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Relato da implantação do Sistema PEC e-SUS AB nas unidades de atenção primária da AP 1.

RELATO
DOI 10.24118/reva1806.9495.3.2.2018.453

Relato da implantação do Sistema PEC e-SUS AB nas unidades


de atenção primária da AP 1.0

Report on the implementation of the PEC e-SUS AB System in primary


care units of AP 1.0

Monica Aguilar Estevam Dias


Mestre Planejamento em Saúde, ENSP/FIOCRUZ. Direção da DICA. CAP1.0. SMS/RIO
E-mail: moniguilar@gmail.com

Cláudia Pinto Porto


Especialista Ativação de Mudança na Formação Profissional de Saúde, ENSP/FIOCRUZ, REDEUNIDA
Assessoria Técnica da DICA, CAP 1.0. SMS/RIO
E-mail: claudia.pporto@gmail.com

Gilmara de Freitas Carvalho


Especialista Saúde Pública, ENSP/FIOCRUZ
E-mail: gildefreitas@gmail.com

Luciana Freire de Carvalho


Mestre Saúde Coletiva, Instituto Estudos Saúde Coletiva, UFRJ
E-mail: lucianafreirec@gmail.com

Resumo

O processo de implantação do Prontuário Eletrônico do Cidadão do e-SUS AB na Área


Programática 1.0 teve início em setembro de 2017, com diversas etapas concluídas até
maio de 2018, dentre elas, a discussão de indicadores para o contrato de gestão a partir
dos relatórios produzidos pelo PEC e-SUS AB, processo de adequação das redes,
treinamento de profissionais e reuniões com gestores. Esta é a primeira área de
implantação na rede da SMS/RIO a receber este sistema. O presente relato traz essa
experiência de implantação do e-SUS AB nas unidades de atenção primária da Área
Programática 1.0, região central do município do Rio de Janeiro.

Palavras-chave

Sistema de informação, prontuário eletrônico, área de planejamento

Abstract

The process of implementation of e-SUS AB Citizen Electronic Records in Program


Area 1.0 began in September 2017, with several stages completed until May 2018, among
them, the discussion of indicators for the management contract from the reports produced
by PEC e-SUS AB, process of network adaptation, training of professionals and meetings
with managers. This is the first deployment area in the SMS / RIO network to receive this
system. The present report brings this experience of implantation of e-SUS AB into the
primary care units of Program Area 1.0, central region of the city of Rio de Janeiro.

Keywords

Information system, electronic medical record, planning area

© REVA Acad. Rev. Cient. da Saúde Rio de Janeiro, RJ v.3 n.2 p. 36-43 maio/ago. 2018
Relato da implantação do Sistema PEC e-SUS AB nas unidades de atenção primária da AP 1.0

RELATO
DOI 10.24118/reva1806.9495.3.2.2018.453
Introdução

Um sistema de informação em saúde como PEC e-SUS AB potencializa a


comunicação entre diferentes níveis e componentes da rede de atenção à saúde,
além de diminuir o impacto das barreiras culturais, deficiências de infraestrutura
física, encurtando distâncias, ampliando a troca de informações e o
desenvolvimento de conhecimentos, desse modo, contribuindo para a melhoria do
acesso e do cuidado prestado à população.5

Nesse sentido, o presente estudo tem como objetivo relatar a experiência das
etapas iniciais da implantação do sistema e-SUS AB nas unidades de AB da Área
Programática 1.0, no município do Rio de Janeiro.

A política de informação em saúde da SMS

A Portaria nº 1.412, de 10 de julho de 2013, instituiu o Sistema de


Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB), cuja operacionalização é
feita pela estratégia e-SUS AB, composta por sistemas de software que buscam
instrumentalizar o processo de trabalho nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e
reestruturar as informações da Atenção Básica (AB).1

A Estratégia e-SUS AB foi definida pelo Departamento de Atenção Básica


(DAB) do MS para reestruturar as informações da atenção básica em abrangência
nacional. A ferramenta se apresenta dentro do plano de reestruturação dos
Sistemas de Informação em Saúde do Ministério da Saúde, identificada por seus
formuladores como estratégica na qualificação da gestão da informação, além de
fundamental para ampliar a qualidade no atendimento à população, considerando
os atributos da AB.

A implantação do sistema e-SUS AB no país tem como objetivo concretizar


um modelo de gestão de informação que apoie os municípios e os serviços de
saúde na gestão da AB, na qualificação e efetividade do cuidado aos usuários, neste
nível de atenção.2

O e-SUS AB conta com dois sistemas de software para a coleta de dados. O


sistema de Coleta de Dados Simplificada (CDS- AB) permite o registro integrado e
simplificado composto por fichas de cadastro, atendimento, atividade coletiva,
procedimentos e de visita domiciliar, sendo utilizado para as unidades de saúde que
não dispõem de sistema informatizado. O sistema PEC e-SUS AB, visa a gestão do
cadastro dos indivíduos no território, a organização da agenda dos profissionais da
AB, realização do acolhimento à demanda espontânea, atendimento individual e o
registro de atividades coletivas.3

No município do Rio de Janeiro, os 160 bairros existentes são agrupados, pela


Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em dez áreas programáticas (AP), com vistas
a organizar o planejamento estratégico da cidade. São elas: 1.0 (Centro e
adjacências), 2.1 (Zona Sul), 2.2 (Grande Tijuca), 3.1 (Região da Leopoldina), 3.2
(Grande Méier), 3.3 (Região de Madureira e adjacências), 4.0 (Região de
Jacarepaguá e adjacências), 5.1 (Região de Bangu e adjacências), 5.2 (Região de
Campo Grande e adjacências), 5.3 (Região de Santa Cruz e adjacências).4
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Na área de saúde, no município do Rio de Janeiro, o modelo de gestão para a


Estratégia de Saúde da Família (ESF) tem se estabelecido, desde 2009, através de
contratos de gestão com Organizações Sociais de Saúde (OS), cujos resultados e
desempenho são acompanhados e monitorados pelas Comissões Técnicas de
Avaliação (CTA) destes contratos celebrados com a SMS, das quais participam
representantes do Controle Social, a partir da análise de indicadores previamente
pactuados.

Em relação à gestão da informação na AB, a partir de 2009 houve uma


decisão técnico política de contratualização, visando a implantação de Prontuários
Eletrônicos do Paciente (PEP) desenvolvidos e com suporte técnico de diferentes
empresas de natureza privada. Esta utilização dos PEP de empresas privadas, na
AB da SMS do Rio de Janeiro, deverá ser gradativamente anulada, na medida em
que ocorrer a implantação do e-SUS na Cidade.

Metodologia

Trata-se de um relato construído a partir do trabalho de implantação do


sistema e-SUS AB nas unidades de atenção primária da área de planejamento 1.0,
entre os meses de setembro de 2017 a junho de 2018.

Foram utilizados como fonte de dados: os documentos e resoluções


relacionados ao tema; mensagens em correio eletrônico trocadas pelas diferentes
instâncias de gestão; planos operacionais e das atividades de educação permanente
junto aos gestores de unidades e equipes da ESF na área; atas de reuniões de
planejamento e pactuação, entre outros, disponíveis nos setores da Coordenadoria
de Atenção Primária 1.0 - CAP 1.0, da SMS do Rio de Janeiro.

A gestão de implantação, propriamente dita, foi conduzida pela coordenação


da CAP 1.0, com liderança da Divisão de Informação, Controle e Avaliação - DICA
de modo integrado com demais divisões da CAP, com apoio técnico da
Superintendência de Atenção Primária da Subsecretaria de Promoção, Atenção
Primária e Vigilância em Saúde - SUBPAV. Em diferentes momentos, a participação
dos representantes da Organização Social – OS do contrato de gestão, gestores e
equipes das unidades de saúde, deve ser considerada, tendo em vista a dinâmica
necessária a esta implantação.

O relato será descrito como sumarização da trajetória da equipe da DICA e da


Coordenadoria de Atenção Primária da AP 1.0, considerando as dificuldades e
potencialidades identificadas pelo grupo técnico profissional.

Relato de experiência da implantação do PEC e-SUS AB, na AP1.0

A implantação do PEC e-SUS AB na AP1.0 teve início em setembro de 2017,


quando foi pactuado entre as instâncias de gestão da SMS do Rio de Janeiro que
esta seria a primeira a receber a ferramenta, desenvolvida e definida como padrão
para a atenção básica no país, pelo DATASUS/MS.

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O sistema do e-SUS teve sua implantação iniciada no Brasil em 2013 no
contexto de uma estratégia visando a reestruturação e operacionalização do
sistema de informação da AB, coordenada pelo Departamento de AB do MS1.
Entretanto, no município do Rio de Janeiro, somente em 2017 foram iniciadas
etapas preliminares para a implantação do PEC e-SUS, com previsão de
substituição gradual da utilização de PEP de empresas privadas contratadas.

A decisão de iniciar a implantação efetiva na SMS pela AP 1.0 levava em


conta diferentes questões relacionadas ao prazo do contrato da Organização Social
atuante na área com a empresa do PEP contratado, cuja finalização e possibilidades
de prorrogação se limitavam a um período não maior que o 1º semestre de 2018.
Assim, na AP 1.0 foi identificada oportunidade de implantação do PEC e-SUS AB
como primeira área contemplada da cidade do Rio de Janeiro, conforme instituído
no Programa Plurianual para quadriênio 2018/2021, estabelecido pelo atual prefeito
(PPA – Programa 0330 / APS, na Ação 1115).

O PEP atuante na área estava em utilização nas unidades desde 2009. Para
viabilizar a transição gradual para o PEC e-SUS AB, houve prorrogação do contrato
de uso do PEP no limite máximo de meses permitido, considerando-se aspectos
administrativos e legais, até a conclusão da implantação da ferramenta do MS em
todas as unidades da área.

Uma das primeiras questões discutidas neste processo foi a necessidade de


adequação dos indicadores acompanhados no monitoramento dos contratos de
gestão com as OS, a partir dos dados e relatórios produzidos pelo PEC e-SUS AB.
Nesse sentido, foi desenvolvido um estudo de comparação dos relatórios extraídos
da fonte até então utilizada e aqueles passíveis de obtenção através do e-SUS AB,
identificando-se dificuldades na utilização dos indicadores para as análises
sistemáticas pela CTA. Essas necessidades de adequação em alguns indicadores
foram apresentadas às instâncias de gestão superior da SMS-RIO, responsáveis
pela implantação em curso.

A inexistência, nesta fase de implantação, de uma central municipal de dados


em saúde, apresentou-se como um fator relevante a ser superado, a fim de que
fosse possível agregar os dados registrados no PEC e-SUS AB, uma vez que as
informações passaram a ser enviadas, a partir de setembro de 2017, diretamente
para o Sistema de Informações em Saúde – SISAB e não mais para o Sistema de
Informações Ambulatoriais – SAI-RIO, anteriormente definido pela SMS.

Neste contexto, as informações não estariam disponíveis para avaliações


consolidadas no sistema da tabulação local – TABNET municipal, acarretando
limitação para análise oportuna quanto à produtividade das unidades e para
subsidiar as ações de gestão nas áreas, assim como no município como um todo.
Enquanto não se define uma solução central para o problema, houve a decisão local
da aquisição de equipamento com configurações e capacidade de armazenamento
mais robustas, visando a centralização temporária das informações da AB na área.
No momento atual, esses dados são importados semanalmente, possibilitando
análises de dados das unidades que utilizam essa ferramenta.

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Outra etapa fundamental nesse processo se relaciona àquela dos aspectos
estruturais e logísticos. Em outubro de 2017, foram iniciadas as primeiras reuniões
com o IPLAN Rio – empresa municipal responsável pela administração dos recursos
de Tecnologia da Informação e Comunicação da cidade do Rio de Janeiro – e
representantes da OS contratada na área, visando a adequação da integração das
redes de Internet dos Centros Municipais de Saúde – CMS, também providos pela
rede do IPLAN –, nos quais foi iniciada a implantação do PEC e-SUS AB. Foi
necessária aquisição de switches gerenciáveis para que a IPLAN configurasse a
conexão de dados e conseguisse captar as informações da rede da PCRJ –
Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.

Importante estratégia foi estabelecida dentro de um plano de trabalho com


treinamentos e oficinas para gestores e toda a equipe da AB na área, com um
cronograma de seis meses, intenso e qualificado por apoio técnico dos profissionais
da equipe da DICA, utilização de laboratórios de informática e atividades nos
serviços. Em todo o processo de implantação na área, apesar do envolvimento de
diferentes setores e profissionais da gestão na AP 1.0, destacam-se o empenho e a
expertise alcançada pela equipe dos cinco técnicos e direção desta divisão de
controle e avaliação.

Os primeiros treinamentos internos envolveram inicialmente técnicos de


outros setores da própria coordenadoria, tais como as Divisões de Ações e
Programas de Saúde – DAPS e de Vigilância em Saúde - DVS, no laboratório do
Ambientes de Saberes e Aprendizagens em Saúde – ASAS Centro da SMS, a fim de
integrar a CAP no processo de expansão para toda a área.

Em novembro de 2017, foram iniciados os treinamentos no laboratório ASAS


Catete, onde a disponibilidade de maior número de computadores tornou possível o
treinamento de mais de 90% dos profissionais das equipes de saúde da AB na
AP1.0, de maneira descontínua, até o final de maio de 2018, totalizando 2 meses
de efetivos treinamentos ou encontros de apoio técnico.

A descontinuidade citada foi decorrente de algumas situações circunstanciais,


que envolveram toda a rede municipal de AB, com movimentos de paralisação
profissional divulgados na imprensa, além de fatores mais específicos e
estruturantes, dependentes de decisões das instâncias superiores de gestão.

A implantação do PEC e-SUS AB, nas cinco primeiras unidades ocorreu no


mês de dezembro, sempre a partir das ações coordenadas pela DICA. Cumpre
ressaltar que duas das cinco unidades pioneiras na implantação eram CMS, nos
quais os profissionais não vinculados à ESF já operavam o PEC e-SUS AB como
estratégia de registro clínico no atendimento à população não coberta pela ESF,
desde o início de 2017, isto porque a área não coberta não utilizava o PEP da
empresa privada contratada pela OS.

A participação dos gestores das unidades e profissionais de saúde das


primeiras unidades, cuja implantação ocorreu em dezembro, facilitou a implantação
nas demais unidades, a partir de maio de 2018, com envolvimento local da força de
trabalho, já inteirada nos processos de trabalho e uso do PEC e-SUS/AB desde o
ano anterior.
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A parceria entre diferentes áreas de gestão, de tecnologia da informação,


administração logística, planejamento e contratos da SMS e Prefeitura do Rio de
Janeiro, foi estratégica nessa implantação, considerando a complexidade da rede
municipal de saúde e o contexto de transição de um PEP de empresa contratada
para o PEC e-SUS AB.

Foram indispensáveis as decisões sobre definição de estratégias de


configuração e integração de redes contratadas através dos contratos de gestão
com a OS e as geridas pelo IPLAN-Rio, treinamentos em ambiente de teste,
treinamentos em serviço, configuração de backups automáticos, configuração de
perfis adaptados, entre outras ações.

A migração dos cadastros do PEP ao PEC e-SUS AB trouxe uma série de


dificuldades nas primeiras unidades da implantação, devido à duplicidade de
cadastros advindos do thrift (processo de transferência de informação) do PEP.
Implantar um novo sistema e, ao mesmo tempo, disponibilizar o histórico dos
prontuários advindos do PEP, revelou-se um grande desafio. Limites, em relação ao
acesso ao banco de dados, alimentado pelas equipes, no período em que operaram
o PEP privado, pela interface do PEC e-SUS AB, foram identificados e, devido à
complexidade da estrutura do referido banco e à inviabilidade da criação de um
mecanismo de acesso às informações nele contidas em tempo hábil, a solução
encontrada foi a disponibilização, para as unidades e a coordenação, de um arquivo
de segurança do histórico de todos os prontuários dos usuários cadastrados nas
unidades em arquivos enviados em PDF, disponíveis para acesso a partir de junho.

Outra questão importante foi a identificação da necessidade de configuração


de um computador que pudesse servir de substituto do servidor de cada unidade,
uma vez que em uma delas houve pane no servidor com avaria do hard disk (HD).
Este fato também revelou a fragilidade da segurança na realização de backups
manuais, o que desencadeou a criação de ferramenta de configuração de
salvamento automático do banco de dados e-SUS AB, através de script específico
para cada unidade. Atualmente, existe um drive próprio por unidade, onde ocorre o
salvamento automático, até que uma central municipal de dados em saúde esteja
constituída.

A demanda dos gestores locais quanto à configuração de funcionalidades nos


perfis padrões do PEC e-SUS/AB, deu origem à criação de um grupo de trabalho
que desenvolveu um instrutivo para a configuração de perfis modificados para
algumas categorias, além de discussões para qualificação contínua do processo de
registro.

A avaliação de um painel de indicadores, tendo como base os indicadores do


PMAQ – Programa Nacional de Melhorias do Acesso e da Qualidade da Atenção
Básica e orientada por recentes proposições da gestão da AB na SMS do município,
apresenta-se foco prioritário, nesse momento de consolidação da implantação do e-
SUS AB na AP 1.0 e, consequentemente, na rede do município.

Considerações finais

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Tal relato foi realizado com o intuito de apresentar as etapas iniciais do
processo de implantação do e-SUS AB na AP 1.0, no município do Rio de Janeiro,
podendo colaborar, desse modo, no processo de implantação do sistema em outras
áreas e municípios, principalmente nas grandes capitais, onde existam
similaridades com a situação descrita.

O processo de implantação de um sistema de informação é complexo,


principalmente, quando é necessário realizar a transição entre um sistema já
utilizado e estabelecido no território para um novo. Uma nova proposta com
utilização de diferentes ferramentas de registro em saúde amplia essa
complexidade e deve considerar aspectos de segurança, garantia do
armazenamento e disponibilidade das informações dos usuários ou pacientes,
considerando aspectos éticos e legais.

Entre os atributos fundamentais da Atenção Primária à Saúde – APS, a


coordenação dos cuidados e a longitudinalidade, tornam indispensável a
qualificação de registros e ferramentas como os prontuários eletrônicos, hoje
previstos no país.6

Importante ressaltar o interesse e disponibilidade demonstrados pelas


equipes da ESF no investimento do e-SUS, como um dispositivo de qualificação do
cuidado e fortalecimento da APS. Esse processo tem apresentado a necessidade de
reflexões e mudanças no âmbito de trabalho das equipes, uma importante
oportunidade de reorganização dos fluxos, revisão de indicadores e novas
pactuações entre gestores, profissionais e usuários.

A implantação do e-SUS AB pelos gestores e equipes de saúde na AP 1.0


representa um potencial avanço na qualificação e uso da informação em saúde.
Nessa perspectiva, considera-se importante que gestores criem espaços de
discussão com as equipes, com o objetivo de identificar necessidades de
desenvolvimento e possíveis melhorias no sistema, no processo de trabalho e no
próprio registro. A ampliação da validade das informações produzidas a partir de
prontuário eletrônico, interfere diretamente no planejamento e execução das ações
em saúde prestadas, na gestão da rede e consequentemente, na efetividade da
atenção primária em saúde.

Referência bibliográfica

1. Brasil. Ministério da Saúde. Gabinete Ministerial. Portaria GM/MS no 1.412, de 10


de julho de 2013. Institui o Sistema de Informação em Saúde para a Atenção
Básica (SISAB). Diário Oficial da União 2013; 10 jul.
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Básica. Manual de Uso do Sistema com Prontuário Eletrônico do Cidadão PEC
2.2.0 - Versão preliminar [on line]. Brasília (DF); 2017.
3. Medeiros JB, Holmes ES, Albuquerque SGE, et al. O E-SUS atenção básica e a
coleta de dados simplificada: relatos da implementação em uma estratégia
saúde da família. [Internet]. Rev. APS. 2017 jan/mar;20(1):145-49. Disponível
em: https://aps.ufjf.emnuvens.com.br/aps/article/view/2706

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Primária em Saúde (RCAPS) na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Cien Saude
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