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ESMP

MARCEL TISSER PITERMAN


QUESTÕES FORMULADAS

1- questão objetiva
2- questão com resposta curta
3- questão tipo dissertação

Intervenção do Ministério Público no Processo Civil:

1) Cessada a incapacidade, cessa a intervenção do Ministério Público no processo,


exceto:
a) nas ações radicadas em ilícito absoluto
b) nas ações de cobrança
c) nos processos de inventário com testamento
d) nos interditos possessórios
e) nas ações consignatórias

Gabarito: letra (c)

2) O Ministério Público, na condição de fiscal da lei, é parte no processo? Explique


sucintamente.

ANTONIO CLÁUDIO DA COSTA MACHADO e DINAMARCO criticam a


distinção que se faz entre MP parte e MP fiscal da lei (É sempre municiado dos
poderes e faculdades das partes). Como fiscal da lei, a imparcialidade não
compromete o conceito de parte.
Isso depende do conceito de que se tenha de parte.
CHIOVENDA: conceito material de parte – Aquele que pede e aquele em face de
quem se pede... São partes autor e réu. Nesse caso, como fiscal da lei, o MP não é
parte.
LIEBMAN: conceito processual de parte. São os sujeitos do contraditório
instituído perante o juiz (sujeitos diversos do juiz). Fora o juiz, é parte quem é
legitimado a requerer no processo e produzir prova.
Adotado o conceito de LIEBMAN, o Ministério Público é parte no processo,
mesmo atuando como fiscal da lei.

3) Disserte acerca da legitimidade do Ministério Público para propor a ação civil


indenizatória ex delicto.
Ministério público. Ação civil ex delicto. Código de Processo Penal, art. 68.
Norma ainda constitucional. Estágio intermediário, de caráter transitório, entre a
situação de constitucionalidade e o estado de inconstitucionalidade. A questão das
situações constitucionais imperfeitas. Subsistência, no Estado de São Paulo, do
art. 68 do CPP, até que seja instituída e regularmente organizada a Defensoria
Pública local. Precedentes.
O Ministério Público continua parte legítima para promover, em juízo, a
reparação do dano de que trata o art. 68 do CPP [“Quando o titular do direito à
reparação do dano for pobre (art. 32, §§ 1º e 2º), a execução da sentença
condenatória (art. 63) ou a ação civil (art. 64) será promovida, a seu requerimento,
pelo Ministério Público.”], até que se viabilize, em cada Estado, a implementação da
Defensoria Pública, nos termos do art. 134, parágrafo único, da CF. Com esse
entendimento, a Turma negou provimento a agravo regimental interposto pelo Estado
de São Paulo, no qual se pretendia o reconhecimento da competência da Procuradoria
de Assistência Judiciária da Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo para prestar
os serviços da Defensoria Pública do mencionado Estado. Precedentes citados: REED
147.776-SP (DJU de 28.5.99) e RE 135.328-SP (julgado em 26.9.94, acórdão
pendente de publicação). RE (AgRg) 196.857-SP, rel. Ministra Ellen Gracie,
6.3.2001.(RE-196857)

Nulidades:

1) Assinale a assertiva incorreta:

a) A nulidade absoluta decorre da violação de norma cogente


b) A nulidade relativa decorre da violação de norma cogente
c) A anulabilidade decorre da violação de norma dispositiva
d) A irregularidade decorre da violação de norma cogente
e) A irregularidade é considerada vício não-essencial

Gabarito: letra (d)

2) Diferencie “nulidade cominada” e “nulidade não-cominada”. Explique


sucintamente.

Cominada: quando há na lei previsão da invalidade para a hipótese de afastamento


do modelo legal; Não-cominada: apesar de reconhecer no ato um vício capaz de
invalidá-lo, inexiste previsão na lei da conseqüência. A cominação está ligada ao
princípio da finalidade. Presume-se que a forma é a única possível para atingir a
finalidade. Divergência doutrinaria – a presunção é relativa ou absoluta? Dependendo
da resposta poderá ser sanada invocando prejuízo (sempre) e finalidade (art. 244).
3) É possível relativizar a nulidade absoluta? Explique. (dissertação)

Instrumentalidade – GALENO LACERDA – Ajuris 28, 1983 – começa a questionar a


teoria clássica que ele mesmo sistematizou !!!

Normas referentes às nulidades devem prevalecer, são normas de SOBREDIREITO


PROCESSUAL – porque disciplinam outras normas – a norma violada é que
disciplina a forma – regras jurídicas que recaem em relações e regras jurídicas que
recaem em regras jurídicas – exemplo do art. 275 versus instrumentalidade (art. 244 e
250, parágrafo único) – interesse público versus interesse público – prepondera a
instrumentalidade, porque processo é meio e não fim. A norma do exemplo se
relativiza e viabiliza o exame da validação se atingiu a finalidade e não houve
prejuízo, relativizar é viabilizar o exame de validação, não necessariamente validar.
AS NULIDADES ABSOLUTAS SÃO PASSÍVEIS DE RELATIVIZAÇÃO, exceto a
incompetência em razão da matéria (desorganização judiciária), normas de
fiscalização pelo MP, impedimento do juiz.

Princípios:

1) Segundo Chiovenda, para darmos significação e relevância processual ao princípio


da ORALIDADE, devemos relacionar os demais princípios a ele vinculados, que são
os abaixo arrolados, exceto o:

a) Princípio da imediatidade
b) Princípio da identidade física do juiz
c) Princípio da concentração
d) Princípio da bilateralidade da audiência
e) Princípio da irrecorribilidade das interlocutórias

Gabarito: letra (d)

2) O prazo privilegiado conferido ao Ministério Público e à fazenda pública (art. 188


do CPC) viola o princípio da igualdade entre as partes? Explicite sucintamente
indicando, se houver, posições doutrinárias e jurisprudenciais divergentes.

DINAMARCO repudia os prazos privilegiados – NELSON NERY defende com base


na igualdade substancial – ex: ação com diversos autores dificultaria a defesa – art.
46, parágrafo único CPC – medida de eqüidade – aplica-se ao MP parte e MP fiscal
da lei – JURISPRUDÊNCIA entende não violar a isonomia.
3) Diferencie o “princípio dispositivo” e o “princípio inquisitivo”.

Dispositivo – Segundo COUTURE, o Princípio do dispositivo deixa a iniciativa e a


sorte do processo à livre disponibilidade das partes, a elas incumbe toda a iniciativa,
na instauração, no impulso, na instrução, na produção de provas ALVARO –
verdadeira garantia contra o arbítrio judicial – não há juiz mais arbitrário do que
juiz parcial

Inquisitivo – liberdade de iniciativa do juiz, para instaurar o processo e promover o


desenvolvimento, na coleta de provas , independente da colaboração das partes)

Regimes autoritários versus regimes liberais – no primeiro, valoriza-se o inquisitivo


pela soma de poderes que se atribui ao juiz, no segundo, valoriza-se o princípio do
dispositivo, assegurando mais liberdade e autonomia às partes. Nosso regime
democrático, filia-se ao dispositivo, principalmente pela iniciativa do processo, que é
exclusiva da parte (art. 2º CPC)

THEODORO JR. – hoje os códigos mesclam ambos os princípios, dando ênfase a um


ou outro de acordo com o regime político adotado.

OVÍDIO – juiz julga com base nos fatos alegados e provados pelas partes, sendo-lhe
vedada a busca de fatos não alegados e cuja prova não tenha sido postulada. Ex:
contrato de mútuo – não pode reconhecer a inexistência do contrato caso não alegada
- Confronto com o inquisitivo e sua aplicação quando a demanda versar direito
indisponível – nulidade de casamento

Recursos:

1) Assinale a assertiva incorreta:

a) A renúncia ao poder de recorrer é ato jurídico unilateral não-receptício.e


independe de homologação judicial.
b) Ao renunciante não aproveita o recurso interposto pelo seu litisconsorte sob o
regime da unitariedade.
c) A correição parcial não é recurso.
d) Segundo orientação majoritária, quando o Ministério Público intervém na
qualidade de custos legis não possui legitimidade para interpor recurso
adesivo.
e) Da decisão que julgar a liquidação de sentença cabe apelação.
Gabarito: letra (b)

2) O relator, apesar da redação do art. 527, I, do CPC, por ter sido prevista somente a
possibilidade de negar seguimento ao recurso de agravo, poderá dar imediato
provimento ao agravo, após tê-lo recebido, na forma como preconiza o art. 557, § 1º-
A do Diploma processual? Explicite sucintamente.

Não. Uma vez que quando o relator recebe o recurso de agravo não houve o
contraditório e não é possível dar provimento ao recurso sem antes conferir ao
recorrido oportunidade para apresentar suas contra-razões (Marinoni, Manual, p. 570)

3) Dissertação: O que significa “não conhecer” de um recurso?

Resposta: O recurso deve ser objeto de apreciação judicial por dois ângulos distintos:
o da admissibilidade e o do mérito. Ao primeiro, trata-se de saber se é possível dar
atenção ao que o recorrente pleiteia, seja para acolher, seja para rejeitar feita à
decisão contra a qual se recorre. Ao segundo, cuida-se de averiguar se tal impugnação
merece ser acolhida, porque o recorrente tem razão, ou rejeitada, porque não a tem. À
segunda etapa só se passa se e depois que, na primeira, se concluiu ser admissível o
recurso. Sendo ele inadmissível, com a declaração de inadmissibilidade, encerra-se o
respectivo julgamento, sem nada acrescentar-lhe a respeito da substância da
impugnação. O resultado do juízo de admissibilidade, no órgão ad quem, expressa-se
por uma dessas fórmulas: “conhece-se do recurso” quando concorrerem todos os
requisitos de admissibilidade; “não se conhece do recurso” quando falta algum
daqueles requisitos. No primeiro caso, “dá-se provimento ao recurso”, caso a
impugnação seja fundada; “nega-se provimento”, caso contrário. (Barbosa Moreira,
Temas..., 6ª Série)

Sentença e Coisa Julgada:

1) Assinale a assertiva incorreta:

a) Levando em linha de conta a teoria quinária, pode-se dizer que a sentença que
julga demanda cautelar, quanto à carga de eficácia, tem natureza
preponderantemente mandamental.
b) A sentença mal-fundamentada é nula.
c) As medidas de apoio previstas no art. 461, § 5º, do CPC (para a efetivação da
tutela específica ou para a obtenção do resultado prático equivalente, poderá o
juiz, de ofício ou a requerimento, determinar as medidas necessárias, tais como
a busca e apreensão, remoção de pessoas e coisas, desfazimento de obras,
impedimento de atividade nociva, além de requisição de força policial)
constituem exceção ao princípio da congruência entre a sentença e o pedido.
d) Ao juiz é vedado julgar fora, aquém ou além do pedido
e) A sentença deve ser certa, ainda quando decida relação jurídica condicional

Gabarito: letra (b)

2) Em ação de cobrança de juros, suscita o réu, como argumento de defesa, a questão


prejudicial de inexistência da obrigação. O juiz, contudo, repele o argumento,
considera existente a obrigação e condena o réu ao pagamento dos juros pedidos. A
afirmação concernente à obrigação fica revestida da autoridade da coisa julgada?

A questão envolve os limites objetivos da coisa julgada. A existência da obrigação foi


a razão de decidir, o fundamento da sentença, os “motivos” da decisão, e, por isso, de
acordo com o art. 469, III, do CPC, não se submete à auctoritas rei iudicatae. Poderá
outro juiz entender inexistente a obrigação.’

3) Dissertação: É possível relativizar a coisa julgada material? Explicite indicando, se


houver, posições doutrinárias e jurisprudenciais divergentes.

DINAMARCO – Justiça concreta versus segurança jurídica – a segurança jurídica e


a coisa julgada são absolutas? Devem conviver com a justiça das decisões judiciárias
– decisão juridicamente impossível

JOSÉ AUGUSTO DELGADO – Os valores da legalidade, moralidade e justiça


estão acima do valor segurança jurídica

THEODORO JR. – insubsiste a coisa julgada quando identificado vício de


constitucionalidade – sob pena de elevá-la mais do que a lei e a CF – se a lei é
inconstitucional porque a coisa julgada não é?

ARAKEN: o vírus do relativismo contaminará todo o sistema judiciário – o vencido


sempre invocará violação da CF para ingressar novamente em juízo – as vantagens
da justiça concreta não se sobreporão às desvantagens da insegurança geral

adeptos: THEODORO JR., DINAMARCO, MIN. JOSÉ AUGUSTO DELGADO,


MIN. SÁLVIO (ler acórdão)

contrários: TESHEINER, ARAKEN DE ASSIS

TJRS – Um julgado do Des. Giorgis assinalou para a relativização. O tribunal voltou


atrás e prestigiou a coisa julgada – apenas por exceção excepcionalíssima admite a
superação por meio da ação rescisória
PORTO – o instrumento deverá ser sempre a ação rescisória – pena de promover-se o
caos na ordem jurídica – propõe a ampliação dos casos de cabimento da rescisória,
dilação do prazo, mas não relativizar a coisa julgada material

Processo Cautelar

1) Assinale a alternativa CORRETA:

Conforme disposição expressa no artigo 806 do Código de Processo Civil, a parte que
interpõe ação cautelar preparatória, deve propor ação principal no prazo de trinta
dias, contado:

(a) da data da efetivação da medida cautelar.


(b) da data da interposição da medida cautelar.
(c) da data em que o mandado de citação foi juntado aos autos.
(d) da data do deferimento da medida cautelar.
(e) da data da designação de audiência de justificação prévia do alegado.

Gabarito: letra (a)

2) É possível a concessão ex officio da tutela antecipada? Explique sucintamente.

Tutelas antecipatórias não se destinam a dar apoio ao processo mas favorecem uma
parte em relação ao bem da vida em disputa. Não são concessíveis de ofício –
cautelares são instrumento do processo e antecipatórias não – Cautelares são
concessíveis de ofício de acordo com o art. 797 do CPC.

3) Após a adoção do instituto da tutela antecipatória no direito brasileiro, ainda é


possível cogitar-se das Cautelares Satisfativas? Explique.

Com a instituição da tutela antecipada liminar e da tutela antecipada na sentença de


mérito no direito brasileiro, não há mais razão para cautelares do tipo "satisfativas",
que contém em si uma contradictio in terminis, pois, se são cautelares, não
satisfazem, e, se são satisfativas, não se limitam a acautelar (NELSON NERY
JUNIOR).

Os arts. 273 e 461 do CPC, e, mais recentemente, o art. 461-A, vieram a estabelecer
um divisor nessas águas, alterando profundamente a situação até então reinante, pois,
a partir deles, a ação cautelar se destina agora, exclusivamente, à outorga de medidas
cautelares, mesmo se atípicas, quando tiverem natureza realmente cautelar, e as
pretensões satisfativas, por não terem residência confortável nessa modalidade de
processo, devem ser postuladas por meio de ação de conhecimento.
Na verdade, tal entendimento é deveras contraditório, pois cautelaridade e
satisfatividade são expressões antagônicas, pelo que não há que cogitar-se de
cautelar satisfativa, e sim de tutela provisional.

Vicente Greco Filho leciona: "Alguns desses procedimentos não são cautelares, mas
definitivos, a que a lei atribuiu a forma do cautelar a fim de que pudesse ser
concedida liminar, impossível no procedimento ordinário. Essa circunstância levou
ao equívoco de se admitir a existência de ‘cautelares satisfativas’. Tal figura não
existe."