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CONHECENDO O

MODELO TEACCH

Professora Especializada Cláudia Miccichelli


TEACCH
Treatment and Education of Autistic
and Related Communication
Handicapped Children.

Tratamento e Educação de Crianças


Autistas e com Perturbações da
Comunicação.
Programa criado por Eric Schopler e
colaboradores da Universidade da Carolina
do Norte (1971)
Filosofia do Programa TEACCH

Tem como objetivo principal ajudar


a pessoa com autismo a se
desenvolver da melhor maneira, de
modo a atingir o máximo de
autonomia na idade adulta.
Princípios orientadores
1. Melhoria da capacidade adaptativa;

2. Colaboração entre pais e profissionais;

3. Avaliação individualizada para intervenção;

4. Ênfase na habilidade e reforço nas capacidades do aluno;

5. Teoria cognitiva, comportamental, psicolinguística e do desenvolvimento


fundamentando a prática;

6. Ensino estruturado como fator de organização e previsibilidade.


“Não tem função terapêutica,
pois não pretende fazer um
tratamento com fins de eliminar
um padrão autístico. É usado
como forma de adaptação ao
estilo de aprendizagem do
autista.”
ENSINO ESTRUTURADO
 O ensino estruturado é uma intervenção na qual se baseia a filosofia
TEACCH, que busca a organização do ambiente, das atividades e da
rotina como meio de orientar a criança e ensiná-la novas habilidades
funcionais.

 Envolve, dentre outras coisas, estratégias comportamentais, uso de


apoio e prompts (dicas) visuais, comunicação alternativa, integração
sensorial e estímulos discriminativos consistentes que favorecem
respostas mais apropriadas.
Ciola & Fonseca (2016), Leon & Fonseca (2016)
PIRÂMIDE TEACCH
ESTRUTURA FÍSICA
 A disposição física do ambiente de ensino é importante quando se planeja o
currículo para os alunos com TEA. Até a disposição dos móveis da sala pode
ajudar ou atrapalhar o funcionamento independente do aluno, o
reconhecimento pelas regras e limites. Muitos alunos tem dificuldade de
organização. Não sabendo onde ir e com o chegar.
AGENDAS VISUAIS
 Sabendo-se que pessoas com TEA são aprendentes visuais, ou seja,
tendem a focar em detalhes (sem entender como esses detalhes se
encaixam no todo), possuem problemas com o tempo, organização,
em manter a atenção, ficar engajado e se desengajar das
atividades, o uso de agendas traz vantagens como:

1. Esclarece visualmente o que vai acontecer e em qual sequência;


2. Passa a pergunta para o aluno: “o que eu tenho que fazer?”;
3. Oferece um sistema de organização do tempo, pois o aluno pode ver
o que está acontecendo e o que irá acontecer;
4. Oferece uma rotina previsível que reduz ansiedade. Essa
previsibilidade orienta diante do desconhecido;
AGENDAS VISUAIS
 Esclarece quando uma atividade termina e quando outra está para
começar;
 O seguimento de uma agenda vai ensinar o aluno a entender uma
rotina com flexibilidade;
 A agenda reflete O QUE PODERÁ ACONTECER e não o que já
aconteceu ou o que deveria ter acontecido. Também pode indicar que
NÃO IRÁ ACONTECER, por alguma razão;
 Se a rotina mudar, essa mudança terá reflexo também na agenda do
aluno;
 O importante é a habilidade de PREVER o que vai acontecer ou não
vai acontecer, E NÂO A CERTEZA de que o que está lá, de fato, irá
acontecer. Isso é importante para o resto da vida.
AGENDAS VISUAIS
SISTEMAS DE TRABALHO
 Os sistemas de trabalho são formas sistemáticas de apresentação das
instruções, tarefas e materiais para que os alunos trabalhem de forma
independente ou com o direcionamento de adultos com mínima ajuda.

 O sistema de trabalho individual deve responder quatro questões


principais:
1. Qual trabalho fazer?
2. Quanto trabalho por fazer?
3. Como saber que terminou?
4. O que virá em seguida?
SISTEMAS DE TRABALHO
 Os sistemas de trabalho podem ser organizados em vários esquemas:

1. Da esquerda para direita;

2. De cima para baixo;

3. Pareamento de cores, formas, alfabeto, números;

4. Orientação escrita.
ROTINAS E ESTRATÉGIAS/
ESTRUTURA VISUAL
 Ensinar o aluno com TEA a compreender instruções e a
usar materiais com flexibilidade.
O TEACCH enfatiza os seguintes pontos:
 Instruções visuais: a visualização “fala” para os alunos a
sequência e as formas para completar as tarefas.
O TEACCH enfatiza os seguintes pontos:
 Organização visual: a organização do material e do espaço
auxilia na captação e assimilação das informações.

 Clareza visual: sistemas visuais relatam sobe informações


que são importantes, enfatizam partes específicas e úteis da
instrução.
OS NÍVEIS DE TRABALHO
 Fonseca (2006) sugere uma classificação por níveis, a
fim de localizar as pessoas com TEA, em termos de
aquisições necessárias ao cumprimento das tarefas que
exijam habilidades psicopedagógicas e motoras, em
congruência com as escalas de desenvolvimento. Se
você procurar em qualquer material original do TEACCH
sobre níveis de trabalho, você certamente não irá
encontrar nenhuma referência ou terminologia, pelo
menos não dessa forma.
 Clercq (2006), nessa mesma análise, cita quatro fases,
relacionando progressos que vão desde o mais imaturo
ao mais cognitivo, ajustando o termo níveis, que a
literatura já trazia.
NÍVEL I
 Atividades iniciais: preparação e atividades motoras, o que de acordo
com De Clercq(2006), caracteriza-se pela fase da sensação.

 O que define esse nível de aprendizagem é a imaturidade do


pensamento que ainda se apoia nos estados primitivos e concretos de
forma que a apresentação de atividades são destinadas para pessoas
que estão em fase inicial das aquisições dos processos cognitivos.

 As habilidades ainda são primitivas e muito próximas ao estágio


sensório-motor.

 As atividades do nível 1 são basicamente atividades de triagem e


deslocamento/transporte simples e depósito de elementos.
ATIVIDADES DE NÍVEL I
NÍVEL II
 Caracterizado pelas habilidades motoras já adquiridas no nível I mais
exigências cognitivas, utilizando ainda elementos concretos. De acordo com
De Clercq (2006), essa etapa caracteriza-se pela fase de apresentação,
quando o indivíduo passa a aprender as funções dos objetos.

 As atividades do nível II são aquelas que incorporam atividades do nível


anterior ( tirar,transportar/transferir e fim) e passam pelas exigências
cognitivas de saber combinar os elementos concretos, selecionar, fazer o
pareamento de objetos iguais e diferentes, separar objetos por categorias e
discriminá-los a partir de algum atributo (cor, forma, tamanho, espessura,
etc.), além de realizar encaixes de elementos e já conseguir fazer imitação
de estruturas concretas, alinhavos, vazados etc.

 As atividades de nível II exigem da pessoa a discriminação de elementos


concretos e o reconhecimento de objetos, mas ainda não a ponto de fazer tal
identificação planificada em imagens e figuras.
ATIVIDADES DE NÍVEL II
NÍVEL III
 Quando o indivíduo apresenta habilidades de planificação e início da
função simbólica, categorização, discriminação de imagens, evocação
de conceitos abstratos, combina objeto com imagem. De Clercq(2006)
define essa etapa como fase da representação.

 É uma fase de maior discriminação, em que as habilidades perceptuais


estão mais desenvolvidas. As atividades trazem conceitos mais
simbólicos, imagéticos, incorporam fotografias, pictogramas, rótulos,
letras, números, e a criança já consegue usar as habilidades dos níveis
anteriores I e II ( que são cumulativas), além de sobreposição,
associação, seriação com uso de imagens e objetos, completar
figuras, categorizações, classificações, mas recursos ainda
insuficientes para o processo de leitura.
ATIVIDADES DE NÍVEL III
NÍVEL IV
 Neste nível, o indivíduo já domina a leitura com significado. Segundo
De Clercq(2006), é a fase de metarrepresentação. É o nível mais
simbólico e cognitivo do desenvolvimento, em termos de classificação
utilizada.

 Nas atividades de nível IV, as habilidades para leitura já estão


instaladas, ou seja, a pessoa já faz a leitura com significado. Neste
nível, são propostas atividades de emparelhamentos, associações,
seriação com uso de textos, operações matemáticas, equações,
situações-problemas, leitura, completar lacunas e qualquer outra
atividade/jogo cujo processo seja necessária a leitura.

 Corresponde ao maior nível de abstração e simbolismo.


ATIVIDADES DE NÍVEL IV
REFERÊNCIAS