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DIREITO CIVIL

FATOS JURÍDICOS

Livro Eletrônico
© 12/2018

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VICE-PRESIDENTE: Rodrigo Teles Calado

COORDENADORA PEDAGÓGICA: Élica Lopes

ASSISTENTES PEDAGÓGICAS: Francineide Fontana, Kamilla Fernandes e Larissa Carvalho

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ASSISTENTES DE PRODUÇÃO: Giulia Batelli, Jéssica Sousa, Juliane Fenícia de Castro e Thaylinne Gomes Lima

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DICLER FORESTIERI

Ex-Auditor-Fiscal do Estado da Paraíba, Ex-


Auditor-Fiscal de Tributos do Município de São
Paulo e atual Conselheiro Substituto do TCM-RJ
(aprovado em 2º lugar). Também foi aprovado
nos concursos de Auditor-Fiscal do Estado do Rio
Grande do Sul e Conselheiro Substituto do TCE-
AM. Ministra aulas das disciplinas Direito Civil,
Direito Penal e Legislação Tributária Municipal.

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Fato Jurídico e Negócio Jurídico
Prof. Dicler Forestieri

SUMÁRIO
Fatos Jurídicos............................................................................................6
1. Conceito de Fato Jurídico..........................................................................6
1.1. Nascimento de Direito...........................................................................6
1.2. Subsistência de Direitos.........................................................................7
1.3. Modificação de Direitos..........................................................................7
1.4. Extinção de Direitos..............................................................................8
2. Classificação dos Fatos Jurídicos................................................................8
2.1. Fatos Jurídicos Naturais (ou em Sentido Estrito)........................................8
2.2. Fatos Humanos.....................................................................................9
3. Classificação dos Negócios Jurídicos......................................................... 13
4. Interpretação dos Negócios Jurídicos........................................................ 16
4.1. Princípio da Prevalência da Intenção dos Agentes.................................... 16
4.2. Princípio da Boa-Fé............................................................................. 17
4.3. Interpretação Restritiva dos Negócios Benéficos...................................... 17
5. Representação...................................................................................... 17
5.1. Negócio Consigo Mesmo....................................................................... 20

6. Elementos do Negócio Jurídico................................................................. 21


6.1. Agente.............................................................................................. 22
6.2. Objeto............................................................................................... 25
6.3. Forma............................................................................................... 26
6.4. Vontade............................................................................................. 29
6.5. Condição........................................................................................... 29
6.6. Termo............................................................................................... 36

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6.7. Encargo............................................................................................. 38
6.8. Reserva Mental................................................................................... 40
7. Defeitos e Invalidade do Negócio Jurídico.................................................. 41
7.1. Erro ou ignorância............................................................................... 41
7.2. Dolo.................................................................................................. 45
7.3. Estado de Perigo................................................................................. 49
7.4. Lesão................................................................................................ 50

7.5. Coação.............................................................................................. 52
7.6. Fraude contra Credores........................................................................ 55
7.7. Simulação.......................................................................................... 57
8. Nulidade x Anulabilidade......................................................................... 61
9. Conversão do Negócio Jurídico Nulo......................................................... 63
10. Prova do Negócio Jurídico...................................................................... 65
Questões de Concurso................................................................................ 73
Gabarito................................................................................................. 100
Gabarito Comentado................................................................................ 101

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FATOS JURÍDICOS
1. Conceito de Fato Jurídico

Os fatos jurídicos são acontecimentos, previstos em norma de direito, em razão


dos quais nascem, se modificam, subsistem e se extinguem as relações jurídicas.
Ou seja, nem todos os fatos da vida humana são tidos como juridicamente re-
levantes. Fatos como respirar não são capazes de influenciar a esfera jurídica das
pessoas e das coisas. Sendo assim, esta aula trata dos fatos que possam trazer
consequências para o mundo jurídico, seja nascendo, modificando, subsistindo ou
extinguindo direitos.
Para esclarecimento, as três categorias de fenômenos estudados até agora na
teoria geral do Direito Civil:

Sujeitos de Direito Objetos de Direito Relação Jurídica


São todas as pessoas capazes São todos os bens suscetíveis É o vínculo capaz de unir dois
de adquirir direitos. Aqui tra- de apropriação e que podem ou mais sujeitos com um ou
tamos da Pessoa Natural e da ser objetos de interesse pelos mais objetos. Para que surja a
Pessoa Jurídica. sujeitos de direito. relação jurídica, é necessária a
ocorrência de um fato jurídico.

Muitos alunos me perguntam, na aula presencial, a diferença entre fato jurídi-


co e ato jurídico. Pois bem, os atos jurídicos são espécies de fatos jurídicos. Mais
adiante abordaremos a diferença com detalhes.
A seguir, temos alguns esclarecimentos quanto aos conceitos de nascimento,
subsistência, modificação e extinção de direitos.

1.1. Nascimento de Direito

A aquisição de um direito ocorre com a sua incorporação ao patrimônio e à per-

sonalidade do particular. Pode ser classificada de várias formas.

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• Originária: ocorre sem interferência de um titular anterior (ex.: usucapião);

• Derivada: decorre da transferência feita por outra pessoa (ex.: doação).

• Gratuita: quando só o adquirente aufere vantagens (ex.: herança);

• Onerosa: quando se exige uma contraprestação do adquirente, possibilitan-

do a ambos a obtenção de benefícios (ex.: compra e venda).

• A título singular: se refere a bens determinados, seja a título inter vivos ou

a título causa mortis (ex.: compra e venda);

• A título universal: quando o adquirente sucede o antecessor na totalidade

de seus direitos (ex.: herdeiro)

1.2. Subsistência de Direitos

Para resguardar ou conservar seus direitos, muitas vezes o titular necessita to-

mar certas medidas ou providências preventivas (ex.: a garantia de uma dívida por

uma hipoteca ou um aval) ou repressivas (ex.: ação), judiciais ou extrajudiciais.

A defesa privada de direitos só é admitida excepcionalmente, pois pode levar a

excessos. Como exemplo de exceção destaca-se a legítima defesa da posse (art.

1.210, § 1º, do CC).

Art. 1.210
§ 1º O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se ou restituir-se por sua pró-
pria força, contanto que o faça logo; os atos de defesa, ou de desforço, não podem ir
além do indispensável à manutenção, ou restituição da posse.

1.3. Modificação de Direitos

Os direitos nem sempre conservam as suas características iniciais, pois podem

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sofrer mutações quanto ao objeto (ex.: novação objetiva), quanto aos sujeitos

(ex.: cessão de crédito) ou quanto a ambos os aspectos.

A novação objetiva ocorre quando se extingue uma dívida antiga e se cria uma

dívida nova em seu lugar. É o que ocorre quando uma pessoa deve um carro para

outra e ambos resolvem extinguir essa dívida e criar uma outra dívida trocando o

objeto carro por uma casa.

1.4. Extinção de Direitos

Um direito pode se extinguir por diversas razões. Entre elas destacam-se:

• o perecimento do objeto;

• a morte do titular do direito;

• a alienação do objeto;

• a prescrição;

• a decadência etc.

Dessa forma, as quatro espécies mencionadas representam a ocorrência de um

fato jurídico.

2. Classificação dos Fatos Jurídicos

Os fatos jurídicos dividem-se em dois grandes grupos: o grupo dos fatos natu-

rais e o grupo dos fatos humanos.

2.1. Fatos Jurídicos Naturais (ou em Sentido Estrito)

São aqueles provenientes de fenômenos naturais, sem a intervenção da vontade

humana, e que produzem efeitos jurídicos. Podem ser ordinários ou extraordinários:

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• Ordinários: são aqueles que normalmente acontecem (previsíveis) e pro-

duzem efeitos relevantes para o direito (ex.: nascimento, maioridade,

morte, decurso de tempo – prescrição e decadência – etc.);

• Extraordinários: são aqueles que chamamos de caso fortuito e força maior

(imprevisíveis), tendo importância para o direito porque excluem qualquer

responsabilidade (ex.: desabamento de um edifício em razão de fortes chu-

vas, incêndio de uma casa provocado por um raio, naufrágio de uma em-

barcação decorrente de um maremoto etc.).

2.2. Fatos Humanos

São acontecimentos que dependem da vontade humana, abrangendo tanto os

atos lícitos como os ilícitos. Os atos lícitos também são chamados de atos jurídicos

em sentido amplo. Os fatos humanos podem ser atos ilícitos ou atos lícitos:

Atos ilícitos

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São os que têm relevância para o direito por gerarem obrigações e deveres para

quem os pratica. Serão estudados em outra aula. Porém, cabe sabermos que são

tratados nos arts. 186 e 187 do CC.

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência,


violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato
ilícito.
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede
manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou
pelos bons costumes.

Atos lícitos (ato jurídico em sentido amplo)

A consequência da prática de um ato lícito é a obtenção do direito, o que acar-

reta a produção de efeitos jurídicos desejados pelo agente. Dividem-se no ato ju-

rídico em sentido estrito e no negócio jurídico. Entretanto, o Código Civil des-

tinou apenas um artigo aos atos lícitos (art. 185 do CC), atribuindo-lhes o mesmo

tratamento dos negócios jurídicos.

Art. 185 do CC
Aos atos jurídicos lícitos, que não sejam negócios jurídicos, aplicam-se, no que couber,
as disposições do Título anterior.

• Ato jurídico em sentido estrito: gera consequências jurídicas previstas em

lei e não pelas partes interessadas, não havendo regulamentação da autono-

mia privada. Ou seja, é aquele que surge como um mero pressuposto de efei-

to jurídico preordenado pela lei sem função e natureza de autorregulamento.

Classificam-se em dois tipos: atos materiais ou reais e participações.

− Atos materiais ou reais: consistem numa atuação de vontade que lhes dá

existência imediata, pois não se destinam ao conhecimento de determinada

pessoa; dessa forma, é correto afirmar que os atos materiais ou reais não

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possuem destinatário (ex.: fixação de domicílio, a transferência de domi-


cílio, o achado de tesouro, a percepção de frutos, pagamento indevido etc.).
− Participações: consistem em declarações para a ciência ou comunicação de
intenções ou de fatos; ou seja, o sujeito pratica o ato para dar conhecimento
a outrem. Conclui-se que possuem destinatário (ex.: intimação – ato pelo
qual alguém participa a outrem a intenção de exigi-lo certo comportamento;
notificação – ato pelo qual alguém cientifica a outrem fato que a este interessa
conhecer; interpelação – ato do credor em atenção ao devedor; oposição – ato
pelo qual alguém impugna a realização de evento futuro; etc.).
• Negócio Jurídico: é o ato de autonomia de vontade, com a qual o particular
regula por si os próprios interesses, logo, podemos afirmar que a sua essên-
cia é a autorregulação dos interesses particulares reconhecida pelo ordena-
mento jurídico (ex.: contrato de compra e venda, fazer um testamento, locar
uma casa etc.).

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Tenho certeza que essa quantidade de classificações dos fatos jurídicos causa
uma enorme confusão. Dessa forma, sempre com a intenção de facilitar o seu es-
tudo, temos a seguir um gráfico esquemático geral sobre assunto:

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Do esquema gráfico apresentado, o Código Civil dedica especial tratamento aos

negócios jurídicos (arts. 104 a 184 do CC). Entretanto, não basta a simples leitura dos

dispositivos ora citados para acertar as questões do concurso, tendo em vista que o

assunto é “recheado” de conceitos doutrinários. Dessa forma, irei abordar o assunto

associando os artigos mais cobrados em prova com a teoria desenvolvida pela doutri-

na, sempre focalizando no nosso objetivo: acertar a questão e ser aprovado.

Uma boa parcela da doutrina indica ainda a existência de mais uma categoria de

fatos jurídicos. Trata-se do ato-fato jurídico.

Nos atos-fatos jurídicos, a vontade humana é irrelevante, o que importa é

o resultado produzido. Nesses casos, o elemento psíquico pouco importa, ou seja,

não é relevante que o ato-fato jurídico tenha sido praticado por um incapaz, pois

não haverá invalidade. Exemplo disso é um louco encontrar um tesouro. Ele não

tinha intenção de encontrar o tesouro, mas o encontrou. Para o ordenamento, im-

porta que ele o achou, e, independentemente de o agente ser capaz e da intenção

dele, ainda assim serão aplicadas as normas do artigo 1.264 do Código Civil.

Art. 1.264. O depósito antigo de coisas preciosas, oculto e de cujo dono não haja
memória, será dividido por igual entre o proprietário do prédio e o que achar o
tesouro casualmente.

Enfim, independentemente de um louco ter achado o tesouro, ele será dono

de parte dele.

3. Classificação dos Negócios Jurídicos

São diversas as classificações do negócio jurídico, por isso, irei comentar

as principais.

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• Quanto às vantagens que produzem: os negócios jurídicos podem ser gra-

tuitos, onerosos, bifrontes e neutros:


− gratuito: as partes objetivam benefício ou enriquecimento patrimonial
sem qualquer contraprestação (ex.: doação – a parte que recebe a doação
não realiza uma contraprestação);
− oneroso: as partes objetivam, reciprocamente, obter vantagens para si
ou para outrem (ex.: compra e venda – deve-se pagar o preço para se
obter a coisa);
− bifronte: pode ser gratuito ou oneroso, de acordo com a vontade das par-
tes (ex.: o depósito – se eu peço para o meu vizinho guardar meu carro
enquanto eu viajo, o depósito pode ser pago ou não); e
− neutro: quando falta uma atribuição patrimonial, pois consiste em atribuir a
um bem uma destinação específica (ex.: ato de instituição de bem de família,
vincular bens com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade etc.).
• Quanto às formalidades: os negócios jurídicos podem ser solenes ou
não solenes:
− solene: requer, para a sua existência, uma forma especial prescrita em lei
(ex.: testamento); e
− não solene: não exige forma legal para que ocorra a sua efetivação (ex.:
compra e venda de bem móvel).
• Quanto ao conteúdo: os negócios jurídicos podem ser patrimoniais ou
extrapatrimoniais:
− patrimonial: versa sobre questões suscetíveis de aferição econômica (ex.:
compra e venda); e
− extrapatrimonial: versa sobre questões não suscetíveis de aferição
econômica (ex.: questões relacionadas aos direitos personalíssimos e ao

direito de família).

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• Quanto à manifestação de vontade: os negócios jurídicos podem ser uni-

laterais, bilaterais ou plurilaterais:

− unilateral: o ato volitivo (declaração de vontade) provém de um ou mais

sujeitos, desde que estejam no mesmo polo da relação jurídica (ex.: testa-

mento, promessa de recompensa etc.);

− bilateral ou plurilateral: a declaração volitiva emana de duas ou mais

pessoas oriundas de polos diferentes na relação jurídica. Pode ser:

–– a) simples: quando concede benefício a uma das partes e encargo à outra

(ex.: doação, depósito gratuito etc.); e

–– b) sinalagmático: quando confere vantagens e ônus a ambos os sujeitos

(ex.: compra e venda, locação etc.).

• Quanto ao tempo em que produzem seus efeitos: os negócios jurídicos po-

dem ser inter vivos ou mortis causa.

− inter vivos: acarreta consequência jurídica enquanto o interessado

ainda está vivo (ex.: doação, troca etc.); e

− mortis causa: regula relações de direito após a morte do sujeito (ex.:

testamento, legado etc.).

• Quanto aos seus efeitos: os negócios jurídicos podem ser constitutivos

ou declaratórios:

− constitutivo: a eficácia opera efeitos ex nunc, ou seja, a partir do mo-

mento da conclusão (ex.: compra e venda); e

− declaratório: a eficácia opera efeitos ex tunc, ou seja, retroage e se

efetiva a partir do momento em que se operou o fato a que se vincula a de-

claração de vontade (ex.: divisão do condomínio, partilha, reconhecimento

de filhos etc.).

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• Quanto à sua existência: os negócios jurídicos podem ser principais e acessórios:

− principal: é aquele que existe por si mesmo, independentemente de

qualquer outro (ex.: locação); e

− acessório: é aquele cuja existência se subordina ao negócio principal

(ex.: fiança).

• Quanto ao exercício dos direitos: os negócios jurídicos podem ser negó-

cios de disposição ou negócios de simples administração:

− negócio de disposição: implica o exercício de amplos direitos sobre

o objeto (ex.: doação); e

− negócio de simples administração: concerne ao exercício de di-

reitos restritos sobre o objeto, sem que haja alteração em sua substância

(ex.: locação de uma casa – o inquilino não pode vender a casa, pois tem

apenas a posse).

4. Interpretação dos Negócios Jurídicos

Não só a lei, mas o negócio jurídico também precisa ser interpretado, pois as

suas cláusulas podem não ser muito claras. Dessa forma, a parte geral do Código

Civil adota três importantes princípios para a interpretação dos negócios jurídicos.

4.1. Princípio da Prevalência da Intenção dos Agentes

Nos negócios escritos, parte-se da declaração de vontade escrita para se chegar à

vontade dos contratantes. Entretanto, quando uma determinada cláusula se mostra obs-

cura e passível de dúvida, alegando um dos contratantes que não representa fielmente a

vontade manifestada por ocasião da celebração do negócio, temos que a vontade preva-

lece sobre o sentido literal da linguagem, nos moldes do art. 112 do CC.

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Art. 112 do CC
Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que
ao sentido literal da linguagem.

4.2. Princípio da Boa-Fé

Já o art. 113 do CC ressalta que os intérpretes devem presumir que os contra-

tantes procedem com lealdade e que tanto a proposta como a aceitação ocorreram

dentro da regra da boa-fé.

Art. 113 do CC
Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de
sua celebração.

4.3. Interpretação Restritiva dos Negócios Benéficos

O art. 114 do CC trata dos negócios benéficos ou gratuitos, ou seja, quando

apenas um dos contratantes assume obrigações. Um exemplo clássico é a doação

que, por representar uma renúncia de direitos, deve ser interpretada estritamente.

Art. 114 do CC
Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente.

Existem ainda outros artigos espalhados pelo Código Civil e pela Legislação Es-

pecial que estabelecem regras de interpretação, mas esses são os principais.

5. Representação

Ocorre a representação quando uma pessoa celebra negócios jurídicos em

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nome de outra. A representação pode decorrer da lei (representação legal)

ou da vontade do representado (representação voluntária ou convencional).

Vide art. 115 do CC.

Art. 115. Os poderes de representação conferem-se por lei ou pelo interessado.

Como exemplo de representação legal, temos o art. 1.634, VII, do CC, que trata

da situação em que os pais devem representar os filhos.

Art. 1.634. Compete a ambos os pais, qualquer que seja a sua situação conjugal, o
pleno exercício do poder familiar, que consiste em, quanto aos filhos:
VII – representá-los judicial e extrajudicialmente até os 16 (dezesseis) anos, nos
atos da vida civil, e assisti-los, após essa idade, nos atos em que forem partes,
suprindo-lhes o consentimento;

Como exemplo de representação voluntária, temos aquela pessoa que, por meio

de uma procuração, outorga poderes para que outra a represente, conforme prevê

o art. 653 do CC.

Art. 653. Opera-se o mandato quando alguém recebe de outrem poderes para, em seu
nome, praticar atos ou administrar interesses. A procuração é o instrumento do mandato.

O exercício da manifestação de vontade pelo representante deve se limitar aos

poderes a ele conferidos, segundo o art. 116 do CC, sob pena de anulabilidade,

conferida pelo art. 119 do CC.

Art. 116. A manifestação de vontade pelo representante, nos limites de seus poderes,


produz efeitos em relação ao representado.
Art. 119. É anulável o negócio concluído pelo representante em conflito de interesses com
o representado, se tal fato era ou devia ser do conhecimento de quem com aquele tratou.
Parágrafo único. É de cento e oitenta dias, a contar da conclusão do negócio ou da cessação
da incapacidade, o prazo de decadência para pleitear-se a anulação prevista neste artigo.

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Essa anulabilidade, no entanto, fica subordinada à circunstância de que o ex-

cesso de representação seja do conhecimento do outro contratante, ou que, pelo

menos, este tenha conhecimento do excesso.

A proteção da boa-fé do terceiro contratante tem fundamento na teoria da aparência.

A teoria da aparência consiste na atribuição, pelo Direito, de valor jurídico a


determinados atos, que em princípio não teriam validade, mas que devem ser con-
siderados válidos para proteger a boa-fé e a condução habitual dos negócios.
Sendo assim, se A celebra um negócio com B (representante de C), mesmo que B
extrapole os poderes outorgados por C, caso não seja exigível de A o conhecimento
sobre o excesso praticado, o negócio será válido por conta da teoria da aparência.
O art. 118 do CC atribui ao representante a responsabilidade pelos exces-
sos praticados.

Art. 118. O representante é obrigado a provar às pessoas, com quem tratar em nome


do representado, a sua qualidade e a extensão de seus poderes, sob pena de, não o
fazendo, responder pelos atos que a estes excederem.

Ainda sobre a representação legal e a voluntária, o art. 120 do CC trata dos


efeitos que cada uma produz.

Art. 120. Os requisitos e os efeitos da representação legal são os estabelecidos nas nor-


mas respectivas; os da representação voluntária são os da Parte Especial deste Código.

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5.1. Negócio Consigo Mesmo

Vejamos o art. 117 do CC:

Art. 117. Salvo se o permitir a lei ou o representado, é anulável o negócio jurídico que


o representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo.
Parágrafo único. Para esse efeito, tem-se como celebrado pelo representante o negócio
realizado por aquele em quem os poderes houverem sido subestabelecidos.

Imagine que A, por meio de uma procuração, outorgue poderes para B lhe re-

presentar e, diante de tal situação, B venda para ele mesmo um imóvel de A. Essa

hipótese configura que B celebrou um negócio consigo mesmo.

Como regra, o negócio celebrado consigo mesmo é anulável.

Mas você pode estar se perguntando: Dicler, tem como você me apontar uma

exceção em que o negócio consigo mesmo é válido?

Uma situação de validade do negócio consigo mesmo ocorre por meio do man-

dato em causa própria, segundo o art. 685 do CC.

Art. 685. Conferido o mandato com a cláusula “em causa própria”, a sua revogação não
terá eficácia, nem se extinguirá pela morte de qualquer das partes, ficando o mandatá-
rio dispensado de prestar contas, e podendo transferir para si os bens móveis ou
imóveis objeto do mandato, obedecidas as formalidades legais.

Ou seja, o mandato em causa própria é irrevogável, não se extingue pela morte

das partes, o mandatário (aquele que recebe os poderes) não precisa prestar con-

tas e pode transferir os bens para si. Trata-se, portanto, de expressa autorização

legal para a prática do chamado negócio consigo mesmo.

NEGÓCIO CELEBRADO CONSIGO MESMO


REGRA É anulável.
EXCEÇÃO Quando houver permissão pela lei ou pelo representado.
Ex.: mandato em causa própria.

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6. Elementos do Negócio Jurídico

O negócio jurídico, para existir e ser válido, carece de quatro elementos essen-
ciais. Os três apontados no art. 104 do CC (agente, objeto e forma) são elementos
objetivos, ao passo que a vontade é um elemento subjetivo. A conjugação dos ele-
mentos objetivos com o elemento subjetivo atribui vida ao ato negocial.

Art. 104 do CC
A validade do negócio jurídico requer:
I – agente capaz;
II – objeto lícito, possível, determinado ou determinável;
III – forma prescrita ou não defesa em lei.

Os elementos acidentais (condição, termo e encargo) não são necessários para


um negócio jurídico exista e seja válido, porém podem subordinar a eficácia do ne-
gócio jurídico a uma determinada situação.
Dessa forma, a tabela adiante permite uma visão geral sobre os elementos do
negócio jurídico. Preste muita atenção nessa tabela, pois ela sintetiza a essência
da aula de hoje.

ELEMENTOS
ELEMENTOS ESSENCIAIS
ACIDENTAIS
VALIDADE
EXISTÊNCIA EFICÁCIA
NULO ANULÁVEL VÁLIDO
Absolutamente Relativamente Plenamente
AGENTE
incapaz. incapaz. capaz.
Lícito, possível,
Ilícito, impossível
OBJETO ------------- determinado ou CONDIÇÃO
e indeterminável.
determinável.
Inobservância Prescrita ou não
FORMA -------------
de lei. proibida por lei. TERMO

Erro substancial,
dolo essencial,
Simulação, coação coação moral, Livre, de boa-fé ENCARGO
VONTADE
física*. estado de perigo, e consciente.
lesão e fraude
contra credores.

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*Posição não pacífica na doutrina. Alguns autores defendem que a coação


física irresistível acarreta a inexistência do negócio jurídico; outros dizem que
ela provoca a nulidade absoluta do ato negocial.

Entre os elementos essenciais, são comuns a todos os negócios jurídicos a capa-

cidade do agente, o objeto lícito possível e determinado, além da vontade (consen-

timento); ao passo que a forma do ato jurídico e a prova do ato negocial (estudada

no fim da aula) são elementos essenciais particulares, pois podem variar de acordo

com a natureza de cada negócio jurídico.

Segue tabela sobre os elementos do negócio jurídico:

agente, objeto e vontade


ELEMENTOS COMUNS
(consentimento).
ESSENCIAIS
PARTICULARES forma e prova do ato negocial.
ELEMENTOS
condição, termo e encargo.
ACIDENTAIS

6.1. Agente

O agente é o primeiro elemento objetivo e, para o negócio jurídico ser válido, a

pessoa que o celebra deve ser plenamente capaz. Caso contrário, o negócio jurídico

pode ser nulo (nulidade absoluta), se celebrado por pessoa absolutamente incapaz

sem a devida representação, ou anulável (nulidade relativa), se o agente for rela-

tivamente capaz e não houver a devida assistência.

Entretanto, é interessante a citação do art. 180 do CC.

Art. 180 do CC
O menor, entre dezesseis e dezoito anos, não pode, para eximir-se de uma obrigação,
invocar a sua idade se dolosamente a ocultou quando inquirido pela outra parte, ou se,
no ato de obrigar-se, declarou-se maior.

O menor, entre dezesseis e dezoito anos não poderá invocar a proteção legal

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em favor de sua incapacidade para eximir-se da obrigação ou para anular um ato

negocial que tenha praticado, sem a devida assistência, se agiu dolosamente, es-

condendo sua idade, quando inquirido pela outra parte, ou se espontaneamente

se declarou maior. Conclui-se que, em tais circunstancias, o menor relativamente

incapaz não pode alegar sua menoridade para escapar da obrigação contraída.

Sobre a incapacidade de um dos agentes que celebram o negócio jurídico, tam-

bém vale citarmos o art. 105 do CC:

Art. 105. A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra
em benefício próprio, nem aproveita aos cointeressados capazes, salvo se, neste caso,
for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum.

Por ser a incapacidade relativa uma exceção (defesa) pessoal, ela somente

poderá ser formulada pelo próprio incapaz ou pelo seu representante. Como a

anulabilidade do ato negocial praticado por relativamente incapaz é um benefício

legal para a defesa de seu patrimônio contra abusos de outrem, apenas o próprio

incapaz ou seu representante legal o deverá invocar.

Entretanto, se o objeto do direito ou da obrigação comum for indivisível, em de-

corrência da impossibilidade de separar o interesse dos contratantes, a incapacida-

de de um deles poderá tornar anulável o ato negocial praticado, mesmo que invo-

cada pelo agente capaz, aproveitando aos cointeressados capazes, que porventura

houver. Logo, nessa hipótese, o capaz que veio a contratar com relativamente in-

capaz estará autorizado legalmente a invocar em seu favor a incapacidade relativa

deste, desde que indivisível a prestação, objeto do direito ou da obrigação comum.

Vamos visualizar a explicação acima, vejamos as duas hipóteses:

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Hipótese 1 → Quando o objeto é divisível

Hipótese 2 → Quando o objeto é indivisível

O cointeressado capaz (B) poderá se beneficiar da possibilidade de anular o

negócio jurídico se o objeto for indivisível. Nessa hipótese não tem como dividir

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o objeto em duas partes e anular apenas parte do negócio. Ou anula tudo ou

não anula nada.

6.2. Objeto

No que tange ao objeto, para o negócio jurídico ser válido, o objeto deve ser

lícito (de acordo com a lei, moral, ordem pública e bons costumes – ex.: é veda-

do o contrato de herança de pessoa viva pelo art. 426 do CC); deve ser possível

(ex.: não pode ser objeto de contrato uma viagem para Júpiter); e determinado

(individualizado) ou, ao menos, determinável – passível de individualização em um

momento futuro (ex.: não se pode comprar um animal sem especificar a espécie).

Caso contrário, o negócio jurídico será nulo.

Art. 426. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva.

Além disso, é interessante observarmos o art. 106 do CC.

Art. 106. A impossibilidade inicial do objeto não invalida o negócio jurídico se for rela-
tiva, ou se cessar antes de realizada a condição a que ele estiver subordinado.

Concluímos que dois pontos merecem destaque:

• se a impossibilidade do objeto for relativa, isto é, se a prestação puder ser re-

alizada por outrem, embora não o seja pelo devedor, não ocorre a invalidade

do negócio jurídico; e

• se o negócio jurídico contendo objeto impossível tiver sua eficácia subordi-

nada a um evento futuro e incerto, e aquela impossibilidade cessar antes de

realizada aquela condição válida será a avença.

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6.3. Forma

A forma é o meio de exteriorização da vontade. Quando observada quanto à


disponibilidade e considerando o conjunto de exigências e permissões legais que a
envolves, a forma pode ser:

Forma livre ou geral


É a regra adotada pelo art. 107 do CC. Em regra, os negócios jurídicos são in-
formais, podendo os agentes adotar a forma que bem lhes aprouver (princípio da
liberalidade das formas). Os negócios jurídicos, cujo valor não exceda a dez vezes
o valor do salário mínimo vigente, poderão ser verbais, sendo que para efeito de
prova serão indispensáveis as testemunhas do ato (art. 227 do CC).

Art. 107 do CC
A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando
a lei expressamente a exigir.
Art. 227 do CC
Salvo os casos expressos, a prova exclusivamente testemunhal só se admite nos negó-
cios jurídicos cujo valor não ultrapasse o décuplo do maior salário mínimo vigente no
País ao tempo em que foram celebrados.

Forma especial ou solene


É aquela que, por lei, não pode ser preterida por outra; logicamente, como já
foi dito, não constitui a regra. Pode se apresentar sob três tipos:
• Forma especial ou solene única
Neste tipo, a lei prevê uma formalidade essencial e não admite qualquer outra
configuração, como é o caso dos arts. 108, 1.227, 1.245 e 1.653 do CC.
No art. 108 do CC, temos que, salvo disposição legal em contrário, os negócios
jurídicos que versem sobre bens imóveis e superem o valor de 30 salários mínimos

devem ser realizados sobre a forma de escritura pública.

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Art. 108 do CC
Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negó-
cios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de di-
reitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo
vigente no País.

Nos arts. 1.227 e 1.245 do CC, temos a base legal para o brocado: “quem não

registra não é dono”, que se refere aos bens imóveis.

Art. 1.227 do CC
Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se
adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos
(arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código.
Art. 1.245 do CC
Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no
Registro de Imóveis.
§ 1º Enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido
como dono do imóvel.
§ 2º Enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade
do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como
dono do imóvel.

No art. 1.653 do CC, percebemos que o pacto antenupcial, documento que define o

regime de bens de um casamento, deve ser celebrado sob a forma de escritura pública.

Art. 1.653 do CC - É nulo o pacto antenupcial se não for feito por escritura pública,
e ineficaz se não lhe seguir o casamento.

• Forma plural

Às vezes, a lei faculta a prática do ato negocial mediante duas ou mais formas

prescritas, como na instituição do bem de família e na instituição de uma fundação

que podem ser por escritura pública ou testamento (arts. 62 e 1.711 do CC).

Art. 62 do CC

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Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamen-
to, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando,
se quiser, a maneira de administrá-la.
Art. 1.711 do CC
Podem os cônjuges, ou a entidade familiar, mediante escritura pública ou testamen-
to, destinar parte de seu patrimônio para instituir bem de família, desde que não
ultrapasse um terço do patrimônio líquido existente ao tempo da instituição, mantidas
as regras sobre a impenhorabilidade do imóvel residencial estabelecida em lei especial.

• Forma genérica

Segundo a Prof.ª Maria Helena Diniz, tal forma “implica uma solenidade mais

geral, imposta pela norma jurídica”. Caracteriza-se por um conjunto de ele-

mentos escritos tal como ocorre no contrato de empreitada (art. 619 do CC). Para

exigir aumento no preço, motivado por mudança nas especificações da obra, o

empreiteiro deverá comprovar o alegado mediante documentação das instruções

recebidas do contratante.

Art. 619 do CC
Salvo estipulação em contrário, o empreiteiro que se incumbir de executar uma obra,
segundo plano aceito por quem a encomendou, não terá direito a exigir acréscimo no
preço, ainda que sejam introduzidas modificações no projeto, a não ser que estas resul-
tem de instruções escritas do dono da obra.

Forma contratual

É a que resulta da convenção das partes. Como exemplo, o art. 109 do CC faz

entender que o negócio jurídico de forma livre pode ser transformado em solene

pelas partes.

Art. 109 do CC
No negócio jurídico celebrado com a cláusula de não valer sem instrumento público, este
é da substância do ato.

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Graficamente, temos o seguinte:

6.4. Vontade

O elemento que trata da vontade será estudado em um tópico específico que

possui como título “defeitos do negócio jurídico”. Entretanto, merece destaque o

art. 111 do CC que possibilita a manifestação de vontade por meio do silêncio.

Art. 111. O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autoriza-


rem, e não for necessária a declaração de vontade expressa.

A seguir, trataremos dos elementos acidentais do negócio jurídico: a condição,

o termo e o encargo ou modo.

6.5. Condição

A condição é uma cláusula que subordina a eficácia do negócio jurídico a even-

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to futuro e incerto. Dessa forma, para que se configure o negócio condicional são

necessários dois requisitos: a futuridade e a incerteza. Ou seja, não se considera

condição o fato passado ou presente, mas somente o futuro. Como exemplo, temos

a promessa de R$ 100.000,00 de uma pessoa a outra, caso o Flamengo seja cam-

peão do Campeonato Brasileiro de 2020. O negócio em questão é futuro (só sabe-

remos o campeão em dezembro de 2020) e incerto (pode ser campeão ou não), por

isso configura-se uma condição.

Art. 121 do CC
Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das par-
tes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto.

Existem diversas classificações para as condições. As principais são:

Quanto ao modo de atuação

As condições podem ser: suspensivas ou resolutivas.

• Condição suspensiva: as partes protelam, temporariamente, a eficácia do

ato negocial até a realização do evento futuro e incerto.

Ex.: te dou um carro se você ganhar o jogo de futebol.

Art. 125 do CC
Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se
não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa.

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Exemplos de condições suspensivas citados pela Profa. Maria Helena Diniz:

− comprarei seu quadro se ele for aceito numa exposição internacional;

− adquirirei o cavalo “Fogo Branco” se ele vencer a corrida no Grande Prêmio

promovido, daqui a três meses, pelo Jockey Club de São Paulo; e

− doarei meu apartamento se você casar.

• Condição resolutiva: a ocorrência do evento futuro e incerto resolve (extin-

gue) o direito transferido pelo negócio jurídico.

Ex.: te dou uma “mesada” enquanto você estudar.

Art. 127 do CC
Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico,
podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido.

Exemplos de condições resolutivas citados pela Profa. Maria Helena Diniz:

− constituo uma renda em seu favor, enquanto você estudar;

− cedo-lhe esta casa, para que nela resida, enquanto for solteiro; e

− compro-lhe esta fazenda, sob a condição do contrato se resolver se gear

nos próximos três anos.

Quanto à participação da vontade dos sujeitos

As condições podem ser: causais, potestativas, mistas e promíscuas.

• Condições causais: são as que dependem do acaso, de um acontecimento

fortuito ou de força maior, ou seja, de um fato alheio à vontade das partes.

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Ex.: Dar-te-ei uma joia se chover amanhã.

• Condições potestativas: são as que decorrem da vontade de uma das par-

tes. Podem ser:

− puramente potestativas: são as que se sujeitam ao puro arbítrio de uma

das partes, valendo dizer que a sua ocorrência depende exclusivamente

da vontade da pessoa, independentemente de qualquer fator externo. Nos

termos do art. 122, 2a parte, do CC, tais condições são ilícitas.

Ex.: Dar-te-ei determinada quantia em dinheiro o dia em que eu vestir meu terno cinza.

Art. 122 do CC
São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou aos
bons costumes; entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o
negócio jurídico, ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes.

Exemplos de condições puramente potestativas citados pela Profa. Maria Helena Diniz:

–– a) constituição de uma renda em seu favor se você vestir tal roupa amanhã; e

–– b) aposição de cláusula que, em contrato de mútuo, dê ao credor poder

unilateral de provocar o vencimento antecipado da dívida, diante de sim-

ples circunstância de romper-se o vínculo empregatício entre as partes.

− simplesmente potestativas: são as que se sujeitam à vontade de uma

das partes conjugada com fatores externos que escapam ao seu controle.

Ou seja, além do arbítrio, exige-se uma atuação especial do sujeito.

Ex.: Dar-te-ei dois mil reais no dia que eu conseguir viajar para a Europa.

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Para tal viagem se realizar depende de tempo e dinheiro, não ficando, então, a

condição sujeita ao arbítrio exclusivo de uma pessoa.

Exemplos de condições simplesmente potestativas citados pela Profa. Maria

Helena Diniz:

–– a) doação a um cantor de ópera, condicionada ao fato de desempenhar

bem um determinado papel; e

–– b) comodato (empréstimo) de casa a alguém se for até Paris para inscre-

ver-se num concurso de artes plásticas.

• Condições mistas: são as que dependem, simultaneamente, da vontade de

uma das partes e da vontade de um terceiro.

Ex.: Dar-te-ei dois mil reais se casares com Maria.

Exemplo de condição mista citado pela Profa. Maria Helena Diniz:

− dar-lhe-ei este apartamento se você casar com Paulo antes de sua forma-

tura, ou se constituir sociedade com João.

• Condições promíscuas: são as que se caracterizam no momento inicial

como potestativas, vindo a perder tal característica por fato superveniente

alheio à vontade do agente, que venha a dificultar sua realização.

Ex.: dar-lhe-ei dois mil reais se você, campeão de futebol, jogar no próximo torneio.

A condição em questão passará a ser promíscua se o jogador vier a machucar

a perna.

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Quanto à possibilidade

As condições podem ser possíveis e impossíveis. Além disso, subdividem-se em

fisicamente ou juridicamente possíveis ou impossíveis.

• Condições fisicamente impossíveis: são as que contrariam as leis

da natureza.

Ex.: Colocar toda a água do oceano em um copo.

• Condições juridicamente impossíveis: são a que contrariam a ordem legal.

Ex.: Negócio jurídico que tenha por objeto herança de pessoa viva (ver art. 426 do CC).

• Condições fisicamente possíveis: são as que não contrariam as leis da

natureza.

• Condições juridicamente possíveis: são a que não contrariam a lei, a or-

dem pública ou os bons costumes.

É interessante fazer uma observação sobre as condições impossíveis com base

nos art. 123, I e 124 do CC.

Art. 123 do CC
Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados:
I – as condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas;
Art. 124 do CC
Têm-se por inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas, e as de
não fazer coisa impossível.

Dependendo do tipo de condição impossível temos efeitos distintos para o ne-

gócio jurídico:

• Condição impossível suspensiva: invalida o negócio jurídico (nulidade

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absoluta), pois o evento futuro e incerto nunca vai ocorrer e o negócio nunca

vai produzir efeitos.

Ex.: Vou te dar uma “mesada” quando o Congresso Nacional (CN) suprimir da

Constituição Federal (CF) o direito à vida.

• Condição impossível resolutiva: considera-se inexistente a condição,

pois ela nunca vai ocorrer e, consequentemente, o negócio continuará pro-

duzindo efeitos.

Ex.: Vou te dar uma “mesada”, mas a cancelarei se o Congresso Nacional (CN)

suprimir da Constituição Federal (CF) o direito à vida.

Como o direito à vida é uma cláusula pétrea nunca haverá tal supressão.

CONDIÇÃO IMPOSSÍVEL
SUSPENSIVA Invalida o negócio jurídico.
RESOLUTIVA Considera-se inexistente a condição.

Quanto à licitude

As condições podem ser: lícitas e ilícitas.

• Condições lícitas: quando o evento que a constitui não for contrário à lei, à

ordem pública, à moral e aos bons costumes.

• Condições ilícitas: são aquelas condenadas pela norma jurídicas, pela mo-

ral e pelos nos costumes.

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Exemplos de condições ilícitas citados pela Profa. Maria Helena Diniz:

− prometer uma recompensa sob a condição de alguém viver em concubi-

nato impuro;

− entregar-se à prostituição;

− furtar certo bem;

− dispensar, se casado, os deveres de coabitação e fidelidade mútua; e

− não se casar.

Resumo sobre a Classificação das Condições

• Quanto ao modo de atuação: suspensivas ou resolutivas.

• Quanto à participação da vontade dos sujeitos: causais, potestativas, mistas

e promíscuas.

• Quanto à possibilidade: possíveis ou impossíveis (física ou juridicamente).

• Quanto à licitude: lícitas e ilícitas.

6.6. Termo

O termo representa o dia em começa ou se extingue a eficácia do negócio ju-

rídico. Quando convencionado no contrato, o termo subordina o efeito do negócio

jurídico a um evento futuro e certo. Ou seja, corresponde a uma data certa para

iniciar ou terminar a eficácia do ato negocial.

Condição – evento futuro e incerto.

Termo – evento futuro e certo.

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O termo pode ser:

• Inicial (dies a quo) ou suspensivo: fixa o momento em que a eficácia do

negócio jurídico deve iniciar, retardando o exercício do direito.

Ex.: Um contrato de locação celebrado no dia 20 de um mês para ter vigência no

dia 1º do mês seguinte.

Art. 131 do CC
O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito.

• Final (dies ad quem ou ad diem) ou resolutivo: determina a data da ces-

sação dos efeitos do ato negocial, extinguindo as obrigações dele oriundas.

Ex.: O contrato de locação se encerra no dia 31 de dezembro do ano que vem.

• Certo: refere-se a um evento futuro e certo de ocorrer em data certa do

calendário (dia, mês e ano), ou quando fixa certo lapso de tempo.

Ex.: Data certa – 15 de dezembro de 2020; lapso de tempo – daqui a 6 meses.

• Incerto: quando se refere a um acontecimento futuro e certo de ocorrer, que

ocorrerá em data incerta.

Ex.: Um imóvel passa a ser de outrem a partir da morte de seu proprietário.

A morte é um evento certo (todos irão morrer um dia) que acontecerá em uma

data incerta.

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O art. 132 do CC estabelece a forma de contagem dos prazos:

Art. 132 do CC
Salvo disposição legal ou convencional em contrário, computam-se os prazos, excluí-
do o dia do começo, e incluído o do vencimento.
§ 1º Se o dia do vencimento cair em feriado, considerar-se-á prorrogado o prazo até o
seguinte dia útil.
§ 2º Meado considera-se, em qualquer mês, o seu décimo quinto dia.
§ 3º Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no ime-
diato, se faltar exata correspondência.
§ 4º Os prazos fixados por hora contar-se-ão de minuto a minuto.

6.7. Encargo

O encargo, também chamado de modo, é uma cláusula imposta nos ne-

gócios gratuitos, que restringe a vantagem do beneficiado. Como exem-

plo, temos a doação de um terreno a determinada pessoa para lá ser construído

um asilo. Trata-se de uma cláusula acessória aos atos que possuem caráter de

liberalidade (doações e testamentos) pelo qual se impõe um ônus ou obrigação

ao beneficiário. É admitido também em declarações unilaterais de vontade tal

como uma promessa de recompensa.

Pelo art. 553 do CC, concluímos que:

Art. 553 do CC
O donatário é obrigado a cumprir os encargos da doação, caso forem a benefício do
doador, de terceiro, ou do interesse geral.
Parágrafo único. Se desta última espécie for o encargo, o Ministério Público poderá exi-
gir sua execução, depois da morte do doador, se este não tiver feito.

Se um encargo decorrente de uma doação for de interesse geral, a exigência de

seu cumprimento pode ter como origem o Ministério Público, na hipótese do doador

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já haver morrido e ainda não ter feito tal exigência.

Dispõe o art. 136 do CC que:

Art. 136 do CC
O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito, salvo quando expressa-
mente imposto no negócio jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva.

Dessa forma, a partir do momento em que for aberta a sucessão, o domínio e

a posse dos bens transmitem-se imediatamente aos herdeiros nomeados, com a

obrigação de cumprir o encargo a eles imposto. Se esse encargo não for cumprido,

a liberalidade poderá ser revogada. Ou seja, se uma pessoa recebe um terreno

como herança, com o encargo de construir um asilo em tal terreno, a propriedade

do terreno é adquirida antes da construção do asilo, pois o encargo (construção do

asilo) não suspende a aquisição do direito (propriedade do terreno).

Outro dispositivo que merece uma análise é o art. 137 do CC.

Art. 137 do CC
Considera-se não escrito o encargo ilícito ou impossível, salvo se constituir o motivo
determinante da liberalidade, caso em que se invalida o negócio jurídico.

A regra é que o encargo ilícito ou impossível seja considerado não escrito, sendo

mantida a validade do negócio jurídico. Porém, se o encargo ilícito ou impossível for

a razão determinante da liberalidade (motivo principal do negócio), o ato negocial

será invalidado. Ou seja, deve-se analisar no caso concerto se o encargo é o motivo

principal ou secundário do negócio jurídico. Caso seja principal, ocorre invalidade,

caso seja secundário, mantém-se a validade do ato negocial.

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6.8. Reserva Mental

A reserva mental representa a emissão de uma declaração de vontade não

desejada em seu conteúdo, tampouco em seu resultado, pois o declarante tem por

único objetivo enganar o declaratário. Trata-se de um inadimplemento premedi-

tado. O assunto é tratado no art. 110 do CC.

Art. 110 do CC
A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental
de não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento.

De acordo com o dispositivo legal em questão, duas situações podem ocorrer:

• reserva mental lícita: é a reserva mental desconhecida pelo destinatário,

onde o ato negocial subsistirá e o contratante deverá cumprir a obrigação

assumida; e

• reserva mental ilícita: é a reserva mental conhecida pelo destinatário, ou

seja, o destinatário sabe do inadimplemento premeditado por parte do con-

tratante. Nesse caso, ocorre a invalidade do negócio jurídico.

Conclui-se que o conhecimento ou não da reserva mental importa diferentes

consequências jurídicas.

RESERVA MENTAL
DESCONHECIDA PELA
O ato negocial subsistirá e será válido.
OUTRA PARTE (LÍCITA)
CONHECIDA PELA OUTRA
O ato negocial será inválido (nulidade absoluta).
PARTE (ILÍCITA)

Como exemplo de reserva mental, temos aquela pessoa que promete uma quan-

tia em dinheiro para outra que ameaçava pular de uma ponte por estar passando

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dificuldades financeiras. Entretanto a intenção era apenas salvar a vida e não em-

prestar o dinheiro.

7. Defeitos e Invalidade do Negócio Jurídico


Os defeitos do negócio jurídico são imperfeições oriundas da declaração de

vontade das partes acarretando nos vícios de consentimento do agente. Entre-

tanto, há casos em que se tem uma vontade funcionando normalmente, havendo

até mesmo correspondência entre a vontade interna e sua manifestação, porém ela

se desvia da lei ou da boa-fé, violando direitos ou prejudicando terceiros,

sendo, dessa forma, o negócio jurídico suscetível de invalidação. Tratam-se dos

vícios sociais.

VÍCIOS DE CONSENTIMENTO:
erro, dolo, lesão, estado de perigo e coação.

VÍCIOS SOCIAIS:
simulação e fraude contra credores.

7.1. Erro ou ignorância

O erro ou ignorância é a noção falsa acerca de um objeto ou de determinada

pessoa. Ocorre o erro quando o agente se engana sobre alguma coisa. Como exem-

plo, temos a pessoa que compra um relógio dourado, supondo que é de ouro. Para

acarretar a anulação do negócio jurídico, o erro deve ser substancial.

Art. 138 do CC
São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emanarem de
erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face
das circunstâncias do negócio.

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Art. 139 do CC
O erro é substancial quando:
I – interessa à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a algu-
ma das qualidades a ele essenciais;
II – concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a decla-
ração de vontade, desde que tenha influído nesta de modo relevante;
III – sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou
principal do negócio jurídico.

Temos dois grandes tipos de erros. O erro substancial é aquele de tal impor-

tância que, se fosse conhecida a verdade, o consentimento não se externaria. Ou

seja, funciona como razão determinante para a realização do negócio jurídico e, por

isso, é causa de anulabilidade. Diferente é o erro acidental, em que, se fosse

conhecida a verdade, ainda assim o ato negocial se realizaria, embora de maneira

menos onerosa. O erro acidental não provoca a anulação do negócio jurídico.

Tipos de erro substancial (conforme o art. 139 do CC):

• Erro sobre a natureza do ato negocial (error in ipso negotio): ocorre

quando a pessoa que pratica determinado negócio interpreta mal a realidade

e acaba praticando outro tipo de negócio.

Ex.: A, com a intenção de vender um imóvel a B, acaba realizando uma doação.

• Erro sobre o objeto principal da declaração (error in ipso corpore): ocor-

re quando atingir o objeto principal da declaração em sua identidade, isso é,

o objeto não é o pretendido pelo agente.

Ex.: Se um contratante supõe estar adquirindo um lote de terreno de excelente loca-

lização, quando na verdade está comprando um situado em péssimo local; pensar

estar adquirindo um quadro de Portinari, quando na realidade é de um outro pintor.

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• Erro sobre a qualidade essencial do objeto (error in corpore): ocorrerá

este erro substancial quando a declaração enganosa de vontade recair sobre

a qualidade essencial do objeto.

Ex.: Se a pessoa pensa adquirir um relógio de prata que, na realidade, é de aço;

adquirir um quadro a óleo, pensando ser de um pintor famoso, do qual constava o

nome na tela, mas que na verdade era falso.

• Erro sobre a pessoa e sobre as qualidades essenciais da pessoa (error in

persona): é aquele que incide sobre a identidade ou as características da pessoa.

Ex.: Contratar o advogado João da Silva por ser uma pessoa de notório conheci-

mento na área trabalhista e, na verdade, contratar um recém-formado com nome

homônimo; uma moça de boa formação moral se casar com um homem, vindo a

saber depois que se tratava de um desclassificado ou homossexual; fazer um testa-

mento contemplando sua mulher com a meação de todos os bens, mas, por ocasião

do cumprimento do testamento, o Tribunal verificar que a herdeira instituída não é

a mulher do testador, por ser casada com outro.

• Erro de direito (error juris): ocorre quando o agente emite uma declaração

de vontade no pressuposto falso de que procede conforme a lei.

Ex.: A realiza a compra e venda internacional da mercadoria X sem saber que sua

exportação foi proibida legalmente; A adquire de B o lote X, ignorando que lei

municipal proibia loteamento naquela localidade.

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A seguir temos outros tipos de erros.

O erro de cálculo é um erro acidental (não anula o ato negocial) que recai

sobre dados aritméticos de uma conta. Tal erro não causa a anulabilidade do negó-

cio jurídico, pois pode ser corrigido.

Art. 143 do CC
O erro de cálculo apenas autoriza a retificação da declaração de vontade.

O erro quanto ao fim colimado está relacionado com o motivo do negócio

e, não sendo determinante do negócio, não pode ser considerado essencial; con-

sequentemente, não poderá acarretar a anulação do ato negocial. É o que diz o

artigo 140 do CC.

Art. 140 do CC
O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão determinante.

O erro acidental in qualitate diz respeito às qualidades secundárias ou aces-

sórias da pessoa (ex.: se é casada ou solteira) ou do objeto (ex.: comprar o lote

n. 27 e receber o de n. 72 por erro de digitação). Tal erro não induz a anulação do

ato negocial por não incidir sobre a declaração de vontade, caso seja possível, por

seu contexto e pelas circunstâncias, identificar a pessoa ou a coisa. É o que diz o

art. 142 do CC.

Art. 142 do CC
O erro de indicação da pessoa ou da coisa, a que se referir a declaração de vontade, não
viciará o negócio quando, por seu contexto e pelas circunstâncias, se puder identificar
a coisa ou pessoa cogitada.

O último erro a ser estudado é o erro na transmissão de vontade por meios

interpostos (art. 141 do CC) que é o erro por defeito de intermediação mecânica

ou pessoal, que altera a vontade declarada na efetivação do ato negocial.

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Ex.: Alguém recorre a rádio, televisão, telefone etc. para transmitir uma decla-

ração de vontade, e o veículo utilizado, devido a interrupção ou deturpação

sonora, o faz com incorreções, acarretando desconformidade entre a vontade

declarada e a interna.

Esse tipo de erro só anula o negócio se a alteração verificada vier a prejudicar o

real sentido da declaração expedida. Em caso contrário, ele será insignificante e o

negócio efetivado prevalecerá.

Art. 141 do CC
A transmissão errônea da vontade por meios interpostos é anulável nos mesmos casos
em que o é a declaração direta.

7.2. Dolo

O dolo é o emprego de um artifício astucioso para induzir alguém à prática de

um negócio jurídico. Como exemplo, temos o vendedor que induz o cliente a acre-

ditar que um relógio simplesmente dourado é de ouro.

O erro se diferencia do dolo. No erro, a vítima se engana sozinha, ao passo que, no

dolo, a vítima é enganada pela má-fé alheia.

Existem vários tipos de dolo, entre eles destacamos:

• dolo principal ou essencial (art. 145 do CC): é aquele que dá causa ao

negócio jurídico, sem o qual ele não se teria concluído, acarretando a anu-

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labilidade do ato negocial. Além de possibilitar a anulação, o dolo essencial

enseja indenização por perdas e danos.

Art. 145 do CC
São os negócios jurídicos anuláveis por dolo, quando este for a sua causa.

• dolo acidental (dolus incidens) (art. 146 do CC): é o que leva a vítima

a realizar o negócio jurídico, porém em condições mais onerosas ou menos

vantajosas, não afetando sua declaração de vontade, embora venha provocar

desvios. Não é causa de anulabilidade por não interferir diretamente na

declaração de vontade, mas enseja indenização por perdas e danos.

Art. 146 do CC
O dolo acidental só obriga à satisfação das perdas e danos, e é acidental quando, a
seu despeito, o negócio seria realizado, embora por outro modo.

Temos o seguinte:

DOLO ESSENCIAL NULIDADE RELATIVA + PERDAS E DANOS.


DOLO ACIDENTAL SÓ PERDAS E DANOS.

O dolo de terceiro é aquele oriundo de uma terceira pessoa que não é parte

no negócio jurídico. Só será causa de anulabilidade do negócio jurídico quando a

parte beneficiada souber ou tiver a possibilidade de saber sobre a sua existência,

tal como no caso de terceiro que utiliza o artifício a mando de um dos contratantes.

O assunto tem como base o art. 148 do CC.

Art. 148 do CC
Pode também ser anulado o negócio jurídico por dolo de terceiro, se a parte a quem apro-
veite dele tivesse ou devesse ter conhecimento; em caso contrário, ainda que subsista o ne-
gócio jurídico, o terceiro responderá por todas as perdas e danos da parte a quem ludibriou.

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Ou seja, a anulação decorrente de dolo de terceiro depende do conhecimento

da parte beneficiada.

Graficamente, temos o seguinte:

Sobre o dolo bilateral ou recíproco (de ambas as partes), é interessante ler-

mos o art. 150 do CC.

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Art. 150 do CC
Se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma pode alegá-lo para anular o ne-
gócio, ou reclamar indenização.

Conclui-se que o dolo bilateral não é capaz de anular o negócio jurídico, tam-

pouco gerar indenização por perdas e danos. O ato negocial em que houver dolo

bilateral será válido.

Outro artigo interessante é o art. 149 do CC.

Art. 149 do CC
O dolo do representante legal de uma das partes só obriga o representado a responder
civilmente até a importância do proveito que teve; se, porém, o dolo for do representante
convencional, o representado responderá solidariamente com ele por perdas e danos.

Entende-se que o dolo utilizado pelo representante convencional ou vo-

luntário (responsabilidade solidária com o representante por perdas e danos) é

mais grave que o utilizado pelo representante legal (responsabilidade limitada

ao proveito obtido com o dolo). Tal fato ocorre em razão da escolha do represen-

tante. No caso do representante legal (pai, mãe, tutor, curador), o representando

não manifesta sua vontade, pois a pessoa é indicada por lei; entretanto, na escolha

do representante convencional (mandatário ou procurador), a escolha decorre da

manifestação de vontade acarretando uma maior responsabilidade na hipótese de

haver dolo por parte do representante.

Veja o esquema a seguir:

LEGAL
Responsabilidade do representado
Ex.: pais, tutores,
limitada ao proveito obtido com o dolo.
DOLO DO curadores etc.
REPRESENTANTE CONVENCIONAL Responsabilidade solidária entre o
Ex.: procuradores, representante e o representado
gestores de negócios etc. nas perdas e danos.

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O dolo negativo (art. 147 do CC) é aquele resultante de uma omissão intencio-

nal para induzir um dos contratantes (conduta negativa). Pode acarretar a anulação

do ato negocial se for o motivo determinante (dolo principal). Se for acidental, en-

seja, apenas, perdas e danos.

Art. 147 do CC
Nos negócios jurídicos bilaterais, o silêncio intencional de uma das partes a respeito de
fato ou qualidade que a outra parte haja ignorado, constitui omissão dolosa, provando-
-se que sem ela o negócio não se teria celebrado.

É o que acontece quando alguém omite uma moléstia grave ao celebrar um se-

guro de vida.

7.3. Estado de Perigo

O art. 156 do CC define o que vem a ser estado de perigo.

Art. 156 do CC
Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-
-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume
obrigação excessivamente onerosa.
Parágrafo único. Tratando-se de pessoa não pertencente à família do declarante, o
juiz decidirá segundo as circunstâncias.

O estado de perigo representa a assunção de uma obrigação excessiva-

mente onerosa (exorbitante) para evitar um dano pessoal que é do conhe-

cimento da outra parte contratante. Grosseiramente falando, o declarante de

encontra diante de uma situação que deve optar entre dois males: sofrer o dano

ou participar de um contrato que lhe é excessivamente oneroso. Vejamos alguns

clássicos exemplos de estado de perigo:

• doente que concorda com altos honorários exigidos pelo médico cirurgião;

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• venda de bens abaixo do preço para levantar o dinheiro necessário ao resgate

do sequestro do filho ou para pagar uma cirurgia médica urgente;

• promessa de recompensa ou doação de quantia vultosa feita, por um aciden-

tado, a alguém, para que o salve etc.

Boa parte da doutrina entende que, para se configurar o estado de perigo, há


necessidade de a outra parte conhecer a situação de necessidade. Pegando o pri-
meiro exemplo, para se configurar o estado de perigo é necessário que o médico
conheça a doença grave do paciente e, por isso, cobre os altos honorários. Tal co-
nhecimento é chamado de dolo de aproveitamento.

7.4. Lesão

A lesão é um vício de consentimento decorrente do abuso praticado em situação


de desigualdade de um dos contratantes, por estar sob premente necessidade, ou por
inexperiência, com o objetivo de protegê-lo diante do prejuízo sofrido na conclusão
de um negócio jurídico em decorrência da desproporção existente entre as prestações
das duas partes. Trata-se de um dano patrimonial. Diz o art. 157 do CC:

Art. 157 do CC
Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência,
se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta.
§ 1º Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao tempo
em que foi celebrado o negócio jurídico.
§ 2º Não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou
se a parte favorecida concordar com a redução do proveito.

Para exemplificar: alguém prestes a ser despejado procura um imóvel para


abrigar a sua família e exercer seu negócio profissional, e o proprietário, mesmo
não tendo conhecimento do fato, eleva o preço do aluguel. Ou então, a pessoa que,
para evitar a falência, vende seu imóvel a preço inferior ao de mercado, em razão
da falta de disponibilidade líquida para pagar seus débitos.

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Estado de perigo – decorre do risco de dano a uma pessoa.

Lesão – decorre do risco de dano ao patrimônio.

A lesão pode ser de três tipos: enorme, especial e usurária.

• Lesão enorme: caracteriza-se pela simples desproporção entre as presta-

ções. É o lucro exorbitante obtido por uma das partes contratantes.

• Lesão especial: exige, além do lucro excessivo, a situação de necessidade

ou inexperiência da parte prejudicada. É a lesão adotada pelo CC em seu

art. 157.

• Lesão usurária: além do lucro excessivo e da situação de necessidade ou

inexperiência da parte lesada, para se caracterizar, exige, ainda, o dolo de

aproveitamento, consistente na má-fé da parte beneficiada.

Lesão enorme: lucro exorbitante (LE).

Lesão especial: (LE) + necessidade ou inexperiência (NI).

Lesão usurário: (LE) + (NI) + má-fé (dolo de aproveitamento).

Apesar do CC fazer referência à lesão especial, a doutrina entende suficiente

a lesão enorme para que o ato negocial possa ser anulado. É o que se enten-

de do Enunciado 290 do CJF, aprovado na IV Jornada de Direito Civil:

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A lesão acarretará a anulação do negócio jurídico quando verificada, na formação deste,


a desproporção manifesta entre as prestações assumidas pelas partes, não se presu-
mindo a premente necessidade ou a inexperiência do lesado.

Para que o ato negocial esteja sujeito à anulação em razão da lesão, alguns

pressupostos devem ser satisfeitos, entre eles temos: o lucro exorbitante da outra

parte e uma situação de dano patrimonial. Se houver dano pessoal, não cabe a le-

são, mas sim o estado de perigo.

7.5. Coação

A coação é uma pressão física ou moral exercida sobre alguém para induzi-lo à

prática de um determinado negócio jurídico. Trata-se de violência ou ameaça que

infringe a liberdade de decisão do coagido, tornando-se mais grave que o dolo, pois

este afeta apenas a inteligência da vítima. Pode ser física ou moral, mas o CC só

trata da coação moral.

Art. 151 do CC
A coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente funda-
do temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens.
Parágrafo único. Se disser respeito a pessoa não pertencente à família do paciente, o
juiz, com base nas circunstâncias, decidirá se houve coação.

• Coação física (vis absoluta): ocorre quando a vontade do coagido é com-

pletamente eliminada. Ou seja, o constrangimento corporal faz com que a

capacidade de querer de uma das partes seja totalmente eliminada. Se-

gundo a Prof.ª Maria Helena Diniz, é uma causa de nulidade absoluta do

negócio jurídico, mas há quem caracterize como uma causa de inexistência

do negócio jurídico.

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Ex.: Se alguém segurar a mão da vítima, apontando-lhe uma arma e forçando-a a

assinar um determinado documento.

• Coação moral (vis compulsiva): ocorre quando a vítima sofre uma grave ame-

aça, indutiva da prática do negócio jurídico, podendo, porém, optar entre o ato e o

dano, com que é ameaçada. Ou seja, não obstante a chantagem do autor, a vítima

conserva relativamente a sua vontade. É a coação tratada no art. 151 do CC e que

pode ser causa de anulabilidade (nulidade relativa) do negócio jurídico.

Ex.: O assaltante que ameaça a vítima dizendo: “a bolsa ou a vida”.

Através do art. 151 do CC, percebemos que para a coação servir de fundamento

para a anulação de um negócio jurídico ela pode ser dirigida da seguinte forma:

− contra a pessoa do próprio contratante;

− contra a pessoa da família do contratante;

− contra os bens do contratante;

− contra pessoa não pertencente à família do contratante, mas, nesse caso,

o magistrado deve analisar se as relações de afetividade são fortes o bas-

tante para se configurar uma situação de coação.

Ainda sobre a coação moral irresistível, no decorrer da coação deve-se levar em

conta as características do coator, do coagido e da situação (art. 152 do CC). Por

isso, não se caracteriza a coação moral se uma idosa de 92 anos, com 1,50 m de

altura e 41 kg ameaçar bater em Janjão Brutamontes, 29 anos, lutador de “Vale-

-Tudo”, com 2,12 m e 135 kg.

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Art. 152 do CC
No apreciar a coação, ter-se-ão em conta o sexo, a idade, a condição, a saúde, o tempera-
mento do paciente e todas as demais circunstâncias que possam influir na gravidade dela.

Finalizando a coação, temos o exercício normal de um direito e o simples temor

reverencial, citados no art. 153 do CC, que não caracterizam a coação moral.

Art. 153 do CC
Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito, nem o sim-
ples temor reverencial.

Ex.: Se o credor de uma dívida vencida e não paga ameaçar o devedor


AMEAÇA DO
de protestar o título e requerer falência, não se configurará coação,
EXERCÍCIO NORMAL
por ser ameaça justa que se prende ao exercício normal de um direito.
DE UM DIREITO
Logo, o devedor não poderá reclamar a anulação do protesto.
É o receio de desgostar ascendente (pai, mãe, tio etc.) ou pessoa a
TEMOR REVERENCIAL quem se deve obediência e respeito. Desde que não haja ameaças
ou violências irresistíveis, o ato negocial não pode ser anulado.

Por fim, cabe ainda tratarmos da coação exercida por terceiro. Trata-se da co-

ação oriunda de uma terceira pessoa que não é parte no negócio jurídico. Só será

causa de anulabilidade do negócio jurídico quando a parte beneficiada souber ou

tiver a possibilidade de saber sobre a sua existência.

Vejamos os arts. 153 e 154 do CC.

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Art. 154. Vicia o negócio jurídico a coação exercida por terceiro, se dela tivesse ou
devesse ter conhecimento a parte a que aproveite, e esta responderá solidaria-
mente com aquele por perdas e danos.
Art. 155. Subsistirá o negócio jurídico, se a coação decorrer de terceiro, sem que a parte
a que aproveite dela tivesse ou devesse ter conhecimento; mas o autor da coação
responderá por todas as perdas e danos que houver causado ao coacto.

7.6. Fraude contra Credores

A fraude contra credores (vício social) constitui a prática maliciosa pelo deve-

dor insolvente (aquele cujo patrimônio passivo é superior ao patrimônio ativo) de

atos que desfalcam o seu patrimônio, com o fim de colocá-lo a salvo de uma exe-

cução por dívidas em detrimento dos direitos creditórios alheios. Segundo a Prof.ª

Maria Helena Diniz possui dois elementos:

• eventus damini (elemento objetivo): é todo ato prejudicial ao credor por

tornar o devedor insolvente ou por ter sido realizado em estado de insolvên-

cia, ainda quando o ignore, ou ante o fato de a garantia tornar-se insuficiente

depois de executada; e

• consilium fraudis (elemento subjetivo): é a má-fé, a intenção de prejudicar

do devedor ou do devedor aliado a terceiro, ilidindo os efeitos da cobrança.

Vide o art. 158 do CC.

Art. 158 do CC
Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o
devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, po-
derão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos.

Quando o ato prejudicial ao credor for gratuito (transmissão gratuita e remis-

são de dívidas), para que os credores prejudicados com o ato tenham o direito de

anular, não é necessário que se prove a má-fé (consilium fraudis). Ou seja, nos ne-

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gócios gratuitos o elemento subjetivo é desnecessário para se caracterizar a fraude

contra credores.

Para exemplificar melhor a fraude contra credores, veja o esquema a seguir que

tem como base um balanço patrimonial de uma empresa, onde o ATIVO = PASSIVO

+ PATRIMÔNIO LÍQUIDO:

A situação descrita acima é de insolvência, pois o patrimônio líquido é negativo

(-20.000). Dessa forma, caso a empresa em questão resolva doar o dinheiro que

está no caixa para o projeto “Criança Esperança”, os credores poderão anular a

doação alegando fraude contra credores. O mesmo ocorre na remissão (perdão da

dívida) das duplicatas a receber. Por fim, também pode ser utilizada a ação paulia-

na caso os imóveis que valem R$ 240.000,00 sejam vendidos dolosamente por R$

50.000,00. Mas, neste último caso, por se tratar de um negócio oneroso, é neces-

sário que se prove a má-fé (consilium fraudis).

FRAUDE CONTRA CREDORES


NEGÓCIOS GRATUITOS A má-fé é presumida e, por isso, o elemento consilium fraudis é
dispensável.
NEGÓCIOS ONEROSOS A má-fé não é presumida e, por isso, o elemento consilium fraudis
deve ser provado.

A fraude à execução (FE) diferencia-se da fraude contra credores (FC). Veja a

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tabela a seguir com as principais diferenças:

FRAUDE CONTRA CREDORES FRAUDE À EXECUÇÃO


É defeito do negócio jurídico, regulada no É incidente do processo, regulada no direito
direito privado (Código Civil). público (Código de Processo Civil).

Ocorre quando o devedor ainda não res- Pressupõe que exista uma demanda (ação) em
ponde à nenhuma ação ou execução. andamento.

Só pode ser alegada em ação pauliana ou Pode ser alegada incidentalmente; não depende
revocatória. da propositura de nenhuma ação específica.

Exige-se a prova da má-fé do 3º adquirente, Não é exigida a prova da má-fé do 3º adquirente,


em se tratando de negócios onerosos. visto estar presumida.

7.7. Simulação

O outro vício social, além da fraude contra credores, é a simulação que repre-

senta um acordo de vontade entre as partes para dar existência real a um negócio

jurídico fictício, ou então para ocultar o negócio jurídico realmente realizado, com

o objetivo de violar a lei ou enganar terceiros. Conclui-se que são necessários três

requisitos para a simulação:

• acordo entre as partes, ou com a pessoa a quem ela se destina;

• declaração enganosa de vontade; e

• intenção de enganar terceiros ou violar a lei.

A seguir, serão apresentadas espécies de simulação.

Simulação absoluta

Ocorre quando as partes não pretendem realizar a celebração de qualquer ne-

gócio jurídico. Ou seja, há um acordo simulatório em que as partes pretendem que

o negócio não produza nenhum efeito de modo a não produzir eficácia jurídica.

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Ex.: Emissão de títulos de crédito, que não representam qualquer negócio, feita pelo

marido, em favor de amigo, antes da separação judicial para prejudicar a mulher

na partilha de bens; o proprietário de uma casa alugada que, com a intenção de

facilitar a ação de despejo contra seu inquilino, finge vendê-la a terceiro que, resi-

dindo em imóvel alheio, terá maior possibilidade de vencer a referida demanda; o

devedor que finge vender seus bens para evitar a penhora etc.

Simulação relativa

Ocorre quando uma pessoa, sob a aparência de um negócio fictício, pretende rea-

lizar outro que é o verdadeiro, diferente, no todo ou em parte, do primeiro. Ou seja,

há nessa espécie de simulação, dois contratos, um aparente (simulado) e um real

(dissimulado), sendo este o realmente desejado pelas partes. Como exemplo, temos

o homem casado que faz a doação de um imóvel a sua “amante”, mas providencia a

lavratura de uma escritura de compra e venda. Nesse caso, a simulação é relativa,

porque existe um ato simulado (compra e venda) praticado para esconder um ato

dissimulado (doação). Vejamos o art. 167 do CC que trata da simulação relativa:

Art. 167 do CC
É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na
substância e na forma.
§ 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando:
I – aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais
realmente se conferem, ou transmitem;
II – contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira;
III – os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados.
§ 2º Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do negócio
jurídico simulado.

Conclui-se que, dependendo da situação, o negócio real (dissimulado) pode

subsistir sem se tornar nulo, caso não ofenda a lei nem cause prejuízos a terceiros.

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O gráfico a seguir simboliza um negócio aparente (fictício) escondendo a celebra-

ção de um negócio real.

Em se tratando da simulação relativa, nos termos do art. 167 do CC, é possível

que subsista o negócio dissimulado se ele for válido na substância e na forma.

Perceba na figura a seguir que o negócio simulado (fictício) mascara o negócio

dissimulado (verdadeiro).

Na simulação absoluta, o negócio é nulo e insuscetível de convalidação. Na si-

mulação relativa, o negócio simulado ou fictício (aparente) é nulo, mas o negócio

dissimulado (escondido) será válido se não ofender a lei nem causar prejuízos a

terceiros. É o que se depreende do art. 167 do CC.

A simulação relativa pode ser de dois tipos:

• Simulação relativa subjetiva (ad personam): é aquela em que a parte

contratante não tira proveito do negócio por ser um sujeito aparente, ou seja,

a parte aparente (“testa de ferro”) repassa os direitos a uma terceira pessoa.

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Ex.: O homem casado que simula doar um imóvel a um amigo para que este o

repasse à “amante” do homem casado; venda realizada a um terceiro para que ele

transmita a coisa a um descendente do alienante, a quem se tem a intenção de

transferi-la desde o início.

• Simulação relativa objetiva: ocorre quando o negócio jurídico (NJ) contém

declaração não verdadeira a respeito do seu objeto, tal como uma escritura

pública de compra e venda com preço inferior ao real para burlar o fisco atra-

vés do pagamento de um imposto menor.

Simulação inocente

É a que não objetiva violar a lei ou prejudicar terceiro. É o que ocorre na doação

mascarada feita por um homem solteiro a sua concubina. Parte da doutrina enten-

de que por não prejudicar terceiro, deve ser considerada. Entretanto, o Conselho da

Justiça Federal entende o contrário, conforme exteriorizado na III Jornada de Direito

Civil, através do Enunciado 152: “Toda simulação, inclusive a inocente, é invalidante”.

Ex.: Situação em que o de cujus antes de falecer, sem herdeiros necessários, simula

venda aparente a terceira pessoa a quem pretende deixar um legado; a prática do

“Fica”, documento muito utilizado no Mato Grosso do Sul, em que uma das partes

recebe dinheiro e declara ter recebido gado, que se obriga a devolver.

Simulação maliciosa

É a que objetiva fraudar a lei ou prejudicar terceiros. Nesse caso o ato será nulo.

Segue esquema gráfico sobre a simulação:

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8. Nulidade x Anulabilidade

A nulidade absoluta se difere em vários aspectos da nulidade relativa (anulabi-

lidade). E essas diferenças são extremamente cobradas em provas de concursos.

Uma das principais funções desta aula é fazer você diferenciar as situações que

acarretam a nulidade absoluta e as que acarretam a anulabilidade.

A seguir, temos um quadro na forma de tabela enumerando as principais dife-

renças entre a nulidade absoluta (mais grave) e a nulidade relativa (menos grave).

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Seguem os artigos citados na tabela:

Art. 169. O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem convalesce pelo
decurso do tempo.
Art. 177. A anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença, nem se pro-
nuncia de ofício; só os interessados a podem alegar, e aproveita exclusivamente aos que
a alegarem, salvo o caso de solidariedade ou indivisibilidade.

Sobre os prazos decadenciais para se pleitear a anulação do negócio jurídico,

vejamos a questão no art. 178 do CC.

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Art. 178 do CC
É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio
jurídico, contado:
I – no caso de coação, do dia em que ela cessar;
II – no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia
em que se realizou o negócio jurídico;
III – no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade.
Art. 179 do CC
Quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem estabelecer prazo para plei-
tear-se a anulação, será este de dois anos, a contar da data da conclusão do ato.

O direito de anulação do negócio jurídico, no caso dos vícios de consentimento

ou social, decai em quatro anos. Entretanto, quando se tratar de coação moral, o

início deste prazo começa a partir do fim da coação (art. 178, I, do CC).

Numa situação onde haja previsão de anulabilidade do ato, mas o Código Civil

não mencione um prazo, como no art. 496 do CC, o prazo será de 2 anos.

Art. 496 do CC
É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o
cônjuge do alienante expressamente houverem consentido.
Parágrafo único. Em ambos os casos, dispensa-se o consentimento do cônjuge se o re-
gime de bens for o da separação obrigatória.

Seguem outros artigos sobre a invalidade do negócio jurídico:

Art. 182. Anulado o negócio jurídico, restituir-se-ão as partes ao estado em que antes dele
se achavam, e, não sendo possível restituí-las, serão indenizadas com o equivalente.
Art. 183. A invalidade do instrumento não induz a do negócio jurídico sempre que este
puder provar-se por outro meio.
Art. 184. Respeitada a intenção das partes, a invalidade parcial de um negócio jurídico
não o prejudicará na parte válida, se esta for separável; a invalidade da obrigação principal
implica a das obrigações acessórias, mas a destas não induz a da obrigação principal.

9. Conversão do Negócio Jurídico Nulo

Sobre a conversão do negócio jurídico nulo, dispõe o art. 170 do CC:

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Art. 170 do CC
Se, porém, o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro, subsistirá este quan-
do o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se houvessem
previsto a nulidade.

Tal dispositivo consagra o princípio da conservação do negócio jurídico. Ocorre

esse princípio quando o ato negocial nulo (nulidade absoluta) não pode prevalecer na

forma pretendida pelas partes, mas, como seus elementos são idôneos para caracterizar

outro ato de natureza diversa, poderá ocorrer a transformação, desde que isso não seja

proibido taxativamente, como nos casos de testamento. Como exemplo, temos a trans-

formação de um contrato de compra e venda nulo por defeito de forma (ex.: imóvel com

valor superior a 30 salários mínimos deve ter por forma uma escritura pública, sendo

nulo caso se proceda mediante instrumento particular) em um compromisso de compra

e venda (este pode ser celebrado por instrumento particular).

O contrato preliminar não precisa ser celebrado na forma necessária ao contrato

final. Vide art. 462 do CC.

Art. 462 do CC
O contrato preliminar, exceto quanto à forma, deve conter todos os requisitos essen-
ciais ao contrato a ser celebrado.

É por isso que o compromisso de compra e venda relativo a bens imóveis com

valor superior a trinta salários mínimos não precisa ser celebrado através de uma

escritura pública, bastando um instrumento particular.

Segue uma tabela para relembrar as definições de convalidação, confirmação e con-

versão, pois tais conceitos serão necessários para o entendimento do próximo tópico.

CONFIRMAÇÃO É um ato das partes contratantes com o objetivo


NULIDADE (art. 172 do CC) de sanar o vício do ato negocial.
RELATIVA Decorre do decurso de tempo que provoca a deca-
CONVALIDAÇÃO
dência do direito de anular o negócio.

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NULIDADE É a transformação do ato nulo em outro que


CONVERSÃO
ABSOLUTA contém os requisitos do primeiro.

Ou seja, a confirmação e a convalidação são institutos jurídicos inerentes ao ne-

gócio jurídico anulável (nulidade relativa). Já a conversão é um instituto do negócio

jurídico nulo (nulidade absoluta).

Seguem alguns artigos sobre a confirmação do negócio jurídico anulável.

Art. 172. O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes, salvo direito de terceiro.
Art. 173. O ato de confirmação deve conter a substância do negócio celebrado e a von-
tade expressa de mantê-lo.
Art. 174. É escusada a confirmação expressa, quando o negócio já foi cumprido em
parte pelo devedor, ciente do vício que o inquinava.
Art. 175. A confirmação expressa, ou a execução voluntária de negócio anulável, nos
termos dos arts. 172 a 174, importa a extinção de todas as ações, ou exceções, de que
contra ele dispusesse o devedor.
Art. 176. Quando a anulabilidade do ato resultar da falta de autorização de terceiro,
será validado se este a der posteriormente.

10. Prova do Negócio Jurídico

A prova representa o conjunto de meios empregados para demonstrar, legal-

mente, a existência de um negócio jurídico. Para que uma prova seja válida, ela

deve possuir os requisitos listados no quadro adiante.

REQUISITOS DA PROVA
ADMISSIBILIDADE → significa que a prova não pode ser proibida por lei.
PERTINÊNCIA → a prova deve ser idônea para demonstrar os fatos relacionados com
a questão discutida.
CONCLUDÊNCIA → a prova deve ser apta a esclarecer pontos controversos ou confir-
mar alegações feitas.

O art. 212 do CC enumera, de maneira exemplificativa e não taxativa, os meios

de prova dos negócios jurídicos a que não se exige uma forma especial.

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Art. 212 do CC
Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado me-
diante:
I – confissão;
II – documento;
III – testemunha;
IV – presunção;
V – perícia.

A confissão é o ato pelo qual a parte admite, judicial ou extrajudicialmente, a

verdade de um fato, contrário ao seu interesse e favorável ao adversário. Os arti-

gos 213 e 214 do CC tratam do assunto.

Art. 213 do CC
Não tem eficácia a confissão se provém de quem não é capaz de dispor do direito a que
se referem os fatos confessados.
Parágrafo único. Se feita a confissão por um representante, somente é eficaz nos limites
em que este pode vincular o representado.

Como regra, a confissão só pode ser produzida por pessoa capaz e no gozo de

seus direitos. Dessa forma, se uma pessoa não for proprietária do imóvel vendido,

não poderá confessar a irregularidade da venda, porém, se for o dono, poderá ad-

mitir a irregularidade do fato.

Excepcionalmente, a confissão pode ser feita por um representante, entretanto

apenas produzirá efeitos se estiver dentro dos limites conferidos pelo representado.

Dessa forma, um mandatário munido apenas com poderes de administração não

poderá confessar um fato que ultrapassa esses poderes.

Art. 214 do CC
A confissão é irrevogável, mas pode ser anulada se decorreu de erro de fato ou de coação.

Conclui-se do art. 214 do CC que a irrevogabilidade é uma característica da

confissão, entretanto a anulabilidade é possível no caso de erro de fato ou coação.

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Os documentos, públicos ou particulares, possuem função apenas probatória.

São públicos os documentos elaborados por autoridade pública, no exercício de

suas funções, tal como as certidões, traslados etc. São particulares aqueles elabo-

rados por particulares, tal como cartas, telegramas etc.

Não podemos confundir documentos públicos ou particulares com instrumentos

públicos ou particulares. O instrumento é uma espécie do gênero documento. So-

bre a escritura pública, devem ser observadas as formalidades do art. 215 do CC.

Art. 215 do CC
A escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é documento dotado de fé pública,
fazendo prova plena.
§ 1º Salvo quando exigidos por lei outros requisitos, a escritura pública deve conter:
I – data e local de sua realização;
II – reconhecimento da identidade e capacidade das partes e de quantos hajam compa-
recido ao ato, por si, como representantes, intervenientes ou testemunhas;
III  – nome, nacionalidade, estado civil, profissão, domicílio e residência das partes e
demais comparecentes, com a indicação, quando necessário, do regime de bens do ca-
samento, nome do outro cônjuge e filiação;
IV – manifestação clara da vontade das partes e dos intervenientes;
V – referência ao cumprimento das exigências legais e fiscais inerentes à legitimidade do ato;
VI – declaração de ter sido lida na presença das partes e demais comparecentes, ou de
que todos a leram;
VII – assinatura das partes e dos demais comparecentes, bem como a do tabelião ou
seu substituto legal, encerrando o ato.
§ 2º Se algum comparecente não puder ou não souber escrever, outra pessoa capaz
assinará por ele, a seu rogo.
§ 3º A escritura será redigida na língua nacional.
§ 4º Se qualquer dos comparecentes não souber a língua nacional e o tabelião não en-
tender o idioma em que se expressa, deverá comparecer tradutor público para servir de
intérprete, ou, não o havendo na localidade, outra pessoa capaz que, a juízo do tabelião,
tenha idoneidade e conhecimento bastantes.
§ 5º Se algum dos comparecentes não for conhecido do tabelião, nem puder identifi-
car-se por documento, deverão participar do ato pelo menos duas testemunhas que o
conheçam e atestem sua identidade.

Os documentos particulares são realizados somente com a assinatura dos pró-


prios interessados, nos termos do art. 221 do CC.

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Art. 221 do CC
O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na
livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de
qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito
de terceiros, antes de registrado no registro público.
Parágrafo único. A prova do instrumento particular pode suprir-se pelas outras de
caráter legal.

Através do art. 219 do CC, percebe-se que, mesmo sem testemunhas, o docu-
mento particular vale entre as próprias partes.

Art. 219 do CC
As declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras em re-
lação aos signatários.
Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com
a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em
sua veracidade do ônus de prová-las.

Também se faz necessária a análise do art. 220 do CC.

Art. 220 do CC
A anuência ou a autorização de outrem, necessária à validade de um ato, provar-se-á
do mesmo modo que este, e constará, sempre que se possa, do próprio instrumento.

Um exemplo prático desse dispositivo legal se dá quando uma mulher casada


outorga procuração ao marido para a alienação de bens imóveis. Como a alienação
deve ser realizada por meio de uma escritura pública, então a outorga uxória tam-

bém deve ser dada pela esposa através de uma escritura pública.

A seguir temos outros artigos do CC sobre documentos que são autoexplicativos:

Art. 222. O telegrama, quando lhe for contestada a autenticidade, faz prova mediante
conferência com o original assinado.
Art. 223. A cópia fotográfica de documento, conferida por tabelião de notas, valerá
como prova de declaração da vontade, mas, impugnada sua autenticidade, deverá ser
exibido o original.
Parágrafo único. A prova não supre a ausência do título de crédito, ou do original, nos ca-
sos em que a lei ou as circunstâncias condicionarem o exercício do direito à sua exibição.
Art. 224. Os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o por-
tuguês para ter efeitos legais no País.

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Art. 225. As reproduções fotográficas, cinematográficas, os registros fonográficos


e, em geral, quaisquer outras reproduções mecânicas ou eletrônicas de fatos ou de
coisas fazem prova plena destes, se a parte, contra quem forem exibidos, não lhes
impugnar a exatidão.
Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a
que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínse-
co, forem confirmados por outros subsídios.
Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que
a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e
pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos.

As testemunhas, que podem ser instrumentárias (que assinam o documen-

to) ou judiciárias (que prestam depoimento em juízo), representam a forma menos

segura de se provar um negócio jurídico. Por essa razão, o art. 227, caput, do CC

estatuía que a prova exclusivamente testemunhal só era admitida em negócio de

pequena monta (cujo valor não ultrapasse 10 salários mínimos). Tal dispositivo foi

revogado pela Lei n. 13.105/2015.

Art. 227 do CC
Salvo os casos expressos, a prova exclusivamente testemunhal só se admite nos
negócios jurídicos cujo valor não ultrapasse o décuplo do maior salário mínimo vigente
no País ao tempo em que foram celebrados.

Como o parágrafo único do artigo continua vigente, o entendimento atual é que

a prova testemunhal é admitida em negócios jurídicos de qualquer valor de forma

subsidiária ou complementar.

Parágrafo único. Qualquer que seja o valor do negócio jurídico, a prova testemunhal é
admissível como subsidiária ou complementar da prova por escrito.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) entende que a prova testemunhal somente

não é admitida para se provar a existência do contrato.

O art. 228 do CC enumera as pessoas que não podem ser admitidas como testemunha.

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Art. 228 do CC
Não podem ser admitidos como testemunhas:
I – os menores de dezesseis anos;
II – aqueles que, por enfermidade ou retardamento mental, não tiverem discernimento
para a prática dos atos da vida civil;
III – os cegos e surdos, quando a ciência do fato que se quer provar dependa dos sen-
tidos que lhes faltam;
IV – o interessado no litígio, o amigo íntimo ou o inimigo capital das partes;
V – os cônjuges, os ascendentes, os descendentes e os colaterais, até o terceiro grau de
alguma das partes, por consanguinidade, ou afinidade.
§ 1º. Para a prova de fatos que só elas conheçam, pode o juiz admitir o depoimento das
pessoas a que se refere este artigo.
§ 2º A pessoa com deficiência poderá testemunhar em igualdade de condições com as
demais pessoas, sendo-lhe assegurados todos os recursos de tecnologia assistiva.

O dispositivo acima foi alterado pela Lei n. 13.146/2015 (Estatuto da Pessoa com De-

ficiência) que revogou os incisos II e III. A inclusão do § 2º corrobora a ideia de inclusão

social dos portadores de deficiência ao possibilitar que eles sejam testemunhas.

Os menores, relativamente incapazes, podem testemunhar, independentemente de

assistência. Ou seja, com 16 anos, uma pessoa pode ser testemunha.

A presunção representa a ideia que se extrai de um fato conhecido para se

chegar a um fato desconhecido. Um exemplo ocorre com o recibo de pagamento.

É presumido que o credor só entrega o recibo após o pagamento ocorrer, dessa

forma, se uma pessoa apresenta um recibo, presume-se que o pagamento foi feito.

No quadro a seguir temos os tipos de presunção:

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É a que decorre da lei, tal como a que recai sobre o


LEGAL
marido, que a lei presume ser pai do filho nascido de
(júris)
sua mulher, na constância do casamento.
É deixada ao critério e prudência do magistrado, que
COMUM se baseia no que ordinariamente acontece, na expe-
(hominis) riência da vida, tal como o amor materno, de onde se
PRESUNÇÃO
presume que a mãe nunca vai prejudicar o seu filho.
ABSOLUTA É a que não admite prova em contrário, ou seja, é a
(júris et de jure) presunção de verdade atribuída pela lei a certos fatos.
É a que admite prova em contrário, tal como a presun-
RELATIVA
ção de paternidade atribuída ao filho de sua mulher
(júris tantum)
nascido na constância do casamento.
A presunção absoluta e a presunção relativa são espécies de presunção legal.

A perícia é uma prova decorrente de análises de especialistas ou peritos que a

doutrina subdivide em três tipos:

• o exame, a vistoria e a avaliação:

− exame: é a apreciação de alguma coisa por meio de peritos, para esclare-

cimento de um determinado fato em juízo, tais como o exame de DNA, o

exame grafotécnico e o exame médico nas interdições;

− vistoria: é a mesma operação, porém está restrita à inspeção ocular, muito

empregada nas ações possessórias e nos vícios redibitórios; e

− avaliação: é o ato pericial que tem por objetivo o esclarecimento de valores;

• o arbitramento:

• é o exame pericial que busca determinar o valor da coisa ou da obrigação a

ela ligada, muito comum em desapropriações e em ações de alimentos;

• a inspeção judicial:

• consiste na verificação feita pessoalmente pelo magistrado, quer examinando

uma pessoa, quer verificando um objeto, com a finalidade de colher dados

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para a prova.

Nesse assunto, destacam-se os arts. 231 e 232 do CC.

Art. 231 do CC
Aquele que se nega a submeter-se a exame médico necessário não poderá aproveitar-
-se de sua recusa.
Art. 232 do CC
A recusa à perícia médica ordenada pelo juiz poderá suprir a prova que se pretendia
obter com o exame.

Conclui-se que, se uma pessoa se nega a fazer um exame de DNA ordenado

pelo juiz para provar a paternidade, tal recusa poderá valer como prova da pater-

nidade. Ou seja, a recusa ao exame pode fazer com que o magistrado conclua pela

procedência da ação.

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QUESTÕES DE CONCURSO
Questão 1    (FCC/PGE-RR/PROCURADOR/2011) O recente terremoto ocorrido no

Japão em 11 de março de 2011, sob o ponto de vista da teoria geral do direito,

pode ser classificado como

a) ato jurídico em sentido estrito.

b) ato jurídico em sentido amplo.

c) negócio jurídico.

d) fato jurídico em sentido estrito.

e) fato ilícito em sentido estrito.

Questão 2    (FCC/TJ-PA/AJAJ/2009) O fato jurídico é todo acontecimento da vida

relevante para o direito, mesmo que ilícito, podendo-se afirmar que:

a) os fatos humanos por si só, ou atos jurídicos em sentido amplo, não criam nem

modificam direitos.

b) fatos humanos e fatos naturais significam a mesma coisa, ainda que decorram

uns da atividade humana e outros da natureza.

c) os fatos naturais não se confundem, por exemplo, com o nascimento, a morte

e a maioridade.

d) os fatos extraordinários não guardam relação com tempestades, terremotos e

raios, por exemplo.

e) os fatos extraordinários não se enquadram na categoria dos fortuitos ou de

força maior.

Questão 3    (FCC/TRT 11ª REGIÃO/JUIZ SUBSTITUTO/2007) José, servidor público

federal, sendo proprietário de um imóvel na cidade de São Paulo, alugou-o para

Antonio. Findo o prazo contratual e tendo de mudar-se para aquela cidade em ra-

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zão de transferência, onde proverá cargo efetivo, que deseja exercer durante dois
anos, tempo suficiente para obter sua aposentadoria, o locador notificou o locatá-
rio, para desocupar a casa. Neste caso, a notificação do locador
a) constitui ato jurídico e José terá apenas residência em São Paulo, mas não
terá domicílio.
b) e a fixação do domicílio constituem ato jurídico e o domicílio de José
será voluntário.
c) constitui ato jurídico, mas não é negócio jurídico e José terá domicílio necessário
em São Paulo.
d) e a fixação do domicílio constituem, respectivamente, negócio jurídico e ato ju-
rídico, e José terá domicílio voluntário.
e) e a fixação do domicílio constituem, respectivamente, ato jurídico e negócio ju-
rídico e José terá domicílio voluntário em São Paulo.

Questão 4    (FCC/TJ-PA/AJAJ/2009) No que tange aos negócios jurídicos pode-se afir-
mar que
a) os negócios neutros podem ser enquadrados entre os onerosos ou os gratuitos.
b) nos negócios jurídicos onerosos nem sempre ambos os contratantes
auferem vantagens.
c) não há nenhum negócio que não possa ser incluído na categoria dos onerosos
ou dos gratuitos.
d) nos negócios jurídicos gratuitos só uma das partes aufere vantagens ou benefícios.
e) os negócios celebrados inter vivos não se destinam obrigatoriamente a produzir
efeitos desde logo, ainda que estando vivas as partes.

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Questão 5    (FAU/PREF. DE CHOPINZINHO/PROCURADOR/2016) O negócio jurídico


é o ato jurídico com finalidade de criar, modificar, conservar ou extinguir direitos.

Assinale a alternativa que contém os requisitos para validade do negócio jurídico:

a) Agente capaz, possibilidade jurídica do pedido, formalidade.

b) Capacidade das partes, forma escrita e objeto lícito.

c) Agente capaz, objeto lícito, possível, indeterminado, forma prescrita ou não de-

fesa em lei.

d) Objeto possível, personalidade jurídica e formalidade legal.

e) Agente capaz, objeto lícito, possível, determinado ou determinável e forma

prescrita ou não defesa em lei.

Questão 6    (FCC/TRT 3ª REGIÃO/AJOJ/2015) Leonardo adquiriu de Paulo carre-

gamento de celulares falsificados, combinando pagar por eles quando da entrega,

que, se não efetivada, daria ao adquirente direito a postular cumprimento forçado

da obrigação. Em não tendo havido a entrega, Leonardo ajuizou ação contra Paulo,

que, em contestação, não suscitou ser ilegal o negócio, confessou a obrigação e

dispôs-se a cumpri-la espontaneamente. O cumprimento da obrigação

a) não poderá ocorrer, devendo o juiz declarar, de ofício, a nulidade do negócio.

b) deverá ocorrer, tendo em vista que os negócios jurídicos anuláveis são passíveis

de convalidação, ainda que tácita.

c) deverá ocorrer, tendo em vista que as nulidades não podem ser apreciadas de ofício.

d) deverá ocorrer, tendo em vista que os negócios jurídicos anuláveis são passíveis

de convalidação, desde que expressa.

e) não poderá, a princípio, ocorrer, devendo o juiz anular o negócio jurídico, salvo

se, quando do ajuizamento da ação, já houver transcorrido prazo de 4 anos.

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Questão 7    (FCC/TCE-CE/AUDITOR SUBSTITUTO DE CONSELHEIRO/2015) Joa-

quim, sendo devedor de Pedro e não tendo condições financeiras para quitar a dívi-

da, cedeu a este os direitos hereditários que afirmava ter, por ser filho de Antônio,

que se encontrava moribundo e veio a falecer um dia após a celebração daquele

negócio. Aberto o inventário de Antônio, Pedro, com a concordância de Joaquim,

requereu ao juiz que lhe adjudicasse a cota parte dos bens que coubessem a Joa-

quim, mas o juiz indeferiu o pedido. Essa decisão é

a) correta, porque o negócio celebrado entre Joaquim e Pedro é nulo, podendo a

nulidade ser declarada de ofício.

b) incorreta, porque o negócio celebrado entre Joaquim e Pedro é anulável e só os in-

teressados poderiam arguir essa nulidade, sendo defeso dela o juiz conhecer de ofício.

c) correta, desde que tenha havido impugnação dos demais herdeiros, porque são

interessados na aquisição da cota parte cabente a Joaquim na herança.

d) incorreta, porque somente o Ministério Público poderia ter a iniciativa de promo-

ver a anulação do negócio celebrado entre Joaquim e Pedro.

e) incorreta, porque o negócio celebrado entre Joaquim e Pedro só era ineficaz até

a morte de Antônio, convalidando-se após.

Questão 8    (FCC/TRT 14ª REGIÃO/AJOJ/2016) Sobre o negócio jurídico, na forma

estabelecida pelo Código Civil, é INCORRETO afirmar:

a) A impossibilidade inicial do objeto sempre invalida o negócio jurídico.

b) Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente.

c) Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada

do que ao sentido literal da linguagem.

d) O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizaram

e não for necessária a declaração de vontade expressa.

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e) No negócio jurídico celebrado com a cláusula de não valer sem instrumento pú-

blico, este é da substância do ato.

Questão 9    (FGV/TJ-PI/AJAA/2015) Elisa convencionou com Lourdes a doação pe-

riódica de certa quantia em dinheiro caso ela seja aprovada e curse a faculdade de

Administração no estado vizinho à cidade onde moram. Sobre a situação descrita,

é correto afirmar que o ajuste negocial está sujeito:

a) a encargo, no qual caberá a Lourdes cumprir os requisitos em questão para

aquisição do direito às verbas;

b) a termo inicial, apenas produzindo efeitos após o ingresso de Lourdes no curso;

c) à condição suspensiva, somente se adquirindo o direito aos valores se Lourdes

for aprovada e cursar a faculdade;

d) à condição resolutiva, adquirindo Lourdes o direito aos valores desde o início e

os restituindo caso não seja aprovada;

e) a termo final, extinguindo o negócio jurídico com o ingresso de Lourdes no curso superior.

Questão 10    (FGV/TCE-RJ/AUDITOR SUBSTITUTO DE CONSELHEIRO/2015) Anos

após a celebração de uma doação sob condição suspensiva, até hoje não imple-

mentada, é correto afirmar que:

a) o donatário tem um direito adquirido, embora esteja suspenso o seu exercício

até que a condição seja implementada;

b) o não implemento do fato futuro e incerto caracteriza a revogação da doação;

c) tendo a condição sido expressa como razão determinante, a doação considera-

-se inexistente;

d) admite-se, em caráter excepcional, que a condição seja maliciosamente levada

a efeito pela parte a quem aproveita o seu implemento;

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e) enquanto a condição não se verificar, não se terá adquirido o direito a que visa

o negócio jurídico.

Questão 11    (FCC/TCM-RJ/AUDITOR SUBSTITUTO DE CONSELHEIRO/2015) Os

negócios sob condição suspensiva

a) subordinam-se a evento futuro e certo.

b) operam efeitos desde logo, os quais são suspensos em caso de implemento da condição.

c) são protegidos contra o advento de lei nova, em caso de conflito de leis no tem-

po, mesmo que ainda não tenha havido o implemento da condição.

d) geram, no que toca aos conflitos de lei no tempo, meras expectativas de direito,

não protegidas contra o advento de lei nova.

e) não permitem que o titular eventual do direito pratique atos destinados à

sua conservação.

Questão 12    (FGV/ISS-CUIABÁ-MT/AUDITOR-FISCAL/2016) Francisco deseja doar

seu apartamento para Joaquim, seu sobrinho mais novo. Ao realizar a transferên-

cia, exige que o sobrinho pinte o apartamento, a cada 6 meses, na cor que ele de-

terminar. Joaquim aceita a oferta.

Assinale a opção que indica o elemento acidental presente no negócio jurídico.

a) Condição suspensiva.

b) Condição resolutiva.

c) Encargo.

d) Termo inicial.

e) Termo final.

Questão 13    (FCC/TJ-PI/Juiz Substituto/2015) Quando o testamento foi aberto,

Rubião quase caiu para trás. Advinhas por quê. Era nomeado herdeiro universal do

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testador. Não cinco, nem dez, nem vinte contos, mas tudo, o capital inteiro, espe-

cificados os bens, casa na Corte, uma em Barbacena, escravos, apólices, ações do

Banco do Brasil e de outras instituições, joias, dinheiro amoedado, livros − tudo

finalmente passava às mãos do Rubião, sem desvios, sem deixas a nenhuma pes-

soa, nem esmolas, nem dívidas. Uma só condição havia no testamento, a de guar-

dar o herdeiro consigo o seu pobre cachorro Quincas Borba, nome que lhe deu por

motivo da grande afeição que lhe tinha. Exigia do dito Rubião que o tratasse como

se fosse a ele próprio testador, nada poupando em seu benefício, resguardando-o

de moléstias, de fugas, de roubo ou de morte que lhe quisessem dar por maldade;

cuidar finalmente como se cão não fosse, mas pessoa humana. Item, impunha-lhe

a condição, quando morresse o cachorro, de lhe dar sepultura decente, em terreno

próprio, que cobriria de flores e plantas cheirosas; e mais desenterraria os ossos do

dito cachorro, quando fosse tempo idôneo, e os recolheria a uma urna de madeira

preciosa para depositá-los no lugar mais honrado da casa.

(Assis, Machado de. Quincas Borba. p. 25. Saraiva, 2011).

As exigências feitas a Rubião consubstanciam

a) termo final.

b) condição resolutiva.

c) condição suspensiva.

d) termo inicial.

e) encargo.

Questão 14    (FGV/ISS-CUIABÁ-MT/AUDITOR-FISCAL/2016) Fábio comprometeu-

-se a doar uma casa aos noivos Roberto e Carla, desde que viessem a contrair

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matrimônio. Um mês antes do casamento, Carla descobriu que o vizinho do imóvel

vem danificando o bem de Fábio, podendo a continuação destruir o imóvel.

Diante do ocorrido, assinale a afirmativa correta.

a) Roberto e Carla nada poderão fazer, visto que só possuem uma mera expecta-
tiva de direito, sendo de Fábio a legitimidade para a propositura de qualquer ação.
b) Roberto e Carla poderão promover ação judicial que impeça o ato do vizinho,
visto que o termo inicial gera a aquisição do direito.
c) Fábio, Roberto e Carla não poderão promover ação judicial, pois será preciso
aguardar a realização do casamento para a propositura da ação.
d) Roberto e Carla poderão agir, inclusive judicialmente, pois ao titular do direito
eventual, nos casos de condição suspensiva, é permitido praticar os atos destina-
dos a conservá-lo.
e) A doação celebrada por Fábio está sujeita a uma condição suspensiva, o que
gera a suspensão da aquisição do direito, inibindo a ação dos noivos.

Questão 15    (ESAF/ANAC/ESPECIALISTA EM REGULAÇÃO/2016) A respeito do ne-


gócio jurídico, ante o disposto no Código Civil Brasileiro, é correto afirmar:
a) considera-se Encargo a cláusula que deriva exclusivamente da vontade das par-
tes, subordinando o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto.
b) permite-se a prática de ato destinado à conservação de um direito, nos casos de
condição resolutiva, ao titular do direito eventual.
c) a renúncia aos negócios jurídicos benéficos interpreta-se ampliativamente, visto
que benevolentes.
d) apresenta-se como defeito do negócio jurídico o falso motivo, o qual vicia a de-
claração de vontade, sendo ou não razão determinante.

e) o dolo acidental obriga à satisfação das perdas e danos, lucros cessantes

e emergentes.

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Questão 16    (FCC/TJ-AL/JUIZ SUBSTITUTO/2015) É anulável

a) o negócio que tenha por objetivo fraudar lei imperativa.

b) o contrato que tem por objeto herança de pessoa viva.

c) a troca de bens com valores desiguais entre ascendentes e descendentes sem o

consentimento dos outros descendentes.

d) o negócio jurídico simulado.

e) o negócio proibido por lei, que não lhe comina sanção.

Questão 17    (FGV/TJ-PI/AJAA/2015) Pietra negocia a compra de um veículo per-

tencente a Bruna. Antes do ajuste, levam o carro a uma oficina mecânica. Camila,

mecânica de veículos automotores, avalia o estado do carro e, deliberadamente,

por ser desafeto de Pietra, informa que o carro está em excelente condição, embora

tal informação não corresponda à realidade. O veículo apresenta uma série de de-

feitos mecânicos conhecidos de Bruna e falseados por Camila. A hipótese narrada

configura:

a) erro essencial quanto à qualidade do veículo, o que autoriza a anulação do ne-

gócio jurídico;

b) lesão, pois se trata de contratação desproporcional em razão de inexperiência;

c) erro acidental quanto aos atributos do carro, o que autoriza a correção dos valores;

d) simulação, pois se trata de negócio eivado de nulidade em razão da ação

do terceiro;

e) dolo principal, que, ainda que praticado por terceiro, autoriza a anulação.

Questão 18    (FCC/TRT 3ª REGIÃO/AJAJ/2015) Marcela permutou um televisor ava-

riado com um celular avariado de Marina. Ambas sabiam que os respectivos bens

estavam deteriorados e ambas esconderam tal circunstância uma da outra bus-

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cando tirar vantagem na transação. Julgando-se prejudicada, Marina ajuizou ação


contra Marcela requerendo a invalidação do negócio e indenização. O juiz deverá

a) desacolher ambos os pedidos, pois, se as duas partes procedem com dolo, ne-

nhuma pode alegá-lo para anular o negócio nem reclamar indenização.

b) acolher apenas o pedido de invalidação do negócio, pois esta pode ser reconhe-

cida inclusive de ofício.

c) acolher apenas o pedido de indenização, em razão do princípio que veda o en-

riquecimento sem causa.

d) acolher ambos os pedidos, pois o dolo de uma parte não anula o da outra.

e) acolher apenas o pedido de invalidação, desde que formulado no prazo deca-

dencial de quatro anos da celebração do negócio.

Questão 19    (FCC/TRT 23ª REGIÃO/JUIZ SUBSTITUTO/2015) Quando da venda de

sua casa, para não ver prejudicadas as negociações, João deixou de mencionar a

Rogério, adquirente, que, no imóvel vizinho, funcionava estridente casa noturna.

Ignorando o fato, Rogério acabou por adquirir o imóvel. Considerando-se que, se

conhecesse o fato, Rogério não teria celebrado o negócio, o silêncio do vendedor

constituiu

a) omissão dolosa, que não obriga a satisfazer as perdas e danos mas é causa de

anulabilidade, a qual depende de iniciativa da parte para ser decretada.

b) omissão dolosa, que obriga a satisfazer as perdas e danos e é causa de anulabili-

dade, a qual pode ser conhecida de ofício e não convalesce com o passar do tempo.

c) omissão dolosa, que obriga a satisfazer as perdas e danos e é causa de anula-

bilidade, a qual depende de iniciativa da parte para ser decretada.

d) lesão, que obriga somente a satisfazer as perdas e danos.

e) lesão, que obriga a satisfazer as perdas e danos e é causa de nulidade, a qual

pode ser conhecida de ofício e não convalesce com o passar do tempo.

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Questão 20    (COPS/UEL/PC-PR/DELEGADO DE POLÍCIA/2013) Setúbal Mourinho

de Oliveira, imigrante recém-chegado ao Brasil, pretendia adquirir um bem imóvel

para instalar sua indústria e comércio de produtos alimentícios. Consultou diversos

jornais até que encontrou Aristides, que lhe ofereceu uma casa em um certo bairro

da cidade. Setúbal lhe afirmou que pretendia a aquisição de um bem imóvel para

instalar sua empresa, e o negócio se concluiu dias depois. Setúbal não pôde se ins-

talar como pretendia, pois a Prefeitura do Município esclareceu que naquela zona

residencial isso não era possível.

Acerca das consequências desse negócio jurídico, assinale a alternativa correta.

a) O negócio é passível de anulação por restar configurada a lesão.

b) O negócio é anulável porque está presente o erro quanto ao objeto principal.

c) O negócio é passível de anulação por restar configurada a omissão dolosa.

d) O negócio não é anulável pois se trata de condição específica do contrato.

e) O negócio deve subsistir pois não se evidencia qualquer espécie de vício.

Questão 21    (FGV/CODEBA/ADVOGADO/2016) Mariana está internada em hospital

da rede particular de saúde em estado grave. Rodrigo, seu pai, promete recompen-

sa de R$ 100.000,00 à equipe médica, caso a sua filha seja curada. Operada a cura,

os médicos reivindicam o pagamento da recompensa prometida. Assinale a opção

que indica o vício que contaminou essa manifestação de vontade.

a) Estado de perigo.

b) Lesão.

c) Erro.

d) Fraude contra credores.

e) Dolo por omissão.

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Questão 22    (FGV/PGE-RO/ANALISTA PROCESSUAL/2015) Catarina, percebendo

que sua mãe, Daniela, estava com algum mal súbito, levou-a ao hospital mais

próximo de sua casa. Enquanto sua mãe aguardava na sala de espera do hospital,

Catarina preenchia o formulário de atendimento. Quando indagou ao funcionário


do hospital o motivo pelo qual sua mãe ainda não havia sido atendida por um mé-
dico, ele informou que antes seria necessário o depósito de R$ 5 mil, a título de
garantia, através de um cheque pós-datado. Apesar de reconhecer que não possuía
esse valor em conta-corrente, Catarina emitiu o cheque de pronto para possibilitar
o atendimento de emergência de sua mãe.

Sobre a situação descrita, é correto afirmar que Catarina poderá:

a) anular o negócio jurídico por vício resultante de estado de perigo, no prazo de-

cadencial de quatro anos, contados da data da celebração do contrato;

b) anular o negócio jurídico por estado de perigo, no prazo prescricional de quatro

anos, a contar da data da celebração do contrato;

c) requerer a declaração de nulidade do negócio jurídico, por vício resultante de

coação, não convalescendo pelo decurso do tempo;

d) requerer a declaração de nulidade do negócio jurídico, por dolo, tendo em vista

a demora no atendimento de Daniela;

e) anular o negócio jurídico por lesão, no prazo de dois anos, a contar da data da

celebração do contrato.

Questão 23    (FGV/ISS-CUIABÁ-MT/AUDITOR FISCAL/2016) Justina, oriunda de

uma pequena cidade do interior do Brasil, chega a São Paulo sem conhecer nin-

guém e procura de imediato, e com urgência, um apartamento para residir.

O proprietário do imóvel desejado, percebendo a pouca experiência de Justina e

reconhecendo a sua necessidade de moradia, cobra-lhe valor três vezes superior ao

usualmente praticado naquele bairro.

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Considerando tais fatos, assinale a afirmativa correta.

a) O contrato de locação realizado é válido, tendo em vista a proteção ao princípio

da autonomia privada.

b) O contrato de locação realizado é nulo, tendo em vista a existência de dolo por

parte do proprietário do imóvel.

c) O contrato de locação realizado é nulo, tendo em vista a existência de erro por

parte de Justina.

d) O contrato de locação realizado é anulável, tendo em vista a existência de es-

tado de perigo.

e) O contrato de locação realizado é anulável, tendo em vista a existência de lesão.

Questão 24    (FCC/MANAUSPREV/PROCURADOR AUTÁRQUICO/2015) O negócio

jurídico praticado sob coação

a) é nulo, não se convalidando com o decurso do tempo nem podendo ser confir-

mado pela vontade das partes.

b) equipara-se aos praticados sob temor reverencial.

c) é nulo, podendo ser invalidado, a pedido da parte prejudicada, no prazo deca-

dencial de 4 anos, contado da celebração do negócio.

d) deve ser interpretado tendo em conta o que, na mesma circunstância, teria feito

o homem médio.

e) é anulável, convalidando-se com o decurso do tempo e podendo ser confirmado

pela vontade das partes.

Questão 25    (FGV/TJ-PI/AJAJ/2015) Alessandra sofreu um “sequestro relâmpago”

e foi obrigada, sob coação moral irresistível, a realizar diversos saques de sua con-

ta-corrente e empréstimos em seu nome. Cessados os atos de coação, é correto

afirmar que Alessandra terá 4 anos de prazo:

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a) prescricional para alegar a nulidade relativa dos atos e negócios praticados sob coação;

b) decadencial para alegar a nulidade absoluta dos atos e negócios praticados sob coação;

c) decadencial para alegar a inexistência dos atos e negócios praticados sob coação;

d) prescricional para alegar a inexistência dos atos e negócios praticados sob coação;

e) decadencial para alegar a nulidade relativa dos atos e negócios praticados

sob coação.

Questão 26    (ESAF/PGFN/PROCURADOR/2015) Analise as proposições abaixo e

assinale a opção incorreta.

a) Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o

devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, pode-

rão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos.

b) Os contratos onerosos do devedor insolvente serão anuláveis quando a insol-

vência for notória ou conhecida do outro contratante.

c) Os negócios fraudulentos serão nulos em relação aos credores cuja garantia se

tornar insuficiente.

d) Anulados os negócios fraudulentos, a vantagem resultante reverterá em provei-

to do acervo sobre o qual se tenha de efetuar o concurso de credores.

e) Se os negócios fraudulentos tinham por único objeto atribuir direitos preferen-

ciais, mediante hipoteca, penhor ou anticrese, sua invalidade importará somente

na anulação da preferência ajustada.

Questão 27    (FCC/TJ-PI/JUIZ SUBSTITUTO/2015) Roberto doou aos filhos seu mais

valioso imóvel em 20/10/2014 e, no mesmo dia, ofereceu em hipoteca outro imóvel

para garantia de dívida por empréstimo que lhe foi concedido, em 19/09/2014, por seu

amigo Pedro. Com a doação daquele imóvel, Roberto tornou-se insolvente, porque já

tinha diversas dívidas vencidas e não pagas entre as quais a decorrente de negócios

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realizados com Manoel, sem garantia real, vencida em 08/09/2014 e não paga, além

de contar com vários protestos cambiais. Em 18/11/2014 tomou emprestado de An-

tônio R$ 80.000,00, que não exigiu qualquer garantia e R$ 85.000,00 de Rodrigo, que

exigiu fiança, prestada por José, mas Roberto também não pagou as dívidas a esses

mutuantes. Nesses negócios, está configurada fraude contra credores, pela

a) doação e constituição de hipoteca, cujas anulações podem ser pleiteadas

por Manoel.

b) doação, apenas, cuja anulação só pode ser demandada, entre os credores men-

cionados, por Manoel.

c) doação, pela constituição de hipoteca e pela fiança, que podem ser anuladas em

ação proposta por Manoel e por Antônio.

d) doação, apenas, cuja anulação pode ser pleiteada por Manoel, Antônio e Rodrigo.

e) doação e pela constituição de hipoteca, cujas anulações podem ser pleiteadas

por Manoel e Antônio, mas não por Rodrigo.

Questão 28    (FCC/TCM-RJ/PROCURADOR DE CONTAS/2015) Em relação aos defei-

tos dos negócios jurídicos tem-se que

a) são nulos os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emanarem

de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em

face das circunstâncias do negócio.

b) os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar

o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore,

poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos.

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c) o dolo acidental anula o negócio jurídico ou, alternativamente, obriga à satisfa-

ção de perdas e danos, e é acidental quando, a seu despeito, o negócio seria reali-

zado, embora por outro modo.

d) considera-se coação o temor reverencial, embora não o seja a ameaça do exer-

cício normal de um direito.

e) ocorre o estado de perigo quando alguém, sob premente necessidade ou por

inexperiência, obriga-se a prestação manifestamente desproporcional ao valor da

prestação oposta.

Questão 29    (FCC/TCM-GO/PROCURADOR DE CONTAS/2015) O negócio jurídico

simulado é

a) válido se posteriormente ratificado pelas partes interessadas.

b) nulo, sendo igualmente nulo o negócio dissimulado, pelo vício de origem

c) nulo, mas é válido o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma.

d) anulável, mas válido o que se procurou dissimular, se válido for na essência

e na forma.

e) ineficaz, por não ter potencial para gerar quaisquer consequências jurídicas.

Questão 30    (FCC/TCM-RJ/AUDITOR SUBSTITUTO DE CONSELHEIRO/2015) Fran-

cisco simulou ter vendido imóvel a Carla, sua amante, a quem, em verdade, doara

referido bem. De acordo com o Cód. Civil, tal ato,

a) diferentemente dos demais defeitos do negócio jurídico, é nulo, devendo ser

invalidado de ofício, pelo juiz.

b) assim como os demais defeitos do negócio jurídico, é nulo, devendo ser invali-

dado de ofício, pelo juiz.

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c) assim como os demais defeitos do negócio jurídico, é anulável, não podendo ser

invalidado de ofício, pelo juiz.

d) assim como os demais defeitos do negócio jurídico, é anulável, devendo ser in-

validado de ofício, pelo juiz.

e) diferentemente dos demais defeitos do negócio jurídico, é anulável, não poden-

do ser invalidado de ofício, pelo juiz.

Questão 31    (FCC/ICMS-PI/A. FISCAL/2015) Durante processo de divórcio, Tício

simulou ter vendido todos seus bens móveis a Mévio, a fim de fraudar a partilha de

bens. O negócio celebrado entre Mévio e Tício é

a) nulo e cognoscível de ofício, pelo juiz, não podendo ser convalidado pelas partes.

b) anulável, mas passível de convalidação pelas partes, a quem cabe a iniciativa

exclusiva do pedido de invalidação.

c) nulo, não cognoscível de ofício, pelo juiz, e passível de convalidação pelas partes.

d) nulo, cognoscível de ofício, pelo juiz, e passível de convalidação pelas partes.

e) anulável e cognoscível de ofício, pelo juiz, não podendo ser convalidado pelas partes.

Questão 32    (FCC/ICMS-PI/AUDITOR FISCAL/2015) Tício, diretor de uma constru-

tora, celebrou com Mévio, funcionário público, contrato por meio do qual este lhe

garantiria privilégios em licitações públicas em troca de pagamento mensal de R$

5.000,00. Trata-se de negócio

a) nulo, podendo ser invalidado a pedido de qualquer interessado ou do Ministério

Público, porém não de ofício, e não convalescendo pelo decurso do tempo.

b) nulo, devendo ser invalidado de ofício e não convalescendo pelo decurso do tempo.

c) anulável, devendo ser invalidado de ofício e não convalescendo pelo decurso do tempo.

d) válido, por atender aos usos e costumes.

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e) anulável, podendo ser invalidado a pedido de qualquer interessado ou do Minis-

tério Público, porém não de ofício, e convalescendo com o decurso do tempo.

Questão 33    (FCC/TCE-CE/ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO/2015) Os negócios jurí-

dicos nulos

a) prescrevem em 10 anos.

b) decaem em 4 anos.
c) são cognoscíveis de ofício, inclusive em segunda instância.
d) podem ser confirmados pela vontade das partes, desde que capazes.
e) podem ser confirmados pela vontade das partes, ainda que incapazes.

Questão 34    (FCC/TCM-GO/AUDITOR SUBSTITUTO DE CONSELHEIRO/2015) No


tocante ao negócio jurídico nulo e anulável, é correto afirmar que
a) é de quatro anos o prazo de prescrição para pleitear- se a anulação, no caso de
coação contado do dia em que ela cessar, ou da prática do ato nos casos de erro,
dolo e fraude contra credores.
b) é anulável o negócio jurídico simulado, mas válido o que se dissimulou se regu-
lar for na substância e na forma.
c) é nulo o ato praticado em estado de perigo ou lesão.
d) a anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença, nem se pronuncia
de ofício; só os interessados a podem alegar, aproveitando exclusivamente aos que
a alegarem, salvo o caso de solidariedade ou indivisibilidade.
e) quando a anulabilidade do ato resultar da falta de autorização de terceiro, não
haverá sua validação em nenhum caso.

Questão 35    (COPS/UEL/PC-PR/DELEGADO DE POLÍCIA/2013) A respeito dos fatos


e atos jurídicos, como previstos no Cód. Civil, assinale a alternativa correta.

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a) Tratando-se de atos jurídicos eivados de vício insanável, como erro, dolo, fraude
contra credores, estado de perigo ou lesão, o prazo para se intentar ação anulatória
é de dois anos, contado a partir da celebração do negócio.
b) A condição é considerada como a cláusula que, derivando exclusivamente da
vontade de uma das partes, determina que o efeito do negócio jurídico fica subor-

dinado a um evento futuro e incerto.

c) Em se tratando de erro, este não prejudica a validade do negócio jurídico quan-

do a pessoa, a quem a manifestação de vontade se dirige, se oferecer para execu-

tá-la na conformidade da vontade real do manifestante.

d) Para que se considere a coação como defeito do negócio, levam-se em conta o

sexo, a idade e a desproporção de altura e peso entre coator e coagido. O simples

temor reverencial também é considerado atividade coatora.

e) É anulável o negócio jurídico que aparentemente confere ou transmite direitos

a pessoas diversas daquelas às quais realmente se transmitem, ou que contiverem

declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira.

Questão 36    (FCC/TRT 14ª REGIÃO/AJAJ/2016) Sobre a invalidade do negócio

jurídico, considere:

I – É de cinco anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio

jurídico no caso de coação contado do dia em que ela cessa.

II – É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se

válido for na substância e na forma.

III – O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes, salvo direito de terceiro.

IV – É escusada a confirmação expressa, quando o negócio já foi cumprido em

parte pelo devedor, ciente do vício que o inquinava.

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Está correto o que se afirma APENAS em

a) I, II e III.

b) II e III.

c) III e IV.

d) II, III e IV.

e) I e IV.

Questão 37    (FCC/TRT 3ª REGIÃO/AJAJ/2015) Pedro comprou, por valor inferior ao


de mercado, rara e valiosa coleção de selos pertencente a Lucas, que tinha 14 anos
e não foi representado quando da celebração do negócio. Passados alguns meses e
não entregue o bem, Pedro procurou Lucas oferecendo-lhe suplementação do pre-
ço, a fim de que as partes ratificassem o ato. A pretendida ratificação
a) não poderá ocorrer, salvo se Lucas for assistido quando da confirmação.
b) poderá ocorrer, pois os negócios anuláveis podem ser confirmados pela vontade
das partes.
c) deverá ocorrer, em prestígio ao princípio da conservação dos contratos.
d) não poderá ocorrer, porque o negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação.
e) poderá ocorrer apenas pelo juiz, depois da intervenção do Ministério Público.

Questão 38    (FCC/TCM-RJ/PROCURADOR DE CONTAS/2015) No tocante ao regime


das nulidades no Código Civil, considere:
I – É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se
válido for na substância e na forma, podendo essa nulidade ser alegada por
qualquer interessado, ou pelo Ministério Público, quando lhe couber intervir.
II – As nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando conhecer do negócio
jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas, podendo porém supri-
-las, se assim for requerido pelas partes.

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III – Se o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro, subsistirá este


quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido,
se houvessem previsto a nulidade.
IV – O negócio jurídico é anulável quando o agente for relativamente incapaz,
quando for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para
sua validade ou por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo,
lesão ou fraude contra credores.

Está correto o que se afirma APENAS em

a) I e IV.

b) II e III.

c) II e IV.

d) III e IV.

e) I e III.

Questão 39    (ESAF/PGFN/PROCURADOR/2015) Observadas as proposições abaixo,

com relação aos negócios jurídicos, assinale a opção incorreta.

a) Subordinar a eficácia de um negócio jurídico a uma condição suspensiva signifi-

ca afirmar que, enquanto esta não se realizar, não se terá adquirido o direito a que

visa o negócio.

b) Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta

condição, fizer quanto àquelas novas disposições, estas não terão valor, realizada

a condição, se com ela forem incompatíveis. Todavia, se for resolutiva a condição,

enquanto esta não se realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercer-se des-

de a conclusão do negócio o direito por ele estabelecido.

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c) As nulidades de um negócio jurídico podem ser arguidas por qualquer interes-

sado, bem como pelo Ministério Público nos casos em que couber intervir, podendo,

ainda, serem decretadas pelo juiz, de ofício, quando conhecer do negócio ou dos

seus efeitos e as encontrar provadas, não lhe sendo permitido supri-las, ainda que

a requerimento das partes.

d) A anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença, nem se pronuncia

de oficio; só os interessados a podem alegar, e aproveita exclusivamente aos que a

alegarem, salvo o caso de solidariedade ou indivisibilidade.

e) Se o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro, não subsistirá mes-

mo quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se

houvessem previsto a nulidade, porquanto o negócio jurídico nulo não é suscetível

de confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo.

Questão 40    (FCC/TRT 6ª REGIÃO/JUIZ SUBSTITUTO/2015) Em relação ao negó-

cio jurídico,

a) quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem estabelecer prazo

para pleitear-se a anulação, será este de quatro anos, a contar sempre da data da

conclusão do ato.

b) a invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias, bem

como a destas induz à invalidade da obrigação principal, dado o princípio da cor-

respondência nos negócios jurídicos em geral.

c) a incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em

beneficio próprio, nem aproveita aos cointeressados capazes, salvo se, neste caso,

for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum.

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d) não ocorrendo a condição objetiva do negócio jurídico, ou seja, objeto lícito,

possível, determinado ou determinável, a consequência jurídica será sua anulabi-

lidade.

e) ninguém pode reclamar o que, por uma obrigação anulada, pagou a um inca-

paz, mostrando-se irrelevante eventual prova de que reverteu em proveito desse

incapaz a importância paga.

Questão 41    (TRT 2ª REGIÃO/JUIZ/2016) É INCORRETO afirmar que, não havendo

imposição legal de forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante:

a) Confissão.

b) Presunção.

c) Testemunha.

d) Dedução

e) Perícia.

Questão 42    (FCC/TJ-SE/JUIZ SUBSTITUTO/2015) A escritura pública lavrada

em notas de Tabelião,

a) faz prova plena, mas não é documento dotado de fé pública, podendo ser im-

pugnada por qualquer interessado.

b) é documento dotado de fé pública, mas não faz prova plena, porque o conven-

cimento do juiz é livre.

c) é documento dotado de fé pública, fazendo prova plena.

d) firma presunção absoluta de veracidade do que nele constar, por ser documento

dotado de fé pública.

e) é documento público, mas não dotado de fé pública, porque o Tabelião exerce

suas funções em caráter privado, por delegação do Estado, por isso, também, não

faz prova plena.

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Questão 43    (FGV/ISS-CUIABÁ-MT/AUDITOR FISCAL/2014) Juliana sofre pressão

constante por parte de seus familiares para ser fiadora de seus pais, Ana e Roberto.

Cansada e temerosa de comprometer todo o seu patrimônio, Juliana decide passar

para o nome de Arnaldo, seu melhor amigo, os dois apartamentos de que é pro-

prietária. Sem ter qualquer apartamento em seu nome, Juliana ver-se-á livre dos

pedidos de socorro de seus familiares pela fiança.

Nesse negócio jurídico, verifica-se a ocorrência de

a) lesão, tendo em vista a legítima expectativa de seus pais com relação à fiança.

b) coação por simples temor reverencial.

c) coação relativa, já que houve manifestação da vontade do agente.

d) simulação relativa

e) simulação absoluta.

Questão 44    (CESPE/TCU/AUDITOR FEDERAL DE CONTROLE EXTERNO/2015) A

respeito das pessoas naturais e jurídicas, dos fatos e negócios jurídicos e do dis-

posto na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, julgue o seguinte item.

A renúncia realizada no contexto de um negócio jurídico deve ser interpretada de

maneira estrita.

Questão 45    (CESPE/TJ-CE/AJAJ/2014) Acerca de pessoas naturais e negócio jurí-

dico, assinale a opção correta à luz do Código Civil e da doutrina de referência.

a) Na concretização do negócio jurídico, o silêncio não tem consequência concreta

a favor das partes.

b) Todas as pessoas naturais, por possuírem capacidade de direito, podem praticar,

por si próprias, a generalidade dos atos da vida civil.

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c) Considera-se termo a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das

partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto.

d) Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do

lugar de sua celebração.

e) Se, da declaração de vontade, for detectado o falso motivo, o negócio jurídico

será sempre anulado.

Questão 46    (CESPE/TJ-PB/JUIZ SUBSTITUTO/2015) Acerca da interpretação dos

negócios jurídicos e do princípio da boa-fé objetiva, assinale a opção correta.

a) A boa-fé objetiva limita os direitos subjetivos e constitui fonte de obrigação aos

contratantes, de forma a estabelecer deveres implícitos que não estão previstos

expressamente no contrato.

b) Os negócios jurídicos que estabeleçam benefício devem ter interpretação ampla.

c) De acordo com o Código Civil de 2002, não é permitido que o silêncio de um

dos participantes seja interpretado como caracterizador de concordância com

o negócio.

d) A boa-fé objetiva importa para a interpretação dos contratos, mas não pode ser

fundamento para relativização da força obrigatória das avenças.

e) O negócio jurídico celebrado com reserva mental de um dos contratantes, com

ou sem conhecimento do outro, deve ser considerado inexistente.

Questão 47    (CESPE/TCE-PR/AUDITOR SUBSTITUTO DE CONSELHEIRO/2016) No

que diz respeito aos negócios jurídicos e suas invalidades, assinale a opção correta.

a) A reserva mental de não querer o que manifestou torna anulável o negócio ju-

rídico firmado, ainda que seja de conhecimento do destinatário.

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b) Tratando-se de negócio jurídico anulável, dispensa-se a confirmação expressa

das partes se o devedor tiver cumprido parte de sua obrigação ciente do vício.

c) Ainda que estabelecida a denominada cláusula de não valer sem instrumento

público, se o bem for móvel, a transferência poderá ser realizada por cessão de

direitos particular.

d) O motivo ilícito de uma das partes torna o negócio jurídico nulo se for determi-

nante para sua realização.

e) Sendo o objeto do direito indivisível, a incapacidade relativa de uma das partes

não aproveita aos cointeressados capazes.

Questão 48    (CESPE/TRE-RS/AJAJ/2015) Na escada ponteana, analisa-se a trico-

tomia existência-validade-eficácia dos negócios jurídicos para que possam produ-

zir todos os efeitos esperados, sem que reste qualquer situação que os maculem.

Acerca dessa tricotomia, assinale a opção correta.

a) A reserva mental desconhecida pelo outro contraente – destinatário – torna in-

válido o negócio jurídico, uma vez que a declaração de vontade expressada conflita

com o íntimo do declarante.

b) O negócio jurídico realizado por agente relativamente incapaz é nulo de pleno

direito, não sendo passível de convalidação pelo decurso do tempo nem de confir-

mação pelas partes.

c) Decorridos dois anos e um dia, a contar da realização do negócio jurídico en-

tabulado com vício de lesão, será possível a sua anulação, uma vez que ainda não

decaiu o direito do lesado.

d) A ausência de declaração de vontade torna o negócio jurídico anulável, mesmo

nos casos em que o silêncio possa ser admitido diante das circunstâncias.

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e) A ausência de declaração de vontade expressa torna nulo o negócio jurídico,

pois o condiciona a um evento futuro e incerto.

Questão 49    (CESPE/DPE-AL/DEFENSOR PÚBLICO/2017) Se, após uma tem-

pestade, uma árvore cair sobre um veículo e causar danos a alguém, esse

evento será classificado como

a) ato fato jurídico.

b) ato unilateral.

c) negócio jurídico.

d) fato jurídico em sentido estrito.

e) ato jurídico em sentido estrito.

Questão 50    (CESPE/DPE-AC/DEFENSOR PÚBLICO/2017) Pedro, recém-chegado a

Rio Branco, adquiriu de Ana um apartamento na cidade e, posteriormente, desco-

briu que havia pagado, pelo imóvel, valor equivalente ao dobro da média consta-

tada no mercado, uma vez que desconhecia a real situação imobiliária local e tinha

pressa em adquirir um apartamento para abrigar sua família.

Nessa situação hipotética, o negócio poderá ser anulado, uma vez que apresenta o

vício de consentimento denominado

a) dolo.

b) lesão.

c) fraude contra credores.

d) estado de perigo.

e) coação.

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GABARITO
1. d 26. c
2. b 27. a
3. c 28. b
4. d 29. c
5. e 30. a
6. a 31. a
7. a 32. b
8. a 33. c
9. c 34. d
10. e 35. c
11. c 36. d
12. c 37. d
13. e 38. e
14. d 39. e
15. b 40. c
16. c 41. d
17. e 42. c
18. a 43. e
19. c 44. C
20. c 45. d
21. a 46. a
22. a 47. b
23. e 48. c
24. e 49. d
25. e 50. b

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GABARITO COMENTADO
Questão 1    (FCC/PGE-RR/PROCURADOR/2011) O recente terremoto ocorrido no

Japão em 11 de março de 2011, sob o ponto de vista da teoria geral do direito,

pode ser classificado como

a) ato jurídico em sentido estrito.

b) ato jurídico em sentido amplo.

c) negócio jurídico.

d) fato jurídico em sentido estrito.

e) fato ilícito em sentido estrito.

Letra d.

Como o terremoto é involuntário (independe da vontade humana) e imprevisível,

caracterizou-se um fato jurídico natural extraordinário.

Mas, Dicler, as alternativas da FCC não tinham essa nomenclatura. O que eu devo fazer?

Sugiro irmos por eliminação.

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Ao se falar em ato jurídico, sabemos que é necessária a vontade humana, portanto

eliminamos as alternativas “a” e “b”.

O negócio jurídico também decorre da vontade humana e, por isso, eliminamos a

alternativa “c”.

O fato ilícito também é humano e, por isso, eliminamos a alternativa “e”.

Sobrou apenas a alternativa “d”.

Questão 2    (FCC/TJ-PA/AJAJ/2009) O fato jurídico é todo acontecimento da vida

relevante para o direito, mesmo que ilícito, podendo-se afirmar que:

a) os fatos humanos por si só, ou atos jurídicos em sentido amplo, não criam nem

modificam direitos.

b) fatos humanos e fatos naturais significam a mesma coisa, ainda que decorram

uns da atividade humana e outros da natureza.

c) os fatos naturais não se confundem, por exemplo, com o nascimento, a morte

e a maioridade.

d) os fatos extraordinários não guardam relação com tempestades, terremotos

e raios, por exemplo.

e) os fatos extraordinários não se enquadram na categoria dos fortuitos ou de

força maior.

Letra b.

Conforme tabela da página 7.

Os fatos humanos e os fatos naturais são acontecimentos com repercussão no

mundo jurídico que fazem nascer, modificar, subsistir ou extinguir direitos, portan-

to, significam a mesma coisa.

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Questão 3    (FCC/TRT 11ª REGIÃO/JUIZ SUBSTITUTO/2007) José, servidor público

federal, sendo proprietário de um imóvel na cidade de São Paulo, alugou-o para

Antonio. Findo o prazo contratual e tendo de mudar-se para aquela cidade em ra-

zão de transferência, onde proverá cargo efetivo, que deseja exercer durante dois

anos, tempo suficiente para obter sua aposentadoria, o locador notificou o locatá-

rio, para desocupar a casa. Neste caso, a notificação do locador

a) constitui ato jurídico e José terá apenas residência em São Paulo, mas não

terá domicílio.

b) e a fixação do domicílio constituem ato jurídico e o domicílio de José

será voluntário.

c) constitui ato jurídico, mas não é negócio jurídico e José terá domicílio necessário

em São Paulo.

d) e a fixação do domicílio constituem, respectivamente, negócio jurídico e ato ju-

rídico, e José terá domicílio voluntário.

e) e a fixação do domicílio constituem, respectivamente, ato jurídico e negócio ju-

rídico e José terá domicílio voluntário em São Paulo.

Letra c.

Temos aqui outra questão resolvida com a tabela da página 7.

A notificação representa um ato jurídico lícito (participações) pois é dirigido a

um destinatário.

A fixação do domicílio representa um ato jurídico lícito (atos materiais) pois não

possui um destinatário. No caso do enunciado, por se tratar de um servidor público

federal, temos uma hipótese de domicílio necessário/legal (vide art. 76 do CC es-

tudado na aula 1).

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Questão 4    (FCC/TJ-PA/AJAJ/2009) No que tange aos negócios jurídicos pode-se afir-

mar que

a) os negócios neutros podem ser enquadrados entre os onerosos ou os gratuitos.

b) nos negócios jurídicos onerosos nem sempre ambos os contratantes

auferem vantagens.

c) não há nenhum negócio que não possa ser incluído na categoria dos onerosos

ou dos gratuitos.

d) nos negócios jurídicos gratuitos só uma das partes aufere vantagens ou benefícios.

e) os negócios celebrados inter vivos não se destinam obrigatoriamente a produzir

efeitos desde logo, ainda que estando vivas as partes.

Letra d.

d) Certo.

a) Errado. Os negócios bifrontes podem ser enquadrados entre os onerosos ou os

gratuitos de acordo com a vontade das partes (ex.: o depósito – se eu peço para o

meu vizinho guardar meu carro enquanto eu viajo, o depósito pode ser pago ou não).

b) Errado. Nos negócios jurídicos onerosos sempre ambos os contratantes aufe-

rem vantagens.

c) Errado. Os negócios bifrontes podem ser incluídos na categoria dos onerosos

ou dos gratuitos.

e) Errado. Os negócios inter vivos se destinam a produzir efeitos enquanto os in-

teressados estão vivos.

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Questão 5    (FAU/PREF. DE CHOPINZINHO/PROCURADOR/2016) O negócio jurídico

é o ato jurídico com finalidade de criar, modificar, conservar ou extinguir direitos.

Assinale a alternativa que contém os requisitos para validade do negócio jurídico:

a) Agente capaz, possibilidade jurídica do pedido, formalidade.

b) Capacidade das partes, forma escrita e objeto lícito.

c) Agente capaz, objeto lícito, possível, indeterminado, forma prescrita ou não de-

fesa em lei.

d) Objeto possível, personalidade jurídica e formalidade legal.

e) Agente capaz, objeto lícito, possível, determinado ou determinável e forma

prescrita ou não defesa em lei.

Letra e.

Questão simples com base no art. 104 do CC:

Art. 104 do CC
A validade do negócio jurídico requer:
I – agente capaz;
II – objeto lícito, possível, determinado ou determinável;
III – forma prescrita ou não defesa em lei.

Questão 6    (FCC/TRT 3ª REGIÃO/AJOJ/2015) Leonardo adquiriu de Paulo carre-

gamento de celulares falsificados, combinando pagar por eles quando da entrega,

que, se não efetivada, daria ao adquirente direito a postular cumprimento forçado

da obrigação. Em não tendo havido a entrega, Leonardo ajuizou ação contra Paulo,

que, em contestação, não suscitou ser ilegal o negócio, confessou a obrigação e

dispôs-se a cumpri-la espontaneamente. O cumprimento da obrigação

a) não poderá ocorrer, devendo o juiz declarar, de ofício, a nulidade do negócio.

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b) deverá ocorrer, tendo em vista que os negócios jurídicos anuláveis são passíveis

de convalidação, ainda que tácita.

c) deverá ocorrer, tendo em vista que as nulidades não podem ser apreciadas de ofício.

d) deverá ocorrer, tendo em vista que os negócios jurídicos anuláveis são passíveis

de convalidação, desde que expressa.

e) não poderá, a princípio, ocorrer, devendo o juiz anular o negócio jurídico, salvo

se, quando do ajuizamento da ação, já houver transcorrido prazo de 4 anos.

Letra a.

O negócio jurídico narrado pelo enunciado da questão possui um objeto ilícito (ce-

lulares falsificados) e, por isso, deve ser declarado nulo. Vide art. 166, II do CC:

Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando:


II – for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto;

Além disso, o negócio nulo deve ser declarado de ofício pelo juiz, conforme prevê o

art. 168, parágrafo único do CC.

Art. 168. As nulidades dos artigos antecedentes podem ser alegadas por qualquer in-
teressado, ou pelo Ministério Público, quando lhe couber intervir.
Parágrafo único. As nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando conhecer
do negócio jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas, não lhe sendo permitido
supri-las, ainda que a requerimento das partes.

Questão 7    (FCC/TCE-CE/AUDITOR SUBSTITUTO DE CONSELHEIRO/2015) Joa-

quim, sendo devedor de Pedro e não tendo condições financeiras para quitar a dívi-

da, cedeu a este os direitos hereditários que afirmava ter, por ser filho de Antônio,

que se encontrava moribundo e veio a falecer um dia após a celebração daquele

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negócio. Aberto o inventário de Antônio, Pedro, com a concordância de Joaquim,

requereu ao juiz que lhe adjudicasse a cota parte dos bens que coubessem a Joa-

quim, mas o juiz indeferiu o pedido. Essa decisão é

a) correta, porque o negócio celebrado entre Joaquim e Pedro é nulo, podendo a

nulidade ser declarada de ofício.

b) incorreta, porque o negócio celebrado entre Joaquim e Pedro é anulável e só os in-

teressados poderiam arguir essa nulidade, sendo defeso dela o juiz conhecer de ofício.

c) correta, desde que tenha havido impugnação dos demais herdeiros, porque são

interessados na aquisição da cota parte cabente a Joaquim na herança.

d) incorreta, porque somente o Ministério Público poderia ter a iniciativa de promo-

ver a anulação do negócio celebrado entre Joaquim e Pedro.

e) incorreta, porque o negócio celebrado entre Joaquim e Pedro só era ineficaz até

a morte de Antônio, convalidando-se após.

Letra a.

É vedado o objeto do contrato ser herança de pessoa viva pelo art. 426 do CC:

Art. 426. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva.

Sendo assim, o negócio jurídico narrado pelo enunciado da questão possui um ob-

jeto ilícito (herança de pessoa viva) e, por isso, deve ser declarado nulo. Vide art.

166, II do CC:

Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando:


II – for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto;

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Além disso, o negócio nulo deve ser declarado de ofício pelo juiz, conforme prevê o

art. 168, parágrafo único do CC.

Art. 168. As nulidades dos artigos antecedentes podem ser alegadas por qualquer in-
teressado, ou pelo Ministério Público, quando lhe couber intervir.
Parágrafo único. As nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando conhecer
do negócio jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas, não lhe sendo permitido
supri-las, ainda que a requerimento das partes.

Questão 8    (FCC/TRT 14ªREGIÃO/AJOJ/2016) Sobre o negócio jurídico, na forma

estabelecida pelo Código Civil, é INCORRETO afirmar:

a) A impossibilidade inicial do objeto sempre invalida o negócio jurídico.

b) Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente.

c) Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada

do que ao sentido literal da linguagem.

d) O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizaram

e não for necessária a declaração de vontade expressa.

e) No negócio jurídico celebrado com a cláusula de não valer sem instrumento pú-

blico, este é da substância do ato.

Letra a.

a) Errado. Nem sempre a impossibilidade inicial do objeto invalida o negócio jurí-

dico. Vejamos o art. 106 do CC.

Art. 106. A impossibilidade inicial do objeto não invalida o negócio jurídico se for rela-
tiva, ou se cessar antes de realizada a condição a que ele estiver subordinado.

Concluímos que dois pontos merecem destaque:

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• se a impossibilidade do objeto for relativa, isto é, se a prestação puder ser re-

alizada por outrem, embora não o seja pelo devedor, não ocorre a invalidade

do negócio jurídico; e

• se o negócio jurídico contendo objeto impossível, tiver sua eficácia subordi-

nada a um evento futuro e incerto, e aquela impossibilidade cessar antes de

realizada aquela condição válida será a avença.

b) Certo. Vide art. 114 do CC.

c) Certo. Vide art. 112 do CC.

d) Certo. Vide art. 111 do CC.

e) Certo. Vide art. 109 do CC.

Questão 9    (FGV/TJ-PI/AJAA/2015) Elisa convencionou com Lourdes a doação pe-

riódica de certa quantia em dinheiro caso ela seja aprovada e curse a faculdade de

Administração no estado vizinho à cidade onde moram.

Sobre a situação descrita, é correto afirmar que o ajuste negocial está sujeito:

a) a encargo, no qual caberá a Lourdes cumprir os requisitos em questão para

aquisição do direito às verbas;

b) a termo inicial, apenas produzindo efeitos após o ingresso de Lourdes no curso;

c) à condição suspensiva, somente se adquirindo o direito aos valores se Lourdes

for aprovada e cursar a faculdade;

d) à condição resolutiva, adquirindo Lourdes o direito aos valores desde o início e

os restituindo caso não seja aprovada;

e) a termo final, extinguindo o negócio jurídico com o ingresso de Lourdes no

curso superior.

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Letra c.

A doação em questão está sujeita a uma condição suspensiva (ser aprovada e

cursar a faculdade de Administração no estado vizinho). Sendo assim, devemos

observar o art. 125 do CC:

Art. 125 do CC
Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto
esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa.

Questão 10    (FGV/TCE-RJ/AUDITOR SUBSTITUTO DE CONSELHEIRO/2015) Anos

após a celebração de uma doação sob condição suspensiva, até hoje não imple-

mentada, é correto afirmar que:

a) o donatário tem um direito adquirido, embora esteja suspenso o seu exercício

até que a condição seja implementada;

b) o não implemento do fato futuro e incerto caracteriza a revogação da doação;

c) tendo a condição sido expressa como razão determinante, a doação consi-

dera-se inexistente;

d) admite-se, em caráter excepcional, que a condição seja maliciosamente levada

a efeito pela parte a quem aproveita o seu implemento;

e) enquanto a condição não se verificar, não se terá adquirido o direito a que visa

o negócio jurídico.

Letra e.

e) Certo. Conforme prevê o art. 125 do CC (reproduzido na questão anterior), no

negócio jurídico sujeito a uma condição suspensiva, enquanto não for implementa-

da a condição, a parte não adquire o direito estipulado.

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a) Errado. No negócio em questão, há um direito eventual e não um direito

adquirido.

b) Errado. O não implemento da condição suspensiva não revoga o negócio, mas

impossibilita a sua eficácia.

c) Errado. Segundo o art. 137 do CC, tendo a condição sido expressa como razão

determinante, a doação considera-se inválida.

Art. 137. Considera-se não escrito o encargo ilícito ou impossível, salvo se constituir o


motivo determinante da liberalidade, caso em que se invalida o negócio jurídico.

d) Errado. Em desacordo com o art. 129 do CC:

Art. 129. Reputa-se verificada, quanto aos efeitos jurídicos, a condição cujo implemen-
to for maliciosamente obstado pela parte a quem desfavorecer, considerando-se, ao
contrário, não verificada a condição maliciosamente levada a efeito por aquele
a quem aproveita o seu implemento.

Questão 11    (FCC/TCM-RJ/AUDITOR SUBSTITUTO DE CONSELHEIRO/2015) Os

negócios sob condição suspensiva

a) subordinam-se a evento futuro e certo.

b) operam efeitos desde logo, os quais são suspensos em caso de implemento

da condição.

c) são protegidos contra o advento de lei nova, em caso de conflito de leis no tem-

po, mesmo que ainda não tenha havido o implemento da condição.

d) geram, no que toca aos conflitos de lei no tempo, meras expectativas de direito,

não protegidas contra o advento de lei nova.

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e) não permitem que o titular eventual do direito pratique atos destinados à sua

conservação.

Letra c.

Análise das alternativas:

c) Certo. Somente se considera adquirido o direito subordinado a uma condição

suspensiva com o implemento da condição (vide art. 125 do CC). Entretanto, veja-

mos o art. 6º, § 2º da LINDB:

Art. 6º
§ 2º Consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por ele,
possa exercer, como aqueles cujo começo do exercício tenha termo pré-fixo, ou condi-
ção preestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem.

Se a condição foi preestabelecida de forma inalterável, o negócio jurídico sob con-

dição suspensiva também é protegido contra o advento de lei nova, em caso de

conflito de leis no tempo.

a) Errado. Os negócios jurídicos sob condição (suspensiva ou resolutiva) subordi-

nam-se a um evento futuro e incerto. Vide art. 121 do CC:

Art. 121 do CC
Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das par-
tes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto.

b) Errado. Em desacordo com o art. 125 do CC:

Art. 125 do CC
Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se
não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa.

d) Errado. Vide comentários da alternativa anterior.

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e) Errado. Em desacordo com o art. 130 do CC.

Art. 130. Ao titular do direito eventual, nos casos de condição suspensiva ou resolutiva,


é permitido praticar os atos destinados a conservá-lo.

Imagine que eu vá doar para você uma casa quando o Botafogo for campeão brasileiro

(acho que vai demorar). Trata-se de um negócio jurídico sob condição suspensiva.

Enquanto o Botafogo não for campeão, você não adquire o direito ao imóvel.

E se nesse período alguém invadir o imóvel?

Você, titular de um direito eventual (sob condição), poderá mover ações para pro-

teger o imóvel e retirar o invasor.

Questão 12    (FGV/ISS-CUIABÁ-MT/AUDITOR-FISCAL/2016) Francisco deseja doar

seu apartamento para Joaquim, seu sobrinho mais novo. Ao realizar a transferên-

cia, exige que o sobrinho pinte o apartamento, a cada 6 meses, na cor que ele de-

terminar. Joaquim aceita a oferta.

Assinale a opção que indica o elemento acidental presente no negócio jurídico.

a) Condição suspensiva.

b) Condição resolutiva.

c) Encargo.

d) Termo inicial.

e) Termo final.

Letra c.

São elementos acidentais a condição, o termo e o encargo (também chamado de modo).

O encargo, também chamado de modo, é uma cláusula imposta nos negócios

gratuitos, que restringe a vantagem do beneficiado.

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Questão 13    (FCC/TJ-PI/JUIZ SUBSTITUTO/2015) Quando o testamento foi aberto,

Rubião quase caiu para trás. Advinhas por quê. Era nomeado herdeiro universal do

testador. Não cinco, nem dez, nem vinte contos, mas tudo, o capital inteiro, espe-

cificados os bens, casa na Corte, uma em Barbacena, escravos, apólices, ações do

Banco do Brasil e de outras instituições, joias, dinheiro amoedado, livros − tudo

finalmente passava às mãos do Rubião, sem desvios, sem deixas a nenhuma pes-

soa, nem esmolas, nem dívidas. Uma só condição havia no testamento, a de guar-

dar o herdeiro consigo o seu pobre cachorro Quincas Borba, nome que lhe deu por

motivo da grande afeição que lhe tinha. Exigia do dito Rubião que o tratasse como

se fosse a ele próprio testador, nada poupando em seu benefício, resguardando-o

de moléstias, de fugas, de roubo ou de morte que lhe quisessem dar por maldade;

cuidar finalmente como se cão não fosse, mas pessoa humana. Item, impunha-lhe

a condição, quando morresse o cachorro, de lhe dar sepultura decente, em terreno

próprio, que cobriria de flores e plantas cheirosas; e mais desenterraria os ossos do

dito cachorro, quando fosse tempo idôneo, e os recolheria a uma urna de madeira

preciosa para depositá-los no lugar mais honrado da casa.

(Assis, Machado de. Quincas Borba. p. 25. Saraiva, 2011).

As exigências feitas a Rubião consubstanciam

a) termo final.

b) condição resolutiva.

c) condição suspensiva.

d) termo inicial.

e) encargo.

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Letra e.

A exigência de guardar o cachorro é um encargo atrelado ao ato de liberalidade

(testamento).

Questão 14    (FGV/ISS-CUIABÁ-MT/AUDITOR-FISCAL/2016) Fábio comprometeu-

-se a doar uma casa aos noivos Roberto e Carla, desde que viessem a contrair

matrimônio.

Um mês antes do casamento, Carla descobriu que o vizinho do imóvel vem danifi-

cando o bem de Fábio, podendo a continuação destruir o imóvel.

Diante do ocorrido, assinale a afirmativa correta.

a) Roberto e Carla nada poderão fazer, visto que só possuem uma mera expecta-

tiva de direito, sendo de Fábio a legitimidade para a propositura de qualquer ação.

b) Roberto e Carla poderão promover ação judicial que impeça o ato do vizinho,

visto que o termo inicial gera a aquisição do direito.

c) Fábio, Roberto e Carla não poderão promover ação judicial, pois será preciso

aguardar a realização do casamento para a propositura da ação.

d) Roberto e Carla poderão agir, inclusive judicialmente, pois ao titular do direito

eventual, nos casos de condição suspensiva, é permitido praticar os atos destina-

dos a conservá-lo.

e) A doação celebrada por Fábio está sujeita a uma condição suspensiva, o que

gera a suspensão da aquisição do direito, inibindo a ação dos noivos.

Letra d.

A situação apresenta um negócio jurídico (doação) subordinado a à condição sus-

pensiva (contrair matrimônio).

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Sendo assim, novamente devemos utilizar como base legal o art. 130 do CC.

Art. 130. Ao titular do direito eventual, nos casos de condição suspensiva ou resolutiva,


é permitido praticar os atos destinados a conservá-lo.

Questão 15    (ESAF/ANAC/ESPECIALISTA EM REGULAÇÃO/2016) A respeito do ne-

gócio jurídico, ante o disposto no Código Civil Brasileiro, é correto afirmar:

a) considera-se Encargo a cláusula que deriva exclusivamente da vontade das par-

tes, subordinando o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto.

b) permite-se a prática de ato destinado à conservação de um direito, nos casos de

condição resolutiva, ao titular do direito eventual.

c) a renúncia aos negócios jurídicos benéficos interpreta-se ampliativamente, visto

que benevolentes.

d) apresenta-se como defeito do negócio jurídico o falso motivo, o qual vicia a de-

claração de vontade, sendo ou não razão determinante.

e) o dolo acidental obriga à satisfação das perdas e danos, lucros cessantes

e emergentes.

Letra b.

b) Certo. Conforme o art. 130 do CC.

a) Errado. A alternativa descreve as características da condição.

c) Errado. Segundo o art. 114 do CC, a interpretação no caso em questão deve

ser restrita.

Art. 114 do CC - Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente.

d) Errado. Em desacordo com o artigo 140 do CC.

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Art. 140 do CC - O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como


razão determinante.

e) Errado. Em desacordo com o art. 146 do CC:

Art. 146 do CC – O dolo acidental só obriga à satisfação das perdas e danos, e é


acidental quando, a seu despeito, o negócio seria realizado, embora por outro modo.

DOLO ESSENCIAL NULIDADE RELATIVA + PERDAS E DANOS


DOLO ACIDENTAL SÓ PERDAS E DANOS

Questão 16    (FCC/TJ-AL/JUIZ SUBSTITUTO/2015) É anulável

a) o negócio que tenha por objetivo fraudar lei imperativa.

b) o contrato que tem por objeto herança de pessoa viva.

c) a troca de bens com valores desiguais entre ascendentes e descendentes sem o

consentimento dos outros descendentes.

d) o negócio jurídico simulado.

e) o negócio proibido por lei, que não lhe comina sanção.

Letra c.

É muito comum a banca cobrar do aluno as situações em que o negócio jurídico é

nulo ou anulável. Inicialmente você deve ter em mente que o negócio nulo possui

um vício mais grave que o negócio anulável.

As principais situações em que o negócio jurídico é considerado nulo estão nos arts.

166 e 167 do CC:

Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando:


I – celebrado por pessoa absolutamente incapaz;
II – for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto;

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III – o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito;


IV – não revestir a forma prescrita em lei;
V – for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade;
VI – tiver por objetivo fraudar lei imperativa;
VII – a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar
sanção.
Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se
válido for na substância e na forma.

c) Certo. Nesse caso, o art. 496 do CC menciona expressamente a possibilidade

de anulação.

Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descen-


dentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido.

a) Errado. Fraudar lei imperativa é um vício grave, dessa forma, o negócio será

nulo. Vide art. 166, VI do CC.

b) Errado. A herança de pessoa viva não pode ser objeto de contrato por força do

art. 426 do CC:

Art. 426. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva.

Sendo assim, como o art. 426 do CC proíbe a prática de um negócio sem cominar san-

ção, devemos utilizar o art. 166, VII do CC e concluir que se trata de um negócio nulo.

d) Errado. Segundo o art. 167 do CC, o negócio simulado é nulo.

e) Errado. Trata-se de negócio nulo, conforme prevê o art. 166, VII do CC.

Questão 17    (FGV/TJ-PI/AJAA/2015) Pietra negocia a compra de um veículo per-

tencente a Bruna. Antes do ajuste, levam o carro a uma oficina mecânica. Camila,

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mecânica de veículos automotores, avalia o estado do carro e, deliberadamente,

por ser desafeto de Pietra, informa que o carro está em excelente condição, embo-

ra tal informação não corresponda à realidade. O veículo apresenta uma série de

defeitos mecânicos conhecidos de Bruna e falseados por Camila.

A hipótese narrada configura:

a) erro essencial quanto à qualidade do veículo, o que autoriza a anulação do ne-

gócio jurídico;

b) lesão, pois se trata de contratação desproporcional em razão de inexperiência;

c) erro acidental quanto aos atributos do carro, o que autoriza a correção dos valores;

d) simulação, pois se trata de negócio eivado de nulidade em razão da ação

do terceiro;

e) dolo principal, que, ainda que praticado por terceiro, autoriza a anulação.

Letra e.

A questão trata do dolo de terceiro.

Art. 148 do CC
Pode também ser anulado o negócio jurídico por dolo de terceiro, se a parte a
quem aproveite dele tivesse ou devesse ter conhecimento; em caso contrário, ainda que
subsista o negócio jurídico, o terceiro responderá por todas as perdas e danos da parte
a quem ludibriou.

O dolo de terceiro é aquele oriundo de uma terceira pessoa que não é parte no

negócio jurídico. Só será causa de anulabilidade do negócio jurídico quando a par-

te beneficiada souber ou tiver a possibilidade de saber sobre a sua existência, tal

como no caso de terceiro que utiliza o artifício a mando de um dos contratantes.

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Questão 18    (FCC/TRT 3ª REGIÃO/AJAJ/2015) Marcela permutou um televisor ava-

riado com um celular avariado de Marina. Ambas sabiam que os respectivos bens

estavam deteriorados e ambas esconderam tal circunstância uma da outra bus-

cando tirar vantagem na transação. Julgando-se prejudicada, Marina ajuizou ação

contra Marcela requerendo a invalidação do negócio e indenização. O juiz deverá

a) desacolher ambos os pedidos, pois, se as duas partes procedem com dolo, ne-

nhuma pode alegá-lo para anular o negócio nem reclamar indenização.

b) acolher apenas o pedido de invalidação do negócio, pois esta pode ser reconhe-

cida inclusive de ofício.

c) acolher apenas o pedido de indenização, em razão do princípio que veda o en-

riquecimento sem causa.

d) acolher ambos os pedidos, pois o dolo de uma parte não anula o da outra.

e) acolher apenas o pedido de invalidação, desde que formulado no prazo deca-

dencial de quatro anos da celebração do negócio.

Letra a.

Sobre o dolo bilateral ou recíproco (de ambas as partes) é interessante lermos

o art. 150 do CC.

Art. 150 do CC
Se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma pode alegá-lo para anular o ne-
gócio, ou reclamar indenização.

Conclui-se que o dolo bilateral não é capaz de anular o negócio jurídico, tampouco gerar

indenização por perdas e danos. O ato negocial em que houver dolo bilateral será válido.

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Questão 19    (FCC/TRT 23ª REGIÃO/JUIZ SUBSTITUTO/2015) Quando da venda de

sua casa, para não ver prejudicadas as negociações, João deixou de mencionar a

Rogério, adquirente, que, no imóvel vizinho, funcionava estridente casa noturna.

Ignorando o fato, Rogério acabou por adquirir o imóvel. Considerando-se que, se

conhecesse o fato, Rogério não teria celebrado o negócio, o silêncio do vendedor

constituiu

a) omissão dolosa, que não obriga a satisfazer as perdas e danos mas é causa de

anulabilidade, a qual depende de iniciativa da parte para ser decretada.

b) omissão dolosa, que obriga a satisfazer as perdas e danos e é causa de anulabili-

dade, a qual pode ser conhecida de ofício e não convalesce com o passar do tempo.

c) omissão dolosa, que obriga a satisfazer as perdas e danos e é causa de anula-

bilidade, a qual depende de iniciativa da parte para ser decretada.

d) lesão, que obriga somente a satisfazer as perdas e danos.

e) lesão, que obriga a satisfazer as perdas e danos e é causa de nulidade, a qual

pode ser conhecida de ofício e não convalesce com o passar do tempo.

Letra c.

O dolo negativo ou omissão dolosa (art. 147 do CC) é aquele resultante de uma

omissão intencional para induzir um dos contratantes (conduta negativa). Pode

acarretar a anulação do ato negocial juntamente com perdas e danos se for o mo-

tivo determinante (dolo principal). Se for acidental enseja, apenas, perdas e danos.

Art. 147 do CC
Nos negócios jurídicos bilaterais, o silêncio intencional de uma das partes a respeito de
fato ou qualidade que a outra parte haja ignorado, constitui omissão dolosa, provan-
do-se que sem ela o negócio não se teria celebrado.

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Como o enunciado menciona que, se conhecesse o fato, Rogério não teria ce-

lebrado o negócio, conclui-se que se trata do dolo principal, sendo causa de

anulabilidade do negócio.

Além disso, é necessário sabermos que por ser uma situação de anulabilidade do

negócio, só os interessados ou representantes legítimos a podem alegar, sendo ve-


dado ao juiz pronunciar-se de ofício.

Art. 177. A anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença, nem se pro-
nuncia de ofício; só os interessados a podem alegar, e aproveita exclusivamente aos
que a alegarem, salvo o caso de solidariedade ou indivisibilidade.

Questão 20    (COPS/UEL/PC-PR/DELEGADO DE POLÍCIA/2013) Setúbal Mourinho


de Oliveira, imigrante recém-chegado ao Brasil, pretendia adquirir um bem imóvel
para instalar sua indústria e comércio de produtos alimentícios. Consultou diversos
jornais até que encontrou Aristides, que lhe ofereceu uma casa em um certo bairro
da cidade. Setúbal lhe afirmou que pretendia a aquisição de um bem imóvel para
instalar sua empresa, e o negócio se concluiu dias depois. Setúbal não pôde se ins-
talar como pretendia, pois a Prefeitura do Município esclareceu que naquela zona
residencial isso não era possível.
Acerca das consequências desse negócio jurídico, assinale a alternativa correta.
a) O negócio é passível de anulação por restar configurada a lesão.
b) O negócio é anulável porque está presente o erro quanto ao objeto principal.
c) O negócio é passível de anulação por restar configurada a omissão dolosa.
d) O negócio não é anulável pois se trata de condição específica do contrato.
e) O negócio deve subsistir pois não se evidencia qualquer espécie de vício.

Letra c.

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Novamente temos um caso de omissão dolosa (dolo negativo). Sendo assim, valem
os comentários feitos na questão anterior.

Questão 21    (FGV/CODEBA/ADVOGADO/2016) Mariana está internada em hospital


da rede particular de saúde em estado grave. Rodrigo, seu pai, promete recompen-
sa de R$ 100.000,00 à equipe médica, caso a sua filha seja curada. Operada a cura,
os médicos reivindicam o pagamento da recompensa prometida. Assinale a opção

que indica o vício que contaminou essa manifestação de vontade.

a) Estado de perigo.

b) Lesão.

c) Erro.

d) Fraude contra credores.

e) Dolo por omissão.

Letra a.

O estado de perigo representa a assunção de uma obrigação excessivamen-

te onerosa (exorbitante) para evitar um dano pessoal que é do conheci-

mento da outra parte contratante.

Art. 156 do CC
Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-
-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume
obrigação excessivamente onerosa.
Parágrafo único. Tratando-se de pessoa não pertencente à família do declarante, o
juiz decidirá segundo as circunstâncias.

Sendo assim, na situação apresentada configurou-se o estado de perigo.

Normalmente, quando a questão apresenta uma situação com risco de dano pes-

soal, trata-se do estado de perigo.

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Questão 22    (FGV/PGE-RO/ANALISTA PROCESSUAL/2015) Catarina, percebendo que

sua mãe, Daniela, estava com algum mal súbito, levou-a ao hospital mais próximo de

sua casa. Enquanto sua mãe aguardava na sala de espera do hospital, Catarina preen-

chia o formulário de atendimento. Quando indagou ao funcionário do hospital o motivo

pelo qual sua mãe ainda não havia sido atendida por um médico, ele informou que antes
seria necessário o depósito de R$ 5 mil, a título de garantia, através de um cheque pós-
-datado. Apesar de reconhecer que não possuía esse valor em conta-corrente, Catarina
emitiu o cheque de pronto para possibilitar o atendimento de emergência de sua mãe.

Sobre a situação descrita, é correto afirmar que Catarina poderá:

a) anular o negócio jurídico por vício resultante de estado de perigo, no prazo de-

cadencial de quatro anos, contados da data da celebração do contrato;

b) anular o negócio jurídico por estado de perigo, no prazo prescricional de quatro

anos, a contar da data da celebração do contrato;

c) requerer a declaração de nulidade do negócio jurídico, por vício resultante de

coação, não convalescendo pelo decurso do tempo;

d) requerer a declaração de nulidade do negócio jurídico, por dolo, tendo em vista

a demora no atendimento de Daniela;

e) anular o negócio jurídico por lesão, no prazo de dois anos, a contar da data da

celebração do contrato.

Letra a.

Novamente caracterizou-se uma situação de estado de perigo por haver risco de

dano pessoal à Daniela.

Sendo assim, por meio do art. 171, II do CC, percebemos que se trata de um

negócio anulável.

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Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio


jurídico:
I – por incapacidade relativa do agente;
II – por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude
contra credores.

Quanto ao prazo para ingressar com a ação anulatória, devemos recorrer ao art.
178, II do CC.

Art. 178 do CC
É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio
jurídico, contado:
I – no caso de coação, do dia em que ela cessar;
II – no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia
em que se realizou o negócio jurídico;
III – no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade.

Questão 23    (FGV/ISS-CUIABÁ-MT/AUDITOR FISCAL/2016) Justina, oriunda de

uma pequena cidade do interior do Brasil, chega a São Paulo sem conhecer nin-

guém e procura de imediato, e com urgência, um apartamento para residir.

O proprietário do imóvel desejado, percebendo a pouca experiência de Justina e

reconhecendo a sua necessidade de moradia, cobra-lhe valor três vezes superior ao

usualmente praticado naquele bairro.

Considerando tais fatos, assinale a afirmativa correta.

a) O contrato de locação realizado é válido, tendo em vista a proteção ao princípio

da autonomia privada.

b) O contrato de locação realizado é nulo, tendo em vista a existência de dolo por

parte do proprietário do imóvel.

c) O contrato de locação realizado é nulo, tendo em vista a existência de erro por

parte de Justina.

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d) O contrato de locação realizado é anulável, tendo em vista a existência de es-

tado de perigo.

e) O contrato de locação realizado é anulável, tendo em vista a existência de lesão.

Letra e.

Diferentemente do estado de perigo, que caracteriza uma situação de risco de dano

pessoal, temos a lesão, que caracteriza uma situação de dano patrimonial.

ESTADO DE PERIGO: decorre do risco de dano a uma pessoa.

LESÃO: decorre do risco de dano ao patrimônio.

Sendo assim, devemos recorrer ao art. 157 do CC:

Art. 157 do CC
Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência,
se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta.

Sendo assim, por meio do art. 171, II do CC, percebemos que se trata de um ne-

gócio anulável.

Questão 24    (FCC/MANAUSPREV/PROCURADOR AUTÁRQUICO/2015) O negócio

jurídico praticado sob coação

a) é nulo, não se convalidando com o decurso do tempo nem podendo ser confir-

mado pela vontade das partes.

b) equipara-se aos praticados sob temor reverencial.

c) é nulo, podendo ser invalidado, a pedido da parte prejudicada, no prazo deca-

dencial de 4 anos, contado da celebração do negócio.

d) deve ser interpretado tendo em conta o que, na mesma circunstância, teria feito

o homem médio.

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e) é anulável, convalidando-se com o decurso do tempo e podendo ser confirmado

pela vontade das partes.

Letra e.

e) Certo. Por ser a coação uma causa de anulabilidade, é possível ocorrer, tanto a

convalidação, como a confirmação.

CONFIRMAÇÃO É um ato das partes contratantes com o


NULIDADE
(art. 172 do CC) objetivo de sanar o vício do ato negocial.
RELATIVA
(NJ nulo) Decorre do decurso de tempo que provoca
CONVALIDAÇÃO
a decadência do direito de anular o negócio.
NULIDADE É a transformação do ato nulo em outro que
ABSOLUTA CONVERSÃO contém os requisitos do primeiro.
(NJ anulável)

a) Errado. A coação torna o negócio anulável, conforme prevê o art. 171, II do CC.

b) Errado. O temor reverencial é uma situação excludente de coação. Vide art.

153 do CC:

Art. 153 do CC - Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito,


nem o simples temor reverencial.

c) Errado. A coação torna o negócio anulável, conforme prevê o art. 171, II do CC.

d) Errado. A coação deve ser interpretada nos termos do art. 152 do CC.

Art. 152 do CC
No apreciar a coação, ter-se-ão em conta o sexo, a idade, a condição, a saúde, o tempera-
mento do paciente e todas as demais circunstâncias que possam influir na gravidade dela.

Questão 25    (FGV/TJ-PI/AJAJ/2015) Alessandra sofreu um “sequestro relâmpago”

e foi obrigada, sob coação moral irresistível, a realizar diversos saques de sua con-

ta-corrente e empréstimos em seu nome. Cessados os atos de coação, é correto

afirmar que Alessandra terá 4 anos de prazo:

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a) prescricional para alegar a nulidade relativa dos atos e negócios praticados

sob coação;

b) decadencial para alegar a nulidade absoluta dos atos e negócios praticados

sob coação;

c) decadencial para alegar a inexistência dos atos e negócios praticados sob coação;

d) prescricional para alegar a inexistência dos atos e negócios praticados sob coação;

e) decadencial para alegar a nulidade relativa dos atos e negócios praticados sob coação.

Letra e.

Sobre os prazos decadenciais para se pleitear a anulação do negócio jurídico, veja-

mos a questão no art. 178 do CC.

Art. 178 do CC
É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurí-
dico, contado:
I – no caso de coação, do dia em que ela cessar;
II – no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que
se realizou o negócio jurídico;
III – no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade.

Questão 26    (ESAF/PGFN/PROCURADOR/2015) Analise as proposições abaixo e

assinale a opção incorreta.

a) Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar

o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore,

poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos.

b) Os contratos onerosos do devedor insolvente serão anuláveis quando a insol-

vência for notória ou conhecida do outro contratante.

c) Os negócios fraudulentos serão nulos em relação aos credores cuja garantia se

tornar insuficiente.

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d) Anulados os negócios fraudulentos, a vantagem resultante reverterá em provei-

to do acervo sobre o qual se tenha de efetuar o concurso de credores.

e) Se os negócios fraudulentos tinham por único objeto atribuir direitos preferen-

ciais, mediante hipoteca, penhor ou anticrese, sua invalidade importará somente

na anulação da preferência ajustada.

Letra c.

(C) Errado. A fraude contra credores torna o negócio anulável e não nulo.

Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio


jurídico:
I – por incapacidade relativa do agente;
II – por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra
credores.

a) Certo. A assertiva trata da fraude contra credores prevista no art. 158 do CC:

Art. 158 do CC
Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o de-
vedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão
ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos.

b) CERTA. A assertiva trata da fraude contra credores prevista no art. 159 do CC:

Art. 159. Serão igualmente anuláveis os contratos onerosos do devedor insolvente, quan-


do a insolvência for notória, ou houver motivo para ser conhecida do outro contratante.

d) CERTA. A assertiva trata da fraude contra credores prevista no art. 165 do CC:

Art. 165. Anulados os negócios fraudulentos, a vantagem resultante reverterá em pro-


veito do acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores.

e) CERTA. A assertiva trata da fraude contra credores prevista no art. 165, pará-

grafo único do CC:

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Art. 165. Parágrafo único. Se esses negócios tinham por único objeto atribuir direitos
preferenciais, mediante hipoteca, penhor ou anticrese, sua invalidade importará somen-
te na anulação da preferência ajustada.

Questão 27    (FCC/TJ-PI/JUIZ SUBSTITUTO/2015) Roberto doou aos filhos seu mais

valioso imóvel em 20/10/2014 e, no mesmo dia, ofereceu em hipoteca outro imóvel

para garantia de dívida por empréstimo que lhe foi concedido, em 19/09/2014, por

seu amigo Pedro. Com a doação daquele imóvel, Roberto tornou-se insolvente, por-

que já tinha diversas dívidas vencidas e não pagas entre as quais a decorrente de ne-

gócios realizados com Manoel, sem garantia real, vencida em 08/09/2014 e não paga,

além de contar com vários protestos cambiais. Em 18/11/2014 tomou emprestado de

Antônio R$ 80.000,00, que não exigiu qualquer garantia e R$ 85.000,00 de Rodrigo,

que exigiu fiança, prestada por José, mas Roberto também não pagou as dívidas a

esses mutuantes. Nesses negócios, está configurada fraude contra credores, pela

a) doação e constituição de hipoteca, cujas anulações podem ser pleiteadas

por Manoel.

b) doação, apenas, cuja anulação só pode ser demandada, entre os credores

mencionados, por Manoel.

c) doação, pela constituição de hipoteca e pela fiança, que podem ser anuladas em

ação proposta por Manoel e por Antônio.

d) doação, apenas, cuja anulação pode ser pleiteada por Manoel, Antônio e Rodrigo.

e) doação e pela constituição de hipoteca, cujas anulações podem ser pleiteadas

por Manoel e Antônio, mas não por Rodrigo.

Letra a.

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Para facilitar a análise da questão, vamos listar todos os negócios praticados por Roberto:

08/09/2014 → dívida vencida e não paga com Manoel (sem garantia real).

19/09/2014 → concessão de empréstimo pelo amigo Pedro.

20/10/2014 → doou aos filhos seu mais valioso imóvel e tornou-se insolvente.

20/10/2014 → ofereceu em hipoteca outro imóvel para garantia do empréstimo

feito pelo amigo Pedro.

18/11/2014 → empréstimo de R$ 80.000,00 com Antônio (sem garantia).

18/11/2014 → empréstimo de R$ 85.000,00 com Rodrigo (fiança prestada por José).

A fraude contra credores torna o negócio anulável. Tal fato visa impedir que o de-

vedor insolvente desfalque ainda mais o seu patrimônio e, com isso, não consiga

cumprir com as suas obrigações e saldar os devedores.

Sendo assim, vamos analisar cada fato narrado:

08/09/2014 → dívida vencida e não paga com Manoel (sem garantia real).

A assunção da dívida não tornou Roberto insolvente, sendo assim, não há que se

falar em fraude contra credores.

19/09/2014 → concessão de empréstimo pelo amigo Pedro.

A concessão de empréstimo pelo amigo Pedro não tornou Roberto insolvente, sen-

do assim, não há que se falar em fraude contra credores.

20/10/2014 → doou aos filhos seu mais valioso imóvel e tornou-se insolvente.

Nesse exato momento, com a doação aos filhos, o patrimônio de Roberto tornou-se

menor do que as suas dívidas (insolvência) e, por isso, esse ato pode ser anulado

alegando-se fraude contra credores.

20/10/2014 → ofereceu em hipoteca outro imóvel para garantia do em-

préstimo feito pelo amigo Pedro

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O ato de, já estando insolvente, prestar garantia a uma dívida vencida antes é uma

forma de alterar a preferência dos credores ao cobrarem as dívidas de Roberto

(Manoel é prejudicado) e, conforme prevê o art. 163 do CC, pode ser anulado ale-

gando-se fraude contra credores.

Art. 163. Presumem-se fraudatórias dos direitos dos outros credores as garantias de


dívidas que o devedor insolvente tiver dado a algum credor.

18/11/2014 → empréstimo de R$ 80.000,00 com Antônio (sem garantia).

Tendo em vista que o empréstimo não desfalca o Patrimônio de Roberto, não há


que se falar em fraude contra credores.
18/11/2014 → empréstimo de R$ 85.000,00 com Rodrigo (fiança prestada por José).
Tendo em vista que o empréstimo, mesmo com garantia, também não desfalca o
Patrimônio de Roberto, não há que se falar em fraude contra credores.
Sendo assim, somente a doação aos filhos e a hipoteca podem ser anulados por
Manoel (credor prejudicado com os atos) alegando-se fraude contra credores.

Questão 28    (FCC/TCM-RJ/PROCURADOR DE CONTAS/2015) Em relação aos defei-


tos dos negócios jurídicos tem-se que
a) são nulos os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emanarem
de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em
face das circunstâncias do negócio.
b) os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar
o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore,
poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos.

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c) o dolo acidental anula o negócio jurídico ou, alternativamente, obriga à satisfa-


ção de perdas e danos, e é acidental quando, a seu despeito, o negócio seria reali-
zado, embora por outro modo.
d) considera-se coação o temor reverencial, embora não o seja a ameaça do exer-
cício normal de um direito.
e) ocorre o estado de perigo quando alguém, sob premente necessidade ou por
inexperiência, obriga-se a prestação manifestamente desproporcional ao valor da
prestação oposta.

Letra b.

b) Certo. Em conformidade com o art. 158 do CC:

Art. 158 do CC - Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se


os praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o
ignore, poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos.

a) Errado. Em desacordo com o art. 138 do CC:

Art. 138 do CC - São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de vonta-


de emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência
normal, em face das circunstâncias do negócio.

c) Errado. Em desacordo com o art. 146 do CC:

Art. 146 do CC - O dolo acidental só obriga à satisfação das perdas e danos, e é


acidental quando, a seu despeito, o negócio seria realizado, embora por outro modo.

d) Errado. Em desacordo com o art. 153 do CC:

Art. 153 do CC - Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um di-


reito, nem o simples temor reverencial.

e) Errado. A alternativa descreve a lesão do art. 157 do CC:

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Art. 157 do CC - Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou


por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da
prestação oposta.

Questão 29    (FCC/TCM-GO/PROCURADOR DE CONTAS/2015) O negócio jurídico

simulado é

a) válido se posteriormente ratificado pelas partes interessadas.

b) nulo, sendo igualmente nulo o negócio dissimulado, pelo vício de origem

c) nulo, mas é válido o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma.

d) anulável, mas válido o que se procurou dissimular, se válido for na essência

e na forma.

e) ineficaz, por não ter potencial para gerar quaisquer consequências jurídicas.

Letra c.

Questão que possui o art. 167 do CC como fundamento:

Art. 167 do CC – É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimu-


lou, se válido for na substância e na forma.

Questão 30    (FCC/TCM-RJ/AUDITOR SUBSTITUTO DE CONSELHEIRO/2015) Fran-

cisco simulou ter vendido imóvel a Carla, sua amante, a quem, em verdade, doara

referido bem. De acordo com o Código Civil, tal ato,

a) diferentemente dos demais defeitos do negócio jurídico, é nulo, devendo ser

invalidado de ofício, pelo juiz.

b) assim como os demais defeitos do negócio jurídico, é nulo, devendo ser invali-

dado de ofício, pelo juiz.

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c) assim como os demais defeitos do negócio jurídico, é anulável, não podendo ser

invalidado de ofício, pelo juiz.

d) assim como os demais defeitos do negócio jurídico, é anulável, devendo ser in-

validado de ofício, pelo juiz.

e) diferentemente dos demais defeitos do negócio jurídico, é anulável, não poden-

do ser invalidado de ofício, pelo juiz.

Letra a.

A situação apresentada representa um exemplo de simulação relativa (quando uma

pessoa, sob a aparência de um negócio fictício, pretende realizar outro que é o ver-

dadeiro, diferente, no todo ou em parte, do primeiro).

Dessa forma, devemos recorrer ao art. 167 do CC.

Questão 31    (FCC/ICMS-PI/AUDITOR FISCAL/2015) Durante processo de divórcio,

Tício simulou ter vendido todos seus bens móveis a Mévio, a fim de fraudar a par-

tilha de bens. O negócio celebrado entre Mévio e Tício é

a) nulo e cognoscível de ofício, pelo juiz, não podendo ser convalidado pelas partes.

b) anulável, mas passível de convalidação pelas partes, a quem cabe a iniciativa

exclusiva do pedido de invalidação.

c) nulo, não cognoscível de ofício, pelo juiz, e passível de convalidação pelas partes.

d) nulo, cognoscível de ofício, pelo juiz, e passível de convalidação pelas partes.

e) anulável e cognoscível de ofício, pelo juiz, não podendo ser convalidado pelas partes.

Letra a.

Já sabemos que o art. 167 do CC atribui nulidade absoluta ao negócio jurídico simulado.

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Além disso, o art. 168, parágrafo único do CC, que trata das nulidades absolutas,

determina que o magistrado deve pronunciar tal nulidade de ofício.

Art. 168. As nulidades dos artigos antecedentes podem ser alegadas por qualquer in-
teressado, ou pelo Ministério Público, quando lhe couber intervir.
Parágrafo único. As nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando conhe-
cer do negócio jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas, não lhe sendo
permitido supri-las, ainda que a requerimento das partes.

Sendo assim, devemos também recorrer ao art. 169 do CC para saber que não é

possível a convalidação.

Art. 169. O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem convalesce


pelo decurso do tempo.

Questão 32    (FCC/ICMS-PI/AUDITOR FISCAL/2015) Tício, diretor de uma cons-

trutora, celebrou com Mévio, funcionário público, contrato por meio do qual este

lhe garantiria privilégios em licitações públicas em troca de pagamento mensal de

R$ 5.000,00. Trata-se de negócio

a) nulo, podendo ser invalidado a pedido de qualquer interessado ou do Ministério

Público, porém não de ofício, e não convalescendo pelo decurso do tempo.

b) nulo, devendo ser invalidado de ofício e não convalescendo pelo decurso do tempo.

c) anulável, devendo ser invalidado de ofício e não convalescendo pelo decurso do tempo.

d) válido, por atender aos usos e costumes.

e) anulável, podendo ser invalidado a pedido de qualquer interessado ou do Minis-

tério Público, porém não de ofício, e convalescendo com o decurso do tempo.

Letra b.

Tendo em vista que o objeto do contrato (privilégios em licitações públicas) é ilícito,

o caso narrado é um exemplo de negócio nulo (art. 166, II do CC).

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Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando:


II – for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto;

Sendo assim, valem os comentários da questão anterior a respeito do art. 168,

parágrafo único do CC e do art. 169 do CC.

Questão 33    (FCC/TCE-CE/ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO/2015) Os negócios jurí-

dicos nulos

a) prescrevem em 10 anos.

b) decaem em 4 anos.

c) são cognoscíveis de ofício, inclusive em segunda instância.

d) podem ser confirmados pela vontade das partes, desde que capazes.

e) podem ser confirmados pela vontade das partes, ainda que incapazes.

Letra c.

c) Certo. O art. 168, parágrafo único do CC, que trata das nulidades absolutas,

determina que o magistrado deve pronunciar a nulidade absoluta de ofício.

Art. 168. As nulidades dos artigos antecedentes podem ser alegadas por qualquer in-
teressado, ou pelo Ministério Público, quando lhe couber intervir.
Parágrafo único. As nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando conhe-
cer do negócio jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas, não lhe sendo
permitido supri-las, ainda que a requerimento das partes.

a) Errado. Nos negócios nulos o vício é perpetuo, pois não convalesce pelo decurso

do tempo (decadência), tampouco prescreve.

b) Errado. Nos negócios nulos o vício é perpetuo, pois não convalesce pelo decurso

do tempo (decadência), tampouco prescreve.

d) e e) Errados. Independentemente da capacidade das partes, o negócio nulo

não pode ser confirmado.

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Art. 169. O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem convalesce pelo
decurso do tempo.

Questão 34    (FCC/TCM-GO/AUDITOR SUBSTITUTO DE CONSELHEIRO/2015) No

tocante ao negócio jurídico nulo e anulável, é correto afirmar que

a) é de quatro anos o prazo de prescrição para pleitear- se a anulação, no caso de

coação contado do dia em que ela cessar, ou da prática do ato nos casos de erro,

dolo e fraude contra credores.

b) é anulável o negócio jurídico simulado, mas válido o que se dissimulou se regu-

lar for na substância e na forma.

c) é nulo o ato praticado em estado de perigo ou lesão.

d) a anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença, nem se pronuncia

de ofício; só os interessados a podem alegar, aproveitando exclusivamente aos que

a alegarem, salvo o caso de solidariedade ou indivisibilidade.

e) quando a anulabilidade do ato resultar da falta de autorização de terceiro, não

haverá sua validação em nenhum caso.

Letra d.

d) Certo. Vide art. 177 do CC:

Art. 177. A anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença, nem se pro-
nuncia de ofício; só os interessados a podem alegar, e aproveita exclusivamente aos que
a alegarem, salvo o caso de solidariedade ou indivisibilidade.

a) Errado. O erro da alternativa está na natureza do prazo para anulação do ne-

gócio, pois trata-se de um prazo decadencial e não prescricional.

Art. 178 do CC – É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anu-


lação do negócio jurídico, contado:
I – no caso de coação, do dia em que ela cessar;

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II – no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia
em que se realizou o negócio jurídico;
III – no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade.

b) Errado. De acordo com o art. 167 do CC o negócio simulado é nulo.

Art. 167 do CC - É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimu-


lou, se válido for na substância e na forma.

c) Errado. O ato praticado em estado de perigo ou lesão é anulável.

Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio ju-
rídico:
I – por incapacidade relativa do agente;
II – por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude con-
tra credores.

e) Errado. Em desacordo com o art. 176 do CC:

Art. 176. Quando a anulabilidade do ato resultar da falta de autorização de terceiro,


será validado se este a der posteriormente.

Lembre-se de que a nulidade relativa (anulabilidade) não é tão grave. Sendo assim,

é possível as partes suprirem o vício por meio da confirmação.

Questão 35    (COPS/UEL/PC-PR/DELEGADO DE POLÍCIA/2013) A respeito dos fatos

e atos jurídicos, como previstos no Código Civil, assinale a alternativa correta.

a) Tratando-se de atos jurídicos eivados de vício insanável, como erro, dolo, fraude

contra credores, estado de perigo ou lesão, o prazo para se intentar ação anulatória

é de dois anos, contado a partir da celebração do negócio.

b) A condição é considerada como a cláusula que, derivando exclusivamente da

vontade de uma das partes, determina que o efeito do negócio jurídico fica subor-

dinado a um evento futuro e incerto.

c) Em se tratando de erro, este não prejudica a validade do negócio jurídico quan-

do a pessoa, a quem a manifestação de vontade se dirige, se oferecer para execu-

tá-la na conformidade da vontade real do manifestante.

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d) Para que se considere a coação como defeito do negócio, levam-se em conta o

sexo, a idade e a desproporção de altura e peso entre coator e coagido. O simples

temor reverencial também é considerado atividade coatora.

e) É anulável o negócio jurídico que aparentemente confere ou transmite direitos

a pessoas diversas daquelas às quais realmente se transmitem, ou que contiverem

declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira.

Letra c.

c) Certo. Neste caso haverá uma confirmação, conforme prevê o art. 144 do CC:

Art. 144. O erro não prejudica a validade do negócio jurídico quando a pessoa, a quem
a manifestação de vontade se dirige, se oferecer para executá-la na conformidade da
vontade real do manifestante.

a) Errado. A alternativa possui dois erros. O primeiro é afirmar que erro, dolo,

fraude contra credores, estado de perigo ou lesão são vícios insanáveis, pois eles

podem ser sanados por meio da confirmação ou da convalidação. O segundo erro

está no prazo para intentar ação anulatória, que é de 4 anos.

b) Errado. A condição não pode ser imposta por apenas uma das partes, pois nesse

caso teríamos uma condição puramente potestativa, que é vedada pelo art. 122 do CC:

Art. 122 do CC
São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou aos
bons costumes; entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito
o negócio jurídico, ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes.

Sendo assim, as condições devem ser acordadas pelas partes.

d) Errado. A primeira parte da questão está certíssima. Porém, o erro está na se-

gunda parte quando trata do temor reverencial.

Art. 153 do CC

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Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito, nem o sim-


ples temor reverencial.

e) Errado. A situação apresentada representa um caso de simulação, conforme

prevê o art. 167 do CC.

Art. 167 do CC
É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na
substância e na forma.
§ 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando:
I – aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às
quais realmente se conferem, ou transmitem;
II – contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira;
III – os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados.
§ 2º Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do negócio
jurídico simulado.

Dessa forma, trata-se de um negócio nulo.

Questão 36    (FCC/TRT 14ª Região/AJAJ/2016) Sobre a invalidade do negócio

jurídico, considere:

I – É de cinco anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio

jurídico no caso de coação contado do dia em que ela cessa.

II – É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se

válido for na substância e na forma.

III – O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes, salvo direito de terceiro.

IV – É escusada a confirmação expressa, quando o negócio já foi cumprido em

parte pelo devedor, ciente do vício que o inquinava.

Está correto o que se afirma APENAS em

a) I, II e III.

b) II e III.

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c) III e IV.

d) II, III e IV.

e) I e IV.

Letra d.

I – Errado. Já sabemos que o prazo em questão é de 4 anos (art. 178 do CC).

II – Certo. Vide art. 167 do CC.

III – Certo. Vide art. 172 do CC.

IV – Certo. Vide art. 174 do CC.

Questão 37    (FCC/TRT 3ª REGIÃO/AJAJ/2015) Pedro comprou, por valor inferior ao

de mercado, rara e valiosa coleção de selos pertencente a Lucas, que tinha 14 anos

e não foi representado quando da celebração do negócio. Passados alguns meses e

não entregue o bem, Pedro procurou Lucas oferecendo-lhe suplementação do pre-

ço, a fim de que as partes ratificassem o ato. A pretendida ratificação

a) não poderá ocorrer, salvo se Lucas for assistido quando da confirmação.

b) poderá ocorrer, pois os negócios anuláveis podem ser confirmados pela vontade

das partes.

c) deverá ocorrer, em prestígio ao princípio da conservação dos contratos.

d) não poderá ocorrer, porque o negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação.

e) poderá ocorrer apenas pelo juiz, depois da intervenção do Ministério Público.

Letra d.

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Como Lucas tinha apenas 14 anos de idade, o negócio é nulo por ter sido praticado
por pessoa absolutamente incapaz sem a devida representação.
Dessa forma, sabemos que o negócio nulo (nulidade absoluta) não comporta a con-
validação ou a confirmação.

CONFIRMAÇÃO É um ato das partes contratantes com o obje-


NULIDADE (art. 172 do CC) tivo de sanar o vício do ato negocial.
RELATIVA Decorre do decurso de tempo que provoca a
CONVALIDAÇÃO
decadência do direito de anular o negócio.
NULIDADE É a transformação do ato nulo em outro que
CONVERSÃO
ABSOLUTA contém os requisitos do primeiro.

Questão 38    (FCC/TCM-RJ/PROCURADOR DE CONTAS/2015) No tocante ao regime


das nulidades no Código Civil, considere:
I – É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se
válido for na substância e na forma, podendo essa nulidade ser alegada por
qualquer interessado, ou pelo Ministério Público, quando lhe couber intervir.
II – As nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando conhecer do negócio
jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas, podendo porém supri-
-las, se assim for requerido pelas partes.
III – Se o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro, subsistirá este
quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido,
se houvessem previsto a nulidade.
IV – O negócio jurídico é anulável quando o agente for relativamente incapaz,
quando for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para
sua validade ou por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo,

lesão ou fraude contra credores.

Está correto o que se afirma APENAS em

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a) I e IV.

b) II e III.

c) II e IV.

d) III e IV.

e) I e III.

Letra e.

I – Certo. Vide arts. 167 e 168, caput do CC.

II – Errado. Tendo como base o art. 168, parágrafo único do CC, não é permitido

o suprimento do juiz.

Art. 168. Parágrafo único. As nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando co-
nhecer do negócio jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas, não lhe sendo
permitido supri-las, ainda que a requerimento das partes.

III – Certo. Vide art. 170 do CC.

IV – Errado. Quando for preterida alguma solenidade que a lei considere essen-

cial, temos um negócio jurídico nulo.

Questão 39    (ESAF/PGFN/PROCURADOR/2015) Observadas as proposições abaixo,

com relação aos negócios jurídicos, assinale a opção incorreta.

a) Subordinar a eficácia de um negócio jurídico a uma condição suspensiva sig-

nifica afirmar que, enquanto esta não se realizar, não se terá adquirido o direito

a que visa o negócio.

b) Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta

condição, fizer quanto àquela novas disposições, estas não terão valor, realizada a

condição, se com ela forem incompatíveis. Todavia, se for resolutiva a condição, en-

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quanto esta não se realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercer-se desde

a conclusão do negócio o direito por ele estabelecido.

c) As nulidades de um negócio jurídico podem ser arguidas por qualquer interes-

sado, bem como pelo Ministério Público nos casos em que couber intervir, podendo,

ainda, serem decretadas pelo juiz, de ofício, quando conhecer do negócio ou dos

seus efeitos e as encontrar provadas, não lhe sendo permitido supri-las, ainda que

a requerimento das partes.

d) A anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença, nem se pronuncia

de oficio; só os interessados a podem alegar, e aproveita exclusivamente aos que a

alegarem, salvo o caso de solidariedade ou indivisibilidade.

e) Se o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro, não subsistirá mes-

mo quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se

houvessem previsto a nulidade, porquanto o negócio jurídico nulo não é suscetível

de confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo.

Letra e.

a) Certo. Vide art. 125 do CC.

b) Certo. Vide arts. 126 e 127 do CC.

c) Certo. Vide art. 168 do CC.

d) Certo. Vide art. 177 do CC.

e) Errado. Em desacordo com o art. 170 do CC:

Art. 170 do CC
Se, porém, o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro, subsistirá este quan-
do o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se houvessem
previsto a nulidade.

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Tal dispositivo consagra o princípio da conservação do negócio jurídico. Ocor-

re o princípio quando o ato negocial nulo (nulidade absoluta) não pode prevalecer

na forma pretendida pelas partes, mas, como seus elementos são idôneos para

caracterizar outro ato de natureza diversa, então poderá ocorrer a transformação,

desde que isso não seja proibido taxativamente, como nos casos de testamento.

Questão 40    (FCC/TRT 6ª REGIÃO/JUIZ SUBSTITUTO/2015) Em relação ao negó-

cio jurídico,

a) quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem estabelecer prazo

para pleitear-se a anulação, será este de quatro anos, a contar sempre da data da

conclusão do ato.

b) a invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias, bem

como a destas induz à invalidade da obrigação principal, dado o princípio da cor-

respondência nos negócios jurídicos em geral.

c) a incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em

benefício próprio, nem aproveita aos cointeressados capazes, salvo se, neste caso,

for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum.

d) não ocorrendo a condição objetiva do negócio jurídico, ou seja, objeto lícito, pos-

sível, determinado ou determinável, a consequência jurídica será sua anulabilidade.

e) ninguém pode reclamar o que, por uma obrigação anulada, pagou a um inca-

paz, mostrando-se irrelevante eventual prova de que reverteu em proveito desse

incapaz a importância paga.

Letra c.

c) Certo. Vide art. 105 do CC.

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a) Errado. Segundo o art. 179 do CC, o prazo em questão será de 2 anos.

b) Errado. Em desacordo com o art. 184 do CC:

Art. 184. Respeitada a intenção das partes, a invalidade parcial de um negócio jurídico


não o prejudicará na parte válida, se esta for separável; a invalidade da obrigação
principal implica a das obrigações acessórias, mas a destas não induz a da
obrigação principal.

Imagine que um contrato de locação (principal) seja garantido por um contrato de

fiança (acessório). A invalidade da locação induz a invalidade da fiança. Porém, a in-

validade da fiança não acarreta a nulidade da locação que irá subsistir sem garantia.

d) Errado. A consequência jurídica será a nulidade absoluta.

e) Errado. Em desacordo com o art. 181 do CC.

Art. 181. Ninguém pode reclamar o que, por uma obrigação anulada, pagou a um inca-
paz, se não provar que reverteu em proveito dele a importância paga.

Questão 41    (TRT 2ª REGIÃO/JUIZ/2016) É INCORRETO afirmar que, não havendo

imposição legal de forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante:

a) Confissão.

b) Presunção.

c) Testemunha.

d) Dedução

e) Perícia.

Letra d.

Os meios para se provar um negócio jurídico estão previstos no art. 212 do CC:

Art. 212 do CC

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Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante:
I – confissão;
II – documento;
III – testemunha;
IV – presunção;
V – perícia.

Questão 42    (FCC/TJ-SE/JUIZ SUBSTITUTO/2015) A escritura pública lavrada em notas de

Tabelião,

a) faz prova plena, mas não é documento dotado de fé pública, podendo ser im-

pugnada por qualquer interessado.

b) é documento dotado de fé pública, mas não faz prova plena, porque o conven-

cimento do juiz é livre.

c) é documento dotado de fé pública, fazendo prova plena.

d) firma presunção absoluta de veracidade do que nele constar, por ser documento

dotado de fé pública.

e) é documento público, mas não dotado de fé pública, porque o Tabelião exerce

suas funções em caráter privado, por delegação do Estado, por isso, também, não

faz prova plena.

Letra c.

A questão tem o art. 215 do CC como fundamento:

Art. 215 do CC
A escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é documento dotado de fé pública,
fazendo prova plena.

c) Certo. Vide art. 215 do CC.

a) Errado. A escritura pública é um documento dotado de fé pública.

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b) Errado. A escritura pública faz prova plena.

d) Errado. A presunção de veracidade é relativa, pois admite prova em contrário.

e) Errado. Vide comentários anteriores.

Questão 43    (FGV/ISS-CUIABÁ-MT/AUDITOR FISCAL/2014) Juliana sofre pressão

constante por parte de seus familiares para ser fiadora de seus pais, Ana e Roberto.

Cansada e temerosa de comprometer todo o seu patrimônio, Juliana decide passar

para o nome de Arnaldo, seu melhor amigo, os dois apartamentos de que é pro-

prietária. Sem ter qualquer apartamento em seu nome, Juliana ver-se-á livre dos

pedidos de socorro de seus familiares pela fiança.

Nesse negócio jurídico, verifica-se a ocorrência de

a) lesão, tendo em vista a legítima expectativa de seus pais com relação à fiança.

b) coação por simples temor reverencial.

c) coação relativa, já que houve manifestação da vontade do agente.

d) simulação relativa

e) simulação absoluta.

Letra e.

A simulação absoluta ocorre quando as partes não pretendem realizar a cele-

bração de qualquer negócio jurídico. Ou seja, há um acordo simulatório em que

as partes pretendem que o negócio não produza nenhum efeito de modo a não

produzir eficácia jurídica.

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Questão 44    (CESPE/TCU/AUDITOR FEDERAL DE CONTROLE EXTERNO/2015) A

respeito das pessoas naturais e jurídicas, dos fatos e negócios jurídicos e do dis-

posto na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, julgue o seguinte item.

A renúncia realizada no contexto de um negócio jurídico deve ser interpretada de

maneira estrita.

Certo.

O art. 114 do CC trata da interpretação dos negócios benéficos ou gratuitos, ou

seja, quando apenas um dos contratantes assume obrigações. Nele é consagrado

o princípio da Interpretação restritiva dos negócios benéficos. Um exemplo

clássico é a doação que, por representar uma renúncia de direitos, deve ser inter-

pretada estritamente.

Art. 114 do CC
Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente.

Questão 45    (CESPE/TJ-CE/AJAJ/2014) Acerca de pessoas naturais e negócio jurí-

dico, assinale a opção correta à luz do Código Civil e da doutrina de referência.

a) Na concretização do negócio jurídico, o silêncio não tem consequência concreta

a favor das partes.

b) Todas as pessoas naturais, por possuírem capacidade de direito, podem praticar,

por si próprias, a generalidade dos atos da vida civil.

c) Considera-se termo a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das

partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto.

d) Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do

lugar de sua celebração.

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e) Se, da declaração de vontade, for detectado o falso motivo, o negócio jurídico

será sempre anulado.

Letra d.

d) Certo. A alternativa descreve o princípio da boa-fé previsto no art. 113 do CC.

Art. 113 do CC
Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de
sua celebração.

a) Errado. O art. 111 do CC possibilita a manifestação de vontade por meio do silêncio.

b) Errado. Para praticar com validade os atos da vida civil, as pessoas precisam

ser plenamente capazes e estarem legitimadas. Sendo assim, nem todas as pesso-

as podem praticar por si próprias (sozinhas) os atos da vida civil.

c) Errado. A alternativa descreve o conceito de condição previsto no art. 121 do CC.

Art. 121 do CC
Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das par-
tes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto.

e) Errado. O erro quanto ao fim colimado está relacionado com o motivo do ne-

gócio e, não sendo determinante do negócio, não pode ser considerado essencial;

consequentemente, não poderá acarretar a anulação do ato negocial. É o que diz

o artigo 140 do CC.

Art. 140 do CC
O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão
determinante.

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Questão 46    (CESPE/TJ-PB/JUIZ SUBSTITUTO/2015) Acerca da interpretação dos

negócios jurídicos e do princípio da boa-fé objetiva, assinale a opção correta.

a) A boa-fé objetiva limita os direitos subjetivos e constitui fonte de obrigação aos

contratantes, de forma a estabelecer deveres implícitos que não estão previstos

expressamente no contrato.

b) Os negócios jurídicos que estabeleçam benefício devem ter interpretação ampla.

c) De acordo com o Código Civil de 2002, não é permitido que o silêncio de um dos

participantes seja interpretado como caracterizador de concordância com o negócio.

d) A boa-fé objetiva importa para a interpretação dos contratos, mas não pode ser

fundamento para relativização da força obrigatória das avenças.

e) O negócio jurídico celebrado com reserva mental de um dos contratantes, com

ou sem conhecimento do outro, deve ser considerado inexistente.

Letra a.

a) Certo. A alternativa descreve o princípio da boa-fé previsto no art. 113 do CC.

Art. 113 do CC
Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de
sua celebração.

Mas você pode estar perguntando: Dicler, como o princípio da boa-fé limita os di-

reitos subjetivos?

Quando duas pessoas celebram um negócio, a legislação civil prevê a necessidade

de ambas agirem com boa-fé. Ou seja, uma não pode querer lesar a outra. Ambos

devem possuir probidade em suas condutas. Tal fato representa uma limitação no

direito subjetivo do livre negócio. O art. 422 do CC corrobora esse entendimento.

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Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato,


como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé.

b) Errado. O art. 114 do CC trata da interpretação dos negócios benéficos ou

gratuitos, ou seja, quando apenas um dos contratantes assume obrigações. Nele

é consagrado o princípio da Interpretação restritiva dos negócios benéficos. Um

exemplo clássico é a doação que, por representar uma renúncia de direitos, deve

ser interpretada estritamente.

c) Errado. O art. 111 do CC possibilita a manifestação de vontade por meio do silêncio.

d) Errado. Conforme comentários da alternativa “a”, o princípio da boa-fé relati-

viza a força obrigatória dos contratos a partir do momento em que um dos contra-

tantes não age com boa-fé.

e) Errado. A questão tem como base o art. 110 do CC que trata da reserva mental.

Art. 110 do CC
A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental
de não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento.

Na p. 28 desta aula, foi feito o seguinte quadro:

RESERVA MENTAL
DESCONHECIDA PELA OUTRA
O ato negocial subsistirá e será válido.
PARTE (LÍCITA)
CONHECIDA PELA OUTRA
O ato negocial será inválido (nulidade absoluta).
PARTE (ILÍCITA)

Ou seja, o ato praticado com reserva mental pode ser válido (reserva mental lícita)

ou totalmente inválido (reserva mental ilícita).

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Questão 47    (CESPE/TCE-PR/AUDITOR SUBSTITUTO DE CONSELHEIRO/2016) No

que diz respeito aos negócios jurídicos e suas invalidades, assinale a opção correta.

a) A reserva mental de não querer o que manifestou torna anulável o negócio ju-

rídico firmado, ainda que seja de conhecimento do destinatário.

b) Tratando-se de negócio jurídico anulável, dispensa-se a confirmação expressa

das partes se o devedor tiver cumprido parte de sua obrigação ciente do vício.

c) Ainda que estabelecida a denominada cláusula de não valer sem instrumento

público, se o bem for móvel, a transferência poderá ser realizada por cessão de

direitos particular.

d) O motivo ilícito de uma das partes torna o negócio jurídico nulo se for determi-

nante para sua realização.

e) Sendo o objeto do direito indivisível, a incapacidade relativa de uma das partes

não aproveita aos cointeressados capazes.

Letra b.

b) Certo. Vide art. 174 do CC.

Art. 174. É escusada a confirmação expressa, quando o negócio já foi cumprido em


parte pelo devedor, ciente do vício que o inquinava.

A partir do momento que o devedor cumpre o negócio tendo ciência do vício, ca-

racteriza-se uma confirmação tácita.

a) Errado. Vide comentários da alternativa “e” da questão anterior.

c) Errado. A assertiva está em desacordo com o conceito de forma convencional

previsto no art. 109 do CC.

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Art. 109. No negócio jurídico celebrado com a cláusula de não valer sem instrumento
público, este é da substância do ato.

Ou seja, se foi convencionada a forma de escritura pública, não se pode mais utili-

zar o instrumento particular.

d) Errado. O art. 140 do CC, que trata do vício denominado erro ou ignorância,

diz que:

Art. 140. O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão
determinante.

Sendo assim, como o erro substancial faz com que o negócio seja anulável, não há

que se falar em negócio nulo.

e) Errado. Vejamos o art. 105 do CC que foi comentado na pg.16:

Art. 105. A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela
outra em benefício próprio, nem aproveita aos cointeressados capazes, salvo se,
neste caso, for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum.

Questão 48    (CESPE/TRE-RS/AJAJ/2015) Na escada ponteana, analisa-se a trico-

tomia existência-validade-eficácia dos negócios jurídicos para que possam produ-

zir todos os efeitos esperados, sem que reste qualquer situação que os maculem.

Acerca dessa tricotomia, assinale a opção correta.

a) A reserva mental desconhecida pelo outro contraente – destinatário – torna in-

válido o negócio jurídico, uma vez que a declaração de vontade expressada conflita

com o íntimo do declarante.

b) O negócio jurídico realizado por agente relativamente incapaz é nulo de pleno

direito, não sendo passível de convalidação pelo decurso do tempo nem de confir-

mação pelas partes.

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c) Decorridos dois anos e um dia, a contar da realização do negócio jurídico en-

tabulado com vício de lesão, será possível a sua anulação, uma vez que ainda não

decaiu o direito do lesado.

d) A ausência de declaração de vontade torna o negócio jurídico anulável, mesmo

nos casos em que o silêncio possa ser admitido diante das circunstâncias.

e) A ausência de declaração de vontade expressa torna nulo o negócio jurídico,

pois o condiciona a um evento futuro e incerto.

Letra c.

c) Certo. O direito de anular o negócio jurídico celebrado com vício de lesão decai

em 4 anos, conforme prevê o art. 178 do CC.

Art. 178 do CC
É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio
jurídico, contado:
I – no caso de coação, do dia em que ela cessar;
II – no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia
em que se realizou o negócio jurídico;
III – no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade.

Sendo assim, no prazo de dois anos e um dia o direito ainda estará vigente, pois

não terá ocorrido a decadência.

a) Errado. Na reserva mental desconhecida pela outra parte (lícita) o ato negocial

subsistirá e será válido. Vide art. 110 do CC.

Art. 110 do CC - A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito
a reserva mental de não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha
conhecimento.

b) Errado. O negócio jurídico realizado por agente relativamente incapaz é anu-

lável, sendo passível de convalidação pelo decurso do tempo nem de confirmação

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pelas partes.

d) Errado. O art. 111 do CC possibilita a manifestação de vontade por meio do silêncio.

(E) Errado. O que condiciona a eficácia de um negócio jurídico a um evento futuro

e incerto é a condição. Vide art. 121 do CC.

Art. 121 do CC - Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da


vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto.

Questão 49    (CESPE/DPE-AL/DEFENSOR PÚBLICO/2017) Se, após uma tempesta-

de, uma árvore cair sobre um veículo e causar danos a alguém, esse evento será

classificado como

a) ato fato jurídico.

b) ato unilateral.

c) negócio jurídico.

d) fato jurídico em sentido estrito.

e) ato jurídico em sentido estrito.

Letra d.

Os Fatos Jurídicos Naturais (ou em sentido estrito) são aqueles provenientes

de fenômenos naturais, sem a intervenção da vontade humana, e que produzem

efeitos jurídicos.

Questão 50    (CESPE/DPE-AC/DEFENSOR PÚBLICO/2017) Pedro, recém-chegado a

Rio Branco, adquiriu de Ana um apartamento na cidade e, posteriormente, desco-

briu que havia pagado, pelo imóvel, valor equivalente ao dobro da média consta-

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tada no mercado, uma vez que desconhecia a real situação imobiliária local e tinha

pressa em adquirir um apartamento para abrigar sua família.

Nessa situação hipotética, o negócio poderá ser anulado, uma vez que apresenta o

vício de consentimento denominado

a) dolo.

b) lesão.

c) fraude contra credores.

d) estado de perigo.

e) coação.

Letra b.

A lesão é um vício de consentimento decorrente do abuso praticado em situação de

desigualdade de um dos contratantes, por estar sob premente necessidade, ou por

inexperiência, com o objetivo de protegê-lo diante do prejuízo sofrido na conclusão

de um negócio jurídico em decorrência da desproporção existente entre as prestações

das duas partes. Trata-se de um dano patrimonial. Diz o art. 157 do CC:

Art. 157 do CC
Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência,
se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta.

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