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Planejamento do currículo centrado na

criança

Beatriz Ferraz, diretora Escola de Educadores


4 provocações
✓ Inovações da BNCC da etapa da Educação Infantil

✓ Entrelaçamentos entre Base Nacional Comum Curricular e


Currículo

✓ Princípios e conceitos de um cotidiano centrado na criança

✓ Desdobramentos de um planejamento curricular centrado na


criança: o protagonismo do professor
Inovações da BNCC da etapa da Educação Infantil
Quais a inovações que a abordagem
curricular que a BNCC da etapa da
Educação Infantil apresenta?
Conviver

Conhecer-
se Brincar

Direitos
Expressar Participar

Explorar
Por que uma abordagem baseada em
direitos de aprendizagem e desenvolvimento?
Conviver

Conhecer-
Brincar
se

Direitos
Expressar Participar

Explorar
Conviver com outras crianças e adultos, em pequenos
e grandes grupos, utilizando diferentes linguagens,
ampliando o conhecimento de si e do outro, o respeito
Conviver
em relação à cultura e às diferenças entre as pessoas.
Conhecer-
Brincar
se
Brincar cotidianamente de diversas formas, em
diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros
Direitos (crianças e adultos), ampliando e diversificando seu
Expressar Participar acesso a produções culturais, seus conhecimentos, sua
imaginação, sua criatividade, suas experiências
Explorar emocionais, corporais, sensoriais, expressivas,
cognitivas, sociais e relacionais.
Participar ativamente, com adultos e outras crianças,
tanto do planeja- mento da gestão da escola e das atividades
propostas pelo educador quanto da realização das atividades da
Conviver
vida cotidiana, tais como a escolha das brincadeiras, dos materiais
e dos ambientes, desenvolvendo diferen- tes linguagens e
Conhecer- elaborando conhecimentos, decidindo e se posicionando.
Brincar
se

Direitos
Explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores,
Expressar Participar palavras, emoções, transformações, relacionamentos, histórias,
objetos, elementos da natureza, na escola e fora dela, ampliando
seus saberes sobre a cultura, em suas diversas modalidades: as
Explorar
artes, a escrita, a ciência e a tecnologia.
Expressar, como sujeito dialógico, criativo e
sensível, suas necessidades, emoções, sentimentos,
dúvidas, hipóteses, descobertas, opiniões, ques-
Conviver
tionamentos, por meio de diferentes linguagens.
Conhecer-
Brincar
se
Conhecer-se e construir sua identidade pessoal,
Direitos social e cultural, cons- tituindo uma imagem positiva de
si e de seus grupos de pertencimento, nas diversas
Expressar Participar experiências de cuidados, interações, brincadeiras e
linguagens vivenciadas na instituição escolar e em seu
Explorar contexto familiar e comunitário.
Assistir e refletir sobre o vídeo

Brincar e cuidar: muitas interações


Diretrizes em ação

Quais direitos foram garantidos?

Por que?

https://www.youtube.com/watch?v=_CYOxMEQCbw&list=PLLEZIfPeYydagUmac_5Ck-SgyhpgmSXzR&index=1
Brincar: as crianças escolhem seus parceiros, atribuem
sentido e significado para os objetos, constroem
Conviver enredos e personagens

Conhecer-
Brincar
se Participar: as crianças participam de forma ativa,
expressando-se por meio da linguagem do faz de
Direitos conta, elaborando conhecimentos sobre si mesmas,
Expressar Participar sobre o outro, sobre as relações e sobre sua cultura e
tomam decisões.
Explorar

Conhecere-se: têm a oportunidade de construírem sua


identidade pessoal e cultural
Por que uma abordagem organizada em
Campos de experiências?
Organização curricular por

campos de espaços, tempos,


quantidades,

experiências relações e
transformações
o eu,
o outro,
o nós

A proposta de campo de experiência Criança e suas


muda a perspectiva do currículo do traços, sons, experiências
cores e formas
conhecimento para a experiência da
criança. corpo, gestos
e movimentos

Escuta, fala,
pensamento e
imaginação
Entrelaçamentos entre Base Nacional Comum
Curricular e Currículo
Mas a BNCC não é
currículo...
O que isso quer dizer?
A Base não é currículo

A Base é
o rumo.
Os currículos É aonde
são os caminhos queremos
chegar
O que é um currículo?
Concepção de
Currículo
Conjunto de práticas que buscam articular
as experiências e os saberes das crianças
com os conhecimentos que fazem parte do
patrimônio cultural, artístico, ambiental,
científico e tecnológico, de modo a
promover o desenvolvimento integral de
crianças de 0 a 5 anos de idade.

(Site do MEC)
Como fazer
isso?
Qual a imagem de
criança?

Referenda e especifica princípios e


conceitos – DCNEI e BNCC
Propondo uma organização curricular

Quais os princípios e conceitos que devem


Conviver nortear o conjunto de práticas?

Conhecer-
Brincar
se

Por que uma abordagem de direitos?


Direitos
Expressar Participar

Explorar
Referenda a organização curricular

Quais os princípios e conceitos que devem


nortear o conjunto de práticas?

Por que uma proposta curricular organizada em


Campos de experiências?
Os objetivos de cada Campo enfatizam noções,
habilidades, atitudes, valores e afetos que as
crianças aprendem e desenvolvem ao longo da
educação infantil, ao mesmo tempo em que
buscam garantir os direitos das crianças. (Oliveria,
2018)

Mantem ou especifica os objetivos de aprendizagem e


desenvolvimento
Práticas promotoras do
desenvolvimento
integral

Identifica práticas que favoreçam a articulação das


experiências e saberes das crianças com os
conhecimentos de nosso patrimônio cultural
Princípios e conceitos de um cotidiano centrado na criança
O que significa colocar a criança no centro do planejamento
curricular?
Currículo centrado Se preocupa em como algo a ser ensinado pode

na teoria da ser melhor aprendido pelo sujeito

aprendizagem
Considera o currículo como um processo de
reflexão não somente do conhecimento em si,
mas também do conhecedor e do processo de
construção de conhecimento

Jerome Bruner

https://www.reggiomusic.com/news/2017/18/early-childhood-approaches-to-music-learning-a-comparison-of-
three-approaches

Fonte: Bruner: uma nova teoria de aprendizagem (1976)


Currículo que considera a
criança plena de potencial

• Iniciativa pessoal, motivação pessoal, curiosidade

• Plena de potencial e competente para aprender -

criar suas hipóteses, desenvolver teorias, estabelecer


- Eu tinha a forma certa para sair. Então
eu nasci. O peixe nasce no mar, o
conexões e realizar descobertas dinossauro no ovo. Eu tava todo
enrolado...

Fonte foto: e livro The Hundred Languages in Ministories


Currículo que considera suas singularidades:
necessidades, interesses e ritmos de
desenvolvimento

Quais necessidades?
Necessidades

Segurança afetiva Previsibilidade, regularidade e identidade e Inserção na cultura, na sociedade


confiabilidade autonomia

Fonte fotohttps://deepbreathofparenting.com/2013/03/03/; caregiving;/ Livro: Educação de bebês em infantário; Escola Bacuri.


Interesses
perguntas
curiosidades

Escola Bacuri

http://mundodosabersalvador.blogspot.com.br/2012/0
3/trabalhando-o-faz-de-conta.html

saberes e experiências
Conhecer o mundo, as
pessoas, as relações e a
http://www.brincandoeconstruindo.com.br/blog/2012/03/14/faz-de-conta/
si mesma
Currículo que considera
seus diferentes ritmos de
desenvolvimento
Seus diferentes ritmos de desenvolvimento

Respeito ao ritmo individual do desenvolvimento

http://crianza-alternativa.blogspot.com.br/2013/07/nuestra-experiencia-con-
el-metodo-blw.html
As cem linguagens das crianças
Loris Malaguzzi
Dizem-lhe:
Dizem-lhe:
A criança Cem mundos que o jogo e o trabalho
de pensar sem as mãos
é feita de cem. para inventar. a realidade e a fantasia
de fazer sem a cabeça
A criança tem cem mãos Cem mundos a ciência e a imaginação
de escutar e de não falar
cem pensamentos para sonhar. o céu e a terra
de compreender sem alegrias
cem modos de pensar A criança tem a razão e o sonho
de amar e de maravilhar-se
de jogar e de falar. cem linguagens são coisas
só na Páscoa e no Natal.
Cem, sempre cem (e depois cem, cem, cem) que não estão juntas.
modos de escutar mas roubaram-lhe noventa e Dizem-lhe enfim:
Dizem-lhe:
de maravilhar e de amar. nove. que as cem não existem.
de descobrir um mundo que
Cem alegrias A escola e a cultura A criança diz:
já existe
para cantar e compreender. lhe separam a cabeça do corpo. Ao contrário, as cem existem.
e de cem roubaram-lhe
Cem mundos
noventa e nove.
para descobrir.
Como os Campos de Experiências ajudam a colocar a
criança no centro do planejamento curricular?
Experiência

• É singular, processo de construção de sentido

Duas pessoas que enfrentam o mesmo acontecimento, não fazem a mesma experiência.
Se a experiência é o que nos acontece e se o saber da experiência tem a ver com a elaboração do sentido ou do sem
sentido do que nos acontece, trata-se de um saber finito, ligado a existência de um indivíduo ou de uma comunidade
particular... é um saber particular, subjetivo...

O saber da experiência... Não está como o conhecimento cientifico, fora de nós, mas somente tem sentido no modo
configura uma forma humana singular de estar no mundo, que é por sua vez uma ética (um modo de conduzir-se) e
estética (um estilo).

Notas sobre e experiência e o saber de experiência, Jorge Larrosa Bondía


Experiência

• Vivências com continuidade no tempo

• Transformam https://www.youtube.com/watch?v=QKgm65fBTYY 0’- 3’04

... Fazer uma experiência com algo significa que algo nos acontece, nos alcança; que se apodera de nós, que
nos tomba, que nos transforma.

... experiência é a sua capacidade de formação ou transformação. Ao nos acontecer, nos forma e nos
transforma. Somente o sujeito da experiência está aberto à sua própria transformação.

Notas sobre e experiência e o saber de experiência, Jorge Larrosa Bondía


Experiência
• Experiência não é informação

• Expriência não é experimento

• A lógica da experiência produz diferença, heterogeneidade e

pluralidade

Informação não é experiência; o saber de experiência não é o saber coisas.

Se o experimento é genérico, a experiência é singular. Se a lógica do experimento produz acordo, consenso ou


homogeneidade entre os sujeitos, a lógica da experiência produz diferença, heterogeneidade e pluralidade.

Se o experimento é repetível, a experiência é algo irrepetível, sempre há algo como a primeira vez.
Se o experimento é preditível e previsível, a experiência tem sempre uma dimensão de incerteza...

Notas sobre e experiência e o saber de experiência, Jorge Larrosa Bondía


Desdobramentos de um planejamento curricular
centrado na criança: o protagonismo do professor
Parceiro, mediador, e
aprendiz que apoia as
aprendizagens e o Professor
desenvolvimento das protagonista
crianças por meio de
estratégias intencionais
...o papel do professor se foca na
provocação de descoberta por meio
de um tipo de escuta atenta e
inspirada e na estimulação do diálogo,
da (co)ação e da (co)construção de
conhecimentos das crianças. (Carolyn
Edwards, 2016)

Apoiar, por meio de experiências provocadoras de investigação, processos de


construção de significados garantindo a aprendizagem por meio das diferentes linguagens.
Experiências provocadoras de investigação

✓ as crianças se interrogam sobre as Por que no espaço é escuro se o sol mora lá?

complexidades Será que existe globo dos outros planetas?

Por que a estrela brilha?


✓ O professor disponibiliza instrumentos e
contextos Mas o que faz a Lua brilhar?

Fonte texto: Encontro Reggio Emilia, Rede Solare Brasil, fevereiro 2019. Giovanna Cagliari. Fonte das perguntas – Livro: Teias da vida: didática para professores em Pré-Escolas
Experiências provocadoras de investigação
As aprendizagens reais nascem daquilo
que as crianças já sabem e se
perguntam, perguntas poéticas que
passam por grandes temas da
humanidade.

Não fazemos perguntas de disciplinas


mas sim perguntas de vida e essas
envolvem várias disciplinas.

Fonte foto: Encontro Reggio Emilia, Rede Solare Brasil, fevereiro 2019. Giovanna Cagliari. Fonte relato - Livro Documentação pedagógica: caminhos para a continuidade e identidade da escola
Experiências provocadoras de investigação
Nos nossos momentos de leitura de imagens, a apreciação esteve a serviço de retirar
O papel do professor não é dar respostas mas
informações, pois através das questões que eu fazia para as crianças sobre o que elas
sim ajudar as crianças a confiarem na sua
estavam observando nas imagens, elas construíam conhecimentos sobre o nosso objeto
capacidade de conhecer, criando contextos em de estudo.
que suas perguntas encontram respostas
provisórias. Teca (professora): Os filhotes de beija-flor nascem sem bico?
Algumas crianças responderam que sim, outras que não.

A partir dos estudos, contextos, hipóteses, Algumas disseram que os bicos só aparecem quando os
filhotes crescem. Marcela e Giovana correram até o mural,
novas perguntas são feitas e novas
onde haviam duas imagens de beija-flor. Uma delas
investigações são colocadas em ação: como
mostrava os beija-flores recém nascidos no ninho.
fizeram isso? Com quais materiais? Com quem
Marcela e Giovana: (quando voltaram da observação das
você trabalho? Quais as novas perguntas que imagens) Sim, eles nascem com bico.
temos? Maria Júlia: é, o bico nasce bem pequenininho

Fonte : Encontro Reggio Emilia, Rede Solare Brasil, fevereiro 2019. Giovanna Cagliari. Fonte Relato: Relatório Escola Bacuri.
“Escutar” significa estar plenamente atento às
crianças e, ao mesmo tempo, assumir a
responsabilidade por registrar e documentar o que é
observado e usar isso como base para tomada de
decisões compartilhada com crianças e pais…

… significa buscar seguir e entrar na aprendizagem


enquanto ela ocorre.

Carolyn Edwards, 2016

Escuta responsiva envolve: identificar


interesses, necessidades, promover experiências,
materiais e ferramentas, transformando-as em fontes
de aprendizagem compartilhada.
Equilibrar contextos de aprendizagens promovendo um controle
compartilhado entre professores e crianças.
Apoiar a aprendizagem organizando os objetos, os materiais e a estrutura do espaço como
elementos ativos que condicionam e são condicionados pelas ações das crianças e dos adultos

https://br.pinterest.com/pin/230176230930275403/ https://br.pinterest.com/pin/45605989974282
1201/
Construir com as crianças vínculos seguros e estáveis
http://terypicg.pw/Educao-Sala-de-aula-e-Reggio-emilia-t.html https://novaescola.org.br/conteudo/8177/conheca-experiencias-brasileiras-inspiradas-em-reggio-emilia

Organizar e propocionar experiências garantindo a pluralidade de situações (curador)


Apoiar as aprendizagens e o desenvolvimento das
crianças por meio de estratégias intencionais
Atuar como Andaime
Garantir escolhas
Negociar Escutar

Explicar Questionar
Colaborar Pesquisar

Identificar Encorajar
Instruir Imaginar

Fazer conexões
Atuar como modelo Revisitar e revisar Desafiar
Documentar os processos e relações

Traz a voz e o Planejar,


pensamento das refletir e
crianças por meio avaliar e
da documentação documentar o
diversa: desenhos, processo de
palavras, objetos, aprendizagem
fotografias...) das crianças

Fonte: Concetando-se por meio dos espaços de cuidado e aprendizagem. As cem linguagens das crianças vol. 2 https://br.pinterest.com/pin/782852347703439465/
Planos de atividades
Conjunto de planejamentos que
apoiam o professor no processo de
implementação da BNCC Educação
Infantil

www.novaescola.org.br
obrigada!
beatrizferraz@escoladeeducadores.com.br