VII corresponde a area de clima tropical com curta estacao seca, onde predomina
agricultura tecnifcada.
D. O Planalto das Araucarias, representado pelo dominio VI da fgura, e uma importante area agricola do
Sul do pais, tambem conhecido como coxilhas.
E. O dominio I corresponde a regiao de terras predominantemente sub-umidas, detentora da maior
biodiversidade do planeta e muito cobicada por interesses internacionais

16. (EsPCEx 2013) Imagens mostram que 57% da área original desse domínio morfoclimátco brasileiro já
estão desmatados. Sua biodiversidade também está ameaçada, fato que o aponta como um dos dois
“hotspots” (MYERS, 1988, apud TERRA; ARAÚJO; GUIMARÃES, 2009, p.186) identfcados no País. A utlização
de tecnologias modernas para corrigir os solos ácidos possibilitou a intensifcação da produção agrícola, o que
vem acelerando a devastação desse domínio. O texto acima refere-se ao domínio morfoclimátco do (a)
A. Amazônia.
B. Cerrado.
C. Caatnga.
D. Araucária.
E. Mata Atlântca.

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17. (EsPCEx 2010) Em 27 de fevereiro de 2010, o Chile sofreu um terremoto de 8.8 graus na Escala Richter.
Esse país encontra-se em uma extensa faixa da Costa Oeste da América do Sul. A causa desse e de outros
terremotos deve-se ao fato do Chile estar situado
A. na porção central da Placa Tectônica Sul-Americana, zona de constantes acomodações da litosfera.
B. na borda ocidental da Placa Tectônica Sul-Americana, junto à Cordilheira dos Andes, dobramento
moderno formado por movimentos orogenétcos.
C. no limite ocidental da Placa Tectônica do Pacífco, zona de grande intensidade de movimentos
orogenétcos.
D. no limite oriental da Placa Tectônica Sul-Americana, que se afasta da Placa de Nazca, formando grande
falha geológica.
E. no limite ocidental da Placa Tectônica de Nazca, que se movimenta em sentdo contrário ao da Placa
do Pacífco, provocando epirogênese.

18. (DDR 2015) Leia o texto abaixo e em seguida dê o quê se pede.


Descendo um rio desconhecido na foresta equatorial
O Amazonas é o rio mais caudaloso do universo. Suas águas correm do ocidente para o oriente, do ocaso
para o levante, dos Andes para o Atlântco. A parte mais importante de seu curso demora quase toda na
linha do equador, ao passo que a bacia formada pelos seus afuentes se alonga por muitos graus ao norte
e ao sul deste círculo. Essa bacia equatorial gigantesca se acha dominada por imensa foresta – a maior do
mundo – não se podendo compará-la a qualquer outra, exceto as da Malásia e África Ocidental. Nós nos
encontrávamos na parte meridional dessa vasta jungle, percorrendo um rio desconhecido e imprevisto, e
de cuja existência os geógrafos não suspeitavam.
Roosevelt, Theodore. Nas Selvas do Brasil, 1914, página 183.

O texto, escrito pelo presidente estadunidense Ted Roosevelt, narra um trecho da Expedição Cientfca
Roosevelt-Rondon, realizada em 1913-1914 nos estados do Mato Grosso e Amazonas, através do qual foram
feitos mapeamentos geográfcos, identfcação de afuentes do rio Madeira, contatos amistosos com os
indígenas nhambiquaras, coleta de novas espécies de aves e identfcação de novas espécies de mamíferos. O
texto faz uma boa descrição do domínio morfoclimátco amazônico. Podemos citar como característcas do
domínio amazônico:
I. Clima equatorial, com verão úmido e inverno seco.
II. Grande potencial hídrico, mas sem potencial hidroenergétco.
III. Vegetação ombrófla, adaptada a ambientes úmidos.
IV. Proximidades do Trópico de Capricórnio.
V. Presença da Floresta Amazônica, a maior foresta do tpo tropical do mundo.
Estão corretas:
A. I, II e III B. III, IV e V C. I e II D. III e V E. II apenas

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19. (DDR 2014) Sobre formas de relevo, analise as afrmatvas abaixo e assinale V para as afrmatvas
Verdadeiras e F para as Falsas.
( ) Os planaltos são superfcies irregulares, pois não possuem uma forma tpica, podendo apresentar
forma aplainada ou morros, chapadas e serras, escarpas e cuestas, mas o que possuem em comum é
que neles predominam os processos erosivos.
( ) As planícies possuem poucas irregularidades, apresentando uma forma próxima ao plano, e a maior
parte delas situam-se acima de 600 metros de alttude e nelas predominam os processos de
sedimentação.
( ) As depressões relatvas são superfcies suavemente inclinadas, mais baixas que o relevo circundante e
formadas por processos de erosão e no Brasil podemos citar a Depressão Sertaneja na região Nordeste
e a Depressão Periférica Paulista.
A sequência correta é:
A. VFV B. VVF C. FVF D. FFF E. VVV

20. (DDR 2014) Torcedores japoneses planejam vir ao Brasil para assistr aos jogos do Japão na Copa do
Mundo. Os japoneses sempre se preocupam bastante com abalos sísmicos (terremotos e tsunamis) haja vista
que o território japonês se encontra numa zona sísmica de limites convergentes de 4 placas tectônicas, onde
tais abalos são catastrófcos. Preocupados com a sua estadia e segurança durante o evento esportvo no
Brasil, os japoneses buscaram informações mais precisas sobre a sismicidade do território brasileiro,
consultando o mapa abaixo de placas tectônicas.

Após interpretar o mapa, os japoneses


A. fcaram preocupados, pois verifcaram que o território brasileiro se afasta da placa africana,
produzindo um rife (fratura) na crosta, por onde jorra lava vulcânica.
B. fcaram tranquilos, pois os terremotos que ocorrem no Brasil são de baixa magnitude, devido ao
território se afastar cada vez mais do território africano (limites divergentes de placas).
C. fcaram preocupados, pois o Chile, que tem fronteira com o Brasil, já teve o maior terremoto já
registrado, de magnitude 9,5 graus na escala Richter.
D. fcaram tranquilos ao perceber que o território brasileiro ocupa uma posição central dentro da placa
sul-americana, longe das extremidades da placa, apresentando relatva estabilidade geológica.
E. desistram da viagem, pois com um litoral tão extenso, existe grande possibilidade de o Brasil ser
atngido por um tsunami.

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21. (DDR 2013) Imagine que você recebeu a missão de fazer uma marcha a pé em linha reta saindo do litoral
do RJ em direção ao Pantanal Mato-Grossense, conforme visto no perfl topográfco abaixo, no sentdo B A.
Saindo da planície litorânea, pratcamente inexistente no perfl devido a uma questão de escala, logo você se
depara com um paredão rochoso bem à sua frente, identfcado com uma seta e interrogação. Identfque esta
unidade de relevo de acordo com a classifcação de relevo de Jurandyr Ross.

A. Maciço da Tijuca.
B. Pico das Agulhas Negras
C. Chapada Diamantna
D. Planaltos Residuais da Cuesta Basáltca da Serra do Mar
E. Planaltos e Serras do Atlântco Leste-Sudeste

22. (DDR 2015) Da leitura do infográfco abaixo, podemos concluir que

A. os sedimentos erodidos dos planaltos se acumulam


nas depressões, onde predomina o processo de
sedimentação.
B. o relevo brasileiro é bem simples, apresentando
baixas alttudes formadas por planícies costeiras e
planaltos desgastados pelos agentes esculpidores.
C. apesar do território brasileiro apresentar alttudes
modestas, ele possui uma certa complexidade, com
28 unidades morfoesculturais.
D. o relevo brasileiro possui cadeias orogênicas
recentes, com alttudes elevadas, como o Pico das
Agulhas Negras no estado do RJ.
E. as formas predominantes no relevo brasileiro são
as depressões, com alttudes entre 200 e 1200
metros.

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23. Observe os mapas abaixo:

Fontes: Rebouças, in Patrimônio Ambiental Brasileiro, 2003 e Simielli, Geoatlas, 2005.

A correspondência existente entre as áreas dos principais estoques subterrâneos de água e as áreas de bacias
sedimentares pode ser explicada, dentre outros, pelo fato de
A. as bacias sedimentares apresentarem materiais mais impermeáveis, facilitando a infltração.
B. o grau de fraturamento ser, em geral, maior em terrenos sedimentares, possibilitando maior
infltração
C. as bacias sedimentares estarem localizadas em áreas de maiores volumes anuais de precipitação.
D. as bacias sedimentares serem consttuídas por terrenos mais antgos, armazenando mais água.
E. a porosidade ser, em geral, maior em terrenos sedimentares, possibilitando maior armazenamento.

24. (EsPCEx 2010) O território brasileiro está contdo na Plataforma Americana, que é uma das três grandes
unidades geológicas da América do Sul. Essa Plataforma abrange três vastos escudos cristalinos. Assinale a
alternatva que apresenta esses três escudos.
A. das Guianas, do Parnaíba e do Paraná
B. Atlântco, Amazônico e do Parnaíba
C. do Paraná, Brasil Central e Amazônico
D. Brasil Central, Atlântco e das Guianas
E. do Parnaíba, Amazônico e do Paraná

GABARITO
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
A E D C B A B D B C D E
13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24
C D A B B D A D E C E D

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3.2 Os recursos minerais
O Brasil, detentor de território com extensão contnental e de notável diversidade geológica propícia à
existência de jazidas de vários minerais, algumas de classe mundial, conquistou posição de destaque no
cenário global, tanto em reservas quanto em produção mineral, esta tendo atngido no ano de 2014 o valor de
US$ 40 bilhões, o que representou cerca de 5% do PIB Industrial do país. No Comércio Exterior, a indústria
extratva mineral contribuiu com mais de US$ 34 bilhões em exportações de minérios, sendo somente o
minério de ferro responsável por US$ 25,8 bilhões deste valor. O Brasil é um player global importante do
setor, tanto que sua produção mineral é uma das maiores do mundo. A mineração é um dos pilares da
sustentação econômica do Brasil.
No entanto, apresenta dependência de alguns minerais que são essenciais para a economia. É o quarto
maior consumidor de fertlizantes, mas responde por apenas 2% da produção mundial. O Brasil importa 91%
de todas as suas necessidades de potássio e 51% de fosfato, insumos minerais utlizados na fabricação de
fertlizantes.

O setor mineral tem apresentado superávit comercial nos últmos anos, evitando um pior desempenho da
balança comercial brasileira. Veja no gráfco acima que o setor mineral teve bons desempenhos, enquanto o
saldo brasileiro caiu muito em 2013 e apresentou défcit em 2014. Nestes dois anos, principalmente, a conta
do petróleo foi extremamente defcitária, puxando o saldo brasileiro para baixo. O petróleo é contabilizado na
balança de pagamentos como combustvel.
A mineração integra-se à cadeia produtva composta pelas indústrias de base e seu produto é também
matéria-prima de diversas outras. Este conjunto produz e dissemina uma infnidade de produtos que se
relacionam diretamente à qualidade de vida das populações. Qualquer objeto metálico, desde a mais simples
panela até o mais complexo instrumento cientfco, é fabricado a partr de uma variedade de insumos
minerais. Os cabos transmissores de energia elétrica, o automóvel, a geladeira, o celular, tablets,
computadores, monitores, ou um prosaico clips, tudo tem origem no minério que a natureza coloca à
disposição do homem. E não são apenas os metálicos. Um tjolo, uma telha ou o revestmento dos fornos
metalúrgicos são feitos com minérios. Os alimentos crescem com a adição de adubos minerais e com os
corretvos de solo.
O Brasil é extremamente rico em minerais metálicos, que se formam somente sob condições de pressão e
temperatura bastante elevadas. Por isso, estão associados a processos muito antgos que originaram as
rochas magmátcas ou metamórfcas dos escudos cristalinos no Pré-Cambriano. Como os escudos cristalinos
aforam em cerca de 36% do território nacional, o potencial de exploração mineral do país é enorme.

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O Quadrilátero Ferrífero, na Província Mantqueira, em Minas Gerais, abriga imensas jazidas de ferro e
reservas de manganês. O minério de ferro produzido no Brasil em 2014 atngiu 400 milhões de toneladas. O
Brasil é o 2º maior produtor (1º é a China) e 2º maior exportador (1º é Austrália).
O Maciço do Urucum, na Província Tocantns, próximo a Corumbá (MS), guarda um dos maiores depósitos
de manganês de todo o mundo. O Brasil é o 2º maior produtor de manganês do mundo, só atrás da China. As
principais reservas e áreas de extração são Minas Gerais, Pará e Mato Grosso do Sul.
Na Província São Francisco encontram-se as reservas de cobre e diamantes da Bahia. Apesar do
crescimento da produção de cobre nos últmos anos, a produção brasileira não é sufciente e o Brasil importa
cobre do Chile, que é o maior produtor mundial.
A Província Guiana Meridional conta com reservas de estanho, manganês e diamantes. As maiores jazidas
de minérios metálicos estão na Província Xingu. No sul do Pará, encontram-se grandes reservas de cassiterita
(minério de estanho), manganês, níquel, cobre e bauxita. Em Rondônia, aparecem outros imensos depósitos
de cassiterita. O Brasil é o sexto maior produtor de minério de estanho (cassiterita). A China é o maior

produtor. Os principais Estados produtores de Estanho são Amazonas e Rondônia, com cerca de 60% e 40%,
respectvamente. A demanda interna por Estanho metálico é formada por cinco segmentos mais expressivos:
indústria siderúrgica para fabricação de folhas-de-fandres à indústria de embalagens de alimentos e bebidas;
indústria de soldas; indústria química; metal de liga leve; bronze.
O ouro surge, na natureza, em veios e em forma de pepitas. Os veios ocorrem em estruturas rochosas
cristalinas e são recuperados pela mineração. A erosão, atuando sobre veios auríferos, produz fragmentos de
ouro metálico que são transportados e depositados pelas águas correntes. Essas pepitas consttuem o ouro de
aluvião, associado aos vales fuviais e recuperados por meio do garimpo. O Brasil é o décimo segundo maior
produtor de ouro, com produção de 58 toneladas em 2010. A China é a maior produtora, com 345 toneladas.
No Brasil, os principais estados produtores são (dados de 2010): MG (64%), GO (11%), BA (11%) e PA (3%). Em
termos de geração de divisas para o Brasil, o ouro é o segundo mais importante mineral de exportação, atrás

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apenas do minério de Ferro. Os países que importam Ouro do Brasil são Reino Unido (45%), Suíça (32%),
Emirados Árabes (12%), Estados Unidos (9%) e Canadá (2%).
No Brasil, os depósitos aluviais auríferos aparecem principalmente no sudeste do Pará e nos vales dos rios
Madeira e Tapajós. Nessas áreas, a utlização de equipamentos pesados pelos garimpeiros contribuiu
signifcatvamente para o desforestamento das margens ribeirinhas. Sem contar a poluição das águas e do
ecossistema causada pelo mercúrio utlizado no garimpo para separar o ouro da rocha.
A concentração de recursos minerais na Amazônia tem signifcado econômico, demográfco, polítco e
ambiental. De um lado, condiciona modalidades de ocupação regional marcadas pela implantação de grandes
projetos estatais e privados e também por fuxos migratórios de garimpeiros. De outro, gera o surgimento de
tensões sociais entre empresas, garimpeiros e indígenas em toda a região, especialmente nas faixas de
fronteiras de ocupação recente. Além disso, a corrida aos minérios amazônicos implica intensa degradação do
meio ambiente, com desmatamento e poluição dos rios.
O Brasil detém as maiores reservas mundiais de Nióbio (98%), seguido pelo Canadá e Austrália. É um
metal pratcamente brasileiro. As reservas medidas de Nióbio estão concentradas nos Estados de Minas
Gerais (75,08%), em Araxá e Tapira; Amazonas (21,34%), em São Gabriel da Cachoeira e Presidente Figueiredo
e em Goiás (3,58%), em Catalão e Ouvidor. O Brasil é o maior produtor de Nióbio, com produção de 96% do
total mundial. A produção nacional vem crescendo devido ao aquecimento no mercado de ferroligas,
provocado pela elevada expansão do PIB dos países asiátcos e pelo aumento da produção mundial de aço
bruto. No Brasil, os principais Estados produtores são: MG (56,7%), GO (41,9%), AM (1,4%).
O crescimento da demanda por matérias-primas mais efcientes está colocando os chamados “minerais
raros” ou “estratégicos” em evidência. A demanda pelo Nióbio é maior em países mais desenvolvidos
tecnologicamente, onde são usadas de 80 a 100 gramas desse minério para cada tonelada de aço. O Brasil
utliza 100 gramas para cada tonelada de aço. E a grande oportunidade para ampliar negócios é com a China,
que, apesar de ser a maior compradora de Nióbio do mundo, ainda possui baixo índice de uso de Nióbio na
fabricação de aço, de 25 gramas por tonelada. O aumento mais signifcatvo de Nióbio ainda está por vir,
especialmente devido à preocupação com a sustentabilidade. O Ferro-Nióbio pode, por exemplo, ajudar a
produzir carros mais leves, que consomem menos combustvel. Um carro médio tem entre 800 e 1.000 quilos
de aço. Se forem retrados 100 a 150 quilos do automóvel, ele economizará um litro de gasolina para cada 200
km rodados. Em obras grandes de infraestrutura, é possível usar um aço mais resistente e construir a mesma
estrutura 60% mais leve. A importância estratégica do nióbio tem crescido pois ele é usado na produção de
ligas de aço de alta resistência, com aplicações na construção civil, na indústria mecânica, aeroespacial
(foguetes), aviação (motores a jato), naval, automobilístca e nuclear.
O caulim é um mineral não-metálico. O Brasil é o sexto maior produtor de Caulim, mas possui a 2ª maior
reserva, que é de altssima qualidade (alvura e pureza) para uso na indústria de papéis especiais. Os Estados
Unidos são os maiores produtores globais. O Brasil produz o minério já benefciado para uso na indústria de
papel. Os Estados do Pará, Amazonas e Amapá são as Unidades da Federação com maior destaque na
produção.

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Destaca-se também na produção mineral brasileira a produção e consumo de agregados minerais
(basicamente areia e pedra britada) e de cimento. O Brasil é o 5º maior produtor mundial de cimento. Como o

consumo de cimento sempre guardou estreita correlação com a evolução da renda real e com a massa salarial
real, nos últmos anos, até 2013, o setor da construção civil e atrelado a ele, a indústria cimenteira, vinha
crescendo a passos largos, devido principalmente ao crescimento do emprego e da renda, a expansão do
crédito imobiliário pelo governo e pelos bancos privados e devido à pressão das obras de infra-estrutura do
PAC e outros programas governamentais. Essa realidade começou a se deteriorar a partr de 2014 com a crise
econômica e de lá para cá o mercado vem caindo ano a ano, conforme gráfco. Além da queda contnua, o
crescimento da oferta, advinda dos investmentos anunciados à partr de 2010, que começaram a pipocar em
2014, desequilibraram o mercado e, de certa forma, os preços do produto em algumas regiões do país.

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Exercícios

1. (EsFCEx 2014) O (A) ______________________ é um recurso natural de grande importância na atualidade,


pois é amplamente utlizado na fabricação de fos supercondutores e de turbinas de aviões, entre outros usos.
O Brasil é o maior produtor desse mineral, respondendo por 96% da produção mundial em 2009.
Adaptado de Almeida;Rigolim, 2013, p.696.

Marque a alternatva que apresenta o preenchimento correto da lacuna, sobre o recurso natural em questão
e seu maior produtor no Brasil.
A. Níquel – Bahia
B. Cobre – Pará
C. Cassiterita – Amazonas
D. Nióbio – Minas Gerais
E. Manganês – Amapá

2. (EsAEx 2009) Sobre a questão dos recursos minerais no Brasil, é correto afrmar que:
A. a criação das estruturas estatais como a Companhia Siderúrgica Nacional e Petrobrás foi importante
para o crescimento do setor, apoiada em uma forte partcipação do capital privado.
B. o primeiro Código de Minas no Brasil fez importante ressalva à exploração de bens minerais,
reservando somente aos brasileiros sua exploração, aspecto ainda hoje mantdo.
C. o setor mineral no Brasil apresenta três importantes segmentos: a metalurgia, a química e a indústria
de cimento.
D. dos vários tpos de recursos minerais, os combustveis fósseis são os mais explorados no Brasil,
respondendo a um percentual em torno dos 48% do valor da extração.
E. a Serra dos Carajás no Amazonas e o Maciço de Urucum em Tocantns, representam as mais
importantes áreas de exploração de minerais não metálicos do Brasil.

3. As localidades de Itabira (em Minas Gerais) e Vale do Paraopeba (da Serra dos Carajás no Pará) são áreas
conhecidas no país, devido:
A. às jazidas de petróleo exploradas pela Petrobrás.
B. às jazidas de cobre e diamantes explorados pela Acesita.
C. à atuação da Vale na exploração de minérios, sobretudo o minério de ferro.
D. à criação de gado, pois são regiões pecuaristas por excelência, com predomínio da pecuária intensiva
voltada para exportação de carnes e derivados.
E. à instalação de hidrelétricas de grande porte do sistema Eletrobrás Furnas.

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4. (EsPCEx 2013) A partr do conhecimento das diferentes formações geológicas do território brasileiro, é
possível deduzir a ocorrência de determinadas riquezas minerais. Na área “I”, hachurada no mapa
esquemátco das formações geológicas brasileiras a seguir, verifca-se a presença de jazidas de

A. estanho e diamante.
B. petróleo e carvão mineral.
C. ferro e xisto.
D. petróleo e cobre.
E. ouro e calcário.

(DDR 2016) Observe abaixo exemplos de bens de produção produzidos pela indústria siderúrgica.

A indústria siderúrgica ou usina siderúrgica consiste No refno do ferro, transformando-o em aço, ou outros
laminados de ferros-ligas diferentes. O manganês entra nesse processo necessário para a fabricação do aço.
Existe também a produção siderúrgica do alumínio, produzido a partr do refno da bauxita. A siderurgia é um
ramo dinâmico, central de uma cadeia produtva, multplicador em termos de formação de um complexo
industrial. Sobre a concentração espacial do ramo siderúrgico e de seus fatores locacionais, responda aos
itens 5, 6 e 7.

5. A siderurgia do alumínio está espacialmente concentrada


A. na Amazônia, na área do Programa Grande Carajás.
B. na região Sudeste.
C. no Quadrilátero Ferrífero.
D. no Vale do Aço.
E. na região Concentrada.

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6. A siderurgia do aço está espacialmente concentrada
A. na Amazônia, na área do Programa Grande Carajás.
B. na região Sudeste
C. no Quadrilátero Ferrífero
D. na Cia. Vale do rio Doce
E. na região Sul, pois sofreu um processo de desconcentração, acompanhando a tendência geral da
indústria.

7. São fatores que explicam a localização espacial da indústria siderúrgica:


A. Proximidade dos centros de demanda.
B. Redes de fbras óptcas e tecnopolos.
C. Mão de obra qualifcada, polivalente e barata com ausência de sindicalismo combatvo e atuante.
D. Proximidade da matéria prima e infraestrutura de transportes (ferrovias e portos).
E. Polítcas neoliberais de abertura do mercado e privatzações.

8. A siderurgia do alumínio envolve o processamento e benefciamento da matéria prima mineral que é o


minério de bauxita. De cada 6 toneladas de bauxita, através de refno pelo processo de redução química
denominado eletrólise, se processa 2 toneladas de alumina, e em seguida, fnalmente, 1 tonelada de alumínio
primário. São localidades envolvidas na extração e benefciamento da bauxita e no escoamento de seus
derivados, a alumina e o alumínio:
A. Conceição do Araguaia, Belém e Macapá.
B. Imperatriz, Tocantnópolis e Xambioá.
C. Marabá, Altamira e Santarém.
D. Carajás, Paragominas e Alter do Chão.
E. Oriximiná, Barcarena e São Luís.

9. Os minerais, extraídos da crosta terrestre e transformados industrialmente em metais, pedras e outros


componentes, estão entre as principais matérias-primas utlizadas economicamente pela sociedade.
Assinale a alternatva que contenha, correta e respectvamente: um metal, o minério do qual pode ser
extraído e a forma de sua utlização pela indústria.

METAL MINERAL UTILIZAÇÃO


A Mercúrio Hematta Equipamentos Elétricos
B Enxofre Bauxita Ligas Metálicas
C Manganês Pirolusita Fabricação de aço
D Sal Halita Pigmento para tntas
E Potássio Magnetta Fibras Plástcas

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10. O carvão mineral é uma rocha sedimentar de origem orgânica, resultante da transformação de antgos
vegetais submetdos a certas condições, no decorrer do tempo geológico. No Brasil, o consumo de carvão
mineral representa apenas 0,5% do mundial. Sobre o carvão mineral no Brasil, pode-se dizer:
A. O carvão mineral é uma fonte de energia renovável. Quando queimado, emite gases poluentes na
atmosfera, causando problemas de várias ordens para o meio ambiente.
B. No Brasil, existem grandes jazidas de carvão mineral em Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Piauí,
Maranhão, Pará, Amazonas e Acre. Entretanto, apenas Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná
fazem exploração.
C. O carvão mineral, extraído na Região Sul do Brasil, possui grande percentagem de sulfeto de ferro
(FeS2), na forma de cristais de pirita, popularmente conhecido como “ouro dos trouxas”, por sua cor
amarela e brilho metálico. Uma vez trazido à superfcie da terra, em contato com o oxigênio e a
umidade do ar, dá origem ao ácido sulfúrico (H2SO4), bastante tóxico e corrosivo.
D. Até 1990, as companhias siderúrgicas eram legalmente obrigadas a utlizar uma mistura de 50 % de
carvão nacional, com 50 % de carvão importado. Com a revogação dessa lei, as empresas passaram a
consumir somente carvão mineral nacional.
E. Na fase de extração a céu aberto ou em galerias construídas nas minas, os danos à paisagem são
pequenos, já que o carvão mineral é uma fonte de energia renovável.

11. Em se tratando de commodites, o Brasil tem papel relevante no mercado mundial, graças à exportação de
minérios. Destacam-se os minérios de ferro e de manganês, bases para a produção de aço, e a bauxita, da
qual deriva o alumínio. A relação entre minério e sua localização no território brasileiro está corretamente
expressa em:

Minério Localização geográfca


A. ferro Quadrilátero Ferrífero
(Planalto da Borborema)
B. ferro Serra dos Carajás
(Planalto das Guianas)
C. bauxita Vale do Trombetas
(Serra do Espinhaço)
D. manganês Maciço do Urucum
(Pantanal Mato-Grossense)
E. manganês Vale do Aço
(Chapada dos Parecis)

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12. A crosta terrestre é formada por três tpos de estruturas geológicas, caracterizadas pelos tpos
predominantes de rochas, pelo processo de formação e pela idade geológica. Essas estruturas são os maciços
cristalinos, as bacias sedimentares e os dobramentos modernos. Sobre esse assunto, é CORRETO afrmar:
A. os maciços antgos ou escudos cristalinos datam da era pré-cambriana, são consttuídos por rochas
sedimentares e são ricos em jazidas de minerais não metálicos.
B. as bacias sedimentares são formações muito recentes, datando da era quaternária, ricas em minerais
energétcos e com intenso processo erosivo; consttuem 64% do território brasileiro.
C. os dobramentos modernos, resultantes de movimentos epirogenétcos, são consttuídos por rochas
magmátcas, datam do período terciário e são ricos em carvão e petróleo, como os Andes, os Alpes e o
Himalaia.
D. a área que tem reservas de petróleo e gás natural na Amazônia (Urucu) tem a mesma estrutura
geológica onde abundam minerais metálicos (Serra dos Carajás).
E. as principais reservas petrolíferas e carboníferas do mundo encontram-se nas bacias sedimentares,
enquanto minerais como ferro, níquel, manganês, ouro, bauxita etc. são encontrados nos maciços
cristalinos; os dobramentos modernos consttuem áreas de intenso vulcanismo.

GABARITO
1 2 3 4 5 6
D C C A A B
7 8 9 10 11 12
D E C C D E

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3.3 Fontes de energia e os recursos hídricos.
As fontes de energia podem ser:
 Renováveis: são aquelas que se renovam contnuamente na natureza, sendo, por isso inesgotáveis.
Exemplo: ventos, hidráulica, solar.
 Não renováveis: são aquelas cujas reservas se esgotam, pois o seu processo de formação é muito
lento comparado com o ritmo de consumo que o ser humano faz delas. Exemplo: petróleo, carvão
mineral, gás natural.

As fontes renováveis geralmente são limpas, na sua utlização não produzem emissões de gases de efeito
estufa, que contribuem para o aquecimento global. Já a utlização das fontes não renováveis, em sua maioria
combustveis fósseis, liberam grande quantdade de emissões de gases, principalmente o dióxido de carbono
(CO2).

Perceba nos gráfcos acima que o mundo funciona com base no uso de combustveis fósseis, que são o
petróleo, carvão e gás natural. O gás natural é menos poluente, mas o petróleo e principalmente o carvão são
terríveis para a atmosfera. No Brasil, em que pese a diminuição do uso de derivados de petróleo na matriz
energétca, já que em 1979 estes derivados representavam a metade do consumo de energia em nossa matriz
energétca, o Brasil ainda é muito dependente do petróleo, que é a fonte majoritária na oferta de energia
brasileira. O Brasil tem uma frota de veículos enorme, a 6ª maior do mundo, de modo que o consumo de
derivados, principalmente óleo diesel e gasolina são enormes. Uma parte de nossas indústrias também
consome petróleo, principalmente as refnarias e petroquímicas. Em 2015, a partcipação de fontes
renováveis na matriz energétca brasileira manteve-se entre as mais elevadas do mundo, com pequeno
crescimento em relação a 2014 devido partcularmente à queda da oferta interna de petróleo e derivados, da
ordem de 7,2%.

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Isso se explica devido ao crescimento no Brasil da partcipação da biomassa sólida (bagaço de cana, lixívia,
lenha) e biomassa líquida (etanol, biodiesel) na oferta de energia, além da hidráulica, que tradicionalmente é
muito utlizada, sendo o Brasil o 2º maior produtor de eletricidade de origem hidráulica do mundo, só atrás da
China. Tem crescido também a partcipação da energia eólica.
Os setores da economia que mais consumiram energia no Brasil neste ano de 2015 foram:
Indústrias: 32,5%, Transportes 32,2%, Setor energétco 10,7%, Residências 9,6%, Serviços 4,8%, Agropecuária
4,5%. A produção industrial, transporte de carga e mobilidade das pessoas respondem por aproximadamente
65% do consumo de energia do país.

Veja acima os gráfcos da matriz elétrica mundial e do Brasil. A principal fonte geradora de eletricidade no
mundo é o carvão, altamente poluidor. No Brasil, majoritariamente predomina a fonte hidráulica, as nossas
usinas hidrelétricas, enquanto na média mundial esta fonte é responsável por apenas 17,3% da produção
elétrica. O mundo utliza muito a geração térmica, que é a queima dos combustveis fósseis, como por
exemplo a China, onde 65% da eletricidade é gerada por termelétricas a carvão. Não à toa este país que mais
cresce no mundo detém o triste recorde de ser o maior poluidor mundial, desde 2008, quando ultrapassou os
Estados Unidos em emissões totais de CO 2. Apesar do aumento da partcipação da geração térmica no Brasil
nos últmos anos, na matriz elétrica brasileira também predominam fontes renováveis, numa proporção das
mais altas do mundo:

Os setores da economia que mais consumiram energia elétrica no Brasil neste ano de 2015 foram:
Industrial 31,9%, Residencial 21,3%, as perdas de energia são altas, representaram 15,1%, Setor comercial
14,8%, Setor público 6,9%, Setor energétco 5,2%, Setor agropecuário 4,4%, Setor de transportes 0,3%.
Apesar de predominar na matriz energétca brasileira fontes não renováveis, a utlização de fontes de
energia renováveis no Brasil se faz numa proporção das mais altas do mundo, contrastando signifcatvamente

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com a média mundial, de 13,5% e mais ainda com a média dos países que compõem a OCDE, em sua grande
maioria países desenvolvidos, de apenas 9,4%.
Em virtude de seu consumo energétco ser baseado intensivamente em fontes não-renováveis de energia,
como os combustveis fósseis, os países da OCDE e o Mundo em geral tendem a emitr uma quantdade maior
de poluentes na atmosfera, se comparados com o Brasil.

As emissões brasileiras são bem menores do que a média mundial ou dos países da OCDE, formado pelos
países ricos. Para gerar uma unidade de produto, a economia brasileira emite, na produção e consumo de
energia, 26% menos que a economia européia, 51% menos que a economia americana e 73% menos que a
economia chinesa. A sustentabilidade brasileira é muito mais efetva, devido à grande partcipação de fontes
renováveis e limpas, seja na matriz energétca, seja na matriz elétrica.
Os setores da economia brasileira que mais geraram emissões de gases estufa em 2015 foram:

O setor de transportes utliza derivados de petróleo (óleo diesel e gasolina) para movimentar a enorme
frota de veículos brasileira. Os derivados de petróleo são combustveis fósseis (hidrocarbonetos líquidos) e sua
queima gera grandes quantdades de emissões de CO 2.
O setor industrial, apesar de usar bastante energia elétrica, usa também carvão mineral, principalmente
as indústrias siderúrgicas. O carvão mineral é um hidrocarboneto sólido, que gera mais emissões ainda que os
derivados de petróleo.
O setor residencial, ainda que utlize o GLP (gás de botjão, que é um derivado de petróleo) e o gás
natural, utliza muito mais energia elétrica, que em sua maior parte é gerada pela fonte hidráulica, que
normalmente não gera emissões, daí seu menor impacto nas emissões de CO2.

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Sistema Interligado Nacional (SIN)


No Brasil, encontramos os três principais tpos de usinas geradoras de eletricidade: as hidrelétricas, que
aproveitam a força das quedas-d’água para acionar turbinas e produzir eletricidade; as termelétricas
convencionais, que utlizam os combustveis fósseis; e as termonucleares ou atômicas, que usam a energia
contda nos minerais atômicos.
A fonte hidráulica é predominante no Brasil, principalmente em razão das característcas fsico-naturais
do país. Os climas equatorial, tropical e subtropical apresentam elevadas médias pluviométricas e fornecem
um grande volume de água para os rios. Além disso, os extensos planaltos são responsáveis pelos desníveis e
cachoeiras, que propiciam força necessária para a geração de energia nas turbinas. O Brasil tem muitos rios de
planalto com enorme potencial hidráulico. Já os rios de planície não tem potencial hidráulico mas são
navegáveis.
A partr da década de 1940, com o crescimento industrial, o Brasil direcionou sua polítca energétca para
a produção de hidreletricidade. Em 1962, foi criada a Eletrobras (Centrais Elétricas Brasileiras S.A.) para
controlar o sistema de geração e transmissão de energia elétrica no país. Atualmente, essa companhia, a
maior do setor de energia elétrica da América Latna, atua como holding e centraliza o controle de seis
subsidiárias (Chesf, Furnas, Eletrosul, Eletronorte, CGTEE e Eletronuclear) e de grande parte dos sistemas de
geração e transmissão de energia no país.
O Operador Nacional do Sistema (ONS) é o gestor operacional do sistema elétrico brasileiro, denominado
SIN (Sistema Interligado Nacional). É um dos melhores sistemas do mundo, mesmo assim está sujeito a
blackouts e apagões, devido a falhas e sobrecargas em momentos de pico de consumo. A eletricidade
produzida pelas diversas fontes geradoras entra no sistema interligado, que envia a energia através do
sistema de transmissão às centrais distribuidoras, que distribuem para os consumidores (indústrias,
residências, escolas, etc.) Deste modo, a energia que sobra em uma região pode ser enviada para outra
região, percorrendo longos trajetos. A UHE de Serra de Mesa, no rio Tocantns é o elo de ligação do sistema
Norte com o sistema Sul da interligação brasileira.
Normalmente, a fonte hidráulica (usinas hidrelétricas) é a que mais produz eletricidade e o ideal é que ela
produza o máximo possível, pois é a fonte mais barata. Mas em momentos de pico de consumo a geração
térmica (usinas termelétricas), a gás natural, a biomassa, e nuclear é atvada. Ou seja, a geração térmica deve
fcar em “stand by”, apenas acionada em momentos de pico de consumo, para complementar a oferta de
eletricidade quando a fonte hidráulica está sobrecarregada. Quando isso acontece, por ser mais cara, a
geração térmica acaba impactando o preço do
quillowatt-hora de eletricidade, tornando-o mais
caro. É por isso que o governo criou as bandeiras
tarifárias, que são acréscimos na conta de energia
a cada 100 kwh de energia consumida. As cores
são verde, quando não há cobrança extra,
amarelo, quando algumas usinas térmicas estão
ligadas e é cobrado a taxa e vermelho, quando a
maior parte das térmicas estão acionadas e a taxa
na conta é maior. Nos anos de 2014 e 2015,
devido à forte estagem, os reservatórios de água
(represas) das usinas estavam muito baixos, de
modo que a bandeira foi vermelha quase o tempo
todo.
A eletricidade de fonte hidráulica é gerada
pelas represas ou usinas hidrelétricas, através da
força das águas, que giram as turbinas, que

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acionam um gerador elétrico. Existem dois tpos de usinas hidroelétricas ou hidráulicas: as usinas
convencionais, com barragens enormes, que provocam alagamentos e as usinas a fo d’água, com barragens
bem menores, formando alagamentos mínimos, com menores impactos ambientais. Esse sistema novo utliza
a força de correnteza das águas dos rios para movimentar as turbinas. Uma desvantagem desse sistema é que
na época da estagem, o volume de água dos rios diminui bastante, diminuindo a capacidade de geração de
eletricidade. As grandes usinas amazônicas, como Belo Monte, utlizam esse sistema.
A eletricidade de fonte térmica é gerada pelas usinas termelétricas que utlizam diversos combustveis:
carvão, óleo combustvel, gás natural, biomassa (bagaço de cana), urânio (nuclear). Estas usinas usam água
que é aquecida em caldeiras por um destes combustveis, a água vira vapor, que entra numa tubulação e gira
as turbinas que acionam o gerador elétrico.
A fonte hidráulica é mais limpa, não emite gases de efeito estufa, enquanto a queima de combustveis
fósseis das térmicas emite grande quantdade de gases de efeito estufa, principalmente o CO 2 (dióxido de
carbono).
Com mais de 170 grandes usinas hidrelétricas e cerca de 390 pequenas centrais hidráulicas, o Brasil conta
com um imenso potencial hidrelétrico de 260 GW, com capacidade instalada de 91 GW em 2015.
As bacias hidrográfcas que possuem maior aproveitamento de potencial hidrelétrico são as bacias dos
Rios Paraná e São Francisco.
No Rio Paraná, encontram-se importantes usinas: Itaipu, que é a maior hidrelétrica do Brasil, Ilha Solteira
(3.444 MW), Jupiá (1.551 MW) e Porto Primavera (1.430 MW). O Rio Parnaíba, pertencente à mesma bacia,
abriga as usinas de Itumbiara (2.082 MW) e de São Simão (1.710 MW).
A Usina Binacional de Itaipu é uma das maiores do mundo, sendo suplantada apenas pela Usina de Três
Gargantas (China), em capacidade instalada. O início de seu funcionamento data de 1984, após um tratado
com o Paraguai, o que lhe confere uma gestão compartlhada. Com 20 unidades geradoras e 14.000 MW de
potência instalada, fornece cerca de 15% da energia consumida no Brasil e 75% no Paraguai, ou seja, a quase
autossufciência na produção de eletricidade paraguaia, sendo parte de sua produção vendida ao Brasil.

Na Bacia do Rio São Francisco, localizam-se as usinas de Xingó (3.162 MW), Paulo Afonso (2.462 MW),
Itaparica (1.500 MW), Sobradinho (1.050 MW) e Três Marias (396 MW).
Na Bacia do Tocantns/Araguaia, destaca-se, no rio Tocantns, a UHE de Tucuruí, com 8 mil MW de
capacidade instalada, a terceira maior do mundo até Belo Monte ser inaugurada, que terá uma potência
maior.

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A Bacia Amazônica, que possui o maior potencial hidráulico do país, é a que apresenta o menor
aproveitamento. Com extenso percurso navegável, seu imenso potencial hidrelétrico está concentrado nos
afuentes do Rio Amazonas, que percorrem áreas de relevo planáltco. Somente 0,4% do potencial é
aproveitado por apenas três usinas hidrelétricas: Balbina, no Rio Uatumã (AM), Curuá-Una, no Rio Curuá-Una
(PA), e Samuel, no Rio Jamari (RO).

Um enorme incremento de geração elétrica e aumento do potencial utlizado na Amazônia é representado


pela construção/inauguração de 3 grandes usinas nos rios Madeira (RO) e Xingú (PA).
UHE Belo Monte, rio Xingú: 9 turbinas em funcionamento, das 24 previstas., já gerando 2600 MW. A
potência total depois de pronta será 11 mil MW, a terceira maior do mundo.
No complexo do rio Madeira, em Rondônia destacam-se duas usinas.
Inaugurada em dezembro de 2016, com 50 turbinas, UHE Jirau tem capacidade para gerar 3.750
megawatts. Esta usina teve investmento de R$ 19 bilhões e poderá abastecer 40 milhões de pessoas.
UHE Santo Antônio, localizada a juzante da Usina de Jirau, em janeiro de 2017 contava com 44 turbinas
em funcionamento que produzem eletricidade encaminhada para Araraquara – SP por uma extensa linha de
transmissão, e mais 6 turbinas prontas em fase de teste que irão fornecer eletricidade para Rondônia e Acre.
Quando as 50 turbinas estverem em operação a potência da usina será de 3.568 MW. O custo total desta
usina é orçado em R$20 bilhões.
Estas três grandes usinas estão aumentando enormemente a oferta de eletricidade para a região
amazônica, podendo desencadear um novo ciclo de investmentos industriais para a região.
A implantação de uma grande usina causa diversos problemas socioambientais, pois sua construção exige
a inundação de áreas extensas, prejudicando a fauna e a fora locais. Cidades inteiras podem ser inundadas
como foram as cidades de Sento Sé, Pilão Arcado, Casanova e Remanso pela represa de Sobradinho – BA e
áreas de produção agrícola também podem ser inundadas, obrigando o deslocamento da população ribeirinha
e trazendo, assim, prejuízos à sua subsistência.

Energia Nuclear
A partr do choque dos preços do petróleo na década de 1970, o governo brasileiro desenvolveu
programas alternatvos visando a diversifcar a matriz energétca. Foram criados o Pró-alcool, Itaipú Bi-
nacional, prospecção de petróleo na plataforma contnental e o Programa Nuclear, com com o início da
construção de duas usinas no município de Angra dos Reis, litoral do Rio de Janeiro.
Em 1985, entrou em operação a Usina Nuclear de Angra 1, que gera energia sufciente para suprir uma
cidade de 1 milhão de habitantes. Em 2000, foi a vez da Usina Nuclear de Angra 2, com capacidade para
atender ao consumo de uma cidade de 2 milhões de habitantes. As duas usinas compõem um complexo
administrado pela estatal Eletrobras Termonuclear (Eletronuclear), e sua produção apresentou uma
partcipação de apenas 2,4% da matriz de oferta de energia elétrica no Brasil (dados de 2015).
O Brasil possui a sexta maior reserva de urânio do mundo. As reservas se localizam no Ceará, Bahia, Minas
Gerais e Paraná.
As pesquisas brasileiras na área nuclear resultaram em inovações no processo industrial de
enriquecimento de urânio e desenvolvimento de tecnologia avançada nessa área. Apesar de o Brasil dominar
a tecnologia de enriquecimento de urânio, realizada no Complexo de Resende, no Rio de Janeiro, existe muita
polêmica em torno do programa nuclear brasileiro.
O Brasil é, desde 1998, signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, mas não assinou o seu
protocolo adicional, que permitria inspeções irrestritas e sem aviso prévio. Para cada nova unidade, é frmado
um Tratado de Salvaguardas com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), no qual são acertadas as
restrições das visitas.
Em 2004 houve atritos entre o governo brasileiro e a AIEA, que queria livre trânsito para verifcar as
instalações da fábrica de enriquecimento de urânio em Resende – RJ. O Brasil aceita as inspeções da AIEA,

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mas com controle do que pode ser visto defnido pelas autoridades brasileiras, por razões estratégicas de
tecnologia nuclear brasileira.
Em 2007, tendo como justfcatvas a necessidade de aumento da produção de energia elétrica e os
vultosos investmentos já realizados, o governo federal determinou a retomada da construção da Usina
Nuclear de Angra 3, com previsão para entrar em operação em 2022.
Desvantagens da energia nuclear:
 Destno do lixo radioatvo, que é formado por substâncias nocivas à saúde.
 Risco de acidentes com vazamento de radioatvidade. Exemplo: Chernobyl, Fukushima
 A partr do plutônio (material produzido nessas usinas) é possível a fabricação de bombas atômicas.
 Não-renovável: o urânio não é fóssil, é uma rocha sedimentar, mas não é renovável.
 A implantação da usina nuclear é demorada e cara.
 No Brasil, implantada em Angra dos Reis (RJ) na praia de Itaorna.
Vantagens da energia nuclear:
 Não produz emissões de gases de efeito estufa nem provoca chuvas ácidas.
 Enorme efciência energétca: 1 kg de urânio gera a mesma quantdade de energia de 20 toneladas de
carvão.
 Se forem observadas as regras de segurança, é uma fonte de energia segura.
 O combustvel (urânio) é mais barato do que o petróleo e o Brasil possui a 6ª maior reserva de urânio
do mundo.
 Desenvolve uma base cientfca extensiva para todo o ciclo nuclear.
 Depois de pronta a usina, a geração de eletricidade é mais barata que as térmicas.
 O Brasil domina o processo de enriquecimento do urânio

Energia Eólica
No Brasil, tem crescido a partcipação das energias limpas, assim denominadas por se tratar de fontes não
poluentes, não emissoras de carbono e renováveis. Entre os principais exemplos de energia limpa, estão a
energia solar, a eólica (gerada pelo vento) e a maremotriz (gerada pelas marés).
A energia eólica é a fonte de energia que mais tem crescido no Brasil nos últmos anos, devido à queda dos
custos dos equipamentos, que já são produzidos no Brasil (tem uma fábrica em Sorocaba – SP).
Nos principais corredores de vento foram instalados importantes parques eólicos, responsáveis pela
produção de 7.633 MW de energia elétrica no ano de 2015. O preço médio do megawatt-hora de eletricidade
produzida pelos ventos já é a 2ª mais barata, se aproximando do preço da geração hidráulica. A capacidade
instalada de geração tem quase dobrado a cada ano.

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As estmatvas apontam que em 2020 cerca de 10% da eletricidade brasileira será geradas pelos ventos. A
Região Nordeste apresenta as melhores condições de ventos para instalação dos parques eólicos com os
gigantescos aerogeradores. Os constantes ventos alísios possuem ventos com mais de 8 metros por segundo.
Os estados do Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia e Rio Grande do Sul são os que possuem maior potencial
eólico. É uma fonte de energia totalmente renovável. Apresenta como desvantagens a geração de ruídos de
baixa freqüência e pode interceptar aves migratórias com os aerogeradores.

Petróleo
O Petróleo é a fonte de energia mais consumida no Brasil, responsável por 37,3% de todo o consumo
energétco, segundo dados do Balanço Energétco Nacional 2016. O petróleo é usado principalmente como
combustvel de veículos, movidos a derivados de petróleo (óleo diesel e gasolina), mas também é usado como
matéria prima industrial (cerca de 3 mil produtos são produzidos com derivados de petróleo). O petróleo
serve também para produzir eletricidade, quando o óleo é queimado em usinas térmicas.
A maior parte do petróleo brasileiro é extraído no mar, na plataforma contnental, formada por bacias
sedimentares onde restos orgânicos de origem marinha sofreram o processo de fossilização, dando origem ao
petróleo, acumulado na porosidade das rochas sedimentares. As principais bacias sedimentares produtoras de
petróleo são a Bacia de Campos e Bacia de Santos, no litoral do Rio de Janeiro, que é o maior produtor

nacional, seguido por Espírito Santo e São Paulo. Estes três estados extraem petróleo do mar (of shore).
Existe também extração em terra (on shore) realizada nos estados do Rio Grande do Norte, Bahia, Sergipe e
Amazonas. Juntamente com o petróleo, é extraído também o gás natural, sendo que a sua produção é maior
na Bacia de Santos. No estado do Amazonas, no campo de Urucu, em plena selva amazônica, desde 1988 a
Petrobrás extrai petróleo e gás natural.
A produção por bacias sedimentares é a seguinte:

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Em 2007, a Petrobrás anunciou a descoberta de enormes reservas de petróleo de camadas sedimentares


profundas, denominada camada pré-sal, contendo bastante petróleo, de alta qualidade, sendo petróleo leve,
do tpo “Brent”, ótmo para refnar derivados nobres, como gasolina, óleo diesel, nafa, querosene de aviação.
Por isso seu valor de mercado é maior. O petróleo extraído das camadas mais superfciais, logo abaixo do leito
marinho (camada pós-sal) geralmente é um petróleo considerado pesado, com muito betume e elementos
graxos, mais difcil de refnar em nossas refnarias, obtendo a partr deles betume asfáltco e óleo combustvel,
tendo menor valor de mercado.
O petróleo extraído da camada pré-sal, embora seja de melhor qualidade e tenha maior valor, exige uma
infraestrutura e logístca de produção mais cara, envolvendo tecnologias que poucas empresas do mundo
possuem, pois trata-se de extração profunda, podendo chegar a 7 km de profundidade. A Petrobrás vem
desenvolvendo essas tecnologias, e atualmente (janeiro de 2017) já são extraídos cerca de 1,25 milhão de
barris por dia de petróleo do pré-sal (quase a metade de nossa produção total). Quando o campo de Libra
estver operando, por volta de 2020, calcula-se que essa produção ultrapasse 1,5 milhão de barris por dia.

 Camada Pós-Sal: petróleo pesado, com muito


betume e elementos graxos, de menor
qualidade e menor preço. Nossas refnarias
não estão adaptadas a refnar este tpo de
petróleo.
 Camada de Sal: não tem petróleo, tem cloreto
de sódio que se acumulou em fases de
sedimentação oceânica.
 Camada Pré-Sal: petróleo leve, tpo “Brent”, de
excelente qualidade, podendo extrair
derivados nobres, como óleo diesel, gasolina e
nafa. Tem maior preço. Nossas refnarias
trabalham com este tpo de petróleo.

A quebra do monopólio da Petrobrás


A lei nº 2004, de 03 de outubro de 1953, estabeleceu o monopólio da União, exercido pela empresa
estatal Petrobrás, sobre a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo, o refno do petróleo nacional ou
estrangeiro, o transporte marítmo do petróleo bruto de origem nacional. A criação da Petrobrás e o
monopólio foi o resultado da campanha "O Petróleo é Nosso" e do projeto nacionalista de desenvolvimento
econômico do governo Getúlio Vargas.
A partr de sua criação, a Petrobrás pouco avançou em prospecção geofsica para identfcação das jazidas
de petróleo, diante da pobreza das bacias sedimentares brasileiras. Passou então a montar um parque de
refnarias ao longo das décadas de 1950, 1960 e 1970 para processar o petróleo importado, haja vista que o
petróleo estava barato. O petróleo importado era do tpo “Brent”, petróleo leve, de excelente qualidade,

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podendo gerar derivados mais nobres, como gasolina, querosene de aviação e nafa (eteno, propeno,
resinas). O petróleo barato desse período foi o motor do crescimento econômico capitalista, gerando um
ambiente de prosperidade geral, denominado oil way of life. O Brasil vivia seu máximo crescimento, o milagre
econômico.
O primeiro choque do petróleo ocorreu em outubro de 1973, quando os membros da Organização dos
Países Exportadores de Petróleo (OPEP), em meio a Guerra do Yom Kippur, anunciaram que deixariam de
enviar petróleo aos países que apoiassem Israel em seu confito com o Egito, isto é, para os Estados Unidos e
seus aliados na Europa Ocidental. O preço do barril subiu de U$ 2,90 para U$ 11,65 tornando mais onerosa a
economia brasileira. Nessa época o Brasil importava 85% do petróleo que consumia. O governo brasileiro
criou polítcas energétcas alternatvas: Itaipú Bi-nacional, Eletronuclear de Angra dos Reis e o Pro-Alcool.
A Petrobrás passou a procurar petróleo em território brasileiro e achou na plataforma contnental (no
mar) na Bacia de Campos, em 1974. Mas esse petróleo descoberto era do tpo pesado e extra pesado, que
nossas refnarias não estavam adaptadas para refnar, pois elas trabalhavam o óleo mais leve importado.
Então, a estatal optou por exportar esse petróleo pesado (mais barato) e contnuar importando o petróleo
leve (mais caro). Nos anos seguintes a produção brasileira aumentou, chegando no início da década de 1990 a
produzir 50% do consumo. Em 2006, alcançou pela primeira vez a auto-sufciência em volume, mas não em
valor, pois como o petróleo importado era mais caro, por ser de melhor qualidade, isso gerava défcit
comercial.

Nos anos seguintes o consumo de derivados de petróleo aumentou bastante em decorrência do


crescimento econômico puxado pelo consumo – graças ao aumento do emprego nos setores de comércio e
serviços, aumento dos salários e à facilidade de acesso a crédito – também devido ao bom desempenho do
agronegócio e aumento da frota de veículos.

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Deste modo aumentou bastante a defasagem entre produção e consumo de petróleo e derivados.

A retração do consumo verifcada neste ano de 2015 pode ser explicada pelos seguintes fatores:
 Subida dos preços dos combustveis (os preços eram mantdos baixos pelo governo para não gerar
infação)
 Queda da atvidade econômica
 Maior mistura de biocombustveis (7% de biodiesel ao óleo diesel e 27% de etanol anidro à gasolina C)
Nos últmos anos os investmentos tem sido feitos para aumentar a produção de petróleo, em detrimento
dos investmentos na capacidade de refno, que está estagnada em torno de 2,2 mb/d. Isto é, a produção é
superior à capacidade de refno e o consumo é maior ainda, de modo que as importações de combustveis
(diesel e gasolina) tem contribuído para aumentar os défcits da balança comercial brasileira, que em 2014 foi
de U$ 4 bilhões.
A meta da Petrobrás era aumentar a capacidade de refno para diminuir as importações, construindo 4
grandes refnarias:
 Premium I, no Maranhão, 600 mil barris por dia.
 Premium II, no Ceará, 300 mil barris por dia.
 Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), Itaboraí, 330 mil barris por dia.
 Refnaria de Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, 230 mil barris por dia.

Em janeiro de 2015, a Petrobras anunciou o cancelamento das refnarias Premium I e II, além de ter
suspendido a segunda unidade da Refnaria Abreu e Lima, em Pernambuco, que estava com 91% das obras
concluídas. No Rio, o Comperj terá seus investmentos reduzidos. Nestas duas refnarias a empresa vai
terminar apenas as unidades que estão em fase fnal de construção.
Em junho de 2015 a Petrobrás anunciou o corte de 37% de investmentos para aumentar o caixa e reduzir
dívida. A empresa teve que reavaliar tudo diante das perdas com corrupção, da queda do preço do petróleo e
da alta do dólar, que encarece a dívida da companhia.

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Foi posto em prátca também o Plano de parcerias e desinvestmentos 2015-2016, programa que visa
reduzir o endividamento da petroleira através da venda de atvos da empresa como venda de refnarias,
companhias de distribuição, empresas subsidiárias de biocombustveis e complexos químico-têxteis. Esta
operação arrecadou ao fnal de 2016 US$ 13,6 bilhões aumentando o caixa da empresa.

A redução nos investmentos em refnarias e o plano de desinvestmentos são refexo da corrupção que
vinha ocorrendo na empresa demonstrada pela Operação Lava-Jato, da Polícia Federal e também dos
prejuízos que a empresa veio acumulando comprando combustveis importados caros e revendendo-os
baratos no mercado interno para não gerar infação.
O Brasil importa 17% do total consumido, correndo o risco de elevar a dependência acima de 20%, o que
deixaria o país vulnerável em termos estratégicos. Mesmo com a retração da economia no curto prazo, a
expectatva é de que a demanda por combustveis contnue em alta nos próximos anos.
Sem essas refnarias, o Brasil passa a ser um importador enorme, não só de gasolina e diesel, mas de nafa
petroquímica e querosene de aviação (QAV). E, com isso, corre o risco de se tornar um México ou um Irã,
exportador de petróleo, já que teremos aumento de produção com o pré-sal, e importador de derivados. O
Brasil importa os derivados principalmente dos EUA e Índia.
Os cenários que preconizavam expectatvas de autossufciência, e mesmo de exportação de derivados, no
horizonte de 2020, parecem defnitvamente ultrapassados. Ao contrário, a dependência das importações tem
se ampliado e gerado efeitos perversos sobre a balança comercial do país.
Dentro do contexto de abertura econômica neoliberal e desestatzação vigente na década de 1990
(governos Collor, Itamar e FHC), através da Emenda Consttucional nº 9, de 09 de novembro de 1995 é
quebrado o monopólio da Petrobrás sobre as atvidades de petróleo no Brasil. Embora a empresa tenha
perdido o monopólio, ela contnua sendo uma empresa estatal de economia mista, cujo acionista majoritário
é o Governo do Brasil (União). Desde então, mais de 60 empresas estrangeiras, de 30 países diferentes, estão
trabalhando na exploração de petróleo na plataforma contnental brasileira, a maioria delas em associação
com a Petrobrás.
O sistema utlizado pelo governo para disciplinar a exploração do petróleo é chamado de marco
regulatório, que estabelece a concessão e a partlha de áreas do mar que tem grande potencial de petróleo.
As empresas interessadas disputam um leilão, e o grupo vencedor paga adiantado ao governo o direito de
concessão para explorar o petróleo. Além disso, ainda paga os royaltes, que são valores pagos como
compensação por possíveis danos ambientais causados pela extração. Em 10 de setembro de 2013, o governo
sancionou a nova Lei dos royaltes do petróleo, estabelecendo qual a destnação do dinheiro arrecadado pelos
royaltes. Ficou estabelecido que os royaltes arrecadados devem ser investdos:
 75% em educação e 25% em saúde.

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Marco Regulatório
Concessão: válido para os blocos localizados na camada pós sal, com maior risco exploratório.
Encargos do consórcio vencedor:
 bônus de assinatura no leilão
 partcipações especiais (investmentos em P&D em Insttutos de Pesquisa brasileiros)
 royaltes (compensações por risco ambiental, como acidentes e vazamentos de óleo)
 o consórcio fca com todo o petróleo que extrair, comercializando-o.

Partlha: válido para os blocos da camada pré-sal, com menor risco exploratório.
Encargos do consórcio vencedor:
 no processo licitatório, o critério de julgamento é o percentual de excedente em óleo (o chamado
óleo-lucro), ou seja, quem oferecer à União a maior partcipação no volume de óleo produzido é o
vencedor.
 bônus de assinatura
 conteúdo mínimo - exige a produção no país de parte dos equipamentos usados na exploração de óleo
e gás.
 a Petrobras precisa não só ter um mínimo de 30% de partcipação em todos os projetos como também
é a sua operadora – decidindo desde o ritmo de produção até a tecnologia usada na exploração dos
poços.

Xisto
Também chamado de Folhelho betuminoso, é uma rocha sedimentar, que possui uma substância
denominada querogênio, que é uma mistura de compostos químicos orgânicos a partr da qual se produz
hidrocarbonetos como óleo e gás (sobretudo metano). Os norte-americanos desenvolveram um processo de
extração de xisto chamado Fracking ou fraturamento hidráulico. Com isso foi possível baratera os custos de
extração. Deste modo os depósitos recuperáveis no mundo são 10 vezes maiores que as reservas de petróleo
da Venezuela. Maiores reservas de xisto: China, EUA, Argentna, México. O Brasil possui a 10ª maior reserva
situada na Bacia sedimentar do Paraná, mais precisamente na formação Irat nos terrenos permianos do Sul.
A Petrobrás explora o xisto comercialmente desde 1972, quando a abriu sua refnaria de industrialização
em São Mateus do Sul (PR). Cerca de 7 mil toneladas/dia são retradas do solo por técnicas de mineração,
moídas e submetdas a altas temperaturas. Desse processo são obtdos diariamente 4 mil barris de petróleo,
além de derivados como o enxofre.
A extração do Xisto gera impactos ambientais, como a retrada da vegetação e do solo, o processamento e
refno gera emissão de gases-estufa e problemas respiratórios na população de São Mateus do Sul.

Carvão
O carvão brasileiro ocorre nas bacias sedimentares da região Sul, com os maiores depósitos situados no
Rio Grande do Sul. Santa Catarina tem um carvão de melhor qualidade, que misturado ao carvão importado,
pode ser utlizado como coque siderúrgico. O carvão do Rio Grande do Sul é utlizado em usinas térmicas. O
Brasil importa carvão dos Estados Unidos.
Além de gerar volume insufciente para o consumo, a produção carbonífera brasileira apresenta
problemas, como o reduzido poder calorífco, em razão da presença elevada de impurezas como cinzas, e a
existência de camadas fnas e descontnuas nas jazidas, o que difculta e encarece a extração. A extração do
carvão a céu aberto contribui para a formação de chuvas ácidas e contaminação das águas subterrâneas pela
pirita (sulfeto de ferro), um resíduo sólido que, quando exposta ao meio ambiente, pode reagir com oxigênio
e água produzindo ácido sulfúrico e lixiviando o solo. O alto teor de pirita contdo nos rejeitos permanece

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sofrendo lixiviação durante anos, contaminando a maior parte das bacias hidrográfcas e reservas
subterrâneas de água da região sul de Santa Catarina.

O gráfco mostra que desde o fnal da década de 1990, a dependência externa de energia tem diminuído
substancialmente, exceto para a compra do carvão mineral. O petróleo apresentou queda signifcatva na
dependência externa, e a partr de 1984, com a inauguração da usina Itaipú Binacional, passamos a comprar
eletricidade do Paraguai.

Biomassa
A partcipação da Biomassa na oferta de energia tem aumentado no Brasil, já sendo responsável, em
2015, por 29,3% da matriz energétca brasileira e 20,7% da oferta de combustveis para movimentar a frota
de veículos, conforme dados do Balanço Energétco Nacional 2016. São diversas matérias primas vegetais que
compõem a biomassa, como por exemplo, o bagaço de cana para a fabricação de etanol e diversas plantas
oleaginosas como a soja, a mamona, dendê, babaçu, além de gordura bovina e suína para fabricação de
biodiesel. Essa massa vegetal e animal é transformada em biocombustveis. A estratégia de desenvolver
biocombustveis no Brasil se aplica à substtuição dos combustveis de origem fóssil, tanto para diminuir o alto
custo de importá-los como para diminuir as emissões de gases de efeito estufa utlizando fontes mais limpas e
renováveis. O governo autorizou a mistura de biocombustveis aos dois combustveis importados: 27% de
etanol misturado à gasolina e 7% de biodiesel adicionado ao óleo diesel.

Biocombustveis
Vantagens:
 Sociais: geração de empregos
 Estratégicas: diversifcação da matriz  segurança energétca
 Econômicas: diminuição das importações e possíveis exportações
 Ambientais: redução das emissões CO2
Desvantagens:
 Diminuição do cultvo de alimentos
 Aumento dos preços dos alimentos
 Novos desmatamentos
 Concentração fundiária

Porém, o Brasil apresenta um enorme estoque de áreas desmatadas e improdutvas, principalmente


pastagens abandonadas, que podem ser utlizadas para a produção de energia sem comprometer o
abastecimento alimentar ou o meio ambiente.

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Exercícios

1. (EsFCEx 2015) Além de ser um recurso renovável, a água é uma das poucas fontes utlizadas para a
produção de energia que não contribui para aquecimento global – um dos problemas ambientais mais
discutdos na atualidade (ALMEIDA; RIGOLIN, 2013, p. 711). Contudo as hidrelétricas, inclusive as brasileiras,
apresentam uma série de desvantagens, entre elas:
A. salinizam os solos com as grandes concentrações de sais que se acumulam nos reservatórios em
regiões semiáridas, como no lago de Sobradinho.
B. promovem a liberação de gás butano em grande quantdade com a decomposição da vegetação nas
áreas de foresta inundada, como no caso de Balbina.
C. alteram os regimes dos rios, que passam a ser de regime lacustre, segundo a abertura ou fechamento
das comportas das usinas, como no caso dos que compõem o sistema de Furnas.
D. inviabilizam a navegação fuvial ao represarem e criarem desníveis, necessários à geração de energia,
em rios de planícies, como no caso do Araguaia.
E. inundam cidades e eliminam heranças históricas, como no caso das cidades de Remanso, Casa Nova,
Sento Sé e Pilão Arcado no estado da Bahia.

2. (EsFCEx 2014) A energia eólica é obtda do movimento dos ventos e das massas de ar, que por sua vez
resultam das diferenças de temperaturas existentes na superfcie da Terra. Trata-se de uma forma limpa e
renovável de obtenção de energia que está disponível em muitos lugares do planeta. No Brasil, as usinas
eólicas são viáveis onde a velocidade média dos ventos é superior a 6m/s.
(Adaptado de SENE, 2010, p. 502)

Com base nas informações do texto acima e em seus conhecimentos sobre geração de energia npo Brasil é
correto afrmar que as áreas mais favoráveis e com o maior potencial eólico disponível e instalado encontra-se
na região:
A. Centro-Oeste B. Norte C. Nordeste D. Sudeste E. Sul

3. (EsFCEx 2011) Em relação às fontes de energia no Brasil podemos afrmar:


A. As regiões Sudeste e Sul juntas partcipam com quase 75% da produção e 30% do consumo total de
energia elétrica.
B. O petróleo, devido a opção pelo transporte rodoviário, transformou-se em insumo energétco
fundamental para a economia.
C. O programa nuclear, para atender às necessidades de ampliação da base industrial, instalou suas
usinas em diferentes pontos do território.
D. O aproveitamento dos nossos rios de planalto é de aproximadamente 92%, donde se conclui que o
Brasil deve buscar outras fontes energétcas, como as nucleares e as alternatvas.
E. O carvão mineral é uma importante fonte de energia, sendo que as principais vantagens das jazidas
brasileiras são os baixos custos de produção, porém, tais recursos são insufcientes para atender a
demanda interna.

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4. (EsAEx 2010) O consumo setorial de energia no caso brasileiro é de 40% para o setor industrial e cerca de
20% para o setor de transpol1es. Sobre as questões energétcas no Brasil, analise as afrmatvas abaixo,
colocando entre parênteses a letra "V", quando se tratar de afrmatva verdadeira, e a letra "F", quando se
tratar de afrmatva falsa. A seguir, assinale a alternatva que apresenta a seqüência correta.
( ) O potencial hidroelétrico pode ser explorado indefnidamente, pois esta forma de energia é totalmente
sustentável e existem muitas bacias hidrográfcas inexploradas.
( ) O etanol e o biodiesel, substtuirão em curto prazo as demais fontes de energia, especialmente no
setor dos transportes.
( ) O Brasil utliza aproximadamente 1;4 de seu potencial hidroelétrico, sendo que a maior parte desta
energia é consumida na região sudeste.
( ) O alto potencial das reservas de carvão do Centro Oeste deverão fornecer matéria prima para as
termoelétricas brasileiras.
( ) A diversifcação das fontes energétcas consttui-se em uma estratégia importante para o país, pois
diminui a dependência em crises internas ou externas.
A. F - V - V - F – V
B. F - F - V - F - V
C. V - F - V - V - F
D. V - V - V - F - V
E. V - V - F - F - F

5. (EsAEx 2008) Sobre a produção de energia no Brasil, analise as afrmatvas e, a seguir, assinale a alternatva
correta.
I. A concentração de hidroelétricas na região CO ocorreu pela forte demanda da fronteira agrícola.
II. O esgotamento de possibilidades de construção de grandes hidroelétricas na região Sudeste levou a
uma mudança para modelos menores.
III. As termoelétricas hoje existentes funcionam com matrizes energétcas como o carvão e gás natural.
IV. Os chamados biocombustveis tem sua matriz em programas anteriores como o Pró-álcool criado em
1975.
A. II B. IV C. I e IV D. II, III e IV E. Todas estão corretas.

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6. Leia o trecho da música abaixo:

“O homem chega e já desfaz a natureza


tra gente, põe represa, diz que tudo vai mudar...
... e passo a passo vai cumprindo a profecia
do beato que dizia que o sertão ia alagar
o sertão vai virar mar, ...
... adeus Remanso, Casa Nova, Sento Sé
adeus Pilão Arcado, vem o rio te engolir
debaixo d’água lá se vai a vida inteira
por cima da cachoeira a gaiola vai subir...”
(Sá e Guarabira)

O grande represamento a que se refere a canção visou, principalmente, solucionar o problema da


irregularidade do regime fuvial, que prejudicava a produção de energia hidrelétrica e a navegação . Trata-se
da represa de:
A. Sobradinho, no rio São Francisco
B. Boa Esperança, no rio Parnaíba
C. Orós, no rio Jaguaribe
D. Tucuruí, no rio Tocantns
E. Três Marias, no rio das Velhas

7. (EsPCEx 2014) Sobre a matriz energétca brasileira podemos afrmar que


I. embora os combustveis fósseis tenham importante partcipação na matriz energétca brasileira, o País
apresenta relatvo equilíbrio no uso de fontes renováveis e não renováveis de energia.
II. atualmente, tomados em conjunto, o setor industrial e o setor residencial são responsáveis por cerca
de 70% do consumo energétco total do País.
III. a biomassa e o gás natural estão entre as principais fontes na geração de energia térmica
convencional, porém o diesel (derivado do petróleo) contnua sendo a principal fonte de geração
elétrica em usinas térmicas no País.
IV. a descoberta do pré-sal contribuiu para a autossufciência brasileira em petróleo e interrompeu
polítcas de diversifcação da matriz energétca, tais como a retomada do programa de centrais
nucleares e os investmentos em geração eólica no País.
V. a fm de amenizar os impactos ambientais, o projeto aprovado para a construção da Usina Hidrelétrica
de Belo Monte (PA) a defniu como uma “usina a fo d’água”, o que acarretará grandes variações em
sua capacidade de produção entre a estação das cheias e a das vazantes.
Assinale a alternatva em que todas as afrmatvas estão corretas.
A. I e III B. II, III e V C. I e V D. I, III e IV E. IV e V

8. Atualmente questona-se muito a instalação de usinas nucleares. No Brasil, essa questão tem despertado
preocupações, sobretudo no eixo Rio-São Paulo, onde foi instalada uma usina nuclear e há possibilidade de
construção de outras.

Dentre os motvos a seguir relacionados,


I - o risco de acidentes graves nas usinas, que provocariam a contaminação radioatva de extensas áreas
circunvizinhas;
II - o fato de que, a partr do plutônio - material produzido nessas usinas - é possível a fabricação de bombas
atômicas;

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III - o destno a ser dado ao “lixo atômico” ali produzido, que é formado pro subtâncias radioatvas e nocivas à
saúde humana;
IV - o uso de grandes quantdades de lenha pelas usinas nucleares, ocasionando um intenso desmatamento,

quais os que justfcam tais preocupações?


A. Apenas I e II B. Apenas I, II e III C. Apenas I, III e IV D. Apenas II, III e IV E. I, II, III e IV

9. Considere as afrmatvas:
I. A Petrobrás exerce o monopólio nas atvidades de pesquisa e lavra de jazidas, refnação do petróleo
nacional e importado, transporte marítmo e por oleodutos e importação do petróleo bruto
II. O Proálcool foi criado pelo governo para fazer frente à crise do petróleo, buscando-se assim uma fonte
alternatva de energia.
III. As jazidas de carvão mineral mais adequadas para a produção do carvão metalúrgico são as localizadas
no estados do Paraná e do Rio Grande do Sul.
Pode-se concluir que está (ão) correta (s):
A. I B. II C. III D. I e III E. II e III

10. (DDR 2006) No Brasil, a fonte de energia mais utlizada é _____________________ e a maior parte da
oferta de energia elétrica é produzida pela fonte _____________. Complete as lacunas de acordo com as
alternatvas abaixo:
A. gás natural; biomassa.
B. petróleo e derivados; hidráulica.
C. hidráulica; petróleo e derivados.
D. hidráulica; biomassa.
E. nuclear; termoelétrica

11. A bacia hidrográfca de maior potencial hidráulico e aquela que foi mais utlizada até o momento para a
construção de usinas hidrelétricas são, respectvamente:
A. a Amazônica e a do Paraná
B. a do Paraná e a do São Francisco
C. a do São Francisco e a do Paraná
D. a do Paraná e a do Amazonas
E. a do Paraguai e a do São Francisco

12. (DDR 2016) A prosperidade mundial verifcada nas economias ocidentais no pós guerra foi assentada
numa matriz energétca fortemente consumidora de petróleo, commodity de preço baixo neste período. Em
1973, por razões econômicas e geopolitcas, os países da OPEP (Organização dos Países Exportadores de
Petróleo) decidem reduzir a produção e consequentemente a oferta do petróleo no mercado mundial,
desencadeando a subida dos preços, que em apenas 3 meses disparam o preço do barril de U$ 2,90 para U$
11,65. Essa situação foi chamada de 1º choque de preços do petróleo e onerou o funcionamento das
economias ocidentais, inclusive do Brasil, que nesta época produzia apenas 15% do petróleo que consumia.
Como resposta ao 1º choque do petróleo, o governo brasileiro desenvolveu os seguintes projetos energétcos:
A. Pré-Sal, Transposição de águas do São Francisco, Angra III.
B. Itaipú Bi-nacional, Pró-Álcool e Programa Nuclear Brasileiro.
C. UHE Belo Monte, Petrobrás, PND (Plano Nacional de Desestatzação).
D. Refnaria Abreu e Lima, SIN (Sistema Interligado Nacional), Refnaria de Pasadena.
E. Milagre Brasileiro, Biodiesel, Comperj (Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro).

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13. (DDR 2015) Observe o infográfco abaixo.

Podemos apresentar conclusões a partr da comparação entre China e Brasil sobre a oferta de eletricidade.
Assinale V para as conclusões Verdadeiras e F para as conclusões falsas.
( ) Ambos os países apresentam uma matriz elétrica diversifcada, porém fortemente dependente de uma
única fonte energétca.
( ) As emissões chinesas de gases de efeito estufa ( CO2 ) são superiores às emissões brasileiras.
( ) A geração térmica produz eletricidade a um alto custo, tanto econômico quanto ambiental.
( ) Predominam fontes renováveis na matriz elétrica chinesa, enquanto as fontes não-renováveis
predominam na matriz elétrica brasileira.
( ) A produção de eletricidade brasileira é maior que a produção chinesa.
A sequência correta é:
A. VFVFV B. VVFFV C. FFVVV D. VFFFV E. VVVFF

14. (DDR 2016) O gás natural é capaz de substtuir todos os outros derivados de petróleo. Pode ser usado nos
automóveis, nas centrais termoelétricas, nas residências substtuindo o botjão de gás liquefeito de petróleo.
Pode ser utlizado para a produção de solventes e fertlizante e é fácil de transportar através de gasodutos.
Qual o estado brasileiro maior produtor de gás natural?
A. Espírito Santo
B. Rio de Janeiro
C. São Paulo
D. Amazonas
E. Bahia

15. (DDR 2015) A cadeia produtva petroquímica envolve, além da refnaria, indústrias petroquímicas de
segunda e terceira geração, que produzem derivados utlizados por outras indústrias, tanto de bens de
produção como de bens de consumo. Quais são os usos mais frequentes do petróleo e seus derivados?
A. Geração hidráulica, oleodutos, fabricação de borracha natural.
B. Coque siderúrgico, matéria prima alimentar, betume asfáltco.
C. Combustvel para veículos, matéria prima industrial, geração de eletricidade.
D. Destlação do etanol, geração termonuclear, geração térmica.
E. Biomassa, aproveitamento geotérmico, redução de emissões de CO2.

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16. (DDR 2015) Observe o infográfco abaixo.

As afrmatvas abaixo apresentam as relações existentes entre os dados verifcados no gráfco e conclusões.
Assinale V para as relações e conclusões Verdadeiras e F para as Falsas.
( ) Percebe-se que à medida que diminui o volume de chuvas ocorre o aumento da oferta de energia
elétrica produzida por geração térmica.
( ) Com pouca chuva, as represas das usinas hidrelétricas estavam com pouca quantdade de água,
diminuindo a produção de energia elétrica.
( ) Para compensar a diminuição de oferta de eletricidade de fonte hidráulica, foi necessário aumentar a
geração térmica, que é mais cara, aumentando o preço fnal do MW/h.
( ) Os dados não permitem estabelecer uma relação entre pluviosidade e eletricidade, pois é
predominante na matriz energétca brasileira o consumo de petróleo e derivados.

A sequência correta é:
A. VVVF B. FVFV C. VFVF D. FFVV E. FFFV

17. (DDR 2016) Verifque abaixo o gráfco da matriz energétca brasileira e perceba que a principal fonte de
energia consumida no Brasil é o petróleo e seus
derivados. Qual fonte de energia é responsável
pela maior parte da geração de eletricidade no
Brasil?
A. biomassa
B. carvão
C. gás natural
D. hidráulica
E. eólica

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18. (DDR 2015) Observe o infográfco abaixo.

Perceba que tanto na geração hidráulica como na geração térmica de eletricidade utliza-se água. Claro
que na geração hidráulica a quantdade de água utlizada é muito maior, pois trata-se do represamento de
rios, mas na usina térmica tem água na caldeira que é aquecida por diversas fontes primárias de energia. A
água aquecida se transforma em vapor, que movimenta as turbinas. É o mesmo princípio fsico da geração
hidráulica, só que esta utliza a própria força mecânica da água para girar as turbinas. Comparando os dois
tpos de geração elétrica, analise as afrmatvas abaixo e em seguida assinale a alternatva correta.

I. A geração térmica apresenta maiores custos econômicos e ambientais do que a hidráulica no Brasil.
II. Em 2014 verifcou-se aumento da geração térmica no Brasil em relação a 2013, devido à menor oferta
hidráulica, haja vista que foi um ano muito seco, apresentando condições hidrológicas desfavoráveis.
III. A biomassa, consttuída principalmente por bagaço de cana, foi a fonte de energia mais utlizada na
geração térmica.
IV. A geração térmica em 2014 superou pela primeira vez a oferta hidráulica na matriz elétrica brasileira.

Estão corretas:
A. I, II e III B. II, III e IV C. I, II, III e IV D. I e II E. III apenas

19. (DDR 2016) Uma das difculdades de aproveitamento hidráulico da Bacia Amazônica é que ela se localiza
distante do Centro-Sul, área de maior dinamismo econômico e com grande consumo de eletricidade. Por isso,
poucas usinas foram construídas nos rios da Bacia Amazônica nas últmas décadas. Mas esse panorama está
mudando, pois estão sendo construídas atualmente 3 grandes usinas hidráulicas na região. Inclusive já estão
operando parcialmente e gerando eletricidade. Assinale a alternatva que cita corretamente quais são estas 3
usinas hidráulicas.

A. Usinas de Santo Antônio e Jirau no complexo do rio Madeira (RO); Belo Monte, no rio Xingú (PA).
B. Balbina, no rio Uatumã (AM); Curuá Una, no rio de mesmo nome (PA); Samuel, no rio Jamari (RO).
C. Coaracy Nunes no rio Araguari (AP); Oriximiná, no rio Trombetas (PA); Tucuruí, no rio Araguaia (TO).
D. Serra Pelada (PA); Barcarena (PA); Serra do Navio (AP).
E. Barra Bonita (AC); Furnas (RO); Machadinho (AM).

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20. (EsPCEx 2011) Sobre as fontes de energia e poluição ambiental, podemos afrmar que:
I. as usinas hidrelétricas utlizam um recurso natural renovável, portanto não provocam impactos
ambientais que causam, por exemplo, prejuízos à fora e à fauna.
II. uma importante vantagem da produção de energia nuclear é a de que suas usinas, mantendo seu
funcionamento normal, não lançam partculas poluentes na atmosfera.
III. a queima de combustveis fósseis, como o carvão mineral, provoca a chuva ácida, polui o ar e destrói
vegetação, dentre outros impactos.
IV. a energia eólica é uma fonte de energia ilimitada nos lugares que apresentam as condições adequadas,
mas emite poluentes no ar durante a operação.

Assinale a alternatva que apresenta todas as afrmatvas corretas:


A. I e II B. I, II e IV C. I, III e IV D. II e III E. III e IV

GABARITO
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
E C B B D A C B B B
11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
A B E B C A D D A D

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3.4 A biosfera e os climas do Brasil.

A atmosfera terrestre é um envoltório gasoso que protege nosso planeta. Ela é formada por diversas
camadas. A camada inicial a partr da superfcie terrestre é a Troposfera, onde existe maior quantdade de ar
atmosférico, e por isso mesmo é a camada onde
ocorre a maior parte dos eventos atmosféricos:
chuvas, ventos, formação de nuvens, circulação
atmosférica, neve, furacão, ciclones. A Troposfera
se estende da superfcie terrestre até
aproximadamente 18 km de alttude.
Perceba a localização da camada de ozônio
(O3), que se localiza na Estratosfera, a 45 km de
alttude. A camada de ozônio é extremamente
importante para a existência de vida em nosso
planeta, pois esta camada fltra os raios UV (ultra-
violeta), que é uma radiação nociva aos seres
vivos. Esses raios podem causar câncer de pele,
queimaduras e catarata ocular, entre outras
doenças.
No início da década de 1990, a ciência deu um
alerta sobre os buracos ou destruição da camada
de ozônio provocada pelas emissões de um gás
utlizado em refrigeradores, aparelhos de ar
condicionado, aerossóis de propelentes de
insetcidas e desodorantes, bem como na
fabricação de espuma. Esse gás era o CFC
(clorofuorcarbono).
Desde então a indústria mundial substtuiu o
gás CFC por um outro gás que não prejudica a camada de ozônio. É o gás HFC  Hidrofuorcarbono.
HFC não destrói a camada de ozônio, mas é muito pior que o gás carbônico para o efeito estufa. O
aumento do efeito estufa gera o aquecimento global. Em outubro de 2016 quase 200 países assinaram um
acordo mundial para reduzir e depois parar por completo de usar o HFC. Essa meta deve ser alcançada nos
próximos anos.
Na mesosfera, a temperatura volta a diminuir com a alttude, e o ar nessa camada é muito rarefeito.
Na termosfera, ou ionosfera, o ar é carregado de íons, partculas que interagem com as ondas utlizadas
nos sistemas de comunicação (sinais de satélites para TV, GPS, rádio etc.). Nessa camada, que pode chegar até
690 quilômetros de alttude, os meteoros se desintegram.
Na exosfera, o ar é rarefeito, composto de hélio e hidrogênio. A temperatura atnge mais de 1.000˟C
devido à grande presença de plasma, material que se difere dos sólidos, líquidos e gasosos. As camadas que
formam a atmosfera agem como receptoras e refetoras do calor solar.
O oxigênio, gás essencial para a vida na Terra, consttui apenas 21% da atmosfera inferior (mais próxima
da superfcie). O nitrogênio partcipa com 78%, e o 1% restante é composto de argônio (0,93%), gás
carbônico (0,03%) e outros gases (0,04%). Além desses gases, a atmosfera contém vapor de água, poeira,
fumaça e produtos despejados no ar pelas atvidades humanas (indústrias, veículos, queimadas etc.). As
camadas mais altas (acima de 800 quilômetros) são compostas de hidrogênio (50%) e hélio (50%).

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Efeito Estufa
O efeito estufa é um fenômeno natural e possibilita a vida humana na Terra. Parte da energia solar que
chega ao planeta é refetda diretamente de volta ao espaço, pela atmosfera, e parte é absorvida pelos
oceanos e pela superfcie da Terra, promovendo o seu aquecimento. Uma parcela desse calor é irradiada de
volta ao espaço, mas é bloqueada pela presença de gases de efeito estufa. É a presença desses gases na
atmosfera o que torna a Terra habitável, pois, caso não existssem naturalmente, a temperatura média do
planeta seria muito baixa, da ordem de 18°C negatvos. A troca de energia entre a superfcie e a atmosfera
mantém as atuais condições, que proporcionam uma temperatura média global, próxima à superfcie, de
14°C.
Quando existe um balanço entre a energia solar incidente e a energia refetda na forma de calor pela
superfcie terrestre, o clima se mantém pratcamente inalterado. Entretanto, o balanço de energia pode ser
alterado de várias formas: (1) pela mudança na quantdade de energia que chega à superfcie terrestre; (2)
pela mudança na órbita da Terra ou do próprio Sol; (3) pela mudança na quantdade de energia que chega à
superfcie terrestre e é refetda de volta ao espaço, devido à presença de nuvens ou de partculas na
atmosfera (também chamadas de aerossóis, que resultam de queimadas, por exemplo); e, fnalmente, (4)
graças à alteração na quantdade de energia (calor) absorvida devido a mudanças na concentração de gases
de efeito estufa na atmosfera.
Essas mudanças na concentração de gases de efeito estufa na atmosfera estão ocorrendo em função do
aumento insustentável das emissões antrópicas desses gases.
As emissões de gases de efeito estufa ocorrem pratcamente em todas as atvidades humanas e setores
da economia: na agricultura, por meio da preparação da terra para planto e aplicação de fertlizantes; na
pecuária, por meio do tratamento de dejetos animais e pela fermentação entérica do gado; no transporte,
pelo uso de combustveis fósseis, como gasolina e gás natural; no tratamento dos resíduos sólidos, pela forma
como o lixo é tratado e disposto; nas forestas, pelo desmatamento e degradação de forestas; e nas
indústrias, pelos processos de produção, como cimento, alumínio, ferro e aço, na produção de eletricidade a
partr de usinas térmicas a carvão ou óleo.

Gases de efeito estufa


Há cinco principais gases de efeito estufa (GEE), regulados pelo Protocolo de Quioto:
 O dióxido de carbono (CO 2) é o mais abundante dos GEE, sendo emitdo como resultado de inúmeras
atvidades humanas como, por exemplo, por meio do uso de combustveis fósseis (petróleo, carvão e
gás natural) e também com a mudança no uso da terra. A quantdade de dióxido de carbono na
atmosfera aumentou 35% desde a era industrial, e este aumento deve-se a atvidades humanas,
principalmente pela queima de combustveis fósseis e remoção de forestas. O CO 2 é utlizado como
referência para classifcar o poder de aquecimento global dos demais gases de efeito estufa.
 O gás metano (CH4) é produzido pela decomposição da matéria orgânica, sendo encontrado
geralmente em aterros sanitários, lixões e reservatórios de hidrelétricas (em maior ou menor grau,
dependendo do uso da terra anterior à construção do reservatório) e também pela criação de gado e
cultvo de arroz. Com poder de aquecimento global 21 vezes maior que o dióxido de carbono.
 O óxido nitroso (N2O) cujas emissões resultam, entre outros, do tratamento de dejetos animais, do
uso de fertlizantes, da queima de combustveis fósseis e de alguns processos industriais, possui um
poder de aquecimento global 310 vezes maior que o CO2.
 O hexafuoreto de enxofre (SF6) é utlizado principalmente como isolante térmico e condutor de calor;
gás com o maior poder de aquecimento, é 23.900 vezes mais atvo no efeito estufa do que o CO2.
 O hidrofuorcarbonos (HFCs), utlizados como substtutos dos clorofuorcarbonos (CFCs) em aerossóis e
refrigeradores; não agridem a camada de ozônio, mas têm, em geral, alto potencial de aquecimento
global (variando entre 140 e 11.700).

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Aquecimento global
Embora o clima tenha apresentado mudanças ao longo da história da Terra, em todas as escalas de
tempo, percebe-se que a mudança atual apresenta alguns aspectos distntos. Por exemplo, a concentração de
dióxido de carbono na atmosfera observada em 2005 excedeu, e muito, a variação natural dos últmos 650 mil
anos, atngindo o valor recorde de 379 partes por milhão em volume (ppmv) - isto é, um aumento de quase
100 ppmv desde a era pré-industrial.
Outro aspecto distnto da mudança atual do clima é a sua origem: ao passo que as mudanças do clima no
passado decorreram de fenômenos naturais, a maior parte da atual mudança do clima, partcularmente nos
últmos 50 anos, é atribuída às atvidades humanas.

O Globo, 28/09/2016
Planeta ultrapassa marca de 400 ppm de CO 2 de forma permanente
Os livros de Geografa vão lembrar setembro de 2016 como um marco para as mudanças climátcas.
O mês, que normalmente registra baixa na concentração de dióxido de carbono (CO 2), fcou pela
primeira vez acima de 400 partes por milhão (ppm). Para os cientstas, isso signifca que este ano
será ofcialmente o primeiro a cruzar a marca simbólica das 400 ppm, de forma permanente.

A principal evidência dessa mudança atual do clima é o aquecimento global, que foi detectado no
aumento da temperatura média global do ar e dos oceanos, no derretmento generalizado da neve e do gelo,
e na elevação do nível do mar, não podendo mais ser negada.
Atualmente, as temperaturas médias globais de superfcie são as maiores dos últmos cinco séculos, pelo
menos. A temperatura média global de superfcie aumentou cerca de 0,74°C, nos últmos cem anos. Caso não
se atue neste aquecimento de forma signifcatva, espera-se observar, ainda neste século, um clima bastante
incomum, podendo apresentar, por exemplo, um acréscimo médio da temperatura global de 2°C a 5,8°C,
segundo o 4° Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climátcas (IPCC).

Brasil: Fatores climátcos


Alttude: predominam no território
brasileiro alttudes modestas, já que 99,5%
do território brasileiro situa-se abaixo da
cota altmétrica de 1200 metros de
alttude. Portanto, alterações climátcas
signifcatvas como em regiões de
cordilheiras (altas montanhas). No Brasil,
as encostas planáltcas servem para barrar
os ventos úmidos e provocar chuvas
orográfcas.
Lattude: no Brasil predominam baixas
lattudes, pois 92% do território brasileiro
se localiza na zona tropical. O Brasil é cortado pela linha do Equador e pelo Trópico de Capricórnio, o que
confere ao nosso território altas temperaturas.

Contnentalidade: quanto mais se avança para o interior do contnente, maiores são as amplitudes
térmicas, isto é, a diferença de temperaturas máximas e mínimas. O rigor das temperaturas é maior, com
verões muito quentes e invernos mais frios que nas áreas litorâneas de mesma lattude. No Mato Grosso as
temperaturas são muito altas no verão e no inverno os termômetros podem baixar consideravelmente. Como
o Brasil tem grande extensão territorial, a contnentalidade se faz presente. O interior do contnente tende a
ser mais seco também, principalmente no inverno.

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Maritmidade: as áreas litorâneas tendem a apresentar baixas amplitudes térmicas com verões suaves e
invernos amenos e maior grau de umidade devido à proximidade com o mar.
Correntes Marítmas: no mar próximo à costa brasileira se identfcam duas correntes marítmas quentes:
a corrente do Brasil e a corrente das Guianas. No litoral do Rio Grande do Sul circula uma corrente fria, a
corrente das Malvinas (Falklands). As correntes modifcam as condições de temperatura e umidade por onde
se deslocam.

Tipos de chuva
Depois que a água evapora da superfcie terrestre, ela se condensa e volta à superfcie terrestre como
precipitação, em forma líquida (chuva) ou sólida (neve, granizo). Orvalho e geada também são precipitação,
mas eles não caem, se formam pela condensação do vapor d’água rente ao solo, na forma de deposição de
gotas de água (orvalho) que podem se congelar (geada).
Existem três principais tpos de chuvas, que estão relacionados com fatores que
a originaram. As chuvas podem ser convectvas, orográfcas e frontais.
Convectvas: o calor faz evaporar água, transformando-a em vapor d’água que
sobe nas correntes de convecção (o ar quente sobe). Em alttudes maiores o ar é
mais frio e condensa o vapor, formando nuvens e chuva.
Orográfca: ventos úmidos vindos do oceano trazem vapor d’água que são
barrados por montanhas ou planaltos. Com
maior alttude ocorre a condensação e a
chuva cai no topo ou encosta voltada para o mar (encosta de
barlavento). Do outro lado do planalto (encosta de sotavento) quase
não há mais umidade, pois já foi descarregada na forma de chuva ou
neve. È chamada de chuva de relevo.

Frontal: ar frio úmido avança e encontra ar mais quente, produzindo


condensação e chuva. É a tpica chuva de frente fria.

Massas de Ar
Na superfcie terrestre existem extensas áreas, como planícies, regiões desértcas, vastdões marítmas e
regiões polares, que apresentam heterogeneidade quando comparadas umas com as outras quanto à pressão,
temperatura e umidade. O ar estacionário que permanece durante algum tempo na troposfera sobre essas
áreas adquire as propriedades fsicas da superfcie de contato, consttuindo uma massa de ar. Essa grande
porção da atmosfera se desloca sobre a superfcie terrestre, transportando as característcas da área em que
se formou para outras áreas e adquirindo novas característcas nas áreas de destno. As diferenças de
temperatura e pressão do ar nas diversas regiões da Terra provocam esses deslocamentos.
Quando as massas de ar se formam sobre um oceano, por exemplo, são mais úmidas que as formadas
sobre os desertos ou sobre os contnentes.
As massas de ar podem ser classifcadas, segundo a superfcie sobre a qual se formaram, em equatoriais,
tropicais e polares.
Massa de ar equatorial: tanto a equatorial marítma (Em) quanto a equatorial contnental (Ec) são
quentes e úmidas, pois se originam de áreas de baixa pressão úmidas.
Massa de ar tropical: a tropical marítma (Tm) é quente e úmida, enquanto a tropical contnental (Tc) é
quente e seca, pois se forma nos contnentes.
Massa de ar polar: se formam nos polos. A polar marítma (Pm) se forma nos oceanos (mais de 50° de
lattude) e é fria, úmida e instável; já a polar contnental (Pc) é fria, seca e estável.

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Em seus deslocamentos, as massas de ar se encontram com outras de característcas diferentes. A área de
transição entre duas massas de ar chama-se frente, que pode ser quente ou fria. No encontro de uma massa
de ar frio com uma massa de ar quente forma-se a frente fria. O ar frio avança sob o ar quente provocando
chuvas.

Massas de ar atuantes no Brasil

 A massa Tropical atlântca (mTa) atua no litoral


desde o Nordeste até o Sul do país. Originária no
Atlântco Sul; é quente e úmida, atua quase o ano
todo e produz chuvas. Sua ação é defnida pelos
ventos alísios de sudeste.
 A massa Tropical contnental (mTc) atua nas áreas do
interior das regiões Sudeste e Sul e na Região
Centro-Oeste. Originária da Planície do Chaco, é a
única massa de ar seca que atua no Brasil. Gera
tempo frme, tempo bom, ocasiona períodos
quentes e secos.
 A massa Equatorial atlântca (mEa) é quente e
úmida, se forma no Atlântco norte e atua no litoral
setentrional, produzindo chuvas, principalmente na
primavera e no verão. Sua ação é defnida pelos ventos alísios de nordeste.
 A massa Equatorial contnental (mEc), quente e úmida, infuencia todo o território brasileiro, ao
deslocar calor e umidade e provocar instabilidade. Se origina na Amazônia Ocidental, onde provoca
chuvas diárias no verão e no outono, e leva umidade para outras regiões brasileiras, trazendo chuvas
no verão. Sua ação defne os rios voadores.
 A massa Polar atlântca (mPa) exerce infuência em todas as regiões brasileiras. Por ser natural das
áreas de altas lattudes, é fria e por se formar no oceano é úmida. Com forte atuação no inverno,
perceba no mapa que ela penetra no território brasileiro em três rotas distntas, provocando chuvas
frontais (frentes frias) em todo o litoral, até a Região Nordeste. A Zona da Mata nordestna tem
predomínio de chuvas de outono-inverno, por ação dessa massa de ar. É responsável pela queda
acentuada de temperatura e pode ocasionar geadas no Sudeste, geadas e neve na Região Sul e o
fenômeno da friagem na Região Norte e na Planície do Pantanal.

Rios Voadores
Os rios voadores são a ação da massa equatorial contnental.
Funciona assim: a umidade vinda do Oceano através dos ventos alíseos
de nordeste (ação da massa equatorial atlântca) é descarregada sobre
a foresta amazônica.
A evapotranspiração da foresta produz nuvens carregadas de
umidade (formando a massa equatorial contnental), que alimentam as
chuvas na região e, ainda, deslocam essa umidade toda em direção à
Cordilheira dos Andes, que é um verdadeiro paredão, que desvia a
umidade atmosférica (rios voadores) em direção às regiões Centro-
Oeste, Sudeste e Sul.
As abundantes chuvas de verão em nossa região dependem desse mecanismo de circulação atmosférica
denominada de rios voadores. O desmatamento acentuado da foresta tende a interromper esse mecanismo.
A seca recorde de 2014 já foi um sinal do que pode acontecer.

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Climas do Brasil

Climogramas
Os climogramas são gráfcos que demonstram o comportamento de duas variáveis ou elementos
climátcos: as temperaturas e as precipitações (chuvas). As temperaturas expressas são as médias de cada
mês e as precipitações são expressas em mm (milímetros) e o valor se refere ao total de chuvas acumulado
em cada mês. Uma observação para entender melhor as característcas dos climas brasileiros através da
leitura dos gráfcos é que para as lattudes baixas (áreas tropicais) 60 mm de chuva é o limite entre mês seco
e mês normal, isto é, quando chove abaixo de 60 mm é considerado mês seco.

 Belem - Clima Equatorial – quente e úmido o ano inteiro, sem período seco. Parece que tem duas
estações chuvosas diferentes: de janeiro a maio parece ser a estação chuvosa e de junho a novembro
parece ser a estação seca. Mas não é, pois chove sempre acima de 100 mm em cada um desses meses,
isto é, está chovendo em boa quantdade. De janeiro a maio cai um verdadeiro dilúvio, com chuvas

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torrenciais. Perceba que a amplitude térmica é baixa, em torno de 2° C. Predomina em quase toda a
região amazônica, sob domínio da massa equatorial contnental (mEc). O total de chuvas ultrapassa
2500 mm.
 Goiânia - Clima Tropical – duas estações bem defnidas  o verão, período chuvoso e o inverno,
período das secas (estagem). Perceba que o período de outubro a abril chove bastante, devido à
expansão da mEc que atua no Brasil Central promovendo muita chuva, enquanto de maio a setembro
todos os meses são bem secos, pois a mEc neste período está atuando apenas na Amazônia Ocidental.
Predomina nas áreas de cerrado do Brasil Central. Total de chuvas é de 1585 mm, índice bem menor
que o do clima equatorial. Baixa amplitude térmica, pois as temperaturas variam de quase 21°C a 25°C.

 Porto Alegre – Clima Subtropical – controlado pela massa polar atlântca (mPa) e massa tropical
atlântca (mTa), predomina nos estados sulinos brasileiros. Possui médias térmicas mais baixas
(invernos rigorosos) e verões quentes, com as quatro estações bem defnidas. A amplitude térmica é
mais elevada que nos climas tropicais, chegando a 11° C. Perceba que a linha de temperatura
apresenta uma curvatura côncava já mais acentuada do que os demais climas, enquanto a linha de
temperatura do clima equatorial é pratcamente reta, sem variações. As chuvas são bem distribuídas
ao longo do ano, pois no verão chove porque tá calor e no inverno também chove devido a penetração
constante da mPa, produzindo sucessivas frentes frias. Portanto, não possui estação seca. O total de
chuvas gira em torno de 1360 mm, um pouco menos que no clima tropical. Ocorre na região Sul.

 São Paulo – Clima Tropical de alttude – ocorre nas áreas planáltcas e serranas do sul do estado de
Mato Grosso do Sul, leste de São Paulo, sul de Minas Gerais e região serrana do estado do Rio de
Janeiro, desde Itataia – Resende até Teresópolis – Nova Friburgo. As precipitações seguem o padrão
do clima tropical tpico, com verão chuvoso e estagem de inverno. As temperaturas apresentam
médias inferiores ao clima tropical tpico, caindo para 15°C ou 16°C nos meses mais frios. É o fator
alttude, que produz temperaturas mais baixas. A cidade de São Paulo situa-se no topo do planalto, a
800 metros de alttude. As precipitações situam-se em torno de 1500 mm, concentradas no verão.

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 Salvador – Tropical Litorâneo Úmido - não possui período seco, pois todos os meses apresentam
precipitações acima de 60 mm, com período mais chuvoso sendo no outono-inverno (abril a julho)
devido às constantes penetrações pela rota litorânea da mPa, que intercepta os ventos alíseos de
sudeste (mTa) provocando chuvas abundantes neste período (chuvas frontais). O total pluviométrico é
de 1860 mm, ou seja, inferior ao total do clima equatorial, mas superior ao do clima tropical. As
temperaturas situam-se entre 23° C e 26,5°C, apresentando baixa amplitude térmica. Ocorre no litoral
brasileiro, do Espírito Santo ao litoral oriental nordestno.

 Salgueiro – Semi-Árido - é o tpo climátco mais seco do Brasil, com índice pluviométrico abaixo de 800
mm. Na localidade de Salgueiro, o total de chuvas soma apenas 580 mm. Ocorre no sertão nordestno,
área do polígono das secas, que coincide com o domínio morfoclimátco da Caatnga. As chuvas se
concentram no verão (dezembro a abril) por ação da mEc, e de maio a novembro quase não chove. As
chuvas são irregulares e às vezes fca sem chover durante 9 meses. O Sertão apresenta as mais altas
temperaturas médias do Brasil. O sertanejo chama de inverno quando chove, invertendo as estações.
Apesar de se localizar em área de lattude sub-equatorial, o sertão tem poucas chuvas devido a
algumas situações combinadas:
 A barreira orográfca do Planalto da Borborema, que difculta a passagem dos ventos alíseos até
o Sertão.
 Uma célula de alta pressão atmosférica que fca estacionada sobre o sertão durante boa parte
do ano, impedindo que a região receba massas de ar úmidas. Essa célula é provavelmente a
extensão meridional do antciclone dos Açores.
 Dipolo positvo do Atlântco: as águas do Atlântco Sul geralmente são mais frias que as do
Atlântco Norte, de modo que essa interação de temperatura da água do mar com a atmosfera
promove um movimento de subsidência de ar frio e seco das altas camadas atmosféricas
inibindo a formação de nuvens e diminuindo a precipitação.
 Infuência da corrente fria de Benguela que sai do litoral africano (Namíbia) e alimenta as águas
do Atlântco Sul Equatorial, provocando redução de chuva em toda a sua área de infuência:
desde a Namíbia até Fernando de Noronha e os litorais do Ceará e Rio Grande do Norte.

No livro Climatologia: noções básicas e climas do Brasil, de Francisco Mendonça e Inês Moresco Oliveira, é
apresentado um outro mapa da ocorrência dos climas no território brasileiro. Neste mapa, é incluído na
região Nordeste o clima tropical equatorial, numa área que mais ou menos coincide com a área de ocorrência
do clima semi-árido, tão tradicional nas demais classifcações dos climas brasileiros de outros autores. Este
clima tropical equatorial é defnido como tropical, porém situado em lattudes subequatoriais, daí seu nome.
Ele abrange uma variação pluviométrica bem ampla, com sub-áreas tendo de 4 a 5 meses secos, até outras
sub-áreas mais secas, podendo chegar até 11 meses secos.

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Outra característca peculiar deste mapa é a rota de atuação das massas de ar equatorial atlântca (mEa) e
e tropical atlântca (mTa). A mEa possui um deslocamento vindo do hemisfério norte e outro braço mais ao
sul, vindo do Atlântco Sul em direção ao litoral oriental nordestno (Pernambuco, Alagoas). A massa tropical
atlântca tem sua área de atuação deslocada um pouco mais para o sul, chegando ao litoral sul da Bahia como
raio máximo de atuação norte. Veja o mapa:

El Niño
O El Niño é um fenômeno oceânico-atmosférico irregular, caracterizado pelo aquecimento das águas
superfciais nas porções central (equatorial) e leste do
oceano Pacífco, nas proximidades da América do Sul. Na
maior parte das vezes, o El Niño tem início próximo à data do
Natal e por isso recebe esse nome, em alusão ao nascimento
do menino Jesus. O aquecimento anormal das águas produz
alterações nas condições de evapotranspiração, produzindo
alterações na circulação atmosférica do mundo inteiro,
alterando as precipitações e temperaturas.
No Brasil, como conseqüências do El Niño podemos citar:
agravamento da seca no Sertão Nordestno, podendo atngir
também o Agreste e a Zona da Mata; aumento de
precipitações na região Sul; secas na Amazônia, incêndios
naturais em Roraima, aumento das temperaturas na região Sudeste.
Embora ocorra com menor frequência e seus efeitos sejam menos intensos que os do El Niño, o
fenômeno La Niña, caracterizado pelo resfriamento anormal das águas do oceano Pacífco, também exerce

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infuência no clima global. Geralmente seus efeitos são contrários aos do El Niño, como por exemplo períodos
de seca na região Sul e chuvas acima da média no sertão nordestno, a ponto de provocar enchentes.
Exercícios

1. (EsFCEx 2015) Os meses mais chuvosos ou de maior índice pluviométrico ocorrem no outono e no inverno,
quando se dá o avanço da mPa (Massa Poiar Atlântca) e o encontro desta com a mTa (Massa Tropical
Atlântca), provocando as chuvas frontais. Essas chuvas são, muitas vezes, intensas e que provocam grandes
transtornos nas cidades onde ocorrem. A associação correta entre o tpo climátco brasileiro correspondente
às característcas descritas e o exemplo de cidade onde ele ocorre está na opção:
A. Clima equatorial úmido - Belém.
B. Clima tropical de alttude - São Paulo.
C. Clima subtropical úmido - Curitba.
D. Clima litorâneo úmido - Maceió.
E. Clima tropical tpico - Cuiabá.

2. (EsFCEx 2015) Leia o texto abaixo:


A cidade gera um clima próprio (clima urbano), resultante da interferência de todos os fatores que se
processam sobre a camada de limite urbano e que agem no sentdo de alterar o clima em escala local (...).
(BRANDÃO, In: MONTEIRO. C. A. F; MENDONÇA, Francisco, (org.). Clima urbano. São Paulo, Contexto, 2003, p.
122.) Baseando-se no texto e em seus conhecimentos sobre clima urbano, pode-se afrmar que:
A. instalações industriais, desmatamentos, circulação de automóveis e pavimentação de vias geram
ambientes climátcos, na maioria das vezes, inconvenientes ao desenvolvimento das funções urbanas.
B. o clima urbano é produzido exclusivamente nas grandes cidades e pela ação direta do homem.
C. a sintonia com os elementos da natureza e com a sustentabilidade faz com que as condições do clima
urbano sejam agressivas e provoquem perdas materiais.
D. as ações antrópicas não tem relação com o clima urbano.
E. a alteração do balanço energétco e do balanço hídrico da cidade acarretam situações de estabilidade
no ambiente climátco.

3. (EsAEx 2008) Na fgura abaixo estao representados esquematcamente os sistemas que infuenciam o clima
no Brasil. Analise as afrmatvas abaixo e coloque entre parenteses a letra V, quando se tratar de afrmatva
verdadeira e a letra F quando se tratar de afrmatva falsa e, a seguir, assinale a alternatva que contem a
sequencia correta.

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( ) A massa Equatorial contnental (3) e responsavel pela formacao de frentes frias que atngem o sul do
pais.
( ) A massa Polar Atlantca (2) atua na porcao meridional do pais, sendo responsavel pela formacao das
geadas e neve.
( ) Durante o verao a massa representada pelo numero (4), avanca sobre as áreas do Brasil central,
formando as precipitacoes mais volumosas para o Cerrado.
( ) As Florestas Ombroflas da fachada atlantca sao diretamente infuenciadas pelas precipitacoes
formadas a partr da acao da massa equatorial atlantca (5).
( ) O litoral setentrional brasileiro nao sofre infuencia dos sistemas representados pelos numeros (2) e (3)
na fgura.
A. V – V – V – F – F
B. F – V – F – V – V
C. V – F – F – F – V
D. F – V – V – F – V
E. F – F – F – F – V

4. (EsPCEx 2012) Sobre os principais efeitos do fenômeno “El Niño” nas diferentes regiões do Brasil, pode-se
afrmar que
A. na Região Sul, o volume de chuva se reduz signifcatvamente, sobretudo no fm do outono e começo
do inverno.
B. prejudica a pecuária e compromete o abastecimento de água no Sertão, podendo atngir também o
Agreste e a Zona da Mata Nordestna.
C. provoca grandes inundações na porção leste da Amazônia, prejudicando a atvidade agrícola na região.
D. traz mais benefcios do que prejuízos à agricultura no Sul do País, uma vez que interrompe os longos
períodos de estagem característcos do clima subtropical litorâneo.
E. ao contrário da “La Niña”, intensifca o volume de chuvas e aumenta a temperatura média em todas as
regiões do País.

5. (EsPCEx 2014) Observe o climograma de uma cidade brasileira e considere as afrmatvas abaixo.

I. O clima representado é denominado equatorial,


em cuja área está presente uma vegetação do
tpo hidrófla e latfoliada, característca da
Floresta Equatorial.
II. Refere-se a um clima sob forte infuência da
massa Polar atlântca (mPa) e que apresenta
uma signifcatva amplitude térmica anual.
III. Trata-se de um clima subtropical úmido, com
precipitações ao longo de todo o ano, sem
ocorrência de estação seca.
IV. Nas áreas em que esse clima predomina,
observam-se precipitações que ultrapassam os
2.200mm, o que, aliado às altas temperaturas,
favorece o processo de lixiviação e a conseqüente laterização do solo.

Assinale a alternatva em que todas as afrmatvas estão corretas:


A. I e II B. III e IV C. I e IV D. II e III E. II e IV

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6. (EsAEx 2007) Analise as afrmatvas abaixo que tratam da dinâmica climátca do Brasil, colocando entre
parênteses a letra V, quando se tratar de afrmatva verdadeira, ou a letra F quando se tratar de uma
afrmatva falsa. A seguir, assinale a alternatva que apresenta a seqüência correta.
( ) Áreas subtropicais de baixa pressão (ciclonais) são dispersoras de ventos, a exemplo do litoral de Santa
Catarina, abaixo do Trópico de Capricórnio.
( ) Um exemplo da interferência do relevo no clima é a barreira orográfca formada pelo Planalto da
Borborema que faz com que a massa de ar ganhe alttude e perca umidade a barlavento na escarpa
voltada para o Oceano Atlântco. Este é um dos fatores da semi-aridez do interior do nordeste.
( ) Maceió (AL), Vitória (ES) e Ilhéus (BA) estão na faixa de clima litorâneo úmido com maior pluviosidade
no outono e inverno. Palmas (TO), Brasília (DF) e Cuiabá (MT), no tropical com verão úmido e inverno
seco.
( ) O posicionamento astronômico do território brasileiro se dá nos hemisférios norte e sul e no ocidental,
com extensão de cerca de 38º de Lattude por 39º de Longitude. Esta disposição é um dos fatores que
produzem a grande diversidade climátca do país.
A. V ; V ; V ; V.
B. V ; F ; F ; F.
C. V ; F ; F ; V.
D. F ; V ; V ; F.
E. F ; V ; V ; V.

7. (EsPCEx 2009) As consequências do fenômeno El Niño ocorrem de forma diferenciada sobre o espaço
brasileiro. Em algumas áreas, ocorrem chuvas acima da média histórica, enquanto em outras a quantdade de
chuvas diminui. Há outras áreas, entretanto, que não sofrem os efeitos desse fenômeno, mantendo as
mesmas médias históricas. Sobre os efeitos do El Niño nas chuvas sobre o território brasileiro, podemos
afrmar que esse fenômeno
A. intensifca as chuvas na Amazônia e provoca estagem prolongada na Região Sul.
B. mantém as chuvas com as mesmas médias históricas nas Regiões Sul e Sudeste.
C. provoca precipitações acima da média na Região Sul, com enchentes e inundações anormais durante o
verão.
D. acarreta chuvas abaixo da média no Sertão nordestno e chuvas acima da média em toda a Amazônia.
E. provoca grande estagem na Região Sul e eleva as médias pluviométricas na Região Nordeste.

8. (EsPCEx 2011) “Nas áreas urbanas, em média, a precipitação anual é 5% superior e o número de dias de
chuva é 10% maior do que nas áreas rurais adjacentes. Além disso, as chuvas torrenciais são mais comuns nas
cidades”. (Magnoli & Araujo, 2004, p.176).
O fenômeno descrito acima deve-se a alguns fatores comuns às grandes cidades, dentre os quais pode ser
citado:
A. o acúmulo de praças e grandes áreas verdes na porção central das grandes cidades.
B. o excesso de concreto, que transfere calor para o ambiente e diminui a temperatura das áreas
C. centrais.
D. a elevada presença de material partculado em suspensão, contribuindo para a condensação da água
na atmosfera e precipitação de chuva.
E. a elevada evapotranspiração nas cidades, especialmente em áreas de canais e esgotos.
F. a presença de massas de ar frias nas áres centrais e consequente aumento da precipitação de
G. chuva.

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9. (EsPCEx 2015) As chuvas torrenciais de verão, denominadas chuvas ________________________ , são
caracterizadas por serem precipitações breves, mas violentas, que ocorrem na maior parte do território
brasileiro. Essas chuvas estão associadas ao deslocamento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) para a
porção central da América do Sul entre os meses de setembro e março, fazendo com que a massa
_____________________________ expanda-se para a Bolívia e Brasil central, chegando a atuar sobre São
Paulo, provocando os chamados aguaceiros de verão.
Assinale a alternatva que completa corretamente as lacunas acima.
A. convectvas / Equatorial contnental (mEc)
B. orográfcas / Tropical contnental (mTc)
C. convectvas / Equatorial atlântca (mEa)
D. orográfcas / Equatorial contnental (mEc)
E. frontais / Equatorial atlântca (mEa)

10. Como consequência dos movimentos de rotação e translação, realizados pelo planeta Terra, há uma
variação na incidência dos raios solares sobre a superfcie terrestre, no decorrer do ano.
A esse respeito, considere as seguintes afrmações.
I. Os raios solares atngem a superfcie da Terra durante o dia e, à noite, a superfcie se resfria.
II. A incidência de radiação solar diminui em direção às regiões de alta lattude.
III. A incidência da radiação solar, nas regiões localizadas em zonas temperadas, varia muito ao longo do
ano.
Quais estão corretas?
A. Apenas I B. Apenas II C. Apenas III D. Apenas II e III E. I, II e III

11. O gráfco abaixo mostra a descarga fuvial ou volume d’água de um rio brasileiro durante o ano. Perceba
que a vazão de água modifca-se ao longo do ano. Assinale a única alternatva que analisa corretamente o
gráfco.

A. A estagem ocorre no mês de abril com quase 320 m³/seg.


B. As variações de volume d’água verifcadas no gráfco são
normais e acontecem em todas as regiões brasileiras.
C. O gráfco mostra a trajetória de um rio amazônico, sendo
que o fenômeno da pororoca pode ser observado nos
meses de agosto e setembro.
D. Este rio atravessa a Região Sul, pois apresenta volumes e
variações tpicos de clima subtropical.
E. Trata-se de um rio temporário, que atravessa o Sertão
Nordestno.

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12. A Geografa é uma ciência que transita por muitas áreas de conhecimento e agrega esses saberes de uma
forma partcular, procurando sempre dar-lhe signifcado espacial. Assim sendo, observe a expressão
destacada e assinale a alternatva incorreta em relação ao seu conceito.
A. Biosfera – chamada de esfera da vida, ela compreende desde o topo das mais altas montanhas até as
profundezas dos oceanos. Ela é delimitada pela presença de seres vivos.
B. Biodiversidade – total de espécies da fora e da fauna encontradas em um ecossistema. Quanto maior
o número de espécies, maior a biodiversidade.
C. Biodinâmica – ramo da Geografa que estuda o clima, em especial as dinâmicas do tempo que mudam
várias vezes ao dia.
D. Bioma – complexo biótco de plantas e animais observados no ambiente fsico ou habitat.
E. Biomassa – qualquer matéria orgânica, de origem animal ou vegetal, utlizada como fonte renovável de
energia.

13. É um mosaico de coberturas vegetais que formam uma diagonal que separa as duas forestas tropicais do
Brasil: a noroeste a Floresta Amazônica e a leste a Mata Atlântca. Esse mosaico se desenvolve numa área de
baixas pluviosidades. As causas da pouca chuva e sua distribuição irregular estão associadas aos fortes ventos
alísios, que não trazem umidade para a região.
(José Bueno Cont e Sueli Angelo Furlan. Geografa do Brasil, 2005. Adaptado.)
O domínio morfoclimátco tratado pelo texto é o
A. das pradarias.
B. das caatngas.
C. das araucárias.
D. dos cerrados.
E. dos mares de morros.

14. Observe o gráfco abaixo.

Os biomas do Brasil, cujas condições ambientais estão representadas no gráfco pelas regiões demarcadas I, II,
III e IV, correspondem, respectvamente, a

A. cerrado, caatnga, foresta amazônica e foresta atlântca.


B. pampa, cerrado, foresta amazônica e complexo pantaneiro.
C. cerrado, pampa, foresta atlântca e complexo pantaneiro.
D. caatnga, cerrado, pampa e complexo pantaneiro.
E. caatnga, cerrado, foresta atlântca e foresta amazônica.

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15. Durante o inverno grande parte de nosso território fca sob o domínio das massas
A. Polar Atlântca e Tropical Atlântca
B. Polar Atlântca e Equatorial Contnental
C. Equatorial Atlântca e Tropcal Atlântca
D. Polar Contnental e Tropical Contnental
E. Equatorial Contnental e Equatorial Atlântca

16. Durante o verão predominam em nosso território as massas de ar


A. Tropical Atlântca e Equatorial Atlântca
B. Equatorial Contnental e Tropical Atlântca
C. Tropical Contnental e Tropical Atlântca
D. Equatorial Atlântca e Tropical Contnental
E. Equatorial Contnental e Equatorial Atlântca

17. A amplitude térmica apresenta valores mais elevados na região


A. norte B. nordeste C. centro-oeste D. sudeste E. sul

18. A coluna da esquerda apresenta os principais climas do Brasil e a da direita, algumas das suas
característcas. Numere a coluna da direita de acordo com a da esquerda.

1 – Clima equatorial úmido


2 – Clima tropical
3 – Clima subtropical úmido
4 – Clima tropical semi-árido

( ) Abrange a maior parte das regiões Centro-Oeste e Sudeste e grande parte da região Norte. Caracteriza-
se pela existência de duas estações bem diferenciadas: verões quentes e chuvosos e invernos secos. No
verão, é infuenciado pelas massas de ar Equatorial Contnental e Tropical Atlântca, responsáveis pelas
chuvas da época.
( ) Ocorre na região Sul do país. É controlado pela Massa de Ar Tropical Atlântca e infuenciado no
inverno pela Massa de Ar Polar Atlântca. Apresenta chuvas bem distribuídas durante o ano, estações
bem diferenciadas e invernos rigorosos.
( ) Abrange o sertão nordestno e o norte de Minas Gerais. Caracteriza-se por temperaturas muito
elevadas e chuvas escassas e mal distribuídas durante o ano. Apresenta os menores índices
pluviométricos do país e as médias térmicas mais elevadas.
( ) Predomina na maior parte da Amazônia. É controlado pela Massa de Ar Equatorial Contnental.
Apresenta temperaturas sempre elevadas, baixa amplitude térmica anual e chuvas abundantes e bem
distribuídas durante o ano.

Marque a seqüência correta.

A. 2, 4, 1, 3 B. 4, 3, 2, 1 C. 2, 3, 4, 1 D. 1, 4, 3, 2 E. 1, 2, 3, 4

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GABARITO
1 2 3 4 5 6 7 8 9
D E D B D E C C A
10 11 12 13 14 15 16 17 18
E E C B E A B E C

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